Ficha Corrida

11/10/2015

Todo moralista lembra, ao subir ao púlpito, da mãe no puteiro?

nardes na zelotesNa aurora da minha vida, de minha infância querida, descobri que o dedo em riste dos moralistas é mais sujo que o dos proctologistas. O tCU era tido como albergue de políticos fracassados. Mudou de ramos.

Os moralistas mais vigilantes, os mais  sectários investigadores da moralidade alheia antes de apontarem o dedo, lembram da última visita a mãe no puteiro?!

Comprando um parecer no Carf

Postado em 10 de outubro de 2015 por Juremir

Morro e não ouço tudo.

Rodamos no programa Esfera pública, ontem, na Rádio Guaíba, dois áudios da Operação Zelotes que mostram como se comprava o trabalho de um conselheiro do Carf ainda em 2014. Na linguagem jornalística, um “furo” nacional. O Carf é o organismo que julga recursos de dívidas com a Receita Federal. Passou a ser o atalho para empresas que desejavam pagar apenas 10% do que deviam.

Os grampos telefônicos, feitos com autorização judicial, que veiculamos tratam da negociação de um operador das empresas Bozano e Safra, Jeferson Salazar, com o então conselheiro do Carf, Jorge Víctor Rodrigues, para acertar o esquema a um custo módico de R$ 28 milhões sobre R$ 280 milhões devidos.

Os áudios exibem a desfaçatez dos negociantes. Nomes de interessados e dos interesseiros são citados sem a menor cerimônia. Em determinado momento, Salazar observa em tom de cautela a Jorge: “Você assumiria aí o comando de 20 (milhões) e aí o problema é seu” sendo que “nesses 20 está também a Procuradoria, que eles têm a boca grande”. Tudo é tratado com informalidade, mas com requintes burocráticos. Fala-se em contrato de quatro a cinco meses “para evitar uma troca de governo”.

Foi em agosto de 2014. Jorge Víctor aceita a tarefa, pede o número do processo, acerta detalhes de encaminhamento e de novos contatos.

No segundo áudio, Salazar passa a ligação de Jorge Víctor para o parceiro Eduardo, que trata de minúcias da operação. É preciso fazer o parecer que será assinado “por quem decide” com a ajuda do homem providencial dentro do Carf. Um aspecto importante é a transferência do dinheiro, chamado pomposamente de honorários, que deve se dar através de uma empresa com suficiente biografia para não ser barrada pelos instrumentos bancários de controle. Afinal, não é qualquer laranja que recebe R$ 28 milhões sem dar na vista. Bem pensado, são áudios educativos, pedagógicos, instrutivos: ensinam como comprar um conselheiro do Carf, como sonegar impostos em grandes proporções, como agem grandes empresas flagradas pela Operação Zelotes, que não desperta o interesse da maior parte da mídia, e como atuar em equipe para fraudar a Receita Federal enquanto se critica a corrupção e a carga tributária apresentadas quase sempre com a maior e mais injusta do mundo.

Morro e não ouço tudo. É melhor do que ser surdo. Quanto saber utilizado para ludibriar a sociedade brasileira. Quanto cinismo destilado em doses cavalares com a tranquilidade de quem discute temas de direito administrativo e tributário. Quanta manha. Quanta “boca grande”. Os áudios que rodamos revelam o modo de operação de todos os envolvidos no esquema descoberto pela Zelotes. A Lava-Jato é só um conta-gotas. No país em que Eduardo Cunha até poucos dias era herói do combate à corrupção, as negociatas do Carf são apenas mais um capítulo da novela da sujeira que faz a água do Tietê parecer limpa. Aprendi muito ouvindo as conversas que divulgamos. Aprendi que a cara de pau de alguns é extraordinária. Será que é o poder fascinante dos dez por cento que explica o Brasil?

Os áudios estão AQUI!

 

Juremir Machado da Silva | Blogs

25/01/2015

Fernando Francischini & filho

Conheça um dos herói dos coxinhas. Esse público que vocifera contra a concorrência na corrupção. Fernando Francischini, que também já foi pego na Operação Lava Jato, mas como não é petista não ganha manchete nos a$$oCIAdos do Instituto Millenium. Espécie de porta-voz oficioso dos vazamentos, esqueceu de mencionar a si mesmo, o valentão de arma na mão. Por que será que o pior dentre os ruins é sempre o primeiro a assacar contra a honestidade alheia? No Brasil recente, o caso mais emblemático foi Demóstenes Torres, o moralista sempre de dedo em riste que se revelou pior que suas vítimas. Demóstenes Torres, Gilmar Mendes, Carlinhos Cachoeira, Policarpo Jr., Álvaro Dias, Fernando Francischini, zelosos da moralidade alheia, são frutos de um mesmo sistema que não admite concorrência.

A bancada da bala não me abala. São os maiores fornecedores de armas aos criminosos. Afinal, toda vez que há um assalto, as armas levadas vão armando ainda mais a bandidagem. E quem lucra com isso são as fábricas de armas e os que vivem às suas expensas. Quem diz isso são as estatísticas e a própria polícia. A morte do surfista Ricardo dos Santos na praia da Pinheira/Embaú, em Santa Catarina é prova cabal de que, não houvesse armas em mãos, mesmo que de policial, não teria havido assassinato. Infelizmente, no Brasil quem deveria proteger são exatamente os que mais matam. É a cultura da morte dos outros.

Francischini foi, durante a última campanha eleitoral, o cabo eleitoral, no Paraná, do pior senador da república no ranking da Veja. Esses são os heróis da mídia venal. Só continuam acreditando nesse tipo de gente os mal informados e os mal intencionados. Tanto mais combatem os que ousam disputar com eles espaço na corrupção, mais espaço ganha dos que cresceram com a corrupção. “Negócio é negócio”, dizia um dos capos da máfia, no livro do Mario Puso, depois de uma chacina de membros do baixo clero com pretensão à rodo dos Capo di tutti i capi

Revela-se agora que tudo o que ele aprendeu na vida, e que condena nos outros, passou para o filho. E como a fruta, podre, nunca cai longe do pé, estes também já produzem frutos típicos da árvore. Claro, longe dos holofotes dos grupos mafiomidiáticos.

Depois do Banestado, do Alberto Youssef, do Fernando Francischini, do Álvaro Dias, da Operação Lava Jato, por que não me surpreendo mais com o Paraná?!

A foto abaixo mostra o pistoleiro Fernando Francischini enfrentando de peito aberto, mas bem armado, um… microfone! O que impressiona, na foto, é a destreza com que segura o microfone. Anus de experiência.

 

Secretário de Segurança do Paraná ostenta arma na cintura em programa de TV

Secretário de Segurança Pública do Paraná, deputado Fernando Francischini (SD), que recebeu verba de indústria de armas em campanha eleitoral, deu entrevista à TV Tribuna com um saliente revólver na cintura

por Helena Sthephanowitz publicado 23/01/2015 17:42

Secretário de Segurança Pública do Paraná, deputado Fernando Francischini (SD), que recebeu verba de indústria de armas em campanha eleitoral, deu entrevista à TV Tribuna com um saliente revólver na cintura

francischini

Secretário responde questões ao vivo em programa da TV Tribuna portanto arma de fogo

No estilo do velho oeste, o secretário de Segurança Pública do Paraná, deputado Fernando Francischini (SD), deu entrevista à TV Tribuna com um saliente revólver na cintura, dando péssimo exemplo jogando contra campanhas de desarmamento para reduzir crimes violentos e letais nas ruas.

Nem o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) chegou a este ponto. Seu filho, Eduardo Bolsonaro, também deputado, foi armado a uma manifestação com pessoas que pediam a ditadura militar, mas o revólver estava em baixo da camisa, pelo menos.

Nesta semana mesmo, um policial de Santa Catarina alcoolizado discutiu com um surfista desarmado e o matou com dois tiros. Um tragédia decorrente de abuso e irresponsabilidade no porte de arma.

Apesar de policiais poderem andar armados em várias situações – e Francischini é delegado licenciado da Polícia Federal –, nada justifica a ostentação do revólver em um estúdio de TV cercado de toda a segurança e exibido para o grande público, inclusive para crianças, às 13h. A não ser o populismo barato de querer aparecer como um "xerifão", além do "merchandising" para a indústria de armas que já financiou sua campanha eleitoral.

Francischini recebeu da Taurus, grupo fabricante de armas, R$ 50 mil para sua campanha em 2010. Durante seu mandato de deputado era apontado como um dos membros da chamada "bancada da bala".

Com a reeleição de Beto Richa (PSDB/PR), o governador tucano nomeou Francischini secretário de Segurança Pública. Se os problemas com a criminalidade já eram graves antes, depois da nomeação do secretário, as dores de cabeça aumentaram, inclusive com um escândalo político e sexual envolvendo a secretaria.

Mal foi eleito, um membro do seu partido, o Solidariedade, Josimar Távora, foi preso no dia 12 de dezembro passado na cidade de Medianeira, por uma policial civil. O motivo foi assédio sexual. Uma gravação feita por ela mostra Josimar propondo uma ida ao motel em troca de ele intervir junto à Secretaria de Segurança para ela não ser transferida.

Como prova de sua influência, na gravação Josimar mostra diálogos como o deputado estadual Felipe Francischini, filho do secretário, de quem foi um dos coordenadores de campanha na região de Foz do Iguaçu.

Josimar fala que "recuperou" 300 mil da campanha, aparentemente enviados para vereadores e secretários municipais que não cumpriram a meta de votação combinada em suas cidades. Falta explicar se e como este dinheiro foi declarado à Justiça Eleitoral e se retornou ao fundo partidário como determina a lei. Afinal, se eram despesas de campanha, ganhando ou perdendo o dinheiro estaria gasto e não faz sentido "recuperar".

Na gravação, a policial simula acabar concordando com um encontro sexual, mas quando os dois se encontraram em um posto de gasolina, ela deu voz de prisão e Josimar ainda tentou tomar a arma dela, mas acabou preso.

As gravações são reveladoras e estão também publicadas em vídeo no Youtube:

Josimar Távora: Até quando o Francischini for secretário, mesmo se ele não fosse, durante os quatro anos do Beto, você vai estar sobre minha proteção…
Josimar: Viu, só 20 minutos o que eu tenho que fazer, eu faço. Tá?
Policial civil: ‘Tá’, eu vou.  […] Vinte minutos de sexo vai valer a minha portaria?
Josimar: Vinte minutos! Vamos aqui pertinho.
Policial: É que agora eu não posso mesmo. Você sabe que eu iria…
Josimar: Vinte minutinhos… Nem vinte minutos? […] Entendeu? A gente está aqui, já está resolvido…
Josimar: Qual é a pessoa mais próxima que organizou tudo nessa campanha? Fui eu. Se a doutora Tani (delegada) tivesse feito o que ela tinha prometido para nós, eu nem ia conversar com você, eu ia conversar direto com ela. Entendeu? Eu queria falar tudo para você, só que eu não vou falar tudo para você, resolver o seu problema e depois – aquilo que você falou – você não olha mais para minha cara. Só que você sabe que eu sei de tudo, entendeu? Toda a situação, tudo o que ocorreu, não sei a metade, eu sei tudo. Só para você ter uma ideia do naipe da conversa dos ‘cara’. Só para você ter uma ideia eu vou mostrar aqui umas gravações. Só para você ter uma ideia dos naipes das conversas. Nós recuperamos 300 mil da campanha, muitos ‘passou’ a perna em nós, entendeu? (mostrando imagens para ela) Essa aqui é minha loja. Esse aqui é vereador de Céu Azul, Brizolla. Esse cara é secretário de Santa Helena. Aqui ‘ó’. Para todo mundo sou representante, sou eu quem mando em tudo. Só para você ter uma ideia.
Deputado eleito Francischini Filho (em uma gravação): Aí Josimar, tudo bom? Já passou em alguns municípios daí, já ligou para alguns daqueles que traíram a gente para pegar de volta a ‘estrutura’? Quero ver os caras sambando agora.
Policial: Quem que é esse?
Josimar: Esse é o deputado, é o filho do Francischini.
Policial: E esse aqui?
Josimar: Aqui uma foto dele aqui ‘ó’.
Deputado eleito Francischini Filho (na gravação): Aí Jocimar, tudo bom? Já passou em alguns Municípios daí, já ligou para alguns daqueles que traíram a gente para pegar de volta a estrutura? Quero ver os caras sambando agora.
Josimar: Só vim dar o recado, depois se não devolver o dinheiro é com ele, daí.
Deputado eleito Francischini Filho (na gravação): Pode vir, Jocimar, só de manhã eu tenho compromisso na Assembleia, mas à tarde está um pouco mais liberado e especialmente à noite também. Só me liga antes daí.
Josimar: ‘Tá’ vendo? Só pra você entender as conversas.
Deputado eleito Francischini Filho (na gravação): Cara, o que teve de gente aqui. As minhas postagens no Facebook antes da eleição dava 100 curtir, 150 curtir… Vai acabar a eleição, qualquer coisa que eu posto dá 800 curtir, mil curtir… (Risada) Povo não tem ‘simancol’ mesmo. Falei para vocês… os prefeitos todos… não iam mandar ninguém embora que me ajudou, agora eles estão tudo precisando… agora é a deles que começa. Agora os foguetes apontado para os do prefeitos aí, né gente (risada).
Josimar: Agora, vou falar de um cara que a Tani indicou.
Indicado Tani (em gravação): Ô, Jocimar, você vai rodar um roteiro aí e já depois vou soltar vocês para ver uns ‘fiasqueiros’ lá de Matelândia, ‘tá’ uma vergonha. Assis Chateubriand também, Cafelândia… outra lá é Palotina também tinha que ‘tá’ com a gente… Teve um monte de município aí, que a gente vai rever. O Brizolla arrebentou, esse foi muito bom. Em Medianeira, a piazada foi bem também. Foz foi muito bom, cidade que é difícil fazer voto. Então, bola para frente agora. Passar a semana aí e vamos marcar o roteiro.
Josimar: Viu…
Policial: Ai, ‘tá’…
Josimar: Só para você ter uma ideia como está lá a coisa, então eu não posso falar pra você. Vou falar depois que eu sei que eu tenho intimidade com você, que eu sei que…
Policial: Tá, mas falando de mim… Eu quero saber de mim. Quem que quer me prejudicar? Por quê?
Josimar: Eu não posso falar…
Policial: Como que eu vou me defender? Como que eu vou saber que você está me defendendo? Mas como que eu vou saber?!
Josimar: Você viu o jeito da conversa lá. É só na segunda-feira, eu vou falar com o Felipe (Francischini), essa aqui eu não quero que mexe’. Pronto… Entendeu? Não tem ninguém que vai mexer com você. Nem o delegado-geral, ninguém.
Policial: Mas você quer sair e… é uma vez só?
Josimar: Não, vou sair uma vez com você, mas depois, se der, vamos sair mais vezes, entendeu? Eu vou ter que conversar com você… de repente você precisa de mim em outra situação, né? De repente você precisa… um cara está te incomodando, entendeu? E é rápido o meu negócio. É só uma ‘meia horinha’ só.
Josimar: Único jeito… tá?

Como se vê o secretário Francischini tem muito mais a fazer com a caneta para afastar influências políticas na secretaria que levam a propostas indecentes do que ostentar revólver em programas de TV.

Secretário de Segurança do Paraná ostenta arma na cintura em programa de TV — Rede Brasil Atual

23/01/2014

PRADA, com diárias pagas com seus impostos

Filed under: Diárias,Joaquim Barbosa,Moralismo,Rolezinho,STF — Gilmar Crestani @ 12:23 am
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Uma imagem que não faria feio num filme com Al Capone. Voilá, o homem que economizou na compra de um apartamento, por dez dólares, em Miami, tora diárias pagas pelo STF. E assim acaba o rolezinho do capitão-de-mato dos golpistas sem voto. O moralista da vida alheia diz que pelo menos prega moral com cuecas Prada! Sorry, periferia!

A imagem de Barbosa em Paris: o diabo veste Prada

De férias na França, com diárias pagas pela União, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, aproveitou para fazer compras numa galeria de luxo em Paris, onde desfilam grifes como Prada, Fendi e Bottega Veneta; o fato de ser pago pelos contribuintes para desfrutar "la vie en rose" é, segundo Barbosa, uma "tremenda bobagem"; indagado sobre o interesse público das diárias, ele respondeu: "O interesse público é esse que vocês estão vendo, eu sou o presidente de um dos poderes da República"

Brasil 24/7

08/09/2013

Todo moralista sempre tem o dedo mais sujo do que o objeto para o qual aponta

Filed under: Golpismo,Moralismo — Gilmar Crestani @ 8:43 pm
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Justiça não pode ser trampolim para a política

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Anúncio pela juíza Eliana Calmon de que pode concorrer ao Senado, em 2014, pelo Rede, na Bahia ou no Distrito Federal, reabre debate sobre papel dos magistrados na sociedade; com amplos poderes sobre a cidadania, teme-se que eles passem a tomar decisões políticas e populistas nos tribunais, de olho na transformação em votos do aplauso do público; além de ex-presidente do CNJ, atual presidente do STF, Joaquim Barbosa, e ex Ayres Britto estão entre os cotados para cargos eletivos no próximo ano; sentenças de juízes políticos podem ser dadas mais pelo interesse de fazer carreira num campo novo do que por fidelidade à frieza da lei; dá para confiar?

8 de Setembro de 2013 às 19:54

247 – Sempre disposta, em seus tempos de presidente do Conselho Nacional de Justiça, a usar a mídia para amplificar seus atos no cargo, a juiza Eliana Calmon acaba de revelar o objetivo de sua postura.

Depois de aparecer em jornais e revistas como uma espécie de paladina da limpeza moral do Poder Judiciário, ela admitiu neste domingo 8 que pode ser candidata a senadora pela Bahia, por meio do Rede Sustentabilidade, da presidenciável Marina Silva, ou até mesmo tentar o governo do Distrito Federal, através do PDT. Em entrevista, Eliana gabou-se de estar recebendo insistentes convites das duas agremiações, inclinando-se, neste momento, pela legenda que está sendo montada por Marina (aqui).

Além da juiza que se tornou nacionalmente conhecida por detonar publicamente seus colegas de toga, outros togados importantes e famosos igualmente demonstram pendores para uma carreira político-partidária.

Antes de se tornar presidente do STF, Ayres Britto, sob o codinome Calim do PT, foi candidato a deputado federal pelo partido, sem o sucesso esperado. Hoje, imediatamente após se aposentar no STF, Britto é um dos principais auxiliares na área jurídica do Rede. Se quiser, neste partido ele terá as portas abertas para uma nova investida na política.

Nas pesquisas de opinião sobre o voto para presidente em 2014, o atual presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, sempre aparece em destaque. Mesmo sem ter, ainda, uma filiação partidária, ele, na prática, efetuou um culto à própria personalidade como relator da Ação Penal 470, primeiro, e, atualmente, no cargo mais alta da Corte. Teatral e intempestivo, Barbosa ganha as manchetes como um destemido com pressa de prender os corruptos. Na chefia do CNJ, seguindo o exemplo de Eliana, ele brilha na mídia tradicional com ataques seguidos a magistrados.

ALTO RISCO NAS DECISÕES – O problema com juízes que buscam a trajetória política é o alto risco embutido de que tenham conduzido sua carreira de decisões jurídicas mais para atender aos humores do público do que em linha com a palavra fria da lei. Entre uma sentença de aplauso fácil e outra de difícil compreensão imediata, mas tecnicamente mais correta, a tendência entre magistrados afeitos à política é escolher a primeira alternativa. Aclamados pelas multidões, apenas esperam o momento certo para mostrarem suas verdadeiras intenções – como Eliana Calmon faz agora, depois de atuar pesado na desestruturação da máquina judiciária que considera corrompida.

É difícil distinguir, num juiz que quer ser político, onde termina o primeiro para começar o segundo. Cidadão especial, com uma série de garantias constitucionais para o exercício da magistratura, ele não abre mão de nenhum dos recursos de seu cargo até o momento de declarar seu novo destino. Obtém, assim, uma grande vantagem competitiva sobre os demais candidatos. Afinal, a base de conteúdo comum às candidaturas dos ‘com toga’ é invariável: limpeza moral das instituições, varredura na corrupção e rompimento com o establishment.

Na prática, candidaturas deste tipo não combinam com um país democrático e civilizado. Os poderes especiais dos juízes existem não para o benefício pessoal deles, mas para assegurar à cidadania que uma corporação ao seu serviço dispõe de meios legais para exercer com independência o papel de fiscal das regras que organizam a sociedade.

Usar a toga e as regalias que vêm junto com ela para, sem qualquer tipo de quarentena, lançar-se de imediato na atividade política, procurando aproveitar da fama de magistrado duro e inflexível, é um flagrante de oportunismo. Um juiz tem todas as condições para realizar no próprio Poder Judiciário as suas vocações. A tentativa de mudar de campo significa uma mazela do mesmo porte das que muitas vezes são apontadas contra a magistratura. Quando um juiz acusa um colega de abuso de poder, mas ele próprio faz do cargo um trampolim para benefício futuro na política, incorre no mesmo erro. Aproveitar a investidura concedida pela sociedade para dar um salto pessoal na vida pública soa muito mais como oportunismo do que como projeto legítimo.

Uma lei específica deveria formalizar o que deveria parecer, desde sempre, como ponto pacífico entre todos: se você quer ser juiz deve saber que não poderá, jamais, ser político. Sem isso, as decisões de quem escolhe esse caminho podem ser colocadas imediatamente sob suspeita. A ideia, afinal, era mesmo fazer Justiça ou buscar o agrado fácil que as sentenças de cunho populista costumam proporcionar?

Justiça não pode ser trampolim para a política | Brasil 24/7

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