Ficha Corrida

19/09/2015

Não parece a biografia do Marcola?

Filed under: DNA,Estelionato,FHC,Golpe Paraguaio,Golpismo,Golpistas,Marcola,PSDB,Reeleição — Gilmar Crestani @ 1:01 pm
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fhc-filhoCom a única diferença de que Marcola jamais se deixaria trair pela própria amante… Se fizerem outro exame de DNA vão descobrir as ideias também não eram dele, mas do patrão da Miriam Dutra

Mino Carta: FHC comprou votos, comandou as privatizações, praticou estelionato eleitoral, quebrou o Brasil três vezes

publicado em 18 de setembro de 2015 às 12:47

Eterno golpismo

Miúda reflexão sobre impeachment, democracia e Estado de Direito no país da casa-grande

por Mino Carta, em CartaCapital, publicado 18/09/2015 06h25

Na esteira do Cruzado 1, em outubro de 1986 José Sarney  cometeu estelionato eleitoral logo após a vitória peemedebista nas eleições para os governos estaduais, Congresso e Assembleias, ao lançar o Cruzado 2 e arrastar o País para uma crise econômica de grande porte. A situação, complicada pelo fracasso da moratória do começo de 87, perdurou até o fim do mandato de Sarney.

Nem por isso se cogitou, em momento algum, do impeachment do ex-vice-presidente tornado presidente pela morte de Tancredo Neves,  em claro desrespeito a qualquer regra do jogo pretensamente democrático.

Ao lançar o olhar além-fronteiras, temos o exemplo recente de Barack Obama, atingido em cheio pela explosão da bolha financeira de 2008, a mergulhar os Estados Unidos em uma crise de imponentes proporções. Obrigado a enfrentar a queda progressiva do valor do dólar, assoberbado pelas habituais pressões e ameaças das agências de rating, vítima de índices de aprovação cada vez mais rasos, Obama acabou sem o apoio da maioria parlamentar. Nem por isso sofreu o mais pálido risco de impeachment, mesmo porque hipóteses a respeito seriam simplesmente impensáveis aos olhos dos parlamentares americanos, mesmo republicanos.

Se a ideia já teve no Brasil razão de vingar, ao menos de ser aventada, foi em relação a Fernando Henrique Cardoso: comprou votos para se reeleger e comandou privatizações que assumem as feições inequívocas das maiores bandalheiras-roubalheiras da história pátria, realizadas às escâncaras na certeza da impunidade. Praticante emérito do estelionato eleitoral, fez campanha para a reeleição à sombra da bandeira da estabilidade para desvalorizar o real 12 dias depois da posse para o segundo mandato.

FHC é recordista, conseguiu quebrar o Brasil três vezes. Ao cabo, entregou a Lula um país endividado até a raiz dos cabelos e de burras vazias. Ao longo da sua trajetória presidencial, jamais se imaginou a possibilidade do seu impeachment.

O príncipe dos sociólogos, outrora encarado como elemento perigoso por quantos hoje o veneram, tornou-se xodó da mídia nativa e dos senhores da casa-grande. Favor irrestrito e justificado: nunca houve alguém tão capacitado para a defesa dos interesses do reacionarismo na sua acepção mais primitiva.

Hoje em dia, FHC arca com o papel de oráculo da política brasileira com invulgar destemor. Tudo dentro dos conformes, a desfaçatez, a hipocrisia e o oportunismo tucanos não têm limites. O enredo é típico, assim como já é clássico o caso de Fernando Collor,  que se retirou antes de sofrer impeachment. Exemplar entrecho, de todos os pontos de vista, que vivi de perto por mais de dois anos, quando dirigia a redação de IstoÉ.

Para mim a história começa 25 anos atrás. O então repórter da IstoÉ Bob Fernandes tocaia por dois meses o operador do presidente, PC Farias. Chega a hospedar-se por algum tempo no apart-hotel, onde em São Paulo vive o tocaiado. Enfim a revista publica uma reportagem de capa sobre as façanhas do PC, em que se relata tudo aquilo que o irmão de Collor diria a Veja um ano e meio depois, com exceção dos supositórios de cocaína.

Eis aí, neste roteiro, um aspecto ineludivelmente brasileiro. Quando da reportagem, a mídia cuidou de não lhe dar eco e seguimento, ao contrário do que se daria em qualquer país democrático e civilizado.

Até então, a casa-grande suportava que o presidente cobrasse pedágios elevadíssimos em relação a obras feitas e ainda assim o imaginava adequado ao cargo de propiciador de benesses. Fora a Veja, aliás, que popularizara a definição de Collor como “caçador de marajás”.

Com o tempo, a cobrança collorida passou a ser considerada insuportável e se entendeu que valeria submeter o cobrador a um aperto sério, embora comedido. Foi a hora da entrevista do irmão, esta sim imediatamente repercutida.

A CPI convocada para cuidar do caso moeu meses de sessões inúteis à falta de provas. Não fosse IstoÉ, daria em nada. A sucursal de Brasília da revista, dirigida por João Santana, foi capaz de demonstrar a ligação entre a Casa da Dinda e o Palácio do Planalto, e o encaminhamento do impeachment foi inevitável.

A Globo prontificou-se a chamar para as praças manifestações bastantes parecidas àquelas que pipocam de dois anos para cá, frequentadas, sobretudo, por burguesotes festeiros, enquanto a Veja ganhava o Prêmio Esso de Jornalismo, remota invenção alienígena destinada a consagrar o jogo corporativo, festival do compadrio da mídia nativa.

Há quem diga que estamos a transitar por uma conjuntura similar àquela, e se engana, está claro, por hipocrisia ou ignorância. O impeachment de Dilma Rousseff é totalmente impossível à luz da Constituição. Se quiserem mandar as aparências às favas, seria golpe mesmo, conforme conhecimento até do mundo mineral. Mas golpismo é inerente ao país da casa-grande. Editoriais, colunas, artigos e reportagens dos jornalões recordam, cada vez mais, os textos de 51 anos atrás.

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24/05/2015

Quando presidente não lidera, Congresso vende voto a 200 paus

fhc-valoriza-deputadosCom a mesma flacidez moral da bunda do Kim Kataguiri, FHC é onipresente nos grupos mafiomidiáticos. Hoje sai do esgoto para lecionar mais uma de suas formulações acacianas. O Conselheiro Acácio deveria seguir o conselho do Lula e explicar como foi que ele liderou a compra da reeleição.

FHC lidera tanto que até sua ex-amante, Miriam Dutra, lhe confiou a paternidade de filho de outro. Se há algo de bom no tico-tico é que ele choca o ovo e alimenta o filho do chupim.

Para alguém que se arvora em sociólogo e cientista político, que já foi presidente, é difícil acreditar que ele nunca tenha lido Montesquieu. Será que ele não nunca ouviu falar em separação dos poderes? Não é de admirar que com esta inteligência tenha levado guampa até da amante.

O ódio despeitado de FHC a Lula e Dilma é que ele não consegue entender que um bom governo não precisa ser ventríloquo da Globo nem capacho dos EUA. A moral do governo FHC vazou por inteiro pelo Escândalo da Parabólica.

Rubens Ricúpero resumiu muito bem as relações entre FHC & Rede Globo: “o que é bom a gente mostra, o que é ruim a gente esconde”. Se o Kim Kataguiri soubesse da lei Rubens Ricúpero não teria mostrado a bunda…

A sorte de FHC é que este pessoal do MBL não tinha nascido quando ele quebrou o Brasil. Seu azar é que a internet não o deixa mentir impunemente. E é mais fácil mostrar sua obscena pequenez política que passar a mão na bunda flácida do Kim Kataguiri.

Taí ó, se há algo que combina com a bunda do Kataguiri são as bochechas de FHC, pois ambas produzem a mesma coisa.

Quando presidente não lidera, Congresso ocupa espaço, diz FHC

Para tucano, Dilma está "pagando pecados" por erros de gestão

FLÁVIA FOREQUE, DE BRASÍLIA, para  a FOLHA

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fez neste sábado (23) uma crítica a Dilma Rousseff ao dizer que há carência de liderança no país.

"Ninguém faz ou muda nada sem liderança e o Congresso percebe isso, quem lidera e quem não lidera", disse.

Ao afirmar que hoje a relação entre congressistas e Executivo tem como foco obter "um pedaço do Orçamento", o ex-presidente disse ainda que, "quando o presidente não lidera, o Congresso ocupa espaço".

O tucano deu palestra na manhã de sábado em um centro universitário de Brasília.

Ao falar à imprensa, foi perguntado sobre liderança no país: "Falta comando e quem vai exercer comando, os partidos não estão organizados pra constituírem maiorias estáveis no Congresso".

Para FHC, o país vive uma "dúvida híbrida". "Estamos no presidencialismo ou no parlamentarismo?", questionou, citando tarefas delegadas ao vice-presidente Michel Temer (PMDB) e ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

Cardoso foi questionado ainda sobre o corte de R$ 69,9 bilhões nas contas do Executivo, anunciado na sexta (22). Ele o atribuiu a erros de gestão e disse que o governo "está pagando seus pecados" ao reduzir recursos em áreas como Saúde e Educação.

O tucano ainda comparou o anúncio a uma "operação sem anestesia" –para ele, faltam explicações sobre o que ocorrerá daqui para frente.

"Quando você faz contenção fiscal, tem que explicar o que vem depois. Qual é o horizonte? Só vemos nuvem negra, e aí as pessoas ficam irritadas, não aceitam", disse.

22/05/2015

Assim como FHC, PSDB também é traído pelos próprios amantes

caros-amigos-filho-FHCEm italiano, o ramo de ficção é chamado de giallo, amarelo. No Brasil, devido aos personagens e ao tempero poderíamos dar um nome mais apropriado, tucano. É o romance do tipo 007, pois envolve política e mulheres bonitas, mas apimentado com uma 45 no rabo.

Um dos romances jamais escrito mas que cresce e ganha contornos a la Mario Puso, à medida que se vai conhecendo as relações do PSDB com os grupos mafiomidiáticos, é o envolvimento de FHC com a jornalista da Rede Globo, Miriam Dutra. A história completa desta captura de um Presidente por um grupo mafioso ainda está por merecer uma edição de luxo, e depois uma minissérie, num horário para maiores…

Pode-se começar analisando a forma como se deu, na Itália, a captura de Giulio Andreotti ou Silvio Berlusconi. A máfia sabe quem e como capturar. No Brasil, pode-se ficar com Collor ou FHC. O único ingrediente que não falta nestas horas são os mais variados tipos de orgias, com mulheres ou com estatais, tanto faz.

Uma mulher bonita tem a missão de se insinuar. Com FHC, coube à Miriam Dutra. Eleito presidente pelo métodos Rubens Ricúpero, FHC soube por Roberto Marinho que tinha um filho com a funcionária da Globo.

Fosse com Lula, Veja, Estadão, Folha, Istoé, Época, Globo & RBS fariam um consórcio para uma novela mais longa que a Comédia Humana do Balzac. Caros Amigos furou todo a máfia midiática. É a tal de liberdade de expre$$ão…

Como foi para capturar, o romance de FHC com Miriam Dutra não só foi sonegado aos leitores, telespectadores, como a heroína foi providencialmente escondida na Espanha. Mas, como toda farsa que envolve Globo e PSDB, uma dia na internet cai. E assim ficamos sabendo que, a pedido dos filhos, que sabem o pai que têm, foi feito um exame de DNA. Cientificamente, foi esclarecido que o filho de FHC era só filho da mãe. Falta agora esclarecer os contornos da captura de um presidente pelo maior grupo de comunicação do Brasil? Quem foi que sustentou a amante no exílio espanhol? Por que o público só teve conhecimento, não pelos assoCIAdos do Instituto Millenium, mas via Revista Caros Amigos? Por que nem revistas de fofocas, do tipo Caras, deu uma notinha sequer? Seria porque todas pertencem às cinco irmãs(Folha, Veja, Estadão, RBS & Globo)? Se eles esconderam esta história, que outras mais foram negoCIAdas? O Escândalo da Parabólica é um pequeno indício das relações promíscuas.

O exame de DNA pedido pelos filhos revelam a credibilidade do pai. Até porque, onde há uma Luciana Cardoso sabe-se o que como é se sair ao pai… Na hora de dividir a herança, do tipo um imóvel bilionário  em Paris, é melhor sempre ter certeza com quem se está dividindo. Afinal, pode-se ser traído pela própria amante, o que não se pode permitir é ter de dividir o patrimônio escondido com quem não tem o mesmo sangue.

O PSDB está fazendo com os movimentos desovados na cavalgada do golpe o mesmo que os filhos de D. Ruth fizeram com relação ao filho de Miriam Dutra, pedindo exame de DNA. Quando o navio afunda, os ratos são jogados ao mar. A traição de quem um dia jurou amor eterno está no DNA do PSDB. É por isso que as lições deixadas por Rubens Ricúpero e Carlos Monforte continuam sendo a senha para descobrir onde está alcovitado o perigo. O ovo da serpente quebrou, agora é juntar os cacos e levar o MBL para Butantã…

Após recuo, grupos acusam PSDB de traição

Parecer jurídico levou partido a desistir de bancar, neste momento, pedido de impeachment de Dilma Rousseff

Ativistas responsáveis pelos protestos pedindo saída da petista dizem que PT e PSDB viraram ‘farinha do mesmo saco’

DE SÃO PAULO DE BRASÍLIA

À frente das manifestações contrárias ao governo Dilma Rousseff (PT), movimentos de rua favoráveis ao impeachment da presidente reagiram ao recuo do PSDB em apresentar neste momento pedido de afastamento da petista.

Para o MBL (Movimento Brasil Livre) e o Revoltados Online, que organizaram protestos em março e abril pelo país, o PSDB e o presidente nacional da sigla, Aécio Neves, traem o Brasil ao desistir da defesa do impeachment.

Sem respaldo legal ou apoio político, os partidos de oposição seguiram os tucanos e anunciaram oficialmente nesta quinta (21) a decisão de pedir a abertura de uma ação penal contra a petista.

O PSDB deixou de bancar a hipótese de impeachment ao receber parecer sobre sua viabilidade jurídica feito pelo jurista Miguel Reale Júnior.

"O PSDB disse que não irá aderir à pauta do impeachment, traindo os mais de 50 milhões de votos na última eleição de brasileiros que apostaram nessa falsa oposição que continua nos decepcionando", criticou o MBL.

Para Marcello Reis, líder do Revoltados Online, PSDB e PT tornaram-se, assim, "farinha do mesmo saco". "Aécio está sendo um covarde, cúmplice desse governo corrupto, e [está] a mando do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso."

O porta-voz do Vem pra Rua, Rogério Chequer, disse que desejava que as siglas de oposição apresentassem pedido de impeachment, mas ressaltou que a abertura de uma investigação contra a presidente também é outra pauta defendida pelo grupo.

"Gostaríamos que fizessem também o pedido de impeachment, mas a atitude não invalida a iniciativa", afirmou.

Na defesa do PSDB, o tucano e assessor especial do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Xico Graziano, avaliou que os ataques ao partido revelam um "pendor ditatorial." "Entendo a frustração de quem quer impeachment. Agora, atacar Aécio, FHC ou PSDB mostra ignorância política."

AÇÃO PENAL

As siglas de oposição decidiram ingressar na terça (26) com pedido de abertura de investigação na Procuradoria-Geral da República.

O argumento é que a presidente cometeu no seu primeiro mandato crime comum ao realizar manobras fiscais com o uso de bancos oficiais.

As siglas de oposição se valerão de relatório do TCU (Tribunal de Contas da União) para acusar a petista de crimes contra as finanças públicas e de falsidade ideológica.

Os oposicionistas, que não reconhecem o recuo em relação ao impeachment, argumentam que, se for aprovada, a investigação pode levar ao afastamento da petista. Eles admitem, contudo, que o processo é bem mais longo.

Segundo o artigo 86 da Constituição Federal, um presidente não pode ser investigado por um crime "estranho ao exercício de seu mandato". Por isso, o pedido tem de ser aceito pelo procurador-geral, Rodrigo Janot.

Depois, o STF (Supremo Tribunal Federal) analisará a procedência do pedido. Se ele passar, deve ainda ser submetido à Câmara dos Deputados, onde precisará de 342 do total de 513 votos.

Só assim a presidente da República seria afastada do cargo por até 180 dias, à espera do julgamento no STF.

(GUSTAVO URIBE E CATIA SEABRA)

22/04/2012

DNA Neandertal

Filed under: Árvore Genealógica,DNA,Genética — Gilmar Crestani @ 11:15 am

 

‘Como rastreei minhas origens genéticas até a Idade da Pedra’

Carol Zall

Do programa The World, da PRI

Atualizado em  19 de abril, 2012 – 12:30 (Brasília) 15:30 GMT

Avó de Carol Zall (à dir.), em foto de arquivo pessoal

Avó (à dir.) de Carol Zall nasceu em uma aldeia chamada Kashuki, no Leste Europeu

Recentemente, fiz um teste genético para descobrir mais a respeito dos meus ancestrais. Os resultados confirmaram o que eu já sabia: sou de uma família de judeus europeus. Mas também recebi uma surpresa – tenho um antepassado neandertal.

Aos 11 anos, fiz minha primeira entrevista com minha avó, Ray Zall, que respondeu todas as minhas perguntas sobre sua infância em Belarus, no Leste Europeu.

A gravação, que ainda guardo, começa com pompa: "Aqui é Carol Zall entrevistando Ray Zall, minha avó, ou ‘Bobe’ em iídishe. Então, senhora Zall, poderia me contar sobre sua infância?"

"O que posso te dizer?", ela respondeu, no seu inglês com forte sotaque. "Nasci em uma pequena aldeia chamada Kashuki."

Nunca tinha ouvido falar de Kashuki. E ainda não consigo encontrá-la no mapa. "É perto de qual país?", perguntei.

"Rússia-Polônia, Rússia-Polônia", ela respondeu.

Países que não existem

Minha avó nasceu no início dos anos 1900, na atual Belarus (ex-Polônia e parte do Império Russo).

Outros dos meus ancestrais vêm de lugares igualmente remotos em países que não existem mais, como "Áustria-Hungria". Isso dificultou a identificação das minhas raízes.

Trinta e quatro anos depois da entrevista com minha avó, descobri que existem novos e reveladores modos de montar uma árvore genealógica. Avanços no campo genético permitem usar o DNA de alguém para descobrir a origem dos seus antepassados. Diversas empresas já oferecem esses exames, e algumas estimativas ajudam a diferenciar a ciência da fraude.

A questão era: será que isso vai funcionar para mim?

Mapeamento de DNA

Mapeamento genético confirmou algumas suspeitas de Carol Zall sobre sua ancestralidade

Por cerca de US$ 200 dólares (R$ 370), contratei a empresa chamada 23andMe (o nome deriva do fato de termos 23 pares de cromossomos).

Em pouco tempo eu estava cuspindo em um tubo plástico e mandando minha saliva para a companhia.

"A primeira coisa que fazemos é extrair o DNA da saliva", conta Joanna Mountain, diretora-sênior de pesquisa da 23andMe. "O DNA é cortado em pequenos pedaços e colocado no que chamamos de chip."

Código

O DNA humano é como um código feito de três bilhões de letras.

Empresas como a 23andMe não leem todas essas letras (ou posições, como as chamam). Olham apenas uma porcentagem delas – cerca de 1 milhão, em um processo chamado de "genotyping" (ou genotipificação). As posições são então estudadas para a descoberta de todos os tipos de informação, de doenças que corremos o risco de desenvolver no futuro a detalhes sobre o nosso passado.

Sempre soube que minha família era judia. Toda a minha árvore genealógica, até onde sei, consiste de judeus europeus conhecidos como Ashkenazi. Sempre imaginei meus ancestrais como pessoas que falassem iídishe, vivessem no Leste Europeu e ouvissem músicas tradicionais ("klezmer").

No entanto, como os Ashkenazis passaram séculos vagando pela Europa, vivendo em meio a diferentes populações, me perguntava se eles não teriam se casado e tido filhos com pessoas de outras etnias.

Afinal, a mãe da minha mãe e todos os seus irmãos tinham cabelos ruivos e olhos azuis. E em geral as pessoas acham que a minha irmã – ruiva de sardas – é de origem irlandesa.

Resultados

Algumas semanas depois do exame, chegaram os resultados.

"Parece que dois terços (do seu DNA) podem ser rastreados a ancestrais judeus Ashkenazi na Rússia, na Polônia, em Belarus e outros países vizinhos", conta Joanna Mountain.

"É aqui que a sua ancestralidade judia realmente se sobressai", continua Mountain, enquanto me mostra meus cromossomos, divididos em segmentos que eu compartilho com outras pessoas do banco de dados da 23andMe que também têm origem Ashkenazi.

Homem neandertal (Wikimedia Commons)

Repórter encontrou traços do neandertal ao mapear seu DNA

É assim que as empresas de teste determinam ancestralidade – comparando seus genes a populações conhecidas que servem de referência, para ver com quais você mais se parece.

Nenhuma surpresa nos meus resultados, e nenhuma pista sobre a origem ruiva da família.

Mas isso não significa que eu não tivesse nada em comum com outros grupos. Meu DNA tinha alguma semelhança, por exemplo, com genes de judeus marroquinos. Só que isso é pouco comparado com o número de segmentos genéticos idênticos que eu compartilho com os Ashkenazi.

"Sempre há ao menos algum grau de interação entre populações Ashkenazi e todos aqueles que viveram ao seu redor", explica David Goldstein, diretor do Centro de Vriação do Genoma Humano da Universidade Duke (EUA). "Então (eles têm) uma história incrivelmente complicada de inserções (genéticas) de diversas populações."

15 mil anos atrás

Não pude evitar: fiquei um pouco decepcionada.

Duzentos dólares e alguns cuspes para identificar algo que eu já sabia, com a adição de alguns detalhes curiosos.

Meu "DNA mitocondrial" (o pedaço especial de DNA que passa de mãe para filho) pode ser rastreado a um ancestral feminino comum na Península Ibérica – atual Espanha e Portugal -, cerca de 15 mil anos atrás.

Outra coisa interessante que aprendi remete à Idade da Pedra. O teste que eu usei permite ver qual porcentagem de seu DNA vem dos neandertais. E 2,7% do meu é neandertal.

Carol (à esq.) e sua irmã (arquivo pessoal)

Carol (à esq., quando criança) queria identificar raízes ruivas de sua irmã (dir.)

Isso não é algo inesperado. Quase todos os que não descendem de africanos tem um pouco de DNA neandertal. Acho fascinante pensar que, em algum momento da história, eu fui um cintilho nos olhos de um neandertal.

À medida que as pesquisas genéticas avançam a um ritmo inédito, na próxima década, o custo de ter seu genoma inteiro sequenciado – todas as 3 bilhões de letras do código – se tornará viável. Isso mudará a genealogia genética completamente, dizem os especialistas com quem conversei.

"Você poderá olhar o genoma de um indivíduo e dizer, ‘eles têm esta mutação, que surgiu nesta aldeia específica no sul da França’, por exemplo", diz o geneticista da Universidade de Harvard Joe Pickrell.

Agora, estou esperando pelo dia em que poderei ver a sequência completa do meu DNA e finalmente descobrir por onde minha família passou – antes de Kashuki.

Colaborou Rob Hugh-Jones

O The World é uma coprodução do Serviço Mundial da BBC com a Public Radio International e a rádio WGBH, de Boston

BBC Brasil – Notícias – ‘Como rastreei minhas origens genéticas até a Idade da Pedra’

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