Ficha Corrida

11/07/2015

O fanatismo mafiomidiático empurra o Brasil para trás

Veja o que pode acontecer quando uma concessão pública cai nas mãos de pessoas desonestas. Os meios de comunicação são concessões públicas. No entanto, os donos destas concessões têm usado as concessões públicas para patrocinar golpes de estado, ditaduras e toda sorte de sinecuras. Por não existir uma lei de médios, quem detém a concessão pode sublocar para fundamentalistas de todas as religiões. Ve-se que não se trata de liberdade de expressão, mas dinheiro. Se a Igreja paga, tem espaço. Graças a este sistema mafioso, elementos como Silas Malafaia, Marco Feliciano e Eduardo CUnha passam a ditar os rumos da nossa sociedade. Quando um sujeito que usa o dinheiro público para construir aeroportos particulares nas terras da família ou quando somem do noticiário helicópteros pegos com 450 kg de cocaína como se fosse um assunto banal, é porque estamos diante de um sistema viciado, comandado por viciados, cuja condução é aceita por uma sociedade que mais parece uma manada de bovinos tangidos em direção às charqueadas.

Quando Ali Kamel escreveu “Não somos racistas”, foram poucas as vozes isoladas, geralmente associadas aos movimentos de negros, que se manifestaram. O livro, escrito para combater as cotas raciais, acabou fazendo parte do receituário que hoje leva a menoridade penal. As reações às manifestações medievalistas dos meios de comunicação foram tímidas. Agora que o estrago está por se consumar, a sociedade murmura. Pior, até pessoas pretensamente inteligentes pensam que, em pleno século XXI, as leis devem voltar a serem o que foram 100 anos atrás. A falta de embate político, e este foi o principal erro do PT, está legando uma sociedade fascista.

Graças ao conluio destas religiões pentecostais, que só servem para encher os bolsos dos pastores, com os grupos mafiomidiáticos estamos retornoando, em ritmo acelerado ao início do século passado. Ao contrário dos tempos do JK, estamos regredindo 100 anos em cinco.

Joaquim Nabuco e os linchamentos no Brasil, por Márcio Sotelo Felippe

sab, 11/07/2015 – 16:55

Do Justificando

Estranha fruta, estranha lâmpada

Márcio Sotelo Felippe – Procurador do Estado

aquim Nabuco começou sua trajetória, ainda quintanista de Direito, defendendo um escravo acusado de matar o policial que o mandara açoitar, e depois um guarda para escapar da prisão. Um negro que matou dois funcionários brancos. Nabuco saiu vitorioso porque evitou a pena de morte.

A corajosa defesa de Nabuco foi construída a partir do seguinte raciocínio: o negro defendera-se de dois crimes anteriores, crimes da ordem jurídica e social do Império: um, a própria escravidão; outro, a pena de morte iminente.

Nesta última semana, em São Luís, um jovem negro, favelado, morreu linchado amarrado a um poste por ter, segundo a notícia, assaltado um bar.

O jornal Extra publicou a notícia com duas ilustrações, incrivelmente idênticas. Uma mostrava um escravo acorrentado a um tronco, submetido a açoites. Outra, o negro de São Luís, morto, cabeça pendendo amarrado a um poste de luz. É como se a foto fosse uma reprodução deliberada da primeira, uma cópia feita por um cineasta ou um fotógrafo. Nas duas cenas, pessoas olham inertes, passivas, curiosas. Profético Nabuco.

Se o jovem negro saísse vivo, sua defesa deveria ser feita com a coragem de Nabuco: ele cometeu um crime que tem a ver com  crimes anteriores, os crimes da ordem social e jurídica que degradaram toda sua existência. Porque óbvio que jovens brancos de classe média não roubam botecos. Cometem outros delitos, e quando o fazem não são amarrados a um poste e linchados.

Anos mais tarde, Nabuco, já herói do abolicionismo, era célebre a ponto de ter sua figura estampada em rótulo de cigarro (Cigarros Nabuco). Um dos intelectuais mais extraordinários da história do Brasil, escreveu a frase que explica o linchamento do jovem negro favelado de São Luís e que explica muito do Brasil dos séculos seguintes. Em citação livre: a escravidão havia de tal forma pervertido e contaminado a sociedade brasileira que a moldaria ainda por muito tempo. E que não bastaria libertar escravos, mas reeducar a sociedade.

Nabuco não foi ouvido e não falta muito para termos no mercado Cigarros Bolsonaro.

A abolição foi um ato apenas jurídico e formal. O Brasil então seguiu impávido colosso ignorando o povo negro, como se nada devêssemos a eles, como se não tivéssemos um débito social derivado de um tenebroso passado de séculos de miséria e degradação escravizando seres humanos. O Brasil segue impávido colosso ignorando as gerações seguintes do povo negro, e assim o jovem negro de São Luís era livre segundo a lei. A lei que em sua majestática grandeza dá a todos o direito de jantar no Ritz e dormir embaixo da ponte, como disse Anatole France.

Anatole France disse literariamente o que críticos do Capitalismo desde sempre apontaram: a condição de sujeito de direito do trabalhador que produz a riqueza da sociedade por força de um contrato “livremente” assinado não o liberta. O constrangimento econômico difuso o faz escravo de outra forma. Então, ele é perfeitamente livre para dormir embaixo da ponte ou ir a Paris jantar no Ritz.

A opressão do povo negro é múltipla. Há o débito social histórico, essa miséria transmitida de geração a geração sem que a sociedade brasileira lembre-se de resgatá-lo. Há o preconceito. Há a exploração da estrutura capitalista, que aí é, portanto, uma sobre opressão.

Em artigo publicado nesta coluna Contracorrentes, Marcelo Semer, apoiado em levantamento da Secretaria Nacional da Juventude (trabalho coordenado por Jaqueline Sinhoreto), traz, nessa ordem de considerações,  um dado irrespondível: “mais de 60% dos presos são negros (prende-se 1,5 vez o número de brancos) e uma parcela próxima a essa é composta por jovens. Quanto mais se prende, mais jovens e mais negros lotam as cadeias”.

“Puta africana”, “macaca”, “vagabunda” foram algumas das frases dirigidas a Maju, a apresentadora negra do Jornal Nacional, no Facebook. A página do Extra que estampava as duas ilustrações teve, entre 1817 comentadores, 71% favoráveis ao linchamento.       

Billie Holiday cantava uma canção chamada Strange Fruit. Falava dos negros enforcados em árvores nos sul dos EUA: “árvores do sul produzem uma fruta estranha/sangue nas folhas e sangue na raiz/corpos negros balançando/fruta estranha pendurada nos álamos/pastoril cena do valente sul/os olhos inchados e a boca torcida/perfume de magnólias, doce e fresca/Depois o repentino cheiro de carne queimada/Aqui está a fruta para os corvos arrancarem/Para a chuva recolher, para o vento sugar/Para o sol apodrecer, para as árvores deixarem cair/Aqui está a estranha e amarga colheita”.[i]

Aqui não são árvores, são postes de luz. Há neles uma estranha lâmpada.

Marcio Sotelo Felippe é pós-graduado em Filosofia e Teoria Geral do Direito pela Universidade de São Paulo. Procurador do Estado, exerceu o cargo de Procurador-Geral do Estado de 1995 a 2000. Membro da Comissão da Verdade da OAB Federal.
Junto a Rubens Casara, Marcelo Semer, Patrick Mariano e Giane Ambrósio Álvares participa da coluna Contra Correntes, que escreve todo sábado para o Justificando. Foto: Biné Morais

Joaquim Nabuco e os linchamentos no Brasil, por Márcio Sotelo Felippe | GGN

Maioridade penal foi fixada após estupro de menor na prisão, em 1927

sab, 11/07/2015 – 16:24

Capas dos jornais da época davam destaque à história do pequeno Bernardino

Do Vermelho.org

Em 1927, menor estuprado na prisão levou Brasil a fixar idade penal

A maioridade penal foi fixada em 18 anos no Brasil em 1927, quando um crime brutal chocou o país e levou as pessoas a questionarem a violência contra as crianças. Desde então, esta é a primeira vez que existe uma proposta de redução.

A história ficou conhecida como “O menino Bernardino”. A criança, de apenas 12 anos, era engraxate, ao terminar um serviço o cliente saiu sem pagar. A reação de Bernardino foi jogar tinta no senhor que prontamente acionou a polícia. Quando os policiais chegaram o pequeno não soube explicar o que aconteceu e foi preso numa cela com 20 adultos. 
Mesmo inocente, Bernardino permaneceu na prisão e foi estuprado e espancado pelos detentos adultos. De lá, jogado na rua. Ao ser resgatado e levado ao hospital, os médicos ficaram horrorizados com a história e a imprensa da época deu um grande destaque ao caso, que chocou a população. Apesar de haver uma violência generalizada contra as crianças pobres, além de uma exploração exacerbada do trabalho infantil, a população questionou os cuidados com a infância e exigiu medidas de proteção. 
Pressionado pela opinião pública, um ano mais tarde o presidente Washington Luiz assinou o Código de Menores, um sistema de proteção à criança que fixava em 18 anos a idade para os adolescentes serem punidos como adultos. Este Código também protegia os menores de 14 anos abandonados, que não receberiam nenhum tipo de punição e a partir desta idade poderiam ser submetidos a medidas socioeducativas. 
Para a professora de História da Educação da Uerj, Sônia Câmara, o Código dividiu as crianças “em dois grandes setores, o setor das crianças de elite, brancas e ricas e a grande maioria das crianças brasileiras: pobres, negras, abandonadas e delinquentes, que recebem o nome pejorativo de ‘menor’”. Mas ainda assim, ela vê com bons olhos esta que foi a primeira tentativa efetiva de regular e proteger a infância. 
Mas havia uma “divisão social” que independia da idade porque eram considerados “menores”, as crianças abandonadas e que estavam sob a tutela do Código, ou seja, os “vadios”, ou “delinquentes”. Normalmente as crianças com estrutura familiar não se encaixavam nos pré-requisitos do Código. 
A partir disso surge o SAM “Serviço de Assistência ao Menor”, que seria uma primeira tentativa do que conhecemos hoje como Fundação Casa. Porém, o aparelho funcionava, de acordo com a professora de História da USP, Maria Luiza Marcilio, como uma ferramenta de tortura e violência contra as crianças, e não como um mecanismo educativo. 
Depois do fracasso da ditadura militar com a Funabem (que daria origem à Febem), em 1990 surge o Estatuto da Criança e do Adolescente, considerado até hoje avançado. O ECA prevê a proteção à criança e ao adolescente baseado em leis internacionais e estabelece punições socioeducativas aos menores de 18 anos responsabilizados por crimes. 
Um crime que chocou a sociedade brasileira em 1927, ou seja, quase 90 anos atrás, pode se tornar realidade novamente, caso as crianças e adolescentes sejam expostas à punição com adultos. É isso que propõe a PEC da redução, aprovada pela Câmara dos Deputados. 
A história de Bernardino faz parte de uma série de arquivos resgatados pelo Senado Federal no Arquivo S.

Do Portal Vermelho, Mariana Serafini

Maioridade penal foi fixada após estupro de menor na prisão, em 1927 | GGN

19/05/2015

Machado de Assis

Ao mesmo tempo em que se comemora a revelação de uma foto histórica em que aparece Machado de Assis, é também constrangedor pensar no que pensaria o fundador e patrono da Academia Brasileira de Letras se soubesse que dela faz parte hoje não só sinhozinhos da Casa Grande como José Sarney e FHC, mas também notórios militantes da negação do racismo, como Merval Pereira. Roberto Marinho, que empregava o negacionista Ali Kamel, autor do famigerado “Não somos racistas”, conseguiu uma cadeira na academia graças ao do famoso editorial que saudou a chegada da ditadura. A captura de FHC via Miriam Dutra não é diferente da captura da Academia Brasileira de Letras via editoriais. Furtos, digo frutos, de uma mesma árvore.

A Academia, que um dia foi de Letras, hoje é de petas!

Missa Campal de 17 de maio de 1888

17 de maio de 201518 de maio de 2015Andrea Wanderley

Antonio Luiz Fereira. Missa campal celebrada em ação de graças pela Abolição da Escravatura no Brasil, 1888. São Cristóvão, Rio de Janeiro.

Antonio Luiz Ferreira. Missa campal celebrada em ação de graças pela Abolição da Escravatura no Brasil, 1888. São Cristóvão, Rio de Janeiro.

A Brasiliana Fotográfica identificou a presença de Machado de Assis na fotografia da Missa Campal de Ação de Graças pela Abolição da Escravatura realizada no dia 17 de maio de 1888, no Campo de São Cristóvão, no Rio de Janeiro. O autor da foto foi Antonio Luiz Ferreira.

A identificação de Machado de Assis foi confirmada por Eduardo Assis Duarte, doutor em Teoria da Literatura e Literatura Comparada (USP) e professor da Faculdade de Letras da UFMG , que considerou a fotografia um documento histórico da maior importância. Segundo ele, Machado de Assis teve uma “atitude mais ou menos esquiva na hora da foto, em que praticamente só o rosto aparece, dando a impressão de que procurou se esconder, mas sem conseguir realizar sua intenção totalmente. Atitude esta plenamente coerente com o jeito encolhido e de caramujo que sempre adotou em público, uma vez que dependia do emprego público para viver e eram muitas as perseguições políticas aos que defendiam abertamente o fim da escravidão.”

Eduardo Assis Duarte, que organizou “Machado de Assis afrodescendente” (2007) e a coleção “Literatura e afrodescendência no Brasil: antologia crítica” (2011, 4 vol.), e é coordenador do Literafro – Portal da Literatura Afro-brasileira, justificou a proximidade de Machado da princesa Isabel. Segundo ele, “Machado foi abolicionista em toda a sua vida e, a seu modo, criticou a escravidão desde seus primeiros escritos. Nunca defendeu o regime servil nem os escravocratas. Além disso, era amigo próximo de José do Patrocínio, o grande líder da campanha abolicionista e, junto com ele, foi à missa campal do dia 17, de lá saindo para com ele almoçar… Como Patrocínio sempre esteve próximo da princesa em todos esses momentos decisivos, é plenamente factível que levasse consigo o amigo para o palanque onde estava a regente imperial. A propósito, podemos ler no volume 3 da biografia escrita por Raimundo Magalhães Júnior :

‘Na manhã de 17 de maio, foi promovida uma grande missa campal, comemorativa da Abolição, em homenagem à Princesa Isabel, que compareceu, e houve em seguida um almoço festivo no Internato do Colégio Pedro II. Terminada a missa, José do Patrocínio foi para sua casa, à rua do Riachuelo, com dois amigos que convidara para almoçar em sua companhia: um deles era Ferreira Viana, ministro da Justiça do Gabinete de João Alfredo. E o outro era Machado de Assis, a quem, aliás, o grande tribuno abolicionista oferecera a carta autógrafa que recebera, em 1884, em Paris, de Victor Hugo.’ (MAGALHÃES JÚNIOR, Vida e obra de Machado de Assis. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira / INL-MEC, 1981, vol. 3, Maturidade, p. 125).”

O biógrafo, continua Eduardo Assis Duarte, “não diz onde estava Machado durante a missa, mas pode-se concluir perfeitamente que ele compareceu e que estava junto a José do Patrocínio. Daí minha conclusão: se a imagem que aparece na foto não for de Machado, é de alguém muito parecido.”

Segundo Ubiratan Machado, jornalista, escritor, bibliófilo e autor do “Dicionário de Machado de Assis”, lançado pela Academia Brasileira de Letras, a identificação de Machado de Assis na foto foi uma dupla descoberta: “Não há dúvida que se trata do Machado, atrás de um senhor de barbas brancas e mil condecorações no peito. O fato do seu rosto estar um pouco escondido não atrapalha em nada a identificação. É o velho mestre, perto de completar 50 anos. Igualzinho aos dos retratos que conhecemos desta fase de sua vida.  A segunda revelação é a de Machado ter ido à missa de ação de graças, fato até hoje desconhecido pelos biógrafos. A foto tem ainda outra importância: mostrar que ele se preocupava com a libertação dos escravos, acabando de vez com a idiotice de alguns que afirmam ser ele indiferente ao destino da raça negra no Brasil. É a prova visual da alegria embriagadora que ele sentiu com a abolição, como narra em seu conhecido depoimento (Gazeta de Notícias, edição de 14 de maio de 1893).

Machado de Assis participou também, no dia 20 de maio de 1888, do préstito organizado pela Comissão de Imprensa para celebrar a Abolição. Na ocasião, ele desfilou no carro do fundador da Gazeta de Notícias, o Sr. Ferreira de Araújo (Gazeta de Notícias, edição de 21 e 22 de maio de 1888) . Antes dessas festividades, Machado havia sido agraciado com a Imperial Ordem da Rosa, que premiava civis e militares que houvessem se destacado por serviços prestados ao Estado ou por fidelidade ao imperador.

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Detalhe da foto

A Brasiliana Fotográfica convida os leitores a participar do desafio de identificar outras personalidades presentes na foto da solenidade. Abaixo, destacamos na foto e em sua silhueta o grupo em torno da princesa Isabel (1) e do conde D’Eu (2). Machado de Assis é o número 5. Possivelmente o número 7 é José do Patrocínio, atrás de um estandarte e segurando a mão de seu filho, então com três anos. Quem serão os outros?

MISSA 2

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Numeramos alguns dos presentes, mas a identificação de qualquer pessoa que esteja na fotografia é bem-vinda.

Um pouco da história da foto

A Missa Campal em São Cristóvão, no Rio de Janeiro, em 17 de maio de 1888, foi uma celebração de Ação de Graças pela libertação dos escravos no Brasil, decretada quatro dias antes, com a assinatura da Lei Áurea. A festividade contou com a presença da princesa Isabel, regente imperial do Brasil, e de seu marido, o conde D´Eu, príncipe consorte, que, na foto, está ao lado da princesa, além de autoridades e políticos. De acordo com os jornais da época, foi um “espetáculo imponente, majestoso e deslumbrante”, ocorrido em um “dia pardacento” que contrastava com a alegria da cidade.

Cerca de 30 mil pessoas estavam no Campo de São Cristóvão. Dentre elas, o fotógrafo Antonio Luiz Ferreira que há muito vinha documentando os eventos da campanha abolicionista brasileira desde suas votações e debates até as manifestações de rua e a aprovação da Lei Áurea. Não se conhece um evento de relevância nacional que tenha sido tão bem fotografado anteriormente no Brasil. No registro da missa campal é interessante observar a participação efetiva da multidão na foto, atraída pela presença da câmara fotográfica, o que proporciona um autêntico e abrangente retrato de grupo. Outra curiosidade é a cena de uma mãe passeando com seu filho atrás do palanque, talvez alheia à multidão, fazendo um contraponto de quietude à agitação da festa.

Antonio Luiz Ferreira presenteou a princesa Isabel com 13 fotos de acontecimentos em torno da Abolição.  Essas fotos fazem parte da Coleção Princesa Isabel que se encontra em Portugal, conservada por seus descendentes. Além desses registros, Ferreira tirou duas fotos das duas missas realizadas no Campo de São Cristóvão no mesmo dia. Uma delas, a principal,  intitulada “Missa campal celebrada em ação de graças pela Abolição da escravatura no Brasil”, é a que está aqui destacada e faz parte da Coleção Dom João de Orleans e Bragança. A outra missa foi celebrada pela Sociedade dos Homens de Cor da Irmandade de São Benedito. Outros três registros foram feitos por Ferreira no dia 22 de agosto de 1888 e documentaram o retorno do imperador Pedro II ao Brasil. Também foram ofertados à princesa Isabel.

Ao todo, Antonio Luiz Ferreira fotografou 18 cenas ligadas às celebrações de 1888 e com isso, apesar de ter tido uma carreira discreta, tornou-se um importante fotógrafo do século XIX. As imagens captadas por ele nessas datas tão marcantes da história do Brasil caracterizam-se pela expressividade dos rostos retratados, decorrência da relevância do fato e da fascinação causada pela câmara fotográfica.

Explore os detalhes da foto da Missa Campal

Contribuíram para esta pesquisa Elvia Bezerra (IMS) e Luciana Muniz (BN)

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  • Aquele de bigode e óculos, segunda pessoa à direita de Machado de Assis (logo abaixo da lança em primeiro plano, atrás de um homem calvo quase de costas) é muito parecido com o Valentim Magalhães!

  • À direita da Princesa Isabel , de roupa clara e chapéu escuro, está a sua amiga a Baronesa de Loreto.

Missa Campal de 17 de maio de 1888 | Brasiliana Fotográfica

28/09/2014

Depois de lucrar com Escravidão, Suíça lava mais Banco

O complexo de Vira-latas de uma boa parcela de brasileiros é explicável pela ignorância. São os mesmos que odeiam tudo o que é brasileiro mas amam tudo o que vem de fora.

Os tais países do primeiro mundo sobreviveram graças às riquezas encontradas no tal de “novo mundo”. Se antes eram as matérias primas, hoje se dá pela transferência dos lucros que as empresas obtém por aqui. O lucro que o Santander obtem no Brasil aplica na Espanha, as empresas suíças no Brasil mandam seu lucros para a matriz. Aliás, a Suíça, além de ter financiado e lucrado com a escravidão, também foi o local escolhido pelos alemães para esconderem o botim de guerra. Todas as obras roubadas, incluindo ouro, foram depositados na “neutra” Suíça.

Após a Segunda Guerra, a Suíça diversificou a forma de piratear o terceiro mundo. Todo ditador que se prezava tinha conta na Suíça. Paulo Maluf tinha conta na Suíça. Robson Marinho tinha conta na Suíça. Alstom e Siemens, parceiras do tucanato paulista, têm conta na Suíça. Por quê?

Por que a Suíça lava mais banco!

ESCRAVIDÃO AJUDOU A ENRIQUECER A SUÍÇA

Bancos do país financiaram, segundo pesquisas, o tráfico de pelo menos 175 mil escravos africanos

Jamil Chade

27 Setembro 2014 | 17h 02

Robert Harding / AFP

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Durante 300 anos, entre 9 e 14 milhões de africanos foram feitos escravos e cruzaram o Atlântico para servir a uma economia com base na exploração das Américas. Nas centenas de milhares de expedições que faziam a rota do tráfico negreiro, aqueles africanos não eram “nem livres para morrer”, como diria Castro Alves. Mas se por décadas essa atividade sustentou um sistema de produção, quem é que financiava o comércio de seres humanos? Quem é que lucrou e enriqueceu?

Documentos e pesquisas feitas nos últimos anos começam a mexer com um verdadeiro tabu. Longe dos portos de Lisboa, Luanda ou Salvador, eram banqueiros e empresários suíços que, de uma forma expressiva, financiavam o tráfico de escravos e se enriqueciam com ele. Hoje, parte dos prédios imponentes e palácios de cidades na Suíça compõem um cenário idílico. Mas a realidade é que foram erguidos com o lucro dessa atividade, na época legal.

Mesmo sem acesso ao mar, sem colônias e com uma democracia exemplar, a Suíça fez parte da economia da escravidão durante séculos e, segundo especialistas, seus empresários e banqueiros acumularam fortunas com isso.

O tráfico acontecia em um sistema de comércio triangular entre Europa, África e Américas. Dos portos europeus, saíam barcos carregados com produtos têxteis que, nas costas da África, eram trocados por seres humanos. Uma vez embarcados nos navios, os escravos eram levados para as Américas e revendidos. Até que esses barcos voltassem para a Europa com o dinheiro, a expedição podia durar dois anos.

Para financiar essa viagem, e pagar pelo seguro da “mercadoria”, é que os suíços entraram como parceiros. Bancos e famílias como Burckhardt, Weiss, Favre ou Rivier financiaram dezenas de expedições, numa atividade bastante arriscada. As ameaças eram de revoltas nos navios, de tempestades que poderiam provocar a “perda total” da embarcação e mesmo surtos de doenças na travessia, matando metade dos escravos.

Entre 1783 e 1790, os irmãos Weiss financiaram dez expedições em barcos que receberam nomes como La Ville de Bâle (A cidade da Basileia).

As estimativas apontam que, entre 1773 e 1830, mais de cem expedições foram financiados pelos suíços, o que significou o transporte de milhares de africanos. Alguns historiadores, como Thomas David, Bouda Etemad e Janick Marina Schaufelbuehl, estimam que os suíços financiaram o tráfico de 175 mil escravos. Os barcos patrocinados pelos suíços saíam em sua grande maioria dos portos no sul da França, como Nantes.

Nos últimos anos, a organização não governamental Cooperaxion, com sede em Berna, começou a fazer um banco de dados com base em documentos para apontar o envolvimento de suíços e de instituições suíças no comércio de escravos. “O que descobrimos é que o envolvimento foi registrado em diversas cidades, de Neuchâtel a St. Gallen, da Basileia a Genebra”, declarou Izabel Barros, historiadora brasileira que comanda parte da pesquisa na Suíça.

Segundo ela, os suíços estavam envolvidos em cinco atividades principais. “No financiamento das viagens intercontinentais, no comércio e produção de produtos manufaturados, eram também proprietários de terras nas colônias das Américas e do Caribe, havia igualmente militares que prestavam serviços à potências coloniais e de uma forma positiva alguns se engajavam como abolicionistas”, explicou a historiadora.

Na cidade da Basileia, os documentos revelam que o empresário Christophe Bourcard bancou mais de 20 expedições, com um total de 7 mil escravos entre 1766 e 1815. Em Zurique, Jean Conrad Hottinger comandou expedições para deportar quase mil escravos.

Bancos. As pesquisas da instituição revelam ainda o amplo uso do sistema financeiro de Genebra para bancar o esquema comercial. O banqueiro Isaac Thellusson, por exemplo, investiu em pelo menos três expedições negreiras, o mesmo feito pelo banco Banquet & Mallet.

Christophe Jean Baur, sócio do banco Tourton & Baur, aplicou parte da sua fortuna em 1748 na Sociedade para o Comércio de Escravos de Angola. A rota principal era o fornecimento de “produtos” para a Ilha de Santo Domingo, hoje o Haiti e a República Dominicana. Já o conhecido banqueiro de Genebra, Antoine Bertrand, comprou ações na Companhia da Luisiana, responsável por entregar escravos às colônias francesas na América do Norte.

Segundo o historiador e hoje deputado Hans Fässler, investidores de Genebra se aliaram ao banco de Zurique Leu & Co para financiar a Dinamarca na compra de ilhas que serviriam de entreposto para o tráfico de escravos em 1760. O Leu, nos anos 90, acabaria sendo comprado pelo Credit Suisse.

Até hoje, uma rua no centro antigo de Genebra se chama Chemin Suriname, em referência aos investimentos que banqueiros locais possuíam na América do Sul. “Os bancos suíços construíram parte de seu patrimônio à custa do comércio de seres humanos”, declarou ao Estado o sociólogo Jean Ziegler, autor de um livro que causou um terremoto no país nos anos 90: A Suíça lava mais branco.

Mas a participação dos empresários suíços não se limitava ao financiamento. Em 1685, Luís XIV expulsou os protestantes da França e, ao mesmo tempo, proibiu a importação de tecidos de algodão da Índia. O resultado foi a transferência de parte da indústria têxtil e de seus especialistas para regiões da Suíça, como as cidades de Neuchâtel ou Bienne.

Nesses locais, os tecidos eram recebidos da Índia e tingidos. A produção era então embarcada para a África, onde seria usada como moeda de troca. Famílias como Petitpierre e Favre, de Neuchâtel, Simon & Roques da Basileia foram algumas que dominaram o comércio.

Lucros. De volta às cidades suíças, o resultado desses investimentos até hoje faz parte do cenário de locais acima de qualquer suspeita e que transpiram uma aura de ética. É em Neuchâtel que as construções estão mais associadas aos investimentos relacionados à escravidão. Pela cidade, diversos palácios construídos por aqueles que se enriqueceram com o comércio hoje servem como prédios públicos.

Tanto a biblioteca da cidade como o liceu foram construídos graças ao dinheiro deixado por David de Pury, um dos financiadores do tráfico de escravos. A câmara municipal também foi erguida com a fortuna que ele deixou para a cidade.

Um dos principais museus da cidade ocupa um palacete deixado por James Ferdinand de Pury, investidor na produção de tabaco no Brasil em sociedade com Auguste-Frédéric de Meuron, oriundo de uma família de exportadores de produtos têxteis para a África e financiador do tráfico de escravos. Em Neuchâtel, a sede de seus negócios ficava no número 21, Rue des Moulins. Hoje, seu escritório deu lugar a uma loja de vestidos de noiva.

O prédio da reitoria da Universidade de Neuchâtel era um palacete construído por Jacques-Louis Pourtalès, empresário que fez sua fortuna graças à troca de tecidos por escravos na África, além de manter propriedades em Granada, no Caribe. Seu filho entraria para a história da escravidão na ilha ao ser o primeiro a vacinar os seus 300 escravos contra a varíola. Afinal, no século XVIII, o preço de cada “cabeça” havia quadruplicado e manter vivos os escravos por mais tempo significava uma redução nos custos de produção.

A estimativa dos historiadores é de que Jacques-Louis de Pourtalès tenha se transformado no suíço mais rico de seu tempo e numa das maiores fortunas da Europa, avaliada na época em 18 milhões de libras suíças. Naqueles anos, um professor ganhava no máximo 30 libras por ano. É dele também um dos hospitais até hoje em funcionamento na cidade.

A quatro quadras da reitoria da universidade, outro palácio chama a atenção. Trata-se de uma obra de Alexandre DuPeyrou (1729-1794), um investidor na exploração do Suriname. Entre seus frequentes convidados, um certo Jean-Jacques Rousseau era presença constante no palácio.

19/03/2014

Passeata pede volta da escravidão no Brasil

Filed under: Escravatura,Humor — Gilmar Crestani @ 7:24 am
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Há verossimilhança, mas, seguindo orientações do Millôr Fernandes, alerto que este é um texto de humor… Infelizmente, como diria Millôr, no Brasil surreal das marchas pela ditadura há sempre que se avisar quando o há ironia… Os que dizem marchar pela família e pela liberdade são os mesmos que dizimaram famílias, não sem antes te-las preso e torturadas.

Passeata pede volta da escravidão no Brasil

18/03/2014 12:44 | Categoria: Brasil

Passeata pede volta da escravidão no Brasil

"Não há provas de que os negros foram maltratados durante a escravidão", defendeu Bolsonaro

CASA GRANDE – Após exigir intervenção militar contra a invasão comunista programada para 2014, cidadãos esclarecidos do Morumbi organizaram uma passeata ordeira e pacífica pela volta da escravidão. "Ninguém aguenta mais essa classe C emergente. Hoje em dia contratar uma babá custa uma fortuna e as empregadas domésticas estão cheias de direitos. Agora querem carro. Assim vamos virar uma Venezuela!", explicou a empresária Yara Caetano. "O povo de Moema anda dizendo que mora na Vila Nova Conceição, onde já se viu!", completou a empreendedora.

Sob a batuta de Maycon Freitas, líder dos movimentos de junho, que admite estar 85% politizado, o grupo trotará pela Avenida Paulista de fraque, cartola, monóculos e polaina. "Peparamos gritos de ordem contra aquela protopetralha chamada Princesa Isabel", bradou Freitas, enquanto acendia uma fogueira para queimar a bruxa Marilena Chauí.

O grupo defende a volta da escravidão até que as relações entre patrões e empregados seja restabelecida. "É uma oportunidade para setores esclarecidos da sociedade brasileira se manifestar", cravou o agropecuarista Marcos Barbosa. "Ninguém aguenta mais esse clima de insegurança jurídica", arrematou.

No final da tarde, houve uma dissidência no movimento. Uma ala de coxinhas de vanguarda se descolou do grupo para exigir que o Brasil volte a ser colônia de Portugal. "Quando a família real portuguesa estava por aqui, ninguém falava em comunismo", discursou Andrea Matarazzo, brandindo no ar um exemplar do livro No País dos Petralhas.

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04/09/2013

Capitão de mato de alma branca

 

Sem tempo para sonhar: EUA têm mais negros na prisão hoje do que escravos no século XIX

No dia histórico do discurso “eu tenho um sonho”, de Martin Luther King, panorama social é dramático aos afrodescendentes norte-americanos

O presidente norte-americano, Barack Obama, participa nesta quarta-feira (28/08) em Washington de evento comemorativo pelo aniversário de 50 anos do emblemático discurso “Eu tenho um Sonho”, de Martin Luther King Jr. – considerado um marco da igualdade de direitos civis aos afro-americanos. Enquanto isso, entre becos e vielas dos EUA, os negros não vão ter muitos motivos para celebrar ou "sonhar com a esperança", como bradou Luther King em 1963.
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De acordo com sociólogos e especialistas em estudos das camadas populares na América do Norte, os índices sociais – que incluem emprego, saúde e educação – entre os afrodescendentes norte-americanos são os piores em 25 anos. Por exemplo, um homem negro que não concluiu os estudos tem mais chances de ir para prisão do que conseguir uma vaga no mercado de trabalho. Uma criança negra tem hoje menos chances de ser criada pelos seus pais que um filho de escravos no século XIX. E o dado mais assombroso: há mais negros na prisão atualmente do que escravos nos EUA em 1850, de acordo com estudo da socióloga da Universidade de Ohio, Michelle Alexander.
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Há mais negros do que nunca nas penitenciárias dos EUA
“Negar a cidadania aos negros norte-americanos foi a marca da construção dos EUA. Centenas de anos mais tarde, ainda não temos uma democracia igualitária. Os argumentos e racionalizações que foram pregadas em apoio da exclusão racial e da discriminação em suas várias formas mudaram e evoluíram, mas o resultado se manteve praticamente o mesmo da época da escravidão”, argumenta Alexander em seu livro The New Jim Crow.
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No dia em que médicos brasileiros chamaram médicos cubanos de “escravos”, a situação real, comprovada por estudos de institutos como o centro de pesquisas sociais da Universidade de Oxford e o African American Reference Sources, mostra que os EUA têm mais características que lembram uma senzala aos afrodescendentes que qualquer outro país do mundo.
Veja (em inglês) o estudo que fala sobre afrodescendentes nos EUA
Em entrevista a Opera Mundi, a professora da Universidade de Washington e autora do livro “Invisible Men: Mass Incarceration and the Myth of Black Progress”, Becky Pettit,argumenta que os progressos sociais alcançados pelos negros nas últimas décadas são muito pequenos quando comparados à sociedade norte-americana como um todo. É a “estagnação social” que acaba trazendo as comparações com a época da escravidão.
“Quando Obama assumiu a Presidência, alguns jornalistas falaram em “sociedade pós-racial” com a ascensão do primeiro presidente negro. Veja bem, eles falaram na ocasião do sucesso profissional do presidente como exemplo que existem hoje mais afrodescendentes nas universidades e em melhores condições sociais. No entanto, esqueceram de dizer que a maioria esmagadora da população carcerária dos EUA é negra. Quando se realizam pesquisas sobre o aumento do número de jovens negros em melhores condições de vida se esquece que mais que dobrou o número de presos e mortos diariamente. Esses não entram na conta dos centros de pesquisas governamentais, promovendo o “mito do progresso entre nos negros”, argumenta.

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Segundo Becky Pettit, não há desde o começo da década de 1990 aumento no índice de negros que conseguem concluir o ensino médio. Além disso, o padrão de vida também despencou. Além do aumento da pobreza, serviços básicos como alimentação, saúde, gasolina (utilidade considerada fundamental para os norte-americanos) e transportes público estão em preços inacessíveis para muitos negros de baixa renda. Mais de 70% dos moradores de rua são afrodescendentes.
Agência Efe

Negros na administração Obama têm indíces sociais mais baixos que na época de George W. Bush
Michelle Alexander, por sua vez, critica o sistema judiciário do país e a truculência que envia em massa às prisões os negros. “Em 2013, vimos o fechamento de centenas de escolas de ensino fundamental em bairros majoritariamente negros. Onde essas crianças vão estudar? É um círculo vicioso que promove a pobreza, distribui leis que criminalizam a pobreza e levam as comunidades de cor para prisão”, critica em entrevista ao jornal LA Progresive.

Opera Mundi – Sem tempo para sonhar: EUA têm mais negros na prisão hoje do que escravos no século XIX

01/04/2013

Casa Grande, quarto de empregada vazio

Filed under: Escravatura — Gilmar Crestani @ 7:50 am
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JOSÉ HENRIQUE MARIANTE

E a casa ficou grande

SÃO PAULO – A professora de direito do trabalho explica que o Congresso foi populista e que a relação entre patrão e empregada doméstica tem que ser diferente das demais. A lógica é que o lucro, a mais-valia marxista, inexiste como objetivo em tal relação. Assim, por natureza, precisa ser regida de outra forma.

Mas, se não há lucro nessa relação, por que investimos nisso? Por que doamos parte do salário, uma fração da casa e, vá lá, aquele cozido que sobrou, muito bom, mas que ninguém vai comer? Provavelmente porque não queremos limpar o banheiro, porque alguém precisa ficar com as crianças, porque fizemos a conta e, dada a diferença entre o que ganhamos por uma hora de trabalho versus o que pagamos para elas pela mesma hora, vale a pena. Não há lucro?

Se há, ele está minguando no bolso da classe média, a original, não a que se forma à força com crédito e consumo neste momento. Essa estreita faixa de gente, mais educada e esclarecida, sempre ansiou por um país mais justo, moderno e melhor. Esse dia chegou, só que de maneira bem diversa da imaginada.

Antes sozinha no elevador e capaz de, com alguma sorte, alcançar o botão do andar de cima, a classe média se viu de repente cercada de gente na cabine. Sem forças para atravessar a multidão e descer no andar desejado. Às vezes com chance de descer apenas no de baixo.

O Brasil atual é especialmente cruel para essa turma. O aclamado pleno emprego é uma ameaça, as linhas de financiamento não se encaixam, o dinheiro no banco vira pó. E, cada vez mais distante do antes visível mundo dos ricos, que agora prefere "mirar" a classe C, vê-se imaginando como será viver nesse universo que causa ojeriza. Que lota aeroportos e hospitais privados antes vazios, que tem crédito para comprar carro e não sabe dirigir, que tem cota na universidade. Que vota.

Acostume-se. Invista no detergente mais caro, que não estraga as mãos.

09/06/2012

Esclavos de España

Filed under: Escravatura,Espanha — Gilmar Crestani @ 8:11 am

Porquanto estava excluída do tráfico negreiro, pelo Tratado de Tordesilhas, Espanha o praticou com os indígenas. Potosi é o exemplo pronto e acabado do viés espanhol na exploração do trabalho escravo.

Por: EL PAÍS | 09 de junio de 2012

Esclavosimages
por CARLOS MARTÍNEZ SHAW

Como es bien sabido, la mayor catástrofe que se abatió sobre el África subsahariana en los tiempos modernos fue la trata de esclavos. Sus protagonistas fueron sobre todo los mercaderes europeos establecidos en las factorías esclavistas de la costa (portugueses primero y después holandeses, franceses e ingleses), que impulsaron la transferencia masiva y forzosa de las poblaciones africanas hacia el continente americano, esencialmente para servir de mano de obra a la economía de plantación practicada en las colonias de todas estas potencias y de la monarquía hispánica, que sólo tuvo acceso a las fuentes de abastecimiento de esclavos más tardíamente, ya a finales del siglo XVIII.

Este hecho ha sido en buena parte responsable de que sobre el comercio y la explotación de los esclavos africanos en la América española hayan corrido determinados tópicos que aún hoy siguen desorientando al curioso que no está especializado en esta temática. Libros como La esclavitud en las Españas y La Corona española y el tráfico de negros, aunque en diversa medida y desde diferentes perspectivas, vienen a aclarar algunos puntos esenciales para comprender el fenómeno y así contribuir a mejorar el deficiente conocimiento que se suele tener acerca de tantos aspectos de nuestro pasado.

EsclavoscatarataimagesCA24XKVGEl primer libro, de José Antonio Piqueras, es el de un gran especialista en la temática, sobre todo, aunque no exclusivamente, en lo relativo al ámbito antillano y al siglo XIX. Así, su primera preocupación es despejar las incógnitas sembradas por las leyendas interesadas promovidas por el nacionalismo español. España no practicó la trata en los primeros siglos de la modernidad no por una opción ética, política o económica, sino sencillamente porque no tenía acceso a los centros proveedores de esclavos en virtud de la prohibición contenida en el tratado de Tordesillas de 1494. Ahora bien, eso no significó que sus colonos instalados en las Indias no exigiesen mano de obra esclava, especialmente tras el desarrollo de la economía de plantación (azúcar, cacao, café) y, por tanto, siguiendo una geografía muy específica que seguía las líneas de la configuración económica de las distintas regiones. Por tanto, sus necesidades de esclavos africanos fueron atendidas por las potencias negreras indicadas, hasta que las enormes dimensiones adquiridas por los ingenios azucareros de Cuba incentivaron a los españoles a convertirse en negreros y asegurarse así su propio suministro, olvidándose de Tordesillas y practicando la trata en gran escala (pese a haber suscrito en 1820 un convenio en sentido contrario con Inglaterra, que se había pronunciado por la prohibición de este tráfico humano años antes) hasta el final de la década de los sesenta. Y, sin embargo, como explica el autor, todavía en 2009 los ponentes del Partido Popular pudieron defender ante las Cortes que “España no formó parte directamente del tráfico” y quedarse tan frescos.

Además, naturalmente, hay que distinguir entre el comercio de esclavos y el mantenimiento de la esclavitud, que aún se prolongó más: la I República la abolió en Puerto Rico en 1873 y el gobierno liberal de Sagasta la suprimió en Cuba en 1886, sólo dos años antes de que lo hiciera Brasil, el último país oficialmente esclavista. Siguiendo a Jordi Maluquer de Motes, ya la primera decisión desmovilizó, por considerar inevitable el fin del sistema, a los grupos favorables a la continuidad de la esclavitud en las Antillas, incluyendo a la llamada “Liga Nacional” constituida poco antes en Barcelona y a cuyo nacimiento habían asistido todas las fuerzas vivas de la ciudad (y alrededores): dos obispos, cinco alcaldes, dos presidentes de la Diputación, diez catedráticos de la Universidad, veinte diputados y senadores, varios directores de grandes diarios y numerosos comerciantes, armadores y banqueros, entre ellos once accionistas del Banco Hispano-Colonial y 24 consejeros de la Caja de Ahorros y Monte de Piedad de Barcelona.

EsclavosReyesMás monográfico es el segundo libro, que tiene, sin embargo, la virtud de señalar con precisión los pasos dados por España para garantizarse su cupo de esclavos negros en sus colonias americanas. Reyes Fernández Durán nos ilustra sobre la concesión de licencias (“asientos” o contratos) para la introducción de esclavos africanos, primero (durante los siglos XVI y XVII) a grupos empresariales portugueses y genoveses, después a la francesa Compagnie de Guinée y finalmente a la inglesa South Sea Company. Cancelado en 1750 el oneroso asiento con los británicos (impuesto por la paz de Utrecht de 1713), la segunda mitad de siglo abundó en iniciativas particulares, algunas de las cuales fraguaron en la creación de sociedades mercantiles especializadas en la trata (como la fundada en Cádiz en 1765 bajo el inequívoco apelativo de Compañía Gaditana de Negros), hasta la liberalización del tráfico acordada por la Corona en 1789 para la introducción de esclavos en las islas de Cuba, Santo Domingo y Puerto Rico y en la provincia de Caracas. El resultado fue una multiplicación extraordinaria de la mano de obra africana, que se convirtió en el gran pilar de la próspera economía cubana del siglo XIX y en  una de las bases del despegue del capitalismo español.

Prosperidad pero obviamente no para todos. Una historia de la esclavitud necesita no sólo de estadísticas macroeconómicas, sino de análisis más complejos que tengan en cuenta los aspectos políticos, sociales y morales: la conspiración de los poderes, la indignidad intrínseca del sistema, la crueldad de los poderosos, el sufrimiento de los sometidos, la miseria moral de los que justificaron o quisieron ignorar la existencia de aquel “infierno que nunca acaba”. En estos dos libros el lector encontrará materia para conocer mejor las innumerables vertientes de una realidad oceánica y poliédrica que condicionó el devenir del mundo (y, naturalmente, de España) durante cuatro siglos de su historia. 

La esclavitud en las Españas. Un lazo transatlántico. José Antonio Piqueras. Los Libros de la Catarata, Madrid, 2012, 262 páginas. 19 euros.

La Corona española y el tráfico de negros. Del monopolio al Libre Comercio. Reyes Fernández Durán. Editorial del Economista. Madrid, 2012. 412 páginas. 20 euros.

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Artículo publicado en Babelia, suplemento cultural de EL PAÍS, el sábado 9 de junio de 2012

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CARLOS MARTÍNEZ SHAW es miembro de la Real Academia de la Historia.

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