Ficha Corrida

02/11/2014

Velha mídia: dar a cada um o que é seu

Filed under: Leonardo Sakamoto,Linchamento,Rachel Sheherazade,Violência — Gilmar Crestani @ 12:07 pm
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Como lecionou Rachel Sheherazade e seus amestrados seguidores no episódios dos linchadores traficantes, ao pobres, a pobreza; aos ricos, a riqueza! Que beleza…

A grande imprensa e as minorias

Há tempos se questiona qual a suposta imparcialidade da grande mídia. Recentemente tivemos a matéria de uma revista considerada importante no cenário nacional que, para tentar prejudicar a candidatura da presidenta,chegou a publicar inverdades e suposições como se fossem verdades absolutas buscando influenciar o pleito eleitoral de maneira benéfica ao candidato de oposição. Não conseguiu e está sendo desmascarada.

Acontece que isto ocorre também em notícias que não estão ligadas à política, e se reflete inclusive  em notícias sobre crimes, violências ou agressões. Para parte dos grandes formadores de opinião, de um lado estão aqueles que recebem a denominação de "cidadãos de bem" (expressão que aliás deixa largas margens de interpretação como se fosse possível dividir as pessoas em boas e más), do outro lado estão todos aqueles que podem, a qualquer momento, ser considerados o mal a ser extirpado da sociedade. Os casos de linchamento ocorridos no início do ano são tristes ilustrações deste cenário.

O blogueiro Leonardo Sakamoto (link is external) escreveu sobre o assunto. Reproduzimos seu texto aqui embaixo:

Aos jovens ricos, benevolência. Aos pobres, pelourinho e bala

Um grupo de jovens, em sua maioria da classe média alta carioca, foi preso, nesta quinta (30), pela Polícia Civil acusado de tráfico de drogas e porte ilegal de armas. Também estariam envolvidos em roubo de automóveis, tentativas de homicídios, estupros, enfim, vida honesta.

Segundo a polícia, os jovens atuariam como justiceiros na Zona Sul do Rio de Janeiro. O rapaz negro que foi acorrentado nu e pelo pescoço a um poste, no início do ano, acusado de cometer crimes teria sido vítima desse grupo.

Antes de mais nada, este não é um texto conclamando ao linchamento desses jovens. Isso seria de uma idiotice sem tamanho. Nem é sobre eles, a bem da verdade.

Mas sobre o fato de que a classe média alta, na qual, eu, caviar, me incluo, demonstra reações diferentes dependendo dos envolvidos na história.

Vamos por partes. Os repetidos casos de violência gerados por jovens da classe média alta brasileira e a forma aviltante com a qual têm sido tratados adolescentes negros e pobres nos morros e periferias me deixam incomodado.

Sabemos que é mais fácil uma pessoa que foi acusada de roubar um xampu, um litro de leite ou meia dúzia de coxinhas ir amargar uma temporada no xilindró – como mostram diversos casos que já trouxe aqui – do que um empresário que corrompeu passar uma temporada fora de circulação.

Não que o princípio da insignificância (que pode ser aplicado quando o caso não representa riscos à sociedade e não tenha causado lesão ou ofensa grave) não seja conhecido pelo Judiciário. Insignificante mesmo é quem não tem um bom advogado, muito menos sangue azul ou imunidade política. Ou a benevolência de determinados jornalistas.

Tempos atrás, a seguinte notícia veio a público:

“A empregada doméstica Sirley Dias de Carvalho Pinto, de 32 anos, teve a bolsa roubada e foi espancada por cinco jovens moradores de condomínios de classe média da Barra da Tijuca, na madrugada de sábado. Os golpes foram todos direcionados à sua cabeça. Presos por policiais da 16ª DP (Barra), três dos rapazes (…) confessaram o crime e serão levados para a Polinter. Como justificativa para o que fizeram alegaram ter confundido a vítima com uma prostituta.”

Os rapazes não eram da ralé. Se fossem de classe social mais baixa, certamente o texto seria sutilmente diferente:

“A empregada doméstica Sirley Dias de Carvalho Pinto, de 32 anos, teve a bolsa roubada e foi espancada por cinco moradores da favela da Rocinha, na madrugada de sábado. Os golpes foram todos direcionados à sua cabeça. Presos por policiais da 16ª DP (Barra), três dos bandidos (…) confessaram o crime e estão presos. Como justificativa para o que fizeram alegaram ter confundido a vítima com uma prostituta.”

Rico é jovem, pobre é bandido. Um é criança que fez coisa errada, o outro um monstro que deve ser encarcerado, quando o tratamento deveria ser igual aos dois.

Lembro que o pai de um deles, num momento de desespero, justificou a atitude do filho como sendo perdoável. Da mesma forma, o pai de um dos jovens que agrediram homossexuais com lâmpadas fluorescentes na avenida Paulista, em São Paulo, pediu condescendência. Afinal, isso não condiz com a criação que tiveram. Bem, são pais, é direito deles.

O incrível é como a sociedade encara a situação, com uma diferenciação claramente causada pela origem social e cor de pele.

Tenho minhas dúvidas se a notícia sairia se fosse o segundo caso. Provavelmente, na hora em que o estagiário que faz a checagem das delegacias chegasse com a informação, ouviria algo assim na redação: “Pobre batendo em pobre? Ah, acontece todo dia, não é notícia. Além disso, é coisa deles com eles. Então, deixem que resolvam”.

A estrutura de uma notícia depende, infelizmente, de que classe social pertence os protagonistas. Somos lenientes com os nossos semelhantes, com aqueles que poderiam ser nossos primos e irmãos, e duros com os outros. E como somos nós que controlados a nossa democrática mídia…

Não estou pedindo o nivelamento por baixo, mas por cima. Não é juntar os mais ricos à fogueira da vingança em praça pública, mas tirar os mais pobres dela e garantir-lhes justiça.

Na prática, as pessoas envolvidas nesses casos apenas colocaram em prática o que devem ter ouvido a vida inteira: que eles podem porque nasceram bem. Já putas, bichas, índios, mendigos, pessoas em situação de rua e remelentos em geral são a corja da sociedade e agem para corromper os nossos valores morais e tornar a vida dos “cidadãos de bem” um inferno. Seres descartáveis, que vivem na penumbra e nos ameaçam com sua existência, que não se encaixa nos padrões estabelecidos. E por que não incluir nesse caldo as empregadas domésticas, que existem para servir? Se eles soubessem a profissão de Sirley, teria feito diferença?

A sociedade tem uma parcela grande de culpa em atos como esse e os dos jovens que se tornam soldados do tráfico por falta de opções e na busca por dignidade, fugindo da violência do Estado e do nosso desprezo.

A diferença é que, para os da classe média alta e alta, a construção da narrativa passa por onde deveria passar: devemos reintegrá-los para que tenham uma vida adulta plena e produtiva. Afinal, são “jovens”.

Para os pobres, os “menores”, é pelourinho e bala.

A grande imprensa e as minorias | Muda Mais

01/11/2014

Sheherazade e seus justos fornecedores

Filed under: Ódio de Classe,Linchamento,Narcotráfico,Rachel Sheherazade,Racismo — Gilmar Crestani @ 11:10 pm
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E aí, Sheherazade? Seus “justiceiros” eram traficantes. É compreensível?

31 de outubro de 2014 | 10:38 Autor: Fernando Brito

sheherazade

Vocês lembram, certamente, do caso do adolescente negro, espancado e acorrentado a um poste no Flamengo, não é?

E lembram também quando Rachel Sheherazade, disse que era “compreensível”  que rapazes de bem, ameaçados violência, reagissem assim, não é?

E ontem veio a notícia.

Os “bons rapazes” eram…traficantes de drogas!

Nos seus apartamentos, em  Laranjeiras, Catete e Flamengo, na Zona Sul do Rio, foram apreendidos, segundo a polícia, além de R$ 27 mil em dinheiro, vários tipos de drogas, material para endolação, balança de precisão, armas e…máscaras de “Anonymous”.

É “compreensível”, Dona Sheherazade?

Mesmo que não seja, ninguém aqui quer amarrá-los no poste. colocar uma corrente em seus pescoços, chutá-los e  humilhá-los.

Têm direito a defesa, a julgamento, a respeito em sua condição de – apesar do que fazem – pertencerem à espécie humana.

Tanto quanto o rapaz negro do poste, que nunca teve 1% do que estes rapazes tiveram.

Leia a matéria de O Dia:

Jovens de classe média são presos acusados de fazer justiça com as próprias mãos

Grupo agia nos bairros do Flamengo, Catete e Laranjeiras. Dos 15 mandados de prisão, oito já foram cumpridos

Rio – A prisão de oito jovens de classe média da Zona Sul na manhã desta quinta-feira — acusados de integrar quadrilha de traficantes de drogas que agia nos arredores da Praça São Salvador, em Laranjeiras — colocou atrás das grades, segundo a Polícia Civil, autores de outros crimes. Entre os detidos em flagrante durante o cumprimento de 15 mandados de busca e apreensão, está um acusado de agredir um adolescente e amarrá-lo nu a um poste, em fevereiro, e ‘black blocs’ que respondem por dano ao patrimônio público em atos violentos no ano passado.

A imagem do menor preso por uma trava de bicicleta, feita pela socióloga Yvone Bezzerra de Melo, coordenadora do Projeto Urerê, correu o mundo e foi motivo de discussões acaloradas em redes sociais na internet. O crime aconteceu na esquina das ruas Oswaldo Cruz e Rui Barbosa. Três motoqueiros mascarados, intitulados ‘Os justiceiros’, seriam os responsáveis pela agressão.

De acordo com o delegado Roberto Gomes Nunes, da 9ª DP (Catete), o grupo foi delatado, inicialmente, por telefonema ao Disque-Denúncia (2253-1177). As ligações apontavam a venda de drogas pela internet e telefone. Porém, o inquérito revela a estreita ligação dos presos com traficantes de morros próximos. “Ao todo, são 44 pessoas citadas. Havia um serviço de disque-drogas, além do comércio por meio de ‘atravessadores’, para entrega de LSD, haxixe e maconha na Praça São Salvador, aos finais de semana.

Analisaremos os computadores e smartphones apreendidos para localizar os ‘clientes’ da quadrilha através do histórico deles nas redes sociais”, disse o delegado. Os agentes apreenderam na operação pistolas de diferentes calibres, R$ 28 mil em espécie, joias e eletrônicos importado, além de máscaras, gás paralisante, caderno de contabilidade do tráfico. Ainda segundo a polícia, a movimentação financeira do bando, no entanto, ainda não pode ser estimada. Entre os presos também há acusados de roubos de carros e estupros. “Os materiais apreendidos com eles reforçam as provas que reunimos”, garantiu o delegado Nunes.

Reuniões para definir estratégias de ataque a policiais

De acordo com o delegado Roberto Gomes Nunes, cada um dos presos será indiciado por crimes diferentes. Coquetéis molotov e máscaras usadas por ‘black blocs’ durante manifestações, que foram encontrados na casa de alguns dos acusados, deram para a polícia a certeza de que eles, anteriormente presos por atos de destruição, ainda continuavam adeptos da tática utilizada durante os protestos.

“Em depoimento, eles confirmaram que se reuniam e discutiam estratégias de ataque à polícia na Praça São Salvador”, garantiu o delegado.

(Continua em O Dia)

E aí, Sheherazade? Seus “justiceiros” eram traficantes. É compreensível? | TIJOLAÇO | “A política, sem polêmica, é a arma das elites.”

Jovens que amarraram infrator em poste são detidos por tráfico

Rapazes de classe média são suspeitos de vender drogas na Zona Sul.
Na casa de um deles, a polícia apreendeu drogas, armas e dinheiro.

Henrique Coelho Do G1 Rio

Dez pessoas foram detidas na manhã desta quinta-feira (30) durante ação da polícia para combater o tráfico de drogas na Zona Sul do Rio. Segundo a polícia, entre os detidos e 44 investigados por relação com a quadrilha estão jovens que participaram do episódio em que um jovem foi amarrado a um poste no Aterro do Flamengo, além de membros da tática black bloc.

Agentes de diferentes delegacias deixaram a Cidade da Polícia, no Jacarezinho, às 6h da manhã, para cumprir mandados de busca e apreensão em apartamentos de jovens de classe média, em dois bairros da Zona Sul do Rio. Segundo as investigações, eles são suspeitos de vender drogas na área da praça São Salvador, em Laranjeiras, que fica a poucos metros de um quartel do Corpo de Bombeiros.

Na operação de busca e apreensão, foi apreendida farta quantidade de maconha, haxixe, LSD, skunk e outras drogas. Na casa de um dos presos foi apreendida, inclusive, uma balança de precisão.

saiba mais

"Recebemos muitas denúncias no Disque-Denúncia e usuários prestaram depoimento, indicando os locais de compra e venda de drogas, e essas pistas foram corroboradas pela nossa apreensão", afirmou o delegado Roberto Gomes Nunes, da 9ª DP (Catete), responsável pelo caso, que tem quase duas mil páginas de investigação.

Logo no início da manhã, os agentes fizeram buscas em apartamentos nas ruas Marquês de Abrantes e Senador Vergueiro, no Flamengo.

Outro alvo da operação foi um prédio na Rua das Laranjeiras, onde foi realizada uma prisão, além da apreensão de drogas, arma e dinheiro. O rapaz não resistiu à prisão e com ele foram encontrados uma pistola, munição, haxixe e R$ 27 mil.

O filho do zelador de um prédio da Rua Ipiranga também foi preso. Com ele, os policiais apreenderam maconha e um computador. Os dois jovens presos em flagrante foram levados para a Cidade da Polícia. As investigações duraram 10 meses e agora a polícia espera identificar outros integrantes da quadrilha.

Ao todo, quarenta e quatro pessoas estão sendo investigadas pela Polícia Civil por tráfico e associação por tráfico de drogas.

Jovens são presos por tráfico de drogas na Zona Sul do Rio de Janeiro. (Foto: Henrique Coelho/ G1)Jovens são presos por tráfico de drogas na Zona Sul do Rio de Janeiro. (Foto: Henrique Coelho/ G1)

07/09/2014

Linchamento à moda Raquel Sheherazade

Os gremistas tem razão quando dizem que estão todos pagando pelo que um pequeno grupo fez. Quem deveria pagar era a direção, que não tomou providências antes dos atos racistas que emergiam das sociais. Preferiu o diversionismo atacando a Geral, onde se localizava os adeptos de Paulo Odone. Dentre os milhares, a mídia captou só Patrícia Moreira. E foi linchada. O linchamento é fruto do ódio social tão bem representado por próceres da velha mídia. E não é só Rachel Sheherazade, não. Há outros tantos, como Luis Carlos Prates, e até Lasier Martins já teve seus dias pitbull de aluguel vociferando nas horas de almoço.

Punição é uma coisa, linchamento é outra bem típica da velha mídia. Qual a diferença entre o racismo registrado da Patrícia Moreira daquele ódio divulgado diariamente por Rachel Sheherazade?!

A Desmassificação Massificada de Patrícia Moreira, por Reinaldo Melo

sab, 06/09/2014 – 16:04

do Inquietas Leituras

A Desmassificação Massificada de Patrícia Moreira

por Reinaldo Melo

Uma das características do ser humano é o medo de ser tocado pelo desconhecido.

Consequentemente, há o desejo de isolamento social, em que estabelece estratégias comportamentais para não haver qualquer relação com o outro, ou físico, se fechando dentro de um espaço onde o contato com o mundo não ocorra, sentindo-se amplamente protegido. A aversão a qualquer contato é inerente à natureza humana. Essa essência contrasta com a necessidade de socialização de nossa espécie.

Freud dizia que o indivíduo na sociedade moderna estaria condenado à infelicidade. O ser humano não é essencialmente gentil, é agressivo. E a culpa de manter interiorizada tal agressividade o condiciona a plena insatisfação. Para a civilização moderna, esse impulso agressivo é o que ameaça a sua existência; a condição civilizada da sociedade sempre está à beira do precipício da barbárie. Para que não ocorra a queda o impulso individual muitas vezes deve ser sacrificado pelo impulso social.

O indivíduo na sociedade esta condenado à infelicidade

Tal medo e conflito são amenizados no processo de massificação do indivíduo. A massa é uma integração de indivíduos de diferentes estratificações sociais, profissionais, sexuais, etc, em torno de algo comum que os iguale por completo. Por exemplo, uma torcida de um time de futebol. Na massa, além do indivíduo perder o medo do contato com o outro e com o mundo externo, há o sentimento de proteção e integração. Tudo é o oposto da individualização. O medo se torna coragem, o que era reprimido passa a ser liberado.

Patrícia Moreira era apenas uma indivídua comum de nossa sociedade. Jovem, círculo social natural para a sua idade, funcionária na área de odontologia de um departamento militar, foi a um estádio para apreciar seu time do coração. E diante da derrota, fez coro à turba furiosa inconformada com a apresentação do seu time, destilando seu impulso individual agressivo a uma das figuras do time adversário, o goleiro Aranha, chamando-o de macaco.

Até aí, nada “incomum” do que já foi visto em diversos estádios do mundo, mas a moça não contava que a proteção que a massa poderia lhe dar, para que seus impulsos reprimidos se liberassem, fosse tão frágil diante de outra ferramenta de massificação: a TV.

Flagrada pelas câmeras, Patrícia Moreira massificadamente se desmassificou, ou seja, a partir dali a mídia iniciou uma construção falsa de sua individualidade alçando-a como a mulher mais nefasta do país.

Patrícia Moreira, desmassficada pela mídia massificadora

Na era do espetáculo, a mídia trata todos os fenômenos pelo viés sensacionalista. Ao mesmo tempo, faz o papel de Estado com a cumplicidade de seu público: ela testemunha o crime, abre o inquérito, estabelece o processo, opera o julgamento e condena ao seu bel prazer. É a substituição bárbara do estado democrático de direito.

Meses atrás, Raquel Sheherazade defendeu o linchamento de um menor de idade suspeito de roubo, incitando a população, cansada de impunidade e da ausência do Estado (que ironicamente é implacável contra pobres, especialmente os negros), a tomar as rédeas do que se entende por justiça. Depois de tal declaração houve uma epidemia de linchamento no país.

E o linchamento não é nada mais nada menos do que um fenômeno de massificação. A turba reunida diante de um suposto criminoso, inocente ou não, libera seus impulsos agressivos e massacram o indivíduo sem chance de recorrer ao direito de defesa que a civilização teoricamente lhe garante.

Rachel Sheherazade, apologia ao linchamento

Patrícia Moreira, que em seu contexto de indivídua massificada, fazia coro com a massa que massacrava verbalmente o goleiro adversário, ironicamente foi desmassificada, mas não para ser tratada como um indivíduo único e especial, mas como um ser merecedor de um massacre, de um linchamento midiático e social, a ponto de perder o trabalho, o direito de poder sair à rua e ao mesmo tempo assistir à derrocada de sua família, que não possuía relação alguma com o crime que ela cometeu dentro do estádio.

Todo um roteiro ideológico programado pela mídia hipócrita, que coloca negros como empregados em suas novelas, que estampa o negro nas suas manchetes policiais, que trata o negro apenas como pagodeiro, mulata carnavalesca, jogador de futebol ou protagonista de comercial de café, e que sempre se coloca contra as cotas raciais em universidades e concursos, desprezando que somos uma sociedade de maioria negra, mas que esta é marginalizada dos direitos constitucionais mais básicos.

Tudo se discutiu nessa história menos o racismo e suas fontes. Quando se dá mais ênfase à racista do que o processo que formula e mantém o racismo em nossa sociedade, a mídia mata dois coelhos com uma cajadada só: promove o justiçamento, se colocando como protagonista dos valores que a turba furiosa necessita e mantém intacta a estrutura ideológica do racismo que ela mesma reproduz diariamente, se isentando do crime racial que ajuda a propagar.

A mídia que condena Patrícia Moreira

é protagonista do Racismo em sua programação

Patricia Moreira, assim como os outros torcedores, merece ser processada e julgada, mas dentro do que lhe garante o estado democrático de direito.

Quando tratamos um criminoso sem a humanização que lhe cobramos, em nada diferimos dele. Dentro de um processo civilizatório, a pena para um criminoso é muito mais do que lhe negar o convívio em sociedade ou lhe imputar ações (como trabalhos comunitários) contra a sua vontade. Deve se focar também a sua reeducação para se conscientizar de que fez algo errado e não reincidir em tal prática.

Assim como se destrói um indivíduo por meio de qualquer ato de discriminação, não se humaniza alguém o destruindo, como estão fazendo com Patrícia Moreira. De nada vale defender a civilização, sendo tão bárbaros quanto os que a ameaçam.

A Desmassificação Massificada de Patrícia Moreira, por Reinaldo Melo | GGN

07/07/2014

Os anões morais, Galvão & Huck, são obra de Ali Kamel

 

Galvão, Huck e o linchamento virtual do colombiano Zúñiga, que deu a entrada em Neymar

Postado em 05 jul 2014 -por : Kiko Nogueira

zuniga

A entrada de Zúñiga em Neymar ainda vai render muito calor por muito tempo. O Comitê Disciplinar da Fifa abriu um processo e está analisando vídeos e relatórios da joelhada.

Zúñiga divulgou numa carta aberta: “Quero te enviar uma saudação especial, Neymar. Te admiro, respeito e te considero um dos melhores jogadores do mundo”, disse. “Espero sua recuperação, que volte logo, para que continue animado, vendo o futebol como um esporte cheio de virtudes e qualidades, que, sem dúvidas, sempre pus em práticas ao longo dos meus 12 anos como jogador profissional”.

Sim, a entrada foi dura — numa partida que teve 54 faltas, 31 delas cometidas pela seleção brasileira. Foi o jogo mais faltoso da Copa. Fernandinho, em particular, estava inspirado. Thiago Silva e Júlio César receberam cartão amarelo. James Rodríguez sofreu.

O homem foi imprudente, sem dúvida. Mas dificilmente quis rachar Neymar e tirá-lo do mundial. Para Thiago, Zúñiga não é “um cara maldoso”. Felipão afirmou que achava que a entrada “não foi intencional”.

Nada disso impediu Zúñiga de ser linchado nas redes sociais. Recebeu ameaças de morte, foi chamado de “macaco”, “preto sem vergonha”,  “preto safado”, “monstro” e “maior vilão da história do futebol”.  No Instagram, sua filha de 2 anos foi xingada de p…a, entre outras gentilezas. Sobrou para sua mãe também.

Faz parte, de certa maneira, do pacote de irracionalidade da torcida. O que não faz sentido é o estímulo e o endosso a essa atitude.

Como Sheherazades desportivas, Galvão Bueno e Luciano Huck se puseram a promover uma malhação covarde e demagógica de Camilo Zúñiga. Para Galvão, o colombiano praticou um “atentado”, usando de “maldade pura”.

Sua trupe de convidados, como sempre, foi instada a concordar com ele. Um humorista classificou Zúñiga de “marginal”. Caio Ribeiro, o comentarista mais anódino do Brasil, o Geraldo Alckmin da crônica, cravou que o inimigo “não visou a bola”.

No dia seguinte, tirando a sua casquinha costumeira, Luciano Huck definiu Zúñiga como “carniceiro” e “sem noção”. “Uma agressão, na verdade, que ofuscou a ousadia e alegria do futebol de Neymar Jr. Uma verdadeira sacanagem”, declarou em seu programa. “Não era a cena que gostaríamos de ver jamais. Um carniceiro tira o sangue de um moleque iluminado de 22 anos. Disseram no início que a arbitragem iria ajudar o Brasil. Pelo contrário. A arbitragem para mim está prejudicando o Brasil. Espero que a comissão de arbitragem [da Fifa] entenda a gravidade do lance e puna esse agressor”.

A indignação dos brasileiros é legítima, até o momento em que vira barbárie. Os berros raivosos e oportunistas de Galvão, Huck e seus asseclas, que teriam a obrigação de analisar os fatos com sobriedade para suas audiências, não têm desculpa. São incitadores da violência, espertalhões que estão de mãos dadas com cada maluco que ameaçou espancar uma garotinha de 2 anos.

zuniga filha

Sobre o Autor

Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.

Diário do Centro do Mundo » Galvão, Huck e o linchamento virtual do colombiano Zúñiga, que deu a entrada em Neymar

20/02/2014

Ué, mas bandido bom não é bandido morto?!

Filed under: Assassinato de Reputação,Escola de Base,Linchamento,SBT,STJ — Gilmar Crestani @ 7:27 am
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A Babilônia, de 4 mil anos atrás, com Hamurabi, tinha ideias muito mais avançadas sobre justiça do que os valentões do tipo Rachel Sheherazade, Luis Carlos Prates, Lasier Martins, Vianey Carlet, Arnaldo Jabor e todos os jornalistas da Veja juntos.

O episódio da Escola de Base é emblemático nesta história de linchamentos, que os valentões das cavernas chamam de justiça pelas próprias mãos. Se os justiceiros tivessem assassinado os “facínoras” da escola de base, a única vantagem é que as vítimas não teriam conseguido provar a inocência e vencer disputas judiciais contra Globo, Folha, Estadão, SBT… A única coisa em comum nestas condenações que, para encontrar informação dos condenados, precisa garimpar. Os grupos mafiomidiáticos são muito zelosos das notícias que mostram suas patifarias. É por isso que todo bandido que se excita com linchamento encontra espaço e tem voz nestes grupos. A menoridade penal não elimina a violência do linchamento moral praticado em nome da liberdade de informação. Para estes bandidos, há outros de igual jaez para defende-los.

STJ determina que SBT indenize ex-proprietários da Escola Base

DE BRASÍLIA – A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça rejeitou um recurso do SBT e determinou que a emissora pague R$ 100 mil a cada um dos ex-donos da Escola Base.

O estabelecimento de ensino foi fechado após a veiculação de uma série de reportagens, em 1994, sobre uma investigação da polícia a respeito de supostos abusos sexuais que teriam sido cometidos contra crianças que ali estudavam.

Quando ficou provada a inocência dos ex-donos, alguns veículos de comunicação se retrataram, mas a escola já havia sido saqueada e depredada.

O pedido de indenização por danos morais começou a tramitar no Tribunal de Justiça de São Paulo, que concedeu indenização de R$ 300 mil a cada um. O STJ manteve a condenação, mas reduziu a indenização a R$ 100 mil. O SBT informou que entrou com recurso.

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