Ficha Corrida

24/07/2016

Rede Globo, pró-CUnha, acusa ombudsman da Folha ser pró-Dilma

TPv7D31.tmpA cada dia que passa fica mais evidente a miséria dos nosso grupos mafiomidiáticos. Patrocinadores e condutores do golpe paraguaio, que transformou o Brasil numa República das Bananas, fazem das tripas coração para implantar, mediante a posse de notórios cleptocratas, uma plutocracia à sua imagem e semelhança. Um dia depois de Globo atribuir a blog pró-Dilma a descoberta da fraude da Folha, a própria Folha, por sua ombudsman admite a manipulação. Aliás, tem de não ter noção do ridículo acusar The Guardian e tantos outros veículos internacionais de serem pró-Dilma. Fica evidente, inclusive, que a Rede Globo não convive bem com a verdade, muito menos com a diversidade de opiniões.

Tanto mais vestem o figurino de acusação, mais revelam o material de que são feitos. A Rede Globo, que busca capturar o Poder Judiciário mediante a farta distribuição de estatuetas e a premiação via Innovare, é mão que balança a democracia.

A Rede Globo tem seu DNA contaminado pelo golpismo. Desde 1954, contra Getúlio Vargas, em 1964 ajudou a implantar a ditadura que a Folha chama de ditabranda. Há uma longa ficha corrida da Globo envolta em microgolpes. O golpe da manipulação do debate entre Lula & Collor, que a Globo editou para favorecer o cleptomaníaco das Alagoas. Depois envolveu-se no Escândalo da Proconsult para roubar votos do Brizola. A contínua manipulação do noticiário segundo a Lei Rubens Ricúpero, revelada no Escândalo da Parabólica.

Ao se escalar como advogada da Folha de São Paulo, a Rede Globo não mencionada a parceria de ambas no Jornal Valor Econômico, mas, principalmente, no golpe paraguaio. São ambos filiados ao Instituto Millenium por meio do qual  cavalgam a manada de midiotas que saíram às ruas com a camisa da CBF para derrubar Dilma e colocar Eduardo CUnha e Michel Temer em seu lugar.

Se alguém ainda tinha dúvida de onde foi engendrado, adubado e vendido o golpe basta observar a defensa enfática que fazem de Michel Temer, Aécio Neves, Renan Calheiros, José Sarney, José Tarja Preta Serra e Michel Temer.

Globo diz que fraude da Folha é invenção de blogs ‘pró-Dilma’

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Jornalista Miguel do Rosário, do blog O Cafezinho, critica a postura do jornal da Família Marinho, que afirmou que fraude da Folha de esconder números de sua própria pesquisa e divulgar uma interpretação diametralmente oposta ao realmente apurado é coisa de blogueiros pró-Dilma; ele cita exemplos de jornalistas internacionais, como Glenn Greenwald, ganhador do Pullitzer, e Alex Cuadros, autor de um best-seller sobre o Brasil; que criticaram a fraude

24 de Julho de 2016 às 08:30 // Receba o 247 no Telegram Telegram

Por Miguel do Rosário, O Cafezinho Os correspondentes internacionais estão experimentando na própria pele o que os blogueiros vem passando há anos.

Críticas à imprensa corporativa, que numa democracia deveriam ser consideradas como algo que ajuda a própria imprensa a se aperfeiçoar e, sobretudo, como um incentivo à a liberdade de imprensa, são quase criminalizadas no Brasil.

Olhe como a Globo tratou a denúncia de fraude da Folha, fraude que consistiu em esconder números de sua própria pesquisa e divulgar uma interpretação diametralmente oposta ao realmente apurado.

A denúncia da fraude da Folha foi feita pelo ganhador do Pullitzer, principal prêmio de imprensa nos Estados Unidos, o jornalista que enfrentou o serviço secreto mais poderoso e mais perigoso do mundo, a NSA, para divulgar informações vazadas por Edgar Snowden.

O jornalista, Glenn Greewald, publicou não apenas uma, mas duas reportagens denunciando a fraude.

Folha comete fraude jornalística com pesquisa manipulada visando alavancar Temer
A fraude jornalística da Folha é ainda pior: surgem novas evidências

Em seguida, a denúncia foi repercutida pelo El País, principal jornal da Espanha e um dos maiores jornais do mundo (conservador, diga-se de passagem).

Datafolha faz perguntas diferentes em pesquisas de abril e julho e levanta controvérsia

O jornalista americano Alex Cuadros, um tuiteiro ativo, autor de um best-seller elogiado pelo New York Times sobre o Brasil (o livro Brazillionaires), resolveu entrar na polêmica, e postou uma série de comentários críticos à Folha e à imprensa brasileira. São comentários argutos, refinados, que mereciam ser objeto de reflexão. Eu reproduzo alguns deles aqui.

Observe que Cuadros é um cara que quer acreditar na imprensa brasileira.  Não é um blogueiro político (como eu) já traumatizado por anos de análise das manipulações da mídia. Ele inicialmente atribui a fraude a uma infelicidade qualquer do editor, a um erro de julgamento de jornalistas tomados de paixão partidária.

É um naïf.

Percebe-se claramente a evolução de sua perplexidade. O final da história, que conto depois das imagens abaixo, é divertido.

Globo diz que fraude da Folha é invenção de blogs ‘pró-Dilma’ | Brasil 24/7

Folha para quem precisa de Falha

A Folha errou e persiste no erro deste a ditadura militar. O seu apoio à ditadura não se resumiu em reporcagens patrocinadas pelos ditadores, mas também emprestou suas peruas para ajudar a esconder os corpos que haviam sido objeto de tortura, estupro, morte e esquartejamento nos porões do DOI-CODI. Carros da Folha ajudavam a esconder em valas comuns do Cemitério de Perus os corpos que na noite anterior tinham sofrido sevícias na presença, como disse a Comissão da Verdade, dos patrocinadores da OBAN.

Como diz um ditado chulo, o que é um peido para quem está cagado? Isso explica o erro e a persistência nele. A Folha não errou. Ela distorce deliberadamente. Foi assim com a ficha falsa da Dilma, com a desfaçatez de chamar ditadura de ditabranda. A Folha e a Rede Globo são os idealizadores do golpe paraguaio. Transformaram uma República numa Ré Pública, não por acaso são parceiros no jornal Valor. Não praticam jornalismo, mas golpismo, que é ainda pior que banditismo.

Como na fábula da rã e do escorpião, é da natureza da famiglia Frias o ódio à democracia e o patrocínio ao CCC, agora no figurino de Lula e do PT. Todos os que odeiam Lula e o PT tem abrigo garantido, como é o caso do Toxicômano das Alterosas e o Tarja Preta da Lava Jato, sem contar Kim Kataguiri, do MBL, religiosamente finanCIAdo para adestrar a malta que vestia camisas verde-amarelas com escudo da ilibada CBF para irem ao Parcão de Porto Alegre pedir golpe na Dilma para colocar em seu lugar Eduardo CUnha, Michel Temer e Renan Calheiros. Sim, nisso pelo menos há coerência. Imagine se seria possível a Folha insuflar apoio a pessoas honestas. Nem aqui nem na Barão de Limeira…

paula cesarino costa

ombudsman

paula cesarino costa

Está na Folha desde 1987. Foi Secretária de Redação e editora de Política, Negócios e Especiais. Chefiou a Sucursal do Rio até janeiro de 2016. Escreve aos domingos.

A Folha errou e persistiu no erro

24/07/2016 02h00

Mais opções

Fundado em 1983, o instituto de pesquisas Datafolha, pertencente ao Grupo Folha, acumulou um patrimônio de qualidade técnica, arrojo de abordagem e interpretação de dados isenta. Sua credibilidade foi construída em trabalho conjunto com a Redação. Introjetou-se de tal forma no jornal que uma crítica antiga à Folha é a de ser um jornal "data-dependente".

Dito isso, é preciso reconhecer que a semana que passou foi amarga para o Datafolha e para a Folha.

Desde que assumi o mandato, nenhum assunto mobilizou tanto os leitores. Do total de mensagens recebidas desde quarta-feira, 62% foram críticas e acusações ao jornal.

Variavam de fraude jornalística e manipulação de resultados a pura e simples má-fé, passando por sonegação de informação e interpretação tendenciosa.

A questão central está na acusação de o jornal ter omitido, deliberadamente, que a maioria dos entrevistados (62%) pelo Datafolha se disseram favoráveis a novas eleições presidenciais, em cenário provocado pela renúncia de Dilma Rousseff e Michel Temer.

Optou por destacar que 50% preferiam a permanência de Temer à volta de Dilma, em questão que, mesmo sem haver essa hipótese, 3% disseram defender novas eleições.

As perguntas 11, 13 e 14 do questionário do Datafolha (leia a seguir) tornaram-se objeto de vigorosa controvérsia.

Os sites The Intercept, do jornalista Glenn Greenwald, e Tijolaço, do jornalista Fernando Brito, acusaram a Folha de "fraude jornalística com pesquisa manipulada visando alavancar Temer".

Em trabalho complementar, comprovaram que o jornal omitira da reportagem e do questionário divulgado no site do Datafolha questão proposta aos entrevistados sobre a convocação de novas eleições.

Outra pergunta também foi omitida. Esta pedia aos entrevistados que avaliassem se o processo de impeachment está seguindo as regras democráticas e a Constituição: 49% disseram que sim; 37% que não.

Para alimentar teorias conspiratórias, revelou-se que o Datafolha colocou em seu site mais de uma versão do relatório da pesquisa polêmica, sendo que em só uma delas constavam as duas perguntas. O instituto explica que faz um relatório completo para a Redação, mas divulga no site apenas o que saiu no jornal. No caso, o primeiro documento continha, por falha, título sobre a pergunta 14, ausente do relatório por não ter sido usada.

Diante da polêmica, Folha e Datafolha optaram por divulgar link para o relatório completo.

Reveladas as omissões e estabelecida a confusão, o editor-executivo do jornal, Sérgio Dávila, disse que o resultado da questão sobre a dupla renúncia de Dilma e Temer não pareceu especialmente noticioso, por repetir uma tendência, além de o jornal considerar tratar-se de cenário político pouco provável.

Leitores discordaram: "A Folha me pareceu escapar pela tangente, com respostas vagas", disse Eduardo Ottoni. "Os argumentos chegam a ser até um insulto à inteligência do leitor", afirmou Márcia Meireles. "A Folha errou, é tão grave assumir seus erros?", questionou.

A ombudsman resumiu as críticas dos leitores ao editor-executivo. Dávila argumentou que "o único cenário concreto à frente é o Senado decidir se Dilma Rousseff volta a exercer o cargo de presidente da República ou se Michel Temer continua a exercê-lo. Não há terceira opção além dos dois desfechos possíveis. (…) Faz parte da boa prática jornalística não publicar o que é pouco relevante".

Dávila lembrou que a Folha frequentemente publica uma fração das pesquisas, "nunca sua íntegra".

Discordo em muitos pontos do editor-executivo. Quando a Folha, em editorial de Primeira Página em 3 de abril, defendeu a renúncia de Dilma e de Temer e a convocação de nova eleição, também esse não era um cenário provável.

Se a possibilidade de dupla renúncia não era mais levada em conta, por que então a questão foi incluída na pesquisa? O questionário já foi elaborado nesse cenário. A repetição de tendência como argumento para não publicar o resultado é incoerente com a prática do jornal por anos a fio.

Quando secretária de Redação e editora de Política, participei da elaboração de incontáveis questionários de pesquisas Datafolha. Com a limitação técnica de quantidade de perguntas, cada uma precisa ser muito bem pensada e escolhida. Não há justificativa para colocar uma pergunta e depois ignorá-la.

Na crítica que circula diariamente na Redação, questionei a abordagem da pesquisa, feita pelo jornal, subaproveitando temas políticos, ao destacar em manchete o otimismo com a economia. Reveladas as omissões, lamentei a forma como o jornal enfrentou a polêmica. Sugeri que reconhecesse seu erro editorial e destacasse os números ausentes da pesquisa em nova reportagem.

A meu ver, o jornal cometeu grave erro de avaliação. Não se preocupou em explorar os diversos pontos de vista que o material permitia, de modo a manter postura jornalística equidistante das paixões políticas. Tendo a chance de reparar o erro, encastelou-se na lógica da praxe e da suposta falta de apelo noticioso.

A reação pouco transparente, lenta e de quase desprezo às falhas e omissões apontadas maculou a imagem da Folha e de seu instituto de pesquisas. AFolha errou e persistiu no erro.

PERGUNTA 13 – Pergunta 13: Na sua opinião, o que seria melhor para o país: que Dilma voltasse à Presidência ou que Michel Temer continuasse no mandato até 2014? Em %

Pergunta 14 – Uma situação em que poderia haver novas eleições presidenciais no Brasil seria em caso de renúncia de Dilma Rousseff e Michel Temer a seus cargos. Você é a favor ou contra Michel Temer e Dilma Rousseff renunciarem para a convocação de novas eleições para a Presidência da República ainda neste ano?

Pergunta 11 – Na sua opinião, o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff está seguindo a regras democráticas e a Constituição ou está desrespeitando as regras democráticas e a Constituição?

11/10/2015

A última cartada da Folha

Filed under: Folha de São Paulo,Jornalismo de Aluguel,Manipulação,Ombudsman Folha — Gilmar Crestani @ 8:29 am
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folha mente, diaria mente, cotidiana mentte, covarde mente, criminosa mente putariaNão podendo mais disfarçar seu jornalismo de aluguel, Folha decide construir hotel para hospedar seus patrocinadores. E assim a “informação”  made in Folha põe seu preço na praça. Para despistar, decide que os lençóis dos finanCIAdores ideológicos serão de cores diferentes. É uma escolha que aposta no leitor daltônico. É o jabá acompanhado de justificativa.  Sorte da Folha que ainda há espaço para amestrar midiotas. Azar da Folha é que seu tempo, como o da Globo, está acabando. O expectador passivo está acabando. E a mentira ficou com pernas ainda mais curtas.

Como seus varões da república estão todos no puteiro, restou à Folha a busca por uma saída à francesa. De qualquer sorte, fica provado que os grupos mafiomidiáticos sempre prontos a darem lição de administração, estão falindo.

Pedalada na ética é sua última quimera.

ombudsman

    VERA GUIMARÃES MARTINS – ombudsman@uol.com.br@folha_ombudsmanfacebook.com/folha.ombudsman

    Parece, mas não é

    Em busca de novas fontes de renda, jornal anuncia núcleo para produzir conteúdo patrocinado

    A FOLHA anunciou nesta semana a criação do Estúdio Folha, um departamento independente destinado a produzir conteúdo feito sob medida para anunciantes. Segundo reportagem publicada na quarta (7), trata-se de uma unidade totalmente desconectada da Redação, com equipe própria e subordinada à superintendência da empresa, instância responsável pelo departamento de venda de publicidade.

    A iniciativa se filia a um movimento feito por veículos de comunicação de várias partes do mundo (incluindo os só digitais) de buscar novas fontes para compensar o faturamento perdido nos últimos anos.

    É questão de sobrevivência. A internet provocou uma disrupção no modelo de negócio dos jornais, com consequências aparentemente contraditórias: ao mesmo tempo em que multiplicou exponencialmente seus leitores, solapou sua estrutura de sustentação financeira –registre-se que com a ajuda dos próprios meios, cujos sites num primeiro momento passaram a entregar de graça o conteúdo até então vendido.

    E não dá nem para dizer que foi um erro. O potencial e as incógnitas da tecnologia pareciam então não deixar saída, assim como as interrogações sobre o futuro do impresso parecem não deixar agora. O digital é caminho sem volta, mas ainda não desenvolveu musculatura para sustentar os custos da produção de notícias. A conta precisa fechar.

    A entrada dos jornais na seara do conteúdo pago é um terreno delicado, que esbarra no que o jargão jornalístico costuma chamar de "separação entre Igreja-Estado", metáfora que simboliza a independência da Redação diante do departamento comercial (não me perguntem quem é quem na metáfora). A criação de uma unidade à parte é um imperativo para sinalizar ao leitor que a separação continua e não pôr em risco a credibilidade do jornal.

    A rigor, o que essas unidades produzem é publicidade embalada em técnicas e aparência jornalística: é reportagem, mas pauta e conteúdo são aprovados pelo anunciante.

    Explica a direção: "O material produzido tem apresentação (o formato e o tamanho da letra, a diagramação da página) diferente da exibida no conteúdo editorial. Além disso, ele sempre destaca o patrocínio do anunciante e ostenta o selo do Estúdio Folha. Tudo isso é feito para que o leitor compreenda que esse material não é um produto da Redação, e sim um conteúdo de natureza publicitária."

    Tenho sérias dúvidas sobre essa compreensão. Primeiro porque não creio que a maioria do leitorado consiga fazer distinção entre sutilezas gráficas. Depois porque a própria Folha adota diagramações diferentes em especiais tradicionais, embora mantenha sempre a mesma letra no texto.

    Além disso, o termo "patrocinado por" já é tradicionalmente usado com outra conotação: patrocinar não implica poder de interferir no conteúdo, como ocorre na chamada publicidade nativa –que continua sendo publicidade, só que produzida pelo próprio veículo com figurino de texto noticioso.

    Não acho que o conteúdo por encomenda seja um problema per se, desde que sua condição seja exposta de forma transparente e com clareza tal que não haja risco de o leitor confundir gato com lebre. Minha impressão é que essa clareza está longe de ter sido garantida.

    Ombudsman tem mandato de 1 ano, renovável por mais 3, para criticar o jornal, ouvir os leitores e comentar, aos domingos, o noticiário da mídia
    Fale com a Ombudsmanombudsman@grupofolha.com.br / tel. 0800-015 9000

    19/07/2015

    Folha quer reserva de mercado para patifaria

    folhChupa, Vera e verás que pimenta no olho dos outros, como diria a dupla Beto Richa & Fernando Francischini, é refresco. Quem pensa que a ombudsman está do lado dos leitores pode ir tirando o cavalinho da chuva. A Folha é feita com tintas da hiPÓcrisia. Aliás, está aí um tempo que merece outro acróstico, as lides do PÓ. Ou eles pensam que todo mundo é idiota, descerebrados, anencefálicos ou não estão nem aí para os fatos, o que importa é o ódio que eles têm para destilar contra quem eles elegem por inimigos.

    Aliás, a Folha já publicou anúncio cifrado para denunciar quem via que tinha alguma mutreta para denunciar. Pior, como mostra a imagem, a Folha sempre dá um jeito de colocar na capa imagem de seus adversários políticos ligados a crimes que eles não cometeram. Por que de repente a Folha e a própria ombudsman se voltam contra prática de que são useiros e vezeiros?! A ombudsman anterior, Susana Singer, publicou coluna em que denuncia a Folha por inserir áudio em vídeo que era mudo. E quando a Folha publicou que Lula havia entrado com pedido de habeas corpus, uma mentira. E a Ficha Falsa da Dilma? Se formos pesquisar quantas vezes a Folha adulterou, principalmente nas declarações em off inexistente, teríamos de criar um site só pra isso.

    A propósito, onde está a reportagem da Folha denunciando as milhares de assinaturas da Folha, Veja e Estadão distribuídas nas escolas públicas de São Paulo pelos sucessivos governos do PSDB?!

    A única lição que fica da invectiva da dona Vera, para além das coincidências, é que a Folha quer reserva de mercado para suas patifarias.

    OMBUDSMAN

    VERA GUIMARÃES MARTINS – ombudsman@uol.com.br@folha_ombudsmanfacebook.com/folha.ombudsman

    Desrespeito

    Como é possível considerar válido ou divertido enxertar uma grosseria em um texto de obituário de jornal?

    O que se passa na cabeça de alguém que decide perpetrar uma frase grosseira no obituário de uma assistente social de 87 anos?

    Por quais razões alguém consideraria, já nem digo ético, mas lícito e válido ocultar um insulto num texto concebido para prestar a última homenagem pública a alguém que morreu recentemente, cuja família vive momentos de perda e de luto?

    É o que eu gostaria de ter perguntado ao ex-repórter Pedro Ivo Tomé, caso ele tivesse concordado em falar comigo sobre o acróstico "chupa Folha", formado pela primeira letra de cada parágrafo do último obituário que escreveu para este jornal. Tomé foi procurado várias vezes, mas preferiu sair pela tangente.

    Resumo para quem não leu sobre o caso: o acróstico saiu publicado na última segunda (13) no caderno "Cotidiano". Seu autor, advogado por formação, trabalhava no jornal desde 2012 e, nos últimos dois meses, havia assumido a seção do obituário, que, todos os dias, relata em poucas linhas a história de vida de alguém que morreu recentemente.

    Há cerca de duas semanas, Tomé pediu demissão e disse que pretendia retomar a carreira original. Deixou alguns obituários prontos, o último deles com o acróstico, que passou despercebido e foi publicado.

    Nada mais natural: 1) o repórter contava com a confiança de seus editores e, portanto, da empresa; 2) sua saída foi amistosa, sem nenhuma insatisfação ou frustração aparentes e 3) quem procuraria pegadinhas em jornal se não soubesse de antemão que alguém as colocou ali?

    Dois dias depois da publicação, a revelação da duvidosa façanha se espalhou pela internet, não se sabe se vazada pelo próprio autor ou por algum amigo. Fez a festa em blogs voltados para jornalistas, que descreveram a atitude como "brincadeirinha", "saída em grande estilo", "criativa", "original", "inusitada".

    Recurso poético do século 16, o acróstico não é original ou criativo nem para ocultar um insulto. O caso mais recente de que me lembro é de outubro de 2009, quando o então governador Arnold Schwarzenegger enviou à Assembleia Legislativa da Califórnia uma carta em que as primeiras letras de cada linha formavam a frase "fuck you".

    O mais surpreendente (ao menos para mim) é que, nas primeiras horas, a atitude só ganhou elogios e curtidas. Nenhuma menção à falta de ética jornalística, ao desrespeito aos leitores e à personagem, à quebra de confiança profissional.

    Sumido desde então, Tomé me enviou uma mensagem na quinta (16) à noite. Nela não fala sobre o acróstico ou suas razões e diz lamentar que seu texto tenha sido interpretado como ofensivo. "Optei por sair do jornal, onde aprendi muito, tive excelentes editores e fiz grandes amigos, para buscar novos desafios."

    Sugiro um desafio para começar, Tomé: responda por quê.

    Endosso aqui o pedido de desculpas que a direção do jornal enviou à família da personagem e reproduzo parte da nota oficial divulgada:

    "A Folha condena veementemente a atitude antiprofissional de Pedro Ivo Tomé. Ao usar uma reportagem para nela esconder uma mensagem ofensiva, ele foi irresponsável e antiético. Além disso, desrespeitou os leitores da Folhae os familiares da pessoa falecida que era personagem do texto. O jornal estuda ações legais que tomará contra o ex-funcionário."

    19/10/2014

    Ombudsman reduz a liberdade de expressão da Folha ao que ela é: uma ditabranda!

    ditabrandaOMBUDSMAN

    VERA GUIMARÃES MARTINS – ombudsman@uol.com.br@folha_ombudsmanfacebook.com/folha.ombudsman

    O voto que só não diz o nome

    Saída do colunista Xico Sá  põe em xeque os critérios do que a Folha considera proselitismo político

    Onde termina a liberdade de opinião e começa o proselitismo partidário? A Folha tropeçou ruidosamente na questão nesta semana, com o pedido de demissão do colunista Xico Sá, de "Esporte".

    Na sexta (10), Xico enviou uma coluna em que declarava voto em Dilma Rousseff (PT). A Secretaria de Redação vetou, lembrando que o espaço não podia ser usado para isso: ele deveria mudar o texto ou publicá-lo na seção Tendências/Debates, na pág. A3. Ele rejeitou a proposta e anunciou sua demissão nas redes sociais, com posts em que acusava a "imprensa burguesa" de contar mentiras e investigar só um lado.

    Nunca chegou a acusar o jornal de censura, mas foi essa a versão que se espalhou, provocando indignação e, sobretudo, incompreensão dos critérios do jornal.

    "Poucos minutos de pesquisa revelarão dezenas de colunistas fazendo o mesmo em seus espaços cotidianamente. Meu Deus, a Folha publica semanalmente Janio de Freitas e Reinaldo Azevedo!", escreveu o leitor Marcel Davi de Melo, sintetizando o tom dos protestos.

    É realmente uma situação difícil de entender. Qualquer leitor atento é capaz de identificar as preferências dos colunistas, escancaradas nas defesas que fazem de um determinado candidato ou nos ataques ao seu adversário. Para a direção do jornal, porém, isso não se enquadra no conceito de proselitismo.

    "A crítica e o elogio a programas de governo, candidatos e partidos, bem como a expressão das inclinações político-ideológicas do colunista, não estão incluídos na restrição, que incide tão somente sobre proselitismo partidário (fazer propaganda de uma agremiação) e declaração de voto", explicou a Secretaria de Redação.

    Bem, mas achar que o ambiente político permite discernir uma coisa da outra é flertar com a irrealidade. Quem realmente acredita que atacar ou defender sistematicamente um partido, como fazem alguns colunistas, não é "fazer propaganda de uma agremiação"?

    Para piorar o que já é confuso, na mesma segunda-feira (13) em que se espalhou a notícia da demissão, o caderno "Eleições" publicou texto no qual Gregorio Duvivier declarava seu voto no PT. "Alguns podem e outros não?", perguntaram leitores.

    Nesse caso houve falha de controle, admitiu o jornal. Toda coluna é desembargada pelo editor ou por um secretário, e a de Duvivier escapou do filtro. O lapso é sintoma de que a sutileza do critério não foi bem compreendida nem internamente.

    A Secretaria de Redação diz que a regra foi estabelecida para prevenir que as colunas regulares do jornal se transformem em palanques em época de eleição. "Foi instituída também com a finalidade de estimular seus autores a estabelecer um diálogo qualificado com leitores de todos os matizes ideológicos e partidários, inclusive com aqueles, majoritários no público que lê a Folha, que não demonstram afinidades político-partidárias."

    Além de não evitar o palanque, a norma caducou diante da multiplicação de colunistas e do acirramento da polarização partidária. Soa ingênuo crer que todos os autores estão interessados em dialogar com leitores de todos os matizes ideológicos. Parte deles está contente em pregar só para a sua plateia.

    E soa contraditório que um jornal que se orgulha de pôr em prática a mais ampla liberdade de opinião tente enquadrar o pleno exercício dessa liberdade no capítulo final da saga eleitoral. É mais ou menos como tentar passar a tranca depois que a porta foi arrombada.

    Desde a quarta (15), estive procurando Xico Sá por telefone, e-mail e por um amigo em comum. Queria ouvir sua versão e pedir autorização para publicar no site a coluna suspensa, para conhecimento de todos os leitores. Não houve resposta.

    Xico é uma pessoa querida, mas não posso deixar de mencionar duas atitudes que me incomodaram no episódio de sua saída.

    A primeira é que sua "saraivada de posts de escárnio e maldizer nas redes sociais", como ele definiu em longa nota no Facebook, embolou na mesma vala de suspeição e descrédito todos os jornalistas. No seu "espasmo de ira", retratou os colegas como pusilânimes que se sujeitam a contar mentiras para produzir um "jornalismo safado".

    A segunda foi escrever que mentiu muito quando era repórter de Folha e "Veja" e que um dia vai contar "tudo o que sabe" sobre assuntos que os grandes jornais não deixam publicar. Conte mesmo, Xico. Insinuações vagas não melhoram o jornalismo, pioram a política e mancham sua biografia.

    08/10/2014

    Manchetômetro

     

    Manchetômetro: Folha bajulava FHC quando economia estava pior

    publicado em 7 de outubro de 2014 às 18:27

    Alta

    por João Feres Júnior, do Manchetômetro

    No dia 5 de outubro, dia da eleição, a ombudsman da Folha de S. Paulo publicou artigo com um estudo de valências das matérias publicadas na Folha a partir da escolha de Marina para concorrer à presidência na chapa do PSB.

    Tudo muito parecido com o que fazemos no MANCHETÔMETRO.

    Ninguém tem monopólio sobre a metodologia da análise de valências, que já foi testada no Brasil e no exterior, mas o artigo deixa de fazer referência a uma longa entrevista que dei à jornalista dias antes da publicação do estudo, que versou exatamente sobre esse assunto.

    No dia 30 de setembro chegou ao e-mail institucional do MANCHETÔMETRO mensagem de um preposto da ombudsman da Folha de S. Paulo, Vera Guimarães Martins, pedindo uma entrevista com o coordenador do site, esse que vos escreve, para “uma conversa sobre os critérios do estudo, a ser discutido na coluna desta semana”.

    Achei o método de comunicação um pouco estranho. No passado já havia trocado mensagens com a então ombudsman do jornal, Suzana Singer, sem que para isso fosse necessário o uso de intermediários.

    Pensei com meus botões: por que será que ela não me escreve diretamente? De qualquer forma, aceitei o convite, marcando para terça-feira à tarde uma conversa por telefone.

    No começo da entrevista ouvi ao fundo a voz da jornalista falar para uma outra pessoa ao lado uma frase que soou parcialmente ininteligível, mas na qual discerni a palavra “gravação”.

    Ato contínuo pedi a ela para que, se estivesse gravando, me enviasse uma cópia da entrevista, o que ela concordou em fazer.

    A conversa começou em tom cordial. Ela começou me dizendo que queria saber mais sobre a metodologia do MANCHETÔMETRO.

    Eu graciosamente descrevi como funciona nosso trabalho: uma análise de valência, ou sentimento (como dizem alguns autores), feita por meio da codificação manual dos textos, e com 3 níveis hierárquicos de checagem para dirimir dúvidas interpretativas.

    Ela me respondeu que era fácil determinar quando um texto era favorável ou contrário a um candidato ou partido.

    A conversa continuou, com mais explicações minhas quanto aos critérios de atribuição de valência que utilizamos.

    A uma certa altura, interrompi as explicações para perguntar à jornalista se seu objetivo na matéria era usar nosso trabalho para fazer uma autocrítica do jornal ou criticar o MANCHETÔMETRO.

    Eu disse a ela que minha impressão, baseada na leitura de sua coluna eventualmente e em troca de mensagens com a titular anterior, era de que o Ombudsman funcionava muito mais como um advogado do jornal frente ao público do que o contrário, que seria sua tarefa autoatribuída.

    Ela respondeu que era comum o Ombudsman ser acusado de tomar o partido do jornal, mas que sua intenção era usar o MANCHETÔMETRO como um instrumento de ajuda na avaliação da cobertura da Folha.

    Em seguida, passei a mostrar à jornalista que nossos resultados apontam para diferenças nas coberturas dos diferentes meios pesquisados, ainda que todos revelem um viés anti-Dilma e anti-PT. Disse até que o viés da Folha é menor, se comparado aos de Estadão e O Globo. Ela respondeu que tinha dúvida se o “viés era anti-Dilma ou se o viés era anti-governo”.

    Eu alegremente redargui que foi exatamente para responder essa dúvida que fizemos a análise comparando os pleitos de 1998 e de 2014.

    Ora, naquela eleição o candidato da situação, Fernando Henrique Cardoso, concorria à reeleição. Havia uma terceira força, Ciro Gomes, e o embate principal era entre PT e PSDB, como também por boa parte do atual processo eleitoral.

    Os resultados narrados por mim são sintetizados no gráfico abaixo, que se encontra em nossa página http://www.manchetometro.com.br/analises-1998/analises98-jornais/:

    Captura de Tela 2014-10-07 às 18.30.56

    *****

    Como mostram os dados, a cobertura de 1998 na Folha foi amplamente favorável ao candidato da situação, contrariando a tese da Ombudsman da Folha de S. Paulo.

    FHC teve uma taxa de contrários sobre neutros de menos de 23%, ou seja, menos de 1:3. Lula, seu principal adversário, teve quase 92%, isto é, praticamente uma notícia negativa para cada neutra.

    Proporcionalmente, Lula teve cobertura quatro vezes mais negativa do que seu contendor da situação.

    FHC ainda teve uma taxa de 40% de favoráveis sobre neutros, enquanto Lula amargou 17%.

    Dilma, esse ano em posição análoga a FHC no pleito de 1998, tem uma taxa de praticamente 50% de contrários sobre neutros, o dobro de FHC, e 1,7 % de favoráveis sobre neutros, quase 23 vezes menor que a do candidato tucano e então presidente do Brasil.

    Ao ouvir esses dados, a Ombudsman engasgou. A voz ficou um pouco titubeante.

    Mas ela logo se saiu com o argumento de que há outros fatores que devem ser levados em conta, particularmente o “desgaste natural do poder, que sempre tem”. Eu respondi que o PSDB estava em 1998 há 8 anos no poder, e ela objetou que a “Dilma está há doze”.

    Eu disse que não era tão diferente, mas ela insistiu que era 50% a mais.

    Apontei então para o caráter precário do novo argumento, pois ou o jornal tem uma predisposição contra a situação razoavelmente constante, tese que foi refutada com a análise de 1998, ou há um tempo a partir do qual o desgaste do partido no poder leva a um aumento do nível crítico da cobertura.

    Não dá para ser as duas coisas ao mesmo tempo.

    Pois se o argumento da ombudsman sugere que acontece algo mágico entre 8 e 12 anos, e o jornal passa do tom laudatório, como fez com FHC em 1998, à crítica acerba, então isso não se verificou com o PT.

    Basta tomar o pleito de 2010 como exemplo, pois nessa ocasião o PT acumulava 8 anos na presidência, isto é, como o PSDB em 1998. Não disponibilizamos ainda esse estudo no site do MANCHETÔMETRO, mas reproduzo abaixo gráfico com a cobertura dos candidatos na Folha de S. Paulo em 2010:

    Captura de Tela 2014-10-07 às 18.31.04

    *****

    Como se pode ver, o desequilíbrio contrário a Dilma e ao PT em 2010 é muito similar àquele que verificamos atualmente. A proporção de contrários sobre neutros nas capas da Folha foi de 57% para a candidata do PT e de menos de 40% para Serra, naquele pleito. Em suma, não é o desgaste temporal da situação que explica o comportamento enviesado do jornal.

    No seu Manchetômetro do B, publicado na edição impressa de domingo (5/10/14), a ombudsman constata o viés contrário à Dilma e ao PT, campeões de negativas na primeira página, em manchetes e nas reportagens internas, tanto em números absolutos como em comparação a outros candidatos e partidos. Mas no texto que circunda os gráficos ela tenta justificar esse fato.

    O argumento principal apresentado por ela é que a Folha de S. Paulo cumpre o papel de contrapoder, ou seja, que o desequilíbrio da cobertura não é viés contra o PT.

    Literalmente, ela diz que Dilma é mais “fustigada” porque ocupa o “cargo mais alto do país”. Isso é um pouco surpreendente, pois eu já havia mostrado à jornalista que a análise do pleito de 1998 joga essa tese por água abaixo.

    A tal ideia ela adiciona algo que não havia dito a mim na entrevista: que as críticas desproporcionais devem-se a “índices econômicos ruins”, pois, ela lembra o leitor: “a economia é item de primeira necessidade no noticiário”.

    Mais uma vez um argumento que não tem suporte na realidade dos fatos.

    Voltemos à eleição de 1998. Usando o poder racional da inferência, podemos concluir que, se a tese da economia se verifica, uma vez que a situação de reeleição está presente, então o tratamento favorável dado a FHC deve ser atribuído à melhor situação econômica daquele momento, se comparado ao atual.

    Tal inferência, contudo é falsa. Vejamos os números das principais variáveis da economia.

    De fato, a inflação no IPCA em 1998, 1,65%, foi menor do que a prevista para o ano corrente, de 6,3%, ainda que essa esteja dentro do teto da meta.

    Mas todos as outras variáveis econômicas são desfavoráveis a 1998, em comparação a 2014.

    A taxa de desemprego nas regiões metropolitanas era de 18,6% e agora caiu para 10,8%.

    O crescimento econômico foi 0% naquele ano, e esse ano a previsão é de 0,9% – baixo, mas ainda assim superior à estagnação completa de 1998.

    A taxa de juros básica da economia flutuou intensamente em 1998 chegando a atingir 49,7%, enquanto que em 2014 ela variou de 10% a 11% ao longo do ano.

    Eram necessários 6,5 salários mínimos na época para se manter uma família de 4 pessoas, segundo cálculo do DIEESE. Hoje esse índice é de 3,9 salários mínimos.

    Em suma, se a tese dos “índices econômicos ruins” vigorasse, FHC teria sido alvo de uma cobertura muito mais negativa em 1998 por parte da Folha, mas não foi.

    Não pude, contudo, demonstrar a inadequação desse argumento econômico pois ele não foi usado durante a entrevista.

    Na verdade, ao ter suas duas teses principais refutadas, a do contrapoder e do desgaste no poder, a ombudsman começou a ficar um pouco desconfortável.

    Percebendo isso, resolvi assumir eu o papel de entrevistador.

    Pedi a ela que lembra-se das capas da Folha de S. Paulo dos últimos três dias.

    A de 30/07 foi: “Com Dilma em alta, bolsa tem a maior queda em 3 anos”.

    A jornalista concordou que era negativa para Dilma.

    A do dia anterior, 29/07, era “Dilma não cumpriu 43% das promessas de 2010”.

    E a do dia 28/07, abaixo da fotografia de Dilma lia-se “PF investiga ligação entre tesoureiro do PT e doleiro preso”.

    Foi aí, frente a brutalidade desses fatos, que arrematei com as seguintes sentenças: “3 manchetes em seguida, um dia após o outro, todas contrárias à campanha de Dilma. Nós estamos no final de uma campanha política. Não é possível que você trabalhe nesse jornal e não tenha noção disso, sendo ombudsman do jornal.”

    Ao invés de responder, contudo, a jornalista passou a reclamar que eu estava assumindo um tom acusatório nos meus argumentos, sendo que o objetivo dela era somente se informar sobre as atividades do MANCHETÔMETRO e talvez citar o trabalho em sua coluna, que saiu no dia 5/10, dia da eleição com um trabalho em tudo igual ao que fazemos.

    Eu disse que estava respondendo às suas questões, mas ela novamente reclamou de meu tom e disse que achava melhor não publicar qualquer referência ao MANCHETÔMETRO.

    O MANCHETÔMETRO nunca foi citado em qualquer dos meios que estuda: Estado de S. Paulo, O Globo, Folha ou Jornal Nacional.

    Não esperamos tratamento diferente desses órgãos de imprensa, uma vez que nosso trabalho revela uma intensa politização da cobertura que fazem das eleições, a despeito de sua retórica de neutralidade e profissionalismo jornalístico.

    Não me surpreende o fato de o texto da Ombudsman ser mais uma tentativa de advogar pelo jornal, e não pelo leitor ou pelo público, que é a maneira como essa função é propagandeada pela própria Folha.

    O que deve ser apontado é a incapacidade da ombudsman, seja na entrevista ou em sua coluna, de responder às questões muito objetivas que lhe foram colocadas: como explicar a tese do contrapoder frente ao viés da cobertura de 1998?

    Como adotar a tese do desgaste temporal da situação se a cobertura da própria Folha a refuta?

    Como argumentar que é o contexto econômico que explica o viés se em 1998 a economia estava muito pior do que agora?

    E por fim, cara ombudman, como o jornal pode publicar 3 manchetes de capa negativas seguidas contra um só candidato e isso não se tornar assunto em suas colunas?

    PS do Viomundo: Em assim sendo, o próximo passo da Folha vai ser mandar uma meia dúzia de repórteres investigar o Manchetômetro, na tentativa de desmoralizá-lo. A Folha, lembrem-se, foi o jornal que pediu a cabeça de um jornalista do Meio&Mensagem que pretendia apenar relatar a verdade factual sobre o apoio da famílias Frias à ditadura militar.

    Leia também:

    Relembre: Folha escancarou ficha falsa de Dilma mas escondeu a do “consultor” que a denunciou

    Jovem que não deu a mão a Aécio vai fazer BO por racismo e injúrias

    Manchetômetro: Folha bajulava FHC quando economia estava pior « Viomundo – O que você não vê na mídia

    08/12/2013

    Omertà

    Se fosse ombudsman dos leitores e não da Folha, a frase que encerra a análise do comportamento da empresa que paga seu salário teria servido de abertura deste texto: “Aos que me acusarão, ao final de leitura deste texto, de aliviar a barra do jornal, adianto que nenhuma Redação gosta de ver escancaradas suas deficiências em coberturas importantes. E essa, que envolve um desvio de dinheiro bem maior que o do mensalão petista, é uma delas.”

    A palavra que resume o comportamento da Folha vem da máfia e rendeu um livro famoso do não menos famoso Mário Puso: Omertà (silêncio entre mafiosos). E não é por outro motivo que venho chamando pelo nome de “Grupos Mafiomidiáticos” as cinco famílias (Mesquita, Frias, Civita, Marinho & Sirotsky) reunidas entorno do Instituto Millenium.

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    Perder esse trem

    Folha fica para trás na cobertura do cartel do metrô e enfrenta acusações de que protege o PSDB

    "Coisa feia, hein, FSP? Sempre a reboque do concorrente ‘OESP’. Todo dia o ‘Estadão’ descobre algo e publica. A FSP apenas reporta. Das duas, uma: ou tem péssimos repórteres investigativos, ou não quer mexer com o P$DB. A segunda hipótese me parece mais certa."

    O comentário, postado no site da Folha na quinta-feira, resume uma cobrança que vem sendo feita quase diariamente ao jornal sobre a cobertura do cartel de trens e metrô em São Paulo.

    O ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, que integra o coro dos descontentes, disse de forma educada praticamente a mesma coisa que o internauta: "Você compara o tratamento que a imprensa tem dado ao caso de São Paulo e ao caso do pessoal do PT, veja a diferença. Tirando ‘O Estado de S. Paulo’, não se pergunta pelo crime, recrimina-se o acusador".

    De fato, a Folha não está indo bem nessa cobertura. O jornal tem o mérito de ter dado o chute inicial da grande mídia, ao revelar, em julho, a existência de um acordo de leniência da Siemens no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). A multinacional, em troca de imunidade nas investigações, delatou às autoridades antitruste brasileiras um conluio em licitações de São Paulo, que envolvia partilha de encomendas e elevação dos preços.

    O jornal teve outro bom momento ao mostrar que investigações, já existentes em 2011, não prosperaram, apesar do pedido de colaboração das autoridades suíças, porque o gabinete de um procurador do Ministério Público Federal "arquivou o caso na pasta errada".

    Foram dois "furos" (informações exclusivas) importantes, mas agora o jornal parece estar perdendo esse trem. Foi o "Estado" que revelou, em outubro, mensagens de 2004 em que o então presidente da Alstom no Brasil recomendava o uso de lobistas para obter contratos no governo de São Paulo.

    Mais recentemente, o concorrente divulgou documento que teria sido escrito pelo primeiro delator do caso, um ex-executivo da Siemens, que citava o envolvimento de políticos tucanos. Na semana passada, publicou primeiro um depoimento de outro funcionário da empresa sobre uma conta secreta usada para o pagamento de propina e para fazer remessas a doleiros.

    Engana-se, porém, quem atribui o mau desempenho recente da Folha a preferências partidárias. As investigações sobre o cartel do metrô, conduzidas pela Polícia Federal, pelo Ministério Público e pelo Cade, ainda estão em curso e o que já foi apurado deveria ser mantido em sigilo. Só que, a conta-gotas, documentos têm sido vazados, quase sempre para o "Estado".

    Trata-se de uma falha da reportagem, que precisa ser sanada rapidamente, mas não há nada que indique corpo mole com o objetivo de proteger "a" ou "b". É bom lembrar que a Folha publicou, há três meses, uma manchete (infundada) que dizia "Serra sugeriu que Siemens fizesse acordo, diz e-mail".

    Em novembro, o jornal expôs a fragilidade das iniciativas tomadas pelo governador Geraldo Alckmin para investigar o caso. Em editorial, afirmou-se que, "nas investigações sobre a CPTM, um escândalo engata-se a outro, e a omissão das autoridades paulistas tem garantido a impunidade geral".

    Aos que me acusarão, ao final de leitura deste texto, de aliviar a barra do jornal, adianto que nenhuma Redação gosta de ver escancaradas suas deficiências em coberturas importantes. E essa, que envolve um desvio de dinheiro bem maior que o do mensalão petista, é uma delas.

    27/10/2013

    Liberdade de expressão made in Folha, segunda a ombudsman

    Se a Folha usasse para contra si os métodos inquisitoriais usados contra os governos Lula e Dilma, já teria falido. Por aí se vê que a Folha não dá tiro no pé, nem publica críticas contra seus financiadores ideológicos, como os que distribuem milhares de assinatura nas escolas…

    E O PROBLEMA DO UOL?

    Na semana passada, cerca de 60 mil usuários do UOL (de um total de 7 milhões) enfrentaram problemas ao acessar seus e-mails. A falha começou no último dia 17 e levou cinco dias para ser totalmente superada.

    Apesar de leitores terem avisado o jornal, nada foi publicado. Só uma nota, no site da Folha, avisava na segunda-feira que o e-mail estaria normalizado naquele dia.

    O jornal deveria ter noticiado a falha no UOL, empresa que faz parte do Grupo Folha. Na quarta-feira passada, a interrupção do sinal da Net, durante a madrugada no Rio, virou nota na coluna "Outro Canal". Se é para defender o consumidor, não dá para abrir exceções. A Secretaria de Redação reconhece o erro.

    OMBUDSMAN

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    06/10/2013

    Folha e a torcida pela menor renda, com fecho da Ombudsman

    Filed under: InVeja,Ombudsman Folha — Gilmar Crestani @ 8:36 pm
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    Pibinho

    Maior renda traz inflação, mas diminui desigualdade

    Somente em 2012, 3,5 milhões de pessoas saíram da pobreza no Brasil

    Folha salarial mais cara reduz investimentos; maior instrução ainda não teve impactos na produtividade do país

    DE SÃO PAULO

    Não estão claros os impactos do aumento da remuneração do trabalho, especialmente o menos qualificado.

    Pelo lado pessimista, o aumento real nos salários alimenta a inflação.

    No curto prazo, as empresas assumem o custo com reduções na margem de lucro, mas; no médio prazo, a tendência é que esse custo seja repassado aos preços.

    O fenômeno preocupa o Banco Central. Há poucos meses, seu diretor de Política Econômica, Carlos Hamilton Araújo, disse que a alta de salários acima da produtividade é insustentável: "O ganho é nulo. Só teremos inflação".

    Pelo lado das empresas, o maior peso da folha salarial também reduz o dinheiro disponível para investir, impactando negativamente no PIB.

    Pelo lado otimista, espera-se que em algum momento a melhor qualificação comece a aumentar a produtividade do brasileiro. Nesse caso, o impacto no PIB é positivo.

    Já há discussão sobre por que isso não tem acontecido.

    Algumas explicações envolvem a baixa qualidade do incremento na educação –o aumento "nominal" dos anos de instrução não significa um aumento "real" na competitividade– e os entraves competitivos do país, que serviriam de freio a esse potencial.

    "Estamos criando um grupo para tentar entender como a renda sobe 8% e o PIB segue parado", diz o economista Marcelo Neri. "Com dizia Tom Jobim, o Brasil não é para amadores. É complexo."

    A produtividade do brasileiro é um quinto da produtividade do americano e está estagnada nesse valor.

    Outra consequência positiva é a redução da desigualdade. Em 2012, segundo a Pnad, puxados pelo aumento da renda, 3,5 milhões de pessoas saíram da pobreza. Restam 15,7 milhões –pobreza é renda de até R$ 150 por mês. Mais 1 milhão saiu da extrema pobreza (R$ 75 por mês). Agora, são 6,5 milhões.

    Por fim, há duas consequências mais ligadas à sociologia e à política.

    Com o aumento da instrução, é possível que o país tenha de aprender a lidar com a menor utilização de profissionais pouco qualificados –como no exterior, menos empregados domésticos, frentistas e ascensoristas.

    Na política, a renda tem impacto eleitoral muito mais direto do que o PIB, que tem consequências no longo prazo, menos perceptíveis pelo eleitor.

    (RICARDO MIOTO)

    Pnad mostra as disparidades regionais
    folha.com/no1352313

    Renda maior do trabalhador come lucro

    Em 2012, PIB cresceu 0,9%, mas renda, puxada por salários, subiu 8%; não escolarizados tiveram maior aumento

    Pnad mostra que anos de instrução aumentam, e redução na oferta de mão de obra desqualificada eleva a remuneração

    RICARDO MIOTODE SÃO PAULO

    Embora o crescimento da economia esteja estagnado, a renda dos trabalhadores, especialmente dos mais pobres e desqualificados, sobe rapidamente no país.

    Segundo os dados da Pnad 2012 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), a renda per capita média cresceu 8% no ano passado. Quem puxou esse crescimento foi o aumento na renda do trabalho –ou seja, os salários. Eles foram responsáveis por 74% dessa subida.

    Isso aconteceu justamente no ano do "PIBinho", quando a economia cresceu 0,9%.

    Ou seja, o Brasil tem um aumento de salários que não corresponde a um aumento de produtividade –as empresas estão comendo sua margem de lucro para bancar maiores remunerações.

    Nas fábricas, por exemplo, segundo a Confederação Nacional da Indústria, entre 2001 e 2012, o salário real dos trabalhadores subiu 169%. A produtividade, só 1%. Como aponta Flávio Castelo Branco, gerente-executivo da CNI, isso significa aumentos dos custos e causa prejuízos.

    ESCASSEZ

    Quanto mais pobre o indivíduo, maior tem sido o crescimento da renda. Em 2012, entre os 10% mais pobres, a renda cresceu 14%. Entre os 5% mais pobres, 20%.

    Também tiveram aumento de renda acima da média pessoas sem escolaridade (10%), com primário incompleto (9,4%) e nordestinos (11%).

    Isso se explica por uma questão de oferta e demanda. A demografia do trabalho pouco qualificado está mudando no Brasil.

    A instrução média do brasileiro tem crescido rapidamente. Em 20 anos, saiu de menos de seis anos para quase nove atualmente.

    No ensino superior, a iniciativa privada tornou a formação mais acessível. Em 2001, eram 3 milhões de alunos. Em 2012, 7 milhões.

    Isso tem diminuído o "estoque" de trabalhadores pouco qualificados, ainda mais em uma época de desemprego baixo, em que não há mão de obra "reserva" à disposição. Há agora, nas palavras de Marcelo Neri, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, sinais da existência de um gargalo.

    Nas pranchetas dos economistas, esse gargalo –oferta pequena perante a demanda"" significa maior remuneração.

    No dia a dia, percebe-se esse fenômeno, por exemplo, pela escassez e custo das empregadas domésticas, profissão rejeitada pelas moças mais jovens que estudaram mais que suas mães. Empregados domésticos tiveram um aumento real de 10% em 2012.

    "A mudança na renda do trabalho é determinada pelo mercado", diz Neri. Ele aponta que tal descolamento do PIB e da renda é inédita.

    "É a maior diferença que já vi, embora o fenômeno aconteça há uma década. O ano de 2012 foi o melhor de toda a série em termos de aumento da escolaridade média. No aumento da renda, o Bolsa Família, embora importantíssimo, é coadjuvante."

    Neste ano, segundo os dados da PME (Pesquisa Mensal de Emprego), a tendência geral segue a mesma.

    O aumento da instrução média, porém, aumenta a quantidade de profissionais qualificados à disposição no mercado, reduzindo o ganho salarial que estudar mais traz.

    Hoje, estudar mais tempo significa um aumento de renda 30% menor do que significava há dez anos –mas ainda há 70%, claro, o que significa que a correlação estudo/renda segue firme e forte.

    Por muito tempo, pouco se falou do impacto da instrução na renda agregada. Um dos primeiros a apontar isso foi o economista Carlos Langoni, nos anos 1970 –na época, em vão. A última década e, agora, a Pnad 2012 consolidam a educação como um tema macroeconômico.

    OMBUDSMAN

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    Arauto das más notícias

    Folha destaca apenas dados negativos da Pnad, apesar de a pesquisa ter apontado aumento de renda em 2012

    A edição que a Folha fez da pesquisa Pnad, que traça anualmente um quadro social do país, é um prato cheio para quem acha que o jornal só publica más notícias. Todos os destaques pinçados no levantamento eram negativos.

    O título na capa informava que "Analfabetismo e desigualdade ficam estagnados no país" (28/9). Em "Cotidiano", havia o aumento da diferença de renda entre homem e mulher, os salários inchados pela falta de mão de obra especializada e o celular como o único tipo de telefone em mais da metade dos lares. A análise dizia que o resultado da pesquisa pode significar "o fim da década inclusiva".

    Outros jornais optaram por manchetes do tipo uma no cravo outra na ferradura: "Renda média sobe, mas desigualdade para de cair" ("O Globo"), "Analfabetismo para de cair no país; emprego e renda sobem" ("Estado"), "Em todas as regiões houve aumento de renda, mas a desigualdade ficou estagnada" (Jornal Nacional).

    Com seu característico catastrofismo, a Folha fez uma leitura míope da pesquisa, que é muito importante pela sua abrangência -são 363 mil entrevistados respondendo sobre escolaridade, trabalho, moradia e acesso a bens de consumo.

    O dado mais surpreendente era que a renda do brasileiro cresceu em 2012, ano em que o PIB subiu apenas 0,9%. Na Folha, esse fenômeno só foi citado no meio de uma reportagem sobre a desigualdade.

    Coube ao colunista Vinicius Torres Freire, no dia seguinte, chamar a atenção para o fato de que o Brasil estava mais rico "e não sabíamos". "É possível dizer que a taxa de pobreza deve ter caído bem no ano passado", escreveu Freire.

    Pelos cálculos de Marcelo Neri, 50, presidente do Ipea, 3,5 milhões de brasileiros saltaram a linha de pobreza em 2012. "No conjunto das transformações, foi a melhor Pnad dos últimos 20 anos", diz Neri.

    A desigualdade parou mesmo de cair, mas foi porque os muito ricos (1% da população) ficaram ainda mais ricos (a renda subiu 10,8%), num ritmo mais rápido do que os muitos pobres (10% na base da pirâmide) ficaram menos pobres (ganho de renda de 6,4%). É claro que não se deve desprezar o abismo social, mas não dá para ignorar que houve uma melhora geral no ano passado, o que é um mistério a ser explicado pelos economistas.

    Se o jornal subestimou o dado da renda, deu espaço demais para o fato de o analfabetismo ter parado de cair. Teve nesse ponto a companhia dos outros jornais e da TV.

    Depois de 15 anos de queda contínua, a taxa de analfabetismo variou de 8,6% para 8,7%. A diferença, irrisória, pode ser apenas uma flutuação estatística. Nem o fato de a taxa ter parado de cair é importante, segundo os especialistas.

    Os analfabetos brasileiros concentram-se, principalmente, na faixa etária mais alta (60 anos ou mais). Os mais velhos, que não tiveram acesso à escola na infância, são mais difíceis de serem alfabetizados. "Entre os jovens, a proporção de analfabetos continua caindo. A conclusão é que, embora nossa educação tenha muitos problemas, este não é um deles", explica Simon Schwartzman, 74, presidente do Iets.

    O destaque dado à diferença entre a remuneração de homens e mulheres também foi descabido. Em 2011, a brasileira recebia 73,7% do salário de um homem. No ano passado, era 72,9%.

    Além de não ser uma variação muito significativa, pode ser um problema amostral. "As mulheres não estão necessariamente ganhando menos do que os homens. Se elas já têm uma renda média menor, basta crescer a participação feminina no mercado de trabalho para aumentar a diferença entre os sexos", afirma Marcio Salvato, 44, professor de economia do Ibmec.

    Entre os bens de consumo, o jornal destacou o celular e as motos. Wasmália Bivar, 53, presidente do IBGE, ressalta a máquina de lavar roupa, presente em 55% das casas. "Para a vida das famílias mais pobres, é um bem de grande significado, porque dá mais tempo livre para as mulheres."

    Não é fácil escolher o que há de mais relevante em uma pesquisa extensa como a Pnad, mas não dá para adotar o critério dos piores números. O jornalismo deve ter como primeira preocupação o que vai mal, apontar os problemas, só que o necessário viés crítico não pode impedir que se destaque o que é de fato o mais importante.

    28/07/2013

    Ombudsman dos grupos mafiomidiáticos

    A OMBUDSMAN da Folha, mais uma vez, faz silêncio sobre o silêncio que os a$$oCIAdos do Instituto Millenium, numa espécie de Omertà, fazem sobre os escândalos de sonegação da Rede Globo. O compadrio entre os membros do Instituto Millenium é a verdadeira medida de como agem estes grupos empresariais na hora em que um dos membros é pego com a mão leve no erário público. Criticar a água no feijão é fácil, botar a mão no fogo é algo que existe um pouco mais de honestidade.

    SUZANA SINGER ombudsman@uol.com.br @folha_ombudsmanfacebook.com/folha.ombudsman

    Papa, P2 e os ninjas

    Folha não investe em denúncias surgidas na rede e fica para trás na cobertura da visita de Francisco

    A melhor resposta aos que vaticinam a morte da grande imprensa, que estaria prestes a ser substituída pelas redes sociais e pela mídia alternativa, é o bom jornalismo.

    Foi isso que a Globo fez nesta semana durante a cobertura da visita do papa Francisco ao Brasil. O clima de "Aleluia, o santo padre está entre nós" imperou, mas não impediu o "Jornal Nacional" de mostrar, com contundência, os problemas de organização que submeteram os peregrinos a um calvário no Rio.

    Não faltou espaço também para desmontar a versão oficial sobre um dos presos no confronto entre manifestantes e policiais, que se travou na frente do Palácio Guanabara, na noite de segunda-feira.

    Reportagem no "JN" mostrou que o manifestante que ficou mais tempo preso não tinha sido flagrado com coquetel-molotov, como alega a polícia. Bruno Ferreira Teles, o detido, pediu ao Mídia Ninja, grupo alternativo que transmite os protestos pela rede, que buscasse vídeos que provassem sua inocência.

    Quem fez isso foi a Globo: conseguiu pegar o inquérito, no qual um PM diz que o rapaz não estava com explosivos quando foi preso, e editou imagens, feitas pela emissora e por amadores, que mostravam o momento da captura de Bruno.

    Parecia um recado da TV, que vem sendo alvo dos protestos que tomaram as cidades brasileiras: "Não precisa de mídia alternativa para questionar as autoridades".

    Na terça-feira, o "JN" já havia citado a acusação, que surgiu nas redes sociais, de que um policial infiltrado entre os manifestantes teria jogado o primeiro coquetel-molotov.

    O assunto despertou a atenção também do "New York Times", que publicou, em seu site, uma grande reportagem em que comparava uma dúzia de vídeos, além de fotos, na tentativa de esclarecer a participação dos agentes infiltrados (http://migre.me/fBtD7).

    Por causa da Globo, do "NYT" e das redes sociais, a polícia do Rio assumiu que usa "P2" (policiais sem farda dispersos na multidão), mas negou que esses homens tenham participado de atos de vandalismo.

    Enquanto isso, a Folha comeu poeira. Fez uma boa apresentação da visita papal, com uma pesquisa que registrou a diminuição no número de católicos no país, publicada no domingo passado, mas foi lenta quando a festa de fato começou.

    O jornal só foi dar o devido destaque aos problemas de infraestrutura no Rio na sexta-feira, quando o campo de Guaratiba, enlameado, foi descartado para os eventos da Jornada Mundial da Juventude.

    Faltou também atenção à celeuma em torno da prisão dos manifestantes. O jornal parece não ter levado a sério as denúncias que surgiram na internet.

    Não dá mais para cobrir os protestos à moda antiga, contando apenas com o que os seus repórteres viram, a versão da polícia e as imagens das grandes emissoras. Além do Ninja (sigla de Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação), há centenas de filmagens feitas por manifestantes, que mostram a mesma cena em "n" versões.

    É preciso levar em conta essas novas fontes de informação -sempre com um olhar crítico, já que a maior parte dessa produção é disponibilizada na internet para confirmar teses pró-ativistas (no caso do Rio, tentar provar que a violência parte da própria polícia).

    No momento, blogs e redes sociais não têm capacidade nem qualidade para tomar o lugar da mídia convencional, mas servem de agente provocador. Desafiada, a imprensa convencional precisa repensar seu jeito de trabalhar e mostrar jornalismo de qualidade.

    O Folhateen sumiu de vez

    O jornal sumiu com o que havia sobrado do caderno "Folhateen". A página semanal, que saía às segundas-feiras na "Ilustrada", não foi publicada na semana passada e não voltará. Ronaldo Lemos, que escrevia a coluna "Internets", será alojado no "Tec". O destino dos quadrinhos que eram publicados na mesma página não foi decidido.

    Eliminar seção não é bom, mas reza a etiqueta, deve-se ao menos avisar o leitor.

    26/05/2013

    Ombudsman da Folha denuncia: mídia brasileira sufoca Lei de Médios

    Filed under: Censura,Lei de Médios,Monopólio,Ombudsman Folha — Gilmar Crestani @ 9:39 am
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    O debate por aqui foi censurado pelos grupos monopolistas mafiomidiáticos com a falácia de que se trata de censura.

    OMBUDSMAN

    SUZANA SINGER – ombudsman@uol.com.br@folha_ombudsmanfacebook.com/folha.ombudsman

    La defensora

    Argentina cria cargo público de ombudsman para atender queixas sobre programação de rádio e TV

    Foi preciso ir até Los Angeles, ao encontro internacional de ombudsmans, para conhecer uma iniciativa de um país vizinho que pode ser útil ao debate sobre mídia no Brasil.

    Há seis meses, foi nomeada a primeira "defensora pública dos meios audiovisuais" na Argentina. É uma espécie de ombudsman, escolhida pelo Congresso e encarregada de encaminhar as demandas dos espectadores e ouvintes.

    A defensora não tem poder para multar ou punir as emissoras que são alvo das reclamações, ela tenta apenas mediar uma solução. A jornalista Cynthia Ottaviano, a primeira indicada, diz que havia uma demanda reprimida, tanto que já foram registradas 187 representações.

    É possível encaminhar denúncias por carta, e-mail ou pessoalmente, em audiências públicas promovidas nas diferentes províncias. O primeiro encontro, realizado em abril em Chaco, reuniu 320 pessoas.

    Cynthia, 40, conta o caso de uma reportagem sobre crianças maltratadas em uma escola particular. Suspeitando que houvesse algo errado, um dos pais colocou um iPad na mochila da filha e conseguiu gravar a professora xingando a menina. Virou um grande escândalo.

    Um canal de TV noticiou a história, mas ilustrou-a com imagens de arquivo, de um colégio qualquer. Exibiu ainda a foto de uma professora que tinha o mesmo nome da acusada, mas que nada tinha a ver com o caso. Acionada, a defensoria conseguiu que o canal lesse uma nota de correção, repetida tantas vezes quantas tinham sido as aparições da professora no ar.

    Quase na fronteira com a Bolívia, um grupo de moradores reclamou à defensoria porque queria a atenção da imprensa para uma denúncia de contaminação ambiental na região. Com a ajuda da ombudsman, o assunto entrou na pauta da rádio pública de Buenos Aires.

    A defensoria não trata apenas de queixas relativas ao noticiário. Programas de entretenimento e a publicidade também fazem parte do seu escopo. Uma denúncia dizia que um anúncio de bebida incitava ao suicídio. O filme mostrava, num prédio em chamas, os bombeiros tentando convencer um rapaz a saltar. Ele toma uns goles do refrigerante e pula numa boa, flutuando feliz.

    Cynthia ouviu a agência de publicidade responsável pela propaganda e concluiu que não havia nada de errado com ela. Dessa vez, o público não tinha razão.

    Outros alvos de reclamações são programas que difundem imagens preconceituosas de mulheres e de gays, o fim de séries educativas em canais públicos e a falta de tradução para a linguagem de surdos.

    A figura da defensora do público está prevista na controversa Lei de Meios, aprovada em 2009, mas demorou três anos até que o cargo fosse preenchido. A equipe da defensoria tem 40 pessoas, entre jornalistas, antropólogos e advogados. O dinheiro que sustenta a iniciativa vem de impostos pagos pelas emissoras de rádio e TV. A defensora presta contas de seu trabalho ao Congresso, não ao Executivo.

    Cynthia diz que sua nomeação foi praticamente ignorada pelos grandes meios de comunicação argentinos, que estão em pé de guerra com o governo de Cristina Kirchner, mas conta que conseguiu encaminhar, com sucesso, uma demanda referente ao grupo "Clarín".

    O fulcro da Lei de Meios argentina, que é o seu caráter antimonopolista, foi bastante discutido no Brasil. A Folha, como boa parte da grande imprensa, criticou duramente a tentativa do governo de calar o principal diário do país. "Seguindo o que, com igual ou maior desplante, vem sendo feito por Hugo Chávez na Venezuela, o governo argentino utiliza-se de meios econômicos e legislativos para um objetivo que, na essência, é o mesmo: sufocar todo tipo de crítica", diz editorial do jornal de novembro passado.

    Só que a Lei de Meios não é apenas isso. São 166 artigos e pelo menos um deles, o que cria a defensoria, merece ser observado.

    Por aqui, o debate sobre regulação da mídia trava porque as propostas apresentadas costumam embutir um subtexto de censura que provoca, com razão, arrepio nas grandes empresas de comunicação. Estas, no entanto, não conseguem sugerir formas que garantam um grau maior de transparência e de prestação de contas ao público.

    No Brasil, só a Folha, o jornal "O Povo", de Fortaleza, e a EBC (TV Brasil) têm ombudsmans. Todos os outros jornais e revistas se contentam com uma seção de cartas dos leitores e outra de correções. Nas televisões e nas rádios, nem isso.

    Ombudsman tem mandato de 1 ano, renovável por mais 3, para criticar o jornal, ouvir os leitores e comentar, aos domingos, o noticiário da mídia. Fale com a Ombudsman: ombudsman@uol.com.br / tel.: 0800 015 9000 (2ªf a 6ªf, das 14h às 18h) / Fax: 0/xx/11/3224-3895

    28/04/2013

    Os mortos vivos

    Filed under: Financiadores Ideológicos,Jornalismo,Ombudsman Folha — Gilmar Crestani @ 9:43 am
    Tags:

    Só faltou a OMBUDSMAN falar a respeito de quem financia ou sustenta a publicação dos jornais. Quando o poder público não for mais obrigado publicar editais em jornais restarão ainda os financiadores ideológicos, aquele que pagam para os jornais fazerem a defesa de sua idéias. Para quem tem dificuldades de entender basta observar quem são os anunciantes dos jornais e tentar descobrir se já descobriu alguma reportagem sobre eles que não seja bajulatória. Em Porto Alegre, por exemplo, está interditado debate sobre o que acontece com supermercados…

    SUZANA SINGER ombudsman@uol.com.br @folha_ombudsman

    Queridos, encolhi o jornal

    Mudança no "Estadão" traz à tona discussão sobre qual o tamanho ideal do impresso na era da internet

    O principal concorrente da Folha, que se orgulhava de ser "muito mais jornal", diminuiu. Desde segunda-feira passada, o "Estado de S. Paulo" está circulando com menos cadernos.

    O "Metrópole", que trata dos assuntos de São Paulo, e o "Esporte" foram incorporados ao Primeiro Caderno durante boa parte da semana. Vários suplementos, como o literário, o infantil e o de informática, foram eliminados ou viraram seções ampliadas.

    Aos domingos, o "Estadão" promete manter um conteúdo maior e fazer jus ao seu apelido. O enxugamento foi anunciado como "a maior menor mudança" que o jornal já teve, num slogan tão constrangedor quanto a campanha na TV.

    Uma mulher fala em alta velocidade sobre tudo o que o jornal cobre durante a semana e garante que ficará agora mais fácil "entender" o que está acontecendo. Em seguida, o marido, em voz arrastada, diz que, no domingo, quando há tempo suficiente para "ler e reler", haverá notícias exclusivas e novas seções -a única citada é uma de fotos.

    Nem Don Draper, o sexy gênio criativo de "Mad Men", teria se saído bem diante da missão de convencer o leitor de que ele está recebendo menos jornal, pelo mesmo preço, mas que isso é uma vantagem.

    A diminuição do espaço editorial não é, porém, prerrogativa do "Estado". A Folha vem emagrecendo ao longo dos anos, só que de modo mais suave e preservando a divisão de cadernos. No anúncio da última grande reforma gráfica, em 2010, já se falava em "textos sintéticos e analíticos em pouco espaço".

    O argumento para enxugar é que o tempo do leitor está cada vez mais curto, o que é facilmente verificável. O dia teima em continuar com 24 horas, mas agora, além de ler jornal, é preciso checar os aplicativos no celular, dar uma espiadinha nos sites de notícia e também nas redes sociais -só para ficar em algumas das invenções disseminadas na última década.

    Como bem definiu um leitor da Folha recentemente, "há tanta informação disponível que dá até uma indigestão jornalística".

    O que não se diz ao público é que o enxugamento, "para o seu próprio bem", visa cortar custos de papel, de mão de obra (jornalistas) e de tempo de gráfica.

    As edições de sábado da Folha, nas quais se desdobram cadernos, mostram que a defesa do jornal compacto fica de lado sempre que é necessário atender as exigências do mercado publicitário. No último dia 20, havia "Poder 2", "Mundo 2", "Cotidiano 2" e "Mercado 2", num jornal com 40 anúncios de imóveis.

    O dilema para os jornais hoje, e não só no Brasil, é encontrar um novo ponto de equilíbrio. Se as pessoas têm pouco tempo para ler, vamos escrever menos, mas, se o jornal ficar fino e superficial demais, para que comprá-lo, já que há informação de graça na rede?

    Nos EUA, onde a perda de receita publicitária do impresso é dramática, a discussão sobre o futuro dos jornais se faz mais premente. Lá, as energias se concentram na tentativa de rentabilizar os sites, fazendo o possível para convencer os internautas de que vale a pena pagar por notícia de qualidade.

    É o que o "New York Times", ao anunciar mais uma queda de lucro, chamou de "reposicionamento da empresa para a era digital".

    Talvez o caminho do futuro seja mesmo no sentido de um jornal cada vez mais sintético, mas é um percurso bastante perigoso, a ser percorrido com toda a cautela.

    Oferecer menos conteúdo precisa ter necessariamente como contrapartida uma melhoria significativa na qualidade do que é publicado. Poucos assuntos, mas apurados com precisão e profundidade e editados com inteligência. Se não for assim, estaremos apenas apressando o passo rumo à irrelevância.

    03/02/2013

    E quem tem amnésia?

    Filed under: Ombudsman Folha,Politicamente correto — Gilmar Crestani @ 9:56 am

    A OMBUDSMAN da Folha traz à tona a questão do politicamente correto e defende seu ponto de vista com as palavras do escritor Marcelo Rubens Paiva: "Ajuda a combater o preconceito e mostra que nós, deficientes, temos humor, rimos da própria condição. Se judeus são os melhores contadores de piadas sobre judeus, se árabes gozam árabes, por que os deficientes não podem zoar com outros deficientes?". Não sei até que ponto o Marcelo, que teve seu pai assassinado e sumido pela Ditadura, digeriu o ditabranda da Folha?! Ainda em relação à possibilidade de se rir, a ombudsman poderia ter trazido à baila a briga dos seus patrões contra a dupla de humoristas que criaram o Desculpa Nossa Falha: Falha de São Paulo… Pimenta no dos outros é refresco!

    SUZANA SINGER ombudsman@uol.com.br @folha_ombudsman

    Os "mal-acabados"

    Colunista da Folha, que é cadeirante, provoca polêmica ao tratar de forma escrachada pessoas com deficiência

    Cegos são "puxadores de cachorro". Surdos têm o "ouvidor de novela avariado". Quem sofre de paralisia cerebral "baba um pouquinho pelo canto da boca". No geral, pessoas com deficiências são os "mal-acabados".

    Quem escreve desse jeito escrachado é Jairo Marques, 38, repórter, colunista de "Cotidiano" e autor do blog "Assim como você", hospedado no site da Folha(assimcomovoce.blogfolha.uol.com.br).

    Se não fosse ele mesmo cadeirante, Jairo provavelmente já teria sofrido uma avalanche de críticas, que só surgiram agora, quando ele escreveu sobre autismo.

    No último dia 21, o jornalista comentou no blog uma nova lei que estende aos autistas os direitos das pessoas com deficiência -inclusão em cotas de empregos, atendimento preferencial em bancos, matrícula em escolas regulares etc.

    Jairo saudou a lei, levantou algumas dúvidas sobre a sua aplicação, mas o que pegou foi ter chamado os autistas de "povão tchubirube".

    O "post" gerou 440 comentários no blog e discussões acaloradas no Facebook. A maioria está indignada com os "apelidos" usados pelo jornalista. "O mais difícil é conquistar o respeito das pessoas, combater estigmas. A coluna usa termos vulgares só para chocar, é inadmissível num jornal como a Folha", diz a pedagoga Luciana Nassif Cavichioli, 41, mãe de uma menina autista de 10 anos.

    Em defesa de Jairo, a esteticista Ana Maria Elias Braga, 44, mãe de gêmeos autistas de 18 anos, rebate: "Com o tempo, os pais de crianças com autismo parecem doentes. É como se eles também perdessem a capacidade de entender ironias, metáforas. Não conseguem mais levar nada com leveza".

    Isso não significa que Ana Maria aceite qualquer coisa. Ela processou a MTV, há dois anos, por causa do programa "Casa dos Autistas", de Marcelo Adnet. "Aquilo sim era horroroso", diz.

    Em resposta à crítica de Luciana, a direção da Folha ressalta a importância de garantir a liberdade dos colunistas. "O jornal entende que o assunto é sensível e tenta tratá-lo com a delicadeza que ele merece. Mas os colunistas são livres para expressarem suas opiniões, na linguagem que os leitores se acostumaram. No caso do Jairo, leveza e descontração são a marca registrada de suas intervenções", diz o editor-executivo Sérgio Dávila.

    Mas precisa ser tão debochado? Jairo diz que transgride e usa o humor para atrair leitores que não vivem a realidade da deficiência. "Nunca quis escrever apenas para os que já são militantes da causa."

    O próprio Jairo já passou um pito na presidente Dilma quando ela, recentemente, falou em "portador de deficiência" em vez de "pessoa com deficiência". Em texto de dezembro, ele defendeu o politicamente correto, lembrando que não se trata de uma criação de "um bando de chatos e desocupados que resolveu encher a paciência dos outros".

    Soa contraditório, mas não é. Seria injustificável usar, nas reportagens, os termos adotados pelo colunista. Seria difícil defender essa linguagem até em artigos de outros colunistas. A diferença é que Jairo fala de cátedra.

    Vítima de paralisia infantil desde os nove meses, sempre viveu como "pessoa com deficiência", o que lhe dá a oportunidade de tratar o tema de igual para igual.

    O escritor Marcelo Rubens Paiva, 53, aprova a fórmula adotada por ele. "Ajuda a combater o preconceito e mostra que nós, deficientes, temos humor, rimos da própria condição. Se judeus são os melhores contadores de piadas sobre judeus, se árabes gozam árabes, por que os deficientes não podem zoar com outros deficientes?", diz.

    Alguns amigos do escritor o chamam de "alê", corruptela de "aleijado", e ele acha simpático. "Nos encontros e congressos de deficientes, o que rola de piada e gozação deixa ruborizada a patrulha do politicamente correto. Rir é o melhor remédio, já se disse por aí."

    Embora possa ferir os mais sensíveis, o trabalho pioneiro de Jairo Marques tem ajudado a revelar um pouco mais do mundo das pessoas com deficiência no Brasil. Ou, como diria ele, dos "estropiados", "lesadinhos", "chumbados", "lelés"…

    27/01/2013

    Faltou luz… à Folha!

    OMBUDSMAN

    SUZANA SINGER ombudsman@uol.com.br @folha_ombudsman

    Lusco-fusco

    Jornal exagerou risco de racionamento e destacou pouco as vantagens do corte na tarifa de luz

    Em pronunciamento em rede de rádio e televisão, na quarta-feira passada, a presidente Dilma criticou aqueles que, "por precipitação, desinformação ou algum outro motivo", previram racionamento de energia e duvidaram que o governo conseguiria reduzir a conta de luz.

    A carapuça serviria na Folha? De certa forma, sim.

    Nos últimos cinco meses, o jornal exagerou o risco de racionamento e destacou pouco as vantagens econômicas advindas da queda do preço da energia.

    A Folha começou essa cobertura com um gol: informou, com exclusividade, que Dilma anunciaria, na véspera do feriado de 7 de Setembro, uma diminuição na conta de luz de casas e indústrias.

    Seguiram-se várias reportagens que questionavam os custos desse corte e, depois, uma série de notícias sobre a situação preocupante dos reservatórios por causa da escassez de chuvas.

    Até aí, tudo bem, é papel da imprensa revelar problemas que o governo prefere manter longe dos olhos do público. Não se trata de "falta de fé" no país, como disse Dilma, num apelo nada democrático ao nacionalismo.

    O problema é que o noticiário embarcou numa toada cética e crítica. Basta ver os títulos:

    "Conta de luz para residências pode cair só 10% em vez de 16,2%"

    "Para compensar luz barata, imposto nos Estados pode subir"

    "Com tarifa menor, elétrica deve distribuir menos lucro"

    "Luz mais barata ‘corrói’ verbas sociais"

    "’Apaguinhos’ crescem e corte de luz bate recorde em 2012"

    "Para analista, chuvas não vão encher reservatórios"

    Há 20 dias, a manchete do jornal anunciava que "Escassez de luz faz Dilma convocar o setor elétrico". O título interno era ainda mais alarmista: "Racionamento de luz acende sinal amarelo".

    Tratava-se de um exagero, baseado, em parte, em uma informação errada obtida em "off": a tal reunião de emergência, que a presidente teria convocado durante as férias, estava agendada desde dezembro. O jornal publicou só uma correção.

    Na terça-feira passada, o alarme tocou novamente, desta vez por causa de 2014: "Para Aneel, há risco de faltar luz na Copa", dizia a capa de "Mercado". A reportagem usou um relatório que aponta problemas graves no cronograma das obras que garantirão energia para as cidades-sede do Mundial. Só que o jornal não mencionou que, entre as conclusões, havia a ressalva de que "a maioria desses atrasos não oferece risco iminente ao abastecimento de energia para a Copa de 2014".

    A Redação não acha que errou, já que o relatório deixa claro que, se não houver "aceleração urgente" no ritmo de implantação das obras, haverá risco de falta de luz.

    Esse último exemplo ilustra bem o problema geral dessa cobertura: tirando o governo, ninguém duvida que o sistema energético brasileiro trabalha no seu limite e que as obras para ampliá-lo estão atrasadas. É preciso apontar isso, mas sem exagerar a dose. Entre o mundo róseo descrito por Dilma na televisão e o pré-caos pintado pela Folha, deve estar a realidade.

    Um grande jornal, um grande erro

    Nas Redações, o assunto da semana foi a imensa "barriga" (notícia errada) dada pelo "El País", um dos melhores jornais do mundo. Na quinta-feira, em parte de sua edição impressa e por meia hora no seu site, o diário espanhol publicou uma fotografia do que seria Hugo Chávez internado em Cuba. Era, na verdade, uma imagem tirada de um vídeo de medicina de 2008, disponível no YouTube.

    O alerta sobre o engano foi dado nas redes sociais. O jornal tirou a foto do ar, interrompeu a impressão, mas o estrago estava feito. Em nota, o "El País" pediu desculpas aos leitores e disse que vai investigar a causa do erro, além de revisar os processos de checagem.

    O vexame serviu de pretexto para ataques do governo venezuelano e da presidente da Argentina no melhor estilo "El PIG": o erro seria parte de um complô internacional para derrubar Chávez.

    Delírios políticos à parte, cabe perguntar: se fosse verdadeira, a fotografia deveria ter sido publicada com tamanho destaque (alto da "Primeira Página")?

    Na nota aos leitores, o jornal espanhol justifica que "a imagem era pertinente diante da enorme polêmica a respeito da doença de Chávez". O manual de Redação do "El País" determina que "fotografias com imagens desagradáveis só serão publicadas quando adicionarem informação".

    Só que a foto foi vendida sem data certa (o jornal dizia que havia sido feita "há alguns dias") e sem explicação sobre a circunstância em que foi tirada. Sem esses dados, a imagem não diz muito. O falso Chávez aparece entubado, mas isso poderia ser parte de um procedimento cirúrgico.

    A força da imagem, se verdadeira, estaria no fato de ter sido obtida rompendo o cerco autoritário de Cuba e contra a vontade do governo venezuelano, que lida com a doença sem nenhuma transparência. Seria um "olé" da imprensa livre. Acabou sendo um erro vergonhoso.

    02/12/2012

    O lado jornalístico da Folha

    Filed under: FHC,Lula,Ombudsman Folha,Rosemary Noronha — Gilmar Crestani @ 8:18 am

    Vou reproduzir as palavras da ombudsman, sem acrescentar nem tirar, para mostrar a parcialidade da Folha de São Paulo: “o filho fora do casamento de Fernando Henrique Cardoso, que só foi revelado pela Folha quando ele, já viúvo e ex-presidente, reconheceu o rapaz.” Primeiro, só é revelado o que estava escondido. Portanto, agora a Folha que escondeu. Então vamos para as mentiras: quando reconheceu já era rapaz. Reconheceu oficialmente, porque de fato já dava como seu. E de bebe a rapaz ninguém soube de nada… Há nesta história mais duas considerações: a amante era jornalista da Rede Globo e ficou alguns anos escondida na Espanha. Quem pagava as custas? A Rede Globo nunca revelou a história por qual motivo? Seria para ajudar um parceiro ou para fazer chantagem? E agora a pá de cal: o filho NÃO era de FHC. Os filhos legítimos de D. Ruth mandaram fazer exame de DNA e restou comprovado que não era filho do pai, mas só da mãe… E depois é o Lula que não sabe de nada…

    SUZANA SINGER ombudsman@uol.com.br @folha_ombudsman

    Íntimo e pessoal

    Apesar de invadir a privacidade de Lula, foi correto revelar o tipo de relacionamento que ele tinha com a ex-assessora

    O noticiário político foi tomado por uma nova personagem: Rosemary Noronha, ex-assessora de Lula, indiciada pela Polícia Federal sob suspeita de corrupção passiva e tráfico de influência.

    Ontem, a Folha escancarou o que era antes insinuado em notas e colunas: que a influência dela vinha de um relacionamento íntimo com o ex-presidente.

    Sem usar a palavra "amante", o jornal conta que, nas 23 viagens internacionais em que Rosemary acompanhou Lula, a então primeira-dama Marisa Letícia nunca estava. Segundo a reportagem, havia um esquema especial que permitia o acesso à suíte presidencial nessas escapadas. Seria um relacionamento de 19 anos, iniciado quando ela era bancária e ele candidato derrotado à Presidência da República.

    A Folha invadiu a privacidade de Lula? Sim. Era necessário? Sim.

    O jornalismo brasileiro costuma preservar a intimidade de seus políticos. Nunca tivemos um escândalo como o da Monica Lewinsky, a estagiária morena que quase provocou o impeachment de Bill Clinton, ou a descrição de festas dionisíacas como as promovidas por Silvio Berlusconi na Itália.

    Os exemplos da história recente brasileira são quase pudicos: o bolero dos ministros Zélia e Cabral no governo Collor, o flagrante da carnavalesca sem calcinha ao lado de Itamar Franco e o filho fora do casamento de Fernando Henrique Cardoso, que só foi revelado pela Folha quando ele, já viúvo e ex-presidente, reconheceu o rapaz.

    Argumenta-se que o eleitorado brasileiro, ao contrário do norte-americano, não liga para questões morais. Mas essa é uma hipótese nunca testada, porque a imprensa daqui não cobre esse tipo de assunto. Será que um candidato flagrado com outro homem em uma casa noturna gay, por exemplo, não perderia votos?

    Num caso como esse, caberia discutir se a sexualidade do político tem relevância pública. Já o relacionamento Rose-Lula é diferente, porque resvala para a esfera pública.

    Se o ex-presidente tiver incensado Rosemary por causa de um romance, isso teve consequências políticas. Segundo a PF, a então chefe de gabinete da Presidência em São Paulo conseguiu, entre outras coisas, colocar, em postos-chave do governo, amigos corruptos, que vendiam pareceres jurídicos favoráveis a empresários.

    A decisão da Folha, de abordar o tema, está de acordo com o "Manual da Redação", que afirma: "a vida privada só tem relevância jornalística se estiver crucialmente ligada a fato de interesse ou legítima curiosidade públicos".

    Só que o trabalho não terminou. Foi relevante mostrar ao leitor de onde emanava o poder de Rosemary, mas, a partir de agora, detalhes de alcova, por mais tentadores, não interessam. O importante é investigar se o ex-presidente esteve envolvido no suposto esquema criado pela sua então assessora.

    Se nada for encontrado, é hora de deixar os peixes pequenos de lado -a "chinelagem", na definição da Polícia Federal- e centrar atenção nos grandes negócios investigados na Operação Porto Seguro. Como aconselha o personagem do Garganta Profunda, aos dois jornalistas, no filme sobre o Watergate: "Sigam o dinheiro".

    IMPRENSA A FAVOR DA POLÍCIA?

    A pesquisa Datafolha sobre violência, divulgada no domingo passado, mostra que uma parcela considerável dos paulistanos está insatisfeita com a cobertura jornalística do aumento dos homicídios.

    Menos da metade (41%) considerou a imprensa imparcial, interessada apenas em "informar sem tomar posição". Para 33% dos entrevistados, a cobertura foi favorável à polícia e 16% responderam que foi contra os policiais.

    Se a cobertura anda ruim, parte da culpa é da Secretaria de Segurança Pública, que se fechou "para não atrapalhar as investigações".

    A população, que está amedrontada, percebeu isso: 71% disseram que o governo do Estado esconde informações sobre as mortes. Sem dados de qualidade, o noticiário se limita a registrar "morreram 15 na noite de ontem", "13 foram mortos", "chacina com nove vítimas"…

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