Ficha Corrida

05/09/2015

Dirceu, aprenda com Aécio, mas primeiro entre no PSDB

jb servical-casa-grande (2)A justiça é cega. Eu, não. Depois de esconderem um helipóptero com 450 kg de cocaína, de camuflarem aecioportos, agora a Justiça de Minas também ajuda a lavar dinheiro público. Corrijo, a justiça mineira não é cega. É estrábica. Ainda não conseguiu julgar o mensalão mineiro, nem a Lista de Furnas, mas foi rápida para instalar uma lavanderia.

Quando José Serra perpetrou, pelas mãos do Mauro Chaves, o antológico artigo “pó pará, governador”, O Estado de Minas devolveu: “Minas a cabresto não”. Pois é, agora fica provado que Minas está a cabresto, sim!

Graças à Marcha dos Zumbis o Napoleão das Alterosas pode virar imperador. Se depender da Justiça de Minas só falta marcar a data para coração do Imperador.

Indenização ajudará tio de Aécio a quitar dívida

Fazendeiro terá que devolver R$ 250 mil

JOSÉ MARQUESDE BELO HORIZONTE

A Justiça de Minas Gerais autorizou um parente do senador Aécio Neves (PSDB-MG) a quitar uma antiga pendência judicial sem desembolsar um centavo, graças a uma indenização que ele receberá do Estado pela desapropriação do terreno onde o aeroporto da cidade de Cláudio (MG) foi construído quando Aécio era o governador.

Tio-avô do senador tucano, o fazendeiro Múcio Tolentino, 90, foi condenado em maio deste ano a devolver aos cofres públicos o dinheiro gasto para fazer uma pista de pouso que existia no local antes da construção do aeródromo do município.

A pista antiga, de terra batida, foi construída pela Prefeitura de Cláudio em 1983, quando o próprio Múcio era o prefeito da cidade, com dinheiro do Estado, que na época era governado por Tancredo Neves (1910-1985), de quem o fazendeiro era cunhado.

Como a pista ficava dentro da fazenda de Múcio, o Ministério Público entendeu que ele se apropriou de um bem público e entrou com ação civil contra ele. Por causa dessa ação, a área foi bloqueada pela Justiça e Múcio ficou impedido de vendê-la.

Em 2008, o governo estadual decidiu construir um aeródromo no lugar e desapropriou a área, depositando R$ 1 milhão numa conta judicial para garantir o pagamento da indenização. A Justiça determinou que o pagamento só fosse feito após a conclusão da ação civil movida antes contra Múcio.

A sentença com a condenação do fazendeiro foi publicada no dia 20 de maio deste ano. Em valores atualizados, o tio-avô de Aécio terá que restituir aos cofres públicos cerca de R$ 250 mil.

Em sua decisão, o juiz Jacinto Copatto Costa reconheceu a dívida como quitada, após o valor ter sido separado da indenização que o fazendeiro ainda tem a receber pela desapropriação do terreno.

Se a Justiça mantiver o valor da indenização proposta pelo Estado, de R$ 1 milhão, Múcio receberá pelo menos R$ 750 mil pela área, já descontado o valor que ele foi condenado a devolver por causa da outra ação. No processo, o fazendeiro chegou a pedir R$ 9 milhões pelo terreno.

ESCOLHA

A Folha revelou em julho do ano passado que o governo Aécio construíra o aeroporto dentro da fazenda do tio. O senador tucano e o governo mineiro disseram na época que a área foi escolhida por ser a opção mais econômica para o Estado, e não para beneficiar o parente de Aécio.

O Ministério Público Estadual abriu no ano passado um inquérito sobre a obra, mas em agosto deste ano arquivou o caso. Os promotores concluíram que não houve nenhuma irregularidade na escolha do terreno e na construção do aeroporto de Cláudio.

Em nota enviada à Folha, o diretório do PSDB de Minas Gerais afirmou que não houve "artifício para beneficiar o antigo proprietário" e disse que a decisão do governo estadual de construir o aeroporto no local foi tomada por ser a mais econômica para o Estado, em razão da existência da antiga pista de terra batida no lugar.

    21/03/2015

    Zé Bush

    Talvez seja por isso que nunca simpatizei com José Dirceu.  Minha antipatia só não foI maior para não compartilhar do mesmo sentimento com quem não tem sentimento, as Organizações Globo. Não é possível partilhar das mesmas opiniões com quem não tem opinião, mas intere$$es. Se todos os a$$oCIAdos do Instituto Millenium estão contra José Dirceu, se Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa estão contra José Dirceu, se Roberto Gurgel e Demóstenes Torres demonstravam tamanho ódio por ele, não seria razoável dividir o caminho com estes pilantras. A somado destes são elementos suficientes para demarcar trilhas. Nada do que estes personagens legam às instituições brasileiras guardam qualquer laivo de republicanismo, que engrandeça a política e, por este viés, a pátria brasileira. Quando estes personagens somados se submetem às diretrizes da Rede Globo, tudo fica ainda mais claro. A participação da Rede Globo e de qualquer uma de suas filiais serve de linha de demarcação entre dois territórios: o da institucionalidade e do golpismo. A Rede Globo sempre esteve ao lado de quem prefere as vias marginais, foras da institucionalidade, mormente quando envolve violência.

    Quando vemos as diferenças de tratamento entre os envolvidos na Operação Lava Jato fica ainda mais claro porque a Globo adota por regra a Lei Rubens Ricúpero. A Parabólica mostrou o modus operandi da Rede Globo. Jorge Pozzobom mostrou o modus operandi do Poder Judiciário e do Ministério Público. A captura do Joaquim Barbosa e Sérgio Moro, pela Rede Globo, obedece à mesma estratégia que colocou Miriam Dutra no colo de FHC.

    Dirceu, como o maior amigo e o maior inimigo de Fidel celebraram a paz, por André Araújo

    sab, 21/03/2015 – 09:15

    Atualizado em 21/03/2015 – 09:50

    ZE DIRCEU, O TALLEYRAND BRASILEIRO – Poucos politicos brasileiros tem a flexibilidade mental, o auto controle e a mente organizada como o ex-Ministro José Dirceu. A ele se deve a existencia do PT, sem sua capacidade de organização de um lado e de estrategia de composição de forças de outro o PT não teria existido e Lula poderia no maximo ser um lider sindical, como Paulinho da Força. Foi graças a Dirceu que o projeto do PT se materializou.

    Talvez porisso Zé Dirceu é alvo recorrente das forças antipetistas que se aglutinam de forma ciclica por espasmos.

    Antes do PT ganhar a primeira eleição em 2002 o Governo dos EUA estava preocupado com a surgencia de um novo Chavez na America do Sul, seria Lula igual ou pior que Chavez? A importancia estrategica do Brasil é muito maior que a Venezuela, Equador e Bolivia somados e multiplicados. A preocupação de Washington era real e justificada.

    Quem representava essa nova força de esquerda, qual personagem seria o cerebro do movimento que estava por ganhar o governo do Brasil, aliado historico dos EUA?  Não houve necessidade de pesquisa, o cerebro era Zé Dirceu.

    O governo Bush precisava um reconhecimento estrategico antes da eleição. Otto Reich, Subsecretario de Estado para o Hemisferio Ocidental que tinha a seu cargo a America Latina veio a São Paulo secretamente para se encontrar com Zé Dirceu. A reunião durou seis horas em um sábado, com a presença tambem da Embaixadora dos EUA e do Consul Geral em São Paulo, alem de William Perry, conselheiro politico do Departamente de Estado e considerado lá o maior especialista em Brasil, acompanhou pessoalmente e in loco todas as eleições brasileiras desde a redemocratização. Nesse encontro Zé Dirceu expos o plano de voo do PT, o projeto economico e social e deu as garantias da preservação dos caminhos institucionais do Estado brasileiro. Dessa reunião surgiram acordos tácitos  que garantiram o apoio do governo dos EUA ao novo governo a ser eleito, as pesquisas já davam como quase certa essa eleição.

    Livro recente dá outra versão como sendo um aval de Fernando Henrique Cardoso para o governo patista usando suas relações em Washington. Essa versão tem um problema. FHC sempre teve otimas relações com o Partido Democrata e especialmente com o ex-Presidente Clinton MAS seu relacionamento com os Republicanos era frio, especialmente com os Republicanos neocons, como era o grupo Bush. Explica-se: Os Republicanos historicamente detestam intelectuais, especialmente de esquerda, categoria onde FHC desponta como principe. Detestam ainda mais intelectuais de esquerda de aculturação francesa. Ao mesmo tempo, embora os Republicanos personifiquem os milionarios americanos, eles tem em altissima conta os "self made men", pessoas vencedoras por seus proprios esforços, aquilo que Lula é, ou seja, pessoas que não herdaram fortuna e devem tudo o que fizeram a seus proprios esforços. Dirceu vendeu essa visão de Lula para Otto e este, amigo intimo da familia Bush, retransmitiu.

    Otto Reich, judeu nascido em Cuba, provavelmente o maior inimigo vivo de Fidel Castro, encontrou-se com José Dirceu, provavelmente o maior amigo vivo de Fidel Castro, se entenderam perfeitamente bem e ficaram amigos. Desse primeiro encontro planejou-se uma semana depois uma viagem de Zé Dirceu a Wall Street e Washington.

    Essa sólida ponte construida garantiu a economia no primeiro mandato e conferiu a Dirceu credenciais pessoais em Washington a tal ponto que, Dirceu já fora do poder, a Secretaria de Estado Condolezza Rice veio a Brasilia e fez questão de almoçar com Dirceu antes de se encontrar com o Presidente Lula. Dirceu estava em Caracas e teve que voltar as pressas para almoçar com Condolezza. Outras demonstrações de prestigio politico ocorreram nessa época, Lally Weymouth, herdeira do jornal Washington Post ofereceu a Dirceu um jantar de 24 talheres em Nova York, cujos convidados foram os presidentes dos maiores bancos de Wall Street e esposas, isso em 2005 e Dirceu já em queda.

    A desgraça do pensamento "politicamente correto" da hipocrisia moralista defenestrou Dirceu e Palocci, desmontando o plano de voo seguro do PT, cuja crise politica começa ai, em 2005 e dura té hoje.

    O mensalão foi a desgraça do PT e do Brasil porque desmontou um xadrez politico equilibrado entre conquistas sociais e boa gestão economica. Por causa do mensalão as corporações juridicas ganharam um poder politico novo, que nunca tiveram antes e foram agregando mais e mais fatias de poder ater ter hoje condições de paralisar o Pais.

    Por estas ironias da Historia, o governo mais direitista dos EUA dos ultimos 40 anos teve entre 2003 e 2005 excelentes relações com um governo com projeto de esquerda no maior Pais da America Latina. Hoje o governo mais esquerdista dos EUA desde Roosevelt, tem más relações com o governo brasileiro, apesar do alinhamento ideologico obvio de Obama e Dilma, dois "outsiders" dos respectivos establishment politicos. A falta de um Zé Dirceu talvez seja parte dessas relações rotas, fazer esse papel da mente flexivel não é tãi simples como parece, poucos homens tem a capacidade de almoçar com Deuse e jantar com o Diabo no mesmo dia, isso me lembra em Dirceu um traço de Talleyrand, respeitados os respectivos contextos historicos, geograficos e politicos.

    Dirceu, como o maior amigo e o maior inimigo de Fidel celebraram a paz, por André Araújo | GGN

    17/04/2014

    De repente, não mais que de repente, cidadã

    Eliane CantanhedeELIANE CANTANHÊDE, porta-voz do PSDB resolve, sem um por da cá esta palha, se auto designar cidadã. Veja, ela só se considerou cidadã para pedir tratamento isonômico a José Dirceu. O que ela quis dizer com isso? Que só cidadãos pedem à Justiça tratamento igualitário. Contudo, o verdadeiro motivo que levou este Licor de Merda pedir para Dirceu o mesmo tratamento dos demais não foi a Páscoa nem qualquer outra razão humanitária. Foi a dura realidade, contada ontem AQUI!

    A Dirceu o que é de Dirceu

    BRASÍLIA – Ao Excelentíssimo ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal:

    José Dirceu de Oliveira e Silva foi condenado por ser chefe de uma quadrilha que o Supremo, infelizmente, decidiu no julgamento dos embargos infringentes que não existia.

    Sendo assim, a condenação de Dirceu foi reduzida e passou de regime fechado para semiaberto, mas ele continua trancafiado na Penitenciária da Papuda desde novembro.

    Ok, Excelência, Dirceu é metido a esperto desde criancinha e inventou de "trabalhar" num hotel só para driblar a prisão numa suíte com direito a uísque, petiscos e reuniões políticas –ou nem tanto. A esperteza tem perna curta e isso não colou. Mas, convenhamos, o novo pedido, para trabalhar num escritório de advocacia, está dentro dos conformes.

    Também sabemos de histórias de celular, podóloga, lanches privilegiados, visitas fora de hora. Isso não pode. Se a justiça tem de ser igual para todos, a cadeia também tem de ser. Mas, Excelência, nada se provou quanto ao celular, por exemplo, e já tem até promotora contrabandeando a quebra do sigilo telefônico do Planalto inteiro. O tempo está passando e José Dirceu continua em regime fechado, quando não deveria estar.

    Amanhã é Sexta-Feira Santa e vêm aí a Páscoa no domingo e o feriado de 21 de Abril na segunda. Delúbio Soares, João Paulo Cunha e tantos outros condenados terão um "saidão" de refresco. Por que não José Dirceu? Pelo que ele representa?

    Excelência, o julgamento do mensalão foi um marco para quem sonha com um país em que todos sejam iguais (e não só perante a lei). Mas, da mesma forma que execuções e humilhações de criminosos à luz do dia geram indignação, repulsa e horror, punições exemplares a José Dirceu causam estranheza.

    Não transforme o réu em vítima, Excelência. Até porque isso teria, ou até já tem, o efeito inverso ao que queremos e precisamos.

    Atenciosamente, uma cidadã.

    11/04/2014

    O alvo

    Filed under: Dilma,Golpismo,Golpistas,José Dirceu,Lula,Ministério Público — Gilmar Crestani @ 8:54 am
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    O alvo do consórcio conduzido por Roberto Gurgel em parceria com Assas JB Corp nunca foi a verdade, muito menos José Dirceu. Desde o princípio os mesmos que compraram a reeleição para FHC também promoveram aquele que seria o maior escândalo, conhecido pela Ação 470. Como declarou FHC à época, “não derruba, deixa sangrar”. Eles queriam derrotar Lula, mas sem que o golpe ficasse como estrela principal. O golpe seria apenas acessório. Lula sangrou, mas o povo o reconduziu. É claro que uma derrota daqueles suscitaria o que existe de mais abjeto em seres abjetos. O golpe poderia dar-se de outras formas. Foi testado na Venezuela, usando os grupos mafiomidiáticos, mas deu certo apenas por dois dias. Pedro Carmona, em dois dias, fechou a Suprema Corte o Congresso Venezuelanos. Era o primeiro ensaio do que pretendiam fazer aqui. A internet não deixou, a cada mentira do Jornal Nacional, como aquela da bolinha de papel transformada em objeto contundente. Como nada estava dando certo, fizeram outro ensaio. Desta vez no Paraguai. Em menos de 24 horas, com apoio logístico e de informações da NSA/CIA, derrubaram Lugo e implantaram o genérico do generalíssimo Franco. Estava dada a senha. É aí que se forma o consórcio dos magarefes do direito. Alimentados por instrumentos, a dobradinha tinha o tempero dos que sempre estiveram ao lado de golpistas e ditadores. Reunidos entorno do Instituto Millenium, Veja, Globo, RBS, Folha & Estadão deflagraram, porque o show (de horror) não podia parar, o bombardeiro incessante contra tudo e todos, desde que tudo e todos fossem do PT.

    O viés golpista fica bem evidente se comparados ao comportamento em relação ao escândalo nos trens paulistas. As justiças da Suíça e da Alemanha condenaram, respectivamente, Alstom e Siemens, por terem pagos milhões de dólares em propina ao PSDB paulista desde Mário Covas. Da Suíça veio a prova de Robson Marinho, Conselheiro do Tribunal de Contas de São Paulo, indicado por Covas e apadrinhado por FHC, Serra e Alckim, tinha e tem milhões de dólares depositados em bancos suíços. Ora, o que faz a mídia e o Ministério Público? Isso aí, NADA!!

    glono_n

    Promotora escondeu do STF plano de investigar Planalto

    Pedido para rastrear suposto telefonema de Dirceu incluiu palácio como alvo

    Petição do Ministério Público prevê quebra de sigilo de todos os aparelhos usados na sede do governo federal

    DO PAINELDE BRASÍLIADE SÃO PAULO

    A promotora que investiga suspeitas de que o ex-ministro José Dirceu usou um telefone celular na prisão escondeu sua intenção de investigar ligações feitas a partir do Palácio do Planalto ao pedir à Justiça a quebra de sigilo de aparelhos usados no local.

    No pedido apresentado na semana passada ao Supremo Tribunal Federal, a promotora Márcia Milhomens Sirotheau Corrêa, do Ministério Público do Distrito Federal, não faz nenhuma referência ao palácio, mas indica suas coordenadas geográficas como alvo da investigação.

    Condenado no julgamento do mensalão, Dirceu está preso desde novembro no complexo penitenciário da Papuda, em Brasília. O Ministério Público abriu inquérito em janeiro para saber se ele fez ligações telefônicas de dentro do presídio, o que é proibido.

    O secretário de Indústria da Bahia, James Correia, disse em janeiro à coluna "Painel" ter falado com Dirceu por celular no dia 6 de janeiro. O advogado de Dirceu, José Luis Oliveira Lima, nega que o contato tenha ocorrido.

    No pedido de quebra de sigilo telefônico, a promotora disse que seria preciso o "confronto entre as ligações realizadas pelos aparelhos de telefonia móvel que se encontram no presídio e pelos aparelhos que se encontravam no Estado da Bahia" e indicou duas coordenadas geográficas para o levantamento.

    Embora o requerimento não deixe isso claro, as coordenadas correspondem ao presídio da Papuda e ao Palácio do Planalto. O pedido permite que todos os aparelhos usados dentro da sede do governo sejam rastreados.

    Procurado pela Folha nos últimos dois dias, o Palácio do Planalto não quis se manifestar sobre a investigação.

    Por meio de sua assessoria de imprensa, o Ministério Público do Distrito Federal não apresentou justificativas para a investigação do Planalto e afirmou que o foco da investigação é Dirceu e o uso de celulares no presídio, "independentemente de onde caia a coordenada geográfica".

    O pedido foi apresentado ao presidente do STF, Joaquim Barbosa, que foi o relator do processo do mensalão. Ele ainda não decidiu se vai autorizar a quebra de sigilo.

    A promotora quer que as operadoras de telefonia celular enviem registros de todas as chamadas feitas e recebidas por celulares na Papuda e no Palácio do Planalto entre os dias 1º e 16 de janeiro.

    DEVASSA

    Na quarta-feira, os advogados de Dirceu apresentaram ao STF o parecer de um engenheiro identificando as coordenadas informadas pelo Ministério Público e pedindo que o requerimento de quebra de sigilo seja rejeitado.

    Os advogados também querem que o STF analise o processo em que Dirceu pede autorização para trabalhar fora da cadeia, que está parado por causa da investigação sobre o contato telefônico que ele teria mantido na prisão.

    "É preocupante o pedido formulado pelo Ministério Público, por ser genérico e desprovido de fundamentação", afirmou José Luis Oliveira Lima. "O Ministério Público propõe uma devassa indiscriminada em várias linhas telefônicas, o que é ilegal."

    O advogado criminalista Pedro Iokoi disse que um pedido de quebra de sigilo que atinja indiscriminadamente todos os aparelhos celulares de uma determinada região é "absolutamente ilegal".

    A lei nº 9.296, de 1996, que trata de interceptações telefônicas, diz que os pedidos à Justiça devem conter "indicação e qualificação dos investigados", incluindo os números dos telefones a investigar.

    "A quebra indiscriminada do sigilo de telefones de uma área viola o direito constitucional à privacidade daqueles que não são alvo da apuração criminal", disse Iokoi.

    Para o advogado, a autorização do rastreamento dos aparelhos usados no Planalto seria "uma indevida invasão do Poder Judiciário nas comunicações do Executivo".

    (VERA MAGALHÃES, SEVERINO MOTTA, MATHEUS LEITÃO E FLÁVIO FERREIRA)

    16/03/2014

    Assas JB Corp. x José Dirceu

    Filed under: Assas JB Corp,José Dirceu — Gilmar Crestani @ 8:36 pm
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    Confissão de fraude à lei: “Foi para isso, sim!” – JB 

    Há pessoas que nutrem ódio contra quem as ajudou: Barbosa é desse naipe

    dom, 16/03/2014 – 17:37

    Enviado por IV Avatar

    Do blog A Justiceira de Esquerda
    José Dirceu tem um Projeto de Nação, Joaquim Barbosa um Projeto de Poder Pessoal

    O nome dele ganhava força dentro do partido e nas rodas sociais de Brasília como possível indicado ao Supremo.

    “Ele se formou na UnB, tinha uma rede de contatos à esquerda. Não se tratava de lobby, era uma coisa mais despojada”, diz Vera Lúcia Santana Araújo, advogada que também se entusiasmou com a campanha.Joaquim queria muito ser ministro. Assim que soube que Lula pretendia nomear um negro para o STF, Joaquim ligou ao colega de Ministério Público Federal, Aristides Junqueira, ex-procurador-geral da República.

    “Ele me ligou dos Estados Unidos e disse: ‘Olha, parece que o presidente da República quer nomear um negro para o STF’. Eu respondi de pronto: ‘Vamos em frente”, diz Junqueira. Foi então que Joaquim buscou a ajuda de Kakay. Queria se apresentar a José – etapa necessária para o sonho do Supremo. O encontro aconteceu em abril de 2003, no restaurante Piantella.

    “Os dois são muito formais. Então, o encontro foi protocolar”, diz o intermediário Kakay. “O Zé falou para o Barbosa: ‘Se o currículo do senhor for bom, o senhor será indicado. E quem indica é o presidente Lula’. E ainda criticou o atual sistema de indicação para o STF, em que os potenciais indicados tinham de procurar ministros de Estado para pedir ajuda.”

    José gostou de Joaquim.

    E encaminhou a indicação ao Senado. Está no papel: no dia 7 de maio de 2003, num despacho oficial assinado por José Dirceu de Oliveira e Silva, ministro de Estado Chefe da Casa Civil da Presidência da República:

    “A sua excelência, o Senhor Senador Romeu Tuma. Encaminho a essa Secretaria mensagem na qual o Excelentíssimo Senhor Presidente da República submete à consideração dessa Casa o nome do Senhor Joaquim Benedito Barbosa Gomes para exercer o cargo de Ministro do Supremo Tribunal Federal”.

    O protocolo da indicação estava encaminhado. Duas semanas depois, na sabatina do Senado para referendar sua indicação, Joaquim foi instado a falar o que achava do PT. Mostrou sua simpatia:

    “A meu ver, a eleição do presidente Lula configura, talvez, o nosso primeiro caso de real alternância de poder. Falei também (anteriormente) sobre a especificidade do Partido dos Trabalhadores. Trata-se de um partido com uma configuração social-democrata no estilo europeu. É um partido que não renega o modo de produção capitalista, mas tem a preocupação profunda de combater, de corrigir as mazelas do sistema capitalista, de implantar algum tipo de proteção de salvaguarda social”.

    Estava feito: José ajudara Joaquim a chegar ao topo.

    Fonte: Época

    Joaquim Barbosa se apresentando no Senado pela indicação do presidente Lula.

    “Imediatamente após a graduação na UnB, prestei concurso para a pós-graduação, para o mestrado da própria Universidade, um mestrado longo, de dois anos e meio, que concluí em meados de 1982. Mestrado em Direito do Estado, cuja dissertação não concluí, à mingua de tempo para escrever a tese.

    Mas, seis anos depois, retomei os estudos universitários, desta feita já como Procurador da República e com uma generosa autorização do Dr. Sepúlveda Pertence, hoje Ministro do Supremo Tribunal Federal, na época, Procurador-Geral da República, que me autorizou a ausentar-me do País para cumprir essa jornada de estudos na França, país com o qual desde a adolescência tenho vínculos intelectuais sólidos.

    Fui para a França em 1998, cumpri esse programa de pós-graduação bastante longo, onde obtive três diplomas de pós-graduação. O primeiro deles introdutório a um curso de doutorado previsto para alunos estrangeiros, uma espécie de introdução ao sistema jurídico francês.

    No ano seguinte, ingressei num curso que chamaria de um mergulho nas instituições e no Direito francês, como se francês fosse, um estudo das instituições francesas, como se eu tivesse como objetivo ali permanecer, embora esse nunca tenha sido o meu intuito”.pág 12
    “Em 1973, ganhei na loteria. Fui simplesmente convidado a ingressar no Serviço Gráfico do Senado Federal, onde passei três anos maravilhosos da minha vida, trabalhando de vinte e três a seis horas da manhã para, depois, logo em seguida, freqüentar a Universidade de Brasília. Esse trabalho teve uma importância fundamental na minha formação. Com dezenove anos, tive o privilégio de fazer um trabalho que consistia em compor os diários desta Casa, do Senado Federal.” (…)
    “Prestei concurso para o Itamaraty, para oficial de chancelaria, e me transferi para lá, em 1976. Logo em seguida, o Itamaraty me propiciou a possibilidade de fazer a minha primeira viagem internacional, que, certamente, foi um divisor de águas na minha vida.” (…)pag.15
    (…)”Em segundo lugar, agradeço imensamente a generosidade das palavras proferidas aqui a meu respeito pelos Senadores Demóstenes Torres, Antonio Carlos Magalhães e Pedro Simon. É uma honra receber de V. Exas palavras tão elogiosas”. pág. 24
    (…) “Estrépito midiático este provocado pelo fato de eu ser uma pessoa negra. Assumo ecarrego esse fardo em razão do ineditismo da indicação, mas com a esperança de que, nos próximos dez ou quinze anos, uma indicação como esta seja uma coisa banal”.pág.26
    Fonte: Transcrição da Sabatina no Senado

    Me causou estranheza em seu discurso, no Senado,  que o nome dos dois primeiros afrodescendentes da história do Brasil no STF não tenham sido mencionados pelo sabatinado,
    Embora Tião Vianna PT/AC tenha feito referência:
    “Dois mineiros de sua lavra que honraram a história dessa instituição: Hermenegildo Barros e Pedro Lessa foram consagrados mulatos, presentes na Corte brasileira. Há, inclusive, um busto de Pedro Lessa, uma homenagem dos próprios advogados brasileiros, na entrada do prédio do Supremo Tribunal Federal”. Pág.31

    Em decreto de 26 de outubro de 1907, do Presidente Afonso Pena, foi nomeado Ministro do Supremo Tribunal Federal, preenchendo a vaga ocorrida com a aposentadoria de Lúcio de Mendonça. Tomou posse em 20 de novembro seguinte.
    Seus votos e manifestações no mais alto tribunal do país foram sempre brilhantes fontes de ciência jurídica, contribuindo para a interpretação da Constituição, destacando-se os que permitiram construir a famosa teoria brasileira do habeas corpus, que veio a culminar com o mandado de segurança.
    Foi eleito para a ABL na cadeira número 11.

    Nunca faltou as sessões do STF. Não compareceu ao casamento da filha porque foi marcado para a mesma hora da sessão do STF.
    Em sua gestão foi instalado, sob sua presidência, o Tribunal Superior de Justiça Eleitoral, em 20 de maio de 1932; foi indicado presidente efetivo da Constituinte de 1934.
    Foi voto favorável à extradição de Olga Benário
    Encontrei a explicação do Ministro Joaquim Barbosa sobre meu estranhamento, abaixo:
    Festejando sua indicação, Barbosa Gomes foi o primeiro a reconhecer o simbolismo de sua ascensão.
    “Vejo como um ato de grande significação que sinaliza para a sociedade o fim de certas barreiras visíveis e invisíveis”, disse. “Posso vir a ser o primeiro ministro reconhecidamente negro”, completou.
    E eu pensando sobre o que é “reconhecidamente negro". Esta parte em itálico, me deixou em dúvida se faz parte da fala de JB ou do autor do texto):
    Isso porque, na história do STF, já houve dois negros – um mulato escuro, Hermenegildo de Barros, ministro de 1919 até a aposentadoria, em 1937, e outromulato claro, Pedro Lessa, ministro de 1907 até sua morte, em 1921. Ambos nasceram no interior de Minas Gerais, como Barbosa Gomes, mas nenhum era“reconhecidamente negro” nem de origem tão humilde – o que empresta à indicação de agora um simbolismo ao mesmo tempo étnico e social.
    Fonte: revista de fofocas, segundo jornal inglês

    Há pessoas que nutrem ódio contra quem as ajudou: Barbosa é desse naipe | GGN

    01/02/2014

    De onde sai o dinheiro que paga as contas da Prada

    Filed under: Assas JB Corp,Joaquim Barbosa,José Dirceu — Gilmar Crestani @ 7:12 am
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    jb poderEsta história das multas ilustra de forma inconteste porque alguns nunca vão para a cadeia. Basta roubar bastante, que o dinheiro não falta para isso e outras tantas coisas. E por aí também se explica porque, diante de tantos crimes financeiros, até hoje nenhum banqueiro foi preso. E, quando um foi, Daniel Dantas, encontrou em Gilmar Mendes um diligente Ministro para despachar no atacado dois habeas corpus em menos de 24 horas, para crimes diferentes, sem multa, sem culpa, cabelos soltos ao vento.

    A exacerbação do ódio se volta contra os sicários do direito, e, mesmo que o réu tivesse alguma culpa, passa a ser crime de bagatela diante do tamanho da injustiça. E sempre haverá penas de aluguel no jornalismo para incitar à depredação. Depois, quando o povo se volta contra eles, viram baderneiros.

    Dirceu terá de pagar multa de quase R$ 1 mi

    Valor foi atualizado pela Vara de Execuções Penais do DF, que dará dez dias para petista quitar dívida com a Justiça

    Ex-ministro usará site para receber doações, assim como fez Delúbio, que ontem pagou os R$ 466,8 mil que devia

    MATHEUS LEITÃOMARIANA HAUBERTDE BRASÍLIA

    O ex-ministro José Dirceu terá que pagar quase R$ 1 milhão para quitar a multa imposta pelo STF como parte da condenação no processo do mensalão. O valor atualizado da punição foi divulgado ontem pela Vara de Execuções Penais do Distrito Federal.

    Inicialmente, Dirceu foi condenado a pagar 260 dias-multa no valor de dez salários mínimos, o que, de acordo com valores da época da condenação, representava aproximadamente R$ 676 mil. Com as correções, o valor chegou a exatos R$ 971.128,92.

    O petista ainda não foi intimado, por isso não há prazo para que ele quite a dívida. Assim que for comunicado oficialmente, o ex-ministro terá dez dias para pagar.

    Para arcar com a multa, Dirceu adotará a mesma estratégia de José Genoino e Delúbio Soares, que arrecadaram muito mais do que precisavam por meio de campanhas de doação na internet.

    Um site para financiar a multa de Dirceu já está pronto e deverá ser lançado na próxima semana.

    O ex-ministro começará a arrecadação contando com uma gorda ajuda. Segundo o coordenador do setor jurídico do PT, Marco Aurélio Carvalho, o excedente do valor arrecadado por Delúbio Soares será doado a Dirceu, descontados os impostos.

    Ontem, Delúbio quitou a multa de R$ 466,8 mil. Ele arrecadou R$ 1.013.657,26 ao todo em dez dias. Segundo Carvalho, a defesa dele irá calcular o imposto a ser pago e doará o restante para Dirceu.

    "Delúbio entende que quem doou, não doou para ele pessoalmente e, por isso, vai colocar o dinheiro à disposição", disse Carvalho.

    Segundo ele, 1.100 pessoas fizeram doações para o ex-tesoureiro petista. A maioria dos contribuintes é de sindicalistas e advogados, mas uma quantidade expressiva de pessoas sem ligação com o PT também doou. Na avaliação de Carvalho, isso aconteceu porque há uma "percepção de injustiça" na sociedade em relação ao julgamento do mensalão.

    Na semana passada, Genoino pagou a multa de R$ 667,5 mil. Na campanha lançada na internet, ele arrecadou R$ 761 mil e, por isso, doou R$ 30 mil para ajudar Delúbio. O ex-presidente do PT já pagou o imposto, que ficou em aproximadamente R$ 40 mil, segundo Carvalho.

    Dirceu foi condenado a 7 anos e 11 meses pelo crime de corrupção ativa e, por isso, cumpre pena no regime semiaberto. Ele aguarda autorização da Justiça para trabalhar na biblioteca do escritório de advocacia de José Gerardo Grossi, em Brasília.

    02/12/2013

    Se fosse do PT, já estaria presa

    Filed under: Ódio de Classe,DEMo,Joaquim Barbosa,José Dirceu,Roberto Jefferson — Gilmar Crestani @ 9:12 am
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    roberto jefferson

    Como sabemos, a rapidez na prisão obedece à sigla PPPP: preto, pobre, puta e petista.

    Prefeita é cassada pela décima vez em um ano

    Cláudia Regina (DEM) se mantém no cargo em Mossoró (RN) com liminares

    Denúncias são de caixa dois e abuso de poder; advogado diz que condenações se devem a acusações parecidas

    DANILO SÁCOLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM NATAL

    Como uma espécie de "Highlander" da política, a prefeita de Mossoró (RN), Cláudia Regina (DEM), teve o mandato cassado dez vezes pela Justiça Eleitoral somente neste ano, mas vem se mantendo no cargo.

    A última decisão contra a prefeita apontou prática de caixa dois na campanha de 2012. A exemplo do que ocorre nos demais processos, ela recorre da decisão –sem deixar o posto.

    As outras cassações se deram por abuso de poder econômico e político.

    As acusações incluem o uso de servidores da prefeitura na campanha e o suposto benefício obtido com as 85 visitas a Mossoró da governadora Rosalba Ciarlini (DEM) durante o período eleitoral, feitas em avião do governo.

    Cláudia Regina e seu vice, Wellington de Carvalho (PMDB), chegaram a ser afastados dos cargos por três vezes, mas conseguiram recuperar os respectivos mandatos por meio de liminares (decisões provisórias).

    Hoje, respondem a sete ações no Tribunal Regional Eleitoral do RN.

    O Ministério Público já deu parecer sobre todas as ações que estão no TRE. "Em apenas um dos casos a Procuradoria foi contra a cassação", disse o procurador regional eleitoral, Paulo Duarte.

    A maior parte das acusações contra a prefeita partiu da coligação que enfrentou Cláudia Regina em 2012, que reúne siglas como PSB e PT.

    Mossoró é a segunda maior cidade do Rio Grande do Norte. Localizada a 277 km de Natal, é também base de vários líderes políticos do Estado –como a própria governadora, Rosalba, que administrou a cidade por três mandatos.

    OUTRO LADO

    Segundo o advogado de Cláudia Regina, Sanderson Mafra, várias ações contra ela partem de acusações semelhantes; por isso, tantas condenações. Mafra diz que a prefeita é inocente de todas elas.

    Sobre o uso do avião pela governadora, disse que Rosalba Ciarlini cumpriu agenda oficial. Com relação à participação de servidores na campanha da prefeita, afirmou que todos estavam de folga quando participaram de atividades eleitorais.

    30/11/2013

    O ódio cega

    Filed under: Ódio de Classe,Grupos Mafiomidiáticos,José Dirceu — Gilmar Crestani @ 7:43 am
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    Não vi nenhuma histeria quando foi revelado que a filha de FHC, Luciana Cardoso, estivera por longos anos recebendo salários no Senado sem nunca aparecer por lá, pendurada num cabide do Senador Heráclito Fortes (DEM/PI). E quem revelou não foi nenhum esquerdista, mas a própria Folha. Talvez porque fosse dinheiro público. Se dinheiro público pode abastecer helicóptero de traficante, porque não pode pagar salários a um filha de ex-presidente? Durante o governo FHC, a RBS conseguiu junto ao Banco do Brasil um empréstimo que a área técnica do banco negara. Foi liberado por ordens de Brasília. Quando o PSDB foi apeado, Pedro Parente foi contratado pela RBS. Ninguém perguntou o que ele entendia de mídia, nem quanto ele ganhava da RBS. Mas se sabe que foi um dos artífices da Medida Provisória nº 70 que alterou as regras da radiodifusão, beneficiando a RBS.

    Agora, quando um empresário do ramo hoteleiro oferece emprego a José Dirceu, todos os poodles midiáticos urraram como se fossem  pittbulls. Pior, que eles tenham feito isso porque recebem por isso, se compreende. Incompreensível é uma manada de ignorantes repetirem a cantilena de forma menos racional que amebas. Se tivessem um pouco de respeito à própria inteligência não repetiriam o que não se sustenta ao menor raciocínio lógico. Neste episódio fica evidenciado todo ódio destilado pelos meios de comunicação e assimilado pelos mesmos amestrados de sempre. Quando Roberto Freire, morando em Pernambuco, foi empregado por José Serra como conselheiro em São Paulo, recebendo dos cofres públicos sem ter de ir para lá, ninguém publicou uma linha de indignação. Os poodles da RBS não soltaram um latido.

    O que enche de ódio e provoca histeria é José Dirceu ser contratado por um hotel! Após o episódio dos Perrella e seus 450 kg de cocaína fica provado que se Dirceu fosse traficante ninguém se importaria com isso! Todos os idiotas preocupado com o emprego de gerente de hotel para Dirceu, e ninguém dando a menor pelo para o emprego de piloto de helicóptero dos Perrella…

    Pense nisso antes de se manifestar como um poodle amestrado.

    Dirceu ganhou emprego ‘por qualificação’, diz empresário

    Dono do hotel Saint Peter afirma que procurava um gerente há 90 dias

    Disposto a pagar R$ 20 mil ao petista, Abreu disse que o conheceu numa audiência, mas não é seu amigo

    JÚLIA BORBAMATHEUS LEITÃODE BRASÍLIA

    Empregador do ex-ministro José Dirceu no hotel Saint Peter, em Brasília, o empresário Paulo de Abreu afirmou que conheceu o petista em uma audiência no Palácio do Planalto e o contratou "pela qualificação".

    "Há 90 dias estávamos procurando um gerente administrativo. Ele foi contratado pela qualificação", disse. Segundo Abreu, eles não são amigos, o posto para gerente administrativo já existia e o último profissional no cargo foi "dispensado".

    O empresário explicou que, descontados os impostos, o salário de R$ 20 mil que prometeu a Dirceu "chegará mais ou menos a R$ 14 mil".

    A entrevista com Abreu foi feita, a seu pedido, por e-mail.

    A decisão se Dirceu poderá ou não trabalhar no Saint Peter deve tomada pela VEP (Vara de Execuções Penais) em cerca de 30 dias.

    Abreu falou ainda sobre a diferença de salários entre Dirceu e Valéria Linhares, que é gerente geral do hotel e será a chefe do ex-ministro. Na carteira de trabalho dela consta R$ 1.800.

    "O valor do salário da sra. Valéria ficará maior com a comissão que compõe sua remuneração", disse. Abreu não respondeu quanto o hotel pagava para o gerente anterior.

    Ele afirmou que políticos de vários partidos já moraram no Saint Peter. "Não só do PT, mas do PSDB, a exemplo deputado Walter Feldman [hoje no PSB], José Genoino [ex-presidente do PT]."

    Abreu não explicou como ou quando conheceu Dirceu. Citou que a primeira vez que se viram foi numa audiência no "Palácio" –"e me apresentei", disse.

    Dirceu foi ministro-chefe da Casa Civil entre 2003 e 2005, no governo Lula. Ele saiu acusado de participar do esquema do mensalão. Condenado ao regime semiaberto, está preso desde o dia 15.

    Procurado, o advogado de Dirceu, José Luis Oliveira Lima, não quis comentar as declarações do empresário.

    Abreu diz atuar "há mais de 40 anos" no setor de telecomunicações e que suas visitas ao Ministério das Comunicações e à Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) são frequentes. Este ano, esteve com o ministro Paulo Bernardo em 23 de setembro, segundo a agenda do órgão.

    O ministério informou que "assim como ocorre com radiodifusores de todo o país, [Abreu] foi recebido pelo ministro em audiência para tratar de radiodifusão".

    Esta semana, a Folha mostrou que sua emissora "Top TV", de Francisco Morato (SP), foi beneficiada, a pedido do ministério, por decisão da Anatel. Suas antenas tiveram permissão para serem instaladas na avenida Paulista, na capital, aumentando o potencial de telespectadores.

    Abreu disse que trata-se de uma "emissora educativa sem fins lucrativos".

    27/11/2013

    Os fios que ligam Dirceu, desligam Aécio de Zezé Perrela

    Seria cômico não fosse trágico. A Folha descreve em detalhes todos os bens de propriedade do dono do hotel que vai empregar José Dirceu. O recado da Folha é claro: é assim que tratamos empresários que ousam dar emprego a petistas que odiamos!

    Não se vê o mesmo afinco para traçar as carreiras que ligam Aécio Neves a Zezé Perrela, nem os dutos que ligam os vagões de José Serra a Mauro Ricardo.

    Quando Joaquim Barbosa conseguiu emprego para seu filho na Globo, ou quando levou a funcionária da Globo para cobrir sua palestra no Caribe, a Folha não fez a lista das propriedades da famiglia Marinho.

    Então, você que odeia o PT, fique sabendo que seu amestramento pelos grupos mafiomidiáticos é um case de sucesso no hospital psiquiátrico…

    Dono de hotel possui grupo de rádios e seu partido apoia Dilma

    Paulo Abreu é filiado ao nanico PTN, comandado por seu irmão; legenda apoiou a eleição da petista em 2010

    Amigos de Dirceu dizem que não havia relação do empresário com o petista e que advogado arranjou o emprego

    DE SÃO PAULO DE BRASÍLIA

    Filiado ao nanico PTN (Partido Trabalhista Nacional), o empresário Paulo Masci de Abreu, dono do hotel que contratou o ex-ministro José Dirceu como gerente, também é proprietário de uma empresa de comunicação que possui ao menos oito rádios no Estado de São Paulo.

    São dele, por exemplo, a Tupi FM, uma das emissoras de maior audiência na capital paulista, de música sertaneja, e a Kiss FM, que toca rock clássico. A rede CBS (Comunicações Brasil Sat), de sua propriedade, possui ainda as rádios Mundial, Terra FM, Melodia e Scalla FM.

    O empresário é irmão de José Masci de Abreu, ex-deputado e presidente nacional do PTN, que integrou a coligação da presidente Dilma Rousseff nas eleições de 2010. O futuro patrão de Dirceu filiou-se à legenda em 2011.

    A Folha procurou Paulo Abreu na sede da CBS, localizada na avenida Paulista, e em sua casa, no Morumbi (zona oeste). Ele não foi encontrado em nenhum dos locais.

    Na Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), ele e seus irmãos são conhecidos pelos seguidos casos em que conseguiram outorgas para concessão de TV e rádio após determinação da Justiça, e não por meio de autorização da agência.

    Duas das principais emissoras que Abreu mantém na capital paulista –Rádio Sociedade Marconi e Radiodifusora Atual Limitada– são outorgas que eram de terceiros e foram cassadas durante o regime militar (1964-85), mas que ele conseguiu recuperar após processo judicial.

    Outra prática de Abreu conhecida pela agência reguladora é conseguir autorização para operar uma rádio em uma cidade pequena, mas vizinha a uma capital.

    Sem permissão, ele leva antenas e transmissor para a cidade maior e começa a transmitir, até que seja descoberto pela fiscalização.

    SEM ENTREVISTA

    Identificada apenas como Rosane, a representante do hotel que contratou Dirceu, disse que Paulo Abreu não daria entrevistas e que ela responderia por escrito aos questionamentos da reportagem sobre o vínculo dele com Dirceu. Não houve resposta até a conclusão desta edição.

    Amigos próximos a Dirceu negam que houvesse qualquer relação prévia entre o petista e Abreu e afirmam que a intermediação para o emprego foi feita pelo advogado José Luis de Oliveira Lima.

    Procurado, o responsável pela defesa do ex-ministro disse que "a relação entre Dirceu e Paulo é profissional, entre empregado e empregador, e toda a documentação legal foi apresentada".

    Sobre possíveis ligações anteriores entre o ex-ministro e o novo patrão, Oliveira Lima limitou-se a dizer que não iria "tecer comentários sobre esse tipo de colocação".(DIÓGENES CAMPANHA, MARINA DIAS, JULIA BORBA E MATHEUS LEITÃO)

    28/09/2013

    Enquanto isso, o procurador Demóstenes Torres continua solto

    Filed under: José Dirceu,O Vilão,Tata Amaral — Gilmar Crestani @ 9:48 pm
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    Bastou procurar e já descobriram no que gastam o tempo alguns desocupados do Ministério Público. Dirceu, não há salvação, o ódio dos invejosos será para sempre sua herança!

    ‘O Vilão’ leva procurador a ressuscitar censura prévia

    :

    Produção de filme sobre José Dirceu é vigiada de perto pelo Ministério Público; O Vilão da República não pode ter "apologia ou culto à personalidade" do ex-ministro e réu da AP 470, avisa procurador Marinus Marsico à Agência Nacional de Cinema; cineasta Tata Amaral já tem 20 horas de gravações; fita captou R$ 1,5 milhão pela Lei Rouanet, de incentivos fiscais; é de se perguntar: se o filme acabar de arrebentar com a imagem de Dirceu, está liberado?

    28 de Setembro de 2013 às 17:53

    247 – Mais uma saia justa na vida do ex-ministro José Dirceu. Agora, do mundo real para as telas dos cinemas, passando pela Lei Rouanet e o Ministério Público.

    O filme O Vilão da República, da cineasta Tata Amaral, está sendo vigiado de perto pelo procurador Marinus Marsico, que enviou recomendação à Ancine (Agência Nacional de Cinema) para que não permita que a obra se torne apologia e culto à personalidade de Dirceu. Na prática, goste-se do personagem principal da trama ou não, Marsico estabeleceu uma nova espécie de censura prévia – talvez a pior de todas. Procura controlar, antes da finalização e durante a realização, a obra cultural.

    Aprovado nos critérios da Lei Rouanet, que transforma investimentos culturais de empresas em renúncia fiscal, o filme foi autorizado a captar R$ 1,53 milhão. À medida em que vai se valer de um dinheiro que deixou de entrar nos cofres do Estado e, portanto, torna-se público, o filme chamou a atenção do Ministério Público. Ou, melhor dizendo, chamou a atenção porque tem como personagem central o polêmico José Dirceu. Se tivesse outro tema, a produção não teria despertado o interesse do procurador Marsico. Ele próprio admite a fonte do zelo. Trata-se, afinal, de um político que está vivo, como ele frisou em sua recomendação à Ancine.

    O Vilão … mostra o período da vida de Dirceu que vai da chefia da Casa Civil do governo Lula ao julgamento da Ação Penal 470, no Supremo Tribunal Federal.

    No frigir dos ovos, o que o procurador Marsico não quer e um filme a favor de Dirceu. Seria isso o que ele quer dizer com a recomendação de que se evite a apologia e o culto à personalidade? Parece que sim.

    Porém, qual é a medida universal para se saber quando a fronteira da imparcialidade que cobra o procurador é quebrada? Um filme nitidamente contra Dirceu pode? Se for ainda pior, pode mais ainda? Ou, para outros, quanto mais a favor, melhor?

    O que soa mais alto, neste momento, é que o procurador perdeu uma chance de permanecer anônimo. Se o filme de Tata Amaral – de resto uma diretora consagrada, com participação em diferentes festivais e público formado – foi aprovado normalmente para a Lei Rouanet, e seus produtores foram diligentes o suficiente para fazer a captação dos recursos, qual é o problema?

    O filme que vier será apreciado, criticado e aplaudido – ou não. O procurador não tem nada a ver com isso. A não se que se reestabeleça a censura no Brasil.

    27/08/2013

    Biografeiros da Veja

    Filed under: Biografias,InVeja,José Dirceu — Gilmar Crestani @ 7:45 am
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    MARIO SERGIO CONTI

    Os erros de "Dirceu"

    A disputa política vem se tornando deletéria devido a livros que não prezam a verdade, que é sempre revolucionária e nos fará livres

    A "piauí" de agosto (leia texto abaixo) traz uma resenha com 30 erros factuais de "Dirceu", de Otávio Cabral. O editor do livro, Carlos Andreazza, não os contestou em seu artigo na Folha(23/8). Mas escreveu que o "levantamento espantoso" é "um inventário ressentido de miudezas".

    Espantosos são os absurdos da biografia, e não o seu recenseamento. Inexiste ressentimento porque não fiz ilações a partir do livro. E caso fossem miudezas, por que foram postas em "Dirceu", e ainda por cima incorretamente?

    Andreazza insinuou que expus os equívocos para defender réus do mensalão. Isso é desconversa para fugir do assunto, as inconsistências do livro que ele editou. Mas registro: já critiquei a política de José Dirceu dos anos 60 aos 2000, da luta armada às loas à ditadura cubana, do arreglo com a burguesia à arrecadação criminosa de fundos para o PT.

    Além dos que assinalei, o livro tem outros 30 desacertos. Eis dez deles. "O movimento estudantil, a partir de 1967, tornara-se a única voz da sociedade civil contra o regime militar", escreve Cabral. Não foi assim. Houve greves operárias em Contagem e Osasco em 1968. O teatro e o cinema rebeldes existiram até o AI-5, bem como a resistência de intelectuais.

    Em 1971, diz ele, "as colônias da África começaram a lutar pela independência contra as potências europeias e a China ameaçava invadir Taiwan". Nem uma coisa nem outra. A luta anticolonial africana se iniciara décadas antes. Em 1971, a ONU expulsou Taiwan e elegeu a República Popular como representante única do povo chinês. "Miudezas" ou ignorância acerca do mundo de Dirceu, o da esquerda?

    Para Otávio Cabral, Dirceu era "ferrenho opositor" do governador Franco Montoro. O tucano fora seu professor e ajudou sua família nos anos de exílio e clandestinidade. Por isso, sempre foi lhano nas críticas a Montoro.

    O autor dá curso à lenda de que o PT não teria homologado a Constituição. Os constituintes petistas votaram contra a Carta, mas o partido veio a homologá-la. É uma nuance, significativa das ambiguidades do PT, que escapa a Cabral. Entre o joio do mito e o trigo do real, ele fica com o joio.

    Afirma que o biografado apoiou Virgílio Guimarães para a presidência da Câmara, mas o seu concorrente, Luiz Eduardo Greenhalgh, disse que Dirceu fez campanha por ele. A piscina da casa de Dirceu em Vinhedo é decorada com uma estrela do PT, diz Cabral. Estive lá uma vez a trabalho e não havia estrela nenhuma. Fala que a mãe dele sofre de Alzheimer, mas ela não tem a doença.

    Sobre a consultoria de Dirceu, escreve que ele "se desfez de sua sede, ao lado do parque Ibirapuera". Se telefonasse para a empresa, como fiz ontem, uma simpática secretária lhe diria que a consultoria continua ali. Faz tal pandemônio com datas que o ubíquo Dirceu aparece numa mesma noite (7 de junho de 2005) em Brasília e Lisboa.

    Para Andreazza, essa mixórdia de estultices configura um "memorável trabalho de apuração jornalística e reconstituição histórica". Pois acho que qualquer biografia com cinco dúzias de disparates é imprestável para entender uma vida. E como "Dirceu" é também um pântano de insinuações, no qual o autor se esponja, ele empesteia o ambiente político.

    Entre outros motivos, a disputa política vem se tornando deletéria devido a livros que não prezam a verdade, que é sempre revolucionária e nos fará livres. Eles só servem para animar o xingatório de corjas.

    MARIO SERGIO CONTI, 58, é repórter de "piauí"

     

    A incrível biografia de José Dirceu, o fauno que comeu cordeiro patagônico

    No Brasil 247
    Num texto publicado na revista Piauí deste mês de agosto, o jornalista Mario Sergio Conti desconstrói o livro "Dirceu", escrito por Otávio Cabral. Leia abaixo:
    Chutes para todo lado

    Por Mario Sergio Conti, revista Piauí edição 83
    O título do livro de Otávio Cabral é Dirceu – A Biografia. O autor poderia ter dispensado o artigo ou posto “uma biografia”. Mas tascou a biografia, o que indica a pretensão de ter feito o relato completo e fidedigno da vida de José Dirceu. Tarefa difícil porque o biografado não quis ser entrevistado pelo biógrafo.
    Otávio Cabral diz no prólogo ter contado com a ajuda de dois pesquisadores para “vasculhar nove arquivos públicos”. Três linhas adiante repete o verbo: “Vasculhei os acervos de nove jornais e oito revistas nacionais, além de quatro publicações estrangeiras”, se bem que a BBC não seja uma publicação, e sim uma emissora e um site. Ele fez mais que pesquisar arquivos e órgão de imprensa: vasculhou-os, que os dicionários definem como investigar e esquadrinhar com minúcia.
    O livro começa em 1968, com os pais de José Dirceu assistindo pela televisão à sua prisão no Congresso da União Nacional dos Estudantes, em Ibiúna. Informa que a notícia da prisão de José Dirceu foi “transmitida em rede nacional de televisão”. Mas o Brasil só teria rede nacional de tevê no ano seguinte.
    O autor diz e rediz que Passa Quatro, onde José Dirceu nasceu, tinha 11 mil habitantes. São Paulo contava com 4 milhões de moradores quando ele se mudou para lá. O autor faz o cálculo e conclui que a capital era “trezentas vezes maior do que a sua Passa Quatro natal”. Cálculo errado: São Paulo era 363 vezes maior. Dirceu estudou no Colégio Paulistano, “na rua Avanhandava, próximo à praça da Sé”. Não, a escola ficava na rua Taguá, na Liberdade. Preparou-se para o vestibular no curso “Di Túlio”, que se grafava “Di Tullio”.
    Antes do golpe de 1964, segundo a biografia, José Dirceu conheceu o autor de novelas Vicente Sesso, “com quem foi trabalhar na TV Tupi, ajudando a redigir roteiros”. Sesso “acabara de escrever Minha Doce Namorada, que deu à atriz Regina Duarte o apelido de ‘a namoradinha do Brasil’”. E José Dirceu “foi praticamente adotado por Sesso, que o levou para morar na sua casa, no mesmo quarto de seu filho adotivo, o ator Marcos Paulo”.
    José Dirceu não trabalhou na TV Tupi nem fez roteiros. Foi datilógrafo de Sesso. Nunca morou na casa do escritor. Sesso, isso sim, lhe emprestou uma casa que tinha na rua Treze de Maio. Ele só veio a escrever Minha Doce Namorada em 1971, às pressas, para substituir uma novela que obtivera pouca audiência. Essas informações foram dadas pelo próprio José Dirceu numa entrevista a Marília Gabriela que se encontra transcrita na internet. A data e a composição de Minha Doce Namorada podem ser achadas em histórias da teledramaturgia.
    São erros tolos? Sem dúvida. Para a caracterização de José Dirceu, interessa pouco saber que em 1968 não havia rede nacional de televisão. Que estudou em tal rua, e não em outra. Que São Paulo era tantas vezes maior que Passa Quatro. Que não escreveu roteiros para a tv Tupi. Mas todos esses equívocos estão nas seis primeiras páginas do capítulo inicial. E a sexta página se encerra com um abuso: Otávio Cabral afirma que José Dirceu apoiava Jango “mais para se opor ao pai do que por ideologia”. Nada autoriza o biógrafo a insinuar o melodrama edipiano. Ainda mais porque, dois parágrafos adiante, é transcrita uma declaração na qual José Dirceu afirma que, no dia mesmo do golpe, se opôs à ditadura por “um problema de classe”.
    O livro realça aspectos pessoais em detrimento dos políticos. Ele repete cinco vezes que nos anos 60 Dirceu tinha cabelos compridos, outras quatro que era cabeludo, e duas dizendo que deixava a “barba por fazer”. Caso o leitor não tenha percebido, o livro estampa ainda catorze fotos de Jose Dirceu de cabelos longos e a barba nascendo. A aparência não é anômala nem define o biografado. Muitíssimos jovens eram assim naquela época.
    Em contrapartida, o biógrafo não analisa se nos anos 60 José Dirceu era reformista ou revolucionário. Se queria o socialismo ou não. Se considerava a luta de classes o motor da história. Não explica se acreditava mais na guerrilha, no terror ou na legalidade institucional. Ao “vasculhar” a vida de José Dirceu, Cabral se ateve a uma ideia prévia, que ele enuncia assim: “Encontrava na atividade política um prazer e vislumbrava nela uma chance de ascensão social e profissional.”
    A afirmação, caída do céu, é oca e insensata. Oca porque não há nada de mais em se ter prazer fazendo política – ou medicina, malabarismo, jornalismo, o que for. Insensata porque, por dez anos, José Dirceu correu perigo real de ser preso (o que lhe aconteceu), torturado e assassinado (o que ocorreu com centenas de outros). Gramou dez anos de exílio e clandestinidade. Não queria subir na vida e sequer tinha profissão. Fazia política em tempo integral.
    Com a anistia de 1979, ajudou a construir um partido, o PT, que não lhe garantia “ascensão” alguma. Como dezenas de outros políticos surgidos nos anos 60, poderia ter aderido ao PMDB, ao PDT ou ao PSDB, que logo chegaram ao poder. Dirceu e o PT fizeram política mais de duas décadas antes de entrar no Planalto. Por que não foi pragmático, imediatista? Talvez porque tivesse convicções, as quais Otávio Cabral despreza. O autor prefere se perder em minudências.
    Vejamos como ele se perde. O biógrafo diz que Rui Falcão, hoje presidente do PT, foi colega de José Dirceu na Pontifícia Universidade Católica, onde estudou jornalismo. A PUC sequer tinha curso de jornalismo na época e Rui Falcão estudou direito, mas na Universidade de São Paulo. Relata que 5 mil estudantes se reuniram “nas arcadas do Grupo Escolar Caetano de Campos”, que não se chamava “Grupo Escolar” e não tem arcadas. Afirma que a Faculdade de Filosofia, na rua Maria Antônia, tem cinco andares, um a mais do que se vê em qualquer foto. Sustenta que uma das “ações ousadas” de José Dirceu foi a destruição do palanque do governador paulista, Abreu Sodré, no 1º de maio de 1968, na Praça da Sé. O ataque a Sodré foi feito por metalúrgicos de Osasco, liderados por José Ibrahim. É isso que está dito na entrevista de Ibrahim a José Dirceu, no blog deste último. No Congresso da UNE em Ibiúna, José Dirceu ora é colocado num ônibus, ora num camburão, mas aparece numa foto numa Rural Willys. Depois de uma semana, é levado “para a Fortaleza de Itaipu, em São Vicente” – e a fortaleza fica no município de Praia Grande.
    O autor não fica só nos erros menores. Escreve que em 1968 “a Guerra Fria encontrava-se no auge e a invasão dos Estados Unidos a Cuba era iminente”. A invasão de Cuba fora eminente em 1961, quando a CIA organizou o desembarque na Baía dos Porcos, e no ano seguinte, durante a crise dos mísseis, e não seis anos depois.
    E 1968 não foi o ano do auge da Guerra Fria, e sim o da sua grande crise, que levou o capitalismo e o stalinismo a se darem as mãos. Em janeiro, na Ofensiva do Tet, os vietcongues chegaram aos jardins da embaixada americana em Saigon sem a ajuda de tropas da China e da União Soviética. Em maio, a greve geral na França foi deflagrada apesar da oposição frontal do gaullismo e do Partido Comunista, que seguia ordens de Moscou. Em agosto, a invasão da Tchecoslováquia pelas tropas do Pacto de Varsóvia, para massacrar uma experiência de socialismo democrático, mostrou que o apoio dos Estados Unidos à Primavera de Praga não passava de retórica.
    Em meio a esses três fatos turbulentos, que insuflaram as mobilizações brasileiras daquele ano, José Dirceu cresceu como liderança política. Seria interessante saber o que pensava a respeito deles. É obrigação de um biógrafo analisar o mundo no qual o seu biografado vive, e contar como ele reage a grandes mudanças. Otávio Cabral preferiu fofocar sobre os namoricos do líder estudantil, que ele trata como um fauno.
    Dirceu foi um dos presos políticos trocados pelo embaixador americano Charles Burke Elbrick, sequestrado no Rio, em 1969, por grupos esquerdistas. No México, onde desembarcou, segundo Cabral ele era “um dos mais paranoicos, tinha certeza de que era vigiado pela CIA”. Se há documentos americanos comprovando que a CIA espionou os brasileiros exilados em Cuba, por meio de um agente duplo cubano, por que não os investigaria no México? Não havia paranoia nos cuidados de José Dirceu. O que há é a tentativa de Cabral em pintá-lo como um homem irracional e doente. Faz o mesmo com o PT e as alas à esquerda do partido, que ele qualifica de “raivosos”.
    Uma das fontes dos capítulos sobre a estadia de Dirceu em Havana é O Apoio de Cuba à Luta Armada no Brasil, de Denise Rollemberg, que é apresentada como historiadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Mas a historiadora se formou, fez mestrado, doutorado e é professora na Universidade Federal Fluminense. É compreensível, pois, que Dirceu tenha bobagens como a de dizer que ele foi instalado em “uma casa na periferia de Havana, a Casa do Protocolo, hoje um centro cultural”. Havia dezenas de “casas de protocolo” em Cuba, e não uma determinada.
    José Dirceu passou um tempo clandestino no Brasil no início dos anos 70. Otávio Cabral se fia em papéis da ditadura para apontá-lo como um dos responsáveis pelo assassinato de um sargento da PM, em janeiro de 1972, “na rua Colina da Glória, no Cambuci”. Uma testemunha teria reconhecido Dirceu como participante no crime. Há três elementos que abalam a credibilidade dos documentos militares. O reconhecimento da testemunha foi feito com base numa foto antiga de Dirceu, antes de ele ter feito uma cirurgia plástica no rosto em Cuba. A morte do sargento não gerou inquérito nem processo. A rua Colina da Glória não existe no Cambuci nem em bairro nenhum de São Paulo. Otávio Cabral também leva em conta o depoimento de um sargento, integrante do Centro de Informações do Exército, que acusou José Dirceu de ter sido agente duplo e delator.
    As acusações de assassinato e delação são graves. Mereceriam investigação profunda, ponderação e exposição demorada. Seria preciso sobretudo ter boa-fé. Foi o que fez Elio Gaspari ao analisar casos semelhantes na série de quatro livros monumentais sobre a ditadura. Foi também o que fez o jornalista Vicente Vilardaga no recém-lançado À Queima-Roupa – O Caso Pimenta Neves, livro no qual relata o assassinato da repórter Sandra Gomide pelo diretor de redação de O Estado de S. Paulo. Vilardaga busca entender um assassino, Pimenta Neves, cujo crime lhe é repulsivo. À Queima-Roupa é sólido justamente pelo seu empenho em compreender o que pensou e como agiu o homicida, situando o seu crime no contexto da imprensa paulista.
    Já Otávio Cabral envolve José Dirceu numa névoa de insinuações para melhor denegri-lo. Em títulos de capítulos, chama-o de “camaleão”, “bedel de luxo”, “o maior lobista do Brasil” e “o maior vilão do Brasil”. Como Dirceu foi condenado e aguarda a prisão, o que Cabral faz é chutar um homem caído no chão.
    Mas comete tantos erros que acaba chutando a sua própria reputação profissional. Em 1978, diz ele, José Dirceu participou de um grupo que ajudou a financiar candidatos do “MDB simpáticos à luta armada, como Anísio Batista de Oliveira e Djalma Bom”. Que surpresa. Anizio (com “z”) Batista e Djalma Bom eram sindicalistas no final dos anos 70. O primeiro era metalúrgico e integrava o grupo de Lula em São Bernardo. O outro estava na Pastoral Operária e militava na oposição metalúrgica de São Paulo. Ambos discordavam da luta armada e do MDB. Candidataram-se a deputados na década seguinte, e foram eleitos pelo PT.
    Desconhecendo fatos comezinhos como esses, Otávio Cabral decreta logo em seguida: “Foram as mulheres, e não a política, o que mais atraiu Dirceu de volta a São Paulo.” Como ele pode ter tanta certeza?
    Apaixonar-se, meter-se em namoros tumultuados, praticar adultério, gostar de amor e sexo, ter filhas fora do casamento – tudo isso ocorreu com José Dirceu. E também com muita gente da esquerda e da direita, com pobres e ricos das mais diferentes atividades.
    Achar que isso define alguém é ingenuidade, clichê reducionista. Para ficar em três exemplos da esquerda (que não têm nada a ver com José Dirceu, diga-se): Marx teve um filho com a empregada Helena Demuth, Lênin foi amante da comunista francesa Inessa Armand, Trotsky teve um caso com a pintora Frida Khalo. As traições amorosas explicam o que fizeram na política?
    É torpe a maneira como Otávio Cabral trata as namoradas e esposas de José Dirceu. Ele escreve vulgaridades machistas como “loira alta e voluptuosa”, “encontrou a inesquecível lembrança deitada na cama”, “formas avantajadas”, “a bunduda do sindicato”. Dá nome, sobrenome e profissão de algumas das mulheres que amaram Dirceu. De outras, o primeiro nome ou só a ocupação. “Empresária”, por exemplo. Por quê? Talvez por incerteza. Talvez por covardia. O que sobressai é a alusão melíflua, e não a afirmação direta.
    Em compensação, eis uma afirmação direta de Otávio Cabral sobre profissionais de sua área, o jornalismo: “Antigos companheiros de Ibiúna e de clandestinidade tinham posições de destaque na imprensa em meados dos anos 80, como Rui Falcão, que comandava a revista Exame, e Eugênio Bucci,diretor da Playboy.” Nem Falcão nem Bucci participaram do Congresso da une em Ibiúna. Oprimeiro porque não era mais estudante e o outro por ser criança. Eugênio Bucci jamais esteve na clandestinidade. Rui Falcão, sim, mas não foi “companheiro” de Dirceu: clandestino, militava em outra organização e noutra cidade. Bucci nunca foi diretor da Playboy. São cinco erros factuais numa frase. Algum recorde foi batido.
    A Biografia tem dezenas de barbaridades semelhantes. Uma das melhores: Fernando Collor, na tentativa de se manter no Planalto durante a campanha pela sua destituição, conclamou o povo a ir às ruas com roupas pretas para defendê-lo, e todos foram de verde-amarelo. Como todo mundo sabe, ocorreu o contrário. Collor incitou a população a se vestir de verde-amarelo e o Brasil foi tomado por manifestantes de preto.
    Otávio Cabral tem mania de comidas e bebidas. Seguem-se exemplos do livro. “Frango ao molho pardo brasileiro, cozido e com um saboroso molho à base de sangue da própria ave.” “Molho ultrapicante, com pimentas, amendoim, canela e amêndoa.” “Os melhores runs.” “Coxinha, feijoada e doce de jaca com canela.” “Moqueca de peixe, cerveja e cachaça dominaram a noite.” “Cálices de vinho de sobremesa italiano.” “Coelho a Los Fubangos.” “Bacalhau assado à moda do Minho, arroz de marisco e chanfrana de cabrito.” “O refrescante vinho verde português Alavarinho Deu la Deu, escolhido a dedo para aplacar o calor.” “Toucinho do céu, tradicional doce português à base de gemas de ovos.” “Comeram pato laqueado, tomaram vinho e deram boas risadas.” “Cachaça Havana e champanhe Dom Pérignon.” “Filé com creme de mostarda, cebola, ervilha, presunto e batata palha.” “Vinho Romanée-Conti, safra de 1997.” “Comeu galeto e bebeu o vinho tinto italiano Brunello di Montalcino.” Chega?
    Tem mais. “Risoto de carne-seca na moranga, acompanhado de um Chardonnay brasileiro.” “De sobremesa, goiabada com queijo e champanhe.” “Vinhos renomados, como o Almaviva chileno.” “Bufê com uísque e champanhe.” “Mal tocou no salmão grelhado.” “Pegou uma garrafa de rum cubano.” “O vinho melhoraria seu humor.” “Duas doses de bourbon antes de dormir.” “Algumas garrafas de vinho mais tarde.” “Ravióli de foie gras, coquilles Saint-Jacques com trufas e endívias caramelizadas e lombo de javali com risoto de aspargos.” “As taças abastecidas sem intervalo com os melhores espumantes brancos e tintos da região.” “O compromisso teve cordeiro patagônico e um excelente Malbec no restaurante Barricas de Enopio.” Basta?
    Pois ainda tem cupim, salada de batata, Cabernet Sauvignon chileno, paella, presunto de Parma etc. etc. etc. Mas é melhor parar porque esse cordeiro patagônico desceu mal. O Barricas de Enopio não é mais o mesmo.
    m menor grau, o livro é obcecado por novelas e futebol. São inúmeras as referências a tramas e atores do horário nobre. Todas descabidas, porque José Dirceu não acompanha novelas. Ele gosta de futebol, mas não mais que um torcedor típico. Apenas uma das referências futebolísticas tem sentido político, o jogo da Seleção Brasileira contra a do Haiti, em Porto Príncipe, em 2004. De fato, Dirceu – com Ricardo Teixeira e o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, apelidado de Kakay – pelejou pela organização do chamado Jogo pela Paz.
    Se não discute o apoio de Dirceu à intervenção brasileira no Haiti (uma posição contrária à da esquerda ortodoxa), Cabral descreve com detalhes a viagem da “comitiva liderada por Lula e Dirceu”. Fala que os dois foram ao Estádio Nacional “num caminhão de bombeiros, junto com astros do futebol brasileiro como Roberto Carlos, Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo Fenômeno. Dirceu tirou fotos com todos antes de entrar no veículo”. Conta que “às quatro da tarde, o Hino Nacional Brasileiro foi tocado e Dirceu chorou”. No segundo tempo, o goleiro Fernando Henrique substituiu o titular e, prossegue Cabral, “assim que viu o homônimo do ex-presidente entrando em campo, Dirceu virou-se para Kakay e ironizou: ‘Bem que esse Fernando Henrique podia tomar um gol. Aí a festa vai ser perfeita.’” É um belo relato.
    Exceto pelo seguinte: José Dirceu não foi ao Haiti ver a partida.
    Não era necessário entrevistar o biografado para saber que ele não assistiu ao Jogo pela Paz (procurado, Dirceu não deu nenhuma informação para esta resenha). Não há referências ao então chefe da Casa Civil nas copiosas reportagens sobre Lula e sua comitiva no Haiti. Foi feito um documentário sobre a partida, O Dia em que o Brasil Esteve Aqui, com mais de uma hora de duração, no qual Dirceu está ausente do jogo. Poder-se-ia perguntar a Lula, a Ricardo Teixeira, a Kakay, aos jogadores, às pessoas da comitiva, a todos que lá estiveram, se José Dirceu compareceu. E eles diriam: não, José Dirceu não foi ao Haiti. Em vez de trabalhar, Otávio Cabral preferiu a invencionice delirante.

    09/08/2013

    Mário Sérgio Conti revela DNA da Veja

    Filed under: José Dirceu,Mário Sérgio Conti,Veja — Gilmar Crestani @ 12:16 am
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    Chutes para todo lado

    A incrível biografia de José Dirceu, o fauno que comeu cordeiro patagônico

    O título do livro de Otávio Cabral é Dirceu – A Biografia. O autor poderia ter dispensado o artigo ou posto “uma biografia”. Mas tascou a biografia, o que indica a pretensão de ter feito o relato completo e fidedigno da vida de José Dirceu. Tarefa difícil porque o biografado não quis ser entrevistado pelo biógrafo.

    Otávio Cabral diz no prólogo ter contado com a ajuda de dois pesquisadores para “vasculhar nove arquivos públicos”. Três linhas adiante repete o verbo: “Vasculhei os acervos de nove jornais e oito revistas nacionais, além de quatro publicações estrangeiras”, se bem que a BBC não seja uma publicação, e sim uma emissora e um site. Ele fez mais que pesquisar arquivos e órgão de imprensa: vasculhou-os, que os dicionários definem como investigar e esquadrinhar com minúcia.

    O livro começa em 1968, com os pais de José Dirceu assistindo pela televisão à sua prisão no Congresso da União Nacional dos Estudantes, em Ibiúna. Informa que a notícia da prisão de José Dirceu foi “transmitida em rede nacional de televisão”. Mas o Brasil só teria rede nacional de tevê no ano seguinte.

    O autor diz e rediz que Passa Quatro, onde José Dirceu nasceu, tinha 11 mil habitantes. São Paulo contava com 4 milhões de moradores quando ele se mudou para lá. O autor faz o cálculo e conclui que a capital era “trezentas vezes maior do que a sua Passa Quatro natal”. Cálculo errado: São Paulo era 363 vezes maior. Dirceu estudou no Colégio Paulistano, “na rua Avanhandava, próximo à praça da Sé”. Não, a escola ficava na rua Taguá, na Liberdade. Preparou-se para o vestibular no curso “Di Túlio”, que se grafava “Di Tullio”.

    Antes do golpe de 1964, segundo a biografia, José Dirceu conheceu o autor de novelas Vicente Sesso, “com quem foi trabalhar na TV Tupi, ajudando a redigir roteiros”. Sesso “acabara de escrever Minha Doce Namorada, que deu à atriz Regina Duarte o apelido de ‘a namoradinha do Brasil’”. E José Dirceu “foi praticamente adotado por Sesso, que o levou para morar na sua casa, no mesmo quarto de seu filho adotivo, o ator Marcos Paulo”.

    José Dirceu não trabalhou na TV Tupi nem fez roteiros. Foi datilógrafo de Sesso. Nunca morou na casa do escritor. Sesso, isso sim, lhe emprestou uma casa que tinha na rua Treze de Maio. Ele só veio a escrever Minha Doce Namorada em 1971, às pressas, para substituir uma novela que obtivera pouca audiência. Essas informações foram dadas pelo próprio José Dirceu numa entrevista a Marília Gabriela que se encontra transcrita na internet. A data e a composição de Minha Doce Namorada podem ser achadas em histórias da teledramaturgia.

    São erros tolos? Sem dúvida. Para a caracterização de José Dirceu, interessa pouco saber que em 1968 não havia rede nacional de televisão. Que estudou em tal rua, e não em outra. Que São Paulo era tantas vezes maior que Passa Quatro. Que não escreveu roteiros para a TV Tupi. Mas todos esses equívocos estão nas seis primeiras páginas do capítulo inicial. E a sexta página se encerra com um abuso: Otávio Cabral afirma que José Dirceu apoiava Jango “mais para se opor ao pai do que por ideologia”. Nada autoriza o biógrafo a insinuar o melodrama edipiano. Ainda mais porque, dois parágrafos adiante, é transcrita uma declaração na qual José Dirceu afirma que, no dia mesmo do golpe, se opôs à ditadura por “um problema de classe”.

    O livro realça aspectos pessoais em detrimento dos políticos. Ele repete cinco vezes que nos anos 60 Dirceu tinha cabelos compridos, outras quatro que era cabeludo, e duas dizendo que deixava a “barba por fazer”. Caso o leitor não tenha percebido, o livro estampa ainda catorze fotos de Jose Dirceu de cabelos longos e a barba nascendo. A aparência não é anômala nem define o biografado. Muitíssimos jovens eram assim naquela época.

    Em contrapartida, o biógrafo não analisa se nos anos 60 José Dirceu era reformista ou revolucionário. Se queria o socialismo ou não. Se considerava a luta de classes o motor da história. Não explica se acreditava mais na guerrilha, no terror ou na legalidade institucional. Ao “vasculhar” a vida de José Dirceu, Cabral se ateve a uma ideia prévia, que ele enuncia assim: “Encontrava na atividade política um prazer e vislumbrava nela uma chance de ascensão social e profissional.”

    A afirmação, caída do céu, é oca e insensata. Oca porque não há nada de mais em se ter prazer fazendo política – ou medicina, malabarismo, jornalismo, o que for. Insensata porque, por dez anos, José Dirceu correu perigo real de ser preso (o que lhe aconteceu), torturado e assassinado (o que ocorreu com centenas de outros). Gramou dez anos de exílio e clandestinidade. Não queria subir na vida e sequer tinha profissão. Fazia política em tempo integral.

    Com a anistia de 1979, ajudou a construir um partido, o PT, que não lhe garantia “ascensão” alguma. Como dezenas de outros políticos surgidos nos anos 60, poderia ter aderido ao PMDB, ao PDT ou ao PSDB, que logo chegaram ao poder. Dirceu e o PT fizeram política mais de duas décadas antes de entrar no Planalto. Por que não foi pragmático, imediatista? Talvez porque tivesse convicções, as quais Otávio Cabral despreza. O autor prefere se perder em minudências.

    Vejamos como ele se perde. O biógrafo diz que Rui Falcão, hoje presidente do PT, foi colega de José Dirceu na Pontifícia Universidade Católica, onde estudou jornalismo. A PUC sequer tinha curso de jornalismo na época e Rui Falcão estudou direito, mas na Universidade de São Paulo. Relata que 5 mil estudantes se reuniram “nas arcadas do Grupo Escolar Caetano de Campos”, que não se chamava “Grupo Escolar” e não tem arcadas. Afirma que a Faculdade de Filosofia, na rua Maria Antônia, tem cinco andares, um a mais do que se vê em qualquer foto. Sustenta que uma das “ações ousadas” de José Dirceu foi a destruição do palanque do governador paulista, Abreu Sodré, no 1º de maio de 1968, na Praça da Sé. O ataque a Sodré foi feito por metalúrgicos de Osasco, liderados por José Ibrahim. É isso que está dito na entrevista de Ibrahim a José Dirceu, no blog deste último. No Congresso da UNE em Ibiúna, José Dirceu ora é colocado num ônibus, ora num camburão, mas aparece numa foto numa Rural Willys. Depois de uma semana, é levado “para a Fortaleza de Itaipu, em São Vicente” – e a fortaleza fica no município de Praia Grande.

    O autor não fica só nos erros menores. Escreve que em 1968 “a Guerra Fria encontrava-se no auge e a invasão dos Estados Unidos a Cuba era iminente”. A invasão de Cuba fora eminente em 1961, quando a CIA organizou o desembarque na Baía dos Porcos, e no ano seguinte, durante a crise dos mísseis, e não seis anos depois.

    E 1968 não foi o ano do auge da Guerra Fria, e sim o da sua grande crise, que levou o capitalismo e o stalinismo a se darem as mãos. Em janeiro, na Ofensiva do Tet, os vietcongues chegaram aos jardins da embaixada americana em Saigon sem a ajuda de tropas da China e da União Soviética. Em maio, a greve geral na França foi deflagrada apesar da oposição frontal do gaullismo e do Partido Comunista, que seguia ordens de Moscou. Em agosto, a invasão da Tchecoslováquia pelas tropas do Pacto de Varsóvia, para massacrar uma experiência de socialismo democrático, mostrou que o apoio dos Estados Unidos à Primavera de Praga não passava de retórica.

    Em meio a esses três fatos turbulentos, que insuflaram as mobilizações brasileiras daquele ano, José Dirceu cresceu como liderança política. Seria interessante saber o que pensava a respeito deles. É obrigação de um biógrafo analisar o mundo no qual o seu biografado vive, e contar como ele reage a grandes mudanças. Otávio Cabral preferiu fofocar sobre os namoricos do líder estudantil, que ele trata como um fauno.

    Dirceu foi um dos presos políticos trocados pelo embaixador americano Charles Burke Elbrick, sequestrado no Rio, em 1969, por grupos esquerdistas. No México, onde desembarcou, segundo Cabral ele era “um dos mais paranoicos, tinha certeza de que era vigiado pela CIA”. Se há documentos americanos comprovando que a CIA espionou os brasileiros exilados em Cuba, por meio de um agente duplo cubano, por que não os investigaria no México? Não havia paranoia nos cuidados de José Dirceu. O que há é a tentativa de Cabral em pintá-lo como um homem irracional e doente. Faz o mesmo com o PT e as alas à esquerda do partido, que ele qualifica de “raivosos”.

    Uma das fontes dos capítulos sobre a estadia de Dirceu em Havana é O Apoio de Cuba à Luta Armada no Brasil, de Denise Rollemberg, que é apresentada como historiadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Mas a historiadora se formou, fez mestrado, doutorado e é professora na Universidade Federal Fluminense. É compreensível, pois, que Dirceu tenha bobagens como a de dizer que ele foi instalado em “uma casa na periferia de Havana, a Casa do Protocolo, hoje um centro cultural”. Havia dezenas de “casas de protocolo” em Cuba, e não uma determinada.

    José Dirceu passou um tempo clandestino no Brasil no início dos anos 70. Otávio Cabral se fia em papéis da ditadura para apontá-lo como um dos responsáveis pelo assassinato de um sargento da PM, em janeiro de 1972, “na rua Colina da Glória, no Cambuci”. Uma testemunha teria reconhecido Dirceu como participante no crime. Há três elementos que abalam a credibilidade dos documentos militares. O reconhecimento da testemunha foi feito com base numa foto antiga de Dirceu, antes de ele ter feito uma cirurgia plástica no rosto em Cuba. A morte do sargento não gerou inquérito nem processo. A rua Colina da Glória não existe no Cambuci nem em bairro nenhum de São Paulo. Otávio Cabral também leva em conta o depoimento de um sargento, integrante do Centro de Informações do Exército, que acusou José Dirceu de ter sido agente duplo e delator.

    As acusações de assassinato e delação são graves. Mereceriam investigação profunda, ponderação e exposição demorada. Seria preciso sobretudo ter boa-fé. Foi o que fez Elio Gaspari ao analisar casos semelhantes na série de quatro livros monumentais sobre a ditadura. Foi também o que fez o jornalista Vicente Vilardaga no recém-lançado À Queima-Roupa – O Caso Pimenta Neves, livro no qual relata o assassinato da repórter Sandra Gomide pelo diretor de redação de O Estado de S. Paulo. Vilardaga busca entender um assassino, Pimenta Neves, cujo crime lhe é repulsivo. À Queima-Roupa é sólido justamente pelo seu empenho em compreender o que pensou e como agiu o homicida, situando o seu crime no contexto da imprensa paulista.

    Já Otávio Cabral envolve José Dirceu numa névoa de insinuações para melhor denegri-lo. Em títulos de capítulos, chama-o de “camaleão”, “bedel de luxo”, “o maior lobista do Brasil” e “o maior vilão do Brasil”. Como Dirceu foi condenado e aguarda a prisão, o que Cabral faz é chutar um homem caído no chão.

    Mas comete tantos erros que acaba chutando a sua própria reputação profissional. Em 1978, diz ele, José Dirceu participou de um grupo que ajudou a financiar candidatos do “MDB simpáticos à luta armada, como Anísio Batista de Oliveira e Djalma Bom”. Que surpresa. Anizio (com “z”) Batista e Djalma Bom eram sindicalistas no final dos anos 70. O primeiro era metalúrgico e integrava o grupo de Lula em São Bernardo. O outro estava na Pastoral Operária e militava na oposição metalúrgica de São Paulo. Ambos discordavam da luta armada e do MDB. Candidataram-se a deputados na década seguinte, e foram eleitos pelo PT.

    Desconhecendo fatos comezinhos como esses, Otávio Cabral decreta logo em seguida: “Foram as mulheres, e não a política, o que mais atraiu Dirceu de volta a São Paulo.” Como ele pode ter tanta certeza?

    Apaixonar-se, meter-se em namoros tumultuados, praticar adultério, gostar de amor e sexo, ter filhas fora do casamento – tudo isso ocorreu com José Dirceu. E também com muita gente da esquerda e da direita, com pobres e ricos das mais diferentes atividades.

    Achar que isso define alguém é ingenuidade, clichê reducionista. Para ficar em três exemplos da esquerda (que não têm nada a ver com José Dirceu, diga-se): Marx teve um filho com a empregada Helena Demuth, Lênin foi amante da comunista francesa Inessa Armand, Trotsky teve um caso com a pintora Frida Khalo. As traições amorosas explicam o que fizeram na política?

    É torpe a maneira como Otávio Cabral trata as namoradas e esposas de José Dirceu. Ele escreve vulgaridades machistas como “loira alta e voluptuosa”, “encontrou a inesquecível lembrança deitada na cama”, “formas avantajadas”, “a bunduda do sindicato”. Dá nome, sobrenome e profissão de algumas das mulheres que amaram Dirceu. De outras, o primeiro nome ou só a ocupação. “Empresária”, por exemplo. Por quê? Talvez por incerteza. Talvez por covardia. O que sobressai é a alusão melíflua, e não a afirmação direta.

    Em compensação, eis uma afirmação direta de Otávio Cabral sobre profissionais de sua área, o jornalismo: “Antigos companheiros de Ibiúna e de clandestinidade tinham posições de destaque na imprensa em meados dos anos 80, como Rui Falcão, que comandava a revista Exame, e Eugênio Bucci, diretor da Playboy.” Nem Falcão nem Bucci participaram do Congresso da UNE em Ibiúna. O primeiro porque não era mais estudante e o outro por ser criança. Eugênio Bucci jamais esteve na clandestinidade. Rui Falcão, sim, mas não foi “companheiro” de Dirceu: clandestino, militava em outra organização e noutra cidade. Bucci nunca foi diretor da Playboy. São cinco erros factuais numa frase. Algum recorde foi batido.

    A Biografia tem dezenas de barbaridades semelhantes. Uma das melhores: Fernando Collor, na tentativa de se manter no Planalto durante a campanha pela sua destituição, conclamou o povo a ir às ruas com roupas pretas para defendê-lo, e todos foram de verde-amarelo. Como todo mundo sabe, ocorreu o contrário. Collor incitou a população a se vestir de verde-amarelo e o Brasil foi tomado por manifestantes de preto.

    Otávio Cabral tem mania de comidas e bebidas. Seguem-se exemplos do livro. “Frango ao molho pardo brasileiro, cozido e com um saboroso molho à base de sangue da própria ave.” “Molho ultrapicante, com pimentas, amendoim, canela e amêndoa.” “Os melhores runs.” “Coxinha, feijoada e doce de jaca com canela.” “Moqueca de peixe, cerveja e cachaça dominaram a noite.” “Cálices de vinho de sobremesa italiano.” “Coelho a Los Fubangos.” “Bacalhau assado à moda do Minho, arroz de marisco e chanfrana de cabrito.” “O refrescante vinho verde português Alavarinho Deu la Deu, escolhido a dedo para aplacar o calor.” “Toucinho do céu, tradicional doce português à base de gemas de ovos.” “Comeram pato laqueado, tomaram vinho e deram boas risadas.” “Cachaça Havana e champanhe Dom Pérignon.” “Filé com creme de mostarda, cebola, ervilha, presunto e batata palha.” “Vinho Romanée-Conti, safra de 1997.” “Comeu galeto e bebeu o vinho tinto italiano Brunello di Montalcino.” Chega?

    Tem mais. “Risoto de carne-seca na moranga, acompanhado de um Chardonnay brasileiro.” “De sobremesa, goiabada com queijo e champanhe.” “Vinhos renomados, como o Almaviva chileno.” “Bufê com uísque e champanhe.” “Mal tocou no salmão grelhado.” “Pegou uma garrafa de rum cubano.” “O vinho melhoraria seu humor.” “Duas doses de bourbon antes de dormir.” “Algumas garrafas de vinho mais tarde.” “Ravióli de foie gras, coquilles Saint-Jacques com trufas e endívias caramelizadas e lombo de javali com risoto de aspargos.” “As taças abastecidas sem intervalo com os melhores espumantes brancos e tintos da região.” “O compromisso teve cordeiro patagônico e um excelente Malbec no restaurante Barricas de Enopio.” Basta?

    Pois ainda tem cupim, salada de batata, Cabernet Sauvignon chileno, paella, presunto de Parma etc. etc. etc. Mas é melhor parar porque esse cordeiro patagônico desceu mal. O Barricas de Enopio não é mais o mesmo.

    Em menor grau, o livro é obcecado por novelas e futebol. São inúmeras as referências a tramas e atores do horário nobre. Todas descabidas, porque José Dirceu não acompanha novelas. Ele gosta de futebol, mas não mais que um torcedor típico. Apenas uma das referências futebolísticas tem sentido político, o jogo da Seleção Brasileira contra a do Haiti, em Porto Príncipe, em 2004. De fato, Dirceu – com Ricardo Teixeira e o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, apelidado de Kakay – pelejou pela organização do chamado Jogo pela Paz.

    Se não discute o apoio de Dirceu à intervenção brasileira no Haiti (uma posição contrária à da esquerda ortodoxa), Cabral descreve com detalhes a viagem da “comitiva liderada por Lula e Dirceu”. Fala que os dois foram ao Estádio Nacional “num caminhão de bombeiros, junto com astros do futebol brasileiro como Roberto Carlos, Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo Fenômeno. Dirceu tirou fotos com todos antes de entrar no veículo”. Conta que “às quatro da tarde, o Hino Nacional Brasileiro foi tocado e Dirceu chorou”. No segundo tempo, o goleiro Fernando Henrique substituiu o titular e, prossegue Cabral, “assim que viu o homônimo do ex-presidente entrando em campo, Dirceu virou-se para Kakay e ironizou: ‘Bem que esse Fernando Henrique podia tomar um gol. Aí a festa vai ser perfeita.’” É um belo relato.

    Exceto pelo seguinte: José Dirceu não foi ao Haiti ver a partida.

    Não era necessário entrevistar o biografado para saber que ele não assistiu ao Jogo pela Paz (procurado, Dirceu não deu nenhuma informação para esta resenha). Não há referências ao então chefe da Casa Civil nas copiosas reportagens sobre Lula e sua comitiva no Haiti. Foi feito um documentário sobre a partida, O Dia em que o Brasil Esteve Aqui, com mais de uma hora de duração, no qual Dirceu está ausente do jogo. Poder-se-ia perguntar a Lula, a Ricardo Teixeira, a Kakay, aos jogadores, às pessoas da comitiva, a todos que lá estiveram, se José Dirceu compareceu. E eles diriam: não, José Dirceu não foi ao Haiti. Em vez de trabalhar, Otávio Cabral preferiu a invencionice delirante.

    Mário Sérgio Conti
    No SQN
    No Blog do Miro

    14/01/2013

    Tarso cospe no prato em que comeu

    Filed under: José Dirceu,Olívio Dutra,Tarso Genro — Gilmar Crestani @ 8:34 am

    Tarso, que agora afasta Dirceu, usou dos mesmos expedientes. Quando Olívio ia concorrer a governador, Tarso encomendou uma pesquisa fajuta para provar que ele era mais viável para concorrer com Germano Rigotto. Fez duas merdas numa cagada só: impediu um homem íntegro e um político inovador, que deu outra dinâmica ao Estado. Basta ver a UERGS. Os expedientes do Dirceu tiveram dias melhores. Os conchavos de Dirceu não são estranhos a Tarso. Foram-lhe úteis. Se Tarso tivesse qualquer laivo de interesse honesto nesta história, não daria entrevista ao O Globo. Mas vai dizer a uma mariposa que os holofotes queimam…

    PT usou o método de alianças a qualquer preço que criticava’

    :

    Governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, também defende José Genoino das acusações do mensalão – agiu de boa-fé – e diz que José Dirceu enfrenta o escândalo de forma ‘equivocada’; para líder petista, ex-ministro estabelece uma identidade forçada com o partido que não existe

    14 de Janeiro de 2013 às 06:52

    247 – O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, um dos principais líderes petistas, fez um balanço do momento vivido pelo PT, pós-julgamento do mensalão. Para ele, se deve ficar a lição de que o PT não pode continuar a compor maiorias e formar alianças a qualquer preço. Em entrevista para o jornal "O Globo", ele também defendeu José Genoino e criticou José Dirceu, ambos condenados na Ação Penal 470, pelo Supremo Tribunal Federal. Leia:

    Quais os reflexos que o mensalão ainda provocará no PT? Como se preparar para 2014?

    Integro uma corrente de opinião no PT que é minoritária, tem em torno de 40% dos delegados, a Mensagem ao Partido. Ela entende que o partido precisa passar por uma profunda renovação, e essa renovação passa pelos métodos da direção; pelas relações do partido com os governos; por novos métodos de participação da base, por meio de métodos tecnológicos; e por uma avaliação muito mais profunda do que foi feito até agora sobre o que ocorreu nesta Ação Penal 470. Uma coisa é você avaliar, como eu avaliei, que teve de se inventar uma tese de domínio funcional dos fatos para condenar lideranças do partido. Outra coisa é você compreender que, tendo ocorrido ilícitos penais ou não, os métodos de composição de maiorias e de formação de alianças que nós utilizamos foram os mesmos métodos tradicionais que os partidos que nós criticávamos adotavam. É uma total necessidade você aprender a superar esses métodos. Esta é a grande questão que temos que trabalhar: qual é o sistema de alianças que nos dá uma capacidade de governar dentro da ordem democrática sem utilizar esses métodos tradicionais que herdamos da República Velha.

    O senhor defende a cassação dos mandatos dos mensaleiros?

    A Constituição tem que ser interpretada a partir da independência dos poderes. A decisão tem que ser da Câmara Federal de cassar ou não. Eu substituí o (José) Genoino na presidência do PT, e o que circulava dentro do partido, e foi constatado depois, é que ele assinou empréstimos, agora pagos, e que o fez de boa-fé, sem saber que, por trás daqueles empréstimos, poderia ter uma articulação de intercâmbio de favores em benefício do partido e de outras pessoas. Eu não sei se, nessa situação, eu renunciaria. O fato é que toda essa situação significa que o PT tem de instituir regras muito rígidas em relação aos seus dirigentes, seus quadros e seus vínculos com as empresas privadas. É totalmente incompatível dirigente partidário continuar se apresentando como tal e sendo ao mesmo tempo consultor de grandes negócios. Porque, quando essa pessoa fala dentro do partido, quem está falando? É o dirigente ou o consultor? Essa regra não deve valer só para o PT, não estou me fixando em nenhum caso específico. Essas relações são sempre muito perigosas.

    Qual futuro o senhor prevê para o ex-ministro José Dirceu?

    Tenho uma relação política interna de partido com Dirceu. Nunca fui uma pessoa próxima a ele. Ele teve uma participação muito importante na construção do partido e na primeira vitória do presidente Lula. Mas acho que a forma como o Dirceu está enfrentando essa questão é equivocada, porque tende a estabelecer uma identidade dos problemas que ele está enfrentando com o problema do PT, com o conjunto, e trazendo para a sua defesa o partido como instituição. A defesa que o partido tem que fazer em circunstâncias como essas, para qualquer pessoa, é que ela tenha direito a defesa e a um julgamento justo, e não o estabelecimento de qualquer identidade política, que é outra coisa. O Dirceu não pode ser demonizado no partido, até pela trajetória que ele teve, embora a forma como ele está lidando com essa questão não seja boa para o partido, estabelece uma identidade forçada dele em conjunto com o partido, coisa que, no mínimo, não existe. O partido tem que ser solidário com todos os seus quadros, errem ou acertem, para que tenham direito de defesa e julgamentos justos.

    O partido hoje só se pauta pelo mensalão?

    A agenda do partido não pode ser a agenda da Ação Penal 470. O que o partido tinha que fazer já fez. Já fez o manifesto, já deu a solidariedade que tinha que dar. O partido tem que tratar da sua vida, ele é um projeto para a sociedade, não um projeto para ficar amarrado a uma pauta, que inclusive foi constituída por indivíduos e dirigentes, e não por decisões do partido, para que aqueles fatos ocorressem, fatos esses narrados na Ação penal 470. A agenda PT tem que ser da a reforma política, do que eu chamo de 14-18 (projeto 2014-2018) e do sistema de alianças.

    ‘PT usou o método de alianças a qualquer preço que criticava’ | Brasil 24/7

    02/12/2012

    Medida saneadora: destituir todos os que ascenderam graças a Dirceu

    Filed under: José Dirceu,Luiz Fux — Gilmar Crestani @ 7:57 am

    A partir do quanto já ficamos sabendo podemos traçar um pouco do que seja o caráter do Fiat Fux por meio de uma das tantas piadas do Joãozinho.

    O Joãozinho vê um Casal de cachorros transando, no meio da rua, e pergunta:
    – O que eles estão fazendo, titia?
    A tia prefere uma explicação provisória:
    – É o seguinte, Joãozinho: como o cachorrinho de trás está com a patinha machucada, o cachorrinho da frente deixou ele se apoiar nas costas para andar.
    E Joãozinho, indignado:
    – É sempre assim, titia. Você ajuda os outros e ainda te enrabam!!

    E aí ficamos assim. Todos os que procuraram José Dirceu para tratar de interesses pessoais eram quadrilheiros, com exceção dos que ainda não foram julgados.

    Em campanha para o STF, Fux procurou Dirceu

    Magistrado diz que na época não lembrou que petista era réu do mensalão, processo que poderia vir a julgar

    Ministro afirma que, na conversa, pediu que seu currículo fosse entregue ao então presidente Lula

    MÔNICA BERGAMO COLUNISTA DA FOLHA

    O ministro Luiz Fux, 59, diz que desde 1983, quando, aprovado em concurso, foi juiz de Niterói (RJ), passou a sonhar com o dia em que se sentaria em uma das onze cadeiras do Supremo Tribunal Federal (STF).

    Quase trinta anos depois, em 2010, ele saía em campanha pelo Brasil para convencer o então presidente Lula a indicá-lo à corte.

    Fux era ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça), o penúltimo degrau na carreira da magistratura. "Estava nessa luta" para o STF desde 2004 -sempre que surgia uma vaga, ele se colocava. E acabava preterido. "Bati na trave três vezes", diz.

    AVAL

    Naquele último ano de governo Lula, era tudo ou nada.

    Fux "grudou" em Delfim Netto. Pediu carta de apoio a João Pedro Stedile, do MST. Contou com a ajuda de Antônio Palocci. Pediu uma força ao governador do Rio, Sergio Cabral. Buscou empresários.

    E se reuniu com José Dirceu, o mais célebre réu do mensalão. "Eu fui a várias pessoas de SP, à Fiesp. Numa dessas idas, alguém me levou ao Zé Dirceu porque ele era influente no governo Lula."

    O ministro diz não se lembrar quem era o "alguém" que o apresentou ao petista.

    Fux diz que, na época, não achou incompatível levar currículo ao réu de processo que ele poderia no futuro julgar. Apesar da superexposição de Dirceu na mídia, afirma que nem se lembrou de sua condição de "mensaleiro".

    "Eu confesso a você que naquele momento eu não me lembrei", diz o magistrado. "Porque a pessoa, até ser julgada, ela é inocente."

    Conversaram uma só vez, e por 15 minutos, segundo Fux. Conversaram mais de uma vez, segundo Dirceu.

    A equipe do petista, em resposta a questionamento da Folha, afirmou por e-mail: "A assessoria de José Dirceu confirma que o ex-ministro participou de encontros com Luiz Fux, sempre a pedido do então ministro do STJ".

    Foram reuniões discretas e reservadas.

    CURRÍCULO

    Para Dirceu, também era a hora do tudo ou nada.

    Ele aguardava o julgamento do mensalão. O ministro a ser indicado para o STF, nos estertores do governo Lula, poderia ser o voto chave da tão sonhada absolvição.

    A escolha era crucial.

    Fux diz que, no encontro com Dirceu, nada disso foi tratado. Ele fez o seguinte relato àFolha:

    Luiz Fux -Eu levei o meu currículo e pedi que ele [Dirceu] levasse ao Lula. Só isso.

    Folha – Ele não falou nada [do mensalão]?

    Ele falou da vida dele, que tava se sentindo… em outros processos a que respondia…

    Tipo perseguido?

    É, um perseguido e tal. E eu disse: "Não, se isso o que você está dizendo [que é inocente] tem procedência, você vai um dia se erguer". Uma palavra, assim, de conforto, que você fala para uma pessoa que está se lamentando.

    "MATO NO PEITO"

    Dirceu e outros réus tiveram entendimento diferente. Passaram a acreditar que Fux votaria com eles.

    Uma expressão usual do ministro, "mato no peito", foi interpretada como promessa de que ele os absolveria.

    Fux nega ter dado qualquer garantia aos mensaleiros.

    Ele diz que, já no governo Dilma Rousseff, no começo de 2011, ainda em campanha para o STF (Lula acabou deixando a escolha para a sucessora), levou seu currículo ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Na conversa, pode ter dito "mato no peito".

    Folha – Cardozo não perguntou sobre o mensalão?

    Não. Ele perguntou como era o meu perfil. Havia causas importantes no Supremo para desempatar: a Ficha Limpa, [a extradição de Cesare] Battisti. Aí eu disse: "Bom, eu sou juiz de carreira, eu mato no peito". Em casos difíceis, juiz de carreira mata no peito porque tem experiência.

    Em 2010, ainda no governo Lula, quando a disputa para o STF atingia temperatura máxima, Fux também teve encontros com Evanise Santos, mulher de Dirceu.

    Em alguns deles estava o advogado Jackson Uchôa Vianna, do Rio, um dos melhores amigos do magistrado.

    Evanise é diretora do jornal "Brasil Econômico". Os dois combinaram entrevista "de cinco páginas" do ministro à publicação.

    Evanise passou a torcer pela indicação de Fux.

    Em Brasília, outro réu do mensalão, o deputado João Paulo Cunha (PT-SP), articulava apoio para Fux na bancada do PT.

    A movimentação é até hoje um tabu no partido. O deputado Cândido Vacarezza (PT-SP) é um dos poucos que falam do assunto.

    Vacarezza – Quem primeiro me procurou foi o deputado Paulo Maluf. Eu era líder do governo Lula. O Maluf estava defendendo a indicação e me chamou no gabinete dele para apresentar o Luiz Fux. Tivemos uma conversa bastante positiva. Eu tinha inclinação por outro candidato [ao STF]. Mas eu ouvi com atenção e achei as teses dele interessantes.

    Folha – E o senhor esteve também na casa do ministro Fux com João Paulo Cunha?

    Eu confirmo. João Paulo me ligou dizendo que era um café da manhã muito importante e queria que eu fosse. Eu não te procurei para contar. Mas você tem a informação, não vou te tirar da notícia.

    O mensalão foi abordado?

    Não vou confirmar nem vou negar as informações que você tem. Mas eu participei de uma reunião que me parecia fechada. Tinha um empresário, tinha o João Paulo. Sobre os assuntos discutidos, eu preferia não falar.

    Fux confirma a reunião. Mas diz que ela ocorreu depois que ele já tinha sido escolhido para o STF. Os petistas teriam ido cumprimentá-lo.

    Na época, Cunha presidia comissão na Câmara por onde tramitaria o novo Código de Processo Civil, que Fux ajudou a elaborar.

    Sobre Maluf, diz o magistrado: "Eu nunca nem vi esse homem". Maluf, avisado do tema, disse que estava ocupado e não atendeu mais às chamadas da Folha. Ele é réu em três processos no STF.

    CHORO

    No dia em que sites começaram a noticiar que ele tinha sido indicado por Dilma para o STF, "vencendo" candidatos fortes como os ministros César Asfor Rocha e Teori Zavascki, também do STJ, Fux sofreu, rezou, chorou.

    Luiz Fux – A notícia saiu tipo 11h. Mas eu não tinha sido comunicado de nada. E comecei a entrar numa sensação de que estavam me fritando. Até falei para o meu motorista: "Meu Deus do céu, eu acho que essa eu perdi. Não é possível". De repente, toca o telefone. Era o José Eduardo Cardoso. Aí eu, com aquela ansiedade, falei: "Bendita ligação!". Ele pediu que eu fosse ao seu gabinete.

    No Ministério da Justiça, ficou na sala de espera.

    Luiz Fux – Aí eu passei meia hora rezando tudo o que eu sei de reza possível e imaginável. Quando ele [Cardozo] abriu a porta, falou: "Você não vai me dar um abraço? Você é o próximo ministro do Supremo Tribunal Federal". Foi aí que eu chorei. Extravasei.

    De fevereiro de 2011, quando foi indicado, a agosto de 2012, quando começou o julgamento do mensalão, Fux passou um período tranquilo. Assim que o processo começou a ser votado, no entanto, o clima mudou.

    Para surpresa dos réus, em especial de Dirceu e João Paulo Cunha, ele foi implacável. Seguiu Joaquim Barbosa, relator do caso e considerado o mais rigoroso ministro do STF, em cada condenação.

    Foi o único magistrado a fazer de seus votos um espelho dos votos de Barbosa. Divergiu dele só uma vez.

    Quanto mais Fux seguia Barbosa, mais o fato de ter se reunido com réus antes do julgamento se espalhava no PT e na comunidade jurídica.

    Advogados de SP, Rio e Brasília passaram a comentar o fato com jornalistas.

    A raiva dos condenados, e até de Dilma, em relação a Fux chegou às páginas dos jornais, em forma de notas cifradas em colunas -inclusive da Folha.

    Pelo menos seis ministros do STF já ouviram falar do assunto. E comentaram com terceiros.

    Fux passou a ficar incomodado. Conversou com José Sarney, presidente do Senado. "Sei que a Dilma está chateada comigo, mas eu não prometi nada." Ele confirma.

    Na posse de Joaquim Barbosa, pouco antes de tocar guitarra, abordou o ex-deputado Sigmaringa Seixas, amigo pessoal de Lula. Cobrou dele o fato de estarem "espalhando" que prometera absolver os mensaleiros.

    Ao perceber que a Folha presenciava a cena, puxou a repórter para um canto. "Querem me sacanear. O pau vai cantar!", disse. Questionado se daria declarações oficiais, não respondeu.

    Dias depois, um emissário de Fux procurou a Folha para agendar uma entrevista.

    12/10/2012

    Barbara Gancia chuta o pau da barraca

    Filed under: Ação 470,Bárbara Gancia,Folha de São Paulo,José Dirceu,José Genoino — Gilmar Crestani @ 6:53 pm

    Depois da condenação, a constatação. Demorou, mas parece que, tendo saciado o ódio da vingança, o arrependimento ou seja lá que nome se pode dar a isso, começa a bater na porta do outro lado. Seria por acaso a constatação de que depois de condenar alguns políticos do PT poderá vir a condenação correligionários da Folha? Ninguém parece ter dúvidas do que José Dirceu é capaz, mas eu também não tenho nenhuma dúvida do Gilmar Mendes foi e é capaz. Ou do que FHC, José Serra e Demóstenes Torres fizeram e fazem. E Policarpo Junior, e a Veja? Quanto todos  estes merecerem o mesmo tratamento, aí sim passarei acreditar que a coincidência do julgamento da Ação 470 com as eleições de 2012 foram só … coincidência. Mas que é muita coincidência, ah isso é!

    Edição/247: barbara gancia e estatua da justiça

    Colunista da Folha diz que Lula venceu as eleições, que Veja distorce a realidade ao vender Joaquim Barbosa como novo herói nacional, que José Genoino não merece o que está vivendo e condena a análise maniqueísta dos que analisam o julgamento do mensalão com sangue nos olhos

    12 de Outubro de 2012 às 09:45

    247 – Colunista da Folha, Barbara Gancia se diz assustada com o “sangue nos olhos” dos que pregam punição exemplar aos réus da Ação Penal 470 e afirma que Lula foi o grande vencedor das eleições municipais de 2012. Leia:

    Bem x Mal

    Barbara Gancia

    Seria uma lição de democracia se do julgamento do STF constassem não só PT, mas Democratas, PSDB etc.

    Está tudo muito bom, está tudo muito bem. E o "New York Times", o "Financial Times" e o "Times" de Londres po­dem estar certos de que o julga­mento do mensalão representa um avanço brutal para a democracia tapuia, como bem notou o nosso monumental Clóvis Rossi em sua coluna de ontem, mas esta "bastian contraria" (a expressão é piemon­tesa) que vos fala veio posar na sua sopa para discordar.

    É claro que quem tem culpa que pague o que deve. E eu também, co­mo todo o resto do Ocidente (excluindo talvez o Suriname, Cuba e a Cristina Kirchner -que deve sentir coisas por ele), não vou com os cornos do Zé Dirceu. O homem escondeu a pró­pria identidade da mulher, vive de amassos com os Castro, não é exatamente exemplo de democrata e blá-blá-blá-blá-blá.

    Acontece que não consigo disso­ciar a imagem de Joaquim Barbosa de Torquemada e o julgamento do mensalão da Inquisição. Estamos assistindo a um massacre e há mui­to ainda a considerar.

    Diziam que o julgamento seria parcial porque Lula havia escolhi­do os juízes. Não aconteceu. Aliás, essa desconfiança preconceituosa me faz lembrar o terceiro mandato de Lula, que não houve.

    Enunciavam também que o men­salão ia dar a vitória a Russomanno em primeiro turno. Não aconteceu. Por sinal, a economia nem vai tão bem e Haddad lidera as pesquisas.

    E Lula, ora, Lula foi o grande ven­cedor do primeiro turno (tadinha da Martoca) e vai levar São Paulo de enxurrada, né não? Fica claro tam­bém que a classe média alta que se diz informada, mas que raramente acaba obtendo colocação profissio­nal fora do âmbito familiar, quer ver o PT ser varrido do mapa. Essa é a turma que torce como nunca no Fla-Flu do julgamento do STF.

    Nos últimos tempos, até a Dilma eles têm tratado com um desdém que antes não havia ali. Já para o zé povinho, tanto faz. Para a perifa, obviamente não só despida de pre­conceito contra o Lula como iden­tificada com ele até a alma e beneficiada pelas mudanças sociais, escândalo de compra de votos da reeleição, anões do Con­gresso, Sivam, Zé Dirceu, Collor… é tudo a mesma lasanha.

    Eu até concordo que a gente quei­ra ver canalhas ricos o bastante pa­ra contratar advogados top na ca­deia. Mas, vem cá: o Genoino, gen­te? Todo mundo conhece o Genoi­no, sabe que ele não vive no luxo. E não merece o que está acontecen­do.

    Nesta semana vi gente com san­gue nos olhos dizendo que queria vê-lo atrás das grades. Isso não po­de ser sede de justiça. É outra coisa. É preconceito puro. E olha que o Muro de Berlim já caiu há mais de 20 anos!

    É uma deturpação das mais dano­sas ao país colocar na capa da maior revista semanal tapuia uma crian­ça negra e pobre que subiu na vida pelo próprio esforço como se ela fosse o novo Pelé.

    É como se a classe dominante dissesse: "Os nossos pretos pobres são melhores do que os deles". Os negros pobres do Lula precisam do Bolsa Família e de cotas para chegar lá. Joaquim Barbosa (que, note, se declara eleitor do PT) venceu sozinho, não precisou de "política assistencialista", não é mesmo? Pessoal ainda não enten­deu que não é muleta, mas repara­ção por séculos de apartheid social.

    Seria lição de democracia se do julgamento do STF constassem não só PT, mas PSDB, DEM etc. Julgar ignorando garantias, sem direito a recurso e partindo da cer­teza de que quanto menos provas, maior o poder do réu e, portanto, hipoteticamente, maior sua culpa, é inver­ter a lógica. Isso não pode ser coisa boa, viu, "Times" de Londres?

    Barbara Gancia chuta o pau da barraca | Brasil 24/7

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