Ficha Corrida

22/02/2016

FIFA no fiofó da Globo

 

Para entender o braço da FIFA no Brasil

seg, 22/02/2016 – 00:13 – Luis Nassif

Nos anos 70 a TV a cabo começou a ganhar força, assim como as transmissões esportivas internacionais. As redes de TVs tornam-se globais. E os eventos esportivos ganharam dimensão internacional. Ao mesmo tempo, a inclusão da África e da Ásia no negócio futebol ampliaram de forma inédita seu alcance.

É nesse novo quadro tecnológico que o futebol se torna um negócio bilionário. Na hora certa, no lugar certo, o cartola brasileiro João Havelange ajudou a dar forma final à FIFA. Desde os anos 20 o esporte já se constituía nos eventos de maior audiência do rádio. Com os avanços tecnológicos, os grandes espetáculos esportivos passaram a dispor de uma audiência global. E, dentre todos os esportes, nenhum chegou perto da popularidade e abrangência do futebol.

Em pouco tempo monta-se a rede global, com os seguintes personagens:

1.     A FIFA.

2.     As confederações

3.     Os clubes

4.     Os grupos de mídia hegemônicos em cada país filiado.

A parte econômico-financeira é composta do patrocínio aos torneios globais, torneios regionais e campeonatos nacionais. E os eventos os financeiros ocorrem na compra de direitos de transmissão para cada um dos eventos e nos patrocínios, e no mercado de jogadores.

A partir desses elementos teceram-se as relações de influência que acabaram resultando na organização criminosa desbaratada pelo FBI.

A base do poder na FIFA são as confederações nacionais.

Para garantir a perpetuidade do poder, há uma aliança simbiótica entre os dirigentes da FIFA, os grupos de mídia nacionais e os dirigentes das Confederações.

Em parceria com a FIFA os grupos de mídia conseguiram a exclusividade para os grandes eventos, que garantem os grandes patrocínios. E conseguiram os patrocínios para os eventos regionais e nacionais. O dinheiro captado serviu para irrigar os clubes e garantir a perpetuidade política dos grupos que controlam as confederações.

Por seu lado, a parceria sempre se dá com os grupos de mídia politicamente mais influentes. E garante a blindagem dos dirigentes das confederações – não apenas perante os governos nacionais como perante os sistemas de investigação locais.

Esse modelo criou tal blindagem político-policial que acabou transbordando para outras formas de ação de crime organizado, como a lavagem de dinheiro através do superfaturamento dos contratos e do comércio de jogadores.

Segundo dados da OCDE, o mercado de jogadores movimenta US$ 4 bilhões/ano, dos quais US$ 1 bilhão proveniente de lavagem de dinheiro. Parte relevante do dinheiro lavado vem dos subornos pagos por emissoras de televisão e patrocinadores aos dirigentes esportivos.

A internacionalização do futebol

A ampliação da globalização acabou introduzindo novos elementos nessa equação.

O primeiro, o da criação da cooperação internacional para o combate ao crime organizado, que ganhou ênfase após os atentados das torres gêmeas.

Como as organizações criminosas atuavam em nível global, havia a necessidade de uma cooperação em nível internacional. E aí sobressaiu a maior competência dos órgãos de investigação norte-americanos, especialmente devido à integração entre o FBI e as forças de segurança, conforme anotou Jamil Chade, correspondente do Estadão em Genebra, em entrevista ao GGN, sobre o seu livro “Política, propina e futebol: Como o PADRÃO FIFA ameaça o esporte mais popular do planeta”.

E aí entraram em cena os interesses geopolíticos norte-americanos, a noção histórica de interesse nacional amarrado aos interesses dos grandes grupos que se internacionalizam.

Um dos últimos mercados nacionais protegidos era o das comunicações. E, nesse mercado fechado, as transmissões de partidas de futebol sempre foram um fator crítico para a hegemonia das emissoras. Basta conferir a imensa luta da Record para tentar romper com o monopólio das transmissões da Globo.

A entrada do FBI nas investigações coincide com a ofensiva internacionalizante dos grandes grupos de mídia norte-americanos e, também – segundo Chade – com as manifestações de junho de 2013 no Brasil, que passaram a percepção de que a opinião pública nacional não mais aceitaria passivamente a corrupção dos dirigentes esportivos.

Quando o FBI entrou na parada, o jogo passou a virar. A imensa organização criminosa começou a ruir. E, no rastro desse desmonte, teve início a invasão final dos grupos de mídia norte-americano sobre os superprotegidos mercados nacionais de mídia.

Segundo Chade, empresas como a Time Warner, Disney, ESPN montaram estratégias inicialmente fechando contratos com países e clubes menores, de maneira a cercar os esquemas dos clubes maiores, que dominavam as confederações.

Para se ter uma ideia do impacto do fim do monopólio das transmissões esportivas, analise-se o mercado britânico. Com a pulverização dos canais pagos, o único evento que consegue chegar em 15 pontos de audiência são as transmissões de partidas de futebol. O restante não passa de 5 pontos.

O papel da Globo na corrupção da Fifa

O imenso poder político desses grupos garantirá algum tempo a mais de blindagem, antes que a longa mão do FBI chegue até aqui. Em alguns casos, o que garante é a aliança com os governos nacionais.

Segundo Chade, a primeira reação dos dirigentes teria sido lamentar que as prisões tivessem ocorrido na Suíça. “Se isso acontecesse na América Latina, já tínhamos resolvido tudo e estaríamos em casa”, comentou um argentino, membro da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol).  “Mas eles não estavam no Brasil nem em outra república latino-americana. As prisões ocorreram justamente na Suíça, país que passou a colaborar de forma estreita com os EUA”, continua Chade.

No caso brasileiro, a Globo estreitou relações com o MPF, tornando-se a principal âncora da Lava Jato. No seu horizonte estratégico, certamente estavam os problemas que vinham pela frente.

As principais operações identificadas foram compra de votos para a Copa de 1998, para a Copa de 2010 e a compra de apoio para a eleição de Blatter em 2011. E, importante, “a realização de acordos para a Taça Libertadores, a Copa América, a Copa do Brasil e as suspeitas sobre os Mundiais de 2018 e 2022”.

Continua o livro:

“De uma maneira constante, segundo a Justiça, a propina teria sido paga a Teixeira e Havelange para que influenciassem a Fifa na decisão de quem ficaria com os direitos de transmissão das Copas de 2002 e 2006, incluindo o mercado brasileiro”.

Continua o livro:

“Uma rede de televisão no Brasil é citada como uma das envolvidas no suborno, ainda que seu nome tenha sido mantido em sigilo no documento público, uma vez que o processo não era contra ela. Naqueles Mundiais, os direitos de transmissão eram da Rede Globo. Para os suíços, o serviço dos dois cartolas teria sido comprado por essa e outras empresas que queriam manter contratos e relações com a Fifa. O documento revela uma movimentação milionária nas contas de Teixeira e Havelange. Ambos receberam subornos no valor total de pelo menos 21 milhões de francos suíços, depositados em contas abertas em paraísos fiscais. Os pagamentos ocorreram entre 1992 e 2004, e o tribunal decidiu processar os brasileiros por “atos criminosos em detrimento da Fifa”.

Prossegue a denúncia que “subornos compravam influência na Fifa e garantia de contratos no Brasil”.

Esse esquema começou a operar em 1970, segundo o procurador Thomas Hildbrand, quando Havelange assumiu o poder. Testemunhas ouvidas por ele sustentaram que “o dinheiro vinha, em grande parte, de empresas que pagaram pela transmissão das imagens das Copas de 2002 e 2006. No caso do Brasil, o valor do contrato era de US$220 milhões. Outros contratos chegavam a US$750 milhões”.

Segundo eles, Teixeira e Havelange agiram com tal impunidade porque, por conta da “cultura” brasileira, as propinas equivaliam a suplementação de verbas

“Seria essa a suposta “cultura” dos brasileiros”, constata Chade. “Mais do que um absurdo e uma ofensa a milhões de pessoas, a estratégia da defesa revela, no fundo, a imagem que a entidade tem do país e de seus representantes. Essa imagem, de tão enraizada, foi usada até mesmo diante da Justiça”.

O melhor exemplo da forma como a FIFA agia foi na imposição do estádio de Brasília.

“Poucos dias após a final da Copa do Mundo, o estádio mais caro do Brasil e o terceiro mais caro do mundo recebeu outro momento de decisão: cem casais realizaram suas festas de bodas no palco que havia servido ao Mundial. O evento chegou a ser transmitido pela TV Globo, que pagou parte dos direitos da Copa e apagou qualquer tipo de crítica ao evento. Na reportagem, a emissora insistia que o casamento coletivo tinha sido uma “grande emoção” e que o estádio havia criado novas oportunidades. Com apenas dois times e ambos na quarta divisão do futebol brasileiro Brasiliense e Luziânia , o Distrito Federal passou a ser a imagem do escândalo da Copa do Mundo e de seu legado inexistente. Meses depois do final do Mundial, a falta de jogos no estádio Mané Garrincha levou o governo do DF a transferir parte de sua burocracia para o local e ocupou as salas com suas diferentes secretarias. Do lado de fora, o estacionamento feito para as torcidas se transformou em garagem para os ônibus da cidade. Um ano depois da Copa, o rombo no estádio era de mais de R$ 3,5 milhões”.

Sobre a corrupção cultural

O combate à corrupção exige mudança de padrões culturais. Não se pode aceitar passivamente conviver com empresas sobre as quais pairam suspeitas de atividades criminosas.

Afinal, como declarou o procurador Deltan Dallagnol “o nosso parâmetro para lidar com a corrupção deve ser o crime de homicídio. Quem rouba milhões, mata milhões”. A declaração foi dada na Globonews.

Segundo ele, o simples combate às pessoas corruptas não vai fazer com que a corrupção acabe no Brasil. “Nós precisamos mudar o sistema”, declarou no Programa do Jô.

O mesmo bordão foi brandido pelo procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, para criticar a Lei de Leniência:

“Infelizmente, a despeito de todas as obrigações internacionais assumidas pelo Brasil, as primeiras e únicas tentativas do Governo após a publicação da Lei Anticorrupção foram sempre no sentido de contorná-la, de desrespeitar o mínimo ético imposto por essa legislação”.

Carlos Fernando é vice-secretário de cooperação internacional do MPF, setor incumbido de buscar apoio nas investigações internacionais e de fornecer elementos solicitados pelos parceiros. Segundo Chade, o Brasil tem sido o país latino-americano que menos atendeu aos pedidos do FBI até agora.

Para entender o braço da FIFA no Brasil | GGN

02/06/2015

Graças a sicários como Marin os Marinho da Globo figuram na Forbes

marinesCom a prisão dos totens dos coxinhas brasileiros na Suíça, a mando do FBI para tentar melar a Copa da Rússia, lavamos a alma pelo simples fato de que, só assim, nossos verdadeiros bandidos vão parar atrás das grades. Por coincidência, o mesmo país responsável por homens como Marin na ditadura, também vira seus algoz. Nada mal se acontecesse, para deixar de ser vira-lata, algo semelhante a outros ex-parceiros dos EUA. Saddam Hussein, Bin Laden e Muammar Kadafi também foram, enquanto úteis, parceiros dos EUA. Depois de chuparem o suco, jogaram-nos foram como bagaços. Os três foram assassinados. Um destino igualmente merecido para um sicário como Marin.

Vai-se Marin, chega Eduardo Cunha. A Globo tem esta capacidade de repor suas peças para manter engraxada a engrenagem da corrupção. E com algumas estatuetas ainda consegue se blindar junto ao Poder Judiciário. Não fosse assim, não precisaria contrabandear da Alemanha a teoria do domínio do fato. Há fatos, provas, testemunhas, mas nada disso se aplica quando se trata da Rede Globo. Para conhecerem os rigores da lei só mesmo se um dos filhos se filiar ao PT. Se for petista, aí até a cunhada da empregada do vizinho corre o risco, se for filmada sacando da própria conta bancária, ir presa…

Infelizmente temos visto Maluf, Robson Marinho e outros brasileiros condenados lá fora mas festejados no Brasil. São eles que sempre encontram um Habeas Corpus, ou dois, do Gilmar Mendes. Resta mais uma vez provado que no Brasil só se condena os membros do movimento dos quatro “P’s”: preto, pobre, puta e petista. Na contramão de todos os países que restauraram a democracia, até hoje ainda não vimos nenhum bandido da ditadura ser condenado. Esta mancha ainda está marcada na paleta das instituições mais à direita, MP, PF e PJ. O Executivo se renova, o Legislativo se renova, só no Judiciário e MP ainda impera uma mentalidade de castas, do tempo da República dos Doutores. A censura ao livro que denunciava as relações da CBF com a Nike é apenas mais um exemplo do desserviço da parcela mais retrógrada do Poder Judiciário.

O caso de José Maria Marin é emblemático porque foi, de alguma forma, homenageado pela Marcha dos Zumbis e pelo MBL. Flagrado roubando medalhas, nada lhe aconteceu. As ruas foram inundadas com camisas custando entorno de R$ 400,00, com o brasão da CBF que ele presidia, pedido um golpe de Estado, e até a reimplantação da ditadura. Candidatos a Presidente que apoia golpistas é o quê? E o pedido de golpe não infringe a Constituição? Não é crime? Se as instituições nãos e defendem, para que servem, afinal?

Aliás, poucas pessoas sabem, porque isso é conveniente a quem sempre fez parceria com a ditadura, porque os cinco principais grupos de mídia brasileiros nada informam a respeito do passado do agora presidiário. Afinal, quantas pessoas sabem que José Maria Marin tem nas costas pelo menos um assassinato, o do jornalista Vladmir Herzog?! Pois bem, este é o homem que ocupou a Presidência da CBF e a usou, para além de roubar medalhas, para fazer campanha para seus afiliados políticos. Não é segredo de ninguém as relações promíscuas de Marin com a Rede Globo, Geraldo Alckmin e com Aécio Neves. Como admitiu Judith Brito, a Folha, Veja, ANJ, Instituto Millenium, Rede Globo, RBS fazem oposição. Por isso é que aplicam tão descaradamente a Lei Rubens Ricúpero revelada no Escândalo da Parabólica. A cunhada do Vaccari foi presa por ser cunhada; Marin, mesmo sendo um larápio, ou por isso mesmo, sempre foi recebido com festas pela mesma casta que prendeu a cunha porque a “literatura jurídica permite”….

BESTIÁRIO

rede globo compensaComo diz a Wikipédia, os bestiárioseram catálogos manuscritos realizados por monges católicos que reuniam informação sobre animais reais e fantásticos, tal como o aspecto, o habitat em que viviam, o tipo de relação que tinham com a natureza e a sua dieta alimentar.

No zoológico em que habitava Marin havia outros animais. Formavam um habitat intransponível devido ao locupletamento das instituições públicas brasileiras. Como nas fábulas, ratazanas e víboras conviviam em perfeita simbiose. Uma redoma de vidro criada pelo maior grupo de comunicação, uma espécie de Vênus Platinada da corrupção, mantinha a fauna na lei da selva. Os nomes são importantes porque definem os bois. E os bois vivem ajoujados na corrupção.

Assim como entender uma língua significa adentrar na cultura de um povo, conhecer os termos comuns a um determinado grupo é também apropriar-se de seu status associativo.

A Cosa Nostra siciliana usa termos de difícil compreensão para quem não seja iniciado. Há um longa tradição de onde brotam termos como “pizzu”, “omertà”, “capo di tutti i capi”. E o beijo estalado nas bochechas funciona como código entre mafiosos, mais ou menos como a distribuição de medalhas por Aécio Neves ou as estatuetas que a Rede Globo aos seus capitães-de-mato. São códigos, à moda maçônica, de identificar as pessoas com as quais seus parceiros podem contar. Funciona mais ou menos como o cartel das empreiteiras nas licitações da Petrobrás ou na construção do metrô mais lento do mundo. De mesma orientação é a linguagem usada no tango, o Lunfardo.

A prisão da fina flor da FIFA deu-nos a conhecer o grau de proximidade que existe entre nome e objeto.

A começar pelo notório José Hawilla. Poderia ter dado outro nome para o tráfico de suborno do que TRAFFIC? Quem TRAFFIC faz qualquer outra coisa, não é mesmo?!

Onde mais um rato como Ricardo Teixeira, que esteve sempre nas bocas, iria se esconder senão em Boca Ratón?!  Se falamos de Futebol, caiu na Rede (Globo), mesmo que for ratão, é peixe para seu aquário.

Em época de Lava Jato Del Nero sacou primeiro  e tirou o nome José Maria Marin da sede da CBF. E como poderia alguém que rapidamente queima Marin  ter outro nome senão Nero. Embora Del Nero tenha o nome do primeiro mercador ocidental a fazer negócio na China, nosso Marco Polo não é o único a fazer negócio da China.

Por tudo isso a trupe brasileira na FIFA e na CBF, associados à Rede Globo desde os tempos da ditadura, parecem saídos do filme Os Bons Companheiros. Quem via os regabofes do Galvão Bueno com Havelange ou Ricardo Teixeira entende porque a Rede Globo odeia qualquer coisa que não sejam seus capachos. Não haveria uma quadrilha tão bem fornida não houvesse por traz dela a blindagem da Rede Globo.

16/05/2015

Saiba porque a CBF é a melhor amiga da Globo

A Folha faz o diagnóstico certo mas não entrega o nome da doença: Rede Globo! O remédio é amargo é deveria ser ministrado em dose cavalar: cassação da concessão pública!

CBF GLOBO foraricardoteixeiraMARILIZ PEREIRA JORGE, na FOLHA

A CBF e a máfia

O mundo da CBF sempre mata um pouco da saudade da série "Os Sopranos"; Tutti buona gente…

Toda vez que leio sobre a CBF tenho a sensação de ver um episódio de "Os Sopranos". A série, criada por David Chase e produzida pela HBO, contava a história de um mafioso e seus comparsas, crimes, corrupção, mulheres e dinheiro.

Sou uma das milhares de órfãs de Tony Soprano, o protagonista. Mas o mundo da CBF sempre mata um pouco da saudade da série.

O novo presidente, Marco Polo Del Nero, poderia bem ser um dos amigos do personagem principal. Ou o próprio. Tem nome de mafioso, careca de mafioso, corpulência de mafioso, namoradas com cara de namoradas de mafioso e comanda entidade que, teoricamente, é uma empresa idônea, mas que vira e mexe tem que provar que é idônea.

É só jogar no Google: CBF, escândalos, corrupção. Impressionante.

Na sexta (15), a notícia era a demissão de Ariberto Pereira dos Santos, ex-tesoureiro da entidade na gestão de Don Ricardo Teixeira. Há um ano, ele comandava o departamento de futebol feminino. Sinal de que seus dias estavam contados.

Vamos combinar que é uma baita perda de poder você, um dia, comandar a dinheirama que rola na CBF e, no dia seguinte, ganhar de presente a direção do departamento de futebol feminino.

Nem precisa ser feminista para saber que, para a CBF, o futebol feminino é a irmã feia da família.

Assim como os parceiros de Tony Soprano, Ariberto parece super gente boa. Usava o banco Rural, investigado na época do mensalão, para fazer as operações cambiais da CBF, o que fez com que a entidade perdesse cerca de R$ 30 milhões quando o Banco Central decretou a intervenção do Rural.

Foi investigado pela CPI do Futebol e acusado de operar um caixa dois –aquelas histórias de CPI que quase nunca dão em nada. Por fim, admitiu usar uma conta particular para gerir recursos da CBF.

Ricardo Teixeira, o ex-presidente que reinou no cargo durante 23 anos, está sendo acusado de ter votado no Qatar para sediar a Copa de 2022 em troca de dinheiro, favores e garantias, segundo o livro "Ugly Game", lançado no mês passado pelos jornalistas ingleses Heide Blake e Jonathan Calvert.

Os jornalistas contam que o ex-secretário da Fifa Michel Zen Ruffinen aparece em vídeo explicando o que cada membro da Fifa esperava em troca de seu voto. "Teixeira é dinheiro", disse sobre o brasileiro.

Tony Soprano também era chegado em qualquer negociação que envolvesse grana. Tutti buona gente.

Mas o que eu gosto mesmo são as fofocas em que o nome e as fotos de Don Del Nero aparecem. Não precisa nem ler o noticiário esportivo. Elas estão em revistas do tipo "Caras", "Contigo" ou no "F5", o site de entretenimento da Folha.

Don Del Nero ganhou dos amigos o apelido de "Olacyr de Moraes do Futebol". Achei que era por causa do salarião de R$ 200 mil, mas a história por trás do apelido é muito melhor. O dirigente coleciona namoradas que poderiam ser suas netas.

Currículo das moças: modelo. Para uma deu dinheiro para que ela desse entrada num apartamento e mexeu os pauzinhos para que fosse passista de uma escola de samba.

Para outra, um Mercedes Benz, que custava a bagatela de R$ 200 mil. Mas essa tinha posado para a revista "Sexy", que fique bem entendido. Essa, inclusive, já é passado. A fila anda. Don Del Nero troca de namorada como Dunga troca a escalação da seleção.

Os babados da CBF são sempre muito mais saborosos do que os da ficção. Tony Soprano fez escola. Ou será que foi o contrário?

18/07/2014

Franklin Martins detona parceiros da Rede Globo da CBF

 

Mercenários vs. Apaixonados. Pensam que é só no futebol que tem essa disputa?

17 de julho de 2014 | 11:28 Autor: Fernando Brito

cartola

A Folha, hoje, segue na campanha contra a presença de Franklin Martins na campanha de Dilma.

Mas que diabos teria tanta importância um conselheiro na área de comunicação dentro de um governo, mesmo sendo um personagem com a trajetória e as posições de Franklin?

Nem ele, nem ninguém com um mínimo de conhecimento técnico iria fazer o Governo “cortar” as verbas publicitárias de grandes veículos de comunicação.

Por uma razão simples: seria um grave erro técnico deixar de anunciar – e mesmo de se relacionar com civilidade – com aqueles que dominam a comunicação de massa no Brasil.

O problema é outro.

O sistema de comunicação exige seu monopólio: e não apenas nas verbas publicitárias, mas na própria comunicação.

O que, não percebe, já não é compatível com as novas tecnologias que transformaram a internet em veículo de massa.

Sonham em mantê-la, apenas, como espaço para frivolidades e campanhas de promoção/desmoralização de pessoas e instituições, como fazem cada vez mais nos próprios jornais.

Mesmo com todo o seu poder político e econômico, isso é impossível.

Algo no que encontra, claro, apoio no mundo da “marquetagem” profissional.

Dinheiro e poder, como sempre.

Lembro de uma conversa áspera que tive no Ministério do Trabalho, quando recebi – com a devida presença de várias testemunhas – os dirigentes da indústria do venenosíssimo amianto, que insistiam em voltar aos tempos de liberdade total de ganhar dinheiro matando gente.

Eu disse apenas, para a fúria do degas que veio, arrogante, com o papo de que “tudo era seguro”:

– Meu amigo, não estamos aqui para discutir se isso vai acabar, porque vai acabar. Nós estamos aqui para discutir como isso vai acabar, com regras claras e prazos para vocês mudarem a forma com que fazem as coisas, com um mínimo de prejuízos a todas as empresas, todos os seus trabalhadores e toda a comunidade…

É isso o que não consegue entender a grande mídia empresarial  brasileira.

Que o tempo do monopólio acabou.

E que tem lugar para todos, também no mundo da comunicação.

E que o Brasil não pode ser mais um país onde alguns são donos de tudo e quase todos não são donos de nada.

Nem de suas opiniões.

Daí a sua campanha contra Franklin, que vai se tornar mais intensa e, sobretudo, sórdida.

Já vai recrutando “profissionais” como aquela que produziu o conto do vigário da ficha falsa de Dilma no DOPS, para tentar fazer crer que a empresa da mulher de Franklinque tem 17 anos de existência e contratos com emissoras de TV brasileiras e estrangeiras – estaria sendo contratada sem as qualificações necessárias para prestar serviços ao Governo.

Presta, aliás, serviços até a canais da Globo, como a GNT.

Não é porque este blog vem fazendo a opção de falir um profissional, que vive apenas da solidariedade de seus leitores, que todos devem fazer o mesmo.

Se eu recebesse serviços do Governo, como recebo alguns de empresas privadas para exercer meu ofício de escrever, ou publicidade correspondente à audiência deste blog não só seria honesto como seria correto, embora meus amigos de O Globo insinuem até que um banner que publico gratuitamente de uma campanha contra o crack seja um “favorecimento”.

É assim, porém, que a grande mídia pensa e leva junto, nesta deformação, alguns de seus profissionais.

Com a ajuda luxuosa de gente que afundou tanto as patinhas nos tapetes do poder que não hesita em dar combustível ao ódio da mídia contra aqueles que entende que não apenas o mundo mudou como que a esquerda, no poder, ou muda ou morre, não hesitam em se aliar a um dos mais mafiosos meios dirigentes deste país: a cartolagem negocista do futebol.

E aí dizem que Dilma, que nunca escondeu seu asco à cúpula da CBF e que teve a coragem de dizer, publicamente, que o Governo precisa se opor a uma camorra que está destruindo um dos maiores valores afetivos do povo brasileiro, o futebol.

E usam um post do site “Muda Mais”, que segue a linha de Franklin, para sabotá-lo, dizendo que as criticas à CBF publicadas ali teriam irritado a Presidenta.

A Presidenta, vejam bem, que disse que as estruturas do futebol, precisam mudar, e mudar mais que a simples troca de técnico da seleção.

Hoje, o comentarista esportivo Juca Kfouri – um dos poucos que critica a CBF não só da boca para fora –  reproduz o tal “post da discórdia”, com certa perplexidade, por não entender o que há ali que não seja informação e opinião de todos os que olham o futebol com seriedade.

Não há, Juca, o que há, fora do futebol também, é quem se preste a estes jogos por, a exemplo da turma que infelicita nossa torcida enquanto se esbalda em dinheiro, por adorar ser cartola e negocista.

Leia o post de Juca Kfouri, com o artigo do Muda Mais.

O que de tão “agressivo” publicou o “Muda Mais”?

A página “Muda Mais”, mantida pelo jornalista e ex-ministro Franklin Martins, publicou um artigo por muitos considerado inoportuno tão logo a Seleção Brasileira levou de sete da alemã.

Fala-se muito do texto na imprensa, mas poucos conhecem o seu teor, abaixo, na íntegra. Este blogueiro o considerou até suave:

Teixeira, Marin, a CBF e a necessidade de modernizar nosso futebol

A terrível eliminação da Seleção na Copa do Mundo reforçou o que há muito se dizia: a organização do futebol brasileiro está ultrapassada e presa ao nome de poucas figuras que revoltam o torcedor faz algumas décadas. Impera na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) um sistema que em nada lembra uma instituição democrática e transparente. É preciso mudar.

Por infindáveis 23 anos, a CBF esteve nas mãos de Ricardo Teixeira, ex-genro de João Havelange, que coordenou por 17 anos a Confederação e por outros 24 a FIFA. Depois disso, passou, em 2012, para o comando de José Maria Marin. Marin foi deputado estadual pela ARENA e em 1975 proferiu um discurso contra a TV Cultura, que por muitos é visto como um dos desencadeadores da morte de Vladimir Herzog, ex-diretor de telejornalismo da Cultura, encontrado morto 16 dias depois. Depois disso, Marin ainda foi governador biônico do estado de São Paulo, em 1982. Ah, e bem depois, quando era vice-presidente da CBF, furtou uma medalha na premiação da Copa São Paulo de Futebol Júnior.

Não é de agora que o futebol brasileiro sofre com a desorganização da CBF. Ricardo Teixeira tinha o hábito de falar da Confederação ou da Seleção como “eu”: “Eu tenho 120 milhões em caixa”, ou “Eu tinha que ganhar aquela Copa”, ou “Eu não queria abrir a Copa da Alemanha”, como contou reportagem da Revista Piauí, em 2011. Além disso, defende que nem a população brasileira nem ninguém tem nada a ver com as contas da CBF.

Teixeira pode até ter razão quando diz que a CBF é uma entidade privada, que não recebe dinheiro público e paga impostos – afinal, quando ele assumiu decidiu abrir mão do dinheiro do Estado. Mas não é bem assim. O estatuto da CBF designa a instituição como uma “associação de direito privado”, com “peculiar autonomia quanto à sua organização e funcionamento, não estando sujeita a ingerência ou interferência estatal”, ok. Acontece que a entidade é um tanto atípica. Como afirma o jurista Yves Gandra, “não se trata, a CBF, de entidade civil típica, subordinada que é, em parte, ao Ministério dos Esportes”. E ainda que fosse considerada a mais típica entidade privada, contratos suspeitos podem devem, sim, ser analisados por órgãos competentes.

Na mesma entrevista, Ricardo Teixeira deu seu recado sobre a Copa: “Em 2014, posso fazer a maldade que for. A maldade mais elástica, mais impensável, mais maquiavélica. Não dar credencial, proibir acesso, mudar horário de jogo. E sabe o que vai acontecer? Nada. Sabe por quê? Por que eu saio em 2015. E aí, acabou”. No fim das contas, ele acabou saindo antes, em março de 2012.

Havelange, a Ditadura e Saldanha

Outra figura importante para entendermos a história da CBF é João Havelange, presidente da Confederação por quase duas décadas. Era 1970 e a histórica Seleção Brasileira, com Carlos Alberto Torres, Tostão e Pelé estava pronta para voar na Copa do Mundo. Mesmo assim, o treinador que montou e classificou a Seleção para o torneio, João Saldanha, foi demitido dias antes da estreia. O motivo, segundo ele, foi a pressão que sofria para convocar Dario Maravilha. Pressionado por Médici, João Havelange pedia insistentemente a convocação do jogador atleticano para Saldanha. Diz o folclore futebolístico que ele respondeu: “Ele [Médici] escala o ministério, eu convoco a Seleção”. Saldanha foi demitido. Pesava contra ele o fato de ser militante do Partido Comunista Brasileiro.

CPI da CBF-Nike

Em 2001 instalou-se a CPI da CBF-Nike, que investigou o contrato entre a Confederação e a Nike, que veio à público após a Copa do Mundo de 1998, quando suspeitou-se – sem que até hoje tenha havido comprovação ou desmentido – que o atacante Ronaldo teria entrado em campo, mesmo doente, para cumprir um contrato publicitário.

A CPI investigava o contrato, firmado em 1996 e com vigência de 10 anos, por cláusulas “consideradas excessivas em termos de predominância dos interesses da Nike sobre os da CBF, resultando prejudiciais ao futebol brasileiro”. Entre elas, a obrigação de escalar “os oito principais jogadores sob um critério não definido, mas que pode ser o da Nike” e a cessão à Nike do direito de definir os adversários e os locais de 50 jogos amistosos durante dez anos (número reduzido após acordo entre as duas partes).

Modernizar e organizar o futebol

Em um quarto de século apenas duas figuras – nada amistosas – comandaram a Confederação que rege o futebol no país do futebol. Calendários estapafúrdios, más condições de trabalho aos atletas e uma série de outras demandas levaram os próprios jogadores a reagir e criar o Bom Senso FC.

Queremos mudar mais. O plano de governo apresentado pelo PT no dia 5 afirma: “É urgente modernizar a organização e as relações do futebol, nosso mais popular esporte”.

PS. Antes que os amigos da Folha, que acham que tudo o que se faz é por dinheiro, se animem, este site não tem qualquer patrocínio de governo nem relações que não sejam a de uma simpatia política ao ex-ministro, a quem conheço muito pouco, pessoalmente.

Não sei se vocês acreditam, mas existem, ainda, pessoas de bem.

Mercenários vs. Apaixonados. Pensam que é só no futebol que tem essa disputa? | TIJOLAÇO | “A política, sem polêmica, é a arma das elites.”

16/07/2012

Promotor: Representante da FIFA disse que pagar propina era comum na África e América do Sul

Filed under: FIFA,João Havelange,Rede Globo de Corrupção,Ricardo Teixeira — Gilmar Crestani @ 10:06 pm

publicado em 15 de julho de 2012 às 18:36

por Luiz Carlos Azenha

O inacreditável documento que registra o acordo entre a promotoria do cantão de Zug, na Suiça, a FIFA, Jean-Marie Faustin Godefroid Havelange e Ricardo Terra Teixeira é leitura indispensável para todos os que ajudam, direta ou indiretamente, a sustentar financeiramente o futebol.

Infelizmente, o site da FIFA em português publicou a versão em inglês, feita a partir do original em alemão.

A leitura é indispensável por deixar claras as manobras legais da FIFA para tentar abafar o caso, alegando que não se julgava prejudicada, que dispensava o pagamento de reparações por parte dos envolvidos, que o pagamento do que o Jornal Nacional chamou de “comissões” era parte da rotina dos negócios.

O procedimento legal da promotoria de Zug foi iniciado em 29 de maio de 2001, por iniciativa da FIFA, que acionou os responsáveis pelo gerenciamento do Grupo ISMM/ISL (International Sports Media and Marketing, International Sports and Leisure). A entidade do futebol alegava que não tinha recebido a parte que lhe cabia de pagamentos feitos por emissoras de TV, dentre as quais a Globo, na compra de direitos de transmissão.

Pouco antes, a ISMM/ISL tinha quebrado, na segunda maior falência da história da Suiça, provocando um imenso rombo.

O homem encarregado de administrar a massa falida, Thomas Bauer, decidiu pedir o dinheiro das propinas de volta aos que constavam na contabilidade da empresa, sob a ameaça de recorrer à Justiça.

Depois de uma série de manobras de bastidor, com anuência da FIFA, as ações foram evitadas.

Porém, a bola já estava rolando na promotoria de Zug, que foi adiante na investigação.

Quando parte relevante dela foi concluída, o promotor Thomas Hildbrand levou a julgamento seis gerentes do grupo ISMM/ISL. O homem da mala, Jean-Marie Weber, que organizava os pagamentos de propina, foi multado pelo desvio de 90 mil francos suiços para sua conta pessoal. A pena leve que ele e dois outros acusados receberam foi atribuída à incerteza dos juizes sobre se os pagamentos eram ou não criminosos.

Vários depoentes disseram na Justiça que o pagamento de “comissões” era parte dos negócios e que sem eles a empresa de marketing teria ido à falência.

Em papéis oficiais, os pagamentos aparecem sob a rubrica “comissões, remuneração”, “taxas de agenciamento ou pagamentos adicionais de aquisição” ou doações para indivíduos ou autoridades do esporte.

Funcionava assim: o grupo ISMM/ISL tinha duas fundações, a Nunca no principado de Liechtenstein e a Sunbow nas Ilhas Virgens Britânicas — dois refúgios fiscais, na Europa e no Caribe — através das quais transferia dinheiro para a empresa de investimento Sicuretta, também de Liechtenstein, que por sua vez distribuia as propinas a autoridades do mundo esportivo, através das quais obtinha os contratos de exclusividade para marketing, transmissão de eventos, etc.

Através deste esquema foram feitos pagamentos equivalentes a R$ 77 milhões a destinatários, identificados no documento da promotoria de Zug através de códigos.

A Justiça suiça evita nomear em seus documentos indivíduos, empresas ou fundações que não tenham sido acusadas de ilícitos.

Dentre os contratos que o promotor Thomas Hildbrand analisou está o assinado em 29 de junho de 1998, emendado em 17 de dezembro, que tratava da compra de direitos de transmissão das Copas de 2002 e 2006 para o mercado brasileiro, pelas companhias identificadas pelos códigos 2 e 3, por U$ 221 milhões de dólares.

O processo contra João Havelange e Ricardo Teixeira foi iniciado oficialmente em primeiro de outubro de 2008, sob a acusação de apropriação indébita e possível gerência fraudulenta.

Havelange foi identificado como presidente da FIFA entre 1974 e 20 de novembro de 1998. Ricardo Teixeira como membro do comitê organizador da Copa do Mundo de 1994, membro do comitê executivo da FIFA e presidente da CBF, além de desempenhar outras funções na entidade mais importante do futebol mundial.

Os pagamentos feitos a Teixeira e Havelange começaram em 10 de agosto de 1992 (equivalente a U$ 1 milhão de dólares) e seguiram até 4 de maio de 2000 (500 mil dólares), para um valor total aproximado de R$ 45 milhões.

Em 27 de fevereiro de 2004 foi concluído um acordo pelo qual Teixeira transferiu parte das propinas recebidas à massa falida do grupo ISMM/ISL. Era um acordo sigiloso, bancado pela FIFA para proteger os cartolas.

Mesmo as planilhas constantes da contabilidade da ISMM/ISL, relativas ao pagamento de propina, não traziam diretamente o nome de quem recebia o dinheiro, mas de empresas em paraísos fiscais, como a Sanud, baseada no principado de Liechtenstein.

Durante CPI no Congresso brasileiro, nos anos 2000, investigadores identificaram a Sanud, ou Dunas ao contrário, como sócia da empresa holding dos negócios de Ricardo Teixeira, a RL&J Participações, no Rio de Janeiro. O R é de Ricardo, o L de Lúcia, a filha de Havelange com a qual Teixeira se casou e o J do pai dela, João.

O processo de divórcio litigioso entre Ricardo e Lúcia congelou os negócios do casal, razão pela qual até hoje, pelos documentos que constam na Junta Comercial do Rio de Janeiro, a Sanud, embora extinta em Liechtenstein, ainda aparece como sócia da empresa de Teixeira no Rio, conforme demonstramos no Jornal da Record (documentos posteriormente reproduzidos aqui no blog).

[Clique aqui para ver as reportagens que foram ao ar no Jornal da Record]

O promotor da Suiça precisava obter comprovação direta entre as propinas e os cartolas brasileiros. No caso de João Havelange, foi mais fácil, já que um pagamento da ISL destinado a ele foi depositado por engano numa conta da FIFA e posteriormente redirecionado, deixando uma trilha de transações e documentos no caminho.

No caso de Ricardo Teixeira, isso foi possível graças a uma testemunha.

O promotor fez a manobra clássica: seguiu a trilha do dinheiro devolvido à massa falida da ISMM/ISL, que está descrita detalhadamente na página 10 do documento:

Trecho:

O valor que o advogado 1 transferiu via banco 6 à massa falida da ISMM e ISL no banco 7 veio logo depois dele receber dois pagamentos em sua conta do banco 8. A autora das duas transferências [para o advogado] é uma companhia baseada em Andorra, cujo dono é o cidadão de Andorra P5. De acordo com o testemunho de P5, ele fez as transações em nome de Ricardo Terra Teixeira. O valor em questão havia sido transferido anteriormente de uma conta em nome de Ricardo Terra Teixeira para a conta da companhia 5. Antes da transferência, a conta, número 400428, no banco 8, em nome de Ricardo Teixeira, foi abastecida com bens de várias contas do banco 2, em Zurique.

As transferências que abasteceram a conta de Teixeira de onde saiu o dinheiro devolvido à ISMM/ISL foram quatro, no total de U$ 2.451.000,00, feitas em 11.04.2003.

O promotor investigou a origem das quatro contas de Zurique de onde vieram estes quase U$ 2,5 milhões.

Elas foram abertas em 01 de julho de 1998, em 03.11.1999 e em 23.08.2001. Duas delas foram abertas com depósitos em dinheiro de 300 mil dólares, uma terceira com transferência de títulos no valor de 300 mil dólares e a quarta com uma transferência de 1 milhão de dólares. Estavam em nome de pessoas/empresas identificadas apenas como F1, F2, F3 e F4.

Em outras palavras, ao seguir o dinheiro o promotor Thomas Hildbrand comprovou com testemunho direto que Ricardo Teixeira era um dos recebedores da propina, passível de ser processado.

Para justificar o acordo que promoveu entre Teixeira e a massa falida da ISMM/ISL, a FIFA recorreu às opiniões de dois professores, que formularam uma hipótese para os pagamentos: “A ISL fazia contratos de marketing com associações desportivas”, diz o texto. “Não há indícios de que ofertas melhores tinham sido feitas por outras agências de marketing. A ISL fez pagamentos a vários indivíduos no ambiente das associações desportivas, que presumivelmente devem ser considerados comissões. Esses pagamentos de comissões não aconteceram em uma data específica, mas foram espalhados por vários anos, com dois ou três pagamentos por ano. Os pagamentos foram feitos antes e depois da conclusão dos contratos de marketing”.

Porém, a promotoria considerou que os pagamentos eram uma forma de burlar as próprias regras da FIFA, já que em tese o dinheiro que deveria ficar com a entidade para promover o futebol foi usado para enriquecimento pessoal.

Depois da investigação, em 14 de julho de 2009 o promotor iniciou um procedimento que tinha como objetivo determinar se os envolvidos estariam dispostos a pagar reparações para ter o caso arquivado, o que é previsto no artigo 53 do Código Penal suiço.

A promotoria entendeu que “os dois acusados violaram seus deveres com a FIFA, baseada em Zurique, ao não divulgar e repassar à FIFA os pagamentos recebidos da ISMM/ISL. João Havelange agiu como presidente da FIFA em Zurique. O mesmo se aplica a Ricardo Terra Teixeira, na medida em que ele estava envolvido no trabalho da associação como membro do comitê executivo e exercia tarefas em outros comitês. Em todos os casos, as omissões ocorreram na FIFA e o lugar onde as ofensas foram cometidas foi a Suiça, o que também é entendimento da FIFA. Assim, Ricardo Terra Teixeira, João Havelange e a FIFA, como companhia acusada, estão sujeitos ao Código Penal suiço”.

As acusações formais foram as seguintes:

“O acusado Ricardo Terra Teixeira usou ilegalmente bens confiados a ele para seu próprio enriquecimento pessoal várias vezes. Deve ser notado que ele foi instruído, com base em uma transação legal, para gerenciar os bens de outrem e, em violação a seus deveres, causou danos a estes bens. Ele agiu com a intenção de enriquecer ilegalmente”.

Teixeira recebeu o equivalente a R$ 26,5 milhões em comissões entre agosto de 1992 e novembro de 1997.

“Ele também recebeu uma quantia (estabelecida, mas não inteiramente atribuída a ele) entre 18 de março de 1998 e 4 de maio de 2000 através de E4. Os pagamentos foram feitos pela ISL X5 AG, que era uma subsidiária da companhia 1. Ela concluiu contratos de marketing e licenciamento com a FIFA para utilização dos direitos de transmissão de rádio e TV da Copa do Mundo a preços precisamente definidos; também concluiu, através de uma de suas subsidiárias, ISMM X3 AG, contratos de sub-licença com as companhias 2 e 3 referentes a direitos de rádio e televisão para a transmissão da Copa do Mundo de 2002 no Brasil. Tais comissões, que Ricardo Terra Teixeira recebeu devido a sua posição na FIFA, foram embolsadas por ele (para seu próprio uso), e ele não revelou e não entregou os pagamentos à FIFA. Os pagamentos foram feitos durante um número de anos e tinham como objetivo explorar a influência de Ricardo Teixeira na FIFA, de tal forma que relações contratuais foram estabelecidas entre a FIFA e a companhia 1, e subsequentemente [Teixeira] usou sua influência de presidente da Confederação Brasileira de Futebol para assegurar a conclusão de acordos de sub-licenciamento [no Brasil]. Ricardo Terra Teixeira foi enriquecido na extensão das comissões que recebeu e deixou, contrariando seu dever, de repassar à FIFA; a FIFA sofreu uma perda equivalente”.

O valor das propinas pago a João Havelange foi equivalente a R$ 3 milhões, em 3 de março de 1997, além de quantias indefinidas entre 18 de março de 1998 e 4 de maio de 2000.

A FIFA foi acusada de “organização deficiente”. “Em outras palavras, a FIFA absteve-se de defender seus direitos contra João Havelange e Ricardo Terra Teixeira, que eram, em vista de suas posições, obrigados a entregar os bens que receberam à FIFA. Como resultado, a FIFA sofreu os danos relativos à sua omissão, resultantes de violação do dever, enquanto Ricardo Terra Teixeira e João Havelange foram enriquecidos na mesma proporção”, diz o texto.

O representante legal da FIFA argumentou junto à promotoria que os que receberam os pagamentos não tinham “dever legal” de repassar os valores recebidos “imoralmente” para um terceiro partido, no caso, a própria FIFA. Com o que o promotor não concordou.

“O critério para definir se Ricardo Terra Teixeira e João Havelange tinham o dever de revelar o recebido e em último caso o dever de repassar o dinheiro não é se se tratou de um ato imoral, mas se como agentes [da FIFA] receberam os valores com base numa relação de agenciamento, ou seja, se houve uma conexão interna entre o recebimento e os mandatos [que exerciam]“.

O promotor também escreveu:

“Com a alimentação [de propinas] constante, que aconteceu durante vários anos, os serviços não apenas de João Havelange mas também de Ricardo Terra Teixeira foram comprados. Este era genro de João Havelange — uma circunstância da qual o Grupo ISMM/ISL esperava, sem dúvida, tirar os benefícios apropriados –, além de ser o presidente do membro mais poderoso da FIFA [a CBF], uma forma adequada de fazer uma goleada: primeiro, a conclusão de um contrato com a FIFA e subsequentemente com os compradores brasileiros dos direitos, na forma de contratos de sub-licenciamento”.

E acrescentou:

“Os pagamentos não foram feitos apenas antes da conclusão de contratos, de forma a colocar o recipiente [do dinheiro] sob uma obrigação — embora uma obrigação que não podia ser cobrada –, mas de forma subsequente, para ajudar em relação a futuros contratos”.

Thomas Hildbrand atacou o acordo fechado em 2004, pelo qual Ricardo Teixeira fez aquela ginástica financeira para devolver 2,5 milhões de francos suiços à massa falida da ISMM/ISL.

Segundo ele, “a FIFA não é livre para dispor de seus bens em casos nos quais isso é contrário aos fins da associação. As tentativas da FIFA de chegar a um acordo, para induzir Ricardo Terra Teixeira a pagar uma soma e assim abrir mão, pelo menos naquela extensão, de devolver à FIFA o dinheiro do suborno, só podem ser interpretadas como sendo do interesse de certos de seus membros [grifo nosso], já que foi uma tentativa de evitar danos à reputação da associação, uma vez que pagamento de suborno é sempre associado a condutas repreensíveis. No fim das contas, não é a alegada promoção do futebol e, portanto, a defesa de interesses relacionados a isso o principal objetivo [da FIFA], mas sim vantagens pessoais e pecuniárias de parte dos integrantes da FIFA”.

Um dos pontos mais “singelos” do documento diz respeito a uma das justificativas apresentadas pelo representante da FIFA para o pagamento de comissões:

“O representante legal da FIFA [diz o texto da promotoria] é da opinião de que a execução de pedidos de reembolso do dinheiro [de quem recebeu propina] não seria possível. Justifica isso com o argumento de que uma reivindicação da FIFA na América do Sul ou na África dificilmente seria aplicável, já que o pagamento de subornos é parte do salário usual da maioria da população”.

O hoje presidente da FIFA, Joseph Blatter, sabia dos pagamentos. “Primeiramente, porque vários membros do comitê executivo tinham recebido dinheiro e, além disso, entre outras coisas, foi confirmado pelo ex-diretor financeiro da FIFA, em depoimento, que um pagamento feito pela companhia 1 a João Havelange, de 1 milhão de francos suiços, foi erroneamente transferido para uma conta da FIFA; não apenas o diretor-financeiro tinha conhecimento disso, mas, entre outros, o P1 também teria sabido a respeito”.

Joseph Blatter confirmou ser o P1 mencionado no documento e disse que sabia dos pagamentos. Segundo ele, pela lei da Suiça a prática não era ilegal, então.

Segundo o promotor, a pena máxima a que João Havelange e Ricardo Teixeira poderiam ser condenados na Suiça era de 2 anos de prisão. Nenhum deles admitiu qualquer crime.

Mas, como o artigo 53 do Código Penal do país permite que as acusações sejam arquivadas desde que os envolvidos paguem reparações, a promotoria arbitrou as quantias que Havelange e Teixeira teriam de devolver aos cofres da FIFA.

No caso de Ricardo Teixeira, o equivalente a R$ 5 milhões de reais (além dos R$ 5 milhões que já havia devolvido à massa falida da ISMM/ISL).

Considerando a idade (94 anos) e o patrimônio declarado, o valor de João Havelange foi reduzido do equivalente a R$ 5.000.000,00 para R$ 1.000.000,00.

Fácil o dinheiro para essa gente, não?!

Promotor: Representante da FIFA disse que pagar propina era comum na África e América do Sul « Viomundo – O que você não vê na mídia

14/07/2012

Na Globo não se fala?

Filed under: Corrupção,FIFA,ISL,João Havelange,Rede Globo de Corrupção,Ricardo Teixeira — Gilmar Crestani @ 10:52 am

 

Tabelinha Havelange-Teixeira virou campeã no campo criminal

Havelange e Teixeira e as tabelinhas criminais

Havelange e Teixeira e as tabelinhas criminais

A Suíça lava mais branco. É este o título do livro do suíço Jean Ziegler, que se tornou best seller, em 1990.

Dentre outras coisas, Ziegler, no livro “La Svizzera lava più bianco”, revelou, documentalmente, como políticos franceses colocavam e ocultavam dinheiro de origem ilícita em contas-correntes bancárias na Suíça. E tudo era bem-vindo na Suíça. Outro livro imperdível de Ziegler: “La Svizzera, l’oro ed i morti” (1998- A Suíça, o ouro e os mortos).

Como todos os helvéticos sabem, a Suíça é um paraíso fiscal e as suas leis, apesar das pressões internacionais e algumas adequações realizadas, asseguram uma blindagem aos correntistas que lá mantêm ativos. O sigilo bancário é quase absoluto.

Quase absoluto uma vez que na Suíça não há moleza para narcotraficantes e terroristas. Eles se dão mal quando lavam dinheiro ou reciclam capitais sujos por lá. Também não se dão bem os que usam a Confederação Helvética como corredor de passagem de dinheiro com odor de “trambique”. Sobre isso, bem sabem o deputado Paulo Maluf e o juiz apelidado Lalau,  em razão das informações que a Suíça prestou ao Brasil.

Como evasão fiscal não é crime na Suíça ficou essa porta aberta para a remessa de dinheiro àquele país. O problema surge quando não se trata apenas de evasão, mas de dinheiro originário de corrupção, como já se informou acerca dos casos de Maluf e o apelidado Lalau.

A Justiça da Suíça acabou de divulgar as operações financeiras realizadas por João Havelange e Ricardo Teixeira, quando donos da bola da Fifa e CBF.

A dupla Havelange-Teixeira recebia “comissões” para favorecer, junto à Fifa e CBF, a empresa ISL-International Sports and Leisure, sediada na Suíça.

Como a ISL quebrou e causou danos à Confederação Helvética, instaurou-se um processo judicial por fraude falimentar.

Aí, descobriu-se que a ISL havia pago R$45 milhões a Havelange e Teixeira para facilitar os negócios relativos aos direitos de retransmissões esportivas, a incluir a Copa do Mundo de Futebol. Para as autoridades suíças o procedimento foi tipificado como “corrupção” de Havelange e Teixeira. Já para a Fifa houve, apenas, uma habitual prática e dirigentes sul-americanos e africanos. Ou seja, levar vantagem em razão do cargo e cobrar indevidas comissões para traficar influência.

A Justiça da Suíça, para solucionar litígios, adota o direito premial, ou melhor, o instituto da barganha.

Com o Ministério Público helvético na condição de parte processual e os brasileiros Havelange e Teixeira como réus, foi realizada, perante a Justiça helvética, a barganha.

Atenção: barganha semelhante a realizada, no Brasil, com Silvinho Pereira, dado como envolvido no chamado Mensalão.

Na Suíça, o acordo foi homologado pela Justiça e Havelange e Teixeira restituíram o equivalente a R$ 5 milhões. Mais ainda: a dupla pagou R$ 1,2 milhão para manter o processo em segredo de Justiça.

Ao determinar o arquivamento dos autos, a autoridade judiciária helvética entendeu, por se tratar de questão a envolver interesse público, em terminar com o sigilo e divulgar os documentos.

As autoridades brasileiras, com urgência, deveriam solicitar tais documentos processuais para verificar se houve crime no Brasil e, também, se existiu sonegação fiscal.

Empresas de fachada (pessoas jurídicas) montadas por Havelange e Teixeira, segundo divulgado, recebiam da ISL. Depois, as empresas de fachada enviavam os valores para a dupla Havelange Teixeira.

Pano rápido. As tabelinhas do Pelé jamais renderam financeiramente tanto como as executadas por Havelange-Teixeira. Uma dupla campeã em campo criminal.

Wálter Fanganiello Maierovitch

Tabelinha Havelange-Teixeira virou campeã no campo criminal | Sem Fronteiras

12/07/2012

Capo dei Capi

Filed under: Corrupção,FIFA,Grupos Mafiomidiáticos,ISL,João Havelange,Ricardo Teixeira — Gilmar Crestani @ 9:39 am

Este é o tipo de gente que a Globo recebe, aplaude e se alia para fazer negócios. É tal de concorrência. Se a VEJA tinha Carlinhos Cachoeira, a Globo tinha João Havelange e Ricardo Teixeira. A Record tem o Edir Macedo.

Los sobornos de Havelange

La FIFA revela que su presidente durante 24 años y su yerno, Ricardo Teixeira, recibieron comisiones millonarias por derechos audiovisuales

F. SÁEZ / N. CENIZO 11 JUL 2012 – 21:34 CET45

Joao Havelange, en una foto tomada durante la presentación de la candidatura de Río de Janeiro para los Juegos Olímpicos de 2016 / OLIVIER MORIN (AFP)

Era un escándalo huérfano de nombres. La quiebra en 2001 de ISL, la agencia de márketing y de derechos televisivos ligada durante años a la FIFA, generó unas pérdidas cercanas a los 100 millones de euros al organismo presidido entonces por Joseph Blatter y permitió descubrir que decenas de dirigentes de la propia FIFA habían recibido en total unos 90 millones en sobornos por parte de ISL.

Las pérdidas fueron enjugadas en años sucesivos, pero la lista de los dirigentes sobornados, en poder de Blatter, no se hizo pública hasta este miércoles. En ella figuraba nada menos que João Havelange y Ricardo Teixeira. La FIFA publicó el auto de sobreseimiento de la instrucción penal abierta por la Fiscalía suiza de Zug por “gestión desleal” en perjuicio de la FIFA, a raíz de una denuncia del organismo rector del fútbol mundial contra ISL que demostraba que tanto el presidente de la institución entre 1974 y 1998 como su yerno y expresidente de la Confederación Brasileña de fútbol fueron unos los principales beneficiarios de los cohechos en forma de comisiones.

El auto, con fecha del 11 de mayo de 2010, revela que Teixeira percibió de ISL al menos 12,74 millones de francos suizos (10,6 millones de euros) entre 1992 y 1997 y Havelange 1,5 millones de francos suizos (1,2 de euros) en 1997. Una cantidad que amplía la investigación puesto que los distintos pagos acreditados en el proceso judicial y descubiertos en cuentas personales de Havelange y Teixeira o de empresas vinculadas a ellos ascendieron a 21,9 millones de francos suizos (18,2 de euros) entre 1992 y 2000.

La empresa ISL llegó a mover con la FIFA un total de 2.400 millones de dólares en concepto de márketing y retransmisiones

Ninguno de los dos, señala el auto, reveló ni transmitió a la FIFA las comisiones que percibieron ligadas a su actividad dentro de este organismo, por lo que se confirma que existió “apropiación indebida, infracción del deber y gestión desleal”. Havelange y Teixeira centraron sus esfuerzos en que sus nombres no salieran a la luz, llegando incluso a apelar ante el tribunal federal suizo para evitar la publicación del documento. Ahora, ambos quedan exculpados atendiendo al abono de 5,9 millones de dólares que hicieron ante la Fiscalía por reparación de daños.

Bajo el mandato de João Havelange, que se afianzó en la poltrona durante casi un cuarto de siglo, la FIFA se convirtió en una gran multinacional con los derechos televisivos como uno de los grandes manás. La Unión Europea de Radiodifusión (UER) se hizo en 1987 con los derechos de los Mundiales de 1990, 94 y 98 por 344 millones de dólares bajo la gestión de ISL. Fundada en 1982, la empresa de mercadotecnia deportiva llegó a tener una cifra de negocios con la FIFA de 2.400 millones de dólares.

Havelange, de 96 años, comunicó su dimisión al presidente del Comité Olímpico Internacional, Jacques Rogge, como miembro de esta organización el 5 de diciembre de 2011. Su yerno, Teixeira, dejó la presidencia de la Confederación Brasileña de Fútbol —tras 23 años en el cargo— y la jefatura del Comité Organizador del Mundial de 2014 el 12 de marzo pasado. Tres días después, renunció como miembro del Comité Ejecutivo de la FIFA.

En un comunicado, la FIFA mostró su satisfacción por el dictamen del Tribunal Supremo suizo y se esmeró en subrayar que su presidente, Joseph Blatter, “no está involucrado en este caso”. Blatter llegó al organismo en 1975 de la mano de Havelange y se convirtió en uno de los gurús en derechos audiovisuales y comercialización, sobre todo tras ser nombrado secretario general a partir de 1981. En 1998 tomó el relevo de su padrino.

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