Ficha Corrida

29/11/2014

Marcelo Rubens Paiva trabalha na casa da múmia

A múmia que segura o cartaz é o patrão do Marcelo Rubens Paiva… Coincidentemente, estavam subordinados a esta mesma múmia o Pimenta Neves e a colega que ele, Neves, assediava moral e sexualmente a ponto de vir a matá-la, Sandra Gomide. Sei, não, mas acho que o ambiente onde ele trabalha não é lá muito saudável…

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Múmia comunista

Em 2014, o comunista, como uma múmia desenterrada e infectada por uma maldição, volta a tirar o sono de um grupo que protesta contra a atual política brasileira. Se em 1964 sua ameaça era protagonista de uma peça de propaganda que servia ao cliente Guerra Fria, e resultou na mais longa das ditaduras, a de 2014 está difícil de justificar.

Enquanto a extrema direita europeia teme a invasão de imigrantes, quer segregação, leis mais duras e fronteiras mais patrulhadas, e a norte-americana quer o Estado fora da economia, o sistema de saúde privado, direito a portar armas, fronteiras mais altas e eletrificadas, a brasileira ressuscita um esqueleto mais enrolado que faraós do Vale dos Reis.

Em 1935, teve um levante comunista na Intentona, que acabou servindo indiretamente ao projeto de ditadura de Vargas. Em 1964, montou-se o temor de que o Brasil estava para se tornar comunista. Um golpe foi organizado para destronar o governo trabalhista, empossado aos trancos num momento de fragilidade democrática. O Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (Ipes) recebeu verba para uma campanha maciça, filmetes, anúncios de páginas inteiras, spots nas rádios, mobilizando o País contra o terror comunista. O Instituto Brasileiro de Ação Democrática (Ibad) financiou campanhas de candidatos anticomunistas que fizessem oposição ao governo, que anunciou reformas de base que tocavam no ponto nevrálgico do capitalismo: reforma agrária e bancária, nacionalização de indústrias e controle de remessa de lucro.

A tese do avanço vermelho era exagerada, mas não delirante. Existia um forte e único partido comunista, PCB, encabeçado por um líder carismático, Luiz Carlos Prestes, que influenciava o movimento sindical, estudantil e camponês, com o cofre abarrotado pelo ouro de Moscou. Na ilha de Cuba, um platônico movimento guerrilheiro comunista libertário destronou um ditador da folha de pagamento da Máfia.

O mundo estava dividido em dois fortes blocos. O Pacto de Varsóvia conseguiu colocar o primeiro satélite e o primeiro homem no espaço. Depois da união de proletários, o bloco se industrializou sem patrões, construiu bombas atômicas, mísseis e uma utopia que não vingou.

O câncer comunista crescia até no mundo livre protegido pela Otan, o bloco do bem. Em países democráticos, como França e Itália, partidos comunistas (PCF e PCI) formaram o contrapeso da política local. Movimentos guerrilheiros na América Latina pipocavam. Movimentos guerrilheiros na África iniciavam a luta contra o neocolonialismo. Na Indochina, partiram pra guerra.

Tinha comuna em toda parte: cineastas, como Glauber Rocha, escritores, como Graciliano Ramos, Jorge Amado, grupos de teatro do CPC e dramaturgos, como Dias Gomes, Oduvaldo Vianna Filho, Gianfrancesco Guarnieri, editores, como Ênio da Silveira e Caio Prado, jornalistas, pintores… A burguesia estava cercada. Toda intelectualidade virou comuna?!

A tradicional família cristã sofria. Filhos viam nouvelle vague, liam marxismo, diziam que religião é o ópio do povo. Outros, niilistas, falavam da morte de Deus. Outros, de direitos civis, feminismo, sexo antes do casamento, debatiam a monogamia, o sentido da vida, fumavam Gauloise e liam um casal de filósofos comunas e promíscuos, Sartre e Simone. Chamem os milicos! Intervenção já!

Se o golpe comunista de Jango precisasse de apoio externo, o comandante-chefe das Forças Armadas da URSS, Vasily Chuikof, poderia nos invadir pelo Nordeste com soldados cubanos munidos de AK-47, se juntar às Ligas Camponesas e a Arraes, trazendo muitos tanques T-54 e T-55, que estiveram em Praga, Vietnã, Angola e Moçambique, posteriormente. Desceriam o cerrado apoiados pelos supersônicos MIG-19 e MIG-21, caças de interceptação SU-9 e bombardeios Ilyushin Il-28, enquanto uma nova Coluna Prestes & Brizola, vinda do Sul, se encontraria com estudantes liderados pelo presidente da UNE, José Serra, e professores da USP, como Fernando Henrique Cardoso e Florestan Fernandes. Cercariam Brasília pelo flanco esquerdo, para empossar o proletariado e candangos da URSB (União das Repúblicas Socialistas Brasileiras), que depois invadiria o Paraguai, Uruguai, as Guianas e o Suriname.

Hoje, existem três países comunistas: uma dinastia do outro lado do mundo em guerra há 60 com os EUA (em estado de cessar-fogo), uma ilha comandada por dois irmãos, que sofre embargo há 55 anos dos EUA e não tem combustível para a frota de transporte público, e a maior potência econômica, a fábrica do mundo, um exemplo de produtividade, país "in love" com a economia de mercado e que já é o nosso principal parceiro comercial.

O PCB rachou antes de 1964. Com o colapso da URSS, virou PPS em 1992, partido que apoiou Aécio Neves, cujo vice, Aloysio Nunes Ferreira, foi o representante da ALN na Europa (Aliança Libertadora Nacional), organização de esquerda clandestina fundada por Marighella, ex-membro e constituinte do PCB que rachou o partido.

Na franquia comunista, sobrevivem PCdoB e um ressuscitado PCB. Dividem a franquia da esquerda com PSOL, PSTU e PCO. Se uniriam para dar o golpe comunista dilmapetista? Médicos cubanos pegariam em armas. A Bolívia e a Venezuela mandariam reforços? Seus exércitos estão bem equipados? As Farc podem contribuir? Cuba consegue mandar mais alguém, além de médicos? A Coreia do Norte, mísseis Nodong-1 ou Teapodong-1? O Mercosul apoia? Algum país nos reconheceria?

A ameaça comunista atual é um delírio liderado por um grupo que dissemina o ódio e alguns garotos doutrinados por 140 caracteres, confunde os "ismos" e fatos históricos, e tem como guru um filósofo atuante nas redes sociais, Olavo de Carvalho, que tuíta coisas como:

"Sinceramente, começo a pensar que o papa Francisco não é esquerdista, é lelé da cuca".

"É preciso ACABAR com a hegemonia esquerdista na mídia O QUANTO ANTES. NÃO BASTA PROTESTAR. É preciso AGIR."

"Comunistas, cocôs falantes! Não precisamos de ajuda militar para jogar vocês na privada e puxar a descarga."

Em referência aos manifestantes do protesto anti-Dilma de 15 de novembro, que expulsou um repórter do CQC: "O que vocês fizeram com o carinha do @cqc tem de fazer com o pessoal da @Folha_com, do @Estadao e do @JornalOGlobo".

Não chego a temê-los, como muitos analistas e colegas jornalistas. A intolerância agrega intolerantes. O ódio serve a quem odeia. No debate político, ainda é a ideologia que predomina. O Brasil tem coisas muito mais sérias com o que se preocupar.

16/05/2012

Marcelo Rubens Paiva e o esculacho

Filed under: Ditadura,Esculacho,Marcelo Rubens Paiva — Gilmar Crestani @ 9:18 am

 

“Obrigado, garotada”

publicada terça-feira, 15/05/2012 às 10:29 e atualizada quarta-feira, 16/05/2012 às 09:29

valeu
Por Marcelo Rubens Paiva, em seu blog

Sensação estranha essa.

O que você faria se soubesse do endereço do militar responsável pela tortura e morte do seu pai?

E que ele circula pelo bairro livremente?

Soube hoje pelo vídeo postado no Youtube que um dos responsáveis pela morte do meu mora na Rua Marques de Abrantes, Botafogo, zona sul carioca, em que passo direto, sem nunca ter me dado conta de que no 218 mora a figura que mudou a vida da minha família e trouxe tanto sofrimento para nós e muitas outras famílias.


O que vou fazer a respeito?

Nada.

Vou esperar que a Comissão da Verdade faça.

Nem desviarei do meu caminho. Nunca desviei.

O vídeo foi postado pelo movimento Levante Popular da Juventude:

Que promove o esculacho a torturadores e agentes da repressão suspeitos em todo o país; os esculachos [ou escrachos] são ações similares às promovidas na Argentina e no Chile, em que jovens fazem atos de denúncias e revelações de torturadores da ditadura militar que não foram presos ou julgados.

No início de abril, um protesto semelhante foi realizado em São Paulo contra Harry Shibata, médico que teria atestado o suicídio do jornalista Vladimir Herzog, em 1975.

No manifesto do grupo:

“Os manifestantes apoiam a instalação da Comissão da Verdade, cobram a localização e identificação dos restos mortais de desaparecidos políticos e exigem que os torturadores sejam julgados e punidos.

Os jovens condenam a movimentação dos setores conservadores dentro e fora das Forças Armadas, que não aceitam a democracia e não admitem a memória, a verdade e a justiça, desrespeitando a autoridade da presidenta Dilma Rousseff e ministros de Estado, como no manifesto “Alerta à nação”.

Por isso, os jovens saem às ruas para denunciar a impunidade de torturadores e criminosos da ditadura com o objetivo de sensibilizar a sociedade e garantir que a Comissão tenha liberdade para fazer o seu trabalho e alcance seus objetivos.”

No dia 26 de março, o movimento fez protestos em São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Fortaleza, Rio de Janeiro, Belém e Curitiba contra agentes da ditadura suspeitos de torturaram, mataram, perseguiram militantes.

E segundo matéria no ESTADÃO de hoje, de João Coscelli:

Manifestantes fazem uma nova rodada de “esculachos” contra torturadores e agentes ligados à ditadura segunda-feira, 14, em cidades de 12 Estados do País. Os protestos ocorrem poucos dias depois de a presidente Dilma Rousseff nomear os membros da Comissão da Verdade, destinada a esclarecer casos de violações de direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988.

No Guarujá, litoral de São Paulo, cerca de cem pessoas protestaram em frente ao prédio onde mora tenente-coronel reformado Maurício Lopes Lima, denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) como torturador. Membros do grupo Levante Popular da Juventude, que organiza os atos, afirmaram ter recebido informações de que o ex-militar, chamado de “torturador pra presidente Dilma”, estaria em casa, mas ele não se manifestou. O protesto teve início às 10h e durou uma hora.

Em Belo Horizonte, o alvo do esculacho foi João Bosco Nacif da Silva, médico-legista da Polícia Civil da ditadura, que teria atestado uma laudo médico de suicídio para um prisioneiro torturado em uma delegacia da capital mineira em 1969. Cerca de 50 pessoas compareceram em frente ao prédio do médico com cartazes denunciando sua participação na repressão. De acordo com um dos manifestantes, Nacif da Silva se exaltou e tentou agredi-los, o que motivou o encerramento precoce do ato. A Polícia Militar apenas acompanhou a ação.

O grupo também promoveu manifestação em frente à residência do general da reserva José Antônio Nogueira Belham, denunciado como torturador do militante Rubens Paiva. Belham, que atualmente mora na zona sul da capital fluminense, foi o chefe do DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna) do Rio durante a ditadura.

Na capital baiana, quem recebeu o esculacho foi Dalmar Caribé, cabo do Exército acusado de ser o responsável pelos assassinatos dos militantes Carlos Lamarca e Zequinha Barreto. Em Recife, o desembargador aposentado Aquino de Farias Reis, ex-delegado do Dops também foi alvo de manifestação.

Houve protestos também em Teófilo Otoni (interior de Minas), João Pessoa (Paraíba), Belém (Pará), Aracaju (Sergipe), Fortaleza (Ceará) e em Natal (Rio Grande do Norte).

Bacana. Criativo. Justo.

Obrigado, garotada.

A família agradece.

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