Ficha Corrida

30/03/2016

Quem finaCIA a caçada ao Lula?

Sim, temos de perguntar o preço da caçada. Afinal, como disse Milton Friedman, “não existe almoço grátis”. A mobilização deste exército de incursão alma a dentro de um homem tem, para além da remuneração de seus agentes, o preço da logística. A invasão de sua vida e de seus familiares já é, por si só, um excesso. Executar várias vezes, pelos mais variados vieses, denota uma obsessão para lá de doentia. Nenhuma ficção conseguiu prever tamanho arsenal envolvido numa caçada humana. Nem nos faroestes se viu tamanha obsessão na perseguição a bandidos. O drama é que o caçado não tem sequer uma acusação formal da qual possa se defender.

Qual o custo em diárias, auxílio refeição, auxílio alimentação, hospedagens, gastos com aluguéis, combustíveis, telefones? Quantas bolsas famílias poderiam ter sido pagas com o salário dos seus perseguidores? Afinal, se em tanto tempo não conseguiram sequer uma açãozinha que justificasse tantos gastos, temos de admitir que ou são incompetentes, ou que, sim, é só perseguição?! Não seria o caso de se pensar pelo desligamento do serviço público deste exército de incompetentes?! Até porque são os impostos que a população paga que sustenta esta matilha de incompetentes.

Quanto tempo os agentes de perseguição perderam perseguindo Lula? Por que não houve o mesmo afinco para esclarecer quem era o dono do jatinho que vitimou Eduardo Campos? Por que ninguém se interessou para esclarecer a quem pertencia os 450 kg de cocaína do heliPÓptero? Por que estes mesmos agentes não fizeram e não fazem o mesmo em relação ao Aécio Neves, octa deletado? Por que Eduardo CUnha, mesmo com a avalanche de documentos repassados pela Suíça continua sendo o agente executor deste complô?

Por que todos os delatados nas enésimas operações da Vaza a Jato não são devassados como o foi Lula? O que a mulher de Eduardo CUnha, Cláudia Cruz, e a irmã de Aécio Neves, Andrea Neves, não são devassadas se existe contra elas acusações e provas consistentes? Seria porque fazem parte do exército de caça ao Lula os crimes praticados pelos comparsas não vem ao caso?

Por que tanto ódio? Simples, e tomando por parâmetro as pessoas próximas a mim que o odeiam, o ódio a Lula deve-se a sua ousadia de implementar políticas sociais. A decisão da Rede Globo em publicar um petardo chamado “Não somos racistas” só para servir de instrumento contra as políticas raciais já demonstra de onde vem o ódio. As cotas raciais, as políticas públicas que permitem a ascensão e emancipação de classes sociais menos privilegiadas via acesso às universidades públicas foi como se Lula tivesse dado um soco no estômago de quem tinha na universidade pública seu direito adquirido.

Os privilegiados odeiam dividir o que eles entendem como sendo seus por direito divino, com “subalternos”… Como se em cidadania houvesse hierarquia!

Eraldo Peres:

Instituto Lula divulgou nesta terça-feira uma nota em três idiomas (português, inglês e espanhol) para rebater as suspeitas levantadas contra o ex-presidente pelo Ministério Público e pela Polícia Federal:  ‘O ex-presidente Lula não é réu, ou seja: não responde a nenhuma ação judicial que o acuse de ter praticado algum crime. Levar o ex-presidente Lula ao banco dos réus é, sim, o objetivo da plutocracia, do mass media e de agentes partidarizados da Polícia e do Ministério Público, que representam exceções dentro destas Instituições’, afirma o ex-presidente

30 de Março de 2016 às 05:14

247 – O Instituto Lula divulgou nesta terça-feira uma nota em três idiomas (português, inglês e espanhol) para rebater as suspeitas levantadas contra o ex-presidente pelo Ministério Público e pela Polícia Federal:  ‘O ex-presidente Lula não é réu, ou seja: não responde a nenhuma ação judicial que o acuse de ter praticado algum crime. Levar o ex-presidente Lula ao banco dos réus é, sim, o objetivo da plutocracia, do mass media e de agentes partidarizados da Polícia e do Ministério Público, que representam exceções dentro destas Instituições’, afirma o ex-presidente. Leia abaixo:

NOTA À IMPRENSA

1) LULA NÃO É RÉU, NÃO COMETEU NENHUM CRIME NEM É INVESTIGADO PELA JUSTIÇA

Em inglês: http://www.institutolula.org/en/lula-is-not-a-defendant-nor-is-he-being-investigated-by-justice

Em espanhol: http://www.institutolula.org/es/lula-no-es-acusado-y-no-ha-sido-investigado-por-la-justicia

No Brasil, a função de investigar é da Polícia e do Ministério Público. A função de denunciar é exclusiva do Ministério Público, de seus promotores e procuradores.

No Brasil, juízes não investigam, não acusam, não denunciam. Juízes julgam. E só participam de investigações indiretamente, autorizando ou não atos invasivos (apreensões, escutas) e coercitivos (conduções, prisões temporárias) formalmente solicitados pelo Ministério Público e pela Polícia.

Somente depois que o Ministério Público apresenta denúncia formal, e se essa denúncia for aceita por um juiz, é que um cidadão torna-se réu, ou, como se diz popularmente, torna-se acusado.

O ex-presidente Lula não é réu, ou seja: não responde a nenhuma ação judicial que o acuse de ter praticado algum crime.

A denúncia apresentada contra ele por três promotores de São Paulo notoriamente facciosos, a partir de um inquérito considerado ilegal pelo Conselho Nacional do Ministério Público, não foi aceita pela Justiça. Portanto, não há ação nem réu.

O ex-presidente Lula não é acusado nem mesmo investigado, porque esta figura não existe no direito brasileiro. Aqui investigam-se fatos, não pessoas. Policiais e promotores que fazem acusações a pessoas em entrevistas, fora dos autos, cometem crime.

Levar o ex-presidente Lula ao banco dos réus é, sim, o objetivo da plutocracia, do mass media e de agentes partidarizados da Polícia e do Ministério Público, que representam exceções dentro destas Instituições.

Mas nenhum desses agentes apresentou uma acusação fundamentada para justificar a abertura de ação penal contra o ex-presidente. E não apresentou porque Lula sempre agiu dentro da lei, antes, durante e depois de ser presidente da República.

Os únicos juízes que um dia condenaram Lula eram membros de um tribunal de exceção, criado pela odiosa Lei de Segurança Nacional da ditadura militar.

Em 1980, Lula foi preso porque lutava pela democracia e pelos trabalhadores.

2) LULA É O ALVO DE UMA CAÇADA PARAJUDICIAL

Em mais de 40 anos de vida pública, a vida do ex-presidente Lula foi vasculhada em todos os aspectos: político, fiscal, financeiro e até pessoal.

Desde a reeleição da presidenta Dilma Rousseff, um exército de jornalistas, policiais, promotores, procuradores e difamadores profissionais está mobilizado com o objetivo de encontrar um crime – qualquer um – para acusar Lula e, dessa forma, afastá-lo do processo político.

Nada menos que 29 procuradores e promotores de 5 instâncias já se envolveram nesta verdadeira caçada parajudicial, além de 30 auditores fiscais da Receita Federal e centenas de policiais federais.

Os movimentos desse exército tornaram-se frenéticos em meados do ano passado, quando ficou claro que as investigações da Operação Lava Jato não alcançariam o ex-presidente.

Nenhuma conta bancária, nenhuma empresa, nenhuma delação, nada liga Lula aos desvios investigados em negócios milionários com poços de petróleo, navios, sondas, refinarias. Nada.

Desde então, Lula, sua família, o Instituto Lula e a empresa LILS Palestras tornaram-se alvo de uma avalanche de inquéritos e fiscalizações por parte de setores do Ministério Público, da Polícia Federal e da Receita Federal:

  • 4 inquéritos abertos por procuradores federais de Brasília e do Paraná;
  • 2 inquéritos diferentes sobre os mesmos fatos, abertos por procuradores federais e do estado de São Paulo, o que é inconstitucional;
  • 3 inquéritos policiais abertos pela Polícia Federal em Brasília e no Paraná;
  • 2 ações de fiscalização da Receita Federal;
  • Quebra do sigilo fiscal e bancário de Lula, do Instituto Lula, da LILS Palestras e de mais 12 pessoas e 38 empresas de pessoas ligadas ao ex-presidente;
  • Quebra do sigilo telefônico e das comunicações por internet de Lula, de sua família, do Instituto Lula e de diretores do Instituto Lula; até mesmo os advogados de Lula foram atingidos por esta medida ilegal;
  • 38 mandados de busca e apreensão nas casas de Lula e de seus filhos, de funcionários e diretores do Instituto Lula, de pessoas ligadas a ele, executados com abuso de autoridade, apreensões ilegais e sequestro do servidor de e-mails do Instituto Lula;

Nos últimos 10 meses, Lula prestou 4 depoimentos à Polícia Federal e ao Ministério Público e apresentou informações por escrito em 2 inquéritos.

Lula prestou informações ao Ministério Público sobre todas as suas viagens internacionais, quem o acompanhou, onde e quando se hospedou, como foram pagas essas despesas, as pessoas com quem se encontrou nessas viagens, inclusive chefes de estado e de governo; sobre as palestras que realizou, onde, quando e contratado por quem; o Instituto Lula e a empresa LILS Palestras prestaram informações ficais, bancárias e contábeis de todas suas atividades;

Apesar de ter cumprido todos os mandados e solicitações e de ter prestado esclarecimentos às autoridades até voluntariamente, Lula foi submetido, de forma ilegal, injustificada e arbitrária, a uma condução coercitiva para depoimento sem qualquer intimação anterior;

Lula foi alvo de um pedido de prisão preventiva, de forma ainda mais ilegal, injustificável e arbitrária, pedido que foi prontamente negado pela Justiça.

Ao longo desses meses, agentes do estado vazaram criminosamente para a imprensa dados bancários e fiscais de Lula, de seus filhos, do Instituto Lula e da LILS Palestras.

Por fim, o juiz Sergio Moro divulgou ilegalmente conversas telefônicas privadas do ex-presidente Lula, sua mulher, Marisa Letícia, e seus filhos, com diversos interlocutores que nada têm a ver com os fatos investigados, inclusive com a presidenta da República.

Conversas entre advogados e clientes também foram divulgadas pelo juiz Moro, rompendo um dogma mundial de inviolabilidade das comunicações.

Nenhum líder político brasileiro teve sua intimidade, suas contas, seus movimentos tão vasculhados, num verdadeiro complô contra um cidadão, desrespeitando seus direitos e negando a presunção da inocência.

E apesar de tudo, não há nenhuma ação judicial aberta contra Lula, nenhuma denúncia do Ministério Público Federal, nenhuma ação da Receita Federal por crime tributário ou fiscal.

O resultado desse complô de agentes do estado e meios de comunicação é a maior operação de propaganda opressiva que já se fez contra um homem público no Brasil.

Foi a incitação ao ódio contra a maior liderança política do País, num momento em que o Brasil precisa de paz, diálogo e estabilidade política.

3) LULA NÃO FOGE DA JUSTIÇA; LULA RECORRE À JUSTIÇA

O ex-presidente recorreu sistematicamente à Justiça contra os abusos e arbitrariedades praticadas por agentes do estado, difamadores profissionais e meios de comunicação que divulgam mentiras a seu respeito.

A defesa de Lula solicitou e obteve a abertura de Procedimentos Disciplinares no Conselho Nacional do Ministério Público contra dois procuradores da República que atuaram de forma facciosa;

Apresentou ao CNMP e obteve a confirmação de ilegalidade na abertura de inquérito por parte de promotores do Ministério Público de São Paulo;

Apresentou ao STF e aguarda o julgamento de Ação Cível Originária, com agravo, para definir a quem compete investigar os fatos relacionados ao sítio Santa Bárbara e ao Condomínio Solaris;

Recorreu ao Tribunal de Justiça de São Paulo e aguarda julgamento contra decisão da juíza da 4a Vara Criminal sobre o mesmo conflito de competência;

Apresentou ao STF habeas corpus contra decisão injurídica do ministro Gilmar Mendes, corrigida e revogada pelo ministro Teori Zavascki em mandado de segurança da Advocacia Geral da União;

Apresentou ao STF recurso contra decisão do ministro Gilmar Mendes que o impede de assumir o cargo de Ministro de Estado, embora Lula preencha todos os requisitos constitucionais e legais para esta finalidade;

Apresentou ao juiz Sergio Moro 4 solicitações de devolução de objetos pessoais de noras e filhos de Lula, apreendidos ilegalmente pela Polícia Federal.

É nas instituições que Lula se defende dos abusos e, neste momento, quem deve explicações ao STF não é Lula, é o juiz Sergio Moro; e quem tem de se explicar ao Conselho Nacional do Ministério  Público são dois procuradores do Ministério Público Federal.

Contra seus detratores na imprensa, no Congresso Nacional e nas redes subterrâneas de difamação, os advogados do ex-presidente Lula apresentaram:

  • 6 queixas crime;
  • 6 interpelações criminais;
  • 9 ações indenizatórias por danos morais;
  • 5 pedidos de inquéritos criminais;
  • e formularam duas solicitações de direito de resposta, uma das quais atendida e outra, contra a TV Globo, em tramitação na Justiça.

Quem deve explicações à Justiça e à sociedade não é Lula; são os jornais, emissoras de rádio TV que manipularam notícias falsas e acusações sem fundamento de procuradores e agentes de estado notoriamente facciosos.

4) LULA NÃO PEDIU NEM PRECISA DE “FORO PRIVILEGIADO”

É importante esclarecer que a prerrogativa de foro (erroneamente chamada de foro privilegiado) do STF se exerce sobre parlamentares, ministros do governo, presidente e vice-presidente da República e membros dos tribunais superiores.

Neste caso, processos e julgamentos são feitos diretamente na última instância, o que não permite recursos a outras cortes ou juízes.

Lula tem o compromisso de ajudar a presidenta Dilma Rousseff, de todas as formas possíveis, para que o Brasil volte a crescer e gerar empregos, num ambiente de paz, estabilidade e confiança no futuro.

A convocação da presidenta Dilma para Lula ser ministro veio depois, e não antes, de o juiz Sergio Moro autorizar uma série de arbitrariedades contra Lula: violação de domicílio, condução coercitiva injustificada, violação de garantias da família e de colaboradores do ex-presidente.

Não existe nenhum ato ou decisão judicial pendente de cumprimento que possa ser frustrada pelo fato de Lula assumir o cargo de ministro.

E além disso: a mais grave arbitrariedade cometida pelo juiz Sergio Moro – pela qual ele está sendo chamado a se explicar na Suprema Corte – ocorreu no momento em que o ex-presidente Lula detinha a prerrogativa de foro.

Momentos depois de Lula ter sido nomeado ministro, a Força Tarefa da Lava Jato grampeou ilegalmente uma conversa entre ele e a presidenta Dilma, conversa que foi divulgada quase instantaneamente pelo juiz Moro.

Ou seja: nem mesmo nas poucas horas em que foi ministro Lula ficou a salvo das arbitrariedades do juiz – nem ele nem a presidenta da República.

Não existe salvo-conduto contra a arbitrariedade. Contra a arbitrariedade existe a lei.

Para garantir seus direitos, Lula recorre e continuará recorrendo à Justiça em todas as instâncias, todos os tribunais, pois juízes tem de atuar como juízes desde a mais alta Corte à mais remota comarca.

Além disso, as fortes reações – dentro e fora do Brasil – à condução coercitiva de Lula e ao grampo ilegal da presidenta servem de alerta para que novas arbitrariedades não sejam cometidas neste processo.

5) SÃO FALSAS E SEM FUNDAMENTO AS ALEGAÇÕES CONTRA LULA

Em depoimentos, memoriais dos advogados e notas do Instituto Lula, o ex-presidente Lula esclareceu os fatos e rebateu as alegações de seus detratores.

Lula entrou e saiu da Presidência da República com o mesmo patrimônio imobiliário que possuía adquirido em uma vida de trabalho desde a infância.

Não oculta, não sonega, não tem conta no exterior, não registra bens em nome de outras pessoas nem de empresas em paraísos fiscais.

Um breve resumo das respostas às alegações falsas, com a indicação dos documentos que comprovam a verdade:

Apartamento no Guarujá: Lula não é nunca foi dono do apartamento 164-A do Condomínio Solaris, porque a família não quis comprar o imóvel, mesmo depois de ele ter sido reformado pelo verdadeiro proprietário. Informações completas em: http://www.institutolula.org/documentos-do-guaruja-desmontando-a-farsa

Sítio em Atibaia: Lula não é nunca foi dono do Sítio Santa Bárbara. O Sítio foi comprado por amigos de Lula e de sua família com cheques administrativos, o que elimina as hipóteses de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. As reformas feitas no sítio nada têm a ver com os desvios investigados na LavaJato.

Informações completas e documentos sobre Atibaia e o patrimônio de Lula em:

http://www.institutolula.org/o-que-o-ex-presidente-lula-tem-e-o-que-inventam-que-ele-teria

Palestras de Lula: Depois que deixou a presidência da República, Lula fez 72 palestras contratadas por 40 empresas do Brasil e do exterior, recolhendo impostos por meio da empresa LILS Palestras. Os valores pagos e as condições contratuais foram os mesmos para as 40 empresas: tanto as 8 investigadas na Lava Jato quanto às demais 32, incluindo a INFOGLOBO, da Família Marinho. Todas as palestras foram efetivamente realizadas, conforme comprovado nesta relação com datas, locais, contratantes, temas, fotos, vídeos e notícias:

http://institutolula.org/uploads/relatoriopalestraslils20160323.pdf

Doações ao Instituto Lula: O Instituto Lula recebe doações de pessoas e empresas, conforme a lei, para manter suas atividades, e isso nada tem a ver com as investigações da Lava Jato. A Força Tarefa divulgou ilegalmente alguns doadores, mas escondeu os demais e omitiu do público como esse dinheiro é aplicado, o que se pode ver no Relatório de Atividades Instituto Lula 2011-2015:

http://www.institutolula.org/conheca-a-historia-e-as-atividades-do-instituto-lula-de-1993-a-2015

Acervo presidencial: O ex-presidente Lula não desviou nem se apropriou ilegalmente de nenhum objeto do acervo presidencial, nem cometeu ilegalidades no armazenamento. Esta nota esclarece que a lei brasileira obriga os ex-presidentes a manter e preservar o acervo, mas não aponta meios e recursos:

http://www.institutolula.org/acervo-presidencial-querem-criminalizar-o-legado-de-lula

É falsa a notícia de que parte do acervo teria sido desviada por Lula ou que ele teria se apropriado de bens do palácio. A revista que espalhou essa farsa é a mesma que desmontou o boato numa reportagem de 2010:

http://www.institutolula.org/epoca-faz-sensacionalismo-sobre-acervo-que-ela-mesmo-noticiou-em-2010

6) O INTERROGATÓRIO DE LULA

Neste link, a íntegra do depoimento de Lula aos delegados e procuradores da Operação Lava Jato, prestado sob condução coercitiva no aeroporto de Congonhas em 4 de março de 2016.

http://www.institutolula.org/leia-a-integra-do-depoimento-de-lula-a-pf-em-14-03

Em nota, Lula afirma ser vítima de ‘complô’ | Brasil 24/7

23/01/2016

Povo que tem preconceito acaba por ser escravo da mídia golpista

No auge dos combates da elite branca sulista contra o ENEM, a RBS tangeu um bando de patricinhas e mauricinhos com nariz de palhaço pelas ruas de Porto Alegre. Coincidentemente, não havia nenhuma branca na tropa que seguia bovinamente a campanha contra a instituição do Exame Nacional de Ensino Médio. Nem poderia ser diferente num estado que tivera recém excluído de uma competição nacional um clube de futebol.

Aliás, é sintomático que no início das políticas de inclusão social, um amestrado da Rede Globo, um capitão-de-mato do coronelismo eletrônico, tenha perpetrado um torpedo intitulado “Não somos racistas”. Na esteira dos combates contra as políticas de cotas estava um ódio de classe jamais visto e bem comprovado. A principal alegação vendida aos seus midiotas amestrados era de que as cotas raciais criaria racismo inverso. Nem precisavam ter ido tão longe neste raciocínio canhestro, bastava atentarem para o que dizia Danusa Leão, Luis Carlos Prates, Lasier Martins e Luis Carlos Heinze. Eles tornaram público o que antes hibernava nos corredores da casa grande. De repente a desfaçatez, a boçalidade foi perdendo a contenção e avançou para que o mundo visse o tamanho do mau caratismo. Não trata de pessoas sem educação formal, mas de falta de caráter!

Ao xingarem a Presidenta Dilma na abertura da Copa do Mundo, deram mostras ao mundo de que escolaridade não guarda nenhuma relação com caráter, e que educação não rima com dinheiro. O ápice da canalhice aconteceu na marcha dos zumbis, quando desinformados com diploma de curso superior se assumiram “somos todos Cunha”. Era o compromisso público de que estavam ao lado dos corruptos para combaterem a continuidade de políticas sociais. O ódio foi ganhando espaço a partir das a$$oCIAdos do Instituto Millenium. Sob a coordenação da Rede Globo, os bovinos foram embretados em direção ao golpe paraguaio. Para os que sempre mamaram nas tetas do erário, dividir espaço em aeroportos, faculdades já havia passado dos limites. Quando viram que o PROUNI não tinha mais volta, começaram a desovar as Mayara Petruso. O pior do preconceito é sua sublimação de instituições que endossam o golpismo com a justificativa de combater a corrupção… dos outros…

O Hino Rio-Grandense, cantado pelos gaúchos enquanto é executado o Hino Nacional, prova porque os gaúchos desejam que suas patranhas sirvam de modelo a toda terra: “povo que não tem virtude acaba por ser escravo”. O hino quer nos convencer que os negros foram feitos escravos, pelo virtuoso homem branco, porque não tinham virtude…

A história deste menino de ASSU, abaixo, se soma aquele de Sergipe, mais abaixo, que, achincalhado por ter passado, com 14 anos, repetiu o exame este ano e passou com nota ainda melhor.

Bem, agora fica fácil entender o ódio às políticas de inclusão social…

De Assu, no Rio Grande do Norte, o aluno nota mil na redação do ENEM

De Assu, no Rio Grande do Norte, o aluno nota mil na redação do ENEM

qui, 21/01/2016 – 14:26

Do Instituto Federal do Rio Grande do Norte

Aluno do Campus Ipanguaçu obtem nota mil na redação do ENEM

Fábio Constantino fez o técnico integrado em Agroecologia e foi um dos 104 estudantes de todo Brasil a conquistar a nota máxima

Fábio Constantino Lopes Júnior terminou em 2015 o curso técnico integrado em Agroecologia do Campus Ipanguaçu. Com os conhecimentos e experiências adquiridos durante o curso, se identificou com a disciplina de Biologia e viu nascer um sonho: tornar-se médico. Após uma rotina de estudos de cerca de 10 horas diárias, conseguiu um feito realizado apenas por 104 estudantes em todo Brasil, obter mil, a pontuação máxima, na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) 2015. Com a nota, ele vê se aproximar a concretização do seu sonho.

Fábio é de Assu, cidade do Rio Grande do Norte próxima de Ipanguaçu, onde fica o Campus do IFRN no qual ele viria a fazer o ensino médio integrado ao técnico. Ele tentou o processo seletivo para o Instituto porque viu a oportunidade de ingressar em uma instituição pública, com ensino de excelência e que lhe daria ainda no ensino médio uma formação profissional. "Ouvia muito falar da qualidade do ensino da instituição", disse o estudante.

O assuense fazia o ensino fundamental em uma escola privada, com bolsa. Ao passar para o ensino médio, além de perder a bolsa, a família teria de arcar com os custos dos livros. Fábio é filho de Elione Rosa de Farias e do também Fábio Constantino, empregada doméstica e vendedor de materiais de construção que nunca mediram esforços para garantir uma boa educação ao filho. "Eles sempre me apoiaram nos estudos. A educação era prioridade máxima na minha casa. Para que eu estudasse com livros de qualidade, minha mãe já aceitou trabalhar em três turnos, abandonando prazeres individuais e dedicando a vida em minha função. Meus pais são tudo para mim", comentou emocionado.

O carinho com o qual fala dos pais também é direcionado ao IFRN. "Estudar no IF me fez a pessoa que sou hoje. Parafraseando Viola Davis na cerimônia do Emmy, o que separa a população negra da população branca são as oportunidades. Elas são mais raras quando você considera uma pessoa pobre e do interior do Nordeste. No entanto, o IF me ofereceu tais oportunidades de crescer. Desde cedo aproveitei todas as chances de melhorar minha experiência como estudante, participando de congressos, palestras, fazendo pesquisa e aproveitando as aulas e a disponibilidade dos professores e da instituição de nos ajudar", declarou.

Fábio cita com destaque especial os professores do Instituto Efraim de Alcântara Matos, seu orientador, ao qual ele chama de melhor amigo, e Adriano Jorge Meireles de Holanda, do Campus Mossoró do IFRN. Segundo o estudante, os 2 professores ajudaram tanto na trajetória acadêmica no IFRN quanto na preparação para o ENEM. "O professor Adriano, inclusive, mesmo trabalhando em outro campus, acreditou na minha capacidade e lutou para conseguir uma bolsa em um bom cursinho para mim. Sobre Efraim, nossas discussões, trabalhos e seus ensinamentos foram fundamentais para meu bom desempenho na redação", destacou o aluno, que também fez questão de falar dos professores Ana Mônica Britto Costa, Tiago Medeiros, Aurélia Alexandre, Fabio Duarte, Alexandre Barros, Aline Peixoto e Rodrigo Cavalcanti. "Eles me construíram como cidadão", completou.

Para Belchior Rocha, reitor do IFRN, Fábio seguirá a trajetória de Everton Frutuoso, que fez o técnico integrado em Informática também no Campus Ipanguaçu e foi aprovado na primeira colocação das cotas para o curso de Medicina da UFRN, através da nota do ENEM, em 2014. "Tenho certeza que serão médicos humanos, que darão muito orgulho aos seus familiares, colegas de profissão e pacientes", disse o reitor.

O tema da redação do ENEM 2015 foi "A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira". Em seu perfil em uma rede social, Fábio compartilhou uma imagem da personagem Val, interpretada por Regina Casé, do filme "Que horas ela volta", da diretora Anna Muylaert. O filme tem personagens femininas bastante fortes e conta a história de Jéssica, que sai do Nordeste para tentar ingressar na faculdade de Arquitetura da Universidade de São Paulo (USP), considerada uma das melhores do país. Jéssica é filha de Val, que trabalha como empregada doméstica em São Paulo. Perguntado se se identificava de alguma forma com o filme, Fábio foi rápido em responder. "Eu me enxergo muito na personagem Jéssica, como pobre, nordestino, que sonha em entrar em uma faculdade, filho de empregada doméstica. Val também lembra muito minha mãe em sua simplicidade, dedicação e amor para com a filha. Aquele filme é uma metáfora da minha vida!", afirmou.

Fábio Constantino fez o ENEM no ano de conclusão do IFRN e, com a nota, começou a cursar Engenharia Química na UFRN. Mas decidiu abrir mão do curso para realizar o sonho de fazer medicina. Como resultado dos estudos, de acordo com o site do SiSU, ele está entre os primeiros colocados para as vagas de cotistas destinadas ao curso na UFRN. O resultado final sai no dia 18 de janeiro.

"Minha meta como profissional é tratar os meus pacientes como meus familiares. Fico muito preocupado com a qualidade dos médicos que se formam apenas movidos por interesses pessoais e ganância. Medicina é por a vida do outro em nossas mãos. Quero retribuir o esforço dos meus pais, dando-os orgulho de mim e mostrando que tanta dedicação por minha educação valeu a pena. Quero ajudar a minha mãe, oferecendo uma vida melhor, pois ela merece muito! Anseio ajudar pessoas que necessitam tanto quanto a gente", revelou o técnico em Agroecologia pelo IFRN.

O Instituto também teve outros alunos com destaque no ENEM 2015, como Bruno Maximiliano e Gabriel Dantas, do Campus Mossoró, que obtiveram notas acima de 900 na redação do Exame.

De Assu, no Rio Grande do Norte, o aluno nota mil na redação do ENEM | GGN

 

Aos 15 anos, "bovino" passa de novo em Medicina

Será que o Mainardi já recebeu aquele e-mail?

publicado 21/01/2016

jose victor

Quanto mais o José Victor (na direita, com rosto pintado) estuda, mais ele tem sorte… (Foto: Jadilson Simões/UOL)

Saiu no UOL:
Sergipano passa de novo em medicina: "Fiz para mostrar que não foi sorte"

E a história se repete. O sergipano José Victor Menezes Teles, agora com 15 anos, está entre os aprovados do curso de medicina da UFS (Universidade Federal de Sergipe). No ano passado, ele conquistou a vaga no mesmo curso, aos 14 anos. O garoto, natural de Itabaiana, diz que resolveu fazer mais uma vez um Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), para mostrar que no primeiro sucesso não foi uma questão de sorte.
"O pessoal não disse que foi sorte? Então pensei: vamos ver se essa sorte acontece duas vezes. Ouvia piadas de que passei na sorte. Resolvi fazer e está aí o resultado e com mais intensidade", comemorou o garoto. No Enem 2015, José Victor obteve 767,74 pontos na média final contra 751,16 do ano passado. Na redação foram 940 pontos no Enem 2015 contra 960 pontos do ano anterior.
Com esta média final, José Victor obteria vaga nos cursos de medicina nas universidades federais do Ceará, de Goiás, de Viçosa (MG), e da própria UFS, porém descartou a possibilidade de se transferir para uma dessas universidades. "Como disse, só fiz para mostrar que minha aprovação no Enem do ano passado não foi uma questão de sorte. Fiz 16 pontos a mais", afirmou.
Junto com o resultado da aprovação do Enem 2015, José Victor iniciou na última segunda (18) as aulas do curso de Medicina na UFS. As aulas deveriam ser iniciadas em agosto do ano passado, mas a greve de quase cinco meses dos professores e de servidores técnicos administrativos da Universidade atrasaram o início do ano letivo. Mas isso não tirou a alegria do garoto. "Um desafio na minha vida. A turma é muito jovem e mostra que os jovens vêm conquistando espaço e isso mostra que não devemos julgar pela idade, mas pela maturidade", analisou.
Apesar da correria de se deslocar os cerca de 55 quilômetros entre Itabaiana e o Campus da UFS, na cidade de São Cristóvão, José Victor avisa que não deixará de realizar palestras que fez ao longo deste intervalo entre a aprovação no Enem e o início da aulas, como também pretende divulgar o livro lançado no final do ano passado "Como vencer aos 14".

21/01/2016

A política de cotas do PSDB também explica meritocracia e aparelhamento do Estado

Na imagem um provável ancestral de Ali Kamel, autor do tijolaço “Não Somos Racistas”…

cotasSou do tempo em que José Hildebrando Dacanal, mestre da velha guarda jornalística e emérito professor da UFRGS, era o ghost-writer de sua colega e correligionária Yeda Crusius. Em seu discurso ferino e demolidor, Dacanal condenava o que ele entendia por “nova classe”, à qual pertenciam os petistas. Para Dacanal, a emancipação, via políticas sociais/cotas raciais, criaria uma casta oposta ao que ele e o PSDB, que ele dizia possuir os “melhores quadros”, propunhar sem o oposto da meritocracia. A “nova classe” do professor eram os professores e sindicalistas que, com as sucessivas eleições do PT em Porto Alegre, no RS e depois do âmbito Federal, ascendiam a postos políticos e de comando em empresas, autarquias e fundações comandadas pelos executivos. Seu elitismo rastaquera, logo ele que carregava seus livros com uma bolsa do Mercado Público com os dizeres “Lembrança do RS”, era mais de despeito do que de fundamento. Via seus colegas à esquerda ocupar postos que ele, montado em sua imensa sabedoria, nunca fora capaz de ocupar.

Esse discurso caro às elites do lumpenjornalismo era diuturnamente comprovado como falacioso, mas a força da mídia, que sempre foi a força do PSDB, teimava em recrutar novos midiotas. A religião que combatia o “aparelhamento do stado” e a política de cotas com propostas de “choque de gestão” e “meritocracia” sempre foi um discurso hipócrita. Ninguém aparelhou mais as instituições, seja no RS seja em outros Estados da Federação ou mesmo em Brasília, do que o PSDB.  A quem FHC entregou a ANP? Dentro lógica meritocrática, ao seu genro, David Zylbersztejn. Em pouco tempo rei David quebrou dois monstros, seu vínculo com o sogro e o monopólio da exploração do petróleo. O choque de gestão se deu no momento em que se separou da filha de FHC: perdeu o emprego na ANP… O aparelhamento da Petrobrás estava, desde o artigo do tucano Ricardo Semler (Nunca se roubou tão pouco) comprovado. Mas há também a confissão de FHC em seu livro “Diários da Presidência – volume 1".

Outro exemplo edificante perpetrado pelo príncipe dos sociólogos foi dado pela sua filha Luciana Cardoso. Por anos adormecia em casa recebendo salários do Senado, sob os olhares concupiscentes do Varão da República, o Senador Heráclito Fortes

O PSDB tem outro predileção. Entregar postos chaves a outro tipo de familiares. Como sabemos, as máfias são famílias… que podem ser reconhecidas em figuras como Robson Marinho, Geraldo Brindeiro & Gilmar Mendes, produtos tipicamente tucanos.

Portanto, os constantes ataques às políticas sociais e às cotas raciais dão a exata dimensão do papel do PSDB, um partido a serviço de status quo via apropriação do Estado. Veja que há figuras no Judiciário, MPF e PF que se fizeram à custa do Estado e assim querem manter para que sua famiglia continue sendo beneficiárias exclusivas do Estado. É a tal de meritocracia. O combate ao ENEM e PROUNI, que democratizam o acesso ao ensino superior, é uma confissão de uma classe média rastaquera que se acha no direito divino em relação às políticas públicas.

Infelizmente a nova classe que tanto assustou o prof. Dacanal não sobe por cavalinho de pau. É um processo longo e demorado. Lula, um torneiro mecânico sem formação superior, fez mais pela ascensão social do que o príncipe dos sociólogos. Em termos de educação, por deve transitar a meritocracia, Lula criou mais Universidades que todos seus antecessores juntos. É disso que nasce o ódio dos hiPÓcritas a Lula e suas políticas de emancipação.

Portanto, a informação do Correio do Povo de hoje, abaixo, a respeito do nepotismo tucano só surpreende marcianos. Os gaúchos, quando souberem quantos aspones a primeira dama Sartori espalhou pelos órgãos do Estado também ficarão chocados. Mas este não é um assunto que a velha mídia costuma se ocupar quando um dos seus está à seu serviço…

Ministério Público pede a parlamentares que demitam parentes até quarto grau

Três senadores foram notificados diretamente nesta quarta-feira

Notificação foi enviada ao Senado e à Câmara dos Deputados nesta quarta-feira | Foto: Ana Vope / Senado Federal / CP

O Ministério Público Federal no Distrito Federal enviou nesta quarta-feira notificação ao Senado e à Câmara dos Deputados pedindo que sejam demitidas todas as pessoas contratadas em funções de confiança nos gabinetes das duas Casas e que tenham parentesco em até quarto grau com os parlamentares.
Na recomendação, o MPF também sugere que pessoas com essas características sejam destituídas de cargos em comissão e funções gratificadas, mesmo no caso de servidores concursados que estejam em posições de chefia, direção o assessoramento – caso tenham parentesco até quarto grau com deputados e senadores.
No Senado, foram notificados diretamente três senadores: Telmário Mota (PDT-RR), Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) e Flexa Ribeiro (PSDB-PA). No gabinete dos três parlamentares, uma investigação prévia do Ministério Público identificou que há contratação de parentes. No entanto, o documento enviado deixa claro que não se trata de imposição, mas de recomendação, para evitar que uma ação direta de inconstitucionalidade seja movida contra eles. Na notificação, o prazo para que os funcionários nessas condições sejam exonerados é de 30 dias.
O senador Telmário Mota, no entanto, alega que o MPF está "extrapolando" suas competências e tentando se sobrepor a uma súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal, que estabelece como nepotismo a contratação de parentes até terceiro grau. Telmário Mota tem contratado como motorista um parente em quarto grau, mas alega que, para isso, consultou previamente o Departamento Jurídico do Senado, que o autorizou a fazer a contratação por estar em acordo com a determinação do Supremo."Se dissesse que se trata de algo legal, mas imoral, tudo bem. Mas nem imoral é. Esse rapaz já trabalhou pra mim antes e atualmente exerce diversas atividades, honestamente, em meu gabinete. Agora eu vou demitir o rapaz porque a lei diz uma coisa, mas a Procuradoria quer outra?", questionou.
Mota informou que repassou a recomendação do Ministério Público para o Departamento Jurídico e que vai provocar o STF para se manifestar sobre o caso e esclarecer se a contratação de parentes mais distantes do que os de terceiro grau é nepotismo. "Se for este o caso, eu estou pedindo que o STF mude a súmula, porque ela está induzindo as pessoas a erro. Eu tomei o cuidado de questionar previamente se a contratação era legal e agora quero saber se estou ou não fazendo errado", afirmou.
O senador Cássio Cunha Lima informou que o primo que trabalha como seu chefe de gabinete é funcionário do Senado há 33 anos e abdicou da gratificação a que teria direito quando foi convidado para trabalhar com ele. Cunha Lima disse que acatará a recomendação do Ministério Público e fará a exoneração do funcionário, mas, segundo ele, isso acarretará em mais despesa para o erário.
"Eu o convidei para trabalhar comigo, primeiro, porque isso não geraria despesa, ao contrário, geraria economia, uma vez que ele já era funcionário do Senado e permaneceria com o mesmo salário. E, segundo, porque a súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal estabelecia a proibição de contratação de parentes até terceiro grau, e não de quarto grau, como é o caso. Portanto, eu não estava fazendo nada ilegal. Mas vou acatar a recomendação, exonerar o meu chefe de gabinete – que voltará às suas funções normais no Senado – e contratar outra pessoa, gerando mais despesa", afirmou o parlamentar paraibano.
Em nota, a assessoria de Flexa Ribeiro disse que os consultores jurídicos do senador estão analisando o caso antes de decidir se será acatada a recomendação sobre a demissão da servidora que é parente em quarto grau do senador. "A Súmula Vinculante nº 13 define que é vedada a nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau da autoridade nomeante para o exercício de cargo em comissão ou de confiança, não sendo este o caso da servidora supracitada, que tem vínculo colateral de quarto grau com o senador Flexa Ribeiro", diz a nota.
O MPF reconhece que a súmula do STF estabelece como nepotismo a contratação de parentes apenas até tereceiro grau. No entanto, a procuradora Marcia Brandao Zollinger, que assina o documento, afirma que a súmula pretende impedir de forma "absoluta" o nepotismo e que ela não estabelece "impedimentos à determinação do quarto grau de parentesco para se confirmar, objetivamente, a ocorrência" desse tipo de irregularidade.

Correio do Povo | Notícias | Ministério Público pede a parlamentares que demitam parentes até quarto grau

26/10/2015

Meritocracia, a “que horas ela volta”?

Meritocracia e choque de gestão são apenas mais duas patranhas do PSDB e da velha mídia que o protege que se somam àquela primeira, “os melhores quadros”…

Enem: A meritocracia e outras fábulas para ninar adultos, por Leonardo Sakamoto

Enem: A meritocracia e outras fábulas para ninar adultos, por Leonardo Sakamoto

dom, 25/10/2015 – 18:34

Do blog do Sakamoto

Enem: A meritocracia e outras fábulas para ninar adultos

Leonardo Sakamoto

Passando perto de um local de realização do Enem, neste sábado, parei um pouco para ver o pessoal que seguia, cheio de pensamentos, para as salas de prova. Perto de mim, dois pais conversavam sobre o futuro de suas filhas e, claro, sobre o país. Não consigo reproduzir exatamente as palavras, mas a conversa foi mais ou menos esta:

– Nunca poupamos investimento na minha família para a educação. Educação sempre em primeiro lugar. A Paulinha, desde cedo, frequentou os melhores colégios, teve todos os livros que pediu, viajou para fora para ampliar a cultura…
– Se o Brasil fosse justo, um lugar em que o mérito fosse levado a sério, nossas filhas estariam com vaga garantida. Mas essas cotas distorcem tudo.
– É. Acaba entrando quem não merece, quem não se esforçou o bastante.

Sempre acho que essas coisas são pegadinha. Olho em volta, procuro câmeras escondidas, fico esperando surgir o Sérgio Mallandro e gritar “Rá! Te peguei!”. Mas, não. Ele nunca aparece.

Deu até vontade de, educadamente, perguntar se eles acreditam mesmo que a meritocracia é hereditária. E se crêem que suas filhas saíram do mesmo ponto de partida que outras pessoas às quais foram negadas todas as condições para poderem conseguir o melhor de si.

Pois, desse ponto de vista, quem tem o mérito maior: quem saiu do zero e, apesar das adversidades, conseguiu estar na média ou quem sempre teve todos os recursos à mão, mas avançou muito pouco, ficando um pouco acima da média?

Pois, se por um lado, as cotas garantem um acréscimo de condições para o candidato pobre, negro e/ou indígena, por outro a desigualdade social garante um acréscimo de condições para os candidatos mais ricos.

Contudo, reclamar do primeiro é “justiça” e, do segundo, “inveja”.

A “meritocracia” funciona em um debate como um coringa num jogo de buraco: quando falta carta para bater, ela aparece para salvar uma sequência incompleta. Não fica lá a coisa mais bonita do mundo, mas resolve sua vida porque todo mundo aceita que aquela carta pode preencher um vazio de sentido.

Não sou contra que competência e experiência individuais sejam parâmetros de avaliação. Mas muitas vezes não é o “mérito” que está sendo avaliado em um contexto que desconsidera fatores externos. Além do mais, uma coisa é o mérito em si e, outra, um sistema de poder criado em torno dele como justificativa para manutenção do status quo.

O problema é que o uso dessa palavra como verdade suprema acaba servindo a quem ignora que as pessoas não tiveram acesso aos mesmos direitos para começarem suas caminhadas individuais e que, portanto, partem de lugares diferentes. Uns mais à frente, outros bem atrás.

Há muita gente contrária a conceder benefícios para tentar equalizar as condições de recebeu menos sorrisos da sorte. Acreditam que a única forma de garantir Justiça é tratar desiguais como iguais e aguardar que as forças do universo façam o resto.

E esse discurso é tão bem contado que, não raro, são apoiados por pessoas que, apesar de largarem em desvantagem, venceram. “Tive uma infância muito pobre e venci mesmo assim. Se pude, todos podem.” Parabéns para você. Mas ao invés de pensar que todos têm que comer o pão que o diabo amassou como você, não seria melhor pensar que um mundo melhor seria aquele em que isso não fosse preciso?

Espero que ambas as filhas tenham ido bem no exame, se tiverem se dedicado para isso, claro. Mas, olhando como não conseguimos compreender os outros, pensamos primeiro em nossos umbigos e consideramos que sucesso diz respeito apenas ao esforço individual, penso que falta muito para deixarmos de ser uma espécie com tamanho nível de mesquinharia.

Enem: A meritocracia e outras fábulas para ninar adultos, por Leonardo Sakamoto | GGN

16/03/2015

Por que será que são os brancos de olhos azuis que nutrem ódio às políticas sociais?!

Na imagem, formandos de Medicina da UFBA: na capital com maioria negra, procure um negro!

Medicina-UFBAParadoxal mas na capital onde há, proporcionalmente, o maior número de negros, as manifestações contra Dilma, Lula e o PT partiram exatamente da parcela branca, de olhos azuis. As manifestações pelas ruas de Salvador são auto explicativas. Trata-se de uma classe média conservadora, que odeia as políticas sociais.

As cotas raciais e as leis em benefícios às domésticas e das camadas mais necessitadas da população enlouquece quem sempre achou que o Estado era seu. Quer enlouquecer essa classe média, branca de olhos azuis, e olha que meu filho tem olhos azuis, fale que o Curso de Medicina da UFRGS será frequentado também por alunos oriundos das escolas públicas.

Antes, quase só pessoas oriundas de escolas particulares, cujo ensino custa caro, sei porque pago, chegava às universidades públicas. Por que quem estuda em escola particular não estuda em Universidade… Particular?

Ah, agora também nas Universidade Particulares há, graças ao FIES e PROUNI, alunos oriundos de escolas públicas, filhos das camadas sociais menos privilegiadas.

Torço para que meu filho de olhos azuis, que estuda em escola particular, possa cursar Universidade Pública ou Particular, em turmas com alunos das mais diversas cores e origens. A miscigenação é a cara do Brasil. Querer um Brasil com políticas destinadas apenas às camadas que sempre foram privilegiadas é coisa de gente com ascendência nazista.

Governo chama Gilmar às falas

Ministros reiteram necessidade da reforma política e do fim do financiamento empresarial de campanha.

Os ministros José Eduardo Cardozo, da Justiça, e Miguel Rossetto, da Secretaria-Geral da Presidência, foram escolhidos pelo Governo para comentar as manifestações populares realizadas hoje (15) e na última sexta-feira (13).
Ambos respeitaram o caráter democrático das manifestações, rejeitaram qualquer tentativa de golpe e impeachment, e apontaram os caminhos a serem seguidos para combater a corrupção: reforma política e fim do financiamento empresarial de campanha. Além disso, novas medidas contra a corrupção serão anunciadas pela presidenta Dilma Rousseff.
O Supremo Tribunal Federal já rejeitou, por 6 votos a 1, o financiamento empresarial de campanha. O ministro Gilmar Mendes, por sua vez, pediu vistas e suspendeu a votação. Desde então o Brasil aguarda o voto de Gilmar, que segura a ação há quase um ano.
O ministro da Justiça ressaltou a necessidade de uma reforma política e do fim do financiamento empresarial nas eleições. “Um ponto deve ser debatido por todos os brasileiro: não é mais possível permitir o financiamento empresarial de campanhas eleitorais”, declarou José Eduardo Cardozo.
Rossetto reforçou a posição do Governo no combate à corrupção e deixou claro que o financiamento empresarial das campanhas é um grande elemento corruptor.
Durante a entrevista dos ministros, foram relatados panelaços em diversos bairros do Brasil, como Higienópolis e Moema, em São Paulo, e Leblon, no Rio de Janeiro.
Em tempo:
comentário de Rodrigo Vianna no Twitter:
210 mil em SP (diz Folha), 5 mil no Rio, 25 mil em BH, 20 mil em POA, 10 mil em Curitiba. Nao chega a 500 mil! Kamel quer apavorar vcs!
João de Andrade Neto
, editor do Conversa Afiada

Governo chama Gilmar às falas | Conversa Afiada

07/01/2014

Cotas: “jus quae sera tamem”

Filed under: Política de Cotas,Políticas Compensatórias — Gilmar Crestani @ 12:40 pm
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Um direito, ainda que tardio.

O desabafo de uma pré-vestibular cotista

Postado em 04 Jan 2014

por : Diario do Centro do Mundo

vestibular

Publicado originalmente no Sobre Aquilo que Você Se Recusa a Pensar.

Vou começar o texto com algumas informações preliminares. Caso você não goste delas, se sinta ofendido, não se interesse pelo texto ou coisa parecida, por favor, não perca seu tempo com essa leitura e muito menos com comentários agressivos. Obrigada.

  1. Escrevo aqui com o intuito de descrever situações vividas por mim, portanto, não incluo aqui a voz de ninguém que não seja eu mesma.
  2. Esse texto não pretende tratar das cotas raciais, mas não porque eu não concorde com elas (eu concordo) e sim porque não sou negra, mulata, parda, indígena, afrodescendente ou amarela. Assim sendo, nunca sofri preconceito racial de nenhum tipo e, portanto, não tenho condições de exprimir com fidelidade os sentimentos de um pré-vestibular que tenha passado por isso.

Presto Medicina. Estudei na ETEC Parque da Juventude durante meu ensino médio. No meu terceiro ano (ano passado), estudava de manhã no colégio e fazia cursinho no Anglo Tamandaré à tarde. Estudei de domingo a domingo. Acordava às 6h da manhã, assistia a aulas no colégio até 12h30, assistia a aulas no Anglo das 14h20 até as 18h20. Em casa, estudava da hora que eu chegava (19h) até meia noite, as vezes uma hora da manhã. Todos os dias.

De sábado estudava. De domingo estudava. Jantava ao mesmo tempo que estudava. Estudava no ponto de ônibus. Estudava em visitas à casa dos meus avós. Estudava durante a aula de Educação Física enquanto meus colegas jogavam futebol. Tenho o orgulho de dizer que fiz todas as minhas Tarefas Mínimas e Complementares. Cabulei apenas algumas das últimas aulas de Texto do cursinho, em dezembro, quando já sabia que não havia passado em nenhuma faculdade. Fui em todas as aulas de inglês. Fazia minhas TMs e TCs durante as aulas do colégio, enquanto o professor dava aula de outra matéria.

Só que eu não sou um ser perfeito (muito longe disso), então eu dormia em algumas aulas no colégio também. E todas essas coisas que eu fazia me prejudicaram de inúmeras formas: Sei que muitos professores se decepcionavam comigo por eu estar dormindo ou fazendo outras coisas enquanto eles davam aulas no colégio e que muitos amigos se ressentiam pelo fato de que eu não lhes dava atenção. Tive problemas com dor de cabeça durante o ano por conta de falta de sono, emagreci quatro quilos, briguei com meus pais inúmeras vezes, deixei de falar com meus avós o quanto deveria, deixei de conversar com meus irmãos e com o meu primo (que é como um irmão pra mim também), deixei de sair com meu namorado diversas vezes, impedi que meus pais fossem à praia de fins de semana porque eu precisava estudar.

Resumo? Sufoquei minha vida. De verdade. Comecei a ser mais amarga ou agressiva com pessoas que não mereciam minha agressividade e tudo isso porque eu via que todo meu esforço, minha luta, minha loucura não levava a lugar nenhum, porque eu corria em círculos, sem saber a diferença entre velocidade angular e escalar, porque não entendia absolutamente nada de elétrica, porque não conseguia resolver exercícios de estequiometria, porque não fazia a mínima idéia da diferença entre pretérito perfeito e imperfeito, mesmo depois de fazer todos os exercícios, todas as tarefas, todas as leituras (Conhece os intocáveis? Eu li todos eles. TODOS.)

Resultado? Ah, tirei 58 na Fuvest. Uma nota incrivelmente decepcionante e insuficiente pra quem presta medicina. Me revoltei com a minha escola, que eu tinha amado tanto durante meu primeiro e segundo ano pois ela havia me dado amigos, professores maravilhosos e uma liberdade fantástica, porque quando resolvi que ia estudar lá (e tive que passar em um Vestibulinho pra isso) fui achando que eu estaria bem preparada pro Vestibular, porque vende-se uma ideia de que essas escolas são tão boas quanto escolas particulares, no âmbito de preparação para os exames.

E é claro, me arrependo muito dessa revolta, porque grande parte do que eu sou hoje se deve à experiência maravilhosa que tive estudando no PJ.

Mas essa história vendida é falsa. Eu não posso de maneira alguma comparar o ensino que eu tive com o ensino que um aluno do Dante, Bandeirantes, Etapa, Mendel, Arquidiocesano ou de qualquer uma dessas “escolas-celebridades”.

Escolas que eu nunca poderia ter estudado, pois para pagá-las seria necessário que meus irmãos não estudassem ou que minha família vivesse de favor na casa de alguém. E não porque eu sou pobre, miserável. Eu não sou. Eu tenho uma vida ótima. Mas eu não tenho quase três mil reais para gastar por mês em um colégio. Tenho o dinheiro da mensalidade do Anglo, que com o meu desconto, não paga nenhum colégio de ensino médio minimamente respeitável.

E esse texto é pra você, aluno de um desses lugares (que depois foi fazer cursinho no Anglo), porque você que é o verdadeiro concorrente de medicina. Você que só está no seu primeiro ano de cursinho, que fez intercâmbio, viajou com a família pra Europa, que vai ganhar um carro do papai quando entrar na faculdade, que não estudou no seu terceiro ano porque estava preocupado com a sua viagem para Porto Seguro. Você que reclama dos professores do Anglo porque seus professores do colégio ficavam fazendo gracinha na aula e você acha que cursinho tem que ser engraçado.

Você que não faz nem as Tarefas Mínimas e que não comparece aos simulados de final de semana. Você que estuda 3 horas por dia e sai toda sexta feira com seu namorado. Você que cabula aula de química porque sabe tudo de equilíbrio químico e acha mais interessante sair com os amigos pra ir no bar porque, afinal de contas, você precisa descansar. Você que não assiste aula de redação porque sua escola te deu uma aula melhor do que a do Anglo. Você que não deixou de conversar com seus pais, seus avós, seus amigos…

Você que não sufocou sua vida com um monte de estudo louco. Você, caro colega, que nesse seu primeiro ano de cursinho estudou de maneira “light”, que não sacrificou sua saúde e que tirou muito mais do que eu no meu primeiro ano de Fuvest.

Você que tirou 69 e está revoltado porque os alunos de escola pública, como eu, se tirassem 69 teriam uma esmola de cota que os colocariam a sua frente. Alunos de escola pública que estudaram tanto quanto eu.

Alunos que, como eu, ficaram quase o segundo ano inteiro sem ter aula de física, mais de 4 meses sem ter aula de espanhol. Alunos que, como meus colegas que inauguraram a ETEC Parque da Juventude, receberam do grandiosíssimo governador do Estado de São Paulo uma escola sem ventiladores ou sem instrumentos de laboratório, que serviu como propaganda política por diversos anos, sendo que todos os equipamentos necessários para o bom funcionamento da escola foram conseguidos com o trabalho duro da Associação de Pais e Mestres, sem o auxílio desse mesmo “governo” que nos dá um bônus nos vestibulares e que permite que nossos professores, tão esforçados e trabalhadores, ganhem a fortuna de 10 reais a aula/hora.

Você, respeitoso colega, provavelmente teve aulas de ótica, de ondulatória, de eletromagnetismo, de embriologia, de botânica, de filosofia, de história do brasil pós República Velha, de geografia física da Europa, dos Estados Unidos e da China e tantas outras aulas essenciais para qualquer um que quer prestar vestibular. Eu não tive. Meus colegas não tiveram. Os seus livros são comprados das melhores editoras, nos melhores lugares. Os meus são fornecidos pelo governo, e não posso negar que muitos são excelentes, mas não posso deixar de dizer que muitos são péssimos.

E você, amável colega, fluente em inglês, civilizado, viajado, carregando seu Iphone no bolso por ai, você é o primeiro a cuspir que é contra as cotas de escolaridade pública. Você é o primeiro a dizer que é um “absurdo o cara sair na frente só porque ele estudou em uma escola pública”, você que tem a cara de pau de dizer que “as pessoas estudam nessas escolas só para ganhar cota” e que “essas pessoas roubam nossas vagas, destroem os nossos sonhos”. Você, meu amigo, deve começar a pensar melhor no que diz.

E eu estou falando tudo isso de uma ETEC, que as pessoas tem que realizar prova pra entrar. Eu estou digitando isso do meu computador, na minha casa, confortável na minha cadeira. Eu sou privilegiada. Não como você, mas sim, sou privilegiada. Sou privilegiada porque meus professores eram interessados, bem formados. Tive uma professora de biologia no primeiro ano que deixou de trabalhar na área de pesquisa para dar aulas e que dá aula no Bandeirantes, professora que me ensinou citologia como ninguém. Tive professores de física e matemática que não desistiram de tentar dar aula, mesmo quando a classe se mostrava visivelmente desinteressada.

Tive o privilégio de ter redações corrigidas por uma professora que já corrigiu redações no Anglo. Tive aulas de Projeto Técnico Científico, que me ensinaram o que era uma pesquisa científica e que me será indiscutivelmente importantíssimo na minha vida acadêmica. E essa mesma professora, que me ensinou tudo isso tão bem, conseguiu me fazer entender a luta pela terra, a cartografia e os horizontes do solo de maneira fantástica. Todos esses professores ganham 10 reais por aula. Dez reais é quanto você gasta na cantina do Anglo com seu chá e seu croassaint.

Essa minha escola pública me levou até a Unicamp de Portas Abertas e lutava pra tentar nos ensinar o máximo que podia. Esse minha escola aprovou inúmeros colegas meus na Unesp, na Usp e na Unicamp. E mesmo assim, querido amigo, colegas que tiveram que ralar muito mais do que você pra tirar uma nota menor do que a que você tirou na sua primeira Fuvest, no seu terceiro ano de colegial.

Agora, pense nas outras escolas. É, aquelas, abandonadas por ai. Aquelas na periferia. Aquelas onde não só os ventiladores faltam, mas os livros, as carteiras e os banheiros também. Aquelas nas quais os alunos não tem pai, não tem mãe. Não tem o que comer na janta. Não tem roupas para usar pra ir à escola. Aquelas que os professores ganham menos de 10 reais por aula. Aquelas em que muitos alunos não sabem o que é uma Fuvest.

Pense nos adolescentes da nossa idade, que foram ao posto de saúde e conheceram um médico legal e sonham em ser médicos. Essas pessoas têm menos oportunidades que eu e muito menos que você. Essas pessoas não roubam suas vagas. Essas pessoas muitas vezes não conseguem tirar a nota considerada mínima pela Fuvest. Essas pessoas não tem condições de estudar no Anglo Tamandaré. Pela cabeça dessas pessoas nem passa a idéia de ir estudar no exterior porque “Faculdade no Brasil tá difícil”.

Eles, eu, nós, os cotistas em geral, estamos começando a corrida muito depois de você. Estamos inacreditavelmente atrasados. Não estamos pegando um “boost” na sua frente. Não estamos na sua frente. Talvez nunca estejamos. Você consegue entender isso? Estamos atrás, quilómetros atrás, descalços, na chuva, sem protetor solar, enquanto você corre em uma bicicleta de marcha, com seu boné importado.­

Então, da próxima vez que você decidir cacarejar sobre a injustiça das cotas, lembre-se disso e cacareje sobre a injustiça que sai de seus lábios.

Sobre o Autor

12/05/2013

Aos ignorantes com diploma universiOtário

Filed under: Bolsa Família,Política de Cotas,Políticas Compensatórias — Gilmar Crestani @ 9:41 pm
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Parece mentira, mas pelo cor da pele das meninas do concurso de miss, a Bahia até parece uma colônia Italo-alemã. Cadê as meninas lindas, as Gabrielas Cravo e Canela, as jambos do Jorge Amado? É o padrão globo de beleza ou de safadeza?!

colonia italo-alemaA informação já havia sido dada ao longo da semana. Mas não ganhou repercussão exatamente por que contraria todos os ventos soprados pelos financiadores ideológicos dos grupos mafiomidiáticos, dentre os quais se inclui Elio Gaspari. Se Gaspari, de passado e presente comprometido com o andar de cima, reconhece e torna público o que já era, não há mais razão para os papagaios de puteiro continuarem repetindo o mantra contra o Bolsa Família e a política de cotas. O agora reconhecedor das políticas inclusivas só saiu do armário porque seu colega de partido em São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB/SP) lançou a Bolsa Crack. Muita coincidência, não?!

ELIO GASPARI

Brava gente, a brasileira

Dados do Bolsa Família e da política de cotas ensinam o andar de cima a olhar direito para o de baixo

Atribui-se ao professor San Tiago Dantas (1911-1964) uma frase segundo a qual "a Índia tem uma grande elite e um povo de bosta, o Brasil tem um grande povo e uma elite de bosta". Nas últimas semanas divulgaram-se duas estatísticas que ilustram o qualificativo que ele deu ao seu povo.

A primeira, revelada pelo repórter Demétrio Weber: Em uma década, o programa Bolsa Família beneficiou 50 milhões de brasileiros que vivem em 13,8 milhões de domicílios com renda inferior a R$ 140 mensais por pessoa. Nesse período, 1,69 milhão de famílias dispensaram espontaneamente o benefício de pelo menos R$ 31 mensais. Isso aconteceu porque passaram a ganhar mais, porque diminuiu o número da familiares, ou sabe-se lá por qual motivo. O fato é que de cada 100 famílias amparadas, 12 foram à prefeitura e informaram que não precisavam mais do dinheiro.

A ideia segundo a qual pobre quer moleza deriva de uma má opinião que se tem dele. É a demofobia. Quando o andar de cima vai ao BNDES pegar dinheiro a juros camaradas, estimula o progresso. Quando o de baixo vai ao varejão comprar forno de micro-ondas a juros de mercado, estimula a inadimplência.

Há fraudes no Bolsa Família? Sem dúvida, mas 12% de devoluções voluntárias de cheques da Viúva é um índice capaz de lustrar qualquer sociedade. Isso numa terra onde estima-se que a sonegação de impostos chegue a R$ 261 bilhões, ou 9% do PIB. O Bolsa Família custa R$ 21 bilhões, ou 0,49% do produto interno.

A segunda estatística foi revelada pela repórter Érica Fraga: um estudo dos pesquisadores Fábio Waltenberg e Márcia de Carvalho, da Universidade Federal Fluminense, mostrou que num universo de 168 mil alunos que concluíram treze cursos em 2008, as notas dos jovens beneficiados pela política de cotas ficaram, na média, 10% abaixo daquelas obtidas pelos não cotistas. Ou seja, o não cotista terminou o curso com 6 e o outro, com 5,4. Atire a primeira pedra quem acha que seu filho fracassou porque foi aprovado com uma nota 10% inferior à da média da turma. Olhando-se para o desempenho de 2008 de todos os alunos de quatro cursos de engenharia de grandes universidades públicas, encontra-se uma variação de 8% entre a primeira e a quarta.

Para uma política demonizada como um fator de diluição do mérito no ensino universitário, esse resultado comprova seu êxito. Sobretudo porque dava-se de barato que muitos cotistas sequer conseguiriam se diplomar. Pior: abandonariam os cursos. Outra pesquisa apurou que a evasão dos cotistas é inferior à dos não cotistas. Segundo o MEC, nos números do desempenho de 2011, não existe diferença estatística na evasão e a distância do desempenho caiu para 3%. Nesse caso, um jovem diplomou-se com 6 e o outro, com 5,7, mas deixa pra lá.

As cotas estimulariam o ódio racial. Dez anos depois, ele continua onde sempre esteve. Assim como a abolição da escravatura levaria os negros ao ócio e ao vício, o Bolsa Família levaria os pobres à vadiagem e à dependência. Não aconteceu nem uma coisa nem outra.

Admita-se que a frase atribuída a San Tiago Dantas seja apócrifa. Em 1985, Tancredo Neves morreu sem fazer seu memorável discurso de posse. Vale lembrá-lo: "Nosso progresso político deveu-se mais à força reivindicadora dos homens do povo do que à consciência das elites. Elas, quase sempre, foram empurradas".

12/01/2013

Imitação, como farsa

Filed under: Isto é PSDB!,Política de Cotas,Políticas Compensatórias — Gilmar Crestani @ 9:37 am

MARCUS ORIONE

TENDÊNCIAS/DEBATES, na FOLHA

O modelo paulista de cotas universitárias é bom?

NÃO

Um projeto elitista e excludente

Fernando Henrique Cardoso, recentemente, disse que o PSDB deveria ouvir o povo.

O PT, em parte, fez isso -embora limitado pela aliança com setores reacionários. Após o Bolsa Família, lançou um louvável programa de cotas para as universidades federais.

Buscando superar o governo federal, o paulista anunciou programa de cotas para as suas impenetráveis, ao povo, universidades estaduais.

Segundo a Folha ("Cotidiano", 21/12/12): "Para atingir a meta de 50% (de vagas destinadas a negros e pobres), o projeto prevê duas ações. A primeira é a criação de curso preparatório semipresencial, de dois anos (…). Ao final do curso, chamado de ‘college’, o aluno com o equivalente à nota 7 receberá um diploma superior. Quem quiser seguir os estudos poderá entrar nos cursos de graduação, sem vestibular".

De forma elitizada, diz que negros e pobres somente podem fazer o curso desejado se considerados, com um esforço suplementar não requerido dos demais, suficientemente merecedores.

Em geral, a elite paulista considera que merecem os provenientes de seu seio: jovens brancos, oriundos dos melhores colégios privados. Certamente que, entre pobres e negros, há pessoas que têm mais méritos. Alijados, em especial na perspectiva racial, não acessam os meios adequados para provar suas qualidades.

Na meritocracia, se vista com honestidade, os mais capazes, excluídos face à sua condição econômica ou racial, devem ser contemplados com mecanismos que os coloquem em igualdade na disputa. É a velha máxima de se tratar os desiguais na medida da sua desigualdade como forma de se alcançar a justiça. Isso se dá em qualquer ação afirmativa.

O projeto, quando reserva um número de vagas para negros e pobres, vai neste sentido. Já, ao impingir um ônus (mostrar, após um determinado curso específico, que estão aptos), afasta-se do propósito. Reconhece uma diferença, para, de forma discriminatória, estabelecer um empecilho ou conceber um diplomado menos qualificado. Ao excluir, discriminando negativamente, fere a Constituição.

O certo seria promover o ingresso e, depois, dar acompanhamento aos que dele necessitarem. Pela fragilidade de sua situação, muitos terão dificuldade de completar o "college" e ainda ficar mais anos para realizar o curso que pretendiam. Vários se tornarão diplomados subqualificados, sem qualquer condição no mercado.

Tudo com a possibilidade de que as vagas não preenchidas retornem para os concorrentes gerais -ou seja, como hoje, a inclusão será mais retórica do que fática.

O projeto não atende ainda às vozes provenientes das ruas.

Após rumores de qual seria o modelo adotado, a sociedade civil organizada se posicionou contrariamente por meio de manifesto da Frente Pró-Cotas de São Paulo. O documento, disponível na internet, foi apresentado ao governo estadual, sendo que conta com a assinatura de mais de cem entidades e de vários professores das universidades estaduais paulistas, dentre outros.

Ali se encontram a insatisfação com a proposta e a solução do problema, indicadas pelos movimentos e atores sociais.

É interessante constatar, por fim, que se fere a autonomia universitária. Ao anunciar pela imprensa modelo já acabado, o governo conta que certamente será aprovado pelas instâncias universitárias. Admitida tal premissa, percebe-se a fragilidade dessa autonomia, já que submetida à vontade do Executivo.

Dando as costas, sobretudo, ao povo de São Paulo, o governo paulista manteve a proposta nos moldes elitistas em que foi inicialmente anunciada. Não deu ouvidos ao povo, concebendo arremedo, inconstitucional, de inclusão social.

MARCUS ORIONE, 48, doutor e livre-docente, é professor do Departamento de Direito do Trabalho e da Seguridade Social da Faculdade de Direito da USP

30/11/2012

"Nem tão devagar que pareça ignorância, nem tão depressa que pareça atrasado!"

Filed under: Isto é PSDB!,Política de Cotas,Políticas Compensatórias — Gilmar Crestani @ 8:27 am

Depois de anos, o PSDB se dá conta que não sabe fazer conta. Passaram o tempo todo combatendo as políticas compensatórias do governo federal, inclusive encampando ações no STF, via DEM, além de arregimentarem seus colonistas no PIG. Ali Kamel chegou a escrever, a pedido do patrão, um livro contra as cotas. Um dos principais amestrados do Estadão, Demétrio Magnoli, era atiçado para a morder as políticas compensatórias do governo federal. Agora o PSDB dá marcha ré. Mas Alckmin adora o lema Pinheiro Machado: "Nem tão devagar que pareça afronta, nem tão depressa que pareça medo!"

‘Se for bem-feita, cota é positiva’, afirma Alckmin

DE SÃO PAULO

Em evento promovido para prefeitos eleitos pelo PSDB, o governador Geraldo Alckmin declarou-se a favor das cotas e de ações afirmativas.

"Eu sou favorável [às cotas]. Cota é uma forma de ação afirmativa, então eu acho que, bem-feita, ela é positiva", afirmou.

Nesta semana, as universidades estaduais paulistas, USP, Unesp e Unicamp, anunciaram um projeto para aumentar o número de estudantes de escolas públicas em seus cursos.

A proposta prevê a seleção dos melhores alunos da rede para curso semipresencial de dois anos. Ao final, eles poderão disputar até 50% das vagas nos cursos das universidades.

A medida passou a ser estudada a pedido do próprio governador, para quem São Paulo não poderia ficar indiferente ao programa de cotas das universidades federais.

Nas federais, no entanto, o aluno oriundo da escola pública tem acesso à vaga reservada já ao sair do ensino médio. No projeto paulista, estudantes de escolas públicas serão selecionados via Enem ou Saresp.

Alckmin confirmou ontem a preparação do programa. "Estamos formulando uma proposta que acho que vai ser bem recebida. Já temos ações afirmativas em São Paulo e vamos avançar para uma proposta em relação à questão de cotas para aluno de escola pública", disse.

28/11/2012

Folha elege dificuldade como inimiga da atitude

Filed under: Folha de São Paulo,Política de Cotas,Políticas Compensatórias — Gilmar Crestani @ 7:52 am

EDITORIAIS

editoriais@uol.com.br

Cotas à paulista

Política compensatória para universidades estaduais deveria evitar viés racial e resistir à disputa de "quem dá mais" com o governo federal

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) pediu aos reitores das três universidades estaduais paulistas -USP, Unicamp e Unesp- que apresentem propostas para implantar uma política de cotas no âmbito do Estado.

Sintomaticamente, a movimentação do Executivo de São Paulo ocorre três meses depois de a presidente Dilma Rousseff ter sancionado a polêmica Lei de Cotas. A nova legislação reserva metade das vagas de universidades federais a alunos que cursarem o ensino médio na rede pública -com prioridade para negros, pardos e índios.

O fato de que a lei se baseie no louvável propósito de corrigir assimetrias históricas não basta para tornar menos equivocados alguns de seus aspectos. O principal erro, como esta Folha já argumentou, reside na eleição do critério racial para discriminar os beneficiados.

Não há dúvida de que os efeitos perniciosos da escravidão de africanos e índios ainda deixam marcas na sociedade brasileira. Mas também é evidente que, num país em que se verificou um processo de miscigenação maciça, fica difícil, senão impossível, estabelecer padrões de "pureza" racial -conceito que é, por si só, um logro.

No Brasil, a disparidade étnica dissolveu-se e confundiu-se com a iniquidade socioeconômica. Faz sentido, portanto, que eventuais políticas compensatórias na educação privilegiem critérios de renda ou formação em escola pública, cuja qualidade, aliás, deveria ser a primeira preocupação.

Outro aspecto criticável na Lei de Cotas é a reserva de 50% das vagas -flagrante exagero populista e discriminatório que atropela o princípio da meritocracia.

As instituições públicas paulistas já têm mecanismos para a inclusão em seu corpo discente de jovens de baixa renda, oriundos de escolas públicas. É o caso do Profis (Programa de Formação Interdisciplinar Superior), adotado pela Unicamp, que estaria cotado para servir de modelo estadual.

Com efeito, cogita-se, a exemplo do referido programa, criar um curso superior básico de dois anos, que ofereceria aos candidatos preparação melhor para o acesso a faculdades específicas. Essa formação curta seria reconhecida e valeria como curso superior para algumas finalidades -concursos públicos, por exemplo.

O governador Geraldo Alckmin não gostaria, por certo, de ser pintado por adversários eleitorais como um político elitista que nega oportunidades aos desfavorecidos de seu Estado. É preciso, todavia, proceder com cautela, para que ambições políticas aceitáveis não se traduzam num jogo de "quem dá mais" com o governo federal -em sacrifício da vocação da universidade para produzir conhecimento e pesquisa em alto nível.

31/03/2012

Cotas: Demóstenes afunda e Kamel perde um aliado

Fernando Brito, do Tijolaço, escreveu imperdível texto sobre Demóstenes e “os fundilhos da UDN”.
Lá pelas tantas, Brito remete o leitor a uma reportagem da sempre competente Laura Capriglione e Lucas Ferraz, na Folha (*), sobre o pensamento antropológico do Demóstenes que se afunda: a culpa da escravidão é dos negros.
Num histórico depoimento no Supremo Tribunal Federal sobre o tema cotas raciais nas universidades, Demóstenes se transformou num paladino contra as cotas.
E com uma certa razão: se os negros foram os responsáveis pela escravidão, para que protegê-los de mal que eles próprios se impuseram?
Irretocável !
Caro amigo navegante, o afundamento da cabeça do iceberg é uma punhalada nas costas do Ali Kamel, o maior inimigo das cotas raciais no Brasil.
Na Antologia das Trevas que este ansioso blog publica, com a produção intelectual de Kamel, o nosso Gilberto Freire (**), há um texto lapidar: “Não somos racistas nem brancos”; e um outro que entrará para a História da Matriz Energética do Brasil: “FHC fez o Apagão da Energia para salvar as criancinhas”.  
Mas, vamos à História, ao depoimento de Demóstenes sobre a origem da Escravidão:

DEM corresponsabiliza negros pela escravidão

LAURA CAPRIGLIONE
LUCAS FERRAZ
da Folha de S.Paulo, em Brasília

Para uma discussão que sempre convoca emoções e discursos inflamados, como é a das cotas raciais ou reserva de vagas nas universidades públicas para negros, a audiência pública que se iniciou ontem (3) no Supremo Tribunal Federal transcorreu em calma na maior parte do tempo. Até que um óóóóóóó atravessou a sala. Quem falava, então, era o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que se esforçava para demonstrar a corresponsabilidade de negros no sistema escravista vigente no Brasil durante quatro séculos.

Disse Demóstenes sobre o tráfico negreiro: “Todos nós sabemos que a África subsaariana forneceu escravos para o mundo antigo, para o mundo islâmico, para a Europa e para a América. Lamentavelmente. Não deveriam ter chegado aqui na condição de escravos. Mas chegaram. (…) Até o princípio do século 20, o escravo era o principal item de exportação da pauta econômica africana.”

Sobre a miscigenação: “Nós temos uma história tão bonita de miscigenação… [Fala-se que] as negras foram estupradas no Brasil. [Fala-se que] a miscigenação deu-se no Brasil pelo estupro. [Fala-se que] foi algo forçado. Gilberto Freyre, que é hoje renegado, mostra que isso se deu de forma muito mais consensual.”

As referências à história “tão bonita” da miscigenação brasileira, ao negro traficante de mão de obra negra, o democrata usou para argumentar contra as cotas raciais, já adotadas em 68 instituições de ensino superior em todo o país, estaduais e federais. Desde 2003, cerca de 52 mil alunos já se formaram tendo ingressado na faculdade como cotistas.

O partido de Demóstenes considera que as cotas raciais são inconstitucionais porque, ao reservar vagas para negros e afrodescendentes, contrariariam o princípio da igualdade dos candidatos no vestibular.

Na condição de relator de dois processos sobre o tema (também há um recurso extraordinário interposto por um candidato que se sentiu prejudicado pelo sistema de cotas adotado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul), o ministro Ricardo Lewandowski, do STF, decidiu convocar a audiência pública, que se estenderá até sexta-feira, com intervenções pró e anticotas.

A audiência pública é uma forma de as partes interessadas levarem seus pontos de vista ao STF. Segundo Lewandowski, o assunto será votado ainda neste ano. Se considerar que as cotas ferem preceito fundamental, acaba essa modalidade de ingresso no sistema universitário. Se considerar que são ok, a decisão sobre adotar ou não uma política de cotas continuará a ser dos conselhos universitários.

No primeiro dia, falou uma maioria de favoráveis às cotas, em um placar de 10 a 3. Falaram representantes de ministérios e de universidades favoráveis às cotas, e os advogados do DEM e do estudante gaúcho, além de Demóstenes.


(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a  Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.
(**) Conta-se que, um dia, em Apipucos, D. Madalena se virou para o marido e disse: Gilberto, essa carta está em cima da sua mesa há um tempão e você não abre. Não posso abrir, Madalena, respondeu o Mestre. Não é para mim. É para um Gilberto Freire com “i”.

Cotas: Demóstenes afunda e Kamel perde um aliado | Conversa Afiada

29/02/2012

Venezuela, hoje, é o país latino-americano menos desigual

Filed under: Hugo Chávez,Políticas Compensatórias,Venezuela — Gilmar Crestani @ 8:24 am

 

Venezuela hoy

Luis Hernández Navarro

Desde los 12 años, Alejandro Aguiar fue pescador en isla Margarita. Salía a alta mar y llevaba la pesca a Curazao. Pescaba atún, lisa, carie (sierra chica), corocoro, sardina, bagre, pargo, mero. Las campañas duraban mes y medio o dos meses. Regresaba a tierra oliendo a mar.

En isla Margarita o se es pescador o se trabaja en el ferry, o en los barcos, o de taxista. Aunque últimamente hay empleos en el turismo, la gente de mar es gente de mar siempre. Alejandro era uno de esos.

Pasados los 60 años el señor Aguiar dejó de pescar. El mar es muy traicionero y hay que tenerle cuidado por más que se haya pasado la vida en él. El mar es dueño y señor de sus espacios. Él solo se gobierna. Los pescadores saben cuándo es el momento de decirle adiós y así tuvo que hacer Alejandro.

Para sobrevivir cuando se retiró de la pesca, el señor Aguiar hacía redes para los pescadores jóvenes y cuidaba lanchas y barcos de otros. Tenía 70 años y no poseía nada aparte de sus atarrayas y sus redes. Su único futuro era seguir viviendo así, hasta que el gobierno lo pensionó. Nunca había cotizado a un instituto de seguridad social ni a un fondo de pensiones, pero había trabajado siempre. Después de casi dos años de gestiones fastidiosas, el gobierno bolivariano lo incluyó en el seguro social y comenzó a recibir una pensión. El horizonte de su vida, y el de su familia, cambió.

El gobierno de Hugo Chávez no sólo dio pensiones a los adultos mayores. También eliminó la pesca de arrastre, dañina como es, y decidió apoyar a los pescadores familiares. Los empresarios de las arrastradoras pusieron el grito en el cielo y se le echaron encima. Lo pescadores artesanales lo apoyaron.

La historia de Alejandro Aguiar no es excepcional. Según los resultados del último censo recientemente difundido, en Venezuela hay 50 personas dependientes por cada 100 en edad de trabajar. Muchos laboraron toda su vida o son madres que sacaron adelante a sus hijos y que, en los últimos años de su vida, se encuentran sin ingresos para sobrevivir. Para ellos se creó una pensión universal.

Durante los 13 de años de gobierno chavista se ha duplicado la inversión social. Y los resultados están a la vista. La Unesco declaró a ese país libre de analfabetismo. Venezuela es el segundo lugar en América Latina y el quinto en el mundo en incremento de la matrícula escolar. El rendimiento en los salones de clase ha crecido, en parte, porque 4 millones de niños reciben dos comidas al día gratuitamente. Ningún menor pisa un aula con el estómago vacío.

Hoy día los servicios sanitarios llegan a todo mundo, no se necesita trabajar en alguna institución para ser beneficiario. Tienen una cobertura de 80 por ciento de la población. Tratamientos como la quimioterapia y las diálisis, que son muy costosos, son gratuitos. Sin embargo, existen algunos problemas. Con el apoyo de los médicos cubanos hay atención primaria en prácticamente todos lados, pero faltan hospitales. En las clínicas faltan camillas. El servicio es insuficiente y está saturado.

El salario mínimo es de poco más de 360 dólares al mes y los trabajadores del sector público reciben además un ticket alimentario por casi 420 dólares. A pesar de la crisis, el desempleo se mantuvo en 8 por ciento. En el sistema estatal de abasto alimentario (tiendas Mercal), entre 22 y 24 productos de la canasta básica pueden ser adquiridos con 80 por ciento de descuento.

Los resultados de esta política están a la vista. Venezuela es el país latinoamericano menos desigual. La desigualdad, medida por el índice de Gini, es de 0.39 por ciento. La pobreza extrema se redujo a 7.1 por ciento, cuando antes de la llegada de Chávez al poder era de 17 a 20 por ciento, y la pobreza total cayó de 70 a 26.7 por ciento.

Este crecimiento del bienestar de los trabajadores y los sectores más pobres no ha acabado con los sectores pudientes. Veinte por ciento de la población más rica disfruta de 44 por ciento de la riqueza nacional, cuando antes se apropiaba de 57 por ciento. Hay mucho dinero en Venezuela y el nivel de consumo es muy alto. Las tiendas están siempre llenas. Abundan los vehículos caros y las tiendas de ropa de marca. Las residencias de lujo se cotizan en montos similares a los de las principales ciudades del planeta.

La oposición asegura que el país se desindustrializa, la inflación se desboca y el gobierno reparte la renta petrolera vendiendo dólares baratos, aumentando la nómina pública y otorgando subsidios. Rabiosa porque ha perdido el manejo de la renta petrolera, considera que la inversión en la mejoría de las condiciones de vida de la población, los salarios dignos y garantizar la soberanía nacional son gastos superfluos.

A pesar de los vaticinios catastrofistas que desde hace 13 años se anuncian, la economía venezolana sigue creciendo. En 2011 el PIB creció 4.2 por ciento. Ciertamente, 2009 y 2010 fueron años malos, pero el escollo ha sido superado. La crisis llegó a Venezuela más tarde que al resto del mundo, pero eso no implicó, a diferencia de Estados Unidos y Europa, que la pobreza y el desempleo aumentaran.

La inflación promedio durante el chavismo es de 22.2 por ciento, ciertamente un porcentaje muy elevado. Sin embargo, es significativamente inferior a la que se tuvo en las administraciones anteriores. La cultura de la inflación no la creó Chávez; cuando él llegó ya estaba allí.

Impresionante es el crecimiento de la industria de las telecomunicaciones. Venezuela es país de conectados. Durante 2011 el sector contribuyó al PIB con 6.6 por ciento.

Hay 3.5 millones de líneas asociadas a planes de Blackberry. Las líneas en uso de la telefonía móvil alcanzan 28.8 millones de suscriptores: 98 líneas activas por cada 100 habitantes. Hay 11.8 millones de usuarios de Internet.

Detrás de la frialdad de cifras y estadísticas se encuentran decenas de miles de historias como las de Alejandro Aguiar. Esas historias muestran que hay un camino alternativo al neoliberalismo. Esas historias explican la adhesión popular al chavismo.

La Jornada: Venezuela hoy

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