Ficha Corrida

30/06/2015

O milagre do Malafaia: transformou uma concessão pública em privada!

Filed under: Concessão Pública,Privada,Ricardo Boechat,Silas Malafaia — Gilmar Crestani @ 11:42 pm
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Quer saber como transformar uma concessão pública em privada? Simples, entregue a pessoas sem nenhum espírito público. Que, pelo contrário, trate o público como privada. Nem Fernandinho Beira-Mar é tão mercantilista. Se pelo menos este mala do Silas explicasse na Band como pode um pastor levar cerveja e cocaína para dentro de caça níquel

Depois desta arregaçada do seu Johnny Saad também vou fundar uma igreja.

E alugar espaço na Band. A partir de amanhã meus irmãos podem aderir à Igreja da Rola.

Na minha igreja, Silas, ajoelhou tem de rezar. Aposto que até o Ricardo iria Boechat…

Novela Silas Malafaia vs. Ricardo Boechat tem novo capítulo

Após pressionar dono da Band, Silas Malafaia consegue direito de resposta em canais da emissora. Pastor será entrevistado no canal Band News e na Rádio Band FM após Ricardo Boechat acusá-lo de “tomar grana de fiel” e de ser “explorador da fé alheia”

Boechat Malafaia direito resposta

Silas Malafaia pressionou os donos da Band até conseguir um direito de resposta no caso envolvendo Ricardo Boechat. Na Rádio BandNews FM, o jornalista acusou Malafaia de explorar a fé alheia: “Ô Malafaia, vai procurar uma rola. Não me enche o saco, você é um idiota, um paspalhão, um pilantra, tomador de grana de fiel, explorador da fé alheia (…) Não vou te dar palanque”

Como direito de resposta, o líder da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo participará de uma entrevista na Rádio Band e na Band News.

O religioso tem influência com a alta cúpula da Band porque aluga espaços na programação da emissora. Ensandecido ao ouvir a resposta de Boechat, o pastor afirmou, na ocasião da briga, que entraria em contato com Johnny Saad, presidente da Band – a quem se refere como “amigo” –, para tirar satisfações.

“Vou perguntar ao meu amigo Johnny, dono da Band, se a política do grupo é caluniar e difamar pessoas. Uma vergonha”, publicou Silas.

Relembre o caso

O enfrentamento entre Boechat e Malafaia começou após o jornalista criticar em seu programa de rádio, o Band News FM, líderes evangélicos que pregam discursos de ódio, afirmando que alguns deles têm parcela de culpa na recente onda de crimes contra outras religiões.

Em seguida, o pastor publicou no Twitter que Boechat estaria falando “asneira”, ”um verdadeiro idiota” quando disse que “os pastores incitam os fiéis a praticarem a intolerância” e o desafiou para um debate ao vivo.

Após a provocação de Malafaia, Boechat mandou a resposta que virou sensação nas redes sociais: ”você gosta muito de palanque, seu otário; não tenho medo de você”, ”você é homofóbico, é uma figura execrável e que toma dinheiro das pessoas a partir da fé”, disse o jornalista. Além disso, chamou o pastor de “paspalhão”, “pilantra” e o mandou “procurar uma rola”.

Novela Silas Malafaia vs. Ricardo Boechat tem novo capítulo

21/06/2015

Jesus criou Malafaia, Boechat e as rolas que Maria Madalena adorava

Diz a teoria do criacionismo que Deus é o criador de tudo. Não há evolução. E seus defensores parecem ter razão quando aparece pela nossa frente alguém do tipo Marco Feliciano, Silas Malafaia, Merval Pereira ou Aécio Neves. Foram criados, sem qualquer participação do processo civilizatório. Neles não há resquício de evolução. É só e puramente ebulição. Se Deus criou tudo, inclusive Lúcifer, porque não poderia ter criado Malafaia?! E se teve estômago para criar pulhas, porque não poderia ter criado um Ricardo Boechat?!

Vendo o que fizeram e fazem pessoas que se dizem religiosas, desprezo o deus deles.  Cristo, que andava com a prostituta Maria Madalena em Bethânia, sabia dar valor à rola. Bem que alguma Maria Madalena poderia dar um trato na rola do Malafaia. Jesus perdoaria, como perdoou Maria Madalena. Afinal, quem nunca deu um trato à rola que atire a primeira pedra.

E sabendo que Jesus expulsou os vendilhões do Templo, jamais andaria com Malafaia, Feliciano, Eduardo CUnha ou qualquer outro destes que envergonham. Porque Jesus sabia, para Malafaias, CUnhas e Caeterava, templo é dinheiro!

Quem ouve Bolsonaro e Malafaia falando sabe que “rola” uma química entre eles.  Quem sabe um encontro entre eles, num quarto escuro, o amor floresça e termine o ódio.

Aprenda com Jesus e Maria Madalena em Bethânia, Malafaia, deite e rola!

Malafaia, Boechat e o “vá procurar uma rola”. Infelizmente, “o buraco é mais embaixo”

20 de junho de 2015 | 01:41 Autor: Fernando Brito

malafaiarolinha

Silas Malafaia é daqueles de tirar a paciência e a serenidade de qualquer um.

Tirou a do apresentador  Ricardo Boechat, na BandNews, que reagiu aos desaforos de Malafaia mandando o coletor de dinheiro “procurar uma rola”.

Agora, Malafaia vira o “politicamente correto” e vai processar Boechat.

Boechat disse o que muita gente gostaria de dizer, mas disse de maneira que, apesar de entender seu “saco cheio”,  não deveria dizer.

Vai pingar mais algum nos bolsos de Malafaia, de indenização por dano moral, com certeza. Não tanto quanto deseja, porque vai entrar na “compensação de ofensa”, por conta das bravatas do pastor-provocador.

Malafaia terá um pouco menos do que procura e que não é bem “rola”.

Como no imperdível vídeo “Minha oferta, Minha Vida”, onde ele cobra do fiel que deposite um mês de aluguel para que o Senhor “possa abrir a porta para eu (ele) ter a casa própria”.

Reproduzo, para quem não viu, ver, ao final do post o tipo de explorador religioso que este personagem é.

Malafaia não tem de ser xingado, por mais que  seja algo que exija forças supremas evitar, tamanho é o embrulho que sua permanente gritaria agressiva faça.

Aliás, a dele e dos que pregam o ódio religioso, político, ideológico.

Porque é mais do que um caso isolado de fanatismo a serviço da intolerância.

Não é ela que se estimula, todos os dias, em todos os campos? Não é ao fanatismo, à acusação fácil, à generalização, à intransigência política, ao espetáculo vazio e provocativo que os meios de comunicação dão valor e projeção?

Não esvaziaram os sindicatos, as associações profissionais ou comunitárias, os partidos políticos como espaço de afirmação do progresso coletivo? Não restaram, praticamente,  apenas igrejas como lugar de reunião, identidade e esperança? Não estimularam a crença de que só se avança individualmente, quando se competência, esperteza, sorte ou alguma forma de ser superior, inclusive ter a bênção divina?

Não tornaram o culto ao dinheiro, à riqueza, ao “Deus Mercado” como a única fé possível aos homens e mulheres?

É difícil, sei que é é difícil resistir aos impulsos e, publicamente, mandar Malafaia ou outros energúmenos procurarem algo…Mas é preciso falar sério sobre o que está gerando esta histeria.

Isso não é uma condenação a Boechat – não sei se um dia eu não teria um rompante destes – mas talvez sirva de alerta sobre os prejuízos que trazemos às melhores ideias quando perdemos o mínimo de razoabilidade.

Quantos de nós, jornalistas, não entramos nessa? Ou quantos movimentos de afirmação de gênero (e de outras  causas) não topamos uma radicalização que só bota gente, dinheiro e voto nas alfaias, nas bandejas do reacionarismo?

E assim a gente contribui para o clima de ódio do qual os Malafaias, Felicianos e Bolsonaros da vida.

Duzentas vezes já disse isso: gente dessa natureza má só pensa no que pode lhe trazer vantagens. A primeira delas é a sua promoção entre os pobres de espírito, mas também entre os pobres de informação, onde o pastor e o culto são sua “Globo” dominical.

Não se subestime isso. Tome um trem, como tomei anteontem, para Olinda – não a de Pernambuco, mas o segundo distrito de Nilópolis –  e você vai ver o tamanho da “tsunami” evangélica nas periferias.

Foi-se o tempo em que os bolsões conservadores eram as “senhoras católicas” da classe média. Hoje, pastores obtusos como Malafaia – e são aos centos – comandam máquinas eleitorais que produzem elementos como Eduardo Cunha e fenômenos assemelhados. Com o devido perdão dos muitos evangélicos que acreditam na humanidade como um valor essencial da religião.

Austeridade e seriedade não querem dizer mau-humor ou caretice, nem que não se faça gozações ou mesmo que, vez por outra, se diga umas verdades com “português de botequim”.

Mas que o Boechat  tirou o que andava engasgado na garganta, isso tirou.

É um rompante destes a que só se chega porque há um silêncio cúmplice dos interesses políticos e econômicos com este tipo de fariseus, que servem como escudos da dominação.

E é uma pena, porque ando com saudades do tempo em que éramos todos mais civilizados.

Malafaia, Boechat e o “vá procurar uma rola”. Infelizmente, “o buraco é mais embaixo” | TIJOLAÇO | “A política, sem polêmica, é a arma das elites.”

07/12/2012

100% ódio, Reinaldo agora ataca Boechat, da Band

Filed under: Ódio de Classe,Bandidagem,Reinaldo Azevedo,Ricardo Boechat — Gilmar Crestani @ 10:34 pm

Na época da demissão de Ricardo Boechat de O Globo eu colaborava para o Observatório da Imprensa. Trocamos algumas informações (leia mais aqui). Agora o demente da Veja ressuscita a história. Mas o que o pittbul currado por vira-lata não diz é que a cabeça de Boechat foi cortada com grampo montado por Antônio Britto a mando do Opportunity, para quem trabalhava. Resumindo, quando mais se sabe sobre estes tristes personagens, mas aumenta o desânimo a respeito do que significa a existência dos grupos mafiomidiáticos e suas relações libidinosas com o mundo político (vide Rede Globo versus FHC, via Miriam Dutra)…

 

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Blogueiro da revista Veja admite a repercussão negativa de suas críticas raivosas ao arquiteto Oscar Niemeyer, mas prossegue: reserva 50% da sua raiva aos “petralhas” e “mensaleiros”; os outros 50% agora vão até para jornalistas da mídia tradicional, como o jornalista Ricardo Boechat, da Band

7 de Dezembro de 2012 às 18:28

Heberth Xavier_Minas 247 – A derrota de José Serra (PSDB) na eleição paulistana, e sua eventual morte política, parece estar mexendo com a cabeça de seu principal defensor na imprensa, o blogueiro da revista Veja, Reinaldo Azevedo.

Em novo post sobre a morte do arquiteto Oscar Niemeyer em seu blog, Azevedo mais uma vez confunde divergência com ódio, ressalva com raiva e crítica com perseguição. Antes disso, o blogueiro postou mais uma crítica raivosa, desta vez contra um jornalista — não, não se trata dos chamados blogueiros “sujos” já tão criticados por ele. Agora 100% ódio, Reinaldo Azevedo ficou fulo da vida com uma citação, não nominal, feita por Ricardo Boechat, da Band.

Boechat lembrou no rádio, sem citar nomes, a infelicidade cometida por “certo jornalista”, que chamou o arquiteto Oscar Niemeyer de 50% idiota. Todos sabem, claro, que Boechat falava do blogueiro da Veja, mas justificou ocultar o nome “porque não valeria a pena”.

Mas foi o suficiente para atrair a ira de Reinaldo, que buscou como resposta uma história ainda mal contada que levou à demissão de Boechat do jornal O Globo, em 2001. Valeu-se, para isso, de uma reportagem da própria Veja sobre o caso, que versava sobre a guerra de bastidores na telefonia brasileira — a matéria da Veja tinha lado numa história em que é difícil manter-se neutro, mas isso, é claro, Reinaldo Azevedo não notou.

O blogueiro percebeu, de qualquer modo, a repercussão negativa da sua crítica raivosa a Niemeyer. “É claro que a repercussão do que escrevi sobre Niemeyer é desproporcional”, diz Azevedo logo na primeira frase do post imediatamente seguinte ao de Boechat. Meio na defensiva, meio no ataque, ele justifica o “50% idiota” com o argumento de que, no Brasil, as pessoas sempre perdoam os mortos, não importa o que de errado tenham feito.

O jornalismo americano, por exemplo, de fato tem tradição, em obituários, de não apenas destacar as passagens louváveis de alguma personalidade morta. Faz parte e o nome disso se chama jornalismo. Mas tudo feito com elegância e sobriedade — e ganha um doce quem provar que chamar um gênio e orgulho brasileiro, como Niemeyer era e é, de “50% idiota”, revela essa moderação na opinião.

100% ódio, Reinaldo agora ataca Boechat, da Band | Brasil 24/7

11/05/2012

O ataque espúrio de Veja a Boechat

Filed under: Ricardo Boechat,Veja — Gilmar Crestani @ 11:34 pm

Quando Boechat menciona que “A imaculada Veja, por sua vez, escondeu de seus leitores a gênese dos grampos, originados de assessores de Daniel Dantas”, não dá os nomes, mas diz tratar-se de assessores. Os que acompanharam os fatos à época, como eu, hão de lembrar que Antônio Britto havia sido contratado para fim específico e determinado, pelo Opportunity. E Boechat sabe que ele, Britto, conseguiu… Na época, colaborava com o Observatório da Imprensa, mantive contato com Boechat e sua equipe, e o contexto pode ser extraído deste artigo “confuso” que escrevi: Parcas, mas não muito. Mereci um editorial da Zero Hora. Soube também que mandaram me fotografar e me seguir. Mas não tinham como desmentir o que era verdade e fazia parte dos autos. Tenho cópias autenticadas recebidas do relator Ilton Carlos Dellandrea e que guardo até hoje. Não devia, não devo e se um dia dever, pago.

Enviado por luisnassif, sex, 11/05/2012 – 12:18

Por Rafoliveira

LN, hoje em dia nossa Imprensa acha natural a troca de informações entre Veja e a quadrilha do bicheiro. Porém, por ocasião da demssão do Jornalista Ricardo Boecht, em 2001, Veja e Globo tinham outros conceitos, conforme texto do próprio Boechat:

"Naquela conversa, Marinho pediu-me para publicar uma notícia em O Globo relacionada à briga entre Tanure e o Banco Opportunity, de Daniel Dantas, pelo controle acionário de empresas de telefonia. A informação era relevante e correta. O que Marinho me passou por fax, entretanto, parecia um manifesto estudantil, passional e interminável. Reescrevi as informações, avisei o jornal (estava de férias em Paris, de onde também contribuí para uma reportagem sobre a Receita Federal) e despachei a matéria para a redação. Em seguida, liguei para Marinho, li o texto da notícia, despedi-me e esqueci o assunto.

Esse episódio pode ter várias interpretações. A de Veja foi uma sentença condenatória, sumária e inapelável. A despeito de afagar-me como ‘um dos mais respeitados jornalistas do país’, e de citar a ausência de qualquer ‘menção a práticas irregulares de compensação’ em meu contato com Paulo Marinho, a revista induziu seus leitores a acreditar exatamente o contrário. Induziu-os a crer que sou um jornalista venal e aético, que usou o jornal para beneficiar um grupo empresarial".

Abs

No Observatório da Imprensa

GRAMPOS ANTIGOS

Ricardo Boechat

"A notícia oculta", copyright Jornal do Brasil, 17/7/01

"Passei 31 dos 49 anos de minha vida, incluindo domingos, feriados e madrugadas, ligado a O Globo. Saí de lá há três semanas, demitido a sangue-frio, por um delito que O Globo, até agora, não conseguiu explicar nem aos muitos amigos que lá deixei. Não se pense, entretanto, que a casa que me criou foi injusta comigo. Eu mereci ser demitido. O que O Globoescondeu foi a verdadeira razão que o levou a punir-me. Seus reais motivos não foram os que fez crer ao transcrever na íntegra, dia 25 de junho, um grampo telefônico publicado na véspera pela Veja, numa reportagem em que a revista se esmerou em me apresentar ao país como um picareta a serviço de meganegociatas empresariais. Mas da Vejafalarei depois. Em primeiro lugar, por respeito a O Globo e a mim mesmo, mas em especial aos leitores que compartilhamos, quero fazer o que meus antigos chefes não fizeram, expondo as falhas de conduta que culminaram com meu castigo.

No segundo semestre do ano passado, o empresário Nelson Tanure contou-me que estava comprando o Jornal do Brasil. Essa não era a primeira bomba que ele me antecipava, como boa fonte, embora bissexta, de minha coluna. Dessa vez, a notícia veio acompanhada de uma novidade pessoal: o seu convite para transferir-me para o JB. O desafio de fazer reviver o diário que marcou minha geração me seduziu.

A partir daí, envolvi-me crescentemente nas discussões com Tanure e com pessoas ligadas ao projeto de reerguimento do jornal. A cada consulta feita por Tanure, a cada conselho meu aceito por sua equipe, a cada troca de idéias sobre quais caminhos seguir, fui ultrapassando os limites dentro dos quais, como funcionário de O Globo, deveria permanecer. Não cruzei essas fronteiras por dinheiro. Não o fiz por dolo.

Cruzei a barreira da boa conduta profissional por um motivo tolo: vaidade. A vaidade de me supor em posição de ‘prestígio’ nos dois maiores jornais de minha cidade cegou a autocrítica com que sempre procurei orientar minha atividade jornalística. Cheguei ao extremo de orientar Nelson Tanure numa conversa que ele teria com João Roberto Marinho, um dos proprietários das Organizações Globo, como revelam trechos não divulgados do mesmo grampo. Com essa atitude, dei à direção de O Globo subsídios para duvidar de minha fidelidade – e razões para agir como agiu.

Amigos estranharam meu comedimento ao comentar a conduta do meu empregador. Solidários, preocupados com o abatimento que me tomou naqueles dias, estimularam-me a reagir, atacando o jornal e a forma grosseira com que me excluiu de suas páginas. Não o fiz porque logo soube de suas reais razões. Infelizmente, o jornal optou por escondê-las não só de mim como da opinião pública. Foi uma escolha soberana, diante da qual manterei silêncio.

Mas essa escolha impôs a O Globo, que não poderia degolar seu colunista sem nada explicar, o papel de pregoeiro passivo daquilo queVeja tentou me atribuir. E se a revista, em seu fundamentalismo sob encomenda, apenas me agrediu, O Globo, onde entrei aprendiz, me envergonhou. Reconheço que devo-lhe desculpas – e não ele a mim. Mas devoto-lhe o respeito que ele publicamente me negou. Ao jornal, teria sido melhor ser franco. Sua franqueza com certeza me seria hostil, mas não ofenderia a minha dignidade.

O ‘escândalo’ revelado por Veja naquela semana consumiu-lhe sete páginas. Na edição seguinte, nenhuma linha. Esse incomum desaparecimento de uma suposta grande reportagem é suficiente para expor o quanto era especiosa – e manipulativa, e eivada de má-fé – a versão que a revista teceu em torno da gravação de uma conversa minha com Paulo Marinho, meu amigo e informante de décadas, hoje assessor de Tanure.

Naquela conversa, Marinho pediu-me para publicar uma notícia em O Globo relacionada à briga entre Tanure e o Banco Opportunity, de Daniel Dantas, pelo controle acionário de empresas de telefonia. A informação era relevante e correta. O que Marinho me passou por fax, entretanto, parecia um manifesto estudantil, passional e interminável. Reescrevi as informações, avisei o jornal (estava de férias em Paris, de onde também contribuí para uma reportagem sobre a Receita Federal) e despachei a matéria para a redação. Em seguida, liguei para Marinho, li o texto da notícia, despedi-me e esqueci o assunto.

Esse episódio pode ter várias interpretações. A de Veja foi uma sentença condenatória, sumária e inapelável. A despeito de afagar-me como ‘um dos mais respeitados jornalistas do país’, e de citar a ausência de qualquer ‘menção a práticas irregulares de compensação’ em meu contato com Paulo Marinho, a revista induziu seus leitores a acreditar exatamente o contrário. Induziu-os a crer que sou um jornalista venal e aético, que usou o jornal para beneficiar um grupo empresarial.

Quem me iniciou nos caminhos do colunismo foi Ibrahim Sued, de quem fui foca em minha distante juventude. Aprendi com ele que a matéria-prima do colunista são as notas em primeira mão. A coluna que assinei emO Globo consagrou-se entre as mais lidas do Brasil graças à capacidade de chegar à notícia antes das outras. Seu acervo de furos, alguns de enorme repercussão, foi construído a partir de relações que mantive com todos os tipos de informantes – fossem eles bem-intencionados ou não, fossem eles figuras de reputação ilibada ou nem tanto. Muitos dos diálogos que possibilitaram momentos memoráveis a O Globo, garimpados por minhas orelhas, talvez ruborizassem os neotalibãs da mídia e alguns analistas da ética jornalística, mas tanto uns quanto outros ganham a vida longe da apuração de notícias. Pois informo a esses teóricos de mãos limpas: é dura a vida de um repórter. O colunista às vezes fala frases impróprias, lida com sujeira, publica notas que prejudicam negócios e pessoas. Mas ele procura sempre a verdade. Obtê-la, de preferência com exclusividade, é a sua recompensa.

Não vejo razão para delegar a terceiros, muito menos a teóricos da deontologia e a autoproclamados impolutos guardiões da ética, a responsabilidade de fixar os termos de minhas relações com as fontes que me abastecem. As regras que ditam essa ligação de confiança pertencem soberanamente ao repórter – e ele deve explicações exclusivamente à sua consciência e a seus leitores.

A imaculada Veja, por sua vez, escondeu de seus leitores a gênese dos grampos, originados de assessores de Daniel Dantas. Escondeu até a visita do banqueiro à redação da revista, dias dias antes da publicação da reportagem em questão. Não tenho nada a esconder. Acredito que a verdade nos fará livres. [Ricardo Boechat, jornalista, passará a assinar a partir de amanhã (18/7/01) a coluna Informe JB]"

GRAMPOS ANTIGOS
FSP

"Juiz indefere apreensão de fitas da Folha", copyright Folha de S. Paulo, 12/07/01

"O juiz substituto Jair de Araújo Facundes, da 2ª Vara Federal do Acre, indeferiu pedido da Procuradoria da República de busca e apreensão das fitas em que os ex-deputados federais João Maia e Ronivon Santiago (AC) declaram ter vendido, em 97, seus votos a favor da emenda da reeleição.

As fitas com as conversas estão em poder da Folha, que à época divulgou seus principais trechos.

Após a negativa, a Procuradoria da República no Acre decidiu mover ação penal contra Santiago, Maia e outros supostos envolvidos: o ex-governador do Estado Orleir Cameli, seu irmão Eládio, e os ex-deputados Chicão Brígido e Osmir Lima.

Nas gravações, Maia e Santiago dizem ter recebido R$ 200 mil cada para votar a favor da reeleição. Afirmam que outros três deputados do Acre (Lima, Brígido e Zila Bezerra) também receberam dinheiro para aprovar a emenda.

Amparada no princípio constitucional do sigilo da fonte, a Folha não divulgou o áudio com a íntegra das gravações para preservar a identidade do ‘Senhor X’, o autor das gravações. A Polícia Federal, que abriu em janeiro deste ano inquérito para apurar o caso, teve acesso às transcrições.

Zila Bezerra e o ex-deputado federal Narciso Mendes foram enquadrados como testemunhas. Para a PF, Mendes é o principal suspeito de ser o ‘Senhor X’.

Os citados, já ouvidos, alegaram inocência. Apenas João Maia não foi ouvido pela PF, porque diz ter problemas de saúde.

O procurador Marcus Vinícius de Aguiar Macedo disse que não vai recorrer. ‘Por enquanto, vamos manter apenas a ação penal contra os suspeitos. Alguma coisa tem de ser feita, mesmo sem termos o poder das fitas.’"

O ataque espúrio de Veja a Boechat | Brasilianas.Org

25/01/2012

Um comentário à altura de Ricardo Boechat

Filed under: Pinheirinho,Ricardo Boechat — Gilmar Crestani @ 9:41 am

Enviado por luisnassif, ter, 24/01/2012 – 19:51

Para entender a razão de Ricardo Boechat ser um dos maiores formadores de opinião do país.

 

Um comentário à altura de Ricardo Boechat | Brasilianas.Org

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