Ficha Corrida

28/06/2013

UOL/Folha sabatinam em busca de manipulação do MPL

Como disse o sabatinado, "É muito difícil conseguir uma manifestação pacífica na rua [no Brasil] porque o Estado é violento", disse Martins, 19. Contudo, entretanto, todavia, não é com todo mundo que a polícia é violenta. Com a RBS, por exemplo, ela cumpre um papel de guarda pretoriano. Nenhuma outra propriedade particular tem um aparato de segurança tamanho e patrocinado pelos cofres públicos, como a RBS. Foi por isso que um dia depois de fazerem a guarda da RBS, alguns chefes da brigada foram recebidos em programas esportivos da RBS para ouvirem: Obrigada, Militar! Os pequenos comerciantes situados nos locais de protestos ficaram ao deus dará.  A brigada tem feeling, sabe escolher seus padrinhos…

Quando Busatto e Paulo Feijó tiveram aquele diálogo edificante, durante o governo da funcionária da RBS, e depois saíram à moda bugio, a RBS calou-se e a  Brigada Militar não ficou sabendo. Primeiro saiu na Folha e depois no G1. Mas na RBS, necas piritibas.  Os dois, respectivamente chefe da casa civil e vice-governador, não foram molestados pela polícia nem na entrada nem na saída. E continuam soltos ocupando cargos ora aqui ora ali. Já os movimentos sociais, sempre são demonizados pela RBS e assim a Brigada Militar se sente à vontade para atirar na nuca, à queima roupa, com fez com o sem-terra, Elton Brum. É por isso que quando o povo sai pra rua a RBS convoca sua guarda a preço vil.

SABATINA FOLHA/UOL – CAIO MARTINS E MARIANA TOLEDO

É difícil fazer protesto pacífico, diz Passe Livre

INTEGRANTES DO MOVIMENTO CULPAM REPRESSÃO POLICIAL PELA VIOLÊNCIA E DEFENDEM QUE CONTRIBUINTE FINANCIE TARIFA ZERO

DE SÃO PAULO

O MPL (Movimento Passe Livre) afirma que a realização de protestos pacíficos no país é difícil devido à violência vinda do Estado e descartou colaborar com a polícia para identificar vândalos.

O grupo classificou ainda de "oportunismo" a proposta feita pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para criar um passe livre para estudantes, e defendeu que a tarifa zero seja financiada pelo contribuintes.

As afirmações foram feitas ontem por Caio Martins, 19, e Mariana Toledo, 27, integrantes do MPL, em sabatina realizada pela Folha e pelo portal UOL, empresa do Grupo Folha, que edita a Folha.

O debate ocorreu no Museu da Imagem e do Som, no Jardim Paulista (zona oeste de São Paulo). Foi mediado pela repórter especial Patrícia Campos Mello, com a participação de Alan Gripp, editor de "Cotidiano", Uirá Machado, editor-assistente de "Opinião", e da repórter do UOL Notícias Janaina Garcia.

"É muito difícil conseguir uma manifestação pacífica na rua [no Brasil] porque o Estado é violento", disse Martins, 19. Estudante de história da USP, ele diz que experimentou exagero da polícia desde que começou a militar no MPL, em janeiro de 2011.

Citou ainda uma integrante do movimento que perdeu parte de um dos dedos devido aos estilhaços de uma bomba de efeito moral lançada pela polícia em uma das manifestações do grupo.

Questionado se o ataque à Prefeitura de São Paulo tinha sido crucial para a revogação no aumento da passagem, o estudante afirmou que o motivo principal do recuo na tarifa foi "a presença popular": "Tinha centenas de milhares de pessoas saindo às ruas."

VIOLÊNCIA

Ao lado de Martins na sabatina, Mariana, pós-graduanda em sociologia da USP, disse que "não é uma questão de condenar ou apoiar, achar legítimo ou não [a violência]. É que a gente perceba como a população está descontente com a violência da polícia, da tarifa".

Sobre a presença de anarquistas ligados ao "black bloc", movimento que prega o uso da violência em manifestações, a ativista disse que a presença do grupo "é mais fantasia do que outra coisa".

Mariana reforçou a posição do MPL contrária à "depredação do patrimônio público e disse que tenta evitar que isso ocorra. No entanto, afirmou que o movimento jamais ajudará a polícia a identificar vândalos.

"Uma coisa é tentar, auto-organizadamente, restringir [a violência]. Ajudar a polícia a criminalizar quem quer que seja é outra coisa", disse ela.

VIDA PESSOAL

Como tem sido praxe, os porta-vozes do MPL evitaram dar detalhes de suas vidas pessoais e comentar outros temas que são alvos de manifestações, como a PEC 37, projeto que restringia o poder de investigação do Ministério Público e foi barrado terça-feira na Câmara.

"A gente é um movimento social que discute transportes", repetiu Mariana.

"Não interessa saber o que o Caio e a Mariana pensam. Fomos destacados pra uma tarefa específica, de falar com a imprensa", disse Martins, que acusou os meios de comunicação de tachar o MPL de "vândalos" no início da realização dos protestos.

De organização "horizontal", o MPL não tem líderes. Os porta-vozes foram escolhidos pelo grupo, de cerca de 80 integrantes. Outras tarefas incluem a interlocução com a polícia e a redação de documentos e panfletos.

CRÍTICAS POLÍTICAS

Os dois integrantes do MPL foram duros tanto com as reações de Calheiros quanto a da presidente Dilma Rousseff (PT), com quem o movimento se reuniu, em Brasília, na última segunda-feira.

"A gente vê o projeto do Renan de passe livre estudantil como algo ligeiramente oportunista, cuja tentativa é menos enxergar o transporte como direito e mais uma tentativa de desmobilizar os estudantes", afirmou Mariana.

TARIFA ZERO

O MPL defendia o passe livre estudantil quando foi organizado nacionalmente, em 2005. Com o tempo, porém, passou a defender a tarifa zero, com base no projeto criado, mas não implantado em São Paulo em 1990, na gestão da então prefeita Luiza Erundina, na época no PT.

"A Dilma [Rousseff] disse que não existe tarifa zero: ou paga o usuário ou paga o contribuinte, mas isso é óbvio. O que a gente quer, justamente, é que o contribuinte pague", defendeu Martins.

Ele citou o aumento no IPTU como uma das fontes de financiamento possíveis e disse que o transporte público deveria estar no mesmo patamar de serviços públicos, como saúde e educação, fornecidos gratuitamente pelos governos.

"A reunião foi frustrante, pró-forma, do tipo vocês estão na rua, então vou chamar pra conversar’", disse Mariana, após a sabatina, sobre o encontro com Dilma.

O MPL negou que deixará de convocar mais protestos, mas disse que o foco agora será em outras atividades, como a aula pública realizada ontem, em frente à Prefeitura de São Paulo.

O movimento também promoverá o projeto de lei que prevê a implantação do transporte gratuito em São Paulo.

ESTÉTICA

Uma das perguntas do público que mais empolgaram o MPL foi sobre a "estética" dos protestos, questão classificada de "muito séria".

O movimento define o roteiro da marcha durante a manifestação e, ao invés de usar carro de som, faz jograis durante a passeata –prática em que um integrante grita um recado e os outros manifestantes repetem, juntos, em voz alta, para que todos no protesto possam escutar.

O grupo também tem uma fanfarra durante os atos. Outro recurso é a queima de catracas, compradas em ferros-velhos. "A catraca como símbolo, é a marca do apartheid urbano, por isso a destruição da catraca", disse Martins.

Os ativistas disseram que as redes sociais, principalmente o Facebook foram "fundamentais para a massificação da luta contra o aumento", mas lembram que várias cidades já haviam feito protestos grandes antes da existência desse recurso.

(FABIANO MAISONNAVE)

26/06/2013

Classe mérdia no comando

Filed under: Movimento Estudantil,Movimento Passe Livre — Gilmar Crestani @ 8:24 am
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É uma classe que mistura falta de classe, merda e muita mídia. Hoje são, na maioria, pessoas movidas pela Rede Globo. A pauta está toda na grade de programação da Globo. A diferença, os generais receberam para saber quem deveriam perseguir, torturar e assassinar. Os que não conseguiram fugir do Brasil foram perseguidos e torturados. E o único mérito daqueles líderes foi terem armas na mão e atirarem sem dó nem piedade. Aliás, como faz a Brigada agora contra movimentos sociais ao mesmo tempo em que desloca todo seu contingente para defender a RBS.

Na democracia, os líderes foram recebidos para que a pauta fosse atendida. Compare-se os encaminhamentos feitos na Ditadura, o AI-5 e a na Democracia, com Constituinte e Plebiscito. Como se viu ontem, pela charge do Latuff. Nas manifestações da Classe Mérdia, a Polícia usa bala de borracha e protege seus sustentadores ideológicos, como a RBS. Nas manifestações das favelas e nos demais movimentos sociais, como o MST, a polícia continua usando bala de verdade e não protegem a vida, o que se dirá do patrimônio.

PAÍS EM PROTESTO 1968-2013

Igual, mas diferente

Participantes da Passeata dos Cem Mil, que completa 45 anos hoje, analisam os protestos atuais

MARCO AURÉLIO CANÔNICODO RIO

"Estava todo mundo entupido de problemas, com gana de protestar." A frase da cantora Nana Caymmi se encaixa perfeitamente nos dias atuais, mas se refere a um outro 26 de junho –como hoje, uma quarta-feira–, o de 1968, data da Passeata dos Cem Mil.

Principal manifestação popular de resistência à ditadura militar, a passeata, que aconteceu no centro do Rio, completa 45 anos hoje.

A Folha ouviu alguns de seus participantes célebres para colher comparações com os protestos atuais –no Rio, as principais manifestações na semana passada aconteceram na mesma região da de 1968.

"O foco era muito preciso, havia uma mobilização geral da sociedade contra a ditadura", diz Gilberto Gil, um dos muitos artistas retratados durante a passeata por fotógrafos como o americano David Drew Zingg, cujas fotos da época estão expostas no blog do Instituto Moreira Salles (www.blogdoims.com.br).

"Essa de agora é a nuvem, para usar a expressão da internet. É um conjunto de demandas difusas em relação a uma série de coisas, apesar de ter pontos objetivos também, como o passe livre", afirma Gil.

"Naquela época, a gente queria organizar uma democracia. Hoje, existe uma decepção com essa ideia da democracia representativa, e não só no Brasil. Não sei como resolver isso, não gosto de democracia direta, acho que acaba no populismo", diz o cineasta Cacá Diegues.

A Passeata dos Cem Mil foi resultado de uma série de insatisfações e incidentes, como o assassinato do secundarista Edson Luís, 18, pela Polícia Militar do Rio, em 28 de março, no restaurante estudantil conhecido como Calabouço.

"Aquilo se seguiu a três dias de confronto com a polícia na semana anterior, com muitos mortos", diz Vladimir Palmeira, ex-presidente da União Metropolitana de Estudantes e um dos líderes da passeata.

"O governo decidiu permitir porque ficou com medo de que degenerasse para um conflito generalizado. Eles decretaram ponto facultativo, para tentar esvaziar."

Diferentemente das maiores passeatas atuais, com violência de parte dos manifestantes e repressão policial, a de 1968 transcorreu em paz.

"Houve uma intimidação. Tinha tanque de guerra, metralhadoras, cavalos, um aparato militar como se fosse um dia de guerra. Mas a passeata foi em paz", diz o diretor teatral Renato Borghi.

HIERARQUIA

Hoje, como em 1968, foi a jovem classe média que saiu às ruas. "Quem tem consciência e atua na sociedade politicamente é a classe média", diz o poeta Ferreira Gullar, colunista da Folha.

"A diferença é que, naquela época, sabia-se quem estava organizando: a UNE, com os artistas e o respaldo do Partido Comunista. Participaram sindicatos, igreja, associações de mães. Agora não, é o povo desorganizado."

A existência de um comando central na Passeata dos Cem Mil deu unidade política ao discurso e evitou a violência dos manifestantes.

"Escolhia-se desde o itinerário até as palavras de ordem, era mais ensaiado", diz o ex-deputado Fernando Gabeira.

Outro sinal desse planejamento foi a série de discursos na passeata, tanto em seu início, na Cinelândia, quanto no final, em frente ao Palácio Tiradentes– atacado por manifestantes na semana passada.

Mesmo sem lideranças identificáveis, à exceção do Movimento Passe Livre, as manifestações atuais conseguiram um objetivo semelhante a dos Cem Mil.

Como Costa e Silva à época, Dilma Rousseff recebeu representantes do movimento.

Entre os que estavam no protesto de 1968 e foram ouvidos pela Folha, apenas Vladimir Palmeira foi a uma passeata atual –ele acompanhou a da última quinta no Rio, que reuniu estimadas 300 mil pessoas.

"As maiores reivindicações são por educação, saúde e a luta contra a corrupção. O problema é que grande parte da esquerda se sente atingida pela luta contra a corrupção, fica cheia de dedos por causa do processo do mensalão."

Para Nana Caymmi, agora os protestos precisam parar. "Já deram o recado, o mundo ficou sabendo, agora sossega o rabo. Deixa os outros trabalharem. Se o governo não tomar providência, marquem outra. Ou aprendam a votar."

22/06/2013

Para entender as manifestações, é longo mas vale a pena

Pincei uma frase e combina com o que tenho acompanhado pelo jornal El País a respeito dos eventos da Venezuela, Paraguai, Argentina, Honduras. “Um pouquinho depois, outra notícia: a nova embaixadora dos EUA no Brasil é a mesma embaixadora que estava trabalhando no Paraguai quando deram um golpe de estado em Fernando Lugo. A grampeação universal do OBAMA ajuda a explicar. A matéria sobre a ESPN é mais um tijolo que ajuda a entender. Agora à noite, o Primeiro Ministro turco fez a comparação, dizendo que se trata desestabilização vinda de fora. New York Times, The Economist vem batendo contra o Brasil faz tempo. E todos sabemos quem foi que construiu a mentira de que existia armas de destruição em massa no Iraque, o New York Times. Se antes havia a OBAN, agora há o Instituto Millenium. É evidente que se a Globo está de acordo com algo é porque não se trata de algo de bom. Depois mais esta informação de que o Facebook virou longa manus da CIA… Yo non creo en brujas, pero que las hay las hay.

Está tudo tão estranho, e não é à toa

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Socióloga e militante Marília Moschkovitch explica como os protestos, nascidos de uma pauta de esquerda, do Movimento Passe Livre, estão sendo sequestrados por grupos fascistas e por uma agenda manipulada e imposta pelos grandes grupos de mídia. Algumas perguntas estão suspensas no ar: (1) por que jornais e televisões estimularam a repressão em São Paulo, em nome do trânsito e do direito de ir e vir? (o que fomentou novas manifestações); (2) por que esses mesmos grupos passaram, depois, a condenar qualquer ação da polícia? (o que tem estimulado atos de vandalismo); Marília pergunta se ela está louca; a verdade: não, ela não está louca e produziu uma das análises mais sensatas até agora

22 de Junho de 2013 às 21:19

Por Marília Moschkovich

Está tudo tão estranho, e não é à toa.

Um relato do quebra-cabeças que fui montando nos últimos dias. Aviso que o post é longo, mas prometo fazer valer cada palavra.

[*nota da autora, adicionada após muitos comentários e compartilhamentos desviando um pouco o sentido do texto: este é um texto de esquerda]

Começo explicando que não ia postar este texto na internet. Com medo. Pode parecer bobagem, mas um pressentimento me dizia que o papel impresso seria melhor. O papel impresso garantiria maiores chances de as pessoas lerem tudo, menores chances de copiarem trechos isolados destruindo todo o raciocínio necessário.

Enquanto forma de comunicação, o texto exige uma linearidade que é difícil. Difícil transformar os fatos, as coisas que vi e vivi nos últimos dias em texto. Estou falando aqui das ruas de São Paulo e da diferença entre o que vejo acontecer e o que está sendo propagandeado nos meios de comunicação e até mesmo em alguns blogs.

Talvez essa dimensão da coisa me seja possível porque conheço realmente muita gente, de vários círculos; talvez porque sempre tenha sido ligada à militância política, desde adolescente; talvez porque tenha tido a oportunidade de ir às ruas; talvez porque pude estar conectada na maior parte do tempo. Não sei. Mas gostaria de compartilhar com vocês.

E gostaria que, ao fim, me dissessem se estou louca. Eu espero verdadeiramente que sim, pois a minha impressão é a de que tudo é muito mais grave do que está parecendo.


Tentei escrever este texto mais ou menos em ordem cronológica. Se não foi uma boa estratégia, por favor me avisem e eu busco uma maneira melhor de contar. Peço paciência. O texto é longo.


1. Contexto é bom e mantém a pauta no lugar

Hoje é dia 18 de junho de 2013. Há uma semana, no dia 10, cerca de 5 mil pessoas foram violentamente reprimidas pela Policia Militar paulista na Avenida Paulista, símbolo da cidade de São Paulo. Com a transmissão dos horrores provocados pela PM pela internet, muitas pessoas se mobilizaram para participar do ato seguinte, que seria realizado no dia 13. A pauta era a revogação no aumento das tarifas de ônibus, que já são caras e já excluem diversos cidadãos de seu direito de ir e vir, frequentando a própria cidade onde moram.

No dia 13, então, aconteceu a primeira coisa estranha, que acendeu uma luzinha amarela (quase vermelha de tão laranja) na minha cabeça: os editoriais da folha e do estadão aprovavam o que a PM tinha feito no dia 10 de junho e, mais do que isso, incentivavam ações violentas da pm“em nome do trânsito” [aliás, alguém me faz um documentário sensacional com esse título, faz favor? ]. Guardem essa informação.

Logo após esses editoriais, no fim do dia, a PM reprimiu cerca de 20milpessoas. Acompanhei tudo de casa, em outra cidade. Na primeira hora de concentração para a manifestação foram presas 70 pessoas, por sua intenção de participar do protesto. Essa intenção era identificada pela PM com o agora famoso “porte de vinagre” (já que vinagre atenua efeitos do gás lacrimogêneo). Muitas pessoas saíram feridas nesse dia e, com os horrores novamente transmitidos – mas dessa vez também pelos grandes meios de comunicação, inclusive esses dos editoriais da manhã, que tiveram suas equipes de reportagem gravemente feridas -, muita gente se mobilizou para o próximo ato.

2. Desonestidade pouca é bobagem

No próprio dia 13, à noite, aconteceu a segunda “coisa estranha”. Logo no final da pancadaria na região da Paulista, sabíamos que o próximo ato seria na segunda-feira, dia 17 de junho. Me incluíram num evento no Facebook, com exatamente o mesmo nome dos eventos do MPL, as mesmas imagens, bandeiras, etc. Só que marcado para sexta-feira, o dia seguinte. Eu dei “ok”, entrei no evento, e comecei a reparar em posts muito, mas muito esquisitos. Bandeiras que não eram as do MPL (que conheço desde adolescente), discursos muito voltados à direita, entre outros. O que estava ali não era o projeto de cidade e de país que eu defendo, ou que o MPL defende.

Dei uma olhada melhor: eram três pessoas que haviam criado o evento. Fucei o pouco que fica público no perfil de cada um. Não encontrei nenhuma postagem sobre nenhuma causa política. Apenas postagens sobre outros assuntos. Lá no fim de um dos perfis, porém, encontrei uma postagem com um grupo de pessoas em alguma das tais marchas contra a corrupção. Alguma coisa com a palavra “Juventude”, não me lembro bem. Ficou claro que não tinha nada a ver com o MPL e, pior que isso, estavam tentando se passar pelo MPL.

Alguém me deu um toque e observei que a descrição dizia o trajeto da manifestação (coisa que o MPL nunca fez, até hoje, sabiamente). Além disso, na descrição havia propostas como “ir ao prédio da rede globo” e “cantar o hino nacional”, “todos vestidos de branco”. O alerta vermelho novamente acendeu na minha cabeça. Hino nacional é coisa de integralista, de fascista. Vestir branco é coisa de movimentos em geral muito ou totalmente despolitizados. Basta um mínimo de perspectiva histórica pra sacar. Pois bem.

Ajudei a alertar sobre a desonestidade de quem quer que estivesse organizando aquilo e meu alerta chegou a uma das pessoas que, parece, estavam envolvidas nessa organização (ou conhecia quem estava). O discurso dela, que conhece alguém que eu conheço, era totalmente despolitizado. Ela falava em “paz”, “corrupção” e outras palavras de ordem vazias que não representam reivindicação concreta alguma, e muito menos um projeto de qualquer tipo para a sociedade, a cidade de São Paulo, etc. Mais um pouco de perspectiva histórica e a gente entende no que é que palavras de ordem e reivindicações vazias aleatórias acabam. Depois de fazer essa breve mobilização na internet com várias outras pessoas, acabaram mudando o nome e a foto do evento, no próprio dia 13 de noitão. No dia seguinte transferiram o evento para a segunda-feira, “para unir as forças”, diziam.

3. E o juiz apita! Começa a partida!

Seguiu-se um final de semana extremamente violento em diversos lugares do país. Era o início da Copa das Confederações e muitos manifestantes foram protestar pelo direito de protestarem. O que houve em sp mostrou que esse direito estava ameaçado. Além disso, com a tal “lei da copa”, uma legislação provisória que vale durante os eventos da FIFA, em algumas áreas publicas se tornam proibidas quaisquer tipos de manifestações políticas. Quer dizer, mais uma ameaça a esse direito tão fundamental numa [suposta] democracia.

No final de semana as manifestações não foram tão grandes, mas significativas em ao menos três cidades: Belo Horizonte, Brasília e Rio de Janeiro. No DF e no RJ as polícias militares seguiram a receita paulista e foram extremamente violentas. A polícia mineira, porém, parecia um exemplo de atuação cidadã, que repassamos, compartilhamos e apoiamos em redes sociais do lado de cá do sudeste.

Não me lembro bem, mas acho que foi no intervalo entre uma coisa e outra que percebi a terceira “coisa estranha”. Um pouco depois do massacre na região da Paulista, e um pouco antes do final de semana de horrores, mais um sinal: ficamos sabendo que uma conhecida distante, depois do dia 13, pegou um ônibus para ir ao Rio de Janeiro. Essa pessoa contou que a PM paulista parou o ônibus na estrada, antes de sair do Estado de São Paulo. Mandaram os passageiros descerem e policiais entraram no veículo. Quando os passageiros subiram novamente, todas as coisas, bolsas, malas e mochilas estavam reviradas. A policial perguntou a essa pessoa se ela tinha participado de algum dos protestos. Pediu pra ver o celular e checou se havia vídeos, fotografias, etc.

Não à toa e no mesmo “clima”, conto pra vocês a quarta “coisa estranha”: descobrimos que, após o ato em BH, um rapaz identificado como uma das lideranças políticas de lá foi preso, em sua casa. Parece que a nossa polícia exemplar não era tão exemplar assim, mas agora ninguém compartilhava mais. Coisas semelhantes aconteceram em Brasília, antes mesmo das manifestações começarem.

4. Sequestraram a pauta?

Então veio a segunda-feira. Dia 17 de junho de 2013. Ontem. Havia muita gente se prontificando a participar dos protestos, guias de segurança compartilhados nas redes, gente montando pontos de apoio, etc. Uma verdadeira mobilização para que muita gente se mobilizasse. Estávamos otimistas.

Curiosamente, os mesmos meios de comunicação conservadores que incentivaram as ações violentas da PM na quinta-feira anterior (13) de manhã, em seus editoriais, agora diziam que de fato as pessoas deveriam ir às ruas. Só que com outras bandeiras. Isso não seria um problema, se as pessoas não tivessem, de fato, ido à rua com as bandeiras pautadas por esses grupos políticos (representados por esses meios de comunicação). O clima, na segunda-feira, era outro. Era como se a manifestação não fosse política e como se não estivesse acontecendo no mesmo planeta em que eu vivo. Meu otimismo começou a decair.

A pauta foi sequestrada por pessoas que estavam, havia alguns dias, condenando os manifestantes por terem parado o trânsito, e que são parte dos grupos sociais que sempre criminalizaram os movimentos sociais no Brasil (representados por um pedaço da classe política, estatisticamente o mais corrupto – não, não está nem perto de ser o PT -, e pelos meios de comunicações que se beneficiam de uma política de concessões da época da ditadura). De repente se falava em impeachment da presidenta. As pessoas usavam a bandeira nacional e se pintavam de verde e amarelo como ordenado por grandes figurões da mídia de massas, colunistas de opinião extremamente populares e conservadores.

As reações de militantes variavam. Houve quem achasse lindo, afinal de contas, era o povo nas ruas. Houve quem desconfiasse. Houve quem se revoltasse. Houve quem, entre todos os sentimentos possíveis, ficasse absolutamente confuso. Qualquer levante popular em que a pauta não eh muito definida cria uma situação de instabilidade política que pode virar qualquer coisa. Vimos isso no início do Estado Novo e no golpe de 1964, ambos extremamente fascistas. Não quer dizer que desta vez seria igual, mas a história me dizia pra ficar atenta.

5. Não, sequestraram o ato!

A passeata do dia 17, segunda-feira, estava marcada para sair do Largo da Batata, que fica numa das pontas da avenida Faria Lima. Não se sabia, não havia decisão ainda, do que se faria depois. Aos que não entendem, a falta de um trajeto pré-definido se justifica muito bem por duas percepções: (i) a de que é fácil armar emboscadas para repressão quando divulga-se o trajeto; e, (ii) mais importante do que isso, a percepção de que são as pessoas se manifestando, na rua, que devem definir na hora o que fazer. [e aqui, se vocês forem espertos, verão exatamente onde está a minha contradição – que não nego, também me confunde]

A passeata parecia uma comemoração de final de copa do mundo. Irônico, não? Começamos a teorizar (sem muita teoria) que talvez essa fosse a única referência de manifestações públicas que as pessoas tivessem, em massa:o futebol. Os gritos eram do futebol, as palavras de ordem eram do futebol. Muitas camisetas também eram do futebol.Havia inclusive uns imbecis soltando rojões, o que não é muito esperto pois pode gerar muito pânico considerando que havia poucos dias muita gente ali tinha sido bombardeada com gás lacrimogêneo. Havia pessoas brincando com fogo. [guardem essa informação do fogo também]

Agora uma pausa: vocês se lembram do fato estranho número dois?O evento falso no facebook? Bom, o trajeto desse evento falso incluía a Berrini, a ponte Estaiada e o palácio dos Bandeirantes, sede do governo do Estado. Reparem só.

Quando a passeata chegou ao cruzamento da Faria Lima com a Juscelino, fomos praticamente empurrados para o lado direito. Nessa hora achamos aquilo muito esquisito. Em nossas cabeças, só fazia sentido ir à Paulista, onde havíamos sido proibidos de entrar havia alguns dias. Era uma questão de honra, de simbologia, de tudo. Resolvemos parar para descobrir se havia gente indo para o lado oposto e subindo a Brigadeiro até a Paulista. Umas amigas disseram que estavam na boca do túnel. Avisei pra não irem pelo túnel que era roubada. Elas disseram então que estavam seguindo a passeata pela ponte, atravessando a Marginal Pinheiros.

Demoramos um tanto pra descobrirmos, já prontos pra ir para casa broxados, que havia gente subindo para o outro lado. Gente indo à esquerda. Era lá que preferíamos estar. Encontramos um outro grupo de pessoas conhecidas e amigas e seguimos juntos. As palavras de ordem não mudaram. Eram as mesmas em todos os lugares. As pessoas reproduziam qualquer frase de efeito tosca de maneira acrítica, sem pensar no que estavam dizendo. Efeito “multidão”, deve ser.

As frases me incomodaram muito. Nem uma só palavra sobre o governador que ordenara à PM descer bala, cassetete e gás na galera havia poucos dias. Que promove o genocídio da juventude negra nessa cidade todos os dias, há 20 anos. Nem mesmo uma. Os culpados de todos os problemas do mundo, para os verde-amarelos-bandeira-hino eram o prefeito e a presidenta. Ou essas pessoas são ignorantes, ou são extremamente desonestas.

Nem chegamos à Paulista, incomodados com aquilo. Fomos para casa nos sentindo muito esquisitos. Aí então conseguimos entender que aquelas pessoas do evento falso no facebook tinham conseguido de alguma maneira manobrar uma parte muito grande de pessoas que queria ir se manifestar em outro lugar. A falta de informação foi o que deu poder para esse grupo naquele momento específico. Mas quem era esse grupo? Não sei exatamente. Mas fiquei incomodada.

6. O centro em chamas.

Quem diria que essa sensação bizarra e sem nome da segunda-feira faria todo sentido no dia seguinte? Fez. Infelizmente fez. O dia seguinte, “hoje”, dia 18 de junho de 2013, seria decisivo. Veríamos se as pessoas se desmobilizariam, se a pauta da revogação do aumento se fortaleceria. Essa era minha esperança que, infelizmente, não se confirmou. A partir daqui são todos fatos recentes, enquanto escrevo e vou tentar explica-los em ordem cronológica. Aviso que foram fazendo sentido aos poucos, conforme falávamos com pessoas, ouvíamos relatos, descobríamos novas informações. Essa é minha tentativa de relatar o que eu vi, vivi, experienciei.

No fim da tarde, pegamos o metrô Faria Lima lotadíssimo um pouco depois do horário marcado para a manifestação. Perguntei na internet, em redes sociais, se o ato ainda estava na concentração ou se estava andando, e para onde. Minha intenção era saber em qual estação descer. Me disseram, tomando a televisão como referencia (que é a referencia possível, já que não havia um único comunicado oficial do MPL em lugar algum) que o ato estava na prefeitura. Guardem essa informação.

Fomos então até o metrô República. Helicópteros diversos sobrevoavam a praça e reparei na quinta “coisa estranha”: quase não havia polícia. Acho que vimos uns três ou quatro controlando curiosamente a ENTRADA do metrô e não a saída… Quer dizer, quementrasse no metro tinha mais chance de ser abordado do que quem estava saindo, ao contrário do dia 13.

A manifestação estava passando ali e fomos seguindo, até que percebemos que a prefeitura era outro lado. Para onde estavam indo essas pessoas? Não sabíamos, mas pelos gritos, pelo clima de torcida de futebol, sabíamos que não queríamos estar ali, endossando algo em que não acreditávamos nem um pouco e que já estávamos julgando sermeio perigoso. Quando passamos em frente à câmara de vereadores, a manifestação começou a vaiar e xingar em massa. Oras, não foram eles também que encheram aquela câmara com vereadores? O discurso de ser “apolítico” ou “contra” a classe política serve a um único interesse, a história e a sociologia nos mostram: o dos grupos conservadores para continuarem tocando a estrutura social injusta como ela é, sem grandes mudanças. Pois era esse o discurso repetido ali.

Resolvemos então descer pela rua Jandaia e tentar voltar à Sé, poisdisseram nas redes sociais que o ato real, do MPL, estava no Parque Dom Pedro. Como aquilo fazia mais sentido do que um monte de pessoas bem esquisitas, com cartazes bem bizarros, subindo para a Paulista, lá fomos nós.

Outro fato estranho, número seis: no meio da Rua Jandaia, num local bem visível para qualquer passante nos viadutos do centro, um colchão em chamas. A manifestação sequer tinha passado ali. Uma rua deserta e um colchão em chamas. Para quê? Que tipo de sinal era aquele? Quem estava mandando e quem estava recebendo? Guardamos as mascaras de proteção com medo de sermos culpados por algo que não sabíamos sequer de onde tinha vindo e passamos rápido pela rua.

Cruzamos com a mesma passeata, mais para cima, que vinha lá da região que fica mais abaixo da Sé, mas não sabíamos ainda de onde. Atrás da catedral, esperamos amigos. Uma amiga disse que o marido estava chateado porque não conseguiu pegar trem na Vila Olímpia. Achamos normal, às vezes a CPTM trava mesmo, daí essa porcaria de transporte e os protestos, etc. pois bem. Guardem a informação.

Uma amiga ligou dizendo que estava perto do teatro municipal e do Vale do Anhangabaú, que estava “pegando fogo”. Imbecil que me sinto agora, na hora achei que ela estava falando que estava cheio de gente, bacana, legal. [que tonta!] Perguntei se era o ato do MPL, se tinha as faixas do MPL. Ela disse que sim mas não confiei muito.Resolvemos ir ver.

[A partir daqui todos os fatos são “estranhos”. Bem estranhos.]

O clima no centro era muito tenso quando chegamos lá. Em nenhum dos outros lugares estava tão tenso. Tudo muito esquisito sem sabermos bem o quê. Os moradores de rua não estavam como quem está em suas casas. Os moradores de rua estavam atentos, em cantos, em grupos. Poucos dormiam. Parecia noite de operação especial da PM (quem frequenta de verdade a cidade de São Paulo, e não apenas o próprio bairro, sabe bem o que é isso entre os moradores de rua).

Só que era ainda mais estranho: não havia polícia. Não havia polícia no centro de São Paulo à noite. No meio de toda essa onda. Não havia polícia alguma. Nadinha de nada, em lugar nenhum.

Na Sé, descobrimos mais ou menos o caminho e fomos mais ou menos andando perto de outras pessoas. Um grupo de franciscanos estava andando perto de nós, também. Vimos uma fumaça preta. Fogo. MUITO fogo. Muito alto. O centro em chamas.

Tentamos chegar mais perto e ver. Havia pessoas trepadas em construções com latas de spray enquanto outros bradavam em volta daquela coisa queimando que não conseguíamos identificar. Outro colchão? Os mesmos que deixaram o colchão queimando na Jandaia? Mas quem eram eles?

De repente algumas pessoas gritaram e nós,mais outros e os franciscanos, corremos achando que talvez o choque estaria avançando. Afinal de contas, era óbvio que a polícia iria descer o cacete em quem tinha levantado aquele fogaréu (aliás, será q ela só tinha visto agora, que estava daquele tamanho todo?). Só que não.

Na corrida descobrimos que era a equipe da TV Record. Estavam fugindo do local – a multidão indo pra cima deles – depois de terem o carro da reportagem queimado. Não, não era um colchão. Era o carro de reportagem de uma rede de televisão. O olhar no rosto da repórter me comoveu. Ela, como nós, não conseguia encontrar muito sentido em tudo que estava acontecendo. Ao lado de onde conversávamos, uns quatro policiais militares. Parados. Assistindo o fogo, a equipe sendo perseguida… Resolvemos dar no pé que bobos nós não somos. Tinha algo muito, mas muito errado (e estranho) ali.

Voltamos andando bem rápido para a Sé, onde os moradores de rua continuavam alertas, e os franciscanos tentavam recolher pertences caídos pelo chão na fuga e se organizarem novamente para dar continuidade a sua missão. Nós não fomos tão bravos e decidimos voltar para nossas casas.

7. Prelúdio de um… golpe?

No metrô um aviso: as estações de trem estavam fechadas. É, pois é, aquela coisa que havíamos falado antes e tal. Mal havíamos chegado em casa, porém, uma conhecida posta no facebook que um amigo não conseguiu chegar em lugar nenhum porque algumas pessoas invadiram os trilhos da CPTM e várias estações ficaram paradas, fechadas. Não era caos “normal” da CPTM, nem problemas “técnicos” como a moça anunciava. Era de propósito. Seriam os mesmos do colchão, do carro da Record?

Lemos, em seguida, em redes sociais, que havia pessoas saqueando lojas e destruindo bancos no centro. Sabíamos que eram o mesmos. Recebi um relato de que uma ocupação de sem-teto foi alvo de tentativa (?) de incêndio. Naquele momento sabíamos que, quem quer que estivesse por trás do “caos” no centro, da depredação de ônibus na frente do Palácio dos Bandeirantes no dia anterior, de tentativas de criar caos na prefeitura, etc. não era o MPL. Também sabíamos que não era nenhum grupo de esquerda: gente de esquerda não quer exterminar sem-teto. Esse plano é de outro grupo político, esse que manteve a PM funcionando nos últimos 20 anos com a mesma estrutura da época da ditadura militar.

Algum tempo depois, mais uma notícia: em Belo Horizonte, onde já se fala de chamar a Força Nacional e onde os protestos foram violentíssimos na segunda-feira, havia ocorrido a mesma coisa.Depredação total do centro da cidade, sem nenhum policial por perto. Nenhunzinho. Muito estranho.

Nessa hora eu já estava convencida de que estamos diante de uma tentativa muito séria de golpe, instauração de estado de exceção, ou algo do tipo. Muito séria. Muito, muito, muito séria. Postei algumas coisas no facebook, vi que havia pessoas compartilhando da minha sensação. Sobretudo quem havia ido às ruas no dia de hoje.

Um pouquinho depois, outra notícia: a nova embaixadora dos EUA no Brasil é a mesma embaixadora que estava trabalhando no Paraguai quando deram um golpe de estado em Fernando Lugo.

Me perguntaram e eu não sei responder qual golpe, nem por que. Mas se o debate pela desmilitarização da polícia e pelo fim da PM parece que finalmente havia irrompido pelos portões da USP, esse seria um ótimo motivo. Nem sempre um golpe é um golpe de Estado. Em 1989 vivemos um golpe midiático de opinião pública, por exemplo. Pode ser que estejamos diante de outro. Essa é a impressão que, ligando esses pontos, eu tenho.

Já vieram me falar que supor golpe “desmobiliza” as pessoas, que ficam em casa com medo. De forma alguma. Um “golpe” não são exércitos adentrando a cidade. Não necessariamente. Um “golpe” pode estar baseado na ideia errônea de que devemos apoiar todo e qualquer tipo de indignação, apenas porque “o povo na rua é tão bonito!”.

Curiosamente, quando falei sobre a manifestação do dia 13 com meus alunos, no dia 14, vários deles me perguntaram se havia chances de golpes militares, tomadas de poder, novas ditaduras. A minha resposta foi apenas uma, que ainda sustento sobre este possível golpe de opinião pública/mídia: em toda e qualquer tentativa de golpe, o que faz com que ela seja ou não bem-sucedida é a resposta popular ao ataque. Em 1964, a resposta popular foi o apoio e passamos a viver numa ditadura. Nos anos 2000, a reposta do povo venezuelano à tentativa de golpe em Chávez foi a de rechaço, e a democracia foi restabelecida.

O ponto é que depende de nós. Depende de estarmos nas ruas apoiando as bandeiras certas (e há pessoas se mobilizando para divulgar em tempo real, de maneira eficaz, onde está o ato contra o aumento da passagem, porque já não podemos dizer que é apenas “um” movimento, como fez Haddad em sua entrevista coletiva). Depende de nos recusarmos a comprar toda e qualquer informação. Depende de levantarmos e irmos ver com nossos próprios olhos o que está acontecendo.


[update: escrevi um pouco melhor sobre como eu acho que esse “golpe” continua se desenhando; somando novas peças ao quebra-cabeças. leia aqui se interessar]


Se essa sequencia de fatos faz sentido pra você, por favor leia e repasse o papel. Faça uma cópia. Guarde. Compartilhe. Só peço o cuidado de compartilharem sempre integralmente. Qualquer pessoa mal-intencionada pode usar coisas que eu disse para outros fins. Não quero isso.

Quero apenas que vocês sigam minha linha de raciocínio e me digam: estamos mesmo diante da possibilidade iminente de um golpe?

Estou louca?

Espero sinceramente que sim. Mas acho que não.

Está tudo tão estranho, e não é à toa | Brasil 24/7

20/06/2013

A crise de representatividade e a criminalização da política

Filed under: Movimento Passe Livre,Rede Globo de Corrupção — Gilmar Crestani @ 7:45 am
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Se é verdade que há crise de representatividade, e isso as manifestações deixam claro, também é verdade que se fez de tudo para que isso acontecesse. Não só o distanciamento dos políticos e sindicados, que abandonaram os movimentos sociais, de uma forma quase unânime e generalizada, como também é verdade que os meios de comunicação buscaram criminalizar de todas as formas as instituições públicas. A maneira seletiva com que a mídia trata as questões políticas, poupando ou divinizando parceiros ideológicos, ao mesmo tempo em que denigre ou demoniza adversários de seu espectro ideológico, faz com que se potencialize cada vez mais a distância ente instituições e sociedade. Quando Joaquim Barbosa é guindado aos píncaros da glória por condenar alguns réus, constrói a imagem do homem acima do bem e do mal. Ninguém cobrou dele porque não dá o mesmo tratamento a todos os réus, nem se ele era coerente com o que estava exigindo apenas de um segmento ideológico. Quando foi descoberto que os Ministros do Supremo levavam suas mulheres para convescotes internacionais com tudo pago pelo erário, ninguém tratou isso como corrupção, nem cobraram satisfação do novo paladino da moralidade. E aí se explica também porque no primeiro momento Veja e Globo tentaram criminalizar os manifestantes de vândalos e baderneiros, mas agora tenta direcionar o movimento para abraçar apenas a pauta que lhe interesse. Os mesmos que botam a culpa da crise na instituições não cobram satisfação na Rede Globo ou RBS que mandam à rua seus repórteres sem o emblema que os identifiquem com suas empresas. A Globo mandou esconder todo e qualquer distintivo que a identifique simplesmente porque também é um dos alvos dos manifestantes. E os reacionários de merda, que estou louquinhos para a volta da ditadura, querem cobrar um comportamento ético de uns mas não cobram da Globo, que a atua com camuflagem como se estive em guerra de contra um inimigo que quer cooptar.

ANÁLISE

Manifestações refletem crises de representação e representatividade

EM PESQUISAS, JOVENS DEIXAM CLARAS SUAS INSATISFAÇÕES

MAURO PAULINODIRETOR-GERAL DO DATAFOLHAALESSANDRO JANONIDIRETOR DE PESQUISAS DO DATAFOLHA

Pesquisa do Datafolha realizada no final de 2011 sobre os protestos de alunos da USP contra a presença da Polícia Militar no campus mostrava que o conflito na universidade era um sintoma de crise democrática.

Em análise publicada na época, o Datafolha apontou que o distanciamento dos canais tradicionais de participação política era preocupante.

Várias pesquisas do instituto junto ao universo dos jovens deixavam claras suas frustrações em relação aos seus representantes. O texto citava a "internet como arma política desse segmento em uma mobilização que dispensa intermediários e que encontra base no grau de identificação social entre os usuários da rede".

Dados divulgados nos últimos dias comprovam o agravamento dessa crise de representação. O prestígio das instituições políticas, especialmente as dos Três Poderes, caiu significativamente nos últimos dez anos entre os paulistanos e a grande maioria dos participantes das manifestações declara-se apartidária.

Em tendência oposta, as redes sociais na internet figuram como instrumentos supervalorizados e de grande credibilidade principalmente entre os jovens.

Os R$ 0,20 de aumento do transporte público foi o gatilho nesse processo de deterioração nas relações entre representantes e representados. Mais uma dentre tantas outras demandas sociais feridas pelo poder público ao longo de anos. Até aí, nenhuma novidade.

Mas foi o suficiente para fertilizar um campo minado. Ao deixar o virtual para protestar no mundo real, da universidade às ruas, provocou a identificação imediata dos mais diferentes estratos sociais.

A imagem da repressão policial contra os jovens escolarizados despertou o apoio tanto de setores conservadores da classe média, que sofrem de insegurança crônica quanto, ainda que timidamente, quanto dos moradores da periferia, já familiarizados com a violência da instituição. Nesse momento o apoio aos protestos atinge patamar semelhante ao do início da campanha das Diretas, acima de 70%, conferindo-lhe legitimidade.

Se esse apoio amplo torna as manifestações heterogêneas como a realidade de São Paulo, por outro lado podem levá-las a um grau de complexidade intratável –como a representatividade por espelho, não refletirão apenas demandas, mas, principalmente, o desequilíbrio, as diferenças e os conflitos sociais típicos de uma cidade mal tratada e desigual. Foi o que se viu nos confrontos internos entre manifestantes nas tentativas de invasão da prefeitura e nos saques à lojas.

Esses episódios alertam o poder público para a urgência da criação de canais de participação adequados aos contrastes da cidade. É preciso ouvir a população, antes que ela grite.

18/06/2013

E os sabem tudo nada sabem

Filed under: Movimento Passe Livre — Gilmar Crestani @ 7:57 am
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PAÍS EM PROTESTO

CONTRA

* ONDA DE PROTESTOS ATINGE 12 CAPITAIS, NA MAIOR MOBILIZAÇÃO DEPOIS DO ‘FORA COLLOR’ * PALÁCIO DOS BANDEIRANTES E CONGRESSO VIRAM ALVO * SP REÚNE 65 MIL E TERÁ NOVO ATO HOJE

Dilma, Alckmin, Haddad, Cabral, Sarney, Feliciano, partidos políticos, corrupção, polícia, violência, saúde, educação, cotas, inflação, imprensa, Fifa, Copa do Mundo e, é claro, transporte público.

As manifestações que ganharam corpo em São Paulo desde o último dia 6 contra o reajuste das tarifas de transporte tomaram o país ontem e se tornaram um enorme protesto contra tudo e contra todos.

Houve atos em 12 capitais, que reuniram ao menos 215 mil pessoas, segundo estimativas oficiais, na maior mobilização desde as passeatas que culminaram com o impeachment de Fernando Collor, em 1992.

Sedes de poder viraram alvo em cinco capitais. No Rio, onde houve o protesto mais violento, o prédio da Assembleia Legislativa foi invadido. Em Brasília, o teto do Congresso foi ocupado. Manifestantes tentaram entrar no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, mas foram contidos pela PM.

Em São Paulo, ao menos 65 mil participaram do ato, segundo o Datafolha. Desses, 84% não têm preferência partidária. Haverá novo protesto hoje às 17h.

O dia também teve declarações em tom conciliador de políticos em relação às manifestações, como da presidente Dilma e dos ex-presidentes FHC e Lula.

PAÍS EM PROTESTO

Ao menos 65 mil protestam nas ruas de São Paulo

Segundo Datafolha, 84% não têm preferência por legenda; 71% participaram pela primeira vez da manifestação

PM ficou à distância e maior parte do protesto foi pacífica; novo ato foi marcado pelo Passe Livre para hoje, às 17h, na Sé

DE SÃO PAULO

Em São Paulo, 65 mil pessoas se reuniram no largo da Batata, zona oeste, para participar do protesto contra o aumento da tarifa do transporte. Desses, 84% não têm preferência partidária, de acordo com o Datafolha.

Gritando frases como "O povo unido não precisa de partido" e "Sem partido, sem partido" os manifestantes se reuniram de forma pacífica.

Ao contrário do protesto anterior, na quinta-feira, em que houve mais de 200 feridos -15 jornalistas, 7 da Folha-, dessa vez não houve confrontos, prisões ou registros de casos de vandalismo na maior parte do percurso.

A Polícia Militar acompanhou à distância e se limitou à revista de manifestantes.

O tom pacífico só foi quebrado por volta das 21h30, quando um grupo que se dirigiu ao Palácio dos Bandeirantes forçou a entrada na sede do governo paulista e foi rechaçado pela polícia. O portão chegou a ser derrubado.

Cerca de 200 manifestantes continuavam, à 1h de hoje, bloqueando a rua em frente ao portão 2 do palácio. Eles pararam dois ônibus e os usaram para obstruir a via. Também fizeram uma fogueira.

A Força Tática permanecia dentro da sede do governo. Os PMs usaram bombas de gás apenas quando algumas pessoas tentaram invadir o local.

Por volta das 23h15, para poder sair, usuários quebraram um vidro da estação Consolação do metrô, que havia sido fechada antes do horário.

O Movimento Passe Livre convocou novo ato para hoje às 17h, na praça da Sé. Na quarta, às 7h, o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) fará um protesto na estrada do M’Boi Mirim por moradia e melhorias no transporte. O MPL apoia o ato.

De acordo com o Datafolha, 71% dos presentes participaram ontem pela primeira vez do protesto.

A maioria tem entre 26 e 35 anos e 81% se informaram do ato pelo Facebook. No total, 85% dos presentes buscaram informações pela internet.

Os manifestantes saíram em marcha pela avenida Faria Lima. O Movimento Passe Livre decidiu dividir a passeata em dois grupos. Uma parte seguiu pela Rebouças, até a marginal Pinheiros. O restante ocupou a Faria Lima.

No caminho, os manifestantes chamavam a população para participar. Nas janelas dos prédios, as pessoas colocaram lençóis e toalhas brancas em apoio à passeata.

"Não vim brincar, vim protestar", disse a aposentada Marita Ferreira, 82, que fez questão de participar.

Durante o percurso, os manifestantes pediam para que as bandeiras de partidos políticos fossem guardadas.

Os dois grupos se encontraram na ponte Octavio Frias de Oliveira. Enquanto isso, um terceiro grupo fechou a Paulista, nos dois sentidos, também de forma pacífica. O trânsito foi interrompido.

Na avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, um grupo se sentou no meio da via, gritando palavras de ordem. Os PMs que acompanhavam a manifestação também decidiram se sentar e foram aplaudidos.

MULTIDÃO

O protesto em São Paulo reuniu o maior número de participantes desde o movimento dos caras-pintadas pelo impeachment do ex-presidente Fernando Collor, em 25 de agosto de 1992.

Naquela ocasião, a PM calculou em 350 mil os manifestantes que se reuniram no Masp, na avenida Paulista.

Houve concentrações maiores, mas sem o caráter de protesto, como a Marcha para Jesus, em 2010, que segundo a PM reuniu 2 milhões de pessoas, e a Parada Gay de 2005, que juntou 1,8 milhão.

17/06/2013

Samba do crioulo doido

Filed under: FHC,Movimento Passe Livre,Veja — Gilmar Crestani @ 11:54 pm
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Veja chama manifestantes de baderneiros e tem seu perfil esclarecido: fascista! Alckmin segue orientação da Veja e manda seus Tonton Macoute bater nos “baderneiros e vândalos”. O Comandante da PM tenta orientar manifestantes contra o Governo Federal. E FHC, doidão, sai do armário fumando um baseado e falando dos graves erros de seu governo, quando foi o Alckmin da vez.

Hackers invadem perfil da revista Veja no Twitter

Enviado por luisnassif, seg, 17/06/2013 – 19:00

Do Terra

Perfil da Veja no Twitter é invadido e revista é chamada de fascista

O perfil da revista Veja foi invadido no início da tarde desta segunda-feira Foto: Reprodução

O perfil da revista Veja foi invadido no início da tarde desta segunda-feira Foto: Reprodução

O perfil da revista Veja no Twitter foi invadido por hackers no início da tarde desta segunda-feira, por volta das 12h50. O responsável pelo ato, que se identificou como @AnonManifest!, utilizou a conta do veículo para publicar a seguinte mensagem: "’Jornalismo fascista nós não precisamos de vocês.’ A #LUTA CONTINUA #Brasil #OGiganteAcordou #Brasil #rEvolução", em alusão aos protestos contra o aumento das tarifas no transporte público que têm ocorrido em diversas cidades pelo País.

O perfil faz parte do famoso grupo global de hackers denominado Anonymous.

Até as 13h10 a conta seguia sob o controle do invasor e já exibia três novos tuítes: "Aos mais velhos: Desliguem suas TVs, deixem o telejornal fascista de lado e venham para as ruas hoje" e "Nem a polícia e nem Mídia irão nos calar! #Brasil", foram dois deles.

Logo em seguida o hacker deixou uma mensagem de aviso a outros veículos de comunicação. "Outros vários perfis estão sendo tomados por mim neste momente e estará a dispor, p serem usados como divulgação de videos fotos…(sic)".

A revista Veja é seguida por mais de 2,5 milhões de perfis da rede social.

FHC: justificar repressão contra manifestantes "é inútil"

Enviado por luisnassif, seg, 17/06/2013 – 21:00

Nem parece que em 1995 este pilantra mandou tropas do exercito ocupar diversas refinarias da Petrobras . Eu participei daquela histórica mobilização lá na REDUC  .

Da Folha

FHC diz que chamar manifestantes de baderneiros ‘é grave erro’

DE SÃO PAULO

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) divulgou texto em uma rede social em que diz que desqualificar os protestos "como ação de baderneiros é grave erro".

A declaração se contrapõe a afirmações do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), que usou o termo ao se referir aos manifestantes envolvidos em atos de depredação durante o primeiro protesto da semana passada contra o reajuste das passagens do transporte público em São Paulo.

Para FHC, governantes e lideranças "precisam atuar entendendo o porquê desses acontecimentos nas ruas".

Veja a íntegra da nota divulgada em seu perfil no Facebook, ilustrada com uma fotografia da manifestação das Diretas Já na praça da Sé, em São Paulo, em janeiro de 1984:

"Os governantes e as lideranças do país precisam atuar entendendo o porquê desses acontecimentos nas ruas. Desqualificá-los como ação de baderneiros é grave erro. Dizer que são violentos nada resolve. Justificar a repressão é inútil: não encontra apoio no sentimento da sociedade. As razões se encontram na carestia, na má qualidade dos serviços públicos, na corrupção, no desencanto da juventude frente ao futuro".

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