Ficha Corrida

25/04/2012

O corrupto é obra do corruptor

Filed under: Corrupção,Eliakim Araújo — Gilmar Crestani @ 6:45 am

 

A corrupção e o Buraco do Lume

Os cariocas um pouco mais velhos, digamos aí na casa dos quarenta  em diante hão de se lembrar do Buraco do Lume, uma imensa cratera aberta em pleno centro da cidade do Rio de Janeiro, onde uma outrora poderosa empresa do ramo imobiliário pretendia construir sua imponente sede.

Não o fez, quebrou antes. Mas o buraco ficou lá, aberto, durante anos, sujeito a lixo dos transeuntes e mosquitos transmissores de doença.  Até que algum administrador o tapou e,  por cima dele, realizou um trabalho de reurbanização.  Mas enquanto esteve aberto, o famoso buraco foi batizado pela irreverência carioca como o Buraco do Lume,  pertinho do Largo da Carioca, onde era a praça Melvin Jones, que virou praça Mario Lago, por proposta do verador petista Eliomar Coelho, na década de noventa.

Com certeza muita gente se lembra do buraco, mas pouca gente sabe o significado da palavra Lume, iniciais de Linaldo Uchoa Medeiros, dono da empresa de financiamento de imóveis Financilar, que reinou na époica do BNH, o Banco Nacional da Habitação.

Linaldo, pernambucano, foi para o Rio depois de ter feito o pé-de-meia – e que pé-de-meia – em sua terra.  Com o beneplácito do BNH, meteu-se em negociatas e acabou quebrando. Não sei que fim levou, mas certamente deve ter saído do negócio rico, leve e solto, como saem todos os golpistas de nosso amado Brasil.

Faço aqui um corte no texto, sem entretanto fugir do tema central,  para relembrar um dos maiores profissionais do jornalismo brasileiro, José Gonçalves Fontes, morto no ano 2000.  Fontes fez parte da época de ouro do Jornal do Brasil, onde trabalhou durante 37 anos.   Nesse período,  ganhou quatro prêmios Esso de Jornalismo,  além de dezenas de outras premiações.  Fritz Utzeri, outro nome daquela brilhante geração do JB,  garante que ele foi o jornalista mais premiado do Brasil.

O noticiário diuturno sobre a corrupção no alto escalão do governo, explorada de maneira insidiosa pela mídia de sempre, me trouxe à lembrança  uma das reportagens investigativas de Fontes,  publicada no JB, em 1976, em plena ditadura militar.  Essa era,  aliás, sua especialidade,  matérias de fôlego que lhe tomavam dias, até meses de trabalho,  na busca da informação precisa e inédita.

Sob o título “Grupo Lume – Um império em desencanto”,    Fontes pesquisou minuciosamente a origem e a ascensão do empresário Linaldo Uchoa Medeiros.

Linaldo era dono da Financilar,  uma das muitas empresas que surgiram no mercado imobiliário, a partir da criação do falecido Banco Nacional da Habitação,  um banco que deveria ajudar a resolver o deficit da casa própria para as camadas mais carentes da população, mas que, na verdade, só construía imóveis para a classe média alta.  Incapaz de cumprir seu objetivo principal e acusado de algumas operações duvidosas,  o BNH  acabou desativado e incorporado à Caixa Econômica.

Mas voltando à reportagem de José Gonçalves Fontes sobre o fundador do grupo Lume. Fontes descobriu em Pernambuco, o Estado de origem do empresário, algumas passagens do início de sua carreira de golpista.  Soube, por exemplo, que Linaldo se aproximava de um funcionário influente da Caixa Econômica e propunha-lhe uma aposta nos seguintes termos:

– Aposto um Galaxie como esse financiamento que estou pleiteando não vai sair.

Não é preciso ser muito inteligente para concluir que o funcionário ganhava o Galáxie (o carro mais luxuoso da época) e o financiamento saia.   E assim desabrochava a carreira do empresário pernambucano que logo depois desembarcava no Rio para tentar conquistar a cidade maravilhosa.

Como Linaldo, quantos novos empresários entram todo ano no mercado usando estratégias desonestas como essa?  Taí uma pequena e real história de como se corrompe um servidor público e a forma criativa de oferecer a propina. 

O relato de Fontes é dos anos 70 e, de lá para cá,  e desde tempos imemoriais,  a corrupção em todos os seus matizes jamais  deixou de frequentar o noticiário.  Ela não é privilégio de partidos ou governos, está impregnada na cultura de nossa gente.

Por acreditar que esse mal tem cura, é que saúdo a presidenta Dilma,  uma verdadeira campeã de audiência na batalha contra a corrupção, do alto dos seus 64 por cento de aprovação popular, o maior patamar já alcançado por outro presidente num período de quinze meses.

Eliakim AraujoAncorou o primeiro canal de notícias em língua portuguesa, a CBS Brasil. Foi âncora dos jornais da Globo, Manchete e do SBT e na Rádio JB foi Coordenador e titular de "O Jornal do Brasil Informa". Mora em Pembroke Pines, perto de Miami. Em parceria com Leila Cordeiro, possui uma produtora de vídeos jornalísticos e institucionais.

A corrupção e o Buraco do Lume | Direto da Redação – 10 anos

31/10/2011

O Globo torce e distorce…até no futebol

Eliakim AraujoAncorou o primeiro canal de notícias em língua portuguesa, a CBS Brasil. Foi âncora dos jornais da Globo, Manchete e do SBT e na Rádio JB foi Coordenador e titular de "O Jornal do Brasil Informa". Mora em Pembroke Pines, perto de Miami. Em parceria com Leila Cordeiro, possui uma produtora de vídeos jornalísticos e institucionais.

O Globo torce e distorce…até no futebol

 

O tempo passa, o tempo voa e as organizações Globo  não perdem o vício da parcialidade em seu noticiário, agravado pela informação deturpada.  Até nas páginas  esportivas encontramos tal deformação.

Quer ver um exemplo?   Na última quinta-feira, um dia depois dos jogos das equipes cariocas na Copa Sul-Americana, que eliminou da competição Flamengo e Botafogo, e classificou o Vasco,  mandava o jornalismo honesto e imparcial que se desse o devido destaque à vitória do Vasco, único vencedor e o último time do Rio na competição, sobretudo porque reverteu um placar negativo de 3 a 1, quando enfrentou o Aurora,  na Bolivia,  no primeiro jogo, para uma vitória por 8 a 3, no jogo de volta, em São Januário.

Só o fato de uma vitória por placar dessa magnitude já mereceria o devido registro, mas o Globo Online ignorou solenemente e optou por destacar em manchete que  a Copa Sul-Americana não desperta interesse, e o subtítulo em letras pequeninas: “Vasco é o único brasileiro ainda na competição”.

Quando você clica para ler a matéria, a nova manchete é ainda mais perversa: “Eliminação de Fla e Botafogo com reservas em campo mostra que Sul-Americana ainda não pegou no Brasil”.

Perceberam a má-fé?  Bastou o Flamengo, time sabidamente do coração do fundador do jornal, Roberto Marinho, e dos herdeiros do império, para que a competição fosse relegada ao lixo, algo de somenos importância.

Além de maldosa, a manchete induz o leitor a acreditar que o Flamengo foi eliminado porque escalou uma equipe reserva, o que é no mínimo uma meia verdade.  Qualquer torcedor que acompanha o noticiário esportivo sabe que o Flamengo tomou uma lavada de quatro a zero, do Universidad do Chile, jogando em casa, com seu principal jogador em campo, Ronaldinho, o famoso R10 das baladas cariocas.

Ora, tendo levado uma surra em casa do Universidad do Chile, o time nem em sonhos teria como reverter esse placar lá em Santiago.  Daí a opção pela escalação de jogadores reservas.   Estratégia, aliás,  utilizada por todas as equipes, inclusive o vitorioso Vasco, fato que passou despercebido pelos autores da matéria.

A matéria  tenta desavergonhadamente justificar a eliminação do Flamengo com argumentos e informações deturpadas.  Além disso, usa a tática traiçoeira de desqualificar a competição, como na história da raposa e as uvas.  E já determinou que ela  não interessa aos clubes brasileiros, como se vê pelo tom afirmativo da pergunta que submete à opinião dos leitores: “por que a Copa Sul-Americana ainda não pegou entre os clubes brasileiros?”.

Não pegou porque o Flamengo foi eliminado, responderam centenas de leitores nos comentários sobre a matéria, que não estão mais disponíveis na página online do jornal. Claro, o torcedor não é trouxa e odeia esse partidarismo clubístico do jornal dos Marinho.

Está certo que se queira criticar o calendário da Copa Sul-Americana, cujos jogos coincidem com a reta final do Brasileirão, mas tentar justificar a eliminação do “time da casa” e desmerecer a vitória de outro desqualificando a competição não é um jornalismo ético… nem honesto.

E aí a gente fica sempre com aquela dúvida:  se no noticiário esportivo, o Globo torce e distorce informações, de acordo com seu interesse,   o que será que ocorre no noticiário político e econômico?   Respostas para a seção de cartas do jornal.

PS. Não encontrei ilustração ligando o Globo ao Flamengo, só a com o logotipo da TV Globo. Mas acho que o leitor entenderá que não faz diferença.

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