Ficha Corrida

26/09/2014

Entenda porque Giannetti, assessor da Marina, quer entregar o pré-sal

EUA bombardeiam campos de petróleo em poder do EI

Pentágono disse que caças americanos, sauditas e dos Emirados destruíram 12 refinarias na Síria

EUA bombardeiam refinarias - AFP

Pentágono garante que debilitou maior parte das refinarias do EI

O ESTADO DE S. PAULO

26 Setembro 2014 | 07h 15

Porta-voz do Pentágono, o contra-almirante John Kirby, disse que caças americanos, sauditas e dos Emirados Árabes Unidos destruíram 12 refinarias

WASHINGTON – O Pentágono garantiu nesta quinta-feira que a "maioria" das refinarias controladas pelos jihadistas do autoproclamado Estado Islâmico (EI) na Síria foram debilitadas nos bombardeios de ontem.

O porta-voz do Pentágono, o contra-almirante John Kirby, disse em entrevista coletiva que caças americanos, sauditas e dos Emirados Árabes Unidos destruíram 12 refinarias móveis operadas pelo EI, uma das principais fontes de financiamento do grupo.

Apesar de Kirby ter garantido que o Pentágono ainda está avaliando a efetividade dos ataques, considera que os mesmos foram bem-sucedidos e são um passo essencial para privar os jihadistas de uma fonte de financiamento que, segundo analistas, proporciona mais de US$ 2 milhões por dia.

Kirby explicou que cada uma das instalações móveis tem capacidade para processar entre 300 e 500 barris de petróleo por dia, que eram depois vendidos pelos jihadistas no mercado negro.

"Assumimos que o EI provavelmente controla várias outras refinarias, estamos analisando essa situação, mas acredito que as 12 constituem a maioria", disse o porta-voz.

Kirby exibiu vídeos e fotografias dos ataques no centro-leste e no nordeste da Síria, nos quais era possível observar como, em alguns casos, parte das instalações petrolíferas, como as torres dos poços, foram poupadas para que a oposição possa operá-las de novo no futuro.

"O que está claro é que não vão poder ser operadas num futuro próximo", explicou Kirby diante das dúvidas suscitadas pela ausência de uma oposição moderada na Síria, que ainda não começou a ser treinada para ocupar o terreno controlado até agora pelo EI.

O Pentágono, que começou a atacar posições jihadistas na Síria nesta semana, informou que, por enquanto, não detectou "uma reação muito grande" entre os extremistas por consequência dos bombardeios nos últimos dias.

Na última rodada de ataques, foram lançadas 41 bombas teleguiadas e de "precisão", enquanto a maior parte dos aviões da missão – dez de um total de 16 – eram de bandeira saudita e dos Emirados Árabes.

Kirby disse que a estratégia na Síria é ir atrás da parte logística, financeira e de suprimentos do EI, enquanto no Iraque o objetivo é debilitar a parte militar e de infantaria.

Pela primeira vez, o porta-voz apresentou uma estimativa preliminar sobre o conteúdo da missão "ofensiva" contra o EI, que foi anunciada em 10 de setembro pelo presidente Barack Obama.

Segundo Kirby, o Pentágono está dedicando entre US$ 7 e 10 milhões por dia para essas missões, mas ainda estão tentando determinar um número mais concreto./ EFE

Para Giannetti, assessor da Marina, pré-sal faz mal à saúde

Com Marina teríamos uma privatidoações 2, o final! O que restou do patrimônio público da época de FHC, Marina entregaria porque, como diz seu assessor, que também já foi de FHC, administrar da muito trabalho. É melhor entregar pros amigos do norte.

Pre-sal (2)EDUARDO GIANNETTI

Pré-sal

O dinheiro do pré-sal, que maravilha, começou a jorrar. O bônus de assinatura do leilão de Libra, o maior campo petrolífero brasileiro, rendeu R$ 15 bilhões à União. O que foi feito da bolada? O governo Dilma, sem a menor cerimônia, incluiu a receita no orçamento fiscal e serviu-se dela para mascarar o descumprimento da meta de superávit primário em 2013.

A moda pegou. Agora o "Valor" (18/9) informa que o governo incluiu os ganhos de receita com novas licitações do pré-sal –bônus de assinatura do campo de Pau-Brasil– no orçamento de 2015 enviado ao Congresso. São mais R$ 4 bilhões que servirão para maquiar o rombo fiscal.

A destinação dos recursos do pré-sal entrou na pauta da eleição. O debate é da maior relevância. A questão central, porém, não foi sequer tocada pelos candidatos.

Antes de discutir se devemos gastar mais nisto ou naquilo –ou quanto deveria ficar a cargo deste ou daquele ente federativo–, é imperativo responder: qual será o modelo de gestão financeira da fabulosa riqueza? Noruega ou Venezuela?

Estoque e fluxo. O pré-sal é um estoque finito alojado no fundo do mar. À medida que for sendo extraído, ele gerará um fluxo de receita em moeda forte. Parte dela será usada para cobrir os custos e financiar novos poços. A questão é como administrar o excedente.

Dois caminhos se oferecem. O fluxo de renda gerado pela venda do petróleo será imediatamente gasto na outra ponta assim que o dinheiro for entrando? Ou ele será usado para construir um patrimônio –um novo estoque de riqueza–capaz de gerar um fluxo permanente de renda para as gerações futuras?

A disjuntiva traduz a diferença entre a pobreza e a riqueza das nações.

A regra de ouro é simples. No modelo norueguês, a receita do petróleo alimenta um fundo soberano que fica fora do alcance dos políticos. Só o retorno dos investimentos do fundo entra no orçamento e financia o gasto público de acordo com as prioridades dos governantes eleitos. Em vez de gastar o dinheiro que não têm, eles optaram por não gastar o dinheiro que têm. Não é à toa que são ricos.

A Venezuela bolivariana, ao contrário, optou pela gastança em nome do "tudo pelo social". Quase 16 anos e mais de U$ 1 trilhão de petrodólares depois (dos quais U$ 300 bilhões gastos em educação e saúde), o país está arruinado: leite, carne e remédios racionados; inflação de 63% ao ano; corrupção desatada; infraestrutura aos pedaços. A bênção resultou em maldição.

Fariam bem os nossos candidatos se, antes de propor como gastar o dinheiro que não temos, eles deixassem claro se a renda do pré-sal irá desaguar direto no orçamento fiscal ou se tornará um patrimônio permanente da nação.

EDUARDO GIANNETTI escreve às sextas-feiras nesta coluna.

09/09/2014

Eduardo Gianetti, a Zora Yonara da Marina Silva?!

Filed under: Eduardo Giannetti,Marina Mala Faia,Marina Silva,Zora Yonara — Gilmar Crestani @ 10:01 am
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Uma entrevista-bomba de Eduardo Gianetti

ter, 09/09/2014 – 00:15

Atualizado em 09/09/2014 – 08:20

Luis Nassif

A entrevista de Eduardo Gianetti – o economista de Marina Silva – ao jornal Valor Econômico (clique aqui)  é literalmente uma bomba. Gianetti – que é um filósofo – avançou radicalmente além das chinelas e, em nome de Marina Silva,  apresentou um conjunto de propostas econômicas desconjuntadas e imprudentes.

Ele vai despejando medidas, parecendo atender às demandas de cada grupo aliado, sem conseguir desenhar o cenário resultante. É como se cada medida se bastasse a si própria, sem consequências para o todo.

Comporta-se como o jogador de xadrez novato que só consegue analisar a jogada em curso, sem  discernimento sobre seus  desdobramentos.

***

Por exemplo, tem-se um problema: as interferências de Dilma nos preços administrados criaram uma inflação represada que impede a convergência das expectativas de mercado. Ninguém sabe para onde irá a inflação quando os preços forem liberados.

Dilma propõe – para o pós-eleições, é claro – um reajuste gradual das tarifas no tempo, para evitar um choque inflacionário.

Gianetti defende um choque tarifário – a correção imediata dos preços administrados. Se tem um problema – diz o valente – temos que enfrentá-lo.

De fato, tirará do horizonte uma variável indefinida. Mas a converterá uma expectativa de inflaçao em uma inflação concreta.

Quais os efeitos de um aumento súbito da inflação nas expectativas empresariais? Gianetti não saberia avaliar, mas sabe de uma coisa: choques semelhantes foram aplicados no início do governo FHC e Lula, sendo bem sucedidos.

O excelente entrevistador educadamente lembra Gianetti que, nos exemplos citados, o grande peso da inflação era dado pelo câmbio (que sofreu grandes desvalorizações nos dois casos) e não havia o quadro de emprego e renda que se tem hoje.

Confrontado com a informação, qual a reação do bravo Gianetti? Admite que "a situação em certos aspectos era diferente da atual, de fato" – o emprego do "certos aspectos" passa a ideia de conhecimento de todos os aspectos, sem a necessidade dele enumerá-los. E como tratar a situação diversa que se tem hoje? Da mesma forma. Limita-se a acreditar "sem a menor dúvida", como ele diz, "de que há um custo de fazer o ajuste hoje, mas ele certamente é menor do que o custo de não fazê-lo".

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Todas suas afirmações são reforçadas por demonstrações de fé e confiança, "sem a menor dúvida", "certamente". Não desenvolve raciocínios sobre os problemas apresentados, não estima desdobramentos. Mas "certamente" ele tem certeza de que o caminho que escolher é o melhor.

Suas teorias poderiam ser taxadas de "autoengano" promovido pelo excesso de fé e pouco uso da razão.

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Mas não fica nisso.

Não bastasse o alinhamento tarifário, ele defende a bandeira de que não haverá mais aumento da carga tributária – conforme a expectativa de vários ambientes em que foi vender seu peixe – mas propõe também a volta da CIDE (o imposto sobre combustíveis) – conforme a expectativa dos produtores de álcool com quem esteve recentemente. Ou seja, propõe dois choques  para a gasolina: o realinhamento tarifário e a volta da CIDE.

Mas a volta da CIDE significa um aumento da carga tributária, observa o entrevistador astuto. Sim – admite Gianetti, que provavelmente não tinha atinado com essa obviedade. Mas responde com outra obviedade: cortaremos em outros despesas.

Quais delas?

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O que se tem até agora são dois choques tarifários disparando a inflação. A peça seguinte é um Banco Central independente, levando a Selic onde for necessária, mas sendo auxiliado por um choque fiscal, para dar coerência ao pacote. 

E onde vai cortar? No crédito subsidiado, diz o filósofo do autoengano, em um momento em que Dilma Rousseff martela diariamente na sua campanha eleitoral sobre o significado de acabar com o crédito subsidiado. Hoje em dia, há crédito subsidiado para a indústria, agricultura e programas sociais.

Gianetti é adepto da tese de que a indústria chora por vício, não por necessidade. "Acho que a indústria deve se preparar para uma operação desmame. Ela está acostumada a chorar e ser atendida".

Com a eleição da Marina, a TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) do BNDES vai subir para não haver subsídio. Considera-se subsídio a diferença entre a TJLP e a Selic. A taxa distorcida é a Selic (que remunera os títulos da dívida pública); mas Gianetti trata a TJLP (que serve de base para os financiamentos) como se fosse a abusiva.

Toda a política agrícola é fundada em crédito subsidiado, assim como um sem-número de políticas sociais, como Minha Casa, Minha Vida.

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A indústria se verá frente ao aumento da inflação, aumento de juros de curto prazo (com a Selic) e de longo prazo (com a TJLP); câmbio apreciado, por conta da entrada de dólares atrás dos juros; choque tarifário, com o adicional do CIDE; sem políticas industriais pela frente. E como ficará o emprego?

O mágico Gianetti, o economista que não tem dúvidas, responde que "o desemprego já é uma realidade e a ideia é que termine o quanto antes". Como? Fé cega e tesoura amolada. "A experiência mostra que a capacidade de resposta da sociedade brasileira é muito forte. Tendo a crer que ainda em 2015 será possível ver a volta da economia ao crescimento, se for muito bem feito".

Não se trata de nenhuma afirmação científica, calçada em dados, analisando todos os desdobramentos da política econômica. Trata-se de matéria de fé: "Tendo a crer (…) se for tudo muito bem feito…"

Esquece que um choque inflacionário afeta diretamente as expectativas e a confiança dos agentes econômicos. Se junto com o choque inflacionária derrubar o mercado de consumo, quebrará a única perna que sustenta o PIB hoje em dia. E se, junto com a inflação, sobrevier uma recessão – fruto do choque fiscal e tarifário – só um milagre para  empresários sem mercado e sem estabilidade de preços manterem a confiança na economia.

Perde a agricultura, perde a indústria e não ganham os programas sociais.

Eles serão mantidos apenas na hipótese de haver folga fiscal, como garante nosso bravo filósofo macroeconomista.

***

Indagado sobre qual a diferença de Marina sobre os demais candidatos, Gianetti é cândido: "Não vemos a economia como um fim em si mesmo, ela é pré-condição para uma vida melhor para todos, de uma realização mais plena. O sonho que nos move é que a economia deixe de ocupar o lugar de proeminência que ela ocupa hoje no debate brasileiro para que a gente possa focar em questões ligadas à cidadania, à realização humana, à felicidade".

Uma entrevista-bomba de Eduardo Gianetti | GGN

26/08/2014

PDV: política de emprego de FHC, Britto e Alckmin

Filed under: Eduardo Giannetti,Marina Silva,PDV,PSDB,USP — Gilmar Crestani @ 8:51 am
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economistanEnquanto o mercado aponta pleno emprego, onde o PSDB governa o regra é a demissão, forçada ou voluntária. Geraldo Alckmin consegue aumentar algumas coisa (racionamento d’água, quebra da USP, desemprego com PDV e roubo – pelo 14º mês consecutivo), e diminuir outras, honestidade.

A regra nos governos neoliberais é o desemprego como forma de controlar a economia. Como já anunciou o velho economista de FHC, Eduardo Giannetti,  hoje a serviço da Marina, o salário mínimo está alto, e um pouco de desemprego ajuda a controlar a inflação…

Essa é a principal lição que vem de quem não se preocupa com pessoas, apenas com o saldo bancário dos seus finanCIAdores ideológicos.

Afinal, de que vale uma economia mais forte se o povo sofre e apenas algumas famílias, incluídas a dos banqueiros e da velha mídia, aumentam os lucros?!

USP discute hoje plano de demissão voluntária

Proposta contra crise financeira será votada pelo Conselho Universitário

Transferência da gestão de hospitais, que também está na pauta, motivou protesto de alunos e servidores

DE SÃO PAULO

Órgão máximo da USP, o Conselho Universitário discutirá nesta terça (26) o plano de demissão voluntária apresentado pelo reitor, Marco Antonio Zago, para solucionar a maior crise financeira que a instituição já enfrentou.

Também está na pauta a eventual transferência do Hospital Universitário e do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da USP de Bauru para a Secretaria Estadual de Saúde.

A proposta de mudança de gestão dos hospitais motivou protesto nesta segunda-feira (25) que durou quase quatro horas e reuniu cerca de 200 pessoas em São Paulo.

Alunos, funcionários e professores deram um abraço simbólico no Hospital Universitário, dentro do principal campus da universidade, no Butantã (zona oeste). Depois percorreram avenidas como Eusébio Matoso, Rebouças e Doutor Arnaldo, onde fica a Faculdade de Medicina.

Se aprovado, o plano de demissão voluntária pretende obter a adesão de 3.000 funcionários. A medida pode diminuir em 10% o gasto da USP com folha de pagamento, que hoje representa 106% do orçamento.

Os funcionários da USP estão em greve desde o dia 27 de maio por reajuste salarial. Tradicionalmente, o aumento ocorre em maio –em 2013, o índice foi de 5,39%, o que repôs a inflação no período.

Na quarta-feira (27), haverá nova audiência de conciliação na sede do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2), entre representantes da USP e do Sintusp (sindicato dos trabalhadores). No último dia 20, não houve acordo na reunião.

O Conselho Universitário é composto de docentes, funcionários e estudantes.

SINDICÂNCIA

Na última sexta (22), o reitor recebeu o relatório final da comissão de sindicância instaurada para apurar eventuais responsabilidades pela crise orçamentária da USP.

Conforme noticiado pela Folha, o antecessor de Zago, João Grandino Rodas, foi apontado como tendo ampliado os gastos com pessoal sem aprovação do Conselho Universitário, como determina o regimento da USP. Rodas negou irregularidades.

25/08/2014

Eduardo Giannetti, tutor de Marina, quer compartilhar guarda da incapaz

Filed under: Eduardo Giannetti,Incapaz,Marina Silva — Gilmar Crestani @ 8:06 am
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marina velorio ou coquetel de lançamentoENTREVISTA DA 2ª – EDUARDO GIANNETTI

Queremos Lula e FHC como aliados no governo

CONSELHEIRO ECONÔMICO DE MARINA SILVA DIZ QUE ELA PRETENDE BUSCAR PESSOAS DO PSDB E DO PT PARA EQUIPE SE FOR ELEITA

MARIANA CARNEIRODE SÃO PAULO

Na manhã de sexta-feira (22), o economista Eduardo Giannetti da Fonseca estava animado com o resultado de pesquisas feitas pelo PSB e por instituições do mercado financeiro que sugeriam crescimento das preferências eleitorais da candidata do partido à Presidência, a ex-senadora Marina Silva.

As pesquisas indicam que a candidata, que ele conheceu na campanha eleitoral de 2010, firmou-se em segundo lugar na disputa presidencial deste ano e tem condições de derrotar Dilma Rousseff (PT) no segundo turno.

A possibilidade de vitória tende a alimentar especulações sobre a função reservada para Giannetti, que se define como uma pessoa "sem ambições políticas", num futuro governo. Mas ele diz que não tem interesse em ser o próximo ministro da Fazenda.

"Sou um colaborador, um conselheiro, não uma pessoa de perfil executivo", diz. Em entrevista à Folha, ele afirma que, se for eleita, Marina procurará pessoas do PT e do PSDB para formar sua equipe de governo e garantir apoio a seus projetos no Congresso.

Para Giannetti, até os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso poderiam colaborar. "Se [José] Sarney, Renan [Calheiros] e [Fernando] Collor [de Mello] vão para a oposição, com que se governa e com quem se negocia? É com Lula e FHC."

Ele afirma que tentaria levar até para a cozinha do governo membros de siglas rivais. "O PSDB é um partido de muitos técnicos e pouca liderança", afirmou. "O PT também tem técnicos de excelente qualidade, que trabalharam no primeiro mandato de Lula, e a gente adoraria trazê-los. Nossa ideia é governar com os melhores na política e na gestão de políticas públicas."

Folha – Se Marina for eleita, o sr. terá um cargo no governo?
Eduardo Giannetti – Não um cargo executivo. Me vejo como um conselheiro, alguém que pode ajudá-la na escolha dos quadros que vão assumir funções executivas. Mas não é o meu caso.

Essas pessoas vão aparecer na campanha eleitoral?
Espero que sim. É uma conversa que não vem de hoje, nem de ontem. É uma conversa de muitos anos. O Brasil não tem falta de quadros competentes. O que falta é liderança e valores na política. E é isso que Marina traz.

Quais são as mudanças na economia que Marina vai apresentar na campanha?
O governo Dilma se meteu em tamanha confusão que teremos que insistir em algo que deveria estar superado: restabelecer o tripé macroeconômico [câmbio flutuante, meta de inflação e disciplina fiscal].
O Brasil tinha construído um acordo em torno desses princípios. [O tripé] foi estabelecido no segundo mandato de FHC e não só foi confirmado, mas reforçado por Lula em seu primeiro governo.
Agora, a gente está com inflação alta, artificialmente controlada, e com o câmbio supervalorizado, o que é um caminho ruim e que prejudica a nossa indústria. Além disso, estamos com um deficit em conta corrente [nas trocas com o exterior] de 3,2% do PIB, o que nos coloca de volta na vulnerabilidade externa do primeiro mandato de FHC.
E isso com o menor crescimento da era republicana, excetuando [os governos de] Floriano Peixoto e Collor. É um quadro muito ruim. Não nos leva à beira do precipício, mas não dá horizonte para a sociedade brasileira.

Como a independência do Banco Central se encaixa aí?
Um dos elementos do tripé é a autonomia do BC. Há sérias dúvidas de que ela esteja valendo no governo Dilma. Enquanto prevalecia a autonomia, havia um acordo tácito de que o Executivo não interferiria nas decisões do BC buscando o cumprimento do centro da meta [de inflação].
Essa autonomia pode ser reforçada quando se formaliza a independência do BC. Ou seja, presidentes e diretores têm mandatos fixos e não estão sujeitos a ordens do presidente. Mas é preciso pensar com cuidado o desenho institucional deste modelo.

Há um esboço?
Não é o caso de predefinir os elementos centrais. Tem que ter regras para indicação e eventual destituição, se os dirigentes do Banco Central não atenderem seu mandato.
Pode parecer uma coisa linda abstratamente e é um caminho corretíssimo, mas tem que tomar cuidado para garantir que a independência resulte no que se espera.
Vamos imaginar que o governo Dilma, para tranquilizar os mercados, resolva implementar uma independência do BC. E indique um aventureiro para o cargo. Vamos ficar amarrados a isso?
O governo Dilma cometeu uma grave barbeiragem na condução da política do BC, que foi deixar claro, no início do mandato, que a inflação no teto da meta [de 4,5%, com tolerância até 6,5%] estaria de bom tamanho. Se diz que o teto está bom, ele vira o novo centro. Foi o que aconteceu.
E aí o governo, na base do desespero, começou a entrar no corpo a corpo com a inflação, algo que eu não esperava ver de novo na minha vida. A controlar os preços das tarifas públicas, da gasolina, usar o câmbio… A gente já deveria ter virado essa página.

Será preciso uma nova Carta ao Povo Brasileiro, como a que Lula apresentou na campanha de 2002 para vencer as desconfianças dos investidores?
Não creio. Não há temor em relação a Marina como havia com o PT. Agora, qualquer reforço de credibilidade e de confiança é bem-vindo.

E o que fazer com quem a considera uma pessoa inflexível?
Não existe democracia sem negociação. A questão são os limites, até onde se transige. O projeto de Marina a diferencia muito de Dilma e Aécio. Ela quer construir uma nova governabilidade, que não é baseada na barganha de pedaços do governo para obter apoio no Congresso.
Eduardo Campos tinha dito, e Marina está alinhada com isso, que no seu governo Sarney, Renan e Collor iriam para a oposição. E com quem se governa e se negocia? Com Lula e Fernando Henrique. Temos todo o interesse em ter os dois como aliados de projetos que interessem ao país.
FHC tem compromisso com a estabilidade econômica, nós também. Lula tem compromisso com a inclusão social, nós também. Vamos trabalhar juntos. Acho possível. Se a democracia brasileira tem razão de ser, é para que isso possa acontecer.

Embora Marina se apresente como uma alternativa a petistas e tucanos na política, muito do que ela defende na economia representa uma volta à rota proposta pelo PSDB.
Recuperar o arcabouço macroeconômico é pré-condição para que coisas importantes possam ser feitas. Onde está o problema do brasileiro comum? Na condução, na delegacia, no posto de saúde, na sala de aula. É aí que o Brasil tem que agir com desembaraço e coragem. O deficit brasileiro hoje é de cidadania. A escalada do consumo não resolveu esse problema. Em certo sentido, ela até o agravou.

É preciso reduzir ou reformular os programas sociais?
Eles são intocáveis. O gasto aumentou porque o governo deu isenções de impostos. O governo Dilma deu algo em torno de R$ 250 bilhões de isenção tributária para setores escolhidos. O incentivo do BNDES para um grupo seleto de empresas é maior do que o gasto com o Bolsa Família.

O PSB propõe reduzir a meta de inflação para 4% em 2016 e 3% em 2019. O governo diz que isso geraria desemprego.
Não há relação negativa entre estabilidade e desemprego. Meta de inflação é como guerra de trincheira. Se você fica receoso em adotar as medidas para manter a inflação em 4,5% e aceita flexibilizá-la para 6,5%, a guerra continua igual, a única coisa que acontece é que você saiu de 4,5% para 6,5%. O que é preciso é credibilidade e fazer com que as expectativas convirjam para onde você deseja, e 3% é melhor do que 4%.

Poderia haver demissões?
O custo de não fazer é maior que o de fazer. A geração de empregos despencou, a indústria está demitindo.

Qual é o custo de fazer?
É aceitar que as tarifas públicas ficaram defasadas, o que causa distorções em outros setores da economia, e que os gastos públicos terão que ser melhor controlados.

Economistas dizem que será necessário ou reduzir gastos ou aumentar impostos.
Aumentar impostos nem pensar.

Significa cortar gastos?
Significa ser muito criterioso nos gastos e entender onde eles vêm crescendo. A regra de ouro é que os gastos correntes não podem crescer mais do que o PIB. Significa rever isenções tributárias.
O governo mexeu discricionariamente em impostos com base na pressão de setores empresariais para obter benefícios, não só de impostos como o IPI, mas também nas tarifas de importação.
Com a economia retomando o crescimento e com os gastos públicos crescendo menos do que o PIB, no tempo, podemos corrigir isso. Não haverá um choque fiscal maluco, uma bala de prata. É um caminho de correção.

21/10/2013

A saga do tridente do tripé

Filed under: Eduardo Giannetti,Marina Silva — Gilmar Crestani @ 9:32 am
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O tripé da Marina: PSDB, Grupos Mafiomidiáticos e Itaú! Os saídos do PSDB então dando um abraçaço, por traz, na Marina… O ex-guru do PSDB, agora defende os interesses do Itaú por traz da Natura da  Marina.

ENTREVISTA DA 2ª – EDUARDO GIANNETTI

Marina Silva faria governo menos estatizante que Dilma

CONSELHEIRO DA EX-SENADORA, ECONOMISTA DEFENDE ‘TRIPÉ’ EM POLÍTICA AUSTERA E CONDENA CRESCIMENTO A QUALQUER PREÇO

ELEONORA DE LUCENADE SÃO PAULO

Um governo similar à segunda gestão de FHC e à primeira de Lula. Menos estatizante do que Dilma. Assim seria uma eventual administração Marina Silva na visão de um dos seus principais conselheiros, o economista Eduardo Giannetti da Fonseca, 56.

Defensor da austeridade, ele faz eco às palavras da ex-senadora que tem defendido o chamado "tripé" (superávit primário, câmbio flutuante e metas de inflação). Na sua opinião, essas ideias estão longe de significar que Marina virou uma candidata do mercado financeiro.

Em entrevista concedida em São Paulo na última quinta-feira, Giannetti critica o governo e advoga que o crescimento não deve ser feito a qualquer preço: "Crescer 7% destruindo patrimônio ambiental é muito pior do que se crescer 3% preservando".

Ex-professor da USP, de Cambridge e do Insper, Giannetti conversa duas ou três vezes por semana com Marina. Para ele, há dificuldade na fusão com o PSB e obstáculos para atrair empresários para o grupo. "A elite empresarial está no bolso do governo", diz.

Folha – Como a economia vai estar no ano eleitoral?
Eduardo Giannetti da Fonseca – Não tem perspectiva de crescimento mais forte. Entramos numa fase de baixo crescimento crônico, com uma inflação teimosamente na vizinhança do teto da meta e num caminho de vulnerabilidade externa. A conjuntura internacional mudou. Há um componente estrutural que é a deterioração fiscal desde 1988. E tem um componente conjuntural que é piora da qualidade da política econômica a partir do segundo governo Lula e, de forma acentuada, durante Dilma. O Brasil tinha uma carga tributária bruta de 24% do PIB em 1988 e o Estado investia 3% do PIB. Hoje temos uma carga de 36% do PIB e investimento de 2,4% do PIB.

Mas o maior aumento da carga tributária foi com FHC.
FHC abriu a frente das contribuições, que hoje representam mais para o governo federal. O que era para ser exceção virou regra e gerou um estrago fiscal que está asfixiando o Brasil.

Mas a taxa de juros elevada não é responsável por isso?
Isso foi o caso no primeiro mandato do FHC, quando havia câmbio fixo e valorizado e a política monetária tinha que ser aquela para manter o câmbio fixo. O governo FHC errou muito ao manter a âncora cambial. A partir do momento que flutuou o câmbio, o juro começou a baixar.

Mas ainda é muito alto.
É alto, mas não é o que explica esse estrago fiscal. O Brasil vinha de um bom momento, que foi o segundo mandato de FHC e o primeiro de Lula, quando prevaleceu o tripé: austeridade fiscal, superávit primário para valer, câmbio flutuando, autonomia do BC para cumprir o centro da meta de inflação. Isso começou a se fragilizar com a expansão fiscal do segundo mandato de Lula, até certo ponto justificável pela crise de 2009. Só que a partir de 2009, e do governo Dilma, as três pernas do tripé fraquejaram.

O empresariado pode desembarcar do apoio à presidente Dilma e apoiar Marina?
Esses movimentos não são nunca em bloco. O que me entristece é ver boa parte do empresariado brasileiro tutelado pelo governo e neutralizado na sua capacidade de crítica pelo fato de depender de obséquios, favores, subsídios e proteção que o governo oferece. O empresariado brasileiro em boa parte se comporta como súdito e não como cidadão. O governo abriu esse balcão de negócios. Começou a negociar caso a caso tarifa de proteção para setor, a abrir os cofres dos bancos estatais para os empresários. Como é que um empresário que está dependendo de um crédito de um banco estatal vai poder aparecer publicamente criticando o governo? Ele fica tolhido. A elite empresarial está no bolso do governo.

Fazendo um discurso de austeridade, Marina atrai o mercado financeiro. Ela virou a candidata das finanças?
Longe disso. O primeiro governo Lula foi um governo do mercado financeiro? Foi um governo bom para o Brasil. E sendo bom para o Brasil foi bom para parte do mercado financeiro. Mas não foi feito para o mercado financeiro. Foi feito para o Brasil consolidar uma conquista que é da sociedade.

Então um eventual governo Marina seria mais parecido com o segundo mandato FHC e o primeiro de Lula?
Sim. No tocante à política macroeconômica, não vamos reinventar a roda. Vamos continuar o que estava funcionando muito bem no Brasil, que é o tripé.

O sr. elogia esses períodos, mas eles foram de baixo crescimento, ruins, certo?
Foi quando se plantaram as bases de um crescimento melhor no Brasil. FHC privatizou, quebrou monopólios, acabou com a discriminação do capital estrangeiro, fez a lei de responsabilidade fiscal. No primeiro governo Lula, a agenda microeconômica foi formidável, porque melhorou o ambiente de negócios: nova lei de falências, alienação fiduciária, crédito consignado. Estava indo bem.

O sr. concorda que Eduardo Campos tem um discurso mais desenvolvimentista, enquanto Marina se posiciona para o lado neoliberal?
Temos que nos posicionar em torno do valor central que é a sustentabilidade. Mais Estado ou mais mercado? Em algumas coisas, mais Estado; em outras, mais mercado.

O grupo de Marina está à direita ou à esquerda de FHC?
Não sei dizer. Essa tentativa de categorizar numa relação binária toda uma proposta complexa me parece muito precária.

Em relação a Lula e Dilma, como o sr. situa Marina?
Menos estatizante que Dilma.

Um governo Marina reduziria o tamanho do Estado?
Não dá para colocar tudo num pacote. Para algumas coisas precisa de mais Estado e, para outras, menos Estado. O Estado deveria estar mais atuante na saúde pública, no ensino fundamental, no saneamento básico. Não entendo um governo que coloca tanta ênfase num trem bala e deixa esquecida a questão do saneamento básico.

Desenvolvimento sustentável significa um ritmo menor de crescimento?
Não, mas não é crescimento a qualquer preço. O que interessa é o crescimento da renda com qualidade de vida.

Muitos dizem que esse raciocínio implica dizer: não dá para crescer no ritmo que os outros cresceram; o melhor é se contentar com pouco.
Se tudo der certo no Brasil, a gente vira um EUA? Acho que não faz o menor sentido.

Mas o Brasil não precisa se preocupar em gerar empregos e riqueza? Essa sinalização de que não se poderá crescer muito é boa?
Não colocaria que não pode crescer muito. Precisamos encontrar um caminho de crescimento adequado às nossas necessidades e sustentável ambientalmente.

Isso significa ritmo menor?
Ritmo é menos importante do que a qualidade. Crescer 7% destruindo patrimônio ambiental é muito pior do que se crescer 3% preservando patrimônio ambiental e, na medida do possível, melhorando as condições de vida. O crescimento em si não é o objetivo. Nenhum governo pode prometer crescimento. Crescimento é uma escolha que a sociedade faz. O governo não tem uma alavanca. Pode oferecer um ambiente mais amigável ou não.

O sr. acha que a Marina ofereceria um ambiente mais amigável com essas restrições ambientais?
Temos que separar duas coisas. Uma é o grau de exigência ambiental para um país como o nosso. Outra é como vai ser o processo de seleção de investimentos. Vamos ter um nível de exigência alto, mas os processos podem ser mais ágeis e confiáveis.

Quais são as maiores dificuldades dessa fusão PSB-Rede?
Vai ser muito trabalhoso construir um programa e ter a garantia de que ele reflita de fato um compromisso de governo. Não tem nenhuma garantia prévia de que esse processo resulte num entendimento enraizado e profundo dos valores que justificam a colocação de uma alternativa para o país. Não sei qual é a proposta e o programa do PSB na área econômica.

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