Ficha Corrida

11/05/2014

Estadão só é favorável a mais médicos fora das fronteiras brasileiras

Filed under: Estadão,Mais Médicos,Médicos Sem Fronteira — Gilmar Crestani @ 8:52 am
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Mais Médicos e CPMFUm programa de mais médicos para brasileiros é constantemente bombardeado como algo negativo. Negativo só porque é uma iniciativa do Governo Federal, adversário político dos grupos mafiomidiáticos. Na contramão, estes mesmos grupos mafiomidiáticos empunham bandeiras que levam mais médicos para outras fronteiras. A ditadura largou as redações mas o cachimbo da ditadura não larga as Redações.

08.maio.2014 15:40:48

Projeto Jornalismo Humanitário: ‘Estado’ e blog ‘do front’ anunciam parceria com Médicos Sem Fronteiras

Na última coluna, falei sobre algumas das guerras esquecidas da África. É com enorme alegria, portanto, que anuncio o projeto Jornalismo Humanitário, uma parceria do Estado e do blog “do front” com a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras. O objetivo dessa parceria é estimular nos estudantes de jornalismo o interesse pela cobertura de crises humanitárias que recebem pouca atenção da imprensa mundial e, ao mesmo tempo, aumentar o espaço dedicado às notícias e discussões sobre essas crises.

Nesse sentido, o blog abrirá espaço para a publicação do material apurado em uma visita a campos de refugiados em Uganda pela estudante Talissa Monteiro, ganhadora do concurso de reportagem promovido por MSF e do qual o blog “do front” e o Estado participaram como jurados. A reportagem escrita por Talissa para o concurso, sobre refugiados de países como Iraque que viviam na Síria e tiveram mais uma vez de se deslocar diante do novo conflito, foi considerada a melhor entre os trabalhos de 25 estudantes que cursaram a Oficina de Jornalismo de MSF, da qual fui uma das palestrantes. Foi dessa experiência que surgiu a ideia da parceria.

Os estudantes que participaram da Oficinaes de Jornalismo foram selecionados entre 387 inscritos. São jovens talentosos e dispostos a usar esse talento para o bem. Entre os finalistas do concurso de reportagem, além de Talissa Monteiro, estiveram os estudantes Janaina Luiza Rodrigues Dorea, Mariana Pitasse Fragoso e Pedro Rêgo Henriques. A eles, parabéns e sucesso. Tenho certeza de que nos encontraremos em campo!

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Médicos Sem Fronteiras é uma das mais ativas organizações humanitárias. São poucas as que de fato testemunhei atuando nos lugares mais remotos e complicados do mundo, em condições de trabalho e de vida inimagináveis para a maioria dos médicos e enfermeiros e outros profissionais estrangeiros que atuam em campo.

Falo de vilarejos na República Democrática do Congo onde vacinas, remédios e os profissionais só chegam após oito horas de voo em um pequeno avião de Kinshasa, a capital, a Goma, principal cidade do leste devastado por conflitos. E, de lá, outras cinco ou seis horas em um jipe, seguidas de mais cinco horas na garupa de uma motocicleta por uma picada onde a circulação é dificultada pela mata densa, uma espessa camada de lama e a presença de dezenas de rebeldes armados. Acompanhei em outubro o atendimento a vítimas de um ataque em Lwibo e foi assim nosso trajeto. Falo do Haiti três meses depois do terremoto, quando muitas das organizações humanitárias já tinham deixado o país. Do cinturão tribal da fronteira entre Paquistão e Afeganistão, um dos lugares mais perigosos para estrangeiros. Do Sudão do Sul, num momento em que os funcionários das embaixadas dos EUA e da Grã-Bretanha e de muitas entidades estrangeiras batiam em retirada. E falo apenas do que testemunhei com os próprios olhos. Essa parceria é para mim, portanto, importante e é com enorme satisfação que abro o espaço deste blog para a cobertura de temas humanitários.

Como repórter do Estadão, a minha viagem e todos os custos da cobertura, é importante ressaltar, foram financiados pelo jornal.

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Talissa Monteiro tem 21 anos e é aluna do Centro Universitário de Volta Redonda. Durante três dias, ela me acompanhou na cobertura da crise humanitária no norte de Uganda, região que recebeu o maior número de refugiados da nova guerra civil no vizinho Sudão do Sul, deflagrada em dezembro. Essa foi sua primeira cobertura internacional. De Uganda, Talissa voltou ao Brasil para escrever e produzir os vídeos que serão publicados neste blog ao longo das próximas duas semanas, a partir de segunda-feira.

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A parceria que permitiu à estudante me acompanhar nessa cobertura e ter seu material publicado neste espaço foi, para mim, inspirada em um concurso anual promovido pelo blog de Nicholas Kristoff, colunista do New York Times, a quem admiro, e em iniciativas semelhantes que têm o objetivo de promover a cobertura de crises esquecidas como a do Pulitzer Center for Crisis Reporting.

Vem de Joseph Pulitzer uma de minhas frases favoritas sobre a função do jornalista:

“Iluminar os lugares escuros e, com um profundo censo de responsabilidade, interpretar esses tempos conturbados.”

Este é um projeto piloto. Mas a ideia é realizá-lo anualmente, dando a um estudante a cada ano a oportunidade de cobrir uma crise humanitária.

É também minha intenção abrir este espaço para estudantes e profissionais de jornalismo, relações internacionais, direito e outras áreas, com interesse em temas como direito humanitário internacional e direitos humanos.

Acompanhem aqui no blog!

*

Ao Estadão, minha casa nos últimos 12 anos, meu sincero agradecimento pela coragem de investir na viagem de uma repórter a lugares como República Democrática do Congo, Uganda e Sudão do Sul para testemunhar in loco algumas das maiores tragédias humanas atuais, que tantos outros escolhem ignorar.

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LEIA MAIS:

Foto: Pacientes aguardam atendimento na clínica operada por MSF no campo de Nyumanzi, onde é feita a triagem dos refugiados sul sudaneses que chegam a Adjumani, no Norte de Uganda / Adriana Carranca

Depois de visitar os campos de refugiados na região de Adjumani, eu continuei a viagem sozinha pelo norte de Uganda, seguindo os passos do líder do Exército da Resistência do Senhor, Joseph Kony, que matou, mutilou e sequestrou milhares de crianças, mulheres e homens na região, seu reduto. Leia nos links:

Por dentro da mente de um genocida
Uma cidade assombrada pelo passado
Vídeo: O comandante de Joseph Kony
Vídeo: A vida depois da guerrilha

Do norte de Uganda, atravessei a fronteira para o Sudão do Sul e cruzei o país por terra até a capital, Juba. Leia algumas das reportagens publicadas por mim sobre a guerra no Sudão do Sul e a crise em Uganda aqui:  

Guerra étnica oculta interesse por riqueza
Refugiados lutam pela sobrevivência
Marcas étnicas são sentenças de morte
Conflito no Sudão do Sul expulsou um milhão de pessoas
Viúvas e crianças são maioria entre os que deixam o Sudão do Sul
Transtornos psicológicos são comuns

20/07/2013

Tratamento dado a Roger Abdelmassih provoca peregrinação médica ao STF

Procurei no Google e não encontrei nenhuma manifestação da Federação Nacional dos Médicos a respeito do colega Roger Abdelmassih. Seria apenas coincidência ou o a FENAM quer de Gilmar Mendes o mesmo tratamento, usando da mesma receita, com que medicou juridicamente o respeitável doutor estuprador?! Por que será que a FENAM não se incomoda com a parceria humanitária do Jair Bolsonaro no uso corporativista do STF contra quem precisa de médicos?

Médicos rompem com governo e vão ao STF

:

Federação Nacional dos Médicos (Fenam) anunciou que vai deixar seis comissões que integra na esfera do governo e outros cinco colegiados do Conselho Nacional de Saúde em reação à medida provisória que criou o programa Mais Médicos e aos vetos da lei do Ato Médico, que regulamenta a medicina; entidade informou ainda que vai ingressar com duas ações judiciais no Supremo para suspender os efeitos da medida provisória do Mais Médicos; eles criticam falta de diálogo do governo com a categoria; sindicatos se mobilizam para greves

Brasil 24/7

18/07/2013

Quem está doente: Correio do Povo ou Folha?!

Filed under: Médicos Sem Fronteira — Gilmar Crestani @ 9:16 am
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17/07/2013 19:56 – Atualizado em 17/07/2013 20:11

CORREIO DO POVO: Número de inscrições no Mais Médicos supera total de vagas

Alta procura fez ministro da Saúde pedir investigação da Polícia Federal

Até esta quarta-feira, o número de inscritos no programa Mais Médicos do governo federal, que pretende levar profissionais para cidades do interior do País, já tinha superado o número de vagas oferecidas, que é de 10,4 mil, chegando a 11,7 mil candidatos. O número acima do esperado pelo Ministério da Saúde levou o ministro Alexandre Padilha a determinar que a Ouvidoria do órgão telefone a todos os candidatos que já têm algum outro tipo de vínculo empregatício para checar a veracidade do interesse pelo programa.
Segundo Padilha, a suspeita surgiu há uma semana, quando o ministério começou a receber denúncias de que médicos estariam se organizando pelas redes sociais para fazer inscrições mesmo sem interesse e depois desistirem do posto, apenas para perturbar o processo. O ministro pediu que a Polícia Federal acompanhe a movimentação.
A PF, no entanto, afirma que o pedido – que precisa ser feito do Ministério da Saúde para o Ministério da Justiça – ainda não chegou, mas como vários consultas foram feitas, os policiais estariam monitorando as inscrições. "Desde segunda, o Ministério da Saúde, através da sua Ouvidoria, está ligando para médicos que se pré-inscreveram e que já têm outros vínculos, como residência médica, para perguntar se realmente querem participar do programa", explicou Padilha. "Estamos estimulando os médicos brasileiros a participar do programa, mas não queremos ninguém que esteja fazendo qualquer tipo de sabotagem para atrasar um programa tão sério que visa oferecer médicos para a população brasileira."
Pelo Mais Médicos, o ministério pretende pagar salários de R$ 10 mil. E colocá-los em cidades que hoje têm vagas sobrando e não conseguem contratar ninguém. As prioridades são cidades do interior – hoje 700 municípios não possuem nenhum médico – e as periferias das grandes cidades, onde há infraestrutura mas não há profissionais.
Brasileiros têm prioridade
A prioridade é para profissionais brasileiros interessados no programa, mas o governo prevê a contratação de estrangeiros para suprir as vagas não preenchidas por médicos nacionais, sem a necessidade de validação do diploma. Os estrangeiros fariam um curso simplificado de adaptação para que pudessem trabalhar apenas nos locais indicados pelo governo brasileiro.
O programa enfrenta enorme resistência da classe médica, contrária especialmente à contratação de estrangeiros. Apesar do Brasil ter apenas 1,8 médicos para cada mil habitantes – e a maioria concentrados nas regiões sul e sudeste – alega que o problema da saúde no País é infraestrutura e não falta de profissionais especializados.
A estratégia dos médicos seria atrasar a "importação". O Conselho Federal de Medicina (CFM), por meio da assessoria, afirmou desconhecer qualquer movimentação contra o Mais Médicos. Afirmou ainda que não partiu do CFM nenhum comando para que inscrições fossem feitas em massa para posterior descredenciamento.

 

FOLHA: Médicos alegam falta de direitos e desistem de programa de Dilma

Profissionais recuam de inscrição ao saber que não há 13º e FGTS; federação orienta ir à Justiça

Ministério afirma haver 11,7 mil interessados e diz ser só uma bolsa; PF é acionada para identificar sabotagem

CLÁUDIA COLLUCCIDE SÃO PAULO

A uma semana do término das inscrições do programa "Mais Médicos", bandeira do governo Dilma para levar profissionais da saúde ao interior do país, candidatos estão desistindo dele alegando falta de direitos trabalhistas.

O governo argumenta que, por se tratar de bolsa de formação, ela não prevê hora extra, 13º salário e FGTS, mas que, como paga INSS, os médicos terão outros benefícios, como para a aposentadoria.

Os profissionais receberão R$ 10 mil mensais, com jornada de 40 horas semanais, pelo período de três anos.

"Não há direito algum. Fica complicado aceitar um trabalho nessas condições", diz o urologista Cesar Camara, 38, de São Paulo, que fez a inscrição e desistiu de efetivá-la.

As regras estão no edital do programa, que diz não haver vínculo empregatício. Mas a Fenam (Federação Nacional dos Médicos) entende que o governo está descumprindo as leis trabalhistas e vai orientar os sindicatos a entrar com com ações na Justiça.

"Esse programa é uma arapuca. Fere totalmente a legislação trabalhista", diz Geraldo Ferreira Filho, presidente da Fenam. Ele afirma que a entidade não desestimulou a inscrição porque, para muitos, o trabalho é uma "questão de sobrevivência".

Para o advogado Otavio Pinto e Silva, professor da USP, a Justiça pode entender que a relação de trabalho prevista no programa configura emprego (por ser contínuo e com subordinação) e deve ser regida pela CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas).

Parlamentares estão tentando incluir, na medida provisória que criou o "Mais Médicos", a previsão de um contrato de trabalho e de direitos trabalhistas para médicos que aderirem ao programa.

Há propostas do tipo entre as 567 emendas apresentadas por deputados e senadores ao texto original, que está no Congresso há uma semana.

SABOTAGEM

O Ministério da Saúde disse ontem que 11.701 médicos (2.335 com diploma do exterior) já fizeram a inscrição pela internet, mas não sabe quantas foram efetivadas com envio de documentos.

Há também um movimento de boicote ao programa –de médicos que pretendem efetivar a inscrição e desistir depois, para atrapalhar o cronograma e o recrutamento de médicos estrangeiros.

O ministério disse estar fazendo um "pente-fino" entre os inscritos, com ajuda da Polícia Federal, para avaliar o real interesse do médico.

"Não queremos ninguém que esteja fazendo qualquer tipo de sabotagem para atrasar um programa que visa oferecer médicos para a população", disse Alexandre Padilha, ministro da Saúde.

Os médicos também questionam as regras da ajuda de custo que o governo federal oferecerá aos profissionais, que pode chegar a R$ 30 mil, dependendo da região.

Pelas normas do programa, na hipótese de desligamento voluntário em prazo inferior a 180 dias, o médico terá que restituir os valores.

"E se o profissional não concordar com as condições de trabalho e quiser desistir? Conheço a politicagem no interior. O prefeito muda, o secretário da saúde muda. Se você não puxa o saco, fica em apuros", diz o psiquiatra João Mario Sales, outro que se candidatou e desistiu depois.

Colaborou JOHANNA NUBLAT, da Sucursal de Brasília

14/07/2013

“Não se faz saúde sem médicos”

medicos sem estruturaNão fosse assim, para que existiriam Médicos sem Fronteiras?! Na terra da RBS, nada poderia ser mais paradoxal, querem médico com fronteiras. A Associação Médica que tem por lema “não se faz saúde sem médicos” agora é contra mais médicos. Pega na mentira, agora quer trocar o bordão para “não se faz saúde sem estrutura”. E o presidente do Sindicato Médico do RS, que mandou os filhos estudarem medicina em Cuba, se diz contra a vinda de médicos cubanos. Como diria aquele bordão do Jô Soares, quando ele fazia humor: “tirem o tubo!”

Hospital de cidade de fronteira sobrevive com médico uruguaio

Contratação de estrangeiros sem diploma válido no Brasil foi decidida pela Justiça para suprir a falta de profissionais

Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul se opõe à medida e fala em exercício ilegal da profissão

FELIPE BÄCHTOLDENVIADO ESPECIAL A QUARAÍ (RS)

Enquanto o governo federal compra briga com a classe médica –devido ao plano de flexibilizar a contratação de estrangeiros–, cidades gaúchas na fronteira com o Uruguai enfrentam a falta de profissionais de saúde contratando médicos do país vizinho sem diploma revalidado.

Municípios e hospitais ganharam na Justiça o direito de contar com médicos uruguaios e dependem deles para formar equipes mínimas.

Em Quaraí, cidade de 23 mil habitantes, a maioria dos 20 médicos do Hospital de Caridade, o único do município, é do país vizinho. O hospital tem há anos vagas abertas para diversas especialidades.

Com salários na faixa dos R$ 7.000, não consegue atrair profissionais de grandes centros do Rio Grande do Sul.

Assim como Quaraí, outras quatro cidades da fronteira que apelaram para a alternativa e tiveram aval da Justiça são pouco populosas, sem faculdades de medicina por perto e com orçamento limitado.

Um perfil muito próximo dos municípios que o governo pretende beneficiar com a contratação de médicos estrangeiros –projeto que virou bandeira da presidente Dilma Rousseff na saúde após as manifestações de junho.

EXERCÍCIO ILEGAL

O Conselho Regional de Medicina do RS, no entanto, se opõe à contratação de uruguaios sem registro e fala em exercício ilegal da profissão.

Hoje, para que um médico estrangeiro atue no Brasil, ele precisa ser aprovado no Revalida, considerado difícil.

Mas o CRM vem sofrendo derrotas. O hospital de Quaraí, mantido por fundação filantrópica e com atendimento voltado ao SUS, já ganhou em segunda instância o direito de contar com os uruguaios.

Um argumento considerado pela Justiça é um acordo entre Brasil e Uruguai para atendimento de saúde na fronteira. O texto não especifica o tema da contratação de médicos estrangeiros, mas, na interpretação dos juízes, autoriza o trabalho no Brasil sem revalidação do diploma.

Em 2011, o juiz federal Belmiro Krieger afirmou em decisão que não se tratava de escolher entre brasileiros e uruguaios, mas "entre o médico uruguaio ou nenhum."

Quaraí é ligada por uma ponte ao município uruguaio de Artigas, onde moram 40 mil pessoas. As cidades brasileiras mais próximas ficam a cerca de 100 km dali.

A diretora do Caridade, Daniele Garcia, diz que, se não fossem os uruguaios, o hospital iria "fechar as portas".

O hospital faz cerca de 2.000 atendimentos por mês. Sofreu intervenção da prefeitura neste ano e tem dívidas de R$ 10 milhões. Nos últimos anos, se inscreveu em um plano federal que visava atrair médicos ao interior, mas não houve interessados.

CONTRATEMPOS

A contratação dos uruguaios gera contratempos. Os gestores não conseguem pagar esses profissionais com repasses do Ministério da Saúde, já que eles não são reconhecidos. O dinheiro sai do caixa único da prefeitura.

"Atrapalha demais [as finanças]. Poderia fazer obras, mas passa para a folha de pagamento", diz o prefeito Ricardo Gadret (PTB).

Outro problema é que farmácias não aceitam receitas prescritas pelos uruguaios.

"Quando é preciso um remédio que não está na Secretaria da Saúde, pedimos que algum médico brasileiro valide a receita", diz o médico uruguaio Santiago de León, 27, que começou a fazer plantões em Quaraí neste ano.

Clínico geral formado em Montevidéu em 2012, ele diz que revalidar o diploma não é sua prioridade, devido à demora e porque já estuda para provas de residência médica.

Para o médico, além da remuneração no nível da oferecida em seu país, o interesse dos uruguaios pelo trabalho na fronteira também se explica pela demografia. O Uruguai não tem grandes municípios além de Montevidéu.

11/07/2013

Receita de bom senso faz bem à saúde

Filed under: Médicos Sem Fronteira,Médicos sem Vergonha — Gilmar Crestani @ 1:26 pm
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JANIO DE FREITAS

De galinhas e medicina

O que deve ir primeiro para o interior do país, o tão invocado equipamento básico ou o médico?

O ovo ou a galinha.

O ovo já é colega íntimo dos médicos em serviços à vida, no seu papel de receptáculo de contaminações nele injetadas para a produção de vacinas. A galinha tem séculos de contribuição aos pacientes, sob a forma daquela santa canja que reanima muito doente, para maior prestígio da medicina. É natural que se juntem para mais um esforço de contribuição ao mais importante dos saberes humanos.

Faz sentido a ponderação dos contrários à contratação de médicos estrangeiros para o interior, por falta, lá, até dos mais simples recursos para atendimento (a ponderação das associações médicas exala odores de motivação real muito diferente). É diante desse argumento que o ovo e a galinha comparecem com a velha indagação de qual deles veio primeiro. Muito sugestiva no caso atual.

O que deve ir primeiro para o interior, o tão invocado equipamento básico ou o médico? Se for o equipamento, além de ficar inútil, não tem, por si só, poder de atrair quem lhe dê uso proveitoso. Jornais e TV têm noticiado casos exemplares de municípios com instalações à espera de médicos, mesmo com remuneração melhor que a ofertada nas capitais.

O médico que é médico quase sempre tem alguma coisa a fazer para atenuar o sofrimento mesmo sem a instrumentação e o remédio adequados. Vemos isso, com frequência, nos acidentes. Eu mesmo já ansiei, na beira de uma estrada, por um médico que parasse ao menos para me dizer como estancar a hemorragia perigosa.

Se primeiro a chegar, o médico, além do efeito de sua simples chegada, e das imediatas orientações sanitárias que pode proporcionar, tem meios de requerer, reclamar, denunciar e acusar publicamente as responsabilidades pelo descaso com os recursos de que precisa. E pode romper, até com apoio judicial, o contrato não cumprido pelo contratante.

O que não faz sentido é estabelecer a priori que no interior não haverá sequer os recursos minimamente necessários. Isto é sacar sobre o futuro. Especialidade de economistas e jornalistas, não de médicos. Por que não experimentar com mil ou dois mil médicos? Se a experiência com metade deles der certo, ou que seja um terço, um quarto, já se terá aprendido muito, mas, sobretudo, quanto alívio terá sido dado, quantas crianças terão deixado de sofrer, se não de morrer?

E, se a carência impeditiva está no interior, os grandes centros urbanos estão equipados para o atendimento à população, mínimo embora? Há três dias noticiava-se que o Hospital do Andaraí, pronto-socorro e referência em queimados no Rio, estava com as cirurgias suspensas por falta até do material mais simplório, como cateter. A desgraçada periferia de São Paulo inclui serviços médicos com o equipamento necessário? As cenas recentes em TV não foram tomadas no Projac.

Essa discussão não é sobre médicos, hospitais, postos de saúde, equipamentos. É sobre doença, sofrimento, partos, mortes, crianças.

10/07/2013

Perguntar ao médico ou ao paciente?

Filed under: Médicos Sem Fronteira,Médicos sem Vergonha — Gilmar Crestani @ 8:16 am
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Se formos perguntar às categorias, o corporativismo fala mais alto. E não é só a dos médicos. Portanto, discurso corporativista do médico é igual ao do político. Nem a máfia faz diferente. A razão não comparece com medo de dar vexame em público.

Quando a questão é saúde, por que não vale a opinião do paciente? Se o médico, para receitar, vai pedir  raio X e/ou exame sangue por que não pode pedir a opinião dos pacientes a respeito da vinda de médicos do exterior para atender onde hoje eles não querem ir? Dos pacientes que hoje não tem acesso à médicos!

O acamado lá no interior de Cacimbinhas está preocupado com a estrutura hospitalar ou acesso a um profissional de saúde que pudesse prestar as primeiras informações? Se estrutura fosse condicionante, não haveria médico de família.

O que me espanta nesta questão dos médicos é que há muito doutor em rebimboca da parafuseta mas nenhuma palavra na linha da ética médica. Ao que parece, pelos cartazes e vozes que se levantam na internet, a formação humanística tem medo dos bisturis. Cortar na carne dos outros parece até prazeroso. É evidente que o lado mais sensível do ser humano continua sendo o bolso. Os médicos brasileiros ao levarem à rua seus discursos doentios estando explicitando conceitos mercantilistas que eram de domínio público mais cheirava à inveja. Hoje a população tem a respeito da categoria médica mais elementos que confirmam, não só o mercantilismo mais retrógrado, mas, pelo nível das manifestações de rua, um desequilíbrio emocial evidente.

Talvez o Brasil, de fato, precise importar não só médicos para a população desassistida, mas também psiquiatras para médicos e professores de ética e humanismo para não aparecem nus em público…

Até aqui, pelo que tenho lido, o diagnóstico indica degenerescência prematura da uma boa parte da classe médica. Verifico que ainda precisam aprender viabilizar receita de boa educação.  Falece-lhes, por contaminação monetária, a saúde da ética mais elementar.

Quem tergiversa pela falta de estrutura nunca esteve com problema de saúde sem poder consultar, por falta de acesso geográfico, um médico.

Médico de Dilma reforça coro contra vinda de estrangeiros

Kalil Filho diz ser ‘terminantemente’ contrário a programa lançado por governo

Não adianta jogar profissional importado em hospitais do interior se não existe estrutura, afirma cardiologista

CATIA SEABRANATUZA NERYDE BRASÍLIA

Em pelo menos um ponto a presidente Dilma Rousseff não seguiu as recomendações de seu cardiologista: a "importação" de médicos estrangeiros para o Brasil.

Médico de Dilma e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o cardiologista Roberto Kalil Filho se opõe à contratação de estrangeiros para atendimento em hospitais no interior do Brasil.

"Sou terminantemente contra", diz Kalil.

Segundo ele, o maior problema da transferência de médicos para regiões distantes está na falta de condições de trabalho. Em alguns casos, afirma, o profissional "não tem nem acomodação".

"Não adianta jogar os médicos [num hospital] se não houver estrutura. O médico pode ser da China, da Lua. Se não tiver seringa, se não tiver raio x, ele não vai conseguir atender ao paciente", diz.

Dilma oficializou anteontem um programa para fixar médicos no interior do país e nas periferias. Na falta de interessados brasileiros, serão abertas vagas para estrangeiros. Entidades médicas criticam a proposta, defendendo melhoria de estrutura na rede e a criação de uma carreira federal do médico.

Embora reconheça que a priorização de brasileiros atenue suas críticas, Kalil afirma que existem "outros caminhos para melhorar o atendimento" do SUS.

"Se os governos não conseguem há 30 anos melhorar as condições de trabalho, não é mandando médico para o extremo norte que vão resolver o problema", afirmou.

Segundo Kalil, a temporariedade da contratação e a garantia de que os estrangeiros não poderão ser transferidos amenizam sua resistência –por não tirar "emprego do médico brasileiro".

Citando reportagens que mostram falta de médicos em hospitais bem equipados, Kalil até reconhece que, em alguns casos, é necessário enviar médicos para lugares onde exista rede hospitalar.

Mas acrescenta que esse não é o cenário na maior parte da rede pública.

Kalil conta já ter manifestado sua contrariedade para o ministro Alexandre Padilha (Saúde). A Folha apurou que ele chegou a participar de pelo menos uma reunião com a própria presidente Dilma para discussão do modelo.

Seu papel, segundo integrantes do governo, foi estabelecer canal de interlocução com representantes médicos contrários ao programa.

Ao longo da negociação, o governo admitiu alterações no projeto, como a regra que prioriza a opção por médicos brasileiros. Essas mudanças, no entanto, não contemplaram as entidades médicas.

Kalil é doutor e professor livre-docente pela USP com especialização nos EUA. Ocupa atualmente a direção do centro de cardiologia do Hospital Sírio-Libanês. Eles não quis comentar a exigência para que alunos de medicina trabalhem dois anos no SUS.

13/12/2012

E disso os grupos mafiomidiáticos não falam

Será que os Médicos sem Fronteira vão se pronunciar a respeito dos médicos sem vergonha!

Para eles, corruptos são sempre os outros

Publicado em dezembro 13, 2012por mariomarcos

Você deve ter lido e ouvido sobre o novo escândalo atacado pela Polícia Federal: uma rede formada por empresários, médicos, entre outros, fraudou durante muito tempo vestibulares para faculdades de Medicina em todo o país.

Em troca de gabaritos, respostas para as provas, envolvimento em uma sofisticada rede de corrupção, cada aluno pagava cerca de R$ 80 mil. Com isso, tinha aprovação garantida.

O esquema existe há tanto tempo, revela a polícia, que muitos dos alunos que compraram a aprovação já são médicos formados. Estão no mercado de trabalho.

Pelo preço pago (R$ 80 mil), dá para ver que os alunos e famílias que pagaram certamente não estão entre aqueles brasileiros beneficiados por bolsa-família, programa Minha Casa, Minha Vida, Pró-Uni, cotas raciais e sociais, a parcela da sociedade que sempre é acusada por muitos (com uma indisfarçável dosagem de preconceito) de não saber votar.

Estes são teriam dinheiro para financiar a corrupção – muito menos para corromperem.

É possível concluir, sem qualquer receio de erro, que muitos dos envolvidos na vigarice estão entre os que fazem discursos irados contra os políticos e o Congresso, esbravejam diante da TV de suas salas bem equipadas e pedem condenações sumárias para os réus do mensalão e, por fim, acusam a população de não ter condições de fazer boas escolhas.

São os hipócritas que qualquer um de nós sabe identificar no dia a dia.

Estes sim fazem parte do Brasil que precisa mudar.

http://mariomarcos.wordpress.com/

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