Ficha Corrida

13/09/2015

Os assassinos estão soltos e tem ódio de Dilma, Lula e o PT

ditadura militarPara os midiotas que perambulam com a Marcha dos Zumbis pedido o afastamento da Presidenta e espumando pela boca palavras de ódio ao Lula, ao mesmo tempo em que pedem a volta da ditadura, bastaria este único  caso para mostrar como funciona um governo aos moldes do que propugnam. Aos desavisados que ainda não se deram conta dos reais motivos de ódio e perseguição ao PT e seus líderes, eis aí a prova de como eles entendem como deve funcionar a vida em sociedade. Com isso não estou querendo dizer que o PT não tenha cometido erros, mas não há nada que se possa atribuir aos dois, Lula e Dilma, a perseguição diuturna dos perdedores das últimas eleições. Até porque graças ao republicanismo deles já não há lugar para Geraldo Brindeiros, porque, se quisessem, haveria ainda hoje candidatos a Engavetador Geral. Rodrigo de Grandis está aí para provar o que estou dizendo.

Não podemos nos esquecer que havia finanCIAdores ideológicos, os mesmos que hoje patrocinam o golpe, nos porões do DOI-CODI. E eles participavam nas sessões de tortura e estupro. Depois também emprestavam peruas para transportarem os corpos violados e mutilados ao Cemitério de Perus.

Convém lembrar que este tipo de acontecimento tinha a proteção de todos os atuais associados do Instituto Millenium. Lei Rubens Ricúpero veio à luz durante o governo Itamar Franco, via Carlos Monforte, mas a prática já era rotina nos grupos mafiomidiáticos. O exemplo mais contundente desta prática foi o comício das Diretas Já, no Vale do Anhangabaú, que reuniu 1,5 milhões de manifestantes, mas que a Rede Globo noticiou como se tivesse sido comemoração pelo aniversário da cidade. Hoje, quando vemos personagens obtendo espaço na Rede Globo para exporem seus desrespeito à democracia temos o mau costume de criticar as personagens, não aquela que a convocou. Não, não é Aécio o golpista, é a Rede Globo que o usa para golpear. Não é Sartori que é uma mequetrefe, é a RBS que o enfia pela goela dos midiotas gaúchos.

O “agente Guarany”, a bomba e o poder da foto

Por Fernando Brito · 12/09/2015

riocentro

A conclusão – 35 anos depois – da apuração sobre a autoria, intelectual e material, do torpe assassinato de D. Lyda Monteiro, secretária da Ordem dos Advogados do Brasil, na explosão da carta-bomba dirigida ao presidente da instituição, Eduardo Seabra Fagundes, já nos estertores da ditadura no Brasil, não é o ponto final desta chaga na história brasileira recente.

Agora, cabe à Procuradoria Geral da República – mais especificamente ao Dr. Rodrigo Janot – decidir se o caso vai ou não à Justiça, porque não está coberto sequer pela Lei da Anistia – promulgada no ano anterior ao crime – mas por uma alegação de prescrição que, afinal, só pode ser alegada se aceitar-se como legítima toda a “operação-abafa” que envolveu o episódio por décadas.

Antes de reproduzir um trecho do post de Auler – a íntegra está aqui – não posso deixar de prestar uma homenagem a Aníbal Philot – já morto – com quem trabalhei no início de minha carreira, em 1978, cuja foto histórica do atentado do Riocentro, meses depois da bomba na OAB, permitiu identificar com certeza o autor material daquele crime: o ex-sargento do DOI-CODI Magno Cantarino Motta, o “Agente Guarani”, visto no elevador que conduzia ao escritório do presidente da corporação por um ex-colega de quartel.

Dos olhos da testemunha e das lentes de Philot, que não se esmaeceram, saiu a verdade que tantos tentaram apagar.

O Mensageiro da Morte

Marcelo Auler (trecho)

Ao longo destes 35 anos, muitas pessoas apontaram para o agente “Guarany” como o portador da carta-bomba. O próprio, em 2014, ao ser procurado pela jornalista e pesquisadora da CEV-Rio, Denis Assis, parecia querer falar sobre o caso, mas recuou por interferência de sua mulher.

Havia evidências e testemunhos, faltava, porém, quem o reconhecesse como o homem visto com a carta-bomba na sede da OAB. Isto foi conseguido pela CEV-Rio, na semana passada, quando uma testemunha que se encontrava no prédio da Avenida Marechal Câmara, centro do Rio, e cruzou com o portador da carta-bomba, o reconheceu nas fotos apresentadas por Denise de Assis, na presença de Felipe Monteiro.

O agente paraquedista não agiu sozinho. Segundo depoimento do ex-delegado de Policia Civil do Espírito Santo, Claudio Guerra, o chamado autor intelectual do plano foi o já  falecido coronel Freddie Perdigão Pereira, que por muito tempo atuou no CIE (Centro de Informações do Exército), mas também teve participação ativa no DOI-CODI/RJ e na agência do Rio de Janeiro do Serviço Nacional de Informações (SNI), onde estava quando decidiu pelo envio da carta-bomba.

O terceiro militar envolvido também já está morto. Trata-se do sargento Guilherme Pereira do Rosário, paraqudeista da turma de Guarany, especialista em explosivos. Ele montou o artefato levado por Guarany à OAB, em uma oficina de um primo seu, como revelou à CEV-Rio o ex-delegado Guerra,  que convivia com todos eles, principalmente com Perdigão.

Rosário faleceu ao tentar executar um novo atentado que, pelas evidências levantadas, partiu do mesmo grupo de militares: a explosão de uma bomba no show em comemoração ao dia do trabalhador, no Riocentro, Zona Oeste do Rio, em 30 de abril de 1981. Acabou sendo a única vítima fatal da bomba que ele próprio montou. Com ele estava o então capitão Wilson Dias Machado, que mesmo bastante ferido conseguiu sobreviver.

Na noite do atentado do Riocentro, Guarany estava no local. A foto dele acima  é um recorte de uma foto maior em que ele aparece ao lado do Puma onde seu colega de farda e de quartel, Rosário, faleceu com a bomba no colo. Segundo explicou à CEV-Rio o coronel Paulo Malhães, o artefato explodiu quando a corrente do relógio do sargento fez o contato com os polos positivo e negativo do artefato.

Como nesta sexta-feira lembrou o jornalista Chico Otávio em reportagem em O Globo, Rosário, dias depois do atentado à OAB, foi encontrado por duas parentes de Lyda Monteiro na beira do túmulo dela, chorando, como se estivesse pedindo desculpas. As duas senhoras só vieram a saber a identidade daquele estranho visitante quando da sua morte no Riocentro, através das fotos divulgadas pelos jornais.

Nas entrevistas dadas à CEV-Rio nos meses de fevereiro e março de 2014, Paulo Malhães, ao ser questionado sobre a possível participação de Guarany na morte de Lyda, admitiu o envolvimento, apenas ressalvando que ele não seria o autor da ideia.

– Eu conheço o Guarany. Pode até ter sido enviado por alguém para colocar essa bomba. Partir dele, não.

Além de Guerra, dois outros companheiros de Guarany revelaram  à CEV-Rio que é ele quem aparece no retrato falado feito na Policia Federal, em 1990, em um segundo inquérito o qual, controlado pelo próprio Perdigão, tentou jogar a responsabilidade no americano  Ronald James Watters, que acabou inocentado pela Justiça por falta de provas.

Valdemar Martins, também paraquedista da turma de Guarany e Rosário, no último dia 3 confirmou o que já havia dito em 2014 à Denise Assis:

-Na época em que eu estive ai dando o depoimento para vocês, vi algumas fotos. Falei que era o Magno Cantarino Motta. Um agente que era sargento paraquedista, que serviu na mesma unidade que eu, junto com o Guilherme Rosário, ai no Rio de Janeiro. Era o agente Guarany. Confirmo que era o Magno Cantarino Motta, sargento paraquedista que serviu na minha unidade.

-Então podemos considerar um depoimento oficial para a CEV-Rio, uma declaração sua de que reconheceu aqui na sede da Comissão o paraquedista Magno Cantarino, o agente Guarany, como autor da entrega?

– Sim.
Sim, o autor da entrega. Mas não o único autor do crime.

O “agente Guarany”, a bomba e o poder da fotoTIJOLAÇO | “A política, sem polêmica, é a arma das elites.”

30/12/2013

STF: liberal, com a mulher dos outros

Filed under: Lei de Anistia,Manipulação,Poder Judiciário,STF — Gilmar Crestani @ 9:08 am
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Um STF autoritário, covarde, conservador, excludente e tendencioso, como sempre

Por Obelix
O STF: Uma corte de exceção como regra
Amigos,

ninguém mais duvida da influência da mídia nos trejeitos, caras e bocas dos juízes do STF durante o julgamento da ação 470, e o quanto foi conveniente o calendário dos atos ali encenados.

Mas o mais grave não é esta promiscuidade entre judiciário e a pressão de determinados setores com mais capacidade de vocalizarem suas demandas.

Alguém já disse lá embaixo, e em outro post (sobre o livro de Luís Flávio Gomes) algo que também vai nesta direção, isto é: que sempre houve um espaço reservado no senso comum para movimentos de manada (seja da mídia, setores dela, parte da sociedade, ou sua maior parcela) tragicamente correspondidos por legisladores, e também por juízes.

Não raro, mandatários executivos também tendem a reagir a eventos que alimentam a comoção popular.

Esta é a nossa sociedade do espetáculo.

No entanto, no caso do STF, e do Poder Judiciário, eu venho há dias repetindo a mesma cantiga:

Não se trata de um episódio isolado, ou seja, "um ponto fora da curva"(como dizem alguns), onde o STF e o Poder Judiciário deixaram de ser comportar, excepcionalmente, como uma vanguarda progressista e destinada a significar nossos melhores modos civilizatórios, ao contrário: nosso Poder Judiciário e sua corte mais alta são os esteios permanentes da estrutura conservadora de poder, dos privilégios da elite, do reacionarismo que imobiliza mudanças.

Esta é a natureza do Judiciário e do STF. Sempre foi assim, e sempre será, se nada fizermos, e tanto fez ou fará quem escolhermos para sentar naquelas cadeiras, pois a movimentação do escolhido se faz para ser aceito entre os seus pares, e não para corresponder às expectativas de quem o indicou. Esta é a conformação deste poder tão atípico dentre outros de caráter democrático e eleito: o Poder Judiciário.

Por ser formatado desta maneira, quase como um "poder moderador", ora instrumentalizado pelas elites, ora agindo em nome destas, temos uma corte que sempre tratou os políticos antissistema como párias, e os integrantes das classes mais pobres com absoluta indiferença, enquanto sempre reservou aos mais ricos e seus prepostos todos os direitos e celeridade possíveis, como imaginar que eles se portariam com decoro e senso de justiça com políticos do PT e de sua base?

Favor não confundir senso de justiça e decoro com celebração a impunidade. O que se esperava aos acusados não eram "facilidades", mas apenas o que lhes era devido: um julgamento justo, que deveria começar com o ataque nos juízes a denúncia oferecida pelo MPF, um monte de asneiras, que em nenhuma outra situação, em nenhuma outra corte ao redor do planeta (talvez na Coreia do Norte, como sempre invocam os olavetes e jaboristas) seriam tratadas como peças acusatórias sérias.

Como diz o ditado: o que começa mal, nunca termina bem.

Digo e repito:

Foi o STF que manteve a absurda lei de anistia.

Foi o STF, MP, e o Judiciário que ajudaram os neoliberais a criminalizar cada movimento social deste país, desde sindicatos dos petroleiros, MST, professores, SEM TETO, etc, enquanto de outro lado, silenciaram para cada lance da privataria.

Foi o STF que soltou Daniel Dantas em tempo recorde e aniquilou a Operação Satiagraha.

Foi o STF que liberou o médico estuprador.

Foi o STF que liberou Cacciola, que só foi preso lá fora por um golpe de sorte.

Foi o STF, o MP e o Judiciário que se calaram durante 25 anos de tortura e arbítrio.

É esta estrutura que permite que 65% dos presos sejam pretos e a quase totalidade de todos eles (pretos e brancos) sejam pobres.

Então, caros amigos e amigas, vamos combinar que o STF na ação 470 seguiu, rigorosamente, o roteiro imposto por sua natureza, é claro, com toda a perfumaria midiática, mas ainda assim, um STF autoritário, covarde, conservador, excludente e tendencioso, como sempre.

Uma boa maneira para refletirmos e mudarmos aquilo que nos incomoda é começarmos a chamar as coisas pelos nome que elas têm.

E o STF é isto. A mídia só dramatizou e ampliou as entranhas do monstro. Mas ele sempre esteve lá.

30/05/2013

Conhecerás a verdade e só verdade te emputecerá

Filed under: Comissão da Verdade,Ditadura,Golpe Militar,Lei de Anistia — Gilmar Crestani @ 7:56 pm
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Brasil se estremece con los relatos de torturas de las mujeres de la dictadura

"Yo lloraba y les pedía que me mataran. Ellos se reían. Eran los dueños de nuestras vidas y de nuestras muertes”, cuenta una víctima

Juan Arias Río de Janeiro 29 MAY 2013 – 21:42 CET55

Las mujeres que fueron torturadas durante la dictadura militar brasileña, en algunos casos por militares aún vivos, están desfilando ante la Comisión de la Verdad, instituida por la presidenta Dilma Rousseff para sacar a la luz las sombras aún ocultas de aquel período.

Días atrás, Amnistía Internacional había pedido a la presidenta que contase en público cómo había sido torturada por los militares durante los tres años que estuvo presa. No sabemos si acabará haciéndolo antes de que la Comisión concluya sus trabajos, a finales del año que viene.

Mientras tanto, los relatos de las mujeres están impresionando a la opinión pública brasileña que, con motivo de la ley de Amnistía sellada por ambos bandos acabada la dictadura militar para facilitar el paso a la vuelta de la democracia, ha vivido una especie de silencio sobre los horrores de aquellos años de terror.

“Yo lloraba y les pedía que me mataran. Ellos se reían. Eran los dueños de nuestras vidas y de nuestras muertes”, ha contado la cineasta, Lucía Murat, que estuvo presa durante tres años y medio. Tentó dos veces el suicidio mientras estuvo presa. “Sufrí la peor sensación de mi vida, la de no poder morir”.

Su cuerpo quedó parcialmente paralizado a consecuencias de las torturas. Además de los choques eléctricos mientras estaba colgada, colocaban cucarachas sobre su cuerpo (los agresores llegaron a poner una en su vagina). Lucía sufrió también lo que ha calificado de “tortura sexual científica”.

“Me colocaban desnuda con un capuchón en la cabeza, una cuerda enrollada en el cuello pasando por la espalda hasta las manos, que estaban atadas detrás de la cintura”. Mientras el torturador la violentaba ella no podía defenderse. “Si intentaba mover mis brazos para protegerme yo misma me ahorcaba”.

La cineasta ha querido señalar que aceptó relatar su experiencia no por venganza o masoquismo, sino porque considera “fundamental contar estas cosas y dejar de manifiesto que durante la dictadura en Brasil fueron practicados crímenes contra la humanidad”.

Otra de las mujeres que ha hecho su confesión ante los miembros de la Comisión de la Verdad ha sido la historiadora Dulce Pandolfi, que era estudiante de Ciencias Sociales en la Universidad Federal de Pernambuco cuando fue apresada. Ese mismo año, 1968, había ingresado en el grupo de Acción Libertadora Nacional (ALN), organización de la izquierda armada.

Fue detenida el 20 de agosto de 1970. Recuerda la frase que le dijo un militar en el momento en que entró en el cuartel de la Policía del Ejército: “Aquí no existe Dios, ni Patria, ni familia. Sólo nosotros”.

Además de todo el ritual de torturas a las que eran sometidas las mujeres, Dulce sufrió el miedo de sentir un cocodrilo vivo sobre cuerpo. Durante una de las sesiones de tortura se desmayó. Llamaron al médico que la examinó y este les dijo a los torturadores: “Aún aguanta. Pueden continuar”.

En una ocasión la usaron como conejo de indias en una clase para aprendices de torturadores. Oyó decir, mientras la colgaban: “esa es la técnica más eficaz”. Al final de la clase le dijeron que la iban a ejecutar: “Me levantaron el capuchón, me mostraron un revólver con una sola bala y estuvieron jugando a la ruleta rusa”.

La entonces estudiante universitaria pasó por varios presidios. En total estuvo presa y fue sistemáticamente torturada durante un año y cuatro meses. “Es muy duro recordar aquella situación, pero es fundamental para que podamos construir un país más justo y más humano”, dijo al retirarse, visiblemente emocionada, ante el pleno de la Comisión de la Verdad.

Por haber sido sancionada constitucionalmente la ley de Amnistía de la dictadura, en Brasil no podrán ya ser condenados los torturadores aún vivos. La Comisión tiene como finalidad arrojar luz únicamente sobre aquellos acontecimientos, muchos de ellos desconocidos hasta hoy.

Brasil se estremece con los relatos de torturas de las mujeres de la dictadura | Internacional | EL PAÍS

24/08/2012

ONU recomenda revogação da Lei de Anistia ao Chile

Filed under: Chile,Lei de Anistia,Lei de Médios,ONU — Gilmar Crestani @ 8:31 am

Agora só falta recomendar a revogação da lei de anistia brasileira. Vai demorar?

Comissão aponta que, apesar de avanços, país precisa reforçar leis sobre direitos humanos

Victor Farinelli/Opera Mundi
Pátio 29, no CemitérioGeral de Santigao, onde foram encontrados restos de centenas de desaparecidos em 1998
Vinte e dois anos após o fim da ditadura Pinochet (1973-2000), o Chile ainda não apagou a herança do autoritarismo em suas leis, o que representa um perigo e precisa ser consertado, afirma uma comissão de investigadores sobre direitos humanos enviada ao país pela ONU (Organização das Nações Unidas).
Segundo ela, os problemas principais residem na vigência da Lei de Anistia e na omissão, no Código Penal chileno, à figura jurídica dos desaparecimentos forçados durante aquela época.
Liderados pela bósnia Jasminka Dzumhur e pelo argentino Ariel Dulitzki, o GTFDI (Grupo Trabalho das Nações Unidas Sobre Desaparições Forçadas ou Involuntárias) iniciou sua visita ao Chile na semana passada, a convite do governo, para avaliar os avanços realizados pelo país com temas relacionados aos direitos humanos.
Durante oito dias, o grupo se reuniu com o presidente da República, Sebastián Piñera, autoridades dos três poderes e das Forças Armadas, visitas ao Museu da Memória e diligências a locais usados como centros de tortura durante a ditadura. Eles foram acompanhados por representantes da AFDD (Agrupação de Familiares de Detidos e Desaparecidos Políticos) e do IML (Instituto Médio Legal).
Victor Farinelli/Opera Mundi
Ariel Dulitzky e Jasminka Dzunhur, investigadores que comandaram as ações da comissão da ONU no Chile
Segundo Dulitzki, o Chile é um dos países que mais tem combatido e punido crimes a direitos humanos, porém, ele lamenta que todos os casos de reparação da verdade histórica observados até agora tenham partido de iniciativas da sociedade civil, e não dos governos democráticos. “Desde o retorno da democracia, nenhum governo chileno adotou uma política clara de defesa da verdade em casos de desaparições forçadas. Uma das nossas recomendações é que, daqui por diante, haja um esforço nesse sentido”, disse.
Dulitzki afirmou também que os entraves para maiores avanços do país na matéria estão na legislação penal, que omite completamente o tema dos desaparecimentos forçados ou involuntários. “Aqueles que foram condenados no Chile por desaparecimentos políticos foram enquadrados na figura jurídica do ‘sequestro qualificado’, que é insuficiente, pois abrem precedentes para alguns problemas, como penas menores do que o devido, prescrições, excessivos benefícios carcerários e a diminuição das penas por supostas razões humanitárias, o que não deveria ser aplicado em crimes contra a humanidade como esses”, explicou.
Outra recomendação importante do grupo foi com respeito à Lei de Anistia, vigente no país desde 1978. Embora esta não tenha impedido a condenação de diversos protagonistas da ditadura chilena, a própria existência da lei já é em si mesmo um risco que precisa ser eliminado, “para que não abra precedentes perigosos com respeito aos crimes investigados hoje, e também para que não fomente a reincidência de práticas abusivas no futuro”.

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No encerramento da visita, nesta terça-feira (21/08), em uma coletiva realizada no Pátio 29, setor emblemático do Cemitério Geral de Santiago onde foram encontrados os restos de centenas de desaparecidos, no ano de 1998), Jasminka Dzumhur agradeceu o inédito convite do governo e a disposição de todas as autoridades políticas para colaborar.
As exceções, segundo Jasminka, ficaram par as Forças Armadas e os Carabineros (polícia militar chilena). “E eles não deveriam ser um obstáculo, pois é importante para a própria instituição que sua imagem seja reivindicada com o exemplo da punição às práticas de abuso”. Uma das principais recomendações do GTDFI, segundo Dzumhur, é que a formação de novos policiais e militares chilenos inclua um conteúdo histórico que ensine aos futuros oficiais sobre as violações aos direitos humanos cometidos pela instituição durante a ditadura, “para que as próximas gerações não cometam os mesmos erros do passado”.
Brasil
Embora o GTDFI não participe das investigações da Comissão da Verdade no Brasil, Ariel Dulitzki diz que a entidade está acompanhando os casos, “sempre valorizando todo e qualquer esforço em restabelecer a verdade, não importa o quão tardio seja”. Elese refere ao fato de que o Brasil é um dos últimos países do continente a realizar uma comissão para investigar os crimes contra os direitos humanos ocorridos em seu território durante governos ditatoriais.
Por outro lado, Dulitzki destacou o fato de a Comissão da Verdade contar com apoio do governo brasileiro e espera que “isso seja parte de uma política de estado específica e duradoura em defesa da verdade histórica”. O observador explicou que o GTDFI jamais enviou uma missão especial no Brasil porque seria preciso um convite oficial de um governo legitimamente eleito para tanto, o que não ocorreu de 1990 até hoje.

Opera Mundi – ONU recomenda revogação da Lei de Anistia ao Chile

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