Ficha Corrida

04/04/2015

Pozzobom + Reuters = FHC

pozzobom y SirotskyDescubra na imagem quem são os três antipetistas & Pozzobom!

Não há nada a acrescentar às palavras do Juremir a respeito do importante papel desempenhado pela imprensa e pelo Judiciário para as relações republicanas.

Um e outro ficaram reais na foto feito por seus comensais. Ninguém melhor do que Jorge Pozzobom, do PSDB, para falar do Poder Judiciário. E porque não uma agência de notícias internacional, como a Reuters, para revelar como a imprensa, principalmente a que defende interesses alienígenas, cuida da imagem de FHC.

Se as pessoas não agissem como manada e tivessem um pouco mais de respeito pela própria inteligência iriam um pouco além do que políticos do tipo Pozzobom ou veículos do tipo Reuters querem nos fazer crer.

Uma imagem que fala por si só. Imaginem de quem os Sirotsky & Pozzobom estão rindo. Da manada gaúcha que os seguem abestados. Eles que agora foram pegos na Operação Zelotes.

Os maiores sonegadores gaúchos. Fazem jus ao Hino Riograndense: “sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra”. Não é pouca coisa. Nossas façanhas não se limitam ao território guasca ou catarinense, mas a toda terra. Ah, eu sou gaúcho…

Sozinha, a RBS pode ter sonegado mais que do que Cerveró, Barusco ou o PP Gaúcho somados desviaram da Petrobrás. “Mas podemos tirar, se achar melhor”…

reuters pozzobom

Podemos tirar se achar melhor

Postado por Juremir em 28 de março de 2015

Nada como uma frase infeliz para fazer a felicidade dos que esperam um pouquinho de verdade. Um lapso também ajuda. As melhores frases dos últimos tempos foram do deputado gaúcho Jorge Pozzobom (PSDB) e de um editor da agência de notícias Reuters. Numa matéria sobre a corrupção no Brasil, baseada em entrevista com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o jornalista referiu-se à declaração do delator Pedro Barusco de que a roubalheira na Petrobras começou na época do governo de FHC. O editor anotou, ao pé da frase, para ser submetida ao entrevistado: “Podemos tirar se achar melhor”. Por esquecimento, a zelosa observação foi publicada. A Reuters pagou mico. Revelou o jornalismo sabujo que blinda alguns e detona outros. Quando se trata de tucanos, esbravejam os petistas, predomina o “podemos tirar se achar melhor”. Nada como ser rei ou amigo dele.

O sempre intenso deputado Jorge Pozzobom envolveu-se num bate-boca, pelo twitter, com petistas. Lá pelas tentas, disse esperar que “alguém que não seja ameaçado de morte ou morto como o Celso Daniel possa trazer por delação a mega lista do PT”. Tomou uma dura. Respondeu assim ao ex-secretário do governo Tarso Genro, Vinicius Wu: “Me processa. Eu entro no Poder judiciário e por não ser petista não corro o risco de ser preso”. Faz sentido. Muito sentido. O mensalão mineiro não foi julgado até hoje. Manchete da Folha de S. Paulo diz: “Mensalão tucano está parada em MG há um ano”. Falta juiz. A titular se aposentou. Fala sério, Judiciário. A primeira denúncia contra o cartel do metrô de São Paulo, envolvendo governos tucanos, foi recusada. Só a segunda foi aceita. Na internet, circula um vídeo com um dos delatores citando Aécio Neves como beneficiário de esquema irregular de financiamento de campanha. O assunto não parece comover a justiça nem a mídia. Será uma invenção? Um fake? Quem sabe! As frases da Reuters e do Pozzobom são legítimas. As intenções, claro, são sempre outras.

A primeira impressão, porém, é que fica valendo.

Fico imaginando que Pozzobom poderia, depois de sua afirmação controvertida, ter dito no twitter: “Falei a verdade, mas podemos tirar se achar melhor”. Virou bordão. Serve para tudo, do noivo arrependido – “colocamos as alianças, mas podemos tirar se achar melhor” – ao treinador que escalou mal um jogador. Serve principalmente para os que querem derrubar a presidente da República com um golpe nos moldes do que foi executado em 1964: “O povo colocou Dilma lá no Planalto pelo voto, mas podemos tirar se achar melhor”. A montagem do golpe é a mesma de 1964: toma a parte, que se manifesta, pelo todo, usa-se a mídia como alavanca, pega-se a corrupção por pretexto e, como meio século atrás, enfrenta-se a ameaça comunista.

Até a teoria do contragolpe voltou. As viúvas da ditadura dizem que não houve golpe em 1964, mas um contragolpe. Essa aberração está sendo disseminada agora. O golpe já teria acontecido, dado pelo PT. A derrubada da presidente seria um contragolpe redentor. Uma moça me explicou: “Dilma é muito ruim, mas podemos tirar se achar melhor”.

Disse que sou contra golpes. Ela me tirou da sua agenda golpista.

Curiosamente essas frases não chamaram a atenção da mídia que não tinha passar qualquer deslize dos agentes públicos.

Por que será?

Podemos tirar se achar melhor Juremir Machado da Silva – Correio do Povo | O portal de notícias dos gaúchos

24/08/2014

Ensaio sobre a cegueira ideológica

folhicesO dono do Grupo Folha da Manhã, que tem, entre outros produtos, o UOL e a Folha, escreveu um alentado resumo de um dos volumes romanceados de Getúlio Vargas escrito por um autor recrutado e muito bem patrocinado.  Sobre este assunto, Getúlio Vargas, fico com Juremir Machado da Silva.

Quando o próprio dono do jornal da terra que mais combateu Getúlio se volta para este assunto, não se pode retirar com fórceps o ideário paulista contra o trabalhista sulino. O resumão é mais uma Batalha de Itararé… que se repete como farsa, já que a verdadeira também não existiu mais foi melhor homenageada por Aparício Torelly, mais conhecido como Barão de Itararé….

Aí ele abre o texto com uma tirada conciliatória, dizendo que o ato extremo do suicídio discrepava dos “costumes conciliatórios vigentes desde pelo menos meados do século 19”. Costumes conciliatórios? O que mais tivemos foram revoluções! E o que veio depois, a ditadura, também foi bem conciliatória. Tão conciliatória que a Folha emprestava os peruas que distribuíam jornais para que os verdugos desovassem, clandestinamente, na manhã os presuntos fabricados à noite. Qual é conciliação de hoje, quando as cinco irmãs (Abril, Folha, Estadão, Globo & RBS) criam o Instituto Millenium para coordenar a distribuição homogênea de informações com o único viés de combater um único partido, o PT?!

A conciliação, para estes veículos, só existe se o eleito for um representante aprovado por eles. No mais, é pedra sobre pedra, todos os dias. Há exemplos ainda vivos que sobreviveram ao massacre da velha mídia. Quem não lembra o que e como fizeram com a Luiza Erundina, quando foi prefeita em São Paulo, Maria Luiza Fontenele, prefeita em Fortaleza, Leonel Brizola, governador do Rio de Janeiro e Olívio Dutra, no RS. Olívio apanhou da RBS mais do que Judas em Sábado de Aleluia. A conciliação, no dicionário dos Frias, Mesquita, Civita, Marinho e Sirotsky significa que, posto  no pelourinho, o governante aceite o açoite e ainda peça desculpas pelo corpo lanhado.

Fiquei intrigado também com a última frase, que tenta contextualizar com os tempos atuais aqueles vividos por Getúlio. E aí, minha surpresa. O dono da Folha diz que PT e PSDB estão separados “por divergências mais de grau e estilo do que de essência”.  Eis a essência do aforisma.

Puxa, se na essência são iguais, porque os a$$oCIAdos do Instituto Millenium tanto combatem o PT e se posicionam sempre ao lado do PSDB? Aliás, não faz muito, uma executiva da Folha na Presidência da ANJ, d. Judith Brito avocou para os jornais, aí incluídos os do seu patrão, Otávio Frias Filho, o papel de oposição aos governos de Lula e Dilma, como por exemplo este jornalismo tapioca, que insiste numa tapioca ou numa dentadura mas esquece os milhões da Alstom, Siemens e personagens como Robson Marinho

Não li algo semelhante a respeito, por exemplo, sobre oposição a Geraldo Alckmin, muito menos uma boa reportagem que explique como São Paulo, depois de quase 30 de choque de gestão, de meritismo do PSDB, consegue falir a USP e levar racionamento d’água para a periferia. E por uma razão muito simples. Ora, o PSDB no governo de São Paulo distribui assinaturas do Estadão, Folha e Veja por todas as escolas públicas de São Paulo. Esta é a essência da relação da Folha com o PSDB. E não é só a distribuição de assinaturas, mas os financiadores ideológicos. Por exemplo, o Banco Itaú, a Multilaser patrocinam qualquer coisa, literalmente, muito menos programas sociais, mas são parceiros ideológicos e financiadores de um modo de agir, pensar e governar com o qual os membros do Instituto Millenium lutam diuturnamente para imporem.

O editor da TV Folha, Fernando Canzian, chamou de “jogo sujo” Lula pedir votos a Dilma no programa eleitoral. O que ele teria dito quando Aécio Neves declarou que FHC seria seu garoto propaganda ninguém sabe? Seu silêncio falou mais alto.

Os ares pretensamente intelectuais do dono da Folha não escondem a velha parceria do seu grupo empresarial com as entranhas da ditadura que ele, coerentemente, chama de ditabranda

O que o ensaio do dono da Folha sugere é que os trabalhistas de hoje, para o bem de sua UDN, continuem se suicidando, abrindo o caminho para que ele e seus parceiros fardados voltem ao mar de bonança que os porões que hospedaram  Miriam Leitão

Encerro este caso citando Juremir: “O caso Lira Neto, com sua biografia de Getúlio Vargas, é sintomático: explicita a ignorância e a má-fé de jornalistas, a conivência da mídia, a indiferença da academia, o conluio entre uma grande editora e certos veículos de comunicação.”  É assim que certo tipo de historiografia é aceita pela velha mídia, para construir consensos que, na essência, em nada divergem em grau e estilo dos que se locupletaram com a ditadura e a continuam chamando de ditabranda. Profeta foi Juremir, que em 18/05/2012, escreveu: “Uma coisa é certa: quando Veja, Companhia das Letras e Folha de S. Paulo juntam-se a picaretagem é inevitável.

A pergunta que se impõe é porque todos os membros do Instituto Millenium compraram a versão de Lira Neto e a vendem como única e definitiva? A resposta é simples, siga o dinheiro!

O atentado, o suicídio e a carta

OTAVIO FRIAS FILHO

“O maniqueísmo ideológico dos anos 1950 se dissolveu numa espécie de centrismo tecnocrático, administrativista, no qual as alternativas, por mais encarniçada que continue sendo a luta de suas falanges pelo poder, não passam de versões um pouco mais à esquerda ou à direita –precisamente como PT e PSDB na atualidade, separados por divergências mais de grau e estilo do que de essência.”

26/04/2013

Analfabeto é quem não tem o que dizer

Filed under: Juremir Machado da Silva,Lula Seja Louvado — Gilmar Crestani @ 11:54 pm
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Para os invejosos, Lula é abominável. Fazer o quê?  A ignorância também é… Mas pior e racionar com os interesses dos outros. Conheço muito letrado que não consegue acolher duas frases sem causar alguma confusão mental. Os que odeiam Lula, por ignorância ou por algum sentimento de pertencimento de grupos, são os sujeitos típicos que costumam gozar com o pau dos outros. São os mesmos que, não admitem, votaram em Collor, em Britto, em Yeda…

Analfabeto é quem não tem o que dizer

No jornal Correio do Povo do dia 25 de abril, o jornalista e escritor Juremir Machado da Silva, arrebenta com os preconceituosos que não engoliram o fato de Lula ter se tornado colunista do jornal mais influente do mundo, o The New Yor Times. Para Juremir "Saber escrever é muito mais do que dominar regras gramaticais. Saber escrever é ter o que dizer e ter um jeito próprio de fazer isso…”. Lula sabe. Leia, abaixo, a íntegra do texto de Juremir:

O grande vencedor

Juremir Machado da Silva, Correio do Povo

Minha admiração por vencedores não tem tamanho. Em todas as áreas. Admiro principalmente os que vencem pelas próprias forças contra tudo e todos. Minha admiração por Dunga é incomensurável. Por Felipão também. Já critiquei o atual treinador da Seleção, mas sem perder a admiração. Dunga e Felipão parecem sempre mal-humorados. No caso deles, é qualidade. Vem da sinceridade à flor da pele. Admirei um vencedor até as últimas consequências: o escritor argentino Jorge Luís Borges, que ficou cego. Admiro o mulato Machado de Assis, que se tornou nosso maior escritor. Enfim, admiro os que arrombam a festa. Admiro Roberto Carlos, Caetano Veloso e Chico Buarque.

Aprendi a admirar o maior vencedor do Brasil contemporâneo: Lula.

Que trajetória espantosa! O menino retirante de Pernambuco superou todas as expectativas e continua a nos embasbacar. Lula é um gênio da comunicação e da política. Um Pelé da esfera pública. A minha admiração por Lula acaba de dar mais um salto. Ele será colunista do jornal mais prestigioso do mundo: o americano The New York Times. Nem o sofisticado doutor Fernando Henrique Cardoso, que eu saiba, conseguiu tal façanha. Lula terá como colegas gente do quilate de Paul Krugman, prêmio Nobel da economia. É conto de fadas dos bons. O menino pobre, não pela bola, mas pela inteligência política, galga todos os degraus, torna-se presidente do Brasil, fascina boa parte do mundo e torna-se colunista do jornal mais influente da galáxia. Uau!

É para matar de raiva os preconceituosos que o chamam de analfabeto e para fazer explodir de inveja os elitistas. Tenho minhas decepções com Lula e com muitos daqueles que admiro, mas isso não anula o essencial: as razões para continuar admirando. Jamais gostei das alianças de Lula e acho que em alguns momentos ele foi Lulla. Mas que fera política, que inteligência superior, capaz de, independentemente de educação formal, colocá-lo acima dos seus concorrentes num “mercado” altamente competitivo.

Saber escrever é muito mais do que dominar regras de gramática. Saber escrever é ter o que dizer e ter um jeito próprio de fazer isso. Lula é possivelmente o maior comunicador da história do Brasil. Um monstro. Este Brasil teve na sua história três grandes políticos: Getúlio Vargas, João Goulart e Lula. O primeiro, por mudar o Brasil, saiu morto do palácio. O segundo, por colocar o país em risco de uma melhora substancial, especialmente no campo, foi derrubado, enxovalhado e transformado em homem fraco. O terceiro veio do nada e nada temeu: impôs-se como um revolucionário reformista, aceitou jogar o jogo até quando as cartas se embaralham, não morreu, não caiu, fez sua sucessora e agora vai mostrar suas ideias ao mundo nas páginas do The New York Times. É mole? É simulação? É coisa para quem tem bala na agulha, farinha no saco e fala outra linguagem, não a dos bacharéis, mas a dos transformadores do mundo.

Estou tendo um acesso de lulismo? É uma confissão de petismo? Nada disso. Apenas uma maneira de mostrar o quanto admiro os que vencem pelo talento. Poderia dizer o mesmo do conservador Charles de Gaulle. Ou até da recém-falecida Margaret Thatcher. O talento de uns melhora o mundo, o de outros piora.

Blog Sujo

12/01/2013

Acredite se quiser: Belchior em Porto Alegre

Filed under: Belchior,Juremir Machado da Silva — Gilmar Crestani @ 5:35 pm

Dois relatos sobre Edna e Belchior

Postado por Juremir em 12 de janeiro de 2013Cotidiano

Juremir, meu caro, excelente texto!

Quando Belchior e Edna “apareceram” em Porto Alegre, acho que um mês e pouco atrás, fiz alguns comentários no meu Facebook sobre a insólita situação do ídolo. Uma das coisas que disse é que ele não estava procurando “emprego”. Se falta de dinheiro fosse o caso, na hora ele teria portas abertas em teatros e casas noturnas de Porto Alegre.

O que posso acrescentar, para tua interpretação, é que ele e Edna estão juntos desde 2006. De lá para cá, ele deixou de ter celular, de ter endereço, de ter página na internet. Pelo que sei, não visitou mais os filhos e, pior, a mãe morreu em Fortaleza e ele não apareceu. Tudo muito bizarro, como disseste. Posso dizer que estivesse bem próximo do Belchior em certa época (fins dos anos 70/início dos 80). Ele esteve duas vezes em minha casa, passamos a noite conversando e bebendo vinho. Sua última apresentação em Porto Alegre acho que foi promovida por mim, no Santander Cultural, lá por 2005 (também não sei precisar a data e neste momento não estou a fim de procurar isso nos meus arquivos), um show do projeto “Ensaio Aberto”, em que eu entrevistava o artista e ele ia cantando. Ele estava perfeitamente normal. Por que não teria me procurado nem antes nem agora?

Agora, a cada “aparecimento” dele com essa senhora Edna, a situação parece que vai se agravando e deteriorando do ponto-de-vista da sanidade. Inicialmente (quando a primeira notícia do sumiço veio à tona pela Globo), imaginei que ele estaria incógnito no Uruguai em busca de “novas emoções” para seu trabalho de compositor. Muitos artistas fazem isso, mergulham no desconhecido para lá buscar inspiração e histórias. Mas quando reapareceu em Porto Alegre, com estranhíssimas histórias passadas no interior uruguaio, com contas de hotel por pagar e fugas por portas dos fundos, já percebi que o caso era outro. Como, segundo tua matéria, ele pode se mostrar calmo, atencioso, receptivo, se no momento seguinte Edna o puxa para o lado da paranoia e da esquizofrenia? Por que ele simplesmente se deixa levar, sem esboçar reação? Independente de isso tudo ser desvendado, sem dúvida que dá uma história e tanto, uma novela de suspense em que o leitor atravessará o livro sem saber se é ficção ou realidade.

Abração, te leio sempre

Juarez Fonseca

*

Juremir,

Vou te contar a história de um final de semana verdadeiramente inesquecível em Colonia del Sacramento.

Te peço que não publiques meu nome, porque esse fato rendeu muito, à época. É uma cidade grande  sob certos aspectos, mas muito pequeno para esse tipo de coisa, e não quero mais exposição a esse respeito.

No dia dos namorados de 2009 fui com minha ex-namorada a Colonia del Sacramento. Coincidentemente, meus pais combinaram com um casal de amigos de também irem para lá. Assim, passávamos o dia separados, nós dos outros dois casais, e às noites encontrávamos para jantar.

Em um dos dias, quando encontramos, por acaso, na beira do rio, meus pais, eles nos contaram que tinham ido conhecer o Sheraton de Colonia, que fica em um campo de golfe, e reconheceram o Belchior no lobby. Tão logo ele viu ter sido reconhecido, chegou para conversar, e – disseram – foram umas duas horas extremamente agradáveis, com histórias engraçadas, envolvendo grandes nomes da nossa música popular.

A Edna estava junto e se apresentou como artista plástica,  segundo ela “curadora de arte”, sem mencionar de qual instituição.

Quando se despediram, meus pais e os amigos disseram que tinham uma reserva em um restaurante muito pequeno, do filho do Jorge Paez Villaró (irmão menos famoso do Carlos, de Punta del Este), que é uma verdadeira galeria de arte em homenagem ao pai, e talvez eles tivessem interesse.

Disseram que não sabiam se poderiam, porque estavam em Colonia de passagem. Segundo eles, haviam estado em Punta del Este e iriam a Santiago, onde Belchior participaria de um festival, mas que em Colonia estariam fazendo uma sessão de fotos promocionais. Então dependeriam da agenda da “produção”.

Ao chegar ao restaurante, em menos de 5 minutos, chegaram Belchior e Edna, como se “por acaso”, com a mesma roupa que estavam de dia.

Foi a primeira vez que tive contato com eles. Já havia algumas horas que meus pais e o outro casal contavam as histórias deles, e a excitação por conhecê-lo era grande.

Chegaram e como era dia 12 de junho, fizeram uma homenagem aos namorados. Eles não nos conheciam, só meus pais e os amigos, de modo que ele levou um CD, embalado naquele plástico de proteção – evidentemente recém comprado – para o casal de amigos dos meus pais. Era um CD de poemas de Neruda que, segundo ele, havia ganho da família do Neruda. Para meus pais, ele trouxe uma gravura do Calazans Neto, artista baiano que ficou conhecido por ilustrar as obras de Jorge Amado. Segundo Edna, eles haviam arrematado uma coleção de gravuras do Calazans Neto, em um leilão da família do Jorge Amado, e ela estaria, nessa viagem, levando à Argentina para uma interessada.

A primeira situação estranha foi aqui. Minha mãe, pela tarde, traiu-se pela confiança e disse que tem uma tia, em Porto Alegre que tem uma grande coleção particular de arte. Edna ficou muito interessada, e à noite levou a gravura para que entregássemos para a tia, de quem pediu, inclusive o endereço, porque “seria muito bom se essa coleção ficasse no Brasil”.

No jantar, estávamos em uma mesa de 8. Eles dominaram as conversas. Belchior fez alusão a grandes penalistas, quando soube que eu era advogado criminalista. Disse que tinha origem judaica, quando soube que éramos judeus. Sempre essas alusões eram tomadas por grandes histórias, quase sempre muito engraçadas, por parte dele, ou por análises extremamente profundas (e, por vezes, cansativa) por parte dela. A título de exemplo, quando soube que éramos judeus, fez um libelo em defesa de Israel, no conflito árabe-israelense.

No dia seguinte, íamos todos para Montevideo. Leia-se, todos, os 3 casais.

No final da janta, em um momento de silêncio, Edna virou-se para ele e disse que “tinham que resolver a situação se quisessem ir a Montevideo conosco”.

Olhei para o meu pai e sentimos que “algo vinha”.

Relatou – ela, sempre ela – que a “produção” havia entrado no quarto deles para levar alguns equipamentos antes e levou a bolsa de pertences pessoais deles, com documentos e cartões.

Aí ela virou para nós todos e perguntou se não nos importávamos de, em vez de pagar em dinheiro, pagar no cartão, e dar o dinheiro para eles, mediante um cheque do Banco do Brasil.

Ficou um clima claramente pesado na mesa.

Meu pai argumentou que tínhamos pouco dinheiro em espécie, usávamos quase que só cartão, e que o restaurante não aceitava cartão. Paralelo a isto, o amigo que estava junto levantou-se e pagou a conta, de todos, inclusive deles e deixou por isso mesmo.

Digamos que pagar a janta deles foi um “couvert artístico” para uma janta extremamente agradável, que culminou com uma tentativa de estelionato.

Na saída, despedimo-nos e ficamos mais três horas no bar do hotel conversando sobre a peculiaridade da noite.

Cerca de uns 2 meses depois, apareceu no Fantástico a notícia do “sumiço” de Belchior.

Enviei um email à globo para dizer que havíamos visto ele em Colonia.

Quiseram gravar uma matéria, e optei por não falar essa parte negativa deles, porque não sabia exatamente em que contexto estava inserido o sumiço dele.

Naturalmente deu uma repercussão tremenda. Tomado por uma curiosidade, mantive contato com um promotor de justiça, motoqueiro, que apareceu na reportagem, que também o encontrou, e também contou uma história água com açúcar.

Não contei a ele nada disto,  e ele disse que estavam em um bar e o Belchior chegou, ficou a noite toda conversando e no outro dia foi no hotel deles, pediu 300 dólares emprestado e deu um cheque do Banco do Brasil, que ele sequer tentou trocar. Segundo ele, foi o “autógrafo mais caro” que ele já pegou.

Em dezembro de 2009 ou 2010 (agora não sei precisar exatamente), estávamos em Rivera, fazendo compras de Natal e vimos ele e Edna escorados, depois do almoço, no Consulado do Brasil, em uma transversal da Rua Sarandi. Quando voltamos para fotografar, uns 5 minutos depois, já que ninguém acreditaria, eles haviam ido embora, ou entrado no Consulado. Acreditamos que eles nos reconheceram (até porque saiu no Fantástico).

Essa é a história.

Te peço de novo que não publiques nem meu nome nem a cidade, porque isso já me incomodou bastante.

E te prepara que é possível que venha “mordida”.

Um abraço,

Três dias escondendo Belchior em Porto Alegre

Postado por Juremir em 11 de janeiro de 2013Cotidiano

Vida de jornalista é bizarra. Há três dias, na Rádio Guaíba, fui procurado por Edna, mulher do cantor Belchior. Ela me esperava sentadinha na recepção, com seu jeito simples e um ar melancólico. Nem acreditei. Edna é artista plástica, diz-se intuitiva, ama o marido e está preocupada com ele. Muito preocupada. Sentem-se perseguidos. Contou que eles têm recebido ameaças. Reclama que uma reportagem da Rede Globo, de 2009,  foi um ataque terrível ao cantor. Na matéria, Belchior foi dado como desaparecido, mas a emissora saberia bem não ser assim visto que ele fora entrevistado por Jô Soares poucos meses antes.

Qual seria o motivo da perseguição?

Aí é que se complica. Edna quer montar uma estratégia para proteger o marido antes de ele falar tudo o que suspostamente sabe. O susto parece grande. Contou-me que haviam ficado até às três da manhã na Defensoria Pública. Disse que estavam hospedados num pequeno hotel do centro de Porto Alegre, por indicação doe um juiz. Edna queria tirar o mais urgentemente possível Belchior do hotel e levá-lo para um lugar seguro e discreto. Pedia a minha ajuda. Queria que fôssemos num carro sem identificação de empresa jornalística. Comecei a duvidar. Será que ela era mulher de Belchior mesmo? Será que desejava me atrair para algum lugar e me sequestrar? Sou um velho jornalista alquebrado e cheios de dúvidas. Ela me parecia, no entanto, tão frágil, tão perdida, apavorada com as perseguiçõesl.

E confiava em mim.

Tinham lido minha coluna sobre Belchior. Resolvi fazer algo.

O repórter Jimmy Azevedo, da Rádio Guaíba, foi ao hotel ver se era mesmo Belchior. Era. Jimmy e o seu colega Gabriel Jacobsen passaram a acompanhar o cantor, que saiu com eles do Hotel Ponte de Pedra, na Fernando Machado, num carro da Defensoria Pública, protegido por outro, como num filme policial. Depois de mais quatro horas com defensores públicos, Belchior e Edna foram se abrigar na casa de Camila, amiga de Gabriel, numa rua tranquila do Bom Fim. À noite, Cláudia e eu fomos lá conhecer nosso ídolo. Encontramos um homem gentil, inteligente, calmo e culto, que nos falou bastante sobre sua paixão pelo escritor gaúcho Cyro Martins. Edna mostrou-nos vídeos com músicas do marido no YouTube. Entrevista? Não. O plano é relançar a carreira de Belchior neste ano, em grande estilo, com mídia nacional. Sem nem sequer um celular nos bolsos, Belchior e Edna garantem não estar falidos e esperam um retorno triunfante. Ficamos perplexos. O que estará realmente acontecendo com um artista tão talentoso e admirado?

Belchior tornou-se um mistério. Diz não estar fugindo nem se escondendo. Teria se retirado para compor. Mais de vinte novas canções prontas provarão isso, indica. As aparências, cantou ele, um dia, não enganam mais. Algo desandou na sua vida? O quê? Por quê? Eles querem ser recebidos por alguém da direção da TV Record. Não querem ir ao prédio histórico do Correio do Povo por ser no centro da cidade. Encontrar alguém da televisão é para eles uma meta irrevogável. Só da tevê. Faço o contato. À tarde, eles vão ao morro Santa Teresa e são recebidos por Vânia Lain, gerente de jornalismo da Record-RS. Não abrem o jogo. Qual é o jogo? Denúncias com provas e um relançamento em grande estilo da carreira de Belchior. Voltamos a nos encontrar. Chegamos a caminhar juntos no Bom Fim quase ao anoitecer. Na hora do entrar no edifício, Edna e Belchior recuam, desviam, refugam, receiam alguma coisa. Ela fica muito nervosa. Sentem-se vigiados. Jimmy, Gabriel e eu atravessamos a rua. Edna e Belchior não o fazem. De onde estão, fazem sinal para que a porta seja aberta. Só depois que Gabriel gira a chave e empurra a porta é que eles atravessam quase correndo e entram no prédio.

Temem que o local seja identificado.

Temos uma conversa difícil. Avisamos que, mesmo sem entrevista oficial, vamos noticiar a estada deles em Porto Alegre. Edna fica indignada. Alega que estou eticamente comprometido com eles. Argumentamos. Ela adota um discurso estranho, em tom de ameaça ou de pressão.

– Se vocês vão dar matéria, nós temos de ligar agora mesmo para Brasília. Temos muitos amigos importantes lá. Tomaremos nossas providências depois de ler o que for publicado.

Tentamos saber o que os assusta tanto. Não conseguimos. Já tínhamos pedido para ver as provas sobre as tais denúncias de que falam. Nada feito. Faz calor.

Belchior tenta falar. A voz de Edna encobre a dele quase sempre.

– Meus Deus, não consigo falar – ele diz.

Interfiro pedindo a ela que o deixe falar.

– Vê lá o que você vai falar, hein? – ela diz.

– Vocês não precisam de mim para nada. Não precisam da minha autorização para publicar, mas eu preferiria que fosse diferente. Quero falar quando for de um trabalho, dentro de algum maior, não apenas mais uma entrevista.

Gabriel argumenta que somos apenas jornalistas e queremos noticiar a presença deles em Porto Alegre. Belchior pergunta o que sairá, como sairá, algo assim, num esforço para demonstrar que o melhor é esperar.

– Vai ser assim: Belchior está em Porto Alegre e diz ter graves denúncias a fazer – tento resumir.

– Não! É isso que não pode sair – exalta-se Edna.

Belchior faz coro.

– Não. Seria terrível.

Jimmy tenta acalmá-los.

Aviso que tenho de voltar para casa. Belchior diz:

– Vocês não precisam de mim para fazer o mal.

– Mas precisam para fazer o bem – emenda Edna.

Pergunto a Gabriel quanto tempo Camila ainda poderá dar-lhes guarida no seu apartamento.

A irmã, que mora com ela, foi dormir noutro lugar para ceder-lhes o quarto onde se retrancam em busca de segurança.

– Mais uma noite – diz Gabriel.

Saio para a rua. Penso em Belchior. Sou fã dele. As suas composições tocam o meu coração. Minutos antes, eu lhe dizia da minha paixão por seu trabalho e de outros cantores da minha predileção, aqueles que sempre ouço.

– Tu e Charles Trenet – digo.

– “La mèr” – ele responde, com os olhos brilhando.

– “Douce France”, “Ménilmontant” – acrescento.

Ele sorri. Eu deveria ter completado:

– “Paralelas”, “Mucuripe”, “Como nossos pais”…

A voz de Belchior parece intacta. Se cantar, vai tirar o pé da lama. Sugiro show na Arena. Ou, como ele já morou no Bom Fim, uma apresentação no Araújo Vianna. Espero publicar aqui, em seguida, os relatos de Jimmy Azevedo e Gabriel Jacobsen, que mergulharam nesta estranha aventura com Belchior com a entrega dos verdadeiros repórteres, aqueles que amam as histórias humanas com seus dramas, zonas de sombra e complexidades.

A foto que ilustra este texto tem apenas a função de legitimar o relato.

Termino com uma reflexão triste:

– Tudo que eu queria era ajudar Belchior. Eu ficaria feliz em vê-lo brilhar novamente. Confesso minha impotência. Não consegui compreender o que se passa com ele. Sei que Edna e ele vão me odiar por eu ter publicado este texto. Sinto-me como aquele jornalista do filme “A montanha dos sete abutres”, clássico do sensacionalismo sem limites. Ao mesmo tempo, algo me diz que devo publicar, que é jornalismo, que tenho uma obrigação de informar. Sentirei culpa por isso. Mas esta é a minha única possibilidade de tentar ainda ajudá-lo, chamando a atenção para a estranha situação em que se encontra.

Cantarolo mentalmente contemplando os telhados do Bom Fim:

Você me pergunta
Pela minha paixão
Digo que estou encantada
Como uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade
Não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento
Cheiro de nova estação
Eu sei de tudo na ferida viva
Do meu coração…

Já faz tempo
Eu vi você na rua
Cabelo ao vento
Gente jovem reunida
Na parede da memória
Essa lembrança
É o quadro que dói mais…

Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como os nossos pais…

Nossos ídolos
Ainda são os mesmos
E as aparências
Não enganam não
Você diz que depois deles
Não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer
Que eu tô por fora
Ou então
Que eu tô inventando…

Mas é você
Que ama o passado
E que não vê
É você
Que ama o passado
E que não vê
Que o novo sempre vem…

Hoje eu sei
Que quem me deu a idéia
De uma nova consciência
E juventude
Tá em casa
Guardado por Deus
Contando vil metal…

Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo,
Tudo o que fizemos
Nós ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Como os nossos pais…

Foto: Ana Cláudia da Silva Rodrigues

Duas noites com Antônio e Belchior no Bom Fim

Postado por Juremir em 11 de janeiro de 2013Cotidiano

Por Gabriel Jacobsen e Jimmy Azevedo

Entramos na recepção de um hotel de poucas estrelas, no Centro de Porto Alegre, e perguntamos por Edna e seu marido. Três minutos depois, uma mulher exausta, simples e bem articulada começa a nos narrar a epopeia corajosa que vive há três com o companheiro. São noites mal dormidas, viagens repentinas, impossibilidade de voltar para casa e de manter contato com os parentes. Conforme evolui o relato da mulher, aumentam o mistério e a tensão, que parecem nunca se concluir. Cada hóspede que passa perto de nós é um agente infiltrado em potencial, buscando informações para uma emissora de tv ou uma foto flagrante do casal tomando café:

– “Mandaram jornalistas se hospedar no mesmo andar da gente”, supõe, enquanto seus olhos procuram os inimigos que, para nós dois, são invisíveis.

Ao menos a câmera de vigilância do hotel não nos filma no canto onde conversamos, tranquiliza-nos. “Esse cara do hotel não tem jeito de que sabe fazer leitura labial”, diz ela. Ouvimos muito e perguntamos pouco nestes 10 ou 15 minutos que antecedem a chegada de dois carros enviados pela Defensoria Pública gaúcha.

Para nossa própria segurança, alguns detalhes do que se passou com o casal e do que está sendo articulado por ambos não nos serão revelados. Aceitamos. Mas existe um dossiê com incontáveis cópias salvas em locais estratégicos, nos revela Edna, antes de desaparecer hotel adentro para buscar as malas e seu marido. “Estamos exaustos, não aguentamos mais fugir”.

Com todos prontos para a fuga rápida, aparece Belchior, de bigode meio branco, meio preto. Entramos todos no mesmo carro, enquanto o outro veículo parte antes, despistando os possíveis paparazzi. Atento e carinhoso, pergunta nossos nomes, nossa origem, e daí para diante nos trata como se nos conhecesse de longa data. No breve caminho, Edna comemora a ausência de qualquer veículo nos seguindo.

Belchior nos conta que morou em Porto Alegre e lembra de uma entrevista “maravilhosa” concedida a Caio Fernando Abreu para o Correio do Povo. Encarnado de Porto Alegre, cita figuras como João Gilberto, que morou na Capital no inicio da carreira, e o mais famoso poeta gaúcho. “Mario Quintana morou no hotel do Falcão”, lembra.

Da mesma forma que fizemos ao sair do hotel, primeiro vão as malas, depois Edna e nós e, por fim, Belchior é resgatado do carro. Defensoria Pública adentro, Belchior flutua sorridente, cumprimentando afável todos os funcionários. Ingressamos, quase com refugiados, com toda a bagagem do casal: uma mala pequena, uma pasta entupida de documentos e duas sacolas de papel com poucas roupas.

Durante seis horas, nos distraímos na sala de espera do sexto andar com cafés, copos d’água, um quarto de pacote de polvilho, estagiárias belas e novas demais nos sorrindo como se fossemos importantes e um poema de Manuel Bandeira chamado Isadora. De tanto em tanto, Edna sai da reunião para conferir se ainda estamos ali. Estamos.

Terminada a reunião, pouco ou nada nos relatam, ainda que esta seja o segundo encontro com aqueles advogados em dois dias. Também fica implícito que uma nova reunião será necessária e que pretendem continuar em Porto Alegre. Reticentes de se esconder, ou ao menos tentar se esconder, em outro hotel da Capital, nos pedem sugestões de hospedagens mais discretas. Encontramos uma amiga disposta a oferecer alguns dias de casa, comida e roupa lavada.

Quando Belchior se torna Antônio

No mesmo táxi fretado, cuja aparência do motorista se assemelha, para Belchior, a de um personagem d’O Poderoso Chefão, partimos do Centro ao Bom Fim. Nada lhe é estranho no caminho, pois morou por alguns meses no bairro em meados da década de 70, antes do aclamado disco Alucinação (1976). “A gravadora mandou o Belchior para cá como forma de preparar a estratégia de marketing, corte de cabelo, roupa…”, explica Edna.

Ao contrário da companheira, Belchior conversa conosco sobre música, músicos, poesia e conta histórias da MPB, sempre sereno. “Radamés Gnatalli (músico porto-alegrense) fez o arranjo musical para uma gravação da musica Baião, de Luiz Gonzaga, gravada por mim para uma novela, eu acho”, diz Belchior, enquanto assiste ao trânsito em transe da lenta avenida Venâncio Aires no fim da tarde. Transe favorecido pelo ar-condicionado e que Edna irrompe propondo uma combinação: que por questões de segurança, ainda desconhecidas para nós, comecemos a tratar Belchior pelo primeiro nome: Antônio.

– Só se o Antônio concordar… – um de nós sugere, transformando a tensão em risadas.

Chegamos a uma dessas ruas do Bom Fim, onde o “Ritual de Edna” é repetido, mantendo o cantor, poeta, gênio da MPB, a salvo do mundo até que sua companheira termine a inspeção minuciosa da rua (vazia). No apartamento da prestativa estudante, o melhor quarto é oferecido aos hóspedes, junto com uma cópia da chave. Antônio reviverá o Bom Fim por três dias e três noites.

O jornalista Juremir Machado, colega de Rádio Guaíba, que intermediou nosso contato com Belchior, chega pouco depois das 20h. Cumprimentos, elogios e breves referências até chegarmos às perguntas objetivas. Por que estão aqui? De onde vieram? Pra onde vão? As respostas são vagas no que se refere a tempo e espaço. No entanto, ressaltam o descontentamento com um veículo de comunicação nacional e a possibilidade de Antônio voltar aos palcos ainda no primeiro semestre de 2013. O cancioneiro cearense, natural de Sobral, já teria composições inéditas suficientes para três álbuns, de acordo com Edna.

– Mais de 30 músicas?, perguntamos ao casal

– Não tanto, umas vinte e poucas, revela o cantor.

Papo se estende e Edna começa a nos mostrar, na TV da sala, vídeos no YouTube. Assistimos, em sequência, a quatro clipes de Belchior. Sua música, naquelas circunstâncias, chapa a todos e o ídolo de várias gerações larga o corpo no sofá como se voltasse se quisesse transpassar, carpete e concreto para alcançar, na contramão dos dias, um passado de inevitável superexposição na mídia, numa expressão de doce revival. Depois da música povoar o apartamento, alguém sugere: prefiro te ouvir ao vivo, pega o violão! Um de nós lhe oferece um dos violões estrategicamente repousados no canto da sala, mas Antônio se nega, como se o instrumento fosse uma desconhecida com quem não se quer puxar papo numa ponte aérea.

Antes disso, até houve uma tentativa de quebrar o silêncio artístico quando ele comentou que havia gravado a música Paixão, de Kleiton e Kledir, que prontamente teve dois acordes humildemente sussurrados no violão por um de nós. Somente ali Antônio desencarnou de Belchior e se permitiu cantar a segunda frase da música: “…e o teu jeito de fazer amor”. Porque Antônio, não Belchior, prefere somente conversar sobre a vida – não a sua: literatura, cinema, comportamento humano e reflexões densas ou improváveis. Nada foi perguntado sobre seu suposto desaparecimento e sobre dívidas mencionadas em reportagens sensacionalistas por veículos do centro do país. Nem pretendíamos. Não porque o silêncio quebraria uma confiança até então construída, mas porque nossa intenção era materializar Belchior enquanto pessoa e artista para milhões de fãs sedentos de boas notícias suas: um novo show, um disco…Aliás, Belchior, Antônio para nós, não quis nos conceder uma entrevista formal. “Quero algo grandioso, não fragmentado”, repetiu.

Este relato é como um diário de bordo, porém beirando um conto fantástico – nós meio imersos, meio abduzidos por um universo estranho, sem sincronia entre tempo e espaço. Não nos despedimos dele. Apenas retomou alguma rua do Bonfim, alguma rua do Brasil ou das bandas orientais, surgindo para alguns e desaparecendo para outros.

Antônio quer ser gente

Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes, ex-estudante de Medicina da Universidade Federal do Ceará, considera que há muita confusão entre o que é um poeta romântico e um boêmio.

Drogas: “Nunca usei maconha, só fumei cachimbo e charuto”, fala enquanto tomamos o único vinho da noite.

Política: considera que a Lei da Ficha Limpa deveria ser chamada de Lei da Ficha Suja.

Política 2: Faz piada quando os dois repórteres comentam sobre as eleições complementares de Novo Hamburgo: “O único Zimmermann que eu conheço é o Bob Dylan”.

Passado: “Em um show, lá em Sobral (CE), Waldick Soriano não deixou os estudantes pagarem meia entrada. Ele dizia, se pagar só meia, vai ver só o começo e o final do show, ou seja, a metade. Depois, já no hotel, quando os estudantes protestavam ainda pela meia entrada, ele tirou um revólver pra fora e atirou próximo aos estudantes”.

Educação: “Eu estudo todos os dias”.

Gosto: “Eu acho a música do Rio Grande do Sul melhor que a da Bahia”.

Foram em ocasiões como esta, que Belchior conseguiu interagir sem que houvesse qualquer interferência do mundo externo, quase a ponto de cantarolar ou empunhar o violão ou mesmo conceder uma entrevista completa para além da convivência com dois repórteres. Como nada acima se concretizou, no dia seguinte pegamos aqueles dois violões e, enquanto Belchior repousava com a companheira, tocamos canções. Lentamente, após meia dúzia de músicas, Belchior ressurge e observa o nosso amadorismo ao empunharmos músicas de compositores gaúchos e nordestinos. Não se comoveu, tampouco perdeu o sorriso.

Foto: Camila Genz

13/08/2012

Antes fosse verdade: como se o Correio do Povo não fosse uma Zero Hora bonsai

Filed under: Grupos Mafiomidiáticos,Juremir Machado da Silva,Record,Rede Globo — Gilmar Crestani @ 8:20 am

Record matou a pau na cobertura da Olimpíada

Postado por Juremir em 13 de agosto de 2012Mídia

A mídia é uma máquina de fabricação de mitos.

O primeiro mito que a mídia produz é o seu.

A Globo fabricou o mito de que só ela tinha tecnologia e qualidade para grandes coberturas internacionais.

Os organizadores dos Jogos Olímpicos, porém, não sabiam disso.

Nem dependiam da CBF para decidir.

Venderam para a Record, que matou a pau.

Fez tudo o que a Globo sempre fez.

E mais.

E melhor.

A mídia se automitifica contando todos os dias para o seu público como ela é espetacular.

A Globo chama de teledramaturgia as suas novelas no velho padrão mexicano ou chupadas de séries americanas.

Em Palomas, a Rede Baita Sol cria seus mitos a golpes de marketing ostensivo.

Todo nascimento, aniversário ou cirurgia de uma das suas estrelas ganha ampla cobertura.

Aos poucos, o público incauto acredita que ali só tem pessoas altamente importantes.

Quanto mais elas são declaradas importantes pelo veículo onde operam, mais são vistas como importantes.

Esse é o truque.

Em Londres, a Record provou que tem competência técnica e capacidade de povoar os imaginários.

Romário, como comentarista de futebol, foi mais espontâneo e verdadeiro do que o engessado Caio, o pomposo Júnior e o enrolado Casagrande, não perdendo nem mesmo para o altivo ex-comentarista Falcão.

Acabou o monopólio.

Cada rede pode alçar voo.

Basta ter balha agulha para pagar.

No campeonato brasileiro, contudo, os clubes continuam preferindo ganhar menos do que apostar no leilão com envelope fechado. Por que será? O que os faz optar por menos, ainda que seja muito, que pela concorrência total?

Quero tirar o chapéu para a cobertura do Correio do Povo em Londres.

Mariana Oselame e Hiltor Mombach deram tempero gaúcho ao que fizeram.

Mas sem bairrismo.

Por outro lado, um pouquinho de maldade faz bem.

Ver o mala do Galvão Bueno sendo barrado na entrada de um jogo não tem preço.

Nada contra o Galvão, apesar da sua chatice ufanista, mas tudo a favor do somos todos iguais.

Galvão conheceu a vida dos mortais.

Viveu na planíce.

O efeito Record mexeu com o seu equilíbrio emocional.

Brigou com o colega Renato Maurício Prado.

Aplicou o tradicional: ou eu ou ele.

Em casa, ganhou.

Contra a Record, perdeu.

Medalha de Ouro para a diversidade.

22/05/2012

Veja de mãos dadas e atadas

Tudo o que a Veja não quis que o Brasil visse

Postado por Juremir em 22 de maio de 2012Política

Tem cara que se finge de cego para passar rasteira deitado.

Nada melhor, então, do que ensinar a missa ao vigário.

Contar tudo de novo.

Nada de novo no front.

Já se sabe tudo o que Veja faz para impedir o Brasil de enxergar certas coisas.

Deturpa o passado, embaça o futuro e manipula o presente.

Mas não tem preço (ou tem? quanto foi?) o bandido Cachoeira dizendo, alto e bom som, ao jornalista Policarpo Jr:

“Poe esta nota aí, no Radar ou no Online!”.

Não cabe discussão. Só não admite quem é surdo. Ou ideologicamente cego.

Caiu a casa.

Isso é incesto midiático, suruba com a fonte, sexo selvagem no planalto central, sacanagem da grossa.

Este diálogo do  Cachoeira com o homem da Delta é um jorro de lama:

— O Policarpo é o seguinte: ele não alivia nada, mas também não te põe em roubada, entendeu? Eu falei, eu sei, ó: “Inclusive vou te apresentar depois, Policarpo, o Cláudio, eu sou amigo”, eu falei que era amigo do cê de infância. E ele: “Então, ele trabalha na sua empresa”, falou assim, “vai me contar que você tem ligação com ele”. Ele [Policarpo] sabia de tudo. “Eu não vou esconder nada de você não, Policarpo, o Cláudio é meu irmão, rapaz”.

Policarpo sabia de tudo! Mas não divulgava tudo o que sabia. Filtrava. Livrava a cara dos amigos.

Por quê?

Policarpo não queria ferrar a Delta. Só buscava munição para atingir o alvo preferido da Veja, o PT.

Por que tanta raiva?

Por que tanto ódio?

Por que esse comportamento seletivo em relação às bandalheiras de uns e outros?

Veja só queria ligar a Delta a José Dirceu.

Cachoeira, para quem tenta minimizar seus contatos com Policarpo, enfia o pé na jaca:
— Aquela hora eu tava com Policarpo, rapaz. Antes do almoço ele me chamou para conversar. Mil e uma pergunta, perguntou se a Delta tinha gravação, defendi pra caralho vocês, viu. […] O Policarpo, ele confia muito em mim, viu? Vô ter que mostrar a mensagem que ele mandou antes, 10 horas da manhã para me encontrar aqui em Brasília, eu tava aqui fui me encontrar com ele.

Só mesmo os Reinaldo Azevedo da vida para sustentar o contrário.

Aí já não se trata de jornalismo, mas de panfletagem.

Tem doido de atar que só vê o que quer. Chega a dar pena.

26/12/2011

De reis e ruelas: Mendelski saiu da RBS mas a RBS não saiu dele

Filed under: Juremir Machado da Silva,Rei Juan Carlos — Gilmar Crestani @ 10:04 am

 

O rei Juan Carlos e o imperador Adriano

Postado por Juremir em 26 de dezembro de 2011Sociedade do Espetáculo

Nunca tive simpatias por monarquias. Ainda mais num mundo moderno, racional e democrático.

Sou contra o princípio: ninguém pode aceder ao que quer que seja por direito hereditário.

Uma bimbada real e uma coroa obrigatória não me convencem.

Uma declaração do príncipe Felipe da Espanha a Pilar Urbano, biógrafa do rei Juan Carlos, me chocou: “Se meu pai tivesse se oposto à Letizia, por ser plebeia ou divorciada, eu teria renunciado. Não ao trono! À Letizia! Fui educado para reinar. Não posso renunciar ao trono por um capricho pessoal, por um amor, ou projeto pessoal”.

Fiquei imaginando a reação de Letizia ao ler essa jura do amor do maridinho. Talvez tenha pensado: “Conversa para impressionar a plebe”. Ou: “Ele diz isso porque não precisou renunciar a coisa alguma”. Coisa estranha, não?, um homem pensar em renunciar ao amor de uma mulher por respeito ao pai e ao trono!

Da realeza espanhola ao imperador plebeu e midiático Adriano, que nunca renuncia ao prazer.

Adriano meteu-se em mais uma boa confusão.

Meu colega Rogério Mendelski costuma dizer que alguns jogadores de futebol saem das favelas, mas as favelas não saem deles. Entendo como se sentem. Eu saí de Palomas, mas Palomas não sai de mim. A diferença é que não me encontro com as cachorras de Palomas para um tiroteio de fim de noite. Pura falta de oportunidade.

A favela, como o sertão de Guimarães Rosa, é um mundo. Universo que não se apaga nem se renega. O futuro de Adriano é nebuloso. O que fará quando, finda a carreira de jogador, não tiver mais ninguém no seu pé para lhe cobrar um pouquinho de equilíbrio? O problema de Adriano é que, ao contrário do príncipe Felipe da Espanha, não foi educado para reinar. Nonada. Tiro que Adriano ouviu, ou deu, foi briga de homem não.

Foi rabo de saia mesmo. Que rabo! Quer dizer, que rolo.

As moças mostravam quase tudo no melhor estilo periguete em alta no baixo mundão.

Muita gente politicamente incorreta exclamou: “Nossa, com toda a grana que ele tem, não podia pegar coisa melhor!?”. Cada um com seu cada qual. Que gosto não se discute nem se impõe. Salvo nas passarelas da alta cultura.

Adriano ia traçar as quatro gazelas? Ou ia reparti-las com o chefe da segurança? Nonada, desta vez não eram travestis não, que Adriano não é o Felipe da Espanha, mas também não é o Ronaldo Gordão.

Compreendo os dois. Foram educados para viver novas emoções a cada dia. Celebridades desse calibre vivem um drama cotidiano: como gastar o dinheiro que acumularam, sentir novamente a emoção do gol, levantar o estádio, escapar do tédio e não entrar em fria? Ou seja, como está no velho Rosa, “cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães, é questão de opiniães, o sertão [e a favela] está em toda parte”.

Difícil mesmo é saber de onde parte a bala.

A realeza da mídia tem um código de conduta particular. Falta-lhe o conhecimento da etiqueta para esconder os seus barracos. O rei Juan Carlos mandou tirar a estátua do genro, acusado de corrupção, do museu de cera oficial. O fraque foi trocado por roupas de plebeu. É assim que um homem elegante mantém as aparências.

Juremir Machado da Silva – Blogs – Correio do Povo | O portal de notícias dos gaúchos

17/12/2011

Notícias do Brasil

 

Notícias do Brasil carnavalizado e barroco

Postado por Juremir em 17 de dezembro de 2011Política

Morreu Joãosinho Trinta.

Morreu Sérgio Britto.

Mais longe, morreu Cesária Évora.

É um pouco do teatro, da música e da ópera popular que se vai.

Mundo globalizado.

E o que fica?

Não é só pobre que não gosta de pobreza, os ricos também não.

Inteletuais não há mais.

O que fica?

Depois do petralhas, a tucanalha, segundo livro de Amaury Ribeiro Jr.

É como uma escola de samba: tudo se mistura, tudo se confunde, empresas nas Ilhas Virgens Britânicas, a Verônica do Serra, a Verônica do Daniel Dantas, as contas de campanha, as contas bancárias de uns e outros e mais um tesoureiro de campanha, desta vez o tesoureiro de José Serra.

Uns se vão, outros ficam.

E o que fica mesmo?

O livro do ano: “A privataria tucana”, a narrativa de uma rede de relações incestuosas, um toma-lá-dá-cá inimaginácel, dinheiro que vai para o exterior pelas mãos de doleiros, dinheiro que volta do exterior como investimentos em empresas nacionais, sendo que o investidor estrangeiro e o empresário nacional são a mesma pessoa, uma modalidade de lavagem de dinheiro simples, eficaz e quase tão banal quanto lavar roupa no tanque.

Trinta se foi. Era o homem da fantasia.

Ficou a realidade sem fantasia da corrupção sem porteira.

E um livro com uma pilha de documentos de fazer corar uma virgem britânica.

Claro, como sempre, todos negam.

Um livro sobre as manipulações da mídia carioca e paulista em favor dos tucanos.

Uma obra para não figurar na capa da Veja e para ser desmentida pela Folha de S. Paulo.

Um manual sobre sacanagens, espionagens, armações e fortunas rápidas.

Ou como o propinoduto das privatizações irrigou empresas de gaveta, de fachada e ganhos sem trabalho.

É o presente de Natal.

Muito melhor do que o novo iphone.

Nem Papai-Noel acredita.

Juremir Machado da Silva – Blogs – Correio do Povo | O portal de notícias dos gaúchos

23/11/2011

Juremir para Franco…atirador!

Filed under: Juremir Machado da Silva — Gilmar Crestani @ 7:07 am
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A greve do magistério e o cobertor curto

Postado por Juremir em 21 de novembro de 2011Política

A greve do magistério e a corrupção são bons temas para quem quer aplicar o golpe do cobertor curto.

Se o CPERS faz greve, é radical e irresponsável.

Se não faz, é pelego.

Se o governo paga o piso, quer quebrar o Estado.

Se não paga, trai suas promessas de campanha.

A corrupção da direita raramente chama a atenção dos críticos da corrupção da esquerda.

O contrário também é verdadeiro.

O que está em jogo é ódio de parte de alguns ao PT.

O argumento é simples: O PT criticava todo mundo, julgava todo mundo.

Não fosse isso, estaria tudo bem.

Todos iguais.

O problema não é a corrupção, mas o fato de que o PT, em certo momento, bancou o superético e encheu o saco dos outros.

O problema, por outro lado, não é a corrupção, mas o último argumento possível para se vingar de um PT tornado, enfim, igual a todos.

O problema é o bolsa-família, o ProUni, os altos índices de aprovação do Lula, a faxina da Dilma, a estabilidade econômica, etc.

Falo assim só para provocar os que me acusam de ser petista.

Os petistas de carteirinha me acusam de ser de direita.

Não tenho partido.

Nenhum merece a minha adesão.

Sou anarquista.

Poeticamente libertário.

Rotineiramente analista de discursos e conteúdos.

Não tenho partido.

Mas poderia ser de qualquer um.

Não é crime pertencer a qualquer um dos partidos brasileiros.

Nem ao PT.

Como diz o outro, quem não tiver pecado que atire a primeira pedra.

Pode o Dem, o PP ou o PSDB julgar o PT?

O problema do PT é ter dito que nunca faria o que fez.

A questão importante para o observador franco-atirador não é que um diz, mas o que todos fazem.

Bem, parece que o PSOL não pecou.

Eu poderia ser do PSOL.

Mas não sou marxista.

Aquele que odeia sempre quer aplicar o golpe do cobertor curto.

Se vê os pés, reclama da nudez da cabeça.

Se vê a cabeça, reclama da nudez dos pés.

Só quer um pretexto para exalar sua ideologia do ressentimento.

Normalmente como acusação ao ideologismo dos outros.

Ninguém mais ideológico do que aqueles que passam o tempo criticando as posturas ideológicas dos outros.

A direita brasileira inventou que não tem ideologia.

Só a esquerda seria ideológica.

Inventou também que qualquer concepção de esqueria seria atrasada.

A direita nem existira mais.

Só existiria a esquerda como um vestígio, um anacronismo.

Pura retórica ideológica.

Dito tudo isso, pois amanheci de bom humor, é preciso afirmar algo complexamente antagônico e complementar:

Os professores têm razão em fazer greve pelo piso.

Querem o cumprimento da lei.

Cobraram isso da governadora Yeda Crusius.

Cobram o mesmo do governador Tarso Genro.

O governo fala certamente a verdade quando diz que não pode pagar agora.

Com algum esforço, pode-se chegar ao entendimento.

Por exemplo, o governo marcar um data para o pagamento e encontrar meios para fazer isso.

Com jeito, sempre tem um jeito.

Bastaria, por exemplo, dar menos isenções fiscais a grandes empresas.

Fica uma pergunta: por que só quatro Estados não conseguem pagar o piso?

Juremir Machado da Silva – Blogs – Correio do Povo | O portal de notícias dos gaúchos

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