Ficha Corrida

20/07/2012

FSP, advogada das empresas de telefonia

Filed under: FSP,Telefones — Gilmar Crestani @ 7:44 am

Neste tempo todo, quantas reportagens a Folha de São Paulo e demais a$$oCIAdos do Instituto Millenium fizeram a respeito tanto da inoperância da ANATEL como dos maus serviços prestados pela telefonia? Não custa lembrar que as regras de privatização impunham a criação de agências engessadas, com  pessoas postas lá par nada fazerem. Só quando as primeiras foram substituídas, após cumprirem os mandatos, os que chegaram puderam se dedicar ao papel de fiscalizar. Não bastasse isso, quando o clamor vem dos usuários e do outro lado estão grandes empresas, a velha mídia só dá chute em cachorro morto. Como não poderia deixar de ser, medida tomada, pau na Dilma. Não seria Folha se fosse diferente.

EDITORIAIS editoriais@uol.com.br 

Rigor e omissão

Medida da Anatel contra empresas de telefonia surpreende pela dureza, mas oculta responsabilidades do governo nas falhas apontadas

Em meio a certa descrença sobre a atuação das agências de fiscalização -ainda mais quando se dedicam a acompanhar a atividade de grandes grupos empresariais-, causa impacto a decisão da Anatel de suspender a venda de chips comercializados por três operadoras de telefonia móvel.

A partir de segunda-feira, Tim, Oi e Claro estarão impedidas de fornecer novos números de telefone celular aos seus clientes, em diversos Estados do país. A agência reguladora do setor exige dessas empresas a apresentação de um plano de investimentos, com vista a diminuir o alto número de reclamações dos consumidores.

Ligações interrompidas ou entrecortadas, além da notória lentidão no atendimento ao cliente, fazem parte do cotidiano de milhões de brasileiros -dos quais só uma pequena parte, por certo, encontra tempo e energia para levar suas queixas aos órgãos competentes.

A punição imposta pela Anatel foi drástica. Por isso, cabe indagar o quanto de teatralidade política pesou na decisão.

Insiste-se em cristalizar, da presidente Dilma Rousseff, a imagem de uma administradora intransigente e rigorosa. Todavia, essa aura de rigor do Executivo -que indiretamente se fortalece com as medidas anunciadas pela Anatel- não resiste a exame mais detido.

Considerando-se, por exemplo, que as operadoras de celular chegam a esperar até três anos para obter licença para instalar uma antena, devido à burocracia que impera na área, não é razoável atribuir apenas a elas a responsabilidade pelos problemas.

O crescimento da demanda por telefones, a exemplo do que ocorre, aliás, em diversos outros setores de infraestrutura, não foi acompanhado de suficiente modernização administrativa e institucional.

Na área política, continua emperrada a discussão de leis que regulem o uso do solo no percurso dos cabos de telefonia e a construção de torres. As normas variam de cidade para cidade, sem que varie, naturalmente, a complicação burocrática em todo o processo.

A forma escolhida para a punição foi, ademais, questionável. Proibida a venda de chips nas três operadoras, o consumidor fica sem saída -exceto a de adquirir os serviços da única empresa que, neste episódio, escapou da sanção.

Na Inglaterra, para citar um caso recente, falhas semelhantes foram compensadas diretamente ao usuário, que contou com alguns dias de utilização gratuita do celular.

A privatização propiciou avanços inegáveis no setor de telefonia, mas a população brasileira ainda sofre com serviços piores e tarifas mais elevadas do que em outros países.

Os responsáveis, está claro, são as empresas e o governo. É preciso que ambos tomem as providências para equacionar e sanar os problemas. Não bastam sanções que, elogiáveis pelo espírito de rigor, podem reduzir-se apenas à gesticulação política que já se conhece.

01/06/2012

Folha devia falar da tucanada na casa de Monica Waldvogel

Filed under: FSP,Grupos Mafiomidiáticos,Putaria Mafiomidiática — Gilmar Crestani @ 8:54 am

Posted by eduguim on 31/05/12 • Categorized as denúncia

Saiu uma matéria na edição de ontem (30.05) do jornal Folha de São Paulo que seria de cair o queixo se não se tratasse de um veículo que se especializou em inventar e/ou distorcer notícias. O texto versa sobre encontro que o pré-candidato a prefeito de São Paulo pelo PT, Fernando Haddad, teve com blogueiros na residência de Paulo Henrique Amorim.

O texto da Folha, além de mentiroso, é curioso. E, segundo apuração que fiz, não conteve tantas imprecisões por preguiça da jornalista Catia Seabra, que assina a matéria, simplesmente porque o jornal colocou um repórter fotográfico de tocaia em um carro que ficou parado próximo à casa de PHA, de forma a registrar a entrada e saída de convidados.

Coitado do rapaz. Enquanto degustávamos uma magnífica pasta recheada de bacalhau desfiado, acompanhada de um vinho divinal, ele mofava dentro de um carro tentando adivinhar quanto tempo mais aquela maldita reunião duraria.

O relato de Catia Seabra – com quem tive um bate-boca em 2007, quando o Movimento dos Sem Mídia fez seu primeiro ato público diante da Folha – conteve manipulação da lista de blogueiros que se encontraram com Haddad e, também, da natureza do encontro. Segundo a jornalista, o pré-candidato teria ido “pedir ajuda” a tais blogueiros.

Como não pedi autorização às pessoas presentes e ausentes para citá-las, só posso dizer que, das oito que foram nomeadas na matéria da Folha, três não participaram do encontro com Haddad e outras quatro que participaram (sendo eu uma delas) não foram citadas. Por que a Folha manipulou a lista de convidados que publicou? Sabe-se lá…

Mas o mais grave – e o mais ridículo – dessa “reportagem” foi a descrição da natureza do encontro. O pré-candidato a prefeito de São Paulo foi “pedir ajuda” a blogueiros que a Folha sempre diz que são pagos pelo partido dele? Ora, se somos pagos não haveria por que pedir nada e muito menos se encontrar conosco. Quem paga, manda.

Aliás, por que Haddad pediria alguma coisa a blogueiros que a matéria da Folha diz que apoiam o PT? Se já apoiam, o pré-candidato foi pedir o quê? Para continuarem apoiando, talvez?

Ridículo.

Aliás, a prova de que quem trabalha para partidos é a Folha está no fato de que o jornal só se interessa por encontros de políticos com jornalistas se os políticos forem petistas. Por que a Folha não noticia a revoada de tucanos que vive acontecendo na casa de praia da jornalista da Globo News Mônica Waldvogel?

Esquisito, não? Por que essa afasia jornalística em relação a tucanos e o ímpeto irrefreável em relação a petistas?

Sobre a natureza do encontro de Haddad com blogueiros, transformou-se em uma sabatina informal em que o pré-candidato respondeu a uma saraivada de questões deste e dos outros blogueiros presentes. As questões foram sobre projetos e estratégia política. Nem nós, blogueiros, nem os políticos presentes pediram nada uns aos outros.

O fato, caro leitor, é que se as pessoas soubessem como são feitas as salsichas e o jornalismo da Folha, não os consumiriam nem sob a mira de um fuzil.

Folha devia falar da tucanada na casa de Monica Waldvogel | Blog da Cidadania

31/05/2012

O outono da Folha

Filed under: Ditabranda,FSP,Grupos Mafiomidiáticos — Gilmar Crestani @ 10:47 pm

 

“Folha tucana ataca blogosfera”

publicada quarta-feira, 30/05/2012 às 15:58 e atualizada quinta-feira, 31/05/2012 às 01:21

Na opinião desse escrevinhador, a “Folha” não é um jornal que mereça resposta. Mas alguns colegas blogueiros resolveram escrever sobre a “reportagem” que Catia Seabra e um rapaz que não conheço publicaram, na edição dessa terça-feira.

Sobre a “reportagem”, faço apenas um registro:  o PIG passa mais um recibo gigante sobre o incômodo que a blogosfera provoca. Mais que incômodo, calafrios. Mais que calafrios, medo.

A “Folha” teme a blogosfera. E não adianta chamar os velhos amigos da OBAN (a quem o jornal emprestava caminhonetes, para transportar presos torturados, em troca de sabe-se lá que favores). Nem adianta chamar o Serra.

A “Folha” declarou guerra aos blogs. E aqui ninguém foge da briga.

(Rodrigo Vianna)

Sobre isso, leiam também:

PH Amorim – “Cerra não foi convidado”

Renato Rovai – “A patrulha do PIG”

e

”Folha tucana ataca a blogosfera”, por Altamiro Borges

Numa matéria desonesta e distorcida, assinada pelos jornalistas Bernardo Mello e Catia Seabra, a Folha de hoje voltou a atacar a blogosfera – o que só confirma que a velha mídia está muito incomodada com a força crescente das redes sociais. Ao tratar de uma reunião ocorrida ontem à noite entre blogueiros paulistas e o candidato à prefeitura de São Paulo Fernando Haddad (PT), o jornal tucano destilou todo o seu veneno.

Já no título, “Petista pede ajuda a blogueiros que apoiam governo”, uma mentira deslavada. A reunião foi articulada pelos ativistas digitais e não pelo PT ou por Haddad. Da mesma forma, os blogueiros – que residem em São Paulo e conhecem o desastre causado pela dupla Serra-Kassab – já estão agendando conversas com candidatos à prefeitura paulistana de outros partidos.

Na reunião, o pré-candidato petista apresentou as suas propostas programáticas para a cidade, apontou os principais problemas das últimas gestões demotucanas – e agora do PSD de Kassab – e falou dos desafios da sua campanha eleitoral. Mesmo sem ter acesso ao encontro, a Folha intuiu – bem ao estilo Gilmar Mentes – que Haddad “pediu ajuda a sua campanha na internet”. Nada foi falado sobre o tema, nem o petista seria ingênuo para achar que iria enquadrar os blogueiros. Ou seja: a Folha mentiu novamente!

De forma desonesta, a Folha tentou vender a imagem de que os presentes da reunião pertencem ao “núcleo de militantes virtuais para atuar na internet” e que “o grupo será acionado para fazer propaganda de Haddad e atacar rivais nas redes sociais”. Do encontro participaram vários blogueiros que não têm qualquer filiação partidária e, inclusive, militantes de outros partidos. A Folha sabe disso, mas procurou novamente manipular a informação.

Vínculos sombrios com José Serra

Na prática, a “reporcagem” da Folha tentou prestar mais um servicinho sujo ao tucano José Serra – com que sempre teve o rabo preso. É bastante conhecida a influência do eterno candidato do PSDB na cúpula da empresa da famiglia Frias, inclusive na confecção de pautas e no pedido de demissões de repórteres menos amestrados. Será que a Folha topa divulgar, com mais transparência, seus constantes encontros e contatos com Serra?

A matéria também visou estimular a cizânia entre os blogueiros. Mas esta tentativa é infantil. Os ativistas da chamada blogosfera progressista sempre zelaram pela pluralidade no interior deste jovem movimento. Eles sabem que existem blogueiros de diferentes concepções e origens, de diversos partidos e, principalmente, de ativistas digitais sem filiação partidária. O esforço sempre foi o de construir a unidade na diversidade, respeitando o caráter horizontal e democrático deste movimento.

A Folha, com a sua cultura autoritária e arrogante, não entende a nova realidade da rede. Azar dela. Ela continuará a perder credibilidade e leitores! O seu modelo de negócios continuará afundando!

Leia outros textos de Radar da Mídia

“Folha tucana ataca blogosfera” – Escrevinhador

Cara na Veja, bunda no formigueiro!

Filed under: CPI da Veja,FSP,José Serra,Mônica Bergamo — Gilmar Crestani @ 10:25 pm

 

Cerra substituiu Cachoeira na Veja ?

O Conversa Afiada publica e-mail do amigo navegante Jacinto Amaral:

Meus caros, a se confiar na notinha (sic) da Monica Bergamo de hoje nas Folhas, Zé Cerra ligou para o Jobim mandando ele falar com a Veja. E quando o Jobim ligou soube que era a estorinha do Gilmar. Ou seja, Cerra tá trabalhando como editor da revista!

(A notinha é a que se segue:

QUARTO ELEMENTO
Há alguns dias, José Serra ligou para o ex-ministro Nelson Jobim. Pediu a ele que falasse com a revista “Veja”. Jobim atendeu ao pedido do amigo -e só então soube da reportagem sobre Lula e o ministro Gilmar Mendes. Escaldado (sic), Jobim disse não ter presenciado nada beligerante na conversa entre os dois, que ocorreu em seu escritório, em Brasília.)

Navalha

Se a Veja, de fato, perdeu um colaborador inestimável, o Carlinhos Cachoeira, parece, segundo a Ilustrada Folha (*), que já o substituiu.

À altura.

Paulo Henrique Amorim

(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a  Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

Dá uma palavrinha com a Veja … (Ou, como pegar o Lula !)

Cerra substituiu Cachoeira na Veja ? | Conversa Afiada

Jornalismo? Putaria pura. Estrelando Vera e Otávio!

Filed under: FSP,Putaria Mafiomidiática — Gilmar Crestani @ 9:38 am

 

Análise de um factoide, por Leandro Fortes

Enviado por luisnassif, qua, 30/05/2012 – 20:58

Por  Walter22
Comentário de Leandro Fortes a respeito de matéria da Folha sobre Lula (a matéria está logo abaixo do comentário)………………………………………………………….

"Minha humilde contribuição de professor às aulas do cursinho de trainee da Folha de S.Paulo.

1) Na manchete, assim como no lead (primeiro parágrafo do texto jornalístico), lê-se "membros do governo" e "integrantes do governo" unidos numa certa avaliação resumida em um "tiro no pé";

2) Ao se ler a referida reportagem, contudo, percebe-se que os tais "membros" e "integrantes" se resumem a uma declaração em off, entre aspas, onde se lê: "Quem vai ter coragem de segurar o processo [do mensalão] agora?”, questiona UM INTERLOCUTOR do Planalto.

3) Também na reportagem somos informados que a informação primária vem da coluna "Painel", da Folha, assinada pela jornalista Vera Magalhães. Então, algumas considerações para discussão em sala de aula:

– A manipulação da informação por meio de manchetes desconectadas do texto, apesar de ser um recurso antigo, é uma canalhice fora de moda. Com a internet e as redes sociais, essa estratégia cai sempre no ridículo. Não façam.

– Muita gente usa, mas evite lançar mão de aspas em off. Quase sempre é um recurso de repórteres sem escrúpulos e/ou preguiçosos para inventar frases que, normalmente, eles não conseguiriam arrancar de ninguém.

– Vera Magalhães é esposa de Otávio Cabral, um dos autores da reportagem da Veja sobre o encontro de Lula e Gilmar Mendes na casa de Nelson Jobim. Nesse caso, creio, deveria se declarar impedida de produzir notas sobre a matéria do marido.

Grato pela atenção."

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Membros do governo avaliam que atitude de Lula foi ‘tiro no pé’

Integrantes do governo sustentam que o voluntarismo do ex-presidente Lula com o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes acabou virando um tiro no pé.

"Quem vai ter coragem de segurar o processo [do mensalão] agora?”, questiona um interlocutor do Planalto.

A informação é do "Painel", editado por Vera Magalhães e publicado na edição desta quarta-feira da Folha (a íntegra da coluna está disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).

Gilmar Mendes diz ser alvo de ‘intrigas’ por parte de Lula
Presidente do PT associa Mendes a suposta manobra contra Lula
Procurador vai enviar caso de Lula para primeira instância
Lula diz estar ‘indignado’ com notícia sobre reunião com ministro

Réus do mensalão já haviam ficado perplexos e furiosos com o que consideram descuido de Lula.

Ontem, declarações de Mendes elevaram o tom de seu confronto com Lula, iniciado no fim de semana com a revelação pela revista "Veja" de um encontro que eles tiveram em abril no escritório do ex-ministro do STF Nelson Jobim.

O ministro afirmou que Lula fomentou intrigas contra ele para constranger o tribunal e tentar "melar" o julgamento previsto para ocorrer neste ano.

Mendes disse que Lula agiu como uma "central de divulgação" de informações sobre sua ligação com o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) e o empresário Carlos Cachoeira, acusado de chefiar um esquema de corrupção.

"O objetivo era melar o julgamento do mensalão", afirmou Mendes, ao chegar para uma sessão do STF. "Dizer que o Judiciário está envolvido numa rede de corrupção."

Segundo o ministro, o ex-presidente disse que o julgamento do mensalão deveria ser adiado para depois das eleições deste ano e sugeriu que poderia garantir proteção na CPI que investiga Cachoeira.

Em nota na segunda-feira, Lula se disse "indignado" com a versão de Mendes, que não foi corroborada por Jobim. A assessoria do ex-presidente disse ontem que não se manifestaria sobre as novas declarações de Mendes.

O ministro do STF disse que as pressões para que o julgamento do mensalão seja adiado seguem uma "lógica burra, irresponsável, imbecil" e voltou a defender a realização do julgamento ainda neste semestre. "Nós vamos ficar desmoralizados se não o fizermos", afirmou.

Lula chegou ontem a Brasília e se encontra hoje com a presidente Dilma Rousseff.

Análise de um factoide, por Leandro Fortes | Brasilianas.Org

23/05/2012

A quem a Folha paga tributo?

Até hoje não havia entendido o nome do caderno da Folha de São Paulo chamado Ilustrada, já que não correspondia ao que pretendia. Agora, pela matéria abaixo, tenho para mim que não passa de uma homenagem ao homem que faz a cabeça dos Frias: IlUSTRAda. Não é Brilhante?! Taí a explicação porque a FSP acha que a ditadura foi uma ditabranda

Autor de livro sobre Cláudio Guerra critica Folha e Ustra

Autor de livro sobre Cláudio Guerra critica Folha e UstraFoto: Montagem/247

Autor de "Memórias de uma guerra suja", Marcelo Netto publica em site protesto contra matéria da Folha de S.Paulo "com propósito de desqualificar Claudio Guerra" (foto); segundo ele, mulher do coronel Ustra publicou trechos da matéria em blog

23 de Maio de 2012 às 20:08

247– O post se chama "Matéria do repórter Bernardo Mello Franco, da Folha de S.Paulo, pode ajudar a esconder crimes contra a humanidade" e resume o protesto do jornalista Marcelo Netto, autor do livro "Memórias de uma guerra suja", junto com Rogério Medeiros, contra reportagem que teria por objetivo "desqualificar" o ex-delegado do DOPS. Guerra é personagem principal de seu livro.

Leia abaixo o protesto de Netto:

Bernardo Mello Franco, repórter da Folha de S. Paulo, esteve em Vitória – no Espírito Santo – produzindo uma matéria sobre o ex-delegado Claudio Guerra.

O propósito da matéria foi desqualificar Claudio Guerra, neste momento de sua vida em que virou pastor e que, por isso, resolveu contar episódios e crimes importantes praticados na ditadura militar. Para isso o repórter foi buscar na mídia local informações apressadas, que preferiu não checar.

Seguem abaixo dois trechos da reportagem publicada na Folha de S. Paulo, que foram retirados do site da mulher do coronel Brilhante Ustra. O coronel Ustra, usando sua mulher, aproveitou-se da pressa do repórter, para tentar se defender. O coronel Ustra, todos sabem, é mundialmente acusado, em inúmeras reportagens, comprovadas em fatos e testemunhas, como um torturador impedioso na ditadura militar.

ESTES SÃO OS TRECHOS DA FOLHA DE S. PAULO, DO REPÓRTER BERNARDO MELLO FRANCO E POSTERIORMENTE USADOS PELA FAMÍLIA USTRA:

"SINÔNIMO DE BARRA-PESADA, VOLTOU A SER CITADO PELA MÍDIA LOCAL HÁ TRÊS MESES SOB SUSPEITA DE COLABORAR COM O DESVIO DE R$ 6 MILHÕES EM DÍZIMOS RECOLHIDOS PELA ASSEMBLEIA DE DEUS EM SERRA (ES), ONDE ATUAVA COMO INTEGRANTE DO CONSELHO FISCAL.

POR CAUSA DA FICHA CORRIDA, A CÚPULA DA IGREJA NO ESTADO SE RECUSA A NOMEÁ-LO PASTOR, O QUE NÃO O IMPEDE DE LIDERAR CULTOS E SE APRESENTAR COMO EXEMPLO DE RECUPERAÇÃO EM TEMPLOS NO ENTORNO DE VITÓRIA."

Estamos colocando abaixo algumas declarações da Igreja e da Polícia, que desmentem as informações da imprensa local, mas que foram propositalmente usadas pelo repórter Bernardo Mello Franco.

Esperamos que pelo menos a esposa do coronel Ustra, que há anos vem sendo acusado de prática de tortura e crimes contra a humanidade, corrija as informações, já que foi induzida ao erro pela reportagem do repórter Bernardo Mello Franco.

Autor de livro sobre Cláudio Guerra critica Folha e Ustra | Brasil 247

E por aqui se explica a escalação, pelo Folha, do atacante Élio Gaspari…

Filed under: CPI da Veja,FSP,Isto é PSDB! — Gilmar Crestani @ 8:48 am

 

Foi só Paulo Preto e Serra aparecerem no rolo da Delta, que a Folha virou a pauta para fantasmas

Até ontem a tucanada dizia que precisava investigar a empreiteira Delta em todos os estados, desde já. A velha imprensa também dizia o mesmo.
O objetivo era constranger o PMDB, ao estabelecer como alvo um governador do partido, Sérgio Cabral, de forma a salvar um governador tucano, Marconi Perillo (PSDB-GO).
A manobra começou a desandar quando se deram conta de que Cabral não está no mesmo nível de Perillo, e sim de José Serra (PSDB-SP). Investigar a Delta nacional, o que poderá ocorrer com os desdobramentos da CPI, pegará o diretor da empreiteira em São Paulo, Heraldo Puccini Neto, atualmente foragido, com mandado de prisão. Este diretor assinou contratos milionários da Delta com Paulo Preto, na gestão de José Serra.
Quando o jornal "Folha de São Paulo" se deu conta disso, resolveu direcionar a pauta para outro lado, caçando fantasmas no gabinete do senador Vital do Rego (PB), também do PMDB, partido que a velha imprensa acha mais fácil de chantagear com notícias desfavoráveis, para impedir investigações sobre a revista Veja.
Funcionários fantasmas são deploráveis e devem ser repudiados, seja no Senado, seja em outros órgãos, por isso, bem feito que o senador Vital do Rego responda por essas nomeações. Aliás, vários vícios praticados no Senado são deploráveis, a ponto de se tornar defensável um regime unicameral. Mas causa estranheza a Folha jogar esse assunto em pauta misturando com CPI do Cachoeira, sabendo que, desde a crise dos atos secretos, a relação de servidores de cada senador é divulgada na Internet (aqui), e a Folha já poderia ter feito uma matéria destas há muito tempo, não só com este senador, como com outros, assim como o site Congresso em Foco fez com a farra das passagens aéreas.
Folha adota método Veja-Cachoeira de fazer "jornalismo"
A Paraíba tem dois outros senadores tucanos, que devem ter servido de fonte para a Folha. Se vasculhar o gabinete destes dois senadores, como fizeram com Vital do Rego, não deve causar surpresa se encontrar um ou outro fantasma.
Quando a Folha ataca seletivamente um grupo político para beneficiar outro, repete o esquema Veja-Cachoeira, cujo modus operandi era derrubar quem era obstáculo aos objetivos da organização criminosa, na expectativa de conseguir emplacar nomes que não ferissem os interesses da turma.

Os Amigos do Presidente Lula

17/04/2012

Os três patetas com passos de Jânio

Filed under: Estadão,FSP,Grupos Mafiomidiáticos,Rede Globo de Corrupção,Veja — Gilmar Crestani @ 8:03 am

1) FOLHA DE SÃO PAULO 

Planalto busca montar CPI mista de Cachoeira para evitar prejuízos

2) ESTADÃO

Base negocia ‘operação abafa’ para evitar a CPI do caso Cachoeira

Temor do Planalto com desgaste durante investigação faz com que aliados busquem acordo com a oposição

3) O GLOBO

Empresa de fachada do grupo de Cachoeira usou recursos recebidos da Delta Fazenda de 4.093 hectares foi comprada por R$ 2 milhões e estava em situação irregular. Em áudio de dezembro de 2009, o dono da Delta, Fernando Cavendish, receita como pagar propinas a políticos

Justiça determina transferência de Cachoeira para Brasília

Com resistência no PT e no PMDB, futuro da CPI é incerto

No STF, pressa para julgar o mensalão -  Ministro Ayres Britto tem pedido aos colegas que elaborem logo seus votos para que julgamento ocorra ainda neste semestre

E aí vamos para os blogs sujos, que são os que contam, e nenhum vai nessa linha dos jornalões. Na verdade, os grupos mafiomidiáticos tanto mais involucrados com os corruptos mais desejam, torcem e distorcem para que a CPI não saia. Os únicos que têm a perder com a CPI são que estão na folha de pagamento de Carlinhos Cachoeira, como a Veja, Demóstenes Torres, Policarpo Junior, José Roberto Arruda. Como no caso dos Três Mosqueteiros, há um quarto, de todos, o pior:

15/04/2012

Procurador-geral vira alvo do PT em CPI do Cachoeira

Estratégia do PT para atacar Roberto Gurgel seria motivada pelo julgamento do mensalão no STF”. Já a estratégia da Folha de São Paulo em desviar o foco da CPI, prevista para apurar a participação de Carlinhos Cachoeira e Demóstenes Torres nos crimes de corrupção, é motivada por quais interesses? Teria algo a ver com a participação de Marconi Perillo, do PSDB, nos desvios? Ou seria para evitar que o duto que liga Cachoeira e Demóstenes não chegue à Veja, de Policarpo Junior e Roberto Civita?

NATUZA NERY
VALDO CRUZ
DE BRASÍLIA

Petistas que negociam a criação da CPI do Cachoeira querem transformar o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, em um dos focos da comissão.

O objetivo é cobrar explicações do procurador sobre o fato de ele não ter começado a investigar políticos ligados ao empresário Carlinhos Cachoeira três anos atrás.

O PT avalia que Gurgel segurou a investigação desde 2009, o que teria beneficiado os suspeitos na Operação Monte Carlo, deflagrada pela Polícia Federal em fevereiro.

Entenda o caso Cachoeira, que será alvo de CPI no Congresso
Deputado admite que sabia de contravenções de Cachoeira
STF nega pedido para suspender inquérito contra Demóstenes

Naquele ano, estava em curso uma operação da PF que precedeu e baseou a Monte Carlo, chamada Vegas. Ela também investigava Cachoeira e resvalou em suas ligações com políticos com foro privilegiado.

Por isso ela foi encaminhada à Procuradoria-Geral da República, que tem a competência de processá-los criminalmente, mas não abriu apuração no STF (Supremo Tribunal Federal).

Petistas enxergam na suposta omissão uma oportunidade de constranger e desgastar o procurador num momento-chave: o julgamento do processo do mensalão, previsto para este ano.

No plenário do Supremo, caberá a Gurgel sustentar as alegações da acusação contra os réus do mensalão.

A cúpula do PT não esconde a irritação com o procurador desde o ano passado, quando ele encaminhou à corte as alegações finais do processo, defendendo a condenação de 36 réus. Petistas reclamaram do excesso de adjetivação do documento.

A CPI do Cachoeira deve ser criada na próxima terça para apurar o envolvimento de agentes públicos e privados com o empresário. Por iniciativa do PT, a comissão vai investigar as duas operações, a Monte Carlo e a Vegas.

Nos bastidores, líderes petistas e integrantes do governo chegam a levantar, no limite, a hipótese de um processo de impeachment contra Gurgel, caso fique provado que ele segurou deliberadamente a investigação por algum eventual interesse político no episódio.

Procurada, a assessoria de imprensa da Procuradoria justificou a decisão do órgão, afirmando que, no momento em que recebeu o material, o procurador-geral fez uma avaliação preliminar e verificou não haver elementos suficientes para nenhuma iniciativa do STF, optando como estratégia de atuação "sobrestar [suspender] o caso".

Ainda segundo a assessoria, com isso se evitou que fosse revelada a investigação relativa a pessoas não detentoras de foro privilegiado, podendo inviabilizar o curso da Monte Carlo.

Folha.com – Poder – Procurador-geral vira alvo do PT em CPI do Cachoeira – 15/04/2012

13/04/2012

Blog da Helena desmonta farsa do Jornal Nacional e da Folha

Filed under: Corruptores,FSP,Grupos Mafiomidiáticos,Rede Globo de Corrupção — Gilmar Crestani @ 9:43 am
Como o Jornal Nacional fabricou uma trama digna de novela para tentar implicar Agnelo e abortar a CPI do Cachoeira. As contradições nos próprios diálogos levados ao ar, a falta de compostura ao divulgar suposições sem noção, o Blog da Helena desmontou a farsa do telejornal. Leia o Noticiário inventa trama para tentar implicar Agnelo, na Rede Brasil Atual.

Noticiário inventa trama para tentar implicar Agnelo

Tags: agnello, cachoeira, blogue da helena

Por: Helena Sthephanowitz, especial para a Rede Brasil Atual

A TV Globo e o jornalFolha de S. Paulo voltam sua artilharia contra o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT). E a famosa cortina de fumaça para tirar a CPMI do Cachoeira de evidência. Mas os fatos narrados em suas próprias notícias mostram o contrário do que as manchetes querem induzir o leitor a acreditar. Folha e Globo dramatizam a notícia como se o governador estivesse envolvido com o bicheiro.

Quando lemos a notícia, retiramos os adjetivos, as frases de efeito e de opinião, e separamos apenas os fatos, o que se nota é o grupo de Cachoeira e o governo de Agnelo são, na verdade, antagônicos.

A Folha descreve telefonemas em que há gente defendendo os interesses da empreiteira Delta e ameaça não pagar propinas para gente de escalões mais baixos do governo do Distrito Federal, porque o governo Agnelo não atende aos interesses da organização criminosa.

Ora, fica claro que a turma de Cachoeira queria e tinha gente infiltrada na máquina do governo do Distrito Federal, mas que não conseguia ter seus interesses atendidos pelas pessoas de escalão mais alto, com poder de decisão.

O mesmo enredo aconteceu no Jornal Nacional. Os fatos também mostram que a organização de Cachoeira estava insatisfeita com os interesses contrariados no governo de Agnelo. Mas a trama elaborada nas redações querem fazer parecer o contrário.

Outra notícia inverossímil seria a de que Agnelo estaria usando Dadá – um dos principais assessores do bicheiro – como emissário para conseguir um encontro com Cachoeira (!).

Um pouco de compostura jornalística, gente! Depois que Cachoeira gravou Waldomiro Diniz, nenhum político (a menos que seja doido varrido), tem o menor interesse em pedir para conversar com ele diretamente. Só conversavam quem estava amarrado à organização e tinha plena confiança em Cachoeira, como Demóstenes Torres. Notem que nem o governador de Goiás, Marconi Perillo, citado em muitos telefonemas, foi pego falando diretamente com o contraventor.

Para espalhar o boato inverossímil, a Globo e a Folha aproveitam-se de uma análise da Polícia Federal sobre um grampo cifrado, que ainda estava na fase do "chute" para apurar depois, pois o analista suspeita que "Magrão", citado nas conversas, poderia ser Agnello Queiroz.

Mas basta ouvir novamente o grampo no próprio Jornal Nacional que fica óbvio que o "chute" na análise está errado, e em apuração posterior seria corrigida:

– o nome Agnelo sequer é citado nos diálogos;

– o próprio Dadá não tem certeza sobre quem é o Magrão ao dar o recado, o que dá a entender que não seja alguém tão importante assim;

– no diálogo diz que o tal Magrão está ligando e Cachoeira não está atendendo (!). Ora alguém acredita que qualquer governador ficaria ligando para Cachoeira e não sendo atendido, a ponto de ter que pedir a Dadá para atendê-lo?

Que venha a CPI, que se apure de fato todos os tentáculos da organização criminosa, inclusive em departamentos do governo do Distrito Federal, e se algum governador tiver denúncias consistentes contra si, que responda por elas, mas lugar de inventar trama na programação de TV é em novela e não em telejornais.

Noticiário inventa trama para tentar implicar Agnelo — Rede Brasil Atual

10/04/2012

Desculpe a Nossa Falha | Folha X fAlha

 

Idelber Avelar: “Relações da mídia com a ditadura: um histórico debate da Falha de S. Paulo”

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Por Idelber Avelar, 06/04/2012

Aconteceu na noite desta quinta-feira, na Casa Fora do Eixo, em São Paulo, um programa histórico da #posTV de Lino Bocchini, sobre o tema da cumplicidade entre a mídia brasileira e a ditadura militar de 1964-85. Reuniram-se Lino, a jornalista Thaís Barreto, do Núcleo da Memória, a pesquisadora Beatriz Kushinir e o jornalista e escritor Alípio Freire. Bia talvez seja a principal pesquisadora brasileira das relações entre a mídia e a ditadura, e é autora do livro Cães de Guarda: jornalistas e censores, do AI-5 à Constituição de 1988 (Boitempo, 2004), fruto de sua tese de doutoramento na Unicamp, para a qual realizou mais de sessenta entrevistas. Alípio foi militante da Ala Vermelha, grupo dissidente do Pc do B. Preso pela Operação Bandeirantes em 1969, esteve no DOPS, no Presídio Tiradentes, na Casa de Detenção do Carandiru e na Penitenciária do Estado de São Paulo. Trabalhou duas vezes na empresa Folha, a primeira em 1968, e depois de 1975 a 1979, período no qual testemunhou a demissão de Cláudio Abramo a pedido do II Exército.

No programa, Beatriz explica que dois fatos serviram de trampolim inicial para sua pesquisa. Os dez primeiros censores que chegaram a Brasília para servir à ditadura eram jornalistas, o que por si só já coloca em pauta a cumplicidade que norteia o livro. Em segundo lugar, na morte de Joaquim Alencar de Seixas sob tortura, no DOI-CODI (SP), ocorrera um fato curioso: seu filho Ivan Seixas, também torturado pelo carniceiro David dos Santos Araújo (que trucidava seres humanos no DOI-CODI com o codinome “Capitão Lisboa”), lera na Folha da Tarde a notícia da morte do pai 24 horas antes de que ela ocorresse. Numa saída com os torturadores, Ivan vê a manchete e, depois de regressar ao inferno do DOI-CODI, encontra seu pai ainda vivo. Ele só seria assassinado um dia depois.

Uma das várias manchetes pró-ditadura da Folha

O episódio mostra – e há outros do mesmo tipo – que a colaboração da Folha com a ditadura militar foi além do apoio puro e simples, em editoriais golpistas antes de 31/03/1964 e em sustentação ideológica depois de instalado o regime. Essa colaboração também incluía a produção antecipada da mentira sobre a morte, manchetada, em geral, como resultado de um tiroteio ou um acidente antes que o regime procedesse ao assassinato da vítima. No momento do assassinato, a vítima já estava, perante os olhos do público, “morta como resultado de tiroteio [ou acidente]”. A morte de Eduardo Leite, o Bacuri, assassinado pela ditadura, também foi anunciada antecipadamente, e de forma mentirosa, pela Folha. Seus torturadores chegaram a lhe exibir, no cativeiro, os jornais que afirmavam que ele havia fugido da prisão.

A pesquisa de Bia Kushnir e o testemunho de Alípio Freire também confirmam a já conhecida história do empréstimo de carros do grupo Folha às operações do DOI-CODI. Os carros serviram para albergar agentes da repressão em eventos de protesto contra a ditadura, para que dali eles capturassem ativistas de esquerda com mais facilidade. Os carros também foram usados para transportar presos políticos.

O programa de Lino, que é uma verdadeira aula de história do Brasil, também tocou no tema da auto-censura e da delação. Como exemplo desta última, Alípio citou fato ocorrido no dia 07 de setembro de 1975, quando ele trabalhava an TV Bandeirantes. Alípio afirmou que depois de editada sua matéria sobre os desfiles, Roberto Corte Real, locutor do jornal do meio-dia, telefonou para a Polícia Federal, que recebeu cópias do programa.

No esforço de desarquivar o Brasil, é importante também abrir a caixa-preta da imprensa, inclusive para que os jornalistas que hoje lá trabalham possam saber um pouco mais sobre a história que lhes precede. Apesar da pesquisa pioneira de Beatriz e dos vários testemunhos de militantes anti-ditadura como Alípio, é impressionante como ainda sabemos pouco sobre esse capítulo do Brasil.

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Carro do jornal que era emprestado para o regime, incendiado por manifestantes de esquerda

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PS: O programa, disponível no começo desse post e no You Tube, é de livre uso, reprodução ou edição. Fique à vontade para colocá-lo em seu site ou divulgar do jeito que quiser. Obrigado.

Desculpe a Nossa Falha | Folha X fAlha, jornalismo, #posTV, ativismo e o que mais nos der na telha

08/04/2012

Falhabranda

Filed under: Ditabranda,FSP — Gilmar Crestani @ 11:41 am

Ditabranda é o cacete, Folha de São Paulo!

Cordão da Mentira escancara o passado e o presente do namoro da Folha com a ditadura

Domingo agora um protesto com 500 pessoas na porta do jornal criticou de forma bem-humorada a forte ligação da Folha com o regime militar. Do empréstimo de carros para torturadores ao infame episódio da Ditabranda, o jornal dos Frias tem uma relação estreita com a ditadura e seus ideais. Até hoje.

Manifestantes chegam na porta da Folha (essa e as outras fotos do post são do coletivo Fora do Eixo)

Por Lino Bocchini

No último domingo cerca de 500 pessoas protestaram em frente à Folha de S. Paulo, na alameda Barão de Limeira, centro de São Paulo. O segundo maior jornal do país era um dos alvos do Cordão da Mentira, manifestação convocada por mais de 30 entidades –metade delas ligadas ao teatro, à música e à literatura. A ideia era condenar de forma bem-humorada os apoiadores do regime militar brasileiro e, nas palavras dos organizadores, denunciar as heranças da época que persistem, como a violência policial. O ato emprestou o nome do primeiro de abril, mersma data do golpe militar de 1964, e começou em frente ao Cemitério da Consolação, onde o pessoal se concentrou as 11h30. Dali o Cordão passou pela rua Maria Antônia, TFP, elevado Costa e Silva (que leva o nome do presidente que baixou o AI-5) e parou no Grupo Folha. A empresa foi escolhida porque o jornal apoiou a ditadura não apenas editorialmente, mas também materialmente, cedendo carros do jornal para agentes do regime e mantendo delatores em cargos de direção, principalmente da Folha da Tarde. Dali o ato seguiu para a Cracolândia e terminou na sede do antigo Dops, na rua General Osório. Praticamente ignorado pela autoproclamada “grande imprensa”, o ato mereceu uma nota minúscula e omissa da Folha. O boicote motivou esse texto.

O Cordão da Mentira foi o terceiro protesto de inspiração parecida em menos de uma semana. Em 27 de março aconteceu o “escracho público” de torturadores, atos-surpresa com batucadas, gritos e pichações na porta de ex-torturadores em sete capitais. Em 29 de março manifestantes foram ao Círculo Militar do Rio e projetaram fotos e vídeos de mortos e desaparecidos na parede do prédio, onde oficiais aposentados promoviam uma comemoração dos 48 anos do golpe, que essa gente insiste em chamar de “revolução” –a polícia reagiu com bombas de gás e cassetetes.

Os atos pipocam no momento que a Comissão da Verdade, aprovada pelo Congresso e sancionada pela presidente Dilma em novembro passado, está prestes a ser instalada. A promessa é que seus integrantes sejam indicados pela Presidência nas próximas semanas. Sem poder de julgar ou condenar (por impedimento da Lei de Anistia, promulgada em 1979 e confirmada pelo STF em 2010), a comissão se propõe a investigar violações de direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988 no Brasil –o período inicial era de 1964 a 1988, mas pressões militares levaram a ampliação do período, prejudicando o foco de ação.

Nada mais que a verdade?

Seriedade, meu senhor!

Estive no Cordão da Mentira apenas na parada da Folha, acompanhado de minha mulher e meu filho de um ano. Atendi ao chamado da organização e fui com uma fantasia –de diretor da Folha. Levei um cartaz feito a partir da sobrecapa do jornal do dia. A peça do departamento de marketing do jornal trazia apenas a manchete “1º de abril, dia da mentira” e, no pé da página, após um grande espaço em branco, a frase “Folha: nada além da verdade”.

Piada pronta é pouco. Fiz duas versões do cartaz (frente e verso da placa que carreguei). De um lado vinha escrito bem grande no espaço branco: “Nunca apoiamos a ditadura!”. Do outro, 5 frases: “Somos Imparciais! / Não censuramos blogs! / Não criamos a ´Ditabranda´! / Não emprestamos carro para a Ditadura! / Merecemos meia-hora grátis na TV Cultura!” –lembrem-se de que era Dia da Mentira…

A meu lado, cerca de 500 manifestantes pararam bem na entrada principal do “Jornal do Futuro”, protegida por uma parede de seguranças. Tinha carro de som e faixas. Cartazes com os rostos de desaparecidos no período militar foram jogados em cima do enorme logo na calçada. Paredes e asfalto foram pichados com dizeres como “Folha Fascista”, “FAlha de S. Paulo” e “Ditadura é Ditadura”. Um ator puxou um coro repetido por todos, aos berros: “Extra! Extra! Extra! A Folha de São Paulo não informa!”. Atores de terno e gravata e máscaras de gorila encenaram de forma cômica um recente editorial do jornal que defendia a Lei de Anistia –criticada por militantes dos direitos humanos por impedir a criminalização de torturadores.

Foi impressionante ver isso tudo bem ali nas barbas do mais arrogante jornal do país, que faz propaganda com atores-leitores de gola rolê ouvindo jazz. Foi o que de mais importante aconteceu no Cordão da Mentira, e não digo isso porque fui censurado e estou sendo processado pelo jornal juntamente com meu irmão. Não mesmo, e explico.

História velha nada!

O Dops não existe mais, Costa e Silva já morreu e o Mackenzie e a TFP, apesar de influentes, não têm 1% do alcance da Folha. Mais: estamos falando de um jornal que tenta te convencer diariamente de que é imparcial, seja por meio de publicidade, editoriais, ombudsman ou entrevistas de seus jornalistas. É um jornal que apoiou a ditadura, como já dissemos. E isso não é uma suposição. É fato comprovado, documentado e admitido pela própria empresa. O Grupo Folha, principalmente por meio da Folha da Tarde, emprestava carros para torturadores, mantinha funcionários delatores dentro da redação para entregar colegas e possuía linha editorial de apoio irrestrito ao regime militar. No comando desse aparato midiático de apoio à ditadura estava Octávio Frias de Oliveira. Nos anos 1990, quando trabalhei na Folha da Tarde, o “Velho Frias”, como era conhecido, era famoso até entre os office-boys por seu extremo conservadorismo –só pra citar um exemplo, era amigo do peito de Paulo Maluf. Após a morte do patriarca, em 2007, assumiram formalmente o grupo seus filhos Luiz (que cuida da parte administrativa) e Otavio Frias Filho, o Otavinho, que comanda a redação da Folha.

Há quem ache que o jornalão dos Frias está perdendo poder e influência. Está nada. É verdade que nos anos 1990 edições dominicais turbinadas com promoções chegaram a um milhão de exemplares, e hoje a tiragem média não chega a 300 mil por dia. Há dois anos a Folha já não é mais nem sequer o maior jornal do país –perdeu o posto para o mineiro Super Notícia– e na capital paulista leva um baile do Estadão, que vende 55% a mais –tudo dado do IVC (Instituto Verificador de Circulação). Acontece que a Folha ainda é o jornal que mais pauta toda mídia nacional, das rádios de Manaus às revistas gaúchas. É também uma entidade que amedronta, com a qual poucos topam brigar ou sequer se indispor. E é ainda dona do UOL, onde qualquer notícia destacada é mais lida do que em qualquer jornal da América Latina. Se não bastasse, acaba de ganhar um programa de meia hora no horário nobre de domingo na estatal TV Cultura. Ou seja, a Folha segue forte e influente sim. Muito mais do que deveria.

Um dos jornalistas-gorila da performance e fotos de desaparecidos cobrindo o logo da Folha

Você também paga esse pato

Você pode se perguntar: “E eu com isso? Esse cara fala assim só porque tá brigando com o jornal”. Nada disso. Você também se dá mal. A ligação umbilical que a empresa e sua direção mantinham com a cúpula do regime ditatorial brasileiro não é algo simples, que ficou no passado e não traz reflexos na Folha de hoje. O jornal faz campanha atrás de campanha publicitária vendendo-se como moderno, bacana, inovador. Preocupa-se em apagar seu passado mas não consegue, no presente, sequer manter uma atitude coerente com sua publicidade. E aí nem precisamos citar a censura a que estou submetido com meu irmão, a mando da Folha. O caso da “Ditabranda”, de 2009, é bem mais grave e merece ser rapidamente relembrado.

Para sustentar como o regime militar brasileiro tinha sido “light”, um editorial do jornal usou o termo “Ditabranda” ao referir-se à nossa ditadura. A reação dos leitores foi forte, teve até protesto na porta da Folha. Qual foi a reação do jornal? Primeiro publicou uma nota apócrifa chamando os respeitados professores universitários Maria Victoria Benevides e Fábio Konder Comparato de “cínicos e mentirosos” e, depois do protesto, publicou nota assinada por Otávio Frias Filho com o título “Folha avalia que errou, mas reitera críticas”, dizendo primeiro que “todas as ditaduras são igualmente abomináveis” para depois chamar Benevides e Comparato de “democratas de fachada” e “inquisidores”. Finesse, não? Toda vez que Otavinho assina um texto, sua máscara de teatrólogo intelectualizado cai por terra, e sua agressiva face de dono de jornal vem à tona –outro exemplo recente foi uma carta em que ele citou esse blog e a mim.

O ponto é: não dá pra um jornal do porte da Folha esconder que apoiou com afinco o que de mais podre tivemos na nossa história recente. E não estamos falando de uma discussão filosófica, de um embate de ideias. Estamos falando de gente que dedurava para torturadores seus próprios jornalistas, estamos falando de diretores que autorizavam agentes da repressão a usar os carros da empresa para levar “suspeitos” rumo a sessões de torturas que incluíam choques nos genitais, espancamentos, estupros, terror psicológico e, muitas vezes, acabavam em morte. Desculpem a crueza, mas é sempre bom lembrarmos claramente do que estamos falando. E não faltam testemunhos. Como hoje a empresa segue na mão das mesmas pessoas, é ingenuidade achar que esse pensamento não interfere no jornal que chega à sua casa todo dia e que também pauta parte do que você assiste na TV.

Estamos numa democracia, e eles podem falar o que quiserem, mas o “Jornal do Futuro” tornou-se o exemplo mais bem acabado de como precisamos de novos protagonistas em nossa imprensa, em nosso país. Falta mais jornal, mais revista, mudar o sistema de concessões de rádios e TVs, mais e melhores blogs e portais independentes de internet. O que temos ainda é muito pouco. Que venham novos e mais fortes cordões da mentira, e que a Folha só saia de seu percurso quando fizer sua comissão da verdade interna e assumir suas escolhas atuais, desistindo de nos empurrar esse discurso hipócrita de que é moderna e imparcial.

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* Esse artigo é dedicado ao amigo e blogueiro Eduardo Guimarães, que passa por um difícil momento familiar e foi o mentor do protesto contra a “Ditabranda”, que levou centenas de pessoas à porta da Folha em março de 2009.

PS: A ligação histórica da Folha com a ditadura e seus reflexos no jornal ainda hoje são o tema do próximo programa Desculpe a Nossa Falha na #posTV, quinta-feira agora, 22h. Divulgaremos detalhes em breve.

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01/04/2012

Cachoeira, Veja, Folha, Globo, DEMóstesnes

Filed under: Carlinhos Cachoeira,FSP,Rede Globo de Corrupção,Veja — Gilmar Crestani @ 11:19 am

Anatomia de uma farsa muito bem montada, sempre com a participação dos a$$oCIAdos do Instituto Millenium.

Cachoeira filmou corrupção nos Correios para vingar Demóstenes

As imagens em que um diretor dos Correios, Mauricio Marinho, guarda uma propina de R$ 3 mil – divulgadas na Veja e reproduzidas no jornal nacional – foram o início da crise política que resultou na queda do Chefe da Casa Civil do Governo Lula, José Dirceu.
O então presidente do PTB, Roberto Jefferson, que controlava os Correios, considerou que o Governo não o protegeu e ao partido de forma adequada, e deu uma entrevista à Folha (*) em que, pela primeira vez, usou a palavra “mensalão”, associada a Dirceu.
Quem mandou fazer a fita foi Carlinhos Cachoeira, para vingar Demóstenes Torres.
Quem faz essa acusação é Ernani de Paula, ex-prefeito de Anápolis, que foi derrubado da Prefeitura numa operação de grampos desaparecidos, como os que parecem ter a marca de Carlinhos Cachoeira e Demóstenes Torres.
Cachoeira foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal.
Ernani de Paula foi casada com uma suplente de Demóstenes.
Ela assumiria o lugar dele no Senado, se Demostenes saísse do PFL, entrasse no PMDB, e assumisse, como combinado, o  cargo de Secretário Nacional de Justiça, uma espécie de vice-Ministro da Justiça.
Demóstenes não foi nomeado e acredita que Dirceu foi quem vetou o nome dele.
Este ansioso blogueiro entrevistou Ernani de Paula esta semana.
Ele fala deste vídeo e do outro, que deu início ao enfraquecimento de Dirceu: aquele em que Valdomiro Diniz, então funcionário da Loteria do Rio, pede dinheiro a Cachoeira.
O vídeo foi exibido dois anos depois, quando Diniz trabahava com Dirceu.
Ernani de Paula fala também de seu amigo de infância em Mogi das Cruzes, São Paulo, Valdemar da Costa Neto.
Valdemar era do PR, partido de José Alencar, candidato a vice de Lula.
Atingir Valdemar passou a ser um dos objetivos – segundo Ernani –, porque era uma forma de atingir Alencar, Lula e Dirceu, que particiou de reuniões com Valdemar, durante a campanha.
Eis os trechos principais dessa conversa do ansioso blogueiro com Ernani:
Como foi feita a fita em que um funcionário dos Correios recebe uma propina de 5 mil reais de alguém que se passava por um empresário do Paraná e estava interessado em uma concorrência dentro dos Correios?

Essa fita foi produzida pela equipe do Carlos Cachoeira. Que fez essa fita para poder criar uma confusão e ser publicada, como foi. Porque a fita do Waldomiro já tinha sido entregue ( à Veja ) através de um senador do Mato Grosso e detonou um processo de corrupção dentro do palácio com essa fita do Waldomiro. Então esse processo todo foi criado. E não foi o mensalão aquela ideia de que a gente tem do mensalão de que todos os deputados receberam todos os meses. Tanto é que isso não aconteceu. Tivemos um ou outro, enfim… Mas pegaram ícones para que pudessem pegar o governo logo em seu início e enfraquecê-lo.

Então a sua tese é de que a fita do Waldomiro, feita pelo Carlinhos Cachoeira, é do mesmo objetivo, tem a mesma função da fita dos Correios?

Com certeza. Com certeza. Até porque eu sofri isso quando fui prefeito da cidade de Anápolis. Eles usaram não com câmera. Mas usaram com fitas cassete.

De áudio?

De áudio, e depois desmentindo. Quem fez isso? Para ir na CPI para inventar o factóide. Depois de feito o processo.

A versão que existe é de que a fita dos Correios teria sido feita por um empresário, um suposto empresário do Paraná, que queria participar de uma concorrência. Quem fez na verdade a fita dos Correios na sua opinião?

Na minha opinião foi feito por essa equipe do Carlos Cachoeira.

Quem?

O nome não me recordo. … São pessoas que saíram do serviço secreto de Brasília, de espionagem, dessa coisa toda, e estão aposentados, sem ter o que fazer, ficam espionando a vida de todo mundo.

E essa pessoa, essa pessoa é ligada ao Carlinhos Cachoeira?

Sim. Sim. Ligada ao Carlinhos Cachoeira.

É funcionário do Carlinhos Cachoeira?

Não, funcionário eu não posso dizer de carteira assinada. Mas deve ter sido feito um trabalho, um trabalho encomendado por ele. Para quem interessasse. Para poder alimentar uma crise que ela não existia. O tal chamado mensalão, que não existe o mensalão.

Essa reportagem descrevendo esse esquema de corrupção e essa propina dos Correios foi publicada na revista Veja por um jornalista chamado Policarpo. O senhor sabe se o Policarpo tem ligações ou tinha ligações com o Carlinhos Cachoeira?

Eu o encontrei uma vez dentro de sua empresa em Anápolis chamada …. (Vitapan), uma indústria farmacêutica ali no distrito agroindustrial.

O senhor encontrou o Policarpo em uma empresa do…

Do Carlinhos Cachoeira, sim. E o Carlinhos Cacheira disse que ele tinha vindo para conversar com ele. Eu me retirei. Fui embora. Eu perguntei quem era. Ele falou quem era.

O Carlinhos Cachoeira tem que ligação com o senador Demóstenes Torres?

Eles são bastante amigos e hoje, me parece, sócios, né.
Porque tudo o que a imprensa tem dito. As fitas gravadas, os recursos. Enfim. Parece que aí há uma sociedade deles.

Qual é a sua preocupação em revelar esses fatos. Qual é o interesse que o senhor pode ter em revelar esses fatos?

Olha, eu conheço e fui prefeito de Anápolis. Uma bela cidade. Tive o prazer de governar lá por trinta meses. Mas eu sofri na pele o que está acontecendo, o que aconteceu no mensalão. Eu nunca pude falar. Eu tive lá problemas de gravações. Depois quem gravou foi e disse em uma CPI que eu teria pego recursos dele. Desmentiu. Eu tenho documento disso, em cartório. E eu sofri na pele. Quem é que fez, lá, esse trabalho? Para mim, são três pessoas fundamentais no processo. Tem aquele que faz o trabalho em campo, no varejo, aquela… O trabalho mais sujo. Subterrâneo. O espião, o esconderijo e tal.

Esse quem é no caso?

Carlinhos Cachoeira. Depois você tem uma equipe que é política. Depois você tem aquela que vai explodir. Um setor da imprensa é importante. E no meu caso específico eu tive um governador de Estado, Marconi Perillo. Que, junto com o Demóstenes, já combinado, por interesses políticos no futuro, não queria que eu fosse candidato a governador, fez uma intervenção no município, aonde o vice-governador sentou na cadeira de prefeito, e eu tive o meu mandato cassado.

O seu mandato foi cassado em Anápolis?

Foi cassado pela Câmara dos Vereadores, mas foi cassado pelo Marconi Perilo primeiro. Só em Goiás acontece uma coisa dessas. Fazer uma intervenção na maior cidade do Estado e ninguém falar nada.

A sua mulher é suplente do senador Demóstenes?

Ela foi suplente por oito anos, mas eu quero deixar claro que ela nunca assumiu nenhum dia do mandato, coisa que a cidade lamentou muito, porque queria ver a sua representante no Senado Federal. Eu acho até que não queriam dar regalias, intimidades, e assumiram, porque não podia, né. Falavam na época. Porque não fica bem um senador passar para um suplente a sua vaga. Fica parecendo que teve negociata, teve isso, teve aquilo. Ela nunca assumiu, porque nunca teve esse tipo de contato conosco, mas agora me parece que era justamente para não ficar sabendo o que acontecia e aconteceu lá.

Existe a versão de que o senador Demóstenes era candidato a um cargo muito importante, o cargo de Secretário Nacional de Justiça, no Ministério da Justiça, no governo Lula, e que esse cargo daria a ele a oportunidade por exemplo para lutar pela legalização do jogo no Brasil…

Exatamente. Como lutou. Teve um trabalho no Congresso nesse sentido.

E ele não foi aceito para ocupar essa função?

Não. Essa negociação política, eu fiquei sabendo de bastidores, até por um deputado federal lá do meu Estado Ele (Demóstenes) estava cotado, e estava muito chateado porque teria de sair do partido (PFL) , se tornando aí uma pessoa importante, um novo líder, talvez. … E depois isso esfriou e não andou e aquela coisa toda… Então veio ali do Palácio, da Casa Civil, algum tipo de veto, alguma coisa que incomodou ou deixou esse pessoal incomodado. Porque era um cargo importante, né.

Nessa interpretação, o senador Demóstenes estaria, nesse episódio dos Correios, se vingando do veto do Zé Dirceu?

Claro, claro. Você vê, eles estavam juntos desde o início, nós estamos sabendo pela imprensa, pelas escutas da Polícia Federal. Não tenha dúvida de que nós tivemos aquele varejo, nós tivemos a parte política que deu o start, no Congresso, no Senado, nós tivemos a mídia, e depois tivemos outras pessoas que foram acionadas de acordo com a necessidade para dar andamento e crescimento nesse tal do mensalão, nessa CPI.

O senhor foi procurado de alguma maneira, conhecendo Anápolis, conhecendo Valdemar da Costa Neto, foi procurado para dar informação ou prejudicar o Valdemar da Costa Neto que se tornou um dos réus do mensalão?

Foi a ex-mulher dele Maria Cristina Mendes Caldeira me procurou através de uma pessoa, um amigo em comum.

O senhor pode dizer quem é esse amigo em comum?

Posso, é um jornalista, chamado Hugo Stuart. Eu o encontrei um dia na Câmara, ele falou: olha, eu estou fazendo determinada matéria, que era enfim sobre esse assunto…

Ele de que órgão de imprensa era?

Era da revista Isto É. Ele falou olha, tem uma pessoa, que é a Maria Cristina, que talvez te ligue. Vá te conhecer. Aquelas coisas. Ela ligou mesmo, me procurou na Fazenda, passou lá dois dias, mas realmente querendo que eu fosse depor contra o Valdemar nesse processo ou num processo de divórcio que ela estava movendo contra ele. Enfim, queria que eu falasse mal do Valdemar para poder alimentar esse processo. Tornei a encontrá-la aqui no escritório de uma pessoa chamada Bolonha Funaro…

Que é considerado um doleiro e que depos numa CPI, na qualidade de doleiro, e se beneficiou de um regime de delação premiada.

Exatamente, exatamente.

E qual era o papel do doleiro?

Pois é, eu também fui procurado por ele … Eu falei que estava indo para a Universidade do meu pai, para capitalizar recursos, e ele tem lá uma financeira. E ele disse que poderia viabilizar isso em algum banco. Então ele foi a Goiânia conversar comigo. Mas eu vi que a intenção dele de verdade era que eu falasse também mal do próprio Valdemar, em qualquer tipo de processo, em qualquer tipo de depoimento.  Logo após essa conversa em Goiânia ele marcou um almoço aqui no Rodeio, em São Paulo, e ele… Toca o telefone, eu vou atender, é um repórter da revista Veja. E logo em seguida, almoçamos e tal… E à noite marcamos um jantar … Mas o mais estranho desse episódio…

Mas só para não interromper. Nós temos aí o doleiro participando da mesma operação para obter depoimentos seus contra o Valdemar Costa Neto.

Para poder cada vez mais configurar que havia o mensalão. O que eu achei mais estranho é que a minha ex-mulher recebeu um telefonema do senador Demóstenes Torres dizendo que um reporter da Revista Veja tinha ligado para ela e pedido o meu telefone para ela. Ela passou o telefone. A coincidência é que no mesmo horário eu estou à mesa do Rodeio sentado com o Bolonha Funaro e toca o telefone.

O senhor teme que essa denúncia possa lhe provocar algum tipo de problema pessoal?

Em que sentido? De morte, política?

Qualquer uma.

Olha, hoje eu não faço parte de nenhum partido político. Eu tenho uma história, eu tenho uma vida, esse processo feito por mim lá em Anápolis, eu sei que nem todo mundo acerta aquilo que gostaria. Mas também nem todo mundo erra para fazerem aquilo que fizeram. Eu acho que foi uma grande injustiça. A população da minha cidade, o meu estado merecia, os meus amigos, a minha família, mereciam ter esse esclarecimento. Você não tenha dúvida que isso foi armado. Que isso nunca existou em termos de mensalão. Foi para desestabilizar, foi uma represália. Só que ela pegou num volume, de tal forma, que aí as coisas se complicaram.

O senhor não tem dúvida da relação entre Carlinhos Cachoeira e Demóstenes Torres?

Nenhuma. Muito pelo contrário. Eu estive lá com ele junto. Aliás aquele rádio de que tanto falam…

O Nextel?

Eu tive um na campanha dele em 2006.

Quem lhe deu?

Carlinhos Cacheira. Tive, ele me deu um, era uma cortesia durante a campanha

O senhor chegou a pedir ao empresário Carlinhos Cachoeira, dono de uma empresa de Genéricos, recursos para a sua campanha?

Não. Não. Não o conhecia. Eu conheci o Carlinhos Cachoeira pessoalmente depois de eleito prefeito.

E o senhor não tem dúvidas da relação entre eles e a revista Veja?

Eu acho que não tem mais dúvida. Eu acho que quem duvidar de alguma coisa… Eu não sei se é maliciosamente ou não. Se é comercialmente ou não. Porque o repórter a função dele é buscar as notícias na hora em que ela é produzida. E as fontes às vezes são aquelas não tão republicanas, vamos chamar assim.

E para reforçar. Aquele vídeo famoso, que deu origem ao mensalão, deu origem à denúncia do Roberto Jefferson, contra o José Dirceu, o senhor Marinho recebendo 5 mil reais de propina, aquele vídeo é obra do Cachoeira?

Sim, claro.

Dito por ele?

Ele me contou.

( Ernani de Paula contou também que Carlinhos Cachoeira não só disse que tinha mandado fazer o vídeo dos Correios, como mostrou a ele a camêra que tinha sido usada, uma camera escondida na lapela do paletó. )

Ernani de Paula entregou este documento para provar que que foi derrubado da Prefeitura de Anápolis por gravações depois destruidas. O que, segundo ele, é uma tecnologia tipica de Carlinhos Cachoeira

Policarpo da Veja esteve na Vitapan do Cachoeira

Paulo Henrique Amorim
(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

Cachoeira filmou corrupção nos Correios para vingar Demóstenes | Conversa Afiada

29/03/2012

Folha ressuscita Lula. Mas não desiste de “matá-lo”

Filed under: Câncer,FSP,Lula,PIG — Gilmar Crestani @ 7:53 am

Saiu na Folha (*):

Exames mostram que tumor de Lula desapareceu

O tumor na laringe do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 66, desapareceu.

Os exames feitos nesta manhã –de ressonância magnética e diagnósticos detalhados na garganta– mostram que não há mais resquícios do câncer.

Os médicos evitam  (sic – PHA) falar em cura, o que só poderá ser confirmado em cinco anos. Ao fim deste período, novos exames poderão constatar se o ex-presidente foi curado.
Boletim médico divulgado no final da manhã informou que Lula continuará a fazer sessões de fonoaudiologia.

“Foram realizados exames de ressonância nuclear magnética e laringoscopia, que mostraram a ausência de tumor visível, revelando apenas leve processo inflamatório nas áreas submetidas à radioterapia, como seria esperado”, dizem os médicos.

Navalha

Como se sabe, a Folha (*) “matou” o Lula várias vêzes.

A Folha dispõe de um canal privilegiado no Hospital Sírio Libanês – clique aqui para ver o que aconteceria com o Sírio, se fosse um hospital francês.

E através desse canal, que mais parece um cano subterrâneo, desde que o câncer foi diagnosticado, a Folha dizia no primeiro parágrafo que o Lula estava bem e, no segundo, que ele estava mal.

O Lula não é bobo.

Nem acredita na Folha.

A Dilma também não.

Os dois, pacientes de câncer, sabem que a cura do câncer só se confirma depois de cinco anos.

Por enquanto, Lula recebeu uma boa notícia.

Suficiente para derrotar o Cerra em São Paulo, seu maior objetivo, hoje.

Mas, não, que esteja curado.

Nem que a Folha o ressuscite.

Porque pode “matá-lo”, antes que sol amanheça.

“Matá-lo” antes que o sol amanheça, isso, do ponto de vista físico.

Porque do ponto de vista político, o Otavinho tenta “matá-lo” todo dia, desde que o Lula se levantou da mesa e abandonou um almoço na Folha, porque o Otavinho insistia em perguntar por que ele queria ser presidente, se era um ignorante.

(Diploma por diploma, o Cerra também não tem.)

Paulo Henrique Amorim

(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a  Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

Folha ressuscita Lula. Mas não desiste de “matá-lo” | Conversa Afiada

25/03/2012

A transparência é um sério problema dos meios de comunicação

Filed under: FSP,Grupos Mafiomidiáticos,Máfia — Gilmar Crestani @ 9:58 am

É por isso que eles criaram o Instituto Millenium, para os a$$oCIAdos serem mais transparentes. Assim, tudo o que eles fazem é coordenado, com uma central de distribuição de assunto e coordenação de ações. A mídia é Cosa Nostra!

Por Francisco Viana e Ricardo Bressan

Suzana Singer, 44, ombudsman da Folha, é uma jornalista audaciosa. Exercita a crítica da Folha em dois sentidos: junto aos leitores e à redação. É um trabalho, melhor seria dizer uma obra, construída em diversas camadas. Exige experiência para avaliar o que merece e o que não merece atenção; tempo e dedicação para conversar com leitores e editores; e, acima de tudo, paciência e sangue frio. Suzana, que foi secretaria de Redação, diretora da Revista da Folha e editora do Caderno Cotidiano, impressiona pela calma no falar e a objetividade nas respostas. Mas o que faz dela uma jornalista audaciosa é que ela vai além do jornalismo cotidiano: discute, sem medos, o próprio ofício de jornalista. E discute a sério, sem meias palavras. Nesta entrevista, ela amplia o tema para a imprensa brasileira. É ler e conferir.

O que é ser mulher e ser hoje ombudsman da Folha, no particular, e na imprensa brasileira, no geral?
Não fui a primeira mulher a ser ombudsman. Sou a terceira. A única coisa que os leitores estranham é o nome ombudsman, que é de origem sueca, não seria ombudswoman. Em alguns jornais americanos eles mudam para public editor para não dar a impressão de que é uma função masculina. Não vejo problema nenhum no fato de ser mulher. Nenhum leitor, nenhum colega vê qualquer impedimento.

A sociedade brasileira evoluiu ou a mulher ascendeu na imprensa?
As mulheres estão, cada vez mais, ocupando espaço no mercado de trabalho. No jornalismo, sem dúvida, não é diferente. Se compararmos com o panorama de 20 anos atrás, quando comecei, hoje tem muito mais mulheres jornalistas na redação e em cargos de chefia.

Se fosse fazer o trabalho que faz na Folha em relação à imprensa brasileira, que pontos positivos e negativos destacaria?
A imprensa como um todo evoluiu muito no Brasil. Reclamamos dos problemas que existem hoje, de textos mal acabados, apurações mal feitas, mas se compararmos com o jornalismo de 50 anos atrás o padrão das reportagens de televisão, rádio e o jornalismo impresso, no geral, melhorou. Eu não consigo fazer uma análise muito sintonizada, mas se pegarmos a primeira edição do jornal nacional e a edição do jornal nacional hoje, a qualidade de apuração melhorou muito. Os textos da Folha de 50 anos atrás e hoje, também, evoluíram. O jornalismo não evoluiu o suficiente porque as exigências hoje são muito maiores. Temos o desafio do mundo digital como os blogs, os portais de notícias. Existe a dúvida se os impressos vão acabar ou não. Há maior dificuldade econômica dos grandes grupos de imprensa. A imprensa no Brasil e no mundo vive um momento difícil, delicado.

Parece que na televisão a qualidade aumenta quando se separa a informação da opinião.
Disso não tenho dúvida. O leitor ganha muito mais quando se separa opinião de informação. Essa mistura não vai bem, a não ser uma revista como The Economist, que está lá num segmento muito especializado, de pessoas que já se informam em outros meios também. Tirando esses exemplos radicais, a grande mídia tem que separar opinião de informação.

O que seria mais complicado no Brasil de hoje, a apuração, os textos?
A apuração é um problema sério, principalmente, em decorrência da pressa, dessa pressão da concorrência com os meios digitais. Os jornalistas têm muitos méritos, nas denúncias de corrupção, na parte política, mas, também, há muito denuncismo. É um problema sério da imprensa no Brasil. Há problemas de transparência. Poucos órgãos de imprensa têm ombudsman ou representante dos leitores, ou se veem obrigados a publicar cartas de leitores que criticam o próprio órgão de imprensa. Esse seria um problema sério: transparência dos meios de comunicação.

Não seria porque os donos dos veículos ainda decidem muitas coisas?
Não tenho muita vivência nisso, mas percebo que sim. Quando se fala dos veículos mais nacionais, claro que há interesses norteando o noticiário, mas não são tão explícitos, tão evidentes, como são em muitos órgãos regionais.

O que poderia ser feito para diminuir essa pressão de interesse sobre o que o jornalista escreve e faz?
Existe uma discussão muito grande sobre criar um Conselho de jornalismo no Brasil, para controlar melhor os órgãos de imprensa. Eu não sou contra nada disso, só entendo que precisam ser criadas boas propostas. O que se vê hoje em dia não é nada muito efetivo ou muito reconhecido. Para o jornalista, individualmente, é muito difícil ir contra um sistema.

O denuncismo não teria virado uma cultura, uma obrigação ou uma exigência do momento brasileiro?
É um pouco de tudo. A sociedade brasileira está interessada nos assuntos que os jornalistas denunciam, mas existe uma cultura perigosa também de que qualquer coisa nós vamos fazer um escândalo e colocar em letras garrafais, sem a apuração devida, sem muitas vezes medir o tamanho da denúncia corretamente.

Poderia citar exemplos?
A apuração que a Folha fez do ministro Antônio Palocci que acabou o levando à sua queda, foi exemplar. Demonstrou que os seus negócios particulares, privados em consultorias, se desenrolaram enquanto ele chefiava a campanha da presidente Dilma. Ele enriqueceu. Não se avançou o sinal, além disso, a presidente resolveu destituir o ministro mais poderoso da República. No caso do ministro dos esportes (Orlando Silva, do PCdoB) não sei se havia razão. Muitas denúncias pareciam ter fundamento, mas chegou um momento em que qualquer coisa era motivo para "bater" no ministro. Teve uma hora em que começou-se a jogar um monte de coisas sem embasamento. Isso tem acontecido.

Quem é alvo de uma denúncia. Qual seria o comportamento mais aconselhável diante de denúncias, sejam consistentes ou não?
Nos casos dos ministros, eles não precisam muito de orientação porque são todos políticos experientes, estão acostumados. Muitos deles já foram denunciados pela imprensa. Então, eles sabem bem como agir. O que me preocupa mais, quando falamos de denuncismo, são as pessoas que não são famosas, que não são políticos e que não têm cargos públicos, traquejo. Eu escrevi uma coluna no ano passado, a respeito de um médico que supostamente teria cometido um erro e provocado a morte de um bebê. Saiu na primeira página da Folha, num monte de televisões e não era nada daquilo. Foi um misto de ignorância dos jornalistas com o fazer médico e aquela afobação para arrumar "o culpado do momento". Eu insisti muito para que ele falasse comigo. Ele não queria ver mais ninguém da imprensa. Quando a pessoa não sabe como lidar com a imprensa, se esconde e espera que a coisa passe. O que não é bom, porque hoje em dia, na internet, o nome fica para sempre associado aquilo ali. Muitas vezes a pessoa age, também de forma impensada: briga com os jornalistas, ameaça com processos.

O que os órgãos de imprensa podem fazer para superar tais impasses?
É muito importante todo órgão de imprensa ter um canal aberto, onde a pessoa, desde o leitor comum, até aquela que foi alvo de uma reportagem injusta, possa reclamar e que tenha seu lado atendido. Que ela possa procurar um órgão de imprensa e que tenha a sua versão dos fatos mostrada, exibida. A verdade é que em muitos lugares não se tem o que se fazer. Não há um canal aberto para que a pessoa possa se defender.

Por que tal canal não existe, se teoricamente vivemos em uma democracia?
Nunca foi tão forte a presença de questionamentos a respeito da mídia. Hoje, uma série de blogs fazem críticas sistemáticas da grande imprensa. Tem o twitter, as redes sociais, em que a pessoa pode dar sua versão. Essa hegemonia da grande mídia, por outro lado, tem agora um contraponto forte. Por exemplo, o livro "Privataria Tucana" que não foi ignorado totalmente, mas que teve um mínimo de atenção possível dos principais jornais do país, está na lista dos mais vendidos. Eu só consigo entender isso por meio da internet. Portanto, existe uma força que faz um contrapeso. Claro, que ainda injusto. A balança não é igual, mas contrapõe o poder da grande mídia.

Mas a que pode ser atribuído à inexistência do canal de comunicação com o cidadão?
Não tem esse canal porque esse canal incomoda. Por exemplo, se uma grande televisão fala: agora eu vou ter um ombudsman, vou prestar contas ao leitor e as pessoas que me procuram, significa que você vai ter de se explicar. Se um leitor me escreve, eu respondo para ele. Ou eu, ou o editor. Nós temos que prestar contas a esse leitor. Significa que podemos ser questionados, que estamos abertos a críticas. E ninguém gosta de crítica.

E isso incomoda só do ponto de vista da crítica, ou isso incomodaria a interesses maiores desses veículos em não ter esse diálogo com o leitor?
Eu entendo que eles têm medo. O New York Times só criou um cargo desses depois que teve o caso do Jason Blair, aquele repórter que inventava histórias. Antes, eles achavam que não era preciso. Não é uma coisa muito fácil. Ou é uma autoenganação, eu não preciso, eu tenho meu departamento, o meu SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor). Ou realmente é uma questão de que não quer prestar contas.

Aonde vai se chegar? Será que vai mudar esse comportamento?
Hoje não vejo nenhum movimento de mudança nesse sentido.

Quando a folha criou a função de ombudsman foi por pressão dos leitores ou por decisão própria?
Não existia pressão do leitor porque o leitor nem conhecia este cargo. Quando a Folha criou, os concorrentes falaram: isso é marketing! Isso não serve para nada! É só para aparecer! Foi uma das poucas coisas que a Folha criou e que ninguém mais o fez. Muitas coisas que a Folha fez, os outros jornais vieram atrás. O ombudsman não. E não pelo meu trabalho, mas pelos meus antecessores, mostra que é um trabalho de crítica dura, não é uma coisa só para constar. São 21 anos de trabalho. Já faz parte da Folha, já cristalizou. Claro que existem ressentimentos, mal-entendidos, mas já se consolidou. Eu não tenho que cobrar que se responda a um leitor. Todo mundo já sabe que tem que responder. Todo mundo já sabe que tem que dar uma correção quando se constata um erro de informação. Não é mais uma questão conflituosa.

Esse problema da falta de diálogo com o público atinge mais a televisão, o rádio? Onde é que as empresas jornalísticas são mais vulneráveis nesse convívio com a crítica, com a satisfação, com esse convívio com o leitor?
Na televisão o que acaba acontecendo hoje é uma questão ruim, porque você tem na internet, alguns blogs muito raivosos contra a mídia. E a grande mídia fica calada, fingindo que é superior a tudo isso. Então, não há diálogo, não há nada construtivo. Esses blogs só estão preocupados em atacar e não em melhorar. Eles não têm preocupação nenhuma em se aprimorar.

O que a experiência internacional ensina? As grandes redes de televisão internacionais têm ombudsman, tem esse diálogo permanente? Você poderia citar alguns exemplos?
A NPR, ABC, a NBC têm. Na Colômbia é lei. Toda televisão tem que ter um defensor. Em Portugal também é lei. Mas não são muitos, não é regra, não quer dizer que a maioria dos jornais internacionais tem. Ainda são poucos. Eles precisam ter uma vitrine. A TV cultura no Brasil teve ombudsman. Mas ele não tinha um programa na televisão, só fazia crítica interna. O que dá força ao ombudsman é ter uma vitrine para poder falar o que pensa. Pode ser às 11 da noite. Na Colômbia, o ombudsman é chamado defensor do telespectador. Há programas que entrevistam leitores. Criticam big brothers. Há essa liberdade. Não se critica só o jornalismo.

No caso brasileiro não seria mais interessante ter uma legislação como a colombiana do que os conselhos de mídia?
Eu não concordo com essa coisa de lei que obrigue a que se implemente esse tipo de coisa. Agora poderia ser uma recomendação da própria Associação Nacional dos Jornais que se tivesse, que existisse um diálogo com a sociedade.

Mas a sociedade, também, não poderia pressionar nesse sentido? Dar uma demonstração de maturidade, não seria um caminho?
Seria. O problema é que o debate, hoje, sobre o controle, sobre a mídia, é assim: qualquer coisa que se propõe, os donos da imprensa saem gritando ¿ "Isso é censura!". E do outro lado, os movimentos que vemos do governo ou de muitos sindicatos é no sentido de querer censurar mesmo. Então não é um diálogo. Ficam numa briga dos dois lados. É um cabo de guerra.

Há condições hoje, no Brasil, de se chegar ao meio do caminho e de se estabelecer a fronteira do que seria o interesse legítimo da sociedade e o que seria censura?
É difícil. Eu não saberia demarcar. É uma fronteira que, em princípio, eu defendo que se publique tudo que deve ser publicado. Que as medidas sejam a posteriori, sem censura. Eu considero qualquer coisa a priori censura.

Não há como se ter um entendimento? Por exemplo, a questão da violência, que é uma questão decorrente da imprensa brasileira. O que se tem não é uma denúncia da violência, mas uma espetacularização da violência. Quer dizer, a violência acaba virando um espetáculo. A mesma coisa acaba sendo com a questão ecológica. Como terminar com o cabo de guerra?
Existe muita espetacularização da violência. É legitimo dar destaque aos crimes. Mas tem que ter o contraponto. Tem que ter uma discussão séria sobre os números da violência, medidas que devem ser tomadas sem muito apelo. Muitas coisas que se faz não só com a violência, mas em vários assuntos, fica no limite entre o entretenimento e o jornalismo. Existe uma dificuldade grande em atender ao público e também não querer mediocrizar o noticiário. O noticiário de celebridades na internet é importantíssimo para se ter audiência. Se tirar tudo isso dos principais sites de notícias, vai cair muito o número de acessos. Só que também não dá para fazer jornalismo com big brother. Então, a gente vive esse momento esquizofrênico.

Superar esse momento depende do jornalista ou da sociedade?
Isso tudo é muito novo. Esse mundo da internet. Temos que esperar um pouco, esperar se consolidar esse tipo de audiência. Entender o que as pessoas querem ler de notícias na internet. Para satisfazer melhor essa demanda que existe do espetáculo, mas sem abrir mão do que é jornalismo de verdade. Não sei dizer se eu sou otimista quanto a melhorar. É muito cedo ainda.

Como definiria jornalismo de verdade?
Hoje em dia se publica um monte de notícias que não são notícias. Que estão lá, mas não são notícias. Fulana de tal foi vista saindo com um jogador de futebol. Isso não é notícia, é fofoca. Mas que são publicadas porque tem o mundo dos internautas procurando por isso.

Por que há tanta resistência da imprensa brasileira no direito de resposta?
Isso é um problema da imprensa. Há uma obsessão na Folha de que toda reportagem tem que ter um outro lado, vira e mexe, isso não acontece. É um problema da imprensa de não ter nem vontade, nem persistência de procurar o direito de resposta. Ouvir esse direito de resposta, que por muitas vezes, é burocraticamente registrado. O repórter está tão convencido daquela tese, que qualquer coisa que o cara falar, ele só anota ali e coloca do mesmo jeito.

Além da Folha, teria um jornal que exercesse isso, que procurasse no Brasil hoje ouvir os dois lados, que fizesse um jornalismo mais próximo ou próximo desse exercício?
Entendo que hoje em dia essa coisa dos dois lados tem ocorrido no Estado, no Globo, a televisão está caminhando para isso. Virou um valor, as pessoas querem isso. Se eles fazem direito já é outra história.

Como é o seu trabalho? Que veículos acompanha?
Tenho que ler exaustivamente a Folha, todos os dias. Leio o Estado, O Globo e o Valor. São jornais que eu leio diariamente. Tento acompanhar os principais. Não vou dizer que eu leio, mas, eu olho todos dias o El Pais e o New York Times .

O que é olhar?
Vejo a primeira página, a principal reportagem do dia. Tento seguir um mínimo de televisão, mas é muito pouco. Eu leio a Veja e a Época toda semana e, também, a Piauí.

Por que a Piauí?
Eu gosto muito da revista. Consegue fazer bons perfis políticos. Tem qualidade de reportagem. É para quando dá tempo, não é uma revista para ler rapidamente. Mas eu gosto.

E leitores, com quantos no decorrer de uma semana?
Com a ajuda do meu assistente, Daniel Vasquez, que é trainee, por semana ouvimos 8 a 9 leitores. Nós telefonamos e conversamos. Mas eu recebo uma média de 40 a 50 mensagens por dia. Todas as mensagens que são mandadas para Folha por e-mail, twitter são respondidas por mim. Começo muito cedo, às 7. Dependendo do dia, termino às 18h30, 19 horas. Vejo Jornal Nacional em casa. O pior é o domingo.

Por quê?
Porque aos finais de semana os jornais são muito grandes. Acumulam. Tem a Veja, é muita coisa. Diariamente uma crítica interna. É num formato de um blog. Tem cerca de 15 itens. Se fosse no Word daria mais ou menos 2 ou 3 laudas. Eu faço a leitura diária da Folha e desses outros jornais para fazer essa crítica interna que é divulgada dentro da redação. São mais ou menos 300 pessoas que recebem, por volta da uma e duas horas da tarde. Comento as manchetes, as principais reportagens do dia. Se chega alguma mensagem de algum leitor que eu considero que valha à pena, incluo na crítica interna. Faço essa crítica interna diariamente. Na segunda-feira é acumulado o sábado e o domingo. E na sexta eu escrevo a coluna de domingo. Então são os piores dias.

É preciso ter uma característica especial para ser ombudsman?
Paciência para lidar com os leitores. Os leitores quando me procuram, em geral, estão com muita raiva do jornal. Os corintianos estão furiosos porque a Folha chama o estádio deles de Itaquerão. Os petistas estão furiosos porque a Folha quer derrubar os ministros. Os tucanos estão furiosos porque… todo mundo está furioso. Sem paciência e sangue frio não dá certo.

Em termos técnicos, teria alguma característica essencial?
O fato de ter alguns anos de experiência ajuda muito. Ajuda a detectar problemas na apuração, nos textos. E também a ter algum discernimento. Saber o que é ou não é importante.

FV: Na sua visão o que seria um jornal ideal?
Teria que ser um jornal que fosse de fato nacional, no sentido de retratar melhor o que acontece no Brasil, fora do eixo São Paulo, Rio e Brasília. Os jornais brasileiros, ainda, são provincianos. Dão pouca atenção ao que acontece no resto do mundo.

O que seria uma cobertura internacional mais consistente?
Ter mais correspondentes fixos, que entendam melhor o que está acontecendo no mundo, nos principais pontos. E dar espaço para isso. Nas revistas, nos jornais e na TV é tudo muito comprimido, muito apertado. Como o Brasil, caminhando para uma importância maior no sentido econômico é, cada vez mais, importante a gente ter uma cobertura descente.

Francisco Viana é jornalista, mestre em filosofia política pela PUC-SP, consultor de empresas e autor do livro Hermes, a divina arte da comunicação. É diretor da Consultoria Hermes Comunicação estratégica (e-mail: viana@hermescomunicacao.com.br)

Fale com Francisco Viana: francisco_viana@terra.com.br

Opiniões expressas aqui são de exclusiva responsabilidade do autor e não necessariamente estão de acordo com os parâmetros editoriais de Terra Magazine.

A transparência é um sério problema dos meios de comunicação – Terra – Francisco Viana

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