Ficha Corrida

23/01/2016

Povo que tem preconceito acaba por ser escravo da mídia golpista

No auge dos combates da elite branca sulista contra o ENEM, a RBS tangeu um bando de patricinhas e mauricinhos com nariz de palhaço pelas ruas de Porto Alegre. Coincidentemente, não havia nenhuma branca na tropa que seguia bovinamente a campanha contra a instituição do Exame Nacional de Ensino Médio. Nem poderia ser diferente num estado que tivera recém excluído de uma competição nacional um clube de futebol.

Aliás, é sintomático que no início das políticas de inclusão social, um amestrado da Rede Globo, um capitão-de-mato do coronelismo eletrônico, tenha perpetrado um torpedo intitulado “Não somos racistas”. Na esteira dos combates contra as políticas de cotas estava um ódio de classe jamais visto e bem comprovado. A principal alegação vendida aos seus midiotas amestrados era de que as cotas raciais criaria racismo inverso. Nem precisavam ter ido tão longe neste raciocínio canhestro, bastava atentarem para o que dizia Danusa Leão, Luis Carlos Prates, Lasier Martins e Luis Carlos Heinze. Eles tornaram público o que antes hibernava nos corredores da casa grande. De repente a desfaçatez, a boçalidade foi perdendo a contenção e avançou para que o mundo visse o tamanho do mau caratismo. Não trata de pessoas sem educação formal, mas de falta de caráter!

Ao xingarem a Presidenta Dilma na abertura da Copa do Mundo, deram mostras ao mundo de que escolaridade não guarda nenhuma relação com caráter, e que educação não rima com dinheiro. O ápice da canalhice aconteceu na marcha dos zumbis, quando desinformados com diploma de curso superior se assumiram “somos todos Cunha”. Era o compromisso público de que estavam ao lado dos corruptos para combaterem a continuidade de políticas sociais. O ódio foi ganhando espaço a partir das a$$oCIAdos do Instituto Millenium. Sob a coordenação da Rede Globo, os bovinos foram embretados em direção ao golpe paraguaio. Para os que sempre mamaram nas tetas do erário, dividir espaço em aeroportos, faculdades já havia passado dos limites. Quando viram que o PROUNI não tinha mais volta, começaram a desovar as Mayara Petruso. O pior do preconceito é sua sublimação de instituições que endossam o golpismo com a justificativa de combater a corrupção… dos outros…

O Hino Rio-Grandense, cantado pelos gaúchos enquanto é executado o Hino Nacional, prova porque os gaúchos desejam que suas patranhas sirvam de modelo a toda terra: “povo que não tem virtude acaba por ser escravo”. O hino quer nos convencer que os negros foram feitos escravos, pelo virtuoso homem branco, porque não tinham virtude…

A história deste menino de ASSU, abaixo, se soma aquele de Sergipe, mais abaixo, que, achincalhado por ter passado, com 14 anos, repetiu o exame este ano e passou com nota ainda melhor.

Bem, agora fica fácil entender o ódio às políticas de inclusão social…

De Assu, no Rio Grande do Norte, o aluno nota mil na redação do ENEM

De Assu, no Rio Grande do Norte, o aluno nota mil na redação do ENEM

qui, 21/01/2016 – 14:26

Do Instituto Federal do Rio Grande do Norte

Aluno do Campus Ipanguaçu obtem nota mil na redação do ENEM

Fábio Constantino fez o técnico integrado em Agroecologia e foi um dos 104 estudantes de todo Brasil a conquistar a nota máxima

Fábio Constantino Lopes Júnior terminou em 2015 o curso técnico integrado em Agroecologia do Campus Ipanguaçu. Com os conhecimentos e experiências adquiridos durante o curso, se identificou com a disciplina de Biologia e viu nascer um sonho: tornar-se médico. Após uma rotina de estudos de cerca de 10 horas diárias, conseguiu um feito realizado apenas por 104 estudantes em todo Brasil, obter mil, a pontuação máxima, na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) 2015. Com a nota, ele vê se aproximar a concretização do seu sonho.

Fábio é de Assu, cidade do Rio Grande do Norte próxima de Ipanguaçu, onde fica o Campus do IFRN no qual ele viria a fazer o ensino médio integrado ao técnico. Ele tentou o processo seletivo para o Instituto porque viu a oportunidade de ingressar em uma instituição pública, com ensino de excelência e que lhe daria ainda no ensino médio uma formação profissional. "Ouvia muito falar da qualidade do ensino da instituição", disse o estudante.

O assuense fazia o ensino fundamental em uma escola privada, com bolsa. Ao passar para o ensino médio, além de perder a bolsa, a família teria de arcar com os custos dos livros. Fábio é filho de Elione Rosa de Farias e do também Fábio Constantino, empregada doméstica e vendedor de materiais de construção que nunca mediram esforços para garantir uma boa educação ao filho. "Eles sempre me apoiaram nos estudos. A educação era prioridade máxima na minha casa. Para que eu estudasse com livros de qualidade, minha mãe já aceitou trabalhar em três turnos, abandonando prazeres individuais e dedicando a vida em minha função. Meus pais são tudo para mim", comentou emocionado.

O carinho com o qual fala dos pais também é direcionado ao IFRN. "Estudar no IF me fez a pessoa que sou hoje. Parafraseando Viola Davis na cerimônia do Emmy, o que separa a população negra da população branca são as oportunidades. Elas são mais raras quando você considera uma pessoa pobre e do interior do Nordeste. No entanto, o IF me ofereceu tais oportunidades de crescer. Desde cedo aproveitei todas as chances de melhorar minha experiência como estudante, participando de congressos, palestras, fazendo pesquisa e aproveitando as aulas e a disponibilidade dos professores e da instituição de nos ajudar", declarou.

Fábio cita com destaque especial os professores do Instituto Efraim de Alcântara Matos, seu orientador, ao qual ele chama de melhor amigo, e Adriano Jorge Meireles de Holanda, do Campus Mossoró do IFRN. Segundo o estudante, os 2 professores ajudaram tanto na trajetória acadêmica no IFRN quanto na preparação para o ENEM. "O professor Adriano, inclusive, mesmo trabalhando em outro campus, acreditou na minha capacidade e lutou para conseguir uma bolsa em um bom cursinho para mim. Sobre Efraim, nossas discussões, trabalhos e seus ensinamentos foram fundamentais para meu bom desempenho na redação", destacou o aluno, que também fez questão de falar dos professores Ana Mônica Britto Costa, Tiago Medeiros, Aurélia Alexandre, Fabio Duarte, Alexandre Barros, Aline Peixoto e Rodrigo Cavalcanti. "Eles me construíram como cidadão", completou.

Para Belchior Rocha, reitor do IFRN, Fábio seguirá a trajetória de Everton Frutuoso, que fez o técnico integrado em Informática também no Campus Ipanguaçu e foi aprovado na primeira colocação das cotas para o curso de Medicina da UFRN, através da nota do ENEM, em 2014. "Tenho certeza que serão médicos humanos, que darão muito orgulho aos seus familiares, colegas de profissão e pacientes", disse o reitor.

O tema da redação do ENEM 2015 foi "A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira". Em seu perfil em uma rede social, Fábio compartilhou uma imagem da personagem Val, interpretada por Regina Casé, do filme "Que horas ela volta", da diretora Anna Muylaert. O filme tem personagens femininas bastante fortes e conta a história de Jéssica, que sai do Nordeste para tentar ingressar na faculdade de Arquitetura da Universidade de São Paulo (USP), considerada uma das melhores do país. Jéssica é filha de Val, que trabalha como empregada doméstica em São Paulo. Perguntado se se identificava de alguma forma com o filme, Fábio foi rápido em responder. "Eu me enxergo muito na personagem Jéssica, como pobre, nordestino, que sonha em entrar em uma faculdade, filho de empregada doméstica. Val também lembra muito minha mãe em sua simplicidade, dedicação e amor para com a filha. Aquele filme é uma metáfora da minha vida!", afirmou.

Fábio Constantino fez o ENEM no ano de conclusão do IFRN e, com a nota, começou a cursar Engenharia Química na UFRN. Mas decidiu abrir mão do curso para realizar o sonho de fazer medicina. Como resultado dos estudos, de acordo com o site do SiSU, ele está entre os primeiros colocados para as vagas de cotistas destinadas ao curso na UFRN. O resultado final sai no dia 18 de janeiro.

"Minha meta como profissional é tratar os meus pacientes como meus familiares. Fico muito preocupado com a qualidade dos médicos que se formam apenas movidos por interesses pessoais e ganância. Medicina é por a vida do outro em nossas mãos. Quero retribuir o esforço dos meus pais, dando-os orgulho de mim e mostrando que tanta dedicação por minha educação valeu a pena. Quero ajudar a minha mãe, oferecendo uma vida melhor, pois ela merece muito! Anseio ajudar pessoas que necessitam tanto quanto a gente", revelou o técnico em Agroecologia pelo IFRN.

O Instituto também teve outros alunos com destaque no ENEM 2015, como Bruno Maximiliano e Gabriel Dantas, do Campus Mossoró, que obtiveram notas acima de 900 na redação do Exame.

De Assu, no Rio Grande do Norte, o aluno nota mil na redação do ENEM | GGN

 

Aos 15 anos, "bovino" passa de novo em Medicina

Será que o Mainardi já recebeu aquele e-mail?

publicado 21/01/2016

jose victor

Quanto mais o José Victor (na direita, com rosto pintado) estuda, mais ele tem sorte… (Foto: Jadilson Simões/UOL)

Saiu no UOL:
Sergipano passa de novo em medicina: "Fiz para mostrar que não foi sorte"

E a história se repete. O sergipano José Victor Menezes Teles, agora com 15 anos, está entre os aprovados do curso de medicina da UFS (Universidade Federal de Sergipe). No ano passado, ele conquistou a vaga no mesmo curso, aos 14 anos. O garoto, natural de Itabaiana, diz que resolveu fazer mais uma vez um Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), para mostrar que no primeiro sucesso não foi uma questão de sorte.
"O pessoal não disse que foi sorte? Então pensei: vamos ver se essa sorte acontece duas vezes. Ouvia piadas de que passei na sorte. Resolvi fazer e está aí o resultado e com mais intensidade", comemorou o garoto. No Enem 2015, José Victor obteve 767,74 pontos na média final contra 751,16 do ano passado. Na redação foram 940 pontos no Enem 2015 contra 960 pontos do ano anterior.
Com esta média final, José Victor obteria vaga nos cursos de medicina nas universidades federais do Ceará, de Goiás, de Viçosa (MG), e da própria UFS, porém descartou a possibilidade de se transferir para uma dessas universidades. "Como disse, só fiz para mostrar que minha aprovação no Enem do ano passado não foi uma questão de sorte. Fiz 16 pontos a mais", afirmou.
Junto com o resultado da aprovação do Enem 2015, José Victor iniciou na última segunda (18) as aulas do curso de Medicina na UFS. As aulas deveriam ser iniciadas em agosto do ano passado, mas a greve de quase cinco meses dos professores e de servidores técnicos administrativos da Universidade atrasaram o início do ano letivo. Mas isso não tirou a alegria do garoto. "Um desafio na minha vida. A turma é muito jovem e mostra que os jovens vêm conquistando espaço e isso mostra que não devemos julgar pela idade, mas pela maturidade", analisou.
Apesar da correria de se deslocar os cerca de 55 quilômetros entre Itabaiana e o Campus da UFS, na cidade de São Cristóvão, José Victor avisa que não deixará de realizar palestras que fez ao longo deste intervalo entre a aprovação no Enem e o início da aulas, como também pretende divulgar o livro lançado no final do ano passado "Como vencer aos 14".

25/08/2015

ENEM se fala mais nisso

OBScena: membro da Ku Klux Klan sendo atendido por médicos negros

KuKluxKlansendosocorridopormdicosnegrosOs grupos mafiomidiáticos, cabresteados por uma oligarquia excludente e preconceituosa, tem feito guerra contra qualquer política pública que busca abrir espaços mais republicanos de acesso aos bens e serviços públicos. Toda vez que se cria política pública de universalização e de melhoria para os mais necessitados, a gritaria é geral, mas restrita aos privilegiados de sempre. Privilegiados inclusive em se fazer ouvir.

Foi assim com o SUS, com as políticas de cotas e inclusão social, com o ENEM, com Minha Casa Minha Vida, Mais Médicos.

Cotas raciais

Para combater a política de cotas do Governo Lula, a Globo escalou Ali Kamel para perpetrar um petardo chamado “Não somos racistas”. O livro teve sua serventia. A Rede Globo avocou o direito de dizer o que é e o que não é racismo. Só uma empresa de jornalismo dirigida por ETs poderia sair-se com algo tão ridículo. Assim, a política de cotas serviu não só para resgatar uma dívida histórica com amplo segmento marginalizado da nosso sociedade, mas serviu ainda mais para mostrar quem são os que ainda hoje se aproveitam deste apartheid. Que pode haver alguns problemas na política de cotas não esta dúvida. Basta citar caso do Joaquim Barbosa e Mathias Abramovic, médico carioca, branco de olhos verdes, que se inscreve mais uma vez como cotista para uma vaga reservada a negros no Itamaraty. Embora estes dois casos tenham sido usados para detonar com a política de cotas, o que fica claro que é há pessoas de mau caráter em todas as etnias. Algo bem diferente é dizer que não há necessidade de cotas porque “não somos racistas”. Para complementar os dois exemplos anteriores, e ficando somente entre os famosos, que a realidade da vida real é ainda mais cruel, basta trazer a baila mais dois nomes ligados, em lados opostos, ao racismo: Rachel Sheherazade e Maria Júlia Coutinho, a Maju, apresentadora do Jornal Nacional da Rede Globo.E, para finalizar, ainda ontem saiu a informação que a polícia do Rio de Janeiro aborda ônibus e interrompe a viagem de jovens negros com destino à zona sul da cidade. Para encerrar, a guerra do Ali Kamel e da Rede Globo contra as cotas raciais fez brotar de maneira assustadora os movimentos nazi-fascistas.

Saúde Pública

O SUS/SAMU, o maior programa de saúde pública do mundo, é uma grande vítima. Por desvios funcionais, de caráter e de informação, a parcela da sociedade que não só tem recursos próprios para tratar da própria saúde como também pode adquirir plano de saúde particular, é a que mais ataca o SUS. Veja-se o caso do MBL, um grupelho de jovens desocupados mas muito bem finanCIAdos, se insurge contra qualquer política governamental que ouse usar recursos públicos em prol dos mais necessitados. Na marcha dos vadios para Brasília, um dos onze integrantes foi atropelado. Não foi seu plano privado de saúde que o resgatou e levou ao hospital público mantido pelo SUS. Foi a SAMU. Da mesma forma, quando a global famiglia Huck sofreu acidente aéreo, quem socorreu não foi seu plano privado, foi o SUS. Ainda dentro deste assunto é importante registrar que no Governo FHC foi criada a CPMF. O dinheiro que deveria te sido usado na saúde pública foi utilizado para qualquer coisa, menos para o fim a que foi criada. Bastou mudar o governo, e para impedir que o dinheiro passasse a ser utilizado de fato em saúde pública, a mesma classe reacionária, aquela que abriga os 300 picaretas do Eduardo CUnha, extinguiu a CPMF.

Exame Nacional de Ensino Médio

Uma das maiores batalhas contra os governos Lula e Dilma deu-se com a criação do ENEM. Em uníssono, todos os assoCIAdos do Instituto Millenium martelaram dia e noite contra um dos programas de interesse público mais bem concebidos. A Veja faz sentido. Ela usa os dinheiros da venda de informação, que não é tributado, para entrar no mercado da educação. E não é só a distribuição de milhares de assinaturas pelos sucessivos governos do PSDB em São Paulo. Entrou também para o ramo dos livros didáticos. Os demais, para atenderem seus financiadores ideológicos, deste logo investiram contra. Lembro que em Porto Alegre, meninas de classe média e frequentadoras de cursos pré-vestibulares botaram narizes de palhaço e foram pra rua protestar. Elas ganharam espaço, os jovens de origem humilde e de periferia que sempre lutaram por mais acesso à educação pública gratuita e de qualidade, nunca tiveram espaço. Acontece que com o ENEM tem acesso às Universidade Públicas não aqueles filhos de classe média e média alta que puderam frequentar boas escolas particulares ou que puderam pagar caros cursinhos pré-vestibulares. Afinal, o que é público deve ser de acesso para todos os públicos. Não é engraçado que aqueles que advogam o ensino privado tenham lutado tanto para o acesso exclusivo ao ensino superior público? Por que não se contentaram com o ensino nas Faculdades Privadas? O ENEM, aliado a outras políticas públicas, como as cotas e o PROUNI, permitiram o acesso ao ensino superior a jovens que de outra forma chamais conseguiriam. As salas ficaram com uma cara mais parecida com a nossa heterogênea sociedade. Hoje, filho de pedreiro, de doméstica, de colono e outras tantas profissões mais simples tem acesso e compete com jovens de classes altamente privilegiadas. A efetiva mudança na sociedade vai demorar mais para ficar mais perceptível. Há que se esperar que essa nova leva de jovens retornem dos estudos e se integrem no mercado de trabalho para que a defesa destas políticas se torne mais contundente.

Luz para Todos

Vide o caso dos programas Minha Casa Minha Vida e o Luz para Todos. É constrangedor ver colegas que usam o financiamento da Caixa para adquirir moradia combaterem o uso de dinheiro público no programa Minha Casa Minha Vida. Embora em menor escala, também por ser um programa público, o Luz para Todos foi ferrenhamente combatido. O exemplo da luz é paradigmático e simboliza o ódio de classe que desnorteia a cabeça de nossa direita Miami. Ao contrário da última frase atribuída ao poeta alemão, Goethe, nossas elites não querem “luz, mais luz”, porque em terreno escuro quem tem lanterna de celular comando o tráfico.

Mais Médicos, Menos HiPÓcrisia

E por fim o Mais Médicos. Nada é mais emblemático do atraso mental, e por isso também mais simbólico, de nossas elites do que o programa Mais Médicos. Nem o bloqueio das contas de poupança pela Zélia Cardoso de Mello no governo Collor provou ira maior do que a vinda de médicos para atender a população onde não havia médicos. Os ataques não se devem apenas à perda do poder econômico de uma classe, mas atinge o seu mundo simbólico. Os cursos de Medicina eram redutos de acesso extremamente difícil. E um pouco devido a esta dificuldade, os formandos, genericamente falando, pensavam e alguns ainda pensam, que se tratava de uma cesso a um garimpo com pepitas garantidas. Pode-se dizer que foi este programa que fez com que a brasa do fascismo que estava coberta de cinza se destapasse. As manifestações mais raivosas, de mais baixo nível foi contra este programa de atendimento ao público mais carente de acesso à saúde pública. Se é verdade que poderia ser melhor, também é verdade que é melhor um médico nas condições atuais do que nenhum. É uma conclusão de uma clareza meridiana mas que mentes obnubiladas de ódio não captam. O problema maior continua sendo de comunicação, de informação. Acontece que há espaço para quem, por razões óbvias, condena este programa, mas pouco espaço se dá para mostrar o que aconteceu nos lugares onde eles estão. Não se ouve o público que está sendo atendido por este serviço.

Os mais jovens, por não terem vivenciado outra realidade, não têm ideia de como as coisas funcionavam há 15, 20 anos atrás. Os mais velhos hão de lembrar de como era difícil consultar um médico no INAMPS… Cursar uma faculdade pública…

20/08/2015

O ódio cega

Filed under: Ódio de Classe,Manipulação,Marcha dos Zumbis,Preconceito — Gilmar Crestani @ 9:27 am
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O ódio cega. E esta cegueira embota o raciocínio. Um ser humano com ódio faz coisas que nenhum animal faria. E não se trata apenas da violência gratuita. Trata-se, principalmente, de atitudes que só um ser humano com cérebro embotado consegue.

Nas touradas, o pano vermelho açula o touro. E contra ele se atira de forma ensandecida. Na ditadura estimulou o ódio. E este ódio a tudo o que fosse vermelho levou os censores e proibirem alguns livros como Chapeuzinho Vermelho e o Vermelho e o Negro, do Stendhal.

As cores do meu Inter são vermelho e branca. Domingo não pude sair com minha camisa do Inter. Para ser aceito, teria de sair com as cores da CBF. A CBF é um símbolo que só poderia ser escolhida por cérebros embriagados de ódio.

O problema do ódio não se resolve com a remoção do objeto contra o qual se lançam. Por que o ódio não está no objeto, está nele, em quem odeia. É por isso que na ditadura não bastava prender. O ódio leva sempre a outro passo. A prisão era apenas o primeiro passo. Prendia-se por suspeição, sem qualquer mandado, e isso era só o começo de um via crucis. Uma vez preso, o “objeto” era torturado. Não fosse o ódio, terminaria na tortura. Mas o ódio do torturador quer mais. Quem odeia estupra. Porque o ódio lhes retira qualquer humanidade. E quem perde a humanidade prende, tortura e estupra.

Veja que os estupradores se satisfazem com o estupro. Mas os que odeiam, não. Eles vão além. Eles esquartejam suas vítimas. A única coisa que eles tem além do ódio é medo. Por isso que depois de prender, torturar, estuprar e assassinar, eles esquartejavam os corpos. Não era só porque isso lhes dava prazer. Mas também porque tinham medo que o corpo do seu objeto de prazer fosse encontrado e reconhecido com suas digitais. Então esquartejavam e distribuíam as partes por valas clandestinas. Como aquela localizada no cemitério de Perus, em São Paulo.

A Comissão da Verdade descobriu que os que finanCIAvam a Operação BandeiranteOBAN, também participavam das sessões de tortura e estupro. Alguns, inclusive, emprestavam peruas para que os corpos dilacerados pela orgia ensandecida, fossem desovados de forma clandestina.

O que leva a tanto ódio? Não é só a televisão. São os diabos interiores da frustração. Algumas pessoas que conheço, que viram animais ferozes quando veem uma bandeira vermelha, têm histórico de traições familiares e frustrações sexuais. Algumas foram estupradas quando crianças. Os meios midiáticos só fizeram canalizar esse ódio. Mas ele já existia. Só estava lá esperando um dedo que lhes apontasse uma direção.

A grande dama vermelha, por Luciano Marra

ter, 18/08/2015 – 19:13

Por Luciano Marra, via facebook

Putinha do Lula, putinha do Lula". Mais respeito, minha filha, mais respeito. "Vagabunda, vagabunda!!!" Não, minha filha, você não me conhece… "Velha doida, velha doida!". Não, vocês são irracionais, precisam conhecer nossa história. "Deve ser filha de ladrão!!" Não, rapaz, vivi a época da ditadura, vou morrer lutando contra ela. Você não sabe o que está dizendo… vocês são formados pela televisão. Sem encostar, não tenho medo de nada, já enfrentei coisa pior, você não sabe de nada, é preguiçoso!! Encosta que eu devolvo!!! "Filha da puta!!" Me respeite, eu vivi a história, você é um desinformado.

E foi assim que conheci uma heroína a ponto de entender com quantos filamentos se faz a fibra de uma grande mulher. Por falta de melhor nome, anotei na caderneta de fotos: agosto de 2015, Avenida Paulista, A GRANDE DAMA VERMELHA, a quem devo uma lição de extrema coragem, paciência e lucidez.

A grande dama vermelha, por Luciano Marra | GGN

19/07/2015

Os fascistas agora já ousam dizer o nome

Aécio para Cunha: “sugue e depois venha pro nosso lado”. No PSDB ninguém é investigado, muito menos preso.

Cunha Aéecio PaulinhoÉ o momento vergonha alheia. E nem se diga que a otária ali da twitter seja originária. Há um documentário disponível na internet e que os canais por assinatura vez que outras disponibilizam: Inimigo do meu inimigo. É um documentário do modus operandi adotado pela tal de Leticia Oliveira. Para combater as políticas sociais dos países da América Latina os EUA recrutaram sobreviventes nazistas e os atiçaram contra os pobres do sul.

É evidente que eles não são contra a corrupção. São contra a concorrência na corrupção. Eles odeiam ter de dividir espaço nos aeroportos, nos aviões, nas faculdades, nas festas de formatura. Afinal, quem foi que inventou esta história de pobres podem comprar carro, como vociferava aquela besta quadrada que trabalha na RBS, Luis Carlos Prates?! Quem inventou esta história de filho de trabalhador pode frequentar curso superior? Claro, esse é o verdadeiro motivo pelos quais odeiam Lula e Dilma.

É evidente que Eduardo CUnha não nasceu agora. É cria do mesmo grupo de comunicação que inventou e levou ao Planalto o Caçador de Marajás.

Quando Ali Kamel resolver escrever um livro para combater as políticas sociais com uma mentira em formato de livro “Não somos racistas”, também tira a originalidade da anencefálica. A bem da verdade é que a filosofia da moça é vendida a preço de banana pela Rede Globo. Veja as tais matérias a respeito do narcotráfico. Só existem para atacar distribuidores dos produtos dos outros. É sabido que os grandes consumidores estão sob a batuta dos Marinho, e por aí se explica porque a apreensão de um heliPÓptero com 450 kg de cocaína virou pó e saiu do noticiário. Portanto, se perfilar ao lado de bandidos, como JJ Havila, José Maria Marin, Ricardo Teixeira é também algo que a Globo faz muito bem.

O ódio que é também uma forma de despeito tem razão na ascensão de classes sociais. Se há  algo de culpa do PT na idiotice assumida e pública da moça foi o fato de não ter tomado nenhuma medida no sentido de democratizar os meios de comunicação. Estas serpentes são desovadas por concessões públicas. São eles que espalham ódio como se fosse terapia. Deve-se ao poder, que já foi muito mais contundente, dos meios de comunicação que no Brasil até hoje não foram punidos aquela gente de Benz que achava normal prender sem mandato judicial. Não só entrevam pessoas das quais discordavam ideologicamente, como faziam questão de participar das sessões de tortura, estupro e morte nos porões do DOI-CODI. A Folha emprestava peruas para desovar os corpos dilacerados em valas clandestinas como aquelas encontradas no Cemitério de Perus. Este participação ativa explica, por exemplo, a invenção de um Ficha Falsa da Dilma e de terem a cara de pau de chamar a ditadura de ditabranda. É culpa do PT por nunca te reagido às mentiras, processando os facínoras, como está, só agora, fazendo Guido Mantega.

Agora os fascistas estão do esgoto, e o PT virou vítima escolhida simplesmente porque não dedetizou os esgotos. É evidente que a moça gosta de bandido e faz abertamente a apologia da ladroagem.

Fascistas digitais elegem Cunha seu mais novo herói

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Timidamente, porém mais agressivos do que nunca, intolerantes da internet iniciam uma campanha para respaldar eventual ação do presidente agora oposicionista da Câmara dos Deputados pela derrubada da presidente Dilma Rousseff (PT); proliferam-se hashtags como #seaDilmacair, #fechadocomcunha e #CunhaExplodeOGoverno estimulando o ódio contra o governo e o PT: “Se o Cunha é bandido ou não, agora não importa. A ordem é tirar o PT do poder e hj ele é o único político capaz de realizar esse feito” resume post de notória fascistóide do microblog Twitter; campanha ganhou imediatamente o apoio do roqueiro Lobão, que multiplicou uma postagem odiosa em que a presidente da República é reatratada como uma criminosa comum em um cartaz forjado com os dizeres “procura-se viva ou morta”

19 de Julho de 2015 às 12:45

Brasil247 – A horda de fascistas que invade as redes sociais vê agora no presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a chance mais possível de promover o golpe com a deposição da presidente Dilma Rousseff (PT). Com apoio de figuras nefastas como o roqueiro Lobão, inicia-se pelo Facebook e pelo microblog Twitter campanhas de ódio e de violência contra Dilma e contra o PT, defendendo uma união em torno do deputado fluminense.

Cunha decidiu ir para a oposição depois que foi delatado pelo lobista Júlio Camargo na Operação Lava Jato por ter recebido uma propina de US$ 5 milhões para não atrapalhar supostos esquemas na Petrobras. Ele atribui a delação a uma articulação esdrúxula entre o Palácio do Planalto e a Procuradoria Geral da República.

Ainda inicial, o movimento estimula tags como #seaDilmacair, #fechadocomcunha e #CunhaExplodeOGoverno e traz argumentos assustadores para defender a coerência de Cunha e tática dos fins justificam os meios. Exemplo: o ferfil denominada @leticiaoliveira, notória fascistóide, escreveu: “Se o Cunha é bandido ou não, agora não importa. A ordem é tirar o PT do poder e hj ele é o único político capaz de realizar esse feito.”

Numa imagem que ilustra um cartaz de “Procura-se”, a turma fascista associa a presidente da República a um criminoso comum, aludindo sua participação em ações contra a ditadura militar (Dilma foi militante do VAR-Palmares, presa e torturada pelo regime). Na foto, ela está ao lado de uma metralhadora e lê-se os dizeres “Procurada viva ou morta”.

Defensor de uma pauta ultraconservadora na Câmara, que envolve o financiamento privado das campanhas, a redução da maioridade penal e a vinculação religiosa do Estado, Eduardo Cunha é a personificação d que há de mais retrógrado na sociedade brasileira, que tem ganhado força e voz pela internet.

Fascistas digitais elegem Cunha seu mais novo herói | Brasil 24/7

12/07/2015

A velha mídia é a sementeira do ódio

O ódio fascista que brota diuturnamente dos grupos mafiomidiáticos é também culpa do PT, da Dilma e do Lula. Nada fizeram punir quem usa concessão pública para disseminar preconceito, racismo e ódio de classe. Os setores mais retrógrados da sociedade são alimentados diariamente com manipulações que seguem o script desenhado por Rubens Ricúpero, como ficou conhecido no Escândalo da Parabólica.

No PT também há parlamentares oportunistas. Surfaram na onda petista para se elegerem mas quando surgem a primeiras dificuldades, batem as asas para caírem nos braços dos algozes. Parecem sofrer da Síndrome de Estocolmo. Essa gente de ocasião não tem nada de esquerda. São o que sempre foram, apenas oportunistas. Preferem se aliarem à máfia do que combate-la. Ao invés de investirem contra o discurso do ódio, passam a odiar. É por isso que brotam Malafaias, Caiados, CUnhas…

Celso Vicenzi: a mídia, a comandante do retrocesso

12 de julho de 2015 | 12:39 Autor: Miguel do Rosário

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Reproduzo abaixo, instigante e atual texto de Celso Vicenzi.

A mídia comanda o retrocesso

Por Celso Vicenzi, em seu blog.

Uma fotomontagem em que a presidenta Dilma Roussef aparece de pernas abertas, na boca de um tanque de gasolina de automóvel, jogou mais combustível na fogueira de ódio e insensatez que se espalha por todo o país. A imagem é chocante e não ofende apenas a mais alta autoridade do país, mas todos os cidadãos e, principalmente, as mulheres, no Brasil e no mundo. A metáfora visual é a de uma penetração sexual, de um estupro.

Essa afronta não é um caso isolado. Pelo contrário, a passividade das principais autoridades do país tem autorizado uma série de crimes, contra a democracia e contra a dignidade humana. Por trás de gestos mais raivosos, tresloucados e imbecilizados, foi tecida uma competente estratégia de propagar o ódio e promover a agitação social necessária à aplicação de um golpe de estado para o qual só parece faltar o acerto de data. Mais que um golpe contra o resultado das urnas, seria um golpe contra boa parte dos avanços civilizatórios duramente conquistados desde o fim da ditadura de 64. Some-se a isso uma intolerância religiosa que era até então desconhecida no país e que hoje grita seus slogans medievais muito além dos púlpitos, nos parlamentos e nas emissoras de rádio e tevê.

Depois da quarta derrota eleitoral à presidência, os setores mais conservadores da sociedade brasileira perceberam que, pela via democrática, suas chances de ascender ao Palácio do Planalto tornaram-se remotas. Se não foi possível convencer pelo voto, importantes setores da mídia, do parlamento e do judiciário desenharam nova estratégia. Os principais veículos de comunicação passaram a desenvolver, diariamente, uma estratégia que consiste em omitir o que há de positivo no país e exagerar na análise pessimista. Mais que isso: o que poderia ser uma excelente oportunidade para desnudar como funciona o esquema de financiamento de campanhas políticas e o uso da máquina pública e de empresas estatais para troca de favores – em todas as esferas, federais, estaduais e municipais – resultou em uma justiça caolha, uma mídia manipuladora e um Congresso Nacional retrógrado, centrados no objetivo de criminalizar um único partido, um único governo e, especialmente, Lula e Dilma.
O festival de imagens agressivas vem sendo produzido há muito tempo. Um dos casos mais recentes ocorreu na coluna do jornalista Ricardo Noblat, no jornal O Globo (29/6/2015), que pôs a cabeça degolada da presidenta Dilma em uma bandeja. O título acompanha o “primor” da ilustração: “Em jogo, a cabeça de Dilma”.

O jornal Correio Braziliense publicou no dia 8/9/2014, na capa, uma foto de Beto Barata em que uma metralhadora é apontada contra a face da presidenta, durante desfile militar de 7 de Setembro. O mesmo truque de angulação – usado à exaustão e, portanto, já sem nenhuma originalidade – deu a Wilton Júnior (O Estado de S. Paulo) o Prêmio Esso de Fotografia de 2012. Ilusoriamente uma espada trespassa o corpo da presidenta durante uma cerimônia na Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende (RJ).

Se alguns dos principais veículos de comunicação, por repetidas vezes, simulam que a presidenta deve ser executada – e aí não há nenhuma possibilidade de inocência nessa metáfora de “morte à presidenta” –, porque deveríamos estranhar que essa convocação à “malhação de Judas” não encontraria campo fértil em meio a milhares de internautas ávidos por exibir toda a sanha reacionária e a falta de escrúpulo no debate político? Por que nos surpreenderíamos com tantos cartazes pedindo a volta da ditadura em passeatas que a mídia louva como a fina flor da democracia? Por que nos espantaríamos com as bancadas evangélicas, da bala e do latifúndio a vociferar contra os direitos humanos?

Houve quem tenha se recusado a reproduzir, nas redes sociais, a imagem sórdida de uma mulher, de pernas abertas na boca do tanque de combustível de um automóvel. Compreendo e louvo a tentativa de evitar a banalização da cena. Inclino-me, no entanto, na direção contrária, por uma razão: não podemos deixar de ver, compreender e estar alerta contra o que ameaça destruir a dignidade humana. Ver para não se iludir sobre o crescimento da barbárie. Ver para denunciar o ódio que cega tantas pessoas que se consideram humanas, amorosas.

Estranhamente, começaram a surgir, também na internet, os indignados contra quem se indignou. Houve muitas críticas aos que optaram por mostrar as imagens anexas aos textos de protesto a esse ato de misoginia. Boa parte dos críticos não atacou os autores da fotomontagem que escandalizou o país. Preferiu desviar o foco do debate, para tentar atingir apenas aqueles que se disseram profundamente impactados pelo ato vil.

A imagem é grosseira e não cabe banalizá-la com reproduções gratuitas e comentários machistas. Mas é preciso mostrá-la a quem ainda não viu, para que percebam a extensão do que acontece hoje no Brasil, e acordem a tempo de evitar o pior. Há uma profusão de atentados à democracia e à dignidade humana. E, por serem desferidas contra o atual governo, contra Lula, Dilma e o PT, não faltam incentivadores desse ódio que brota de nossas raízes racistas, conservadoras e elitistas.
Há coisas que precisam ser vistas. Não há como esconder as atrocidades que o ser humano já foi capaz de perpetrar, ao longo de milênios. Algumas imagens têm o poder de alertar contra a fera humana, sempre numa tênue fronteira entre civilização e barbárie.

A imagem que repugnou o país é somente o ápice de uma ação que tem os donos da mídia como principais articuladores. É um movimento que também grita contra os direitos humanos, que não se conforma com a inclusão social, não se importa em entregar as riquezas e o futuro do país aos interesses do capital internacional, não se importa com uma justiça de duas caras, dois pesos e duas medidas, que não aceita as mudanças que ocorreram nos últimos anos beneficiando sobretudo os mais pobres. Essa imagem é só uma amostra do nível de degradação a que estaremos expostos se as forças reacionárias dominarem novamente o Brasil.

Celso Vicenzi: a mídia, a comandante do retrocesso | TIJOLAÇO | “A política, sem polêmica, é a arma das elites.”

20/05/2015

Magna apologia da malta

Definição de malta: “conjunto ou reunião de pessoas de baixa extração social; escória, ralé.”

O elogio é uma forma antiga de homenagear personagem emblemáticos. A mais famosa é a Apologia de Sócrates. E não é uma, são duas. A de Platão e a de Xenofonte. Há também famosos elogios fúnebres, como aquele do Péricles a respeito dos atenienses caídos na guerra com Esparta.

No Brasil, há toda sorte de discurso fúnebre. Há o editorial da Rede Globo saudando a chegada da ditadura. Aliás, na Globo, o mais fúnebre de todos os discursos foi o direito de reposta de Leonel Brizola lido por um âncora com cara de defunto, Cid Moreira. Há o editorial da Folha de São Paulo chamando a ditadura de ditabranda.

Mas o mais emblemático dos tempos atuais é a Apologia do Pó! Para rivalizar com o famoso elogio fúnebre de Aécio Neves, escrito por Mauro Chaves, agora aparece mais um bípede para fazer jus à homenagem feita por Kiko Nogueira. Magno Malta não poderia ter recebido um nome mais apropriado. O nome é Magno, mas o cérebro é Mícron. Malta é malta em qualquer circunstância.

Nunca houve antes na história deste país um político com a capacidade de dizer em curto espaço de tempo o maior número de asneiras de que se tem notícia.

Magno Malta é o exemplo a um tempo exacerbado quanto verdadeiro no que se transformou a direita hidrófoba. Ele faz questão de se dizer contra a pedofilia mas ao mesmo tempo quer a maioridade penal. Nem se precisa de Freud para entender o que se passa na cabeça de quem vive falando em pedofilia e por isso quer ver menor preso…

O discurso de Magno Malta fez-me lembrar da única frase que pode resumir seu caráter: “Se não trepa e come merda, de que a hiena ri?”

Taí ó, o discurso de Magno Malta se inscreve no que se pode resumir numa Apologia do Bestiário!

Malta é a anomalia que quer combater

A Aécio: “V. Excia não perdeu a eleição. Recebeu um livramento…”

O Conversa Afiada reproduz artigo do Kiko Nogueira no DCM:

Magno Malta é ele mesmo a “anomalia” que quer combater

por Kiko Nogueira
O senador Magno Malta contém, em si mesmo, todas as interpretações possíveis do termo picareta. Na noite em que o plenário do Senado aprovou o nome de Luiz Edson Fachin para o STF por um placar de 52 a 27, Malta pediu a palavra.
Citando a Bíblia e a expressão “profissão de fé” a cada 30 segundos, pôs-se a justificar seu voto numa confissão de ignorância e maldade de dar gosto a Belzebu.
Ele tinha “dificuldade de votar” porque, na sabatina, Fachin só respondeu com “‘rolando lero’ jurídico”. O indicado de Dilma teve “escorregões jurídicos” ao escrever, por exemplo, o prefácio de um livro sobre poligamia.
Do púlpito, agitando os braços, detonou a marcha da maconha e a posição de Fachin sobre ela, segundo ele, favorável à liberdade de expressão. E se os pedófilos quiserem marchar, perguntava, apoplético.
“Se você não aplaude o homossexualismo, é homofóbico. Somos todos homofóbicos, então”, gritou. E a chave de ouro que não poderia faltar a um evangélico fundamentalista: “Fui eleito pelos que acreditam em família nos moldes de Deus, macho e fêmea. Fora isso é anomalia.”
MM já havia chamado de “anomalia” a PL 122, que incentiva, diz ele, a criação de um “império homossexual”.
Seu currículo de imbecilidades já havia sido alçado a um novo patamar em janeiro, quando enterrou o nariz no saco de Aécio Neves em seu retorno ao Senado depois da derrota na campanha presidencial. “Vossa Excelência não perdeu as eleições. Vossa Excelência recebeu um livramento da parte de Deus”, falou, num aparte antológico.
O medo e a raiva dos gays é parte do que Freud chamava de “formação reativa”, o conflito contra os símbolos externos de um sentimento que está sendo sufocado internamente.
Em seu teatro sobre Luiz Fachin, Malta foi sincero num ato falho. “Diziam ‘amanhã ele vira ministro do Supremo, caí um processo seu na mão dele e você estará arrebentado’”.
É esse seu receio, é essa a razão de toda sua conversa baseada no ódio e no preconceito: que seja julgado por Fachin no Supremo. Malta é a anomalia de que tanto fala. Onde está Deus que não opera um livramento onde é necessário?

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Malta é a anomalia que quer combater | Conversa Afiada

21/04/2015

Por que o PDT virou sigla de aluguel?

Filed under: Lasier Martins,PDT,Preconceito,RBS,Terceirização — Gilmar Crestani @ 10:38 am
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Lasier Martins Indio

Do casamento do Vieira da Cunha com a RBS nasceu Lasier Martins. Serviu de testemunha José Fortunati e suas possibilidades imobiliárias pela cidade. A empresa que é ávida por todos os lados encontrou no Paço Municipal o aval para uma simbiose muitas vezes tentadas mas poucas vezes vista. As parcerias públicas são descarregadas na privada.

As relações na privada resultaram na defecção partidária. Fortunati se licenciou do PDT. Quando terminar, voltará para que o PDT o limpe com papel higiênico. Assim vai parecer distância entre força e resultado. Para uma boa negociada há sempre a possibilidade da conversão de papel imprensa em papel higiênico. Onde há bundão, abunda! Quando um partido é cabresteado pela mídia, descanta o verso com a mesma naturalidade com que uma criança faz xixi na cama.

Parodiando a maior filosofada do PJ da RBS, “quantos jornalista no Brasil e particularmente no Rio Grande do Sul deixaram de ser jornalistas e são hoje políticos respeitados e qualificados?” Muitos. Mas Lasier Martins, com certeza, não é um deles. Por isso está no PDT. Por isso o PDT o acolheu. Por isso o PDT “erra” mas não é!

PDT-RS muda e agora é contra terceirização

Deputados federais da sigla dizem que irão votar para restringir proposta

Cherini diz que a questão não é ideológica | Foto: Lúcio Bernardo Jr / Câmara

  • Iuri Ramos

A volta da Lei das Terceirizações para a pauta da Câmara dos Deputados, amanhã, promete uma nova rodada de polêmicas entre os pedetistas gaúchos. Os deputados já aprovaram o texto-base da proposta, mas precisam concluir a análise dos destaques e das emendas apresentados ao projeto. Após dois dos três deputados federais votarem a favor da lei que amplia a possibilidade terceirização nas empresas, lideranças do PDT gaúcho se revoltaram com a posição da bancada em Brasília. Agora, para as votações de amanhã, os três parlamentares pedetistas do RS dizem que irão restringir ao máximo a abrangência da lei.
O deputado Giovani Cherini garante que não mudou de opinião e quer esclarecer até onde pode se estender a atividade-meio. “Não é uma questão ideológica, é pela segurança dos trabalhadores que estão à mercê dessa regulamentação”. Segundo ele, as críticas deveriam ser encaminhadas ao Tribunal Superior do Trabalho. “Eles que criaram a lei, agora são contra.”
O pedetista Afonso Motta se diz sensível ao debate criado em torno do tema. “Fizemos esforço para que não entrasse na pauta, e votamos contra a urgência. Agora teremos posição bastante restritiva. Sabíamos das pressões que viriam”, declarou.
Para o deputado Pompeo de Mattos, presidente estadual do partido, o PDT teve coragem. “O primeiro voto que o PDT deu foi para desprecarizar os 12 milhões de trabalhadores terceirizados. E agora, na segunda rodada de votos, é para não permitir a precarização dos mais de 40 milhões formalizados. Não há trabalhadores mais importante que os outros”, afirmou, acusando a bancada petista de dar o “voto covarde” contra os trabalhadores terceirizados. “Demos a cara a tapa. Quem questionou, não entendeu, mas aos poucos vão compreender”, disse aos correligionários insatisfeitos.

Correio do Povo | Notícias | PDT-RS muda e agora é contra terceirização

07/11/2014

Classe médica está doente e não há remédio para tanta burrice

Filed under: AMB,Mais Médicos,Preconceito,Racismo,SIMERS — Gilmar Crestani @ 9:33 am
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Médicos boicotam laboratórios que doaram recursos a Dilma

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Comunidade do Facebook “Dignidade Médica”, que propôs “holocausto” e “castrações químicas” contra eleitores do PT, sobretudo nordestinos, agora lidera movimento que propõe boicote aos laboratórios que doaram recursos à campanha da presidente Dilma Rousseff; leia a denúncia feita por Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania

7 de Novembro de 2014 às 06:31

Por Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania

Após o lançamento do programa Mais Médicos e a consequente chegada de médicos cubanos ao Brasil, a classe médica brasileira vem promovendo um show de horrores. Há menos de um mês, o portal IG fez uma denúncia estarrecedora:

A denúncia do IG espalhou-se como fogo e por certo fez ver a boa parte dos formadores de opinião o movimento nazista que se aglutinou em torno da candidatura Aécio Neves. Para entendimento dos fatos que serão narrados mais adiante, vale rever trecho daquela matéria.

Sobre a comunidade do Facebook “Dignidade Médica”, que propôs “holocausto” e “castrações químicas” contra eleitores do PT, sobretudo nordestinos, para que “não se reproduzam” tem como uma das organizadoras a senhora Patricia Sicchar, que se declara médica da Secretaria Municipal de Saúde de Manaus em perfil da rede social.

Confira, abaixo, trecho de outra matéria do IG sob o título “Médica de grupo anti-PT minimiza holocausto a nordestinos: ‘é revolução do agir’”.

Como se vê, uma das médicas organizadoras do tal “holocausto” médico contra nordestinos eleitores do PT é servidora da Secretaria Municipal de Saúde de Manaus, sob responsabilidade do prefeito tucano Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM), líder do PSDB no Senado de 2003 a 2010.

Agora, os médicos manuenses voltam à ribalta com um movimento que pretendem espalhar pelo país. Chegou ao Blog uma denúncia séria contra médicos daquela capital. E o pior: a denúncia sugere que abuso desses médicos contaria com a conivência dos hospitais em que trabalham.

O denunciante enviou ao Blog link de perfil no Facebook de um médico manuense chamado Lano Macedo, que se diz funcionário do Hospital Beneficente Português do Amazonas, que já se envolveu em polêmicas como desrespeitar a “Lei do acompanhante no parto”, conforme denúncia do médico psiquiatra Rogélio Casado.

O tal médico Lano Macedo lidera um movimento de médicos manauenses no Facebook que propõe que a classe médica – e, consequentemente, os hospitais onde aqueles médicos trabalham – boicotem os laboratórios que doaram recursos à campanha da presidente Dilma Rousseff.

A confissão dos médicos de que irão deixar de recomendar fabricantes de medicamentos sob razões político-partidárias e ideológicas é um escândalo. E se aquele laboratório tiver medicamento mais conveniente para os pacientes, seja em termos de preço, qualidade ou outro?

Após o episódio “holocausto e castração química”, produzido a partir de organização de médicos de Manaus como o tal Lano Macedo, o Conselho Federal de Medicina (CFM) emitiu nota condenando os autores daquela barbaridade.

Resta saber o que o CFM tem a dizer sobre essa atitude de médicos de Manaus. E, aliás, deveria investigar – talvez até com participação do Ministério Público – se médicos de outras regiões também estão adotando uma conduta profissional inadequada não só por se misturar com os interesses político-partidários deles, mas por prejudicar seus pacientes.

Por fim, resta saber, também, que atitude o prefeito tucano Arthur Virgílio tomou contra a servidora pública Patricia Sicchar, que se declarou médica da Secretaria Municipal de Saúde de Manaus e organizou o movimento propondo “castração química” de eleitores do PT.

Médicos boicotam laboratórios que doaram recursos a Dilma | Brasil 24/7

05/11/2014

O SIMERS está colhendo o que plantou: ódio e preconceito

Filed under: Ódio de Classe,Preconceito,Racismo,SIMERS — Gilmar Crestani @ 9:06 am
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OVO DA SERPENTE

O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul começa a colher os frutos que estão sendo plantados.

A campanha de desinformação, ódio, preconceito só poderia revelar uma faceta que já havia emergido com o episódio da torcida do Grêmio em relação ao Goleiro Aranha. Não é mera coincidência que o deputado homofóbico e racista, Luis Carlos Heinze, tenha se eleito com uma votação só comparável a outros de sua mesma espécie, Bolsonaro e Tiririca.

Se o racismo já uma mancha por si só suficiente para merecer o repúdio de qualquer pessoa de bom senso, o preconceito contra o povo nordestino é prova inconteste de desinformação. Pior, se é que algo pode ser pior, é a campanha contra aquelas pessoas desassistidas para que não tenham o Mais Médicos. Negar aos necessitados distantes o direito de receberam médicos em sua casa, onde mora, lá distante no interior, é coisa de homicida. E o SIMERS tem feito isso aqui no RS a partir da implantação do programa Mais Médicos.

O SIMERS não botou nem o chocou o ovo da serpente. O SIMERS tem sido a própria a serpente desovando ódio em campanhas publicitárias!

 

O médico que se referiu a Pernambuco como “terra de merda”

publicado em 4 de novembro de 2014 às 13:36

medico

03/11/2014 22h54 – Atualizado em 03/11/2014 23h07

Palestra de médico é cancelada em PE após postagem polêmica na web

Anestesista gaúcho disse que não pisaria no estado após vitória de Dilma. Comissão do evento e Conselho de Medicina do RS repudiaram atitude

Do G1 PE

Um anestesista gaúcho foi banido de um congresso médico que será realizado na capital pernambucana, este mês, devido a uma postagem considerada preconceituosa pela categoria.

“Não piso nesta terra de merda mais em toda a minha vida!”, escreveu o profissional no Facebook logo após o anúncio da vitória da presidente Dilma Rousseff (PT), no último dia 26 de outubro.

O anestesista postou a mensagem na página do Congresso Brasileiro de Anestesiologia (CBA) e gerou revolta dos colegas de profissão.

O cirurgião Marcos Peres contou que o anestesiologista, que é ex-presidente da Regional da Sociedade de Anestesiologistas do Rio Grande do Sul (biênio 2004-2005), havia sido convidado para realizar uma palestra no evento, que ocorrerá entre 14 e 18 de novembro, no Recife.

No entanto, logo após a divulgação do resultado da eleição, o profissional gaúcho postou o seguinte texto no Facebook: “Comunico que estou agradecendo o convite para palestrar em RECIFE no CBA deste ano, mas não vai dar. Não piso nesta terra de merda mais em toda a minha vida!”.

A presidente Dilma Rousseff (PT) teve 70% dos votos válidos no estado.

Peres informou que denunciou a postagem ao Conselho Federal de Medicina, à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PE), ao Ministério Público Federal (MPF), à ONG SaferNet Brasil, à Câmara Municipal do Recife, à Assembleia Legislativa de Pernambuco e ao Governo de Pernambuco.

“Eu não fiquei surpreso com a postagem, só achei cara de pau ele, como médico, ofender os próprios colegas de profissão, achei muito deselegante e hostil. Ele veio anarquizar na nossa terra e não aceito essa atitude inadequada. Queria que ele pedisse desculpa, ele não pode sair atirando o ódio dele contra nós, fiquei muito triste e revoltado”, disse Peres.

Ainda conforme o cirurgião, o anestesista gaúcho feriu o artigo 18 do capítulo 1 do Código de Ética Médica, que diz que “o médico terá, para com os colegas, respeito, consideração e solidariedade, sem se eximir de denunciar atos que contrariem os postulados éticos.”

A reportagem procurou o médico, mas não conseguiu contato. Após as críticas, a conta dele na rede social foi aparentemente deletada. Já o Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul informou que não tinha autorização para passar os telefones do profissional, obedecendo à política interna da entidade.

Ao G1, o presidente do Conselho de Medicina do RS, Fernando Matos, afirmou que tomou conhecimento do caso e repudiou a atitude do médico, mas explicou que o órgão não poderá tomar nenhuma providência.

“Foi uma declaração imprópria, mas foi uma livre manifestação como cidadão, não foi dirigida a outro médico especificamente nem envolve a prática da medicina, por isso não cabe processo ético, uma providência tem que ser tomada em outro âmbito. O Conselho e os médicos do Rio Grande do Sul têm o maior respeito com população do Recife, trata-se de uma posição isolada”, apontou.

A assessoria de imprensa do CBA informou que a exclusão do anestesista da programação foi uma decisão da comissão executiva do evento tomada em conjunto com o médico.

De acordo com o órgão, ele mandou um e-mail pedindo o desligamento da programação, alegando apenas razões pessoas. A comissão acrescentou já tinha tomado conhecimento da postagem e decidido retirar o convite feito ao profissional gaúcho.

O CBA ainda decidiu, posteriormente, emitir uma nota de repúdio, externando indignação com postagem em rede social “se referindo de forma desrespeitosa ao Estado de Pernambuco”.

Confira, na íntegra, a nota do Congresso Brasileiro de Anestesiologia (CBA)

NOTA DE REPÚDIO

Foi com extrema indignação que lemos sua postagem em rede social se referindo de forma desrespeitosa ao Estado de Pernambuco, ao declinar do convite para palestrar no 61° Congresso Brasileiro de Anestesiologia.

Reconhecemos seu direito de não querer participar do CBA, afinal essa é uma decisão de foro íntimo. Mas repudiamos a maneira preconceituosa como o senhor tratou a população do nosso Estado, que inclui toda a categoria médica pernambucana.

O conteúdo da sua declaração mostra um preconceito inaceitável e não condiz com a postura que se espera de um profissional. Além disso, o meio utilizado para a recusa de um convite já aceito a apenas 20 dias da realização do congresso, demonstra descompromisso com a atividade associativa.

Aproveitamos para reafirmar que o CBA é um evento científico, apartidário, democrático e que tem como objetivo, além de contribuir para o desenvolvimento profissional dos participantes, promover a união e o congraçamento entre todos os anestesiologistas. Temos convicção de que suas declarações contra Pernambuco, não refletem a opinião da maioria esmagadora dos anestesistas do nosso País.

Por fim, reafirmamos o espírito plural e fraterno com que estamos nos preparando para receber os colegas congressistas de todas as regiões do Brasil. Espírito esse que é uma marca registrada de todos os encontros de anestesistas e também do povo pernambucano.

Recife, 27 de outubro de 2014

Comissão Executiva do CBA – Congresso Brasileiro de Anestesiologia

PS do Viomundo: Mais uma das milhares de manifestações preconceituosas de eleitores de Aécio Neves. E assim a direita brasileira vai se isolando, isolando, isolando…

O médico que se referiu a Pernambuco como "terra de merda" « Viomundo – O que você não vê na mídia

31/10/2014

Luz, mais luz, por favor!

Filed under: Ódio de Classe,Preconceito,Racismo,Xenofobia — Gilmar Crestani @ 8:53 am
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Preconceito homicidaLUIZ FERNANDO VIANNA

Orgulho e preconceito

RIO DE JANEIRO – Tratado como pornográfico e pervertido, Nelson Rodrigues alegava que era preciso mostrar no palco nossos "pântanos íntimos". Exorcizando-os no teatro, conseguiríamos a civilidade fora dele.

As reações ao resultado da disputa presidencial mostram que estas eleições cumpriram um objetivo rodriguiano: trouxeram à luz os pensamentos mais sombrios.

É pedagógico ver os abastados vociferando contra os "pobres", os "ignorantes", os "vagabundos". Quem já tinha perdido qualquer esperança no PT pôde constatar que as mudanças dos últimos 12 anos foram significativas.

Quando pessoas tiram suas imbecilidades do recato recomendável e gritam que estamos numa "ditadura", que o PT é "terrorista" e que os iluministas paulistas –que já elegeram Maluf, Pitta, Quércia, Fleury e sofrem com a seca– devem ser separados dos "atrasados" nordestinos, cujo PIB cresce mais do que os das outras regiões (2,55% no segundo trimestre ante queda nacional de 0,6%), algo se revela.

Domésticas têm carteira assinada; jovens negros entram na universidade e disputam os empregos; aeroportos estão cheios. O país do quartinho de empregada está enfraquecido. Há quem não se conforme.

O "país dividido", mais um clichê no rol da imprensa, não surgiu agora, mas há uns cinco séculos. Está é ficando mais nítido. Ainda bem. Galvão Bueno e o coração brasileiro batendo ao som do Olodum não existem. A Família Scolari tomou de 7.

É pena que alguns colunistas disseminem o preconceito. Insinuaram até que eleitores de Marina e Dilma poderiam não saber usar a urna eletrônica. Entrevistam poucos bípedes, mas conversam muito com o "mercado". As Marias Antonietas estão perdendo a cabeça, e o povo já anda comendo brioches. Que assim continue, apesar da crise econômica no Sudeste.

27/10/2014

Por A + B

Filed under: Ódio de Classe,Dilma,Ignorância,Preconceito,Racismo — Gilmar Crestani @ 10:44 pm
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Vou provar por A + B porque o argumento de culpar o nordestino é coisa de débil mental. Quem se der ao respeito de pensar um pouquinho só vai perceber que a acusação não se sustenta. Portanto, permanecer com este preconceito só pode derivar da ignorância ou por puro mau caráter.

Primeiro, porque, pasmem, do total de votos obtidos por Dilma, 45% vieram do Norte e Nordeste e 48,8%, do Sul e Sudeste. Portanto, Dilma fez mais votos onde há menos nordestinos. Se isto não bastasse, não foi só no nordeste que Dilma venceu Aécio. Dilma também venceu o playboy exatamente nos dois Estado onde é mais conhecido; Minas e Rio de Janeiro. Curiosamente, onde faz suas carreiras e carreiradas. Sem bafômetro. Deveria haver alguma explicação para isso, não é?! Aécio venceu na Capitania Hereditária do PSDB, São Paulo, também sudeste, e Roraima, o Estado brasileiro mais ao norte. O Sudeste bovino deu 36,5% dos votos obtidos por Dilma. Portanto, o argumento geográfico só se sustenta em cabeça oca preenchida de merda. Só mais uma lembrança aos paulistanos. Em 2012, quando Fernando Haddad venceu José Serra, foi só com votos de nordestinos?!

Veja a distribuição dos votos da Dilma, por Região:

Votos por região_thumb[2]

Segundo, nos Estados do Sul Aécio venceu, por pequena margem, mas venceu. Mas os mais de 40% dos sulistas que votaram na Dilma são nordestinos? Lembrando o filósofo Sêneca, “quando ouço certos argumentos sinto inveja dos surdos“. Nem poderia ser diferente. Como poderia vencer num Estado preconceituoso e racista como o RS? Não é por acaso que o único clube excluído de uma competição nacional por racismo seja do RS. Também não é mera coincidência que um deputado racista e homofóbico como Luis Carlos Heinze tenha sido eleito com tantos votos no RS.

Terceiro, o argumento da Bolsa Família, que, aliás, o Aécio prometeu não só manter como aumentar o valor. Será que 70% dos nordestinos e 40% dos sulistas, que votaram em Dilma, recebem bolsa família?! Conheço muita gente que, por ter filho menor de 21 anos deduz, mensalmente, da base de cálculo do imposto de renda R$ 179,71 por filho, o que corresponde a R$ 49,42 por mês. Além disso, também pode deduzir despesas com educação, pelo mesmo filho, R$ 3.230,46 na declaração do ajuste anual, o que corresponde, por mês R$ 74,03. Ora, a Bolsa Família é de apenas R$ 70,00 (setenta reais) por filho, condicionado a frequência escolar. Portanto, quem já tem condições financeira tem uma Bolsa Família de (74,03+ 49,42) R$ 123,45. Numa conta simples, todo aquele que, tendo um filho menor de 21 anos, recebe um rendimento superior a R$ 4.463,81 mensais deixa de pagar (R$ 3.230,46 x 27,5% = R$ 888,38, por ano)+ (R$ 179,71 x 27,5% = R$ 49,42, por mês) R$ 123,45 por mês a título de imposto de renda. Quem tem um filho menor de 21 anos tem um privilégio privilégio não concedido a quem não tem filho. Se alguém tem um rendimento inferior aos R$ 4.463,81, seja inferior à tributação de 27,5%, o benefício é menor. Como se vê, mais ganha, mais benefício. O ódio ao Bolsa Família não é só preconceito, mas egoísmo e, principalmente, ignorância.

Conclusão 1: tanto mais se expõem com raciocínios toscos, que não guardam qualquer relação com a realidade, muito menos com a geografia, chego à conclusão que a manada amestrada pela velha mídia golpista, de tanto ódio, está defecando pela boca.

Conclusão 2: as manifestações de ódio contra nordestinos somente vão acabar com prisão dos criminosos, amamentados pelos bovinos da velha mídia.

18/10/2014

Cuidado, jaleco branco já contamina mais que Ebola

 

Os médicos brasileiros serão lembrados por seu papel nestas eleições

Postado em 18 out 2014 – por : Kiko Nogueira

O doutor Milton

Doutor Simpatia

Toda generalização é perigosa, inclusive essa, mas se houve uma categoria que surpreendeu nessas eleições é a dos médicos. Não necessariamente pelas melhores razões.

Desde a gritaria xenófoba com os cubanos do programa Mais Médicos até as recentes manifestações de ódio aos nordestinos — uma senhora sugeriu um holocausto na região –, eles foram responsáveis, em sua grande maioria, por um vale de lágrimas.

O corporativismo deu as caras de um jeito feio, sujo e malvado. No domingo passado, desembocou no apoio da Associação Médica Brasileira a Aécio, que afirmou que não vai, se eleito, “financiar a ditadura cubana, como ocorre hoje”. O que ele pretende “é que não haja mais necessidade de estrangeiros no Brasil.”

O maluco que chamou Dilma de “grande filha da puta” nas redes sociais não é uma exceção. Milton Simon Pires, de Porto Alegre, recebeu uma advertência carinhosa do presidente do Conselho Regional do Rio Grande do Sul (Cremers), Fernando Weber Matos. Não se trata de um problema “ético” e Milton não estava fazendo aquilo como profissional, mas como cidadão. Vai saber o que é problema ético segundo esse pessoal.

Pires é uma figurinha conhecida na direita lelé. Conseguiu fazer uma releitura do juramento de Hipócrates, amplamente compartilhada por seus amigos. É assim: “Juro por Deus, juro como médico, como homem e como brasileiro, não dar um minuto de trégua, de paz ou de descanso a essa organização criminosa e associada ao narcotráfico que humilhou minha profissão perante os médicos de todos os outros países – o Partido dos Trabalhadores. Nem todas as enfermeiras, técnicos, fisioterapeutas e psicólogos do país juntos vão conseguir me parar!”

Como é que um sujeito desses pode atender alguém se está tão ocupado combatendo o Mal Supremo? E se o paciente — cliente, segundo a nova nomenclatura — for, que azar, petista? O que Simon faz? Deixa gaze no abdômen? Se recusa a atender? Doctor Simon é chegado de Lobão e já participou de um de seus famigerados hang-outs. Os dois dividem a mesma paranoia anticomunista.

Houve algumas tentativas de correção de rota. Tímidas. No ano passado, num debate sobre o mercado de trabalho na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, Miguel Srougi, professor titular de urologia da USP, ensaiou um mea culpa. “Erramos. Não soubemos fazer o diagnóstico da situação. A população ficou contra a gente”, disse, sobre os ataques ao Mais Médicos.

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Alguns de seus colegas admitiram o “grande equívoco”. “Tive vergonha”, afirmou o professor de patologia da USP Paulo Saldiva, se referindo à histeria nos aeroportos.

Não durou muito tempo. Com a ascensão do aecismo furibundo, os homens de jaleco se sentiram à vontade para berrar seu preconceito. Um grupo criado no Facebook que recebeu o nome “Dignidade Médica” reuniu um número assombroso de mentecaptos falando, por exemplo, na “necessidade de sermos terroristas para nos colocar no nível de conversa que pobre entende”

A Procuradoria-Geral da República (PGR) acabou recomendando a instauração de procedimentos criminais ou administrativos contra os autores dos posts.

No início do mês, folhetos foram distribuídos entre a classe em Minas Gerais. O texto tinha como título “Sou médico, não voto PT”. Treze nomes conhecidos assinavam a peça, que declara a necessidade de “banir o PT do poder”.

Não havia nada mais importante para fazer? Na sexta (17), o Ministério Público de Minas ajuizou uma ação contra o governo por suposta fraude orçamentária nos gastos com saúde durante a gestão de Aécio, de 2003 a 2010. É requisitado o ressarcimento aos cofres públicos de 1,3 bilhão de reais.

O estado também é acusado de maquiar outros 4,3 bilhões que deveriam ter sido gastos entre 2003 e 2008. Uma promotora propôs, em 2010, uma ação de improbidade administrativa contra Aécio.

Não houve protesto, não houve nada. O importante, para eles, é fazer proselitismo eleitoral de baixo nível. A saúde que se exploda. 2014 será lembrado como o ano em que Mister Hyde prendeu Doutor Jekyll no armário e saiu para passear pelo país tocando o terror branco.

(Acompanhe as publicações do DCM no Facebook. Curta aqui).

Sobre o Autor

Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.

Diário do Centro do Mundo » Os médicos brasileiros serão lembrados por seu papel nestas eleições

08/10/2014

Preconceito, ignorância, má fé

Tenho dois cursos superiores e uma especialização, feitos todos com recursos próprios. Não passo necessidades, tenho plano privado de saúde e ainda pago meu cardiologista particular. Mas tenho que dizer que sou terceiro filho de uma família de oito, criados na roça. Todos nascidos em escadinha, de ano em ano. Quando o segundo depois de mim nasceu, minha mãe estava com cinco filhos e a mais velha tinha seis anos. Com apenas dois anos, minha avó me levou e me criou até os sete anos.

Bolsa Família e preconceito socialSe minha família tivesse Bolsa Família talvez minha mãe pudesse ter comprado pílulas anticoncepcionais. Ou então poderia ter me criado junto com os demais. Não existia Bolsa Família ou qualquer outro programa social.

Não havia Mais Médicos. O hospital mais próximo distava 14 km e fui ao médico com meu pai, com quase 40º de febre, na garupa de cavalo. Saímos de manhã, chegamos à noite.

A escola distava 4km, que fazíamos à pé, morro abaixo para ir, morro acima pra voltar. Inverno ou verão, chuva ou sol.

Passei por tudo isso, mas não desejo que outros passem. O fato de ter passado por isso não me leva a desejar isso a outros. Pelo contrário, gostaria que este tipo de situação fosse eliminada. O valor do Bolsa Família é até pequeno. Os juros bancários, que levaram o Banco Itaú a apoiarem Marina Silva, consomem muito mais recursos públicos que o Bolsa Família. É a tal de dívida pública…

Quando vejo postagens de pessoas que também passaram por isso dizer que “no meu tempo, Bolsa Família era foice, pá, enxada”, fico a imaginar o que o tamanho do egoísmo que corrói o autor da postagem. É um misto de despeito, inveja e desinformação. Isso sim me envergonha!

Negar algo hoje só porque não tivemos não é só egoísmo de quem diz, mas uma atitude abjeta, de negar a outrem por birra. Negar a quem precisa porque não se teve demonstra o quão pequeno é um ser na escala humana. Pior, se dão ao luxo de cometer tamanha ignorância em público, espraiando para que o mundo o tamanho de suas limitações intelectuais. São os que não dizem uma vírgula aos empréstimos subsidiados que salvam grandes empresas, como RBS.

Isso, gente, é preconceito em relação às políticas sociais. Eu não preciso disso. Quando precisei, não tive. Agora, se devemos odiar quem recebe o Bolsa Família, porque não odiamos os empréstimos subsidiados para a classe média comprar apartamento. Aí pode, né! Tem gente, no serviço público, que ganha R$ 751,00 de auxílio alimentação mas acha abominável pagar R$ 173,00 de Bolsa Família. Que nome se pode dar a isso?

Há poucos anos atrás as sinaleiras, esquinas e proximidades de restaurantes eram habitadas por mães que empurravam crianças pedindo esmolas. As mães se entrincheiravam em algum esconderijo esperando o resultado da coleta das crianças. Por que será que não se vê mais crianças nas sinaleiras? Não seria pelo fato de que agora há Bolsa Família? Será que é tão difícil entender que a mãe só recebe a bolsa se o filho frequentar a escola? Para onde foi a sensibilidade das pessoas que notam esta diferença tão cristalina? Uma mãe receber um ajuda para manter a criança na escola merece execração, mas os bancos não merecem o mesmo desprezo por terem se beneficiado por um programa criado por FHC chamado PROER? A GERDAU não fabrica um parafuso sem algum tipo de incentivo, seja isenção, financiamento via FUNDOPEN, estímulos via parcelamento de recolhimento de tributos, empréstimos a fundo perdido. Ninguém condena a GERDAU que, mesmo sendo uma das maiores empresas brasileiras e quiçá do mundo, opera também com dinheiro público. Por que GERDAU pode receber dinheiro público e a mãe não pode receber um auxílio, condicionado à frequência escolar do filho?

07/07/2014

Os anões morais, Galvão & Huck, são obra de Ali Kamel

 

Galvão, Huck e o linchamento virtual do colombiano Zúñiga, que deu a entrada em Neymar

Postado em 05 jul 2014 -por : Kiko Nogueira

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A entrada de Zúñiga em Neymar ainda vai render muito calor por muito tempo. O Comitê Disciplinar da Fifa abriu um processo e está analisando vídeos e relatórios da joelhada.

Zúñiga divulgou numa carta aberta: “Quero te enviar uma saudação especial, Neymar. Te admiro, respeito e te considero um dos melhores jogadores do mundo”, disse. “Espero sua recuperação, que volte logo, para que continue animado, vendo o futebol como um esporte cheio de virtudes e qualidades, que, sem dúvidas, sempre pus em práticas ao longo dos meus 12 anos como jogador profissional”.

Sim, a entrada foi dura — numa partida que teve 54 faltas, 31 delas cometidas pela seleção brasileira. Foi o jogo mais faltoso da Copa. Fernandinho, em particular, estava inspirado. Thiago Silva e Júlio César receberam cartão amarelo. James Rodríguez sofreu.

O homem foi imprudente, sem dúvida. Mas dificilmente quis rachar Neymar e tirá-lo do mundial. Para Thiago, Zúñiga não é “um cara maldoso”. Felipão afirmou que achava que a entrada “não foi intencional”.

Nada disso impediu Zúñiga de ser linchado nas redes sociais. Recebeu ameaças de morte, foi chamado de “macaco”, “preto sem vergonha”,  “preto safado”, “monstro” e “maior vilão da história do futebol”.  No Instagram, sua filha de 2 anos foi xingada de p…a, entre outras gentilezas. Sobrou para sua mãe também.

Faz parte, de certa maneira, do pacote de irracionalidade da torcida. O que não faz sentido é o estímulo e o endosso a essa atitude.

Como Sheherazades desportivas, Galvão Bueno e Luciano Huck se puseram a promover uma malhação covarde e demagógica de Camilo Zúñiga. Para Galvão, o colombiano praticou um “atentado”, usando de “maldade pura”.

Sua trupe de convidados, como sempre, foi instada a concordar com ele. Um humorista classificou Zúñiga de “marginal”. Caio Ribeiro, o comentarista mais anódino do Brasil, o Geraldo Alckmin da crônica, cravou que o inimigo “não visou a bola”.

No dia seguinte, tirando a sua casquinha costumeira, Luciano Huck definiu Zúñiga como “carniceiro” e “sem noção”. “Uma agressão, na verdade, que ofuscou a ousadia e alegria do futebol de Neymar Jr. Uma verdadeira sacanagem”, declarou em seu programa. “Não era a cena que gostaríamos de ver jamais. Um carniceiro tira o sangue de um moleque iluminado de 22 anos. Disseram no início que a arbitragem iria ajudar o Brasil. Pelo contrário. A arbitragem para mim está prejudicando o Brasil. Espero que a comissão de arbitragem [da Fifa] entenda a gravidade do lance e puna esse agressor”.

A indignação dos brasileiros é legítima, até o momento em que vira barbárie. Os berros raivosos e oportunistas de Galvão, Huck e seus asseclas, que teriam a obrigação de analisar os fatos com sobriedade para suas audiências, não têm desculpa. São incitadores da violência, espertalhões que estão de mãos dadas com cada maluco que ameaçou espancar uma garotinha de 2 anos.

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Sobre o Autor

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O ódio existe até por terem de trocar primeiro de abril por 31 de março

 

Elio Gaspari errou: nada se equipara ao ódio da direita

Postado em 30 jun 2014 – por : Paulo Nogueira

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Um vídeo em que uma senhora septuagenária profere insultos copiosos ao comunobolivarianismo do PT me remeteu a um assunto sobre o qual eu queria falar já faz alguns dias.

O tema é o ódio político.

Num artigo, Elio Gaspari disse que o PT não tinha moral para falar em ódio. Elio estava respondendo a Lula, que dissera que o PT, nestas eleições, levaria a esperança a vencer o ódio.

O ponto de Elio é que o PT tem, ele também, um histórico de raiva.

Na internet, o assunto foi intensamente debatido. Gostei de ver meu antigo chefe da Veja e na Exame, Antonio Machado, um dos melhores jornalistas com quem trabalhei, se manifestar.

Não lia nada dele fazia muito tempo. Foi como rever um velho amigo.

Machado contestou Elio, a quem chamou, ironicamente, de Doutor. Foi um contraponto divertido ao fato de que Elio chama Dilma de “Doutora”.

Machado, e aí acho um exagero, quase que igualou Elio a Reinaldo de Azevedo.

Elio não é Azevedo, a começar pela diferença de que é um genuíno jornalista, e dos brilhantes.

É, sim, um colunista de centro. Talvez gostasse de se movimentar um pouco mais para a esquerda, mas ele deve saber que não duraria muito nem na Folha e nem no Globo se fizesse isso.

Barbara Gancia, e é um caso exemplar, fez este movimento. Começou a falar em Casa Grande – um lugar comum que me enfastia, aliás – e logo perdeu a coluna na Folha.

Mas o ponto central sobre o qual eu queria falar é o ódio. Nisso, estou inteiramente com Machado e contra Elio.

Nada, rigorosamente, nada se iguala ao ódio da direita. As raízes são profundas e distantes: ao longo de toda a ditadura militar os brasileiros foram submetidos a constantes propagandas anticomunistas.

O “comunismo ateu” era apresentado, sempre, como a quintessência da maldade, do horror.

No plano internacional, Stálin era o demônio supremo. No plano nacional, este papel era atribuído a nomes como Lamarca e Marighella.

Neste ambiente, surgiram e floresceram entidades como o Comando de Caça ao Comunismo e a Tradição, Família e Propriedade – dedicadas a semear ódio patológico na sociedade.

Com o fim da União Soviética, e do comunismo, o ódio da direita não cessou. Apenas foi remanejado para a esquerda em geral.

Na Venezuela, Chávez foi alvo de campanhas de fúria inacreditável. Até sua mãe era insultada cotidianamente pela mídia e pela direita venezuelana.

No Brasil, o anticomunismo de antes se transformaria em antipetismo.  Mudou o nome, mas não o ódio, ou mesmo sua intensidade.

Em suas manifestações mais vis, a raiva nos últimos anos se traduziu em pragas para que o câncer se abatesse novamente sobre Lula e Dilma.

Não é, ao contrário do que Elio afirmou, um ódio que encontre contrapartida na esquerda.

Não que a esquerda aprecie e admire a direita. Mas não é a mesma coisa. Historicamente, não é. Definitivamente, não é.

Até por questões culturais. Faz parte da cultura da esquerda endereçar o melhor de sua raiva às correntes rivais dentro da própria esquerda.

Marx abominava Bakunin. Os bolcheviques viam os mencheviques como seu maior obstáculo. No Brasil, integrantes do PC e do PC do B mutuamente se abominavam.

No Brasil de hoje, repare como os petistas enxergam grupos de esquerda por trás de protestos e como estes vêem o que chamam, desdenhosamente, de “governistas”.

O ódio da esquerda como que se dispersa. O da direita se concentra.

Nada se compara ao ódio da direita – e meu velho chefe Machado, nisso, não poderia estar mais certo.

Paulo Nogueira

Sobre o Autor

O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

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