Ficha Corrida

16/01/2016

Chico Buarque e o fascismo disléxico

odio da mdianO  comportamento fascista na internet é de fácil diagnóstico. De regra, o fascista é um sujeito monossilábico, que repete ad nauseam, termos que Goebbels da velha mídia criam para uso de seus midiotas amestrados. Como eles não conseguem sustentar uma discussão em alto nível, até porque o sobra em ódio falece em entendimento, passam à agressão simples e direta. O ódio é a face mais comum, mas há algo que é ainda pior. É a generalização, a perseguição ao grupo ao qual pertence o objeto de sublimação de suas frustrações. O fascismo ou quer resolver pelo grito, ou pela violência,duas faces da mesma moeda. Mas também pode ser por meio da violência institucional que, legalmente, pode calar e até eliminar seu divergente.

De um lado o ódio e o alvo sinalizado pelos laser da mídia, de outro uma frustração de conotação sexual; o prazer em odiar se conjuga com o eco que seu ódio encontra em quem o alimenta. É um jogo de retroalimentação. Retire da velha mídia figuras como Luis Carlos Prates, Lasier Martins, Merval Pereira, a redação completa de Veja e Época, âncoras da Rede Globo, em especial os mais identificados com a ditadura, como Alexandre Garcia e Rachel Sheherazade, e se sentirão órfãos. Os fascistas são como mariposas, se alimentam de holofotes.

Quanto ao Chico, a mim, para além de sua honestidade intelectual, está sua integridade como cidadão. Um único episódio ilustra de forma paradigmática: numa das tantas vezes em que esteve na Itália, Chico participou de um programa da RAI que era uma espécie de tributo, não de suas músicas, mas de sua personalidade cosmopolita. Em determinado momento um dos participantes fez-lhe a seguinte provocação:

– Chico, o que acontece no Brasil, que há tanta criança pelas ruas, trabalhando, mendigando?

– De fato, há, mas os problemas do Brasil prefiro tratar no Brasil. Minhas posições políticas são claras e as manifesto no Brasil. Nossos problemas temos de resolve-los com políticas nossas. Não se resolvem em foros internacionais.

Vivíamos os tempos de FHC e Chico se recusou a criticar, em solo estrangeiro, o governo de então. Chico, como artista universal que é, sabia que a crítica ao Brasil, na TV Italiana, em nada ajudaria, só pioraria.

Chico vai à Justiça por um basta nas agressões

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Artista processará o jornalista João Pedrosa, que publicou em seu perfil no Instagram, ao comentar uma foto da atriz Silvia Buarque, filha de Chico, ao lado do pai e da irmã Helena: “Família de canalhas!!! Que orgulho de ser ladrão!!!”; para Chico, chegou a hora de dar um basta às falsas acusações que circulam na internet, inclusive as de que ele é beneficiário da Lei Rouanet; em dezembro, o cantor foi alvo de agressão verbal ao sair de um restaurante com amigos, no Rio; o artista foi chamado de “merda” e “petista ladrão” por um grupo de jovens por fazer defesas ao governo do PT

16 de Janeiro de 2016 às 07:31

247 – Alvo recente de agressão verbal no Rio de Janeiro por defender o governo do PT, o cantor e compositor Chico Buarque processará por danos morais, junto com a atriz Marieta Severo e as filhas do casal, o jornalista paulista João Pedrosa.

No fim de dezembro, Pedrosa postou em seu perfil no Instagram ao comentar uma foto publicada pela atriz Silvia Buarque ao lado do pai e da irmã Helena: “Família de canalhas!!! Que orgulho de ser ladrão!!!”.

De acordo com o colunista Ancelmo Gois, para Chico, chegou a hora de dar um basta às falsas acusações que circulam sobre ele na internet, inclusive as de que ele é beneficiário da Lei Rouanet.

O colunista do Globo afirma que o artista não tem nada contra as leis do governo de incentivo à cultura, mas que nunca usou qualquer uma delas. A ação será defendida pelo advogado João Tancredo.

Em dezembro, o cantor foi hostilizado por um grupo de jovens ao sair de um restaurante com amigos no bairro do Leblon, no Rio de Janeiro. Chico foi chamado de “merda” e “petista ladrão” por fazer defesas ao governo do PT (relembre aqui). Entre os jovens, estavam Álvaro Garnero Filho, filho do empresário e apresentador paulista Álvaro Garnero, e o rapper Túlio Dek, mais conhecido por ter namorado a atriz Cleo Pires.

Chico vai à Justiça por um basta nas agressões | Brasil 24/7

05/01/2015

Com a palavra, Ali Kamel, diretor de jornalixo da Rede Roubo

Ali Aranha comeu KamelJovem negro corre 5 vezes o risco do branco de ser morto no Nordeste

Estudo compara taxas de homicídio de negros e brancos de 12 a 29 anos; Paraíba é o pior Estado

Enquanto morte de jovens brancos cai 5,5% de 2007 a 2012, ela aumenta 21,3% entre jovens negros

FERNANDA MENADE SÃO PAULO

Ser jovem e negro no Brasil é correr 2,5 vezes o risco de morte de um jovem branco. No Nordeste, esse perigo é de cinco vezes. Na Paraíba, 13,4.

É o que aponta o Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência e Desigualdade (IVJ 2014), pesquisa realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública a pedido do governo federal, que deve divulgá-la nos próximos dias.

O estudo calculou taxas de homicídio ponderadas de jovens negros (pretos e pardos) e brancos, de 12 a 29 anos, a partir de dados de 2012 do Datasus (banco de dados do Sistema Único de Saúde), em que o indicativo de cor é preenchido por agentes de saúde.

A pesquisa concluiu que a desigualdade racial cotidiana do país encontra sua expressão mais aguda na comparação dos dados de morte por homicídio da juventude.

Com exceção do Paraná, todas as outras unidades da Federação têm maior risco de morte por homicídio para o jovem negro que para o branco.

Os casos mais graves são Paraíba (risco de 13,4 vezes), Pernambuco (11,5), Alagoas (8,7), Distrito Federal (6,5) e Espírito Santo (5,9).

No outro extremo, bem abaixo da média nacional, estão Tocantins (1,8), Rio Grande do Sul (1,7), São Paulo (1,5), Santa Catarina (1,4) e Paraná (0,7) –único em que o jovem branco tem mais risco de ser alvo de homicídio que o negro.

Dos quase 30 mil jovens assassinados em 2012, 76,5% eram negros ou pardos. Ou seja: morreram 225% mais jovens negros do que brancos.

De 2007 a 2012, enquanto o total de homicídios de jovens brancos caiu 5,5%, o de jovens negros subiu 21,3%.

O estudo deve orientar políticas públicas para a juventude e responde a campanhas e protestos dos movimentos negro e de direitos humanos que apontam para o fenômeno como um genocídio da juventude negra brasileira.

Entre suas recomendações, o IVJ 2014 indica que políticas públicas para a juventude negra podem acelerar não só a redução da desigualdade racial mas também a da violência no Brasil.

"É uma tragédia e uma questão civilizatória ", diz José Luiz Ratton, sociólogo da UFPE. "É impossível pensar o desenvolvimento do país com taxas de homicídio como estas."

31/12/2014

Paulo Sant’ana, rebotalho da ditadura à serviço da RBS

Ali Aranha comeu KamelHoje, o funcionário da RBS mais popular no Brasil é Paulo Sant’ana, que estreou na crônica na Zero Hora em 1971, período mais truculento da ditadura. Acaba de desbancar Luis Carlos Prates.

Paulo Sant’ana é também o torcedor mais ilustre do único clube excluído de uma competição nacional por racismo. Se é verdade que o episódio racista poderia ter acontecido no rival, foi no Grêmio que o ato racista foi defendido com unhas e dentes por pelo menos dois funcionários da RBS, Paulo Sant’ana e Cacalo, num “claro” tributo ao mentor Ali Kamel…

Sant’ana virou a Sheherazade dos pampas. Quando se defende uma Sheherazade é natural que Sant’anas saem do armário.

Ninguém que conhece a RBS pode se dizer chocado. Afinal, quem choca o ovo da serpente deve estar preparado para acalentar filhotes como Sant’ana e Prates. Como diz o ditado, quem sai ao seus não degenera. Excluir a responsabilidade da empresa que o acalenta por décadas e o levou a ser o que é significa fechar os olhos à chocadeira que pare monstros.

Sant’ana não é o primeiro nem será o último. Pelo contrário, é resultado de uma lógica que perdura desde os tempos da ditadura. Mais cedo ou mais tarde a RBS acabaria pagando por seu nascimento e compadrio com a ditadura. Paulo Sant’ana é o elo perdido, vivo, que liga a RBS à ditadura. É por aí que se deve entender as razões pelas quais este déficit civilizatório, em pleno século XXI, continue usufruindo de tanto espaço midiático.

O fato de que Sant’ana tem uma legião de fãs não deve servir de desculpa. Hitler, Pinochet, Pablo Escobar, Bolsonaro, Fernandinho Beira-Mar também têm. E no RS é fácil ter uma manada para chamar de sua. Afinal, a força da RBS tornou Pinochet mais popular no pampa que no Chile. Sant’ana não é o único deste caráter na RBS. Pelo contrário, é regra, não exceção.

Sant’ana é fruto de um tempo em que não havia contraponto. A era da informação de mão única, a do dono do meio. A velha mídia, escudada pelo Instituto Millenium ainda não se deu conta que nos tempos atuais a Internet e as redes sociais dão voz aos que antes eram sujeitos passivos, consumidores.

Campanha do Estadão contra Blogs

Estadao x blogs

O ódio com que as cinco irmãs tratam os blogs (alguém ainda lembra aquela campanha televisiva do Estadão contra os blogs?!).

Procusto em ação!

procuste

O cerco ao Governo Federal para que continue injetando dinheiro público nas velhas mídias é o último suspiro da geração dos Titãs. Mas nenhum titã representa tão bem a velha mídia do que outro personagem da mitologia grea, Procusto. Este bandido da mitologia tinha na sua cama a medida de justiça. Deitava suas vítimas; os mais curtos espichava-os; os mais cumpridos, cortava até caberem na cama. Exatamente como a RBS e seus companheiros de Instituto Millenium fazem: a notícia que lhes interessa é espichada, emendada, para caber no tamanho de seus interesses. As que não interessam são cortadas. O caso em epígrafe é exemplo disso: veja se as cinco irmãs estão tratando do assunto?! É o tipo de informação que é cortada pela raiz. Não se desgasta parceiro… Não é que eu queira inocentar Paulo Sant’ana, mas a barbaridade que ele perpetrou não difere em gênero e grau daquela perpetrada pelo responsável pelo jornalismo da Globo, matriz da RBS, no clássico “Não Somos Racistas”.  A explicação para o comportamento da mídia pode ser explicado por outro acontecimento recente nestes pagos: a retirada da estátua do ditadora Costa e Silva na Lagoa Armênia, em Taquari, gastou tinta e papel e ganhou espaço em todos os veículos das cinco irmãs da RBS. Tratamento muito diferente dado aos comentários da Rachel Sheherazade

A pergunta que não deveria calar: – como se deu a ascensão de um inspetor da ditadura em pop star midiático? Quem conduziu esta metamorfose de borboleta em lagarta?

Torcedor símbolo

Paulo Sant'AnaPor mais paradoxal que pareça, Paulo Sant’ana tem todos os elementos genéticos da miscigenação. Nem duvido que tenha sangue negro. O mesmo paradoxo que leva a ter na torcida que agredia o goleiro Aranha, ao lado da Patrícia Moreira, um negro. Negros e judeus racistas, homossexuais homofóbicos, e pobres de direita são, para mim, fenômenos incompreensíveis. E infelizmente é o que temos visto. Judeus querendo extinguir a raça palestina, negros chamando negros de macacos, homossexuais votando em Bolsonaro e pobres abraçados aos que tem por norte a divisão da sociedade em castas rigidamente hierarquizadas (“cada um deve saber o seu lugar” ou “dar a cada um o que é seu”).

Entendo que o comportamento do Paulo Sant’ana é cultural, fruto do meio. Sant’ana circula entre Jurerê, casa do patrão, e Punta de Este, a Pasárgada que une sonegadores argentinos e brasileiros. Quando forem investigados como por lá aportaram os recursos usados na aquisição de propriedades em Punta ficaremos sabendo o nível dos cidadãos e brasileiros e argentinos que por lá transitam. Punta está para os corruptos dos países vizinhos tal qual a Suíça para os interesses dos seus vizinhos europeus. A mesma lógica que leva a Suíça lavar mais banco faz de Punta um lugar só de brancos… A existência de Punta é tão necessária aos sonegadores como o é a Suíça para os corruptos internacionais.

Sant’ana é fruto do seu meio, um meio que volta as costas aos movimentos sociais onde se encontram aqueles que ele não viu em Punta. É por essas e outras que a RBS perpetrou aquela fatídica manchete no Zero Hora quando um integrante do MST foi morto à queima-roupa, pelas costas: O MST já tem seu mártir. A RBS ainda tentou consertar mas a emenda saiu ainda pior que o soneto, pois chamou o assassinato de “equívoco”.

O fechamento da gauchada do Sant’ana não poderia ter sido mais adequada: “não foi isso que eu quis dizer”.  Puxa vida, então como a RBS explica porque continua empregando como jornalista uma pessoa que consegue escrever o contrário do que pretendia dizer?

Poderia ter ficado sem essa.

02/11/2014

Velha mídia: dar a cada um o que é seu

Filed under: Leonardo Sakamoto,Linchamento,Rachel Sheherazade,Violência — Gilmar Crestani @ 12:07 pm
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Como lecionou Rachel Sheherazade e seus amestrados seguidores no episódios dos linchadores traficantes, ao pobres, a pobreza; aos ricos, a riqueza! Que beleza…

A grande imprensa e as minorias

Há tempos se questiona qual a suposta imparcialidade da grande mídia. Recentemente tivemos a matéria de uma revista considerada importante no cenário nacional que, para tentar prejudicar a candidatura da presidenta,chegou a publicar inverdades e suposições como se fossem verdades absolutas buscando influenciar o pleito eleitoral de maneira benéfica ao candidato de oposição. Não conseguiu e está sendo desmascarada.

Acontece que isto ocorre também em notícias que não estão ligadas à política, e se reflete inclusive  em notícias sobre crimes, violências ou agressões. Para parte dos grandes formadores de opinião, de um lado estão aqueles que recebem a denominação de "cidadãos de bem" (expressão que aliás deixa largas margens de interpretação como se fosse possível dividir as pessoas em boas e más), do outro lado estão todos aqueles que podem, a qualquer momento, ser considerados o mal a ser extirpado da sociedade. Os casos de linchamento ocorridos no início do ano são tristes ilustrações deste cenário.

O blogueiro Leonardo Sakamoto (link is external) escreveu sobre o assunto. Reproduzimos seu texto aqui embaixo:

Aos jovens ricos, benevolência. Aos pobres, pelourinho e bala

Um grupo de jovens, em sua maioria da classe média alta carioca, foi preso, nesta quinta (30), pela Polícia Civil acusado de tráfico de drogas e porte ilegal de armas. Também estariam envolvidos em roubo de automóveis, tentativas de homicídios, estupros, enfim, vida honesta.

Segundo a polícia, os jovens atuariam como justiceiros na Zona Sul do Rio de Janeiro. O rapaz negro que foi acorrentado nu e pelo pescoço a um poste, no início do ano, acusado de cometer crimes teria sido vítima desse grupo.

Antes de mais nada, este não é um texto conclamando ao linchamento desses jovens. Isso seria de uma idiotice sem tamanho. Nem é sobre eles, a bem da verdade.

Mas sobre o fato de que a classe média alta, na qual, eu, caviar, me incluo, demonstra reações diferentes dependendo dos envolvidos na história.

Vamos por partes. Os repetidos casos de violência gerados por jovens da classe média alta brasileira e a forma aviltante com a qual têm sido tratados adolescentes negros e pobres nos morros e periferias me deixam incomodado.

Sabemos que é mais fácil uma pessoa que foi acusada de roubar um xampu, um litro de leite ou meia dúzia de coxinhas ir amargar uma temporada no xilindró – como mostram diversos casos que já trouxe aqui – do que um empresário que corrompeu passar uma temporada fora de circulação.

Não que o princípio da insignificância (que pode ser aplicado quando o caso não representa riscos à sociedade e não tenha causado lesão ou ofensa grave) não seja conhecido pelo Judiciário. Insignificante mesmo é quem não tem um bom advogado, muito menos sangue azul ou imunidade política. Ou a benevolência de determinados jornalistas.

Tempos atrás, a seguinte notícia veio a público:

“A empregada doméstica Sirley Dias de Carvalho Pinto, de 32 anos, teve a bolsa roubada e foi espancada por cinco jovens moradores de condomínios de classe média da Barra da Tijuca, na madrugada de sábado. Os golpes foram todos direcionados à sua cabeça. Presos por policiais da 16ª DP (Barra), três dos rapazes (…) confessaram o crime e serão levados para a Polinter. Como justificativa para o que fizeram alegaram ter confundido a vítima com uma prostituta.”

Os rapazes não eram da ralé. Se fossem de classe social mais baixa, certamente o texto seria sutilmente diferente:

“A empregada doméstica Sirley Dias de Carvalho Pinto, de 32 anos, teve a bolsa roubada e foi espancada por cinco moradores da favela da Rocinha, na madrugada de sábado. Os golpes foram todos direcionados à sua cabeça. Presos por policiais da 16ª DP (Barra), três dos bandidos (…) confessaram o crime e estão presos. Como justificativa para o que fizeram alegaram ter confundido a vítima com uma prostituta.”

Rico é jovem, pobre é bandido. Um é criança que fez coisa errada, o outro um monstro que deve ser encarcerado, quando o tratamento deveria ser igual aos dois.

Lembro que o pai de um deles, num momento de desespero, justificou a atitude do filho como sendo perdoável. Da mesma forma, o pai de um dos jovens que agrediram homossexuais com lâmpadas fluorescentes na avenida Paulista, em São Paulo, pediu condescendência. Afinal, isso não condiz com a criação que tiveram. Bem, são pais, é direito deles.

O incrível é como a sociedade encara a situação, com uma diferenciação claramente causada pela origem social e cor de pele.

Tenho minhas dúvidas se a notícia sairia se fosse o segundo caso. Provavelmente, na hora em que o estagiário que faz a checagem das delegacias chegasse com a informação, ouviria algo assim na redação: “Pobre batendo em pobre? Ah, acontece todo dia, não é notícia. Além disso, é coisa deles com eles. Então, deixem que resolvam”.

A estrutura de uma notícia depende, infelizmente, de que classe social pertence os protagonistas. Somos lenientes com os nossos semelhantes, com aqueles que poderiam ser nossos primos e irmãos, e duros com os outros. E como somos nós que controlados a nossa democrática mídia…

Não estou pedindo o nivelamento por baixo, mas por cima. Não é juntar os mais ricos à fogueira da vingança em praça pública, mas tirar os mais pobres dela e garantir-lhes justiça.

Na prática, as pessoas envolvidas nesses casos apenas colocaram em prática o que devem ter ouvido a vida inteira: que eles podem porque nasceram bem. Já putas, bichas, índios, mendigos, pessoas em situação de rua e remelentos em geral são a corja da sociedade e agem para corromper os nossos valores morais e tornar a vida dos “cidadãos de bem” um inferno. Seres descartáveis, que vivem na penumbra e nos ameaçam com sua existência, que não se encaixa nos padrões estabelecidos. E por que não incluir nesse caldo as empregadas domésticas, que existem para servir? Se eles soubessem a profissão de Sirley, teria feito diferença?

A sociedade tem uma parcela grande de culpa em atos como esse e os dos jovens que se tornam soldados do tráfico por falta de opções e na busca por dignidade, fugindo da violência do Estado e do nosso desprezo.

A diferença é que, para os da classe média alta e alta, a construção da narrativa passa por onde deveria passar: devemos reintegrá-los para que tenham uma vida adulta plena e produtiva. Afinal, são “jovens”.

Para os pobres, os “menores”, é pelourinho e bala.

A grande imprensa e as minorias | Muda Mais

01/11/2014

Sheherazade e seus justos fornecedores

Filed under: Ódio de Classe,Linchamento,Narcotráfico,Rachel Sheherazade,Racismo — Gilmar Crestani @ 11:10 pm
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E aí, Sheherazade? Seus “justiceiros” eram traficantes. É compreensível?

31 de outubro de 2014 | 10:38 Autor: Fernando Brito

sheherazade

Vocês lembram, certamente, do caso do adolescente negro, espancado e acorrentado a um poste no Flamengo, não é?

E lembram também quando Rachel Sheherazade, disse que era “compreensível”  que rapazes de bem, ameaçados violência, reagissem assim, não é?

E ontem veio a notícia.

Os “bons rapazes” eram…traficantes de drogas!

Nos seus apartamentos, em  Laranjeiras, Catete e Flamengo, na Zona Sul do Rio, foram apreendidos, segundo a polícia, além de R$ 27 mil em dinheiro, vários tipos de drogas, material para endolação, balança de precisão, armas e…máscaras de “Anonymous”.

É “compreensível”, Dona Sheherazade?

Mesmo que não seja, ninguém aqui quer amarrá-los no poste. colocar uma corrente em seus pescoços, chutá-los e  humilhá-los.

Têm direito a defesa, a julgamento, a respeito em sua condição de – apesar do que fazem – pertencerem à espécie humana.

Tanto quanto o rapaz negro do poste, que nunca teve 1% do que estes rapazes tiveram.

Leia a matéria de O Dia:

Jovens de classe média são presos acusados de fazer justiça com as próprias mãos

Grupo agia nos bairros do Flamengo, Catete e Laranjeiras. Dos 15 mandados de prisão, oito já foram cumpridos

Rio – A prisão de oito jovens de classe média da Zona Sul na manhã desta quinta-feira — acusados de integrar quadrilha de traficantes de drogas que agia nos arredores da Praça São Salvador, em Laranjeiras — colocou atrás das grades, segundo a Polícia Civil, autores de outros crimes. Entre os detidos em flagrante durante o cumprimento de 15 mandados de busca e apreensão, está um acusado de agredir um adolescente e amarrá-lo nu a um poste, em fevereiro, e ‘black blocs’ que respondem por dano ao patrimônio público em atos violentos no ano passado.

A imagem do menor preso por uma trava de bicicleta, feita pela socióloga Yvone Bezzerra de Melo, coordenadora do Projeto Urerê, correu o mundo e foi motivo de discussões acaloradas em redes sociais na internet. O crime aconteceu na esquina das ruas Oswaldo Cruz e Rui Barbosa. Três motoqueiros mascarados, intitulados ‘Os justiceiros’, seriam os responsáveis pela agressão.

De acordo com o delegado Roberto Gomes Nunes, da 9ª DP (Catete), o grupo foi delatado, inicialmente, por telefonema ao Disque-Denúncia (2253-1177). As ligações apontavam a venda de drogas pela internet e telefone. Porém, o inquérito revela a estreita ligação dos presos com traficantes de morros próximos. “Ao todo, são 44 pessoas citadas. Havia um serviço de disque-drogas, além do comércio por meio de ‘atravessadores’, para entrega de LSD, haxixe e maconha na Praça São Salvador, aos finais de semana.

Analisaremos os computadores e smartphones apreendidos para localizar os ‘clientes’ da quadrilha através do histórico deles nas redes sociais”, disse o delegado. Os agentes apreenderam na operação pistolas de diferentes calibres, R$ 28 mil em espécie, joias e eletrônicos importado, além de máscaras, gás paralisante, caderno de contabilidade do tráfico. Ainda segundo a polícia, a movimentação financeira do bando, no entanto, ainda não pode ser estimada. Entre os presos também há acusados de roubos de carros e estupros. “Os materiais apreendidos com eles reforçam as provas que reunimos”, garantiu o delegado Nunes.

Reuniões para definir estratégias de ataque a policiais

De acordo com o delegado Roberto Gomes Nunes, cada um dos presos será indiciado por crimes diferentes. Coquetéis molotov e máscaras usadas por ‘black blocs’ durante manifestações, que foram encontrados na casa de alguns dos acusados, deram para a polícia a certeza de que eles, anteriormente presos por atos de destruição, ainda continuavam adeptos da tática utilizada durante os protestos.

“Em depoimento, eles confirmaram que se reuniam e discutiam estratégias de ataque à polícia na Praça São Salvador”, garantiu o delegado.

(Continua em O Dia)

E aí, Sheherazade? Seus “justiceiros” eram traficantes. É compreensível? | TIJOLAÇO | “A política, sem polêmica, é a arma das elites.”

Jovens que amarraram infrator em poste são detidos por tráfico

Rapazes de classe média são suspeitos de vender drogas na Zona Sul.
Na casa de um deles, a polícia apreendeu drogas, armas e dinheiro.

Henrique Coelho Do G1 Rio

Dez pessoas foram detidas na manhã desta quinta-feira (30) durante ação da polícia para combater o tráfico de drogas na Zona Sul do Rio. Segundo a polícia, entre os detidos e 44 investigados por relação com a quadrilha estão jovens que participaram do episódio em que um jovem foi amarrado a um poste no Aterro do Flamengo, além de membros da tática black bloc.

Agentes de diferentes delegacias deixaram a Cidade da Polícia, no Jacarezinho, às 6h da manhã, para cumprir mandados de busca e apreensão em apartamentos de jovens de classe média, em dois bairros da Zona Sul do Rio. Segundo as investigações, eles são suspeitos de vender drogas na área da praça São Salvador, em Laranjeiras, que fica a poucos metros de um quartel do Corpo de Bombeiros.

Na operação de busca e apreensão, foi apreendida farta quantidade de maconha, haxixe, LSD, skunk e outras drogas. Na casa de um dos presos foi apreendida, inclusive, uma balança de precisão.

saiba mais

"Recebemos muitas denúncias no Disque-Denúncia e usuários prestaram depoimento, indicando os locais de compra e venda de drogas, e essas pistas foram corroboradas pela nossa apreensão", afirmou o delegado Roberto Gomes Nunes, da 9ª DP (Catete), responsável pelo caso, que tem quase duas mil páginas de investigação.

Logo no início da manhã, os agentes fizeram buscas em apartamentos nas ruas Marquês de Abrantes e Senador Vergueiro, no Flamengo.

Outro alvo da operação foi um prédio na Rua das Laranjeiras, onde foi realizada uma prisão, além da apreensão de drogas, arma e dinheiro. O rapaz não resistiu à prisão e com ele foram encontrados uma pistola, munição, haxixe e R$ 27 mil.

O filho do zelador de um prédio da Rua Ipiranga também foi preso. Com ele, os policiais apreenderam maconha e um computador. Os dois jovens presos em flagrante foram levados para a Cidade da Polícia. As investigações duraram 10 meses e agora a polícia espera identificar outros integrantes da quadrilha.

Ao todo, quarenta e quatro pessoas estão sendo investigadas pela Polícia Civil por tráfico e associação por tráfico de drogas.

Jovens são presos por tráfico de drogas na Zona Sul do Rio de Janeiro. (Foto: Henrique Coelho/ G1)Jovens são presos por tráfico de drogas na Zona Sul do Rio de Janeiro. (Foto: Henrique Coelho/ G1)

07/09/2014

Linchamento à moda Raquel Sheherazade

Os gremistas tem razão quando dizem que estão todos pagando pelo que um pequeno grupo fez. Quem deveria pagar era a direção, que não tomou providências antes dos atos racistas que emergiam das sociais. Preferiu o diversionismo atacando a Geral, onde se localizava os adeptos de Paulo Odone. Dentre os milhares, a mídia captou só Patrícia Moreira. E foi linchada. O linchamento é fruto do ódio social tão bem representado por próceres da velha mídia. E não é só Rachel Sheherazade, não. Há outros tantos, como Luis Carlos Prates, e até Lasier Martins já teve seus dias pitbull de aluguel vociferando nas horas de almoço.

Punição é uma coisa, linchamento é outra bem típica da velha mídia. Qual a diferença entre o racismo registrado da Patrícia Moreira daquele ódio divulgado diariamente por Rachel Sheherazade?!

A Desmassificação Massificada de Patrícia Moreira, por Reinaldo Melo

sab, 06/09/2014 – 16:04

do Inquietas Leituras

A Desmassificação Massificada de Patrícia Moreira

por Reinaldo Melo

Uma das características do ser humano é o medo de ser tocado pelo desconhecido.

Consequentemente, há o desejo de isolamento social, em que estabelece estratégias comportamentais para não haver qualquer relação com o outro, ou físico, se fechando dentro de um espaço onde o contato com o mundo não ocorra, sentindo-se amplamente protegido. A aversão a qualquer contato é inerente à natureza humana. Essa essência contrasta com a necessidade de socialização de nossa espécie.

Freud dizia que o indivíduo na sociedade moderna estaria condenado à infelicidade. O ser humano não é essencialmente gentil, é agressivo. E a culpa de manter interiorizada tal agressividade o condiciona a plena insatisfação. Para a civilização moderna, esse impulso agressivo é o que ameaça a sua existência; a condição civilizada da sociedade sempre está à beira do precipício da barbárie. Para que não ocorra a queda o impulso individual muitas vezes deve ser sacrificado pelo impulso social.

O indivíduo na sociedade esta condenado à infelicidade

Tal medo e conflito são amenizados no processo de massificação do indivíduo. A massa é uma integração de indivíduos de diferentes estratificações sociais, profissionais, sexuais, etc, em torno de algo comum que os iguale por completo. Por exemplo, uma torcida de um time de futebol. Na massa, além do indivíduo perder o medo do contato com o outro e com o mundo externo, há o sentimento de proteção e integração. Tudo é o oposto da individualização. O medo se torna coragem, o que era reprimido passa a ser liberado.

Patrícia Moreira era apenas uma indivídua comum de nossa sociedade. Jovem, círculo social natural para a sua idade, funcionária na área de odontologia de um departamento militar, foi a um estádio para apreciar seu time do coração. E diante da derrota, fez coro à turba furiosa inconformada com a apresentação do seu time, destilando seu impulso individual agressivo a uma das figuras do time adversário, o goleiro Aranha, chamando-o de macaco.

Até aí, nada “incomum” do que já foi visto em diversos estádios do mundo, mas a moça não contava que a proteção que a massa poderia lhe dar, para que seus impulsos reprimidos se liberassem, fosse tão frágil diante de outra ferramenta de massificação: a TV.

Flagrada pelas câmeras, Patrícia Moreira massificadamente se desmassificou, ou seja, a partir dali a mídia iniciou uma construção falsa de sua individualidade alçando-a como a mulher mais nefasta do país.

Patrícia Moreira, desmassficada pela mídia massificadora

Na era do espetáculo, a mídia trata todos os fenômenos pelo viés sensacionalista. Ao mesmo tempo, faz o papel de Estado com a cumplicidade de seu público: ela testemunha o crime, abre o inquérito, estabelece o processo, opera o julgamento e condena ao seu bel prazer. É a substituição bárbara do estado democrático de direito.

Meses atrás, Raquel Sheherazade defendeu o linchamento de um menor de idade suspeito de roubo, incitando a população, cansada de impunidade e da ausência do Estado (que ironicamente é implacável contra pobres, especialmente os negros), a tomar as rédeas do que se entende por justiça. Depois de tal declaração houve uma epidemia de linchamento no país.

E o linchamento não é nada mais nada menos do que um fenômeno de massificação. A turba reunida diante de um suposto criminoso, inocente ou não, libera seus impulsos agressivos e massacram o indivíduo sem chance de recorrer ao direito de defesa que a civilização teoricamente lhe garante.

Rachel Sheherazade, apologia ao linchamento

Patrícia Moreira, que em seu contexto de indivídua massificada, fazia coro com a massa que massacrava verbalmente o goleiro adversário, ironicamente foi desmassificada, mas não para ser tratada como um indivíduo único e especial, mas como um ser merecedor de um massacre, de um linchamento midiático e social, a ponto de perder o trabalho, o direito de poder sair à rua e ao mesmo tempo assistir à derrocada de sua família, que não possuía relação alguma com o crime que ela cometeu dentro do estádio.

Todo um roteiro ideológico programado pela mídia hipócrita, que coloca negros como empregados em suas novelas, que estampa o negro nas suas manchetes policiais, que trata o negro apenas como pagodeiro, mulata carnavalesca, jogador de futebol ou protagonista de comercial de café, e que sempre se coloca contra as cotas raciais em universidades e concursos, desprezando que somos uma sociedade de maioria negra, mas que esta é marginalizada dos direitos constitucionais mais básicos.

Tudo se discutiu nessa história menos o racismo e suas fontes. Quando se dá mais ênfase à racista do que o processo que formula e mantém o racismo em nossa sociedade, a mídia mata dois coelhos com uma cajadada só: promove o justiçamento, se colocando como protagonista dos valores que a turba furiosa necessita e mantém intacta a estrutura ideológica do racismo que ela mesma reproduz diariamente, se isentando do crime racial que ajuda a propagar.

A mídia que condena Patrícia Moreira

é protagonista do Racismo em sua programação

Patricia Moreira, assim como os outros torcedores, merece ser processada e julgada, mas dentro do que lhe garante o estado democrático de direito.

Quando tratamos um criminoso sem a humanização que lhe cobramos, em nada diferimos dele. Dentro de um processo civilizatório, a pena para um criminoso é muito mais do que lhe negar o convívio em sociedade ou lhe imputar ações (como trabalhos comunitários) contra a sua vontade. Deve se focar também a sua reeducação para se conscientizar de que fez algo errado e não reincidir em tal prática.

Assim como se destrói um indivíduo por meio de qualquer ato de discriminação, não se humaniza alguém o destruindo, como estão fazendo com Patrícia Moreira. De nada vale defender a civilização, sendo tão bárbaros quanto os que a ameaçam.

A Desmassificação Massificada de Patrícia Moreira, por Reinaldo Melo | GGN

05/07/2014

Mais uma obra dos carniceiros da velha mídia

Alguém ainda deve lembrar dos violentos ataques de falsa moralidade dos pittbulls da velha mídia. Sentados na poltrona do patrão, têm ataques epilépticos, babam, rosnam. Mas sempre em relação aos PPPP. Arnaldo Jabor, Rachel Sheerazade, Lasier Martins, Luis Carlos Prates, e toda uma matilha que infestam páginas de revistas e jornais vivem de fazer justiça com as próprias fezes. Não é muito diferente disso quando uma Eliane Cantanhêde espalha o terror em relação à febre amarela. Uma campanha da velha mídia levou milhares de pessoas pelo Brasil a fora a se vacinarem com medo de contraírem a doença. Algumas vieram a morrer, por efeitos colaterais da vacina, que viviam em regiões sem registro de caso nem risco de que viessem a ter.

O ex-presidente do São Paulo, em entrevista a ESPN, contou a história a respeito das Olimpíadas na China. Por mais de 50 anos o Ocidente vendeu que os chineses comiam escorpiões, ratos e criancinhas. Bastou um mês de Olimpíadas para que o Ocidente descobrisse um mundo totalmente diferente daquele que a China, em vão, tentava mostrar ao Ocidente. É também isto que está acontecendo no Brasil. A velha mídia vendeu ao exterior um horror do Brasil que iria sediar a Copa. Bastou menos de um mês de Copa para que o mundo descobrisse que o maior problema do Brasil reside nos Grupos MafioMidiáticos. São eles que incitam o ódio, deturpam para eleger um Caçador de Marajás. Não fosse a Parabólica do Rubens Ricúpero e não saberíamos dos bastidores da Globo com FHC na eleição deste. O Escândalo Proconsult é outro exemplo de outro ponto fora da curva em que a velha mídia se mete.

O ódio da velha mídia, patrocinada por grupos como o Banco Itaú, foi mostrado ao mundo na abertura da Copa do Mundo. Ali estava sendo mostrado ao mundo o tipo de gente que tem ódio aos PPPP(preto, pobre, puta e petista). D. Judith Brito fez certo ao dizer que a Folha era a verdadeira oposição ao governo. Faltou a ela autorização do Instituto Millenium para dizer a verdade sobre os demais a$$oCIAdos.

O professor ladrão e a Revolução Francesa, por Urariano Mota

sab, 05/07/2014 – 10:52 – Atualizado em 05/07/2014 – 11:53

Por Urariano Mota

A Copa do Mundo é o assunto fundamental este mês. Mas a vida continua, dentro e fora dos estádios de futebol. Daí que é necessário falar do que não gostaríamos, mas é imperioso falar. Parece mesmo que não temos um minuto só de trégua, de paz, ainda que falsa. É o caso desta notícia, esta semana, que copio e passo a comentar agora.

“Acusado de assalto, professor de História é obrigado a dar aula para provar inocência

Espancado por moradores, André Luiz Ribeiro precisou dar aula sobre Revolução Francesa e ainda foi preso por dois dias

Confundido com um ladrão….”

Primeira pausa. Se fosse um ladrão estaria certo sofrer o que o professor sofreu?

Mas continuando:

“…Um professor de História foi espancado por moradores da periferia de São Paulo e só conseguiu se livrar do linchamento quando, segundo ele, foi obrigado a dar uma aula sobre Revolução Francesa. Mesmo assim, André Luiz Ribeiro, 27 anos, foi levado para a delegacia, onde ficou por dois dias, já que o dono do bar assaltado confirmou em depoimento que ele seria o ladrão.

O professor contou que quando foi socorrido por Corpo de Bombeiros, teve de ‘dar uma aula’ sobre a Revolução Francesa para provar sua inocência. Os bombeiros declararam que ‘informações são improcedentes’ e que não houve ‘desrespeito ou deboche’. André conta que estava correndo na última quarta-feira, no bairro Balneário São José, em São Paulo, quando um bar foi assaltado.
— Eu corro dez quilômetros todos os dias, estava de fone de ouvido, sem identificação porque moro por perto, e fui confundido com um dos três assaltantes. O dono do bar e o filho dele me acorrentaram. Umas 20 pessoas me cercaram e começaram a me bater. Acorrentaram meus braços e pernas e me colocaram de barriga para baixo na rua — conta o professor.
Segundo ele, um dos bombeiros que o socorreu teria dito: ‘Se você é professor de História, então dá uma aula sobre Revolução Francesa’.”

Outra pausa: notem que já houve, seguramente, deboche e abuso. O bombeiro pensou em pedir o impossível, pensou em se divertir com o homem espancado, ou seja, em livre leituras do seu ato: se você é professor, ô ladrão, dê uma aula de história, e sobre a Revolução Francesa. Quero ver. Vamos.
Mas para desgraça da piada, o homem ferido era mesmo professor.

Continuando:

“— Falei que a França era o local onde o antigo regime manifestava maior força, e que a burguesia comandou uma revolta junto com as causas populares, e que havia fases da revolução”.

Mas que poder de síntese, meus amigos. Que lucidez impressionante no fundo da dor. Quantos de nós conseguiríamos ter esta luz no meio da mais funda selva, quando tudo parecia perdido?

Continuando, falou o mestre humilhado:

“Falei por uns três minutos e perguntei se já estava bom.

O professor de história também diz que foram os bombeiros que salvaram sua vida, pois enquanto ele dava a aula para provar que era professor, ouviu o proprietário do bar dizer que ia buscar um facão. Em seguida, a Polícia Militar chegou no local, o levou para o pronto-socorro da região. Depois, foi encaminhado à delegacia, onde ficou preso até sexta-feira.

— O proprietário do bar assaltado, Djalma dos Santos, 70 anos, negou que tenha espancado o professor. Questionado se tinha certeza de que Ribeiro era um dos assaltantes, ele não confirmou.

— A população que acorrentou, que bateu, eu não fiz nada. O que eu tinha que falar já falei na delegacia. Não adianta nada ficar perguntando, não vou retirar o que disse. Eu gritei que era ladrão e a população da rua foi atrás dele. Se ele não devia nada, vai dar uma mancada dessas de estar correndo no meio dos bandidos na hora do assalto? — afirmou o proprietário do bar”.

Quanto cinismo do dono do bar. Ele não bateu, apenas atirou um homem às feras. “Podem matar”, foi a sua atitude.

Continuando a notícia do crime:

“A Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que o delegado André Antiqueira, titular do 101º DP, ‘se coloca à disposição para ouvir em depoimento quem tenha novas informações para acrescentar à investigação’, já que os criminosos que participaram do crime ainda não foram presos.

— O professor foi preso em flagrante em cumprimento do artigo 302 do Código Penal, já que a vítima o reconheceu como um dos participantes do roubo ao estabelecimento comercial em duas oportunidades. A Justiça concedeu liberdade provisória ao acusado — diz nota da SSP”.

Para mim, o gênio de Kafka não escreveria melhor que essa resposta burocrática do delegado de polícia.  Um inocente foi enquadrado no artigo 302 do código penal, e a justiça concedeu liberdade provisória ao inocente criminoso enquadrado. Para a polícia, o problema legal está resolvido, pelo visto. Mas a justiça humana é outra história, não entra no boletim de ocorrência. Voltemos ao mestre de história:

“Só depois de explicar sobre a ascensão da burguesia é que o levaram ao hospital, diz.

‘Foi algo surreal. Só acreditamos quando chega próximo de nós. Aí você vê que é muito real mesmo, esse ódio das pessoas. Essa brutalidade do ser humano.’

Eu estou bem melhor, mas a ferida na alma, a inocência, está perdida.”

E agora, merece destaque o depoimento corrido do mestre de história quase morto:

“Quando vi, as pessoas olhavam na minha direção, provavelmente porque foi a direção que os ladrões tomaram. Eu estava indo no sentido contrário. Com fone de ouvido. Nem achei que tinha acontecido um roubo. Nem sabia que era comigo.

Até onde eu lembro, eu ouvia Lion Man, do Criolo. Sou fã, gosto para caramba. O show dele já fui, é louco. Pelo fato de ele retratar as favelas, a realidade aqui. Também eu ouvi Facção Central, de rap, que tem uma causa social muito forte em pauta.

Aí eu vi as pessoas se afastando bruscamente. Foi quando eu vi um Fusca vermelho para me atropelar, vindo com muita velocidade. Pararam quase em cima de mim. Aí desceram do carro o dono do bar e o filho. E começaram a me bater.

Eu falava em todo momento que eu era inocente, que era professor. Eu não tinha documento nenhum porque estava correndo, todo mundo me conhece ali perto. Mas já me bateram, me jogaram no chão.

Os dois começaram. Só que veio a multidão. Foi de 15 a 30 pessoas que me bateram. Nem me perguntaram, nem olharam para os meus bolsos para ver se eu tinha alguma coisa. Eu não ia fugir, já pus as mãos para cima quando se aproximaram, mas tomei um soco na cara.

Ainda estava no chão, mas eles não acreditavam em mim. Eu disse que era professor, que estava ali por acaso. Aí um dos bombeiros falou para dar uma aula sobre Revolução Francesa. Foi o que me salvou.

Eu estava arregaçado, mas consciente. O raciocínio fica difícil, porque você fica em choque. Eu falei da ascensão burguesa ao primeiro escalão, que tinha poder econômico, mas não poder político, e de como a revolução mudou a forma como vivemos hoje.

Achei mesmo muito irônico esse ter sido o tema que ele perguntou, ali, naquele momento. Liberdade, igualdade, fraternidade. Falei sobre a queda da Bastilha. É um assunto que eu dou para 7ª série. Estava fresco na minha cabeça. Mas, mesmo assim, eu leio muito. Eu tenho conhecimento mínimo acerca da História.

Foi algo surreal. Só acreditamos quando chega próximo de nós. Aí você vê que é muito real mesmo, esse ódio das pessoas. Essa brutalidade do ser humano.

Nunca imaginei que eu ia ser preso um dia. Mas hoje eu tenho ferramenta para falar para os meus alunos”.

É uma notícia, ao mesmo tempo, triste, que comove, e revoltante. Dependendo do ângulo sob o qual a gente olha, pode dizer que é uma vitória do conhecimento sobre a barbárie (o professor, acorrentado, quase morto, deu uma aula que o salvou), ou pode ser dito também que é uma vitória parcial da barbárie sobre o conhecimento, porque espancou e quis matar um homem por aparências frágeis, sem consistência, de franca e bárbara injustiça.

Lembro do programa do rádio Violência Zero, na Tamandaré do Recife, onde eu, Marco Albertim e Rui Sarinho, trabalhamos, da reportagem à apresentação.  

O Violência Zero era um programa de direitos humanos. Nele, travamos com travo esse conhecimento dos bárbaros que clamam vingança, matando. No estúdio da Rádio Tamandaré, no fim dos anos 80, sentíamos a disputa de ideias na sociedade do Recife entre punir sem medida e o direito à justiça. Mas não com essa força de agora, dos últimos meses. Na época, ainda que sem método científico, pelos telefonemas dos ouvintes, notávamos que a divisão entre os mais bárbaros e civilizados era quase meio a meio. O que houve agora para esse assalto de vingança?

Vocês me perdoem eu não ter feito um comentário à altura desse crime. Eu ainda estou processando. Mas bem mereciam processos penais os comunicadores da televisão como a fascista Sheherazade do SBT. Para lembrar o que está na Wikipédia sobre ela:

“Em 4 de fevereiro de 2014, Rachel comentou a ação de um grupo de pessoas que espancou um assaltante adolescente e o prendeu pelo pescoço a um poste com uma tranca de bicicleta, dizendo que aconteceu foi uma ‘legítima defesa coletiva’ contra a violência urbana. No comentário, a jornalista classificou o caso como resultado da "desmoralização da polícia" e da "omissão do Estado", além de dizer era ‘compreensível’ que o ‘cidadão de bem’ reagisse dessa maneira. Ela chamou o adolescente agredido de ‘marginal’ e pediu, em tom irônico, aos grupos em defesa de direitos humanos que estavam com ‘pena’ do jovem que ‘adotassem o bandido’".

Essa comunicadora e seus semelhantes deveriam estar presos numa rigorosa solitária, onde se ouvisse a voz do professor André Luiz Ribeiro falando sobre a Revolução Francesa. Pelas paredes ouviriam da cabeça torturada do mestre uma aula de civilização contra As mil e uma barbáries.

***

O texto foi usado para o comentário de Urariano Mota, na Rádio Vermelho, desta sexta-feira. Ouça aqui.

O professor ladrão e a Revolução Francesa, por Urariano Mota | GGN

06/05/2014

Assassinato à moda Rachel Sheherazade

ali kamelO radicalismo, o ódio, o nonsense espalhado pela mídia, não é de hoje, tem ensejado este tipo de acontecimento. Inclusive as manifestações de racismo. O responsável pelo jornalismo da Rede Globo, Ali Kamel, escreveu um livro para provar que não somos racistas. Aí, a mesma manada que engole tudo com passividade bovina, veste, hipocritamente, a camisa de que somos todos iguais.

Será que somos todos racistas?! Até porque não somos todos macacos. Neste bando há sagui, mas também há bugios. São macacos mas não são iguais. Respeita-se o ser humano por ser humano, não por se igual. E aos animais, por serem diferentes. Somos todos diferentes. Até as árvores contam com seus defensores. No Brasil, na mídia só não há defensor para os quatro PPPP: pobre, puta, preto e petista.

Taí a Rachel Sheherazade para provar que, definitivamente, não somos todos iguais, embora todo os que pensam igual a ela, sejam também seres inferiores. Há séculos este modo de pensar já foi enterrado. Hoje, manter este espírito medieval, de caça às bruxas, resulta em crimes como este, de fazer corar os assassinos de Joana D’Arc…

Espancada após boatos sobre magia negra, mulher morre em Guarujá

Fabiane de Jesus, 33, foi confundida com falso retrato falado espalhado em redes sociais, diz família

Família diz que site divulgou a imagem; organizador da página afirma ter citado caso apenas como ‘rumor’

(DIÓGENES CAMPANHA)ENVIADO ESPECIAL A GUARUJÁ (SP)

Uma dona de casa de 33 anos, mãe de dois filhos, morreu ontem em Guarujá (SP), após ser espancada por moradores insuflados por notícias falsas divulgadas em redes sociais. Ela foi confundida a partir de um retrato falado de uma suposta sequestradora de crianças, segundo a família.

Os moradores acusavam Fabiane Maria de Jesus de sequestrar os menores para rituais de magia negra.

Sherazade04Segundo a polícia, não há registro recente de desaparecimento de crianças na cidade e as histórias sobre sequestros na região são falsas.

O linchamento ocorreu na tarde de sábado, quando Fabiane voltava para casa, no bairro de Morrinhos, periferia de Guarujá. Sob o olhar de dezenas de pessoas, que se aglomeraram, inclusive crianças, a dona de casa foi agredida com pauladas, socos e chutes.

Com celulares, moradores da região gravaram a ação.

Airton Sinto, advogado da família de Fabiane, entregou ontem ao delegado dois vídeos que mostram trechos do ataque. A polícia usará as imagens para buscar os responsáveis pelo linchamento.

Em um dos vídeos, ela aparece estendida no chão, é jogada contra o solo, chutada, arrastada e tem os cabelos puxados. Em seguida, um homem passa com uma bicicleta sobre a cabeça de Fabiane.

As imagens mostram que ela teve uma mão amarrada com uma corda e seu corpo foi arrastado por alguns metros. "Já era", diz um homem presente. Outras pessoas dizem frases como "é ela mesmo" e "é a mesma cara". Outros, porém, repudiam a ação.

Fabiane foi levada em estado gravíssimo a um hospital da cidade e morreu ontem.

A Polícia Civil afirmou que a história sobre o suposto sequestro de crianças na região é falsa. "Essas reportagens sobre uma loira que sequestrava crianças foram veiculadas em São Paulo, Rio de Janeiro e outros Estados", disse o delegado Luiz Dias Jr.

A família da dona de casa diz que ela foi vítima de um engano e que o linchamento foi uma "crucificação em vida". "Essa história de magia negra é mentira. Ela era católica e quis dar nome bíblico, Esther, para a nossa filha", diz Jailson Alves das Neves, marido da vítima.

O advogado atribuiu a divulgação da informação falsa ao "Guarujá Alerta", um perfil noticioso no Facebook.

Em nota, a página na rede social afirmou ter citado o caso como rumor e com um aviso: "Se é boato ou não, vamos ficar alertas". O "Guarujá Alerta" ainda afirmou repudiar o linchamento.

O delegado diz não ter visto o retrato falado que teria motivado a agressão e disse ser "prematuro" responsabilizar o "Guarujá Alerta".

Segundo ele, o responsável pela página se apresentou e se comprometeu a ajudar nas investigações

‘JUSTIÇA POPULAR’

Casos de justiçamento sempre ocorreram, principalmente fora dos grande centros, diz Renato Sérgio de Lima, coordenador do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e pesquisador da FGV.

"A diferença é que a internet potencializou essa cultura de ódio. O que está em xeque é a figura do Estado", diz.

O antropólogo e professor da Unesp Claudio Bertolli Filho concorda. "Onde o Estado não está, a chamada justiça popular’ aparece", diz.

A empregada doméstica Nilda Mota, 43, se surpreendeu ao saber que a vítima dessa "justiça popular" era sua vizinha. Ela diz que tentou ir até o local da confusão, mas foi barrada por moradores.

Segundo ela, Fabiane teria tingido os cabelos de loiro no dia do linchamento para ir à igreja e visitar amigos. "Ela foi crucificada viva", diz Nilda.

16/04/2014

Sistema de Bestialização dos Telespectadores

Filed under: Ódio de Classe,Grupos Mafiomidiáticos,Nazismo,Rachel Sheherazade,SBT — Gilmar Crestani @ 8:06 pm
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O ovo da serpente foi chocado na RBS. Um dos citados abaixo, Luis Carlos Prates, tem longa ficha de serviços prestados na RBS. O vídeo a seguir é só apenas mais uma dentre tantas pérolas perpetradas pelos pelo ex-funcionário da Rede Bosta do Sul.

Pensando bem, qual é a diferença do rol apresentado abaixo pelo Jornalimos Wando com esta trupe: Rogério Mendelski, José Barrionuevo, Lasier Martins, Yeda Crusius, Rosane de Oliveira, Wianey Carlet?! Nem o Hospital Psiquiátrico Forense Maurício Cardoso conseguiu reunir, a um só tempo, tamanha tropilha. A RBS conseguiu. Hoje, a SBT, devido ao sucesso empresarial conseguido pela RBS, reúno os cacos para ver se consegue, com a mesma prática, alcançar os mesmos patrocinadores.

Sei perfeitamente que eles, estes animais com nome de gente, só existem porque há quem os consuma. São produtos moldados para alimentarem matilhas que se igualam a eles. Como o Brasil pode melhorar com tais pessoas ocupando espaços nobres em veículos de concessão pública?

Até hoje não entendi quem deu a Lasier Martins a autoridade de opinar, mediante o uso de veículo midiático, sobre o que bom ou ruim para o Rio Grande? Sim, o dono da bola escala o time. Simples assim!

A coqueluche reacionária no SBT

Por Jornalismo Wando

Depois de muitos anos relegado ao ostracismo, o jornalismo do SBT vem sendo revigorado com chorumes polêmicas produzidas por seus jornalistas. Depois das experiências revolucionárias com Aqui e Agora e o Jornal das Pernas – em que jornalistas oriundas da Casa dos Artistas exibiam e cruzavam as pernas de forma sincronizada – , a emissora de Sílvio Santos amadureceu e segue em busca de uma credibilidade nunca antes alcançada.

Com um time destro de matar de orgulho a família #SouReaçaMasTôNaModa, o SBT espalhou pelo Brasil os quadros mais aguerridos do jornalismo opinativo brasileiro. São três os maiores expoentes dessa modalidade: Luis Carlos Prates, em Santa Catarina, Paulo Eduardo Martins, no Paraná e a diva Rachel Sheherazade, trazida da Paraíba para brilhar em rede nacional.

Shera, a camisa 10 do time, foi escolhida a dedo por Sílvio Santos para apresentar o principal jornal do canal. Suas opiniões fortes e conservadoras foram justamente o que encantaram o empresário. Cheia de confiança com o apoio do patrão, a colega de trabalho se sentiu à vontade para partir para o ataque contra tudo-o-que-está- aí, tornando-se uma das principais porta-vozes do senso comum. No auge do seu reacionarismo, Shera disse considerar compreensível o linchamento como instrumento de combate ao crime, o que causou revolta em uns e conquistou admiração de outros. A jornalista também já polemizou ao defender as loucuras do pastor Marco Feliciano e minimizar os pequenos delitos de Justin Bieber.

O catarinense Luis Carlos Prates também ganhou destaque com seu conservadorismo sessentista. Com uma eloquência e um linguajar rebuscado de fazer inveja ao Professor Gravatinha, Luis é capaz de transformar um telejornal num mural do Facebook das Senhoras de Santana:

"O Brasil nunca cresceu tanto quanto sob a chamada Ditadura Militar. Estradas rasgaram o Brasil, universidades foram multiplicadas. Ciência e tecnologia começaram para valer no país sob a tutela dos militares. (…) Que tipo de progresso veio com a chamada democracia? (…) A imoralidade tomou conta de todos nós. Que Brasil é esse que melhorou? "

Tio Paulo brada com tanta firmeza, que quase esqueço os US$102 bilhões de dívida externa deixados pela ditadura, uma quantia equivalente a 53,8% do PIB do país. Isso pra não falar na estagnação econômica e da inflação disparada nos últimos anos do regime, verdadeiras heranças malditas para a democracia. Quase também esqueço do carinho recebido pelos jornalistas críticos aos militares: paus-de-arara, choques elétricos, unhas arrancadas e assassinatos. Prates, usufruindo de uma concessão pública, desmoraliza vigorosamente o mesmo estado de direito que lhe permite criticá-lo. Um show de coerência.

Paulo Eduardo Martins, outra jovem revelação da emissora de Sílvio, também costuma banalizar o termo "ditadura" e lutar quixotescamente contra o fantasma comunista. Adepto do jornalismo-verdade-verdadeira, Paulinho não pensa duas vezes antes de desprezar o povo brasileiro e xingar o telespectador que não concorda como ele:

"O brasileiro não faz nada. O brasileiro merece a ditadura do PT. (…) Só idiota acredita que ditadura se faz com tanque na rua. Não é assim não, ô animal! (…) e o louco sou eu quando falo isso. Então dane-se todo mundo também. Tem que viver com a ditadura do PT mesmo”.

E pra se juntar ao trio-de-ferro do jornalismo do SBT, temos o também paranaense Lourival Santos, que ficou famoso essa semana ao ser preso após xingar um jogador de "macaco". Até me lembrou outro integrante da casa, Danilo Gentili, que gentilmente ofereceu bananas para um negro que ousou criticar as piadas racistas do seu programa.

Todas essas estripulias dos colegas de trabalho acabaram tendo um preço. Shera não dará mais opinião no Jornal do SBT, o Jornal da Massa não contará mais com as polêmicas de Paulinho e Lourival foi afastado da emissora pelo ato racista. Enquanto os fãs culpam o regime comunista pela censura, Shera e Paulinho garantem não ter sido esse o motivo. Pressionado pelo Ministério Público, anunciantes e telespectadores, Sílvio se viu obrigado a mudar o formato dos seus jornais e dar menos ênfase à opinião. Mas o SBT é uma emissora gigante e, com certeza, abrigará os reacionários em outros programas da casa, tais como: A Praça É Nossa, The Noite e Programa do Ratinho.

SQN

16/02/2014

Rachel cheira a Nazi

Filed under: Nazismo,Preconceito,Rachel Sheherazade,Racismo — Gilmar Crestani @ 8:37 am
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Eu tenho fé de menos; Rachel, fé de mais! Tanto que virou musa dos porcos…

Rachel Cheira Nazi

Licença não remunerada até 2015: a história real do emprego público de Rachel Sheherazade

Postado em 12 Feb 2014

por : Joaquim de Carvalho

Numa entrevista à coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, a apresentadora Rachel Sheherazade contou que era funcionária pública concursada do Tribunal de Justiça da Paraíba, mas que não comparecia ao trabalho por se encontrar em São Paulo. A licença estaria próxima de vencer, e ela teria que se desligar da função pública definitivamente.

A declaração repercutiu na internet, e Rachel foi acusada de ser funcionária fantasma. Em sua defesa, publicou no Twitter nota da diretora de comunicação do Tribunal, postada depois no Facebook: Rachel não comparecia ao tribunal, é verdade, mas também não recebia salário. Estava de licença não remunerada.

“Não brinquem com fogo”, ameaçou Rachel Sheherazade, depois de “instruir” jornalistas que “ignoram ou fingem ignorar as leis para tentar difamar quem ‘tá’ quieto.” Ninguém procurou checar as informações e o caso morreu por aí.

A nota da diretora do tribunal, Marcela Xavier Sitônio Lucena, não está mais no Facebook, e Rachel não voltou ao assunto. É fato que a jornalista não recebe salário do tribunal, como atestou a diretora de comunicação — mas desde 27 de fevereiro de 2012, quando estava no SBT em São Paulo havia quase um ano.

Entre 1º de abril de 2011 e 27 de fevereiro de 2012, ela recebeu salário todos os meses, como se estivesse trabalhando, inclusive a gratificação pela função de confiança que ocupava na gerência de comunicação. Seu último salário líquido foi de aproximadamente R$ 5.700,00.

Segundo o tribunal, dentro da lei. Na época, o país que Rachel disse à revista Forbes não ser civilizado garantia benefícios extraordinários a funcionários da Justiça. A cada cinco anos de trabalho, três meses extras de férias – o que é chamado de licença prêmio.

Sob a matrícula 4705149, Rachel Sheherazade Barbosa assumiu o cargo de técnica judiciária no dia 11 de março de 1994, antes de se formar em jornalismo (em 1997). Depois de formada, foi comissionada na gerência de comunicação, onde ocupou o cargo de assistente administrativa.

Seu antigo chefe, Genésio de Souza, garante que ela cumpria horário, embora pudesse ser vista, todos os dias, por volta das 13 horas, apresentando o jornal da TV Tambaú, afiliada do SBT, onde já era conhecida por seus comentários, digamos, de tom conservador e moralista.

Em 2011, depois que um vídeo em que ela criticava o Carnaval bombou na internet, Rachel foi convidada para se transferir para o SBT em São Paulo, e assumir a bancada do mais importante jornal da rede.

Na despedida da TV Tambaú, agradeceu aos chefes na TV, aos colegas e à família, sem esquecer de mencionar sogros e sogras e os cunhados e cunhadas. “Agradeço principalmente a Deus, por ter me abençoado ricamente, e eu não sou digna de tantas dádivas”, disse, sem conter as lágrimas.

Rachel é uma crítica contundente do papel do estado na sociedade, entre outras coisas por dificultar o porte de armas ao cidadão e também por não garantir sua segurança. É um país de “valores esquizofrênicos”, escreveu ela num artigo publicado nesta terça-feira.

Se as coisas derem errado no SBT, o que hoje parece improvável, Rachel pode voltar ao emprego público. Ao contrário do que disse, a licença sem vencimentos expira só em 2015. Até lá, Rachel está segura — uma garantia do estado.

Sobre o Autor

Jornalista, com passagem pela Veja, Jornal Nacional, entre outros. joaquim.gil@ig.com.br

Diário do Centro do Mundo » Licença não remunerada até 2015: a história real do emprego público de Rachel Sheherazade

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