Ficha Corrida

05/05/2015

O que todo defensor de ditadura deveria saber, se tivesse cérebro

No Brasil, como se sabe, os grupos mafiomidiáticos boicotou a Comissão da Verdade. E tinha motivos. Afinal, os assoCIAdos do Instituto Millenium participaram ativamente no golpe e depois do golpe para dar legitimidade aos golpistas. Não pararam nisso. Chegavam a participar nas sessões de tortura, estupro, assassinatos e no esquartejamento das vítimas para que os familiares não pudessem identifica-los. A Folha chama isso de ditabranda. Branda para o Frias que ia para as sessões de tortura e estupro, em sala escura junto como outros empresários, no DOI-CODI. Depois a Folha ainda emprestava as peruas para desovar os corpos dilacerados nas valas comuns do Cemitério de Perus. É por isso que eles odeiam Dilma. O Globo, que fez editorial saudando a chegada da ditadura, admitiu o erro, mas não se corrige. Continua com as mesmas práticas. Eles não se perdoam por Dilma ter sobrevivido à ditadura.

Não é mero acaso que na Argentina o Grupo Clarín, parceiro do Grupo Globo e demais membros dos do Instituto Millenium na SIP, esteve totalmente envolvida com a ditadura e dela se beneficiou para construir um monopólio odioso e odiado por todos os familiares das vítimas da ditadura argentina.

Ignacio Montoya Carlotto

Mariana Eliano 2 MAY 2015 – 23:12 CET

“Não sou um militante, mas o direito à identidade é fundamental”.

Após recuperar sua identidade, Ignacio Montoya Carlotto renunciou ao cargo de diretor da Escola Municipal de Música de Olavarría, que ocupou por seis anos. “É preciso ter a cabeça fresca, e agora estou meio travado, como um computador que pensa e repensa as mesmas coisas.” Começou um tratamento psicológico em junho, assim que contaram que era adotado.

Retrato de Ignacio Montoya Carlotto, neto de Estela de Carlotto, presidenta das Avós da Praça de Maio.

  • Foto:Mariana Eliano

Uma verdade que queima

Eles foram tomados de seus pais, privados de suas identidades e entregues em sua maioria a famílias ligadas ao regime militar que governou a Argentina entre 1976 e 1983

Filhos de militantes assassinados no regime militar argentino narram como encararam sua nova vida entre duas famílias, depois de recuperados pelas Avós da Praça de Maio

Raquel Garzón 2 MAY 2015 – 18:00 BRT

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Vitória e a filha, nascida em um dos mais emblemáticos centros clandestinos de detenção da Argentina. / Mariana Eliano

Chora feito criança, soluçando. Matías tem 37 anos e há 25 sabe que é filho de desaparecidos, vítimas da ditadura militar argentina, mas desmorona e leva vários minutos para se recuperar quando pensa em como vai contar ao seu filho Benjamim, que ainda nem completou dois anos, que ele e seu irmão gêmeo chamavam de “papai” o torturador Samuel Miara, que se apropriou das crianças em maio de 1977, poucos dias depois de a mãe deles os parir em La Cacha, um centro clandestino de detenção localizado na penitenciária de Caseros, em La Plata, capital da província de Buenos Aires. “Se há algo que não vou fazer com o meu filho é mentir para ele. Treinam você para mentir, para levar uma vida dupla”, conta ele no apartamento onde vive, na cidade de Rosario, a 300 quilômetros da capital do país.

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Tatiana recorda que Mirta, sua mãe, foi sequestrada diante dos seus olhos numa praça de Villa Ballester, quando ela tinha três anos e meio. “Vejo-a como em um filme mudo. Reconstruo o que ela diz: ‘Cuidem-se bem’”. Lá ficaram ela e Laura, sua irmã de três meses, até que a polícia as levou para um juizado de menores como NN (nomen nescio: sem identidade conhecida). Adotadas de boa fé por um casal, foram as primeiras netas recuperadas pelas Avós da Praça de Maio, em 1980. “Até os 12 anos eu achava que meus pais iam voltar”, contou Tatiana, grávida de Pedro, seu terceiro filho, que já terá nascido quando esta reportagem for publicada.

Vitória nasceu na Escola Superior de Mecânica da Marinha (ESMA, na sigla em espanhol), um dos mais emblemáticos centros clandestinos de detenção da Argentina, durante o cativeiro de sua mãe, Cori, cujos olhos ela herdou e transmitiu a Trilce, seu bebê de cinco meses. Militante social desde muito jovem, Viki viveu até os 27 anos acreditando ser filha de Esther e Juan Antonio Azic, o Piraña, um ex-integrante das forças de segurança que se tornou comerciante e acabou sendo condenado a 18 anos de prisão por sequestros e torturas. Foi restituída em 2004, e em 2007 se tornou a primeira neta recuperada a se eleger deputada nacional. Mas continua indo à penitenciária de Ezeiza para visitar aquele que se apropriou dela. Às vezes, leva a filha nos braços. “Apesar do que ele fez e do que é, um repressor, eu o amo”, define, com a voz embargada, na sala do seu apartamento do bairro de Boedo, um ambiente pintado de laranja furioso.

Ignacio, músico, vive em Olavarría, 350 quilômetros a sudoeste da cidade de Buenos Aires. Em 5 de agosto de 2014, ficou sabendo que é filho de Laura Carlotto e neto de Estela, a presidenta das Avós, que o procurava havia mais de três décadas, desde que soube que sua filha o havia parido em uma prisão clandestina. “Pobre mulher, será que um dia vai encontrá-lo?”, chegou a comentar com Celeste, sua mulher, ao vê-la dando uma entrevista na televisão, sem suspeitar que Guido, o neto que procurava, era ele mesmo. E, embora diga que recuperar sua identidade aos 36 anos foi “uma sacudida feliz” (“Choveram-me duas famílias”), admite que “leva um tempo até você reinterpretar a sua vida inteira” e que não é fácil assumir “da noite para o dia que seu rosto se transforme em um pôster”. Enquanto isso, a Justiça investiga ainda sua apropriação e a responsabilidade de Clemente Hurban, seu pai de criação, um trabalhador rural que mal terminou a escola primária e a quem Ignacio trata carinhosamente como “o velho”.

Tomados como botim de guerra pelos militares, 500 crianças nascidas entre 1975 e 1980 na Argentina foram privadas da sua identidade e entregues em sua maioria a famílias ligadas ao regime, que as registraram como filhos próprios, a fim de evitar que fossem educados em ambientes que o regime considerava “subversivos”. Filhos de militantes políticos sequestrados e assassinados pela ditadura que governou o país entre 1976 e 1983 (algumas fontes estimam em até 30.000 os desaparecidos), Matías Reggiardo Tolosa, Tatiana Sfiligoy, Vitória Donda Pérez e Ignacio Montoya Carlotto representam 4 dos 116 casos de netos recuperados até hoje pelas Avós de Praça de Maio, uma associação civil criada em outubro de 1977 por mulheres que encontraram forças para manter vivo o sonho de recuperar os filhos dos seus filhos. O EL PAÍS entrevistou os quatro para saber como se vive depois de uma verdade que arde e que obriga a reconstruir com retalhos e relatos alheios as histórias de seus pais, nas quais se misturam ideais, mentiras, torturas, morte e terrorismo de Estado. Todos eles são hoje mais velhos do que eram seus pais ao serem assassinados.

Ignacio Montoya Carlotto

Filho de Laura Estela Carlotto e Walmir Óscar Montoya, sequestrados em 1977.

Chamam-no de “o Messi dos netos”, apelido dado meio de brincadeira por outros jovens restituídos, criticando o fato de que desde que ele surgiu, em 5 de agosto de 2014, os outros ficaram ofuscados. “Se sua cabeça não está no lugar, uma notícia como esta te destrói, você começa a fazer bobagens”, diz, o mate pela metade, Ignacio, o neto que Estela de Carlotto, presidenta das Avós da Praça de Maio, esperou por 36 anos.

A busca empreendida por sua avó, Estela, começou quando ela soube, por meio do testemunho de sobreviventes, que sua filha Laura, militante do grupo armado Montoneros e sequestrada em novembro de 1977, tinha dado à luz –algemada, num hospital militar– um menino que chamou de Guido, em homenagem ao avô. Poucas horas depois foram separados, e a jovem foi assassinada dois meses mais tarde num confronto forjado. Os militares entregaram à família o corpo de Laura, mas não a criança.

A busca feita por Ignácio começou em 2 de junho do ano passado, dia de seu aniversário, quando uma pessoa próxima da família confirmou para Celeste Madueña, sua mulher, algo de que ele suspeitava: que tinha sido adotado. Ele entrou em contato, por e-mail, com as Avós. Disseram-lhe que apenas 1 a cada 1.000 casos acaba confirmado. Mesmo assim, conversou com seus “velhos”, Juana e Clemente Hurban, que ele continua a considerar assim. “Contaram-me que Carlos Francisco Aguilar, o dono do terreno em que eram caseiros, sabendo que não podiam ter filhos, lhes disse que havia uma mulher de La Plata que não queria criar o seu, e que poderia trazê-lo. Eles aceitaram e assinaram documentos que acreditavam que fossem de adoção. Falaram-lhes que era melhor não me contar nada. São pessoas muito simples, confiaram cegamente.” Aguilar morreu em março de 2014, e sua ausência parece ter relaxado o pacto de silêncio.

Junto assim pedacinhos, um quebra-cabeças de coisinhas lindas. Isso é meu, e assim posso vê-los como papai e mamãe

Ignacio, o neto 114

Em 5 de agosto, por meio do cruzamento do DNA dos envolvidos, comparado com as amostras do Banco Nacional de Dados Genéticos, criado durante a presidência de Alfonsín, em 1987, o país e o mundo se emocionaram com a aparição de Ignacio, o neto recuperado número 114, cuja avó é Estela de Carlotto. Todo argentino se lembra de onde estava quando soube a notícia, tamanha a capacidade de mobilização do caso.

“A situação é muito difícil, não só por ser algo tão íntimo e pelo peso da verdade, mas também por tudo que vem junto: as capas de revistas, as câmeras que te seguem e a expectativa em relação ao que você vai dizer”, relata. “É raro, por exemplo, ter que explicar que você é quem é e se chama como se chama. Não sou Guido. E às vezes recebo cartas de pessoas que me pedem explicações: ‘Como é que você não assume o símbolo que representa?’”. Ele acredita, mesmo assim, num responsabilidade cívica, que supera os incômodos: “Não sou um militante, mas o direito à identidade é fundamental, e faço o que posso para ajudar e incentivar que outros se animem a saber”.

Faz apenas oito meses que a vida de Ignacio deu um giro de 180 graus. Na primeira vez que se encontrou com Estela, sua avó, eles se abraçaram e começaram a chorar. “Foi em La Plata. Nós nos sentamos e começamos a conversar. A alguns quarteirões dali estavam meus primos: 14, mais seus cônjuges e filhos. Ela me perguntou se queria conhecê-los, e pedi um tempo. Fui no dia seguinte. A avó disse para eles: ‘Ele não gosta de ser abraçado nem acariciado, como fazemos entre nós’. Quando cheguei, estavam em fila, tensos. ‘Oi, tudo bem, sou fulano’. Cumprimentei todos, e uma entrou na fila duas vezes! Foi divertido. Vieram também algumas primas por parte do meu pai. Todos nos conhecemos ali, porque não havia certeza, até o DNA, sobre quem era o par da minha mãe. Foi um belo momento.”

Ignacio não fala de perdas, mas de luto e de uma história com um “início dolorosíssimo que tem essa passagem de luz”. “Não tive a chance de perguntar nada, encheram-me de informações. Coisas que sei que são certas, mas que estão filtradas por anos de repetição da história para que não seja esquecida. Mas aos poucos, com todas as viagens que fiz nestes meses, encontrei histórias e fui construindo uma imagem de Laura e de Walmir, que se conheceram na clandestinidade. Por exemplo, mostraram-me um postal que meu pai enviou para minha avó Hortensia, que hoje tem 92 anos. Está cheia de erros horríveis de grafia. E numa época eu era assim, uma tristeza escrevendo. Junto assim pedacinhos, um quebra-cabeças de coisinhas lindas. Isso é meu, e assim posso vê-los como papai e mamãe. Se não, é muito difícil: não os conheceu, não tem registro.”

O que lhe custa mais é defender seu espaço e sua intimidade da invasão implicada por se tornar uma pessoa pública. Agora que choveram chances “de tocar aqui ou ali, de viver em outro lugar”, escolheu a própria Olavarría, onde está construindo uma casa e onde Celeste e ele querem ter um filho (“estamos nesta”).

Chama de ruídos suas dúvidas de antes. “Tive e tenho uma vida feliz. Mas havia certas questões básicas: a semelhança física, por exemplo. Não nos parecíamos. E a música, porque morávamos no campo, a 45 quilômetros daqui, num lugar em que não havia energia elétrica até ano passado. Nem rádio havia. E um dia, quando fomos a uma cidade vizinha, eu tinha 8 ou 9 anos, ouvi uma orquestra típica que tocava um pouquinho de tudo –pasodoble, rock, pop…— foi um clarão, não pude acreditar no que ouvia”, lembra. E começou a estudar.

A música, ele agora sabe, fluía na família. Walmir Montoya, seu pai, era baterista: militante montonero sequestrado em 1977 e fuzilado num suposto confronto, seus restos enterrados como NN (sigla de nenhum nome) numa sepultura coletiva, e encontrados em 2006 pela Equipe Argentina de Antropologia Forense. Seu avô paterno era saxofonista, e seu avô materno, Guido, um amante da música, fã de jazz. “O sangue não é água”, diz Ignacio. Saboreia como refrão esse dito que tem equivalentes em vários idiomas, enquanto toca no piano Los niños que soñaban em colores, “uma valsinha jazzeada”, suave e bela, a primeira que compôs depois de saber quem é.

Tatiana Sfiligoy

Filha de Mirta Graciela Britos Acevedo e Óscar Ruarte, que continuam desaparecidos.

Havíamos visto a operação na esquina de casa, um grupo armado. E minha mãe decidiu ir à praça. Nos seguiram e não houve alternativa. Começou a nos beijar e a se despedir. Não me lembro de ter tido medo. E, sim, perplexidade. Essa foi a última vez que vi minha mãe”, conta Tatiana, lembrando aquele dia infernal de 1977.

Não julgo meus pais. A geração deles pensou que era possível uma mudança

Tatiana

Tinha 3 anos e meio. Seis meses depois, ela e sua meia-irmã Laura (filha de Alberto Jotar, também desaparecido, parceiro de Mirta Britos naquela época) foram entregues a um casal de boa-fé, Inés e Carlos Sfiligoy, que as adotou. Tatiana decidiu manter o sobrenome e os chama de mãe e pai. “Quando, em 1980, nos convocaram ao tribunal porque minhas avós haviam nos localizado e ambas as famílias se encontraram, houve um entendimento. ‘Que as partes se entendam’, disse o juiz, e o fizeram. Foi estabelecido um regime de visitas para minhas avós, que viviam em Córdoba. Isso me permitiu crescer e me apoiar em outros pais, sem cortar os laços com elas nem com meus primos e tios e sem ocultar a história dos meus pais biológicos. Isso foi atípico”, resume Tatiana. Casos como o dela — onde não houve roubo de crianças nem apropriação por aqueles que os criaram — são contados nos dedos.

Até os 18 anos, Tatiana não perguntou muito. Um dia, encontrou em um jornal um comunicado da Associação Argentina de Atores que incluía o nome de seus pais. “Tive um impacto muito grande e levei quase um ano para buscar mais dados.” Mas o fez. Viajou a Córdoba, onde Mirta e Óscar militavam nas organizações guerrilheiras FAL 22 e PRT-ERP. “Foi muito forte para mim e para seus companheiros. Me olhavam como se eu fosse um fantasma, porque me pareço com meus pais.”

Começou então para ela uma época de ativismo pelos direitos humanos. Estudou psicologia e participou dos primeiros escrachos organizados contra repressores pela associação HIJOS (filhos pela identidade e justiça contra o esquecimento e o silêncio, na sigla em espanhol), criada em 1995 para lutar contra a impunidade. “Os escrachos eram muito malvistos. Eram momentos muito importantes para os filhos de desaparecidos. Levou muito tempo, inclusive durante a democracia, para que a memória fosse uma política de Estado”, lembra.

Tatiana Sfiligoy tinha três anos e meio quando sua mãe, perseguida por paramilitares, a abandonou em uma praça com sua irmã bebê. / Mariana Eliano

O grupo HIJOS colocou recentemente em evidência as divisões que existem entre os militantes de direitos humanos em relação ao kirchnerismo, ao queimar em La Plata — em 24 de março, nos 39 anos do golpe de Estado — dois bonecos abraçados de Hebe de Bonafini, líder das Mães da Praça de Maio, e César Milani, atual chefe do Estado Maior do Exército argentino. O gesto simbolizava o repúdio diante das contradições do Governo de Cristina Kirchner, que defende ativamente uma política pela memória, mas nomeou Milani em 2013 e ainda mantém no cargo esse militar suspeito de crimes contra a humanidade.

A história é marcada na pele. “Não julgo meus pais. A geração deles pensou que era possível uma mudança. Era grande o compromisso e pouca a consciência da tragédia que se formava. Acho que nunca pensaram que seriam mortos”, reflete Tatiana. Depois da morte de suas avós, há cinco anos, os contatos com a família biológica são menos frequentes (“quase tudo é por Internet”). Com Laura, sua irmã, é quase a mesma coisa. “O processo dela foi diferente. Vive nos EUA. É paradoxal, porque não conheceu nossos pais, não lembra deles, mas sofre. Não os perdoa. É nisso que acontece o maior desencontro. Estamos falando outra língua. Tenho dois sobrinhos lá e é complicado.”

DNA obrigatório?

É possível obrigar alguém a enfrentar uma verdade que não deseja conhecer? A irmã mais nova de Victoria Donda nasceu em 1980, também apropriada, e foi chamada de Carla pelo casal Azic. Seu caso foi resolvido em 2008, quando, perante a sua negativa em fazer análises imunogenéticas, a Justiça ordenou que fossem obtidas amostras de DNA através de objetos pessoais da jovem. No dia 27 de maio daquele ano foi confirmado que se tratava de Laura, terceira filha do casal formado por Silvia Beatriz María Dameri e Orlando Antonio Ruiz, ainda desaparecidos. Existem precedentes da Corte Suprema argentina que declaram inconstitucional a extração forçada de sangue. Mas, pela existência de métodos não invasivos (análises de amostras de cabelo ou saliva), a Justiça tomou decisões priorizando o valor social da restituição da identidade de uma pessoa e a possibilidade de investigar o delito de sua apropriação.

Um caso muito controvertido foi o de Marcela e Felipe Noble Herrera, filhos adotivos de Ernestina Herrera de Noble, diretora do jornal Clarín, veículo que o kirchnerismo considera ser de oposição. Por causa de um processo iniciado por duas famílias (Lanuscou-Miranda e Gualdero-García) que atribuíam aos jovens a condição de filhos de desaparecidos, foi iniciada uma longa disputa judicial, que incluiu em 2010 o sequestro das roupas íntimas que os irmãos vestiam naquele momento. Para encerrar a “inédita perseguição política” que os jovens diziam viver, eles solicitaram em 2011 a comparação do seu DNA com todas as amostras existentes no Banco Nacional de Dados Genéticos. Todas as análises deram negativo.

Em 10 de março de 2014, a juíza federal Sandra Arroyo Salgado deu por terminadas as perícias no processo. Em março deste ano, Javier Gonzalo Penino Viñas, que tinha sido adotado ilegalmente pelo repressor Jorge Vildoza e recuperou sua identidade em 1999, depôs como testemunha de defesa no julgamento de sua apropriadora, Ana María Grimaldos, esposa de Vildoza, alegando seu direito de manter esse laço. Em 14 de abril, a Justiça condenou a apropriadora a seis anos de prisão. Dois dias antes disso, as Avós da Praça de Maio confirmaram o suicídio de Pablo Germán Athanasiu Laschan, que havia recuperado sua identidade aos 37 anos, em agosto de 2013, depois de se submeter voluntariamente ao exame. Pablo tinha sido registrado como filho próprio por um casal com estreitos vínculos com a ditadura. Seu apropriador está detido como parte de um processo por crimes contra a humanidade.

Matías Reggiardo Tolosa

Filho de María Rosa Ana Tolosa e Juan Enrique Reggiardo, desaparecidos em fevereiro de 1977.

“Eu perguntava às garotas com quem saía: “Você sabe quem eu sou?”, diz Matías enquanto conversamos rodeados pela cadeirinha de alimentação e os brinquedos de Benjamín. “Agora levo na gozação, mas, diante dessa pergunta, pensavam: a) é um assassino em série; b) é casado; c) é gay.” Em 2009, conheceu María, que não temeu ouvir a resposta; casaram-se três anos depois e nasceu o menininho cujas fotos forram as paredes.

Considera-se um homem feliz e até mesmo ri várias vezes ao longo da conversa. Mas nunca pôde acostumar-se a comemorar seu aniversário em 27 de abril, quando se presume que nasceu, durante o cativeiro de María Rosa Tolosa, sua mãe, que continua desaparecida. Ainda festeja a data em 16 de maio, dia em que ele e seu irmão gêmeo, Gonzalo, chegaram à casa do ex-subcomissário Samuel Miara, condenado em 2014 à prisão perpétua por delitos de lesa humanidade cometidos nos centros clandestinos de detenção Club Atlético, El Banco e Olimpo. Miara e sua mulher, Beatriz Castillo, os registraram em 1977 como filhos próprios. Até 1985 os meninos não suspeitavam de nada. Nesse ano, fugiram para o Paraguai: as Avós da Praça de Maio os descobriu pensando que eram outros gêmeos filhos de desaparecidos, os Rossetti Ross.

Foram extraditados em 1989, mas verificar sua identidade levou anos (“lembre que não havia ainda DNA, mas estudos de histocompatibilidade”), durante os quais continuaram vivendo por decisão judicial com os Miaras. Esse tempo foi muito difícil. “Eles nos disseram que tinham cometido um delito e que iriam ser presos. A Justiça estabeleceu um procedimento de forte controle. Durante toda a minha adolescência, e até completar 18 anos, tive de ir a cada 15 dias ver um psicólogo forense. Nós nos sentíamos como coelhinhos da Índia e sei que nosso caso é tratado ainda hoje em diferentes campos da psicologia.

Não é o mesmo restituir um menor de idade do que você descobrir quem é na idade adulta. O caso Miara ainda dói. Em 1994, os gêmeos chegaram às telas da televisão argentina; tinham 16 anos e acabavam de se mudar para morar com o tio materno, Eduardo Tolosa. Pediam para voltar com seus apropriadores, que na época sentiam ser seus pais, e a quem amavam. Por que? “Fomos obrigados a cortar todos os laços com nossa vida anterior: a cidade, os amigos, o colégio, os Miaras. No começo tentávamos falar de forma clandestina com eles, escapávamos. Chegaram a destacar policiais para nos seguirem. Estávamos aprisionados por ambos os lados. Tudo isso provocou um atraso muito significativo em nossa vontade de recuperar nossas origens”, recorda agora Matías.

Nós o vimos várias vezes na prisão. Quando vim morar em Rosário, pedi até que não falasse mais comigo

Matías, sobre o pai adotivo, Samuel Miara, condenado por crimes contra a humanidade

Depois do escândalo midiático (“ainda me parece uma loucura que nos tenham dado espaço; hoje, se você coloca um menor na televisão sem autorização, fecham a emissora”), Eduardo, que não queria negociar um regime de visitas com os apropriadores, renunciou à guarda dos sobrinhos e os garotos foram viver com uma família substituta até chegar à maioridade. Aos 21 anos, Matías e Gonzalo decidiram voltar a viver com Beatriz Castillo. “Sentia que não tinha outro lugar para onde ir”, explica Matías. “Eu a chamava de mamãe, mas sempre estava consciente do que tinham feito. Samuel estava preso por ter se apropriado de nós. A distância começa a se aprofundar nos meus 28 anos, porque comecei a me dar conta.”

Em junho de 2005, a Corte Suprema declara a inconstitucionalidade das leis do Ponto Final e Obediência Devida, que junto com os indultos do menemismo garantiam impunidade. Assim, militares cujo ajuizamento havia sido suspenso retornam aos tribunais. Miara volta à prisão para ser julgado por delitos de lesa humanidade. O processo foi muito lento e os gêmeos o visitavam. “Nós o vimos várias vezes na prisão. Falávamos de tudo, mas houve momentos em que meu irmão e eu o encurralamos um pouco, e essas conversas me fizeram sentir que eu não tinha por que passar por isso: estar com uma pessoa que é um psicopata e demonstra isso pra você, que diz coisas que te fazem mal, e que está na cadeia, além do mais, com outros repressores. A última vez que vi Miara foi em 2007, e Beatriz, em 2011. Quando vim morar em Rosário, pedi até que não falasse mais comigo. Mas continuou fazendo isso por um tempo.”

Sabe por relatos que Quique, seu pai, tinha um modo de falar sussurrado, como o seu, e que, como ele, amava literatura. “Se você é tirado de seus pais quando eles têm 24 anos, você não pode brigar com nada. Não pode chegar a essa distância natural que há na adolescência em relação aos pais. Embora você sempre se pergunte se eles poderiam ter agido de outra maneira para se salvar.”

Complexa e dolorosa para os irmãos Reggiardo Tolosa, sua experiência representou um antes e um depois nos casos de restituição. Diana Kordon, psicanalista que trabalhou com as Mães da Praça de Maio até 1990, e que hoje coordena a Equipe Argentina de Trabalho e Pesquisa Psicossocial, especializada no apoio às vítimas de traumatismos sociais, recorda que o consenso naquele momento era outro: “Não era só a mídia que debatia se tinham de ser restituídos ou não. Discutíamos entre profissionais. Era muito forte a pressão no sentido de que estávamos estimulando um novo trauma nas crianças. Agora é diferente: houve a legitimização do fato de que a apropriação existiu e é um crime condenável em termos sociais, mas também em relação às pessoas que a sofreram e suas famílias.

Matías Reggiardo Tolosa, cujos pais desapareceram em 1977. Já adolescente, ele soube que havia sido entregue a outra família quando bebê. / Mariana Eliano

Essa mudança na forma de olhar se evidencia também na quantidade de consultas anuais que as Avós recebem, um aumento de mais de 600% entre 2001 (109 consultas) e 2014 (678), com um pico de 117 apresentações em setembro em decorrência do efeito Guido, depois da restituição do neto de Estela de Carlotto, presidenta da instituição. “A apropriação é uma situação traumática porque rompe a cadeia genealógica e sua transmissão cultural, que vai muito além do sangue. A restituição, por sua vez, é um momento de grande crise, mas também a possibilidade de um grande encontro com a verdade”, define Kordon. Reconstruir laços com suas famílias de origem levou anos para Matías. O tempo sanou sua relação com Eduardo, seu tio materno, a quem reencontrou nas audiências do julgamento de Miara, finalmente condenado em 2013.

Embora com demora, voltou a relacionar-se com a família de seu pai: Guarda um álbum fotográfico de capa azul preparado em 2009 para ele por suas tias paternas. Na primeira página desse documento se lê: “Memórias de teu pai, Quique, Juan Enrique Reggiardo”, e se vê uma árvore genealógica desenhada à mão, que dá nome aos rostos das fotos.

Victoria Analía Donda Pérez

Filha de María Hilda Pérez e José María Laureano Donda, que continuam desaparecidos.

Sua vida mudou para sempre em 24 de julho de 2003, quando Juan Antonio Azic, a quem chamava de pai, tentou suicidar-se dando um tiro na cabeça com sua arma regulamentar. Ficou em coma três meses. A razão chegou pela imprensa: Azic figurava entre os repressores cuja extradição pedia o juiz espanhol Baltasar Garzón para julgá-los por crimes de lesa humanidade fora da Argentina, onde ainda vigoravam as leis de Ponto Final e Obediência Devida.

Analía (esse era seu nome naquela altura) sentiu que sua vida desabava e telefonou para as avós da Praça de Maio para desculpar-se por seu pai. Poucos dias depois, um grupo do HIJOS contatou-a para lhe dizer que suspeitavam que tinha sido apropriada por Azic e sua mulher, Esther, e que isso só poderia ser confirmado por uma análise de DNA. “Lembro-me da sensação de estar diante de um abismo, que tudo desabava. Via tudo escuro e tremia muito. Suponho que de medo. Foram dias em que tremi sem parar”, conta agora Victoria Donda com um fio de voz, enquanto prepara a mamadeira de Trilce, seu bebê.

“Demorei oito meses para me decidir a fazer o exame porque sentia que era dar uma prova para prenderem Juan, um homem que eu amava muito. Que amo muito. Apesar do que fez e das responsabilidades que lhe cabem por isso, porque é um repressor e por isso está preso, eu o amo”. Ainda o visita na penitenciária. Como são esses encontros? “Mais tranquilos, já não há nada que ocultar. De algumas coisas escolhemos não falar, mas é uma relação linda”.

Apesar do que fez e das responsabilidades que lhe cabem por isso, porque é um repressor e por isso está preso, eu o amo

Victoria

O exame demonstrou que era filha de María Hilda Pérez, Cori, e José María Donda, conhecido como Pato, integrantes do Montoneros, sequestrados em 1977. E também, que seu tio não é outro que o oficial da Marinha Adolfo Donda Tigel, hoje na prisão, responsável pela inteligência da ESMA, por onde passaram mais de 4.200 presos desaparecidos. Ali nasceu Victoria, separada de sua mãe com 15 dias de vida: foi a mãe que lhe deu o nome e, com ajuda de uma companheira que a assistiu no parto, perfurou suas orelhinhas com uma agulha cirúrgica e passou fiozinhos azul-claros por elas, segundo relatos de alguns sobreviventes. Essas vozes apontam seu tio como o delator de seus pais. Também foi ele que levou Eva Daniela, sua irmã mais velha, nascida em 1974, que estava aos cuidados de sua avó, Leontina, uma das fundadoras de Avós da Praça de Maio.

Adolfo Donda conseguiu tirar a guarda da menina e a criou como sua filha, afundando uma tragédia familiar que representa a de todo um país. Eva sente afeto de filha por esse tio-pai-apropriador que estava a par do sequestro da cunhada e do irmão e que a criou, mas permitiu – no cúmulo da crueldade ou da contradição – a entrega de sua outra sobrinha, Victoria, a quem inclusive se negou a conhecer.

Vitória e a filha, nascida em um dos mais emblemáticos centros clandestinos de detenção da Argentina. / Mariana Eliano

A relação entre as duas irmãs foi muito difícil durante anos. A mais velha das Donda chegou inclusive a participar, em 2009, de um ato da associação de Familiares e Amigos das Vítimas do Terrorismo na Argentina, que conta os assassinatos de militares pela guerrilha. Recentemente o vínculo está se recompondo, alentado em parte pelo desejo de deixar para seus próprios filhos outra realidade afetiva. “Estamos nisso”, diz Victoria. “Visitamo-nos, vemo-nos. Saímos juntas. Está bom. Há coisas que é melhor não falarmos. Ela está em um processo pessoal também”, define.

A política foi a melhor terapia de Victoria. “Belicosa”, como gosta de se definir, é um rosto das ideias de esquerda que luta pela legalização da droga (“é o único modo de combater o narcotráfico”) e pelos direitos das mulheres. Assegura que quando Trilce, seu bebê, tiver condições de entender, contará tudo a ela, com Disney como aliado (para desgosto de seus companheiros de partido, o Livres do Sul). “Tenho pensado em assistir Enrolados com ela. O filme fala de uma apropriação porque Rapunzel foi afastada de seus pais e mentiram para ela sobre sua origem”.

Viki teve duas mães. Pelo menos é assim que sente. “Esther, a mulher de Juan, foi minha mãe e vai ser a avó de Trilce, não importa que tenha morrido há quatro anos. Mas minha mamãe biológica, Cori, também me fez falta: senti muitas saudades dela durante minha gravidez. Nunca a vi, é claro, mas precisava dela perto”.

E há cicatrizes. Desde 2003 sonha que está sendo sequestrada por homens sem rosto e falta um lugar onde honrar seus pais. “O que mais dói é a ausência da ausência; não saber onde estão meus pais. Que quando quero ir levar uma flor para eles tenho que ir a um rio”, diz, aludindo à morte de Cori, que foi “transferida”, eufemismo usado pelos militares para se referir aos prisioneiros que eram drogados e jogados ao Rio da Prata nos chamados “voos da morte”.

Enquanto a bebê sorri, muito contente com o movimento de gravadores e câmeras, Victoria fala do nome que escolheu para ela junto com Pablo, seu marido: “A canção de Trilce”, de Daniel Viglietti, uma de seus favoritas; o som, quase um doce, que não quer dizer nada e entretanto “soa como uma mistura de triste e doce”. Possivelmente um verso do poema homônimo de César Vallejo encerre outra chave da escolha quando repete teimoso: “Não tenhamos mais pena”.

Detalhe do mural dos desaparecidos na Escola Superior de Mecânica da Marinha (ESMA), o centro de detenção e tortura da ditadura militar argentina. / Mariana Eliano

Ditadura Militar Argentina: Uma verdade que queima | Internacional | EL PAÍS Brasil

23/03/2014

Na Argentina como no Brasil, os ditadores foram apoiados por civis e CIA

 

ECONOMIA › REVELACIONES DE LOS ARCHIVOS DE LA DICTADURA. LA “COCINA” DE LA LEY DE ENTIDADES FINANCIERAS

Mucho más que simples colaboradores

El rol del poder económico, corporizado en Martínez de Hoz y los grupos financieros, detrás de decisiones fundamentales de la dictadura. Cómo se armaron y discutieron las leyes económicas que instalaron un nuevo país.

Por Raúl Dellatorre

José Alfredo Martínez de Hoz, ministro de Economía de la dictadura. Articulador de las fuerzas que provocaron el golpe y luego le sacaron provecho.

Entre la amplia documentación hallada en el Edificio Cóndor, del Ministerio de Defensa, proveniente de los archivos de la dictadura, se encontraron elementos que permiten reconstruir, en una parte sustancial, cómo fue el proceso de elaboración y construcción final de dos leyes fundamentales en la estructura económica que empezó a delinearse en aquellos años: la Ley de Inversiones Extranjeras y la Ley de Entidades Financieras. Los proyectos originales, la forma en que fueron modificados antes de convertirse en ley, algunas transcripciones taquigráficas de los debates entre integrantes del equipo económico comandado por José Alfredo Martínez de Hoz y miembros de las Fuerzas Armadas, así como apuntes de las propias fuerzas con comentarios y objeciones a parte del articulado, dan cuenta de cómo se fue trazando un camino que derivó en el proceso de concentración económica y extranjerización que ocurrió en los años posteriores. La defensa irrestricta, por parte del equipo económico de la dictadura, así como de directivos empresarios convocados y consultados para la elaboración de estos proyectos, dejan ver además que el papel de los grupos económicos dominantes de la época no fue el de simples “colaboradores”, sino que fueron los auténticos mentores del proyecto económico que representó (junto al implantado por la dictadura de Augusto Pinochet en Chile) el primer avance del modelo neoliberal en la región.

La dictadura encabezada por Jorge Rafael Videla había creado, en 1976, un cuerpo conformado por las tres armas, denominado Comisión de Asesoramiento Legislativo, la CAL, que cumplía las funciones de organismo “legislativo”, elaborando proyectos de leyes para ser promulgados por el Poder Ejecutivo. En oportunidad de la elaboración del proyecto de Ley de Entidades Financieras, convocó a consulta a diversas organizaciones empresarias del sistema para que dieran su aporte. Los bancos de la época estaban agrupados en tres entidades gremiales: Adeba, ABRA y Abira. Quienes concurrieron para “colaborar” en la redacción por cada una de estas entidades fueron Benedicto Bianchi, Luis María Gotelli y Pablo Terán Nogués. Además, por el sector de las compañías financieras participó Rodolfo Guido Martelli. Todos ellos habían sido propuestos y nombrados por resolución del ministro de Economía, José Alfredo Martínez de Hoz, como integrantes de la “comisión ad hoc” que asesoraría al Ejecutivo en esa tarea. Todos ellos constituían la más auténtica representación del poder financiero.

En la documentación encontrada en el mes de octubre de 2013 en los archivos del Edificio Cóndor consta el rol que cumplieron estos “asesores”, coordinados por el secretario de Programación Económica y viceministro, Guillermo Walter Klein, incluso enfrentando en algún caso la opinión de los representantes de las Fuerzas Armadas. En la discusión por la nueva Ley de Entidades Financieras, entre septiembre de 1976 y primeros meses de 1977, los representantes de la banca privada acordaron que el Banco Central mantuviera el rol de autoridad monetaria, pero hicieron oír su queja porque consideraban que el sistema beneficiaba a la banca oficial en desmedro de la privada. Esto originó un intercambio de opiniones con los militares que participaban de estos encuentros, quienes argumentaron que la banca privada gozaba del derecho otorgado por el Estado de “trabajar con fondos de terceros, captar fondos del público y prestarlos, ejerciendo una actividad comercial sumamente privilegiada” y, sin embargo, “pretende mostrarse a la actividad privada como perjudicada, cuando no es así la realidad”.

En ese debate, terció la posición del Ministerio de Economía, representada por Guillermo W. Klein, claramente a favor de los bancos, exigiendo además que no se hiciera ningún tipo de distinción entre banca local y extranjera. El funcionario defendió la idea de generar un sistema lo suficientemente “flexible”, para facilitar la concurrencia del capital privado y la conformación de un sistema basado en “entidades solventes”. De ese debate, surge un proyecto definitivo de ley en el que no sólo elimina restricciones o condiciones que originalmente se le imponían al capital extranjero para participar en las entidades financieras locales, sino que además se avanza en la eliminación de entidades menores mediante su obligación de convertirse en financieras o bancos, o desaparecer.

Se favorecen, en el articulado definitivo, las entidades financieras “de amplio campo operativo” y de mayor patrimonio, limitándose la especialización y facilitando la expansión de las entidades “integrales”. También quedan relegadas las instituciones financieras regionales, al eliminarse los requisitos o las ventajas para atender ese segmento del mercado. Decenas de cajas de crédito, sociedades de ahorro y préstamo, o de crédito y consumo, desaparecieron o debieron fusionarse en compañías financieras o bancos que apenas pudieron durar uno o dos años más, para caer finalmente bajo el peso de la concentración financiera que sucedió a la aplicación de la ley.

Prohibido prohibir

La posición del Ministerio de Economía, absolutamente afín a los intereses de los grupos financieros más concentrados, quedó prolijamente expresada en la Exposición de motivos que acompañó la ley que aprobó el Ejecutivo. Allí quedaron transcriptos los criterios contrapuestos con los que el equipo comandado por Martínez de Hoz iba a considerar a las entidades menores (cajas de crédito) y a los bancos comerciales, llamados a ser los artífices de la concentración y actores principalísimos del proceso de valorización financiera que se ponía en marcha. En dicha Exposición puede leerse (facsímil en esta página):

Cajas de Crédito (Título II Capítulo 7)

“De las operaciones de esta clase de entidades se ha suprimido la facultad de recibir depósitos a la vista puesto que, como se ha expresado, el rol de intermediarios monetarias debe quedar reservado para los bancos comerciales.”

Operaciones prohibidas y limitadas (Título II Capítulo 9)

“Las operaciones prohibidas y limitadas a las entidades financieras (banca comercial) han sido reducidas a las que se consideran realmente incompatibles con su actividad. En consecuencia, queda implícitamente autorizado, por ejemplo efectuar inversiones en inmuebles que no sean de uso propio o que lo sea sólo parcialmente. De este modo, se atiende a una realidad sin hacer necesarios la búsqueda de complejas figuras. Además, previa autorización del Banco Central, las entidades autorizadas podrán ser titulares de acciones de otras entidades financieras, cualquiera sea su clase, con lo cual se promueve la coparticipación, la interacción y en definitiva la integración y concentración de entidades.”

Es, precisamente, lo que ocurrió en los años siguientes a la promulgación de la ley: un fuerte proceso de concentración del sistema bancario que posibilitó que las entidades más poderosas y con participación de capital extranjero, absorbieran a las entidades más nuevas que se formaron producto de la transformación de cajas de crédito o bancos regionales que habían intentado adaptarse al nuevo régimen.

Puertas abiertas

Este proceso, además, se vio favorecido por otra victoria obtenida por el equipo económico de Martínez de Hoz en la puja que se dio en la confección, en paralelo, de la Ley de Entidades Financieras y la de Inversiones Extranjeras: la pelea por la flexibilidad de acceso al capital extranjero.

Según consta en los archivos hallados en octubre pasado, el 17 de enero de 1977 tuvo lugar una reunión entre el ya mencionado Guillermo Walter Klein y representantes militares de la CAL, en la que se dio un fuerte cruce de opiniones en torno de las facultades del capital extranjero. De esa reunión se encontró una copia de la transcripción taquigráfica, en la que consta la preocupación del coronel Ernesto J. Tacchi, miembro de la CAL, por la posibilidad de que por vía de testaferros, empresas que aparecían como de capital nacional pudieran ser manejados por capitales extranjeros. Sostenía, en tal sentido, la necesidad de llevar un “registro rubricado” de quiénes asistían a las asambleas de accionistas y qué acciones representaba, y proponía su inclusión en la Ley de Inversiones Extranjeras. Este planteo fue rechazado por Klein con un argumento que, con los años, se transformó en un clásico del neoliberalismo: la inseguridad jurídica. El número dos de Martínez de Hoz le respondió al coronel Tacchi, según versión taquigráfica, que “la autoridad de aplicación (el Ministerio de Economía) no va a hacer distinciones o discriminaciones, no se va a aliar con el capital nacional para disminuir la proporción que tengan los accionistas extranjeros en las sociedades locales. Reitero que el fundamento no está en la Ley de Inversiones Extranjeras, sino en nuestra legislación nacional, y hace al principio de seguridad jurídica y a la justicia en materia patrimonial a que tienen derecho los inversores extranjeros para mantener sus posiciones relativas en los capitales de las empresas”. El texto definitivo quedó como pretendían Klein y Martínez de Hoz, a quien David Rockefeller llamaba familiarmente “Joe”.

Tal cual como plantea acertadamente un documento preliminar elaborado por la Comisión de Derechos Humanos de la CNV, que participa en la clasificación y análisis de los documentos hallados por el Ministerio de Defensa, la defensa de los criterios a favor de la concentración económica y la apertura al ingreso del capital extranjero que levantaban como estandartes el equipo económico y entidades privadas representantes del poder económico y financiero, incluso enfrentándose a representantes de las Fuerzas Armadas, revela el rol central que jugaron estos intereses en el proceso “refundacional y reorganizador” de la última dictadura. Un proceso cuyo objetivo final no era otro que imponer una lógica de acumulación asociada a los intereses de los sectores hegemónicos del capital internacional, con consecuencias “que perduran hasta nuestros días”.


Documentos y borradores rescatados
por el Ministerio de Defensa.

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SUBNOTAS

EL PAIS › PAULA MARONI, DE HIJOS Y REPRESENTANTE DEL EJECUTIVO EN LA DIRECCION DEL ESPACIO PARA LA MEMORIA

“Ganarle a la muerte no es sencillo”

Fue el mayor campo de concentración, tortura y ejecuciones de la dictadura, con 17 hectáreas y 32 edificios que desde hace casi diez años se reconvierten en un lugar para la verdad y la justicia. La tarea, las prioridades, las dificultades.

Por Ailín Bullentini

Hace casi diez años, ese enorme predio que se erige sobre la Avenida Del Libertador dejó de ser la Escuela de Mecánica de la Armada (ESMA) para convertirse en “la Ex ESMA”. Pocas veces un prefijo se vio en el desafío de sostener semejante carga simbólica, la que engloba el paso de ser el mayor centro clandestino de detención y exterminio de la dictadura, a ser Espacio para la Memoria, la Verdad y la Justicia. Como resumió Paula Maroni, de HIJOS, es “un lugar que históricamente fue una herramienta utilizada en contra del pueblo y se puso a disposición del pueblo argentino”. Maroni es hija de Juan Patricio, desa-parecido desde mayo de 1977, nieta de la Madre de Plaza de Mayo Enriqueta Maroni y representante del Ejecutivo en la dirección del espacio. El trabajo allí “nunca fue sencillo”, aseguró.

A casi una década de aquella conversión simbólica, Maroni repasó las etapas del camino concreto que la baja a tierra a diario. Desde la negación de los organismos de derechos humanos a siquiera pisar ese lugar de terror que les habían arrebatado a los suyos, a la emoción sin control que los empujó adentro. Y del presidente que pidió perdón en nombre del Estado, al desafío de convertir 17 hectáreas de muerte en un gigante potenciador de memoria.

“Es la forma que yo elegí para procesar mi historia”, resolvió sencilla Maroni ante el cómo es ser familiar de desaparecido en el mismísimo hoyo de-saparecedor. De a pasitos, fue problematizando: “Debió haber sido la manera que menos me dolía entender que no es algo que me pasó a mí sino que fue parte de un proyecto. Colectivizar la lucha y mientras eso sucede, aportar y dejar una huella en la sociedad”. La clave que la relaja y la empuja, acaso compartida por tantos otros, tiene que ver con el poder ser constructivo en el epicentro del plan destructivo que comenzó hace 38 años. “Tengo mucho orgullo de esto. Pienso en mis hijos y en la historia que les puedo contar a ellos sobre su familia y el país, y le encuentro una vuelta que está buena. Porque si no hubiera existido la lucha, hubiese sido ‘y entonces el abuelo desapareció’. Fin, ahí se cortaba un relato. Hoy es diferente. Tengo la oportunidad de decirles ‘y entonces tu abuelo y sus compañeros desaparecieron, pero detrás de esto vinieron las Madres, las Abuelas y nosotros e hicimos todo esto, logramos todo esto otro’”.

–¿Qué significa que la Ex ESMA sea hoy un espacio de derechos humanos?

–Ganarle a la muerte no es sencillo, llenar este espacio de vida, 17 hectáreas, 32 edificios, no es sencillo. Después de diez años, con mucho esfuerzo, amor y compromiso, que este espacio esté abierto y con un camino ya avanzado de apertura que profundizamos cada día más, indica que esto es un proyecto de país. Es un lugar al servicio de un proyecto de país, y en ese sentido, sumamente importante para toda la sociedad. Los organismos de derechos humanos en este espacio fueron y son esenciales; fueron los primeros que se animaron a entrar, a plantar bandera y a decir que acá debían suceder cosas. Pero ellos (nosotros, porque me incluyo), como parte de la idea de no apropiarse de este espacio, sino de abrirlo instalando actividades para todos. La tecnicatura de música popular de Madres de Plaza de Mayo Línea Fundadora; la de periodismo deportivo que funciona en la Casa de la Militancia de la Agrupación HIJOS, las actividades gratuitas del Centro Cultural Haroldo Conti. Cada uno de los que están acá propone algo abierto al público y de nivel, ésa es la mejor manera de saldar el desafío: que la gente se vaya animando a entrar.

–¿Por qué aún cuesta tanto?

–La manera en que la gente se va apropiando de este lugar acompaña la línea histórica del país. Desde que se abrió este espacio, siempre tuvo mucho público la visita al ex Casino de Oficiales, lo que fue el núcleo duro del centro de tortura y exterminio. El público busca transitar esa experiencia particular: lo que fue el centro clandestino de detención. Este año pasaron por ahí 150 mil personas. Cuesta más que la gente llegue en busca de una actividad cultural o educativa. Que haga la resignificación del espacio. Aunque todos los días se gana un poquito, es una batalla que no está saldada. Para eso, consideramos fundamental entender qué pasa con los tres mil hombres y mujeres que llegan a diario a la Ex Esma para trabajar en todas las instituciones que hay acá y que no están directamente relacionados con los organismos. Son parte de la sociedad, tienen familias y amigos y replican lo que sucede aquí. Los integrantes de las cooperativas de Argentina trabaja que están restaurando los edificios, trabajadores y trabajadoras de diverso origen que aportan mucha riqueza a la nueva esencia de este espacio, son un aspecto más que hace a este lugar muy particular. Siempre fue un lugar particular la ESMA: en la dictadura fue particular y en la recuperación de los espacios también lo es.

–¿Siempre estuvo presente la resignificación?

–Hace diez años, en el local de HIJOS debatíamos si entrábamos o no a la ESMA: “¡No entramos y no vamos a entrar porque eso todavía es un centro clandestino de detención porque no hay juicio y castigo!”, asegurábamos. El día que Néstor (Kirchner) estuvo acá y abrió las puertas, nos abalanzamos. Después de haber tenido diez horas de debate… Una vez que se abre la puerta a la emoción y lo que te sucede es tan poderoso… Las Madres tampoco iban a entrar. Y sin embargo lo hicimos. Y dejamos flores, y lloramos, y lo sentimos. Y escuchamos un presidente que nos pedía perdón en nombre del Estado, otra cosa que tampoco imaginamos. Debates existieron y van a existir siempre. Muy pocos han podido anticipar lo que estamos viviendo. Cuando ya tenés dos mil personas trabajando en este espacio, mil cooperativistas y la vida, el día a día te salda el para dónde. No todo se puede planificar, estructurar. Los debates se saldan en la práctica.

–Qué te sorprende más de todo lo que sucede hoy en el Espacio para la Memoria que funciona en la Ex Esma…

–Hay muchas cosas que están sucediendo y que no hubiera sido posible siquiera charlar porque no las habríamos ni imaginado. Pero la presencia de las cooperativas de trabajo aquí es increíble. Es algo que Martín (Fresneda, el secretario de Derechos Humanos de la Nación) le propuso a Alicia (Kirchner, ministra de Desarrollo Social), que fue una de las primeras que nos tendieron su mano. Hubiera sido imposible plantearlo en un debate siquiera. Aquí el programa Argentina Trabaja funciona de manera ejemplar. Son mil trabajadores y trabajadores dedicados a poner en valor todos los edificios del predio mientras aprende a realizar cada trabajo: revoca mientras aprende a revocar, coloca un cemento alisado mientras aprende a hacerlo. Al mismo tiempo, participan de talleres de derechos humanos. Todos saben dónde están trabajando, porque es la manera de darle sentido. Tiene mucha mística, por más de que no sea la manera más rápida de poner a punto el espacio. Tiene mucho sentido reconstruir la Ex ESMA así. Fue recuperada para el pueblo y está siendo reconstruida por el pueblo argentino.

–¿Cuáles fueron los desafíos más grandes de mantener vivo el debate entre los diferentes integrantes del Ente?

–Acá se debate todo mucho. Siempre atado a la práctica, porque ése es el límite, pero la manera de coexistir es debatiendo todos los días cómo hacer para que cada cosa que suceda acá tenga sentido y no sea porque sí. Cada cosa que se hace acá es un rompecabezas lleno de sentidos en el cual somos muy cuidadosos. Cada paso que se da tiene un fundamento. El pasado fin de semana dio un recital Miguel Angel Estrella. Pero no fue un recital nomás: tocó Miguel Angel (pianista tucumano, secuestrado en Uruguay víctima del Plan Cóndor, militante reconocido por los derechos humanos) en el sector del predio en donde está ubicada la instalación de la Carta Abierta de Rodolfo (Walsh), realizada por León (Ferrari)… Todo está entretejido de sentido. La historia después dirá en qué nos equivocamos. Lo que siempre tendremos es un argumento para darle, en el que creímos fervientemente.

–¿Cuánto afectó ese funcionamiento interno el intercambio mediático que se dio a partir de la difusión del asado con miembros del Ministerio de Justicia y Derechos Humanos?

–Nos dolió sobre todo el mal uso de ese debate. Nos dolió ver a TN levantando esa noticia, ver a los compañeros en los medios de comunicación que trabajan para el poder concentrado económico de Clarín, de La Nación al servicio de hacerse agua la boca con este debate, que tiene que ser respetuoso, que se puede dar en otros ámbitos para que tenga sentido y poder sacarle el jugo a discusiones que son válidas, por más que uno no acuerde. Eso nos dio mucha lástima. Más allá, el asado, a esta altura, ya se convirtió en un concepto. Estamos convencidos de que hay tantas cosas para hacer acá que aquéllas cuyas discusiones aún no están saldadas preferimos no hacerlas. Podemos no hacer un asado si aún hay quienes se ven ofendidos. Incluso si para quien vive todos los días en la Ex ESMA, el que te la rema en dulce de leche porque labura 12 horas por día acá porque cree, porque milita todos los días ahí, hacer un asado no significa faltarle el respeto a nadie. Insisto, uno respeta en la práctica, en las convicciones, y en la lucha que uno lleva adelante. No creemos que haya una biblia sobre qué está bien, qué está mal o cómo conmemorar a nuestros muertos, tan nuestros como lo son de aquellos que piensan distinto. Preferimos no entrar en ese terreno, respetamos. Los sobrevivientes son algo muy importante para nosotros porque son los que están llevando adelante los juicios de lesa humanidad, porque son el testimonio, el dato que nosotros no tenemos.

Página/12 :: El país :: “Ganarle a la muerte no es sencillo”

EL PAIS › OPINION

La “cuestión civil” en el proceso de justicia argentino

Por Gastón Chillier y
Lorena Balardini *

En los últimos años la expresión “dictadura cívico-militar” comenzó a instalarse en el discurso público, jerarquizando el rol desempeñado por la plana civil en esta etapa de nuestra historia reciente. La idea de complicidad de determinados sectores de la sociedad con las Fuerzas Armadas para llevar adelante el plan sistemático de desaparición y exterminio perpetrado entre 1976 y 1983 fue afianzándose en el plano político, social y judicial.

La consolidación del proceso de justicia, su extensión en el tiempo y la información que se produce en el marco de los juicios ampliaron los límites de la investigación penal. Comenzó a evidenciarse que la atribución de responsabilidad no se agota en el juzgamiento de las Fuerzas Armadas que condujeron el aparato estatal y de las fuerzas de seguridad operacionalmente subordinadas, sino que hoy es necesario que la Justicia avance sobre la otra parte del cuadro: el aporte, en algunos casos fundamental, de sectores civiles al accionar represivo.

Este proceso de justicia que se encuentra activo hace más de diez años avanzó hacia dimensiones de la responsabilidad civil nunca antes alcanzadas, como lo demuestran los procesamientos a empresarios y funcionarios del Poder Judicial. Sin embargo, es importante analizar estos alcances porque este tipo de investigaciones presenta complejidades y su avance tampoco es homogéneo.

Los “tipos” de actores civiles acusados en diferentes causas por su responsabilidad en los delitos son diversos: funcionarios del Poder Ejecutivo y Judicial, profesionales de la salud, personal civil de inteligencia (PCI), integrantes de la Iglesia Católica, empresarios y, por supuesto, apropiadores de menores. A marzo de 2014 son 297 los civiles investigados, el 13 por ciento del total de 2239 imputados.

Sin embargo, mientras las cifras del universo de civiles involucrados en los casos demuestran que se profundizaron las investigaciones hasta llegar a un número significativo, un análisis exhaustivo indica que la Justicia actúa con diferentes criterios frente a este tipo de responsabilidad.

Por ejemplo, en relación con los responsables de la Iglesia Católica, son 7 los sacerdotes implicados y sólo uno de ellos está condenado, a pesar de todo el conocimiento y documentación existente sobre los vínculos de la Iglesia con la dictadura desde la transición hasta la actualidad. También es escasa la investigación respecto del personal civil de inteligencia (PCI), los civiles más cercanos al aparato clandestino de represión. En 2010 se hicieron públicos listados con miles de nombres, un material que en cuatro años no fue analizado en detalle. Aun considerando que no todos los nombres que allí figuran estuvieron efectivamente involucrados en las tareas represivas, lo cierto es que los listados permitieron demostrar la dimensión de la maquinaria estatal montada para ejecutar los secuestros e instrumentar la desaparición de los cuerpos. No obstante, son sólo 70 los PCI actualmente investigados por el proceso de justicia.

Los funcionarios judiciales y los integrantes de empresas o grupos económicos son los dos tipos de civiles sobre los que se avanzó con mayor firmeza en los últimos dos años. Atribuir responsabilidad penal a esta clase de imputados significó la incorporación de dimensiones novedosas a la persecución penal ya instalada en nuestro país respecto de los crímenes llamados “de sangre”.

En relación con los funcionarios del Poder Judicial, las cifras son contundentes: hoy constituyen más del 20 por ciento de los civiles investigados. De todas formas, hasta la fecha, similar a lo que ocurre con los miembros de la Iglesia, la Justicia consideró que la participación de sus funcionarios en la represión no fue orgánica, aun cuando se presentó en distintas regiones del país y de manera muy similar. Sin embargo, en numerosos fallos se destaca un fenómeno que contradice ese supuesto accionar aislado: el rechazo masivo de hábeas corpus, las costas, el archivo o la falta de solicitud de medidas de prueba evidencia que el Poder Judicial negó sistemáticamente el acceso a la justicia de las víctimas, habilitando un terreno de desprotección que facilitó el accionar represivo. No obstante, las resoluciones más contundentes en la atribución de responsabilidad se basaron en conductas extremas y no en el cotidiano de la función judicial, tales como el contacto directo con jefes militares, la visita a centros clandestinos de detención y la participación en interrogatorios. El juicio que se realiza actualmente en Mendoza es una oportunidad histórica de sentar precedente respecto de la contribución del Poder Judicial al plan represivo.

Otra dificultad que persiste es la obstaculización o dilación de las investigaciones que involucran a ex funcionarios judiciales, quienes muchas veces explotan los vericuetos legales o recurren a los vínculos que mantienen con los actuales jueces y fiscales para evitar el avance de las investigaciones, como ocurrió en los casos de Pedro Hooft y Ricardo Lona.

También tuvieron relevancia los procesamientos a miembros de empresas que colaboraron con el plan clandestino de represión. En 2013 muchas causas que se encontraban obstaculizadas avanzaron, como fue el caso de Ford y el procesamiento de sus directivos. Algunas comenzaron a dar señales de movimiento, como la causa Acindar, mientras que otras permanecen estáticas, como la emblemática causa Mercedes Benz, de la que se recogieron una decena de testimonios durante el Juicio a las Juntas y se encuentra en curso desde 2002. En otros aspectos, como la complicidad de ciertos sectores del sindicalismo con el secuestro de los trabajadores o la desprotección que éstos sufrieron durante la dictadura, los avances de la Justicia son casi nulos. La experiencia de los juicios por las causas Ledesma y La Veloz del Norte, que podrían comenzar este año, será clave para analizar el rumbo de estos casos.

La investigación penal de la complicidad civil es una oportunidad única para reflexionar sobre el rol de determinadas instituciones, como la Iglesia Católica en el marco de una sociedad democrática. También abre múltiples interrogantes sobre el rol de la Justicia y el lugar que ocupan los grupos económicos en los proyectos de país. Si bien este debate está comenzando a dirimirse también en el ámbito judicial, sin dudas trascenderá las responsabilidades penales que se establezcan y permitirá sumar a los procesos de producción de conocimiento sobre nuestra sociedad en aquellos años y a la reconstrucción política y social de lo que fue el terrorismo de Estado.

* Director ejecutivo y coordinadora del Area de Investigación del CELS. Este artículo es un adelanto del libro Derechos Humanos en Argentina. Informe 2014, del CELS

10/12/2012

Rostros de los vuelos de la muerte

Filed under: Argentina,Ditadura,ESMA,Voos da Morte — Gilmar Crestani @ 8:50 am

Acusados y víctimas del tercer juicio de la ESMA, uno de los campos de concentración de la dictadura argentina

Alejandro Rebossio Buenos Aires 9 DIC 2012 – 19:01 CET305

Diego Pellegrinetti instala una silueta creada por los artistas plásticos León Ferrari y Felipe Noé, en las puertas de la Escuela de Mecánica de la Armada ( ESMA) en 2005. / EFE

El tercer juicio sobre los crímenes cometidos en la Escuela Mecánica de la Armada (ESMA), uno de los dos principales centros clandestinos de detención de la última dictadura cívico-militar de Argentina (1976-1983), ha comenzado hace dos semanas, pero aún no se ha acabado la lectura de las acusaciones contra los 68 imputados. Es el mayor proceso judicial que se ha hecho contra el régimen, en el que se juzgarán delitos de lesa humanidad contra 789 personas, la mayoría de ellas víctimas de los llamados vuelos de la muerte. Durará dos años y declararán casi 900 testigos.

JUSTICIA EN ARGENTINA

Quien caía secuestrado por la dictadura podía tener tres destinos: que lo liberaran después de unos días o unos años, que lo fusilaran o que muriera en plena tortura o como punto final de esta. Los cuerpos eran enterrados como NN, o entregados a sus familiares como guerrilleros muertos en combate o arrojados al Río de la Plata, al Atlántico o al delta del río Paraná. Cuando un detenido salía de la ESMA con rumbo al vuelo final, se decía que era traslado, pero sus compañeros de cautiverio no sabían qué le iba a suceder. “El traslado era un enigma, había un silencio sepulcral”, cuenta Ana María Careaga, superviviente de otro centro clandestino de detención, El Atlético, e hija de una de las fundadoras de Madres de Plaza de Mayo que estuvo en la ESMA y murió en uno de los vuelos de la muerte. Los marinos llevaban en camiones a los detenidos hasta el cercano aeropuerto de Buenos Aires para vuelos domésticos, el Jorge Newbery, u otras bases aéreas y desde allí partían vuelos pilotados por integrantes de la Armada o de la Prefectura Naval (policía de mares y ríos). Las víctimas eran drogadas con pentotal, un barbitúrico que las sedaba por completo pero por poco tiempo. Alguien los empujaba del avión desnudos, atados de manos y pies, encapuchados y golpeados.

Solo algunos cuerpos fueron encontrados e identificados, como el de la madre de Ana Careaga, Esther Ballestrino, y el de otras cuatro mujeres que con ella integraban el grupo de los 12, que se reunían en la iglesia porteña de Santa Cruz para organizar la búsqueda de desaparecidos y que fueron secuestrados después de que el marino Alfredo Astiz, El Ángel Rubio, se infiltrara entre ellos. Entre esos restos identificados en 2005 figuran los de otras dos fundadoras de Madres de Plaza de Mayo, Azucena Villaflor y María Ponce, y el de una de las dos monjas francesas de aquel grupo, Leonnie Duquet. “Las monjitas voladoras”, bromeaban los marinos en la ESMA, orgullosos de haber inventado un nuevo método de exterminio.

En el segundo proceso de la ESMA se juzgó el secuestro y la tortura de los 12 fallecidos de la Santa Cruz, pero en este tercer proceso se juzgarán los vuelos en los que murieron. El hallazgo de aquellos cuerpos sirvió como prueba contundente de lo sucedido. A partir de ellos se descubrió que las víctimas morían al impactar en el agua. Se supone que la mayoría de los desaparecidos de la ESMA sufrieron el mismo destino, con algunas excepciones, como la del eximio periodista Rodolfo Walsh, militante de la guerrilla peronista Montoneros abatido a tiros en la calle. El cuerpo de Walsh fue mostrado a los prisioneros de la ESMA. Algunos de los responsables de su asesinato fueron condenados en el segundo juicio sobre este centro, pero otros acusados serán juzgados en el tercer proceso.

El ex marino Alfredo Astiz, en 2010. / AFP

En el primer juicio de la ESMA solo había un acusado, que se suicidó en 2007. En el segundo, en cambio, fueron sentenciados 16 exmilitares y expolicías por 85 casos de terrorismo de Estado. En este tercer proceso se juzgarán todos los demás delitos cometidos en esa escuela del horror que aún no han sido condenados, como secuestros, torturas, homicidios, robos de hijos de desaparecidas y trabajo esclavo (algunos prisioneros eran obligados a cumplir tareas para el régimen, como en el gabinete de prensa del Ministerio de Relaciones Exteriores). Solo quedarán pendientes para otros juicios los robos de bienes de los secuestrados.

La mayoría de los condenados en el segundo juicio han vuelto al banquillo en el tercero. Están Jorge Acosta, alias El Tigre; Astiz; Juan Antonio Azic, que se adueñó de la hija de desaparecidos y actual diputada opositora Victoria Donda; Adolfo Donda, tío de esta dirigente política, y Ricardo Cavallo, que estuvo detenido en España entre 2001 y 2008 por orden del entonces juez Baltasar Garzón. Entre los nuevos imputados aparecen el exsecretario de Hacienda de la dictadura Juan Alemann, acusado de presenciar tormentos contra un guerrillero que había atentado contra él; los presuntos pilotos de la muerte Enrique de Saint Georges, Mario Arru, Emir Hess, que confesó a un exempleado suyo que las víctimas “caían como hormiguitas”, y Julio Poch, que también admitió su autoría a compañeros de trabajo en una compañía aérea holandesa. También hay otros ya condenados en el juicio que este año se hizo por el plan sistemático de robo de niños, como el médico militar Jorge Magnacco.

Por la ESMA pasaron 5.000 secuestrados. Entre las desapariciones que se analizarán en este tercer juicio figuran las del hermano y la madre del actual diputado kirchnerista Dante Gullo —el primero militante peronista y la segunda, una italiana que perdió la vida buscando a presos políticos—, así como sus dos hijos; la joven militante peronista Alicia Alfonsín, que dió a luz en la ESMA al bebé robado Juan Cabandié, que recuperó su identidad en 2004 y es diputado del Parlamento de Buenos Aires por el kirchnerismo; Norma Arrostito, fundadora de Montoneros; el padre del actual embajador argentino en España, Carlos Bettini, que era fiscal y buscaba a un hijo desaparecido; el hermano de la exdiputada Liliana Chiernajowsky, que también fue detenida por el régimen; la adolescente Dagmar Hagelin, argentina de origen sueco cuyo caso llevó a que casi rompieran relaciones Buenos Aires y Estocolmo en 1977.

También se juzgará la desaparición de Elena Holmberg, una diplomática que había sido enviada a la Embajada argentina en París para contrarrestar la información en contra de la dictadura y cuya familia sospecha que se enteró de la corrupción del entonces jefe de la Armada, Emilio Massera —por eso debió de regresar a Buenos Aires—, y su cuerpo fue hallado en el delta del Paraná. Otras desapariciones son la de hija de uno de los principales dirigentes del organismo de derechos humanos, el fallecido Emilio Mignone, que era un catequista de un barrio pobre; los dos hermanos de la actual diputada opositora Norma Morandini, ambos militantes peronistas; María Hilda Pérez, montonera que dio a luz en cautiverio a Victoria Donda; los montoneros Orlando Ruiz y Silvia Dameri y sus tres hijos robados, una de las cuales también acabó apropiada por Azic; y la hija del periodista, poeta y montonero desaparecido Paco Urondo, que también era una militante de esa guerrilla.

Se juzgarán también casos de supervivientes de la ESMA, como Myriam Lewin, periodista de investigación del Grupo Clarín; el secretario de Culto, Guillermo Oliveri; Carlos Lordkipanidse, militante del peronismo revolucionario que en un interrogatorio bajo tortura vio cómo Azic sometía a su bebé a la picana eléctrica; y los sacerdotes jesuitas Francisco Jalics y Orlando Yorio, este último ya fallecido, que en su momento acusaron al actual arzobispo de Buenos Aires, Jorge Bergoglio, de haberles tachado de guerrilleros ante las autoridades militares.

Rostros de los vuelos de la muerte | Internacional | EL PAÍS

01/12/2012

Baltasar Garzón compara dimensão de julgamento na Argentina com Nuremberg

Filed under: Argentina,Baltasar Garzón,Ditadura,ESMA,Roubo de bebês,Voos da Morte — Gilmar Crestani @ 9:11 am

Para magistrado espanhol, não houve decisão de tamanha envergadura sobre crimes contra humanidade desde Segunda Guerra

No segundo dia do julgamento dos crimes cometidos pelo grupo de tarefas da ESMA (Escola de Mecânica da Armada), nesta quinta-feira (30/11), o juiz Baltasar Garzón afirmou que as penas serão um exemplo de como responder a crimes contra a humanidade.
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"Depois de Nuremberg [que definiu as penas de participantes da Segunda Guerra Mundial], acho que não houve um julgamento desta envergadura por crimes contra a humanidade. É muito importante não só para a Argentina, como para o mundo inteiro”, disse ao jornal Tiempo Argentino o juiz, conhecido pelo desempenho em processos de crimes contra a humanidade, devido aos julgamentos do ditador chileno Augusto Pinochet e do ex-oficial da Marinha argentina Adolfo Scilingo, que confessou ter participado de dezenas de “voos da morte”.
[Conhecido por dar duras sentenças em crimes contra a humanidde, Baltasar Garzón acompanha julgamento na Argentina]
"Volto a me encontrar com os rostos de muitos dos que investigamos na Espanha”, afirmou Garzón, que condenou alguns dos 68 réus julgados pelos crimes no principal centro de prisão clandestina da ditadura argentina (1976-1983). “Muitos foram processados por mim na Espanha e vê-los submetidos a julgamento é o que qualquer juiz aspira, principalmente por fatos tão graves como este”, afirmou o magistrado, que esteve acompanhado da presidente da associação Avós da Praça de Maio.
Para Garzón, os julgamentos a repressores, restabelecidos na Argentina após o derrogamento das leis de anistia, em 2003, são “um exemplo de como se deve responder a crimes massivos em defesa e proteção das vítimas e do futuro, [mostrando] que ninguém está por cima da lei”.

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Iniciado nesta quarta-feira (28/11), o segundo julgamento de crimes cometidos pelo grupo de tarefas da ESMA é o maior da história argentina no que diz respeito a violações aos direitos humanos, mortes e desaparecimentos na ditadura do país. Ao todo, os casos de 789 vítimas serão analisados. Entre os réus, estão membros da Marinha, Exército, Polícia Federal, Prefeitura naval e do Serviço Penitenciário, e dois civis.
Entre os crimes julgados, além de assassinatos, também estão o roubo de bens de prisioneiros, violência sexual, tortura e sequestro e adoção ilegal de bebês nascidos em maternidades clandestinas da ESMA.
Voos da morte
Oito dos réus são julgados por participação nos “voos da morte”, prática utilizada por militares para o desaparecimento de prisioneiros políticos, que eram sedados e jogados no Rio da Prata, do alto de aviões. A prática, mantida em sigilo por anos, apesar dos rumores de sua existência e da aparição de cadáveres no litoral uruguaio, foi detalhadamente descrita e ganhou repercussão a partir da entrevista do jornalista Horacio Verbitsky ao próprio Scilingo, que resultou no livro “El vuelo”, publicado em 1995.
Na entrevista, Scilingo afirma que os voos não eram perpetrados por um grupo, mas sim por toda a Marinha. “Se o senhor acha que um grupo de dez caras pode mobilizar aviões da Prefeitura Naval e da Marinha, está um pouco enganado. Era uma força armada que estava se mobilizando”, afirmou ele, que também garantiu que existiam listas de mortos da prisão clandestina.
O ex-oficial da Marinha também descreveu a Verbitsky um dos voos que participou: “Fui ao porão, onde estavam os que iam voar. Aí informaram que eles seriam transferidos ao Sul e que por esse motivo iam receber uma vacina… quero dizer, uma dose para deixá-los tontos, sedados. Aí eram adormecidos”, detalhou, sobre o momento prévio a transportar os prisioneiros políticos ao aeroporto militar. “A partir daí carregaram os subversivos como zumbis e os embarcaram no avião”, relatou.

Opera Mundi – Baltasar Garzón compara dimensão de julgamento na Argentina com Nuremberg

“La ESMA fue el único lugar donde se torturaba por placer”

Não é verdade. Também no Brasil, no DOI-CODI, também se torturava por prazer. Havia tortura, assassinato, ocultação de cadáver. Tudo com muito prazer. Tanto que até hoje há quem defenda a ditadura, como a Folha de São Paulo que acha tudo isso uma ditabranda… As ditaduras é o estreitamento dos laços entre os desinformados com os mal intencionados, da ignorância com boçalidade, dos invertebrados com os brutamontes, dos assexuados com os tarados, dos currados com os curradores.

“La ESMA fue el único lugar donde se torturaba por placer”

La lista de algunos de los 68 imputados en el tercer juicio sobre uno de los dos principales centros clandestinos de detención de la última dictadura argentina

Alejandro Rebossio Buenos Aires 1 DIC 2012 – 01:04 CET20

El exteniente de navío Miguel Ángel García Velasco (centro) asiste al juicio por los ‘vuelos de la muerte’. / Sergio Goya (EFE)

En el tercer juicio sobre la Escuela Mecánica de la Armada (ESMA), uno de los dos principales centros clandestinos de detención de la última dictadura de Argentina (1976-1983), se juzgarán delitos que no fueron condenados en los dos primeros procesos judiciales, finalizados en 2007 y 2011. Aquí, la lista de algunos de los 68 imputados:

Jorge Acosta

Alias El Tigre, excapitán de fragata de la Armada argentina. Fue jefe de Inteligencia y jefe del grupo de tareas de la ESMA. Nació el 27 de mayo de 1941. Le imputaron 82 delitos, entre ellos el secuestro y la desaparición de la familia Tarnopolsky, las torturas y el probable homicidio de otros detenidos todavía desaparecidos. Responsable de los secuestros del primer grupo de Madres de Plaza de Mayo, que se reunían también para reclamar por sus hijos desaparecidos en la iglesia de la Santa Cruz. Allí fueron detenidas ilegalmente en diciembre de 1977 junto a las monjas francesas Alice Domont y Leonie Duquet y otros siete militantes por los derechos humanos. Miembro del Centro de Informaciones sobre la Represión, en 1981 viajó a Sudáfrica como asesor en lucha contrainsurgente. Beneficiado por la ley de obediencia debida (1987), fue detenido tras su anulación, en 2003. Ya ha sido condenado a prisión perpetua en el segundo juicio sobre la ESMA, finalizado en 2011, y en julio pasado recibió otra sentencia a 30 años de reclusión por el plan creado por la dictadura para el robo de bebés de desaparecidas nacidos en cautiverio. También ha sido investigado por el exjuez Baltasar Garzón y por los tribunales de Italia.

Jorge Rádice

Nacido en 1951, exteniente de fragata, apodado Ruger o Gabriel, formó parte de uno de los grupos de tareas de la ESMA y, entre otras actuaciones, ha sido acusado de apropiación de bienes de desaparecidos. Administraba esos activos e incluso vendía sus inmuebles. Fue secretario personal de uno de los integrantes de las Juntas Militares que encabezaba el régimen, Emilio Massera. Participaba en las sesiones de torturas a los prisioneros e integró el grupo operativo que secuestró al llamado grupo de la Santa Cruz. Beneficiado por la ley de punto final (1986), fue condenado a prisión perpetua en el segundo juicio sobre la ESMA.

Adolfo Donda

Excapitán de fragata, perteneció al sector de inteligencia del Grupo de Tareas de la ESMA. Ya fue condenado a reclusión perpetua por delitos en este centro clandestino de detención. Curiosamente, el hermano de este marino fue desaparecido junto con su esposa, que parió en la ESMA a una de las bebas robadas. Aquella niña recuperó la identidad a los 26 años y en la actualidad es la reconocida diputada Victoria Donda, del opositor Frente Amplio Progresista. Adolfo Donda también fue investigado por Garzón.

Carlos Capdevila

Alias Tommy. Excapitán de corbeta. Fue médico de la ESMA y atendió a los partos en la maternidad clandestina que funcionó en la escuela. Ha sido acusado de participar en secuestros, torturas y desapariciones. Ya fue condenado a 20 años de cárcel.

Ricardo Lynch Jones

En su perfil de la red social LinkedIn, se presenta como “preso político” y vendedor de seguros. Bajo el mote de Panceta, fue capitán de fragata y se desempeñó en el grupo de tareas de la ESMA. Durante su indagatoria sugirió que quien actuó en ese centro fue su hermano, que había fallecido. Se encuentra bajo arresto domiciliario.

Juan Alemann

Nacido en 1927, es un abogado y empresario que se desempeñó como secretario de Hacienda de la dictadura entre 1976 y 1981. Como tal, secundó al ministro de Economía de entonces, José Alfredo Martínez de Hoz, y fue uno de los responsables del fuerte crecimiento de la deuda externa de Argentina en ese periodo, pero ahora es acusado por presenciar en la ESMA el interrogatorio bajo torturas de un integrante de la guerrilla peronista Montoneros que había atentado contra él en 1979. Él y su familia controlan el semanario argentino en alemán Argentinisches Tageblatt y además preside la consultora económica Serve América. De posturas muy liberales en lo económico, ha declarado que “la ESMA fue el único lugar donde se torturaba por placer; en otros lados solo se torturaba para sacar información y luego los mataban”. También negó en 2005 que hubiese habido 400 bebés robados por el régimen: “Hubo unas 200 mujeres que tuvieron hijos en cautiverio durante el gobierno militar, pero la mayoría de los niños fue entregada a los jueces, mientras quedaron menos de 30 casos que los distribuyeron entre familias de militares. Eran chicos que sobraban, porque estos guerrilleros constituían parejas y mientras peleaban tenían hijos. Era una irresponsabilidad. Pero no hubo robo de chicos. Hay que tener estómago para hacerse cargo del hijo de un guerrillero…”. Hasta ahora unos 108 niños robados han recuperado su identidad.

Antonio Pernías

Nacido en 1946 y apodado La Rata. Excapitán de fragata. En agosto de 2010, durante su declaración en el segundo juicio de la ESMA, admitió la existencia de los vuelos de la muerte durante la dictadura, en los que los secuestrados eran desnudados, encapuchados, atados de pies y manos, golpeados, drogados con pentotal y arrojados al río o al mar para morir al impactar en el agua o ahogados. En el tercer juicio de la ESMA se juzgarán por primera vez los vuelos de la muerte. Pernías era oficial de Inteligencia del grupo de tareas de la ESMA. Fue responsable de la desaparición y la tortura del grupo de la Santa Cruz. También participó en los homicidios de un grupo de curas y seminaristas palotinos. La ley de obediencia debida le amparó, pero fue condenado el año pasado a prisión perpetua por crímenes de la ESMA. "En la ESMA, en particular, se aplica la tortura de los dardos, consistente en la utilización de dardos envenenados para caza mayor. Este tipo de tortura lo diseña Antonio Pernías, que pretende usarlo con los detenidos y para los secuestros. Experimenta con ellos aplicándoles distintas dosis, para determinar la adecuada que los paralice durante una hora", señalaba uno de los testimonios recogidos en el auto de procesamiento del juez Garzón.

Rogelio Martínez Pizarro

También llamado Tommy, nacido en 1948, es médico y fue capitán de fragata. Era uno de los profesionales que atendían a los secuestrados en la ESMA, pero que también integraban el escuadrón de tareas represivas. Como tal, está acusado de participar en detenciones ilegales, tormentos y robo de bebés. Por ejemplo, un testigo lo acusa de haberle aplicado una inyección de cianuro a Norma Arrostito, una de las fundadoras de Montoneros, por orden de Jorge Acosta. En 1978, Martínez Pizarro fue condecorado por su “heroico valor en combate”.

Ricardo Cavallo

Alias Serpico, Marcelo o Miguel Ángel. Excapitán de corbeta. Nacido en 1951, vivía de incógnito en México hasta que el periodista José Vales lo descubrió. En agosto de 2000 fue detenido allí por orden de Garzón. Fue extraditado a España, donde cumplió prisión en Alcalá-Meco a la espera de su juicio. Finalmente, fue entregado a la justicia argentina en 2008. Se le considera parte de la maquinaria de exterminio de la dictadura argentina. La fiscalía española le pedía hasta 17.000 años por crímenes de lesa humanidad. En el segundo juicio de la ESMA fue condenado a prisión perpetua.

Alfredo Astiz

Nacido en 1951, excapitán de la Armada y agente de inteligencia, conocido como el Ángel Rubio o el Ángel de la muerte. Se infiltró en Madres de Plaza de Mayo. Formó parte del grupo de tareas de la ESMA. En 1990 fue condenado en ausencia a cadena perpetua en Francia por el asesinado de dos monjas francesas, del grupo de la Santa Cruz. Astiz se mantuvo en libertad hasta 2006, en que fue procesado. Durante el segundo juicio de la ESMA, en el que fue condenado a reclusión perpetua, entregó una copia de la Constitución argentina a los tres jueces que lo juzgaban y reclamó ser tratado como “un perseguido político”. Astiz proclamó: “Yo cumplí y cumplo la Constitución. He dado al combate lo mejor que pude”. En unas declaraciones recogidas en su día por una periodista argentina, el marino afirmó: “Lo digo siempre: soy un bruto, pero tuve un solo acto de lucidez en mi vida. Meterme en la Armada”.

Enrique de Saint Georges

Expiloto de la Prefectura Naval (policía de ríos y mares), está acusado de conducir los vuelos de la muerte. Hasta 1977, informes internos de la Prefectura destacaban “su amor a la institución, que representa orgulloso”. Sin embargo, al año siguiente, pidió su pase a la entonces estatal Aerolíneas Argentinas y sus superiores observaron “ciertas reservas para brindarse por entero a la institución”. Nacido en 1947, Saint Georges trabajó en Aerolíneas hasta el año pasado, cuando un fiscal pidió su detención porque descubrió los archivos que indican que él pilotaba el avión que arrojó al agua a dos del grupo de la Santa Cruz, Azucena Villaflor, madre de Plaza de Mayo, y la monja francesa Léonie Duquet, así como a cinco militantes de Vanguardia Comunista.

Raúl Jorge González

Nacido en 1929, fue comandante de la Armada. Estuvo al frente de la conducción de la ESMA, una institución que se suponía que debía formar a los futuros marinos. Está acusado de secuestros, torturas y robo de bebés. Se encuentra bajo arresto domiciliario.

Carlos Fraguío

Nacido en 1926, llegó a ser contraalmirante de la Armada. Condujo la Dirección General Naval en 1976 y, como tal, tuvo responsabilidades en la ESMA. Daba órdenes de secuestros y tormentos, controlaba lo que estaba sucediendo en ese centro. La ley de punto final lo salvó en su momento de un juicio, pero ahora deberá enfrentar a los tribunales.

Eduardo Girling

Era un contraalmirante que encabezó el Servicio de Inteligencia Naval. Nacido en 1928, está acusado por ordenar diversos secuestros. En la Guerra de Malvinas de 1982, fue el autor de un plan que jamás se concretó y que se denominaba Operación Algeciras . Consistía en atacar un buque británico en Gibraltar a partir de un atentado preparado desde aquella ciudad andaluza. Girling planeaba usar a exguerrilleros argentinos en la misión. Se encuentra bajo arresto domiciliario.

Edgardo Otero

Apodado Honda, fue comandante de un grupo de tareas y después dirigió la ESMA en 1980. Está acusado de robo de bebés, incluida Laura Ruiz Dameri, que fue entregada al exmarino Juan Antonio Azic, que también se había apropiado de la actual diputada Victoria Donda. También ha sido imputado por cientos secuestros y algunos casos torturas seguidas de muerte. Participó de la Guerra de Malvinas e informes militares posteriores le adjudicaron responsabilidad en fallos de la conducción de las fuerzas argentinas. De 85 años, Otero se encuentra bajo arresto domiciliario.

Mario Palet

Nacido en 1931, fue contraalmirante y se encuentra en libertad. Dirigió la Escuela Naval Militar entre 1981 y 1982 y, como tal, se desempeñó como comandante de una fuerza de tareas.

Julio Torti

Nacido en 1924, fue vicealmirante y jefe del estado mayor de la Armada en 1978. Está acusado de orquestar secuestrar en la periferia de La Plata a detenidos que luego eran trasladados a la ESMA. También está procesado por crímenes cometidos en Bahía Blanca (690 kilómetros al sur de Buenos Aires). Había sido indultado en 1989 por el entonces presidente argentino, Carlos Menem. En la actualidad se encuentra en libertad.

Pedro Santamaría

Nacido en 1926, fue viceralmirante de la Armada. Está acusado de actuar en un centro clandestino de detención en Zárate (95 kilómetros al norte de Buenos Aires), en la ejecución de secuestros de personas que iban a parar a la ESMA y en otros campos de concentración en Puerto Belgrano (673 kilómetros al sur de la capital) y Mar del Plata. Beneficiado por la ley de punto final, se encuentra en libertad.

Antonio Vañek

Nacido en 1924, fue vicealmirante de la Marina. Este año fue condenado a 40 años de prisión por el plan sistemático de robo de bebés. Fue comandante de operaciones navales entre 1977 y 1978, y luego fue jefe de operaciones del estado mayor de la Armada. Fue acusado por sobrevivientes y otros compañeros de armas, como Adolfo Scilingo y Jorge Acosta, de tener la ESMA bajo su control. También asistía a los partos de las desaparecidas, según los médicos navales Jorge Magnacco y Alberto Arias Duval. En 1998, cuando fue detenido por la causa de sustracción de niños, responsabilizóa Emilio Massera, jefe de la Marina, de ordenar la “lucha contra la guerrilla”, cuyas principales vertientes, Montoneros y el marxista Ejército Revolucionario del Pueblo (ERP), habían nacido en 1970, en tiempos de otra dictadura militar y en plena Guerra Fría en el mundo. Cumple su condena bajo arresto domiciliario.

Víctor Cardo

Alias Morrón, Pedro o Perro Verde. Nacido en 1948, era un suboficial de la Marina que cumplía las funciones de guarda en la ESMA. Está imputado por disponer condiciones “infrahumanas de alojamiento” a los detenidos ilegalmente. Cardo era quien recibía a los secuestrados en la ESMA, muchas veces a los golpes, y los preparaba antes de las sesiones de torturas. Por ejemplo, los ataba a la silla de tormentos e incluso participó de algunos interrogatorios. Está acusado también de secuestros y robo de bebés. Una testigo también contó que en 1978 se tomó un descanso para visitar a la selección argentina en uno de sus entrenamientos durante el Mundial de fútbol que ese año se celebró en este país.

Juan Antonio Azic

Exsuboficial de la Prefectura Naval y exmiembro de un grupo de tareas de la ESMA que se encargaba de los secuestros. También participó de sesiones de interrogatorios con torturas. Apodado Claudio, Freddy o Piraña. Carlos Lordkipanidse, sobreviviente de la ESMA, relató cómo lo atormentó Azic 20 días después de su pareja, también secuestrada, diera a luz en cuativerio. “Si no hablás, le reviento a tu hijo la cabeza contra el piso”, le dijo Azic. Después, puso al bebé sobre el pecho de su padre y le aplicó la picana eléctrica. En 2011 fue condenado a 18 años de prisión por delitos cometidos en la ESMA. Además, recibió otros 14 por apropiarse de dos bebés en la ESMA, Victoria Donda y Carla Ruiz Dameri. En 2003, cuando el entonces juez Garzón pidió su extradición a España, Azic intentó suicidarse. Nació en 1941.

Juan Carlos Fotea

Nacido en 1950, alias Lobo, fue sargento de la Policía Federal. Detenido en 2005 en Galapagar y extraditado en enero de 2007, fue condenado en el segundo juicio de la ESMA a 25 años de cárcel por su participación en el grupo de tareas de este centro clandestino de detención. En 1978 había sido condecorado por su “heroico valor en combate”. En 1984 se había marchado a vivir a España. En 1998, Garzón ordenó su detención, que se produjo siete años después. “¡Soy inocente! ¡Cumplí con mi deber!”, gritó cuando lo arrestaron. Está acusado del secuestro del periodista, escritor y militante montonero Rodolfo Walsh, que fue detenido en la ESMA.

Ernesto Weber

Tenía el mote de 220, por las descargas eléctricas que aplicaba. También lo llamaban Armando o Rogelio. Nacido en 1931, fue comisario de la Policía Federal y torturaba en la ESMA. Acusado por el secuestro de Rodolfo Walsh, fue condenado a cadena perpetua en el segundo juicio por los crímenes cometidos en este centro. Cumple su condena bajo arresto domiciliario. También está imputado por secuestros, robos de coches y saqueos de viviendas de detenidos durante el régimen.

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30/11/2012

O julgamento dos voos da morte

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Argentina pone en marcha el juicio por los ‘vuelos de la muerte’

Se trata del tercer juicio sobre los crímenes cometidos en la siniestra Escuela Superior Mecánica de la Armada

Alejandro Rebossio Buenos Aires 29 NOV 2012 – 19:37 CET120

El exteniente de navío Miguel Ángel García Velasco (C) en un Tribunal de Buenos Aires ayer, miércoles. / Sergio Goya (EFE)

En el nuevo juicio sobre la última dictadura de Argentina (1976-1983) que comenzó este miércoles hay 68 acusados por 789 delitos, entre secuestros, torturas, trabajo esclavo, desapariciones y homicidios, incluidos los llamados vuelos de la muerte, en los que los detenidos eran arrojados al Río de la Plata o al mar desnudos, atados de pies y manos, encapuchados y drogados con pentotal. Casi 900 testigos darán su testimonio a lo largo de dos años. Se trata del tercer juicio sobre los crímenes cometidos en la Escuela Superior Mecánica de la Armada (ESMA), que era uno de los dos principales centros clandestinos de detención del régimen, y por sus dimensiones es el mayor proceso judicial sobre el terrorismo de Estado en Argentina. Desde que en 2006 se reanudaron los juicios contra la dictadura en este país, ya ha habido 64 sentencias en las que se condenó a 244 personas, la mayoría militares y policías, según la estadística que el Centro de Estudios Legales y Sociales llevaba hasta marzo pasado.

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En el primer juicio sobre la ESMA se juzgaba solo a un exintegrante de la Prefectura Naval (policía de ríos y mares), que se suicidó en 2007. Entre 2010 y 2011 se hizo el segundo proceso, en el que fueron condenados 17 represores. De ellos, 16 serán juzgados otra vez en el tercer juicio de la ESMA por otros delitos que en su momento no se analizaron. Entre estos sentenciados figuran Alfredo Astiz, conocido como El Ángel Rubio; Jorge Acosta, alias El Tigre; y Ricardo Cavallo, también llamado Sérpico, que estuvo preso en España entre 2001, cuando aún regían las leyes del perdón en Argentina, y 2008 por orden del entonces juez Baltasar Garzón. Se juzgará, por ejemplo, la desaparición de Norma Arrostito, una de los fundadores de la guerrilla peronista Montoneros, que se formó en 1970, cuando regía otra dictadura, la de 1966-1973. También se indagará sobre los detenidos que eran obligados a trabajar para el régimen en oficinas como el gabinete de prensa del Ministerio de Relaciones Exteriores.

En el banquillo también se sentarán cinco presuntos pilotos de los vuelos de la muerte, que fueron el destino final de muchos de los 5.000 detenidos en la ESMA. Estos vuelos fueron denunciados en su momento por sobrevivientes de este campo de concentración, hoy devenido Museo de la Memoria, y por el excapitán de navío Adolfo Scilingo, que se confesó autor de ellos, viajó a Madrid para denunciarlos ante Garzón en 1997 y allí fue condenado en 2005 y 2007 a 1.084 años de prisión. Entre los acusados por los vuelos de la muerte en el nuevo juicio figura Julio Poch, que en una noche de borrachera reivindicó ante otros compañeros de trabajo de la aerolínea holandesa Transavia su participación en esos operativos. También están dos exprefectos después reconvertidos en pilotos de Aerolíneas Argentinas, Enrique de Saint Georges y Mario Arru, y otro, Emir Hess, que confesó a un exempleado suyo de un hotel de la Patagonia que las víctimas “caían como hormiguitas”. En esos vuelos murieron al impactar en el agua o ahogados, entre otros, los secuestrados en la iglesia porteña de Santa Cruz, como las tres fundadoras de Madres de Plaza de Mayo y dos monjas francesas, quienes acompañaban a los familiares de desaparecidos en la búsqueda de sus parientes.

De los 68 acusados, la inmensa mayoría son exmilitares y expolicías, pero hay dos civiles. Uno es Juan Alemann, abogado y empresario que ocupó el cargo de secretario de Hacienda de la dictadura entre 1976 y 1981. Secundaba al entonces ministro de Economía, José Alfredo Martínez de Hoz, en cuya gestión se inició la apertura comercial del país sudamericano, se congelaron los salarios, aumentó la deuda externa en forma exponencial y se alimentó una burbuja financiera. Alemann, que permanece libre, está imputado porque presuntamente presenció torturas a un guerrillero que había atentado contra él. El otro juzgado es un abogado, Gonzalo Torres de Tolosa, que supuestamente participaba como voluntario en los vuelos de la muerte.

Garzón, en el juicio

El exjuez Baltasar Garzón asistió este jueves en el segundo día del tercer juicio sobre los crímenes cometidos en la Escuela Mecánica de la Armada (ESMA), uno de los dos mayores centros clandestinos de detención ilegal de la ultima dictadura de Argentina (1976-1983). Garzón apareció entre el publico, en un balcón que da a la sala, donde se acomodan los familiares de las víctimas, los sobrevivientes de la ESMA y los periodistas. En la planta baja de la sala estaban los tres magistrados que juzgan el caso, los 68 acusados y sus allegados.

Entre los imputados figuraban varios de los exmilitares y expolicías que Garzón había investigado en los años noventa y a principios de la década de los 2000, cuando en Argentina regían las leyes del perdón y las amnistías dispuestas en los Gobiernos de Raul Alfonsín (1983-1989) y Carlos Menem (1989-1999). El entonces juez invocaba en su momento el concepto de justicia universal para perseguir a los autores del terrorismo de Estado argentino. Estos delitos de lesa humanidad comenzaron a ser juzgados en Argentina después de que el Gobierno de Néstor Kirchner impulsara la derogación de todas las amnistías. Este jueves, en el banquillo estaba, por ejemplo, Ricardo Cavallo, que fue descubierto en México y extraditado en 2001 a España por orden de Garzón. Allí permaneció en 2008, hasta que fue enviado otra vez a Argentina para ser juzgado aquí. El exjuez español podía ver el rostro de Cavallo en una pantalla grande de la sala. La cámara hacía permanente recorridos de los rostros de los imputados, mientras los secretarios del juzgado leían la larga lista de más de 700 delitos por juzgarse, pero el exmarino, que ya fue condenado a prisión en el segundo juicio de la ESMA, no podía observar a Garzón, apostado en el balcón.

Garzón llegó al juicio acompañado por la presidenta de las Abuelas de Plaza de Mayo, Estela de Carlotto. El actual asesor del Tribunal Penal Internacional de La Haya venía de visitar Jujuy (noroeste de Argentina), donde fue a respaldar al juez local Fernando Poviña, el hombre que hace pocas semanas cobró protagonismo nacional porque procesó por colaborar en crímenes de la dictadura a uno de los empresarios más poderosos del país sudamericano, Carlos Pedro Blaquier. Al interrumpirse el juicio por la hora de la comida, Garzón se retiró rápidamente sin formular ninguna declaración a EL PAÍS.

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21/08/2012

Ditadores não aprendem, mas apreendem

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La ESMA en la Universidad

Por Horacio González *

En su libro Eichmann en Jerusalem, Hannah Arendt escribe ciertos fragmentos que siempre solicitan una atención especial. Piensa que Eichmann, que se defiende con argumentos kantianos –transformaba el imperativo categórico en un sucedáneo de la obediencia debida– debía morir en la horca. Era la única manera de compensar sus crímenes. Se manifiesta en contra de lo aconsejado por filósofos judíos humanistas que de algún modo habían sido sus maestros, como Karl Jaspers, quien se había pronunciado por realizar el juicio a Eichmann no en los tribunales israelíes sino en un tribunal internacional. Por otro lado, es sabido los dilemas que tuvo que afrontar Arendt en relación con su idea de una burocracia del mal, que parecía tender a aminorar las culpas de Eichmann. Pero su libro establecía que la pena era sobre un individuo, al margen de la culpabilidad o inocencias colectivas. Y que el juicio humano sobre un crimen jamás podía asegurar que no se volviese a repetir.

El libro Eichmann en Jerusalem puede considerarse un durísimo tratado filosófico sobre la relación de la historia con la pena, de la filosofía con la facultad de juzgar entendida como lo esencial de lo humano. Libro inexorable, tiene el aspecto drástico de la relación de las leyes de excepción con el cumplimiento de una filosofía de la culpa. Aunque esta culpa es individual, y su castigo no es aleccionador. Quizá Arendt se siente tratando un tipo de violencia que otro filósofo, judeoalemán, aunque poco se le parecía, también había llamado “violencia mítica”. Se trataba de un acontecimiento interno al propio derecho, al que obligaba constantemente a luchar contra su propio estado de excepción.

En el caso de la discusión sobre los cursos universitarios que tendrían derecho a tomar los ex jefes de la ESMA condenados, estamos en un terreno en apariencia muy diferente. Por un lado, no nos encontramos ante la violencia de la pena capital sino de la cárcel indefinida, regulada por el estatuto constitucional. De tal modo se abre un debate sobre la pena, la pedagogía de la pena y las partes del derecho constitucional que abarcan a los penados, que actuaron –y por ello fueron condenados– dentro de un sistema de guerra clandestina que aplicaba un sustituto de la “violencia divina”. Borges calificó a Massera, al asistir a uno de los juicios a la Junta de Comandantes, como “Señor del Infierno”. Definía vida y muerte de los encerrados.

Muy distinta es la cárcel constitucional, donde se ponen de manifiesto distintos encuentros institucionales. Por un lado, la Universidad y sus cursos a los penados, por otro la cárcel con sus siempre vulnerados reglamentos de vigilancia y vida desnuda minuciosa y, en tercer lugar, en este caso, los ex miembros de la ESMA que purgan condena, que vienen de un sistema que implicó el asesinato masivo a través de tecnologías administrativas letales y el “señorío sobre la vida y la muerte” de los capturados. Este sistema competía con todos los elementos conocidos de la decisión pedagógica, pero lo ejercía sobre la base del terror. Lo que había en términos de conversión de almas, exigía de la maquinaria de la tortura y la desaparición. Así dicho, lo ocurrido en la ESMA y otros lugares semejantes nunca lo habíamos visto en nuestro país, pero es innegable que todo ello tenía una parte de intensificación de lo que ya se amasaba en el interior de lóbregas instituciones argentinas y en aspectos untuosos de la propia lengua nacional. La Universidad no puede ser ingenua frente a lo ocurrido en esta Escuela de Mecánica, tan otra y tan diversa, pero que en su nombre ostentaba una idea educacional. La Universidad debió tomar la resolución, desde urdimbres morales previsibles, de no brindar sus prácticas a estas personas portadoras de una alteridad educacional tan radicalmente grave. Pero es un punto de partida para repensarse ella misma. No puede la Universidad decir simplemente “no” si no emprende –puesto que lo ha dicho– la dificultosa tarea de ser otra, de tornarse una universidad que tome como tema crucial la propia fisura que su atendible negativa ha producido.

La cárcel, como forma débil y legal de los campos de concentración, es también un lugar de meditación, de conversión, de estudio y de conspiración. Todas estas dimensiones están presentes en el mundo penitenciario, que sobre todo inventa lenguajes clandestinos tan poderosos que poco tiempo después suelen difundirse como forma más creíble del idioma común y con más fuerza de la que podría darle un conglomerado de lingüistas letrados. La activación de derechos constitucionales en las cárceles introduce un principio salutífero de ciudadanía y los estudios que se imparten permiten un generoso establecimiento de un derecho educacional. ¿Pero puede hacérselo sin sapiencia filosófica, sin metaprincipios de la memoria y sin reflexión sobre los presupuestos últimos de la misma justicia? De alguna manera, se le debe a la cárcel sin universidad la gran obra de August Blanqui, en el siglo XIX. Y la de Gramsci y Graciliano Ramos, en el siglo posterior. Ciertamente, las cárceles son lugares de una ruda teología menor, donde el condenado tiene a su servicio una idea de conversión religiosa y ciudadanía educativa.

La conversión es una ilusión pedagógica y un fascinante simulacro. Poder seguir pensando estos temas por parte de una sociedad democrática es tomar como acción de reanimamiento de la misma democracia la posibilidad de hacer cesar en ocasiones específicas un continuo igualitarista que se mantiene sobre bases falsas. Es el caso de los estudios universitarios de los responsables de la ESMA, que no obstante podrían gozar del beneficio de bibliotecas amplias en sus lugares de reclusión y acaso de grupos de discusión que, sin ningún innecesario propósito de reinscripción social, puedan examinar frente a éste prisioneros específicos el caso que no casualmente los alude: ¿qué excepción real debe competirle a una democracia educacional cuando decide quebrar un igualitarismo abstracto en casos en que se esté ante biografías sostenidas en terribles actos (que eran también “pedagógicos”) que tornarían letra muerta el afán de ilustración o certificación universitaria?

Sería, sin duda, un magnífico ejemplo que una sociedad que ha castigado crímenes de lesa humanidad provea enseñanza universitaria a los representantes del régimen de terror e incluso a sus jefes. Pero las cosas no son tan simples, al punto de poderse resolver la gravedad de este tema con la lógica constitucional o reflexiones que hagan de estos prisioneros un motivo para provocar nuestra propia misericordia. O, si se quiere, nuestra propia arrogancia: “nosotros no somos como ellos”. Pues bien, hay que demostrarlo de otra manera. Hay dos formas de conocimiento: el de la facultad de juzgar y el de los juicios de la memoria. A veces son complementarias, a veces se aplica una por encima de la otra. En nuestro país tienden a superponerse y en ciertos momentos, a privilegiarse una u otra. Nuestra adhesión a los principios generales de la conciencia jurídica universal no debería evitar una decisión sin duda difícil, con otro tipo de constitucionalismo que se revitaliza en la excepción. ¿Qué significa no hacer ingresar al módulo de la enseñanza universitaria a individuos con los cuales la memoria pública mantiene una heterogeneidad notoria, basada en que con ellos quedan pendientes discusiones últimas, más allá de lo que la ley ha dictaminado con su señero castigo? Significa no perder un vínculo vital, más allá de las leyes, sobre la obligación de seguir manteniendo vivo un pasado activo e interrogable. No un pasado fijo y ritualizado, sino uno que nos sea abierto a nuevas interpelaciones.

El vínculo con el pasado no es inerte si no tiene la facultad de repregunta constate. La persona esencial de estos asesinos es producto de decisiones de educación, preparación, mando e ideología de instituciones específicas argentinas; hay elementos de una historia que inhiben la simple presencia en ellos de lo que de otra manera sería justo: el universalismo educacional superior, con titulación asequible. Y no porque valgan un tanto así los títulos, sino porque en este caso serían especialmente significativos; paradójicamente valdrían más puestos sobre el cuerpo de los asesinos; serían únicos en su estimación formal y material. Pero la existencia no es un mero acumularse de instancias jurídicas, sin pasiones, dolor o espesura histórica. ¿Y si los asesinos fueran parte de una maquinaria que entra en una oscura competencia con otros arbitrios institucionales, como los que representa la Universidad?

Desde luego, deben regir las leyes comunes porque nada debe quedar exento de esta crucial categoría civilizatoria: ser sujetos de derecho es lo que mantiene viva la trama heredada de la cultura. Pero también hay distintos momentos de suspensión ética socialmente acordados de lo que las leyes indican. La constitución, el sentimiento antidiscriminatorio y el sistema de las libertades públicas –la Justicia, en suma– se resguarda mucho más con la censura de sus momentos de abstracción machacona, permitiendo así el rescate de los puntos irresueltos de una historia. Esos puntos son precisamente la base para nuevos programas universitarios que se refieran tanto a las nuevas reformas autonómicas universitarias como al resguardo de la libre reflexión sobre el pasado, a condición de que éste siga existiendo en su drama específico. Y es más: llamamos ética precisamente a esa suspensión, que no es meramente un estado de excepción, aunque tiene de éste la capacidad de aislar temas del flujo normativo general, para hacerlos concretos, animados por determinaciones históricas múltiples. Este es un debate de la Universidad consigo misma y una encrucijada vital del conocimiento, en este momento del país en que todo está bajo discusión.

* Sociólogo, profesor de la UBA, director de la Biblioteca Nacional.

Página/12 :: Universidad :: La ESMA en la Universidad

16/04/2012

Argentina continua exorcizando seus fantasmas

Filed under: Argentina,Ditadura,ESMA — Gilmar Crestani @ 9:08 am

Las audiencias se harán finalmente en el Auditorio de los Tribunales Federales de Comodoro Py.

Imagen: Guadalupe Lombardo

El segundo megajuicio de la ESMA

La audiencia preliminar inicial se hará en mayo y el juicio comenzará en agosto. La unificación de varias causas coincide con la postura de organismos de derechos humanos. Se analiza cómo organizar las audiencias y evitar los debates interminables.

Por Alejandra Dandan

El próximo 21 de mayo se hará la primera audiencia preliminar por el segundo tramo del juicio oral por los crímenes de la Escuela de Mecánica de la Armada. El Tribunal Oral Federal Número 5 le puso fecha al comienzo de esa segunda instancia, prevista para el 9 de agosto. Será un juicio sin antecedentes y podría cambiar los parámetros de lo que hasta ahora se conoció como una “megacausa”: se juzgará a 61 imputados por delitos cometidos sobre 781 víctimas. El recuerdo más inmediato es el Juicio a las Juntas. Pese a la objeción de la fiscalía, que prefiere tramos de juicios más cortos, la decisión de unificar las causas coincide con las posturas de varios organismos de derechos humanos integrantes de las querellas. Las nuevas reglamentaciones de la Cámara de Casación Penal serán uno de los ejes de la sesión preliminar para pensar cómo acelerar la dinámica del juicio y evitar el fantasma de los debates eternos. Se fijarán días de audiencia y cómo se incorporarán los testimonios de las víctimas que declararon en otras ocasiones. El juicio se hará finalmente en el Auditorio de los Tribunales Federales de Comodoro Py.

De acuerdo con la resolución de la semana pasada, el juicio a los marinos va a unificar varias causas que hasta ahora estaban separadas. Se trata de los casos comprendidos en los períodos de 1976 a 1979 y de 1979 a 1981. A partir de ahí, un criterio propone avanzar según la jerarquía de los imputados y otro, recomendado por la querella del CELS, sugiere un orden cronológico y fragmentar los períodos en dos: 1976 a 1979 y 1979 a 1981, en función del cambio de jefaturas dentro del centro clandestino.

En el primer tramo, ingresarán la mayor parte de las víctimas. Entre ellas, los casos emblemáticos como las caídas de las llamadas “citas nacionales”, el caso Walsh, el de Norma Arrostito y en el segundo período está por ejemplo el grupo Villaflor. Pese a que algunos fueron tratados el año pasado, ingresan por otros imputados. Un ejemplo es María Cristina Lennie: el año pasado se condenó al vicealmirante Oscar Montes como autor mediato de su secuestro y homicidio, pero ahora se juzgará a quienes integraron la patota que fue a buscarla.

Entre los acusados volverán a sentarse los sobrevivientes de la línea de mando de la ESMA, los represores más simbólicos y otros nuevos acusados. Estarán Jorge “El Tigre” Acosta, el ex director de la ESMA Edgardo Otero. También Alfredo Astiz, por unos 700 casos, el mellizo Miguel Angel García Velazco, cuyo hermano fue juzgado el año pasado. Una de las características que lo distingue del Juicio a las Juntas es el rol de los imputados. En 1984 se juzgó la responsabilidad de los comandantes como autores mediatos, pero ahora se avanzará con la responsabilidad mediata o directa de 61 imputados que actuaron dentro del centro clandestino.

El Tribunal que integra Daniel Obligado incorporó a Adriana Palliotti y Leopoldo Bruglia, que viene de la causa Vesubio, en reemplazo de Germán Castelli y Ricardo Farías. Ellos se reunirán en la audiencia preliminar con querellas y defensores. Evaluarán si las audiencias se harán en cinco o cuatro días de la semana, como pidieron el CELS y la organización Kaos, respectivamente, o se harán tres días, como quiere alguna de las defensas particulares.

Otra discusión será sobre la lectura de las 61 acusaciones: un derecho de los imputados, que deben saber de qué se los acusa, pero a la vez un hecho que en el juicio anterior llevó meses de lectura. Las nuevas reglas de Casación habilitan la opción de leer una síntesis y entregar una copia de la acusación completa a cada uno. Sobre los testigos, se analiza que aquellos que ya declararon en otras causas o en otras etapas no deban volver a hacerlo. El Tribunal puede incorporar las declaraciones y habilitar una instancia eventual de preguntas de la defensa. Con esas características los jueces creen que el juicio podría extenderse durante no más de dos años, pese al piso de 1500 testigos previstos.

Un eje que dejó afuera la unificación son otros tramos de la megacausa. Algunos porque aún están en instrucción, como “Vuelos de la muerte”, y otros, como “Robo de bienes” y “Chacras de Coria”, por decisión de los jueces. Según fuentes del juzgado, “Robo de bienes” no entró porque necesita una comprensión global sobre los robos para entenderlos como “plan sistemático” y no como “rapiña de algunos”. Para las querellas, en cambio, esa separación es un error: no es posible separar el daño hecho a una familia como los Tarnopolsky, a la que le desaparecieron cuatro personas, y reiniciar luego una causa sólo por el robo de un auto. Consideran que el robo de bienes debe leerse como práctica sistemática en el contexto de la evaluación penal por los crímenes.

Fuera de esto, las discusiones previas se concentraron en la validez o no de unificar las causas. Para la fiscalía de Mirna Goransky y Pablo Ouviña, “un juicio respetuoso de los principios que rigen el debate oral no puede superar en demasía el máximo de un año, pues si es más largo no sólo presentaría demasiados obstáculos prácticos, sino que pondría en jaque esos principios”. Propusieron juzgar a no más de 25 imputados por vez; señalaron que deberían ser aquellos que hace más tiempo que están en prisión sin condena y que se deberían priorizar las víctimas que no fueron tratadas en casos anteriores.

Los querellantes optaron en su mayor parte por la unificación. Fue el criterio de Rodolfo Yanzón, Luis Zamora, la Asociación de Ex Detenidos Desaparecidos y la Secretaria de Derechos Humanos: el juicio parcial “no sólo conspirará contra el esquema de responsabilidad de los imputados, sino que es una forma más de perpetuar el riesgo al que están sometidos los testigos, ya que cuantos más casos abarque el debate menor será la exposición de los mismos”. El CELS acompañó la postura del resto de las querellas, sugirió organizar cronológicamente los casos y crear una Secretaría de Juicio que garantice la continuidad de los trámites para el tercer tramo.

Página/12 :: El país :: El segundo megajuicio de la ESMA

22/03/2012

El lugar donde juzgar al terror

Filed under: Argentina,Ditadura,ESMA,Tortura — Gilmar Crestani @ 8:27 am

globo-e-folha-na-ditadura

Se a moda pega, os torturadores brasileiros serão julgados no DOI-CODI. Curió, no Araguaia. O Globo, na sala de redação do famoso editorial. E a Folha de São Paulo, dentro dos carros que emprestou ao torturadores para transportar clandestinamente as vítimas das atrocidades.

l lugar donde juzgar al terror

La magnitud del desafío

Por Beinusz Szmukler *

Ante la polémica desatada frente a la iniciativa de realizar en el edificio del Centro Internacional de Derechos Humanos de la Unesco, ubicado en el Espacio para la Memoria y la Promoción y Defensa de los Derechos Humanos (ex ESMA), el megajuicio por los crímenes de lesa humanidad cometidos en la Escuela de Mecánica de la Armada, considero necesario –a título personal– aclarar que:

1 A la luz de su infraestructura actual, no hay en el Poder Judicial de la Nación ningún local apto para llevar a cabo tamaño juicio, con 61 procesados, más de 120 defensores, jueces, fiscales, querellantes, funcionarios, empleados –un universo de alrededor de 300 personas–, y más de 700 testigos, con las instalaciones y mobiliario indispensables. Los locales más grandes existentes obligarían a dividir la causa en no menos de tres sucesivas, contra el principio reclamado por querellantes y la Unidad Fiscal de concentración por centro clandestino, con la paralización por dos años de las otras causas del mismo carácter, que quedarían sin sede.

2Una de las reivindicaciones fundamentales del movimiento de derechos humanos y una preocupación reiteradamente expresada por la Presidenta de la República ha sido la necesidad de acelerar el trámite de los juicios, especialmente para evitar la impunidad de sus responsables, que van falleciendo sin condena.

3Nos pareció que difícilmente se lograría ubicar un local igual o mejor que el que sugerimos. Por ello, comenzamos los contactos con el Tribunal de la causa y las instancias correspondientes del Poder Judicial y hace unos días se organizó una visita de dichas autoridades al espacio propuesto, el cual, en principio, les pareció muy adecuado, aunque sin pronunciarse expresamente al respecto.

4Evitar la revictimización de los testigos ha sido nuestra preocupación constante y para ello hemos emitido pronunciamientos y formulado propuestas a todos los jueces que deben intervenir en las causas por crímenes de lesa humanidad.

5Por tanto no se nos escapaba que entre los testigos-víctimas habría diferentes reacciones, todas ellas respetables. Una parte consideraría un hecho simbólico de fuerte impacto social aquí y en el mundo entero el juzgamiento dentro del contorno del lugar físico en que los crímenes se cometieron y el contraste de su transformación en un espacio de memoria y verdad, en cuyas 17 hectáreas gran parte de los 35 edificios que lo componían ahora son sede de numerosos organismos de derechos humanos nacionales e internacionales, del Canal Encuentro, y en breve del Museo Malvinas. La realización del megajuicio lo convertiría entonces, además, en espacio de justicia. En cambio, otros no estarían de acuerdo con testimoniar allí, pero ese obstáculo resulta fácilmente subsanable porque podrían hacerlo a través de videoconferencias, desde otros ámbitos, tal como se ha realizado en otras causas, contando con los servicios e infraestructura de la que dispone el Poder Judicial.

La magnitud del desafío requiere el esfuerzo de amplitud y respeto, evitando descalificaciones, entre quienes siempre hemos militado por los derechos humanos, para contribuir a que las instancias judiciales correspondientes adopten las decisiones que permitan la más pronta iniciación del juicio en las condiciones adecuadas y alcanzar el objetivo de memoria, verdad y justicia.

* Programa Verdad y Justicia.

Rechazo y sorpresa

Por María Alicia Milia, Ana María Martí, Elisa Tokar, Graciela Daleo, Carlos García, Alfredo Margari *

Tal vez para conjurar emociones e ideas que nos atraviesan ante la posibilidad de que las audiencias del próximo juicio a los criminales que actuaron en la ESMA sean precisamente ahí, sólo podemos expresar rechazo, sorpresa y tantas otras sensaciones tirando al aire preguntas amasadas con ironía. ¿Cómo no se le ocurrió a nadie hacer el Juicio de Nuremberg en alguna de las cámaras de gas que los nazis multiplicaron en Europa? ¿Por qué el tribunal que condenó a Priebke no sesionó en las Fosas Ardeatinas? ¿Y si en vez de explicar ante los jueces lo vivido y muerto en la ESMA, los sobrevivientes lo representamos? Total, ya que estamos ahí… y como también estarán los represores…

No pretendemos dudar de las buenas intenciones de quienes ofrecen dependencias del predio de Avenida del Libertador al 8200 para que sesione el tribunal. Pero eso no impide que nuestra reacción ante semejante ¿solución? sea la que anotamos más arriba…

Y para que no nos tachen de negativos, que digan que nada nos viene bien, ni nos aleguen que como no hay lugar el juicio no va a empezar nunca, o que entonces hay que fragmentarlo porque no hay donde meter a tantos reos, etc., etc., y ya sin ironía, apuntamos algunas sugerencias para los estamentos estatales que deben resolver la logística de este y otros procesos (Poder Judicial, Consejo de la Magistratura et al.) y para quienes los invitaron a ver la ESMA como una posible “locación”. Simplemente, que tomen nota de cómo se vienen resolviendo estas dificultades en otros lugares del país. Se alquilan teatros o clubes, por ejemplo, sin que la seguridad de los intervinientes se vea vulnerada ni la majestad de la Justicia menoscabada. Más bien todo lo contrario. En Tandil y San Rafael (Mendoza) los juicios culminaron en sentencia; en Bahía Blanca y en San Juan siguen su curso desde el año pasado, todos en instalaciones de las universidades locales. ¿No podría hacer un aporte similar la UBA? Además de resolver un problema logístico, así puede expresarse, también, el compromiso de otras instituciones con esta histórica y siempre vigente exigencia del pueblo argentino: juicio y castigo a todos los culpables, por los crímenes cometidos contra todos los compañeros.

* Sobrevivientes de la ESMA.

Página/12 :: El país :: El lugar donde juzgar al terror

19/03/2012

Onde fazer justiça

Filed under: Argentina,Ditadura,ESMA,Justiça — Gilmar Crestani @ 8:10 am

 

EL PAIS › EVALUAN REALIZAR EN LA EX ESMA EL PROXIMO JUICIO POR DELITOS COMETIDOS EN ESE CENTRO CLANDESTINO

El debate sobre dónde hacer justicia

El Programa Verdad y Justicia propuso juzgar a los represores en el lugar donde cometieron sus crímenes. Para algunas víctimas del terrorismo de Estado, tendría fuerte impacto simbólico. Para otras, sería “perverso”. Una delegación de jueces ya visitó el predio.

Por Irina Hauser

El predio de la ex Escuela de Mecánica de la Armada (ESMA), que actualmente es un espacio de promoción de los derechos humanos, recibió el miércoles pasado una visita peculiar. Una delegación integrada por jueces, miembros del Consejo de la Magistratura y del Ministerio de Justicia, llegó cerca de media mañana con un objetivo impactante: evaluar si alguno de los edificios del predio es apto para hacer allí el próximo juicio por los crímenes cometidos en ese mismo lugar, donde funcionó el mayor centro de extermino de la última dictadura. El proyecto, que está en etapa de análisis y discusión, genera reacciones diversas entre las víctimas querellantes. Están los que piensan que sentar a los represores en el banquillo en el escenario de sus propias aberraciones sería de un fuerte simbolismo frente a la sociedad; pero también hay sobrevivientes y familiares de desaparecidos que ven un sufrimiento adicional en tener que revivir los hechos en el lugar donde ocurrieron.

La comitiva era grande y contaba con algunas presencias de peso para el caso, como los propios integrantes del Tribunal Oral Federal N° 5 (TOF 5), Daniel Obligado y Adriana Palliotti, quienes deben llevar adelante el segundo juicio por los crímenes cometidos en la ESMA. También estaban los jueces de la Cámara de Casación Penal Ana María Figueroa, Gustavo Hornos, Mariano Borinsky y Juan Gemignani; el presidente del Consejo de la Magistratura, Manuel Urriza; el representante del Poder Ejecutivo en ese organismo, Hernán Ordiales, y el director de Infraestructura, Francisco Toscano. Quien logró juntarlos allí fue Beinusz Szmukler, del Programa Verdad y Justicia, que depende del Ministerio de Justicia y Derechos Humanos. De él había nacido la idea.

Szmukler enumeró a Página/12 tres razones por las que propuso la ex ESMA como lugar para el gran juicio: “Cuando se planteó que podría tener por lo menos 60 imputados y más de 700 testigos, se hizo evidente que el Poder Judicial no tiene un lugar adecuado para un proceso de esa magnitud. Además, la mayor aspiración de todo tribunal es la de tener la máxima proximidad posible con el lugar de los hechos. Y por último, hacer las audiencias allí tendría una fuerte carga simbólica no sólo importante para el movimiento de derechos humanos sino para toda la sociedad, ya que se juzgaría a los imputados de los crímenes más horrendos de la historia argentina en el mismo lugar que los cometieron”. El Programa Verdad y Justicia, explicó Szmukler, tiene entre sus metas la de “colaborar para acelerar el trámite de los juicios por crímenes de lesa humanidad y resolver necesidades de los tribunales, además de dar protección a testigos, querellantes y funcionarios judiciales”. También aclaró que “aún está pendiente debatir el tema con los organismos de derechos humanos”. “Seguro que habrá resistencias, tanto de los testigos, que pueden sentirse mal de volver a ese lugar, como del Poder Judicial”, dijo.

Miradas y propuestas

Entre las querellas –que son más de una decena– hay posturas contrapuestas. Andrea Bello, sobreviviente de la ESMA y querellante por Justicia Ya!, hizo objeciones. “Me parece una idea perversa, no se me ocurre otro adjetivo. Sería una medida solo efectista. Es un lugar que, además, se debe preservar. Seguro que el Estado puede dar otra solución”, dijo. “Yo todavía trato de evitar lo más posible volver allí; por más fortaleza que uno haya adquirido en todos estos años, me resulta difícil. No me imagino tampoco a las madres de compañeros desaparecidos yendo a revivir allí lo ocurrido. Vamos a necesitar un colectivo de psicoanalistas. No me gusta usar la palabra revictimización, pero en este caso sería eso. Además me parece favorable a los imputados, porque en ese lugar fue donde se sintieron fuertes”, explicó Bello.

Víctor Basterra, otro de los querellantes, ex detenido y uno de los miembros del Instituto Espacio para la Memoria (IEM), piensa distinto. “Prefiero la presencia de los milicos en el propio escenario donde cometieron sus atrocidades, siendo juzgados y probablemente condenados ahí. Es todo un impacto. Mejor eso que la política del tachín tachín y la alegría. Digo esto porque en el predio se desarrollan muchas actividades con las que no estoy de acuerdo y, sin embargo, me las tengo que tragar. Hubiera querido que fuera un lugar de reflexión y recogimiento. Lo que no hay que perder es la reflexión de lo que pasó. Las cosas hay que mirarlas de frente. Ahí sucedieron cosas espantosas, que tampoco hay que banalizar detrás de una murga o un festival”, argumentó. Seguramente, se anticipó, no sólo se opondrán algunas víctimas a hacer el juicio en la ex ESMA, sino los propios imputados.

A los jueces del TOF 5 les pareció una alternativa válida la de hacer el juicio en el lugar donde funcionó la ESMA, según dijeron a Página/12 allegados a los jueces. Si bien mostraron cierto entusiasmo, aún no tendrían posición definitiva sobre la conveniencia. En lo formal, son ellos quienes tienen que pedir la habilitación y acondicionamiento de alguno de los edificios del predio. Además, tienen que dar su aval el ente público que maneja el espacio para la memoria. Y la Cámara de Casación debería aprobar esa solicitud, de ahí la presencia –la semana pasada– de varios jueces de ese tribunal.

La visita al viejo centro de exterminio, de la que participaron ambos tribunales, tenía el objetivo de ver y evaluar cuáles de los 35 edificios que hay en el lugar, que en total tiene 17 hectáreas, serían aptos para realizar las audiencias. Miraron tres de ellos en detalle. Recorrieron un área de talleres, el pabellón COI (que formó parte del circuito represivo) y otro sector, que concluyeron que era el sitio más apropiado, donde funcionaron un enorme cine y un salón, y que actualmente se encuentra cedido al Centro Internacional de Derechos Humanos de Unesco.

Próximos pasos

Algunos de los integrantes del grupo no conocían la ex ESMA, por lo que aprovecharon la ocasión para preguntar de todo, pispear cada rincón y llevarse folletos. El arquitecto Francisco Toscano, que es director de Infraestructura del Consejo de la Magistratura, deberá ahora hacer un informe que precise todas las reformas que habría que hacer para poder trasladar allí (íntegro) el TOF 5 y realizar un megajuicio. Le pidieron que precise cuánto tiempo demoraría la obra y cuánto costaría. Sumarán su aporte el administrador del organismo y el director de Tecnología, que formaron parte de la comitiva. Se supone que para la semana próxima tendrían los resultados. Lo que plantearon los jueces del TOF 5 es que no quieren que la reforma del lugar para adaptarlo al juicio demore el inicio de las audiencias. El cálculo que hacen es que debería estar listo en agosto, de lo contrario habrá que buscar otras opciones. La misma cuestión se trató el jueves en el plenario del Consejo de la Magistratura, donde se planteó como “plan B” pedir la sala del Juicio a las Juntas del Palacio de Justicia.

La falta de salas de audiencia es un problema generalizado en tribunales. Los jueces del TOF 5, Obligado y Palliotti, venían reclamándole a Casación una sala de uso permanente, pero no obtuvieron respuesta. Por eso, hacer el juicio en la ex ESMA se les presentó como una posible solución. De todos modos, arrastran otros problemas adicionales. Hasta el miércoles último eran solo dos magistrados, faltaba uno, además de un suplente. Es decir, no podían resolver grandes cuestiones. Ahora se sumará Leopoldo Bruglia, del TOF 4, que juzgó, por ejemplo, los hechos del centro clandestino llamado El Vesubio, el enriquecimiento de María Julia Alsogaray y el accidente de LAPA. Y un asunto clave aún no resuelto en la causa ESMA es si se hará un juicio único con 61 imputados y más de 700 testigos o si se va a dividir en varios juicios, como plantearon los fiscales Pablo Ouviña y Mirna Goransky.

La propuesta de llevar el juicio a la propia ex ESMA generó mucho entusiasmo en distintas áreas y niveles del Gobierno. Todo parece indicar que faltan aún varios pasos burocráticos y que empieza un debate amplio sobre las implicancias.

Página/12 :: El país :: El debate sobre dónde hacer justicia

15/03/2012

De la ESMA a la Corte de Nicolas Sarkozy

Filed under: Argentina,Ditadura,ESMA,Mario Alfredo “Churrasco” Sandoval,Sarkozy — Gilmar Crestani @ 8:47 am

Mario Alfredo “Churrasco” Sandoval intercedió en Colombia para liberar a Ingrid Betancour.

De la ESMA a la Corte de Nicolas Sarkozy

El ex oficial de Coordinación Federal que se radicó en París y consiguió conchabo como asesor en el área de defensa y seguridad del gobierno francés es buscado por Interpol. El juez Torres pidió su detención en el marco de la causa ESMA.

Por Nora Veiras

Mario Alfredo Sandoval, ex oficial de Coordinación Federal durante la dictadura, supo reciclarse con proyección internacional. Insertado como asesor en temas de seguridad y defensa en el gobierno de Nicolás Sarkozy, debía estar convencido de que su pasado en la Argentina ya no lo perseguiría. No fue así: el juez federal Sergio Torres le acaba de pedir a Interpol la captura internacional de Sandoval, acusado de “tormentos, privación ilegal de la libertad agravada e imposición de tormentos con resultado de muerte”, con el fin de solicitar su extradición. Pablo Yadarola, secretario de Torres, le dijo a Página/12 que en testimonios de sobrevivientes de la Escuela de Mecánica de la Armada se reiteraba el alias de “Churrasco” y en base a la investigación se concluyó que el sobrenombre corresponde al ex oficial de la Policía Federal.

En marzo de 2008, Página/12 publicó que Churrasco Sandoval se había radicado en París y se presentaba como miembro del Consejo de Defensa de Sarkozy. Su currículum estelar con cursos en La Sorbona impedía conocer pergaminos menos ilustres. En los ’70, como egresado de la Escuela de Policía Ramón Falcón, actuó en Coordinación Federal de la mano de represores de la talla de Evaristo Basteiro, jefe del centro clandestino que funcionaba en esa dependencia. También supo brindarle “servicios” a la Marina.

La cooperación entre la Federal y la Armada es la causa del pedido de detención internacional, fechado el 6 de marzo, que ingresó a la sede de Interpol Argentina. “En cuanto a los hechos que se le reprochan al nombrado –dice el escrito– se trata de su participación y la responsabilidad que podría corresponderle en relación con la actuación entre los años ’76 y ’83 de la unidad de tareas 3.3.2 de la Armada, con base operativa en la ESMA, resultando que los integrantes de dicho grupo pertenecían a la Policía Federal Argentina y Servicio Penitenciario Federal.” El requerimiento del juez precisa que en enero de 2006 en su “legajo personal de la Policía Federal Argentina habría consignado como último domicilio de residencia la República Francesa, en París”. El juez señala que los delitos que se le imputan son de lesa humanidad y se consideran imprescriptibles, con penas de prisión o reclusión de 8 a 25 años.

En el ’77, Sandoval tenía como domicilio de destino Moreno 1417, séptimo piso, es decir Coordinación Federal. Con el número de legajo 1076 /1163 de la Comisión Nacional sobre Desaparición de Personas (Conadep) aparece mencionado el secuestro de un estudiante de Arquitectura en el barrio de Belgrano. La familia Abriata declaró que el oficial a cargo del operativo se presentó como “Sandoval, de Coordinación Federal”. En el ’76, Sandoval había sido destinado con el grado de subinspector a la Comisión de Asuntos Políticos. El jefe era el comisario inspector Evaristo Besteiro, quien quedó impune por la aplicación de la Ley de Punto Final. Ya en democracia, Sandoval tuvo otras causas menores con la Justicia por defraudación y violación de correspondencia. A fines de los ’80 egresó de la Licenciatura en Seguridad de la Universidad de la Policía Federal. Después se supo poco de él, hasta que en el 2002 reapareció en la Escuela Superior de Guerra. Con la “chapa” de delegado de la Unión Europea para conversaciones de paz en Colombia consiguió autorización para llevar a dos colombianos a dar un curso a militares argentinos. En medio de la exposición, uno de ellos se presentó como “comandante de las Autodefensas Unidas de Colombia”, un hombre de Carlos Castaño, el jefe de las AUC. Los oficiales dieron por terminado el encuentro y al responsable de haberlo permitido casi le cuesta la carrera porque Sandoval no le había advertido quiénes serían los expositores. Por esos años, había comenzado una campaña sucia para vincular a los grupos piqueteros con las FARC.

Una página web reprodujo en París el artículo publicado por este diario y Sandoval les inició juicio a sus responsables. Ahora, Interpol lo está buscando.

Página/12 :: El país :: De la ESMA a la Corte de Nicolas Sarkozy

31/01/2012

Desvelando os crimes da ditadura argentina

Filed under: Argentina,Ditadura,ESMA — Gilmar Crestani @ 8:40 am

Meschiatti militó en Montoneros, fue secuestrada en 1976 y luego se exilió en Suiza.

Imagen: Sergio Goya

SUBNOTAS

EL PAIS › EL TESTIMONIO DE TERESA MESCHIATTI EN EL JUICIO POR EL PLAN SISTEMATICO DE APROPIACION DE BEBES

Las “panzonas” que pasaron por La Perla

La sobreviviente del centro clandestino que funcionó en Córdoba contó que allí vio a María del Carmen “Pichona” Moyano de Poblete embarazada y que en algún momento de abril o mayo de 1977 la trasladaron a la Escuela de Mecánica de la Armada.

Por Alejandra Dandan

“Yo nunca me hubiera imaginado que se podía tener a una mujer a término del embarazo, robarle el hijo y después matarla; y eso que estuve dos años, tres meses y tres días en un campo de concentración.” Teresa Celia Meschiatti declaró en el juicio por el plan sistemático de apropiación de bebés de la dictadura. Sobreviviente del centro clandestino de La Perla, ubicado en la provincia de Córdoba, Meschiatti recordó a las embarazadas de La Perla a quienes los detenidos-desaparecidos empezaron a nombrar como “las panzonas”. En especial habló de María del Carmen “Pichona” Moyano de Poblete, uno de los casos de este juicio, a quien en algún momento de abril o mayo de 1977 trasladaron de Córdoba a la Escuela de Mecánica de la Armada. Las preguntas sobre por qué llegó a parir a Buenos Aires, los alumbramientos en el Hospital Militar de Córdoba y el nombre de quién pudo haber sido el contacto entre el centro clandestino del III Cuerpo del Ejército y los marinos forman parte de las cosas sobre las que Meschiatti se sigue preguntando.

Teresa Meschiatti se presentó como divorciada, nacida en el ’43, jubilada en Suiza, el país al que se fue y donde trabajó hasta 2007 antes de volver a la Argentina. Cuando uno de los jueces del Tribunal Oral Federal Nº 6 se lo preguntó, explicó que militó en Montoneros. Cayó secuestrada en una cita el 25 de septiembre de 1976. Durante más de un año pensó que iban a matarla porque así se lo dijeron en La Perla. Sobrevivió y declaró ante la Conadep, en España, en Italia y en los juicios que se fueron abriendo en el país: Córdoba, Rosario y ayer en Comodoro Py. Cuando la presidenta del TOF Nº 6 le preguntó protocolarmente si tenía algún interés en el resultado de la causa, dijo por qué estaba ahí: “Solamente conservar la memoria de los treinta mil desaparecidos es lo único que me mueve a seguir testimoniando”.

Mientras el juicio oral ingresa en la última fase de testimonios, con su relato, Meschiatti planteó por primera vez –en el marco del debate– lo que sucedió en el centro clandestino más importante de Córdoba. Las distintas fuerzas de la dictadura concentraron ahí, como dijo ella, a la mayor parte de los militantes políticos de la zona, sin distinguir si eran prisioneros de una o de otra de las armas. En el contexto del juicio, La Perla es el espacio por donde pasó Pichona Moyano de Poblete antes de llegar a parir a la ESMA. Ella y su hija siguen desaparecidas.

Las razones por las que Pichona llegó a la ESMA son parte de los secretos que todavía guardan los represores. El traslado a Buenos Aires podría ser parte de la forma en la que la dictadura hacía mover a los prisioneros para sacarles información. O puede reforzar la certeza de que la ESMA funcionó como “caja receptora” de parturientas de otros centros clandestinos del país. Eso de todas formas en este caso no está claro, porque cuando Pichona llegó a la ESMA aún no funcionaba la maternidad clandestina a la que los marinos llamaron “la pequeña Sardá” y fue el lugar donde concentraron a otras prisioneras. El suyo fue el primer parto en el que estuvo Sara Osatinsky. Se hizo en la enfermería y Sara todavía se acuerda de los ruidos de las cadenas mezclados con los gritos del bebé que nacía.

En La Perla, en tanto, Teresa Meschiatti llevaba seis o siete meses secuestrada cuando supo de la presencia de Pichona. Era abril o mayo del ’77. No la vio, pero supo que estaba por otra de las secuestradas encargada de la limpieza y de atender a los que estaban con problemas. “Pichona estaba embarazada a término –dijo Teresa–, con una panza muy elevada, de unos ocho meses. Yo sé que estaba con el marido, los dos habían sido traídos de Mendoza y no sé cuánto tiempo estuvieron, pero estaban detenidos entre los biombos.” Los biombos eran una forma de tabicamiento. Un espacio cerrado en el que introducían a ciertos detenidos que no podían ver ni ser vistos: iban a parar ahí, según Teresa, los que serían trasladados a otro campo o a otro lugar, como para que no pudiesen saber dónde habían estado. O los que se estaban muriendo. A Pichona la iban a trasladar.

“Yo estuve repasando el caso de la panzona, Pichona le decían –dijo Teresa–. Parece que se la llevaron el 1º de abril del ’77, aunque yo en mi primer testimonio digo mayo”, explicó y aclaró lo que dicen muchos testigos. Que no podía ser precisa con las fechas porque “un secuestrado no es un empleado público que da entrada y salida a lo que ve”. Un secuestrado, dijo, sólo recuerda momentos muy precisos. El día que la secuestraron. Las torturas que le dejaron las marcas del III Cuerpo en las piernas. O cuando los militares se aparecieron vestidos con sus capas de gala para saludar a cada prisionero por el Día de la Patria; les dijeron: “Buenos días”, y después salieron a fusilar a dos.

Además de Pichona, Meschiatti habló de otras “panzonas”. Entre ellas, en abril vio a Dalila Bessio de Delgado y en diciembre, a Rita Ales de Espíndola. A Dalila le decían “la panzona número uno”. La habían secuestrado con su pareja, eran de La Falda. A él se lo llevaron por un tiempo a la ESMA. A ella la llevaron a parir al Hospital Militar: “No había posibilidades de tener en La Perla una maternidad Sardá como en la ESMA –dijo Teresa–, no daba el espacio. Nunca trascendió en todo el tiempo que estuvimos, nunca salió la cuestión de que efectivamente hubiera una maternidad en algún lado”.

Tiempo después, apareció Rita Ales con su marido. “El marido salió rapidito, y ella estaba muy preocupada por él, pero ahí hubo una cosa que nos traumatizó muchísimo”, explicó. “El responsable en ese momento era el capitán González, miembro del Comando Libertadores de América. Para la época del parto de Rita nos obligó a limpiar una oficina, que limpiáramos las paredes con lavandina porque la querían hacer tener el bebé en La Perla. Trascendió el dato de que después la iban a tener que matar, cosa que nos llenó de horror: le querían poner una inyección de aire en las venas… Nosotros habíamos visto gente agonizante, pero matar a una persona, jamás. González decidió al final llevarla al Hospital Militar, lo cual al parecer les producía muchos problemas: ya había trascendidos de que no querían ocuparse de ellas porque estaban en un lugar clandestino al que tenía acceso el personal del hospital.”

A lo mejor ésa es una explicación de por qué una de las parturientas llegó a la ESMA. En tanto, las defensas siguieron de cerca durante el resto de la audiencia los datos sobre qué pasó con los niños de cada una de esas mujeres que siguen desaparecidas. Por alguna razón, los militares devolvieron a los dos niños con sus familias biológicas. A las defensas, el dato les permite encontrar supuestas grietas en la idea de un plan total y sistemático de apropiación de niños. A la querella de Abuelas de Plaza de Mayo, sin embargo, esto no la tomó por sorpresa: todo proyecto totalizador tiene sus fisuras, excepciones, que no modifican la regla.

“En Suiza –contó Teresa Meschiatti– se hablaba de tráfico de niños como de un botín de guerra, porque algo así no se regala, se cobra.” Otro dato del que habló fue sobre el represor Héctor Vergés. Lo vio dos o tres veces en La Perla. Y Sara le dijo alguna vez que lo había visto en la ESMA. Meschiatti sabe que en algún momento a Vergés lo trasladaron de Córdoba a Buenos Aires, y ayer dijo que “al no haber (en Córdoba) una estructura de ‘maternidad Sardá’, creo que Vergés ha sido el lazo de la Marina y el Ejército”.

Página/12 :: El país :: Las “panzonas” que pasaron por La Perla

28/11/2011

Missão: sobreviver para poder contar

Filed under: Argentina,Ditadura,ESMA,Mario Villani — Gilmar Crestani @ 8:49 am

Mario Villani, el sobreviviente que quizás haya estado más tiempo preso en los campos clandestinos.

Imagen: Luciana Granovsky

“Desaparecido reaparecido, ése fue mi paso por el infierno”

Mario Villani sobrevivió porque arreglaba lo que robaban en los secuestros. Lo obligaron a reparar la picana y la modificó con menos carga eléctrica. El cautiverio más largo en los campos clandestinos de la dictadura.

Por Nora Veiras

“Soy un desaparecido, un sobreviviente, o si se quiere un desaparecido reaparecido. Este es el relato de mi paso por el infierno.” Así se presenta Mario Villani en Desaparecido. Memorias de un cautiverio. El libro escrito junto a Fernando Reati es mucho más que un testimonio, es una despiadada y lúcida reflexión sobre el dilema de la vida en cinco centros clandestinos de detención. A lo largo de cuarenta y cuatro meses pasó por el Club Atlético, El Banco, El Olimpo, el Pozo de Quilmes y la ESMA. “Maldito si lo haces, maldito si no lo haces”, repite este físico que a los 72 años desmenuza sin pudor qué significa “colaborar”, cuál es el límite que cada uno le pudo poner a esa convivencia con el terror. “En mí vieron la posibilidad de utilizarme, de reparar lo que les robaban a los secuestrados, me tuvieron trabajando de bricoleur”, dice con una ironía elaborada durante años de pensar en la complejidad de la condición humana de torturadores y torturados.

Villani contó ante tribunales de Argentina, Francia, Italia, España cómo después de negarse a reparar la picana eléctrica de Antonio Del Cerro, alias “Colores”, un torturador que se ufanaba de su arte en la aplicación de tormentos, aceptó hacerlo. Le disminuyó la descarga. Durante una semana había escuchado los gritos de compañeros sometidos a la corriente directa. Los paros cardíacos se repetían, las muertes también. En Desaparecido, Villani y Reati, recuerdan esta y otras historias.

–¿Cómo jugaba la inexistencia de fronteras entre represores y secuestrados en los centros clandestinos?

–Eso fue determinante para todo. Estábamos inmersos en el espacio del represor. No existía la posibilidad de discutir entre nosotros, de analizar entre nosotros lo que nos estaba pasando, de apoyarnos: estábamos siempre mezclados con los torturadores. Ese borrado de fronteras, además, es unilateral: la libertad que el preso tiene a pesar de estar preso que es el momento de privacidad en la cárcel, nosotros no lo teníamos. Había torturadores como El Turco Julián, por ejemplo, que se quedaban a dormir.

–Usted estuvo casi cuatro años secuestrado.

–Estuve en cinco campos: desde noviembre del ’77 a agosto del ’81. He sido uno de los que más estuvieron. No es común que haya gente que haya estado tanto tiempo y en tantos campos. Supongo que debe haber influido el hecho de que a mí me usaron para reparar equipos de electrónica, electrodomésticos, que además eran cosas que se robaban y tenían que ponerlos en condiciones para llevárselos a sus casas o para venderlos.

–Es increíble cuando usted les pide herramientas y le traen la mesa de trabajo que había diseñado y tenía en su casa.

–A mí me habían secuestrado el 17 de noviembre del ’77 y eso me lo trajeron alrededor de marzo-abril del ’78, es decir que en algún lado lo tenían.

–En el libro estremece la reflexión sobre el significado de colaborar en un campo clandestino. ¿Qué significa colaborar, cuál es el límite?

–Me resultó difícil procesar eso. Todo es colaboración: que te vean vivo ya es una colaboración, aunque uno simplemente respire delante de otro. El otro recién secuestrado ve que uno está vivo y piensa a lo mejor “yo me salvo también”, es una forma de controlarlo mejor, es involuntaria e inconsciente, no es una colaboración deliberada, pero los tipos utilizaban ese mecanismo. De ahí para adelante hay un montón de escalones de colaboración. Yo colaboré. Colaboré reparando. No colaboré torturando, no colaboré interrogando, no colaboré entregando gente. Pero, por ejemplo, secuestraron a uno de mis mejores amigos, en una cita conmigo.

–¿Cuénteme cómo fue?

–A Gorfinkiel lo secuestran a pesar de los esfuerzos que yo había hecho. Yo tenía una cita agendada codificada para el mismo día en que me secuestraron, no dije nada, me callé la boca y se dieron cuenta al siguiente, me volvieron a torturar. Supongo que debo haber admitido que sí porque total había pasado la cita. Además teníamos un convenio los que estábamos en el mismo ámbito: normalmente usábamos un número de teléfono alquilado para pasarnos mensajes. La única forma de comunicarnos era a través de lo que llamábamos buzones, pero sospechábamos que ese teléfono estaba pinchado, entonces decidimos conservar ese buzón para pasar mensajes de alarma: si un mensaje llegaba a ese buzón había que desconocerlo y pensar “se pudrió todo”. Cuando me ordenaron llamar, pensé: “Esta es la mía” y dejé un mensaje ahí porque era el que usábamos como alarma, yo lo llamo a ese buzón y le dejo una cita… Y Jorge fue… No tendría que haber ido. Poco después, yo repartiendo la comida en el campo, le llevo la comida a la celda y se pone a llorar y me pide disculpas por no haber cumplido con la consigna. Ahí nos pusimos a llorar los dos. Yo le dije: “Pero escuchame, soy yo el que te entregó”.

–Usted cuenta que paradójicamente al ser secuestrados sentían cierto alivio por no seguir siendo perseguidos.

–Además del alivio de no estar perseguido se sumaba el hecho de que yo, por lo menos, no tenía la certeza de que me iban a matar: pensaba que por ahí me salvaba. Pensaba “se acabó, no corro más”. Fue pasando el tiempo y llegué a convencerme de que estábamos todos condenados a muerte. El alivio se terminó, continuó en el sentido que no seguía la pelea, no tenía que seguir escapando, pero estaba condenado.

–A pesar de todo su objetivo era sobrevivir un día más, renovar la esperanza a pesar del horror en que vivía…

–Es agotador pero a mí me resultó imprescindible. No me podía permitir hacer planes de futuro, no me podía permitir lamentarme y decir si salgo en libertad, me voy al exterior, no milito más o milito más. Me di cuenta de que si hacía eso no estaba prestando atención al aquí-ahora y era imprescindible que estuviera siempre atento, si no podía ligármela en cualquier momento. El único plan que me permitía hacer era llegar vivo al día siguiente.

–Usted reflexiona sobre la dificultad de armonizar la necesidad de afecto con la desconfianza sobre todo. ¿Cómo se resolvía ese dilema?

–La vida en un campo de concentración es una vida esencialmente dilemática. Continuamente estás frente a situaciones de “Maldito si lo haces” y “Maldito si no lo haces”. A mí me sirvió el olfato, como línea general sabía que tenía que desconfiar pero no se puede vivir desconfiando. Llega un momento que uno lo siente por la piel, a veces te equivocás pero es el riesgo que corrés. Largabas alguna opinión pero no todas, con otro te abrías totalmente. Eso viene mezclado con la cuestión afectiva que es muy importante, que no es solamente formar pareja, lo afectivo se puede reducir a una mirada, un roce, los pequeños toques de contenido afectivo son básicos en un marco como ése. Para mí, la situación más importante fue con Juanita… (N de R: Juana Armelín, una chica que había militado en el Partido Marxista Leninista de La Plata que entabló una relación con Villani que el represor Samuel Miara, alias “Cobani”, detectó y usó para humillarlos hasta que la hizo desaparecer).

–El caso que muestra la perversión de Cobani.

–A Cobani lo tengo acá (se señala entre ceja y ceja). Yo no tengo odio, tengo bronca, pienso que hay que condenarlos. Pienso que si bien yo en mi interior los condeno, no soy quién para condenar a nadie, será un juez o la Justicia, pero con Cobani no puedo ser tan objetivo. Por suerte después conocí a los hijos de Juanita, nos hicimos amigos y a través de esa relación por lo menos les pude contar.

–¿Cómo superó el saber que hubo secuestrados que colaboraron al punto de torturar a sus compañeros?

–Es una tortura más para el conjunto: para los prisioneros que ven que hay ex compañeros que se dieron vuelta, no saben si ellos no pueden llegar a caer en la misma. Antes creían que eran puros y resulta que terminaron así, en el fondo implica que nadie está a salvo de eso. Por otro lado, no es lo mismo que te torture un torturador que un ex compañero, pero además esa tortura no es sólo para el que está siendo torturado sino que el que tortura está sufriendo una tortura aunque no tenga conciencia de ello.

–Ni siquiera esa degradación extrema les garantizaba la vida, no implicaba un salvoconducto.

–No fue una garantía. En general fueron bastante despreciados, los usaban porque eran útiles, salvo algunos que terminaron pasándose con armas y bagajes para el otro lado. En general los usaban y los tiraban, eran forros.

–Usted cuenta el caso de un hijo de un secuestrado-torturador al que no dejan entrar a la agrupación Hijos.

–Eso es muy duro: qué culpa tiene el hijo de lo que hizo el padre. Son situaciones muy complejas, el ser humano es complejo, no es lineal. Esos hijos que no lo dejaron entrar estaban viendo un retoño del que torturó a sus padres y de un traidor. No se trata de justificar o no, hay que tratar de entender.

–Usted dice que le sirvió comprender que eran seres humanos los torturadores.

–Hitler era un ser humano. Me sirvió para manejarme con ellos. El relato ése del torturador que me torturaba y le dije: “No te entiendo”, me abrió los ojos. Cuando le dije que a él lo estaban usando, me dijo hijo de puta pero paró de torturarme. Otra cosa, todavía hoy tengo que pelear contra una parte de mí que se pasa de rosca pensando “a estos hijos de puta los quiero reventar” porque en ese caso yo no me diferencio de ellos. Yo no soy como ellos y eso lo tengo que defender a muerte. Esa lucha que fue dentro de los campos, sigue hoy. Que ellos me vieran a mí como una cucaracha, como un ser despreciable, primero es su visión maniquea del mundo. Si yo tengo esa misma visión, soy igual que ellos.

–¿Cómo vive el desenlace de los juicios a los represores: como una reparación, como una tarea cumplida?

–Está la parte racional, lo vivo como reparación, como decir gané –no sé si decir gané porque no creo estar libre del todo como no creo que vos lo estés tampoco–. Logré sí hacer algo que intentaron impedir que hiciera. Por otro lado hay una cosa que me gratifica: no soy yo solo, es una sociedad que va cambiando. Todavía hay quien dice por algo será, que deberían haber matado a todos. Son procesos largos, complejos y contradictorios: como suma me parece que van en la dirección correcta. Estas condenas son un fruto de muchos años de lucha de mucha gente, y son un fruto también de la maduración interior de la sociedad.

–El compromiso de dar testimonio, ¿puede implicar que ese horror no se repita?

–Lo que hago está dirigido a que eso pase, pero no es indefectible que pase. Pienso que no hay que bajar los brazos. Hay que estar atentos siempre porque las fuerzas que hicieron producir esto están presentes en todo el mundo. Los que tienen en sus manos el poder se defienden con uñas y dientes: mientras les sirva hacerlo con métodos civilizados lo harán, pero si no recurrirán a cualquier método.

Página/12 :: El país :: “Desaparecido reaparecido, ése fue mi paso por el infierno”

06/11/2011

A vida não é bem vi(n)da!

Filed under: Direitos Humanos,Ditadura,ESMA — Gilmar Crestani @ 9:22 am
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Parir en la ESMA

Acompañó a quince embarazadas en la Escuela de Mecánica de la Armada. Relata cada uno de esos partos y cuenta cómo se acondicionó un lugar específico para la “maternidad clandestina”, a la que derivaban prisioneras de otros campos.

Por Alejandra Dandan

La pieza de las embarazadas. Jorge Luis Magnacco. Una mesa. La asepsia. Una sábana verde. Tres embarazadas que se van, una que pare. Una incubadora, un sietemesino. El papelito en el que escribe todos los nombres. Noviembre de 1978, en la Escuela de Mecánica de la Armada, más exactamente 16 o 17 noviembre, dijo Sara Solarz de Osatinsky. “Trajeron a quien nosotros creíamos que era la esposa de Matías y era Patricia Roisinblit, que dio a luz un varón el 18 de noviembre de 1978, una cosa conmovedora, como todos los partos, por supuesto, pero en este caso, como Patricia había estudiado medicina –participó Magnacco como médico–, y en el momento que dio a luz pidió que no le corten el cordón umbilical y se lo pongan sobre el pecho y decía: ‘No me lo saquen, no me lo saquen’, era lo que la unía, la seguía uniendo a ese bebé que nació, a quien si no me equivoco le puso de nombre Rodolfo.”

Pedida por las parturientas de la Escuela de Mecánica de la Armada, Sara Solarz de Osatinsky estuvo en una enorme cantidad de alumbramientos en el centro clandestino más grande de la Marina. Es una de las personas que pueden darle a ese espacio las características y dimensiones de maternidad clandestina. Declaró en la causa por el plan sistemático de robo de bebés, es la testigo acaso más importante del tramo ESMA y uno de los pilares del juicio. Viuda, mujer de Marcos Osatinsky, dirigente de las FAR, uno de los prófugos de Trelew, asesinado. Madre de Mario y de José, asesinados a los 18 y 15 años. Llegó a la ESMA el 14 de mayo de 1977 y hasta noviembre de 1978 observó el desarrollo de quince embarazos: su voz se sumergió durante la audiencia en esos mundos, restituyendo a esas mujeres al mundo de los vivos.

A ella la secuestraron en una esquina de Capital Federal, mientras gritaba su nombre, y la golpearon con una llave inglesa. “¡Me llamo Solarz, me secuestran!”, decía y la patota gritaba a su vez qué era una brigada contra drogadictos. “Me llevan a un lugar donde no vi qué era en ese instante y me cortan toda la ropa, ni siquiera me sacan las esposas ni nada, sino que con una tijera me sacan toda la ropa que tenía y me dejan desnuda y me ponen sobre una camilla y es en ese momento que empiezan a decirme:

–Señora, ¿sabe dónde está?

–No sé –les dije yo–. Me da lo mismo.

–Está en la ESMA –me dijeron, y la verdad es que a pesar del “me da lo mismo’, no fue lo mismo: tenía conocimiento de lo que significaba la ESMA por algún folleto que decía todo lo que hacían con los prisioneros, con los secuestrados…”

Una guardia “buena”, “chicos de 14 a 18 años”, después de algunos días la dejaron andar sin esposas atadas atrás, las tenía adelante. “Pude levantarme la capucha y ahí era un espectáculo verdaderamente dantesco: como si estuviéramos dentro de una caja de muertos que llegaba al techo, uno no podía levantar la cabeza porque se golpeaba, todo cerrado con madera y el espacio exacto para que uno estuviera acostado en ese lugar. Cuando pude ver, una cosa que fue terrible de ver, es que en el medio de toda esa cantidad de cajas de muertos, había una cama que sobresalía y una mujer embarazada que se había levantado en ese momento: era Ana de Castro, luego supe que se llamaba así.”

“Yo tenía un papelito muy, muy pequeñito donde iba anotando todos esos datos”, dijo en un momento sobre la sucesión de embarazos. “Papelito de cada una de las embarazadas que desgraciadamente no fue posible conservar, yo pensaba que nunca me iban a dejar ir, se lo di a alguien y después ese papelito desapareció.”

Entre las primeras embarazadas estuvo con Pichona, María del Carmen Moyano de Poblete, y con Cori, que era Hilda Pérez de Donda. Como Ana Rubel de Castro, habían llegado antes que ella y dieron a luz antes de que empiece a funcionar la “pieza de las embarazadas”: cuatro camas que se ocuparon de forma rotativa y los marinos empezaron a llamar “La pequeña Sardá”, la maternidad clandestina de la ESMA. “Sara se ocupó de describir cómo el lugar funcionó con una coordinación interfuerzas –puntualiza Agustín Chit abogado, de Abuelas de Plaza de Mayo–, muestra cómo llegaban embarazadas de Buzos Tácticos de Mar del Plata, La Perla, el Banco o Coordinación Federal.”

–¿Supo si esas tres primeras mujeres tuvieron a sus hijos? –le preguntó el fiscal.

–Sí –dijo Sara–. Pichona pidió por favor que la acompañara en el momento del parto, para no estar al lado de los asesinos. Me bajaron y la bajaron a la enfermería. Estaba el doctor Mag-nacco y estuve al lado de ella y el ruido de las cadenas eran terribles en el momento que se sentían al mismo tiempo los gritos del bebé que nacía.

Pichona tuvo una hija mujer, en junio de 1977. Los partos todavía se hacían en la enfermería. Ella venía de la Perla, estaba en la ESMA desde abril. Su hija permanece desaparecida.

A mediados de 1977 empezó a funcionar la pieza: “El parto se realizaba en la misma habitación (de las embarazadas), sobre una mesa que ellas tenían, había una mesa grande y (Carlos) Capdevilla venía con material que decía que estaba esterilizado, eran las sábanas de color verde que se ponían y el resto de las embarazadas, porque la pieza era para cuatro, las sacaban de la habitación y volvían cuando se retiraba todo el material, estaba lavada la criatura y quedaba la criatura con la madre también en la habitación”.

Sara mencionó visitas de Antonio Vañek, Jacinto Chamorro y Jorge Vildoza. Y el rol de Jorge “Tigre” Acosta, Héctor Febres y “Pedro Bolita”, cuyo nombre es Carlos Galián.

“Siempre era Pedro Bolita o Febres el que venía a buscar a los niños; el doctor Magnacco, que pasaba todos los días; Capdevilla también pasaba si no estaba Magnacco, y Pedro Bolita normalmente era el que partía con el bebé o Febres.” Acosta conocía todo, dijo. “Era el que decidía cuándo venían las embarazadas, quién iba a venir, no recuerdo que haya entrado, pero que sabía, sabía quiénes estaban y en qué momento iban a dar a luz: tenía toda la información de hasta el más mínimo movimiento.”

La pieza de las embarazadas se cerró en marzo de 1978 porque llegaba de visita un periodista inglés. Para entonces, acababan de dar a luz Cristina Greco y Patricia Marcuzzo: “Cerraron las piezas, hicieron como un depósito y por eso Pati, lloraba, decía: `¿Por qué no me dejan con mi criatura?’. Porque prácticamente ese día o al día siguiente que la trasladaron, se quedó la criatura y se la llevaron a ella, por lo que me contaron dejaron el moisés en la casa de la madre”. Ella continúa desaparecida.

–¿Sabía el destino de los bebés? –le preguntó el fiscal Martín Niklison. –No, no sabía exactamente. Una persona que tenía relación con médicos del Hospital Naval decía que había un papel que decía para las mujeres de los militares, que si no tenían hijos, podían adoptar estos hijos de los guerrilleros. Esa fue una de las cosas que supimos. Y Febres dijo que tenía un primo que era una persona muy generosa, que se ocupaba de buscar casas para esos chicos, lo cual significaba que los chicos no eran entregados a sus padres, que esas cartas que ellas escribían no eran reales: no se las entregaban a nadie.

Al final, la presidenta del Tribunal Oral Federal No 6, María del Carmen Roqueta, le dijo, como hace habitualmente, si quería agregar algo más. “Creo que dije todo lo que recuerdo, es lo único que puedo decir: es que es una cosa terrible lo que pasó con las embarazadas, la separación de los niños, la adopción con los mismos que los mataron de alguna manera, que es terrible, algo que pasó en la ESMA que uno no lo puede olvidar, que recuerdo las caras de cada una de ellas, los gestos, lo que hacían en la pieza, las esperanzas, las desesperanzas que podían tener de lo que iba a pasar con sus hijos y con ellas mismas… Es lo único que puedo agregar.”

Página/12 :: El país :: Parir en la ESMA

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