Ficha Corrida

26/10/2013

É a isso que me refiro

Filed under: Assassinato made in USA,CIA,Drones,Terrorismo de Estado — Gilmar Crestani @ 11:36 am
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Quando, há alguns anos atrás comecei a dizer que os EUA não passavam de um Estado Terrorista, que produzia serial killers em série, para o consumo externo que, por excesso de produção, havia desova doméstica, foi quase unânime a grita me chamando de paranoico. Agora, não há dia em que não saia alguma notícia confirmando que os EUA são uma confederação construída e fundada na lógica da eliminação para sua grandeza. São inúmeras as fontes que apontam os EUA como sendo o berço da filosofia nazista, da raça pura. O holocausto indígena nos EUA é uma verdade tão clara que basta ver a composição étnica de todos os países das Américas para ver onde há mais ou menos traços biofísicos.

A máquina de matar herdada do General Custer está a todo vapor, embora nunca deixara de atuar, mas ganha proporções sufocantes em virtude do acesso que hoje se tem em virtude da variedade de meios de se constatar.

Ou a humanidade termina com os EUA ou EUA terminarão com a humanidade!

“A CIA voltou ao negócio de matar”: um novo livro sobre os drones e o complexo militar americano

drone

Publicado originalmente na DW.

A campanha contra os inimigos dos Estados Unidos é silenciosa e barata. Os comandantes lutam sem tropa, sentados na frente de computadores nos prédios da CIA (agência de inteligência americana) em Nevada ou no Novo México. As armas são aviões não tripulados, os chamados drones.

“Nos últimos 12 anos, a CIA voltou ao negócio de matar”, diz o jornalista do New York Times Mark Mazzetti, ganhador do prêmio Pulitzer. “Desde os ataques de 11 de setembro de 2001, a CIA se transformou numa organização paramilitar e trava uma espécie de guerra silenciosa.”

Em seu livro The way of the knife, o autor expõe evidências recolhidas em entrevistas com agentes e políticos. Mazzetti fala de um “complexo” que é alimentado pela nova tecnologia dos drones.

“Ele inclui os militares, os serviços de inteligência, assim como companhias privadas mercenárias. Eles criaram em muitos aspectos um novo estatuto que lhes permite matar pessoas em missão secreta”, denuncia.

Fronteiras sumiram

As novas estruturas são resultado dos ataques terroristas do 11 de Setembro, nos quais mais de 3 mil pessoas morreram. Com base na legislação antiterrorismo do governo George W. Bush, segundo Mazzetti, passou a ser permitido matar em nome da guerra contra o terrorismo.

“Desde o 11 de Setembro surgiu como que uma espécie mundo novo”, diz o escritor. As fronteiras entre Exército e o serviço de inteligência começaram a se esvair. “Cerca de 60% dos atuais funcionários da CIA foram recrutados após os ataques terroristas de 2001″, completa o jornalista. Muitos desses agentes teriam apenas uma tarefa: caçar e matar pessoas.

O sucessor de Bush, Barack Obama, continuou com essa política − entre outras coisas, com ajuda de um acordo secreto com o governo paquistanês. As áreas do país que fazem fronteira com o Afeganistão são consideradas refúgio de combatentes talibãs. Desde 2004, a CIA tem operado drones na região.

Os aviões não tripulados disparam mísseis contra casas, carros e áreas onde os militares americanos suspeitam que haja radicais islâmicos. Publicamente, o governo paquistanês protesta contra a violação da sua soberania, mas silenciosamente aprova os ataques. “Há indícios de que os EUA obtiveram permissão para os ataques porque eles também eram dirigidos contra os inimigos do Paquistão”, frisa Mazzetti.

Naquela época, os agentes americanos mantiveram em sua mira um líder talibã, Nek Mohammed, a pedido do Paquistão. Em troca, os EUA receberam direito de sobrevoo. Os ataques contra supostos terroristas foram ampliados. As operações com aviões não tripulados contra suspeitos de terrorismo se estenderam ao Iêmen e à Somália.

Carta branca de Washington

Dependendo do país, a inteligência americana recebe uma carta branca de Washington para tais operações. “No Paquistão, por exemplo, a CIA está autorizada a mirar indivíduos ou grupos sem pedir permissão à Casa Branca”, comenta Mazzetti. Em outros países, como no Iêmen, Obama tem maior controle. “Essas operações antiterroristas são agendadas por um grupo de funcionários da Casa Branca e do governo”, relata o autor.

“Entre os ataques com drones menos controversos estão aqueles dirigidos contra pessoas claramente identificadas”, explica. “Mas também há os chamados signature strikes, dirigidos contra pessoas desconhecidas ou grupos que apresentam comportamento suspeito”, observa. “Quando, por exemplo, um grupo suspeito está tentando atravessar a fronteira para o Afeganistão. Então, há uma licença para um ataque.”

Estes ataques são particularmente controversos, especialmente porque causam muitas mortes de civis. Um deles ocorreu em março de 2011 no Paquistão. Cerca de 40 civis foram mortos no ataque de drone sobre um suposto encontro talibã na região do Waziristão do Norte. A reunião, ficou-se sabendo depois, era, na verdade, um encontro tribal ao ar livre.

livro

Desenvolvimento continua

Os fantasmas invocados pelo governo do Paquistão em 2004 começam agora a assustar. Os protestos contra os drones dos EUA estão aumentando, tanto por parte da população como também do governo. Na terça-feira (22/10), a Anistia Internacional denunciou crimes de guerra no uso de aviões não tripulados.

As autoridades paquistanesas registraram até agora, de acordo com dados da ONU, pelo menos 330 ataques com aviões não tripulados. Neles, cerca de 2.200 pessoas foram mortas.

Segundo dados da rede independente de jornalistas Escritório de Jornalismo Investigativo, , sediada em Londres, essa quota é muito maior. Pelo menos 400 das vítimas seriam civis, segundo informações oficiais paquistanesas. Outras 200 são consideradas “não combatentes”.

“O presidente Obama deixou claro, a portas fechadas, que esses ataques no Paquistão continuarão enquanto houver tropas americanas no país. Isso quer dizer que ainda ocorrerão por pelo menos mais um ano”, avalia Mazzetti.

Obama vai ter que explicar isso ao primeiro-ministro do Paquistão, Nawaz Sharif, que visita Washington nesta quarta-feira (23/10). Mazzetti também acha que vai ser difícil para o governo dos EUA na hora que tiver que apresentar argumentos contra o uso de drones por outros países. Na China e na Rússia, a tecnologia de combate não tripulado também está amadurecendo.

“A Terra como um campo de batalha silenciosa” é uma visão tão assustadora para Mazzeti como o papel dos drones no cotidiano dos EUA. “A polícia já usa drones para fins de investigação”, ressalta o jornalista. “Tenho certeza de que as autoridades criminais um dia vão permitir o uso de drones armados. Em cinco a 10 anos, isso será normal.”

“A CIA voltou ao negócio de matar”: um novo livro sobre os drones e o complexo militar americano | Diário do Centro do Mundo

02/06/2013

Álibi para assassinar: “era da Al Qaeda”

Filed under: Assassinato,Drones,Isto é EUA!,Terrorismo de Estado — Gilmar Crestani @ 9:54 am
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A máquina de matar norte-americana se tornou asséptica e age dia e noite para eliminar eventuais dissidentes ou meros adversários. E para isso conta com comparsas no mundo todo. Basta dizer quem está incomodando ou não se enquadra no perfil político permitido pelos EUA que o pistoleiro eletrônico de plantão, na frente de uma tv, aciona o botão que eliminará o adversário. Até agora não eliminaram nenhum narcotraficante, só adversário políticos. Para os EUA, quem pensa diferente é mais nocivo do que quem os abastece de cocaína. Nem a República Popular da China ou o Khmer Vermelho ousaram tanto. Não há acusação, defesa, julgamento. Apontou o dedo, matou!

IÊMEN

Ataques com drones matam 7 membros da rede Al Qaeda

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS – Sete militantes da rede terrorista Al Qaeda foram mortos e dois ficaram feridos após serem alvos de drones (aviões não tripulados) no sul do Iêmen, segundo fontes oficiais. A região é refúgio de insurgentes.

Não havia confirmação sobre a autoria dos bombardeios, mas operações com drones das Forças Armadas americanas são comuns no país.

30/05/2013

Terrorismo made in USA

Filed under: Assassinato,Drones,Terrorismo de Estado — Gilmar Crestani @ 11:04 pm
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terrorista

Maten a todos aunque sean de los nuestros

Por Juan Gelman

Se trata del primer reconocimiento oficial: Eric Holder, procurador general de EE.UU., envió al Congreso una carta en la que informa de la muerte de cuatro ciudadanos estadounidenses en Yemen desde 2009 como consecuencia de ataques misilísticos con drones o aviones no tripulados (//s3.documentcloud.org, 22/5/13). En la carta, dirigida al presidente de la Comisión del Comité de la Magistratura del Senado, el procurador señala que, aunque los ataques no se realizaron en las zonas de combate de Irak y Afganistán, estaban plenamente justificados por la seguridad de EE.UU.

“Con base en principios legales de generaciones y fallos de la Corte Suprema dictados durante la Guerra Mundial II, así como durante el conflicto presente –dice la carta–, es claro y lógico que la ciudadanía estadounidense por sí sola no otorgue inmunidad” a connacionales que “han decidido cometer ataques violentos contra su propio país desde el extranjero”. No está claro si Samir Khan, Anwar al Awaki y su hijo de 16 años, Abulrahman, muertos por el misil de un drone en el 2011, los tres nacidos en EE.UU., eran miembros de Al Qaida, pero el FBI los consideraba peligrosos por ciertas actividades presuntamente vinculadas con los terroristas. Obama aplaudió la carta de Holder: “Digamos, simplemente, que estos ataques salvaron vidas” (www.dailymail.co.uk, 23/5/13). Ya había firmado la orden ejecutiva que autoriza a asesinar a sus conciudadanos sospechosos de terrorismo.

El senador republicano Lindsey Graham ha criticado el empleo de esos aparatos aéreos en países extranjeros. Según él, han matado ya a unas cinco mil personas (//rt.com, 20/2/13). Se ataca “a grupos de desconocidos sólo porque se presume que son miembros de Al Qaida o de algún otro grupo enemigo” (www.nytimes, 22/5/13). La CIA se encarga de que poco y nada se conozca acerca de los ejecutados y de los detalles de cada operación. Estos ataques se llevan a cabo en Pakistán, Yemen, Somalia y a saber en qué otro país.

Hay disconformidades internas por el empleo de ejecuciones extrajudiciales en vez del debido proceso al acusado y por la cantidad de extranjeros civiles muertos sin causa ni razón. Las universidad de Stanford y de Nueva York publicaron los resultados de una investigación conjunta (Living under Drones) que establece la siguiente conclusión: sólo un dos por ciento de los muertos por drones eran dirigentes terroristas (//blogs.law.stanford.edu, septiembre del 2012). Rehman Malik, ministro del Interior de Pakistán, manifestó que alrededor del 80 por ciento de las víctimas de esos ataques en su país eran civiles (//rt.com, 18/10/12). La tan mentada precisión de los misilazos no parece muy notable.

Las víctimas paquistaníes o yemenitas no han provocado en EE.UU. la misma inquietud que la ejecución extrajudicial de ciudadanos estadounidenses. El senador republicano Rand Paul se opuso a la designación de John Brennan al frente de la CIA –ex asesor de seguridad de Obama, que lo propuso para el cargo y fue confirmado– pronunciando un discurso de cuatro horas en el Senado (//rt.com, 7/3/13). “Hablaré todo lo que haga falta hasta que suene la alarma de costa a costa acerca de que nuestra Constitución es importante, que vuestros derechos a un proceso son preciosos, que ningún estadounidense sea asesinado por un drone en suelo de EE.UU. sin ser acusado de un delito, declarado culpable por un tribunal.” La preocupación de Rand Paul no incluye a los estadounidenses asesinados en países extranjeros.

El procurador Holder indica en su carta que ésta era un paso hacia la transparencia en materia de guerra antiterrorista. La orden de darlo provino del mismo Obama, quien pidió a Holder que diera a conocer “cierta información hasta ahora debidamente clasificada” a fin de que el Congreso conociera “nuestros esfuerzos antiterroristas para garantizar que sean acordes con nuestras leyes y valores y más transparentes para el pueblo estadounidense y para el mundo”. Pero esta actitud más bien parece motivada por escándalos como el que mancha al Departamento de Justicia.

Este Departamento, en contra de sus propios reglamentos y sin avisar a la parte afectada, intervino durante dos meses los teléfonos de la Associated Press, tanto de sus oficinas como el individual de los periodistas (www.newyorker.com, 14/5/13). Según la legislación vigente, esta medida contra la libertad de prensa sólo puede ser ventilada en los tribunales ante los cuales el Poder Ejecutivo debe demostrar su necesidad por haberse producido, por ejemplo, una filtración que considera inconveniente o dañosa. La verdad es que no muchas instituciones de Justicia tienen que ver con la Justicia. Decía el novelista y dramaturgo francés Jules Renard que la Justicia “no es, felizmente, obligatoria”.

Página/12 :: Contratapa :: Maten a todos aunque sean de los nuestros

23/05/2013

E o mundo lamenta: só 4? Que pena!

Filed under: Assassinato,Drones,Isto é EUA!,Terrorismo de Estado — Gilmar Crestani @ 8:58 pm
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EE UU admite por primera vez la muerte de cuatro norteamericanos por ‘drones’

Este anuncio se produce un día antes del discurso previsto del presidente para explicar algunos cambios en la política de seguridad nacional

Antonio Caño Washington 22 MAY 2013 – 23:59 CET26

FOTO: AFP / VIDEO: ATLAS

El Gobierno de Barack Obama ha reconocido por primera vez la muerte, en los últimos años, de cuatro ciudadanos norteamericanos, uno de ellos de forma deliberada, en ataques de drones (aviones sin tripulación) en Yemen y Pakistán. Este anuncio se produce un día antes del discurso previsto del presidente para explicar algunos cambios en la política de seguridad nacional.

La muerte de los cuatro norteamericanos fue reconocida por el fiscal general, Eric Holder, en una carta enviada el miércoles a los líderes de ambos partidos en el Congreso en la que se defiende la decisión de matar a uno de ellos, el más famoso de todos, Anwar al-Awlaki, como una medida “legítima y justa”.

Desde hace tiempo, se había atribuido la muerte de Al-Awlaki a un ataque de drones norteamericanos efectuado en territorio de Yemen en septiembre de 2011, pero el Gobierno, que mantenía en secreto el programa de drones hasta hace menos de un año, jamás lo había admitido.

En su comunicación al Congreso, Holder reconoce también la muerte en el mismo ataque del ciudadano norteamericano Samir Khan, así como la del hijo de Al-Awlaki, Abdulrahman al-Awlaki, en otro bombardeo con drones en Yemen unos meses después. De ambas muertes se tenía noticia.

Sin embargo, se ignoraba la de un cuarto ciudadano norteamericano, Jude Mohammed, que, según la carta remitida por el secretario de Justicia, fue muerto por un drone en Pakistán, aparentemente, en noviembre de 2011.

Holder afirma en su comunicación que sólo la muerte de Al-Awlaki fue premeditada. Las otras tres fueron circunstanciales. Y añade que, en el caso del primero, un dirigente de Al Qaeda muy influyente en Internet, está justificada por los planes descubiertos para organizar atentados contra Estados Unidos.

“La información de la que se dispone, y que permanece clasificada para proteger a las fuentes y los métodos de obtenerla, dejan clara la implicación de Awlaki en la planificación de numerosos complots contra EE UU e intereses occidentales, y demuestra que seguía implicado en esos complots hasta el momento de su muerte”, asegura la comunicación del Departamento de Justicia.

Precisamente, mañana jueves Obama va a anunciar nuevas reglas en el uso de los drones, cuya participación masiva en las guerra contra el terrorismo durante los años de esta Administración ha provocado numerosas críticas contra el presidente. Los drones, aunque reducen los riesgos de los atacantes y, quizá, el número de muertes accidentales, despiertan un gran cuestionamiento moral. Se espera que en ese mismo discurso Obama haga pública también una nueva estrategia para intentar el cierra de la cárcel de Guantánamo.

Esos dos asuntos, drones y Guantánamo, son lo principales motivos de controversia sobre la política antiterrorista de Obama y dos de los habituales motivo de protesta de las organizaciones de derechos humanos.

En el caso de los drones, su uso se multiplicó en los primeros cuatro años de este Gobierno hasta convertirse en el arma más eficaz para el desmantelamiento de Al Qaeda. Al mismo tiempo, tanto los Gobiernos de Pakistán como los de Afganistán –los dos países en los que han intervenido con mayor frecuencia- se han quejado de que los bombardeos de esos aparatos afectan muchas veces a población civil inocente.

EE UU admite por primera vez la muerte de cuatro norteamericanos por ‘drones’ | Internacional | EL PAÍS

15/04/2013

CIA – mercenários da morte

Filed under: CIA,Drones,Isto é EUA!,Terrorismo de Estado — Gilmar Crestani @ 7:04 am
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Quando tirarem dos EUA o direito divino de assassinarem quem eles desejam e acabarmos com os vira-latas e vira-bostas que dão sustentação ideológica aos assassinos, talvez aí possamos em falarmos em civilidade.

CIA fez acordo secreto para ‘drones’

Por MARK MAZZETTI

NEK MUHAMMAD SABIA que estava sendo seguido.

Num dia quente de junho de 2004, esse membro da tribo pashtun estava dentro de uma construção de barro no Waziristão do Sul conversando por telefone via satélite com um dos muitos jornalistas que regularmente o entrevistavam a respeito de como ele enfrentara e humilhara o Exército do Paquistão nas montanhas do oeste do país. Ele perguntou a um dos seus seguidores sobre o estranho pássaro metálico que pairava acima dele.

Menos de 24 horas depois, um míssil destruiu o casebre, arrancando a perna esquerda de Muhammad, que morreu junto com várias outras pessoas, incluindo dois meninos. Os militares paquistaneses rapidamente assumiram a autoria do ataque.

Era mentira.

Muhammad e seus seguidores haviam sido mortos pela CIA, que, pela primeira vez, usava no Paquistão um "drone" (avião teleguiado) Predator para realizar um "assassinato seletivo". O alvo não era um dirigente da Al Qaeda, mas um aliado paquistanês do Taleban que comandava uma rebelião tribal e estava marcado pelo Paquistão como inimigo do Estado. Num acordo secreto, a CIA concordou em matá-lo em troca de acesso ao espaço aéreo paquistanês para poder caçar os seus próprios inimigos com os "drones".

A barganha, descrita em entrevistas com mais de uma dúzia de funcionários públicos no Paquistão e nos Estados Unidos, é crucial para entender a origem de uma dissimulada guerra com "drones" que começou no governo Bush, foi ampliada pelo presidente Barack Obama e é agora motivo de intenso debate nos EUA.

O acordo, um mês depois de um cáustico relatório interno sobre abusos nas prisões secretas da CIA, abriu caminho para que a agência priorizasse a morte de terroristas (em vez da sua captura) e contribuiu para que ela -um serviço de espionagem da época da Guerra Fria- se transformasse em um serviço paramilitar.

A CIA, desde então, já conduziu centenas de ataques com "drones" no Paquistão que mataram milhares de pessoas -militantes e civis. Ela acabou por definir a nova forma americana de combate, criando um atalho nos mecanismos pelos quais os EUA vão à guerra.

Nem as autoridades americanas nem as paquistanesas jamais admitiram o que realmente aconteceu com Muhammad -os detalhes continuam sob sigilo.

Mas, nos últimos meses, parlamentares dos EUA fizeram apelos por transparência, e críticos à direita e à esquerda passaram a pressionar Obama e seu novo diretor da CIA, John Brennan, para que eles ofereçam uma explicação mais completa sobre os objetivos dos "drones".

Ross Newland, que ocupava um cargo graduado na CIA quando a agência foi autorizada a matar integrantes da Al Qaeda, diz que a CIA parece ter ficado muito à vontade com as mortes por controle remoto.

Astro inconteste

Em 2004, Muhammad havia se tornado o astro inconteste das áreas tribais, as ferozes terras montanhosas habitadas pelos wazirs, mehsuds e outras tribos pashtuns que há décadas vivem de forma independente do governo paquistanês.

Muhammad, um ousado membro da tribo wazir, havia montado um exército para combater as forças oficiais e forçara o governo a negociar.

Muitos nas áreas tribais viam com desdém a aliança forjada pelo então presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, com os EUA depois dos atentados de 11 de setembro de 2001.

Nascido perto de Wana, centro comercial do Waziristão do Sul, Muhammad passou a adolescência como ladrão de carros e balconista no bazar da cidade. Achou sua vocação em 1993, mais ou menos aos 18 anos, quando foi recrutado para lutar pelo Taleban no Afeganistão. Ele ascendeu rapidamente na hierarquia militar do grupo.

Quando os EUA invadiram o Afeganistão, em 2001, ele aproveitou a oportunidade para hospedar combatentes árabes e tchetchenos da Al Qaeda, que entravam no Paquistão ao fugir dos bombardeios americanos.

Para Muhammad, isso era um ganha-pão, mas ele também viu outra utilidade nos recém-chegados. Com a ajuda deles, nos dois anos seguintes, lançou ataques contra instalações militares paquistanesas e bases americanas no Afeganistão.

Agentes da CIA em Islamabad pediram a espiões paquistaneses que pressionassem membros da tribo wazir a entregar os combatentes estrangeiros. Relutantemente, Musharraf enviou tropas às montanhas para caçar Muhammad e seus homens. Em março de 2004, helicópteros paquistaneses bombardearam Wana.

Um cessar-fogo foi negociado em abril, durante uma reunião no Waziristão do Sul na qual um comandante paquistanês pendurou uma guirlanda de flores no pescoço de Muhammad.

A trégua deu mais fama a Muhammad, mas logo se revelou um blefe. Ele retomou seus ataques contra as forças paquistanesas.

Oferta americana

A CIA vinha monitorando a ascensão de Muhammad, mas as autoridades o viam mais como um problema do Paquistão do que dos EUA. Em Washington, havia crescente alarme quanto à presença de membros da Al Qaeda nas áreas tribais, e George Tenet, então diretor da CIA, autorizou seus agentes em Islamabad a pressionar as autoridades paquistanesas para permitir os "drones" armados.

Enquanto as batalhas eram travadas no Waziristão do Sul, o chefe do escritório da CIA em Islamabad fez uma visita ao general Ehsan ul Haq, chefe da Inteligência Interserviços (ISI, a espionagem paquistanesa), e lhe apresentou uma oferta: se a CIA matasse Muhammad, a ISI autorizaria voos de "drones" armados sobre as áreas tribais?

A barganha foi selada. Autoridades paquistanesas insistiram em aprovar cada ataque, o que lhes dava controle sobre os alvos. A ISI e a CIA concordaram que todos os voos de "drones" no Paquistão seriam operados sob a autoridade dissimulada da CIA -o que significava que os EUA jamais admitiriam ter conhecimento dos ataques e o Paquistão assumiria o crédito por eles ou ficaria em silêncio.

Nova direção

Enquanto as negociações transcorriam, o inspetor-geral da CIA, John Helgerson, havia acabado de concluir um duro relatório sobre os abusos a detentos em prisões secretas da CIA. Era talvez a mais importante razão individual para que a CIA passasse a matar suspeitos em vez de prendê-los.

Autoridades de contraterrorismo começaram a repensar a estratégia para a guerra secreta. Os "drones" armados ofereciam uma nova direção. Matar por controle remoto era a antítese do trabalho duro e íntimo do interrogatório. Os assassinatos seletivos foram saudados por republicanos e democratas.

Três anos antes da morte de Muhammad e um ano antes de a CIA realizar seu primeiro assassinato seletivo fora de uma zona de guerra -em 2002, no Iêmen-, houve um debate sobre a legalidade e a moralidade do uso de "drones" para matar supostos terroristas.

John McLaughlin, então subdiretor da CIA, disse que não se podia subestimar a mudança cultural que advém da obtenção da autoridade letal. "Quando as pessoas me dizem que ‘não é grande coisa’, eu lhes digo: ‘Você já matou alguém?’", afirmou. "É grande coisa. Você começa a pensar de um jeito diferente."

Depois do 11 de Setembro, porém, essas preocupações foram rapidamente postas de lado.

Depois que Muhammad foi morto, o general Shaukat Sultan, um porta-voz paquistanês, disse a jornalistas que o "facilitador da Al Qaeda" Nek Muhammad e quatro outros "militantes" haviam sido mortos por um foguete disparado por forças paquistanesas. Qualquer insinuação de que Muhammad teria sido morto por americanos ou com assistência americana, disse ele, era "totalmente absurda".

Este artigo foi adaptado do livro "The Way of the Knife: The C.I.A., a Secret Army, and a War at the Ends of the Earth"

14/03/2013

Terrorismo de Estado

Filed under: Drones,Isto é EUA!,Terrorismo de Estado — Gilmar Crestani @ 9:30 am
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O terror promovido pelos drones americanos

Medea Benjamin12 de março de 201320

A opinião pública dos Estados Unidos tem que dizer basta para a matança de inocentes.

Enterro de civis muçulmanos alcançados pelos drones

Medea Benjamin, 60 anos, escritora americana, é cofundadora do Codepink,  um grupo de defesa dos direitos humanos. Ela tem se batido particularmente, nos últimos tempos, contra os drones — os aviões de guerra que não têm tripulação.

No dia 29 de maio, o New York Times publicou uma análise profunda sobre o papel do presidente Obama em relação à autorização dos ataques feitos pelos drones americanos no exterior, particularmente no Paquistão, no Iêmen e na Somália. É de arrepiar ver a fria e macabra facilidade com a qual o presidente e seu pessoal decidem quem irá viver e quem irá morrer. O destino de pessoas que vivem a milhares de quilômetros de distância é decidido por um grupo de americanos, eleitos ou não eleitos, que não falam sua linguagem, não conhecem sua cultura, não entendem seus motivos e valores. Embora afirmem representar a maior democracia do mundo, os líderes americanos estão colocando, em uma lista de pessoas para serem mortas jovens que não têm a oportunidade de se render e certamente não têm também a oportunidade de serem julgadas em um tribunal.

Quem está fornecendo ao presidente e seus assessores uma lista de suspeitos de terrorismo entre os quais devem escolher os que serão mortos, aleatoriamente? O tipo de informação usado para colocar as pessoas nas listas é o mesmo tipo de informação usado para colocar pessoas em Guantânamo. Lembre-se de como o público americano foi assegurado de que os prisioneiros trancafiados em Guantânamo eram “os piores de todos”, só para descobrir depois que centenas deles eram gente inocente que tinha sido vendida para o exército americano por caçadores de recompensa.

Sendo assim, por que razão o público deveria acreditar no que o governo de Obama diz sobre as pessoas que estão sendo mortas por drones? Especialmente tendo em vista que, como vimos no New York Times, o governo apareceu com uma solução para fazer com que a taxa de morte de civis fosse a menor possível: simplesmente considerar homens com determinada idade – aquela em que podem estar com guerreando — como inimigos. A alegação é que “pessoas em uma área onde há uma atividade terrorista recorrente, ou encontradas com um um militante de alto escalão da Al-Qaeda, certamente possuem más intenções”. Ao menos quando Bush atirou militantes suspeitos em Guantânamo, suas vidas foram poupadas.

Em acréscimo às listas de morte, Obama concedeu à CIA a autoridade de matar com ainda maior facilidade, usando ataques baseados unicamente em comportamento suspeito. Homens dirigindo caminhões com fertilizantes podem ser fabricantes de bombas – mas também podem ser fazendeiros.

Harold Koh, assessor jurídico de Obama, insiste em que essa matança é legal sob a lei internacional porque os Estados Unidos têm direito à autodefesa. É verdade que todas as nações possuem o direito de se defender, mas a defesa deve ser contra um ataque iminente e esmagador que se aproxima e não há tempo para um momento de deliberação.

Máquinas de matar

Quando a nação não está em um conflito armado, as regras são ainda mais rigorosas. A matança só pode acontecer quando é necessária para proteger a vida e quando não há outros meios, tais como a captura ou a incapacitação não-letal, para prevenir a ameaça à vida. Fora de uma zona ativa de guerra, então, é ilegal o uso de drones, que são armas de guerra incapazes de capturar um suspeito vivo.

Pense no precedente que os Estados Unidos estão fixando com sua doutrina de mate-não-capture. Se a justificativa americana fosse aplicada por outros países, a China poderia declarar que um ativista da etnia uigur que vive em Nova York é um “combatente inimigo” e lançar um míssil em Manhattan; a Rússia poderia afirmar que é perfeitamente legal iniciar um ataque de drone contra alguém que vive em Londres, se suspeitarem que a pessoa em questão tem algum tipo de ligação com militantes chechenos.

Ou considere o caso de Luis Posada Carriles, um cubano naturalizado venezuelano que vive em Miami, um terrorista condenado por ter planejado, em 1976, um bombardeio em um avião cubano. Carriles matou 73 pessoas. Levando-se em conta o fracasso do sistema jurídico dos Estados Unidos, o governo cubano poderia alegar que tem direito de mandar um drone para o centro de Miami para matar um terrorista confesso e inimigo jurado.

Um antigo diretor da CIA afirmou que a estratégia de usar drones é “perigosamente sedutora”, porque o custo é pequeno, não implica em baixas no exército e tem um aspecto de resistência. “Ela é útil para o mercado interno”, ele disse, “e é impopular em outros países. Qualquer dano no interesse nacional só aparece a longo prazo”.

Mas um artigo publicado no Washington Post mostra que o dano não é a longo prazo, e sim imediato. Após entrevistar mais de vinte líderes tribais, parentes de vítimas, ativistas de direitos humanos e oficiais de Iêmen do sul, o jornalista Sudarsan Raghavan concluiu que os ataques estão radicalizando a população local e aumentando a simpatia pela al-Qaeda e por seus militantes. “Os drones estão matando os líderes da al-Qaeda”, disse Mohammed al-Ahmadi, coordenador de um grupo local de direito humanos, “mas também estão os transformando em heróis”.

Até mesmo o artigo do New York Times reconhece que o Paquistão e o Iémen estão menos estáveis e mais hostis aos Estados Unidos desde que Obama se tornou o presidente e desde que os drones se tornaram um petulante símbolo do poder americano atropelando a soberania nacional e assassinando inocentes.

Shahzad Akbar, um advogado paquistanês que está processando a CIA a favor das vítimas dos drones, diz que já é hora de o povo americano se pronunciar. “Você pode confiar em um programa que existe há oito anos, escolhe seus alvos em segredo, não enfrenta qualquer responsabilidade e que matou, apenas no Paquistão, quase três mil pessoas cuja identidade é desconhecidas pelos seus assassinos?”, ele pergunta. “Quando as mulheres e crianças do Paquistão são mortas com mísseis, os paquistaneses acreditam que é isso que o povo americano quer. Eu gostaria de perguntar para os americanos, ‘é isso?’”

TEXTO TRADUZIDO POR CAMILA NOGUEIRA

Diário do Centro do Mundo – O terror promovido pelos drones americanos

27/01/2013

Drone, arma perfeita do pistoleiro covarde

Filed under: Assassinato,Drones,Isto é EUA!,Terrorismo de Estado,Violência — Gilmar Crestani @ 8:29 am

Guerra pressupõe uma disputa, um litígio. Um drone disputa o que com quem? Na verdade tem sido usado do mesmo modo que os coronéis do interior do sertão nordestino: o coronel contrata um pistoleiro para matar um adversário um alguém de quem, por qualquer dá cá uma palha, não gosta. O cara reage à invasão e ele é “insurgente”. Pelo dito, se fores estuprado pelos EUA, ao invés de reagir, deveria agradecer. O uso de eufemismo para justificar o assassinato indiscriminado de quem ousa reagir não é método novo. Plutarco, quando fala das leis que Solón deixou ao atenienses, relata:

De sorte que, perguntando-se-lhe depois se efetivamente dera aos atenienses as melhores leis, respondeu: ‘As melhores que eles podiam aceitar.’ Autores mais recentes insinuam que os atenienses costumam edulcorar espiritualmente tudo aquilo que as realidades tem de desagradável, camuflando-as sob nomes honestos e simpáticos: por exemplo, chama as cortesãs de ‘amigas’, os impostos de ‘contribuições’, as guarnições de ‘salvaguardas’, as prisões de ‘residências’!

O texto provavelmente seja publicado por todos os veículos do mundo onde a CIA paga e recebe. O ponto de vista expresso, asséptico, não poderia ser mais edulcorante para quem usa drones.

A guerra dos drones

O que sabemos (e o que não) sobre os aviões assassinos dos EUA

CORA CURRIERTRADUÇÃO CLARA ALLAIN

RESUMO Os drones, veículos aéreos não tripulados, se firmaram como a arma favorita da política de contrainsurgência da primeiro mandato de Obama. A falta de clareza quanto à forma de definição de alvos, a legalidade das ações e o número de mortos transformou-os em alvo privilegiado das críticas ao democrata.

Você talvez já tenha ouvido falar da "kill list", lista de alvos a serem mortos. Com certeza já ouviu falar em "drones" (literalmente, "zangões"), ou, em português, Vants, veículos aéreos não tripulados. Mas os detalhes da campanha dos EUA contra militantes no Paquistão, no Iêmen e na Somália -um elemento central na política de segurança nacional do governo Obama- continuam envoltos em segredo. Aqui dizemos o que sabemos -e o que não sabemos- sobre o assunto.

ONDE ACONTECE A GUERRA DOS DRONES? QUEM A TRAVA?

Os drones vêm sendo a ferramenta preferida do governo Obama para abater militantes fora do Iraque e do Afeganistão. Não são a única arma empregada: relatam-se também ataques aéreos convencionais e outros. Mas, segundo uma estimativa, 95% dos assassinatos seletivos desde o 11 de Setembro foram realizados por drones. Entre as vantagens que os drones representam, está não colocar em risco a vida de militares americanos.

O primeiro ataque de drones contra a Al Qaeda de que se tem registro ocorreu no Iêmen, em 2002. Em 2008, no mandato de George W. Bush, a CIA intensificou os ataques secretos com drones no Paquistão. Na gestão de Barack Obama, eles aumentaram dramaticamente no Paquistão e, em 2011, no Iêmen.

A CIA não é a única a atacar com drones. As Forças Armadas americanas admitem ter levado a cabo "ações diretas" no Iêmen e na Somália. Nesses países, as incursões seriam realizadas pelo JSOC [sigla em inglês para Comando Conjunto de Operações Especiais], unidade secreta de elite. Desde o 11 de Setembro, o JSOC cresceu mais de dez vezes e passou a coletar informações e a desempenhar papéis no combate. A operação que matou Osama bin Laden, por exemplo, foi responsabilidade do JSOC.

A guerra dos drones é travada à distância, a partir dos EUA e de uma rede de bases secretas mundo afora. O "Washington Post" -que examinou contratos de construção e foi até o local sem ser convidado- conseguiu vislumbrar a base localizada no Djibuti, pequeno país africano a partir da qual são lançadas muitas das incursões no Iêmen e na Somália. No início deste ano a revista "Wired" reconstituiu, a partir de trechos esparsos, um relato da guerra contra o grupo militante Al Shabaab, na Somália, e da presença militar que os EUA expandiram na África.

Os ataques no Paquistão diminuí-ram nos últimos anos, passando do pico de mais de cem em 2010 para estimados 46 em 2012. Enquanto isso, os ataques no Iêmen aumentaram: foram mais de 40 no ano passado. Houve sete incursões no Paquistão nos primeiros dez dias de 2013.

COMO OS ALVOS SÃO ESCOLHIDOS?

Uma série de artigos baseados principalmente em declarações anônimas de funcionários do governo americano permitiu formar um quadro parcial de como os EUA escolhem os alvos e lançam os ataques. Dois relatos recentes -de pesquisadores da Columbia Law School e do Council on Foreign Relations- deram uma minuciosa visão geral do que é sabido sobre o processo.

Segundo esses relatos, a CIA e as Forças Armadas mantêm, há muito tempo, listas de alvos, que em parte se sobrepõem. De acordo com notícias publicadas no primeiro semestre do ano passado, a lista das Forças Armadas foi redigida em reuniões entre agências comandadas pelo Pentágono, e a Casa Branca aprovou os alvos propostos. O presidente Obama teria autorizado missões especialmente delicadas.

Neste ano o processo teria mudado, com a Casa Branca concentrando tanto a análise dos indivíduos alvejados e os critérios de definição de alvos. Segundo o jornal "Washington Post", as revisões agora são feitas em reuniões regulares entre as agências, no Centro Nacional de Contraterrorismo. As recomendações são enviadas a um comitê de membros do Conselho Nacional de Segurança.

As revisões finais passam pelo assessor para contraterrorismo da Casa Branca, John Brennan, para então chegar ao presidente. Vários perfis destacaram o papel poderoso e controverso exercido por Brennan na definição da trajetória do programa de assassinatos seletivos. No começo do mês, Obama nomeou Brennan diretor da CIA.

Ao menos parte dos ataques da CIA prescinde do sinal verde da Casa Branca. Consta que o diretor da CIA pode autorizar ataques no Paquistão. Em entrevista de 2011, John Rizzo, ex-advogado-chefe da CIA, afirmou que advogados da agência faziam análises detalhadas de cada alvo.

OS EUA ÀS VEZES MIRAM PESSOAS CUJOS NOMES NÃO CONHECEM?

Sim. Embora representantes do governo volta e meia tenham descrito as incursões com drones como dirigidas a "líderes de alto nível da Al Qaeda que estejam planejando ataques" contra os EUA, muitas delas visam supostos militantes cuja identidade os EUA não conhecem. Os chamados "signature strikes" [ataques a supostos militantes, identificados como alvos pelo seu padrão de comportamento], começaram sob Bush, no início de 2008, e foram ampliados por Obama. Não se sabe ao certo quantos dos ataques são "signature strikes".

Em vários momentos o recurso a esse tipo de ataque pela CIA, em especial no Paquistão, gerou tensões com a Casa Branca e o Departamento de Estado. Um funcionário contou ao jornal "The New York Times" uma piada: para a CIA, três sujeitos fazendo polichinelo já bastam para indicar a presença de um campo de treinamento de terroristas.

No Iêmen e na Somália, discute-se se os militantes na mira americana estão de fato conspirando contra os EUA ou se estariam lutando contra seus próprios países. Micah Zenko, membro do Council on Foreign Relations e autor de críticas ao programa de drones, disse ao "ProPublica" que, basicamente, os EUA estão operando "uma força aérea de contrainsurgência" para países aliados (leia mais sobre drones e Zenko na pág. 6). Alguns ataques se basearam em informações locais que, mais tarde, se mostrariam erradas. O "Los Angeles Times" examinou recentemente o caso de um iemenita morto por um drone dos EUA e da teia complexa de submissão e política que cercou sua morte.

QUANTAS PESSOAS JÁ FORAM MORTAS NOS ATAQUES?

Não se sabe o número preciso. Mas,segundo algumas estimativas, o total ronda os 3.000 mortos.

Diversos grupos rastreiam os ataques com drones e estimam o número de baixas: O "Long War Journal" cobre o Paquistão e o Iêmen. A New America Foundation cobre o Paquistão. O London Bureau of Investigative Journalism cobre o Iêmen, Somália e Paquistão, além de estatísticas sobre ataques com drones lançados no Afeganistão.

QUANTOS SÃO OS MORTOS CIVIS ATÉ AGORA?

É impossível saber.

Os números divergem consideravelmente, para mais e para menos, quanto às baixas civis. A New America Foundation, por exemplo, estima que entre 261 e 305 civis tenham sido mortos no Paquistão; para o Bureau of Investigative Journalism, foram entre 475 e 891. Todas as contagens superam em muito os números divulgados pelo governo (detalhamos diferenças até mesmo nessas estimativas baixas). Algumas análises indicam que as mortes de civis teriam diminuído proporcionalmente nos últimos anos.

Em grande medida, essas estimativas se fundam na interpretação do noticiário produzido com base em depoimentos de funcionários americanos anônimos ou em relatos da mídia local, de credibilidade variável. Um exemplo: o "Washington Post" publicou, no fim de dezembro, um texto afirmando que o governo iemenita procura ocultar o papel dos EUA em ataques aéreos que resultam em mortes de civis.

A controvérsia se intensificou pelo fato de que os EUA supostamente consideram militante qualquer indivíduo do sexo masculino e em idade militar morto num ataque por drones. Como disse um funcionário do governo ao "ProPublica": "Se um grupo de homens em idade militar está numa casa onde sabemos que estão sendo fabricados explosivos ou onde esteja sendo tramado um ataque, presume-se que todos estejam fazendo parte desse esforço". Não se sabe ao certo se, após o fato, há investigações em curso.

A Columbia Law School fez uma análise aprofundada do que sabemos sobre os esforços dos EUA para mitigar e calcular baixas civis. O estudo concluiu que a natureza sigilosa da guerra dos drones prejudica os mecanismos usualmente empregados em ações militares tradicionais para determinar responsáveis. Outro relatório, produzido pela Universidade Stanford e pela Universidade de Nova York, documentou "ansiedade e trauma psicológico" entre habitantes de aldeias paquistanesas.

Em outubro, a ONU anunciou que investigaria o impacto civil das ações com drones, com especial atenção aos ataques em dois tempos -nos quais uma segunda investida abate pessoas que estejam no local resgatando vítimas da primeira.

POR QUE SIMPLESMENTE MATAR? POR QUE NÃO CAPTURAR?

Em discursos, autoridades norte-americanas disseram que os militantes se tornam alvos quando representam uma ameaça iminente aos EUA e sua captura não é viável. Mas o assassinato parece ser bem mais frequente do que a captura, e os relatos sobre ataques não definem o que seria "iminente" nem "viável". Casos de capturas secretas no exterior, sob a Presidência de Obama, lançam luz sobre os dilemas políticos e diplomáticos em jogo nas decisões sobre como e quando é possível capturar um suspeito.

O "Washington Post" descreveu, em outubro, algo chamado "disposition matrix" -processo que determina planos de contingência para decidir, conforme onde eles estiverem, que destino dar aos terroristas. Com base em exemplos conhecidos, a revista "Atlantic" traçou como ocorreria essa tomada de decisão, no caso de um cidadão americano suspeito. Mas é claro que os detalhes sobre a matriz de descarte não são conhecidos, da mesma forma como não o são os das "kill lists" -que ela em tese substituiria.

QUAL É LÓGICA LEGAL QUE EXPLICA TUDO ISSO?

Em diversos pronunciamentos, funcionários do governo Obama apresentaram, em linhas gerais, as justificativas legais para os ataques, mas em nenhuma ocasião foram comentados casos específicos. Na verdade, não existe um reconhecimento oficial, por parte das autoridades, de uma guerra dos drones.

A Casa Branca argumenta que a lei de Autorização de Uso de Força Militar (AUMF), de 2001, bem como a legislação internacional sobre o direito dos países à autodefesa, fornecem base legal consistente para realizar ataques seletivos contra indivíduos vinculados à Al Qaeda ou a "forças associadas a ela", mesmo fora do Afeganistão. Isso pode incluir cidadãos americanos.

"O devido processo legal", disse, num discurso em março passado o secretário de Justiça, Eric Holder, "leva em conta as realidades do combate." A forma assumida por esse "devido processo legal" ainda não está clara. E, como relatamos, o governo volta e meia se fecha em copas quanto a questões específicas -como a morte de civis ou as razões pelas quais determinados indivíduos são mortos.

No começo do mês, um juiz federal determinou que o governo não tem a obrigação de divulgar um memorando legal secreto que argumenta em favor do assassinato de Anwar al Awlaki, um cidadão americano, num ataque de drone. O juiz também decidiu que o governo não é obrigado a atender a outros pedidos de informação sobre os assassinatos seletivos, de modo geral.

(Ao tomar a decisão, o juiz reconheceu o paradoxo, dizendo que o governo alega "serem perfeitamente legais certas ações que, à primeira vista, possam parecer incompatíveis com nossa Constituição e nossas leis, ao mesmo que se reserva o sigilo quanto às razões que levaram a tais conclusões".)

Os EUA também vêm tentando fazer com que se julgue improcedente uma ação movida por parentes de Awlaki por sua morte e a de seu filho de 16 anos, cidadão americano como ele.

QUANDO A GUERRA DOS DRONES VAI ACABAR?

Há quem diga que o governo já teria discutido a possibilidade de reduzir a guerra dos drones. Outros, porém, afirmam que o programa de assassinatos seletivos vem sendo formalizado para que sua duração seja estendida. Os EUA estimam que a Al Qaeda na Península Arábica tenha "alguns milhares" de membros. Mas autoridades já declararam também que os EUA "não podem capturar ou matar cada terrorista que alega ter vínculos com a Al Qaeda".

Em dezembro, Jeh Johnson, que acaba de deixar o cargo de advogado-geral do Pentágono, fez um discurso intitulado "Como Terminará o Conflito Contra a Al Qaeda e Suas Organizações Afiliadas?". Ele não deu uma data.

John Brennan teria declarado que a CIA deveria voltar a se concentrar na coleta de informação. Mas seu papel crucial no comando da guerra dos drones na Casa Branca suscitou a dúvida sobre quanto ele de fato limitará o envolvimento da agência como chefe da CIA.

E AS REAÇÕES NEGATIVAS NO EXTERIOR?

Ao que parece, elas são abundantes. Nos países submetidos a ataques com drones, a guerra é profundamente malvista e suscita protestos frequentes. Apesar disso, Brennan afirmou, em agosto, que os EUA veem "pouca evidência de que as ações estejam gerando indisposição contra os EUA ou engajamento antiamericano em grande escala".

Recentemente, porém, o general Stanley McChrystal, que comandou as Forças Armadas no Afeganistão, contradisse essa visão: "O ressentimento gerado pelo uso americano de ataques com aviões não tripulados […] é muito maior do que percebe o americano médio. Os americanos são visceralmente odiados, mesmo por pessoas que nunca viram um americano ou sofreram com as ações de um americano." O "New York Times" relatou recentemente que militantes paquistaneses vêm promovendo uma campanha de represálias brutais contra locais, acusando-os de espionar para os EUA.

No que diz respeito aos governos internacionais, a maioria dos principais aliados dos EUA se mantém em silêncio. Em relatório de 2010, a ONU demonstrou preocupação quanto ao precedente de uma guerra oculta e sem fronteiras. O presidente do Iêmen, Abdu Hadi, apoia a campanha dos EUA, enquanto o Paquistão se mantém sobre uma incômoda combinação de protestos públicos e aparente concordância.

Nota
Este texto foi originalmente publicado pelo site norte-americano ProPublica (www.propublica.org).

14/10/2012

Drones

Filed under: Drones,Isto é EUA!,Máquina de Matar,Terrorismo de Estado — Gilmar Crestani @ 9:04 am

Por Santiago O’Donnell

Al teléfono con Mary Ellen O’Connell, después de leer lo que se escribió de ella el martes pasado en el Los Angeles Times. “En la batalla legal en contra de los ataques de drones, ella está en la primera línea. Una profesora de derecho de (la universidad de) Nôtre Dame lidera una solitaria campaña para frenar los asesinatos selectivos en Pakistán y otras partes del mundo, insistiendo en que violan el derecho internacional.”

Por lo que sabemos, los “ataques con drones” a los que hace referencia el diario estadounidense son una nueva forma de matar. Una forma de asesinar desde el Estado que se ha adoptado en Estados Unidos a partir del 11-S, pero de manera muy acentuada a partir de la actual presidencia de Barack Obama, que permite la eliminación física de una persona sin juicio ni jurado, con verdugo a control remoto, por orden secreta presidencial, a través de avioncitos teledirigidos armados con bombas y misiles.

La profesora O’Connell no dice “los drones están prohibidos, los drones no se pueden usar”. Dice que los drones disparan misiles y que disparar misiles es un acto de guerra. Entonces los “ataques con drones” sólo deberían permitirse en el marco de un conflicto armado. Sin embargo, son utilizados en países como Pakistán o Yemen, que no están en guerra con Estados Unidos, señala la profesora. Los abogados del Pentágono y la Casa Blanca argumentan que la Guerra al Terror es como un nuevo escenario donde el enemigo no tiene Estado ni territorio, y por lo tanto las viejas leyes no aplican. Pero en sus escritos y declaraciones la profesora O’Co-nnell deja en claro que el derecho humano a la vida sólo se puede quitar cuando hay un peligro directo e inminente contra otra persona si no se actúa, y los asesinatos selectivos a través de drones están muy lejos de alcanzar ese piso de legalidad.

Tenemos poco tiempo. Leslie Berg, asistente de la profesora, nos cuenta que desde que salió la semblanza en el diario de Los Angeles no paran de llamarla de todo el mundo, justo en la semana en que la profesora se ocupa de exámenes de mitad de término. Entonces vamos al grano. Queremos saber cómo viene la batalla legal, que nos haga un despacho desde el mismo frente.

“Hay varios casos que están surgiendo, pero el más importante por el impacto es un juicio en Gran Bretaña por la muerte de un adulto y un niño que eran padre e hijo cuando fueron alcanzados por un misil disparado por un dron en el este de Pakistán. Fue durante una reunión de jefes tribales pacíficos, no había ninguna actividad militar. El abuelo del niño y padre de la otra víctima es quien lleva adelante el juicio, hay unos abogados excelentes tomando declaraciones. El objetivo es que el gobierno británico desista de apoyar con inteligencia y logística a los ataques con drones que realizan los estadounidenses. Hay otro caso por daños (fuero civil) en Estados Unidos por los tres ciudadanos estadounidenses muertos en Yemen, que eran padre, hijo y sobrino, y otro caso en que la demanda la hace la madre de una víctima, en el que el principal acusado es Leon Panetta (ex jefe de la CIA y actual secretario de Defensa).”

¿Y se puede ganar la batalla legal para prohibir los ataques con drones fuera de los escenarios bélicos?

“Lo importante es que estos casos sirven para ir educando al público de que no siempre las cosas fueron así”, contesta la profesora desde su oficina en el campus de la universidad. “Aun en el gobierno de Reagan, la Casa Blanca se oponía a los asesinatos selectivos que realizaba Israel fuera de zonas de combate. (Aprobar ese tipo de asesinatos) no era el punto de vista de Estados Unidos, pero esa política cambió a partir del 11-S. No porque hayan cambiado las leyes, sino por miedo a un mundo que va cambiando.”

Cuenta la profesora que las muertes por ataques de drones ya superan las 4000 víctimas mortales, casi todos durante el gobierno de Obama. “Al principio eran ataques muy selectos pero con el tiempo se fueron masificando hasta desmadrarse. Hoy por pertenecer a cierto grupo etario en determinada población, y te reúnes con otra gente, eso ya te hace un posible blanco de asesinato”, denunció O’Connell. “Espero que Argentina haga presión para terminar con esta práctica. Argentina tiene experiencia en manejar casos de terrorismo (se refiere a los atentados a la AMIA y la Embajada de Israel) y lo ha manejado dentro de la ley, con ayuda de otros países como Estados Unidos o Israel, pero dentro de los márgenes de la ley.”

La profesora sabe bastante de guerras. Antes de recalar en Notre Dame, la principal universidad católica de Estados Unidos, O’Connell fue docente en el Departamento de Defensa, donde conoció a quien luego sería su marido, un oficial de inteligencia del ejército estadounidense. Entre 2005 y 2010 O’Connell dirigió el Comité sobre Uso de Fuerza de la Asociación de Derecho Internacional y actualmente es la vicepresidenta de la Sociedad americana de Derecho Internacional. “Yo conocí a mi marido militar enseñando leyes sobre conflicto armado en agencias del gobierno de Estados Unidos. Conozco bien el espíritu de la ley, basado en la tradición judeocristiana de sólo recurrir a la violencia en caso de necesidad extrema. El uso de fuerza letal en un escenario bélico es más abierto, pero en tiempo de paz sólo se justifica si salva una vida inmediatamente. Es lo que dice la ley. Se basa en el principio moral de que cada persona tiene derecho a una vida digna. Se trata de una cuestión moral. Por eso es importante que la gente se entere, a partir de explicaciones claras, de lo que dice la ley, para presionar a Estados Unidos como un imperativo moral, que no tiene derecho a matar gente de esta manera.”

Aunque ha testificado sobre la definición de “conflicto armado” en más de un caso de ataques con drones, O’Connell aclara que ella no impulsa causas judiciales. “Yo no actúo como abogada ni como política. Simplemente busco alertar sobre los peligros de lo que está sucediendo a través de mi trabajo académico.”

No queda tiempo para más. Le pregunto si lo que hace Obama con los drones se puede llamar asesinato. “No encuentro otra palabra más apropiada”, se despide la profesora.

sodonnell@pagina12.com.ar

Página/12 :: El mundo :: Drones

12/10/2012

A lição de Lavoisier

Filed under: Drones — Gilmar Crestani @ 10:50 am

Nunca vou esquecer dos meus estudos fundamentais de Química: “Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.” Lavoisier. A mesma usada para atacar, ataca.

Hezbolá reivindica la incursión de un ‘drone’ sobre Israel

Hasán Nasralá, el líder máximo de la milicia, ha explicado en un discurso televisado que su organización envió el avión no tripulado en el sur de Israel

Ana Carbajosa Jerusalén11 OCT 2012 – 21:45 CET111

Una imagen del vídeo difundido por Hezbolá. / AFP

El misterio sobre el origen del avión no tripulado que penetró en el espacio aéreo israelí el pasado fin de semana parece haberse resuelto. Por un lado, Hezbolá, el partido milicia chií se ha atribuido el envío del drone y ha precisado que se trata de un avión de fabricación iraní. Por otro, el primer ministro israelí, Benjamín Netanyahu, indicó que fue el grupo libanés el que envió el aparato en misión de espionaje.

más información

Desde que el pasado sábado aviones de combate israelíes F-16 derribaran el avión no tripulado en el sur del país, el misterio ha rodeado a la procedencia del aparato. La hipótesis de que se trataba de una operación firmada por Hezbolá, —junto con Irán—, el gran enemigo israelí ha ido cobrando fuerza.

Israel se enfrentó a Hezbolá en territorio libanés en 2006 mediante una sangrienta operación militar. El incidente se produce además en un contexto de amenazas más o menos veladas por parte de Israel al régimen de Teherán sobre un posible ataque para frenar el desarrollo de su programa nuclear iraní.

Hasán Nasralá, el líder máximo de Hezbolá ha explicado en un discurso televisado que su organización envió el avión no tripulado en el sur de Israel. “El avión fue enviado por la resistencia libanesa por mar y llegó al sur de la Palestina ocupada”, dijo Nasralá durante su intervención, en la que consideró la operación un éxito notable. El líder de Hezbolá anunció también que el drone consiguió sobrevolar “instalaciones estratégicas” israelíes. Y añadió que consiguió volar cerca de Dimona, el complejo nuclear israelí en el sur del país.

Netanyahu ha advertido hoy durante una visita al sur del país, que Israel “actuará con determinación para defender sus fronteras”, de la misma manera que “frustramos durante el fin de semana el intento de Hezbolá” de espiar con su drone en Israel.

Hezbolá reivindica la incursión de un ‘drone’ sobre Israel | Internacional | EL PAÍS

30/09/2012

EUA, uma nação que busca matar de todas as formas

Filed under: Drones,Máquina de Matar,Terrorismo de Estado — Gilmar Crestani @ 7:29 pm

Para estadounidenses también

Por Juan Gelman

Las facultades de Derecho de las universidades de Stanford y de Nueva York acaban de dar a conocer un estudio sobre las consecuencias del accionar de los aviones no tripulados (ANT), drones en inglés, que surcan los cielos de Pakistán y lanzan misiles contra supuestos talibán y la población civil (//livingunderdrones.org, septiembre 2012). La investigación duró nueve meses, se realizó en parte sobre el terreno y da cuenta de los llamados “daños colaterales”, es decir, el número de civiles muertos por esas agresiones. Pero no sólo.

“Los ANT vuelan 24 horas al día sobre comunidades del noroeste de Pakistán y atacan casas, vehículos y espacios públicos sin advertencia previa”, señala el estudio. Agrega: “Su presencia aterroriza a hombres, mujeres y niños, crean ansiedad y traumas psicológicos entre las comunidades civiles… que deben convivir con la constante preocupación de que un ataque mortífero puede tener lugar en cualquier momento, sabiendo que no pueden protegerse a sí mismos”.

Consecuencias: los niños no van a la escuela, cunde el miedo, hay muertos, heridos, daños a la propiedad, problemas económicos severos, una angustia sostenida y los pobladores incluso temen asistir a los entierros ya que más de uno fue bombardeado por los ANT. El estudio cita conclusiones de la Oficina de Periodismo de Investigación, que ha reunido los datos más precisos y completos sobre las bajas producidas por esos aparatos en Pakistán desde el 2004 hasta mediados de septiembre de este año: murieron de 2562 a 3325 personas, de las cuales de 474 a 881 eran civiles, 176 niños entre ellos (www.thebureainvestigates.com, 12-9-12). Muchos del resto serían talibán, pero “la proporción de blancos ‘de alto nivel’ es extremadamente baja, apenas el 2 por ciento”, según la investigación.

La Casa Blanca suele ignorar a las víctimas civiles causadas por los ANT y declara públicamente que no las hubo o que no superan un dígito (www.cspanvideo.org, 29-6-11). Asimismo ignora –o no le importan– las reacciones negativas que esos ataques despiertan en los paquistaníes: algunos no pocos se incorporan a los talibán (www.nytimes.com, 29-5-12), muchos han resuelto no cooperar con las políticas de Washington y una amplia encuesta indica que el 74 por ciento de la población del país asiático considera que el enemigo es EE.UU., no el talibán (www.pewglobal.org, 27-6-12). La relación niños muertos/mandos talibán muertos es incómoda y generadora de silencios.

Los ANT muy probablemente no provocarán los mismos efectos cuando sobrevuelen las cabezas de todos los estadounidenses con otro fin: espiarlos. La ley de modernización y reforma de la Autoridad Federal de la Aviación (FAA, por sus siglas en inglés), promulgada por Obama el 14 de febrero pasado, establece la ampliación de la flota de ANT destinada a sobrevolar únicamente el territorio de EE.UU., hecho que ya está en acto. Según el Christian Science Monitor, “hasta 30.000 ANT podrían participar en la recolección de datos de inteligencia y la aplicación de la ley en EE.UU. en los próximos diez años” (www.csmonitor.com, 15-9-12). El presupuesto de la AFA asciende a 63.000 millones de dólares. El complejo militar-industrial, agradecido.

Un informe de la FAA revela que ya se está construyendo una vasta infraestructura para los ANT, 110 bases militares en 39 estados servirán como centros de lanzamiento y ha comenzado la capacitación de efectivos especializados (www.faa.gov/uas, abril 2012). El gobierno de Obama está erigiendo una instalación secreta de extensión sin precedente en Bluffdale, Utah, para almacenar y procesar toda la información que reúne sobre la población estadounidense (www.wired.com, 15-3-12).

Esta instalación, perfectamente fortificada, “costará 2000 millones de dólares y deberá estar pronta en septiembre de 2013”, agrega el informe. La utilización de los ANT depende del Departamento de Seguridad Interior, encargado de cumplir esa tarea. Cabe recordar que diversos organismos de inteligencia espían, reúnen y analizan desde hace años millones de llamados telefónicos y de correos electrónicos del estadounidense corriente.

Varias administraciones estatales emplean ANT para vigilar protestas civiles. Disponen de sensores que incluso permiten identificar rasgos faciales y placas de automóviles. La División de Inteligencia de la policía de Nueva York lleva a cabo una amplia labor de espionaje de diferentes manifestaciones y aun de reuniones de grupos liberales y elabora informes detallados de la identidad de los participantes (//cbsnews.com, 15-3-12).

Steven Aftergood, que preside la realización de un proyecto sobre secrecía del gobierno, impulsado por la Federación de Científicos Estadounidenses, manifestó que “hay cuestiones políticas graves atinentes a la privacidad y la vigilancia por parte del gobierno y de las entidades empresariales” (www.washingtonpost.com, 7-2-12). La Fundación Frontera Electrónica de San Francisco subrayó que el empleo de ANT “entraña amenazas sustanciales a la privacidad” de los ciudadanos (//epic.org, 24-2-12). La interminable “guerra antiterrorista” crea paisajes orwellianos.

Página/12 :: Contratapa :: Para estadounidenses también

Sin pilotos

La fórmula de exterminio sin riesgo adoptado para la guerra, el Sistema la aplica igualmente a la economía

Manuel Vicent30 SEP 2012

Los aviones de combate sin piloto, cargados con bombas de alto grado de excelencia, reciben una orden desde el teclado de una computadora situada en un lugar desconocido. Aceptada esta orden por el disco duro, estos aviones despegan de algún punto del planeta; vuelan miles de kilómetros y con una precisión matemática dejan caer su carga mortífera sobre el objetivo, una fábrica, un hospital, un puente o una cocina donde una madre está guisando un potaje para la familia y luego vuelven al hangar con la misión cumplida. Ese técnico anónimo que en el Pentágono o desde cualquier base militar ha pulsado la orden ya no debe preocuparse de más. La máquina realizará el trabajo mientras él se está tomando un whisky en el bar con los amigos o recoge a su hijo del colegio para llevarlo a una fiesta de cumpleaños. Parece que la responsabilidad hubiese sido transferida a la informática, puesto que la culpa en este caso es suplida por la aséptica perfección a la hora de aniquilar al enemigo. Sucede lo mismo en el mundo de las finanzas. La fórmula de exterminio sin riesgo adoptado para la guerra, el Sistema la aplica igualmente a la economía a través de los movimientos del mercado cuyos ataques se producen también a través de teclados con manos perfumadas, distantes. Los mercados financieros operan como los aviones de guerra sin pilotos. Desde un ordenador el ente misterioso que maneja bonos y fondos de inversión mueve el dinero global con órdenes de compra o de venta con un interés que bascula siempre entre la codicia y el pánico. Nadie sabe de dónde procede el primer impulso y quién pasa al final la guadaña sobre el tapete de esta ruleta planetaria. En la guerra moderna los militares ya no tienen rostro; en la economía existen cada día menos empresarios visibles, de carne y hueso. Han sido sustituidos por pulsiones digitales. Un agente especulador da una orden y comienzan a caer bombas sobre la deuda, los bancos, la bolsa, la prima de riesgo mientras él se va con su novia a las Maldivas a bucear entre corales. Frente a la figura fanática del suicida, que entrega su vida por un ideal o del empresario romántico que monta un negocio con su esfuerzo, el Sistema ha convertido la economía, como la guerra, en un videojuego mortífero, sin riesgo ni culpa.

Sin pilotos | Opinión | EL PAÍS

Los ‘drones’ despegan en Alemania

El auge de los diminutos helicópteros teledirigidos suscita un debate sobre las condiciones de su uso civil y militar

Juan Gómez Berlín29 SEP 2012 – 22:01 CET27

Un dron, pequeño helicóptero teledirigido. / BRIAN FERGUSON (EL PAÍS)

El uso de aparatos voladores no tripulados, los llamados drones, ocupa a las autoridades civiles y militares de Alemania. Por un lado, la fuerza aérea alemana (Luftwaffe) quiere armarse con aviones no tripulados capaces de bombardear objetivos de tierra. El Ejército federal (Bundeswehr) estudia la adquisición de este tipo de naves teledirigidas en los próximos dos años. Además, ha comenzado un debate sobre los drones de uso civil, que están sujetos a una legislación laxa en el espacio aéreo alemán. Es un debate sobre el derecho a la privacidad y las libertades civiles ante una tecnología que avanza a toda prisa, dejando atrás a los legisladores.

Los drones civiles son una especie de helicópteros diminutos, propulsados por cuatro hélices que les permiten sostenerse en el aire a decenas de metros de altitud mientras graban los sucesos a ras de tierra. Un aparato de 1,2 kilogramos cuesta unos 20.000 euros, incluido el sistema de control remoto. De momento, en Alemania está prohibido el uso de drones fuera del ámbito de visión del piloto. La ley obliga a que estén dirigidos por humanos y no por computadoras. También prohíbe que sobrevuelen grandes concentraciones de personas, escenarios de catástrofes naturales o accidentes y zonas donde la policía esté llevando a cabo operativos en tierra. El que quiera usar un dron necesita un permiso especial, que suele limitarse a aparatos de hasta cinco kilos de peso que no superen los 100 metros de altitud en sus vuelos. Son cada día más baratos y se perfeccionan a una velocidad comparable a la de los primeros años de desarrollo del ordenador personal.

El semanario Der Spiegel publicaba esta semana un reportaje sobre las complicaciones legales para controlar el uso de estos aparatos. Ni siquiera se han llegado a unificar las normas de uso para todo el territorio, sino que la regulación depende de los Estados federados o hasta de los municipios. Según critica el antiguo juez de la Corte Federal y actual diputado del partido La Izquierda (Die Linke) Wolfgang Neskovic, la legislación alemana es tan permisiva que abre la puerta “a la última pieza del puzle para la supervisión total del ciudadano”. La ley de transporte aéreo permite que su uso sea regulado por decretos, eludiendo así el debate parlamentario en la Cámara baja (Bundestag). También Los Verdes critican el uso de drones para vigilar y controlar manifestaciones y protestas ciudadanas.

Los Verdes critican su uso en manifestaciones ciudadanas

También es blanco de críticas en Alemania su posible uso militar. El comisionado de Defensa del Bundestag, Hellmut Königshaus, quiere que empiecen a utilizarse antes de tres años en las misiones extranjeras de la Bundeswehr. El ministro de Defensa, el democristiano Thomas de Maizière (CDU), es también favorable al uso de drones en combate. De momento, Alemania sólo cuenta con aparatos no tripulados del tipo Heron 1, que cumplen tareas de reconocimiento. Son alquilados. El contrato termina en 2014 y el Ejército quiere sustituirlos por ingenios propios y capaces de atacar posiciones en tierra.

El Ejército de Estados Unidos emplea drones para bombardear refugios enemigos en lugares remotos. Su uso ha sido muy criticado por el alto número de víctimas civiles que provoca. Los pilotos, situados a muchos kilómetros de distancia del objetivo, tienen muchos menos escrúpulos a la hora de liquidar objetivos dudosos que solo verán a través de monitores. En una tribuna de opinión en el Frankfurter Allgemeine Zeitung, el experto en seguridad informática Frank Rieger alertaba estos días de que “una vez armados los drones, entra en funcionamiento la lógica de una carrera armamentística” que llevará a hacerlos cada vez más autónomos hasta que los sistemas decidan por sí mismos qué deben bombardear.

Imprescindibles a medio plazo

FERNANDO BARCIELA

El cine ha popularizado los drones militares, pero la gran batalla de los aviones no tripulados será en el frente civil. Discutidos por su uso militar, los Unmanned Aerial Vehicles (UAV) están llamados a hacerse imprescindibles en 5 o 10 años. Estos pequeños aparatos no solo evitarán el uso de aviones y helicópteros en misiones caras y peligrosas, que, con frecuencia, cuestan vidas humanas, sino que serán capaces de hacer cosas ahora imposibles.

Sus posibilidades parecen ilimitadas. La lista de misiones que pueden cumplir, poco menos que infinitas. Pueden utilizarse en temas de seguridad como patrulla de costas y fronteras, recogida de información policial, defensa de perímetros, control del tráfico desde el aire: pero también en salvamento marítimo, vigilancia y control de incendios, mediciones atmosféricas, control de bancos de pesca, vigilancia de rebaños y control de cosechas, lanzamiento de fertilizantes o insecticidas, exploración minera, fotografía aérea o creación de mapas. Y además son baratos. Al contrario de los militares, de mayor tamaño, los civiles son normalmente como semijuguetes de la clase micro o mini, algunos de 5 o 20 kilos de peso.

Como otros países, España trata de posicionarse con sus propias soluciones civiles. Nuestro país, que según UVS International, cuenta con nueve de los 217 modelos producidos en Europa (incluidos los de uso militar) e inició sus primeros programas de aviones no tripulados (INTA) en los años noventa, participa, a través de EADS, en proyectos militares europeos de UAV como el Atlante o el Talarium. Decenas de empresas participan aquí en esos programas o están sacando sus propios prototipos.

Un ejemplo práctico de estos usos es el del minihelicóptero creado por la madrileña UAV Navigation para Iberdrola, que permite la reparación de las torres y tendidos eléctricos, una actividad peligrosa. La empresa ha creado también un minihelicóptero para la Dirección General de la Policía, para observación, por ejemplo en secuestros. Ya hace años la vasca Aerovisión construyó un minidrone (de menos de tres metros) para detectar bancos de atunes desde el aire, con autonomía de hasta ocho horas de vuelo y equipado con cámaras de vídeo. Y que evita que el barco se gaste combustible en buscar los atunes. El avión ha sido utilizado también para sacar fotos de incendios durante la noche, cuando es imposible sobrevolar el incendio.

Indra, que participa en programas de drones militares como el Atlante de EADS y el PASI (los Searchers MK II de la israelí IAI en Afganistán), cuenta con el Pelikano, un helicóptero no tripulado de 200 kilos para vigilancia marítima. De todos modos, las posibilidades de uso de estos aviones están en estado embrionario. Pese a que tecnológicamente están ya a punto, todos están pendientes de que Europa saque una normativa sobre uso del espacio aéreo que les permita volar sin problemas. De momento, hasta que se aprueben esas normas, hay muchas restricciones.

Los ‘drones’ despegan en Alemania | Sociedad | EL PAÍS

19/08/2012

Espinagem e telecomando, pilares da modernidade made in USA

Filed under: Drones,Isto é EUA!,Terrorismo de Estado — Gilmar Crestani @ 8:49 am

 

Espionnage et télécommande : deux piliers de la modernité

Epiés et maniés, nous vivons dans un monde de surveillance de près et le contrôle à distance.

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Controleurs de drone sur la base de Balad, Irak
US Air Force (http://www.af.mil/news/story.asp?id…)

George Orwell et Aldous Huxley, parmi d’autres, avaient prédit le monde du contrôle total de l’individu. Ce monde se construit peu à peu sous nos yeux. Chaque jour nous gratifie d’un développement de la surveillance. Par exemple, dans le numéro d’août de l’excellente revue Sciences et Avenir, on voit franchir de nouvelles étapes.

Trois thésards de l’Ecole polytechnique fédérale de Lausanne (EPFL) ont montré comment, en utilisant des données récupérées dans un téléphone mobile, on pouvait prévoir les déplacements de son propriétaire. Des usagers “cobayes” ont vu leurs communications et mouvements soigneusement enregistrés pendant deux ans. L’analyse de leurs habitudes a permis d’indiquer, plus d’une fois sur deux, où la personne, à partir d’un certain endroit, allait se rendre. On sait déjà vous localiser, grâce à votre smartphone. Avec ces algorithmes de comportement, on saura mieux comment vous vivez. Et ce n’est pas un hasard si ces recherches sont financées par Nokia. Elles préfigurent les incitations à la consommation efficacement ciblées du commerce de demain, sans parler de la domination policière sur votre vie.

Autre avancée impressionnante : la caméra qui filme à travers les murs. Le Millicam a été mis au point par la PME française MC2 et la Direction générale de l’armement (DGA). Son capteur enregistre les faibles rayonnements électromagnétiques émis par tout corps dont la température est différente du zéro absolu (–273°C). Ces rayonnements peuvent être perçus à travers des parois non métalliques (bois, béton, fibre de verre). Une autre caméra, pourvue d’un capteur moins sensible, est capable de déceler ce que vous cachez sous vos vêtements. Matériaux et tissus ne vous protègent plus : vous êtes visible et nu dans toutes les situations.

Cette course à la surveillance peut être illustrée par bien d’autres exemples. Appareils de détection, fichiers multiples, manipulations, se multiplient. On vous cerne dans une identification de plus en plus perfectionnée. Identification qui ne se contente pas d’épier vos actes, mais qui va jusqu’à explorer vos idées.

C’est là où cela devient grave, car on fracture le noyau de votre libre arbitre. On vous espionne de l’intérieur. Dans le souci de prévenir des délits, on anticipe en sondant votre état. Ainsi le nouveau Federal transportation bill adopté à Washington a autorisé le financement d’un programme, le Driver Alcohol Detection System for Safety (DADSS) qui installe dans votre voiture un appareillage qui repère le degré d’alcool dans votre sang et, si ce dernier dépasse la limite légale, qui bloque automatiquement le démarrage du moteur.

Le programme Intelligent transportation Systems du gouvernement fédéral US développe une technologie de liens entre les véhicules et l’infrastructure routière qui rend impossible à un conducteur de dépasser la vitesse limite ou de brûler un feu rouge. On peut considérer que cette mécanisation préventive sert utilement à diminuer les infractions. N’empêche qu’elle révèle une tendance à empiéter dangereusement sur notre liberté d’action. On n’a pas le droit de faire le mal, c’est entendu ; mais on doit être libre de rêver le faire.

Cette tendance à pénétrer notre intimité ouvre des perspectives inquiétantes. Car on passe aisément de l’état physique à l’état mental. Des produits pharmaceutiques existent qui amortissent les paroxysmes de la cocaïnomanie ou qui – comme le dit euphémiquement le New York Times – “réduisent les pensées antisociales menant au crime”. Et si un gouvernement disséminait ces drogues à une vaste échelle, par exemple dans la fourniture d’eau publique ? Un professeur de l’Eton university school of law, Michael E. Rich, ne craint pas d’en envisager la possibilité dans l’International Herald Tribune du 8 août dernier. On obtiendrait sans doute une diminution de la criminalité. Mais qui garantirait que la définition de la “pensée antisociale” ne concerne que le crime ? Qui empêcherait de lui donner un sens politique, et d’anéantir massivement toute velléité subversive ? Comme le dit l’auteur de l’article, un conflit se dessine entre le désir public de sécurité et la liberté de la pensée individuelle. Avec le conditionnement des citoyens par une intoxication pharmaceutique, on en arrive à concevoir des scans neurologiques – pas si imaginaires que cela – capables d’influer sur notre pensée sous prétexte d’interdire tout passage à l’acte… quelle que soit cette pensée. On rend possible ce qu’aucun tribunal ne peut faire : juger l’intention.

Après la surveillance de près, le second volet de ce monde robotisé par en haut est celui du contrôle à distance. Il s’étend à tous les domaines de l’existence, depuis l’usage d’instruments sans fil jusqu’à la lecture de nos portables. Mais son illustration la plus glaçante est le pilotage des drones de combat.

Cette nouvelle arme de guerre, officiellement baptisée "aéronef piloté à distance" (Remotely Piloted Aircraft), assure l’application d’un programme secret de meurtres personnalisés approuvé par Obama. Manœuvré de loin, le drone élimine par une frappe télécommandée un ennemi individuel désigné à l’avance… avec, le plus souvent, une partie de son entourage. Le Wall Street Journal a même précisé qu’Obama avait nommé John Brennan à la tête de ce programme, faisant de lui, pour la première fois dans l’Histoire, un haut fonctionnaire responsable d’une liste d’exécutions gouvernementales.

Le recours aux drones rend encore plus monstrueuse la psychologie de la guerre. Un article de l’International Herald Tribune du 31 juillet fait froid dans le dos. “A partir de sa console d’ordinateurs dans la banlieue de Syracuse, New York, le colonel D. Scott Brenton dirige le vol d’un drone Reaper qui lui envoie des centaines d’heures de video d’insurgés menant leur vie quotidienne de l’autre côté du monde, en Afghanistan. Parfois son équipe et lui regardent la même famille pendant des semaines. “Je vois des mères avec leurs enfants, dit-il, des pères avec leurs enfants, les parents ensemble, les enfants jouant au football. Quand vient l’ordre de tirer un missile sur un militant, je sens les poils se dresser sur ma nuque.”

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Décollage d’un drone MQ-9 Reaper en Afghanistan
U.S. Air Force photo/Staff Sgt. Brian Ferguson (http://www.af.mil/shared/media/phot…)

A l’exception d’officiers supérieurs comme le colonel Brenton, chargés des rapports avec les médias, l’US Air Force interdit aux pilotes de drones de donner leur nom de famille. Ils parlent cependant. “Nous les voyons se réveiller le matin, travailler dans la journée, s’endormir le soir”, dit Dave, qui a manié des drones de 2007 à 2008 à la base aérienne de Creech, au Nevada. “Il y avait de bonnes raisons de tuer les gens que j’ai tués, dit Will, entraîneur de pilotes à Holloman, au Nouveau Mexique. Mais ça ne s’oublie pas. Ca ne disparaît jamais. En tous cas pas pour moi.”

Voilà des hommes confortablement assis devant leurs écrans qui pénètrent dans l’intimité ordinaire de gens qu’ils doivent tuer à des milliers de kilomètres. Etrange, et terrible, transformation de la guerre moderne qui permet de fréquenter familièrement – et longuement – un ennemi avant de l’abattre. Froidement, sans engagement personnel, sans risque. En appuyant sur un bouton. Aussi facilement que de jouer à un jeu video.

L’horreur est que ce schéma se généralise. l’US Air Force dispose aujourd’hui de plus de 1.300 pilotes de drones, et en aura plus de 2.000 en 2015, prêts semer la mort 24 heures sur 24 dans le monde entier. Ils se perfectionnent en Afghanistan, ils se préparent à intervenir en Syrie ou ailleurs. Ils sont l’image effrayante de la technologie moderne du contrôle à distance, qui va de la commande de votre téléviseur à la destruction d’un Etat.

Surveillance de près et contrôle à distance – espionnage et télécommande – sont des piliers de notre monde moderne. Dans leurs formes extrêmes, ils aboutissent à la paralysie pour les uns, la mort pour les autres. Un effet pervers de la science est alors de révéler que le pouvoir peut être, grâce à ses découvertes, un mélange de policiers et d’assassins.

Louis DALMAS.

Directeur de B. I.

Espionnage et télécommande : deux piliers de la modernité – AgoraVox le média citoyen

20/07/2012

O tamanho do espaço mede o tamanho da denúncia

Filed under: CIA,Democracia made in USA,Drones,Terrorismo de Estado — Gilmar Crestani @ 7:52 am

Se isto tivesse acontecido em Cuba ou na Venezuela, será que a repercussão se resumiria em dois parágrafos escondidos? Ou ganharia a capa com direito à foto das vítimas?

Chefes da CIA e do Pentágono são processados pelo uso de drones

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS – Familiares de três americanos mortos em ataques feitos por drones (aviões não tripulados) dos EUA no Iêmen estão processando o alto escalão do Pentágono e agentes da CIA.

A ação foi apresentada anteontem numa corte federal de Washington pelo Centro de Direitos Constitucionais e pela Associação Nacional para a Defesa dos Direitos Civis. Segundo o processo, os altos funcionários da CIA (agência de inteligência) e as autoridades de inteligência militar violaram a Constituição americana e leis internacionais.

Anwar al-Awlaki, clérigo de origem americana, e Samir Khan, também americano, morreram em um ataque em setembro de 2011. Em outubro, morreu Abdulrahman, filho de al-Awlaki.

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