Ficha Corrida

23/07/2015

Jornalismo tarja preta

Esquilo frase-na-guerra-a-verdade-e-a-primeira-vitimaHá uma frase que explica as tarjas pretas do Estadão: “Na guerra, a primeira vítima é a verdade”. O axioma é atribuído a várias personalidades. Como Ésquilo é o mais antigo, e os gregos foram os primeiros em tudo, penso que se encaixa no pensamento do autor de Os Persas a primazia. Nos tempos napoleônicos, o filósofo da guerra, Carl Von Clausewitz, cunhou a expressão: "A guerra é a continuação da política por outros meios". Que meios seriam estes? Os Meios MafioMidiáticos!

No Brasil, a partir da primeira vitória do Lula, a imprensa é o exemplo e síntese dos dois pensadores.

Não é por acaso que a velha mídia inventou o Instituto Millenium. Este clube da direita Miami foi criado e existe para ser instrumento da política por outros meios, meios empresariais da informação.

Por exemplo, a Lei Rubens Ricúpero foi criada numa a$$oCIAção entre o governo FHC e Rede Globo. Mostrar o que é bom e esconder o que é ruim, em relação a FHC e o contrário em relação a Lula e Dilma tem sido a tônica da Rede Globo desde sempre. Se ficamos sabendo somente a partir do Escândalo da Parabólica, muito antes a Globo já fazia das suas, como no editorial que saudava a chegada da ditadura, ou em outra batalha da mesma guerra da Globo contra as forças populares, quando agiu buscando manipular o resultado eleitoral contra Leonel Brizola, no Escândalo da Proconsult.

Os exemplos são inúmeros e constantes. Não vem ao caso citar todos. Mas para o caso, só mais um. A tentativa de transformar um bolinha de papel em objeto contundente, para fazer de seu candidato uma vítima.

A Veja, pelo menos depois do Boimate, perdeu toda credibilidade. Hoje é consumida apenas em estábulos e pocilgas.

A Folha de São Paulo tem um currículo recheado com os escândalos da ditadura cuja participação permanece em seu DNA. Ter ajudado a manter a OBAN, emprestado carros para os agentes da ditadura desovar corpos estraçalhados nas orgias do DOI-CODI seria suficiente. Mas a Comissão da Verdade revelou que houve participação, no mínimo como espectadores, nas sessões de tortura, estupro, morte e esquartejamento nos porões do DOI-CODI. Não bastasse isso, na democracia perfila-se ao lado de outras famílias, perpetrando atos vergonhosos como a fabricação de um Ficha Falsa da Dilma. Recentemente, contra todas as evidências, “revelou” um habeas corpus inexistente do Lula.

E assim chegamos ao Estadão, o baluarte do conservadorismo e bíblia da direita hidrófoba.

O fato de os donos do Estadão terem participado da marcha dos zumbis pedindo golpe militar no Brasil é indício suficiente da demência desta empresa que vive de vender informação. Mas há pelo menos mais dois episódios que dizem muito sofre o Grupo Estado. Sabemos todos das inúmeras tentativas do Estadão de atribuírem às pessoas de Lula e Dilma a responsabilidade por todos os casos de corrupção ocorridos em seus governos. Só que o Estadão não se deu por conhecedor que seu Diretor de Redação, Pimenta Neves, praticava assédio moral e sexual sob as barbas dos Mesquitas. Ora, se é verdade que Lula e Dilma compactuaram com a corrupção em seus governo, o assassinato pelas costas de Sandra Gomide também pode ser atribuído, senão doloso pelo menos de forma culposa, aos chefes do assassino.

Requiao Jose SerraHá um outro papel desempenhado pelo Estadão que causa perplexidade pela forma como usa e se deixa usar para influenciar politicamente. É o caso do antológico artigo do Mauro Chaves, “Pó pará, governador!” Não precisa de mais adendos, o título já diz tudo. Coincidentemente, envolve a mesma personagem que agora o Estadão, de forma infantil, alcovita, José Serra.

A tentativa de incriminar uns e inocentar outros é prova suficiente de que nosso jornalismo é um antro de bandidos ainda mais perigosos do que os do PCC. Os bandidos atuam contra o patrimônio, os bandidos do jornalismo atuam contra a democracia, o maior patrimônio de um povo.

Na guerra contra Lula, Dilma e o PT, todas as armas já foram utilizadas. Ultimamente está em voga o golpe paraguaio. O golpe paraguaio, em moda na América do Sul, acontece quando se tenta dar um verniz legal a um golpe perpetrado às claras. É mais ou menos como atribuir a mulher de saia curta a culpa de seu estupro.

Na marcha do golpe paraguaio estão parcelas da Polícia Federal, Ministério Público e do Poder Judiciário, instrumentalizados pelos derrotados das últimas três eleições. A Síndrome de Abstinência eleitoral e de outros matizes tem levado o Napoleão das Alterosas a navegar pelo tapetão jurídico com uma desenvoltura só vista em fábulas árabes. Tudo em combinação com a velha mídia. A dobradinha de vazamentos seletivos, com maquiagem da meios mafiomidiáticos mantém em marcha um golpismo de republiqueta de bananas.

O mais recente episódio diz muito sobre o estágio atual do golpe paraguaio, mas fala ainda mais alto em relação ao “jornalismo” brasileiro.

Trata-se da sucessivas tentativas, e de forma escancarada, de manipular os fatos. Nesta guerra encetada pela direita brasileira para retomar o poder, depois de quinhentos anos, implica em esconder, como num passe de mágica, um helicóptero com 450 kg de cocaína. Todos os vazamentos da Operação Lava Jato são utilizados para esconder seus parceiros no golpe paraguaio e, ao mesmo tempo, incriminar a Presidente Dilma e o ex-Presidente Lula. A ponto de que tudo o que eles fazem os deixam de fazer é levado para aos tribunais, exatamente como fizerem os golpistas paraguaios. E mesmo quando os “crimes” atribuídos a eles sejam ocorrências idênticas às praticadas por FHC, Aécio Neves ou Geraldo Alckmin. Foi assim que o Estadão resolveu colocar uma tarja preta sobre personagem da marcha dos golpistas paraguaios, como se todo mundo fosse imbecil como eles. Para proteger as fontes que constantemente jorram, o Estadão joga para a fonte porque, como sabemos, o jornalista não precisa declinar o nome de sua fonte, e assim retira de seus ombros as tarjas espalhadas sobre seus parceiros ideológicos.

Fico com a análise do Roberto Requião: "Quem cobriu com tarja preta o nome de José Serra no documento da PF, quer seja da PF ou do Estadão, é um completo e perfeito idiota". Idiota, sim, mas peça importante na engrenagem do golpe paraguaio.

Nesta guerra em que a verdade é a primeira vítima, se os fatos não estiverem de acordo com as exigências para o golpe paraguaio, pior para os fatos.

16/05/2015

Instituto Millenium lança manual de jornalismo para estagiários

19/10/2014

Jornalistas, eu os acuso!

jornalismo_independente

marcio valley

dom, 19/10/2014 – 02:28

A responsabilidade da imprensa pelo acirramento de ânimo entre petistas e anti-petistas é evidente. Estão fabricando um fosso que vai se aprofundando. Um dia será impossível a construção de pontes para o retorno à confraternização.

Ontem (18/10) publiquei um twit com a seguinte mensagem: "O antipetismo cego está se radicalizando e dividindo o país. Um dia ainda conseguem a guerra civil.”. É o que penso de verdade, mas esse pensamento não cabe em somente cento e quarenta caracteres, por isso a razão desse texto.

Estamos entrando num caminho extremamente perigoso, a partir do qual a percepção de uma parcela da população quanto à dificuldade de solução política pela via democrática começa a criar, em mentes menos tolerantes, perigosas ideias de dominação a qualquer preço, a qualquer custo.

A paz social sempre nos caracterizou, ao ponto de sermos inclusive considerados pusilânimes. Enquanto o povo argentino ou o chileno não deram trégua às respectivas ditaduras, os militares brasileiros sentiram-se totalmente confortáveis na cadeira do poder, praticamente sem resistência da população, sem contar uns poucos “chatos” que não chegaram a causar incômodo relevante.

Sempre fomos assim, um povo pacífico. Os que hoje arriscam perturbar essa paz brincam de forma irresponsável com o monstro do sonho totalitário. Fazem isso porque, ou pensam tolamente que o barulho ainda é incapaz de acordá-lo, ou são idiotas imaginado que lograrão controlá-lo.

O abismo que estão criando é capaz de engolir os dois lados.

É sábia a comparação feita pelo juiz paulista Marcelo Semer do jogo praticado pela imprensa real com aquele retratado no excelente filme “V de Vigança”, no qual, dada a ordem para a disseminação do medo pela imprensa, esta imediatamente passa a publicar somente manchetes negativas. O objetivo? Causar medo na população, disseminar o pânico, para facilitar o caminho daquilo que apropriadamente Semer denomina de “populismo legal”, com estabelecimento de medidas apresentadas como de “segurança” e de “benefício social”, que, porém, invariavelmente envolvem severa redução das liberdades e dos direitos individuais. Em todo lugar, em toda a história, a escalada do medo é seguida da ascensão do canto do radicalismo conservador, com o discurso do ódio, da segregação, do preconceito, do endurecimento criminal, do conservadorismo moral, da eterna sensação conspiratória causada pela vigilância de todos por todos. Sempre envolve imensas perdas e grave retrocesso civilizatório.

Se isso ocorrer, parcela substancial da culpa deve ser atribuída a quem a merece: os jornalistas.

As empresas jornalísticas praticam a política que interessa às corporações que são suas donas, pretendem a subida de um governo mais palatável ao financismo, mais aberto ao capital especulativo. Elas apelidaram isso de “mercado”. Porém, embora com culpa inarredável, não teriam a facilidade que têm não fosse a extrema leniência, subserviência mesmo, que os jornalistas empregados nesses veículos inacreditavelmente demonstram. Falta honra, falta vergonha na cara para os jornalistas.

Claro que todos temos medo de perder emprego, lógico que precisamos do ganha-pão. Existem momentos, contudo, em que valores mais elevados do que a mera superação da incerteza se impõem. Não se imagina que possa um médico empregado realizar uma cirurgia com bisturi enferrujado sob o descabido argumento de que seu patrão mandou.

Da mesma forma, não poderiam os jornalistas contratados estar compactuando, como em grande parcela estão, com uma ação confessadamente orquestrada pela grande imprensa no papel de oposição, o que violenta os mais elementares princípios da informação que deveriam pautar o jornalismo.

São cúmplices desse desvario político e serão, junto com seus patrões, culpados por toda e qualquer ruptura institucional ou social que eventualmente ocorrer. São co-autores desse crime de imprensa que está dirigindo a nação para conflitos impensados há poucos anos.

No mínimo, repúdios diários das associações e dos sindicatos de jornalistas deveriam ser publicados, a cada manchete nitidamente tendenciosa. Os professores e estudantes das faculdades de jornalismo deveriam mobilizar-se maciçamente em eventos públicos que demonstrassem, de forma inequívoca, que a classe não compactua com os objetivos das empresas jornalísticas.

Todavia, afora exemplos admiráveis de jornalistas desvinculados das grandes empresas, muitos atuando no que orgulhosamente chamam de “blogs sujos”, o que se vê é timidez, é silêncio da classe. Isso tem nome: trata-se de compactuar por omissão.

E e a partir dessa omissão, o Brasil, um país historicamente pacífico e reconhecido por essa natureza de tranquilidade social, aos poucos vai se metamorfoseando numa espécie de Bósnia da década de 1990 ou com outros países cujos profundos conflitos sociais resultaram em facções da população se auto-digladiando em busca do poder ao preço da própria destruição e da ruína do próprio país. Aos vencedores, os escombros.

Hoje, ainda nos encontramos num estágio mais brando. O que vemos é um indivíduo se achar no direito de vociferar agressões verbais a um ator que, na condição de pessoa comum e acompanhado de sua mulher, tentava fazer uma refeição num restaurante, somente porque esse ator declarou apoio a candidatura petista.

Nesse momento, a violência física chegou “apenas” à inacreditável agressão de um cadeirante que, nas ruas, exercia o seu direito constitucional de militar politicamente, sendo jogado ao chão por um descerebrado por usar um broche do partido no peito e uma bandeira na mão.

Ainda estamos num estágio incipiente (e insipiente) em que um artista, mais famoso por ter passagens na polícia do que pela arte que exerce, ao invés de simplesmente pedir votos para o candidato que apoia, entende-se no direito de atacar um colega de profissão, denominando-o de “marginal” e “acéfalo”, simplesmente por discordar da opção eleitoral do artista que agride.

Esse é o nível em que estamos atualmente. Amanhã, porém, petistas e anti-petistas poderão ser obrigados a se entricheirar em condomínios e quarteirões onde viverão livres da presença incômoda da democrática voz dissonante, mas presos no próprio espaço em que se confinaram.

Felizmente, ainda estamos longe disso. Por ora os conflitos ocorrem mais pesadamente em ambiente eleitoral. Porém, se lembrarmos que até pouco não era assim e que a escalada da violência vem progressivamente aumentando, já extrapolando do limite verbal para o físico, não há porque imaginar que um conflito interno mais grave não possa ocorrer no futuro.

Hoje agridem petistas, amanhã os petistas revidarão e isso conduzirá ao caos. Novamente invocando Marcelo Semer, o namoro com o estado policial pode ser entendido no presente como uma opção eleitoral, porém, sair dele no futuro, nunca será. Desse namoro resulta inescapável casamento compulsório do qual não se pode libertar sem muita dor, sem muito sofrimento, sem muita perda.

Essa é a responsabilidade que imputo à imprensa e, principalmente, aos jornalistas.

O abismo que está se aprofundando não resultou da queda de um imprevisível meteoro social. Ela é fruto inevitável do incansável trabalho da impensa na prática da escandalização de um lado só, das distorções da realidade, da manipulação da verdade, da ocultação criminosa de tudo que seja entendido como positivo, da disseminação da falsa ideia de que todos os problemas do Brasil possuem apenas um só nome e uma só coloração.

Enfim, o acirramento político e a escalada de violência que se testemunha é o filho degenerado de um posicionamento orgulhosamente assumido pela imprensa na voz da presidente da Associação Nacional de Jornais, Judith Brito, da Folha de São Paulo, que, em entrevista ao jornal O Globo, não teve qualquer pudor em confessar que, ante a fragilização da oposição no Brasil, cabia aos meios de comunicação ocupar a posição oposicionista no país.

É preciso que os ânimos sejam serenados e que os eleitores que não desejam o PT governando entendam, de uma vez por todas, que esse partido foi alçado e vem sendo mantido no poder através de eleições realizadas de forma absolutamente democrática e que, se tiver que sair do poder, e não tenham dúvidas de que sairá um dia, esse caminho necessariamente deve passar pelo mesmo itinerário do convencimento pacífico e democrático, necessariamente pela sufragação nas urnas.

Creiam, a opção é muito pior.

Os eleitores do PT já deram demonstrações sobejas de que são mais orgânicos e militantes do que os simpatizantes dos outros grandes partidos. Eles são milhões e representam uma parcela significativa do país, quase um terço, e não podem, simplesmente, ser calados, manietados ou impedidos de escolher pelo voto os mandatários da nação. Não cabe a pretensão elitista de silenciar os nordestinos ou os cidadãos que recebem benefícios sociais.

O regime político brasileiro ainda não é, e espero que nunca seja, totalitário, ditatorial, embora aparentemente muitos assim desejem.

A cada cidadão um voto e que prevaleça a democracia.

Essa é a única maneira de evitar uma convulsão social.

Esse deve ser o objetivo de cada jornalista brasileiro que entenda o poder que a manchete possui na estruturação do tecido social, no direcionamento da pauta de discussões públicas, na determinação dos sentimentos sociais capazes de conduzir para um lado, pacífico e desejado, ou para o outro, radicalizado e trágico.

Até aqui, a irresponsabilidade dos jornalistas, entendidos como classe, imperou.

É por isso, jornalistas, que eu os acuso!

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23/08/2014

Jornalismo tapioca ataca de dentadura

Midia ganhafotonOs a$$oCIAdos do Instituto Millenium, por não terem o que dizer, ficaram semanas atacando o Ministro do Esportes, Orlando Silva, por ter comprado uma tapioca com cartão corporativo. A orientação coordenada pelo puteiro do Millenium é simples, cumprir a orientação consagrada por Rubens Ricúpero na reeleição de FHC, conhecido também pelo Escândalo da Parabólica: em relação ao Governo Federal, esconder o que é bom, inventar que está ruim. Foi assim que surgiram epidemia de dengue em pleno inverno, a epidemia de febre amarela, o caos aéreo, o #naovaitercopa, apagão elétrico, a inflação do tomate, o PIBinho.

Ficou registrado nos anais da história do jornalismo de aluguel a declaração da Presidente da AssoCIAção dos Jornais, Judith Brito, de que a imprensa havia avocado para si o papel de oposição ao Governo Federal. Aliás, novamente a ANJ, em assoCIAção com a FRIBOI, se investe em partido de oposição e abraça o factóide Marina para atacar Dilma. Por que a ANJ não muda logo o nome para Cosa Nostra?

É a dentadura da nordestina já recebeu da Folha mais atenção dos que o helicóptero com 450kg de cocaína, ou a corrupção no Metrô de São Paulo. Nenhum reportagem relevante a respeito do papel de Robson Marinho como duto de passagem de dinheiro da Alstom, Siemens para os cofres do PSDB. Por que a tapioca é mais importante que crise d’água em São Paulo. Sem contar que, em relação ao Dilma, Lula e o PT, os ataques são direitos, pessoais, frontais. Quando tratam das mazelas dos parceiros ideológicos, os males não tem pai, mãe nem filho. O racionamento d’água é culpa da falta de chuva, não do choque de gestão do governador Geraldo Alckmin. A USP quebra e não há ninguém relacionado ao PSDB na lista dos culpados. Cadê uma boa reportagem de como o descalabro se instalou na USP por força do meritismo (quando o segundo colocado tem mais mérito que o vencedor porque assim quis Geraldo Alckmin) implantado pelos sucessivos governadores do PSDB? O propinoduto do trens não abastece partido nem partidários do PSDB? Tudo parece acontecer em marte. E a Folha, que tem milhares de assinaturas pagas pelo governo de São Paulo distribuídas nas escolas, que também é de São Paulo, não conseguiu produzir uma reportagem sequer sobre aquela que já foi a melhor universidade do Brasil. Entendeu ou precise que desenhe?! Sobre a USP, um detalhe que a Folha sonega mas que o colunista André Singer faz questão de refrescar a memória dos anencefálicos: “Cabe lembrar que o referido gestor foi escolhido em condições excepcionais. Ao contrário do que ocorrera desde a redemocratização, o então governador do Estado optou pelo segundo da lista tríplice, preterindo aquele que obtivera mais apoio no colégio eleitoral da USP. Em consequência, os atos em questão contaram com pouquíssima legitimidade.

O panfletarismo da Folha é tão grotesco que prefere martelar num mantra do que expor algo racional. Talvez a Folha não saiba, mas as políticas implantadas a partir do Governo Lula, que Dilma continuou, envolvem todas as esferas públicas. Há contrapartida. É o caso por exemplo da Bolsa Família. Ora, o Governo Federal estabelece o valor e as regras, as prefeituras se encarregam de levantar os beneficiados e fiscalizar o cumprimento das contrapartidas. As obras do PAC para a Copa igualmente tem participação das três esferas. Mas parece que para a Folha o Governo Federal exigir que os governos estaduais ou municipais cumpram com sua parte seja casuísmo de véspera de eleição.

Governo pediu prótese antes de mulher gravar com Dilma

Prefeitura baiana diz que implantou dentes em sertaneja após contato de ministério

Segundo Ministério do Desenvolvimento Social, município foi só ‘avisado’ da necessidade de tratamento dentário

JOÃO PEDRO PITOMBODE SALVADOR

A agricultora baiana que ganhou dentes novos na véspera de gravar programa eleitoral com a presidente Dilma Rousseff (PT) recebeu o benefício após um pedido direto do governo federal à Prefeitura de Paulo Afonso (BA).

A prefeitura, do PDT, disse que Marinalva Gomes Filha, 46, conhecida como dona Nalvinha, recebeu atendimento numa unidade municipal de saúde odontológica, por solicitação do Ministério do Desenvolvimento Social.

Dilma e o ex-presidente Lula foram à cidade do sertão baiano nesta quinta (21) para gravação de imagens para o horário eleitoral –a visita também constava da agenda oficial da petista, conforme a Folha revelou nesta sexta (22).

"Essa demanda chegou da assessoria do ministério", disse à reportagem o secretário da Saúde, Alexei Vinícius. O contato, disse ele, foi feito na segunda (18), por telefone.

Após o pedido, a prefeitura mandou buscar Nalvinha na zona rural da cidade e a levou para colocar a prótese.

A prefeitura informou que a unidade recebe cerca de 20 pacientes por dia e que ninguém deixou de ser atendido para dar lugar à agricultora.

Nalvinha também recebeu, na semana da visita de Dilma, uma ampliação de seu fogão à lenha.

Responsável pelo programa de "fogões ecológicos", em convênio com o governo federal e o governo petista da Bahia, a ONG Agendha disse que a obra era necessária.

"Não é porque a presidente vinha que íamos deixar de fazer", disse Valda Aroucha, fundadora da ONG e filiada ao PT desde 2011.

A construção do fogão e de duas cisternas na casa da agricultora integram o convênio com a ONG, orçado em R$ 4 milhões e que prevê a construção de 756 estruturas hídricas, como cisternas e barragens, e dos fogões.

O "fogão ecológico" foi desenvolvido pelo pesquisador Maurício Lins Aroucha, fundador da Agendha e filiado ao PT desde 2008.

Para o especialista em direito eleitoral Silvio Salata, consultor da OAB, a campanha praticou conduta vedada pela legislação, ao "usar bens e serviços públicos em favor" da candidata.

"Foi oferecido um benefício a uma eleitora que iria aparecer na propaganda eleitoral", disse. Para ele, a conduta, se comprovada, pode resultar em multa ou até cassação da candidatura.

OUTRO LADO

O Ministério do Desenvolvimento Social informou, por e-mail, que identificou, em visita de equipe técnica que sempre antecede as visitas da presidente, a necessidade de atendimento odontológico para Nalvinha e que "avisou" a prefeitura –a pasta destacou o verbo em negrito.

O ministério disse ainda que a agenda foi "mista, combinando atividades institucionais e eleitorais" e que Dilma fez "vistoria" da execução do programa Cisternas.

A visita durou cerca de uma hora. A imprensa não teve acesso à casa de Nalvinha durante o período.

Questionada sobre o benefício à agricultora na quinta (21), a assessoria do Planalto havia dito apenas que o assunto competia à ONG.

A prefeitura informou que continuará o tratamento até que Nalvinha coloque prótese definitiva. A atual, de acrílico, é provisória.

19/06/2014

Ué, mas não era a Venezuela que era perigosa para jornalistas?!

Filed under: Assassinato,Jornalismo,Liberdade made in USA!,México,Peña Nieto — Gilmar Crestani @ 10:57 pm
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Como o México não passa de um entreposto de cocaína para abastecer os EUA, nada do que diz respeito a eles nos interessa. Só podemos nos interessar por aqueles países que os EUA permitem que nos interessemos. Sabemos tudo sobre Hugo Chávez e Nicolas Maduro. E quem é mesmo o ventríloquo dos EUA no México. Como já disse Porfirio Díaz: "Pobre México. Tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos." Por isso que os a$$oCIAdos do Instituto Millenium não publicam nada a respeito do México. Talvez, se publicassem, teria de informar sobre os desastres econômicos que o PRI de Peña Nieto, uma espécie de Fernando Henrique Cardoso quando jovem, está causando por aquelas bandas. A única coisa que ele não está fazendo igual a FHC foi sentar na cadeira antes de ser eleito…(http://veja.abril.com.br/blog/caca-ao-voto/uncategorized/fernando-henrique-cardoso-caiu-da-cadeira/)

Como é um protetorado dos EUA, toda barbaridade é permitida, assim como toda informação nos é sonegada. E por aí também se justifica todo ataque à Venezuela. O que o México tinha, os EUA já levaram. Já a Venezuela tem petróleo, que até a chegada de Chávez, era tido como se dos EUA fosse.

México reconoce que 102 reporteros han sido asesinados desde 2000

Paula Chouza México 7

La cifra de muertos del Gobierno supera los registros de asociaciones y de la Comisión Nacional de Derechos Humanos

El Gobierno de México reconoce 102 periodistas asesinados desde el año 2000

La cifra de muertos oficial supera los registros de asociaciones y de la CNDH

Paula Chouza México 19 JUN 2014 – 23:11 CET7

Periodistas protestan durante el funeral del reportero veracruzano Gregorio Jiménez, en febrero pasado. / EFE

En los últimos diez años, alrededor de 500 periodistas han muerto en todo el mundo por ejercer su profesión, según la ONU. De estos, una quinta parte trabajaba en México. La Fiscalía Especial para la Atención de Delitos cometidos contra la Libertad de Expresión, que depende de la Procuraduría General de Justicia mexicana, registra 102 homicidios contra la prensa en los últimos 14 años. Son estas las primeras cifras oficiales que publica el Gobierno desde que se creó el organismo en el año 2010.

Según los datos recogidos en el informe, los asesinatos de periodistas se intensificaron a partir de 2006, el primer año del Gobierno de Felipe Calderón (2006-2012), etapa en la que el entonces presidente puso en marcha una dura estrategia para acabar con los carteles de la droga en México. Mientras entre 2000 y 2005, bajo el mandato de Vicente Fox, las víctimas de delitos contra la libertad de expresión fueron 21, en el sexenio calderonista la cifra se elevó a 71. El documento revela que el año más negro para la prensa fue 2010, con un total de 13 fallecidos.

“La cifra global de muertes es considerablemente mayor a la denunciada por la asociación Artículo 19”, dice su director en México, Darío Ramírez. La organización de defensa de los derechos de los profesionales de la información ha documentado en el mismo período 77 muertes en todo el país. El dato es superior también al registrado por la Comisión Nacional de Derechos Humanos, con 86 fallecidos. “Como número total es muy lamentable”, señala la titular de la Fiscalía, Laura Angelina Borbolla. “Más allá de eso resulta especialmente preocupante porque los comunicadores ejercen una función social fundamental como informadores”.

Para Ramírez, los datos son “una evidencia clara del contexto de inseguridad de los últimos 14 años, de la incapacidad del Estado mexicano para impedir los asesinatos y también de la impunidad”. El informe publicado por la Fiscalía reconoce que hay 155 averiguaciones previas aún pendientes y solo 33 despachadas.

“El ritmo de las investigaciones no depende ni del número de funcionarios ni de la capacidad del departamento, si no del procedimiento, que es largo. La instrucción de pruebas dura como mínimo nueve meses”, explica la fiscal. “Los estándares de efectividad”, asegura, “corresponden con los de la Procuraduría General de la República”.

Según los registros desde el año 2000, las entidades más violentas son Chihuahua (16 fallecidos) y Veracruz (15). La región del sureste, donde se encuentra este último Estado resulta la más peligrosa para ejercer la profesión periodística, con 35 informadores asesinados, mientras el noroeste se convierte en la segunda zona más violenta, con 27 homicidios.

En el apartado de las desapariciones la FEADLE reconoce 24 expedientes abiertos. Michoacán, Tamaulipas y Veracruz, zonas donde la presencia del crimen organizado ha sido una constante en los últimos años, se sitúan a la cabeza de la República en casos de periodistas desaparecidos. En la actualidad, el Gobierno de la República reconoce que hay 16.000 ciudadanos desaparecidos. Al término del mandato de Felipe Calderón la lista era de 27.000, ha asegurado recientemente el secretario de Gobernación, Miguel Ángel Osorio Chong.

“El fenómeno real de que hubo un incremento de delitos contra los profesionales de los medios de comunicación es una de las razones que motivó la creación de la Fiscalía”, explica Borbolla. La otra fue la visita conjunta y las conclusiones posteriores del informe elaborado por las Naciones Unidas y la Organización de Estados Americanos. “El documento establecía que era la Federación (el Gobierno central) la que debía investigar los delitos contra la libertad de expresión, la necesidad de una coordinación con autoridades locales, el establecimiento de protocolos y la creación de políticas de prevención”.

En lo que va de 2014 dos periodistas han sido asesinados en el país. El último homicidio tuvo lugar en Acapulco a comienzos de junio. Jorge Torres Palacios tenía 50 años, era reportero y trabajaba como portavoz de Salud en el Ayuntamiento de esa ciudad, puerto turístico de enorme atracción en el pacífico mexicano. Al periodista lo secuestraron un jueves por la tarde y cuatro días después fue hallado sin vida, decapitado y desmembrado. Las causas que rodean el crimen son todavía un misterio, pero el contexto que rodea Acapulco es violento: 113 homicidios por cada 100.000 habitantes.

La otra víctima mortal fue Gregorio Jiménez, de 43 años. A él se lo llevaron el 5 de febrero y apareció muerto el 11. El periodista veracruzano colaboraba con varios medios y cobraba 1, 5 dólares por cada artículo publicado. El piso de su casa era de tierra y la vivienda no tenía agua corriente, luz eléctrica o drenaje. Las precarias condiciones en las que desarrollaba su actividad profesional y la pasividad de las autoridades locales, llevó a 16 compañeros de varias asociaciones periodísticas del país a investigar el caso. Desde que Javier Duarte se convirtió en gobernador de Veracruz, en diciembre de 2010, han sido asesinados diez periodistas y tres continúan desaparecidos. Además, un diario fue incendiado y al menos 25 reporteros se han visto obligados a dejar el Estado por amenazas.

Según un informe de la organización Reporteros Sin Fronteras publicado en febrero, México se encuentra entre los 30 países más peligrosos del mundo para ejercer el periodismo, a la par de naciones como Irak, Corea del Norte, Irán y Siria. “El nivel de indefensión de la prensa es mayor que nunca”, concluye Ramírez después de revisar el informe del Gobierno federal. “La reflexión debe ir en esa dirección, los mecanismos de protección actuales son insuficientes”.

El Gobierno de México reconoce 102 periodistas asesinados desde el año 2000 | Internacional | EL PAÍS

17/05/2014

Ainda há jornalistas no Brasil

Filed under: Jorge Furtado,Jornalismo,Pena de Aluguel — Gilmar Crestani @ 9:57 am
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Ainda há jornalistas no Brasil

por Jorge Furtado em 15 de maio de 2014

Há muitos bons jornalistas no Brasil, em todos os veículos, em muitos blogs e sites. Sem os bons jornalistas nós, leitores, não temos como saber o que está acontecendo no mundo lá fora, esse lugar que vai do Guarujá até a Croácia, e além. Se você quiser saber o que realmente está acontecendo por aí e por aqui, precisa procurar os bons jornalistas, sem aceitar as facilidades das manchetes e dos comentários de encomenda, e sem a irresponsabilidade dos boatos da internet.
Os bons jornalistas tem uma tarefa bem simples e indispensável, vital para a sobrevivência da humanidade: a tarefa de buscar a verdade. Se ela existe ou não, a tal verdade, é questão menor, realmente não interessa. Existe, sem dúvida – no jornalismo, na ciência, na filosofia e também na arte – , a vontade de buscá-la, existe a necessidade de distinguir o que é verdadeiro e o que é falso e assim melhorar as chances de sobrevivência neste planeta inóspito, a necessidade de distinguir o que é certo e o que é errado, para tomar as decisões certas e não se deixar levar por instintos primitivos e exclamações da turba, ou a coisa acaba em linchamento.
Na internet, você pode facilmente organizar a sua própria lista de jornalistas, colunistas, blogs e sites favoritos, só anda mal informado quem quer, ou tem preguiça.
Quando o assunto é política, minha lista pessoal, no momento, está aqui:
http://www.omercadodenoticias.com.br/pesquisa/
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Fico triste ao ver artistas brasileiros, meus colegas, tão mal informados.
Imagino que, com suas agendas cheias, não tenham muito tempo para procurar diferentes fontes para a mesma informação, tempo para ouvir e ler outras versões dos acontecimentos, isso antes de falar sobre eles em entrevistas, amplificando equívocos com leituras rasas e impressionistas das manchetes de telejornais e revistas ou, pior, reproduzindo comentários de colunistas que escrevem suas manchetes em caixa alta, seguidas de ponto de exclamação.
Fico triste ao ler artistas dizendo que não dá mais para viver no Brasil, como se as coisas estivessem piorando, e muito, para a maioria. Dizer que não dá mais para viver no Brasil logo agora, agora que milhões de pessoas conquistaram alguns direitos mínimos, emprego, casa própria, luz elétrica, acesso às universidades e até, muitas vezes, a um prato de comida, não fica bem na boca de um artista, menos ainda de um artista popular, artista que este mesmo povo ama e admira. Em que as coisas estão piorando? E piorando para quem? Quem disse? Qual a fonte da sua informação?
Fico triste ao ouvir artistas que parecem sentir orgulho em dizer que odeiam política, que julgam as mudanças que aconteceram no Brasil nos últimos 12 anos insignificantes, ou ainda, ruins, acham que o país mudou sim, mas foi para pior. Artistas dizendo que pioramos tanto que não há mais jeito da coisa “voltar ao ‘normal ‘”, como se normal talvez fosse ter os pobres desempregados ou abrindo portas pelo salário mínimo de 60 dólares, pobres longe dos aeroportos, das lojas de automóvel e das universidades, se ”normal” fosse a casa grande e a senzala, ou a ditadura militar. Quando o Brasil foi normal? Quando o Brasil foi melhor? E melhor para quem?
A mim, não enrolam. Desde que eu nasci (1959) o Brasil não foi melhor do que é que hoje. Há quem fale muito bem dos anos 50, antes da inflação explodir com a construção de Brasília, antes que o golpe civil-militar, adiado em 1954 pelo revólver de Getúlio, se desse em 1964 e nos mergulhasse na mais longa ditadura militar das américas. Pode ser, mas nos anos 50 a população era muito menor, muito mais rural e a pobreza era extrema em muitos lugares. Vivia-se bem na zona sul carioca e nos jardins paulistas, gaúchos e mineiros. No sertão, nas favelas, nos cortiços, vivia-se muito mal.
A desigualdade social brasileira continua um escândalo, a violência é um terror diário, 50 mil mortos a tiros por ano, somos campeões mundiais de assassinatos, sendo a maioria de meninos negros das periferias, nossos hospitais e escolas públicos são para lá de carentes, o Brasil nos dá motivos diários de vergonha e tristeza, quem não sabe? Mas, estamos piorando? Tem certeza? Quem lhe disse? Qual sua fonte? E piorando para quem?
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Ainda há juízes em Brasília?
Janio de Freitas, na Folha de hoje, 15.05.14
Com O ou com A
E vai por aí o conjunto de prepotências que nega o Direito. Deve ser o novo direito. Ou a velha direita?
Em muitos sentidos, o desenrolar do caso mensalão ultrapassou, desde o início do julgamento, a sua dimensão judicial. Sem mobilizar, no entanto, a classe dos advogados e juristas, que, em geral, evitou incluir-se na movimentação opinativa ativada pela imprensa e publicitariamente aproveitada, como de hábito, pelos chamados cientistas políticos, por sociólogos, historiadores e, não faltariam, economistas. Essa configuração do aspecto judicial e público do caso encerrou-se, e abre agora nova e diferente etapa.
Não fossem já as inúmeras evidências de que advogados e juristas rompem suas barreiras, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, propicia um exemplo eloquente. No posto que leva a preservar o silêncio, em relação a todo presidente do Supremo Tribunal Federal, mesmo que veja contrariado o seu trabalho, Rodrigo Janot opina com objetividade frontal sobre a retirada do trabalho externo, feita pelo ministro Joaquim Barbosa, de condenados ao regime de prisão semiaberta:
"O preso tem direito ao trabalho externo, se há oferta de emprego digno e condições de ressocialização." Nem precisou de acréscimos.
Joaquim Barbosa não suscitou no meio jurídico apenas discordância e a sentida necessidade de torná-la pública, até para não aparentar aceitação da tese e do ato que impôs com a força do seu cargo (e parece que por ele pensada como sua). Há também muita preocupação com as possíveis extensões da sua decisão a julgamentos em curso no país afora.
Não é para menos. Trocado em miúdos, o que Joaquim Barbosa faz é extinguir a condenação ao regime semiaberto. Se é exigido do condenado a esse regime que, antes de usufruir do direito ao trabalho externo, cumpra em regime fechado um sexto da pena, ele está igualado aos condenados a regime fechado, que têm direito ao semiaberto quando cumprido igual sexto da pena. Ou seja, regime semiaberto e regime fechado tornam-se iguais. Ou um só.
A supressão arbitrária é o que mais agita o meio jurídico, mas não é única na tese de Joaquim Barbosa. Diz um trecho: "Não há (…) motivo para autorizar a saída do preso para executar serviços da mesma natureza do que já vem executando atualmente" dentro da penitenciária. O pedreiro, digamos, que tenha nesse ofício sua habilitação para obter emprego em obra externa, como condenado ao semiaberto, terá o seu direito cassado por já prestar serviços de pedreiro na prisão (o trabalho reduz a pena). A tese é um contrassenso primário, porque o regime semiaberto não se caracteriza pelo trabalho, mas pelo direito, sob determinadas condições, de sair da prisão durante o expediente de dias úteis e em alguns dias de folga.
E vai por aí o conjunto de prepotências, que não nega apenas os códigos brasileiros, mas o próprio Direito. Deve ser o novo direito. Ou seria só a velha direita? Tanto faz, que dá no mesmo.
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Paulo Moreira Leite, na Isto É:
O PRÓXIMO É VOCÊ
Você pode duvidar mas o retorno de Delúbio Soares a Papuda representa uma ameaça aos direitos de toda sociedade
O retorno de Delúbio Soares a Papuda, sem direito ao trabalho externo, não permite qualquer dúvida. Depois do retorno provável de outros condenados, o próximo da lista é você. 
Ao revogar uma jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça em vigor desde 1999, quatro anos antes dele próprio ser nomeado para uma cadeira no STF, Joaquim Barbosa criou uma situação nova, que atinge todos nós. Confirmou a disposição de administrar a Justiça brasileira com métodos de ditador.
Ninguém com mais de 21 anos de idade, vacinado, em pleno gozo de suas faculdades mentais, tem o direito de imaginar que se trata de um caso isolado, limitado a duas dezenas e meia de pessoas.
Estamos falando da Justiça sob encomenda, aquela que se pratica  para atingir um alvo político, adaptando todos os meios disponíveis para chegar aos objetivos necessários. Você pode chamar isso de "maior julgamento da história." Pode dizer que vai "eliminar a impunidade." Ou pode dizer que é preciso "dar exemplo."
Você pode ter a opinião que quiser sobre os condenados da AP 470. Pode achar que são os maiores criminosos de todos os tempos. Pode achar que são inocentes até que se prove o contrário — e isso não se provou no julgamento.
Mas precisa compreender que atos de truculencia mais dura, gestos arbitrários, medidas que nada tem a ver com a Justiça, são uma ameaça aos direitos da sociedade inteira — mesmo que o atingido, em determinado momento, seja uma única pessoa.
Não se imagina  que Joaquim Barbosa pretenda levar de volta para a cadeia aqueles 100 000 prisioneiros que estão na mesma situação, no país inteiro. Seria impraticável e desnecessário. O alvo é seletivo, bem definido e tragicamente previsível.
Dois anos depois do julgamento, em 2012, quando se disputava a eleição municipal, no ano de eleições presidenciais de 2014, teremos o circo destinado a caçar – no laço da truculência — prisioneiros ligados ao PT.
Mais uma vez.
Joaquim Barbosa é um homem mau, como disse o professor Celso Bandeira de Mello, mas sua maldade não é delirante, nem fora de controle. É calculada, planejada e medida. Sabe aonde quer chegar e age com senso de estratégia.
Esquece os réus do mensalão PSDB-MG que nem foram levados a julgamento, embora a denúncia seja mais antiga. Esquece o DEM. Todos, no PSDB e no DEM, tiveram direito ao desmembramento, ao segundo grau de jurisdição. Nenhum será submetido a teoria do domínio do fato. Nenhum terá a pena agravada artificialmente.
Esquece o ex-ministro tucano Pimenta da Veiga, que recebeu 300 000 reais na conta, meses depois de deixar o ministério, em 2003, e sequer foi denunciado até agora. Esquece Eduardo Azeredo, que conseguiu, pela renúncia, ser levado para a primeira instância – José Dirceu, Delúbio Soares, 90% dos condenados da AP 470, não tinham sequer um mandato para renunciar. Mas foram julgados pelo STF, que não possui competência original para tanto, e agora não têm onde cobrar o direito universal a revisão completa do julgamento, como os demais terão caso venham a ser considerados culpados.
E se você ainda pensa assim, “bem-feito, quem mandou ser mensaleiro?!” é bom começar a ler um pouco sobre as tragédias políticas para entender como elas ocorrem. 
O enredo das ditaduras  sempre encontra  personagens obscuros, reais ou construídos pelos meios de comunicação de cada época, que, culpados ou não por episódios difíceis de compreender,  servem como uma luva para a consolidação de um poder acima da sociedade.
Até o incendio do Reichstag, que ajudou a fortalecer o nazismo, foi um caso difícil de compreender, lembra?
A Revolução Francesa transformou-se numa ditadura e, mais tarde, num império, pela prisão de seus heróis mais populares.
Um dos primeiros a ir para guilhotina foi Danton, acusado de corrupção e julgado sumariamente. Um dos últimos foi Robespierre, que era chamado o incorruptível. No fim da linha, o morticínio pela guilhotina foi tão grande que até o crescimento demográfico do país foi atingido.
O vitorioso foi um general, Napoleão, mais tarde coroado imperador, com cetro, coroa e manto, titular de um regime onde os direitos democráticos recém-criados foram esfacelados e até o direito do povo escolher seus representantes foi dificultado.
  Se você acha que a França do final século XVIII  não tem nada a ver com o Brasil de 2014, assista a entrevista a Roberto DÁvilla onde Joaquim Barbosa afirma sua admiração por Napoleão Bonaparte. 
Está lá, em vídeo, na internet. Ninguém tem o direito de dizer que não foi avisado.
Como sempre acontece, uma ditadura — judicial ou não — só pode consolidar-se num ambiente de covardia institucional. 
  Sem o silêncio e sem gestos amigos, cúmplices, de quem deveria fazer a democracia funcionar, uma ditadura não consegue se constituir.
  Veja o que acontecia em 64, sob o regime militar.
  A tortura precisava da cumplicidade de médicos que, de plantão na caserna,  examinavam prisioneiros e procuravam orientar, cientificamente, o trabalho dos carrascos. Tentavam prever, macabramente, até onde o sofrimento poderia avançar. Mais tarde, quando o serviço estava terminado, apareciam legistas para assinar atestados de óbito de acordo com a versão conveniente. 
No cotidiano, a sociedade daquele tempo precisava ser alimentada por mentiras em letras de forma. Não  faltavam jornais nem jornalistas capazes de publicar notinhas onde a morte de militantes pela tortura era descrita como atropelamento e suicídio. Também não faltavam aqueles repórteres que, alimentados pelos órgãos de informação, produziam textos que contribuiam para o endurescimento político, a ampliação do sofrimento de quem não podia defender. Nasceu, então, o repórter Amoral Neto, lembra?
Símbolo da tortura, o delegado Sergio Fleury era glorificado.
Não faltaram, na construção do regime, políticos capazes de aprovar, em Brasília, a vacância da presidencia da República para dar posse aos generais – embora o presidente constitucional, João Goulart, não tivesse deixado o país. Como era preciso legalizar o golpe, o STF deu aval a decisão do Congresso.
Atualize os personagens acima, substitua nomes, endereços. Lembre que vivemos, obviamente, sob outro regime político, de liberade, democracia. Aí comprove, você mesmo, como os papéis e as situações começam   repetir-se, caso a caso.
A medicina subordinou-se a política, no caso de José Genoíno. Não vamos julgar o valor científico de tantos laudos medicos diferentes e contraditórios. Vamos admitir o óbvio: Genoíno  jamais teria sido examinado e reexaminado tantas vezes se não houvesse o interesse exclusivo de justificar seu retorno a prisão de qualquer maneira.
A oposição a Jango, em 1964, chegou a  acreditar que a ditadura seria de curta duração. Só não gosta de admitir a razão de ter cultivado uma crença tão pouco crível. Simples. Queria que o regime militar durasse o tempo necessário para o extermínio político de adversários que não poderiam ser vencidos nas urnas. Imaginava que depois receberia o Planalto numa bandeja. Não foi enganada, como gosta de sugerir. Enganou-se.
Quanto aos jornais, a dúvida é saber qual será o próximo a pedir desculpas pelo papel que desempenhado em 64. Quando começarão a reavaliar o que fizeram na AP 470?
A covardia institucional de hoje repete o comportamento de meio século. O fundamento é o mesmo.
  Quem não pode derrotar o PT nem aquilo que ele representa – confesso que muitas vezes é difícil saber o que realmente  importa hoje – espera que medidas de ditadura ajudem no serviço que eles próprios não conseguem realizar nas urnas. Essa é a razão fundamental do silêncio.
  http://www.istoe.com.br/colunas-e-blogs/coluna/362714_O+PROXIMO+E+VOCE
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Do arquivo: Barbosa e os jornalistas
Correspondente do ‘Estado’ é presa e algemada em Yale (EUA)
Destacada para cobrir a visita do ministro Joaquim Barbosa, que fazia uma conferência na universidade, a jornalista foi autuada por ‘invasão de propriedade privada’, segundo a polícia
27 de setembro de 2013 | 17h 28
O Estado de S. Paulo
A correspondente do Estado em Washington, Cláudia Trevisan, foi detida nesta quinta-feira, 26, na Universidade Yale, uma das mais respeitadas dos Estados Unidos, enquanto tentava localizar o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, que fazia uma conferência no local. A jornalista foi algemada e mantida incomunicável por quase cinco horas, inicialmente dentro de um carro policial e depois em uma cela do distrito policial de New Haven, cidade onde fica a universidade. Sua liberação ocorreu apenas depois de sua autuação por "invasão de propriedade privada".
‘Não entrei escondido nem forcei a entrada’, afirma Cláudia Trevisan
O caso foi acompanhado pelo Itamaraty, em Brasília, e especialmente pela embaixada brasileira em Washington e pelo consulado em Hartford, Connecticut, que colocou à disposição da jornalista seu apoio jurídico. O ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, estava em Nova York e foi informado por assessores sobre o incidente. Claudia, pouco antes de ser presa, pudera informar um diplomata da embaixada brasileira por telefone.
Claudia Trevisan é correspondente do Estado em Washington desde o final de agosto. Nos últimos cinco anos, atuara em Pequim, na China, onde foi também diretora da Associação de Correspondentes Estrangeiros. Por outros meios de comunicação brasileiros, havia trabalhado como correspondente em Buenos Aires e em Pequim.
"Eu não invadi nenhum lugar", declarou ela, ao mostrar-se indignada pela acusação policial e por sua prisão. "Passei cinco anos na China, viajei pela Coreia do Norte e por Mianmar e não me aconteceu nada remotamente parecido com o que passei na Universidade de Yale", completou nesta quinta-feira, 26, ainda abalada.
A jornalista havia sido destacada para cobrir a visita do ministro Joaquim Barbosa à Universidade Yale, onde participaria do Seminário Constitucionalismo Global 2013. Ela trocara e-mails com a assessora de imprensa da Escola de Direito da universidade, Janet Conroy, que lhe informara ser o evento fechado à imprensa. Claudia aquiesceu, mas disse que, por dever de ofício, esperaria pelo ministro do lado de fora do Woolsey Hall, o auditório onde se daria o seminário.
Ela também havia conversado previamente, por telefone celular, com o próprio ministro Barbosa, a quem solicitou uma entrevista. Barbosa disse que não estava disposto a falar com a imprensa. Claudia, então, informou o presidente do STF que o aguardaria e o abordaria do lado de fora do prédio.
Portas abertas. O prédio é percorrido constantemente por estudantes e funcionários da universidade e por turistas. Suas portas estavam abertas às 14h30 de quinta-feira. Claudia ingressou e, na tentativa de confirmar se o evento se daria ali, dirigiu-se ao policial DeJesus, em guarda no primeiro andar. Ele pediu para Claudia acompanhá-lo. No piso térreo do prédio, a pedido do policial, Claudia forneceu seu endereço em Washington, telefone e passaporte. Ao alcançarem a calçada, do lado de fora do prédio, DeJesus recusou-se a devolver seu documento.
"Nós sabemos quem você é. Você é uma repórter, temos sua foto. Você foi avisada muitas vezes que não poderia vir aqui", disse o policial, segundo relato de Claudia Trevisan, para em seguida agregar que ela seria presa.
Algemas. O processo de prisão teve uma sequência não usual nos EUA. Os argumentos de Claudia não foram considerados pelo policial. Na calçada, ele a algemou com as mãos nas costas e a prendeu dentro do carro policial sem a prévia leitura dos seus direitos. Ela foi mantida ali por uma hora, até que um funcionário do gabinete do reitor da Escola de Direito o autorizou a conduzi-la à delegacia da universidade, em outro carro, apropriado para o transporte de criminosos.
Na delegacia, Claudia foi revistada e somente teve garantido seu direito a um telefonema depois de quase quatro horas de prisão, às 21h20. O chefe de polícia, Ronnell A. Higgins, registrou a acusação de "transgressão criminosa". Ela deverá se apresentar no próximo dia 4 diante de um juiz de New Haven.
O Estado manifestou hoje sua indignação à Escola de Direito da Universidade Yale pela prisão arbitrária de sua correspondente em Washington. Solicitou também respostas a cinco perguntas pontuais sobre o episódio e seu acesso às imagens de câmeras de segurança do prédio de Woolsey Hall, para comprovar o fato de Claudia ter obedecido as instruções do policial. A resposta dessa instituição está sendo aguardada.
Confira as perguntas cujas respostas são aguardadas pelo ‘Estado’:
Em virtude dos infelizes fatos ocorridos, O Estado de S. Paulo gostaria de obter, nesta sexta-feira, de preferência, alguns esclarecimentos da Escola de Direito da Universidade Yale:
1. Quais foram – especificamente – as instruções recebidas pelo policial DeJesus antes do evento, com relação ao tratamento dado ao jornalistas?
2. Por que a jornalista Cláudia Trevisan foi presa por ‘invasão de propriedade privada’ se ela não estava no interior de um prédio privado naquele momento, não resistiu às instruções dadas pelo policial DeJesus e não foi agressiva?
3. Qual é o nome do oficial que deu ao policial DeJesus a permissão para conduzir a jornalista Cláudia Trevisan ao distrito policial e processá-la? Por que ele fez isso?
4. O ministro Joaquim Barbosa deu alguma instrução à faculdade de Direito ou para pessoas da organização do evento de como tratar a imprensa?
5. O mesmo procedimento foi usado antes pela Faculdade de Direito em outros episódios parecidos?
Estado gostaria de ter acesso à cópia do vídeo feito pelas câmeras de segurança, capturadas equipamentos instalados no ambiente interno e externo do prédio, com imagens dos movimentos da jornalista.
http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,correspondente-do-estado-e-presa-e-algemada-em-yale-eua,1079563,0.htm
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Post de Luis Nassif sobre o caso:
Jornalista pode ter sido detida a pedido de Joaquim Barbosa
Pelo relato da correspondente do Estadão, Cláudia Trevisan – que foi detida e algemada pela polícia, ao tentar assistir a uma palestra do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa na Universidade de Yale – a maior suspeita sobre o causador do episódio recai sobre o próprio Barbosa.
A correspondente entrou normalmente em Yale, circulou pelos corredores em que circulam alunos, professores e visitantes.
Ao pedir informações a um policial, foi detida. E as declarações do policial deixam as pistas sobre a origem das denúncias contra a correspondente (http://glurl.co/csC):
“Foi o único momento em que me alterei. Disse que ele não podia fazer isso. Ele respondeu que sim e teve seu êxtase autoritário: we know who you are, you are a reporter (você sabe quem você é, você é uma repórter). Que crime!!!! We have your picture, you were told several times you could not come (Nós temos sua foto, você foi avisada várias vezes que não podia vir)”.
A troco de quê a policia de Yale teria uma foto da correspondente? Foram avisados por quem, se a única pessoa que sabia de sua ida à Universidade era o próprio Joaquim Barbosa? Antes, Trevisan havia solicitado à diretora de Comunicação da Universidade autorização para assistir o evento. Foi-lhe negado.
Mais. Segundo o relato:
“Fui algemada enquanto ele dizia "you know why you are being arrested, no?" (você sabe porque está sendo presa, não?). Ao que eu dizia que não. "You were told several times you could not come here" (Você foi avisada diversas vezes que não poderia vir aqui). Ao que eu repetia que não”.
Ora, pelo relato, a única pessoa que sabia da ida de Trevisan ao evento e tinha motivos para rixas maiores era o próprio Joaquim Barbosa, alvo de duas denúncias do jornal (caso das passagens aéreas e da compra do apartamento em Miami). Segundo a materia do Estadão
“Ela também havia conversado previamente, por telefone celular, com o próprio ministro Barbosa, a quem solicitou uma entrevista. Barbosa disse que não estava disposto a falar com a imprensa. Claudia, então, informou o presidente do STF que o aguardaria e o abordaria do lado de fora do prédio” (http://glurl.co/csA).
‘Não entrei escondido nem forcei a entrada’
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Não tenho contas a prestar a politiqueiros’, diz Barbosa
Presidente do Supremo diz que é ‘cidadão correto’ e ataca os que criticam a compra que ele fez de imóvel em Miami, EUA
06 de agosto de 2013 | 21h 37
O Estado de S. Paulo
BRASÍLIA -  O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, afirmou nesta terça-feira, 6, que não deve explicações sobre a compra de um imóvel em Miami (EUA) e que é um "cidadão correto". "Comprei com o meu dinheiro, tirei da minha conta bancária, enviei pelos meios legais. Não tenho contas a prestar a esses politiqueiros", afirmou após sessão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O procedimento começou a ser questionado por magistrados.
O ministro se recusou a fornecer informações sobre o custo do apartamento. O imóvel foi adquirido no ano passado, segundo informação do jornal Folha de S.Paulo. Barbosa abriu uma empresa – a Assas JB Corp. – ao fazer a transação. Pela legislação da Flórida, o governo detém 48% do valor do imóvel se o bem for transferido a herdeiro do comprador (pessoa física). Não há, portanto, retenção de impostos caso a transferência seja feita a pessoa jurídica.
Nesta terça, Barbosa, que passou a ser incluído em sondagens de pesquisas eleitorais à Presidência para 2014 após aumento de popularidade com o julgamento do mensalão no Supremo, afirmou que seus críticos deveriam se preocupar com o desvio de recursos públicos e não com seus investimentos.
"Aqueles que estão preocupados com as minhas opções de investimento feitas com os meus vencimentos, com os meus ganhos legais e regulares, deveriam estar preocupados com questões muito mais graves que ocorrem no País, especialmente com os assaltos ao patrimônio público", disse. "Essa deveria ser a preocupação principal, e não tentar atacar aqueles que agem corretamente, que nada devem."
Ação. Os advogados paraenses Ismael Moraes e Marcelo Dantas ingressaram na Justiça Federal de Belém com uma ação popular, com pedido de tutela antecipada, contra Barbosa. Eles acusam o presidente do STF de prática "vedada pela legislação". "Como servidor público, o ministro só poderia destinar o imóvel para fim exclusivamente residencial", diz Moraes.
Segundo ele, Barbosa estaria se utilizando de uma "ficção" para reduzir ou suprimir pagamento de tributo. "Caso a empresa não exista, e seja artifício contábil-tributário, configura-se falsidade ideológica. Caso exista, em tese seria improbidade administrativa, passível de pelo menos investigação", sustenta Moraes.
COLABOROU CARLOS MENDES, ESPECIAL PARA O ESTADO
http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,nao-tenho-contas-a-prestar-a…
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BARBOSA QUER A CABEÇA DE REPÓRTER DO ESTADÃO
Presidente do STF, Joaquim Barbosa, fez chegar à direção do jornal a informação de que a publicação não tem mais interlocutores no STF; gesto foi interpretado como uma sugestão para que o jornal indique um outro repórter para a cobertura da suprema corte; antes de Felipe Recondo, acusado por Barbosa de "chafurdar no lixo", o ministro isolou a jornalista Mariângela Galucci, também do Estadão, que fez reportagem mostrando que o ministro ia a bares, em Brasília, enquanto estava de licença
10 DE MARÇO DE 2013 ÀS 05:53
A crise entre o Supremo Tribunal Federal e o jornal Estado de S. Paulo ainda não foi superada. Longe disso. Na semana passada, um gesto do presidente do STF, Joaquim Barbosa, tornou a situação ainda mais delicada. Por meio de assessores, o ministro fez chegar à direção do jornal da família Mesquita a mensagem de que a publicação não tem mais interlocutores na suprema corte. Esse movimento foi interpretado como um pedido para que o jornal entregasse a cabeça do jornalista Felipe Recondo, que cobre o Poder Judiciário para o Estadão e que foi acusado por Barbosa de "chafurdar no lixo", além de ser chamado de "palhaço". Recondo produzia uma reportagem sobre gastos do STF com reformas de apartamentos e de gabinetes, além das despesas com viagens dos ministros ao exterior – daí a expressão "chafurdar no lixo".
A mensagem do STF ao Estadão repercutiu muito mal internamente. Lembrou tempos autoritários, em que autoridades pediam a cabeça de jornalistas aos chefes de redações. No caso do Estado, não é a primeira vez que Barbosa tenta isolar um profissional de imprensa. Antes do caso Felipe Recondo, ele colocou na geladeira a repórter Mariângela Galucci, desde que, em 2010, ela publicou uma reportagem – verdadeira, diga-se de passagem – mostrando que o ministro ia a bares, enquanto sua licença para tratamento de dores nas costas, que durou quase um ano inteiro, paralisou diversos processos (leia mais aqui). No STF, Barbosa chegou a interromper entrevistas ou conversas em off com jornalistas, sempre que Mariângela (…) se aproximava.
http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/95729/Barbosa-quer-a-cabeça-d…

Ainda há jornalistas no Brasil | Casa de Cinema de Porto Alegre

01/04/2014

Vincent Cassel: “No Brasil não existe cinismo”

Filed under: Jornalismo,Jornalismo doentio,Vincent Cassel — Gilmar Crestani @ 9:19 am
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Só no jornalismo, Cassel!

Vincent Cassel: “No Brasil não existe cinismo”

O feio mais bonito do cinema europeu, que vai estrear a nova versão de “A Bela e a Fera” em maio nos cinemas brasileiros, fala de sua paixão pelo país

Álex Vicente Paris 29 MAR 2014 – 20:58 BRT

Belloso e Estevez

O feio mais bonito do cinema europeu atual estreia nova versão de “A Bela e a Fera”. Embora Vincent Cassel tenha jeito de bruto, confessa sentir-se como uma bela de peitos charmosos.

Vincent Cassel é testosterona adormecida. Ligeira ressaca em uma manhã de inverno. Olhos transparentes que sobressaem de uma face angular. Polidez perfeita, mas também uma ligeira amargura à flor da pele. Bate fortemente a mão na mesa e dá dois chutes no chão quando não se lembra de um nome. “Como se chama essa atriz que é como Robert De Niro, mas mulher?”. Meryl Streep? “Ela!”. Cassel é um corpo de um metro e oitenta e seis sentado em um sofá pequeno sobre o qual não vai parar de se mexer, oscilando entre três posições que alternará com certa metodologia: 1) apoiado sobre o encosto preguiçosamente; 2) com a coluna reta e uma perna dobrada sob a outra; e 3) apoiado sobre os braços do sofá enquanto gesticula com veemência com a mão que está livre.

O encontro acontece em um estúdio fotográfico do Canal Saint-Martin. O ator chegou atrasado apenas por uma questão de elegância, mas sem ser mal-educado. Lá fora, famílias jovens e decididamente tolas (os parisienses chamam assim sua tribo urbana por excelência, os bourgeois bohèmes) caminham sobre um passado de trabalho que já parece remoto, empurrando seus carrinhos de bebê entre livrarias de arte, lojas de design e garçons imbecis. Em uma calçada, um restaurante cambojano prepara as mesas para o almoço. Em frente, vendedoras lânguidas do American Apparel olham no vazio durante uma pausa para fumar.

Cassel nasceu a alguns bairros daqui, na colina que leva até Montmartre, mas já não parece pertencer a esta paisagem. Hoje, 48 anos depois, se assemelha mais a Thomas Leroy, o sofisticado e pérfido coreógrafo nova-iorquino do Cisne Negro, do que a Vinz, aquele menino judeu de um subúrbio pobre zangado com o mundo que ele estrelou em O Ódio, o filme (e fenômeno sociológico) que o catapultou à fama há quase vinte anos. Hoje ele vive no Brasil, longe desta cidade na qual já não se sente à vontade. “Não tenho nada contra a França, mas eu prefiro viver mais em um país novo do que em um velho. Quando fico aqui por muito tempo, sempre surge uma veia cínica”, confessa.

“No Brasil, no entanto, não existe o cinismo, que é uma atitude própria de pessoas velhas. Quando você já viveu tudo, você pode se dar ao luxo de ser cínico. Lá não são. Pelo menos de momento. De fato, talvez deveriam ser um pouco mais”. Ele diz que não comprou ingressos para a Copa do Mundo. “É justo o momento em que vou querer escapar de lá. O futebol não me interessa em nada”. Bem-vindos à França, esse país onde um homem heterossexual pode defender algo assim sem ser tratado como um elemento perigoso.

VENDER QUALQUER COISA MENOS A SI MESMO – O encontro não responde a um irrefreável desejo de discorrer sobre um sentimento de pertencimento nacional, mas sim à necessidade de promover seu último filme, uma nova adaptação de A Bela e a Fera, que entra em cartaz este mês. Cassel se esforça em mostrar sua melhor face, mas não esconde que esse exercício não lhe agrada demasiado. “Nunca falo com a imprensa se não tiver nada para vender”, diz pura e simplesmente. “Não gosto de contar o que almocei, nem onde passei minhas férias com a família”, acrescenta. Suas relações com a categoria foram tensas desde o início. Ele se converteu em bucha de canhão para os tabloides em 1999, quando casou com Monica Bellucci, mãe de suas duas filhas. Todo mundo que não passou os últimos seis meses sequestrado num porão sabe que eles acabam de se separar. Na França, o divórcio quase ganhou status de assunto de estado. Engolindo em seco, lhe fazemos uma dessas perguntas-que-não-interessam-a-ninguém.

Foi difícil se divorciar com a humanidade inteira observando o processo? “Há momentos em que eu preferiria que as pessoas se preocupassem com os seus problemas e não com os meus. Mas eu continuei vivendo a minha vida. É preciso dizer que alguns procuram isso, criando-se um personagem público e essas coisas. Mas acho que nós sempre nos esforçamos para não fazer isso. Só nos incomodavam na Itália, onde a imprensa é de uma vulgaridade absoluta. É uma coisa cultural. Mas pode ser que não seja pior do que em outros lugares. O jornalismo sensacionalista de celebridades é o MacDonald’s da informação. E hoje as pessoas consomem muito MacDonald’s porque é barato, se encontra em qualquer canto e, mesmo que seja feito de merda, se come facilmente. Com a informação acontece a mesma coisa”, sentencia. Vem-me à cabeça um recorte de jornal. Uma vez ele disse que tinha o saudável costume de jogar contra uma árvore qualquer paparazzi que se aproximasse dele. Melhor, então, mudarmos de assunto.

O PASSADO DA FERAA bela e a fera é kitsch sem complexo e recomendado para toda a família a serviço de uma fábula que pode parecer fora de época em tempos de rinoplastia para as massas e dos regimes Dukan generalizados. Mas, falando sério, não esqueçamos que a beleza está no interior. “Pois eu sou um dos que acreditam mesmo nisso”, responde Cassel. “Para mim, nos primeiros segundos já é possível saber se uma relação será duradoura ou não. Sentimo-nos atraídos pelo outro por razões obscuras, arcaicas. Fazemos uma leitura do outro que vai muito além do entendimento”. Poderia soar convincente se eu tivesse estado casado com Kathy Bates. Quando lhe propuseram o papel, dizem que “imediatamente” se viu representando-o. Sua companheira de elenco, Léa Seydoux – protagonista do novo esporte nacional francês – dizer que Adèle Exarchopoulos a comia com batatas em Azul é a cor mais quente – afirma que é porque possui “um lado animal muito acentuado”. O ator responde com certo orgulho, camuflado atrás de um meio sorriso. “Não serei eu que vai dizer o contrário. Prefiro que me tomem por um animal do que por soporífero. Reconheço que é uma imagem que trabalhei de forma consciente. Estudei o animal e o violento. Fazer o papel de príncipe encantado sempre me pareceu chato. Além disso, os personagens luminosos me custam. Nunca entendo o que querem da vida”, reconhece.

Basta uma repassada rápida na sua filmografia para perceber que, desde O Ódio, ele quase sempre fugiu da leveza. “Em parte o fiz para me distanciar do que o meu pai fazia”, acrescenta. Ele fala de Jean-Pierre Cassel, excelente ator e fabulista secundário, com frequência associado a uma imagem de dândi com pouco relevo e densidade. Com exceções significativas, como o diplomata que convidava ao deleite em O discreto charme da burguesia. No dia em que o jovem Cassel visitou o set de rodagem, Buñuel filmava uma cena de tortura. Diz que isso o marcou. “Mas agora já não penso assim”, esclarece. “Meu pai está morto, então já não preciso matá-lo. Esse pai o meteu num internato entre os sete e os 17 anos, enquanto sua mãe vivia em Nova York onde era redatora de gastronomia para a revista Elle. No fim da adolescência, largou os estudos e se dedicou exclusivamente a fazer cursos de dança e de circo. “Foi então que me tornei adulto porque tomei as rédeas do meu destino nas mãos. Eu ia para cima e para baixo de bicicleta, como nos filmes de Spike Lee. Me converti num legítimo parisiense: esnobe, mal humorado e agressivo, mas também culto e bon vivant”, afirma.

Saia muito e ia a ambientes muito diferentes, de clubes que acolhiam a crème de Paris do final dos oitenta — Le Palace, Les Bains-Douches, Le Balajo -, pense num nome de uma casa noturna famosa dessa época e acertará – até os bairros degradados onde nasceu o hip hop francês. “Eu frequentava tanto designers homossexuais como personagens da banlieue (periferia) que, se podiam pagar um par de drinks a si mesmos, era só porque tinham roubado uma bolsa naquela tarde. Numa noite eu estava com Jean-Baptiste Mondino e, na seguinte, com fanáticos do Public Enemy. Tinha o melhor de cada mundo. Encadeava um show de um grupo vanguardista com um desfile de moda”. Fiz como se fosse contraditório: naquela época não existia Kanye West. “Embora eu não ligasse para a moda. Eu só queria ver as modelos”, reconhece.

Repassando imagens da época custa bastante acreditar que aquele rapaz não especialmente agraciado tenha acabado por se converter em sex symbol com rugas bem postas. Em seu rosto há algo indecifrável, juvenil e ao mesmo tempo senhorial, que o situa em algum ponto entre Samuel Beckett e Serge Gainsbourg, santo patrão do clube dos feios-bonitos franceses. Se lhe tivessem dito aos 20 anos que acabaria sendo imagem de Yves Saint Laurent, teria morrido de rir? “Não sei”, responde razoavelmente incomodado. “É verdade que nunca me considerei bonito. Sempre achei que eu tinha uma cara esquisita. Mas aprendi a me aceitar e a tirar partido do que sou. Em parte porque vi que até as pessoas mais bonitas do planeta costumam estar descontentes com seu rosto. Hoje sei muito bem o que eu tenho e o que não tenho. A pessoa tem que saber jogar com seus pontos fortes e fracos”. Cassel também leva fama de difícil. Uns dias antes, o diretor Christophe Gans – apesar de se definir como “um bom amigo seu” – o descrevia em termos pouco favoráveis: “Tem uma personalidade um pouco adolescente. Sua parte feminina está mais desenvolvida do que a masculina. Às vezes pode parecer muito diva.”

A Cassel lhe custa aceitar o retrato esboçado. “Ele lhe disse isso mesmo?”, se surpreende. “Eu concordo com tudo, menos com o negócio de ser diva. Não me considero um ator nada difícil, embora possa ser bastante passional no trabalho. Me dedico mais com a energia do que com a reflexão”. Ele reconhece que às vezes a coisa lhe escapa em direções que ele não gostaria. “Durante a rodagem me aconteceu uma vez. Eu disse ao técnico de efeitos especiais que tinha que aprender a fazer o seu trabalho. Nesses filmes com tantos efeitos, às vezes se esquecem dos atores. Eu lhe disse que se nós não estávamos bem, ninguém se importaria com seus efeitos”. Admite que se desculpou de imediato. E parece que fala sério.

Em outras de suas desventuras, o conflito durou bem mais. Por exemplo, na França é de domínio público que ele e Mathieu Kassovitz, o diretor de O Ódio, não se falam há anos. Ele nunca explicou porque e tampouco o fará agora, mas dá algumas pistas. “Quando nos disseram que éramos ícones geracionais, Mathieu acreditou. Ainda levará anos para superar isso, mas acabará voltando com um grande filme porque é um diretor brilhante”, concede. “Eu não acreditei. Decidi partir para longe, fazer outras coisas, me dedicar ao surf. Disse a mim mesmo que não queria que a minha vida fosse só o meu trabalho. Não queria chegar aos 50 com remorsos e me sentindo um imbecil”. Kassivitz continuou favorecendo seu fatigado registro de enfant terrible, que acabou ficando fora de época. Em 2012, quando a Academia francesa ignorou seu filme nas nominações dos César, reagiu assim: “Que o cinema francês vá tomar no cu. Que se fodam com seus filmes de merda”. Mas, num momento de autêntico gênio, depois retificou e se apresentou na cerimônia para entregar um prêmio. “Vim para honrar minha promessa”, disse. Cassel parece ter o mesmo nervo, mas sabe se comportar melhor em público. Diz que agora odeia os conflitos. “Tanto na vida como no trabalho só se deve sofrer quanto não resta nenhuma outra alternativa. Já estamos submetidos à decepção e ao sofrimento cada dia das nossas vidas. Melhor não procurar mais dor além da necessária. Agora não preciso repetir mil vezes para mim mesmo que minha mãe está morta antes de subir ao cenário”, diz. Metaforiza: sua mãe está viva.

O LADO FEMININO DAS COISAS – Como herança da sua juventude em Londres e Nova York, Cassel fala inglês quase sem sotaque – coisa pouco habitual entre os atores franceses, não é mesmo, Jean Dujardin? — o que lhe permitiu conseguir espaço no cinema internacional. Por exemplo, ao lado de Steven Soderbergh, em Doze Homens e Outro Segredo – dez anos depois, ainda lhe perguntam se pratica capoeira – ou com seu admirado David Cronenberg, que o brindou com dois papéis que ocupam lugar de destaque entre os seus favoritos. Primeiro, o maravilhoso gangster criptogay en Senhores do Crime. E, depois, o psicoanalista Otto Gross de Um método perigoso, que seria tratado por Jung antes de traçar uma enfermeira e fugir do hospital.

Outra fonte de sabedoria foi aprender a não ter controle sobre todas as coisas imagináveis. “Antes eu queria controlar tudo. A maquiagem, o penteado, a cor da gravata. Agora sou todo ao contrário disso. Percebi que o instinto é a única coisa que conta”, afirma Cassel. “Por isso dizem que sou um tipo feminino. Considero um elogio. Dizem isso porque sei usar o meu instinto, porque minto bastante bem e porque tenho uns belos peitos”, sorri. De fato, as pessoas nunca acreditam nesses atores que fingem ser mais viris do que são. “No fundo, todos os atores somos atrizes”, ironiza. “Por isso também nos preocupamos com a passagem do tempo”. Entretanto, ele sabe que a sua carreira tem uma esperança de vida bem mais longa do que a de uma mulher da sua idade. “Entendo que sintam pânico. Há muito poucas que consigam trabalhar a vida toda, como Catherine Deneuve ou como essa outra. Sim, cara, essa atriz americana que tem tantos Oscars”. Por isso, ele tentava, há um momento, se lembrar do nome dessa atriz que “está incrível mesmo quando está gripada”, como diria Amy Poehler, que se chama Meryl Streep e que este ano, graças ao seu papel em Álbum de Família, foi nominada outra vez para os prêmios da Academia. “Para a maioria, chega um momento em que elas deixam de interessar, por critérios puramente plásticos. Que não nos aconteça aos homens é uma injustiça”. Apesar de tudo, uma vez mais, lembrem-se: a beleza está, definitivamente, no interior.

Vincent Cassel: “No Brasil não existe cinismo” | Cultura | Edição Brasil no EL PAÍS

29/09/2013

Janio é um gênio

O colunista da Folha tem a hombridade de desmentir o patrão em artigo no próprio jornal. Não foi Celso de Mello que na véspera do julgamento publicou uma pesquisa fajuta feita nas coxas com paulistanos para dizer que os paulistas estavam contra os embargos. Em que esta pesquisa publicada pela Folha contribuiu para fazer entender a justiça ou a decisão que se estava tomando até hoje não ficou claro. Mas era por demais evidente onde morava os maiores interessados em que os indicativos da pesquisa fossem acolhidos por Celso de Mello. Aliás, se a Folha entendia com correta a aceitação dos embargos, porque publicou isso somente depois que eles foram aceitos? Para quem tem um neurônio em meio não precisa de maiores explicações…

JANIO DE FREITAS

Pressões e exceções

A objetividade possível do noticiário, que trouxe maior respeito ao leitor, sofre com a infiltração das opiniões

O desabafo do ministro Celso de Mello, acusando "inaceitáveis pressões" dos meios de comunicação sobre ele, e a reação da Folha, que se sentiu injustiçada na generalização, tocam em dois problemas importantes nas relações entre o jornalismo e os leitores/ouvintes. Um, problema atual. O outro, permanente.

A dura reação da Folha (27.set), que em editorial apoiou a decisão do ministro por um recurso para determinados réus do mensalão, não é incompatível com a verdade subjacente nas duras palavras do ministro. É fácil comprová-la a cada dia, para quem lê mais de um jornal, ou ouve rádio e TV.

O jornalismo brasileiro atual volta a uma prática, em graus diferenciados segundo as numerosas publicações, que exigiu muito esforço em meados da minha geração profissional para reduzi-la até o limite do invencível. A opinião está deixando de restringir-se aos editoriais e aos comentaristas autorizados a opinar, sejam profissionais ou colaboradores. A objetividade possível do noticiário, que, entre outros efeitos, trouxe aos meios de comunicação maior respeito ao leitor/ouvinte e maior fidelidade aos fatos, sofre crescente infiltração de meras opiniões. Muitos títulos são como editoriais sintetizados, parecem mesmo, por sua constância, contarem com o amparo ou indiferença das orientações de edição.

Nesse sentido, ainda se não houvesse comentários com cobranças, explícitas ou transversais, a Celso de Mello em seu voto decisivo, o fundo de mensagem imposto ao leitor/ouvinte, na quase totalidade dos meios de comunicação mais relevantes, de fato foi na linha da percepção do ministro. E ficou ainda mais perceptível com essa peculiaridade brasileira que são as cadeias multimídias, em que as mesmas pessoas dizem e escrevem as mesmas coisas várias vezes por dia, em jornal, em diversos horários de rádio, idem em televisão. Lembra o princípio da lavagem cerebral. E, de quebra, há os respectivos blogs.

Mesmo que em algumas ocasiões permitisse impressão contrária, a Folha distinguiu-se do panorama dos meios de comunicação. Além de preservar sua posição contrária a prisões de condenados que não representem perigo para a sociedade, concordou com a validade dos embargos infringentes defendidos por Celso de Mello, no desempate entre os ministros do Supremo. Mas reagiu, no tom em que costumam ser suas reações, ao que considerou como falta de necessária ressalva, por sua atitude, na generalização do desabafo de Celso de Mello.

Generalizações são um problema antigo, presente e suponho que futuro no jornalismo. Posso dizer que a mim incomodam muito, quando não há, ou não sei, como evitar mais uma. E muitas são inevitáveis mesmo. Todos os meios de comunicação usam expressões como "o repúdio dos manifestantes aos políticos", "a Justiça distingue ricos e pobres", e inumeráveis outras, nas quais é claro que não se incluem todos os políticos, nem significam que todos os juízes julgam diferentemente, e por aí em diante. Mas assim são e continuarão as generalizações neste e nos demais meios de comunicação, daqui e de toda parte.

Certas generalizações já pressupõem as exceções. Ainda bem. Mas não deixam de ser um problema no jornalismo –para quem pensa nos problemas– porque não deixam de conter e transmitir alguma injustiça.

13/05/2013

JB dando as cartas e jogando de mão

Filed under: Golpismo,Joaquim Barbosa,Jornalismo — Gilmar Crestani @ 8:16 am
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Eis a parceria que rende mais que o pré-sal!

Joaquim Barbosa será palestrante em congresso de jornalismo no RJ

DE SÃO PAULO – O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa, confirmou que será um dos palestrantes do 8º Congresso de Jornalismo Investigativo da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo).

No encontro, ele deve abordar a relação do Judiciário com a imprensa e o desafio da cobertura jornalística sobre o assunto. Neste ano, o congresso será realizado junto com a 8ª Conferência Global de Jornalismo Investigativo.

O evento será realizado de 12 a 15 de outubro, na Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio, no bairro da Gávea (r. Marquês de São Vicente, 225).

As inscrições podem ser feitas on-line no site da Abraji: http://www.abraji.org.br

28/04/2013

Os mortos vivos

Filed under: Financiadores Ideológicos,Jornalismo,Ombudsman Folha — Gilmar Crestani @ 9:43 am
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Só faltou a OMBUDSMAN falar a respeito de quem financia ou sustenta a publicação dos jornais. Quando o poder público não for mais obrigado publicar editais em jornais restarão ainda os financiadores ideológicos, aquele que pagam para os jornais fazerem a defesa de sua idéias. Para quem tem dificuldades de entender basta observar quem são os anunciantes dos jornais e tentar descobrir se já descobriu alguma reportagem sobre eles que não seja bajulatória. Em Porto Alegre, por exemplo, está interditado debate sobre o que acontece com supermercados…

SUZANA SINGER ombudsman@uol.com.br @folha_ombudsman

Queridos, encolhi o jornal

Mudança no "Estadão" traz à tona discussão sobre qual o tamanho ideal do impresso na era da internet

O principal concorrente da Folha, que se orgulhava de ser "muito mais jornal", diminuiu. Desde segunda-feira passada, o "Estado de S. Paulo" está circulando com menos cadernos.

O "Metrópole", que trata dos assuntos de São Paulo, e o "Esporte" foram incorporados ao Primeiro Caderno durante boa parte da semana. Vários suplementos, como o literário, o infantil e o de informática, foram eliminados ou viraram seções ampliadas.

Aos domingos, o "Estadão" promete manter um conteúdo maior e fazer jus ao seu apelido. O enxugamento foi anunciado como "a maior menor mudança" que o jornal já teve, num slogan tão constrangedor quanto a campanha na TV.

Uma mulher fala em alta velocidade sobre tudo o que o jornal cobre durante a semana e garante que ficará agora mais fácil "entender" o que está acontecendo. Em seguida, o marido, em voz arrastada, diz que, no domingo, quando há tempo suficiente para "ler e reler", haverá notícias exclusivas e novas seções -a única citada é uma de fotos.

Nem Don Draper, o sexy gênio criativo de "Mad Men", teria se saído bem diante da missão de convencer o leitor de que ele está recebendo menos jornal, pelo mesmo preço, mas que isso é uma vantagem.

A diminuição do espaço editorial não é, porém, prerrogativa do "Estado". A Folha vem emagrecendo ao longo dos anos, só que de modo mais suave e preservando a divisão de cadernos. No anúncio da última grande reforma gráfica, em 2010, já se falava em "textos sintéticos e analíticos em pouco espaço".

O argumento para enxugar é que o tempo do leitor está cada vez mais curto, o que é facilmente verificável. O dia teima em continuar com 24 horas, mas agora, além de ler jornal, é preciso checar os aplicativos no celular, dar uma espiadinha nos sites de notícia e também nas redes sociais -só para ficar em algumas das invenções disseminadas na última década.

Como bem definiu um leitor da Folha recentemente, "há tanta informação disponível que dá até uma indigestão jornalística".

O que não se diz ao público é que o enxugamento, "para o seu próprio bem", visa cortar custos de papel, de mão de obra (jornalistas) e de tempo de gráfica.

As edições de sábado da Folha, nas quais se desdobram cadernos, mostram que a defesa do jornal compacto fica de lado sempre que é necessário atender as exigências do mercado publicitário. No último dia 20, havia "Poder 2", "Mundo 2", "Cotidiano 2" e "Mercado 2", num jornal com 40 anúncios de imóveis.

O dilema para os jornais hoje, e não só no Brasil, é encontrar um novo ponto de equilíbrio. Se as pessoas têm pouco tempo para ler, vamos escrever menos, mas, se o jornal ficar fino e superficial demais, para que comprá-lo, já que há informação de graça na rede?

Nos EUA, onde a perda de receita publicitária do impresso é dramática, a discussão sobre o futuro dos jornais se faz mais premente. Lá, as energias se concentram na tentativa de rentabilizar os sites, fazendo o possível para convencer os internautas de que vale a pena pagar por notícia de qualidade.

É o que o "New York Times", ao anunciar mais uma queda de lucro, chamou de "reposicionamento da empresa para a era digital".

Talvez o caminho do futuro seja mesmo no sentido de um jornal cada vez mais sintético, mas é um percurso bastante perigoso, a ser percorrido com toda a cautela.

Oferecer menos conteúdo precisa ter necessariamente como contrapartida uma melhoria significativa na qualidade do que é publicado. Poucos assuntos, mas apurados com precisão e profundidade e editados com inteligência. Se não for assim, estaremos apenas apressando o passo rumo à irrelevância.

19/04/2013

Na terra de Aécio Neves é assim

Ontem a Folha publicou dois parágrafos. Não conseguiu esconder e o assunto ganhou repercussão nas redes sociais. Hoje voltam à cena do crime mas escondem o mordomo. Fosse em outras terras, a Secretaria de Segurança pública e o governador do Estado estaria sob fogo. Mas dona Judith Brito não deixa que bulem com os seus…

Morte de jornalistas inibe trabalho da imprensa em Minas

Dois repórteres da editoria de polícia do jornal ‘Vale do Aço’, de Ipatinga, foram assassinados em pouco mais de um mês

Profissionais são orientados a não saírem sozinhos da Redação; suspeita é de atuação de grupo de extermínio

PAULO PEIXOTODE BELO HORIZONTE

As mortes de dois jornalistas de Ipatinga, na região do Vale do Aço, em Minas, vêm alterando a rotina e inibindo o trabalho da imprensa local.

Primeiro foi a morte do repórter Rodrigo Neto de Faria, 38, em março. No último domingo foi assassinado o repórter fotográfico Walgney Carvalho, 43. Os dois trabalhavam na editoria de polícia do jornal "Vale do Aço".

Existe a suspeita de envolvimento de policiais que fariam parte de um grupo de extermínio que atuaria na região. Por isso o temor dos jornalistas, especialmente entre os da cobertura policial.

Desde a morte de Faria, o "Vale do Aço" não consegue preencher duas vagas abertas no jornal por falta de candidatos, disse o editor da publicação, Breno Brandão.

No "Diário Popular", também de Ipatinga, uma repórter policial pediu demissão na última segunda-feira e saiu do Estado, afirmou o editor-chefe Fernando Benedito Jr.

O temor se reflete na rotina das duas pequenas redações, que têm de cinco a oito jornalistas cada uma. E ainda na apuração das reportagens.

"O pessoal que está em campo, até de outras editorias, está receoso e preocupado", disse Brandão, que tem incentivado a saída de repórteres para coberturas externas sempre com um colega, ainda que de outra empresa.

Segundo Benedito Jr., as reportagens que exigem apuração mais aprofundada foram deixadas de lado. A cobertura está limitada a ocorrências da Polícia Militar e demais informações oficiais.

Para acompanhar as investigações e cobrar apuração e segurança, jornalistas da cidade formaram um comitê batizado Rodrigo Neto.

O jornalista produzia reportagens investigativas e tentava elucidar uma série de 14 homicídios ocorridos nos últimos anos na região, que não foram solucionados.

Um dos casos ocorreu em 2008. Um adolescente infrator foi morto, teve a cabeça decepada e embrulhada em folhas com reportagens escritas pelo jornalista. O embrulho foi jogado na casa de um capitão da PM que apurava o crime.

Já Carvalho havia prestado informações à polícia sobre a morte do colega de trabalho, segundo o deputado estadual Durval Ângelo (PT), da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia de Minas.

O governador Antonio Anastasia (PSDB-MG) reconheceu haver uma "organização criminosa" na região, mas evitou citar a possível participação de policiais para não atrapalhar as investigações, a cargo da polícia mineira.

Entidades de classe e grupos ligados aos direitos humanos têm cobrado apuração e segurança. A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência acompanha o caso.

24/03/2013

Ainda há jornalista de verdade (na Alemanha)

Filed under: Alemanha,Jornalismo — Gilmar Crestani @ 6:35 pm
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Günter Wallraff, el periodista indeseable (I)

Por: Víctor Núñez Jaime| 24 de marzo de 2013

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Günter Wallraff colecciona piedras. En cada país que visita siempre busca alguna de forma o textura poco común. Y si son grandes, mejor. Las tiene en su casa del centro de Colonia, Alemania, donde también organiza encuentros culturales como presentaciones de libros o eventos musicales. “Las colecciono porque siento que con ellas puedo aprovechar la naturaleza. Me relajan y me recuerdan las diferentes culturas del mundo. Tengo de diferentes formas, tamaños y colores. A veces siento que me llevan a otro mundo”, cuenta con una sonrisa el periodista sin disfraz de por medio.
El propio Wallraff ha sido una piedra en el camino o en el zapato para muchos empresarios y políticos. Durante 40 años se ha encargado re revelar, previa infiltración, los abusos de poder, la xenofobia y las condiciones de explotación laboral de miles de obreros y empleados de Alemania.
Wallraff está armado de paciencia y amabilidad. No se desespera por tener que “hablar por bloques”, pues han de traducir sus palabras del alemán al español. Sus ojos miran con curiosidad. Con asombro. Son unos ojos azules detrás de unas gafas sin montura y casi sin reflejo. Su rostro es pequeño y surcado por varias arrugas. El bigote, entreverado de canas y “muy mexicano”, dice. Calva está casi toda la cabeza y medianas y coloradas las orejas. Alto, flaco, piel ceñida a los huesos. Gris la camisa y negros el pantalón y los zapatos. Sin disfraz, este alemán de 70 años tiene pinta de profesor universitario. Y eso ha sido para varias generaciones de periodistas en muchos rincones del mundo.
“No hay sociedad —dice Wallraff— donde no haya algo que descubrir. Aconsejo que se infiltren, por ejemplo, en un hospital psiquiátrico para ver las condiciones en las que están los pacientes. Infíltrense también en los grupos políticos y religiosos de derecha para ver cómo operan. Temas hay muchos. No bastarían diez vidas para descubrir todo lo que hay. Para no arriesgarse, pueden trabajar en grupos y publicar bajo un seudónimo. Al que trabaja solo es más fácil intimidarlo y hasta matarlo. Pero eliminar un grupo es más complicado.”
Cuenta el propio Günter Wallraff que hace poco revisó los diarios que escribió en su juventud y descubrió que a los 16 años esbozó su destino al plasmar en un cuaderno: “Yo soy mi propio constructor de máscaras. Me enmascaro para descubrirme a mi mismo”… Ahora sé que lo que hago es un “juego de roles” como en la psicología y la pedagogía. Y esto, está comprobado, ayuda a comprender más.”
Antes de hacer periodismo, Wallraff fue bibliotecario, poeta y obrero. Se negó a enrolarse en las filas del ejército y lo tacharon de inútil. Por eso, para poder trabajar, tuvo que cambiar de identidad. En 1963 empezó en distintas empresas de Alemania Occidental. Al principio, no hacía más que continuar con su diario personal iniciado en la adolescencia. Luego se dio cuenta de que todas esas vivencias constituían reportajes testimoniales y decidió publicarlos. Así, fue alcohólico en una institución psiquiátrica, indigente, estudiante en busca de habitación y un obrero católico que retaba al clero al preguntarles: “¿la producción de Napalm es compatible con la creencia cristiana?”

En mayo de 1974, Wallraff viajó a Grecia como miembro del Comité de Solidaridad con los Presos Políticos. Un día repartió volantes de protesta contra el régimen militar griego y se encadenó a uno de los postes de luz de la Plaza Sintagma de Atenas. Cuando la policía se dio cuenta, lo golpearon, lo detuvieron, lo torturaron y lo sentenciaron a 14 meses de prisión. Pero lo liberaron tres meses después tras la caída de la Junta Militar.
En otra ocasión, se hizo pasar por un millonario alemán pro nazi. En Düsseldorf se reunió con el general Antonio de Spinola, quien entonces era presidente provisional de Portugal como consecuencia de la Revolución de los Claveles, pero que pretendía perpetuarse en el poder. El portugués le contó al alemán que necesitaba armas para llevar a cabo un golpe de Estado. Wallraff lo publicó y los planes de Spinola se frustraron.
En 1977 dijo llamarse Hans Esser y pidió trabajo como reportero en Bild, el diario más vendido en Alemania a pesar (o quizá por ello) del sensacionalismo de sus notas. En la Redacción de Hannover supo de los métodos fraudulentos, difamatorios, carentes de la más elemental ética periodística, que la publicación utilizaba para fabricar escándalos.
A mediados de los años ochenta Wallraff se puso unos lentes de contacto, peluca y bigote negros y se propuso hablar un alemán accidentado, tan rudimentario con el de los migrantes turcos recién llegados a su país, y se transformó en Alí. Su objetivo era contar por experiencia propia la serie de explotaciones y vejaciones a las que es sometida la mano de obra extranjera en Alemania. Durante dos años, trabajó en una refinería siderúrgica, en una compañía de la construcción, en un restaurante de McDonald´s, en una central nuclear bajo condiciones infrahumanas y fue “conejillo de indias” de la industria farmacéutica al permitir que fueran probados en su organismo una serie de medicamentos experimentales.
El resultado fue el que es quizá su libro más famoso y más vendido: Cabeza de turco. Con esta investigación, Wallraff consiguió que la sociedad alemana presionara a sus políticos y a sus empresas para evitar las violaciones a los derechos humanos de los trabajadores migrantes. El tema lo retomó en 1993 cuando viajó a Tokio, Japón, haciéndose pasar por un migrante iraní en busca de trabajo. Tres años después se fue a Siria para documentar el modus operandi del terrorista Partido de Trabajadores de Kurdistán.
Sin embargo, no siempre ha podido concretar sus investigaciones. Cuando tenía planeado ir a Sudáfrica para vivir en un gueto negro, buscó una peluca de pelo rizado y la manera de pintarse la piel. Pero la liberación de Nelson Mandela y la caída del apartheid le impidieron hacerlo. Quiso hacerse pasar por un alemán de origen rumano que decidía volver a su país, pero la democracia volvió a Rumanía. Y en 1998 se encaminó hacia Rusia. Apenas se bajó del avión, lo deportaron. El gobierno se había enterado de sus planes: encontrar evidencias de violaciones a los derechos humanos en Chechenia.
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En 2007, antes de que en 2008 se infiltrara en la fabrica de pan que surte a los supermercado de bajo precio Lidl para documentar la falta de medidas de seguridad para los empleados así como la violación de sus derechos laborales, Günter Wallraff quiso quitarse 20 años de encima con un nuevo look. Se puso una peluca rubia, cambió las gafas por unos lentes de contacto, se vistió con camisas a cuadros, pantalones vaqueros y tenis. El resultado pudo verse en la portada de la revista alemana ZEITmagazin. Con esta transformación, Wallraff investigó los métodos de trabajo con los que estafa telefónicamente el sector del los call-center. Ahí le pagaban 6 centavos de euro por cada mensaje a celular que atendiera los servicios eróticos vía SMS. Tenía que mandar 65 por hora, además de llamar y hostigar a potenciales compradores con todo tipo de servicios y productos.
Cuenta que un día que se dirigía a trabajar al call-center, un policía lo detuvo en medio de un control de rutina. Iba con el tiempo justo y se preocupó porque si llegaba tarde a trabajar lo echarían. Entonces le dijo con voz baja al policía:
—Colega, déjeme ir porque estoy trabajando de manera encubierta.
—OK, muéstreme su identificación para ver a qué corporación pertenece.
Wallraff tuvo que decir la verdad porque, de lo contrario, podían encerrarlo en la cárcel y su reportaje se iría al traste.
—Mire: en realidad soy Günter Wallraff y, ya sabe, me infiltro en las empresas para hacer mis investigaciones.
El policía miró con atención el rostro y la facha de su interlocutor. Después de unos instantes espetó:
—Usted no es Wallraff, a ese yo lo conozco.
El periodista se sorprendió pero también se sintió orgulloso de haberse transformado casi de manera perfecta. Tuvo que quitarse la peluca y un lente de contacto. Sólo así el policía se convenció.
—Muy bien, vaya a hacer su trabajo. Y escriba algo bueno sobre la policía.CONTINUARÁ…22_wallraff_1

Günter Wallraff, el periodista indeseable (I) >> Periodista en Serie >> Blogs EL PAÍS

10/01/2013

Garage sale

Filed under: Jornalismo,Violência — Gilmar Crestani @ 7:48 am

Manchetes em liquidação: É barato matar criança na Faixa de Gaza? É barato matar civis no Afeganistão? É barato mata dj  em São Paulo? É barato matar favelado no mundo? É barato assassinar Kadafi, Saddam Hussein, Bin Laden?

ENTREVISTA JIM BOUMELHA

É muito barato matar um jornalista hoje no mundo

Presidente de entidade de profissionais cobra ações para frear mortes

BERNARDO MELLO FRANCODE LONDRES

Os assassinatos por encomenda se tornaram uma ameaça maior à vida de jornalistas do que as guerras.

O alerta é de Jim Boumelha, presidente da Federação Internacional dos Jornalistas (IFJ, na sigla em inglês).

Ele cobra ações dos governos para frear as mortes e acusa as Nações Unidas de não tomarem medidas práticas que ajudem a reforçar a segurança dos profissionais que cobrem conflitos.

Um relatório divulgado pela IFJ no último dia 31 informa que 121 jornalistas foram assassinados em 2012 no exercício da profissão ou em represália por seu trabalho.

O ranking de mortes é liderado por Síria (35 casos) e Somália (18), que vivem conflitos armados.

O Brasil aparece em quinto lugar, com seis mortes -Eduardo Carvalho, do "Última Hora News" (MS); Valério Luiz, da rádio Jornal 820 (GO); o blogueiro Décio Sá (MA); Paulo Roberto Cardoso Rodrigues, do "Jornal da Praça" (MS); Mário Randolfo Marques Lopes, do "Vassouras na Net" (RJ); e Laécio de Souza, da Sucesso FM (BA).

Está à frente de países que passaram por guerras como Iraque e Afeganistão.

Folha – O relatório da IFJ mostra que 2012 foi um dos anos mais sangrentos para a imprensa, com 121 jornalistas assassinados. O que esse número representa?

Jim Boumelha – É um número terrível, precisamos chamar atenção para ele. Se fossem cem médicos ou cem advogados assassinados em um ano, não se falaria em outra coisa no mundo.

O mais preocupante é que a soma de mortes tem se mantido num patamar muito alto a cada ano que passa.

Os países em guerra civil lideram o ranking de mortes de jornalistas, mas não chegam à metade do total de casos no mundo. Por quê?

As pessoas acham que a maioria das mortes acontece nas coberturas de guerra, mas isso não é verdade.

A maior parte dos assassinatos que nós temos registrado é fruto de perseguição a profissionais que estão fazendo reportagens nos lugares em que costumam trabalhar no seu dia a dia.

É muito barato matar um jornalista. A impunidade é muito grande.

Em vários países, esta tem sido a melhor forma de silenciar um jornal ou interromper uma série de reportagens investigativas.

Na maior parte das vezes, os alvos desses assassinatos por encomenda são jornalistas que não são famosos. Por isso, os crimes acontecem e muita gente nem se lembra dos nomes das vítimas.

É o caso do Brasil, onde os seis mortos em 2012 trabalhavam para sites ou veículos de expressão regional…

Exatamente. E seis assassinatos é um número muito alto para um só país. O Brasil é um caso preocupante.

As famílias dessas vítimas deveriam se unir para forçar o governo a fazer alguma coisa. Não há nada mais forte para pressionar políticos do que as vozes de viúvas e órfãos.

Outro caso que chama a atenção é o do México, que teve dez jornalistas assassinados em 2012. O país está vivendo uma guerra por causa das drogas, e os repórteres que investigam isso estão se tornando alvos do tráfico.

Entre tantas notícias ruins, o relatório traz algum avanço que mereça ser destacado?

Sim. A Rússia, que era um dos países mais perigosos, só registrou duas mortes em todo o ano. Isso reflete um esforço dos órgãos de investigação e da sociedade para combater a impunidade.

Nas coberturas de guerra, é possível fazer alguma coisa para reforçar a segurança dos correspondentes?

Quando você está no fogo cruzado, é impossível eliminar os riscos. Tudo o que se pode fazer é reduzi-los.

Nos últimos anos, as grandes empresas de mídia sofreram muita pressão em seus países e tiveram que tomar medidas para proteger e treinar melhor os seus enviados especiais a zonas de conflito.

O maior problema está entre os jornalistas que cobrem guerras para grupos menores ou como freelancers [sem contrato fixo de trabalho].

Também temos uma preocupação muito grande com as pessoas que atuam nessas regiões como fixers [ajudantes das equipes] ou como intérpretes.

Muitas vezes, são as que mais se arriscam para viabilizar uma reportagem.

Há algo que possa ser feito para frear as mortes na Síria?

Infelizmente, não existe uma fórmula mágica. Tem sido difícil até contabilizar as mortes, porque muitas informações chegam de forma truncada ou contraditória.

Muitas pessoas estão cobrindo o conflito como blogueiros ou nas redes sociais.

O comunicado que foi divulgado junto com o relatório da IFJ acusa a Organização das Nações Unidas de se omitir sobre as mortes de jornalistas em áreas de conflito. Por quê?

As posições da ONU são muito boas no papel.

O Conselho de Segurança já manifestou preocupação com o assunto, chegou a editar uma resolução para frear as mortes, mas nada aconteceu.

Desde que essa resolução foi aprovada, em 2006, já morreram mais de 600 jornalistas.

O fato é que os assassinatos continuam ocorrendo e a ONU não tem feito pressão política sobre os países para reverter o quadro.

Assim que um ano termina, como agora, nós fechamos o relatório de mortes e já temos que começar a contar os novos casos do ano seguinte. O ciclo de violência não termina, permanece constante.

25/12/2012

Com o Bucci de fora

A lógica de Eugênio Bucci sobre a imprensa, por Weden

Enviado por luisnassif, ter, 25/12/2012 – 19:42

Por Weden

Uma resposta ao gran-corporativismo de Eugênio Bucci (USP), sempre pronto a defender as corporações mídiaticas Uso boa parte de suas próprias palavras, devidamente aspeadas, para mostrar a lógica destrosa de um defensor absolutamente cego ao poder dos meios.

______________

Neste final de semana, o professor da USP Eugênio Bucci reclamou da reclamação de Lula com relação à imprensa e de novo saiu em defesa das grandes corporações. Nenhuma palavra sobre o processo difamatório que vitimou, por exemplo, o padre Julio Lancelotti, entre outros. Nada sobre exemplos clássicos de denúncias políticas não confirmadas e desculpas não pedidas. Nada contra casos de erros cometidos contra pessoas, empresas e servidores públicos, com graves danos à sociedade.

"Na sequencia", Bucci também lançou "uma acusação baixa contra" Lula. Lula perguntou: Vocês já viram banqueiros nos jornais? São eles que pagam as publicidades na mídia. Segundo Lula, os anunciantes estão a salvo, porque os meios evitam ter problemas com os anunciantes.

Bucci pode estar cego aos fatos, mas nós não. È verdade o que Lula disse. E ele usou banqueiros, claramente, como artifício retórico, por meio de metonímía, a grandes anunciantes.

Exemplos não faltam. Quando a Chevron derramou milhões de litros de óleo na Bacia de Campos, os jornais levaram dez dias para fazer a primeira denúncia. Quando Daniel Dantas, o banqueiro, foi preso, toda uma mobilização para denunciar uma suposta arbitrariedade da Polícia Federal e de juízes que estavam à frente da Operação Satiagraha partiu das redações e dos aquários. Também houve o caso mais recente e gravíssimo de Carlinhos Cachoeira, chamado até o último momento de "empresário de jogos" pela Folha de S. Paulo, quando na verdade se tratava de um bicheiro e criminoso. Tudo isso compõe uma lista de exemplos gravíssimos de omissões, quando se tratam de anunciantes e empresários amigos.

Em nenhum desses casos tivemos demonstrações de independência crítica. Mas Eugênio Bucci não consegue ver. E parece também não ter tanta independência crítica com relação aos meios.

Comportanto-se como uma espécie de anti-Jânio de Freitas, Bucci continua a lançar impropérios contra qualquer um que ouse se levantar contra alguns equívocos evidentes dos meios. Na Inglaterra, ele possivelmente estaria a favor de Murdoch e contra Leveson.

Segue Bucci: "essa história de político falando mal de jornais…". Não entendemos seriamente esta sacralização da imprensa. Não se pode criticar? Não há o direito social à crítica dos meios? Ora. Mídia esculacha padres, faz acusações impróprias contra médicos e professores, pratica denuncismo sem fundamento contra pessoas comuns, faz ilações sobre a vida privada, e nada pode ser dito contra ela?

"Desta vez, porém, uma resposta" a Bucci "não pode faltar". "O julgamento" desse professor da USP "está baseado em quatro grandes" inverdades, "que desinformam a sociedade e podem indudiz a enganos desastrosos. Por isso tratemos de pôr às coisas a limpo".

Primeira inverdade de Bucci. Banqueiros como Daniel Dantas foram sim pouco incomodados pela imprensa. Aliás, não foram. Portanto, dependendo do grau de vinculação com o meio o banqueiro pode estar a salvo de denúncias sim. Uma citação aleatória de alguns casos não explica as outras omissões.

Segunda inverdade. Não é verdade que os bancos privados não sejam os maiores anunciantes do Brasil. Os dados citados por Bucci dizem respeito aos anúncios em geral, mas não os concentrados nos grandes meios. A Caixa investe de forma pulverizada também a motivar outras formas de comunicação. Além disso, a presença de outros anunciantes não altera a lógica de que bancos privados têm presença forte no caixa das empresas de mídia. E geralmente são poupados. O caso da compra da briga dos bancos contra a baixa de juros pela imprensa é só um caso que atesta o que o ex-presidente disse.

Terceira inverdade. "Não é verdade que qualquer acusação contra político vira manchete assim sem mais nem menos". Poderíamos concordar. Mas isso é uma verdade subreptícia. Quando o político é de partido aliado á mídia, nada se denuncia. Portanto, há uma omissão grave por parte de Eugênio Bucci.

Quarta inverdade. A Chevron saiu bem na foto sim. E somente quando as redes começaram a divulgar maciçamente é que os mieos se mobilizaram. Portanto, o grau de independência com relação a anunciantes não se confirma para todos os casos.

Cuidado leitores. Não caiam no gran-corporativismo destes defensores a todo custo das corporações. Eles não estão preocupados com os jornalistas (aqueles do chão de fábrica) nem com a sociedade em geral.

Mas, sim, com os donos. E quem assim pensa não tem qualquer compromisso com a verdade.

Abaixo o texto contra o qual argumento.

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Publicado originalmente na revista Época.

A lógica desastrosa de Lula sobre a imprensa – EUGÊNIO BUCCI

A lógica de Eugênio Bucci sobre a imprensa, por Weden | Brasilianas.Org

30/11/2012

Policarpo, o jornalismo e o crime

http://ajusticeiradeesquerda.blogspot.com.br/

Por Dr. Rosinha, no blog Viomundo:

“Este é o retrato sem retoques de como se faz um jornalismo sem ética, um jornalismo que, para destruir determinado alvo ou determinado projeto político, não hesita em violar as leis, a Constituição e a própria dignidade dos cidadãos.”
É dessa forma que o incisivo texto do relatório final da CPI do Cachoeira define a relação de Policarpo Jr., diretor da sucursal de Brasília da revista Veja, com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, acusado de chefiar uma quadrilha com tentáculos no poder público e na mídia.
O jornalista da CBN, Kennedy Alencar, em comentário sobre a CPI, disse que o relatório final não apresenta provas contra Policarpo. Para Alencar, Policarpo não cometeu nada além de “mau jornalismo”. “E mau jornalismo não é crime”, afirma.
De fato, não é, embora isso também seja bastante questionável. Mas o que emerge do relatório final é muito mais do que “mau jornalismo”. Só um corporativismo ancestral pode explicar a declaração de Kennedy Alencar. No relatório, Policarpo Jr. aparece encomendando grampos clandestinos e pedindo ajuda para devassar, sem autorização legal, a intimidade de um cidadão brasileiro (no caso, Zé Dirceu, quando hospedado em um hotel de Brasília). Em troca desses “pequenos favores”, Policarpo fazia o papel de assessor de imprensa da organização chefiada por Cachoeira: publicava o que lhes era conveniente e omitia o resto. Assassinava reputações e promovia jagunços de colarinho branco, como o ex-senador Demóstenes Torres, também integrante da organização, a exemplos éticos a serem seguidos pelas próximas gerações.
Quando a Delta não foi beneficiada por uma licitação para a pavimentação de uma rodovia federal, Cachoeira acionou Policarpo para, através de uma reportagem da Veja, “melar” a licitação. Posteriormente, como os interesses da Delta continuaram a ser negligenciados, Cachoeira e Policarpo montaram uma ofensiva para derrubar o ministro dos Transportes – o que acabaram por conseguir.
Em troca, quando lhe interessava, Policarpo solicitava à organização criminosa que, por exemplo, “levantasse” as ligações de um deputado. Tudo isso está no relatório final, provado através das ligações interceptadas pela PF com autorização judicial. Não é “mau jornalismo” apenas. É crime.
“Não se pode confundir a exigência do exercício da responsabilidade ética com cerceamento à liberdade de informar. Os diálogos revelam uma profícua, antiga e bem azeitada parceria entre Carlos Cachoeira e Policarpo Júnior”, diz o relatório.
Policarpo não é o único jornalista envolvido com a organização de Cachoeira, mas é sem dúvida o que mais fundo foi neste lodaçal. Durante a CPI, não foi possível convocá-lo para depor, porque não havia condições políticas para tanto. Agora, porém, as provas falavam alto.
Porém as questões políticas (necessidade de aprovar o relatório) mais uma vez se interpuseram. Assim como feito em relação ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, foi necessário retirar as menções a Policarpo do documento. O relator entendeu, e eu o compreendo e defendo, que Policarpo, perto do governador Marconi Perillo, do PSDB de Goiás, é secundário. Mas, ser secundário não afasta a necessidade de a Polícia Federal continuar a investigá-lo, e espero que o faça, mesmo com seu nome não constando no relatório. Afinal, todo suspeito deve ser investigado.
* Dr. Rosinha é deputado federal do PT-PR

Altamiro Borges: Policarpo, o jornalismo e o crime

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