Ficha Corrida

17/02/2014

Rede Globo de Manipulação

 

A confissão de Boni sobre o debate entre Lula e Collor

por : Paulo Nogueira

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Me enviam um vídeo que resume o Brasil.

Nele, sorridente, aparentemente orgulhoso, o ex-chefão da Globo, Boni, confessa um crime de lesa sociedade.

Você pode vê-lo aqui.

Boni conta que, no célebre debate entre Lula e Collor que definiria as eleições presidenciais de 1989, a Globo preparou Collor.

Quer dizer: uma concessão pública achou que tinha o direito de se meter nas primeiras eleições diretas para presidente.

A Globo, conta Boni, tirou a gravata de Collor para dar a ele um ar mais popular. Se pudesse, disse Boni, a Globo borrifaria caspa em Collor, a exemplo da tática clássica de Jânio Quadros para se identificar com a voz rouca das ruas.

Mas havia coisa bem pior.

Há muitos anos conheço a história das pastas de Collor. Ele se apresentou no debate com elas.

O que nas redações se comentava é que fora um truque de Collor. Chegou a Lula a informação de que na pasta estavam denúncias contra ele.

Lula ficou apavorado. Durante todo o debate, Collor fingia de tempos em tempos que ia abrir as pastas para apanhar coisas que comprometeriam Lula.

As pastas tinham papel que não significana nada, na realidade.

A revelação – confissão – de Boni é que quem armou o golpe das pastas foi a Globo, e não Collor.

Mais uma vez: ele disse isso em tom triunfal. Não tinha noção, ou não parecia ter, da gravidade do que estava dizendo.

O que se fez diante das palavras de Boni?

Nada. A mídia não se mexeu. A justiça não se mexeu. O governo não se mexeu. Para que serve um Ministério da Comunicação?

Este é o Brasil.

A Globo goza de espantosa impunidade. Pode fazer tudo, que não acontece nada.

Joaquim Barbosa arrumou um emprego para o filho na Globo. Ayres Britto escreveu o prefácio de um livro de Merval sobre o Mensalão. Gilmar Mendes aparece em fotos ao lado de Merval.

Lula, a vítima do crime eleitoral da Globo, foi ao enterro de Roberto Marinho, e produziu uma eulogia em que disse que ele era um brasileiro que viera “a serviço”.

A serviço do quê?

Não satisfeito em aplaudir Roberto Marinho, Lula decretou três dias de luto oficial. Ao fazer isso, Lula enxovalhou a memória de homens como Getúlio Vargas e João Goulart, vítimas das conspirações golpistas de Roberto Marinho.

É possível que o episódio do debate tenha deixado Lula para sempre com um sentimento paralisante de medo em relação à Globo, para infortúnio da sociedade.

A Carta aos Brasileiros, com a qual logo no início do mandato ele se comprometeu essencialmente a não fazer nada de muito diferente do que vinha sendo feito antes dele, foi arrancada a ele por João Roberto Marinho, filho de Roberto Marinho.

Montaigne escreveu que seu maior medo era ter medo.

A Globo pôs medo em Lula. E põe medo no Brasil.

O medo foi o responsável pela chamada “mídia técnica”, pela qual a Globo recebeu de governos petistas 6 bilhões de reais em dez anos mesmo tendo sonegado escandalosamente impostos e mesmo produzindo um conteúdo destrutivo todas as causas sociais.

O medo da Globo impediu que se discutissem regras para a mídia, para evitar monopólios como a Globo.

Se Kirchner tivesse medo do Clarín, não faria o que fez.

Enquanto perdurar o medo da Globo, o país vai patinar no desenvolvimento social, porque a Globo é um obstáculo intransponível para a construção de uma sociedade justa.

É irônico que um partido que dizia que a esperança tinha que vencer o medo tenha se tornado, ele mesmo, depois de chegar ao poder, tão medroso.

Paulo Nogueira

Sobre o Autor

O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

Diário do Centro do Mundo » A confissão de Boni sobre o debate entre Lula e Collor

06/05/2012

Boni está para a TV Globo, como Policarpo Junior está para Veja

Filed under: Boni,Ditadura,José Bonifácio de Oliveira Sobrinho — Gilmar Crestani @ 6:35 pm

Boni, da TV Globo, frequentava sauna com coronéis da ditadura, diz testemunha

“O Boni é malandro, inteligente. Não sei o que falava com os militares"

– Basílio Pinto Moreira, dono do restaurante

No livro “Memórias de uma Guerra Suja”, o ex-delegado da Polícia Civil do Espírito Santo Cláudio Guerra afirma que o restaurante tradicional carioca Angu do Gomes, frequentado por artistas e celebridades, era também ponto de encontro de coronéis linha dura do regime militar no fim dos anos 70 e começo dos anos 80.
Guerra conta: “O restaurante, inaugurado em 1977 pelo português Basílio Pinto Moreira e por João Gomes, era associado a uma sauna e foi fachada para as nossas atividades, misturando agentes da comunidade de informações … Foram planejados assassinatos comuns e com motivações políticas, e discutimos vários atentados a bomba que tinham como objetivo incriminar a esquerda e dificultar, ou impedir, a redemocratização”.
… Por telefone, Basílio Moreira (82 anos) confirmou que Cláudio Guerra participava de reuniões com coronéis no local. Entre eles, o coronel Freddie Perdigão, do DOI-CODI.
“O Claudinho não saía daqui, rapaz! Vi que ele deu uma entrevista e muitas coisas que disse são verdade … Tinha o Cláudio, o Freddie Perdigão … Era uns 10 coronéis. Se reuniam aqui. Nunca me interessei na conversa deles, que era de militar para militar. Então eu me afastava. Não tenho nada que falar deles”, completou.

Sauna e artistas
Anexo ao restaurante funcionava uma sauna com garotas de programa. “Tinha strip-tease, e passou a ser frequentada também por artistas, policiais, militares e figurões da época…”, diz Guerra.
Basílio Moreira confirma e diz que seu irmão, ex-policial federal Augusto Pinto Moreira, era dono. Moreira lembra de alguns nomes famosos que frequentavam a sauna, entre eles o então executivo da TV Globo, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho: “O Boni é malandro, inteligente. Não sei o que falava com os militares", desconversou.
Outros famosos, segundo Guerra e Basílio, eram Jece Valadão, Carlos Imperial, Lúcio Mauro, e Ciro Batelli, ex-vice-presidente da rede de hotéis-cassino Caesar Palace. (Com informações do Ig)
A série de matérias sobre o livro "Memórias de uma guerra Suja", com incineração de corpos de desaparecidos políticos em usina de açúcar, com desaparecidos na Lagoa da Pampulha e outras revelações  está aqui.

Boni, da TV Globo, frequentava sauna com coronéis da ditadura, diz testemunha | Os Amigos do Presidente Lula

11/12/2011

O Livro de Boni

 

Jaime Sautchuk: O Livro de Boni

A autobiografia de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, revela um bom bocado da trajetória da Rede Globo de TV e, com isso, uma parte da história recente do Brasil. Ele não conta tudo, mas relata fatos que demonstram o poder da TV sobre o povo brasileiro, em favor das elites e do imperialismo dos Estados Unidos.
Por Jaime Sautchuk *

O livro é um calhamaço de 463 páginas, bem escrito e bem editado. Competência técnica, aliás, foi sempre o forte do autor. Ele aprendeu televisão com Walter Clark, na antiga TV Rio. Mas a parte ideológica, conforme seu relato, ele trouxe de cursos que fez nos Estados Unidos.
Ele diz que o dono do sistema Globo (jornais, rádios, TVs e internet), Roberto Marinho, tinha visão democrática e que não teria colaborado com a ditadura militar iniciada em 64. É verdade que o Dr. Roberto, como era chamado, não perseguia as pessoas de esquerda.
Ele dizia que “comunista é que sabe fazer” comunicação. E, mais do que isso, tem sua frase célebre, que ele usava quando os militares tentavam pôr a mão em algum funcionário seu. “Dos meus comunistas, cuido eu”, dizia.
Eu mesmo fui personagem desse procedimento, quando era chefe da reportagem política do jornal O Globo, em Brasília, e não podia obter credencial para entrar no Palácio do Planalto. O vice-chefe da Casa Civil da Presidência, Heitor Aquino Ferreira, quando questionado sobre as razões do veto, disse a Merval Pereira, editor do jornal, que “aquele fdp do Jaime Sautchuk não deveria ter emprego em lugar nenhum; como é que vocês mantêm esse cara lá?”.
Merval me contou o fato no mesmo dia, mas ressaltou que eu não tinha o que temer, porque o Globo não aceitaria esse tipo de ameaça. E não aceitou. Eu saí do Globo quando eu quis, por opção profissional.
A raiva de Aquino era porque eu tinha escrito o livro “Projeto Jari – A Invasão Americana”, que vendeu 53 mil exemplares e promoveu forte mobilização nacional contra a presença do magnata estadunidense Daniel Ludwig no Brasil. E Heitor Aquino era consultor dele.
De todo jeito, uma parte marcante do livro do Boni é quando ele admite a intervenção da Globo na eleição de Fernando Collor para a presidência da República, em 1989. A manipulação do debate, na antevéspera das eleições, já é bastante conhecida. Mas a história é bem mais longa, segundo Boni.
Ele e sua equipe na Globo interferiram na campanha de Collor de modo direto. Ele conta que fizeram Collor tirar a gravata, andar de bicicleta e parecer um homem do povo, como Lula era identificado. No debate, eles criaram um suor sintético para fazer Collor parecer mais “normal”.
E partiram para baixaria, onde foi armado aquele circo com uma ex-mulher de Lula, que mentiu sobre seu relacionamento com o ex-marido. Só que, no dia seguinte ao debate (véspera das eleições), Boni fez uma edição dramática no Jornal Nacional, que, segundo um monte de cientistas políticos, foi o que derrotou Lula.
Vale lembrar que aquele noticiário não poderia ter ido ao ar, segundo a legislação eleitoral já então em vigor. Mas o Tribunal Superior Eleitoral fingiu de morto e deixou a Globo fazer o que bem entendesse. Em 24 horas, a tendência eleitoral, que era pró-Lula, se inverteu. E deu no que deu: Collor foi eleito.
Boni revela, pois, fatos importantes não só da sua vida e da vida da Globo, mas da história do Brasil. Vale ler.
*Jaime Sautchuk trabalhou nos principais órgãos da imprensa, Estado de S.Paulo, Globo, Folha de S.Paulo e Veja. E na imprensa de resistência, Opinião e Movimento. Atuou na BBC de Londres, dirigiu duas emissoras da RBS.

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=170416&id_secao=6

30/11/2011

Globo, modus operandi

Se foi Boni quem assessorou Collor, dando dicas de “glicerinazinha”, quem foi o executivo da Rede Globo de Corrupção que deu a dica da bolinha de papel? Qualquer débil mental sabe que a Globo investe no que dá retorno, agora vem um dos principais executivos e prova o que todos deveriam saber pela simples observação.

Collor diz a jornal que Boni “mentiu” sobre debate de 1989

O ex-presidente da República, Fernando Collor de Mello disse que o publicitário José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, “deu uma viajada na maionese” ao citá-lo em uma entrevista concedida ao canal Globo News no último sábado (26).

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O publicitário José Bonifácio Sobrinho, o Boni, que lançou recentemente sua autobiografia

Boni era o principal executivo da Rede Globo durante a campanha presidencial de 1989, que elegeu Collor. De acordo com o livro, ele teria dado “palpites” ao então jovem candidato antes do debate que antecedeu o segundo turno do pleito.
Em entrevista ao repórter Nelson de Sá, da Folha de São Paulo, publicada nesta terça-feira (29), Collor afirmou nunca ter pedido para falar com Boni, mas que sempre falava direto com Roberto Marinho, o dono da emissora carioca. 
História
Durante entrevista ao repórter Geneton Moraes na Globo News, Boni contou que havia convencido Collor a tirar a gravata, "botar um pouco de suor com uma glicerinazinha" e colocar pastas sobre o púlpito do candidato com supostas denúncias contra Lula, mas que estavam vazias.
Entre outras reações, o ex-presidente Fernando Collor se mostrou indgnado, dizendo frases como "o Boni despirocou", ao repórter do jornal Folha de São Paulo.

Collor diz a jornal que Boni “mentiu” sobre debate de 1989

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