Ficha Corrida

17/07/2015

Sopa de letras: ExFrias e Chupe Folha

chupa folha
Folha não gostou do “Chupa Folha”

Por Altamiro Borges
Como sempre dizia o jornalista Cláudio Abramo, a liberdade de imprensa nas redações só existe para o dono. Na segunda-feira (13), o jornalista Pedro Ivo Tomé, que pediu demissão na Folha, publicou seu último artigo no jornal com uma mensagem “escondida”. Responsável pela sessão de obituários do diário, ele fez com que a inicial de cada parágrafo formasse a frase “Chupa Folha”. A truculenta famiglia Frias, que adora sacanear os seus inimigos políticos, mas não tolera qualquer tipo de crítica – que o digam os editores do site satírico “Falha de S.Paulo” –, ficou irritadinha com a brincadeira e já anunciou que processará o seu ex-repórter. Na época mais sombria da ditadura militar, a mesma famiglia dedurava e transportava os presos políticos para a tortura. Agora, ela processa!
Em nota divulgada nesta quinta-feira (16), a Folha condenou a atitude “antiprofissional” do jornalista demitido. “Ele foi irresponsável e antiético. Além disso, desrespeitou os leitores e a memória da pessoa falecida que era personagem do texto. O jornal estuda as ações legais que tomará contra o ex-funcionário", afirma a empresa, que já demitiu sumariamente vários profissionais, arrocha os salários, desrespeita a legislação trabalhista através do nefasto expediente da PJ (Pessoa Jurídica, sem vínculos empregatícios e direitos) e transformou a redação num verdadeiro presídio. Haja cinismo da “democrática” famiglia Frias, que adora bravatear sobre democracia e liberdade de expressão. Reproduzo abaixo o texto de Pedro Ivo Tomé só para irritar os ranzinzas da Folha:
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Assistente social vocacionada e pianista
Chamadas aos fins de semana não tiravam a assistente social Therezinha Ferraz Salles do sério: segundo a família, cuidar dos funcionários da Caixa Econômica Federal, onde trabalhou a vida toda, era sua vocação.
Habituou-se também às ligações noturnas, para ajudar quem tinha ficado doente e precisava de cuidado, fazendo a ponte com o banco.
Uma infância tranquila era a memória que tinha de Amparo, a 133 km da capital, onde a paulistana foi criada por causa da função do pai, Octávio, promotor de Justiça.
Pianista, formou-se no antigo Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, hoje Escola Municipal de Música de São Paulo, no centro, durante a adolescência, quando a família retornou à cidade.
Assim como as duas irmãs mais novas, formou-se professora em uma escola normal, mas deu poucas aulas.
Fez a graduação em Serviço Social na PUC-SP. Pouco depois de concluir o curso, no início dos anos 1960, começou a trabalhar na Caixa.
Ouvia muito as obras de Schubert e Chopin, executando-as para os sobrinhos quando eles iam visitá-la.
Logo depois de se aposentar, na década de 1980, passou a assistir mais concertos. Aproveitava sempre as apresentações com música clássica do Theatro Municipal.
Há alguns anos, vinha sofrendo com bronquite e asma, males que a acompanhavam desde a juventude.
Após ficar 15 dias internada devido aos problemas pulmonares, que pioraram por causa da idade, morreu no dia 2, por insuficiência respiratória, aos 87 anos. Deixa duas irmãs e sobrinhos.

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15/01/2015

Direito de direita

Há um velho adágio que ainda tem passagem no Poder Judiciário, em todos os níveis, quem do tempo dos tempos bíblicos e teve maior voga com os romanos: “dar a César o que é de César, a Deus o que é divino”, “dar a cada um o que é seu”. Aos reis, o poder real; aos plebeus, a rua; ao rico, a riqueza, aos pobre, a pobreza.

A Globo e seus funcionários, como o Fluminense, jogam em casa na justiça do Rio. Da mesma forma em São Paulo, os grupos mafiomidiáticos jogam como o guri dono da bola.

Os mesmos que abraçaram a causa do Charlie Hebdo, da liberdade de expressão, hiPÓcritas, não só professam mas judicializam a censura.

Só idiotas não percebem a influência dos assoCIAdos do Instituto Millenium para cima das instituições que deveriam ser republicanas.

Lembro de quando Luis Fernando Veríssimo foi suspenso na Zero Hora, da famiglia Sirotsky, por ter chamado Collor de “ponto de interrogação bem penteado”.

Estes são nossos paladinos da liberdade de expre$$ão.

Kamel e Nassif: quem se dá bem ?

Paulo Nogueira compara decisões na Justiça

Falta de objetividade e de coerência nas decisões da Justiça

De Paulo Nogueira, no DCM: Kamel versus Nassif: a diferença de tratamento que a Justiça dá a casos semelhantes
Da Justiça se espera ao menos uma coisa: que seja coerente nas decisões.
É a única forma que os cidadãos têm de medir eventuais consequências jurídicas de suas ações.
Estou falando isso a propósito da decisão da Justiça do Rio de condenar Luís Nassif a pagar 50 mil reais de indenização para Ali Kamel, diretor de jornalismo da TV Globo.
A juíza Larissa Pinheiro Schueler baseou sua decisão no fato de Nassif haver afirmado que Ali Kamel é “manipulador” e faz “jornalismo de hipóteses”. Isso, segundo ela, extrapolaria o “direito à informação”.
Aplique esta mesma lógica não apenas para Nassif, mas para a mídia em geral. Não faz muito tempo, no âmbito da mesma Globo de Kamel, os nordestinos foram chamados de “bovinos” por Diogo Mainardi.
Se “manipulador” custa 50 mil reais, qual seria a indenização para “bovinos”? Ou, já que falamos de Mainardi, de “anta”, como ele tratava rotineiramente Lula em seus dias de colunista da Veja?
A Justiça deveria, em tese, ser igual para todos, mas é mais igual para alguns do que para outros.
Há uma decisão jurídica recente que demonstra isso com brutal precisão.
O jornalista Augusto Nunes, o Brad Pitt de Taquaritinga, foi processado por Collor. Quer dizer: Collor fez o que Kamel fez.
Com uma diferença: perto do que Nunes disse dele, Nassif arremessou flores na direção de Kamel.
Começa no título: “O farsante escorraçado da Presidência acha que o bandido vai prender o xerife”.
Um trecho: “… o agora senador Fernando Collor, destaque do PTB na bancada do cangaço, quer confiscar a lógica, expropriar os fatos, transformar a CPMI do Cachoeira em órgão de repressão à imprensa independente e, no fim do filme, tornar-se também o primeiro bandido a prender o xerife.”
O site Consultor Jurídico noticiou o caso assim:
“Na sentença, a juíza Andrea Ferraz Musa, da 2ª Vara Cível do Foro de Pinheiros, disse que, em um estado democrático, o jornalista tem o direito de exercer a crítica, ainda que de forma contundente.
(…) “Embora carregada e passional, não entendo que houve excesso nas expressões usadas pelo jornalista réu, considerando o contexto da matéria crítica jornalística. Assim, embora contenha certa carga demeritória, não transborda os limites constitucionais do direito de informação e crítica”, disse a juíza.
(…) No pedido de indenização, Collor alegou que foi absolvido de todas as acusações de corrupção pelo Supremo Tribunal Federal e que há anos vem sendo perseguido pela Abril.
A juíza, entretanto, considerou irrelevante a decisão do STF. “As ações políticas do homem público estão sempre passíveis de análise por parte da população e da imprensa. O julgamento do STF não proíbe a imprensa ou a população de ter sua opinião pessoal sobre assunto de relevância histórica nacional”, justificou.”
Um momento. Ou melhor: dois momentos. “Irrelevante” a decisão do STF? Então você é absolvido de acusações na mais alta corte do país e mesmo assim isso não vale nada? Podem continuar a chamar você de bandido sem nenhuma consequência?
A juíza aplicou uma espetacular bofetada moral no STF em sua sentença. Como para Augusto Nunes, também para ela não houve nenhuma consequência.
Se um juiz trata assim uma decisão da Suprema Corte, qual o grau de respeito que os cidadãos comuns devem ter pela Justiça?
O segundo momento é por conta da expressão “certa carga demeritória”. Raras vezes vi uma expressão tão ridícula para insultos e assassinato de imagem.
Regular a mídia é, também, estabelecer parâmetros objetivos para críticas e acusações feitas por jornalistas.
Não é possível que “manipulador” custe 50 mil reais e “bandido”, “chefe de bando”, “farsante”  e “destaque da bancada do cangaço” zero.
Quando você tem sentenças tão opostas, é porque reinam o caos e a subjetividade.
A única coisa que une o desfecho dos dois casos é que jornalistas de grandes empresas de mídia se deram muito bem.
Isso é bom para eles e as empresas nas quais trabalham.
Para a sociedade, é uma lástima.

Kamel e Nassif: quem se dá bem ? | Conversa Afiada

08/01/2015

Aécio rima com censura e compadrio de expressão

Clip0001A internet tem destas coisas. Quando logado uso o google, ele guarda minhas atividades. Se procuro um produto depois ele fica me oferecendo o mesmo produto por todo lugar que eu navegue. São as assoCIAções que ele faz. É o serviço que remunera anunciantes. Associa assuntos a produtos afins. Por exemplo, se falo em celular, vem anúncio de operadoras.

Com Aécio Neves o google faz a mesma coisa. Onde o nome aparece, há produtos relacionados ao elemento. Para provar, fiz o printscreen ao lado. Por que será que a propaganda do Instituto Millenium aparece a$$oCIAda ao Aécio Neves?!

Aí você acessa o site sugerido e o que aparece? No canto direito, os mantenedores, dentre outros a Abril, da Veja…

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07/01/2015 – Aécio Neves, o fenômeno do coronelismo eletrônico

 

aécio censuraDesde os tempos de Sarney e de seu ministro das Comunicações, Antonio Carlos Magalhães, e do marajá Fernando Collor de Mello, o coronelismo eletrônico não se mostrava tão próximo da presidência da República.

Neto de um tradicional político, o senador Aécio Neves possui ligações com três rádios, uma emissora de TV e um jornal. O fenômeno – que chamamos de “coronelismo eletrônico” – inclui o uso político dos meios de comunicações e uma rede de favores e apadrinhamento que busca perpetuar o poder de determinado grupo nas comunicações e na política. Aécio, que é senador, descumpre o que está disposto no artigo 54 da Constituição Federal, que proíbe que os parlamentares sejam proprietários, diretores ou controladores de empresas concessionárias de serviço público.

O senador é sócio da Rádio Arco-Íris (FM 99,1 MHz), sediada em Betim, na zona metropolitana de Belo Horizonte, e retransmissora da Jovem Pan para a Grande BH. Uma breve consulta no Sistema de Informação dos Serviços de Comunicação de Massa (SISCOM) da Anatel comprova este fato. Segundo matéria da Folha publicada (http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/10/1531982-governo-mineiro-nao-divulga-gastos-com-radios-de-aecio.shtml), o governo de Minas se recusou diversas vezes a divulgar os repasses estaduais às emissoras ligadas ao candidato.

Mas isso é só o que aparece aos olhos. O coronelismo eletrônico é mais sutil, menos evidente, mais sorrateiro. Para entendê-lo, é preciso ir mais fundo, em busca do rabo da palavra, como diria o bom mineiro Guimarães Rosa.

Uma vertente importante deste fenômeno é a relação das rádios e TVs com familiares de políticos. O principal acionista da Rádio São João Del Rei (AM 970 Khz) é Tancredo Augusto Tolentino Neves, que tem o mesmo nome do presidente eleito em 1985, seu pai. Advogado, Tancredo Augusto é tio de Aécio Neves e assumiu em 2010 a presidência da Prominas, empresa pública estadual encarregada de promover eventos na área de turismo e administrar grandes centros de convenções, como o Minascentro e o Expominas.

A irmã de Aécio, Andrea Neves da Cunha, jornalista responsável pelas principais decisões referentes à comunicação na campanha do candidato à presidência, é a principal sócia e diretora da rádio Vertentes (FM 95,3 MHz), na mesma São João Del Rei. A rádio é conhecida pela programação musical, voltada principalmente para o público jovem.

Cidade histórica encravada no coração de Minas, com cerca de 88 mil habitantes, São João Del Rei possui uma TV educativa, a TV Campos das Vertentes. Minas é o estado com mais televisões educativas, uma parcela considerável delas controlada por políticos, como Suzy dos Santos e eu apontamos em nosso artigo “Porteira, radiodifusão, universidade etc.” publicado na Revista Brasileira de Políticas de Comunicação da UnB (http://rbpc.lapcom.unb.br/index.php/revista/article/view/24).

A TV compõe o conjunto de veículos sob influência direta da família de Aécio Neves. A concessão para o canal é de 2002, quando o ministro das Comunicações era Pimenta da Veiga, candidato derrotado ao governo do estado de Minas. O presidente da Fundação Cultural Campos das Vertentes é José Geraldo D´Ângelo, aliado de Aécio que assumiu a presidência do Instituto Cultural Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG Cultural), em 2003, quando o neto de Tancredo era governador. A fundação também possui uma outorga de rádio FM (a rádio Campos de Minas, 95,3 MHz).

A influência do coronelismo eletrônico alcança também as velhas letras. O jornal “Gazeta de São João Del Rei” tem como diretor de honra (in memoriam) o cunhado de Aécio, Herval Cruz Braz, marido falecido de Andrea. Com tiragem de 10 mil exemplares, a notícia que estampava a capa da edição de 11 de outubro de 2014 era: “Aécio dispara no segundo turno”.

As vertentes do coronelismo eletrônico, que deságuam nas condutas políticas de nomes como Sarney, ACM, Collor e Aécio Neves, é um prejuízo à liberdade de expressão e ao direito dos cidadãos à comunicação. Esse direito pouco compreendido, mas essencial à democracia, inclui o acesso à informação livre e de qualidade e a possibilidade real de expressão e participação política.

Dos sinos da velha São João Del Rei ou das montanhas de Belo Horizonte, uma pergunta ecoa até nós: O que esperar das políticas de comunicação do candidato pleiteante ao principal cargo da República? O silêncio não pode ser a resposta.
* Luiz Felipe Ferreira Stevanim, jornalista, doutorando em Comunicação pela UFRJ e membro do Grupo de Pesquisa em Políticas e Economia Política da Informação e Comunicação (PEIC).

(Por Intervozes em 15 de outubro de 2014 – Por Luiz Felipe Ferreira Stevanim*)

Aécio Neves, o fenômeno do coronelismo eletrônico « Diário do Brasil / Poços10

01/01/2015

Liberdade de imprensa à moda mineira

E, de repente, Andrea Neves está com a torneira mais seca que as dos paulistas. Aécio tem um jornal pra chamar de seu. Ganhou algumas rádios do tio Sarney, mas não as ouve porque vive no Rio. Fiquei curioso com a informação de que em Minas há grandes grupos de mídia. Minha curiosidade aumenta diante do sumiço do helicóptero com 450 kg de cocaína.

Ah, sim, nenhum dos tantos grupos de mídia ainda havia revelado a fabricação em série de aeroportos em terras da famiglia Neves. Por que, sendo de Minas, da terra de uma família famosa na política, não informaram? Mesmo sendo de lá não sabiam ou, pior, sabiam mas não informavam porque a informação é um negócio que cujo preço pode-se resolver com dinheiro público?

De que servem tantos grupos de mídia se para o essencial, que é informação, não servem?

Ou, como diria Al Capone: Business is busness.

Imprensa mineira: por quem os sinos dobram, por Ângela Carrato

qui, 01/01/2015 – 14:07

do Observatório da Imprensa

Imprensa mineira: por quem os sinos dobram

Por Ângela Carrato

Depois de terem participado ativamente das eleições em apoio ao candidato oposicionista Aécio Neves (PSDB), os principais jornais mineiros dão início a uma espécie de “caça às bruxas” assediando, constrangendo, ameaçando e demitindo jornalistas que não rezam pela cartilha tucana. Desta vez, as ameaças não partiram da irmã do candidato e antes todo-poderosa controladora da mídia no estado, Andrea Neves, mas das próprias empresas. Aliás, estas empresas vivem um “drama” inédito nas últimas seis administrações: continuar apoiando o governo ou partir para a oposição?

A dúvida deve ser mesmo um tormento para elas. O maior grupo de mídia no estado, Diários Associados (Estado de Minas, TV Alterosa, rádio Guarani e portal Uai) em seus mais de 70 anos, uma única vez esteve na oposição, durante o governo Newton Cardoso (1987-1991), mesmo assim porque o governador cortou uma série de regalias e apoios que a empresa recebia por debaixo do pano.

Se o jornal Estado de Minas manteve a posição de apoio total às administrações de Hélio Garcia, Itamar Franco e Eduardo Azeredo, foi a partir do tucano Aécio Neves (2003) que este apoio transformou-se em adesão incondicional. Além de possuir ações da S/A Estado de Minas herdadas do avô, Tancredo Neves, Aécio tornou-se íntimo do principal executivo do grupo, Álvaro Teixeira da Costa que, nas últimas eleições, extrapolou todas as medidas para respaldar o amigo e candidato.

Enquanto o jornal Estado de Minas denunciava o suposto “aparelhamento” promovido pelo PT, considerava “natural” que seu dirigente subisse no palanque de Aécio Neves, abrisse, nas dependências da TV Alterosa, um comitê de campanha do tucano e, como se isso não fosse suficiente, ainda “convidasse” os funcionários para participar de ato público em apoio à candidatura de Aécio, na Praça da Liberdade. Detalhe: para demonstrar apoio, esses funcionários deveriam comparecer trajando azul e amarelo, as cores tucanas.

Novos “cortes”

O convite circulou na empresa em forma de comunicação interna enviada pelo setor de recursos humanos, mas comparecer tornou-se condição sine qua non para continuar gozando da “confiança” do patrão. Pressionados pela sobrevivência, ninguém reclamou, mas o absurdo chegou ao Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais (SJPMG) que, em nota, esclareceu que nenhum jornalista ou profissional é obrigado a participar deste tipo de atividade.

O editor de Cultura do Estado de Minas, João Paulo Cunha, era um dos poucos a conseguir manter, em seu trabalho, posição equidistante da militância tucana preconizada pela direção da empresa. Tanto que o suplemento “Pensar”, que circula aos sábados, junto com a edição regular do jornal, tornou-se uma espécie de “oásis”: reunia colaboradores de tendências, gostos e credos diversos, publicando artigos e promovendo discussões sintonizadas com o que de melhor acontecia no país e no mundo em matéria de cultura, arte, psicanálise, meio ambiente, comportamento e, naturalmente, política.

Na segunda-feira (15/12), João Paulo foi “convidado” a deixar o jornal. Sua permanência ficaria condicionada a não mais abordar assuntos “políticos” na coluna que assinava no suplemento. Pelo visto, a direção dos Associados não gostou do artigo dele publicado em 6 de dezembro, intitulado “Síndrome de Capitu“, no qual afirmava que o Brasil já definiu, nas urnas, quem é situação nos próximos quatro anos, mencionando que faltava ao país, agora, ter uma oposição consequente. A referência, óbvia, era às posições golpistas estimuladas e assumidas por Aécio Neves, inconformado com o resultado das urnas (ver, neste Observatório, “Campo minado para pensar“).

Jornalista e intelectual brilhante, João Paulo deixou o jornal. As demissões no Estado de Minas, pelo que se sabe, não vão parar aí. A empresa estaria esperando apenas vencer os três meses de estabilidade que constam da última convenção de trabalho dos jornalistas. Em outras palavras, a partir de janeiro novos “cortes” devem acontecer.

A maior tiragem

A situação financeira do Estado de Minas e dos Diários Associadas não é nada tranquila. Carro-chefe do condomínio até pouco tempo, o Estado de Minas tem visto sua receita minguar de forma tão acelerada quanto a perda de leitores. Para uma publicação que alardeava ser “o grande jornal dos mineiros”, de uma tiragem oficial de 75 mil exemplares diários, atualmente 60% encalham nas bancas. De acordo com a pesquisa “Democratização da Mídia”, realizada pela Fundação Perseu Abramo, do Partido dos Trabalhadores (PT), divulgada em agosto de 2013 e confirmada por pesquisa do Ibope realizada no mesmo ano, o jornal alcança 1,3% dos leitores brasileiros, concentrados na região Sudeste, mais precisamente na capital mineira e Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Mas se a questão é cortar custos, o Estado de Minas poderia reduzir a tiragem e investir em jornalismo de qualidade, disponibilizando o conteúdo em suportes diversos. Certo? A empresa não pensa assim. Tanto que prefere manter a perda diária de 60% para sustentar artificialmente os preços que cobra dos anunciantes.

De olho nos erros do concorrente, o jornal O Tempo tem avançado no que antes era considerado “propriedade” do Estado de Minas: os anúncios classificados. O encolhimento dos classificados do EM contrasta com o vigor dos pequenos anúncios no tabloide sensacionalista Super e no semanário Jornal da Pampulha, ambos da Sempre Editora, que publica O Tempo.

Criado em meados da década de 1990 pelo empresário e político Vittorio Medioli – na época, deputado federal pelo PSDB – O Tempo nunca escondeu a pretensão de desbancar os Associados. Disposição acentuada depois de Medioli ter sido alvo de campanha dos Associados contra seus negócios (entre outras atividades, é dono da poderosa Sada, que faz transportes de veículos para a Fiat, Volkswagen, General Motors, Peugeot e Citroën). O carro-chefe da Sempre Editora, no entanto, é o Super, a publicação com maior tiragem no país, tendo superado os tradicionais O Globo e Folha de S.Paulo, com mais de 270 mil exemplares diários.

Pauta dirigida

Por uma questão de marketing, os veículos da Sempre Editora depois de anos fazendo campanha contra as administrações petistas em municípios mineiros e no Estado, agora parecem dispostos a manter certa equidistância do oposicionismo. Prova disso é que, na última campanha eleitoral, essas publicações foram as únicas a mencionar, com um mínimo de equilíbrio, as atividades de todos os postulantes à presidência da República e ao governo de Minas. Para os profissionais que lá trabalham, no entanto, o maior problema é que os dirigentes da Sempre sonham em fazer jornal sem jornalista, com os “enxugamentos” sendo frequentes. Lá também, novos “cortes” devem acontecer a partir de janeiro.

Dos grupos de mídia em Minas, a Sempre é a única que possui sólida saúde financeira. Aliás, apenas 6% da receita dos negócios de Medioli provêm da editora, o que lhe garante considerável autonomia frente a governos.

Dos três principais jornais mineiros, o Hoje Em Dia é, sem duvida, o que mais oscilações têm experimentado. Criado por Newton Cardoso em 1989, para enfrentar os Associados, a publicação foi vendida para o empresário Edir Macedo, da Igreja Universal em 1991, pouco depois de deixar o governo. De lá para cá, o jornal passou por sucessivas crises, com reflexos na linha editorial e na tiragem. Crises que abalaram o interesse de Macedo pela publicação que acabou sendo vendida para o Grupo Bel, do empresário Marco Aurélio Jarjour e filhos.

Jarjour possui sete emissoras de rádio, a concessão de dois canais fechados de TV, atua no setor de diversões (boate Na Sala) e no de grandes shows, disposto a ampliar a aprofundar seus negócios em mídia. Para tanto, contava com a vitória de Aécio Neves para a presidência da República e não mediu esforços para ajudar o tucano.

Estes esforços redundaram em exemplos do que de pior pode ser feito por um jornal. Na tentativa de desmoralizar a presidente Dilma Rousseff, candidata do PT à reeleição, o comitê tucano divulgou denúncia de que o que o irmão dela teria sido funcionário fantasma da Prefeitura de Belo Horizonte, entre 2003 e 2009. Imediatamente, o Hoje Em Dia enviou repórter à pequena cidade de Passa Tempo (oito mil habitantes), no interior de Minas, para apurar a denúncia.

Até aí, tudo certo. O papel da mídia é apurar. O problema é que o repórter verificou que Igor Rousseff, o único irmão da presidente, não foi funcionário fantasma. No período em questão, trabalhava durante a semana na capital mineira e ia aos sábados e domingos para Passa Tempo, onde fixou residência depois da aposentadoria.

Manchete desmentida

A história de Igor foi confirmada por todos na cidade. Do dono da mercearia ao motorista da linha de ônibus que faz o trajeto entre a capital mineira. Ao invés de ver a matéria publicada tal como foi apurada, o repórter foi surpreendido ao ver seu texto alterado, nele incluída e destacada a fala de um vereador tucano, o único a “confirmar” que Igor não morava lá. A desmoralização maior para o HD veio com a publicação de reportagens sobre o assunto pela Folha de S.Paulo e Estado de S.Paulo que literalmente desmentiam a publicação.

Assinada pelo repórter Diego Zanchetta e datada de 27 de outubro, a reportagem do ESP, por exemplo, apresenta Igor como ex-hippie, adepto do budismo e pessoa desprendida das coisas materiais. Avesso a qualquer tipo de badalação e residindo em uma casa simples, com um fusca verde na garagem, ele tenta, no momento iniciar uma criação de tilápia. Advogado por formação, é graduado também em Jornalismo e História e fala fluentemente inglês e francês. Igor faz questão de manter uma prudente distância da irmã e de todos que tentam se aproximar dele para chegar à presidente.

Como se este desmentido nacional não bastasse, a direção do HD ainda tentou outra cartada em prol da candidatura de Aécio. Foi o único jornal a divulgar o resultado da pesquisa de um tal Instituto Veritas, que colocava, às vésperas do segundo turno, o candidato tucano à frente de Dilma. Em manchete, o HD destacava: Aécio 57% e Dilma 43%. Menos de 24 horas depois, era desmentido pelos, insuspeitos de serem petistas, institutos Ibope e Datafolha, que concordavam que os dois candidatos estavam tecnicamente empatados: Aécio com 51% e Dilma com 49%. Empate detectado, também, pelo tracking diário de campanha dos dois candidatos. Detalhe: a manchete do HD foi explorada à exaustão pelo comitê tucano nos programas do horário eleitoral de rádio e TV, com tudo indicando que tenha sido feita com este objetivo. O próprio senador Aécio Neves se valeu delas para, nos debates, “mostrar” para Dilma que estava ganhando em Minas e no Brasil.

“Erros ortográficos” inexistentes

No segundo turno, o HD superou-se. Publicou resultado de pesquisa do Instituto Sensus, contratado pelo PSDB, dando vantagem de 17 pontos para o tucano sobre Dilma Rousseff. Em menos de 48 horas, voltou a ser desmentido pelo Datafolha e pelo Ibope. O assunto repercutiu na imprensa nacional, mas foi praticamente ignorado pela mídia mineira. Blogs como o Diário do Centro do Mundo, do jornalista Paulo Nogueira, e da Cidadania, de Eduardo Guimarães, frisaram que se tratou de “crime eleitoral, sujeito às punições legais”. Como o PT não entrou na Justiça, o assunto parecia fadado ao esquecimento, exceto pela tentativa da direção do HD de aproveitar a ocasião e demitir um de seus mais antigos funcionários, o editor e dirigente sindical, Aloísio Morais Martins, na empresa desde sua fundação, há 27 anos.

No dia 30 de outubro, Morais recebeu advertência da direção do HD por ter compartilhado, em sua página pessoal no Facebook, matéria crítica ao resultado das pesquisas dos institutos Veritas e Sensus divulgadas pelo jornal. A alegação era que a sua publicação havia “prejudicado” os negócios da empresa. Alegação no mínimo curiosa. Se havia comentários críticos ao HD na página de Morais, os comentários eram leves se comparados aos da própria página do jornal no Facebook. Em outras palavras, se o próprio jornal compartilhou a matéria, por que um cidadão, que no caso é também funcionário da empresa, não poderia fazer o mesmo? Afinal, as redes sociais são fontes e instrumentos de pesquisa e informação para jornalistas e não jornalistas.

Suspenso e sem vencimentos desde o final de outubro, o caso de Morais foi parar na Justiça do Trabalho, onde a direção do HD pediu a abertura de inquérito para a sua demissão “por justa causa”. Uma audiência estava prevista para 11 de dezembro, mas acabou adiada por solicitação do jornal. Nova data está marcada para maio. Até lá o jornalista permanecerá afastado do trabalho e sem salário. Um dos mais competentes e conhecidos jornalistas mineiros, Morais integra a diretoria na atual gestão do sindicato e na Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). Some-se a isso que foi, por duas vezes, presidente do sindicato em Minas. Razão pela qual a avaliação que o atual dirigente da entidade, Kerisson Lopes, faz é de que se trata de “perseguição por parte da empresa”, que tenta encontrar uma forma de se livrar de um profissional sério e ético, que incomoda quem não tem compromisso com a liberdade de expressão.

Antes deste episódio, Morais vinha sendo alvo de permanente assédio, com a direção doHD tentando imputar-lhe advertências por “erros ortográficos” que, comprovadamente, não cometeu. Sem falar que suas funções e turno eram alterados sem quaisquer justificativas. Morais só não foi demitido até agora por gozar de imunidade sindical.

As chaves do cofre

A exemplo dos demais jornais mineiros, o HD passou recentemente por mais um novo enxugamento e outros cortes estão previstos. Nos próximos meses, o jornal deve mudar de endereço, trocando o prédio de quatro andares que ocupa no bairro Santa Efigênia, próximo ao centro, por instalações menores, na saída para o Rio de Janeiro. Na redação e direção do jornal, a dança das cadeiras continua, buscando-se privilegiar apenas os “confiáveis”.

Estado de Minas e Hoje em Dia têm até março (os clássicos 100 primeiros dias de uma administração) para decidir sobre a “linha editorial” a ser adotada. Permanecem na oposição sistemática ao PT, agora incluindo o governador Fernando Pimentel, como sempre fizeram em relação aos dois governos de Luiz Inácio Lula da Silva e ao primeiro de Dilma Rousseff, ou tentam outro caminho?

Uma coisa é certa: como o ramal minimamente independente já está ocupado por O Tempo, a disputa acirrada vai acontecer entre Estado de Minas e Hoje em Dia para ver quem será o porta-voz da oposição tucana em Minas. Aécio precisará de visibilidade e os dois jornais poderiam garantir-lhe espaço, mas o problema é que os tucanos não têm mais as chaves do cofre das Alterosas e nem da presidência da República e compromisso com o jornalismo não é o forte destas empresas.

***

Ângela Carrato é jornalista e professora do Departamento de Comunicação Social da UFMG; o presente texto foi publicado no blog Estação Liberdade

Imprensa mineira: por quem os sinos dobram, por Ângela Carrato | GGN

28/12/2014

Liberdade de imprensa à moda bolivariana

A liberdade de imprensa em Minas funcionava à moda tucana: pagou, levou! Ao contrário do PSDB paulista, que comprava as três irmãs siamesas (Folha, Estadão e Veja) com milhares de assinaturas, em Minas, além de ter seu próprio jornal, Aécio comandou uma verdadeira derrama de recursos públicos nos cofres dos valorosos defensores da liberdade de imprensa

PML aponta “inimigos da liberdade de imprensa”

:

Pedido de demissão de João Paulo Cunha, jornalista do Estado de Minas, por ter sido proibido de escrever sobre política num jornal que proíbe críticas a Aécio Neves, "é uma piada pronta, que ajuda a lembrar que vivemos um regime que deveria ser definido como bolivarianismo patronal", escreve Paulo Moreira Leite, diretor do 247 em Brasília; "Esse é o drama da liberdade de expressão e da democratização dos meios de comunicação. A luta contra a censura foi bem-vinda enquanto auxiliou os donos de jornal a livrar-se das botas e tanques de um regime que haviam ajudado a colocar de pé (…). Quando se procura ampliar o espaço para que o conjunto da sociedade possa se manifestar (…), a reação é falar em bolivarianismo, sem receio de produzir uma fraude", diz ele

27 de Dezembro de 2014 às 17:18

247 – Em nova coluna em seu blog no 247, o jornalista Paulo Moreira Leite critica o episódio em que o editor de Cultura João Paulo Cunha pediu demissão do jornal Estado de Minas, depois de ter sido proibido de escrever sobre política. Isso porque Cunha, que trabalhava há 18 anos na publicação, criticou a oposição liderada por Aécio Neves em uma coluna chamada "Síndrome de Capitu". Para PML, o fato "é uma piada pronta, que ajuda a lembrar que vivemos um regime que deveria ser definido como bolivarianismo patronal". Leia um trecho:

Todos se lembram de uma noite recente em São Paulo, quando jornalistas subiram ao palco de uma cerimônia de premiação para dizer em tom dramático: "não ao controle social da mídia." É disso que estamos falando. Embora estejamos falando de um direito constitucional, na vida real da imensa maioria de jornais, revistas, emissoras de rádio e de TV do país o exercício da liberdade de expressão vive limitado por uma prerrogativa de classe. Pode ser exercida pelos donos da empresa, seus familiares e uma pequena elite de profissionais autorizados. E só. Aos demais jornalistas está reservada a função de apurar o que pedem e escrever o que mandam, num regime de cima para baixo que não é exagero comparar com hierarquia militar.

"Esse é o drama da liberdade de expressão e da democratização dos meios de comunicação. A luta contra a censura foi bem-vinda enquanto auxiliou os donos de jornal a livrar-se das botas e tanques de um regime que haviam ajudado a colocar de pé", prossegue o diretor do 247 em Brasília. "Quando se procura ampliar o espaço para que o conjunto da sociedade possa se manifestar, num movimento que apenas fortalece a democracia, e é coerente com as mudanças sociais que ocorreram no país na última década, a reação é falar em bolivarianismo, sem receio de produzir uma fraude. Quem censura? Quem cala o outro lado? Quem oprime? Até dá para entender. Só não dá para aceitar". 

Leia a íntegra em A piada pronta do bolivarianismo patronal

PML aponta “inimigos da liberdade de imprensa” | Brasil 24/7

Veja reduz Aécio Neves a pó

Aecio com o ovo no cu da galinhaPara tentar salvar os dedos e a direita, Veja transforma Aécio Neves em boi de piranha. Depois de ter sido, mesmo sem votos,  eleito presidente seus apoiadores jogam fora o bagaço. Para quem, com apenas 17 anos, tinha emprego em Brasília mas estudava no Rio, não há nada de anormal em ser Senador em Brasília e bêbado no Rio. Roberto Requião resumiu muito bem o comportamento da Veja: “a mão que afaga é a mesma que apedreja”: "Aécio veja, a mão que afaga é a mesma que apedreja, afasta esta mão que te afaga, escarra na revista que te abandonou!"

A tresloucada cavalgada do Aécio Neves rumo à derrubada da Presidenta recém eleita tem um explicação tão singela quanto verdadeira: ele tem ódio de quem trabalha.

Assim também começa a fazer sentido a sua comemoração antecipada, antes da contabilização final dos votos.

Aliás, é uma tradição no PSDB. FHC também sentou na cadeira de prefeito antes de sua eleição ser consumada. Jânio Quadros viu-se na contingência de desinfetar a cadeira ocupada por FHC para servir de capa, que coincidência, à Veja.

Aécio tinha sua eleição por direito divino. Se sendo o que sempre foi, conseguiu tudo o que queria, sem mesmo trabalhar, porque teria que fazer por merecer a eleição?

Toda sua vida foi negação de qualquer coisa que simbolize a retribuição por trabalho.

Matéria da Folha de São Paulo, publicada na véspera de Natal, veja que outra coincidência, mostra toda evolução dos gastos com publicidade nos 12 anos de  governo tucano de Minas Geral.

O gráfico apresentado pela Folha fala por si só: de 2003 para 2014, subiu de 7,01 para 70,90 milhões. Eis aí onde mora o segredo de sua popularidade. Meritocracia nestas condições até o ET de Varginha teria… O jornal O Estado de Minas teria de reescrever seu mais famoso artigo Minas a reboque, não para “O Estado de Minas a reboque, sim”! E a prova de que O Estado de Minas estava à reboque do dinheiro público foi, com a dupla derrota (de Aécio Neves e de seu candidato a governador), a demissão do editor do caderno de Cultura, João Paulo Cunha, proibido de escrever sobre política. Aliás, Paulo Moreira Leite trata, no 247, deste fenômeno chamado “inimigos da liberdade de imprensa”.

Aecio Minas Publicidade.

Nota zero de Veja em Aécio já o exclui de 2018?

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É quase surreal que a revista Veja, que sempre foi tucana e rompeu qualquer barreira ética na disputa presidencial de 2014, tenha classificado o senador Aécio Neves (PSDB-MG), em seu ranking dos parlamentares mais atuantes do País, como o pior senador brasileiro, com nota zero; qual será o significado disso?; será que as elites paulistas já começam a definir que ele não será candidato em 2018?; com Aécio fora do jogo, restam dois favoritos: o governador Geraldo Alckmin e o senador José Serra

27 de Dezembro de 2014 às 18:01

247 – A notícia é quase surreal. Depois de romper todas as barreiras da ética jornalística e se engajar como nunca numa campanha presidencial, a revista Veja, carro-chefe da Editora Abril, publicou um ranking que classifica deputados e senadores. Aécio Neves, candidato de Veja em 2014, foi apontado pela revista como o pior entre os 81 senadores brasileiros. E se isso não fosse o bastante, Veja ainda deu nota zero para seu desempenho – aquela que nem os professores mais rigorosos cravam nos piores alunos.

De tão surpreendente, a notícia publicada no 247 neste sábado bombou nas redes sociais. Às 17h50, já havia gerado mais de 20 mil compartilhamentos no Facebook (leia mais aqui). Para uma revista que, neste ano, permitiu que sua última capa da campanha presidencial – a do ‘eles sabiam de tudo’ – fosse rodada à parte, como um panfleto político, a guinada equivale a um cavalo de pau num transatlântico.

Ao que tudo, indica Veja decidiu desembarcar de Aécio Neves, a partir de alguma ordem vinda da cabine de comando. Quem terá sido o comandante? O governador Geraldo Alckmin? O senador eleito José Serra? Os banqueiros Roberto Setúbal e Pedro Moreira Salles, do Itaú Unibanco?

O fato é que, depois dessa, Aécio dificilmente conseguirá se recolocar como candidato presidencial. Aos adversários, bastará reproduzir, no horário político, o zero de Veja ao político mineiro.

Talvez por isso mesmo Aécio tenha se mostrado distante de uma nova candidatura, quando foi questionado sobre a possibilidade pelos jornalistas Valdo Cruz e Daniela Lima, que o entrevistaram na semana passada.

– "Mas o sr. pensa em ser candidato novamente?", questionaram os repórteres.

– "Não mesmo. Talvez já tenha cumprido o meu papel. O candidato vai ser aquele que tiver as melhores condições de enfrentar o governo. Meu papel é manter a oposição forte. O governador de São Paulo [Geraldo Alckmin] é um nome colocado e tem todas as condições. Outros nomes serão lembrados", respondeu o tucano.

Nota zero de Veja em Aécio já o exclui de 2018? | Brasil 24/7

 

Aécio é o pior senador de 2014 em ranking da Veja

George Gianni/PSDB:

Depois de fazer campanha aberta pela eleição do tucano Aécio Neves (PSDB-MG) à presidência, Veja publica ranking que o aponta como o pior senador do Brasil em 2014, com nota zero; para a criação da lista, segundo a revista, "são levadas em conta propostas de ajuste na legislação capazes de contribuir para um país mais moderno e competitivo, segundo a perspectiva de VEJA e da Editora Abril"; dos 20 mais bem colocados no ‘Ranking do Progresso’, divulgado pela quarta vez consecutiva, sete parlamentares pertencem aos quadros da dupla PSDB/DEM, mesmo número dos governistas PT/PMDB

27 de Dezembro de 2014 às 10:33

Minas 247 – Depois de fazer campanha aberta à eleição de Aécio Neves à Presidência da República, a revista Veja publicou na edição deste fim de semana um ranking que coloca o tucano como o pior senador do Brasil em 2014. Ele foi o único senador a receber pontuação zero no chamado ‘Ranking do Progresso’, divulgado pela revista pelo quarto ano consecutivo.

Para a formação da lista, de acordo com a publicação, "são levadas em conta propostas de ajuste na legislação capazes de contribuir para um país mais moderno e competitivo, segundo a perspectiva de VEJA e da Editora Abril". A Veja publica um quadro com os "nove eixos considerados fundamentais para isso". Confira abaixo:

A lista de senadores é liderada por Eduardo Amorim, do PSC-CE. Já na de deputados, quem está no topo são dois tucanos: o líder do PSDB na Casa, Antonio Imbassahy (BA), e Marcus Pestana, presidente do PSDB de Minas Gerais. A revista aponta que, no ranking deste ano, há "maior equilíbrio entre parlamentares do governo e da oposição na Câmara Federal". Dos 20 mais bem colocados, sete pertencem aos quadros da dupla PSDB/DEM, mesmo número dos filiados aos partidos aliados ao governo PT/PMDB.

"O que explicaria tal mudança?", pergunta a reportagem de Veja. "É impossível não considerar como determinante do ranking de 2014 o fator ‘calendário eleitoral’. Tivemos um longo e árduo ano de campanhas para os pleitos presidencial e legislativo — contaminadas, mais uma vez, por uma sucessão de escândalos que envolveram a classe política e alguns candidatos-protagonistas. Senadores e deputados passaram boa parte de 2014 empenhados em levar aos seus eleitores o resultado do trabalho desenvolvido a partir de 2011. Além disso, muitos congressistas se lançaram na disputa para os executivos federal e estaduais. Isso trouxe pelo menos duas consequências: a) um número pequeno de deliberações no Congresso, se considerarmos como base o período 2011-2013; b) pouco trabalho feito por parlamentares que, em outro momento, teriam maior atuação nos processos decisórios do Legislativo", explica a revista.

Leia aqui a íntegra.

Aécio é o pior senador de 2014 em ranking da Veja | Brasil 24/7

17/12/2014

Em São Paulo falta água; em Minas, liberdade!

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O episódio mais emblemático da subordinação do jornal Estado de Minas aos irmãos Neves (Andrea e Aécio) foi revelado por ocasião da briga de bugio com José Serra. Estavam disputando quem sairia candidato pelo PSDB para enfrentar Lula. O que Andrea Neves fazia em Minas, Serra fazia e faz em São Paulo. Tanto que Serra conseguiu perpetrar por mãos de aluguel o antológico artigo “Pó pará, governador”, que dizia de Aécio tudo aquilo que era corrente mas não explicitado. Como em Minas quem manda é quem paga, Andrea Neves conseguiu com que o Estado de Minas levantasse do pó o pupilo nocauteado: “Minas a reboque, não”.

Enquanto Serra e Aécio brigam, as penas da tucanada voam. O jus sperneandis do PSDB mineiro, que não consegue resolver a síndrome de abstinência do maluco das alterosas, já recebeu da Folha serrista o epíteto do ano: Tapetão Natalino

Parece que o pânico bateu nas redações dos a$$oCIAdos do Instituto Millenium. A RBS, passadas as eleições, detonou com 130 jornalistas. Na sequência, o Inspetor da Ditadura, Paulo Santana, conseguiu defenestrar Kenny Braga. Agora fico sabendo que o articulista Moisés Mendes, um dos últimos que sabiam escrever na Zero Hora, foi saído. A Folha botou pra correr a Eliane Cantanhêde, junto com outros menos notórios. A Globo botou também não deixou por menos e acabou com seu “Amor Estranho Amor”… Coincidentemente, o helicóptero do pó teve o mesmo destino do filme…

Liberdade, em Minas, é palavrão!

Editor do jornal Estado de Minas é censurado e pede demissão

Na terça-feira (16) João Paulo Cunha, um respeitado jornalista dos temas cultura e política, pediu demissão de um dos mais tradicionais meios de comunicação de Minas Gerais, o Estado de Minas; a demissão de João Paulo aconteceu após uma conversa entre ele e a diretoria do jornal, em que a chefia deixou claro que ele não poderia mais escrever sobre política; por considerar a atitude uma manifestação de censura sobre o seu trabalho, o jornalista não aceitou continuar no cargo e pediu demissão

17 de Dezembro de 2014 às 20:35

emBrasil de Fato Na terça-feira (16) João Paulo Cunha, um respeitado jornalista dos temas cultura e política, pediu demissão de um dos mais tradicionais meios de comunicação de Minas Gerais, o Estado de Minas. A notícia traz à tona a “onda de censura” implantada no jornalismo mineiro, fato comentado, documentado e denunciado por jornalistas mineiros há anos.

A demissão de João Paulo aconteceu após uma conversa entre ele e a diretoria do jornal, em que a chefia deixou claro que ele não poderia mais escrever de política. Por considerar a atitude uma manifestação de censura sobre o seu trabalho, o jornalista não aceitou continuar no cargo e pediu demissão.

“Acho inadmissível que um jornal censure seus profissionais. A luta histórica que tivemos no Brasil é para termos o jornalismo como instrumento de cidadania”, afirma o jornalista. O motivo da censura seria a sua opinião política, diferente da linha adotada pelo jornal, que segundo ele é “francamente explícita a favor de Aécio Neves”.

No artigo “Síndrome de Capitu”, publicado no suplemento semanal “Pensar” no dia 5, João Paulo criticou a recente movimentação para um golpe político, elaborado pela oposição à presidência, e defendeu a Reforma Política como “agenda prioritária para a sociedade”. “A coluna que ele escreveu deve ter desagradado interesses do jornal e de alguns políticos, que fizeram uma represália a ele”, acredita Kerison Lopes, presidente do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais.

“Pensar continua sendo perigoso”

No estado, episódios de censura não têm acontecido apenas nas redações de jornais. A professora Beatriz Cerqueira, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT MG), foi alvo de 17 processos contra uma campanha publicitária sobre a educação mineira. Os processos foram movidos pela coligação do PSDB ao governo do estado. “Em Minas, pensar continua sendo um ato muito perigoso, quase um terrorismo contra o Estado”, afirma Beatriz.

“Infelizmente, o Estado de Minas perde qualidade e credibilidade com essa atitude”, afirmou o presidente do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais, Kerison Lopes. Ele conta que, na manhã de quarta-feira (17), dezenas de leitores e jornalistas procuraram o sindicato para dar depoimentos descontentes com a saída de João Paulo. “A gente espera que esse seja o último caso de censura da era tucana em Minas, mas talvez seja o mais emblemático, pelo que João Paulo representa para o jornalismo mineiro”.

Daniel Camargos, jornalista do caderno de política do Estado de Minas, diz que a despedida de João Paulo foi comovente. “Quando ele se despedia das pessoas formou uma imensa roda em torno dele. Todos querendo saber o que havia ocorrido. Ele explicou e a reação final de toda a redação foi levantar e bater palmas”, conta. “Hoje (17) muita gente, mas muita gente mesmo, veio de camisa branca de malha. Uma maneira de homenagear o João Paulo, que se vestia constantemente assim”.

Juarez Guimarães, professor de Ciências Políticas da UFMG, acredita que este seja o caso de censura mais simbólico dos últimos tempos. “A falta de pluralismo dos donos da comunicação de Minas Gerais é uma afronta ao princípio de liberdade que funda a história dos mineiros”.

Entrevista com João Paulo Cunha

Formado em filosofia, psicologia e jornalismo, João Paulo Cunha trabalha há 25 anos como jornalista, sendo 18 deles no jornal Estado de Minas. Atualmente, era editor chefe do caderno de Cultura, além do caderno TV, Divirta-se e do suplemento que circula aos sábados, o Pensar. Em 2011, João Paulo lançou o livro “Em busca do Presente”, com artigos publicados na sua coluna “Olhar”.

Brasil de Fato – Na sua opinião, o que motivou a censura jornalística a você?

João Paulo – O jornal, como todos, tem uma linha editorial própria, sobre a realidade política, social e econômica. Isso é legítimo. Como eu tenho uma linha de pensamento diferente, que discordava do jornal, avisaram que eu estava a partir daquele momento proibido de escrever ideias sobre política.

Pra você, é admissível que donos de um jornal ditem o que os jornalistas vão escrever?Não. Acho inadmissível que um jornal censure seus profissionais. A luta histórica que tivemos no Brasil é para termos o jornalismo como instrumento de cidadania. Ao censurar a imprensa ou o jornalista, você está tirando dele o mais importante, que é a liberdade de expressão e a possibilidade de trazer várias visões de mundo.

Sempre há denúncias de que há censura no Estado de Minas, inclusive durante as eleições. Isso realmente acontece?

Na minha área de trabalho, que é a cultura, nunca tive nenhum tipo de cerceamento com relação aos conteúdos. Mas ficou nítida nessa última eleição uma linha explícita a favor de Aécio Neves, sempre positivando as ações dele, e críticas e negativas a Dilma Rousseff. Hoje há um nítido direcionamento, que favorece Aécio.

Por que isso prejudica o jornalismo?

A base do nosso trabalho é ampliar a capacidade das pessoas de se relacionar com o mundo, para tomar suas decisões da melhor forma e viver em sociedade. Quanto mais informação ele divulga, maior o compromisso do jornal com a sociedade. Se você limita as ideias a apenas uma posição, você está impedindo que o jornalismo faça o que é sua função essencial: levar informação de qualidade, reflexão e visão de mundo plural pra todas as pessoas.

Editor do jornal Estado de Minas é censurado e pede demissão | Brasil 24/7

14/10/2014

Folha acha feio tudo o que não é espelho

Folha ditaduraA propaganda descarada da Folha não se mede apenas na depreciação da Dilma e demonização de Lula e do PT. Se dá também pela auréola de santidade com que festeja cada ato dos correligionários de d. Judith Brito. O endeusamento de FHC se reside exclusivamente nas cozinhas das redações dos a$$oCIAdos do Instituto Millenium. Não houve nem haverá notas que maculam a divindade olímpica do ventríloquo da CIA no Brasil. Mesmo quando foi descoberta a compra da reeleição, admitida e comprovada, não houve uma linha sequer nos grupos mafiomidiáticos. Todas as chicanas do PSDB foram engavetadas pelo Geraldo Brindeiro ou escondidas por Gilmar Mendes.

Há um caso clássico da confusão entre a velha mídia e a roubalheira perpetrada pelo PSDB. Trata-se dos desvios feitos por Robson Marinho. As Justiças da Suíça e da Alemanha já condenaram, respectivamente, as empresas Alstom e Siemens, mas no Brasil há um silêncio ensurdecedor só porque todos os envolvidos são do PSDB.

No Brasil, o único partido que tem salvo conduto da justiça, do ministério público e da polícia para roubar é o PSDB. Na do que fazem resulta em punição. Esse conluio mafioso só vai  acabar quando houver no Brasil um Di Pietro. Infelizmente, ainda não nasceu…

Onde está a ANJ que, nestas horas, não aparece para falar em liberdade de expressão, em defesa dos jornalistas?!

Xico Sá explica demissão da Folha por declaração de voto em Dilma

ter, 14/10/2014 – 17:08

Atualizado em 14/10/2014 – 17:10

Jornal GGN – O jornalista Xico Sá escreceu uma carta aberta a seus leitores para explicar a demissão recente da Folha de S. Paulo. Segundo ele, o episódio aconteceu em função de um artigo que ele escreveu e insistiu para que fosse publicado em sua coluna no caderno de Esportes. Era sobre o fla-flu eleitoral deste ano, com direito a afagos em Dilma Rousseff (PT), a quem credita o melhor projeto de governo. A polêmica caiu na internet após Xico Sá reclamar não só da falta de espaço, mas da cobertura parcial da grande mídia, que não publica denúncias sobre alguns políticos.

"Meu reclamo é/era pontual; por que só os caras de um lado são responsabilizados pela história universal da infâmia e ninguém publica, para valer, o ‘rebuceteio’ – para usar um clássico da pornochanchada nacional – do outro lado da suruba pornô-política, querido Reinaldo Moraes? É muito desequilíbrio. É praticamente jornalismo de campanha. Não cobertura", disparou.

Leia a nota na íntegra.

NOTA AOS LEITORES E AMIGOS

Caríssimos amigos & leitores, pretendia nem mais falar desse assunto, mas devido à forma como se alastrou –rizomáticos riachos e riachinhos delleuzianos & gonzaguianos em busca do velho Chico em anos de bom inverno no Navio e no Pajeú-, creio que devo alguma satisfação na praça, além dos "pinduras" morais e existenciais de sempre. Valha-me meu bom Deus, viver é dívida, canelada e dividida de bola.

Como só os galãs vencem por nocaute, procurarei, mal-diagramado por natureza que sou, triunfar nessa luta por pontos, minando, nas cordas do ringue ideológico, vosso juízo emprenhado pelas redes sociais. Vamos lá;

1) Não há herói nenhum nesse episódio. O máximo que chego é a anti-herói macunaímico ou ao João Grilo do cordel teatralizado pelo bravo Suassuna. E olhe lá, e olhe lá, amiga Karina Buhr, eu só quero tocar meu tamborzinho cósmico.

2) Como já informaram alguns sites, pedi demissão do meu posto de colunista (do caderno de Esportes) da Folha, jornal com o qual mantenho uma velha relação de duas décadas, entre idas e vindas, furos, erramos assumidos variados, pés-na-bunda de ambas as partes, grandes momentos, crises profissionais e esticadas D.Rs (discussões de relação) gutenberguianas.

3) Eis que na sexta-feira, 10/10, mandei a coluna em cima da hora, só para variar. Nas linhas tortas -o velho Graça me entenderia nessa hora, embora corrigisse a minha escrita adjetivosa-, tratava do Fla-Flu eleitoral, defendia que os jornais saíssem do armário –como as publicações americanas- e tecia queixas à cobertura desequilibrada da Folha e da imprensa no geral. E repare que a Folha, senhoras e senhores, é bem melhor em se comparando aos outros jornalões, vide grande revelação do aeroporto privado de Aécio e o mínimo questionamento do choque de gestão nas Gerais, esse fetiche econômico insustentável até para a Velhinha de Taubaté do meu amigo Veríssimo.

Bem, como eu ia falando, defendia na coluna que os jornais assumissem suas explícitas posições, donde encerrei o desabafo gonzo-lírico-político usando o direito de declarar minha preferência pela Dilma.

4) A direção do jornal entendeu que o texto feria um dos princípios da casa; o de não permitir fazer proselitismo político ou eleitoral em favor de nenhum candidato. Sugeriu, civilizadamente, que alterasse o texto. Prosa vai, prosa vem. Refleti e mantive a escrita. Argumentei que outros colunistas, de alguma forma, feriam o princípio interno, no que me acho prenhe de razão, né não? Ou seriam textos inocentes?

5) Finquei pé, mais honra do que birra, pantins e queixumes. A direção do jornal sugeriu que eu poderia publicar, porém na página 3., na segunda-feira. É a página de "tendências & debates", na qual convidados, não gente da casa, manifesta livremente suas opiniões, inclusive de voto. Migrar para um espaço de "forasteiros" não me fez a cabeça, não achei que fosse a solução para o impasse. Qual o faroeste dos irmãos Cohen, achei que também teria o direito de ser, pelo menos um dublê, à esquerda, dos caras que botam para quebrar nas suas colunas da Folha. O faroeste moderno se chama "Onde os fracos não têm vez".

6) Daí o meu pedido de desligamento como colunista do jornal, função que exercia na figura de PJ (pessoa jurídica mediante nota fiscal), não como funcionário contratado pelo grupo Folha.

7) No dia seguinte, não mais na condição de colunista, soltei uma saraivada de posts de escárnio e maldizer nas redes sociais, em um espasmo de ira & lirismo que defini, no twitter, como um manifesto gonzo-político livremente inspirado na minha atual releitura de Hunter Thompson e na memória do genial Nezinho do Jegue, personagem de "O Bem Amado", do baiano Dias Gomes, que, uma vez alcoolizado, insultava a humanidade. Eis um direito divino, dionisíaco, um direito dos malucos, além muito além de todas as Constituições, como diria o gênio-mor Antonin Artaud e seu duplo.

8) Um dos posts dessa performance dionisíaco-tuiteira-brizolista, meu caro e amado Zé Celso, vociferava também contra os petistas, considerando que não desejava o (inevitável e irrefreável) uso da minha opinião como propaganda oficial. "Phueda-se o PT", com PH e tudo, dizia este monstruoso cronista. Relembrava que o governo do PT e de todas as siglas da sacanagem alfabética têm que ser investigados sim. Meu reclamo é/era pontual; por que só os caras de um lado são responsabilizados pela história universal da infâmia e ninguém publica, para valer, o "rebuceteio" –para usar um clássico da pornochanchada nacional- do outro lado da suruba pornô-política, querido Reinaldo Moraes?

É muito desequilíbrio. É praticamente jornalismo de campanha. Não cobertura.

9) O pedido de demissão. Finalmente explico. Mais demorado do que a declaração de voto da queridíssima Marina, que infelizmente esqueceu a nova política na qual eu caí feito um patinho de primeiro turno na lagoa Rodrigo de Freitas.

A demissão. Suspense à Hitchcock.

Vixe. Volver a los 17, como cantaria Mercedes Sosa, a quem escuto ao fundo dessa escrita, alternando com Nação Zumbi, óbvio. Volver à minha pobre coluneta do caderno de Esporte da Folha. Defendi meu patrimônio imaterial único e universal, quase um sufrágio, meu direito, daí o finca-pé que resultou no meu pedido de afastamento do universo folhístico.

Ingenuidade achar que, em período de extremada passionalidade e justíssima crítica ao desequilíbrio na cobertura da "imprensa burguesa" (outro termo vintage comuno-anarquista usado e abusado nos meus posts com toda sinceridade desse mundo) neguinho não fosse compartilhar essa bagunça barroca toda, agora falo com meu irmão Wally Salomão, para o que der e viesse. Rede social é como aquela parada bíblica do olhai os lírios do campo, eles não tecem, eles não fiam…

10) Enfim, o resto é barulho, mas creio que narrei, com alguma vantagem pessoal comum aos narradores de primeira pessoa, a onda toda –ai de mim, amigo Walter Benjamin! Donde reafirmo, não há heroísmo algum além de uma refrega dramática de um velho cronista, talvez um pouco ultrapassado e dionisíaco, com la prensa burguesa, reafirmo o clichê da velha bossa, afinal de contas renascemos sempre num Cocoon metafísico de águas imaginárias e milagrosas.
Como diria, agora meu brother Arnaldo Baptista, quero voltar pra Cantareira.

Deus abençoe os velhos e as crianças, eis meu dizer sobre essa confusão toda que eu achei tão normal como falar do seu candidato no boteco da esquina, era assim na vida antigamente.
Por que isso virou tão chato e eu não posso?

Justo num texto tão babaca, defendendo uma candidatura que só consegue ser mil vezes melhor do que Aécio mesmo. Afinal de contas essa peleja é um W.O. da porra. Ou deveria ser para quem tivesse juízo.

Ah, cadê a dialética do esclarecimento das espumas flutuantes dos mares de cerveja, viejo Wander Wildner?

Aliás, por que eu não poderia escrever aquele texto babaca, aliás eu tenho sido um péssimo cronista, tanto de amor como de futebol, preciso me reciclar, reler todo o Machado de Assis, ele me ensina, também relatei isso aos meninos folhais.

Eu careço ouvir todo Jards Macalé, meu ídolo. Esse episódio cá Folha, aliás, não é político, é ridículo se pensamos na grandeza da vida. As folhas das folhas da relva, menino Holden, é o que doravante me interessa como razão de viver debaixo de uma árvore ou sob o guarda-chuva moral dos caras que viram polícia do texto sem saber que uma besteirinha de nada pode virar idiotice e totalitarismo.

Agora voltei de vez para "O Apanhador…", mas, juro, me perdõe, pela confusão toda com o jornal, com as redes sociais e qualquer coisa. Como dizia Holden, "gosto de Jesus e tudo, os apóstolos é que são uns chatos."

Beijos, Xico Sá, Copacabana, primavera do ano da graça de 2014

Xico Sá explica demissão da Folha por declaração de voto em Dilma | GGN

01/09/2014

Instituto Millenium acusa, julga e condena Poder Judiciário

Foi mais rápido do que eu pensava. Chegou o dia em que os a$$oCIAdos do Instituto Millenium dispensam a intermediação do Poder Judiciário nos conflitos sociais. A velha mídia tomou para si o papel de polícia, promotora, defesa e juiz. Por isso pode desde logo botar o Poder Judiciário contra a parece e baixar a sentença: condenado. A pergunta que não quer calar é porque estes mesmos veículos não se juntaram para denunciar a censura na ditadura? Claro, foram eles os responsáveis pela implantação da ditadura. Conviveram pacificamente com a ditadura. Tanto que a ditadura para a Folha foi ditabranda.

Não contentes e ditarem que pode falar e quem deve silenciar, agora também querem julgar.

Ou a democracia acaba com o entulho da ditadura das cinco irmãs (Abril, Folha, Estado, Globo & RBS) ou elas ainda vão reimplantar a ditadura.  A RBS, em franca decadência, sobrevive por aparelhos: aparelhos ideológicos… Graças a finanCIAdores, a RBS sobrevive vendendo vinho (wine), especulação imobiliária (Nex Group), eventos (Engage Eventos).  Para consolidar o poder desova, todos os anos, agentes para se infiltrarem no poder público para drenarem recursos para a RBS. Foi assim com Antonio Britto, que deu de mão beijada a CRT para a RBS. Com Yeda o negócio foi outro, tentou mas não conseguiu: transferir o Asilo Padre Cacique para a RBS construir um amplo complexo imobiliário. Depois, tentou derrotar o Inter com a Andrade Gutierrez para poder se aliar a um grupo de empresários gaúchos para construir um shopping e um complexo hoteleiro. Deram com os burro n’água.

Aí a RBS vende dois gatos por lebre numa única tacada: Ana Amélia Lemos e Lasier Martins. Conta com os dois e senso de manada que por vezes ataca o povo bovino gaúcho para voltar a controlar os cofres públicos gaúchos. Será a chance de sobreviver. Se a funcionária não vencer o Piratini, a RBS vai virar uma grande loja vendedora de vinhos. Tão falsos quanto o noticiário de sexta que ela vende no domingo.

Me apontem uma única pessoa inteligente que ainda assina Zero Hora?

A “liberdade de expressão” da grande imprensa nas eleições

seg, 01/09/2014 – 17:46

Atualizado em 01/09/2014 – 17:46

Patricia Faermann

Jornal GGN – Folha, Estadão, Uol, Zero Hora, Gazeta do Povo, Google, Ibope e Datafolha uniram-se para lançar um portal que monitora processos judiciais contra publicações da imprensa sobre candidatos às eleições de 2014. A ideia original e, em um primeiro momento, de interesse público busca mostrar a censura judicial praticada por candidatos, de acordo com partidos e regiões brasileiras, tornando-se um censo e mapeamento de postulantes aos cargos representativos que bloqueiam a ampla e livre divulgação das informações que os eleitores têm o direito de saber.

Entretanto, os únicos veículos de comunicação que podem fazer o registro das ações sofridas são os parceiros, acima descritos, ou seja, restrito à grande imprensa. A ideia passa a ser, portanto, fazer um balanço das tentativas de bloqueio de informações da grande mídia.

"Os casos de censura judicial aumentam durante o período de eleições, quando candidatos tentam evitar que portais, redes sociais, blogs e publicações on-line noticiem informações que consideram negativas a suas candidaturas", informa a abertura da nota oficial do projeto "Eleição Transparente", uma contradição ao que de fato ocorre.

A base de dados é fornecida e atualizada diariamente pelas empresas, que se cadastram e preenchem um formulário com detalhes sobre a notificação judicial. Mas os nomes desses meios de comunicação não são divulgados na plataforma do projeto.

"Quem alimenta a base de dados são representantes legais de empresas que foram intimadas pela Justiça Eleitoral por causa de publicação de informações", é a explicação. "O portal Eleição Transparente é organizado pela Abraji com a ajuda de empresas de mídia e tecnologia que costumam ser alvos de processos de supressão de informações em período eleitoral", diz outra descrição sobre o projeto.

O segundo ponto em observação é que os únicos candidatos a presidência apresentados pela plataforma que entraram com processo contra a divulgação de informações, até o dia de hoje (01), são Luciana Genro (PSOL) e Dilma Rousseff (PT). Aécio Neves, candidato pelo PSDB, que possui, no mínimo, duas ações contra o Google, não consta no monitor. A ausência de um dos processos poderia ser explicado pelo fato tramitar em segredo de Justiça – informação esta que deveria estar exposta na plataforma.

O Jornal GGN entrou em contato com a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativa (Abraji), a responsável por reunir as empresas e consolidar o projeto, para verificar o motivo. Enviamos o seguinte email a José Roberto de Toledo, jornalista do Estadão e presidente da Abraji:

"Olá, Toledo.

Estava conversando com Laury Bueno, que me tirou algumas dúvidas sobre o projeto ‘Eleição Transparente’. Em primeiro lugar, parabéns pela iniciativa.

Mas tive uma dúvida com relação a ações de candidatos que correm em segredo de justiça. Laury me respondeu que esses processos não são inseridos no sistema pelas empresas parceiras.

Entendo o teor do sigilo, mas questionei se omitir essas ações, mesmo que sem apresentar detalhes (apenas divulgando os nomes das partes, por exemplo), não seria ir na contramão do projeto, que busca deixar transparente as tentativas de censura.

Ele me passou o seu contato e agradeceria se pudesse me fornecer um posicionamento.

Obrigada, e aguardo o retorno".

A Abraji não respondeu ao questionamento de se omitir ações em segredo de Justiça, e enviou o seguinte posicionamento:

"Se não acreditássemos que o projeto ajudaria a medir o volume e dar publicidade aos casos, obviamente, não teríamos nos dado ao trabalho de fazê-lo. O site dá o link para o repórter minimamente investido no assunto ler tudo sobre o processo no próprio site da justiça eleitoral: não só ver do que se trata, mas também ter um acompanhamento em tempo real do seu andamento. Tudo a um clique de distância. Se isso é ir na contramão da transparência, eu gostaria de saber o que é a mão.

Atenciosamente

Jose Roberto de Toledo".

Ainda assim, outra ação de Aécio Neves (PSDB) contra o Google e uma contra o Facebook não estão em sigilo e não constam no portal.

A fim de entender a ajuda de "medir o volume e dar publicidade aos casos", o Jornal GGN testou a plataforma e pesquisou as ações sofridas pela empresa Folha da Manhã S/A, do jornal Folha de S. Paulo. O grupo tem 2 processos, um pelo PSB e outro não especificado o partido. Quando clicado, o cargo do candidato também não foi especificado. Quando a ação é acessada, verifica-se que o processo é da coligação Juntos com o Povo, liderada pelo PSDB, com PSD, PSB, PP, SD, PRB, PSC, PTB, PPS, PEN, PMN, PTC, PSDC, PTDOB, PRP.

Ainda que a ação de Aécio Neves não estivesse em sigilo, seu nome ainda poderia não aparecer na lista de candidatos, por se utilizar da coligação ou nome do partido em ações judiciais, como foi o caso da Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) 5136 contra a Lei Geral da Copa, sancionada pela presidente Dilma Rousseff. O processo foi protocolado em nome do partido, e não do candidato.

Mais uma curiosidade sobre a plataforma: os dados são compilados e visualizados por Partido, Cargo, Candidato, Empresa ou por Unidade Federativa. Neste último, logo verifica-se que o balanço é imparcial, uma vez que a maioria das publicações concentram-se na região sul e sudeste.

Como informado por José Roberto de Toledo, o objetivo da publicidade será alcançado. Da liberdade de expressão, não.

A “liberdade de expressão” da grande imprensa nas eleições | GGN

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