Ficha Corrida

18/10/2014

Cuidado, jaleco branco já contamina mais que Ebola

 

Os médicos brasileiros serão lembrados por seu papel nestas eleições

Postado em 18 out 2014 – por : Kiko Nogueira

O doutor Milton

Doutor Simpatia

Toda generalização é perigosa, inclusive essa, mas se houve uma categoria que surpreendeu nessas eleições é a dos médicos. Não necessariamente pelas melhores razões.

Desde a gritaria xenófoba com os cubanos do programa Mais Médicos até as recentes manifestações de ódio aos nordestinos — uma senhora sugeriu um holocausto na região –, eles foram responsáveis, em sua grande maioria, por um vale de lágrimas.

O corporativismo deu as caras de um jeito feio, sujo e malvado. No domingo passado, desembocou no apoio da Associação Médica Brasileira a Aécio, que afirmou que não vai, se eleito, “financiar a ditadura cubana, como ocorre hoje”. O que ele pretende “é que não haja mais necessidade de estrangeiros no Brasil.”

O maluco que chamou Dilma de “grande filha da puta” nas redes sociais não é uma exceção. Milton Simon Pires, de Porto Alegre, recebeu uma advertência carinhosa do presidente do Conselho Regional do Rio Grande do Sul (Cremers), Fernando Weber Matos. Não se trata de um problema “ético” e Milton não estava fazendo aquilo como profissional, mas como cidadão. Vai saber o que é problema ético segundo esse pessoal.

Pires é uma figurinha conhecida na direita lelé. Conseguiu fazer uma releitura do juramento de Hipócrates, amplamente compartilhada por seus amigos. É assim: “Juro por Deus, juro como médico, como homem e como brasileiro, não dar um minuto de trégua, de paz ou de descanso a essa organização criminosa e associada ao narcotráfico que humilhou minha profissão perante os médicos de todos os outros países – o Partido dos Trabalhadores. Nem todas as enfermeiras, técnicos, fisioterapeutas e psicólogos do país juntos vão conseguir me parar!”

Como é que um sujeito desses pode atender alguém se está tão ocupado combatendo o Mal Supremo? E se o paciente — cliente, segundo a nova nomenclatura — for, que azar, petista? O que Simon faz? Deixa gaze no abdômen? Se recusa a atender? Doctor Simon é chegado de Lobão e já participou de um de seus famigerados hang-outs. Os dois dividem a mesma paranoia anticomunista.

Houve algumas tentativas de correção de rota. Tímidas. No ano passado, num debate sobre o mercado de trabalho na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, Miguel Srougi, professor titular de urologia da USP, ensaiou um mea culpa. “Erramos. Não soubemos fazer o diagnóstico da situação. A população ficou contra a gente”, disse, sobre os ataques ao Mais Médicos.

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Alguns de seus colegas admitiram o “grande equívoco”. “Tive vergonha”, afirmou o professor de patologia da USP Paulo Saldiva, se referindo à histeria nos aeroportos.

Não durou muito tempo. Com a ascensão do aecismo furibundo, os homens de jaleco se sentiram à vontade para berrar seu preconceito. Um grupo criado no Facebook que recebeu o nome “Dignidade Médica” reuniu um número assombroso de mentecaptos falando, por exemplo, na “necessidade de sermos terroristas para nos colocar no nível de conversa que pobre entende”

A Procuradoria-Geral da República (PGR) acabou recomendando a instauração de procedimentos criminais ou administrativos contra os autores dos posts.

No início do mês, folhetos foram distribuídos entre a classe em Minas Gerais. O texto tinha como título “Sou médico, não voto PT”. Treze nomes conhecidos assinavam a peça, que declara a necessidade de “banir o PT do poder”.

Não havia nada mais importante para fazer? Na sexta (17), o Ministério Público de Minas ajuizou uma ação contra o governo por suposta fraude orçamentária nos gastos com saúde durante a gestão de Aécio, de 2003 a 2010. É requisitado o ressarcimento aos cofres públicos de 1,3 bilhão de reais.

O estado também é acusado de maquiar outros 4,3 bilhões que deveriam ter sido gastos entre 2003 e 2008. Uma promotora propôs, em 2010, uma ação de improbidade administrativa contra Aécio.

Não houve protesto, não houve nada. O importante, para eles, é fazer proselitismo eleitoral de baixo nível. A saúde que se exploda. 2014 será lembrado como o ano em que Mister Hyde prendeu Doutor Jekyll no armário e saiu para passear pelo país tocando o terror branco.

(Acompanhe as publicações do DCM no Facebook. Curta aqui).

Sobre o Autor

Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.

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14/11/2011

Olavão foge do hospício e aparece na Folha

Filed under: Capitão-de-Mato,Jagunço,Mentecapto,Olavo de Carvalho — Gilmar Crestani @ 11:23 am
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Deve ter aparecido depois que a Polícia ocupou a Rocinha. Será que o Dênis Rosenfield estava junto?

13 November 20115 comentários

Não lhes aconselho a ler o artigo de Olavo de Carvalho, publicado hoje na Folha. Francamente, eu não devia nem lhe dar atenção. Minha breve carreira de analista de mídia, todavia, já me ensinou a não subestimar nem esnobar ninguém, sobretudo os próceres do conservadorismo tupi. Eu uso essa intimidade, chamando-o de Olavão, porque já briguei tanto com ele em minha trajetória – essa um pouco mais longa – de blogueiro de esquerda, que sinto aquele carinho exótico de um oficial de guerra por outro. Isso não me impede, porém, de desprezá-lo profundamente. A ele e às suas ideias. A ele, porque ele é o protótipo da desonestidade intelectual. Às suas ideias, porque são positivamente fascistas, além de esquizofrênicas. Vamos organizar:

  • Desonestidade intelectual. Em seu artigo na Folha, Olavo ensaia uma breve história intelectual da USP. Começa razoavelmente. A partir do segundo parágrafo, todavia, vemos os primeiros espamos da grave e melancólica epilepsia ideológica de que sofre o filósofo. Seu erro nasce, como aliás é tão comum em acadêmicos, da arrogância e esquematização com que trata fenômenos históricos, políticos e mesmo psicológicos. Mas os delírios realmente assustadores (maior característica do Olavão) ainda estão por vir.
  • O paroximo da esquizofrenia olaval se mostra a partir do oitavo parágrafo, quando afirma que “bilionários globalistas passam a patrocinar movimentos esquerdistas por toda parte”. É uma afirmação completamente desvairada.
  • Aí já temos um espetáculo deprimente: um filósofo brasileiro berrando insanidades como um louco furioso num jornal de grande circulação nacional. Sem a mínima preocupação de ater-se à realidade, Olavo repete seus conhecidos chavões de que a mídia brasileira é esquerdista.
  • Conclui o artigo dizendo que todo mundo no Brasil é esquerdista, aprova o uso de maconha na USP e simpatiza com os radicais de ultra-ultra-esquerda que ocuparam a reitoria. Todos partilham da “Ideologia”. Todos: deputados, senadores, professores, reitores, ministros de Estado e empresários de mídia. Sem explicar muito bem que sinistra ideologia seja essa, o leitor é fatalmente levado a pensar que deve ser alguma variação particularmente maligna do esquerdismo contemporâneo. Olavo esqueceu, porém, de mencionar, dentre os que sofrem dessa doença, garis, astrofísicos, jogadores de sinuca, viciados em crack e representantes da indústria de tecidos.
  • Olavão agora é presidente do Inter-American Institute for Philosophy, Government and Social Thought, um nome bonito para associação dos fascistas brasileiros doentes mentais que vivem de esmolas do Tea Party.

Eu uso uma linguagem particularmente agressiva com Olavo porque conheço a figura. Durante anos, ele tinha uma coluna no jornal O Globo, e era idolatrado por escritores analfabetos politicamente. Então um dia fui à biblioteca do CCBB e li seus livros. Ele é ainda mais doente, rancoroso e delirante em seus livros. A pretexto de falar de filosofia, ele simplesmente faz um proselitismo ideológico vagabundo, onde a sigla PT aparece mais do que o nome de qualquer pensador. Lembra até o Nietzsche da última fase, já louco por causa da sífilis, xingando os cristãos por páginas a fio, mas sem o talento literário do alemão, e substituindo os cristãos por petistas.

E Olavo usava seu espaço na mídia, praticando todo o tipo de pilantragem intelectual, para perseguir covardemente aqueles com os quais ele discutia na internet. É, definitivamente, um crápula.

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