Ficha Corrida

20/04/2016

A Vertigem das Listas

Agora, além de tirar os sapatos para entrar nos EUA, os golpistas também tiraram a carapuça e vestiram o chapéu.

Este é o legado da Operação Lava Jato conduzida pelos aloprados do MPF à república bananeira. Enturmados nos propósitos de entregarem os direitos trabalhistas e as empresas nacionais aos interesses econômicos externos, agentes políticos comandados por Rodrigo Janot conseguiram consolidar, em plena era da internet, a imagem bananeira no exterior. O que era para ser República virou, nas mãos dos golpistas, uma ré pública. Não adianta botar a culpa no Congresso se Eduardo CUnha só continua ativo e atentando contra a República por sua omissão.

Aqui se grampeia, se caça, se persegue obsessivamente, se vaza, mas também, ao velho estilo Rubens Ricúpero, se protege. Para proteger CUnha há que se caçar Lula. Octa delatado, Aécio Neves continua um varão ilibado na Lava Jato. Se por um lado pode-se alegar sua prerrogativa parlamentar de foro privilegiado, o mesmo não se pode dizer da eminência parda, Andrea Neves. Para a Lava Jato, Andrea é tão inocente quanto Cláudia Cruz. Ambas têm mais do que foro privilegiado. Tem imunidade. Não são investigadas, muito menos interrogadas, razão pela qual também jamais serão “coercitadas” a deporem em aeroportos. Eduardo CUnha, notório corrupto mundo afora, aqui continua, leve livre e solto e vai depor se quiser e quando quiser, enquanto comando o show no Baile da Ilha Fiscal

Minhas aulas de Direito Penal foram hilárias. Nos tempos de FHC uma campanha publicitária de conscientização do uso de preservativo vendeu pinto por Bráulio, nome de meu professor…  Talvez por isso assalta-me à ideia uma dúvida shakespeariana. O que é criminoso: usar dinheiro de uma instituição pública (CEF) para pagar despesa pública (Bolsa Família), ou gravar clandestinamente a Presidenta e entregar o produto obtido ilegalmente à Rede Globo para divulgar, também de forma ilegal, o conteúdo? Sim, há atenuantes segundo a teleologia dos fins que justificam os meios. O meio ilegal foi um adubo legal para a famiglia comandada por CUnha no Congresso Nacional.

A ideia em construção do golpe foi perpetrada nos porões da Lava Jato. A parceria com a Rede Globo serviu para, ao modo de Goebbels, repetir ad nauseam a cantilena dos bons (Aécio, Cunha, Temer, Bolsonaro) contra os maus  (o governo). Mas o fato inconteste é que os bons estão em todas as listas depois da Lista de Schindler. Os intocáveis da Lava Jato estão  na Lista Falciani do HSBC, na Lista da Operação Zelotes, na Lista de Furnas, na Lista Odebrecht, na Lista Panama Papers, só não estão n’A Vertigem das Listas, do Umberto Eco. Instaurada a cleptocracia, as lagartas transformam-se em borboletas e voam para os EUA…

Os quinta colunas brasileiros têm um patrono: o autor do inestimável Teoria da Dependência, segundo a qual só seríamos independentes quando fôssemos a 51ª estrela na bandeira dos EUA, FHC. O patrocinado da Brasif, mesmo tendo pedido para esquecêssemos tudo o que escreveu, vendeu, com patrocínio da CIA, a ideia  de que o Brasil só pode ser independente se depender dos EUA. Aloysio Nunes foi ao Washington entregar nosso pré-sal em troca de uma estrela na bandeira ianque. Antes, a NSA mandava Edward Snowden ao Brasil para grampear a Petrobrás e a Dilma, agora os golpistas arriam as calças e viram a bunda para a Meca do Norte.

A se julgar pelos precedentes, vem aí novos “empréstimos” ao FMI, que em má hora Lula quitou. A dívida com o FMI é uma forma de aplicarmos aqui o que eles acham melhor lá. O que era um segredo de polichinelo, vazado no convescote de Foz do Iguaçu, tornou-se aberto e escancarado nos projetos do “flexível” senador José Serra, entregar a Petrobrax à Chevron. A ida de Aloysio Nunes nos EUA é a cereja do Complexo de Vira-Lata.

Se Temer é a mão com Parkinson que balança o golpe, Eduardo CUnha é seu papel higiênico em suas mãos. O problema é que a mão trêmula só cumpre o papel de espalhar a merda. E já que estamos neste discurso escatológico, nunca é demais lembrar do Gregório Duvivier, que em boa hora denunciou-os como turma do limpa chão com merda. Por isso este cheiro insuportável que os golpistas exalam.

Na vertigem das listas que se faz no Brasil está para ser completada aquela que relaciona todos os Rodrigo de Grandis do MPF.

Aloysio blinda Cunha, detona OEA e diz que Temer também pediu ajuda aos EUA

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Entrevista do senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) à BBC é uma das mais vergonhosas manifestações políticas da história do Brasil; nela, ele garantiu que Eduardo Cunha, o campeão das propinas, será presidente da Câmara até o fim do seu mandato; disse ainda que o vice-presidente Michel Temer reforçou o pedido aos EUA para que o golpe brasileiro não seja chamado de golpe; parlamentar tucano também desqualificou a Organização dos Estados Americanos (OEA), cujo secretário-geral Luis Almagro denunciou o golpe, e disse que o Brasil tem que se afastar dos vizinhos sul-americanos; golpe brasileiro já se transformou em mico internacional e Aloysio passou vexame nos Estados Unidos

19 de Abril de 2016 às 20:16

247 – O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) diz que o vice-presidente Michel Temer (PMDB) lhe telefonou na véspera da viagem para os Estados Unidos preocupado com a difusão do discurso de que "há um golpe em curso no país" e pedindo ajuda para desmontar a tese.

Presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, Aloysio afirma em entrevista à BBC Brasil que defenderá a legitimidade do impeachment em suas reuniões com as autoridades norte-americanas.

"Conversei pouco antes de vir com Temer, quando ele manifestou preocupação com esse tipo de orquestração promovida pelo governo brasileiro, que é profundamente lesiva aos interesses permanentes do país. Uma das coisas que nos distinguem de muitos desses Brics (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e outros que concorrem conosco por investimentos internacionais é ser um país onde as instituições democráticas funcionam normalmente, os direitos são respeitados, a imprensa é livre, há segurança jurídica", disse o tucano.

Na entrevista, o senador critica o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro. "Creio que o diálogo com esse senhor não resultará luz nenhuma. Ele se transformou num propagandista desta tese que o PT vem sustentando, de que há em curso um golpe no Brasil", afirma.

O tucano diz não ver problemas que o impeachment na Câmara tenha sido conduzido por Eduardo Cunha. "Ele tem essa função. É o presidente da Câmara e será presidente da Câmara até fim do ano.  O que está sendo julgado no impeachment não é o presidente da Câmara, é a presidente Dilma Rousseff. Ela cometeu delitos que são próprios da Presidência da República", ressaltou.

Ele ainda defende que o Brasil mude suas relações com outros países da América do Sul. "O PT, durante muito tempo, fez política externa baseado numa convicção de que os EUA eram uma potência decadente, um país imperialista, e era preciso então que o Brasil se alinhasse a um novo bloco. Isso levou a um desvirtuamento do Mercosul, que de bloco econômico visando a facilitar trocas comerciais e investimentos se transformou em plataforma política. E levou a um alinhamento com países como Venezuela, Equador, Bolívia, com prejuízos de interesses brasileiros. Nós queremos mudar isso. Os EUA têm de ser um grande parceiro nosso", afirmou.

Aloysio blinda Cunha, detona OEA e diz que Temer também pediu ajuda aos EUA | Brasil 24/7

26/08/2012

El Schindler portugués

Filed under: Lista de Schindler — Gilmar Crestani @ 12:26 pm

El filme ‘El cónsul de Burdeos’ reivindica la figura de Aristides de Sousa Mendes, cuya firma salvó a 30.000 personas de los nazis. La dictadura de Salazar le condenó al desprestigio y la miseria

Antonio Jiménez Barca 26 AGO 2012 – 00:00 CET18

El cónsul Aristides de Sousa Mendes. / Foto cedida por la fundación que lleva su nombre

Corría junio de 1940. Los alemanes habían ocupado París el 14 de ese mes tras arrollar a las tropas francesas, provocando a la vez un éxodo de miedo y turbación en toda Europa. Las carreteras galas que apuntaban al sur se llenaron de desesperados que trataban de huir del terror nazi. En Burdeos confluyeron miles de desplazados en busca de una salida a la ratonera mortal en la que se estaba convirtiendo esa parte del mundo. Un portugués miraba las calles atestadas de miserables desde su ventana. Lo que vio —lo que supuso que le iba a pasar a esa gente— le desató una crisis ético-depresiva que le ató a la cama dos días y de la que despertó convertido en un héroe. Se llamaba Aristides de Sousa Mendes, era cónsul de Portugal en Burdeos y salvó a 30.000 personas, entre ellos 10.000 judíos, al expedir visados a mansalva y sin permiso que se convirtieron en salvoconductos hacia la vida. Posteriormente fue expulsado del cuerpo diplomático portugués y murió en la miseria y en el olvido. Sus hijos tuvieron que emigrar, y sus nietos, ya sesentones, se esfuerzan ahora por rehabilitar en Portugal y en el resto del mundo la figura del abuelo. Ahora, una película luso-española, El cónsul de Burdeos, que se ha estrenado ya en algunos festivales y que en otoño llegará a las salas portuguesas, recuerda la vida de esta suerte de Schindler portugués.

Aristides de Sousa Mendes nació en julio de 1885 en Cabanas de Viriato, un pequeño pueblo del centro del país, en el seno de una acomodada familia católica de la aristocracia portuguesa. Junto a su hermano gemelo, César (que llegó a ser ministro de Asuntos Exteriores), estudió derecho y se enroló en la carrera diplomática. Fue cónsul en Tanzania, San Francisco y Vigo, entre otros destinos, antes de llegar a Burdeos. Se casó en 1908 con una prima, representante también de las buenas familias lusas de la época, y tuvo con ella 14 hijos. Hasta junio de 1940, todo en la vida de Sousa Mendes discurrió como estaba previsto en un miembro de su clase social. Hasta la mañana de junio de 1940, con París ocupado, en que se agolparon debajo de la ventana de su consulado de Burdeos el aluvión de refugiados en busca de visado portugués.

El cónsul llegó a viajar hasta Hendaya para firmar visados en la calle. Unos 10.000 judíos escaparon con su ayuda

António de Oliveira Salazar, el hábil y astuto dictador portugués empeñado en mantener a su país en una neutralidad interesada, había sido claro al respecto: quedaba prohibido inmiscuirse, quedaba prohibido dar visados, quedaba prohibido intervenir.

Sin embargo, después de la citada crisis de conciencia y atormentado por las dudas morales sobre cómo proceder en ese tiempo convulso, Sousa Mendes bajó hasta el vestíbulo principal del edificio, reunió a su personal y les transmitió una orden terminante para la que no había vuelta atrás. El diplomático sabía mejor que nadie lo que significaba desobedecer a alguien como Salazar, que jamás olvidaba un desplante. Temió por su futuro y el de sus hijos. A pesar de eso, dijo:

—Daremos visado a todo el que lo pida, sin importarnos de dónde venga, quién sea y la raza a la que pertenezca.

Durante dos días y sus noches, el consulado de Portugal en Burdeos se convirtió en una fábrica delirante de emitir pasaportes. Con ellos en el bolsillo, todo un ejército de atormentados partió, a través de España, hacia Lisboa, desde donde se desperdigó por el resto del mundo libre.

“Normalmente, los héroes van armados de una espada. Pero el último héroe portugués solo iba armado con su bolígrafo. Con él salvó a la gente”, recuerda José Mazeda, productor de la película.

Tras esos dos días frenéticos en los que, incluso, Sousa Mendes viajó hasta Hendaya (Francia) para firmar visados en la calle, la noticia de la pequeña rebelión del consulado francés llega a oídos del todopoderoso Salazar, que ordena invalidar los pasaportes con la firma de Sousa Mendes (afortunadamente, demasiado tarde), destituir de inmediato al infractor y obligarlo a regresar a Lisboa a toda prisa.

A la izquierda, el nieto de Aristides de Sousa y el primo de este, junto al busto de su abuelo. / F. Seco

Aquí termina la película. Con la imagen de un hombre apartado de su trabajo, pero aún entero, seguro, consciente de que ha obrado bien. La vida de Sousa Mendes, sin embargo, continuó, para su desgracia.

Salazar le despojó de su cargo, de su sueldo y de su salida profesional. Por medio de una artimaña legal, el cónsul de Burdeos fue obligado a jubilarse sin pensión. Sousa Mendes, por entonces de 54 años, regresó a su vieja casa solariega de Cabanas de Viriato, donde se recluyó a tratar de sobrevivir con los hijos que aún dependían de él. Dos de ellos, nacidos en EE UU cuando era cónsul en San Francisco, saltaron a Londres y se alistaron en el ejército estadounidense. Participaron en el desembarco de Normandía. El resto de la prole asistió al progresivo e irrecuperable declive económico de la familia.

La dictadura portuguesa le despojó del cargo y le jubiló sin pensión.

A su muerte, el tendero que le fiaba se quedó con la casa

“Fueron malvendiendo cosas: las tierras, el piano, los muebles. Un pariente mío encontró en una taberna algunas de las sillas que utilizaba la familia en el comedor de gala. Las compró. A mi abuelo solo le ayudó un fondo de caridad israelí que no daba mucho. Comía porque tenía una cuenta abierta en una tienda de alimentos donde le fiaban”, recuerda António de Sousa Mendes, nieto del excónsul. António, junto a su primo Álvaro de Sousa Mendes, también nieto de Aristides, son el alma de una fundación, Aristides de Sousa Mendes, dedicada a la memoria de su abuelo. En la sede, en un pequeño piso de la Alfama lisboeta atiborrado de carteles y fotos de su antepasado ilustre, los dos primos señalan que el primer objetivo de su asociación es el de rehabilitar la casa señorial en la que nació y murió Aristides, ahora casi derruida por los efectos del paso del tiempo y la dejadez. La historia reciente de la mansión, relatada por Álvaro, también es significativa y resume bien todo el recorrido del diplomático: “A la muerte de mi abuelo, se presentó en el juzgado el dueño de la tienda de alimentos con la hoja donde llevaba anotadas todas las cantidades que le adeudaba nuestra familia. Así que la casa se subastó, y se la quedó el tendero, dejando a los Sousa Mendes sin nada. Los hijos emigraron, a África, a EE UU, a Lisboa… En 2001, la memoria de mi abuelo fue rehabilitada, y también su estatus. Y nos pagaron los meses de sueldo o de pensión que Salazar le quitó. Con ese dinero, la fundación adquirió la casa en ruinas. Ahora queremos convertirla en museo. Sabemos que es difícil, porque el país está como está, pero no vamos a dejar de intentarlo”.

El Schindler portugués | Cultura | EL PAÍS

20/05/2012

“La diplomacia fue cómplice”

Filed under: Argentina,Ditadura,Enrico Calamai,Lista de Schindler — Gilmar Crestani @ 7:50 am

“Nunca me detuve a contar la gente que pasó por nuestro escritorio y recibió ayuda.”

EL MUNDO › ENTREVISTA A ENRICO CALAMAI, CONOCIDO COMO EL SCHINDLER ITALIANO

Héroe silencioso, se desempeñó en el consulado de Buenos Aires durante la dictadura, cuando arriesgó su vida y malogró su carrera en el servicio exterior italiano por haber brindado cobertura a cientos de militantes en fuga.

Por Darío Pignotti

Desde Roma

Si Italia aún fuera una meca del cine político como en los años ’60 y ’70, seguramente los estudios romanos de Cinecità habrían filmado algo parecido a La lista de Schindler, aquella producción de Hollywood sobre el magnate alemán que rescató un millar de judíos condenados a morir en Auschwitz.

El protagonista del film nunca realizado sería el ex diplomático italiano Enrico Calamai, un héroe silencioso que se desempeñó en el consulado de Buenos Aires durante la dictadura, cuando arriesgó su vida y malogró su carrera en el servicio exterior italiano por haber brindado cobertura a cientos de militantes en fuga. “Nunca me detuve a contar la gente que pasó por nuestro escritorio, realmente no sé cuántos recibieron nuestra ayuda para poder salir con vida de Argentina”, comenta Calamai, durante la entrevista realizada en su casa de Roma.

Su biografía es la de un diplomático inusual, en 1976 y 1977, mientras las embajadas occidentales, incluso la italiana, reforzaban portones y muros para evitar ser invadidas por opositores en busca de asilo, en su oficina del consulado italiano se los atendía y en ocasiones hasta se les brindaba refugio. Calamai habría prestado ayuda a unos 400 perseguidos por los militares, de acuerdo con un programa especial sobre su proeza realizado por la RAI, canal público italiano, en el que fueron entrevistados varios sobrevivientes como el ítalo-argentino Piero Carmelutti.

El cerco del Cóndor se había tornado prácticamente invulnerable a comienzos de 1977. “Ante esa circunstancia entendí que la única forma de garantizar que Piero Carmelutti y Giancarlo Camarda llegaran con vida a Italia era acompañarlos hasta la escala en el aeropuerto de Río. Sabíamos que el Cóndor estaba actuando, aún no lo conocíamos por ese nombre, pero teníamos noticias de que los militares argentinos se coordinaban con brasileños, chilenos y uruguayos para acabar con la resistencia, que estaba en absoluta inferioridad de condiciones para poder escapar. Teníamos conciencia de que salir a través de Brasil era peligroso.”

Continúa: “Mi función era estar junto a ellos para hacer valer mi condición de diplomático denunciando un eventual secuestro en Río”, como el que ocurriría tres años más tarde, en 1980 cuando los montoneros Domingo Campiglia y Mónica Pinus fueron capturados precisamente en el aeropuerto carioca en un operativo acordado por las dictaduras de Ernesto Geisel y Jorge Videla. Finalmente, Carmelutti y Camarda llegaron con vida a Italia en “el Carnaval del ’77”. Gracias a la cobertura del diplomático lograron burlar al Cóndor brasileño-argentino, que en esos años había reforzado el intercambio informativo para cazar “terroristas montoneros y del ERP”, como se lee en documentos a los que tuvo acceso este diario.

Los cientos de italo-argentinos que huyeron del genocidio gracias a su ayuda, no le valieron de mucho a Calamai, quien después de cinco años de actuación diplomática en Argentina fue degradado a una oficina en Nepal.

“Supongo que mi trabajo en Buenos Aires no estuvo a la altura de lo que esperaban mis superiores”, desliza sonriendo a medias.

“Hasta ahora no se ha estudiado lo suficiente el comportamiento de la diplomacia en general frente a la dictadura y al Cóndor, me refiero a las embajadas de la mayoría de los países occidentales, y subrayo a la del Vaticano, que fue tan omisa ante las violaciones de los derechos humanos”, señaló. “Directa o indirectamente, las principales embajadas fueron informadas por los militares, descuento que también la del Vaticano, esto parece más que obvio, antes del 24 de marzo, de que se venía el golpe. Ahora, con el pasar del tiempo, comprendo que alrededor del Cóndor se formó un sistema de complicidades entre las embajadas y los militares argentinos. La diplomacia es algo muy cercano al poder, y así lo fue durante la dictadura”, reconstruye Calamai.

A una cuadra de su casa romana, donde transcurre el grueso del reportaje, está el bar Antico Café del Brasile, de mesas simples y aspecto descuidado. “Usted ni imagina quién venía a aquí hace varias décadas.” Karol Wojtyla “venía a este café con bastante frecuencia antes de que se convirtiera en el papa Juan Pablo II en 1978”, me cuenta Calamai, acodado en el mostrador, con un español pulcramente castizo.

Las exequias de Juan Pablo I, antecesor del papa polaco Wojtyla, aproximaron aún más al Vaticano y el régimen de Videla. Las gestiones para que el dictador sea convidado al velorio vaticano, junto a decenas de jefes de Estado, fueron facilitadas por la logia masónica Propaganda Due (P2), según se menciona en un libro, municiosamente documentado, que fue presentado en marzo pasado en la Universidad Roma Tres.

“La logia P2 gozaba de una notable influencia en el servicio exterior italiano y especialmente en el Vaticano y uno de sus principales hombres, Licio Gelli, mantenía buenas relaciones en la Iglesia”, apunta Calamai.

El nuncio apostólico de entonces, Pio Laghi, habría sido miembro de la logia, a la que pertenecieron el almirante Emilio Massera y el general Guillermo Suárez Mason.

Calamai evoca que en los corrillos diplomáticos porteños eran comentados los partidos de tenis entre el representante del Papa y Massera, quienes al parecer no ocultaban su afinidad. “Esa era la manera, acercándose a Massera, como Pio Laghi implementaba la línea política del Vaticano hacia la dictadura; cualquier diplomático sabe que hasta estrechar la mano a un dictador es un acto diplomático y no lo hace sin la aprobación de su gobierno.”

El representante de Su Santidad fue indiferente, en cambio, a la desesperación de los familiares de los militantes chupados por la represión. “Hay muchas cosas que han escapado a mi memoria, pero recuerdo que cuando uno hablaba con diplomáticos de otros países, prácticamente todos comentaban que la Nunciatura nunca o casi nunca recibía a los familiares de los desaparecidos.”

La intimidad entre los emisarios del Pontífice y la dictadura permite inferir que los archivos vaticanos alberguen informaciones sobre el genocidio, especula Calamai. “No cuento con documentación para hacer ninguna afirmación categórica, pero a partir de mi experiencia, del análisis que uno elabora con la perspectiva del tiempo, uno puede suponer que en el Vaticano se sabían muchos secretos de Argentina. Yo no descartaría que haya guardada documentación sobre lo que ocurrió con los opositores asesinados y los que desaparecieron.”

Página/12 :: El mundo :: “La diplomacia fue cómplice”

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