Ficha Corrida

23/07/2015

Saiba como funciona uma fábrica de bandidos

Ao bom entendedor meio título basta. Quanto aos demais, não gasto pólvora ignorantes.

Brito bomba: Fel-lha combina  perguntas com Odebrecht !

O Estadão põe tarjas pretas no Cerra … a Fel-lha … Viva o Brasil !

O Conversa Afiada reproduz artigo de Fernando Brito, no Tijolaço:

O que há debaixo das “tarjas brancas” do texto da Odebrecht ? A conversa com a Folha que “só fale para mandar recados”

O leitor CM fez o mesmo que Stanley Burburinho, que identificou o autor das “tarjas pretas” com que a Polícia Federal (ou o Estadão) ocultaram alguns nomes – e divulgaram outros – nos textos de e-mail contidos nos celulares do empresário Marcelo Odebrecht.
Desta vez, porém, tirou as tarjas brancas que apagam, no arquivo divulgado pelo Estadão, os trechos das páginas 23,24 e parte da 25 do relatório da Polícia Federal – arquivo do jornal aqui –  e nos permite saber do que elas tratam.
Mas o amigo leitor teve um trabalho que qualquer um pode fazer, sem qualquer conhecimento maior de informática.
Basta selecionar o texto “em branco” e colar num editor de texto ou mesmo no bloco de notas e…bingo! Lá está todo o “conteúdo secreto” que omitiram dos leitores.
E o que é?
Um belo exemplo do jornalismo “podemos tirar se achar melhor”…
São e-mails entre Marcelo e seus assessores combinando entrevistas, com conhecimento prévio do conteúdo – que beleza! – com a Folha de S. Paulo  que só serviria se fosse “para mandar recados”.
Transcrevo os “arquivos confidenciais de Polichinello”, para que os leitores possam ter acesso a tudo . Porque, se é pra vazar, não vamos usar o “método Ricúpero”, de esconder o que não interessa à mídia, não é? Apenas preservo o nome dos repórteres, que podem ter entrado de inocentes nessa história , simplesmente e aqui, ao contrário do que se faz na grande imprensa, não se acusa ninguém de algo se não estiver comprovado.
Os trechos “censurados” pelo Estadão, não têm, como se lerá, nada de ilegal, apenas o registro da intimidade e do favoritismo de Odebrecht na imprensa e o fato de, embora falem tanto de sua independência, ter sido feita com perguntas previamente formuladas e em nenhum momento citando a Lava-Jato.
Até mesmo o agente da Polícia Federal  que faz o relato diz que “(em) Marcelo e seus colaboradores, verifica-se a intenção de conceder a entrevista somente se as perguntas forem antecipadas e sem conteúdo polêmico. Inclusive Sergio Bourroul argumenta que só vale a pena a entrevista se for possível mandar recados, não mencionando para quem, nem que tipo de recado seria, inclusive instrui Marcelo a capitalizar a concessão da entrevista, dizendo que que “abriu uma exceção em consideração ao pedido da direção do jornal”.
Eis o que foi “cortado” (e não foi, mas apenas pintado de branco, para que não se lesse) no arquivo divulgado pelo Estadão.

Assunto: Entrevista Folha de São Paulo (Repórter “A” e
Repórter “B”),
Assistentes:
Localização: sala reuniões DP – 15º andar
Detalhes:
SB na coordenação.
Marcelo,
a primeira entrevista da série será com Abilio Diniz, a ser
publicada neste domingo, dia 24. A sua será a segunda, no
dia 31.
A reportagem estava aguardando as confirmações de Murilo
(Vale), Roberto Setubal (Itaú) e Joesley (JBS). Não sei se
emplacou todos.
Você receberá dois repórteres (A e B), que virão acompanhados de um fotógrafo.
Confirmado às 9h00 de amanhã e eu te acompanharei.
Abaixo, repasso os principais pontos que nortearão a
conversa:
O país deve crescer abaixo de 1% este ano e os anteriores
não foram muito melhores. Quais são os principais gargalos
que impedem o crescimento?
O que é preciso mudar para que os empresários voltem a
investir?
Na sua opinião, quais deveriam ser as três prioridades do
governo logo no primeiro ano?
Independente de quem venha a ser eleito, a previsão geral
é de um ajuste duro em 2015. Qual é a sua expectativa?
Os preços públicos, como gasolina, energia e tarifa de ônibus
estão represados. Qual seria a melhor estratégia para ajustar
a economia: um tarifaço logo de cara ou aumentos graduais?
O Banco Central vem fazendo intervenções no mercado para
segurar o real. O sr. acha que seria possível voltar ao câmbio
flutuante de fato ou isso teria um impacto muito forte sobre a
inflação?
O desemprego, que até agora estava controlado, começou a
aparecer aqui e ali. O sr. acha que pode haver uma onda de
demissões pela frente?
A campanha de Dilma se queixa de que o mercado faz
terrorismo eleitoral quando aposta contra ela na bolsa e que
não é a primeira vez que isso acontece no Brasil. Qual é sua
opinião? O mercado faz terrorismo?
O Supremo está a um passo de acabar com o financiamento
privado de campanhas políticas. Na sua opinião, isso é bom
ou ruim?
O setor privado vive pedindo ajuda do governo, como
benefícios fiscais e recursos do BNDES. Por que os
empresários no Brasil dependem tanto do governo?
Abs,
De: Marcelo Bahia Odebrecht
<mbahia@odebrecht.com<mailto:mbahia@odebrecht.com>>
Data: 6 de agosto de 2014 22:19:14 BRT
Para: Sergio Bourroul
<sergiobourroul@odebrecht.com<mailto:sergiobourroul@odebrecht.com>>
Cc: Daniel Villar
<dvillar@odebrecht.com<mailto:dvillar@odebrecht.com>>,
Leonardo Sa de Seixas Maia
<lsmaia@odebrecht.com<mailto:lsmaia@odebrecht.com>>,
Zaccaria Junior
<zaccaria@odebrecht.com<mailto:zaccaria@odebrecht.com>
Assunto: Re: pedido da Folha de S.Paulo
Ok
From: Sergio Bourroul
Sent: Wednesday, August 6, 2014 19:14
To: Marcelo Bahia Odebrecht
Cc: Daniel Villar; Leonardo Sa de Seixas Maia; Zaccaria Junior
Subject: Re: pedido da Folha de S.Paulo
Marcelo,
A sugestão de DV é boa.
Você fala se o repórter antecipar as perguntas. Vou solicita-las, ok?
E capitalizar dizendo que vc abriu uma exceção em
consideração ao pedido da direção do jornal.
Enviada do meu iPhone
Em 06/08/2014, às 19:05, “Marcelo Bahia Odebrecht”
<mbahia@odebrecht.com<mailto:mbahia@odebrecht.com>>
escreveu:
Se fosse uma entrevista apenas minha (e não uma serie) e
como foco geral em nós, eu negaria. Não apenas pelo
momento, como porque temos negado para todos.
Mas se o foco eh nas prioridades para o País nos próximos
anos, e não em nós, e como parte de uma série de poucos
empresários, minha tendência seria aceitar.
From: Daniel Villar
Sent: Wednesday, August 6, 2014 18:58
To: Sergio Bourroul; Marcelo Bahia Odebrecht
Cc: Leonardo Sa de Seixas Maia; Zaccaria Junior
Subject: RES: pedido da Folha de S.Paulo
Marcelo,
O que acha da demanda abaixo?
Já fui mais reativo no passado recente a uma participação
sua, mas pelo contexto descrito pela CDN, e pela provocação
de SB, pode haver espaço para mensagens da Organização,
desde que enviem previamente as perguntas e que as
mesmas não sejam politizadas.
De: Sergio Bourroul
Enviada em: terça-feira, 5 de agosto de 2014 19:11
Para: Daniel Villar
Cc: Leonardo Sa de Seixas Maia; Zaccaria Junior
Assunto: RES: pedido da Folha de S.Paulo
Daniel,
Favor avaliar a solicitação abaixo, da Folha de S. Paulo. Acho
que devemos preservar MO, mas é possível que ele queira
aproveitar para mandar algum recado. O repórter garante que
não haverá questionamentos polêmicos e que envolvam
diretamente a Odebrecht (Petrobras, BNDES, contratos,
doação para campanha, preferências políticas etc). Quer
apenas abrir espaço para a opinião de MO sobre os gargalos do crescimento
do Brasil e as prioridades do próximo governo.
Só vale se for para mandar recados. Caso contrário,
declinamos com tranquilidade.
Obrigado,
Abs,
De: Zaccaria Junior
Enviada em: terça-feira, 5 de agosto de 2014 18:58
Para: Sergio Bourroul
Cc: Leonardo Sa de Seixas Maia; Elea Cassettari Almeida
Assunto: pedido da Folha de S.Paulo
Sérgio, o “repórter A“  da Folha me procurou. Ele informou que o jornal
vai aproveitar o período pré-eleitoral para discutir o futuro do
país por meio de uma série de entrevistas com os principais
empresários brasileiros. Eles devem abordar quais serão os
desafios do próximo governo, independente de quem venha a
ser eleito, para o país voltar a crescer, recuperar o otimismo,
atacar os gargalos que , segundo eles, “impedem o país de
deslanchar”. Palavras do “repórter A“ : “A ideia é publicar uma
entrevista por semana, como parte de uma série, e
preparamos uma lista com os empresários mais respeitados
do país. O jornal gostaria muito de contar a seus leitores o
que o Marcelo Odebrecht pensa disso. A retomada do
crescimento passa por mais investimentos e portanto pelo
setor de infraestrutura e a Odebrecht tem tido um papel
central nessa área. Nossa ideia é começar a publicar as
entrevistas já no início deste mês. Estamos convidando
Roberto Setúbal, Luiz Carlos Trabuco, Murilo Ferreira, Abilio
Diniz, Pedro Passos, entre outros. Mas é uma lista restrita.”
Sérgio, acrescentando, David contou ainda que o secretário
de redação (…)passou na mesa dele dia desses
para falar das entrevistas e perguntou: “E o Marcelo
Odebrecht, que seria a cereja do bolo?”. Mais uma vez,
palavras do David: “Queria que vocês soubessem e reafirmar
que uma entrevista com ele teria espaço nobre e seria bem
tratada”.
Abs,
Zacca

Brito bomba: Fel-lha combina perguntas com Odebrecht ! | Conversa Afiada

Jornalismo tarja preta

Esquilo frase-na-guerra-a-verdade-e-a-primeira-vitimaHá uma frase que explica as tarjas pretas do Estadão: “Na guerra, a primeira vítima é a verdade”. O axioma é atribuído a várias personalidades. Como Ésquilo é o mais antigo, e os gregos foram os primeiros em tudo, penso que se encaixa no pensamento do autor de Os Persas a primazia. Nos tempos napoleônicos, o filósofo da guerra, Carl Von Clausewitz, cunhou a expressão: "A guerra é a continuação da política por outros meios". Que meios seriam estes? Os Meios MafioMidiáticos!

No Brasil, a partir da primeira vitória do Lula, a imprensa é o exemplo e síntese dos dois pensadores.

Não é por acaso que a velha mídia inventou o Instituto Millenium. Este clube da direita Miami foi criado e existe para ser instrumento da política por outros meios, meios empresariais da informação.

Por exemplo, a Lei Rubens Ricúpero foi criada numa a$$oCIAção entre o governo FHC e Rede Globo. Mostrar o que é bom e esconder o que é ruim, em relação a FHC e o contrário em relação a Lula e Dilma tem sido a tônica da Rede Globo desde sempre. Se ficamos sabendo somente a partir do Escândalo da Parabólica, muito antes a Globo já fazia das suas, como no editorial que saudava a chegada da ditadura, ou em outra batalha da mesma guerra da Globo contra as forças populares, quando agiu buscando manipular o resultado eleitoral contra Leonel Brizola, no Escândalo da Proconsult.

Os exemplos são inúmeros e constantes. Não vem ao caso citar todos. Mas para o caso, só mais um. A tentativa de transformar um bolinha de papel em objeto contundente, para fazer de seu candidato uma vítima.

A Veja, pelo menos depois do Boimate, perdeu toda credibilidade. Hoje é consumida apenas em estábulos e pocilgas.

A Folha de São Paulo tem um currículo recheado com os escândalos da ditadura cuja participação permanece em seu DNA. Ter ajudado a manter a OBAN, emprestado carros para os agentes da ditadura desovar corpos estraçalhados nas orgias do DOI-CODI seria suficiente. Mas a Comissão da Verdade revelou que houve participação, no mínimo como espectadores, nas sessões de tortura, estupro, morte e esquartejamento nos porões do DOI-CODI. Não bastasse isso, na democracia perfila-se ao lado de outras famílias, perpetrando atos vergonhosos como a fabricação de um Ficha Falsa da Dilma. Recentemente, contra todas as evidências, “revelou” um habeas corpus inexistente do Lula.

E assim chegamos ao Estadão, o baluarte do conservadorismo e bíblia da direita hidrófoba.

O fato de os donos do Estadão terem participado da marcha dos zumbis pedindo golpe militar no Brasil é indício suficiente da demência desta empresa que vive de vender informação. Mas há pelo menos mais dois episódios que dizem muito sofre o Grupo Estado. Sabemos todos das inúmeras tentativas do Estadão de atribuírem às pessoas de Lula e Dilma a responsabilidade por todos os casos de corrupção ocorridos em seus governos. Só que o Estadão não se deu por conhecedor que seu Diretor de Redação, Pimenta Neves, praticava assédio moral e sexual sob as barbas dos Mesquitas. Ora, se é verdade que Lula e Dilma compactuaram com a corrupção em seus governo, o assassinato pelas costas de Sandra Gomide também pode ser atribuído, senão doloso pelo menos de forma culposa, aos chefes do assassino.

Requiao Jose SerraHá um outro papel desempenhado pelo Estadão que causa perplexidade pela forma como usa e se deixa usar para influenciar politicamente. É o caso do antológico artigo do Mauro Chaves, “Pó pará, governador!” Não precisa de mais adendos, o título já diz tudo. Coincidentemente, envolve a mesma personagem que agora o Estadão, de forma infantil, alcovita, José Serra.

A tentativa de incriminar uns e inocentar outros é prova suficiente de que nosso jornalismo é um antro de bandidos ainda mais perigosos do que os do PCC. Os bandidos atuam contra o patrimônio, os bandidos do jornalismo atuam contra a democracia, o maior patrimônio de um povo.

Na guerra contra Lula, Dilma e o PT, todas as armas já foram utilizadas. Ultimamente está em voga o golpe paraguaio. O golpe paraguaio, em moda na América do Sul, acontece quando se tenta dar um verniz legal a um golpe perpetrado às claras. É mais ou menos como atribuir a mulher de saia curta a culpa de seu estupro.

Na marcha do golpe paraguaio estão parcelas da Polícia Federal, Ministério Público e do Poder Judiciário, instrumentalizados pelos derrotados das últimas três eleições. A Síndrome de Abstinência eleitoral e de outros matizes tem levado o Napoleão das Alterosas a navegar pelo tapetão jurídico com uma desenvoltura só vista em fábulas árabes. Tudo em combinação com a velha mídia. A dobradinha de vazamentos seletivos, com maquiagem da meios mafiomidiáticos mantém em marcha um golpismo de republiqueta de bananas.

O mais recente episódio diz muito sobre o estágio atual do golpe paraguaio, mas fala ainda mais alto em relação ao “jornalismo” brasileiro.

Trata-se da sucessivas tentativas, e de forma escancarada, de manipular os fatos. Nesta guerra encetada pela direita brasileira para retomar o poder, depois de quinhentos anos, implica em esconder, como num passe de mágica, um helicóptero com 450 kg de cocaína. Todos os vazamentos da Operação Lava Jato são utilizados para esconder seus parceiros no golpe paraguaio e, ao mesmo tempo, incriminar a Presidente Dilma e o ex-Presidente Lula. A ponto de que tudo o que eles fazem os deixam de fazer é levado para aos tribunais, exatamente como fizerem os golpistas paraguaios. E mesmo quando os “crimes” atribuídos a eles sejam ocorrências idênticas às praticadas por FHC, Aécio Neves ou Geraldo Alckmin. Foi assim que o Estadão resolveu colocar uma tarja preta sobre personagem da marcha dos golpistas paraguaios, como se todo mundo fosse imbecil como eles. Para proteger as fontes que constantemente jorram, o Estadão joga para a fonte porque, como sabemos, o jornalista não precisa declinar o nome de sua fonte, e assim retira de seus ombros as tarjas espalhadas sobre seus parceiros ideológicos.

Fico com a análise do Roberto Requião: "Quem cobriu com tarja preta o nome de José Serra no documento da PF, quer seja da PF ou do Estadão, é um completo e perfeito idiota". Idiota, sim, mas peça importante na engrenagem do golpe paraguaio.

Nesta guerra em que a verdade é a primeira vítima, se os fatos não estiverem de acordo com as exigências para o golpe paraguaio, pior para os fatos.

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