Ficha Corrida

06/08/2016

O papel da imprensa, mais sujo que papel higiênico usado, para proteger sua cleptocracia

Se Michel Temer recebe, no Jaburu, da Odebrecht, culpa do Lula. Se Eliseu Padilha também recebe gorjeta de Marcelo Odebrecht, culpa do Lula. Se Aécio Neves é o primeiro a ser comido, culpa do Lula. Se Lula não aparece na Lista de Furnas, Lista Falciani do HSBC, na Lista Odebrecht, no Panama Papers ou em Liechtenstein, e também não é citado nas delações, isso só prova que Lula é, sim, o grande culpado. Porque, se ele aparecesse em tudo, como o Aécio, ele seria inocente, como a Andrea Neves ou a Cláudia Cruz

Mas, como dizia Tom Jobim, para a turma do golpe paraguaio o sucesso de Lula, um nordestino que tirou milhões da miséria, é ofensa pessoal..

Imprensa prova que tem lado promovendo Temer, o inelegível, diz Greenwald

Imprensa prova que tem lado promovendo Temer, o inelegível, diz Greenwald

sex, 05/08/2016 – 16:21 – Atualizado em 05/08/2016 – 16:24

Jornal GGN – O portal The Intercept levantou alguns momentos em que a grande mídia citou Michel Temer como potencial candidato a presidente em 2018 sem evidenciar que o interino já foi condenado pela Justiça Eleitoral à inelegibilidade por oito anos.

A ideia de Temer concorrer à "reeleição" – alguns veículos tratam como se ele já tivesse sido eleito presidente da República, e não ocupado o cargo em função de um impeachment – desagradaria PSDB e seus satélites, que estão pavimentando o caminho para um de seus caciques.

Temer teve de reagir às reportagens, dizendo que não tem pretensões presidenciais, para evitar a implosão precoce da base aliada. Apesar disso, aliados chegaram a dizer à imprensa que se ele quiser, será candidato, nem que para isso seja preciso alterar a Lei da Ficha Limpa.

Por Glenn Greenwald e Inacio Vieira

Grande mídia promove candidatura de Temer ignorando sua inelegibilidade

Do The Intercept

Desde que Michel Temer assumiu a presidência interinamente, a grande mídia vem especulando em torno da possibilidade do presidente em exercício se candidatar à reeleição em 2018. Conforme nossa reportagem em junho, Temer foi condenado em maio por violar a lei eleitoral e está impedido de se candidatar a qualquer cargo (incluindo a presidência da República) por oito anos.

Já em sua primeira grande entrevista no exercício do cargo, o programa Fantástico, da Rede Globo, não deixou o assunto da candidatura passar em branco e Temer, que parecia inicialmente deixar em aberto a possibilidade da candidatura, logo concluiu de forma assertiva. “Não é a minha intenção [ser candidato]. Aliás, não é a minha intenção, e é a minha negativa. Eu estou negando a possibilidade de uma eventual reeleição”.

Nos dois meses que se seguiram, em diversas menções à possível candidatura de Temer, a grande mídia negligenciou um dado crucial: a condenação na Justiça Eleitoral que decretou a inelegibilidade do interino por oito anos bastaria para que as especulações em torno da candidatura consideradas impróprias, não fosse o profundo desejo da grande mídia de ver a reeleição concretizada.

A Lei Ficha Limpa, que hoje impede Temer de concorrer à reeleição, faz parte da trajetória do então presidente da Câmara desde 2009, quando apoiou e encaminhou para votação na casa o projeto que alterou a legislação anteriormente conhecida como Lei da Inelegibilidade. Em seu canal no YouTube, Temer falou em 2010 da “felicidade em fazer tramitar e aprovar o Projeto Lei do Ficha Limpa”, do qual se diz o “grande patrocinador”:

No último fim de semana, a possibilidade da candidatura de Temer foi ressuscitada novamente, desta vez pelo novo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, em entrevista ao Estado de S.P. De acordo com o jornal, Maia haveria lançado Temer como candidato.

Em um artigo de linguagem predominantemente positiva e esperançosa com relação ao futuro de Temer, o jornal contou a “previsão ou premonição de Maia” que “Lula e Temer podem disputar segundo turno”, mas “Temer vencerá”. Maia também advertiu que “Temer será o candidato do nosso campo quer queira quer não”. Restou ao leitor determinar se “quer queira Temer” ou “quer queira o leitor”.

A Folha de S.P. ecoou a narrativa de esperança sem questionar a viabilidade do projeto.

O coro da grande imprensa continuou mesmo após o interino se mostrar humildemente “honrado com a lembrança” de Maia em nota oficial. Mas deixou claro: “Não cogito disputar a reeleição”. Os grandes jornais do país seguiram a deixa e refletiram em suas reportagens a “escolha” do presidente em exercício por não concorrer ao Planalto em 2018.

Os colunistas do Jornal O Globo não se conformaram com a negativa do presidente interino e continuaram a ignorar a decisão da Justiça Eleitoral pela impossibilidade da candidatura.

Por três dias inteiros, após a sugestiva entrevista de Rodrigo Maia, seguiram-se as especulações a respeito das intenções do interino, sem nenhuma menção à condenação por doações acima do limite legal na campanha eleitoral de 2014 que o tornaram inelegível até 2024.

Depois de dezenas de machetes e capas especulativas, o promotor do Ministério Público de São Paulo, José Carlos Bonilha, chamou a atenção para a inelegibilidade de Temer na quarta-feira. A jornalista Mônica Bergamo da Folha de S.P. informou na sexta que o Ministério Público pretende impugnar a candidatura caso venha a se concretizar. Ao contrário do que alegaram blogs de direita, Temer não se tornaria elegível após pagamento da multa pela condenação, esclareceu o promotor em entrevista para o Jornal O Globo essa semana:

“É necessário esclarecer que o pagamento da multa não afasta a inelegibilidade. E também é preciso ser dito que não depende da vontade dele ser ou não candidato. A inelegibilidade dele é uma consequência legal e não cabe a ele ou qualquer aliado decidir sobre isso. Esta é uma decisão que foi tomada pela Justiça Eleitoral.”

É difícil imaginar uma prova mais contundente da parcialidade da mídia dominante do que a promoção da candidatura de Temer por meses sem mencionar tamanho impedimento legal.

Imprensa prova que tem lado promovendo Temer, o inelegível, diz Greenwald | GGN

03/11/2013

É “glande” a liberdade de expressão made in England

Inglaterra dá lição em Cuba de como devem ser tratados os que incitam “causa política”…

Brasileiro foi detido por incitar ‘causa política’

David Miranda, parceiro do jornalista Glenn Greenwald, foi preso por 9 horas em agosto

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

Segundo o jornal britânico "Guardian", o motivo pelo qual o brasileiro David Miranda foi detido, em agosto deste ano no aeroporto de Heathrow, em Londres, teria sido o de promover "causas políticas ou ideológicas".

Miranda é namorado do jornalista Glenn Greenwald, responsável pela publicação no jornal britânico "Guardian" das denúncias sobre o programa de espionagem do governo dos EUA.

A agência Reuters, entretanto, cita informações da polícia e de documentos de inteligência que afirmam que o parceiro de Glenn Greenwald estaria envolvido com "terrorismo", tentando transportar documentos do ex-agente de inteligência norte-americano Edward Snowden.

Após a sua libertação e retorno ao Rio, Miranda entrou com uma ação judicial contra o governo britânico exigindo a devolução dos materiais apreendidos com ele por autoridades britânicas e uma revisão judicial da legalidade de sua detenção.

Um documento divulgado em uma audiência relacionada à ação de Miranda nesta semana afirma que "a inteligência [britânica] indica que Miranda provavelmente está envolvido em atividades de espionagem, com potencial para agir contra os interesses da segurança nacional do Reino Unido".

Segundo a Reuters, uma nova audiência sobre a ação de Miranda está marcada para a semana que vem.

ACORDO

Também consequência das informações vazadas pelo ex-técnico da NSA, Edward Snowden, o mal estar entre EUA e Alemanha pode ter um fim, de acordo com o jornal alemão "Frankfurter Allgemeine Zeitung".

Segundo a publicação, os países estudam assinar acordo sobre espionagem.

    02/11/2013

    Folha busca inverter os papéis

    Faz gato e sapato para transformar as arapongagens made in USA em episódio ruim ao jornalista para vitimizar os EUA. A espionagem vira personagem menor diante da capacidade de comunicação do vazador. O paroxismo está em transformar Assange em figura ridicularizada. Ridículo, esse Fábio Zanini. Mais capacho impossível.

    Ao dosar vazamentos, Greenwald ensina a obter máxima exposição

    FÁBIO ZANINIEDITOR DE "MUNDO"

    A turnê mundial de Glenn Greenwald chegou à Ásia, após sucesso no Brasil, México e Europa.

    Edward Snowden é a personalidade de 2013 (desculpe, papa Francisco), mas Greenwald leva o prêmio de comunicador do ano.

    Sua estratégia para maximizar a exposição dos papéis recebidos pelo ex-espião americano é uma aula. Nisso, impossível não compará-lo favoravelmente a outro notório vazador recente, Julian Assange, do WikiLeaks.

    Greenwald acertou onde Assange errou por seguir três princípios básicos.

    Primeiro, seja homeopático no vazamento: um país por vez, para que as informações não se sobreponham e sejam cumulativas. Assim, na semana passada um dia foi França, no outro Alemanha, depois Itália e Espanha.

    Agora, chegamos à Austrália, em breve virá a Índia, e assim por diante.

    Assange vazava ao mesmo tempo milhares de documentos, criando caos e levando a imprensa à insanidade para tentar decifrá-los.

    Depois, por mais engajado que esteja na causa, mostre-se como jornalista, não ativista. Greenwald, que era ligado ao "Guardian", passou a colaborar com veículos em diversos países na autoria de reportagens, e não apenas ser fonte delas. Isso garantiu a ele controle total sobre o que é publicado.

    Por último, deixe seu ego bem vigiado. Assange brigou com os veículos (todos da mídia tradicional) com os quais tinha acordos e passou a se achar mais relevante do que os fatos que divulgava.

    Hoje, é uma figura ridicularizada. Greenwald tem tido uma atitude bem mais sóbria, mesmo após ter virado o jornalista do momento. É o Assange que deu certo.

    29/09/2013

    Glenn Greenwald, a pedra no sapato do Tio Sam

    Greenwald, el periodista a quien Edward Snowden confió los secretos sobre el espionaje masivo de la agencia NSA.

    EL MUNDO › ENTREVISTA A GLENN GREENWALD, DEL DIARIO THE GUARDIAN

    “El gobierno de EE.UU. trata de asustarnos”

    Su trayectoria profesional va mucho más allá del caso de las revelaciones del ex agente de la CIA y de la NSA Edward Snowden. Es un actor central en la trama mundial de espionaje.

    Por Eduardo Febbro

    Desde Río de Janeiro

    Los drones, la lucha contra el terrorismo, la nefasta herencia de la administración del ex presidente norteamericano George Bush, las zonas oscuras de la administración de Barack Obama y el espionaje globalizado montado por Estados Unidos a partir del dispositivo Prisma. Glenn Greenwald conoce esos temas con el rigor y la pasión que le confieren su compromiso y una trayectoria profesional que va mucho más allá del caso de las revelaciones del ex agente de la CIA y de la NSA Edward Snowden. Glenn Greenwald es el segundo actor central de esta trama de espionaje: es este periodista quien, mes tras mes, destila en The Guardian el contenido del enorme dossier que Edward Snowden le entregó en Hong Kong antes de refugiarse en Rusia. Snowden no lo eligió por azar. Greenwald es un reputado autor de investigaciones que sacudieron el sistema político norteamericano y lo convirtieron en uno de los 50 comentaristas más influyentes de Estados Unidos.

    Quienes conocen su nombre a través de Snowden y el tentacular espionaje de Prisma ignoran la sólida trayectoria que lo respalda. Abogado de profesión, en 2005 Greenwald dejó su carrera de representante de bancos y de grandes empresas y se lanzó en la defensa de los derechos cívicos, las libertades públicas y las investigaciones de alto vuelo. Ese mismo año, un caso de espionaje por parte de la NSA revelado por The New York Times lo propulsó a través de su blog, How Would a Patriot Act, que luego se volvería un libro, How Would a Patriot Act? Defending American Values from a President. Al año siguiente, este activista riguroso publicó un libro feroz sobre la espantosa herencia de la administración Bush, A Tragic Legacy: How a Good vs. Evil Mentality Destroyed the Bush Presidency. En 2008 le siguió otro libro acerca de los mitos e hipocresías de los republicanos, Great American Hypocrites: Toppling the Big Myths of Republican Politic, y en 2012 otra obra cumbre sobre la forma en que la ley es utilizada para destruir la igualdad y proteger al poder: With Liberty and Justice for Some: How the Law Is Used to Destroy Equality and Protect the Powerful.

    Entre libro y libro, Greenwald llevó a cabo investigaciones explosivas sobre WikiLeaks, Julian Assange, y el soldado Bradley Manning, el militar que le entregó a Assange los cables secretos. Premiado varias veces por su trabajo, Glenn Greenwald define al periodismo de una manera militante: “Para mí, el periodismo es dos cosas: investigar hechos sobre las actividades de la gente que está en el poder, y plantearle límites”.

    Este es el hombre a quien, en mayo de este año y luego de que The Washington Post haya rehusado publicarlos, Edward Snowden le entregó los documentos del abismal espionaje estructurado por la NSA a través del dispositivo Prisma con la colaboración de las empresas privadas como Google, Facebook, Yahoo!, Microsoft y tantas cosas. Glenn Greenwald vive en Brasil dese hace varios años. El doble caso Snowden y Prisma cambió muchas cosas de su vida. Su compañero, David Miranda, fue detenido e interrogado en Londres durante muchas horas en virtud de una ley antiterrorista. Ambos saben que sus conversaciones y sus gestos están celosamente vigilados. Se adaptaron a esa vida sin renunciar por ello a continuar el trabajo de denuncia.

    En esta entrevista exclusiva realizada en Río de Janeiro por Página/12, Glenn Greenwald revela aspectos inéditos sobre Edward Snowden, cuenta las dificultades de su vida y corre un poco más el telón sobre la nueva industria norteamericana: espiar a cada ciudadano del mundo.

    –Estados Unidos argumenta que el espionaje planetario apunta a luchar contra el terrorismo. Sin embargo, la lectura de los documentos que Snowden le entregó a usted no aporta esa prueba.

    –Si miramos los últimos 30 años, y sobre todo desde los atentados del 11 de septiembre, hay una idea que los norteamericanos quieren aplicar: utilizar el terrorismo mundial para que la gente tenga miedo y actuar con las manos libres. Es una excusa para torturar, secuestrar y arrestar. Ahora están utilizando la misma excusa para espiar. Los documentos sobre la manera en que Estados Unidos espía y sus objetivos poco tienen que ver con el terrorismo. Muchos tienen que ver con la economía, las empresas y los gobiernos, y están destinados a entender cómo funcionan esos gobiernos y esas empresas. La idea central del espionaje es ésa: controlar la información para acrecentar el poder de Estados Unidos alrededor del mundo. En los archivos de la NSA hay documentos sobre el terrorismo, pero no son la mayoría. El gasto de millones de dólares para coleccionar toda esta información contra el terrorismo es una broma. Espiar a Petrobras, a Al Jazeera o a la OEA; esos objetivos nada tienen que ver con el terrorismo. El gobierno está tratando de convencer a la gente de que debe renunciar a su libertad a cambio de estar más segura, trata de asustar y hacer creer que sacrificar la libertad es algo necesario para estar a salvo y protegido de las amenazas que vienen de afuera.

    –El paso que dio Edward Snowden al haberle suministrado los documentos sobre la manera en que Washington espiaba al planeta entero es sorprendente. ¿Cómo se explica que alguien tan joven, que formaba parte del aparato de inteligencia, optara por ese camino?

    –Hay ejemplos en la historia en que la gente sacrifica sus propios intereses para poner término a muchas injusticias. Las razones por las cuales actúan así son complicadas, complejas. En este caso, hay dos cosas importantes: una es que Snowden valora al ser humano y los derechos. Snowden tenía las cosas claras: o continuar con este sistema, perpetuar este mundo destruyendo la privacidad de cientos de millones de personas en el planeta, o, mejor, romper el silencio y actuar contra estos abusos. Creo que Snowden comprobó que si hubiese seguido permitiendo la existencia de este sistema no hubiese podido seguir viviendo con la conciencia tranquila el resto de su vida. El dolor, la vergüenza, el remordimiento y el arrepentimiento como sentimientos para el resto de sus días le daban miedo. Era demasiado grave para guardarlo en su conciencia. Vio que no había muchas opciones y que debía tomar partido. Lo otro importante es que Snowden tiene 30 años, su generación creció con Internet como una parte central de sus vidas. La gente un poco más mayor no se da cuenta de la importancia de Internet para la existencia de las personas. Snowden me dijo que Internet le ofreció a su generación todo tipo de ideas, campos de exploración, contactos con otras personas en el mundo y una capacidad de entendimiento inéditos. Entonces decidió protegerlo. No quería vivir en un mundo en el que todo esto desapareciera, en donde la gente no pudiese utilizar Internet nunca más.

    –Pero Snowden fue sin embargo un hombre del sistema.

    –Sí, pero era muy joven cuando empezó. Tenía 21 años. Con el correr del tiempo fue cambiando sus puntos de vista sobre el gobierno de Estados Unidos, la NSA, la CIA. Snowden cambió de forma gradual, progresiva. Empezó a darse cuenta de que esas instituciones que pretendían hacer el bien no estaban haciendo el bien sino el mal. Snowden me dijo que, a partir de 2008 y 2009, ya pensó en convertirse en un filtrador de documentos. Como muchas otras personas en el mundo, Snowden también pensó que la elección de Barack Obama iba a conducir a que los abusos se atenuasen. Confiaba en eso. Pensó que Obama revertiría el proceso, que sería diferente y mejor, pero se dio cuenta de que no era así. Esa fue una de las razones. Tomó conciencia de que Obama no arreglaba nada, más bien Obama siguió perpetuando el imperio norteamericano.

    –El poder de Estados Unidos es prácticamente sin límites a partir del control de las tecnologías de la información. Muchos piensan que, de alguna manera, Obama es peor que Bush.

    –Es difícil decir que Obama es peor que Bush. No hace falta que Obama diga: “Espiemos más”. Desde luego, Obama tiene una parte de responsabilidad en el crecimiento de este sistema de espionaje. Obama continuó con las mismas políticas de antes, pero cambió el simbolismo y la imagen. Creo que el escándalo que provocó la filtración de estos documentos cambió la visión que la gente tenía de Barack Obama. Snowden y yo pasamos mucho tiempo en Hong Kong hablando sobre lo que iba a pasar con las revelaciones. No podíamos calcular las consecuencias. Teníamos conciencia de la importancia, pero pensábamos que podía haber una reacción apática. Pero desde que se publicó la primera historia el interés sigue creciendo. Esto se está convirtiendo en una traba para que los gobiernos sigan abusando de su poder, para continuar actuando en secreto. Pero hay individuos como Snowden, como el soldado Bradley Manning, o entes como WikiLeaks, que sacan a la luz la información. Julian Assange es un héroe por el trabajo que hizo con WikiLeaks. En muchos sentidos, fue él quien hizo que esto fuera posible, fue Assange quien planteó la idea según la cual, en la era digital, para los gobiernos era muy difícil proteger sus secretos sin destruir otra privacidad. Esa es la razón por la cual el gobierno de EE.UU. está en guerra contra las personas que hacen eso: quieren asustar a otros individuos que estén pensando en hacer lo mismo en el futuro. Yo me apoyé en el coraje de Snowden para publicar estos documentos. Edward Snowden es hoy una de las personas más buscadas del mundo, es probable también que pase los próximos 30 años en la cárcel. Lo que llevó a cabo Snowden es una de las cosas más admirables que he visto hacer a alguien en nombre de la justicia.

    –Los gobiernos de la Argentina, el Brasil, al igual que otros Estados en el mundo, están empujando para romper el cerco del espionaje y el control casi absoluto que Estados Unidos tiene sobre Internet. ¿Cuál es para usted la solución?

    –Yo creo que la solución sería crear un lobby entre los países, que los países se unan para ver cómo construir nuevas pasarelas para Internet que no permitan que un país domine completamente las comunicaciones. El problema radica también en que cada país empieza a tener más control sobre Internet, y eso puede hacerlos caer en la tentación de hacer lo mismo que los Estados Unidos: intentar monitorear e utilizar Internet como una forma de control. Hay una conciencia real de que la Argentina y el Brasil están construyendo una Internet propia, lo mismo que la Unión Europea, algo que hasta ahora sólo había hecho China. Pero el riesgo está en que estos gobiernos imiten a Estados Unidos: crear sus propios sistemas no ya para permitir la privacidad de sus ciudadanos, sino para comprometerla. Eso es un peligro. Es importante tener la garantía de que el control que ostenta Estados Unidos sobre las comunicaciones no termine en una transferencia a otros poderes. Leí un documento en el diario The New York Times en el que se mostraba el inmenso poder e influencia que EE.UU. tiene gracias a detentar el control de los servicios de Internet. De hecho, Estados Unidos inventó Internet. Muchos países se dieron cuenta de que no serán capaces de garantizar su confidencialidad si siguen usando sistemas que se apoyen en servidores norteamericanos.

    Página/12 :: El mundo :: “El gobierno de EE.UU. trata de asustarnos”

    15/06/2013

    Não deu no NYT, nem na The Economist

    É como no Brasil, quem confiaria nos a$$oCIAdos do Instituto Millenium para contar as falcatruas do Daniel Dantas? Como disse o PHA, Daniel Dantas foi pego passando a bola no ato de passar, e ainda assim encontrou “facilidades” nos órgãos superiores. Que outra pessoa conseguiria dois habeas corpus em menos de 24 horas do mesmo Ministro Gilmar Mendes? Só FHC… New York Times, The Economist e demais órgãos de assessoria dos EUA, como Murdoch, só encontram credibilidade nos vira-latas e vira-bostas tupiniquins. Vez que outra The Economist é escalado para atacar a política econômica do Brasil para servir de escada aos seus subalternos brasileiros e ninguém parece se dar conta disso.

    A mulher por trás do escândalo da vigilância do governo americano

    Kiko Nogueira 10 de junho de 2013

    Laura Poitras, a primeira pessoa a ser contatada pelo ex-técnico da CIA Edward Snowden, diz que ele tinha suspeitas da mídia tradicional.

    Laura

    Laura

    Que Edward Snowden, o homem que vazou os dados sobre o esquema de vigilância do governo americano, tinha falado com Glenn Greenwald, do Guardian, você já sabia. Greenwald, no entanto, não estava sozinho. Nos créditos do vídeo preparado pelo jornal, aparece uma mulher como “cineasta”. Seu nome é Laura Poitras e ela recebeu um email de Snowden em janeiro. Foi a primeira pessoa com quem Snowden entrou em contato.

    Poitras foi descoberta agora pelo site Salon. É documentarista e ainda está em Hong Kong fazendo um filme sobre o caso. Foi indicada ao Oscar em 2006 por My Country, My Country, um relato do impacto da guerra do Iraque sobre a população iraquiana. Foi o primeiro de uma trilogia de documentários sobre as políticas americanas pós 11 de setembro. O segundo, The Oath, fala de Salim Hamdan, ex-motorista de Osama bin Laden e seu cunhado, e o terceiro é a respeito de pessoas que passam informações confidenciais. Está sendo finalizado (o encontro com Snowden é parte disso).

    Laura colaborou com Julian Assange no próximo filme do Wikileaks. Ela é membro do conselho da Fundação Pela Liberdade de Imprensa, entidade dedicada a promover e financiar o jornalismo que expõe a má gestão, a corrupção e a violação de leis pelo governo dos EUA.

    Ela diz que foi presa mais de 40 vezes em fronteiras desde o lançamento de My Country, My Country. Foi incluída numa lista de elementos perigosos. “No momento, é melhor para mim que eu fique fora do país, o que é uma coisa triste de admitir”, ela diz. No ano passado, foi curadora de um grande ato, num museu, cujo tema era espionagem. Visitantes foram presos ao tentar entrar no museu.

    Laura deu uma entrevista para o Salon em que explica como chegou a Snowden – e também, sinal dos tempos, por que não deu o material para o New York Times. Alguns trechos:

    Por que você acha que Snowden entrou em contato com você? Você foi a primeira pessoa com quem ele falou?

    Eu não posso falar por ele. Ele me disse que me contatou porque minha prisão na fronteira significava que eu havia sido selecionada. Ser selecionada – e ele entrou numa longa litania – quer dizer que tudo o que você faz, todos os amigos que tem, tudo o que você adquire, cada rua que você cruza, você esta sendo vigiado. “Você provavelmente não gosta de como o sistema funciona, e eu acho que posso te contar a história…” Claro que eu estava desconfiada, eu achava que era uma armadilha.

    Eu posso dizer que, através das conversas que tivemos, ele suspeitava da mídia tradicional. E principalmente com o que aconteceu com a matéria dos grampos (no governo Bush), que, como sabemos, ficou na gaveta (do Times) por um ano. Eu não sabia que ele estava contatando Glenn àquela altura.

    Você ainda tem contato com ele?

    Eu não vou comentar sobre isso.

    Você sabe onde ele está?

    Não vou comentar.

    Você vai ficar em Hong Kong e arredores por um tempo ou acha que dá para ir aos EUA?

    Ainda não decidi. Estou tentando descobrir isso agora. Mas eu estou realmente baseada agora fora dos Estados Unidos.

    Você está preocupada com a retaliação em qualquer investigação que faça daqui para a frente?

    Eu tenho sdo espionada há um longo tempo e não ficaria surpresa se isso continuar.

    Que tipo de democracia é essa? Eu senti que essa era uma luta que vale a pena. Qualquer coisa que eu possa fazer para ajudar é um serviço.

    Pessoas assumem riscos. E eu não sou a única que está correndo mais risco nesse caso.

    Ele sempre planejou revelar a sua identidade?

    Eu não sei. É uma situação complicada porque temos uma fonte que decidiu se revelar. Eu ainda sinto que tenho obrigações jornalísticas com a fonte, apesar de ela ter feito essa escolha… Glenn disse que começou a “trabalhar” com ele. Não houve trabalho. Nós fomos contatados.

    Eu não sabia onde ele trabalhava, eu não sabia que ele era da Agência de Segurança Nacional, eu não sabia nada. Fomos contatados, eu não sabia o que ele estava fazendo e em algum momento ele apresentou os documentos.

    Sobre o autor: Kiko Nogueira Veja todos os posts do autor Kiko Nogueira

    Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.

    A mulher por trás do escândalo da vigilância do governo americano | Diário do Centro do Mundo

    07/06/2013

    O melhor jornalista norte-americano mora no… Rio!

    Filed under: Glenn Greenwald,Liberdade made in USA!,Terrorismo de Estado — Gilmar Crestani @ 10:57 pm
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    A face do novo jornalismo (não, não estamos falando de Gay Talese ou Tom Wolfe)

    Kiko Nogueira 7 de junho de 2013

    O caminho apontado por Glenn Greenwald, autor do furo sobre o esquema de vigilância do governo americano.

    GG

    GG

    Glenn Greenwald. Você já leu alguns artigos dele aqui no Diário. O advogado constitucionalista, jornalista, blogueiro e escritor é autor do furo sobre o esquema de vigilância do governo americano sobre milhões de cidadãos, organizado pela Agência de Segurança Nacional. Além de contas telefônicas, um programa chamado PRISM monitorava informações de Microsoft, Yahoo, Google, Facebook, AOL, YouTube, Apple, PalTalk e Skype.

    O artigo repercutiu mundialmente. Depois de ser equiparado a seu antecessor George W. Bush, o presidente Obama foi obrigado a dar uma resposta, como sempre em seu pior estilo sabonete: “Eu dou as boas vindas a esse debate”.

    “Eu encaro meu jornalismo como um advogado de acusação”, disse Greenwald ao New York Times. “As pessoas dizem coisas, você acha que ela estão mentindo e então vai atrás de documentos para provar”. Greenwald incorpora um novo jornalismo: independente, agressivo, combativo, absolutamente conectado. Colunista do inglês The Guardian – provavelmente, o melhor jornal do mundo hoje –,  ele migrou para lá por causa de seu blog Unclaimed Territory, fundado em 2005 (chegou a dar expediente um ano e meio no escritório de advocacia nova-iorquino Wachtell, Lipton, Rosen & Katz).

    Seus textos costumam ser longos, bem argumentados, repletos de links e sempre, sempre opinativos. É prolixo, eventualmente. Não larga o osso. Antes do Guardian, escreveu para o ótimo site Salon, onde publicava sem passar por qualquer editor – principal e notadamente o que o contratou.

    “Sua postura política é determinada pela sua personalidade, sua relação com a autoridade, o quanto você se sente confortável com sua vida”, afirmou na entrevista ao Times. “Quando você cresce gay e não é parte do sistema, você se obriga a avaliar: ‘sou eu, ou o sistema que é ruim?’”

    Greenwald foi criado na Florida e vive no bairro da Gávea, no Rio de Janeiro, com seu parceiro David Michael Miranda. Os dois se conheceram na praia, em Ipanema. Suas causas envolvem a Guerra do Iraque, a do Afeganistão e a perda das liberdades individuais nos Estados Unidos. Bateu pesadíssimo no filme de Kathryn Bigelow, A Hora Mais Escura, sobre a caçada a Osama Bin Laden  (o qual, diga-se, é um bangue-bangue de propaganda). É acusado por seus inimigos de “esquerdista” e de ser complacente com o terrorismo.

    Greenwald deu um passo didático em direção ao futuro do jornalismo: o modelo financiado pelo leitor (crowdfunding, que tem bancado filmes, shows, sites, discos etc etc). Grosso modo, abriu uma conta e pediu doações. Como escreveu no Guardian:

    Desde que eu comecei a escrever sobre política, tenho contado com doações anuais de leitores para permitir-me fazer o jornalismo que eu quero fazer: primeiro quando tinha minha página no Blogspot e depois no Salon. Esse tem sido o principal fator da minha independência – irrestrita no que eu posso dizer e fazer – porque significa que eu sou responsável, em última instância, pelos meus leitores, que não têm uma agenda diferente da minha, e sem medo da reação negativa de ninguém. O apoio dos leitores também tem financiado diretamente a maior parte do trabalho que eu faço e de ser capaz de ter assistentes de pesquisa e outros recursos necessários.

    Por essa razão, quando transferi meu blog do Salon para o Guardian, o Guardian e eu acordamos que eu continuaria a depender em parte do apoio do leitorado. Ter isso como parte do combinado, ao invés de ficar exclusivamente com o pagamento do Guardian, foi vital para mim. É o modelo em que realmente acredito.

    É indispensável para minha independência. Me habilita a trabalhar mais efetivamente, tendo os recursos de que preciso para dispender o tempo no que realmente acredito que possa causar impacto.

    Atualmente, essa não é a maneira segundo a qual o jornalismo é financiado nos círculos estabelecidos, mas estou convencido de que é o melhor caminho. Estou sinceramente agradecido a todos os leitores que gastam seu tempo vindo aqui e àqueles que no passado apoiaram o meu trabalho.

    Da próxima vez em que você ouvir falar em novo jornalismo, esqueça Gay Talese ou Tom Wolfe. O futuro está aqui e não é mais como era antigamente.

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    TAGS » crowdfunding, crowdsourcing, dcm, futuro do jornalismo, Glenn Greenwald, jornalismo, nsa, pacto de vigilância, The Guardian

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    Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.

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