Ficha Corrida

24/04/2016

Le Monde menciona Mani Pulite para dizer que Brasil tem 30 Berlusconi

golpe_globoO vetusto jornal francês vem, depois da avalanche de congêneres internacionais, descantar o verso. Primeiro, tendo por fonte O Globo, disse que impeachment não é golpe, mas agora contrastado admite sua parcialidade induzida. A mídia internacional que não se alimenta dos ratos nacionais já se deu conta de que a plutocracia tenta, com a Rede Globo à frente, derrubar um governo eleito e sem mácula, implantar uma cleptocracia cuja face é Michel Temer, e que tem por operador Eduardo CUnha. Só para refrescar, como então articulador do Governo, Michel Temer articulou no Congresso a eleição de seu capitão-de-mato Eduardo CUnha. Cunha é obra sua, não só por ter distribuído cargos com pessoas ligadas a CUnha, mas por agora ser o beneficiário do processo kafkiano de seu agente.

A outra lembrança do Le Monde diz respeito ao verniz de legalidade, que é a forma de todo Golpe Paraguaio, que atende por Mani Pulite. Se na Itália o processo conduziu ao poder Sílvio Berlusconi, que se manteve no poder até quebrar o país e virar chacota internacional por suas Bunga Bunga, no Brasil a caça ao Lula se tornou diversionismo para alimentar a matilha que está sedenta de poder como hienas vagando no deserto em busca de carniça. Basta que se diga que Lula vem sendo caçado como escravo fugido sem que seus caçadores tenham conseguido emplacar a formalização de uma única acusação. E, quando se quer, todos sabemos que uma devassa na vida de qualquer pessoa encontra indícios, ou nela se implanta, elementos para instruir uma ação. De proprietário da Friboi, que é finanCIAdora da campanha contra Lula, de aviões supersônicos a última investida é nos pedalinhos de Atibaia. Se os perdigueiros que caçam Lula não tivessem o faro viciado já teriam dado satisfação do sumiço do heliPÓptero. Ou quiçá alguma explicação para o alcovitamento de Miriam Dutra na Espanha às expensas da Brasif. Se devassassem Michel Temer ou os filhos do Roberto Marinho, teriam elementos para milhares de ações. Mas não se trata de limpar os podres, mas de tirar quem sempre combateu os podres. São limpa-trilhos para que os  30 Berlusconi de que fala o Le Monde voltam ao comando dos cofres públicos. Não é sem motivo que carta do Grupo Globo ao The Guardian tenha sido solenemente relegada a tudo que sai da Rede Globo, lixo.

As razões que levam um juiz a proferir uma decisão em 28 segundos para impedir Lula de assumir um Ministério é a mesma que explica a lentidão para afastar um notório corrupto como Eduardo CUnha. É a forma da plutocracia  defender seus cleptomaníacos no Golpe Paraguaio em curso no Brasil. A distribuição de estatuetas pela Rede Globo é, como o “famiglia” usado pelos congressistas ao sufragarem o golpe, senha que une plutocratas a cleptomaníacos. O dinheiro lavado e escondido no exterior, seja das Copas de 2002 e 2006, seja dos esquemas montados pela dupla Michel Temer & Eduardo CUnha, explicam a unanimidade da mídia internacional em apontar a transformação da República Brasileira em Bunga Bunga. Ou República das Bananas

Le Monde lamenta ter se baseado na mídia brasileira para analisar o golpe

Le Monde lamenta ter se baseado na mídia brasileira para analisar o golpe

sab, 23/04/2016 – 20:51 -Atualizado em 23/04/2016 – 20:52

Do RFI

Le Monde admite ter ignorado parcialidade da mídia brasileira

Publicado em 23-04-2016 Modificado em 23-04-2016 em 20:21

Na edição antecipada de domingo (24), o mediador entre os leitores e a redação do vespertino francês Le Monde, Franck Nouchi, faz a seguinte pergunta: "Le Monde foi parcial na cobertura da crise politica brasileira?"

O questionamento foi feito depois do jornal ter recebido dezenas de cartas de brasileiros e franceses vivendo na França e no Brasil. O jornal cita a carta, que elogia como muito bem argumentada, de quatro brasileiras residentes em Paris," movidas pela consciência do impacto que o Monde tem sobre a opinião pública ". Na carta, elas perguntam porque Le Monde escolheu a parcialidade para abordar a crise politica brasileira ao invés de indagar, abordar novos ângulos… e não seguir o coro uníssono da grande mídia brasileira.

Na mesma linha, Le Monde também levou em consideração o correio de um outro grupo de ex-exilados políticos brasileiros da França e da Bélgica, que interrogam porque não foram feitas reportagens mais balanceadas com personalidades de destaque como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e outros nomes, sobre suas razões para se posicionarem com tanta firmeza pela democracia. Na contramão, é citado somente um leitor que elogia diversos artigos e o mediador defende as coberturas de algumas matérias.

Parcialidade das mídias brasileiras é reconhecida

No entanto, reconhece e lamenta que o editorial de 31 de março, intitulado"Brésil: ceci n’est pas un coup d’Etat" (Brasil: isto não é um golpe de Estado, em tradução livre), não tenha sido equilibrado, em especial por ter omitido que os apoiadores do impeachment são acusados de corrupção, a começar por Eduardo Cunha, presidente da Câmara, assim como por não ter abordado suficientemente a parcialidade das mídias nacionais. Nesse contexto, o mediador lembra um dossiê completo publicado em janeiro de 2013 pela ONG Repórteres sem Fronteiras, que chamava o Brasil de "o país dos trinta Berlusconi"*, lembrando que os dez principais grupos econômicos, familiares, dividem o mercado da comunicação de massa.

Finalizando, o jornal admite que o ideal teria sido enviar um jornalista de Paris para apoiar sua correspondente em São Paulo, Claire Gatinois, para relatar com mais profundidade as fraturas sociais da população, reveladas durante esta crise.

* referência ao ex-premiê italiano Silvio Berlusconi, dono de um império midiático na Itália.

Le Monde lamenta ter se baseado na mídia brasileira para analisar o golpe | GGN

11/08/2015

Lava Jato está comendo boi aos bifes

Você trocaria um o boi de 142 bilhões por um de 500 milhões de reais?!

boi aos bifesEstive no evento que tratou das experiências nos EUA e no Brasil no combate à corrupção de que participaram o Juiz Federal Sérgio Moro e o Professor do College of Law, na Virgínia/EUA, Paul Marcus.  O professor ianque trouxe uma contribuição muito americana. Lá, os juízes são nomeados pelo Executivo, fato que passou batido por razões óbvias…

Isto é, estão lá para servirem ao executivo. A plebe ignara e embevecida não se deu conta desta informação trazida pelo professor. Como também não se deu conta de outra característica típica norte-americana que perpassa até na aplicação da justiça. Nos EUA o habeas corpus se chama fiança. Quem paga tem, quem não tem não paga. A liberdade é uma questão monetária. No dia 03/06/2015, a Folha publicou: “Presidente da Traffic USA pagou quase R$ 16 milhões de fiança nos EUA”. Isto é, cinco milhões de dólares é um critério de justiça? Quem tem, paga.

O professor Paul Marcus trouxe outro dado muito interessante. Por lá se discute o custo do processo versus retorno econômico.  Usando um caso bem brasileiro, a Receita Federal não move ação de Dívida Ativa para valores inferiores a R$ 10 mil reais. O custo é maior do que o benefício.

Agora vejamos o custo desta corruptela linguística chamada Lava Jato. Em bom português seria “lava à jato”…

Segundo o insuspeito, porque parceiro da Lava Jato, G1 da Globo, neste 11/08/2015, “Os impactos diretos e indiretos da Operação Lava Jato na economia podem tirar R$ 142,6 bilhões da economia brasileira em 2015, o equivalente a uma retração de 2,5% do PIB (Produto Interno Bruto.”

O Estadão, outro parceiro de vazamentos da Lava Jato, fez publicar matéria, com base em informações dos procuradores, que  o “País vai recuperar R$ 500 milhões com delações na Lava Jato, diz força-tarefa”.

Vamos dar de barato que se trata de um processo imparcial, então haveria um ganho institucional que é o combate à corrupção. Neste caso o benefício é incomensurável.

Contudo, se, e como em tudo há um “se”, o ganho institucional da corrupção tiver de dividir seu bônus com o ônus dos vazamentos seletivos, da parcialidade acusatória? Qual é o ganho?

Há ainda a comparação com a Operação Mãos Limpas trazida a luz pelo próprio Juiz Sérgio Moro. Do meu ponto de vista a comparação é apropriada mas com sentido diverso. Se por um lado há similaridade no combate à corrupção, por outro a parceria com a mídia traz um dado assustador. É mais do que notório que  Sílvio Berlusconi domina, por meio da Mediaset, o mercado midiático italiano, seja tvs, rádios, jornais, revistas e editoras de livros. É uma espécie de Roberto Marinho à italian. A parceria do Antonio Di Pietro com Berlusconi eliminou os principais atores políticos. O resultado disso foram 20 anos de Sílvio Berlusconi de Primeiro Ministro. Sua Liga Norte, também conhecida como Forza Itália, de matiz nazifascista quebrou a economia italiana e transformou o parlamento num puteiro. Para vingar as mortes de Giovanni Falcone e Paolo Borselino, a Operação Mãos Limpas eliminou o mundo político mas a máfia continua viva e forte como se pode acompanhar pela página do Roberto Saviano.  Ou mesmo diariamente pelas páginas dos principais jornais italianos. A corrupção, aliás, foi o ponto alto das sucessivas administrações Berlusconi. Lá como cá o erro reside no fato de pessoas estranhas ao mundo político quererem fazer política com instrumentos legais.

Ah, Antônio Di Pietro virou político inexpressivo… Em 1998 fundou seu partido e por um ato falho chamou de “Italia dei Valore”. Valia tanto que o abandonou em 2014. Claro, como um inútil da política, rechaçado pelo povo, se declara nem de direita nem de esquerda. Certamente ele não leu o conterrâneo Norberto Bobbio, que em seu livro “Direita e Esquerda” diz que enquanto houver dia e noite haverá direita e esquerda. No Brasil, o DEM e seus seguidores se dizem apolíticos, nem de direita nem de esquerda.…

No Estadão, em artigo publicado no dia de hoje, o procurador Carlos Lima, defende a ressurreição da teoria Domínio do Fato. Coitado do Claus Roxin, vai ter de ouvir novamente a jurisprudência Assas JB Corp.: “Foi feito pra isso, sim”.

E assim chego ao título deste post. Todos as prisões e delações não se esgotam em si mesmas, antes servem para se chegar, nas palavras do procurador “aparato político que criou tal esquema criminoso”. Não é sintomático que o novo defensor da Teoria do Domínio do Fato não cita seu principal desenvolvedor?  Por que alguém sempre cioso em fixar datas, artigos, leis, precedentes esquece o autor da teoria objeto de seu artigo?  A literatura jurídica me permite, assim como permitiu à Rosa Weber, dizer que que não se trata de ato falho, mas totalmente consciente, na medida que o próprio autor tem conhecimento que Claus Roxin criticou o uso que o STF fez da Teoria Domínio do Fato….

Diante do modus operandi, forte na seletividade dos vazamentos, “a literatura jurídica me permite” concluir que a Teoria Domínio do Fato, na forma como apresentada pelo Procurador no artigo publicado no Estadão, também se encaixa perfeitamente sobre a organização envolvida na Operação Lava Jato. Podemos tirar, se acharem melhor

Por isso, as prisões atuais e as delações são bifes para se chegarem ao boi. Os empresários e administradores presos são contabilizados como perdas colaterais, funcionam como bois de piranha. O prêmio está marcado a ferro é fogo, é Lula.

PS. Há um grande equívoco, não sei se intencional ou não, em atribuir toda responsabilidade ao Juiz Sérgio Moro. Esquecem que todos os recursos submetidos às instâncias superiores resultaram no endosso da sua condução do processo. Além disso, não houve e não há a mínima interferência do Poder Executivo, seja escolhendo procurador afinado com o Executivo, como fez FHC com Geraldo Brindeiro, seja através da Polícia Federal, também como fez FHC. Pela primeira vez na história deste país as instituições estão atuando, não digo harmônicas, mas de forma independente. Infelizmente, a seletividade leva a coisas como esta dita pelo deputado gaúcho do PSDB, Jorge Pozzobom: “Eu entro no Poder judiciário e por não ser petista não corro o risco de ser preso”.

29/12/2014

“Suguem mais um pouco e venham para o nosso lado”

Si vis pacem para bellum, ou em livre tradução tucana: “Suguem mais um pouco e venham para o nosso lado”. Quando Lula ameaçou limpar os dejetos deixados pelo PSDB, a velha mídia golpista abraçou a causa e acusou o golpe: “aparelhamento do Estado”. As tentativas de limpeza barraram na proteção que a velha mídia sempre dá ao PSDB. Paulo Roberto Costa, funcionário de carreira da Petrobrás, ganhou o primeiro cargo com FHC. Precisou chegar Dilma para despacha-lo. Outra, parceira de todas as horas do PSDB, Venina Velosa, está sendo alcovitada pela velha mídia golpista. A partir do momento em que são pegos, basta se voltarem contra o PT para que a velha mídia endosse e passa a beatifica-los.

Depois de fritarem Aécio Neves em banho de pó, já que em São Paulo Cantareira virou pó, a mídia paulista começa a preparar o terreno para sedimentar o caminho de seus pupilos, Geraldo Alckmin ou José Serra. O problema não é só Lula pela frente. O ataque também virá de trás. Será a vez de Aécio mandar O Estado de Minas publicar um artigo para desancar o pó do Sistema Cantareira: Pó pará, governador Geraldo Alckmin… E a Veja ver-se-á na contingência de revidar: São Paulo a reboque, não. Se o Instituto Millenium abraçou com unhas e dentes o Senador com a pior nota de avaliação, com certeza terá menos dificuldade ainda para se assoCIAr aos dois tucanos paulistas.

O problema é que até 2018 não haverá mais revistas nem jornais. A internet estará ainda mais popular e não sobrará pedra sobre pedra. Tudo virará pó! Além do que a operação Mani pulite na Petrobrás poderá catapultar um Silvio Berlusconi para abrilhantar as noites de Bunga Bunga nos trópicos…

29/12/2014 – Ex-Presidente do PSDB telefonava para doleiro Youssef cobrando propinas “atrasadas” da Petrobrás

GuerraPB2

O empresário Leonardo Meirelles afirmou, em depoimento na 13ª Vara Federal de Curitiba, que outros políticos do PSDB, além do ex-presidente do partido Sérgio Guerra, receberam dinheiro desviado da Petrobras pela organização do doleiro Alberto Youssef. Meirelles aparece como um dos donos do Labogen, o laboratório usado por Youssef para mandar aproximadamente US$ 130 milhões para o exterior a partir de falsos contratos de importação e exportação.

O empresário falou sobre o suposto envolvimento de políticos do PSDB em perguntas de seu advogado Haroldo Nater durante audiência oficiada pelo juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, na segunda-feira. O advogado perguntou se outros partidos, além do PP, PT e PMDB foram beneficiados com desvios de dinheiro da Petrobras pelo grupo de Youssef.

– Acredito eu que o PSDB e eventualmente algum padrinho político do passado e provável conterrâneo ou da região do senhor Alberto – disse Meirelles.

Quando o advogado pediu mais detalhes, Moro interveio. Para o juiz, Meirelles não precisaria identificar os personagens sobre os quais estava falando. Se mencionasse o envolvimento de políticos com foro privilegiados, Moro teria que interromper o processo e mandar os autos para o Supremo Tribunal Federal (STF).

Na sequência da conversa, também em resposta a pergunta de Nater, Meirelles confirmou que presenciou uma conversa por telefone entre Youssef e Sérgio Guerra. O ex-senador estaria cobrando uma promessa não devidamente cumprida pelo doleiro.

– Um ajuste, não uma reclamação, de coisas do passado – disse Meirelles.

Em um dos depoimentos da delação premiada, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa disse que pagou R$ 10 milhões para Sérgio Guerra com o objetivo de esvaziar a CPI da Petrobras em 2009. A CPI, que começou de forma ruidosa para investigar supostas fraudes na construção da refinaria de Abreu e Lima, entre outras obras da Petrobras, terminou sem qualquer resultado concreto. Guerra morreu em março deste ano e foi substituído na presidência do PSDB pelo senador Aécio Neves, candidato do partido à presidência da República. Na semana passada, a direção do partido disse que todas as denúncias têm que ser investigadas.

(Estadão)

Ex-Presidente do PSDB telefonava para doleiro Youssef cobrando propinas “atrasadas” da Petrobrás « Poços10 – Poder e Política

13/06/2014

Que falta nos faz uma Mani Pulite, um Di Pietro?!

jb marinhoQuando estive na Sicília, três vezes desde 1990, encontrei inúmeros casos iguais aos da famiglia Marinho. Só que pertenciam aos subalternos. Por que o chefe, Capo di tutti i capi, habitava em Milão. Veio a ser, por 20 anos, primeiro ministro da Itália. O dono da Mediaset, da FININVEST, da Bompiano, da Mondadori, do Milan, Sílvio Berlusconi equivale, para a Itália, o que a famiglia Marinho é para o Brasil. Assim como a Máfia de Palermo, de Siracusa, da Calábria, de Nápoli são todas subordinadas ao comando do Forza Itália, no Brasil as famiglias mafiosas dos estados são aquelas que detém a retransmissão da Rede Globo. As filiais do RS, RBS, do Maranhão (Sarney), Collor em Alagoas, Alves em Natal, Jereissati no Ceará estão para a Globo como as famiglias das cidades italianas estão para o comando de Sílvio Berlusconi. O que é a criação do Instituto Millenium senão uma cópia do Forza Itália?!

E não há nenhuma chance de tenham um Antonio Di Pietro simplesmente porque só se chega a Gurgel com o beija-mão dos Marinho. O ódio de Joaquim Barbosa a José Dirceu está diretamente ligado ao fato de ter se ajoelhado a ex-chefe da Casa Civil para conseguir chegar ao Supremo. Um vez ungido, vingou-se. Na máfia, quando o serviço é entregue, o executor corre beira a mão. Exatamente como fez Ayres Brito antes e em seguida Joaquim Barbosa.

Quando houver algo parecido com a Mani Pulite aí sim acredito que o Brasil será passado a limpo. Até lá, o Brasil continuará sendo passado para trás, graças também à manada que vai com docilidade bovina rumo ao matadouro.

O que a casa de praia dos Marinhos mostra sobre eles e sobre o Brasil

Postado em 11 jun 2014

por : Paulo Nogueira

A casa premiada e contestada

A casa premiada e contestada

Os três irmãos Marinhos dividiram o poder assim. Roberto Irineu, o primogênito, é o presidente.

João Roberto, o segundo, é o editor, e dele emanam as diretrizes a serem seguidas por todas as mídias do grupo.

José Roberto, o caçula, cuida da Fundação Roberto Marinho, e é tido, nas Organizações, como um cruzado do ambientalismo.

Mas parece que seu cuidado com o meio ambiente vale para o mundo, mas não para a família Marinho.

Veio à luz espetacularmente, ontem, uma ilha dos Marinhos na região de Paraty. Quem a tornou assunto nacional foi o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, suspeito de irregularidades, em depoimento na CPI da empresa.

Antes de seguir, um registro cômico. A Globonews vinha dando ao vivo o depoimento até Costa falar na ilha. Ele disse que, em suas novas atividades, tem um contrato firmado para vender a ilha. “É um projeto chamado Zest”, afirmou.

Neste momento, a Globonews interrompeu a transmissão da CPI da Petrobras e foi para outro lugar. Os editores mostraram agudo senso de sobrevivência.

Pausa para rir.

A ilha, em si, permanece num véu de fumaça.

Mas não a casa monumental dos Marinhos na região. Mais especificamente, na praia de Santa Rita, em Paraty. A melhor matéria feita sobre ela – e as polêmicas que a rondam — não veio da Folha, ou da Veja, ou do Estadão.

Veio de fora, da Bloomberg. A Globo não goza, com a Bloomberg, do esquema de proteção que Folha, Veja e Estadão lhe garantem no Brasil.

“Os herdeiros de Roberto Marinho, que criou as Organizações Globo, maior grupo de mídia da América do Sul, construíram uma casa de 1 300 metros quadrados, um heliponto e uma piscina numa área da Mata Atlântica que a lei, supostamente, preserva para manter intocada sua ecologia”, disse a Bloomberg, numa reportagem de 2012.

José Roberto, o homem-natureza da Globo, aparentemente não se importou em derrubar árvores em sua propriedade, e muito menos se intimidou diante da lei.

A Bloomberg foi ouvir o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Falou com Graziela Moraes Barros, analista ambiental do instituto. Ela foi investigar a suntuosa casa, que recebeu diversos prêmios arquitetônicos.

“Os Marinhos quebraram a lei ao construir a casa”, disse ela.

Dois guardas armados, ela contou, impedem que outras pessoas usem a praia — pública — em frente da casa. De certa forma, isso lembra a infame ocupação de um terreno público pela Globo ao lado de sua sede em São Paulo.

Coloquemos assim: a Globo trata o Brasil como propriedade privada, e ninguém dá um basta nisso.

Um juiz ordenou em 2010 que a casa fosse derrubada, mas evidentemente que não foi.

Não é fácil fiscalizar as coisas na região.

Em abril de 2013, uma bomba foi colocada na casa de uma analista ambiental do ICMBio. Ela não se feriu, mas se assustou. Pediu para ser transferida para fora do Rio de Janeiro. “Tenho família e estou com medo”, disse ao jornalista Andre Barcinski.

“Não foi o primeiro caso de profissional que abandonou a região”, contou Barcinski. “Há dois anos, uma fiscal ambiental pediu transferência depois ter dois carros queimados, em 2008 e 2011, na porta de casa.”

De volta à reportagem da Bloomberg, topo mais uma vez com Graziela. Ela se saiu com uma frase que é especialmente dolorosa, porque verdadeira.

“Muita gente diz que os Marinhos mandam no Brasil. A casa mostra que eles certamente pensam que estão acima da lei.”

Pausa para um lamento.

E clap, clap, clap de pé para a brava Graziela pela capacidade de enxergar e descrever o Brasil em poucas palavras.

Paulo Nogueira

Sobre o Autor

O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

Diário do Centro do Mundo » O que a casa de praia dos Marinhos mostra sobre eles e sobre o Brasil

17/02/2012

Mani Pulite: 20 anos de subornos

Filed under: Itália,Mani Pulite — Gilmar Crestani @ 9:24 am

 

Mani Pulite: 20 anni di tangenti

Cosa accadde 20 anni fa? Cosa segnò il passaggio dalla prima alla seconda repubblica? Ma soprattutto, cosa cambiò nei fatti?

Il fenomeno "Tangentopoli" comincia formalmente il 17 Febbraio 1992, venti anni fa, con l‘arresto di Mario Chiesa, ingegnere esponente del PSI. E’ l’allora pubblico ministero Antonio Di Pietro a chiedere l’autorizzazione a procedere, cogliendo il “mariuolo isolato” (come dirà Bettino Craxi in tempo di elezioni) sul fatto.
Cosa accadde dopo, è risaputo: di isolato c’era ben poco. Una caterva di arresti portarono ad una vera e propria rivoluzione sociale e politica senza precedenti. Le vittime non furono solo imprenditori, ma anche politici di tutti gli schieramenti (eccetto per alcuni estremismi), in particolare i tre maggiori d’Italia, PSI, DC e PCI, tutti implicati in questi giochi di corruzione e mazzette.

Molti uomini si presentarono di loro spontanea volontà di fronte alla polizia, preoccupati com’erano che qualcuno, interrogato, potesse fare il loro nome. La popolarità di Di Pietro raggiunse l’80%. Una decina di persone, a volte nemmeno davvero indagate, si suicidarono.
“Socialista”, in Italia, diventò ben presto sinonimo di “ladro”. Un decreto, detto “Conso”, cercò di fermare le indagini in maniera indiretta: il presidente Oscar Luigi Scalfaro decise di non firmarlo, definendolo, di fatto, incostituzionale. Era il 1993.

Berlusconi, nel frattempo, preparava la sua discesa in campo. D’altronde era da poco cominciata una vera e propria battaglia tra il pool di Mani Pulite ed esponenti pre-Berlusconiani

Una guerra fatta di diffamazioni, minacce. E poi la discesa in campo del cavaliere, la sua vittoria, e l’idea di piegare Di Pietro e Davigo (che nel frattempo avevano cominciato ad occuparsi della Fininvest) proponendogli rispettivamente il Ministero dell’Interno e quello della Giustizia, offerta che i magistrati rifiuteranno. In seguito Berlusconi negherà queste proposte.
Con il Decreto Biondi, applicato durante una partita dell’Italia nei Mondiali, Silvio Berlusconi preparò il terreno per la fine del fenomeno Tangentopoli. Questo decreto favoriva gli arresti domiciliari nella fase cautelare per quasi tutti i crimini di corruzione; ragion per cui molti politici poterono liberamente uscire dal carcere. Divenne dunque una guerra personale tra due diverse braccia dello Stato, e solo dopo molti arresti e denunce l’esperienza Mani Pulite poté considerarsi conclusa.
Cosa è rimasto dopo Tangentopoli? Ben poco. Lo dimostra la situazione politica attuale, solo formalmente divisa in due blocchi contrapposti. Le tangenti continuarono ad essere pagate, e lo sono tuttora (basti vedere il caso di Ambrogio Mauri, imprenditore della Brianza, suicidatosi per questo).

Cambiarono i partiti, questo sì; i nomi, però, rimasero identici, identiche le facce. E la politica riuscì, ancora una volta, ad essere amministrata dalle stesse mani, dalla stessa odiosa élite fatta di sovrani ed eredi.

Mani Pulite: 20 anni di tangenti – AgoraVox Italia

10/02/2012

1992 – O ano que mudou a Itália

Filed under: Giovane Falcone,Mani Pulite,Máfia,Paolo Borsellino — Gilmar Crestani @ 9:50 pm

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      RE Le Inchieste

      L’anno che cambiò l’Italia

      1992, due decenni fa e sembra un mondo diverso, in bianco e nero. L’Italia incontrò, nel giro di pochi mesi, il ciclone Tangentopoli e le stragi di mafia. I protagonisti raccontano come quell’Italia è stata travolta. I giornalisti di Repubblica, del Venerdì e dell’Espresso, ripercorrono quelle vicende

      Inchiesta italianadi LEONARDO COEN, PIERO COLAPRICO, ENRICO DEAGLIO, SILVIA LUPERINI, PIERO MELATI, LAURA PERTICI, ALBERTO STATERA
      Con la timeline di GHERARDO COLOMBO 

      IL RICORDO / LA REPUBBLICA 1
      Tangentopoli? Non è mai davvero finita
      Il pm e l’imputato: "Ora rubano per sé"

      Tangentopoli? Non è mai davvero finita Il pm e l'imputato: "Ora rubano per sé"

      Vent’anni dopo, abbiamo fatto incontrare il procuratore Francesco Greco (nella foto) e l’imputato (uno dei pochi che si è fatto davvero il carcere), Sergio Cusani. Per guardare al futuro e notare che, allora, la politica doveva mantenere partiti portatori di interessi veri e che le tangenti erano il punto di mediazione con le imprese. "Oggi siamo alla pura criminalità economica. E il cittadino si sente indifeso" di PIERO COLAPRICO

      LA VIDEOINTERVISTA / LA REPUBBLICA 2
      Di Pietro: "Difenderò sempre la nostra inchiesta"

      L’ex pm ricorda l’indagine giudiziaria che svelò Tangentopoli. Dall’arresto di Mario Chiesa alle monetine contro Craxi, sino al suo addio alla toga. "Ho fatto il mio dovere", dice. "Non abbiamo sbagliato nulla. È stata la la politica a fallire" di LAURA PERTICI video di LEONARDO SORREGOTTI

      IL RACCONTO / IL VENERDì 3
      Mani Pulite, Falcone e Borsellino
      1992, il tramonto della prima Repubblica

      Mani Pulite, Falcone e Borsellino  1992, il tramonto della prima Repubblica

      Tutto accade vent’anni fa, quando una serie di eventi cambiarano il volto del nostro Paese. Prima la sentenza del maxiprocesso contro la Mafia. Poi l’uccisione di Salvo Lima e la stagione delle grandi stragi di Cosa Nostra. Negli stessi giorni, a Milano, Mario Chiesa intascava tangenti, Di Pietro lo covinse a confessare e il ‘mariuolo’ fu arrestato. Poi ci fu il boom della Lega e, due anni dopo, Berlusconi scese in campo. Così finì un epoca e si affermò l’idea che fosse una rivoluzione
      di ENRICO DEAGLIO

      • L’INTERVISTA / IL VENERDì 4
        "La corruzione è viva
        e lotta attorno a noi"

        "La corruzione è viva  e lotta attorno a noi"

        Piercamillo Davigo, il giudice del pool Mani Pulite, non nasconde la delusione. "Credevamo di estirpare per sempre il malaffare. Invece siamo riusciti a selezionare una specie, come fanno i leoni con le zebre,: quella dei super corrotti"
        di ALBERTO STATERA

      • L’INTERVISTA / IL VENERDì 5
        "Che vergogna quando
        il Csm bocciò Falcone"

        "Che vergogna quando  il Csm bocciò Falcone"

        Parla il procuratore Gian Carlo Caselli che scelse di andare a Palermo dopo le stragi. E che accusò Andreotti di mafia. "Quella volta che alcuni uomini di Stato mi chiesero se fosse proprio il caso di andare avanti nel processo"
        di PIERO MELATI

      • LA TESTIMONIANZA / IL VENERDì 6
        Tutti a mangiare con Bettino
        nella Milano da bere

        Tutti a mangiare con Bettino  nella Milano da bere

        L’ascesa e la caduta di Craxi raccontata dal suo ristoratore di riferimento. Le soffiate di Martelli. E i soldi: "Sono il solo ad averne presi dai socialisti e onestamente"
        di LEONARDO COEN

      • DALL’ARCHIVIO / L’ESPRESSO 7
        Bocca, Pansa e Rinaldi
        il 1992 visto da loro

         Bocca, Pansa e Rinaldi il 1992 visto da loro

        "Vivono con i ladri e poi fingono di stupirsi se rubano". "16 Luglio, fine di un regime". "Il Morto, il Becchino, il Sopravvissuto". I commenti delle firme storiche di Repubblica e L’Espresso

      LA TIMELINE / L’ESPRESSO 8
      Cinque anni di processi
      giorno dopo giorno

       Cinque anni di processi giorno dopo giorno

      La scomparsa del Pentapartito, l’esilio di Bettino Craxi, l’ascesa di Silvio Berlusconi e molto altro: ecco come l’Espresso ha raccontato quegli anni e cosa è rimasto oggi di quella stagione di GHERARDO COLOMBO

      LA VIDEOSTORIA / LA REPUBBLICA 9
      Processo Enimont
      gli show di Tonino

       Processo Enimont gli show di Tonino

      Fabrizio Ravelli ripercorre le tappe del caso giudiziario più importante degli anni di Mani Pulite. Le facce, le battute e le immagini che incollarono alla tv milioni di Italia
      di SILVIA LUPERINI

      LE FOTO / LA REPUBBLICA 10
      Giudici e ‘mariuoli’
      i protagonisti del pool

      Giudici e 'mariuoli' i protagonisti del pool

      Ecco alcuni dei volti più significativi della doppia stagione segnata dagli omicidi di Giovanni Falcone e Paolo Borsellino in Sicilia e dall’inchiesta di Mani Pulite a Milano di FLAVIO BINI

      LE IMMAGINI 11
      "Non diciamo Craxiate"
      Le copertine dell’Espresso

       "Non diciamo Craxiate" Le copertine dell'Espresso

      Le cover con cui il settimanale ha raccontato l’inchiesta Mani Pulite. Craxi, Occhetto e Di Pietro e i giudici del pool portagonisti dei primi anni Novanta

      L’ALTRA INCHIESTA 11
      Patto mafia-Stato
      le origini nel ’92

      Patto mafia-Stato le origini nel '92

      Al tempo delle stragi c’è stata una trattativa con Cosa Nostra per ‘risparmiare’ ministri e politici. Dopo 19 anni, i procuratori di Palermo ipotizzano che dopo l’uccisione di Salvo Lima (marzo 1992) altri fossero nel mirino dei Corleonesi. E il Viminale era così preoccupato da spedire un fax per lanciare l’allerta.

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      Inchiesta – L’anno che cambiò l’Italia – Inchieste – la Repubblica

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