Ficha Corrida

10/09/2014

“Vidas em troca de terra” é roubo. Puro e simples

Filed under: Israel,Palestina,Roubo,Roubo made in USA! — Gilmar Crestani @ 9:41 am
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Israel não passa de uma grande base militar dos EUA no Oriente Médio. Tire o Pitbull e o valente vira-lata se transforma em poodle.

A política de Israel “vidas em troca de terra” é roubo. Puro e simples

Robert Fisk | Beirute – 09/09/2014 – 16h56

Visão do mundo: Israel rouba terra, os palestinos perdem terra; é assim que funciona. É assim desde 1948, e é assim que continuará a ser.

Wikimedia Commons
E foi assim que mais uma fatia da terra palestina foi pelo cano abaixo. Mais uns 400 hectares de terra palestina foram roubados pelo governo de Israel – porque… "apropriação" é roubo, não? – e o mundo já deu as desculpas de sempre. Os norte-americanos consideraram o roubo "contraproducente" para a paz, o que provavelmente menos vigoroso do que a sua reação caso o México roubasse 400 hectares de terra do Texas e resolvesse construir ali casas para os seus emigrantes ilegais nos EUA. Mas, não. Foi na "Palestina" (as aspas são mais necessárias do que nunca) e Israel conseguiu continuar a roubar, embora não nesta escala – este foi o maior roubo de terra em 30 anos, desde que foi assinado o Acordo de Oslo em 1993.

O aperto de mão entre Rabin-Arafat, as promessas e transferências de territórios e retiradas militares, e a determinação de deixar tudo o que é importante (Jerusalém, refugiados, o direito de retorno) para o fim, até que todos confiassem tanto uns nos outros que a coisa seria facílima – não surpreende que o mundo tenha feito descer sobre os dois a sua generosidade financeira.

Mas o recente roubo de terras não apenas reduz a "Palestina", também mantém o círculo de concreto armado no entorno de Jerusalém para manter os palestinos bem distantes, tanto da capital, que é suposto partilharem com israelitas, como de Belém.

Em meio a trégua em Gaza, Abbas ameaça romper unidade com Hamas
Obama prorroga medidas de embargo econômico contra Cuba
Israel cria obstáculos para ensino de gramática árabe nas escolas

Foi instrutivo saber que o conselho israelita judeu Etzion, que administra os colonatos ilegais na Cisjordânia, considerou que este roubo é um castigo pelo assassinato de três adolescentes israelenses em junho. "O objetivo dos assassinatos dos três jovens foi semear o medo entre nós, interromper a nossa vida quotidiana e questionar o nosso direito [sic] à terra", anunciou o conselho Etzion. "A nossa resposta é reforçar a colónia". Deve ser a primeira vez que a terra na “Palestina” é confiscada sem serem convocados argumentos relativos à segurança nacional ou a autoridade pessoal de Deus, mas sim vingança.

Assim se cria um precedente interessante. Se a vida de um israelita inocente – cruelmente ceifada – vale cerca de 130 hectares de terra, a vida de um palestiniano inocente – também cruelmente ceifada – vale a mesma porção de terra. E se metade, que seja, dos 2.200 palestinos mortos em Gaza no mês passado – e esse é um número conservador – fossem inocentes, nesse caso os palestinos teriam agora, presumivelmente, direito a 132.000 hectares de terras israelitas; na realidade, muito mais. E por mais "contraproducente" que isto seja, com certeza os EUA não aprovariam. Israel rouba terra, os palestinos perdem terra; é assim que funciona. É assim desde 1948, e é assim que continuará a ser.

Nunca haverá uma "Palestina", e o mais recente roubo de terra é apenas mais um ponto acrescentado no livro das consternações que os palestinos têm de ler, enquanto os seus sonhos de terem um Estado se vão diluindo. Nabil Abu Rudeineh, porta-voz do "presidente" palestiniano Mahmoud Abbas, afirmou que o seu líder e as forças moderadas na Palestina tinham sido "apunhalados pelas costas" pela decisão dos israelitas, o que é dizer pouco. Abbas tem as costas completamente apunhaladas, de cima a baixo. E o que esperava ele quando escreveu um livro sobre as relações entre palestinos e israelitas em que não escreveu nem uma única vez, uma que fosse, a palavra "ocupação"? O que significa que voltamos ao velho jogo. Abbas não pode negociar com ninguém a menos que fale pelo Hamas ou pela Autoridade Palestina. Como Israel sabe. Como os EUA sabem. Como a União Europeia sabe. Mas cada vez que Abbas tenta construir um governo de unidade nacional, todos nós gritamos que o Hamas é uma organização "terrorista". E Israel argumenta que não pode conversar com uma organização "terrorista" que exige a destruição de Israel – ainda que Israel costumasse conversar muito com Arafat e, naqueles dias, tenha ajudado o Hamas a construir mais mesquitas em Gaza e na Cisjordânia, para servirem como contrapeso ao Fatah e a todos os outros então "terroristas" lá de Beirute.

Claro, se Abbas fala só por si, então Israel diz o que já disse: que se o Abbas não fala por Gaza, Israel não tem com quem negociar. Mas isso realmente ainda interessa? Devia existir uma manchete especial em todos os artigos deste género: "Adeus, Palestina".

(*) Publicado originalmente no Esquerda.net

Opera Mundi – A política de Israel “vidas em troca de terra” é roubo. Puro e simples

27/07/2014

Shlomo Sand aposta no Brasil

Filed under: Israel,Palestina — Gilmar Crestani @ 12:05 pm
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Os EUA tiveram 67 anos e só aumentaram os conflitos e as mortes. O Brasil, ao contrário, tem tradição pacifista.

Sand pede que Brasil lidere pressão contra Israel

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O historiador Shlomo Sand, nascido na Áustria e radicado em Israel desde os primeiros momentos da criação do estado judeu no Oriente Médio, na década de 1940, é uma das figuras mais conhecidas da esquerda israelense; conhecedor profundo do conflito entre judeus e palestinos, Sand diz que a sociedade  israelense está ‘radicalizada e racista’ demais para resolver seus problemas de dentro para fora e pede que América Latina faça pressão para for fim ao conflito atual, que já deixou mais de mil palestios mortos

26 de Julho de 2014 às 19:24

Rede Brasil Atual – O historiador Shlomo Sand, nascido na Áustria e radicado em Israel desde os primeiros momentos da criação do estado judeu no Oriente Médio, na década de 1940, é uma das figuras mais conhecidas da esquerda israelense: seu livro A Invenção do Povo Judeu, de 2008, em que o autor questiona a promiscuidade entre fato histórico e mitologia nacionalista na narrativa de construção de Israel, esteve no topo dos mais vendidos no país por 19 semanas e é o texto acadêmico israelense mais traduzido para outras línguas na história, com mais de 80 mil exemplares vendidos apenas na França.

A notoriedade, no entanto, não significa popularidade na terra natal. Rechaçado por militantes sionistas, judeus ortodoxos, articulistas da mídia israelense e especialistas da historiografia judaica tradicional, Sand segue investindo na polêmica como forma de chacoalhar uma sociedade que está "mais cruel, mais feia e muito mais racista" do que nunca. "Não sei se seus leitores sabem que muitos dos israelenses sobem em montanhas no entorno de Gaza para assistir aos bombardeios", conta o professor, ao falar sobre o conflito entre Israel e o grupo Hamas, que já deixou mais de 600 civis palestinos mortos por bombardeios aéreos e ações militares em terra.

Sand questiona ainda o sequestro de três colonos israelenses como principal motivação da guerra: de acordo com o professor, logo após o sequestro, em abril deste ano, o estado de Israel rompeu acordo fechado em 2011 pela libertação do soldado Gilat Shalit, que havia sido capturado por forças palestinas, e voltou a prender os mais de mil prisioneiros políticos liberados àquela oportunidade, inclusive parlamentares da Autoridade Palestina, como forma de provocar o Hamas a entrar no conflito armado. "Se você me perguntar se o governo de Israel queria esta guerra, tenho de dizer que não tenho certeza, mas acredito que sim", resume.

Para o professor, a situação atual pode não ter mais solução "de dentro para fora" e depende de pressão externa. "A única coisa que eu acho que pode provocar mudança é pressão externa, com exceção do terror. Soube que o Brasil tomou posição e retirou sua embaixadora do país. E isso me deixou muito feliz. Esse é o caminho. A América Latina, como um bloco, pode fazer muita pressão e pode ser muito importante para resolver conflitos", afirma.

Existem motivos econômicos, sociais ou políticos para que uma nova rodada de agressões a Gaza tenha início neste momento? Trata-se mesmo apenas de uma retaliação pelo sequestro e morte de três colonos?

É muito difícil, neste momento, entender todos os motivos para esta nova guerra entre Israel e Hamas, mas eu vou tentar responder à pergunta ‘há razões políticas?’ Há. Não vejo motivação econômica ou social, mas a razão política, acredito, mesmo que não tenha provas, é a relação entre o Hamas e a nova liderança da Autoridade Palestina, que levou o Hamas a aceitar se unir ao Fatah em um governo unificado. A guerra atual foi provocada após o sequestro de três colonos, mas como ela foi provocada? Sem nenhuma prova de que o Hamas tenha qualquer envolvimento nos sequestros, sem nenhuma condição de acusar o Hamas diretamente pelo que aconteceu com esses colonos, Israel começou a prender todos os prisioneiros que foram liberados no acordo de Gilat Shalit. Israel rompeu todas as regras do jogo. E, desta vez, quebraram o acordo abertamente, prendendo todos os prisioneiros que haviam sido liberados, inclusive membros do parlamento. Então não deixaram muita opção para o Hamas em Gaza. Se você me perguntar se o governo de Israel queria esta guerra, tenho de dizer que não tenho certeza, mas acredito que sim.

Como tem sido a reação do povo israelense a este novo conflito?

Não sei se seus leitores sabem que muitos dos israelenses sobem em montanhas no entorno de Gaza para assistir aos bombardeios. É importante compreender que a polarização político-ideológica da sociedade israelense hoje em dia é muito mais radical do que antes. A maior parte de Israel está muito mais racista do que em comparação aos colonizadores dos anos 1960. A influência da mídia, conduzida pela intelligentsia israelense, levou a uma radicalização muito grande. Então, hoje, a sociedade israelense é mais cruel, mais feia e muito mais racista.

A expectativa mundial é por uma mudança cultural em Israel que siga no sentido oposto…

Não acredito que Israel, no ponto em que está, possa ser mudado de dentro para fora. Eu já perdi esperança que algo positivo possa vir da política ou da sociedade israelense. O que quero dizer com isso é que não existe nenhuma força política que possa se comprometer com um processo de paz com os palestinos e nem mesmo os palestinos moderados. O processo de paz que os americanos tentaram criar foi uma grande piada. O representante de Obama para as conversas de paz Israel-Palestina no ano passado, Martin Indyk, antes de sua carreira diplomática, era um lobista da Aipac (Comitê América-Israel de Assuntos Públicos, na sigla em inglês, grupo que advoga por políticas pró-Israel junto ao Congresso dos Estados Unidos). Não acredito que Israel possa mudar por dentro se a situação econômica não mudar. A única coisa que acho que pode provocar mudança é pressão externa, com exceção do terror. Toda pressão externa, que não sejam atos de terror, irá ajudar a garantir a existência do estado de Israel. Soube que o Brasil tomou posição e retirou sua embaixadora do país e isso me deixou muito feliz. Esse é o caminho.

O senhor soube da resposta do governo israelense?
Não.

Eles condenaram a postura do governo e disseram que o Brasil é um "anão diplomático".

(Risos) Ainda não vi isso na imprensa israelense, talvez tenha saído apenas na TV, mas, ora, eu conheci a embaixadora brasileira anterior em Israel (Maria Elisa Bittencourt Berenguer). Uma mulher muito inteligente. A diplomacia brasileira merece respeito.

A diplomacia brasileira tentou envolver-se na solução de conflitos no Oriente Médio em 2010, quando se uniu à Turquia para chegar a um acordo sobre o enriquecimento de urânio no Irã.

Sim, me lembro do esforço diplomático do Brasil e da Turquia e aquele episódio também me deixou muito feliz. A América Latina, como um bloco, pode fazer muita pressão e pode ser muito importante para resolver conflitos. Já que os Estados Unidos não aceitam interromper seu apoio incondicional a Israel… Você sabia que na semana passada Israel pediu ao Departamento de Defesa mais de US$ 500 milhões a mais do que já recebem em apoio, para a guerra atual? E os Estados Unidos aceitaram. Eles não dão o dinheiro, dão armas, porque assim pagam dívidas com a indústria de armamento.

Como podem os Estados Unidos imporem sanções à Rússia pelo que ocorreu na Crimeia e, ao mesmo tempo, não se atreverem a mover sanções contra Israel, mesmo que a população da Crimeia não tenha se oposto à ocupação como os Palestinos seguem resistindo à ocupação israelense? Eu espero que a América Latina possa nos ajudar, organizando a pressão internacional. E quando digo nos ajudar, digo ajudar o Estado de Israel a continuar existindo, ao lado do Estado Palestino. Eu não sou contra a existência do Estado de Israel. Sou a favor da existência de dois estados confederados sob uma instância superior de governo.

Não é possível propor a uma das sociedades mais racistas do mundo que ela passe a ser uma minoria sob um Estado único. Não é uma utopia. É uma estupidez. Ao mesmo tempo, não acredito que dois Estados possam existir completamente separados no Oriente Médio nas condições atuais, em que Israel está atrelado aos palestinos. Essa seria a forma para que ambos mantivessem a soberania.

Você tem de entender que, para que haja uma solução de um estado, você precisa da concordância de ambos os lados. Como chegar a isso nas condições atuais? Israel está próximo de sair vitorioso e sabe disso. Vou te dizer o que estou escrevendo em meu próximo artigo: a história mostra que a adoção de modelos pode causar muitos danos.

Dou três exemplos: a revolução bolchevique, que interrompeu a primeira guerra mundial, se tornou um modelo muito ruim de criação de movimentos revolucionários, que fez muito mal aos movimentos de trabalhadores na Europa nos anos 1920 e 1930, gerou uma divisão no movimento dos trabalhadores. A vitória da revolução cubana se tornou um modelo para a América Latina, mas era um modelo ruim, porque não ajudou a América Latina a se livrar das oligarquias norte-americanas. O terceiro exemplo é a África do Sul. A solução de um Estado na África do Sul se tornou o modelo para o conflito Israel-Palestina no Oriente Médio, mas a diferença é que a classe alta branca na África do Sul era completamente dependente economicamente dos trabalhadores negros. Eles não poderiam criar uma sociedade sem eles. Já os israelenses podem viver sem os trabalhadores palestinos. Eles fazem dinheiro com a situação, mas podem viver sem o conflito. Além disso, em algum momento, a existência do movimento negro nos Estados Unidos e uma mudança de relações de poder lá colocaram a diplomacia norte-americana com a África do Sul em muitas contradições. Mais uma vez, não é o caso com Israel.

Existe uma força considerável contra a guerra no parlamento e nas ruas? Como a oposição e a esquerda israelense têm se posicionado neste momento?

Os partidos de esquerda não são de massas em Israel e não têm muito espaço no parlamento. Temos partidos comunistas compostos por uma maioria árabe e uma esquerda judia. As esquerdas se uniram, nas últimas semanas, pela primeira vez em muito tempo, para atos políticos contra a guerra, mas, também pela primeira vez, provou-se que está muito perigoso organizar manifestações em Israel.

Nunca tivemos uma reação da direita como temos hoje nas ruas e está cada vez mais perigoso se manifestar contra a guerra em Israel. Além disso, não há um grande apoio popular à causa. Como eu disse, as relações estão muito mais radicais. E falo dos cidadãos de Israel.

Semanas atrás, houve uma tentativa de diálogo de paz com a intermediação do papa Francisco. Essa iniciativa não teve nenhuma influência positiva antes do reinício das hostilidades?

O diálogo intermediado pelo papa foi uma piada maior ainda. De um lado, você tinha o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e, do outro, Shimon Perez, que não é nada. Ele não representa o governo de Israel. Não tem autoridade para negociar nada. É um político em aposentadoria com 91 anos de idade que esteve lá, ao lado do papa, apenas para participar de um show midiático ocidental. É inacreditável. O líder de Israel, de mesma autoridade que Abbas, é Benjamin Netanyahu, mas ele não se apresenta ao diálogo. Neste momento, duvido que ele aceitaria esse convite. Aquele encontro foi um grande álibi para o governo israelense.

Sand pede que Brasil lidere pressão contra Israel | Brasil 24/7

Gaza: Podemos viver juntos

Filed under: Faixa de Gaza,Israel,Palestina — Gilmar Crestani @ 12:00 pm
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Podemos viver juntos

O conflito entre israelenses e palestinos não é político, mas humano

Daniel Barenboim 24 JUL 2014 – 19:00 BRT

Escrevo estas linhas na qualidade de Mensageiro da Paz das Nações Unidas e sem esquecer, em momento algum, que possuo dois passaportes: um israelense e um palestino . Escrevo estas linhas com o coração entristecido, porque vi os acontecimentos das últimas semanas em Gaza confirmarem algo de que sempre estive convencido: que não é possível pôr fim ao conflito palestino-israelense mediante uma solução militar. Este não é um conflito político, mas sim um conflito humano entre dois povos, cada um profundamente convencido, com firmeza aparentemente irreconciliável, de que tem o direito de possuir o mesmo pedaço de terra, e o outro povo não.

O fato de este aspecto ter sido sempre negligenciado é a razão pela qual todas as negociações, todas as tentativas já realizadas em busca de um acordo que ponha fim ao conflito fracassaram. Em vez de reconhecer que essa é a verdadeira natureza do confronto e tentar encontrar o remédio correspondente, todas as partes quiseram encontrar soluções rápidas e simples. Infelizmente, como acontece em todas as questões importantes, não existem atalhos que nos permitam resolver este problema me maneira instantânea. Os atalhos só têm alguma serventia quando conhecemos o terreno que estamos atravessando, e, neste caso, não há ninguém que o conheça, porque a essência fundamental do conflito continua sendo matéria desconhecida e inexplorada.

Sinto uma compreensão imensa quando penso no medo que aflige meus compatriotas israelenses: o ruído constante dos foguetes lançados contra eles, o temor de saber que você mesmo ou alguém que você conhece pode se machucar. Mas também tenho profunda compaixão pela situação angustiante dos meus compatriotas palestinos em Gaza, que vivem imersos no terror e têm de chorar diariamente por todas essas vítimas e sofrer essa desolação. Depois de tantas décadas de destruição e morte em ambos os lados, o conflito alcançou um grau de espanto e desespero que era impossível imaginar. Por isso atrevo-me a sugerir que talvez seja o momento de buscar uma solução verdadeira e genuína para o problema. O cessar-fogo é indispensável, sem sombra de dúvida, mas não é suficiente. A única forma de acabar com essa tragédia, a única maneira de evitar mais mortes e mais horror é aproveitar precisamente que estamos em uma situação de desespero para obrigar todas as partes a se sentarem e conversar. Não faz sentido que Israel se recuse a negociar com o Hamas ou que se recuse a reconhecer o Governo de unidade; não, Israel deve escutar os palestinos que estão dispostos a falar a uma só voz.

A primeira resolução seria um acordo conjunto pelo qual se reconheça o fato de que não existe uma solução militar

A primeira resolução a alcançar seria um acordo conjunto pelo qual se reconheça o fato de que não existe uma solução militar. Só então poderemos começar a discutir formas de garantir tanto a justiça que há tanto tempo, e com razão, exigem os palestinos, como a segurança que, também com razão, exige Israel. Os palestinos sentimos a necessidade de obter, finalmente, uma solução legítima. Nossa aspiração fundamental é que nos tratem com justiça e nos reconheçam os direitos que se reconhecem a qualquer povo da Terra: autonomia, autodeterminação, liberdade e tudo o que isso implica. Os israelenses precisamos que aceitem que temos o direito de viver no mesmo pedaço de chão que os palestinos. Como dividir esse território é algo que só se poderá falar quando as duas partes reconhecerem e entenderem que podemos viver juntos, lado a lado, mas, acima de tudo, sem dar-nos as costas.

Essa reconciliação tão necessária deve ser baseada em um sentimento mútuo de empatia, ou, se preferirem, de compaixão. A compaixão, em minha opinião, não é meramente um sentimento que surge da capacidade psicológica de entender as necessidades de uma pessoa, mas também uma obrigação moral. Tentar compreender os problemas do outro é a única coisa que nos permitirá dar o passo necessário à aproximação. Como dizia Schopenhauer, “não há nada que nos leve de volta tão rápido à senda da justiça como a imagem mental das dificuldades, da aflição e dos lamentos do perdedor”. Neste conflito, somos todos perdedores. Só seremos capazes de superar esta triste situação se, de uma vez por todas, começarmos a aceitar o sofrimento e os direitos da outra parte. Quando estivermos conscientes desses direitos, poderemos tentar construir um futuro juntos.

Daniel Barenboim é pianista e maestro de orquestra sinfônica.

Gaza: Podemos viver juntos | Opinião | Edição Brasil no EL PAÍS

25/07/2014

Anã do jornalismo

Filed under: Eliane Cantanhêde,Genocídio,Israel,Palestina — Gilmar Crestani @ 7:57 am
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Israel_PalestinaA impoluta porta-voz do PSDB, Eliane Cantanhêde, com todo seu vira-latismo, adota, sem constrangimento, a alcunha lançada pelos genocidas. A briosa jornalista, convenientemente, esquece que nos 30 do século passado, Hitler pôs Goebbels para trabalhar na defesa da super raça ariana: os nazistas botaram no mesmo barco anões, homossexuais, ciganos, judeus. E eram tantos estes “degenerados”, que buscaram uma “solução final”, muito parecida com que o que Israel está fazendo com a Palestina.

Israel usa contra o Brasil, a pátria do Osvaldo Aranha, criador daquele “paraíso artificial”, a mesma linguagem diplomática que usa em relação aos palestinos. É bem verdade que há vozes dentro e fora de Israel que condena a invasão da Cisjordânia, Gaza e do toda terra ou pedaço de pedra ao redor de Jerusalém por colonos de todas as partes do mundo. Só eu conheço uma meia dúzia de brasileiros que para lá partiram. Israel não passa de um encrave norte-americano no Oriente Médio. Retire da espalda os pittbuls norte-americanos e Israel vira um anão de jardim. As únicas resoluções da ONU que não tem qualquer validade são aquelas que envolvem Israel e os EUA. Por que será?

Nas votações da ONU, como mostra o painel da imagem, qual é o único país que não quer investigar o genocídio dos palestinos? De repente descubro que o mundo todo está errado e Israel, à sobra dos EUA, é o único certo.

ELIANE CANTANHÊDE

“Anão diplomático”

BRASÍLIA – Depois de três anos e meio de uma política externa dorminhoca, o Brasil deu um pulo da cama, tomou-se de brios e partiu para cima de Israel.

Em sintonia fina com o Planalto e num mesmo dia, o Itamaraty votou a favor de uma resolução dura contra Israel no Conselho de Direitos Humanos da ONU, soltou uma nota com zero firula, convocou o embaixador brasileiro em Tel Aviv e chamou o embaixador israelense em Brasília para dar um recado mal humorado.

Israel x PalestinaA nota oficial, condena “energicamente o uso desproporcional da força” e foi recebida como uma declaração de guerra diplomática por Israel, que reagiu também de forma surpreendente e ácida, ora criticando a “irrelevância” da diplomacia brasileira, ora chamando o Brasil de “anão diplomático”. Planalto e Itamaraty bufaram.

As relações entre Brasil e Israel têm sido pautadas pelo pragmatismo, por exemplo, na área comercial, mas nunca foram de amor. Portanto, o Brasil se fingiu de desentendido na guerra civil síria, assistiu de camarote o desastre político no Egito e, pior, lavou as mãos quando os vorazes russos passaram a devorar nacos da Ucrânia. Mas o país se sentiu à vontade para condenar Israel. E com motivos inquestionáveis.

Mortes são dolorosas em quaisquer circunstâncias, mas mortes de militares em guerras e em situação de tensão são compreensíveis, como são agora as pouco mais de 30 mortes de soldados israelenses. Mas como não ver, não ouvir e não gritar diante de centenas de mortes de civis palestinos (e de onde quer que seja), ainda mais se grande parte delas são de mulheres e crianças? E como não ver, não ouvir e não gritar que caíram mais de 700 de um lado e menos de 5% disso no outro? Crime de guerra?

A posição brasileira, clara e dura, marca uma inflexão da política externa de Dilma, a meses do fim do governo, e confirma que Israel perdeu a guerra da opinião pública internacional e está cada vez mais isolado.

07/12/2012

Opera Mundi – "Regime de Israel é pior do que apartheid na África do Sul", diz ex-ministro de Mandela

Filed under: Apartheid,Israel,ONU,Palestina — Gilmar Crestani @ 9:37 am

Filho de família judaica, Ronnie Kasrils afirma que luta contra a discriminação por conta das lições do holocausto

“O regime imposto por Israel sobre a população palestina é muito pior do que o apartheid que marcou a história da África do Sul”. Essa foi a constatação tida pelo ativista sul-africano Ronnie Kasrils, conhecido por sua luta pelo fim do regime racista em seu país, durante as visitas que realizou à Israel e aos territórios reivindicados pelos palestinos.
“Foi como um “dèjá vu”: pessoas alinhadas nos postos de controle com esses jovens soldados arrogantes e armados. Isso é o que eu via na África do Sul”, afirmou Kasrils, ex-ministro de Defesa durante o governo Nelson Mandela (1994-1999), à reportagem de Opera Mundi no salão de encerramento do Fórum Social Mundial Palestina Livre, em Porto Alegre. “Porém, quando olhei de novo e conheci melhor a situação, vi que era pior do a apartheid”.
Marina Mattar

Defensor da solução de dois estados com base nas fronteiras anteriores a 1967, Kasrils, filho e neto de judeus, sempre adotou uma posição muito crítica em relação a Israel e apoia há décadas as causas palestinas. Liderou campanhas e é autor de livros e manifestos contra as políticas israelenses para com seus vizinhos. Em 2006, chegou a ser processado por associações judaicas sul-africanas em razão de um artigo que foi classificado por seus acusadores como “discurso de incitação ao ódio”. No ano seguinte, foi inocentado. Segundo a sentença, “Kasrils sempre defendeu negociações pacíficas, e suas declarações nunca propuseram a destruição de Israel. Tampouco seus comentários devam ser associados a negação do holocausto”.
O ativista relembra como o regime racista sul-africano (1948-1994) segregava de forma violenta a população negra: “eles tinham que andar em calçadas diferentes dos brancos, eram discriminados nas ruas e em seus trabalhos, eram espancados pela polícia e grupos de vândalos, viviam em comunidades afastadas dos centros, os “chamados bantustões”, sem nenhuma infraestrutura. Quando ousavam protestar, eram duramente reprimidos. Era horrível! Mas não tanto quanto a vida em Gaza ou na Cisjordânia. Existem muitas semelhanças, mas também muitas diferenças”.

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De acordo com Kasrils, da mesma forma que os negros na África do Sul durante o apartheid, os palestinos sofrem discriminação e repressão das autoridades, das instituições, das forças de segurança e dos cidadãos. O ativista lembra que eles encontram grande dificuldade para realizar necessidades simples do cotidiano: ir ao trabalho, abrir um negócio, comprar terras ou construir uma casa.
“Isso é idêntico, de muitas formas, ao apartheid. Mas, as autoridades sul-africanas nunca usaram jatos militares e tanques para bombardear o local aonde os negros moravam. E os bantustões não eram cercados por muros ou postos de controle”, explica. “A vida nos bantustões era péssima, mas nem tanto quanto estar nas prisões que são Gaza e Cisjordânia”.
Filho de família judaica, o ex-militante do ANC (Congresso Nacional Africano) conta que teve sua infância marcada pelo holocausto e é por essa razão que tanto se preocupa com a discriminação e as políticas segregacionistas. O ativista diz que herdou essa lição de sua mãe, quando ainda era uma criança que via os empregados negros sendo destratados.
“Certa vez perguntei a ela: ‘é assim que os judeus na Polônia, na Alemanha, nesses países europeus que viveram o nazismo, estão sendo tratados?’ Minha mãe, uma mulher muito simples, mas boa e generosa, me respondeu: ‘Não exatamente. Porque na Europa, eles mataram os judeus nos campos de concentração. Mas, começa assim: com esse ódio e racismo’. E isso ficou na minha mente”.
Mesmo estando aposentado há quatro anos da vida política em seu país natal, o ativista não abandonou seus ideais e lutas. No Fórum Social Mundial Palestina Livre em Porto Alegre, ele defendeu a campanha do BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções) contra Israel e lembrou o sucesso dessa iniciativa para acabar com o regime do apartheid.

Opera Mundi – "Regime de Israel é pior do que apartheid na África do Sul", diz ex-ministro de Mandela

05/12/2012

Até tu, Folha…

Filed under: Folha de São Paulo,Israel,Palestina — Gilmar Crestani @ 9:01 am

EDITORIAIS

editoriais@uol.com.br

Israel insiste no erro

Quando a Assembleia-Geral da ONU aprovou a elevação de status da Autoridade Palestina de "entidade observadora" a "Estado observador não membro", o governo de Israel poderia ter identificado ali mais um sinal de que sua posição belicista é cada vez menos defensável.

Na votação da semana passada, 138 países apoiaram o pleito palestino e apenas 9 foram contrários a ele (41 se abstiveram). Ainda que a nova condição não dê poder de voto à Palestina, o efeito simbólico do reconhecimento como Estado não deve ser desprezado.

À revelia do recado da ONU, porém, Israel resolveu retaliar a Palestina e aprovou a construção de 3.000 unidades habitacionais em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia -áreas ocupadas desde 1967.

Em seguida, o Estado judeu congelou fundos que deveria repassar à Autoridade Nacional Palestina -oriundos de impostos de novembro sobre produtos que entram no território palestino sob controle de Israel.

Na segunda-feira, Reino Unido, França, Espanha, Suécia e Dinamarca convocaram os embaixadores israelenses em suas respectivas capitais para dar explicações sobre as medidas anunciadas por Israel. Ontem, o Brasil fez o mesmo.

Os Estados Unidos, tradicionais aliados de Israel, não tomaram iniciativa tão categórica (na diplomacia, a convocação de um embaixador representa séria insatisfação de um país com o outro), mas criticaram as decisões do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu.

As reações desses países decorrem, sobretudo, do injustificável plano israelense de ampliar a colonização. Uma parcela das novas habitações ficará num corredor entre Jerusalém Oriental e o assentamento judaico de Maale Adumim, dividindo a Cisjordânia em duas partes e dificultando ainda mais a viabilidade do Estado palestino.

Verdade que as 3.000 unidades anunciadas não representam um grande avanço de Israel. Iniciados há quase 45 anos, os assentamentos já são moradia para mais de 500 mil judeus na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.

A gravidade do gesto está mais na localização e no momento escolhidos. Uma vez estabelecidas, as colônias dificultam negociações sobre o território em que se implantaram. São, portanto, um retrocesso. A pretexto de defender os israelenses, a política de Netanyahu complica a situação com a Palestina e sugere que a seu governo interessa antes acirrar o conflito que buscar a paz na região.

02/12/2012

Un relato europeo sobre los colonos israelíes

Filed under: Israel,ONU,Oriente Médio,Palestina — Gilmar Crestani @ 8:54 am

El voto de la ONU demuestra que la invasión de los territorios palestinos suscita cada vez más críticas

Soledad Gallego-Díaz 2 DIC 2012 – 00:00 CET

Solamente un país miembro de la Unión Europea (República Checa) votó en contra del reconocimiento de Palestina como miembro de Naciones Unidas con el estatuto de Estado observador. De los 26 restantes, 14 votaron a favor (Francia, Italia y España, incluidas) y 12 se abstuvieron (entre ellos aliados tan tradicionales de Israel como Alemania y Holanda). Los nueve votos en contra fueron los del propio Israel, Estados Unidos, Canadá, Panamá, y cuatro pequeños Estados del Pacífico, Islas Marshall, Micronesia, Nauru y Palau. Probablemente nunca hasta ahora había quedado tan claro que los intereses de Israel y de Estados Unidos, que se presenta en todo el mundo como una potencia dialogante, salvo en Oriente Próximo, empiezan a ser divergentes.

Washington gestionará como pueda esa situación, pero está claro que el voto de Naciones Unidas refleja una realidad: la política de Israel de ocupación y progresiva colonización de los territorios palestinos, y la cruel manera como se gestiona está suscitando cada día mayor irritación. La formidable fuerza de las imágenes en Internet y en emisoras como Al Jaazera con que los palestinos consiguen por primera vez en su historia traspasar el muro de silencio y aislamiento que les ha rodeado durante décadas está teniendo un efecto político real y esa nueva circunstancia no tiene ya vuelta atrás.

Es verdad que la Unión Europea no ha sido capaz de mostrar una posición conjunta, en una nueva demostración de la imposibilidad de desarrollar una Política Exterior Común, pero sí está apareciendo esa unanimidad en documentos internos, de menor influencia política, desde luego, pero donde queda reflejado ese creciente enojo. La UE no va a cambiar, por supuesto, su firme defensa de la existencia del Estado de Israel y de su derecho a la seguridad, pero cada día más, sin mucha publicidad, pero con insistencia, está advirtiendo a Tel Aviv que también existen los derechos de los palestinos y que están siendo reiteradamente violados por israelíes.

El último de esos documentos, que quizás sea el responsable de la inesperada abstención de Alemania en la ONU, es el aprobado por el Comité Político y de Seguridad de la UE el pasado 16 de noviembre, en el que se denuncia el incremento de los ataques que realizan los colonos israelíes en territorios palestinos contra población civil y la evidente impunidad con la que actúan. “Los diplomáticos europeos deben estar atentos a este problema y hacerse presente incluso en los juicios que se puedan plantear”, algo que, según analistas de Eurobserver, que publican el documento íntegro (http://euobserver.com/foreign/118317) solo se ha reservado hasta ahora para países como Bielorrusia.

Documentos internos de la UE advierten a Israel que los derechos de los palestinos también existen

El documento expresa la preocupación del comité por la violencia de los colonos y sus provocaciones contra civiles palestinos y pide al Gobierno israelí que cumpla con las obligaciones que establecen las leyes internacionales y lleve a esos extremistas ante los tribunales. “Los ataques son cada vez más severos y, en algunas áreas, más coordinados”, explica. Además, son mucho más frecuentes: aumentaron un 32% en 2011 respecto a 2010, y afectan a palestinos, mujeres y niños, así como a sus campos agrícolas (10.000 árboles han sido arrancados) y a sus lugares de culto (se han destruido más de diez mezquitas solo este año). La mayoría de esas agresiones tienen lugar en Cisjordania y muchos de ellos “parecen ser parte de un sistema de coerción que intenta forzar a las comunidades palestinas a abandonar el área a fin de poder expandir los asentamientos israelíes”. Los expertos de la UE se felicitan por la reciente y “fuerte condena” de esos actos violentos por parte del Gobierno israelí (el ministro de Exteriores dijo que eran “actos terroristas”), pero lamenta que las autoridades israelíes no tomen firmes acciones contra estos actos, “contribuyendo así a una cultura de impunidad en la que la violencia continúa”. El 90% de las denuncias de las que ha tenido conocimiento la ONU han sido descartadas sin detenciones. Además, protesta el documento europeo, muchas víctimas no pueden siquiera presentar sus reclamaciones porque las estaciones de policía están precisamente en los asentamientos de colonos, donde los palestinos no pueden entrar.

El Comité Político y de Seguridad de la UE termina dando la luz verde para que los países que lo deseen impongan la prohibición de dar visados a esos colones israelíes violentos, de manera que no puedan viajar a la UE. solg@elpais.es

Un relato europeo sobre los colonos israelíes | Internacional | EL PAÍS

01/12/2012

Fórum Social Mundial Palestina Livre tem início em Porto Alegre

Filed under: FSM,Israel,Oriente Médio,Palestina,Porto Alegre — Gilmar Crestani @ 9:13 am

Cerca de três mil pessoas participam de evento que promove a luta pela libertação nacional dos palestinos

O conflito contra Israel e a luta pela libertação nacional do povo palestino serão os principais temas de discussão durante os próximos três dias no FSM (Fórum Social Mundial) Palestina Livre, ou FSMPL, que tem início nesta quinta-feira (29/11) em Porto Alegre, Rio Grande do Sul.
Leia mais: Palestina tenta reconhecimento histórico 65 anos após primeira divisão da ONU na região
Cerca de três mil pessoas estão inscritas para participar do FSMPL. Ao todo, 36 países de quatro continentes estão representados. Ativistas, organizações, movimentos e intelectuais de dezenas de países estão inscritos para participar de conferências e atividades sobre diferentes temas relacionados à questão palestina.
Agência Efe (25/11)

Manifestantes pró-Palestina protestam contra recente ataque a Gaza. Marcha ocorreu em Madri, na Espanha, um dos países participantes do Fórum
Enquanto a maior parte da atenção mundial está focada nos esforços diplomáticos e na atividade das principais autoridades palestinas, este evento procura dar voz aos palestinos e árabes israelenses que convivem diariamente com a ocupação de Israel, aos refugiados que ainda lutam por seu direito de retorno e a movimentos internacionais que propõem críticas e formas de reivindicação. O Fórum pretende mostrar como essas diferentes pessoas lidam com uma política a qual consideram segregacionista e o que sugerem como solução.

Leia mais

As dezenas de mesas de discussão contemplam esse esforço abrangente, mas também se unem em torno de três princípios fundamentais: o fim da ocupação e colonização israelense em todas as terras árabes, além da derrubada do muro; a garantia à igualdade plena dos direitos fundamentais dos cidadãos árabe-palestinos de Israel; e a implementação, proteção e promoção dos direitos dos refugiados palestinos para que esses possam regressar às suas casas e propriedades como está estipulado na resolução 194 da ONU.
As divergências também estão colocadas na mesa do FSMPL. Enquanto alguns defendem a solução de dois estados, outros são favoráveis à constituição de um único estado laico e democrático para abranger os dois povos. Enquanto alguns comemoram a iniciativa do presidente palestino, Mahmoud Abbas, de pedir o reconhecimento da Palestina nas Nações Unidas, outros apresentam críticas à sua proposta. Para os organizadores,  o contraditório também contribuirá para construir o evento.

Opera Mundi – Fórum Social Mundial Palestina Livre tem início em Porto Alegre

30/11/2012

Golpe de Europa a Netanyahu

Filed under: Benjamin Netanyahu,Israel,Oriente Médio,Palestina,Robert Fisk — Gilmar Crestani @ 8:55 am

Robert Fisk

Así pues, ya no tengo que poner Palestina entre comillas. Sólo Palestina. De vuelta al feudo otomano de Palestina, a la Palestina del mandato británico y al cumplimiento –si alguna vez llega– de la Palestina dividida por la ONU en 1947, hace exactamente 65 años: la Palestina árabe, que el viejo rey Abdalá –el padre de Hussein– anexó a Jordania. Si es que hay, desde luego, suficiente espacio para la Palestina árabe entre la maraña de colonias judías y caminos coloniales ya construidos y los que se siguen construyendo, con total impunidad y contra el derecho internacional, por todo el Estado viable de Palestina del que lord Blair de Kut al-Amara y el resto de nuestros amos hablan con tanto desparpajo.

Pero no se trata de eso ahora, ni para los palestinos ni para los israelíes. Lo que los palestinos y la izquierda israelí necesitan ahora es una sustancial votación europea occidental por un Estado palestino no miembro en la Organización de Naciones Unidas. Ya supimos ayer que Francia está a bordo, junto con Luxemburgo y España. François Hollande se puso un poco histérico en semanas recientes, reculando de su promesa de campaña de apoyar el reconocimiento internacional de un Estado palesino al decir a Benjamin Netanyahu, hace un mes, que quería negociaciones sin precondiciones entre israelíes y palestinos más que una votación en la ONU. Pero obviamente el Quaid’Orsay lo pensó mejor.

Para la izquierda israelí eso era esencial. Temía que si únicamente los países no democráticos del mundo votaban por Palestina, Netanyahu estaría en condiciones de decir que, como Mahmoud Abbas sólo pudo ganar la votación con ayuda de extremistas, déspotas y potentados, Israel podía clamar una victoria moral y desentenderse de la cuestión. Pero si las verdaderas democracias de Europa apoyaban a Palestina, sería una catástrofe para Netanyahu. Desde luego, hasta esta mañana –si se cumplió el plazo– no sabíamos cómo votaría Alemania. Y todos sabemos por qué.

Inútil decir que ya los palestinos celebraban 24 horas antes de la votación. En Medio Oriente las celebraciones son un asunto riesgoso. Las esperanzas siempre resultan defraudadas. Pero la votación debe ser también un golpe para Estados Unidos, cuyo presidente ha mantenido su acostumbrada obediencia perruna a Netanyahu, suplicando en vano al mundo que siga la línea israelí-estadunidense: negociaciones directas de paz con los palestinos, aun si la construcción de colonias israelíes prosigue a un ritmo colosal, en vez de cualquier reconocimiento. Luego que Israel entregó a Hamas el enorme reconocimiento político de un cese del fuego, la semana pasada, Abbas necesitaba un reconocimiento infinitamente más importante para toda Palestina en las primeras horas de la mañana.

Los israelíes habían hecho circular entre los ministros del exterior del mundo sus esperanzas de que Palestina no sería reconocida en la ONU, y en privado sugerían toda clase de cochinadas si no se conceden sus deseos: construcción en masa de colonias, cese de toda negociación, mayor retención del dinero que se adeuda legalmente a la Autoridad Palestina. Pero, a decir verdad, son amenazas del Likud y de la derecha, más que de Israel. El país en conjunto –en especial la izquierda– no parece compartir esta visión del mundo. La paz a cualquier precio no sería un buen punto de partida, pero la paz al precio de Netanyahu no es atractiva para todos los israelíes.

Y para la mañana del sábado habremos descubierto si David Cameron se apegó a lo que parece ser el sentir de millones de británicos –una votación por Palestina en la ONU– o si prefirió el estatus de lord Blair, el de verdadero sirviente de la Casa Blanca y de Israel.

© The Independent

Traducción: Jorge Anaya

La Jornada: Golpe de Europa a Netanyahu

"Um pequeno passo para a ONU, um salto gigante para a humanidade".

Filed under: Israel,ONU,Palestina — Gilmar Crestani @ 8:13 am

ONU concede à Palestina o status de Estado observador

Resolução teve 138 países favoráveis, incluindo o Brasil, e 9 contrários

Para Israel, decisão desconsidera segurança do Estado judaico e não contribui para o processo de paz

Kathy Willens/Associated Press

O líder palestin oMahmoud Abbas (centro) após a votação

O líder palestin oMahmoud Abbas (centro) após a votação

RAUL JUSTE LORESDE NOVA YORK

A Assembleia-Geral da ONU aprovou ontem a elevação do status da Autoridade Palestina de "entidade observadora" a "Estado observador não-membro" -138 países votaram a favor, 41 se abstiveram e 9 (entre eles, EUA e Israel) foram contra.

É algo simbólico, pelo reconhecimento como Estado, mas a Autoridade Palestina continuará ainda sem direito a voto na ONU.

O Brasil votou a favor da resolução e "felicitou" a Palestina, em nota do Itamaraty.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, afirmou, após a decisão, que a resolução não significa que a organização não se preocupa com a segurança de Israel.

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e o representante de Israel, Ron Prosor, fizeram discursos agressivos.

"Chegou o momento para o mundo dizer claramente: basta de agressão, de assentamentos, de ocupação", disse Abbas, muito aplaudido.

O representante israelense disse que a resolução tinha apenas um lado, o palestino, e não falava nada sobre a segurança de Israel. Referindo-se a Abbas, disparou: "O senhor não pode visitar nem metade do seu território, Gaza, que é controlado pelo Hamas, uma organização reconhecidamente terrorista".

"Não viemos deslegitimar um Estado estabelecido há tantos anos, que é Israel. Viemos afirmar a legitimidade do Estado que agora precisa conquistar sua independência, a Palestina", disse Abbas.

Mas ele passou a maior parte de seu discurso atacando Israel, dizendo que o país jogou o processo de paz na "terapia intensiva", além de fazer "limpeza étnica" e de cometer crimes de guerra.

Falando logo após Abbas, o representante de Israel afirmou que a resolução deveria "encorajar os palestinos a entrar em negociações diretas sem pré-condições para alcançar uma paz histórica com um Estado palestino desmilitarizado que reconheça o Estado judaico".

"A segurança de Israel deve ser protegida e os palestinos devem reconhecer o direito à existência de Israel. Nenhum desses pontos está presente na resolução a ser votada de hoje. Esta resolução só tem um lado", criticou, pouco antes da votação. Foi bem menos aplaudido que o palestino pela plateia.

Para diplomatas europeus ouvidos pela Folha, além de reforçar o status da Palestina, a decisão de ontem altera uma pendência que sobrevive desde 1947.

Quando a partilha foi feita, previa-se a criação de dois Estados, um judaico e um palestino. Israel foi criado, mas o Estado palestino, não.

29/11/2012

Israel não quer se submeter à corte internacional. Por que será?

Filed under: Israel,Palestina,Terrorismo de Estado — Gilmar Crestani @ 8:15 am

Israel busca reduzir danos em voto na ONU

Assembleia-Geral das Nações Unidas deve aprovar hoje reconhecimento da Palestina como Estado observador

Estado judeu quer termos mais favoráveis, como o compromisso de que palestinos não irão a corte internacional

MARCELO NINIODE JERUSALÉM

Exatos 65 anos após a votação nas Nações Unidas que determinou a partilha da Palestina e levou à fundação de Israel, os palestinos vão hoje à organização em busca de reconhecimento que também conduza à independência.

Os palestinos pedirão à Assembleia-Geral da ONU que eleve o status de sua representação atual, de entidade observadora para Estado observador não membro.

Fortemente contrário à iniciativa palestina, mas ciente de que ela deve ser aprovada com grande maioria, o governo de Israel tenta "reduzir os danos", disse à Folha o porta-voz do Ministério do Exterior, Yigal Palmor.

Ele confirmou que Israel articula com os EUA a adição de elementos no texto a ser votado na ONU para evitar problemas futuros.

Entre eles, o compromisso dos palestinos de que não recorrerão ao TPI (Tribunal Penal Internacional), sediado em Haia, contra Israel.

Além disso, o governo israelense quer que a resolução deixe claro que o conflito só poderá ser resolvido por meio de negociações.

O novo status não significa o reconhecimento do Estado palestino.

Pelo direito internacional, o reconhecimento de Estados não se dá na ONU, mas por outros países. Ainda assim, é uma vitória da diplomacia palestina.

Desde a entrada na ONU, em 1974, os palestinos são representados pela OLP (Organização para Libertação da Palestina), que tinha o status de entidade observadora. Agora, serão elevados a Estado observador.

É menos do que foi tentado no ano passado, quando a proposta de que a Palestina fosse aceita como membro pleno da ONU foi vetada no Conselho de Segurança.

O status de Estado observador, semelhante ao do Vaticano, não garante direito a voto.

Mas a liderança palestina conta com ele para poder se filiar a agências multilaterais, ampliar a ação diplomática e fortalecer sua posição internacional diante de Israel.

"A votação na ONU dará início a um processo histórico de redenção e na Palestina", disse em Ramallah Hannan Ashrawi, membro do comitê executivo da OLP.

Os palestinos dizem que recorreram à ONU porque Israel continua ampliando os assentamentos em território ocupado e não está interessado em negociar uma solução. Israel os acusa de violar os acordos assinados com uma ação unilateral.

PLACAR

O suspense nas últimas horas, além do texto da resolução, foi saber quantos países acompanharão EUA no minúsculo grupo que vota não.

A expectativa é que a resolução seja aprovada com entre 150 e 170 votos dos 193 da Assembleia-Geral.

Na União Europeia, a França saiu na frente ao declarar seu voto favorável, mas não se chegou a um consenso no bloco. Ontem, Espanha, Portugal e Dinamarca seguiram o exemplo francês.

A Alemanha, maior país do bloco, votará contra. A grande dúvida é o Reino Unido, que balançou entre o sim e o não e ontem declarou um apoio sob condições.

Para o presidente palestino, Mahmoud Abbas, a iniciativa na ONU é um sopro de oxigênio, depois que seu rival, o grupo islâmico Hamas, saiu fortalecido politicamente da miniguerra travada com Israel em Gaza.

Os islamitas, que não reconhecem Israel, estão divididos. O plano aprovado em 29 de novembro de 1947 dividiu a Palestina entre um Estado árabe e um judeu.

Os líderes judeus aceitaram e fundaram Israel. Mas a liderança árabe rejeitou o plano e declarou guerra, reivindicando toda a Palestina.

25/11/2012

Israel x Palestina: eis a voz da razão, Gershon Knispel

Filed under: Gershon Knispel,Israel,Palestina — Gilmar Crestani @ 9:13 am

 

Memórias de uma ilusão fatal

Artista plástico que chegou à Palestina em 1935 diz que é preciso acabar ‘com essa história de Israel grande’ e derrubar ‘o muro da vergonha’

25 de novembro de 2012 | 2h 14

PAULA SACCHETTA – O Estado de S.Paulo

Toco a campainha da casa em Santana algumas vezes, mas com a música clássica em alto e bom som, que dá pra escutar do lado de fora, ele certamente não deve ouvir meu chamado. É o ateliê de Gershon Knispel, artista plástico, de 80 anos. Telefono e ele vem abrir a porta. Vai logo baixando o som, "desse jeito não dá nem pra conversar, mas a música é minha inspiração, sem ela não consigo trabalhar". Ele mora em um apartamento em Higienópolis com a namorada, mas passa o dia no ateliê.

Veja também:
link Peregrinos e sionistas
link Um elenco renovado

Gerson Knispel. Artista plástico, radicado em SP desde 1995 - Paula Saccheta/Estadão

Paula Saccheta/Estadão

Gerson Knispel. Artista plástico, radicado em SP desde 1995

De origem judaica, Gershon nasceu em Köln, na Alemanha, em 1932 e, aos 3 anos, mudou-se para a Palestina. Muitos acreditaram que Hitler não duraria tanto, mas seu pai sabia que aquele que havia chegado ao poder pelo Partido Nacional-Socialista em 1933 seria uma ameaça à família. E assim, na Palestina, entre árabes e judeus, começa a vida e a formação do simpático velhinho que hoje afirma ser "um pintor de protesto". Tudo que viveu permeia nossa conversa e nos rodeia em pinturas e gravuras espalhadas pelo sobrado de tijolo iluminado por luz natural. Entre quadros e aquários, ele me recebe com uma camiseta preta na qual dá para enxergar a etiqueta para fora com letras em hebraico. No momento está organizando sua obra para um livro que deve sair em abril, mas diz que odeia tudo que o faz parar de pintar. Humanista e humanitário, afirma que sua rotina é reagir. Um dos pioneiros na chegada dos judeus à "terra prometida", explica como testemunha da história a origem dos conflitos de hoje, nos quais judeus e árabes continuam se matando entre mísseis, homens-bomba e assassinatos seletivos.

A hostilidade de um gueto
"O grande erro naquela terra foi que os primeiros judeus que chegaram, russos e poloneses principalmente, vieram com uma cultura de gueto. Chegaram sentindo-se ameaçados e assim se isolaram. Cercaram suas casas com muros de madeira, pedras, sacos de areia. Compravam terras dos fazendeiros árabes endinheirados, os efêndis, que não avisavam os camponeses que nelas trabalhavam e iam embora para a Europa. Nelas, os judeus faziam os kibutzim (kibutz no plural), com muros, todos cercados. E foram, aos poucos, criando uma atmosfera hostil. Construíam torres, diziam que era para a caixa d’água, mas eram torres de vigilância. Tiravam as pedras e as usavam para cercar e delimitar o território de cada um. Expulsavam camponeses que trabalhavam nas terras e as cercavam. Esses pioneiros chegaram sem disposição para criar qualquer vínculo com aqueles que já moravam ali. Os alemães, que chegaram pouco depois, eram mais abertos, mas aí já era tarde.

Um outro povo na terra
"A partir desse choque e desse antagonismo foi surgindo um nacionalismo árabe. Os judeus recém-chegados tinham sindicatos e organizações, e os árabes, que começaram a se sentir mais fracos, queriam organizar-se também – e o fizeram. Além disso, a língua falada nas ruas passou a ser o hebraico e até o iídiche foi liquidado, pois era preciso fortalecer uma espécie de orgulho nacional. Toda uma cultura forte que existia na região foi ignorada e praticamente desapareceu. Quando cheguei à Palestina não conseguia falar hebraico direito. Falava alemão na rua e era chamado de nazista pelas outras crianças judias. Já com os vizinhos árabes a coisa era diferente: as casas deles estavam sempre com as portas e janelas abertas, não tinham muitos móveis, mas eram cheias de tapetes e almofadas onde podíamos nos encostar e deitar. As casas tinham mosaicos de azulejos coloridos e fontes no quintal. Era diferente da minha própria casa, onde a gente entrava com os pés sujos de lama e tomava bronca da mãe. Eles recebiam bem quem chegasse. Eu me comunicava com eles em árabe, o pouco que aprendi na rua com as outras crianças. Para mim já era claro: não haveria futuro se nos fechássemos. E eu queria me adaptar. Minha família se estabeleceu em Haifa, uma cidade portuária, de pequenas praias, e como meus pais não tinham muito dinheiro, ficamos na parte mais pobre da cidade. Todos os meus vizinhos eram árabes. Quando chegamos já havia outro povo na terra, não era um deserto. Tinha um povo que era nosso irmão e precisávamos respeitá-lo. E também eram donos daquela terra.

Dividir para reinar
"Nos anos 1930, judeus intelectuais da Palestina fundaram uma organização política, a Brit Shalom, que pregava a coexistência pacífica entre judeus e árabes. Era a primeira tentativa de negociação de paz na região. Pregavam que o maior inimigo era o mandato britânico e que os palestinos, árabes e judeus, precisavam se juntar pela paz permanente e tirar os ingleses da terra. Lutavam pelo estabelecimento de um Estado binacional onde árabes e judeus tivessem direitos iguais. Abdicavam do sonho sionista da criação de um Estado puramente judeu. Mas não conseguiram, pois já estava enraizada toda uma infraestrutura para tornar Israel um Estado judeu. O Grande Levante Árabe de 1936, que chega até nós, hoje, como um levante contra o povo judeu, era contra a Inglaterra e seu mandato na Palestina, contra o domínio colonial. Para piorar a situação, David Ben Gurion, que viria a ser o primeiro primeiro-ministro de Israel, inventou o conceito de ‘trabalho judaico’. Os camponeses expulsos de suas terras e sem trabalho nas cidades, já que judeus só empregariam judeus, começaram a sentir mais raiva ainda. Os conflitos começaram a se aprofundar e a Inglaterra, obviamente, usava isso a seu favor. Dividindo os povos, poderia dominar mais facilmente. Em vez de nos juntarmos, nos separamos. Ben Gurion chegou à Palestina em 1908, e os judeus alemães, mais ‘abertos’ à convivência com os palestinos, só nos anos 1920 e 30.

O primeiro choque
"Sou da chamada ‘geração de 1948’. Participei de cinco guerras como oficial do Exército, mas foi em 1953 que tive meu maior choque, que foi a morte de todo aquele idealismo pra mim. Aos 12 fui morar em um kibutz socialista ao norte de Israel. Meus pais ficaram em Haifa e fui recebido por Shlomo e Tzilla Rozen. Eu era do Mapam, o partido socialista sionista em 1953, quando um amigo me levou para visitar Nazaré. Passamos por um hotel para peregrinos que se chamava Casa Nova. Fiquei horrorizado. O hotel era sujo, tinha um cheiro horrível de urina e muita gente e colchões amontoados nos quartos. Comecei a andar pelos corredores e vi que conhecia a gente que estava ali. Eles eram de Maalul, um dos centenas de vilarejos tirados do mapa e apagados por Israel depois de 1948. Eles confirmaram que eram de lá, também me conheciam e estavam esperando, me disseram. Estavam naquela situação havia mais de cinco anos. Esperando o quê? Nas guerras contra o mandato britânico seus vizinhos do kibutz, o mesmo onde eu morava, os tiraram da aldeia para protegê-los, disseram. Eles ficariam longe de casa durante a guerra, mas voltariam depois, sãos e salvos. Cinco anos haviam se passado e eles continuavam esperando. Fiquei com raiva. Voltei ao kibutz e perguntei a Shlomo o que significava aquilo. Contei tudo que havia visto em Nazaré. Ele ficou branco e me respondeu: ‘Você conhece Ben Gurion? Ele é impossível. Não deixa que devolvamos as aldeias aos árabes’. Mas essas aldeias ainda existem?, perguntei. E ele: ‘Não vamos entrar em detalhes’. Mas por que então ele fazia parte do governo de Ben Gurion (Shlomo era ministro da Imigração)? ‘É melhor assim porque sem ele ficaremos pior’, respondeu. Rasguei a carteira do partido na cara dele e saí sem me despedir. Entrei no Partido Comunista logo depois.

Brasil, um painel e um passaporte
"Em 1958, Nina, que tinha sido minha namorada em Israel e veio para o Brasil com a família, me avisou de um concurso promovido pela TV Tupi para a execução de um mural no prédio deles. Eu já era artista plástico. Me inscrevi, mandei os croquis e venci. O painel ainda está lá: são índios de 7,5 metros de altura, no lugar mais alto de São Paulo, no Sumaré, onde hoje funciona a MTV. Uma vez no Brasil, me juntei ao pessoal do CPC, Centro Popular de Cultura, o Guarnieri, o Juca de Oliveira, o Augusto Boal e, entusiasmado com eles, fui ficando. Fiz uma gráfica para imprimir gravuras. O Brasil se tornou minha pátria também. Me juntei ao Partido Comunista com Mário Schenberg, Villanova Artigas e Oscar Niemeyer, que se tornou um amigo próximo. O prédio da MTV foi tombado recentemente, recebi a notícia com muita alegria. É uma garantia de que aquilo será preservado. Em 1964, no dia seguinte ao golpe militar, já comecei a ser procurado. Estava envolvido demais com o Partido Comunista e o CPC, era perigoso para eles. Peguei um cachimbo, tabaco, um passaporte e um talão de cheques e fui atrás de gente do Mapam, aquele mesmo partido do qual eu havia rasgado a carteirinha, em São Paulo. Tínhamos divergências, mas numa hora dessas eles precisavam me ajudar. Me transferiram para o Rio, onde ficava a Embaixada de Israel. Fiquei lá alguns dias e arranjaram um voo para Israel. De 1964 a 1986 morei em Haifa e trabalhei como conselheiro de arte da prefeitura. Em 1986, virei presidente do conselho dos artistas plásticos de Israel. Em 1987, 20 anos depois da Guerra dos Seis Dias, fizemos uma exposição com 67 artistas, metade árabes e metade judeus, contra a ocupação israelense de terras palestinas. Voltei ao Brasil em 1995 e fiquei.

Reféns de um Estado distante
"O problema é que a política do Estado de Israel, desde sempre, foi de derrubar tentativas de negociação de paz, pois eles não queriam um Estado palestino ou um Estado binacional. Nós, da geração de 1948, chegamos à conclusão de que a grande euforia por um Estado não levou em conta que iríamos nos tornar um país ocupante e, com o tempo, um país baseado nos princípios fascistas mais radicais. Temos agora uma bomba atômica e um muro de 650 quilômetros de extensão e 8 metros de altura. Nos jornais dos últimos dias, senti uma tristeza enorme ao ver fotos de israelenses procurando abrigo nas ruas das cidades bombardeadas. Afinal, os mísseis e foguetes que saíram de Gaza não passaram por cima do muro? Então para que ele serve? Serve para separar famílias, tornar o caminho dos palestinos mais difícil, e eles já estão fartos disso. Um pacifista israelense, Gershon Baskin, disse que o assassinato de Ahmed Jabari, líder militar do Hamas, foi um ‘erro estratégico’. Não foi um erro estratégico, é a estratégia de sempre. A estratégia é não querer a paz. Yitzhak Rabin (primeiro-ministro de Israel em 1974-1977 e 1992-1995) e Yasser Arafat (líder da Autoridade Palestina) representavam os maiores perigos para Israel, pois eram capazes de estabelecer uma paz de fato na região. Rabin foi morto por um judeu ortodoxo de extrema direita e Arafat terá seu corpo exumado ainda este mês porque suspeita-se que ele tenha sido morto por exposição a substâncias radioativas pelo serviço secreto israelense. Quando começaram esses últimos ataques jovens saíram às ruas aqui em São Paulo, na Av. Paulista, para protestar contra o Hamas. Eu me pergunto, o que eles estão fazendo? Aqui, por serem judeus, ficam reféns de um Estado que pratica essas atrocidades. Não têm o direito de votar lá, mas assumem, aqui, os crimes deles.

A ilusão final
"Manter Israel como é mantido hoje, como uma coisa única e completa, é suicídio. Hannah Arendt, em seu relato sobre o julgamento de Adolf Eichmann, nazista executado nos anos 1960, criticou a tendência dos israelenses de fazerem uma expansão desenfreada, criando uma situação em que todos os esforços se concentram em armas, transformando a cultura e o Estado ‘modelo’ que eles queriam em uma ilusão fatal. Quanto tempo, perguntou ela, vai durar um Estado que só sobrevive à base da força? Precisamos acabar com essa história de Israel grande, precisamos devolver os territórios ocupados e derrubar o muro da vergonha. Nossa geração, que achava que estava libertando o Oriente Médio do colonialismo, percebeu que aquilo era uma ilusão. Em 1956, na Guerra do Suez, eu era paraquedista e fui enganado. Derrubamos o projeto do Nasser para nacionalizar o Canal de Suez, que era legítimo. Achei que estava ajudando, mas foi uma aventura colonialista ao lado da Inglaterra e da França. Hoje somos usados de novo: Israel é o maior parceiro das aventuras imperialistas norte-americanas no Oriente Médio. E eu não paro de falar, escrever e pintar. Não paro porque é um bom jeito de ficar vivo."

Memórias de uma ilusão fatal – suplementos – alias – Estadão

24/11/2012

O muro da insensatez e do próprio isolamento

Filed under: Israel,Oriente Médio,Palestina — Gilmar Crestani @ 9:33 am

 

Un mundo nuevo y el Israel de siempre

Si Tel Aviv solo “gestiona” el conflicto pueden caer sus pilares de seguridad

Mark Leonard23 NOV 2012 – 00:05 CET

Benjamin Netanyahu está intentando demostrar que nada ha cambiado. Israel defenderá a sus ciudadanos igual que hacía antes de la primavera árabe. El lenguaje de los políticos israelíes, la brutal eficacia de su campaña de bombardeos y las cifras asimétricas de muertos recuerdan a otras campañas anteriores. Pero la dinámica política que rodea a este ataque no puede ser más distinta.

El presidente de Estados Unidos no está en el gabinete de crisis de la Casa Blanca, sino que se dedica a volar por Asia mientras prepara su giro hacia el Lejano Oriente. El presidente egipcio, Mohammed Morsi, no cerró la frontera, sino que envió a su primer ministro a Gaza en señal de solidaridad. Y los líderes regionales, de Catar a Túnez y Turquía, se han situado en medio de la escaramuza. Pero los israelíes no están reaccionando a este entorno nuevo con una estrategia diplomática creativa, sino que parecen insistir más que nunca en técnicas ya probadas.

En mi última visita a Israel, vi que los funcionarios hablaban de que su Gobierno, en los últimos años, ha pasado de trabajar para la paz a “gestionar el conflicto”. Han construido un muro para mantener encerrados a posibles terroristas y lanzan ataques periódicos para trastocar las operaciones militares de Hamás y Hezbolá. (Un funcionario dijo que estos intentos repetidos de neutralizar a Hamás eran como “cortar la hierba”). Todos los países tienen derecho a defenderse. Pero la violencia, mientras no forme parte de una estrategia política, no suele generar auténtica seguridad. El problema de todas estas operaciones militares es que crean una reserva cada vez mayor de resentimiento en la zona y erosionan el prestigio internacional del país.

Con Netanyahu, Israel está cayendo en una especie de triple escapismo —defensivo, geopolítico y económico— que aleja cada vez más a la nación del diálogo directo con los palestinos.

Israel está cayendo ahora en una especie de triple escapismo: defensivo, geopolítico y económico

Los muros de hormigón de casi diez metros de altura que recorren la barrera de seguridad de Israel no solo protegen a los israelíes de atentados terroristas. También les ocultan la realidad de su ocupación y han hecho que el Gobierno israelí evite todo tipo de negociaciones de las que se necesitan para lograr una paz duradera.

Hoy, muchos israelíes se niegan a celebrar negociaciones serias con los palestinos mientras estos no reconozcan el derecho de Israel a ser “un Estado judío”. Un alto oficial de los servicios de inteligencia del Ejército dice: “Antes pensábamos que esta era una disputa territorial, pero ahora hemos comprendido que en realidad es conceptual, sobre la legitimidad de la existencia de Israel como Estado judío”.

Isaac Rabin solía decir que trabajaría en el proceso de paz como si no hubiera terrorismo y combatiría el terrorismo como si no hubiera proceso de paz, pero a Netanyahu solo le ha interesado siempre la segunda parte de esa ecuación.

El segundo escapismo de Israel es geopolítico. La clase dirigente está preocupada por las repercusiones de las revueltas árabes, pero tiende a ver las expresiones de solidaridad de los nuevos dirigentes hacia los palestinos como gestos huecos. Sin embargo, Daniel Levy, un exasesor del primer ministro israelí Ehud Barak que hoy es investigador en el Consejo Europeo de Relaciones Exteriores, dice: “Es peligroso y equivocado suponer que los Estados árabes han retirado las sanciones económicas y las respuestas militares de la mesa para siempre”.

Un motivo por el que los israelíes no se toman en serio el riesgo de que sus vecinos emprendan acciones sustanciales es que muchos saben que su disputa con los palestinos queda empequeñecida al lado de conflictos más apremiantes como los que enfrentan a chiíes y suníes o a regímenes reformistas y contrarrevolucionarios.

Con Benjamin Netanyahu,

el país se aleja cada vez más del

diálogo con los palestinos

Los israelíes hablan de su temor al programa nuclear de Irán, pero también confían en que el sentimiento anti-iraní transforme la política regional. Los Estados artificiales creados por Occidente tras la Primera Guerra Mundial podrían venirse abajo y ser sustituidos por nuevas entidades formadas en función de tribus y sectas. “No es imposible imaginar que, con la región en pleno caos”, dice un miembro de la Knesset, “Irak, Siria y Jordania pudieran desaparecer y los palestinos se afiliaran a nuevas entidades”.

A varios analistas de inteligencia especializados en Oriente Próximo les parece absurdo obsesionarse con una solución de dos Estados basada en las fronteras de 1967 precisamente cuando las fronteras y las formas de Gobierno de todos los Estados de la región están a disposición de quien las quiera. Pero no se trata de eso. Sean cuales sean las fronteras de otros Estados, los palestinos siempre exigirán sus derechos como ciudadanos.

El escapismo económico constituye hoy el centro para el mundillo político de Israel. La clase dirigente del país ha creado un nuevo mito fundacional apropiado para una época de consumismo: el de la nación start-up de empresarios que llegaron al desierto a crear empresas de alta tecnología. Este país de siete millones de habitantes, en estado de guerra desde su fundación, sin recursos naturales, posee más compañías nuevas incluidas en el Nasdaq que Japón, China, India, Corea y Reino Unido, según Daniel Senor y Saul Singer. No obstante, los partidos de izquierda aseguran que las reformas económicas que han impulsado ese crecimiento han hecho que este país furiosamente igualitario se haya llenado de desigualdades y que el aumento de los precios y los recortes en los servicios estén afectando cada vez más a la clase media. Por eso, el año pasado hubo una protesta —denominada tentifada— contra el coste de la vida. Si la primera generación de Israel se dedicó a fundar el Estado y la segunda, a defenderlo con heroísmo de las agresiones externas, los israelíes actuales están preocupados por los precios de la vivienda y de alimentos básicos como el requesón.

La paradoja es que Israel se ha retirado del mundo en un momento en el que sus perspectivas de supervivencia a largo plazo se han vuelto más inseguras que nunca. La operación actual se denomina Pilar Defensivo. Es irónico que se produzca cuando los cuatro auténticos pilares de la seguridad del país están erosionándose: el recuerdo del Holocausto, su condición de única democracia en Oriente Próximo, su superioridad nuclear y militar de tipo convencional y la protección de Estados Unidos. La peor perspectiva para los israelíes sería que los palestinos les superaran como víctimas, los árabes como democracias y los iraníes en cuestión de armas; y, además, dejaran de ser centro de atención para Estados Unidos por su giro hacia el Pacífico.

Si Israel intenta protegerse retrocediendo a un mundo en el que imagina que se puede “gestionar” el conflicto y en el que la demografía y los asentamientos hacen que sea imposible negociar una solución de dos Estados, los pilares de su seguridad tendrán aún más probabilidades de derrumbarse. Por consiguiente, pese a todas las complejidades por las dos partes, que hacen que sea tan difícil lograr esa solución, no puede permitirse esperar hasta que surja un interlocutor más conveniente o una situación más estable. Necesita un acuerdo. Cuanto antes, mejor. Esa es la única manera de defender la seguridad de sus ciudadanos.

Mark Leonard es cofundador y director del Consejo Europeo de Relaciones Exteriores.
© Reuters.
Traducción de María Luisa Rodríguez Tapia.

Un mundo nuevo y el Israel de siempre | Opinión | EL PAÍS

Quantos votos valem um bebê assassinado?

Filed under: Benjamin Netanyahu,Israel,Palestina,Robert Fisk,Terrorismo de Estado — Gilmar Crestani @ 7:59 am

 

¿Qué se ganó, además de la relección de Netanyahu?

Robert Fisk

¿Para qué sirvió todo? El bebé palestino de 11 meses asesinado junto con toda su familia por un piloto israelí; los más de 150 palestinos muertos, dos tercios de ellos civiles, seis israelíes fallecidos, mil 500 ataques aéreos sobre Gaza, mil 500 cohetes lanzados contra Israel. ¡Qué simetría tan terrorífica! ¿Todo esto se hizo para que se nos olviden los miles de millones de dólares que Israel gastó para lograr un cese el fuego? No un tratado de paz, ni siquiera una tregua, antes de la próxima guerra contra Gaza.

Los cínicos abundan en Israel, no sin razón: Fin de la operación militar, comienza la campaña electoral, fue el encabezado de este jueves del diario Jerusalem Post, pese a que el rotativo dio su acostumbrado apoyo a la guerra contra Gaza.

Es seguro que la campaña del primer ministro Benjamin Netanyahu para las elecciones de enero comenzó en el momento en que ordenó el asesinato del líder militar de Hamas, Ahmed Jaabari, hace poco más de una semana.

En efecto, el bombardeo a Gaza se transforma sin transiciones en el proyecto de relección de Netanyahu: si lo que los israelíes quieren es seguridad, ya saben por quién votar.

¿De verdad lo saben? Fue evidente que después de que comenzó el cese del fuego la noche del miércoles, Netanyahu estaba preocupado.

Estoy consciente de que hay ciudadanos que esperaban acciones militares aún más duras, dijo. Pero los retos de Israel se han vuelto más complejos al transcurrir los años. Bajo estas condiciones debemos dar un golpe de timón hacia la responsabilidad de Estado con sabiduría. Muy interesantes las palabras que escogió, aunque ninguna fue digna de Churchill.

Durante años Netanyahu ha estado presionando con la cada vez más intensa colonización de Cisjordania con la construcción de asentamientos en tierras robadas a los árabes y negando, para todo efecto, la posibilidad de un futuro Estado palestino, con lo que ha dado un golpe de timón hacia una tempestad futura. Si los palestinos no logran un Estado, Israel no tendrá paz y los cohetes que hasta ahora ha lanzado Hamas serán una simple molestia comparados con lo que está por venir.

Benjamin Netanyahu, con toda seguridad, ha mejorado las posibilidades electorales de Hamas y, más o menos arruinado el futuro político de Mahmoud Abbas, quien es el interlocutor palestino aceptado tanto por Israel como por Estados Unidos. Abbas ha desperdiciado su tiempo en su palacio de Ramalá, volviéndose más irrelevante con cada ataque aéreo israelí. Por más que luche por el reconocimiento de Palestina como Estado no miembro de la ONU, si es que ese es todavía su plan, de todos modos no podrá igualar la nueva popularidad de Hamas ni la importancia que ahora tienen los nexos del grupo palestino con el presidente Mohamed Mursi de Egipto. Estadistas, por así llamarlos, de Egipto, Turquía y países del Golfo viajaron a Gaza para dar su apoyo moral a los palestinos, no a Ramalá.

De manera muy extraña, las políticas de autoengaño de las que Israel se alimenta con frecuencia desde la segunda guerra contra Líbano en 1982, por ejemplo, regresaron este mes. En Washington, el embajador israelí, Michael Oren, argumentó que la guerra contra Gaza comenzó en 1948, el día que las fuerzas árabes se movilizaron para destruir al recién declarado de Israel, pero esto no es verdad.

La guerra en Gaza comenzó cuando Israel expulsó a 750 mil palestinos de sus hogares en ese mismo año, y obligó a miles de ellos a instalarse en campos de refugiados en Gaza. Son los hijos y nietos de esos refugiados los que han lanzado proyectiles contra Israel, apuntando muchas veces a las tierras que alguna vez fueron propiedad de sus familias.

Pero Michael Oren continúa con su extraño recuento histórico. Al parecer, él cree que en 1948 los árabes estaban enardecidos por su extremismo religioso, y que la crisis de Suez de 1956, planeada con anticipación por Israel, Gran Bretaña y Francia después de que Nasser nacionalizó el canal, fue un intento árabe por destruir a Israel.

Este jueves Ophir Falk, del Instituto Internacional para el Contraterrorismo en la ciudad costera israelí de Herzliya, tuvo el descaro de escribir que el ejército israelí practicó la contención al limitarse a atacar únicamente a combatientes y sus instalaciones, mientras Hamas premeditadamente lanzó cohetes contra civiles israelíes y sus hogares.

Pero si los pilotos israelíes se limitaron a atacar a combatientes ¿por qué dos tercios de los más de 150 palestinos muertos eran hombres, mujeres y niños; no combatientes? ¿Tan mal entrenados están los pilotos israelíes?

Usted no entiende lo serio que son estos ataques de cohetes para nuestro pueblo, me regañó el jueves un funcionario del gobierno israelí. No estoy tan seguro, y me pregunto si él entiende lo serio que son los ataques israelíes para el pueblo palestino.

© The Independent

Traducción: Gabriela Fonseca

La Jornada: ¿Qué se ganó, además de la relección de Netanyahu?

22/11/2012

SSangue

Filed under: Israel,Palestina,Terrorismo de Estado — Gilmar Crestani @ 8:15 am

#Cartoon - Blood libel MY ASS! #Israel DO KILL #Gaza children in airstrikes! #GazaUnderAttack

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