Ficha Corrida

16/04/2016

Deu no NYT, a gang da Rede Globo assalta em Brasília

Não existiria Eduardo CUnha sem a longa noite de silêncio e compadrio da Rede Globo.

Pelo menos desde a parceria com PC Farias que Eduardo CUnha é, como diria o velho Coronel Ponciano, teúdo e manteúdo pelas parcerias (via funcionária, Cláudia Cruz, uma prática que seguiu,com outra funcionária, Miriam Dutra, com FHC) da Rede Globo.

A obsessão em tentar incriminar Lula, Dilma e o PT é tergiversação para livrar o lombo de um parceiro fiel de longa data. A busca contínua em deslegitimar todas políticas sociais dos governos Lula e Dilma é prova suficiente do quanto nossa situação social decorre da exploração mafiomidiática.

Por um lado hipervalorizam todas as denúncias contra governos de esquerda, em oposição ao silêncio conspícuo em relação a personagens como Eduardo Cunha, Aécio Neves, José Maria Marin, José “Tarja Preta” Serra, também elevado a categoria de star com Oscar de efeitos especiais no famoso episódio da bolinha de papel. A parceria desta mesma Rede Globo com a Brasif para esconder e manter em silêncio Miriam Dutra na Espanha, deixa a quem quiser ver todo o viés bandido do maior grupo de mídia deste país. E nem poderia ser diferente, considerando suas origens, parcerias e relações de compadrio.

As descobertas de fraude fiscal em tudo o que é paraíso de lavagem de dinheiro, graças aos órgãos investigativos estrangeiros, desnudam não só os métodos mafiosos, mas o silêncio endossante da PF/MPF a cada uma e a todas as falcatruas. Este compadrio é a parte mais substância do golpe paraguaio que todo o mundo assiste boquiaberto enquanto nossas instituições brincam de Pôncio Pilatos.

Não há parâmetro no mundo, nem mesmo nos países mais totalitários, que sirvam de comparação ao comportamento das cinco famiglias que dominam a mídia empresarial neste país.

A Venezuela conseguir curar seu câncer. Ou o Brasil acaba com o banditismo da velha mídia ou eles ainda vão transformar o Brasil num imenso Beco de Varsóvia. O muro da vergonha já foi erguido na frente do Congresso. Ele é a cara de nosso apartheid social. De um lado uma classe média branca, vestindo camisas com o escudo da CBF, de outro os movimentos sociais, desde sempre considerados uma casta inferior pelos que querem reinstalar a cleptocracia.

Capa do New York Times: “Gang de ladrões vai julgar Dilma”

Por jloeffler – No dia 15/04/2016

Published abril 15, 2016 Uncategorized Leave a Comment

NY TIMES GANG VAI JULGAR DILMA

NY TIMES

New York Times
Um corrupto de marca maior, já comprovado, continua a frente do Congresso Nacional. O futuro do Brasil esta em jogo, mas deputados dos mais variados partidos fazem um leilão de seu voto, alguns fazem enquete na internet pra saber como será seu voto, outros trocam de posição por minuto e a grande mídia marca a votação do futuro do Brasil, como se fosse uma grande decisão de campeonato. A Rede Globo e políticos como estes transformam o Brasil aos olhos do mundo numa “república de bananas”.

O Deputado Estadual Adão Villaverde reproduziu a capa e a matéria do NYT de hoje no seu Perfil do Facebook. Só espero que os Deputados Federais tenham a sensatez de não concluírem este Golpe contra o Brasil. O GOLPE não é contra o PT, a Dilma ou Lula. Este Golpe é contra o Brasil!!!

Fonte: https://luizmullerpt.wordpress.com/2016/04/15/capa-do-new-york-times-gang-de-ladroes-vai-julgar-dilma/

Praia de Xangri-Lá – Saiba tudo o que REALMENTE acontece em Xangri-Lá

24/03/2016

Rede Globo dedicou um minuto de silêncio pela ausência de Lula e Dilma no Listão da Odebrecht

GolpeachmentVem aí novo editorial da Globo, golpistas salvos. Exilados em Portugal, o trio de golpistas, que encabeçam o Listão da Odebrecht, viraram o fio da história. A partir de agora não haverá mais piada de português, só de brasileiros. Os vira-latas do golpe estão sendo ridicularizados pelos portugueses. Nem quero imaginar quando os portugueses descobrirem que eles são apenas paus mandados da Rede Globo.

Jornal Nacional, sempre tão eloquente, dedicou um minuto de silêncio devido a ausência dos nomes de Dilma e Lula no Listão da Odebrecht. O único que parecia feliz, afinal estava vendo o golpe virar PÓ. Pois é, agora sabemos o lema da Dona Rede Goebbels, quem não tem leão caça com ratos… E os ratos foram pegos na Odebrecht. Todos os arautos da moralidade estão lá, por isso o silêncio da Rede Globo.

Não percamos o foco. O golpe só existe porque a Rede Globo manipula. Não existiriam Aécio Neves, Eduardo CUnha, Michel Temer, Gilmar Mendes sem os apoios subterrâneos da Rede Globo. E o apoio da Rede Globo cheira à CIA. Ou seria apenas coincidência as gravações da NSA, reveladas pelo Edward Snowden, eram encima da Dilma e da Petrobrás? Para saber, basta seguir o roteiro. Começou na Venezuela, veio o Egito, depois Líbia, na sequência Ucrânia, passou pela Síria e agora volta para a América do Sul, Brasif, digo, Brasil. Todos países produtores de petróleo, todos países com os quais os EUA contam com Quinta Colunas.

E aí vem outra coincidência, a Rede Bolsonaro do Sul. A RBS viu ontem seus principais aliados políticos, a famiglia Germano, ser desmascarado. Mesmo contando com dois senadores, graças à manada amestrada de gaúchos, Lasier Martins e Ana Amélia Lemos, a vida não está nada boa para a golpista dos pampas. Afinal, outro varão de Plutarco, Gerdau, também foi pego na Operação Zelotes. Por isso o hino gaúcho, “sirvam nossas patranhas de modelo a toda terra”. Por isso Augusto Nardes é a mão da RBS que balança o tCU! E nem vamos falar na Operação Pavlova ou na Operação Ouro Verde (Portocred).

A obsessão na caça ao grande molusco jogou para os idos de março a Lista Odebrecht. Nela constam todos os golpistas com espaço diuturno na Rede Globo para, juntos, demonizarem Lula e derrubarem Dilma. Tirando os midiotas  da Rede Globo e os amestrados pela Rede Bolsonaro Sulista, ninguém mais se deixou conduzir pelas éguas madrinhas golpistas.

Mas não nos enganemos, assim como esconderam a Lista Falciani com os sonegadores do HSBC, também vão esconder, silenciar, que coincidência!, a Lista Odebrecht.

O golpe é tirar uma mulher honesta, Dilma, para salvar 300 picaretas a serviço da Rede Roubo.

Luís Inácio falou, Luís Inácio avisou
São trezentos picaretas com anel de doutor

19/09/2015

Nem Goebbels ousaria tamanha filhadaputice

Não há dúvida, o crescimento das manifestações nazi-fascistas tem pai, mãe e avós e todos moram no mesmo endereço. Uma vez anunciada a derrota, sem necessidade de bafômetro ou exame de antidoping, a síndrome de abstinência eleitoral abriu a porteira dos mais baixos instintos que julgávamos extintos. Desde sempre a Rede Globo é a nave mais dos golpistas, desde antes de 1964. O Instituto Millenium apenas coordena o que Judith Brito já havia verbalizado, os velhos grupos mafiomidiáticos são os verdadeiros golpistas. O ninho da serpente está nas redações.

A mentira é o fio condutor, e a Lei Rubens Ricúpero constitui-se de fundamento jurídico. Não contentes com isso, passam a dar ares de verdade para qualquer coisa que venha a se encaixar nas pretensões golpistas.

Nestas horas como não lembrar do bandido mitológico, Procusto, o bandido grego que tinha uma cama como medida de justiça. Estendia suas vítimas sobre a cama: os maiores, cortava para ficarem do tamanho da cama. Os menores, espinhava. Tem mais gente honesta no PCC que nas reações das cinco irmãs. Diante dos editorialistas dos assoCIAdos do Instituto Millenium, Fernandinho Beira-Mar era um santo.

O “puxa-saquismo” de O Globo ao MP da Lava-Jato

Por Fernando Brito · 18/09/2015

bajula

Tem gente sem um pingo de, dizia a minha mãe, simancol.

O Globo dá uma chamada na primeira página do seu site que é um primor de bajulação aos procuradores da Operação Lava-Jato:

Fim das doações de empresas é conquista da Lava-Jato

É?

A ação foi apresentada em setembro de 2011, três anos antes da deflagração da Lava Jato, com a prisão de Alberto Yousseff e, dias depois, de Paulo Roberto Costa, em março de 2014.

Prisões que ocorreram quatro meses depois de ter começado o julgamento,  em  11 de dezembro de 2013, quando o relator Luís Fux e o ex-presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, deram seus votos acolhendo a posição da Ordem dos Advogados.

No dia seguinte, 12 de dezembro, Luís Roberto Barroso e Dias Tóffoli votaram no mesmo sentido e o julgamento foi paralisado por um pedido de vistas de Teori Zavascki.

Quatro a zero.

Em 2 de abril de 2014, quando a Lava Jato ainda era um zumbido, Zavascki libera seu voto contrário e votam com a OAB os ministros Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio Mello, fazendo seis a um e formando maioria na corte.

No mesmo dia, Gilmar Mendes pede vistas e, aí sim, senta-se durante um ano e cinco meses sobre o processo, impedindo sua eficácia nas eleições de 2014.

Então onde é que a decisão do Supremo foi “conquista da Lava-Jato”? Aliás, nem isso é  sequer  dito na matéria, mas serve de pretexto para algum editor “malandro” enganar leitores incautos.

E para colocar os ministros do Supremo de cordeirinhos da turma do Paraná, como se muito constrangidamente, pela repercussão do caso, tenham abolido a grana de empresas da campanha.

É justamente o contrário e que pegou carona na Lava-Jato foi Gilmar Mendes, num voto-panfleto, para tentar manter as doações empresariais na legalidade.

Não é só mau jornalismo, não. É mau caráter na edição de um jornal.

O “puxa-saquismo” de O Globo ao MP da Lava-JatoTIJOLAÇO | “A política, sem polêmica, é a arma das elites.”

18/09/2015

Hélio Bicudo e a escola Goebbels de jornalismo

Segundo Goebbels, uma mentira repetida mil vezes toma ares de verdade. É o que faz, desde sempre, a velha mídia golpista. Os assoCIAdos do Instituto Millenium herdaram do velho mestre alemão o mau costume de enfiar goela abaixo dos midiotas seu ódio contra governos de esquerda. Não por acaso, são todas filhas da ditadura, cresceram sobre o estrume da ditabranda

Mídia e oposição mentem sobre a história de Hélio Bicudo: “Não participei da fundação do PT”

publicado em 17 de setembro de 2015 às 13:54

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Bicudo e Miguel Reali

por Conceição Lemes

Nos últimos tempos, jurista Hélio Bicudo se transformou no novo queridinho da mídia.

O motivo é óbvio: o seu pedido de  impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT).

Nesta quinta, o jurista Miguel Reali Jr, representando o PSDB, e uma filha de Hélio Bicudo (dois manifestaram contra a atitude do pai) entregaram o pedido de impeachment que redigiram juntos ao presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB)

Curiosamente, a mídia e oposição têm chamado o novo golpista de fundador do PT. Não é verdade.

É o próprio Hélio Bicudo que, em entrevista à revista Teoria e Debate, edição de

Bicudo teoria e Debate30 de novembro de 2001, coloca fim ao equívoco disseminadíssimo atualmente (o negrito é nosso). Confira na imagem ao lado.

A resposta à pergunta E o seu contato com Lula, quando se deu? reforça ainda mais a informação de que ele não foi fundador.

Para quem quiser entender melhor o ódio de Bicudo a Lula, clique aqui.

Para quem tiver interesse em ler a entrevista de 2001, ela está abaixo, na íntegra:

Helio Bicudo

Testemunha de momentos decisivos da política nacional, o vice-prefeito de São Paulo e membro da Comissão Interamericana de Direitos Humanos concedeu à Teoria e Debate depoimento sobre sua trajetória, a qual se confunde com a história da luta em defesa dos direitos humanos no Brasil

Teoria e Debate, Edição 49, 30 de novembro de 2001, Paulo Vannuchi, e Rose Spina

De onde é sua família e que influência ela exerceu sobre sua carreira?

Os Bicudos vieram do Porto, Portugal, em 1534. Aliás, a família está contemplada na genealogia paulistana de Pedro Taques. A última pessoa que ele considerou da família Bicudo foi meu pai, Galdino Hibernon Pereira Bicudo. Ele era funcionário público dos Correios e Telégrafos e minha mãe, Ana Rosa Pereira Bicudo, dona de casa. Somos sete filhos, duas meninas e cinco homens. As meninas se formaram normalistas e os homens, um em Medicina, outro seguiu o Magistério Público, e tive outro irmão que parou no ginásio e foi trabalhar no comércio.

E como foi sua escolha pelo Direito?

Um dia papai chegou em casa – morávamos no Brás – e trouxe dois anéis, o de pedra verde deu à minha irmã e o meu era de pedra vermelha, e disse: “você vai ser advogado”. Não tive dificuldade de aceitar. Além de não existirem muitas alternativas, gostava das disciplinas humanas.

Fiz a Faculdade de Direito e antes de me formar, em outubro de 1946, casei-me com Déa Wilken, com quem tive sete filhos, Maria do Carmo, José, Maria Clara, Maria Lúcia, José Eduardo, José Cristiano e José Roberto. Formei-me ao final do ano e resolvi fazer concurso para o Ministério Público.

Na faculdade o senhor tinha alguma militância?

Militância propriamente não. Eu era do chamado Partido Libertador. Na faculdade tinha esse e o Partido Conservador. Já era claramente uma opção. Trabalhava nas campanhas, mas nunca me candidatei a nada. A Faculdade de Direito foi um foco de resistência ao Estado Novo. Houve muitas manifestações no Largo São Francisco. Morreram estudantes, outros foram feridos nos embates com a Polícia Especial do Estado Novo. Lembro-me que houve até a morte de um estudante secundarista.

Como o senhor se colocava em relação a comunismo e integralismo?

Fui muito “cantado”, digamos assim, para entrar no Partido Comunista. Um dos meus colegas, que já era advogado, tentou influir, trouxe livros… Eu disse: “Não é o que eu quero. Estou muito mais ligado à Igreja.”

E a Igreja como era em termos de doutrina?

A Igreja buscava maior contato com a população excluída. Mas progressista ainda não era. Sua abertura vem com D. Helder Câmara, D. Paulo Evaristo Arns.

Sua carreira se inicia no interior onde o promotor era um pouco o defensor dos pobres…

A carreira no Ministério Público sempre abriu esse espaço. Na verdade, se atendia à pobreza das comarcas, o indivíduo que era despedido da fazenda.

Em Igarapava, uma comarca pequena, havia problemas com a polícia, espancamento de presos, falsificação de processos. Naquele tempo havia a Polícia Civil e a Força Pública. Estive depois em Franca e Jaboticabal, onde trabalhei com Dácio Arruda Campos, o juiz da Comarca, que era jornalista e escreveu A Justiça a serviço do crime, mostrando as mazelas da Justiça que, ao invés de buscar a regeneração, empurra os presos para novas atividades delituosas. Depois fui comissionado para Araçatuba, onde tive um caso interessante. Havia um movimento do pessoal que trabalhava na roça por reivindicação de direitos. Em conseqüência disso, apareceu gente distribuindo panfletos e um médico da cidade se manifestou a favor. A polícia foi à sua casa e apreendeu livros de Dostoievski e Tolstoi, alegando que eram comunistas. Eu dei um parecer favorável ao médico e aos trabalhadores, o que até certo ponto prejudicou minha carreira, e o médico publicou-o no jornal.

Quando vagou a promotoria de Araçatuba a praxe era que fosse nomeado quem estivesse comissionado. Indicado, fui à Secretaria de Justiça, ver como estava a nomeação. Com o secretário de Justiça José Loureiro, um remanescente do integralismo, nem cheguei a falar porque seu chefe de gabinete me mostrou o jornal de Araçatuba com o meu parecer e ao lado em vermelho escrito: “esse promotor é criptocomunista”.

Então fui para Sorocaba, comissionado, onde fiquei dois anos. Lá, tive dois processos interessantes. Um deles, era de aborto criminoso, que levara a paciente à morte. E o processo era uma tremenda esculhambação. A parteira estava sendo absolvida e, no júri, consegui mudar o quadro e ela foi condenada por 7 a 0. E depois tive o caso de um médico, diretor da Santa Casa, que deixou uma pinça hemostática após a cesariana, na barriga de uma paciente, que veio a morrer. Processei o médico por negligência e imperícia. Foi uma celeuma na cidade, os médicos diziam: “não se pode mais clinicar!”

Quando o senhor voltou para São Paulo?

Em 1952. Depois que o Loureiro saiu fui promovido para uma vara de promotor substituto. Fiquei na Vara de Família, de Falências, e depois fui promovido para a Primeira Vara Criminal, onde fiquei durante o tempo em que fui promotor. Em 58 fui promovido para a Procuradoria, nomeado pelo Jânio. E aí me jogaram os processos contra o Adhemar de Barros.

Quais eram os processos?

Havia dois casos, um era o chamado caso dos chevrolets da Força Pública, com o qual praticamente não trabalhei, e o outro era o dos caminhões da Força Pública, em que atuei. Uma compra em que ele tinha tido vantagens. No caso dos chevrolets, ele foi considerado administrador ímprobo, mas não o condenaram por falta de provas. No segundo caso, ele tinha comprado um lote de caminhões para a Força Pública, tinha recebido naquele tempo 300 e qualquer coisa em cheque do serviço da Força Pública e depositado na conta dele.

Na ocasião do processo, ele já não estava mais no cargo. O governador era o Lucas Garcez, que já estava afastado do Adhemar. Interroguei o Adhemar no inquérito policial, na casa dele. Perguntei como o cheque tinha aparecido na sua conta. E ele disse: “Ah, isso aí era dinheiro da Força Pública, estava na minha conta, mas a qualquer hora que fosse necessário saía…”

Ele foi condenado e recorreu ao Supremo, que o absolveu. Um negócio totalmente maluco. Mas ficou foragido, foi para Cochabamba, na Bolívia, para depois voltar. O Adhemar pegou muito dinheiro. E o Lucas Garcez, seu sucessor, era um homem seriíssimo e rompeu com ele. E depois o Jânio se elegeu. Naquele tempo praticamente não havia partido político. O PDC começava a existir e o Jânio usou esta sigla para se eleger governador em 57. Também eram desse partido o Plínio de Arruda Sampaio e o pai dele.

E o Jânio nomeou o Carvalho Pinto secretário?

Eu conheci o Carvalho Pinto superficialmente como secretário da Fazenda. Como promotor público eu não podia fazer campanha e nunca votei no Jânio. Depois, no governo Carvalho Pinto, houve uma sucessão municipal e se tentou colocar o Plínio Sampaio como candidato. Mas o Plínio era muito jovem e o Prestes Maia tinha prestígio. Não havia como Carvalho Pinto não apoiar Prestes Maia, que ao menos era um homem sério.

Como foi sua aproximação com Carvalho Pinto?

Os primeiros contatos se deram quando ele era secretário de Fazenda e eu estava no Ministério Público. Ele era um homem sério, que estabilizou as finanças do estado. Fomos procurá-lo, porque havia deficiências orçamentárias para o Ministério Público. Quando fui procurador da Justiça, éramos dezoito procuradores instalados em um andar do atual Palácio da Justiça, na praça Clóvis, ocupando três salas. E o Tribunal cobrava a nossa saída. Fomos falar com Carvalho Pinto e ele deu solução só quando governador, com a construção do prédio da João Mendes.

Votei nele. Quando ele venceu as eleições, a idéia era que o secretário de Justiça fosse alguém que fizesse a arrumação política para o governador. Pensava-se no Queiroz Filho, que acabou como secretário da Educação. Eu freqüentava muito a casa dele, que recomendou meu nome ao staff do Carvalho Pinto. Fui conversar com o governador no Palácio dos Campos Elíseos e ele me disse: “estou precisando de um assessor jurídico, mas que não seja apenas jurídico”. Na primeira conversa com ele eu disse que não queria. “Eu não votei em Jânio Quadros e não vou votar nele”. Ele disse: “nessa parte política o senhor não vai ser solicitado” – como se pudesse ser assim, trabalhando no gabinete do governador! Ele me deu uma parcela de poder, porque não despachava processos com os secretários. Dizia: “Despacho do governador com o secretário é conversa, quero saber o que ele está fazendo.”

Então, quem preparava os despachos era eu e um engenheiro de absoluta confiança dele, o Aquino. Ele constituiu um grupo de planejamento inteiramente de esquerda. O chefe do Planejamento era o Diogo Gaspar.

Foi o primeiro governo planejado de São Paulo, havia investimentos em educação, saúde, infra-estrutura. Foi com o Carvalho Pinto que se deu início à maior hidrelétrica no estado.

Como foi o episódio da renúncia do Jânio?

Eu estava no meu gabinete quando recebi a notícia. Fui comunicar ao Carvalho Pinto, mas ele já sabia e estava telefonando para o Pedroso Horta, ministro da Justiça. Dizia: “Não é a primeira vez. Vamos segurar esse rojão”. Ele já tinha renunciado ao governo do estado várias vezes, à candidatura presidencial também, só que nunca vingava… O Horta disse: “Recebi uma determinação do presidente e vou cumpri-la; vou levar para o Congresso. Ele está indo para São Paulo.”

Jânio veio para Congonhas, esperava que houvesse um grande levante, mas como não tinha ninguém, rumou para Cumbica. O Carvalho Pinto me disse: “Vamos para Cumbica, quem sabe seguramos esse negócio…” No meio do caminho, rádio ligado, o Auro Soares de Moura Andrade, “macaco velho”, presidente da Câmara, leu a renúncia. Fomos para a casa do coronel Faria Lima – irmão do brigadeiro, que tinha sido secretário de Viação e Obras Públicas do Carvalho Pinto. O Jânio estava lá. Entramos na sala, chegou o Jânio, e eles conversaram. Não dava para ouvir o que falavam. A versão de que ele foi agredido pelo Jânio é mentirosa. Saímos e o Carvalho Pinto disse: “Não tem jeito, ele disse que o Brasil é ingovernável do jeito que está e que vai voltar para a atividade civil”.

O Jango estava na China. O Queiroz Filho, o Carvalho Pinto e eu fomos ao antigo Ministério da Guerra no Rio, onde estava o ministro Deni.

Nesse ínterim o brigadeiro Faria Lima telefonou para o Deni dizendo: “O Jânio já embarcou e a única maneira de conseguirmos botar a casa em ordem é mandar uma fragata da Marinha trazê-lo para a Presidência da República.” Era a tentativa de golpe. E Deni não deu nem resposta.

O que vocês foram fazer no Rio?

Mostrar que não era possível fazer o que eles queriam, dar o golpe militar. Que devíamos receber o Jango.

Carvalho Pinto defendia a posse do Jango?

Defendia. Pediu que eu redigisse um comunicado do governo de São Paulo a respeito. “Ordem constitucional, a forma e o espírito da constituição…”, isso está no comunicado. Aí começou, “tira isso”, “tira aquilo”; “E esta questão, a forma e o espírito da Constituição, não é bom tirar?”, palpitou alguém. Eu disse: “professor, se tirar isso, pode pegar esse papel, amassar e jogar no lixo”. O Hélio Damante cuidava da imprensa e distribuiu o comunicado. Como bom jornalista, grifou a expressão “defesa da Constituição no seu espírito e na sua letra”. E assim saiu a manchete: “Carvalho Pinto defende a Constituição no espírito e na letra.”

E ele aceitou a solução parlamentarista?

Ele foi um dos que aconselhou, porque era o jeito de acertar.

O senhor era parlamentarista? Quando Carvalho Pinto e o senhor vão para o governo federal o presidencialismo já tinha voltado?

Não era, não sou parlamentarista. Mas era a solução para aquela crise. Já havia tido o plebiscito, era presidencialismo. Então veio o convite para ele botar em ordem as finanças. Tinha administrado São Paulo com grande êxito. Estava com muito prestígio, era citado a toda hora para ser presidente.

Em que ano foi isso?

Em maio de 63. Nós fomos para o Rio, para o Palácio do Governo, nas Laranjeiras. E o Carvalho Pinto começou a botar a casa em ordem. Ele sabia quanto o Brasil devia ao exterior. Era uma porcaria, três milhões de dólares… Ele arrumou a casa e começou aquela efervescência: reformas de base, Ligas Camponesas, greve dos bancários. Carvalho Pinto foi para Washington negociar com o FMI e me deixou o “abacaxi” na mão por quinze dias… Quando ele estava lá, numa madrugada, um capitão do Exército que trabalhava no gabinete me disse que Jango havia tido uma reunião com o Ministério, na qual se falava em decretar estado de sítio.

Quem estava nessa reunião?

O Darci Ribeiro, que era o chefe da Casa Civil, o ministro da Guerra, Jair Dantas Ribeiro, os ministros da Marinha Paulo Mário Rodrigues, da Aeronáutica, Anisio Botelho, das Minas e Energia, Gabriel de Resende Passos, e da Justiça Abelardo Jurema. Eu perguntei: “E se o Congresso negar?”. E o ministro das Minas e Energia respondeu: “Fechamos o Congresso”. No meio da conversa, o Jango perguntou para o ministro da Guerra: “E o Castelo?” – que era o chefe do Estado Maior do Exército. Ele disse “o Castelo não comanda nem o ordenança.” E o Castelo articulando o golpe…

Era o Brizola quem estava pedindo para que se decretasse o estado de sítio?

Era. Pedi para o Carvalho Pinto voltar. No dia seguinte ele estava no Rio. O Jango tirou o corpo: “Os ministros é que querem…” Carvalho Pinto solicitou permissão para conversar com os ministros. Assisti à conversa, pareciam meninos do grupo escolar com o diretor. O pedido foi negado no Congresso e a coisa começou a degringolar. E o Brizola a querer ter maior presença no governo.

O Brizola “batia” no Carvalho Pinto?

Sim. Ele quis tirá-lo do governo.

Alegando que era de direita?

Uma besteira. Ele não era de esquerda, mas trabalhava com a esquerda muito bem. Primeiramente, o Jango queria dividir o Ministério da Fazenda. O Carvalho Pinto não aceitou. Depois, começaram movimentos para tirá-lo. Então, quando houve a inauguração de um dos fornos da Cosipa, o Carvalho Pinto ia se encontrar com Jango e disse: “se o Jango não der um desmentido a essa história, publicamente, eu saio. Faça uma carta, na volta a gente vê como fica”. Redigi a carta. Quando ele voltou, fez as observações que considerava pertinentes e disse: “Leve-a para o presidente nas Laranjeiras. Enquanto você estiver entregando a carta eu estarei consumando o fato para a imprensa.”

Cheguei lá: “Darci, vim trazer a carta de demissão do ministro da Fazenda.” Na saída, o Darci me acompanhou para tentar demover o Carvalho Pinto, mas quando chegamos, ele estava terminando de falar com a imprensa.

E aí o que o senhor fez?

Voltei para São Paulo, reassumi o Ministério Público. Vi de longe as marchas da Família, com certa antipatia, pois eram claramente de direita. E depois veio o golpe. Se Jango quisesse sustá-lo, teria conseguido. Ele tinha o I Exército inteiramente do seu lado, o único que tinha poder de fogo. Mas não tinha vontade para isso. O chefe da Casa Militar, general Assis Brasil, que era adido no tempo em que eu estava no Ministério da Fazenda, era um alcoólatra e no dia do golpe estavam, ele e a mulher, completamente embriagados. A primeira vez que ouvi falar dele foi porque queria saber como entrar com um carro no país sem pagar os impostos alfandegários.

E depois do golpe?

Continuei no Ministério Público. E têm início os crimes do Esquadrão da Morte. Tiravam os presos do Presídio Tiradentes e matavam, como se tivesse sido uma briga. Eles punham um cartaz com a caveira e os fêmures, “Esquadrão da Morte”, EM. E todo mundo de braços cruzados. Todos os processos eram arquivados na Justiça. Então, fui designado para fazer as apurações. Eles estavam certos de que eu não ia aceitar, mas aceitei. Consegui que me dessem dois promotores para me ajudar. Começamos com os casos menores…

E aparece Sérgio Paranhos Fleury…

Lógico. Houve uma manifestação no gabinete do Hely Lopes Meireles, secretário de Segurança, elogiando a equipe do Fleury. Depois de ele ter cometido ene crimes na área civil, ele e sua equipe passaram para a área da repressão política. Fleury foi indiciado em muitos processos, chegou a ser preso, e saiu por meio da Lei Fleury. Até então, quando estava respondendo a um processo por homicídio, o sujeito ia obrigatoriamente para a prisão antes de ser julgado. Fleury estava denunciado, foi preso no DOPS, só que fizeram uma lei permitindo que os primários respondessem em liberdade, mesmo nos casos de homicídio. É uma lei boa, tem esse nome porque foi feita para livrar Fleury, para ele continuar trabalhando na repressão.

Percival de Souza escreveu um livro sobre o Fleury, tentando mostrar o seu lado humano. O senhor teve contato com ele?

Eu não acho que tem lado humano algum. Veja o exemplo da Nilde Mascelanni, ele torturou-a pessoalmente. Também a Sônia Corrêa Lins, o caso do Joaquim Câmara Ferreira, dos dominicanos… O pessoal da casa da Lapa, do PCdoB, foi liquidado. Ele era claramente protegido pela ditadura. Eles tentaram levar esses processos para a Justiça Militar. Um procurador de São Paulo fez uma Exceção de Incompetência da Justiça Comum para a Justiça Militar e foi para Brasília. O procurador-geral da República era Xavier de Albuquerque, que depois foi ministro do Supremo. Eu telefonei para ele e pedi uma audiência. Tomei um chá de cadeira de duas horas. Ele disse que lamentava, mas daria parecer contrário ao meu ponto de vista. Quando saía, um procurador me disse: “eu é que estava nesse caso. Ia dar parecer favorável a seu pedido. Anteontem estiveram aqui alguns militares conversando com o procurador, que requisitou o processo. Por que o senhor não vai ao Supremo?” Eu fui e pleiteei que não aceitasse, uma vez que estava sem o parecer da Procuradoria de Justiça de São Paulo. E o processo continuou na Justiça comum.

O senhor sofreu ameaças?

Sempre. Eu trabalhava no Estadão, e um jornalista do exterior foi me entrevistar. Depois da entrevista, um colega de redação me chamou e me avisou que dois policiais federais esperavam por mim lá embaixo. Eram duas as saídas, usei a outra.

Houve um episódio no Rio de Janeiro. Minha mulher e eu estávamos num táxi quando o motorista disse: “Tem um carro nos seguindo. Já passei dois faróis vermelhos e ele passou atrás”. Orientei o taxista a despistar o carro, mas não adiantou. Como estávamos perto da casa da minha irmã, indiquei o caminho e pedi que ele entrasse direto na garagem. Telefonei para um primo delegado de polícia e pedi que tirassem o pessoal lá de baixo, inclusive para o motorista – que estava apavorado – ir embora. E ele disse que o pessoal estava dando proteção a mim. Também houve uma perseguição na Via Anhangüera. Um domingo inteiro! Eu fui ao meu sítio e eles ficaram num trevo.

O senhor chegou a ir ao Presídio Tiradentes?

Várias vezes. Lá consegui muito material probatório da retirada de presos para serem eliminados na rua. Aí começaram as pressões para que eu saísse das investigações, entrasse de férias. O procurador-geral, Oscar Xavier de Freitas, parece que foi nomeado já com o compromisso de me tirar. E ele acabou me tirando.

Nesse período em que o senhor ia ao Tiradentes, já havia presos políticos?

Já. Eu fui visitá-los. Estavam lá o Frei Betto, Guilherme Simões, Pinheiro Sales, Altino Dantas, Ozeas Duarte, Genoíno…

Qual o desfecho do caso do Esquadrão?

Eu estou atrás do desfecho até hoje. Fui afastado. Atualmente estou querendo publicar novamente o livro e estou atrás dos processos. Na verdade não aconteceu quase nada… O Fininho está preso, era importante no Esquadrão, o segundo homem, depois do Fleury. Outros já cumpriram pena. Interromperam o meu trabalho. A morte do Fleury não ficou explicada, acho que foi queima de arquivo. Ele foi entregue à família em caixão fechado, nem fizeram autópsia.

Há suspeita de narcotráfico na história?

O Esquadrão da Morte estava metido no narcotráfico. Sempre houve suspeita de que o Fleury se drogava. Um investigador de polícia disse: “Alguém faz o que Fleury faz sem se drogar?” Eu disse: “mas ele está sempre de camisa arregaçada, não se vê nada…” “Manda ele levantar a calça…”, retrucou.

Eles atuavam contra um determinado grupo com o apoio de outro. O grupo era extinto, eles se voltavam contra o outro. Mas era para pegar o comércio. Eu andei atrás do tal caderno, que tinha elementos sobre os crimes praticados. Mas não consegui botar a mão. Eles mataram e queimaram dois traficantes, no estado do Rio, porque sabiam onde estava o caderno.

Nesse momento em que o senhor passa a ser perseguido, D. Paulo assume a Arquidiocese em São Paulo…

Dom Paulo, logo que assumiu, foi a primeira pessoa, não só da Igreja, mas da sociedade, que deu apoio explícito à minha atuação nas investigações. Ele sabia que eu estava sofrendo pressões e se apressou a apoiar minha atuação. Convidou-me para participar da Comissão de Justiça e Paz. E isso deu início à amizade que dura até hoje, são trinta anos.

Como foi o trabalho com Dom Paulo?

Ele tomou a decisão de constituir a Comissão e eu fui uma das pessoas convidadas a participar, juntamente com Margarida Genevois, José Carlos Dias e Dalmo Dallari. Com Dom Paulo à frente, ela foi um instrumento fundamental na luta contra a ditadura militar e de apoio às pessoas presas ilegalmente, torturadas e aos desaparecidos em geral. Ele não media esforços, ia ao comandante do II Exército, ao Médici, ao Geisel, quando se tratava de manter a dignidade das pessoas encarceradas. Lembro-me de visitas aos presídios Tiradentes, do Hipódromo, em que o acompanhei. Ele entrava e ninguém segurava. Não tinha receio nenhum, não cuidava da segurança pessoal. Houve o caso do assassinato do estudante Alexandre Vannuchi, com grande movimentação em São Paulo, pediam manifestação da Igreja e se rezou a missa na Catedral da Sé. Depois, no caso do Vladimir Herzog, um culto ecumênico também na Sé. Ele mostrou para os militares que não havia nenhuma possibilidade deles manterem a Igreja sob controle. Um outro episódio importante na Comissão de Justiça e Paz foi a publicação de meu livro: Meu depoimento sobre o Esquadrão da Morte, em 1975.

Trata-se de uma narrativa do que estava acontecendo e um apêndice com os documentos. Só que eu não tinha onde publicar. Fernando Gasparian quis publicar pela Paz e Terra, mas ele já estava em má situação e a publicação do livro pioraria. Procurei a Vozes. Foi aprovado no conselho editorial, mas para não sofrerem maiores prejuízos me propuseram passar o livro pela censura federal. O Júlio de Mesquita Neto, diretor do Estadão, indicou o Carlos Lacerda, da Nova Fronteira, que afirmou publicar o livro. Passados alguns dias ele me escreveu dizendo que como o texto fazia acusações a um amigo dele, Abreu Sodré – uma das pessoas que alimentou o Esquadrão da Morte –, não podia publicá-lo sem que desse a ele o direito de defesa.

Diante das dificuldades, D. Paulo assumiu editá-lo pela Comissão de Justiça e Paz. Tiramos uma edição de 3 mil exemplares e fizemos a distribuição pela Cúria, a maior parte gratuita. Fui chamado à Polícia Federal, onde compareci em companhia do Dalmo Dallari, presidente da Comissão. O livro não podia mais ser apreendido, já estava na rua, nos jornais. Teve uma repercussão muito grande, nove edições, além de uma na França e edições em espanhol e italiano. E esteve por vários meses entre os mais vendidos. Se não fosse D. Paulo, não sairia.

Um episódio que mostra a personalidade de D. Paulo é que quando da visita do Papa, seu cerimonial estava instruído a levá-lo ao II Exército. Quando o ônibus com o papa se dirigia ao quartel e D. Paulo percebeu a tropa formada para homenageá-lo, gritou: “não entra!” Como cabe na cabeça de alguém levar o papa para visitar a sede da tortura em São Paulo?

O débito que as forças democráticas têm para com D. Paulo é impagável. E depois, durante as ditaduras no Cone Sul, a Cúria editou o Clamor, uma publicação dedicada à luta política no Cone Sul. Pessoas que vinham do Chile e da Argentina eram atendidas na Cúria, depois encaminhadas para a Europa. Fez-se um convênio com a ACNUR – Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados – para tratar daqueles que fugiam das ditaduras militares. O Brasil Nunca Mais também é fruto desse trabalho. A Justiça e Paz teve um papel muito importante inclusive na abertura política, nas Diretas-Já.

Nesse período, houve o caso Santo Dias…

O caso Santo Dias foi em 79. Uma greve na fábrica Silvânia. E atiraram pelas costas. Lembro-me que no julgamento dos policiais – porque foi a PM que o matou – ficamos fora do Tribunal, no Largo do Arouche, onde funcionava o Tribunal da PM. Fizemos uma reza em conjunto, D. Paulo falava uma frase, as pessoas repetiam. Essa luta, e depois a criação do Centro Santo Dias de Defesa dos Direitos Humanos, para lutar contra a violência policial, nos levou a inúmeros casos de defesa de vítimas de violência de policiais. Fizemos uma pesquisa sobre os casos de lesões corporais e de morte pela PM em dez anos da Justiça Militar em São Paulo. Conclusão: 95% de impunidade. Essa pesquisa embasou o projeto que retira esses casos da competência da Justiça Militar para entregá-los à Justiça Comum.

O senhor poderia ter aproveitado esse tempo para começar uma carreira política e não fez isso…

Quando saí das investigações o cerco piorou. Antes eram ameaças mas depois, caíram em cima. Resolvi pedir para o Carvalho Pinto, senador na ocasião, fazer um depoimento a meu respeito no Senado. Ele disse: “Somos amigos, mas eu estou na Arena, de modo que fica mal para mim. Por que você não procura o Montoro?” Fui recebido pelo Montoro que, além de aceitar, disse: “Pode deixar, vou fazer mais. Vou pedir o testemunho de Carvalho Pinto e ele vai ter de dar…”

Aí as coisas começaram a arrefecer, vieram as greves do ABC e o Partido dos Trabalhadores. E o Plínio de Arruda Sampaio e eu entramos no PT.

Vocês já eram amigos nessa época?

Já. O Plínio é mais novo que eu. Fui muito amigo do pai dele. Mas sempre tivemos um relacionamento muito bom.

Por que dessa vez resolveu entrar na política?

Antes disso, quando começou a se falar em novos partidos, um grupo aqui em São Paulo, do qual fazíamos parte Plínio, Weffort, Fernando Henrique, Almino Afonso, José Serra, Chico de Oliveira, entre outros, passou a se reunir para discutir a criação de um partido socialista. Em 78 vieram as eleições para o Senado com Franco Montoro e Fernando Henrique candidatos pelo MDB. Antes houve a discussão sobre se o candidato seria eu ou o Fernando Henrique. Eu não levei isso adiante a pedido de Dom Paulo. Fiz a campanha do Fernando Henrique. Também o Montoro me pediu para ser seu suplente.

Depois dessa eleição foi uma debandada total. No fim, as reuniões eram eu e o Chico de Oliveira. Aí surgiu o PT. Não participei da sua fundação. Depois foi que nos filiamos.

E o seu contato com Lula, quando se deu?

Foi depois que ingressei no partido, por ocasião da primeira campanha ao governo do estado, quando Lula foi candidato a governador e eu o seu vice.

Uma campanha completamente fora de qualquer parâmetro. Não tinha dinheiro, não tinha nada. Dormi mais de uma vez embaixo de balcão de bar. Era o Lula, eu, o Jacó Bitar (candidato a senador), e o Francisco Weffort (à época, dirigente do partido). Do ponto de vista de receptividade, foi uma maravilha, nos comícios no interior tinha muita gente. O PT era uma novidade. Em São Paulo, o comício de encerramento teve cem mil pessoas, maior que o do Montoro. Foi assim que eu conheci o Lula, um homem de uma intuição muito privilegiada.

Para mim foi uma experiência muito rica, e até comecei a falar em público. O primeiro comício da campanha foi no Largo Treze de Maio, em Santo Amaro. Foi o meu primeiro discurso em comício. Levei escrito e acabei falando, porque não se consegue ler. Foi um aprendizado importante de comunicação com as massas.

Depois veio a campanha para o Senado em 86, fui candidato com o Jacó Bitar. Tive uma boa performance. Eu achava que não se devia ter dois candidatos, porque sempre divide. Não tive nenhum problema com o Jacó, tinha muita estima por ele. Mas, as pesquisas começaram a indicar que a minha candidatura estava crescendo. Até houve um momento em que tive um problema com a direção da campanha, porque o Suplicy como candidato a governador não tinha chance. Então, pedi um pouco mais de tempo de televisão para mim, mas não consegui. Tive uma votação muito boa. Eu podia ter chegado na frente, se o PT tivesse investido, tenho certeza disso.

O senhor também participou da primeira gestão do PT na Prefeitura de São Paulo.

A Luiza Erundina me convidou para ser secretário de Negócios Jurídicos. Eu era presidente do PT na cidade de São Paulo e houve um problema com o partido. Achavam que eu tinha que sair da Presidência porque isso poderia trazer parcialidade nas decisões do diretório. Uma coisa completamente sem nexo.

Então inventaram, não me lembro bem como, uma estratégia de renovação geral dos diretórios municipais. Deram um golpe no regimento de maneira que eu não pude apresentar minha candidatura. Nessa ocasião, estive a ponto de sair do PT, e quem me pediu para não sair foi Plínio Sampaio, pois ele seria candidato ao governo do estado no ano seguinte, em 90.

Depois fui candidato a deputado federal, tive uma boa votação. E aí o partido ajudou mesmo, ou melhor, a militância ajudou.

Que rumo tomou seu projeto que prevê que policiais sejam julgados pela Justiça comum? Ele foi votado?

Foi. Quando fui eleito deputado federal, se instituiu uma CPI para investigar mortes de crianças e adolescentes no Brasil, concluindo que o maior percentual dessas mortes se devia à Polícia Militar e à impunidade decretada pelos tribunais militares. Então a comissão apresentou um projeto de lei retirando da Justiça Militar apenas o homicídio doloso. Nessa ocasião, apresentei um substitutivo a esse projeto para que fosse mais amplo, abrangendo todos os crimes praticados por policiais militares nas atividades de policiamento. Esse projeto não passou na Câmara, foi para o Senado e lá ficou. Então, apresentei outro na Câmara, inclusive com o apoio do Luís Eduardo Magalhães, que foi aprovado com maior amplitude. Mas no Senado, o líder do governo na ocasião apensou o meu projeto a um outro anterior, votou o outro e julgou o meu prejudicado, sendo aprovado que só os homicídios dolosos de policiais militares são julgados pela Justiça Comum.

Voltei a apresentar um novo projeto na Câmara com maior abrangência. Esse projeto no Senado teve o Josaphat Marinho como relator, com quem, de comum acordo, redigi um substitutivo ao projeto da Câmara, restabelecendo o original: “todos os crimes praticados por policias militares…” Depois passou para o Edson Lobão, que “sentou” em cima.

Que balanço o senhor faz de sua atuação no Parlamento?

Apresentei três projetos de Emenda Constitucional: uma reforma da polícia, uma outra do Poder Judiciário e a do sistema penitenciário. O projeto que causou mais celeuma foi o da reforma da polícia, pois buscava a unificação das polícias civil e militar, com a extinção da polícia militar. Esse projeto teve em Brasília a adesão de praticamente 100% da base da polícia, até com manifestações favoráveis na porta do Congresso. Passou na Comissão de Justiça e constituiu-se uma comissão especial – aí começou a safadeza – praticamente com pessoas ligadas às polícias militares. E culminou que no dia em que ia ser votado, quer dizer rejeitado, a sessão não se instalou, pois não tinha número. Disse então ao presidente da comissão: “vou subir, pegar um documento no meu gabinete e volto”. Enquanto subi, eles votaram e rejeitaram a emenda. Mas essa rejeição nunca foi levada a plenário. Depois, o próprio governo federal, por meio do Íris Rezende, apresentou como um projeto de emenda a proposta de se ter uma polícia civil com carreira única extinguindo a dicotomia entre militares e civis.

A emenda de reforma do Poder Judiciário buscava a descentralização nos estados. Eu propunha que o Supremo Tribunal Federal se transformasse num Tribunal Constitucional e a competência residual passasse para o Superior Tribunal de Justiça. O Supremo só analisaria matéria constitucional, acabava com a Justiça Federal de primeira instância, pois é um dinheiro gasto à toa. A Justiça estadual está capacitada para exercer essas funções. É só aumentar o número de juízes estaduais, que não precisa dessa estrutura federal caríssima, pesadíssima e demoradíssima. Acabava com a Justiça do Trabalho e a Justiça Militar, federal e estadual. Isso, hoje, é um projeto que tem meu nome, pois a origem é a minha proposta, mas não tem mais nada a ver.

E a reforma do sistema penitenciário nem andou.

Outra coisa importante no meu mandato foi a implantação da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, cuja criação havia sido solicitada pelo Nilmário Miranda, que foi o seu primeiro presidente, eu fui o segundo. Durante a minha gestão fizemos o julgamento simbólico dos crimes de Corumbiara e de Eldorado do Carajás.

Por que o senhor não se candidatou a um terceiro mandato?

Nesse segundo mandato ocorreu uma vaga na Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Eram duas vagas e Brasil há muito tempo não participava. Fui à comissão por um convite para uma exposição a respeito do problema das crianças e adolescentes no Brasil. Depois da exposição, um advogado da Comissão, o peruano Manuel Velasco me perguntou: “por que o senhor não vem para cá como membro da Comissão?” É preciso ser indicado, não precisa ser pelo país de origem, e a votação secreta acontece na assembléia geral da Organização dos Estados Americanos.

E afinal saiu minha indicação, nome apresentado pelo Brasil, em Lima, em 1997, por Itamar Franco, o representante do Brasil junto à OEA.

Como tem sido o trabalho na Comissão?

Você não representa o país na Comissão, aliás não atua nos processos do seu país, o que dá uma autonomia muito grande. A passagem pela Comissão Interamericana tem sido gratificante. Você passa a ter uma dimensão do que acontece também nos outros países. Por exemplo, eu fui relator do caso do Peru. A atuação da Comissão nesse caso foi da maior importância para a redemocratização do país. Houve um enfrentamento direto com o governo peruano, quando eu era presidente da Comissão em 2000. Tive a oportunidade de falar três vezes para a Assembléia Geral, e nas três pontuamos a questão do Peru, inclusive a eleição fraudulenta.

Como foi sua experiência como jornalista?

No governo Carvalho Pinto, conheci Paulo Duarte, diretor do Instituto de Antropologia da USP, que tinha uma revista e me convidou várias vezes para escrever. E quando vim para São Paulo ele era redator-chefe do Estadão e Júlio Neto, que tinha sido meu colega de faculdade, era o diretor. Convidaram-me para trabalhar, e como o Ministério Público naquele tempo pagava muito pouco e eu tinha sete filhos, aceitei. O secretário de redação era o Cláudio Abramo, de quem me tornei muito amigo. Ele praticamente me ensinou o que fazer. Mas pouco a pouco comecei a ser absorvido pela editoria escrevendo as notas de terceira página, os editoriais.

Passei muitos anos escrevendo essas notas e nunca me disseram escreva desse ou daquele jeito. Quando houve a luta do Esquadrão me apoiaram. O prefácio do meu depoimento é do Rui Mesquita. Depois veio o PT e começaram a haver algumas dificuldades. Depois da candidatura ao Senado, muitas vezes as minhas notas não eram publicadas, até que fui ao Júlio Neto saber o que acontecia, pois nunca tinha assumido partidariamente a minha posição nos artigos. Ele assegurou que não havia nada e as notas recomeçaram a ser publicadas. Passado algum tempo, em meados de 80, novamente a repressão e um dia fui chamado por um diretor: “estamos com dificuldade financeira e não vamos poder mantê-lo no jornal”. Pedi para falar com o Julio mas ele nunca me recebeu e aí movi uma ação trabalhista contra o Estado, onde estive por 27 anos.

E daqui para frente?

Uma expectativa de futuro. Participei como vice da chapa da Marta por uma solicitação dela e do PT para que houvesse unidade na campanha.

Fiz apenas uma ressalva, que tinha ainda dois anos de mandato na Comissão Interamericana e não devia abrir mão. Não vou tentar uma reeleição na Comissão, em primeiro lugar porque sou contra reeleição, em segundo porque se submeter a uma reeleição significa ser eleito pelos países e passar a ter uma atuação pensando em não desagradar a um país. Isso não dá. Termino meu mandato no dia 31 de dezembro.

Paulo Vannuchi é membro do Conselho de Redação de Teoria e Debate. Rose Spina é editora assistente de Teoria e Debate

Mídia e oposição mentem sobre a história de Hélio Bicudo: "Não participei da fundação do PT" – Viomundo – O que você não vê na mídia

“Meu pai está sendo usado pelos articuladores do golpe”: o depoimento do filho de Hélio Bicudo. Por Kiko Nogueira

Postado em 16 set 2015 – por : Kiko Nogueira

José Eduardo Pereira Wilken Bicudo, 60 anos, é filho do jurista Hélio Bicudo, o autor do mais famoso pedido de impeachment de Dilma. Biólogo, professor titular aposentado da Universidade de São Paulo, José é, atualmente, professor honorário na Universidade de Wollongong, na Austrália.

O segundo mais velho entre quatro irmãos, todos donos do mesmo prenome (há mais três mulheres), opõe-se à atitude do pai. “Eu não sou filiado ao PT, mas sempre apoiei o partido”, diz. “Entendo que, apesar deste ter se desviado de seus princípios e valores a partir do momento em que Lula assumiu a presidência, vejo que algumas coisas importantes aconteceram no país, embora haja muito a ser feito ainda.”

Seu depoimento ao DCM:

Por conveniência e oportunismo, a mídia conservadora tem divulgado insistentemente que Hélio Bicudo foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT). Acontece que ele mesmo, em vídeo que circula nas redes sociais, diz o contrário. Quem o fez se aproximar do PT foi meu irmão mais velho, José.

Em recente editorial, na revista Carta Capital, Mino Carta definiu bem, com elegância e generosidade, a trajetória de meu pai: conservador, militou mais à direita, depois mais à esquerda e, hoje, não se sabe exatamente por onde caminha.

A sua idade avançada, 93 anos, e sua história de vida têm sido usadas e abusadas pelos articuladores do golpe para tirar Dilma Roussef da presidência da república. As pessoas em geral se comovem com a figura de um senhor de idade defendendo a moral, a ética e os bons costumes.

De fato, a sua história de vida tem um enorme peso, independentemente de sua matiz política. Ele teve papel importante junto ao Ministério Público do Estado de São Paulo, como procurador de justiça, principalmente na apuração dos crimes cometidos pelo “Esquadrão da Morte”, liderado pelo delegado de polícia Sérgio Paranhos Fleury, este também envolvido em crimes de tortura durante a ditadura militar.

Esse triste episódio deu ao meu pai grande projeção nacional e internacional. Durante esse período meu pai também trabalhava na redação do jornal O Estado de São Paulo.

Meu pai sempre teve o apoio incondicional de minha mãe, Déa, mãe de sete filhos e esposa exemplar. É importante ressaltar que minha mãe sempre atuou como um “poder moderador”. O caráter conservador, muitas vezes autoritário e acusatório de meu pai sempre foi moderado por ela, dentro e fora de casa. Minha mãe, aos 91 anos de idade, é portadora do Mal de Alzheimer há dez anos, coincidentemente, período durante o qual meu pai iniciou sua obstinada cruzada contra o PT e Lula.

No final dos anos 1980, enquanto secretário de Negócios Jurídicos da Prefeitura de São Paulo, durante a gestão de Luiza Erundina, meu pai fez parte de uma comissão de sindicância interna do PT, juntamente com José Eduardo Cardozo, atual Ministro da Justiça, e Paul Singer. Esta visava apurar eventuais favorecimentos ilícitos de pessoas ligadas ao PT junto a prefeituras sob o comando do partido no estado de São Paulo.

O parecer final continha acusações que poderiam comprometer Lula, já que um compadre deste estaria supostamente envolvido. José Dirceu era o presidente do PT na época e, segundo meu pai, deu a ele e à comissão de sindicância “carta branca” para comprometer todos aqueles que estivessem supostamente envolvidos. Aqui, creio eu, começa todo o imbroglio.

Meu pai ocupava, também na época, um cargo importante na direção do partido e vislumbrou a possibilidade de alavancar o seu projeto pessoal de poder dentro do PT. Ele jamais admitirá isso, mas usou o parecer emitido pela comissão sindicante para “chantagear” Lula. Este, por sua vez, tentou negociar uma saída que não comprometesse o partido e sua candidatura à presidência da República. Lula disputou o segundo turno com Fernando Collor de Melo.

Esse episódio acabou azedando as relações entre Lula e meu pai, o qual saiu muito ressentido e foi aos poucos perdendo espaço dentro do partido, embora tenha sido eleito deputado federal nas eleições de 1990 e depois em 1994, com votações expressivas, principalmente em 1990. Os seus mandatos na Câmara Federal foram cumpridos quase que de forma independente do PT.

Plínio de Arruda Sampaio, também na época deputado federal pelo PT, e meu pai cumpriam agendas bastante semelhantes, todavia Plínio gozava de boas relações com Lula. Meu pai deixou transparecer inúmeras vezes uma forte mágoa em relação ao episódio que fez Lula se distanciar dele.

Durante o período de seus dois mandatos na Câmara Federal, meu pai iniciou aproximações com congressistas que davam apoio ao governo de Fernando Henrique Cardoso, entre os quais Luiz Eduardo Magalhães, na ocasião Presidente da Câmara, filho de Antonio Carlos Magalhães (ACM), ambos integrantes do Partido da Frente Liberal, o antigo PFL e atual DEM.

Tal aproximação rendeu-lhe indicação do governo brasileiro para representa-lo junto à Comissão de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington D.C., E.U.A.. Assim, durante o seu segundo mandato como deputado federal, meu pai repartia seu tempo entre a Câmara Federal e a OEA.

Com isso, foi se distanciando cada vez mais do PT e se aproximando de setores do Partido da Social Democracia Brasileira, o PSDB. Nesse meio tempo, fora indicado para integrar comissão na Câmara Federal para investigar o envolvimento do deputado Ricardo Fiúza do PFL no escândalo dos “Anões do Orçamento”. O seu parecer foi qualificado, em público, pelo então Presidente Fernando Henrique Cardoso, como “pífio”, e a eventual implicação do deputado Fiúza no escândalo ficou comprometida, já que este fazia parte da base de sustentação do governo de Fernando Henrique Cardoso.

Em outros tempos

Em outros tempos

Lembro-me que meu pai ficou ressentido com o episódio, por toda a repercussão negativa de sua imagem junto à mídia, mas é curioso que isso não o fez guardar qualquer mágoa ou rancor em relação a Fernando Henrique Cardoso.

Esse episódio é ilustrativo dos casuísmos que graçam na política brasileira. Hélio Bicudo, eminente jurista, emite um parecer juridicamente embasado, porém este pode incomodar um determinado “lado” e é portanto considerado “pífio”. Este mesmo jurista, agora faz um pedido de impeachment da Presidente Dilma Roussef, sem base jurídica alguma, respaldando-se apenas no denominado “domínio do fato”, cheio de slogans, que alegram os golpistas de plantão, mas que não presta serviço algum à nação a não ser tumultuar mais ainda a vida já muito difícil dos brasileiros.

Nesse caso, no entanto, o texto não é considerado “pífio” por aquele mesmo “lado” ao qual me referi anteriormente. Aliás, aparentemente será usado para deflagrar eventual pedido de impeachment da Presidente Dilma Roussef na Câmara Federal.

O pedido de impeachment do qual meu pai é signatário é uma das inúmeras decorrências de sua infeliz trajetória nos últimos dez anos, período durante o qual o “poder moderador” de minha mãe deixou de existir em razão do mal que a acometeu, permitindo que o rancor desemedido de meu pai em relação ao PT e sobretudo a Lula desabrochasse de uma forma tão beligerante.

Essa triste postura é visível no último vídeo que circula pelas redes sociais no qual ele faz acusações em relação a Lula sem quaisquer fatos concretos e de forma completamente leviana.

Há que se ressaltar que o rancor de meu pai em relação a Lula foi intensificado durante o primeiro mandato deste como Presidente da República, antes do episódio do mensalão. Meu pai, no final de mandato como vice-prefeito, na gestão de Marta Suplicy, solicitou a esta que fizesse gestões junto à Lula para que este o indicasse a um posto como embaixador do Brasil, ou na OEA, ou em Genebra junto à Organização das Nações Unidas (ONU), na área de Direitos Humanos, ou em Roma.

Nada disso foi possível, pois a política do Ministério das Relações Exteriores mudara, não havendo mais indicações de pessoas fora da carreira para ocupar postos diplomáticos. No entanto, mesmo assim, meu pai recebeu um fax, do qual sou testemunha, do Ministério das Relações Exteriores, cujo ministro na época era Celso Amorim, convidando-o a representar o Governo Brasileiro junto à UNESCO, em Paris, nas reuniões trimestrais da entidade.

Meu pai recusou o convite, interpretando-o como um grande insulto a sua pessoa e, a partir daí, resolveu se opor a tudo que dissesse respeito ao PT e a Lula. Guinada ultra-conservadora que o caracteriza hoje.

Finalmente, devo enfatizar que meu pai goza de plenas faculdades físicas e mentais, muito embora esteja com idade avançada. Todo ser humano tem qualidades e defeitos. Infelizmente, o seu profundo rancor o tornou um homem infeliz, solitário e amargo. Vários de meus irmãos e eu tentamos resguarda-lo durante muitos anos, principalmente após minha mãe ter sido diagnosticada como portadora do Mal de Alzheimer, tanto em relação a sua vida pessoal como em relação a sua vida pública, na tentativa de preservar a sua história de vida.

Entretanto, o seu rancor desmedido e os limites impostos por ele aos próprios familiares que o cercavam, já que ele está lúcido e ativo, fizeram-no se aproximar de pessoas que certamente o estão usando, inclusive uma de minhas irmãs, para atingir os seus fins golpistas. E ele, que nunca soube ficar longe dos holofotes que o iluminaram durante tanto tempo, está se aproveitando do fato para ficar em evidência num triste e infeliz espetáculo midiático.

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Sobre o Autor

Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.

14/12/2012

Hoje, Goebbels seria colega de Merval na Rede Globo

Filed under: Goebbels — Gilmar Crestani @ 12:24 am

 

Hoje na História: 1942 – Goebbels critica Itália por tratamento tolerante aos judeus

Ministro de propaganda de Hitler durante a Segunda Guerra queria que Roma repetisse as práticas alemãs

Em 13 de dezembro de 1942, o ministro de propaganda do governo alemão, Joseph Goebbels, publica artigo em jornal sobre sua inconformidade com o tratamento dado por Roma aos judeus nos territórios ocupados pelos italianos.
Wikicommons
“Os italianos são extremamente permissivos e tolerantes em seu tratamento aos judeus. Eles protegem os judeus italianos tanto em Túnis quanto na França ocupada. Não querem permitir que eles sejam recrutados para determinados trabalhos, nem os obriga a portar a Estrela de David."
Joseph Goebbels fizera da perseguição e, por fim, do extermínio dos judeus a sua prioridade pessoal desde os primórdios da Segunda Guerra, registrando com frequência em seu diário afirmações como “eles não são mais gente e sim bestas”, “a destruição deles irá caminhar com a destruição de nossos inimigos” e “os judeus estão sendo agora evacuados para regiões do leste. Os procedimentos podem ser considerados bárbaros e não podem ser aqui descritos mais pormenorizadamente. Não devem restar muitos deles.”
Foi por sua recomendação que todos os judeus da Paris ocupada deveriam ser obrigados a trajar uma estrela amarela do lado esquerdo de seus paletós ou jaquetas com o fim de identificá-los e humilhá-los.
Seu antissemitismo infamante, que incluía a acusação de os judeus terem sido responsáveis pela eclosão da guerra, em uma extensa diatribe publicada na revista alemã Das Reich, não poderia se restringir às fronteiras germânicas. Esperava o mesmo comportamento de seus aliados. Porém, verdade seja dita, nos primeiros dias do fascismo, Mussolini negara qualquer validade à ideia de uma “raça pura”, contava com vários amigos próximos de origem judaica e manifestava-se até a favor do incipiente sionismo.

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Contudo, com os sucessivos desastres militares que ocorreram, Mussolini precisou ressaltar a ‘superioridade italiana’ em algum sentido, passando então a copiar mimeticamente muito da legislação racial anti-judaica dos nazistas.
Wikicommons

Apesar dos pedidos alemães, os italianos não tinham a intenção de enviar os judeus a Auschwitz
Entretanto, Mussolini jamais teve estômago – ou convicção – para os extremos de Hitler e Goebbels. Aliado a isso, a maioria do povo italiano nunca respaldou a crescente retórica antissemita do regime. De fato, os italianos recusaram a deportação de judeus da Itália, ou da Croácia ocupada, para Auschwitz.
A coragem de boa parte dos italianos em rejeitar o pior da ideologia fascista permanece como uma luz de tolerância em meio à vergonhosa e desastrosa participação da Itália no contexto da ascensão do fascismo e da Segunda Guerra Mundial.
Também nesta data
1204 – Morre o filósofo judeu Maimônides
1838 – Eclode a revolta da Balaiada no Maranhão
1937 – Japão dá início ao Massacre de Nanquim

Opera Mundi – Hoje na História: 1942 – Goebbels critica Itália por tratamento tolerante aos judeus

08/07/2012

Tarso versus Goebbels

Filed under: Bandidagem,Goebbels,Grupos Mafiomidiáticos,RBS — Gilmar Crestani @ 11:39 am

Tarso parece ter descoberto o ovo da serpente e, melhor, já está inoulando soro antiofídico. Não esperava nada dele, talvez por isso tenha me surpreendido com o enfrentamento com a chocadeira da RBS. 

Paulo Antonio Doering (*)

Dedico o texto que segue aos “77 do Flores”, como passo a denominar, doravante, o grupo de colegas Auditores Públicos Externos que, coincidentemente, no ano do 77º aniversário da Corte, recentemente ingressaram em nossas fileiras e concluíram seus cursos de formação, presentemente “indo a campo” para as suas primeiras batalhas (no bom sentido, evidentemente), em representação deste Tribunal.

A esperança que deposito em vocês vem de muitas fontes. Decorre de minhas próprias impressões, desde quando, por curiosidade, visitando os fóruns de “concurseiros do TCE” (o que fiz em muitas oportunidades), fui testemunha da disposição com que lutaram para aqui ficar, da insistência e tenacidade com que questionaram critérios, prazos e disposições adotadas em relação aos concursos e respectivas nomeações. Decorre, também, da observação de colegas com os quais vocês lidaram nesse momento de contato inicial com o TCE/RS (integrantes do CRH e instrutores, principalmente).

Tenho a convicção – não só a esperança – de que a new generation do TCE/RS não se contentará com “pratos feitos” e “mesmices” na atividade profissional e muito menos que deixará de assumir as suas responsabilidades pelos caminhos escolhidos, seja na realização de um trabalho técnico, seja no campo da ação associativa. Acredito em um novo Tribunal de Contas, a partir dessa centelha que nos trazem.

Tendo esta certeza, orgulho-me, desde já, de tê-los como colegas, e parceiros.

Vamos, então, a Tarso e a Goebbels.

O primeiro nome dispensa maiores apresentações. Trata-se do Governador Tarso Genro que, é bom que se repise, a par de Chefe do Poder Executivo do nosso Estado, ostenta a condição de jurista de nomeada.

Quanto a Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda do III Reich, a ele se atribui a famosa máxima segundo a qual “uma mentira mil vezes repetida, torna-se verdade”, por certo uma figura mais caricata de algo como “criemos um fato, repisemo-lo mil vezes e todos acreditarão nele”. Lógico, desde que o “teatro seja bem encenado”.

Na tarde de 2 de julho, Tarso defrontou-se com algumas das “verdades de Goebbels”. Tudo porque, em entrevista à rádio Gaúcha, ao lado de afirmar que o Executivo Estadual vem estudando a fórmula para dar cumprimento à Lei de Acesso à Informação, manifestou sérias dúvidas sobre a constitucionalidade da veiculação de nomes de servidores de modo vinculado aos seus vencimentos. Bastou o fato para que, no blog da jornalista Rosane de Oliveira, fosse acusado de tentar “driblar a Lei de Acesso à Informação e a própria interpretação do Supremo Tribunal Federal”.

Uma das “verdades de Goebbels” a respeito da matéria consiste em afirmar que a Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011) determina a publicação de nomes de servidores acompanhados das respectivas informações vencimentais. Na semana passada, aliás, o clipping deste Tribunal veiculou matéria do prestigiado Correio Braziliense onde o jornal afirmava, taxativamente, que a lei previa a publicação desta forma. A AFIRMATIVA É NOTORIAMENTE FALSA, NÃO HAVENDO QUALQUER DISPOSIÇÃO NESTE SENTIDO, EM NENHUM DOS ARTIGOS DA LEI FOCADA. AO CONTRÁRIO, A LAI DETERMINA A PROTEÇÃO DA INFORMAÇÃO DE CARÁTER PESSOAL (art. 6º, III e 31) E NO ARTIGO 8º (QUE VERSA SOBRE AS INFORMAÇÕES A PRESTAR INDEPENDENTEMENTE DE REQUERIMENTO, NOS PORTAIS) SILENCIA A RESPEITO DESSA ESPÉCIE DE DADOS.

É falsa, portanto, a imputação do “drible à LAI” dirigida ao ilustre jurista e Governador Tarso Genro.

A propósito, solidário à posição de nosso Governador e convicto da “verdade goebbeliana” propagada a respeito da Lei de Acesso à Informação, lanço o desafio a quem se apresentar: mostre-me o artigo, parágrafo, inciso ou alínea da citada Lei que determina explicitamente a publicação nominal de servidores com remunerações e dirijo-me ao Setor de Pessoal do Tribunal para firmar a minha exoneração do cargo que titulo.

O Governador Tarso, a par de injustamente acusado do “drible”, é também vitimado em razão dos conhecimentos que detém na seara constitucional. Tudo por ousar não identificar, à primeira vista, no texto do inciso X do artigo 5º da nossa Constituição Federal, a exclusão do servidor público do rol das pessoas a quem se garante proteção da intimidade e de sua vida privada.

Tarso também deve estar “pagando tributo” por, na condição de jurista e Governador, conhecer os termos da Resolução nº 102/2009, do CNJ, a qual, em seu artigo 3º, inciso VI, determina que NÃO SE IDENTIFIQUE NOMINALMENTE O BENEFICIÁRIO DE REMUNERAÇÕES E DIÁRIAS NAS PUBLICAÇÕES EFETIVADAS NOS SÍTIOS ELETRÔNICOS, como também por atentar para o estatuído na Lei Estadual nº 13.507/2010 que, no seu artigo 1º, VEDA A IDENTIFICAÇÃO NOMINAL QUANDO DA VEICULAÇÃO, NA REDE MUNDIAL DE COMPUTADORES – INTERNET, DA REMUNERAÇÃO DO PESSOAL DE TODOS OS PODERES DO ESTADO.

O Governador Tarso, ademais, com as suas impertinentes dúvidas (na visão midiática), contraria a mais uma “verdade goebbeliana”, a de que o Supremo Tribunal Federal já colocou a “pá de cal” sobre a matéria, determinando sejam feitas as publicações do modo irrestrito, como propugnam as rádios, os jornais e as emissoras de televisão.

Quanta empáfia, a do jurista Tarso Genro! Imaginem que ousa discernir decisões com efeitos apenas entre as partes daquelas impostas erga omnes e, ademais, põe-se na condição de não identificar obrigatoriedade na adoção de medidas aprovadas em reunião administrativa do Supremo Tribunal Federal, quando este decide sobre ações de caráter interno.

Pois, novamente aqui, vou ousar mais do que o nosso preclaro Governador, para facilitar o entendimento geral. A decisão de um tribunal, como o nosso TCE, por exemplo, quando adotada em reunião administrativa, obriga os externos à Corte tanto quanto uma assembleia geral de associados da SOGIPA, aqui de Porto Alegre, obrigaria os associados do Grêmio Náutico União ou os moradores do condomínio em que resido.

Prezados colegas, saibam todos, definitivamente, que o Supremo Tribunal Federal NÃO DELIBEROU A RESPEITO da matéria de molde a tornar a sua decisão definitiva e oponível a todos. Não o fez, em nenhuma circunstância, e palpito que não o fará (posso até estar equivocado).

Alinho duas singelas razões para confortar o meu entendimento sobre o incômodo em que consistiria, para o STF, decidir sobre a matéria com efeitos erga omnes (para todos). A primeira, decorrente da observação de que as decisões do STF até agora conhecidas, com força de julgamento (e que envolvem o Município de São Paulo) foram tomadas ainda antes da edição da LAI, a qual, regulando o que dispõe o artigo 5º, XXXIII, da Carta Federal, reverenciou, como não poderia deixar de ser, às disposições constitucionais protetivas das informações de caráter pessoal, como já demonstrei anteriormente.

Consequentemente, decisão no sentido da publicação irrestrita de nomes e vencimentos, e com repercussão geral, teria, necessariamente, que contornar o obstáculo trazido pela novel legislação. A segunda razão, deflui da constatação de que, em sendo tarefa de cada ente federado, esfera e instituição a veiculação das informações de seu pessoal, a estes cumpre verificar da conveniência e oportunidade da adoção deste ou daquele método para tanto, com discricionariedade. Adentra-se, nessa circunstância, no que se convenciona chamar mérito administrativo, sendo pouco provável – quiçá inviável – que a Corte Suprema delibere “emasculando” tais poderes dos diversos entes administrativos. Nunca o fez no passado, pelo menos.

A propósito do adentrar-se no chamado mérito administrativo, anuncio aos prezados colegas (especialmente os que realizam auditorias) que, estando presente em palestras realizadas recentemente por ocasião do IX SERGOP, uma dessas especificamente sobre o tema “Lei de Acesso à Informação”, colhemos informações, advindas dos representantes da FAMURS e AGM, de que em diversos de seus municípios associados revela-se forte a pretensão de não publicar nomes com vencimentos, alegando-se a extrema dificuldade em, principalmente nas pequenas e médias comunas, colocar em xeque a privacidade e a segurança dos servidores, ademais considerando as fortes animosidades locais. Enfim, parecem aspectos importantes a relevar, caso a caso. Convém que nos ponhamos em alerta, colocados diante do poder discricionário manejado pela administração local. Convém, de igual modo, que tomemos cuidado para não ceder à tentação de “sentar em cadeiras de governantes”.

Estou a finalizar, caros colegas. Dirijo-me aos “77 do Flores”, não só a vocês, mas especialmente a vocês.

O debate instalado a respeito dessa matéria deve vos servir de lição para a atuação profissional. A partir dele, resta facilitada a tarefa de lhes recomendar que não cedam, jamais, a afirmações desprovidas de fundamentos. Que não reverenciem a autoridades que se apresentam sem argumentos, mas sim à autoridade do argumento. Investiguem, à saciedade. Inovem, na busca de soluções. Pesquisem, incessantemente, principalmente acerca dos temas que lhes trazem desconforto, que lhes inquietam. Não se conformem com as verdades alheias, tenham os seus pontos de vista. Contrariem o senso comum, quando necessário. O Tribunal agradecerá o gesto. A sociedade, da mesma forma.

Criem novos caminhos. Transformem. Irresignem-se, quando for o caso. Ontem, a vítima da lógica “goebbeliana” foi o Governador Tarso. Hoje e amanhã seremos nós, se não o fizermos.

(*) Servidor do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul

rsurgente

06/07/2012

A fúria goebbeliana da RBS

Filed under: Goebbels,RBS — Gilmar Crestani @ 8:57 am

Paul Joseph Goebbels, foi ministro da propaganda de Adolf Hitler (Propagandaminister) na Alemanha Nazista. Goebbels, nos estertores da Alemanha Nazista, teria permitido que sua mulher, Magda, matasse os seus seis filhos pequenos. Goebbels, a exemplo da RBS, estava mais preocupado em repetir mentiras do que cuidar dos próprios filhos. Aliás, não consta que Goebbels tivesse um filho estuprador.

Como ensinava o velho guru da RBS, “uma mentira, repetida com freqüência e berrada alto o suficiente, ignorando todas e quaisquer declarações que desmascaram a mentira, irá com o tempo ser acreditada pelas massas”.

Uma mentira repetida em contínuos editoriais faz da RBS o veículo que melhor representa o modelo de propaganda nazista criado por Gobbels. Assim como Hitler elegeu os judeus como alvos para eliminação da vida pública, a fim de facilitar a purifcação da raça  alemã, a RBS elegeu o funcionalismo público como exemplo da perversidade que impede a purificação do espírito privatista ao modo mafiomidiático. Note que a RBS não está lutando contra a corrupção, mas contra o servidor público. Não critica golpistas nem os corruptores privados, só os servidores públicos. Por que esta fúria ensandecida?

Não se viu uma sequência de editoriais da RBS atacando Demóstenes Torres por ter se unido a bandidos, graças aos quais conseguiu chegar ao Senado.

A RBS não fez nenhum editorial mostrando o papel de Fernando Henrique Cardoso naquilo que deu origem ao livro A Privataria Tucana.

Marconi Perillo, governador de Goiás, a cada dia que passa mais e mais dados confirmam sua relações com o crime organizado. No entanto, nunca mereceu uma manchete da RBS. E ele é funcionário público, não? Este tipo de funcionário público que se envolve com o crime organizado não interessa à RBS. Tuda passa como se Goiás não existisse e Marconi Perillo fosse governador no Azerbaijão.

Quantos editoriais a RBS fez para denunciar a quadrilha comandada por Carlinhos Cachoeira e Policarpo Junior? Em algum momento a RBS critiou Roberto Civita por sua aliança com Carlinhos Cachoeira?

Aliás, a RBS sempre apoiou bandidos, a começar por aqueles que ocuparam o comando da nação através de um golpe militar. Bandidos que prendiam, torturavam e assassinavam. A RBS e seu aliado preferencial, Roberto Marinho, se deram muito bem com a relação especial que mantinham com torturadores sádicos e assassinos com distintivos oficiais.

Tivesse qualquer laivo de honestidade, a RBS encetaria um luta pela quebra do sigilo fiscal. Inclusive dela. Poderia começar justificando porque abriu uma empresa nas Ilhas Cayman.

Recebi por email alguns dos últimos editoriais da RBS. Eu, já fui vítima de um editorial da RBS, já não a lia mais. Me lixo para pessoas que perdem seu tempo lendo este lixo. Mas, diante da desonesta campanha que stá fazendo contra os servidores públicos, não posso ficar calado. Por que agora eles são contra o servidor público, como já foram contra os movimentos sociais, e amanhã poderão se manifestar contra quem usa bengala.  Não podemos esperar que aconteça aquilo foi denunciado no poema de Martin Niemöller:

"Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.

No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei .

No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.

No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar… "

Martin Niemöller, 1933
– símbolo da resistência aos nazistas.

Goebbels em ação I (02/07/2012)

Editorial_02072012

Brecha perigosa é a da mãe do estuprador de Santa Catarina. É por lá que saiu o que de mais medonho uma sociedade pode ter.

Família que cria estupradores não tem autoridade moral para criticar ninguém. Da mesma forma, quem se socorre de banco público, como fez a RBS no tempo de FHC, pegando empréstimo do Banco do Brasil, não tem autoridade para falar em controle das contas públicas.  Seria por esta ou outra razão que teria trazido direto do governo FHC o sempre lembrado Pedro Parente?

 

Goebbels em ação II (03/07/2012)

Editorial_03072012

A fúrias voyerista da RBS não tem limite. Aposto como a comunidade de Florianópolis tem muito mais interesse em saber quem é o estuprador da família Sirotisky do que em saber qual é o meu salário.

A RBS é um concessão pública. Está na Constituição, gostem seus capitãoes-de-mato ou não, então porque não divulgam o nome e os salários de seus executivos? Se ocupam uma concessão pública, com isenção de impostos, não teriam de informar onde estão aplicando o dinheiro, se é em algo limpo em lavagem de dinheiro? O público não teria o direito de saber quais são as empresas do Grupo RBS que estão em atividades diferentes das de comunicação?

Os salários que aparecem nos contracheques são legais. Podem ser injustos, sob o ponto de vista de quem recebe um salário mínimo para entregar jornal, mas são legais, inclusive os impostos descontados na fonte. O sigilo fiscal, por onde transitam dinheiro mal avido não se exige transparência.  Por que a RBS, sendo uma concessão pública que nada tem a esconder, não abre seu sigilo fiscal? De livre acesso ao Ministério Público nas suas transações bancárias! Quem não deve não teme, não é verdade?

Sabia que todo grande traficante não quer ver seu sigilo quebrado? Todo bandido que se preza tem conta em banco. Por que o sigilo bancário é mais importante que o sigilo salarial?

O que a RBS quer, com a divulgação do salário do funcionalismo, é jogar a sociedade contra os servidores públicos e, ao mesmo tempo, prestar um serviço aos seus financiadores ideológicos. Tão logo o nome e os salários estejam disponíveis, as operadores de telemarketing começam a bombardeas com ligações oferencendo mil uma oportunidades. Será a farra bancos e operadoras de cartão de crédito. E os servidores públicos serão obrigados a explicrem pela enésima vez porque não querem assinar produtos made in RBS!

Servidor público que se respeita não consome produtos contaminados, como os oferecidos pela RBS. O caráter dessa gente se mede pelo tilintar das moedas que caem em suas armadilhas de caça níqueis.

 

Goebbels em ação III (05/07/2012)

Editorial_05072012

Desde quando a RBS está interessada na “agricultura familiar”?

Transparência é bom e eu gosto. Se a RBS quer ser transparente, publique em que paraísos fiscais abriu empresas e para que fins. Ou então divulgue quais empreendimentos imobiliários ela tem participação em Porto Alegre. Comece explicando porque uma empresa de comunicações não fala sobre comunicações. Poderia explicar ao público o que ensina aos seus funcionários, que quando são levados a ocuparem cargos públicos acabam sendo varridos por uma enchurrada de denúncias de corrupção, como o foram Antônio Britto e Yeda Crusius. O que estes dois personagens fizeram na vida pública teria algo a ver com o que viram nos corredores e atrás das portas na RBS quando lá estiveram?

Quando foi a última vez que a RBS pagou imposto e qual o montante? Aliás, a RBS paga impostos?

17/06/2012

Goebbels, fonte inspiradora dos grandes grupos mafiomidiáticos

Filed under: Goebbels — Gilmar Crestani @ 10:38 am

A VEJA talvez seja o órgão de mídia brasileiro que abriga o maior número de colonistas com vezo goebbeliano. Os leitores de Veja, parodiando o cientista político Daniel Goldhagen, seriam uma espécie da “carrascos voluntários da Veja”.

Goebbels, propagandista sobrevalorado

Peter Longerich sostiene en una nueva biografía que el jerarca nazi padecía un trastorno narcisista y no fue en realidad una figura tan relevante del régimen

Jacinto Antón Barcelona 16 JUN 2012 – 19:00 CET23

 Hitler y Goebbels, durante un paseo en la residencia de montaña del Berghof, en Berchtesgaden, en junio de 1943. / Walter frentz

Es uno de los nazis menos apreciados, y valga el sarcasmo, que era una de sus figuras retóricas favoritas. A Joseph Goebbels, uno de los más famosos dirigentes del III Reich, se le ha calificado de Mefistófeles del partido, demagogo vil y disoluto, y, menos finamente, de cojo satánico y enano iracundo. Victor Klemperer lo define en sus diarios como “el más venenoso y mendaz de todos los nazis”. Goebbels (Rheydt, 1897-Berlín, 1945, suicidado y chamuscado —no consiguieron quemar del todo su cuerpo— en el Führerbunker) ha sido probablemente el propagandista más famoso de la historia. Medía poco más de metro y medio y padecía desde niño de atrofia y parálisis crónica del pie derecho, lo que provocó comentarios irónicos sobre sus peroratas acerca de la superioridad de la raza aria, en la que generosamente se incluía. Sus defectos físicos (y no digamos morales) no le impidieron disfrutar de numerosas aventuras sexuales, que consignaba puntualmente en su diario, y ganarse merecida fama de rijoso. Vocero de Hitler, antisemita radical despiadado, gauleiter de Berlín, ministro de Propaganda del régimen más atroz de la historia de la humanidad, Goebbels, el Savonarola pardo, fue un fanático predicador de la violencia nazi y su humeante rastro puede seguirse desde las luchas callejeras hasta la declaración de guerra total.

A tan edificante individuo ha dedicado una nueva biografía, monumental como suele (1.052 páginas), el gran especialista en el III Reich y el Holocausto Peter Longerich, autor ya de otra colosal y reveladora obra sobre Heirich Himmler (RBA, 2009). Longerich (Krefeld, Alemania, 1955), profesor de historia contemporánea en la universidad de Londres, sigue en Goebbels (RBA, 2012) el discurrir vital y político del personaje, desde su crisis de intelectual fracasado necesitado de un propósito en 1923 hasta su decisión de morir con su familia junto a Hitler en abril de 1945, ofreciendo una visión completa del mismo y en buena medida muy novedosa. ¿Cree que era el nazi más desagradable?, le pregunto. “No sabría decirle, me parece una competición muy extraña”.

El historiador dice que muchas decisiones no se le consultaron

El historiador sostiene que Goebbels sufría de “un trastorno narcisista de personalidad” que le hacía buscar adictivamente el reconocimiento y el elogio, y que fue lo que cimentó su dependencia de Hitler, al que convirtió en el ídolo al que subordinarse para recibir legitimación y gratificación. Ese narcisismo patológico, basado probablemente en una falta de atención materna en la infancia y en el que no influyó su minusvalía física, señala Longerich, “explica la casi absoluta devoción a Hitler, su obsesión con su propia imagen y el hecho de que pasara una considerable parte de tiempo enzarzado en largas batallas contra sus competidores en el entorno de Hitler”.

Sorprendentemente, Longerich retrata a un Goebbels mucho menos importante en el seno del régimen de lo que se creía. ¿Ha sido Goebbels pues históricamente sobredimensionado? “Así es. Y de alguna manera seguimos siendo víctimas de su propaganda y sobrevalorándolo. Como muestro en el libro, muy a menudo no estuvo involucrado en el proceso de toma de decisiones. Esa situación no cambió durante la guerra, pero Hitler se encontraba con él cada cuatro o seis semanas para conversaciones privadas y eso le proporcionaba la sensación al ministro de ser el más cercano asesor del líder. Gobbels nunca se dio cuenta de cómo era manipulado y usado por Hitler”. En su libro, Longerich muestra cómo una y otra vez Goebbels se encuentra ante decisiones de gran calado de las que no ha sido informado previamente y que incluso le cogen con el pie cambiado, valga la expresión.

Eso no quiere decir, por supuesto, que Goebbels fuera inocente de los crímenes nazis. “Tuvo un papel activo en la radicalización de la persecución de los judíos, en particular en su doble papel de líder del partido en la capital y como ministro de propaganda y jefe del aparato de propaganda del partido”.

“Fue por encima de todo un gran publicista de sí mismo”

En la visión de Longerich, Goebbels no es tampoco el gran propagandista que se nos ha hecho creer. “El problema es que una de las fuentes principales para estudiar a Goebbels es su propia propaganda, y hemos estado bajo el influjo de ella. Goebbels fue por encima de todo un propagandista de sí mismo, tratando de convencer al mundo de que era un genio de la propaganda capaz de unir a toda Alemania detrás de Hitler. La historia del éxito de su sistema de propaganda es parte esencial de esa misma propaganda. Tenemos que tener presente que las fotografías, metraje y otras fuentes que normalmente usamos como evidencia de su éxito para manipular al pueblo alemán fueron producidos en el ministerio de Propaganda, con un propósito principal: crear ese mito”.

Dicho esto, Longerich reconoce que Goebbels fue un innovador al utilizar en la propaganda política el modelo de los anuncios comerciales que estaban entonces bajo el influjo de la publicidad llegada desde EE UU y que se basaban en que se podía inducir el comportamiento de los clientes con estímulos relativamente simples, en parte subconscientes. En cierta manera, pues, Goebbels fue el Donald Draper de los nazis.

Otra característica inesperada que destaca Longerich es la falta de ideas políticas claras de Goebbels. “Me sorprendió la ausencia de conceptos o visiones políticos en su obra. Tras leer miles de páginas en sus escritos no queda claro qué tipo de sociedad o sistema político prefería o cuáles eran sus ideas básicas acerca de la política exterior o la Europa dominada por los nazis. Para él, la cuestión central fue siempre su propia posición en el régimen, o mejor dicho, cómo él y su obra eran percibidos por Hitler. Podría decirse que en política estaba más interesado en el envoltorio que en el contenido”.

La percepción que tenía de su atractivo sexual es digna de Torrente

Le pregunto a Longerich qué opina de la parte de seductor de Goebbels que incluye dobletes dignos del Jardín prohibido de Sandro Giacobbe y apreciaciones de su propio atractivo que no desentonarían en Torrente (“No tengo tiempo para entregarme del todo a las mujeres”, escribió en su diario, “misiones mayores esperan por mí”). ”Creo que ante todo ha de ser vista como parte de su carácter narcisista. Su éxito con las mujeres —en muchos casos actrices cuyas carreras dependían de él— le servía de estímulo para autosatisfacer su propia personalidad”.

Pese a ser un libro profundamente centrado en lo político, la biografía de Longerich dedica especial atención a la extravagante relación que mantuvieron Goebbels, su esposa Magda (la Medea nazi) y Hitler. “La he descrito como un triángulo, sin especular sobre el elemento sexual. Me parece fascinante hasta qué punto Goebbels permitió a Hitler convertirse en parte de su familia y cómo le dejó tomar decisiones básicas que concernían a su vida privada”. Longerich señala que hubo flirteo entre Magda y Hitler, lo que provocaba celos torturante en Goebbels, que debía reprimirlos porque, demonios, el Führer era el Führer.

¿Se podría hablar de amistad entre Hitler y Goebbels? “No creo que Hitler tuviera ningún amigo personal. Y en el caso de Goebbels, admiraba a Hitler y era extremadamente dependiente de él. No llamaría a eso amistad”. ¿Qué pena habría recibido Goebbels de no haberse suicidado en el búnker de la cancillería y haber comparecido ante el tribunal de Nurenberg? “Sin duda, ejecución”.

Longerich explica que su próximo libro, que ya ha empezado, será otra biografía de un jerarca nazi —le ha cogido el gusto al género—, aunque no quiere revelar aún el nombre. Lo que es seguro es que no será el este año tan de moda Heydrich. “Personalmente no lo encuentro un candidato adecuado para otra biografía”.

Goebbels, propagandista sobrevalorado | Cultura | EL PAÍS

05/11/2011

Goebbels faz estágio no El País

Filed under: Goebbels,Grupo Clarin,Grupos Mafiomidiáticos — Gilmar Crestani @ 8:06 am
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Guerra sem trégua. Uma semana de bombardeio incessante. É assim que os grupos mafiomidiáticos estão encarando a disputa por um espaço sem contestação. Quem ousa discutir, criticar, recebe uma saraivada de acusações, repetida por todos os a$$OCIAdos. A palavra que mais se lê em espanhol, a respeito da liberdade de expressão na Argentina e em outros países de origem espanhola, é “pero”.  É por demais sintomática a abertura página eletrônica do El País deste sábado,  05/11/2011. Foram escalados dois funcionários do jornal para acusar o governo argentino de alguma coisa que seria nocivo contra a liberdade de expressão, “pero”, “aunque”… ni fu ne fa! Então eles começam assim: “Em Argentina no hay censura de los medios, pero…” ou  “Aunque en Argentina no hay censura, el Gobierno…”. Qualquer sujeito desavisado, que não saiba dos interesses contrariados com a eleição de Cristina Fernández de Kirchner, ainda assim ficaria encucado. Afinal, se o governo controla “la información pública”, o Grupo Clarín, que detém 80% do mercado, é controlado pelo Governo? La Nación, também do Grupo Clarin, só sai se o governo autoriza? Nada mais falacioso. Mas com a máfia é assim, qualquer indício de concorrência é guerra. E eles se quer se dão ao respeito. Como se sabe, “periodistas críticos” só são aqueles que criticam o governo. Os que criticam os periodistas críticos não são periodistas críticos… Como na Guerra do Iraque, as provas são frágeis, para não dizer inexistentes, senão vejamos, o perigo que ronda são os “movimientos ciudadanos”. Deu para entender ou precisa que desenhe?!

La presión oficialista en Argentina

En Argentina no hay censura de los medios, pero el oficialismo se vale de movimientos ciudadanos y medios afines para vilipendiar públicamente a los periodistas críticos

Un clima hostil para el periodismo independiente

Joaquín Morales Solá

Aunque en Argentina no hay censura, el Gobierno controla la información pública

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