Ficha Corrida

06/12/2016

Diretas-já

Filed under: Democracia,Diretas-Já,Golpe,Golpe Paraguaio — Gilmar Crestani @ 10:57 pm
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Não há democracia sem eleições, sem respeito à soberania popular. O problema é que saber perder é uma virtude que só acompanha os honestos. O mau-caratismo não liga para a essência da democracia (demos, povo; cratein, governo).

Queremos democracia, mas queremos muito mais. Queremos respeito.

Numa democracia, os que perdem respeitam o vitorioso. E o vitorioso governa a todos, sem distinção de raça, religião ou sexo.

Será que é pedir demais?!

diretas-já-editadas

Ivan Consenza Souza, filho do cartunista Henfil, relançou as camisetas que fizeram sucesso na Campanha das Diretas Já de 1983/84. 

Foto: Marcelo Auler – See more at: http://marceloauler.com.br/joaquim-barbosa-uma-voz-pelas-diretas-ja/#sthash.HVjjSPPn.dpuf

diretasja

Se tudo está de cabeça para baixo é porque os que não têm cabeça brincam de roleta russa com nossa inteligência.

Como disse o filósofo Duvivier, não adianta limpar o chão com merda. O cheiro fica, é o perfume do golpe.

12/11/2016

Se fazem isso na democracia, imagine na ditadura

ditadura e roberto marinhoA ditadura militar é um regime que tem na sua gênese a corrupção, porque não nasce de parto natural, mas por fórceps. Sem contar que o filho é fruto de estupro institucional. Quem acredita que algo gerado nestas condições pode ser melhor que a democracia deveria procurar tratamento. Imediatamente!

Matéria do insuspeito, já que parceiro, O Globo, de 2015, dizia que a União gastará R$ 3,8 bi com pagamento de pensões vitalícias a filhas de militares este ano”. Precisa desenhar?

A ditadura não surge do embate de ideias, mas da força bruta das armas em compadrio com a manipulação pelos grupos mafiomidiáticos, que serão seus parceiros e maiores beneficiários. Pensar que o silêncio sobre casos de corrupção é ausência de corrupção é de uma imbecilidade tão grande que não há adjetivos suficientes para qualificar tão baixo nível de cognição. Por exemplo, em protesto contra a PEC 241 foram ocupadas centenas de escolas e universidades por todo o país. Pense porque isso não interessa às velhas mídias? A Folha de São Paulo, envolvida na briga de bugio do PSDB, revelou que José Serra estava lavando 23 milhões na Suíça. Quantos minutos sobre isto viste no Jornal Nacional? Quantas capas da Veja? Viu alguma reportagem no Jornal Zero Hora? Pergunte-se, por quê!?

A única contribuição que regimes ditatoriais lega a pessoas desacostumadas à transparência é a ignorância. É uma espécie de embotamento que mata ou atrofia neurônios.

Se tudo isso não é suficiente para saber que nenhuma ditadura é boa, bastaria pensar quem são aqueles que apoiam golpes ditatoriais. Tome-se o exemplo da Rede Globo. Buscou por todas as formas dar o golpe em 1954. Não conseguiu. Mas não perdeu as esperanças. Graças ao golpe bem sucedido em 1964, a famiglia Marinho dona da Rede Globo é considerada a mais rica do Brasil pela Revista Forbes. Há dezenas de livros que explicam como a Rede Globo construiu seu império na ditadura. Posso citar duas fontes de cabeça para quem se interessar: Muito Além do Cidadão Kane e A História Secreta da Rede Globo.

Se você é gaúcho, nem precisa se interessar pela história da Rede Globo para entender como se captura capachos mediante distribuição de estatuetas. Embaixo do seu nariz está a RBS. Graças a ditadura a RBS tornou o RS e Santa Catarina sua capitania hereditária. Não por acaso só é considerado bom governante aqueles que se submetem aos seus interesses. Os demais não prestam.

Assim se explica porque não verás crítica à ditadura militar na velha mídia pelo simples fato de que eles, como vazou no famoso escândalo da Parabólica, não criticam parceiros. É até uma questão de gratidão. Então, para saber se está sendo enganado, basta observar para que lado apontam a Rede Globo e a RBS e seguir no sentido oposto. Não há erro, pode acreditar!

Se tudo isso não bastasse, pense no fato de que os militares são julgados por seus parceiros de farda. Imagine médico julgando médico, professor julgando professor, polícia julgando polícia. Bandido julgando bandido, mídia julgando mídia. Aliás, já viste um grupo de mídia, nem digo criticar, mas noticiar sobre outro grupo de mídia?! Captou!?

STM – Tribunal aumenta pena de três majores e um capitão que desviaram quase R$ 2 milhões do Exército

Por jloeffler – No dia 12/11/2016

Publicado em 11 de Novembro de 2016 às 08h51

O Superior Tribunal Militar (STM) aumentou a pena aplicada a quatro oficiais do Exército – três majores e um capitão-, acusados de montarem um esquema fraudulento, que desviou cerca de R$ 1,7 milhão do Centro de Pagamento do Exército (CPEx). O major, tido como chefe do esquema, vai cumprir quase 10 anos de reclusão, em regime fechado.

Em um voto extenso, o ministro relator, Cleonilson Nicácio Silva, disse que a conduta do major se revelou egoísta, com meios inescrupulosos e modus operandi improbo, o que implicou na majoração da pena aplicada.

Segundo a denúncia do Ministério Público Militar, em de abril de 2002, o Centro de Pagamento do Exército (CPEx) identificou a realização de vários pagamentos, a pensionistas, processados indevidamente. Durante as investigações, foi constatada a implantação de mais de 50 pensionistas laranjas.

A promotoria informou que fichas-cadastro implantadas no Sistema de Pagamento do Exército tinham erros grosseiros, como pensionistas e instituidores não cadastrados no sistema da Seção de Inativos e Pensionistas (SIP), processos não localizados, contas invertidas e valores indevidos, inexistência de desconto de Imposto de Renda, melhoria de pensão e pensão ainda não julgada, saques de parcelas remuneratórias não cumulativas, alteração de compensação orgânica com base na mudança de posto de referência e inexistência no banco de dados do CPEx dos endereços desses pensionistas.

Perícia -Os peritos de informática constataram que as pessoas haviam sido implantadas supostamente no Comando da 1ª Região Militar (Cmdo 1ª RM), situado no Estado do Rio de Janeiro. Todavia, após a análise dos arquivos, comprovou-se que as implantações estavam associadas ao Órgão Pagador da 15ª Circunscrição de Serviço Militar (15ª CSM), situado no Estado do Paraná.

Foram implantados, de forma irregular, 54 pensionistas fantasmas. Todas as contas bancárias identificadas nos cadastros dos falsos pensionistas foram abertas na Caixa Econômica Federal, em agências situadas principalmente nos Estados de Pernambuco e da Paraíba, sendo que todas, com exceção de três contas, foram abertas no primeiro trimestre de 2002. Dos 54 falsos pensionistas, apenas quatro não tiveram seus nomes utilizados na execução de qualquer pagamento, disse a denúncia.

Os peritos de informática verificaram que, para a realização da fraude, foi necessária a criação de programas, que alteravam as rotinas previstas feitas dentro do Sistema de Pagamento de Pessoal do Exército (SIAPES) e com códigos pessoais de militares do próprio CPex.

Duas frentes criminosas

Em depoimento, um sargento da unidade militar afirmou que fez as modificações, cumprindo ordem verbal de um major, utilizando planilhas que lhe foram entregues por ele, também, por outro oficial, o major chefe do esquema. Depois das inserções das planilhas, os arquivos de pagamento eram transferidos para o computador de grande porte, instalado no Centro Integrado de Telemática do Exército (CITEx).

Dos pensionistas que receberam pagamentos irregulares do Exército, verificou-se que muitos eram parentes por afinidade de um dos oficiais, residentes principalmente nos estados de Pernambuco e da Paraíba.

Ainda de acordo com Ministério Público, a fraude foi feita em duas frentes: a primeira, realizada no CPEx, foi responsável pelo planejamento e pela execução das mudanças na rotina de pagamento do Exército por parte dos oficiais; e a segunda, em algumas cidades dos Estados de Pernambuco e da Paraíba, onde foram recrutadas diversas pessoas, para abrirem contas de caderneta de poupança na Caixa Econômica Federal, com a promessa de receberem um benefício do Governo ou um emprego futuro, dentre outros argumentos apresentados, sob a condição de não ficarem com a posse dos cartões magnéticos.

Esse recrutamento, informou a promotoria, teve a participação direta de seis civis, todos cunhados de um dos militares do CPEx, e, ainda, a participação de outros dois civis. O grupo ficava com a posse dos cartões magnéticos das contas de poupança dos falsos pensionistas, possibilitando os diversos saques e movimentações bancárias que foram realizados.

De acordo com o laudo pericial contábil, foram desviados para as contas de poupança dos falsos pensionistas o montante de R$ 1.767.924,13, sendo revertido para o CPEx a quantia de R$ 971.886,23, restando como prejuízo para o Exército Brasileiro o valor original de R$ 796.037,90. Ainda de acordo com o Ministério Público, com os valores corrigidos, a fraude causou um prejuízo de R$ 3,4 milhões, em valores atuais.

Dos diversos saques efetuados nas contas dos falsos pensionistas, vários foram filmados pelas câmaras da Caixa Econômica Federal , o que possibilitou a identificação de alguns dos autores dos saques, bem como de algumas movimentações financeiras, realizadas nessas contas dos réus.

Denúncia -Diante das provas coletadas, o Ministério Público Militar (MPM) denunciou diversos militares e civis, que foram identificados como integrantes do esquema criminoso operado dentro do quartel do Exército. O Cpex é o órgão do Exército responsável pelo pagamentos de todos os militares da Força, pensionistas e servidores civis.

Agindo em co-autoria, sustentou a acusação, os réus obtiveram vantagem pecuniária ilícita em prejuízo do Exército Brasileiro, que foi mantido em erro, mediante modificações fraudulentas nos programas do Sistema de Pagamento; crimes de estelionato praticados pelos civis, crimes de receptação e peculato, por parte dos militares.

Todos foram denunciados à Justiça Militar da União (JMU), na Auditoria de Brasília, em 21 de janeiro de 2003. E, desde então, o processo se arrastou com inúmeros recursos, inclusive pedidos diversos de perícias. Somente a Sessão de julgamento foi adiada 17 vezes, muitas delas em virtudes do não comparecimento dos réus ou de suas defesas.

Julgamento -Em Sessão de 25 de novembro de 2014, o Conselho Especial de Justiça da 1ª Auditoria da 11ª CJM julgou e condenou quatros oficiais do Exército e dois civis. O major, considerado chefe do esquema, recebeu a pena de cinco anos e cinco meses de reclusão. Um outro major foi condenado à pena de cinco anos e quatro meses de reclusão; um capitão e outro major, ambos, à pena de três anos e nove meses de reclusão, todos por estelionato, crime previstos artigo 251 do Código penal Militar, em regime semiaberto e o direito de apelar em liberdade.

Dois civis também foram condenados à pena de três anos de reclusão, também por peculato. Foram absolvidos, um capitão, um subtenente, dois sargentos e dois civis por não terem cometido crime algum, decidiu os juízes de primeiro grau.

Inconformadas com as condenações, as defesas dos quatros oficiais resolveram apelar junto ao Superior Tribunal Militar (STM).

Ao analisar o recurso, nesta terça-feira (9), em um julgamento longo, de mais de 8 horas de duração e finalizados às 22h30, e com 14 recursos preliminares, o relator, ministro Cleonilson Nicácio Silva, resolver manter as condenações e aumentar a pena aplicada a todos os quatro oficiais.

Em seu voto, o ministro destacou a participação de um deles, o major tido como chefe do esquema montado dentro do CPex para desvio de dinheiro público. A defesa do oficial pediu a absolvição dele, sustentando a (…) falta de prova material do cometimento da infração (…) ao argumento de que (…) não há nada, nestes autos, que demonstre que o acusado (…) tenha, de alguma forma, causado qualquer prejuízo ao erário pela inclusão de falsos pensionistas no sistema de pagamento (…).

Para o relator, a defesa não tinha razão, uma vez que foram comprovadas a autoria, a materialidade e a culpabilidade do réu. Ele sustentou também que os autos comprovam que o acusado foi um dos idealizadores e principais executores da empreitada criminosa. Afinal, ordenou a criação de programas que alteravam a rotina de pagamento da Força Terrestre, possibilitando a inclusão de falsos pensionistas.

Além de manter a condenação, o ministro decidiu por aumentar a pena imposta ao major para 9 anos, 8 meses e 20 dias de reclusão e definiu o regime fechado para o cumprimento da pena.

Sopesaram em seu desfavor a intensidade do dolo ou grau da culpa, o modo de execução, os motivos determinantes e a insensibilidade, a indiferença ou o arrependimento após o crime. Impõe-se o reconhecimento desfavorável dessa circunstância, afinal, o réu manipulou seus subordinados para a criação de programas de informática que alteravam a rotina do pagamento dos pensionistas do Exército Brasileiro, evidenciando o elevado juízo de censura de sua conduta.

O acusado agiu de forma premeditada, organizando e planejando a prática delituosa, atuando, até mesmo, na cooptação de indivíduos humildes para que abrissem contas correntes na Caixa Econômica Federal com objetivo de receber indevidamente importâncias em prejuízo da Administração Militar, fundamentou o relator.

O segundo major, foi condenado à pena de 8 anos e 9 meses de reclusão, em regime fechado; o terceiro major, à pena de pena de 5 anos de reclusão, em regime semiaberto e o capitão, à pena de 4 anos, 10 meses e 10 dias de reclusão, em regime semiaberto.

Os demais ministros do STM, por maioria, acompanharam o voto do relator, que manteve a condenação e exasperou a pena impostos aos militares do Exército.

Fonte: Superior Tribunal Militar

Copiado de:  http://www.sintese.com/noticia_integra_new.asp?id=404025

Praia de Xangri-Lá – Saiba tudo o que REALMENTE acontece em Xangri-Lá

01/10/2016

A Constituição mais bela do mundo

BenigniNo dia 02 de julho de 1946 era promulgada a atual Constituição Italiana. Por ocasião do aniversário de 70 anos, o ator e diretor italiano, Roberto Benigni homenageou-a com um show de informações digna do respeito que se deve à Carta Magna de um país: La Piú bella del mondo. A apresentação memorável está disponível integralmente no Dailymotion. Infelizmente só encontrei em italiano. O show também está disponível no youtube, integral e em capítulos. Basta procurar por Benigni e “la piu bella del mondo”.

É uma apresentação verdadeiramente emocionante. Do ponto de vista de um brasileiro, que vê sua Constituição ainda impúbere sendo violada pelos seus próprios guardiães, causa uma sensação mistura de veneração com frustração. Um sentimento de impotência igual ao que se tem ao se entrar na própria casa e ver que todos seus bens foram levados.

Não há como não se comover. Aí fui reler os artigos introdutórios da nossa Constituição, a cidadã como batizou Ulisses Guimarães, para comparar aos da italiana. Triste ver que está sendo solenemente ignorada pela sociedade brasileira, mormente aquela parcela defensora do golpe que surrupiou 54 milhões de votos da nossa jovem democracia.

Parágrafo único do artigo primeiro:

Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.“ Só pra lembrar, sob o comando de um dos guardiães rasgaram 54 milhões de votos. Pior, golpearam uma Presidenta honesta para que uma verdadeira quadrilha se instalasse. Não pode haver contestação quando o próprio ventríloquo da admitiu na ONU que o golpe foi dado porque a Presidente se recusou a aplicar o plano proposto por ele.

O caput do artigo 5º da constituição talvez seja o mais abusado em praça pública: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:” Comparece-se o tratamento dispensado ao Aécio Neves (o primeiro a ser comido) e o suíço Eduardo CUnha em relação ao José Genoíno e ao Lula. Ou o Mensalão do PT versus Mensalão do PSDB. Como não lembrar do que se vangloriou no twitter o deputado Jorge Pozzobom, do PSDB gaúcho: “Eu entro no Poder judiciário e por não ser petista não corro o risco de ser preso”.

E aí, no inciso X desse mesmo artigo quinto vem a chave de ouro, que traça um retrato desolador em relação à aplicação da justiça: “X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;”. Se até a Presidenta é grampeada e vazada, o que se pode esperar, já não digo em relação a nós, comuns mortais, mas em relação às nossas filhas impúberes?! Felizes os gregos que acreditavam na punição, pelos deuses, daqueles que ultrapassavam o “justo meio” (Ética a Nicômano). Atlas, Prometeu e Sísifo são exemplos de heróis gregos condenados “pelos deuses” a pagarem por irem além do “justo meio”. Veja-se o tratamento dispensado ao serial estuprador Roger Abdelmassih

Você confiaria na polícia que prende alguém porque uma sigla (JD) coincide com as iniciais do nome que buscam incriminar, ou pelo simples fato de ser cunhada de um petista (Marice Lima), mas, coincidentemente, deixa em brancas nuvens de pó 450 kg de cocaína?! A diferença está em que a sigla JD levou José Dirceu à prisão, ao passo que leva o dono do heliPÓptero ao cargo de ministro

 

La più bella del mondo/ Roberto Benigni, Costituzione italiana: ascolti tv, la serata si aggiudica il primo posto

Pubblicazione: venerdì 3 giugno 2016 – Ultimo aggiornamento: venerdì 3 giugno 2016, 10.55

La più bella del mondo/ Roberto Benigni, Costituzione italiana: ascolti tv, la serata si aggiudica il primo posto

30/09/2016

Aula Magna, aos golpistas de todos os tempos, sobre lógica e decência

Como de mata uma democraciaUma aula bem didática, gratuita, para aqueles não que não receberam, de berço, educação. Aquela que não se compra em butique de luxo ou em livros de lombada de madeira para ostentar aos trouxas a cultura que não têm. Como de destrói uma democracia, um cronograma sem powerpoints. Golpes de Estado, desde sempre, são assaltos à democracia. Não por acaso Churchil inscreveu a frase que até hoje embala cidadãos democráticos e causa urticária nas mentes totalitárias: Ninguém pretende que a democracia seja perfeita ou sem defeito. Tem-se dito que a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos.”

Nessas fugas noturnas do banditismo midiático brasileiro, encontrei, buscando por livros do período clássico greco-latino, um livro que me chamou atenção: “Come si abbatte una democrazia. Tecniche di colpo di Stato nell’Atene antica” da professora de história grega no departamento de História, Arqueologia e História da Arte na Faculdade de Letras e Filosofia de Milão, Cinzia Susanna Bearzot. Como se mata uma democracia. Ora, no Brasil atual sabemos muito bem como funciona. Com a Rede Globo escolhendo os julgadores mediante a distribuição de estatuetas,  ditando a forma da persecução criminal e os ritos condenatórios.

Estava começando a ler o livro da filósofa Márcia Tiburi, “Como conversar com um fascista”. Como faço sempre, meu parâmetro de comparação remete aos clássicos gregos, Tucídides e Xenofonte.

A democracia ateniense, como chegou até nós, deve tributo maior a Péricles. Tucídides intuiu que a democracia funciona com líderes fortes. Os líderes fracos se tornam escada para oportunistas e, vejam só, aos demagogos. Um líder forte é moderado no trato porque tem exatamente por característica a intuição de líder. Ninguém é líder só por querer. Sem o dom, que pode ser temperado, aperfeiçoado com o tempo, não se chega a líder. Um líder sabe o que dizer mas principalmente quando dizer.

Ainda no período greco-latino, sobejam líderes de extração clássica, como Péricles, já citado, mas também o próprio Xenofonte, que conduziu o retorno dos mercenários gregos (10 mil)  a serviço de Ciro, à Grécia, registrado no pai do filão literário retiradas de guerra, Anabase. Neste ramo da literatura, na feliz acepção do Italo Calvino (Por que ler os clássicos), está, para citar apenas um exemplo brasileiro, “Avante, Soldados: para trás”, do Dionísio da Silva. Júlio César, mas principalmente,Alexandre Magno. Por favor, não confundi-lo com Carlomagno, nem como Rei Arthur, muito menos com Magno Malta

Michel Temer, por exemplo, não tem absolutamente nada de Péricles. A melhor definição do homem da Rede Globo no Planalto foi dada por Antonio Carlos Magalhães: “Não me impressiona sua pose de mordomo de filme de terror”. Não sabe escolher auxiliares (basta ver a lista de defenestrado em poucos meses), é tributário da pessoa mais nefasta que a política brasileira produziu. Como não tem intuição,  troca Rei Arthur por Carlos Magno.

Já que tratamos de Tucídides, o pai da ciência das relações internacionais, como não lembrar que José Serra foi escolhido para relações exteriores pelo simples fato que a Odebrecht lhe confiou em lavanderias internacionais 23 milhões. Depósito no exterior é condição suficiente para torna-lo, jamais faze-lo, chanceler. Qualquer alienado mental sabe que o é BRICS. Jamais enxertaria na sigla uma Argentina. O Tarja Preta o faz com a desenvoltura de um hipopótamo numa loja de cristais. O uso destas personagens para dar o golpe foi um verdadeiro estupro coletivo na jovem democracia.  Um bacanal na acepção moderna, não aquele evento religioso em que participavam as bacantes, devotas de Dionísio, Baco para os romanos, donde deriva o termo bacanal.

Um líder usa a força das ideias e o poder do convencimento. O charlatão se contenta e lhe basta a força da Rede Globo. O único meio de que dispõe. A força não se resume ao castigo físico, mas a condição de pactuar com quem detém o poder de persuasão. Hospedeiro e hóspede levam uma vida simbiótica, de mútuo aproveitamento. Pelo menos até descobrir que era um simples parasita.

Na Grécia do século V a.C., a saída de Péricles precipitou a aflorar as ambições pessoais de um grupo arrivista que usava o poder para aumentar os bens pessoais. A própria riqueza e a dos seus. Não foi muito diferente em outros períodos da história, seja romana ou mesmo no seio da própria Igreja. Até hoje há um sentimento de que o poder é inerente à apropriação do bem público pelo particular. Tanto é assim que as exceções não são aceitas. Um exemplo clássico está acontecendo em São Paulo. João Dória Jr é o que se chama o anti-estado, desde que seja nutrido pelo Estado. No RS temos o exemplo do Gerdau, que não produz um parafuso sem subsídio, sonegação, algum tipo de benefício fiscal. São os mesmos que usam e são usados pela mídia para condenar o público e santificarem as privadas.

E por aí se chega a mais recente vertente jurídica do direito romano made in Brasil: “Se não têm como provar o roubo, é por que soube roubar sem deixar provas.” Se não há o produto do roubo, não há roubou. Não na cabeça dos que julgam os outros  tomando a si por parâmetro.

E aí chuto a bola levantada pela Marcia Tiburi, que também tributa a outra herança grega, a necessidade do diálogo. Platão escreveu suas principais obras como diálogos entre pessoas que faziam parte de sua convivência. No Brasil atual trocou o método socrático, talvez pela delação premiada. No Brasil, o diálogo é aquilo que o presidiário pode entregar de Lula para merecer liberdade. Se entregar produto diferente do esperado, não é diálogo. Esta inovação tem parâmetro nos avanços tecnológicos, onde a aquisição de determinado bem prescinde do diálogo. O cliente escolhe o produto a receber. Se entregar, é premiado. Seja por meio de sorteios em shopping centers, seja na deduragem legal. Os que se seguiram a Péricles primaram pelo privado, com a batida tão cara às ditaduras, dos Trinta Tiranos a Delfim Neto: deixar o bolo privado crescer para que os pobres entrem no sorteio dos farelos, como o tiquet leite.. Contei um pedaço desta história em 2002: “Que veículo da imprensa teria coragem de ligar o programa do "tíquete-leite", instituído pelo papai Sarney, e desincumbido por Nelson Proença, hoje no PPS gaúcho, à filha Roseana? Os motivos, só os lençóis maranhenses sabem.” Ao público, os restos que caem das mesas privadas. O direito é medida legal que legitima: dar a cada um o que é seu; ao rico, a riqueza; aos pobres, a pobreza.

O discurso público contraria  a prática privada, como demonstraram as gravações de Sérgio Machado a respeito de Aécio Neves, José Sarney, Michel Temer, Romero Jucá e Eduardo CUnha. Aí, toma-se essa turma por parâmetro para julgar a outra turma, que é apeada exatamente para não compactuar com um programa recusado pelo escrutínio. Por que a regra privada que eles conhecem é aquela com as quais convivem. Nada mais fora do convívio do MPF que Lula carregando uma caixa de isopor com cerveja para a praia. Para eles, legal mesmo são os convescotes de Comandatuba, sob a batuta da LIDE… Neste caso, como mostram as sucessivas capas da Veja, o melhor solução, nada de diálogo,  é a pura e simples eliminação dos párias.

Quer algo  mais próximo das capas da Veja do que a imagem de Dilma para servir de tiro ao alvo? Se tudo isso já demonstra muito, não é tudo. O fascismo ainda encontrou tempo e dinheiro para distribuir adesivos com uma montagem mostrando Dilma de pernas abertas. Há quem pensa que passar em concurso público exima de saber a diferença entre Hegel e Engels. Até quem não passa em concurso público sabe montar powerpoint melhores.

Quem hoje, tendo lido Tucídides, teria dúvidas em comparar Aécio Neves a Alcibíades? A tragédia da empreitada de Siracusa, que acabará por levar seus destroços a Atenas, também jogará Alcibíades, como já demostrou Jacqueline de Romilly, nos braços do Império Persa. A plutocracia ateniense que se jogou no colo dos persas reencarnou no PSDB. FHC & Serra, desde sempre, tem essa propensão para tirar os sapatos e se ajoelhar aos EUA.

É de Tucídides o clássico insuperável sobre das relações internacionais: História da Guerra do Peloponeso. Escrito no calor dos acontecimentos, registrou e explicou o conflito, sopesando os papéis de Atenas e de Esparta, relacionando às consequências externas que o conflito punha em evidência. Seu mérito não reside apenas no registro factual, mas na análise que continua inspirando as relações internacionais. O discurso fúnebre de Péricles sobre os mortos do primeiro ano da Guerra do Peloponeso, um clássico da retórica, seria hoje uma afronta, já que Péricles enfatizava a importância da democracia. No Brasil atual, o golpe é classificado eufemisticamente por tropeço. 54 milhões de votos foram trocados por uma autêntica quadrilha de salteadores. Isso não foi tropeço em casca de banana. Foi um evento pensado e conduzido passo a passo pelos tributários do golpe.

Um discurso fúnebre é tudo o que nos resta da democracia. O Péricles de hoje é caçado como um cão sarnento. Por paradoxal que pareça, a sua inocência, a que ponto descemos na decência mas principalmente na lógica, é tomada como prova de sua culpa. Uma lógica que não faria feio ao mais canhestro dos nazi-fascistas que também tinha “a convicção que prescindia de provas” contra homossexuais, ciganos e judeus. É um cuspe ranhento, indecente, na nossa cara. Na cara de cada um que um dia cursou Direito e estudou Lógica.

O tempora, o mores

17/09/2016

O que é o assassinato de Lula para os que já assassinaram a democracia com golpe?!

NYT mauricio

Días oscuros

Por Alberto Ferrari Etcheberry *

“Días oscuros para la democracia brasileña”: así sintetizó The New York Times las consecuencias de la destitución (impeachment) de la presidente Dilma Silva Rousseff. Un resultado cantado: en abril un leak mostraba al vice Michel Temer ensayando el discurso de asunción de la presidencia. Había un consenso generalizado sobre los cargos: irrelevantes para The New York Times, de menor cuantía para Financial Times; minucia contable para El País que explicaba: el retraso por parte del Gobierno en reembolsar un pago efectuado por un banco público a un programa estatal. Son las “pedaladas” que han usado todos los presidentes; sin duda Fernando Henrique Cardoso hoy con sus tucanos la vanguardia del ataque a la presidente. También Para The Economist se usó “un pretexto flojo (flimsy) aunque perfectamente legal”, que contradice su correcta definición anterior: “los presidentes solamente pueden ser destituidos por actos criminales cometidos durante su mandato corriente. No hay prueba contra la Presidente…y ninguno cree que se haya enriquecido…El impeachment llevaría a una caza de brujas.” Además en un sistema no parlamentario aceptar esto como proceso constitucional equivale a reconocer que un poder legislativo puede imponer lo que se le ocurra. Queda claro: se formalizó una decisión tomada mucho antes inventando una causa en una conducta habitual que permite a pocos lo que se niega a muchos: “proibido mais tolerable”: se rechaza a Dilma lo que se acepta para sus juzgadores. Ocurrió contra el presidente Lula con el mensalâo: su antecesor Fernando Henrique le imputaba comprar votos de legisladores, lo hecho casi públicamente por él para lograr su reelección. Con Dilma, ni los más duros invocaron la corrupción; era obvio: de los 81 senadores/jueces, 47 son procesados por corrupción y 15 condenados. Elemental sentido común: Eduardo Cunha abandonó la presidencia de la Cámara de Diputados por una cuenta suiza con cinco millones de dólares de coimas de Petrobras, aunque se le permitió seguir como principal atacante.

¿Y Dilma? No es ajena a esta tragicomedia. El famoso Joâo Santana resumió lo que sería un presagio: “Votaron a una persona y eligieron a otra”. Dilma asumió el 1 de enero de 2015 designando ministro a Joachim Levy, chicagoboy y banquero para cumplir el programa liberal del derrotado Aecio Neves. Como en 1999: Fernando Henrique venció a Lula sosteniendo la paridad del real con el dólar; asumió y se produjo la devaluación que propugnaba Lula. Dilma fue más allá: dejó la economía a Levy y las negociaciones políticas a Temer. Había ignorado las relaciones externas: en los primeros seis meses de 2015 viajó más que en esos cuatro años anunciando privatizaciones y apertura comercial como ocurrió en Estados Unidos junto a Obama. Reconoció públicamente los reclamos del capital: 9 veces dijo humildad y 12 diálogo. Pretendía ser otra ante una crítica generalizada: carece de carisma, competencia y humildad, inexperta, arrogante, autócrata, carácter violento, retó públicamente al Banco Central y no ocultó su disgusto con aliados que dejarían el barco ante su debilidad.

Lava Jato y el juez Moro aceleraron la destitución que lograda se pretende esfumarla: lo han dicho ministros ya renunciados de Temer cuyo rumbo será el de sus apoyos y los tucanos con J.Serra en Itamaraty sonriendo a Obama. Lava Jeto ha corrido el velo sobre la corrupción endémica que uniendo hipocresía y cinismo es motor de la política, la justicia y el gran capital. No es cierto que el PT sea un principal responsable pero sí lo es que no ha mantenido la limpidez que lo prestigió. Debe autocriticarse y es necesario pues es el único partido político y único representante de los de abajo: aceptar a la corrupción como el principal desafío. El vicepresidente de Bolivia ha dicho: si se infecta un dedo hay que cortarlo; a los movimientos populares no se les acepta lo que es norma en los que responden a los intereses creados. El PT no lo entendió pero no está muerto y es difícil que Temer supere el rechazo actual.

* Director del Instituto de Estudios Brasileños de la Untref.

Página/12 :: El mundo :: Días oscuros

25/08/2015

Democracia é condição civilizatória

Filed under: Déficit Civilizatório,Democracia,Golpe Paraguaio,Golpismo,Golpistas,Impeachment — Gilmar Crestani @ 10:05 am
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Não acredito na democracia destas figuras trazidas à baila pelo Luis Nassif. Acredito mais na lição do Milton Friedman, de que não existe almoço grátis. O que estes grupos querem é estabilidade política para ganharem mais dinheiro. Se por um lado jogam no lixo da história golpistas do tipo Aécio Neves e FHC, também é verdade que eles têm usado o poderio econômico para financiarem estes políticos golpistas.

O Banco Itaú foi um dos que financiaram, junto com a AMBEV e a Multilaser, os cartazes e os mal-educados dos Camarotes Vips do Itaquerão. Portanto, não é nem por educação, nem por democracia, nem porque detestam o golpista rastaquera do PSDB e sua trupe de udenistas. O que se vê pelas atitudes é um tremendo déficit civilizatório dos que perderam e não souberam perder pelas regras democráticas.

Por outro lado, mesmo que tardiamente, descobrem que sempre é melhor cair fora de uma barca pilotada por Eduardo CUnha. E assim a elite financeira paulista deixa FHC, Rede Globo, Veja pendurados no pincel do CUnha.

No novo país não cabe o impeachment

ter, 25/08/2015 – 01:00 – Atualizado em 25/08/2015 – 01:00 – Luis Nassif

A entrevista à Folha do presidente do Itaú Roberto Setubal – condenando as manobras para o impeachment – ajudou a desnudar de vez um país velhíssimo, que teimava em se impor sobre o novo.

Seguiu-se às entrevistas do presidente do Bradesco Luiz Trabucco e da Cosan Rubens Omettto Filho.

Nos anos 80, Trabucco era um jovem executivo do Bradesco, frequentador ocasional do Bar do Alemão, teimando em lançar o produto capitalização no mercado; Setubal estava sendo preparado para substituir o pai, Olavo Setubal; e Ometto era o jovem promissor, filho de família rica, mas que fazia carreira como financeiro do grupo Votorantim.

Na época, os grandes grupos nacionais ainda eram acanhados, reunidos em torno da indústria de máquinas e equipamentos, da cadeia sucro-alcooleira e de um setor de empreiteiras que se especializara em grandes hidrelétricas. Tentativas de criar um setor de informática não deram certo.

Com exceção das empreiteiras, tinham em comum a ojeriza ao centralismo do regime militar. Mas não se podia dizer que fossem democratas convictos. Tanto que no jornalismo econômico da época procurávamos levantar vantagens econômicas, para reforçar a bandeira da democracia.

Lembro-me da  entrevista que fiz  com um brazilianista da época, não me recordo se Stanley Hilton ou outro historiador, indaguei sobre as vantagens econômicas da democracia e levei uma lição preciosa para casa: "Democracia não precisa ter vantagens econômicas para ser legítima, Democracia é condição civilizatória", ou algo assim.

***

De lá para cá muita água rolou. A economia se abriu de forma brusca, houve a desregulamentação, um presidente impichado, depois uma relativa estabilização política.

Dois anos atrás, nas comemorações dos 25 anos da Constituição, juristas, como o vice-presidente Michel Temer e o Ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, enalteceram sua resiliência, o fato de ter permitido manter as regras do jogo mesmo ante todo o tiroteio do "mensalão".

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De novembro passado para cá, em alguns momentos, o interminável terceiro turno pode ter passado a impressão da volta ao passado, ao golpismo paraguaio, o mesmo que vitimou outras jovens democracias latino-americanas, independentemente da linha política do presidente deposto.

O germe do oportunismo inoculou-se do politicamente imberbe Aécio Neves ao vetusto Fernando Henrique Cardoso, passando pelo inacreditável Gilmar Mendes, a maior ofensa ao republicanismo brasileiro.

De repente, as trincheiras do legalismo passaram a receber adesões imprevistas, de colunistas escapando ao torniquete da opinião midiática, artistas e, agora, os empresários que contam. Constatou-se que todo o discurso de segurança jurídica viraria pó se se permitisse o impeachment paraguaio. Percebeu-se nitidamente a democracia como um valor maior.

***

FHC recolheu-se, amparado por amigos do Cebrap tentando criar a narrativa de que a proposta de renúncia de Dilma, que ele apresentou, era uma maneira de segurar o golpismo.

O analista político costuma ter razões que o próprio autor desconhece.

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Daqui para frente, a bola volta a Dilma para que se possa, finalmente, encarar os problemas concretos da economia, que não são poucos.

No novo país não cabe o impeachment | GGN

08/12/2014

Para 34% o melhor regime é o da porrada

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E se a velha mídia tivesse dado uma forcinha, não à ditadura, mas à democracia?! O jornal O Globo saudou a chegada da ditadura em editorial. E teve bons motivos, hoje os herdeiros do Roberto Marinho são as três pessoas mais ricas do Brasil, segundo a Revista Forbes.

A Folha, que fez parceria de logística, emprestando as peruas de distribuição dos jornais para transportar clandestinamente as vítimas da ditadura para cemitérios clandestinos, como a já famosa vala de Perus em São Paulo, ainda trata a ditadura por ditabranda.

Procure nas cinco irmãs (Globo, Veja, Folha, Estadão & RBS) alguma ênfase na defesa da democracia e terás grande surpresa. Nada do que elas fazem revela qualquer defesa da democracia. Contrario sensu, encontrarás provas exuberantes do quanto se ressentem da ditadura: todos os principais responsáveis vivos da ditadura encontraram e encontram nos a$$oCIAdos do Instituto Millenium emprego garantido. Onde trabalham Alexandre Garcia, Augusto Nunes, Paulo Santana, e tantos outros menos conhecidos? Ninguém combateu mais a instalação da Comissão da Verdade dos que os que vivem da mentira.

Para se ter uma ideia dos malefícios da manipulação da verdade, uma enquete feita pela RBS, alguns anos atrás, mostrava que Pinochet era mais popular no RS que no Chile. Como explicar que um ditador chileno encontrasse tantos adeptos em solo gaúcho senão pelas defesa que faziam dele: “Pinochet cometeu alguns erros, mas o Chile vai bem obrigado”… Todos os que comungassem desse ideário encontrava amplos espaços na RBS, como Percival Puggina, Denis Lerrer Rosenfield, Paulo Santana, Wianey Carlet. Todos ainda continuam franco atiradores a serviço da RBS.

Portanto, se é de se comemorar que 66% são contrários ao viés golpista do Aécio Neves e sua matilha de Lobões, também é preocupante que 34% ainda não valorizam a democracia. Neste balaio dos 34%, 17% são de mal informados e os outros 17% são de mal intencionados.

E não dá para falar da ditadura brasileira sem mencionar o papel do EUA. Estou lendo Guerras Sujas, de Jeremy Scahill, editado pela Cia das Letras, de onde retirei, dentre tantas outras, esta pérola: “A história das operações secretas nas décadas de 1950 a 1970 não foi feliz”, disse Clarke aos legisladores. A CIA orquestrou a deposição de governos populistas na América Latina e no Oriente Médio, apoiou esquadrões da morte em toda a América Central, instrumentalizou o assassinato do líder rebelde Patrice Lumumba no Congo e fomentou a ação de juntas militares e ditaduras. O dilúvio de assassinatos ficou tão fora de controle que em 1976 um presidente republicano, Gerald Ford, precisou editar a Ordem Executiva 11905 que proibia explicitamente os Estados Unidos de levar a termo “assassinatos políticos”. Todo dia aparecem documentos liberados que provam a participação dos EUA, como mostra a Operação Brother Sam, na ditadura brasileira.

No Brasil há ainda outro empecilho, os velhos do Poder Judiciário, que se perfilam ao lado dos torturadores. O STF nunca deixou que se investigasse e punisse os torturadores: isso explica porque 34% ainda se recusam apoiar a Democracia.

Outro artigo, hoje na Folha, da conta, no artigo Silêncio mortal, do modus operandi da ditadura: “Carlos Alexandre Azevedo tinha um ano e sete meses quando seus pais foram presos, em São Paulo. Chorou de fome diante de policiais da equipe do delegado Sérgio Fleury. Um deles deu um tapa em seu rosto, abrindo-lhe um corte na boca. A família foi viver, quase clandestinamente, no Rio Grande do Norte. Cacá, como era conhecido, apanhava dos colegas de escola, que o chamavam de "terrorista". Desenvolveu depressão e fobia social.”

Democracia é melhor regime para 66%, aponta Datafolha

Índice medido por pesquisa em dezembro é o mais alto desde que o levantamento começou a ser feito, em 1989

Preferência pela democracia é maior entre mais instruídos e indiferença cresce entre os menos escolarizados

DE SÃO PAULO

A eleição presidencial deste ano, uma das mais acirradas desde 1989, exerceu efeito positivo sobre a relação da população brasileira com o regime democrático.

Desde aquele ano, quando o Datafolha começou a medir a confiança do povo com o regime recém-consolidado, o maior índice foi registrado no último levantamento, feito nos dias 2 e 3 de dezembro, no qual 66% dos entrevistados disseram acreditar que a democracia é sempre melhor do que qualquer outra forma de governo.

Como consequência, caiu para 15% o número de pesquisados que disseram não se importar se o regime político é uma democracia ou uma ditadura. Este indicador só não é menor do que o observado na pesquisa feita em março de 1993, quando 14% dos deram essa opinião.

Outros 12% disseram que, em certas circunstâncias, é melhor uma ditadura do que um regime democrático. Não souberam responder 7%.

O recorte que considera o grau de instrução dos entrevistados mostra que, entre aqueles que estudaram até o ensino fundamental, 57% acreditam que a democracia é sempre a melhor forma de governo –uma queda de nove pontos percentuais em relação à média da pesquisa.

Ainda nesta faixa, sobe para 19% o índice dos que avaliam que tanto faz se o regime político é uma democracia ou um ditadura –quatro pontos acima da média.

Entre os que completaram o ensino superior, a tendência se inverte e 80% avaliam que a democracia é sempre a melhor forma de governo e 7% dizem preferir ditadura.

O levantamento entrevistou 2.896 pessoas em 173 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

07/12/2014

Ódio golpista de Aécio resulta em mais satisfação com a Democracia

democracia santiagoSatisfação com a democracia no Brasil cresce 13 pontos em 2014, diz Ibope

JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO E RODRIGO BURGARELLI – O ESTADO DE S. PAULO

07 Dezembro 2014 | 07h 40

Segundo pesquisa, 39% dos brasileiros estão ‘muito satisfeitos’ ou ‘satisfeitos’ com a democracia, a terceira maior taxa em 20 anos, ante 22% ‘nada satisfeitos’

Apesar da eleição presidencial mais acirrada da história e dos sucessivos escândalos de corrupção, a satisfação com a democracia no Brasil cresceu 13 pontos em 2014 e chegou ao maior nível desde 2010: 39% dos brasileiros dizem estar “muito satisfeitos” ou “satisfeitos” com o regime democrático, segundo pesquisa do Ibope, feita a pedido do Estado. Apenas 26% diziam isso em 2013, o ano dos protestos em massa.

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Ao mesmo tempo, caiu de 40% para 30% a taxa dos “pouco satisfeitos” e de 29% para 22% a dos “nada satisfeitos”. Embora numerosos, é significativo que esses contingentes tenham caído, a despeito das manifestações por intervenção militar.

“Grupos extremistas são mais estridentes. Têm uma repercussão maior do que sua representatividade social. Não surpreende que a pesquisa mostre bem o contrário do barulho que esse grupo causa. Ele (o grupo) dá uma falsa impressão de que tem muito mais gente insatisfeita com a democracia”, diz o cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas Cláudio Couto.

De fato, a maior parte da população afirma que “a democracia é preferível a qualquer outra forma de governo”: são 46%, ante 20% que dizem que “um governo autoritário pode ser preferível”, dependendo das circunstâncias. O terço restante é indiferente, não soube ou não quis responder à pergunta.

Grupos extremistas são mais estridentes. Têm uma repercussão maior do que sua representatividade

Porém, se somarmos os pouco satisfeitos com os nada satisfeitos, eles chegam a 52% do eleitorado. Para José Álvaro Moisés, professor de Ciência Política da USP, “há problemas crônicos no Brasil em relação à confiança das pessoas na democracia, que já vem de algum tempo”. Ele lembra a desconfiança com os partidos e o Congresso e cita duas causas: 1) a avaliação popular de que funcionam mal e 2) a percepção de aumento da corrupção.

Sem partido. A pesquisa do Ibope reforça a primeira hipótese. Para 36% dos eleitores, a democracia pode funcionar sem partidos políticos (43% dizem que não pode e 21% não responderam). Três em dez entrevistados dizem que a democracia pode funcionar sem o Congresso – contra 47% que afirmam que não há regime democrático sem Parlamento. Embora alta, a taxa dos que se livrariam dos congressistas já foi bem maior: 40% em 2008 e 42% em 2010.

Mesmo tendo aumentado em todos os segmentos sociais entre 2013 e 2014, a satisfação com a democracia no Brasil é desigual. Há mais satisfeitos no Nordeste (50%) do que no Sudeste (32%), entre quem estudou até o fundamental (44%) do que entre quem fez faculdade (35%). Isso talvez seja reflexo do resultado da eleição presidencial, já que a candidata vitoriosa, Dilma Rousseff (PT), teve mais votos nesses segmentos.

A melhora da qualidade da informação leva as pessoas a refletirem sobre a experiência delas na democracia

José Álvaro Moisés levanta outra hipótese. “Está se formando uma camada de cidadãos críticos à democracia. Não é que não sejam democratas. Eles se tornam mais críticos com mais informação que recebem”, avalia. “A melhora da qualidade da informação leva as pessoas a refletirem sobre a experiência delas na democracia.”

Feita anualmente pelo Ibope, a pesquisa sobre a satisfação do brasileiro com a democracia mostra que – fora o auge de 2009/2010, quando chegou a 48% – a taxa dos satisfeitos é a terceira maior em 20 anos. O Ibope ouviu 2.002 eleitores entre 13 e 17 de novembro, em todas as regiões do Brasil. A margem de erro máxima é de 2 pontos, para mais ou para menos.

02/11/2014

Coisas que só a democracia propicia

intervençaoUma, dentre muitas vantagens da democracia, é oportunizar que os ratos saiam do esgoto. E, à luz do sol, parecem ainda mais nojentos. E se isso já é muito, não é tudo diante da quantidade de doenças que transmitem. Tanto fez que a Veja conseguiu despertar seus seguidores. Se há hoje um golpe em marcha é porque há uma conjunção de síndrome de abstinência com déficit civilizatório na nossa sociedade. Abstinência de poder, pelos 16 anos de PT; e déficit civilizatório demonstrado na pretensão de ascender ao poder meio de golpe. Como Fernandinho Beira-Mar, com uma arma na mão se acham donos do mundo. Reis da COCAda preta!

Não são só maus perdedores. São tumores malignos cultivados pelos a$$oCIAdos do Instituto Millenium.

Quando duas instituições notadamente paulistas, a Multilaser e Banco Itaú, alugam pessoas para xingarem a Presidenta do Brasil na abertura da Copa do Mundo no Itaquerão é porque o caldo de incivilidade está grosso e muito bem finanCIAdo. A retaguarda golpista finanCIA a Veja com os mesmos métodos recentemente implantados na Líbia, Egito, Ucrânia e Venezuela. Em todos os lugares há participação da CIA simplesmente por que estes são lugares produtores de petróleo. As revelações da WikiLeaks e do Edward Snowden desnudam qualquer tentativa de tirar os EUA do foco golpista. Eles grampearam a Presidência, mas, principalmente, a Petrobrás. A CIA sabe como desencadear processos de desconfianças, gerar e estimular movimentos golpistas. É da natureza da CIA se aproximar de grupos com síndrome de abstinência de poder e com eles fazer parceria. Ela não existiria se não conseguisse fazer isso. E ela faz e consegue. Consegue porque encontra nos países em que deseja fomentar a derrubada de governos democráticos grupos empresarias que comungam dos mesmos interesses golpistas. Aliás, como aconteceu em 1964. Há exatos cinquenta anos a CIA ajudou a derrubar um governo eleito no Brasil e a implantar uma ditadura cuja chegada foi saudade em editorial pelo O Globo.

O Grupo Abril nasceu pelas mãos do ítalo-americano Roberto Civita. Não por acaso, a senha golpista tenha partido de dentro do Grupo Abril. Quem viu o documentário “Inimigo do meu inimigo” sabe do que estou falando. Está lá, com todas as letras: “A Sra. Dilma Rousseff não deve ser eleita. Eleita não deve tomar posse. Empossada, devemos recorrer à revolução para impedi-la de governar.”  Se alguém pensava que a Veja tinha apenas flertado com o fascismo agora fica provado que estava redondamente enganado. Veja não só flerta com o fascismo, como o insufla, apoia e serve combustível para abrir as comportas dos esgotos de onde saíram as ratazanas que pedem intervenção militar. Se quiser cortar o mal pela raiz terá de dedetizar as incubadoras de ratazanas. Depois do Mais Médicos, Dilma terá de importar Mais Psiquiatras!

Como a história só se repete como farsa, não por acaso as palavras da Veja são as mesmas palavras de Carlos Lacerda em relação a Getúlio Vargas: O senhor Getúlio Vargas, senador, não deve ser candidato à Presidência. Candidato, não deve ser eleito. Eleito, não deve tomar posse. Empossado, devemos recorrer à revolução para impedi-lo de governar." Carlos Lacerda, em 1º. De junho de 1950, no jornal Tribuna da Imprensa.

 

Seis dias após 2º turno, protesto em São Paulo pede saída de Dilma

Cerca de 2.500 pessoas foram às ruas para contestar resultado das eleições e criticar governo do PT

Cartazes sugeriam nova intervenção militar no país; também houve atos em Curitiba, Brasília e Manaus

GUSTAVO URIBEDE SÃO PAULO

Menos de uma semana depois de a presidente Dilma Rousseff (PT) ser reeleita, cerca de 2.500 pessoas foram às ruas de São Paulo para protestar contra o governo petista e o resultado das urnas.

O ato convocado por meio das redes sociais começou na avenida Paulista, em frente ao MASP (Museu de Arte de São Paulo), no início da tarde, e seguiu em caminhada escoltada pela Polícia Militar até o parque Ibirapuera.

Do alto de um carro de som e com a bandeira do Brasil nos ombros, o cantor Lobão defendeu recontagem dos votos do pleito presidencial. O resultado foi o mais apertado da história, com 51,6% dos votos para Dilma e 48,4% para Aécio Neves (PSDB).

O protesto não teve episódios violentos, mas foi marcado por provocações entre os manifestantes e apoiadores da presidente. No percurso da caminhada, camisetas vermelhas e bandeiras da campanha petista foram estendidas nas janelas.

"Vai para Cuba!", gritavam de volta os integrantes da marcha, que contou com vendedores ambulantes oferecendo camisetas dizendo "Impeachment já!".

Os manifestantes carregavam faixas que acusavam Dilma de saber do esquema de corrupção na Petrobras, delatado pelo ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa, e pediam a saída da petista por meio de intervenção militar.

"É necessária a volta do militarismo. O que vocês chamam de democracia é esse governo que está aí?", questionou o investigador de polícia Sérgio Salgi, 46, que carregava cartaz pedindo "SOS Forças Armadas".

Sob aplausos, o deputado federal eleito Eduardo Bolsonaro (PSC-SP), filho do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), foi apresentado ao microfone como "alguém de uma família que vem lutando muito pelo Brasil".

Em discurso, o parlamentar disse que, se seu pai fosse candidato a presidente, ele teria "fuzilado" Dilma.

O perito Ricardo Molina também subiu no carro de som e disse que as urnas são "fraudáveis". "Qualquer não analfabeto sabe", disse.

Ao fim do protesto, houve ameaça de fragmentação do movimento, entre favoráveis e contrários à intervenção militar. Cada bloco usou um carro de som e, após breve discussão, chegaram a acordo.

"Todos aqui se respeitam, só queremos o bem do Brasil. Não podemos aceitar discórdia", disse Paulo Martins, candidato a deputado pelo PSC no Paraná. Mais cedo, ele havia saudado o grupo com um "boa tarde, reaças".

PELO PAÍS

Também houve pequenos protestos contra Dilma, com centenas de pessoas, em Curitiba, Brasília e Manaus, todos convocados pela internet.

Colaboraram DANIELA LIMA, de SP, e GALENO LIMA, da Editoria de Treinamento

12/06/2014

Quem tem medo de povo?

Filed under: Democracia — Gilmar Crestani @ 7:45 am
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LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA

Democracia participativa

Liberais afirmam que o decreto sobre participação social implica o risco do surgimento de "um poder paralelo". Puro nonsense

A reação negativa de certos setores da sociedade ao decreto definindo a política de participação social do governo revela sua determinação de limitar a qualidade da democracia brasileira; de fazê-la perder o caráter razoavelmente participativo, que já tem, para ser apenas liberal.

Para a teoria política, existe um conceito mínimo de democracia: é o regime político que garante os direitos civis e o sufrágio universal. Esse conceito corresponde à forma de democracia que os liberais aceitaram nos países ricos no final do século 19, limitando a participação do povo à eleição de representantes sobre os quais ele teria pouco poder.

É evidente que o processo não poderia parar aí –que a qualidade da democracia não poderia restar mínima. A alternativa seria a democracia direta, mas o obstáculo maior para isso está na grande dimensão dos Estados-nação. Isso deve ter contribuído para que a definição de uma democracia que fosse realmente o "governo do povo" assumisse a forma viável de democracia representativa e participativa após a Segunda Guerra Mundial.

No Brasil, a democracia participativa foi inicialmente defendida por grupos católicos progressistas e seu maior entusiasta foi meu saudoso chefe no governo de São Paulo, André Franco Montoro. A ideia depois foi encampada pelo PT e se transformou em uma de suas maiores bandeiras, mas jamais exclusiva desse partido. Isso ficou claro na Constituição de 1988, com seus 12 incisos que abrem espaço para a democracia participativa.

Mas a participação popular não ficou apenas na letra da lei. Ela já é uma realidade viva e objeto de estudos. Uma das experiências, a do orçamento participativo, ganhou projeção mundial. Em uma instituição de alto nível como o Cebrap, existe um grupo voltado para o estudo das experiências de democracia participativa; prática que se repete nas grandes universidades brasileiras.

O decreto nº 8.243, portanto, não legisla sobre o nada. Pelo contrário, as formas de participação que define –as conferências nacionais, a ouvidoria pública, as audiências e consultas públicas– já existem no Brasil e muitas delas, especialmente as conferências nacionais, são dotadas de grande vitalidade e legitimidade.

Os liberais afirmam que o decreto implica o risco do surgimento de "um poder paralelo". Isso é puro nonsense. A democracia participativa convoca as organizações da sociedade civil e os cidadãos para participarem da definição das políticas públicas, mas de forma consultiva.

Há uma forma mais avançada, senão utópica, de democracia que é a "deliberativa", defendida por filósofos políticos como Jürgen Habermas e John Rawls. Mais avançada porque os conselhos populares teriam alguma autoridade para tomar decisões.

O decreto não é uma ameaça à democracia; pelo contrário, revela seu avanço relativo. O decreto não põe em discussão o caráter representativo da democracia, mas estabelece um mecanismo um pouco mais formalizado por meio do qual o governo poderá ouvir melhor as demandas e propostas da sociedade civil.

Alguns críticos afirmam que essa seria uma forma de "pressão" das organizações da sociedade civil sobre os parlamentares e as agências do governo, mas desde quando ouvir os cidadãos é ser vítima de pressão? Ao contrário, a democracia participativa é uma forma de se contrabalançar a pressão antidemocrática dos lobbies na defesa de pleitos que geralmente conflitam com o interesse público.

É comum ouvirmos que as democracias contemporâneas enfrentam uma crise. Essa tese é discutível, porque é da natureza da democracia refletir aspirações que não podem ser totalmente atendidas e conflitos para os quais não há solução fácil. Não tenho, entretanto, qualquer dúvida de que a democracia brasileira está forte e que o seu caráter participativo, ainda que limitado, é um de seus principais trunfos.

LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA, 79, é professor emérito de economia, teoria política e teoria social da Fundação Getúlio Vargas. Foi ministro da Fazenda (governo Sarney), da Administração e Reforma do Estado e da Ciência e Tecnologia (governo FHC)

16/10/2013

Isso você não encontra nos velhos grupos mafiomidiáticos brasileiros

Filed under: Brasil,Democracia,Internet — Gilmar Crestani @ 9:28 am
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Brasil: democracia 2.0.

Desde las filtraciones de Snowden, el país ha priorizado la aprobación de una ley que pretende regular la privacidad, la neutralidad y la seguridad de Internet

CLARA MARSAN 15 OCT 2013 – 13:51 CET2

Quizás todavía pueda existir Internet sin democracia, aunque los gobiernos autoritarios conocen la dificultad de frenar la democratización a través de Internet (véase China y su gran cortafuegos –great firewall– o la interrupción de Internet en Egipto orquestada por el régimen de Mubarak), pero ¿podemos tener democracia sin Internet? Brasil parece tener muy claro que, hoy, democracia e Internet son un tándem indisociable y está dispuesto a liderar la elaboración de una norma fundamental (constitución) de Internet.

El proyecto de ley conocido como Marco civil da Internet nació fruto de un proceso de participación entre el Gobierno brasileño, la sociedad civil brasileña y las empresas del sector de las TIC. Desde 2009, pues, se está elaborando esta norma que debería ser votada esta misma semana en la Câmara dos Deputados según apuntaba su presidente, Henrique Alves, el mes pasado.

Marco Civil es ambicioso y rompedor, puesto que a través de 25 artículos trata las cuestiones más importantes relativas a los derechos y deberes de los ciudadanos de la red (netizens). Una parte fundamental de la norma es la relativa a los poderes públicos. Sin duda Brasil quiere democratizar Internet y a través de Internet con esta norma. El capítulo reservado a los poderes públicos trata la participación ciudadana, la transparencia de los datos públicos y el deber de acercar los ciudadanos a Internet, en particular, a través de la educación. Así, se pretende reducir la brecha digital en la sociedad brasileña, promoviendo la alfabetización digital (digital literacy) y la expansión de la red en el territorio.

La norma va más allá, regulando aspectos más controvertidos a nivel internacional. Que Brasil quiera usar Internet para democratizar puede dejar indiferente a muchos pero no, así, que regule a los operadores de Internet –OdI– que son multinacionales. Desde las filtraciones de Snowden, Brasil ha priorizado la aprobación de esta norma para dar un claro mensaje a la comunidad internacional acerca de cómo pretenden regular la privacidad, la neutralidad y la seguridad de la red. Cada semana Rousseff ha compartido vía Twitter alguna información relativa a Marco Civil o al espionaje (por ejemplo, el sistema de encriptado que quieren implantar en sus comunicaciones electrónicas).

Con Marco Civil, Brasil apuesta por la privacidad del netizen y la neutralidad de una red segura. En primer lugar, la norma tutela la privacidad de los datos obligando a los OdI a proteger el secreto de las conexiones de los usuarios (registros de conexiones o logs) así como el contenido de dichas comunicaciones. Sólo, según lo previsto en esta norma y otras leyes se podrá retener los datos por un periodo de 12 meses, aunque su uso siempre deberá proteger la vida privada del netizen, respetar el secreto de las investigaciones policiales y será tutelable por los tribunales. A dichas condiciones, la ley añade que los OdI no podrán dejar a ningún cliente sin conexión (salvo que no pague), así como elaborar contratos claros y, en especial, garantizar el mantenimiento de la calidad contratada y de la igualdad de tráfico entre datos. Dicha igualdad nos lleva a la neutralidad de la red. ¿Pueden los OdI dar prioridad al tráfico de unos datos por encima de otros? Por ejemplo, ¿de los clientes que paguen más? La respuesta de Brasil es que no. La red debe permanecer neutra y, entre otras cosas, no operar con discriminaciones que alteren el tráfico libre de datos en la red. Además, también regula la responsabilidad de los OdI ante los contenidos potencialmente ilícitos de Internet. Ello es clave para asegurar la libertad de expresión en la red puesto que desde el momento en que los OdI pueden ser responsables de los contenidos, se les está pidiendo que los fiscalicen (incluso censuren). De momento, la norma exime por completo de responsabilidad sobre contenidos ilícitos a los proveedores de conexión, y, respecto a los proveedores de servicios, solo serían responsables de estos contenidos si no los retiran cuando una sentencia judicial así lo exija. Esta redacción ha sido celebrada por los defensores de la libertad de expresión en Internet y por los netizens, pero ha levantado algunas ampollas, en especial en el sector financiado a través de los derechos de autor.

De conseguir un consenso para su aprobación, cabrá esperar cómo se implementará una regulación nacional de un elemento global. A primera vista, podemos detectar el problema del trato de los datos. Se ha llegado a hablar de la obligación de custodiar los datos de brasileños en manos de cualquier empresa (como Google o Facebook) en territorio brasileño. De momento, esto no ha sido recogido por la norma pero, entonces, ¿cómo pretenden regular el uso de unos datos que transitarán por otros estados (con otras legislaciones)? No es de extrañar, pues, que Brasil esté tan centrada en la aprobación de la norma a nivel nacional como a nivel internacional (Rousseff ya la ha presentado ante Naciones Unidas y tiene la bendición del presidente del ICANN según rezaba su twitter) ya que solo un Marco Civil a escala global aseguraría la privacidad, neutralidad y seguridad de la red tal y como la está diseñando Brasil.

Clara Marsan es profesora de los Estudios de Derecho y Ciencia Política de la UOC

Brasil: democracia 2.0. | Internacional | EL PAÍS

15/07/2013

Mudar para conservar

Filed under: Democracia,Patrimonialismo — Gilmar Crestani @ 8:21 am
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O ex-ministro do PSDB e articulista da Folha, LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA, faz bom diagnóstico do sentido das manifestações desencadeadas e monitoradas por interesses conservadores. São dois viés principais: o primeiro foi no sentido de buscar desgastar o governo federal, atendendo um desejo de volta ao poder de quem lá esteve desde a primeire república, para a volta do estado mínimo com lucro máximo para grandes corporações; o segundo motivo foram os baixos lucros dos rentistas. Com os juros baixos, quem vive de aplicações no sistema financeiro e via de consequência o sistema financeiro, perdeu a principal fonte de renda, a especulação. Por fora, captado como sendo por dentro como sendo de dentro, o desejo consumista de uma parcela que conseguiu o básico, emprego e salário, mas ficou alijado das viagens internacionais e das muambas de Miame. Ou, como diria aquela personagem do Tomaso de Lampedusa, Tancredi, em O Gatttopardo: “Mudar tudo para que tudo continue como está”. As mudanças políticas foram capturadas para não tocarem no essencial, tanto que plebiscito ou consulta popular, a julgar pelas manifestações dos grupos mafiomidiáticos, virou autoritarismo. Tudo o que cheira à participação direta logo vira populismo. O que se quer é menos “res publica” e mais patrimonialismo. Melhor é ter o poder de indicar um filho para trabalhar na Globo, ou uma filha para um Tribunal de Segunda Instância do que se sujeitar às regras republicanas.

O plebiscito e a democracia

A reforma não resolverá a desmoralização política brasileira, mas responde às manifestações

O governo da presidente Dilma Rousseff enfrenta momentos difíceis, definidos pelo baixo crescimento com aumento da inflação e pelas manifestações da classe média contra a classe política, que colocaram em cheque seu governo e causaram queda da sua popularidade.

Diante desse quadro, a presidente reagiu bem. Entre outras medidas, propôs um plebiscito para saber se o povo quer que o financiamento de campanhas eleitorais seja público ou privado e se quer manter o voto proporcional ou mudá-lo para distrital ou misto. Essa é uma resposta direta ao centro das manifestações populares.

Uma assembleia constituinte convocada exclusivamente para emendar a Constituição nessas questões é uma boa iniciativa. Há muito são discutidas pelos políticos, mas eles não se mostram capazes de respondê-las. Não é surpreendente que os conservadores e os políticos a tenham rejeitado. Para os conservadores é uma ameaça à sua capacidade de "comprar" os políticos ao financiá-los, e, para os políticos, é uma mudança no jogo eleitoral que poderá afetá-los.

Quando cai a popularidade de um presidente, cai também o seu poder. Não o seu poder formal, mas seu poder efetivo, sua liderança. Parte dessa popularidade será recuperada, porque os ativos da presidente –sua firmeza, seus padrões éticos, seu bom conhecimento de economia e dos problemas da infraestrutura brasileira– continuam a jogar a seu favor, mas agora parecem insuficientes para ela superar a crise política e os resultados econômicos medíocres.

Esses resultados não poderiam ser diferentes, dado o fato de que herdou uma taxa de câmbio altamente sobreapreciada, incompatível com a retomada do crescimento.

No primeiro ano de governo, a presidente tentou enfrentar esse problema, mas de maneira insuficiente. Levou a taxa de câmbio de R$ 1,65 para R$ 2,00 por dólar, quando a taxa de câmbio "necessária" (aquela que garante competitividade para as empresas industriais competentes) é de cerca de R$ 2,75 por dólar.

Não foi além na depreciação porque tanto os economistas identificados com a ortodoxia liberal quanto os identificados com o keynesianismo vulgar, que, juntos, dominam amplamente a definição de políticas econômicas no Brasil, embora se critiquem mutuamente, deram-se por satisfeitos com a depreciação alcançada. Os dois apoiam a "preferência pelo consumo imediato" e o baixo nível de investimento que resultam de uma taxa de câmbio apreciada.

Dado esse acordo, no primeiro ano de seu governo não havia condições para a presidente fazer a mudança de matriz macroeconômica necessária para a retomada do desenvolvimento; muito menos há agora.

Que fazer então? De imediato, a melhor coisa é retomar o ajuste fiscal. O desajuste fiscal não é o problema básico do Brasil, mas a política fiscal é o único espaço de política econômica que está hoje aberto para o governo.

E lutar pelo plebiscito. A reforma política não resolverá a desmoralização a que foi sujeita a política brasileira nos últimos dez anos. Mas é uma resposta objetiva às manifestações. E uma tentativa séria de aperfeiçoar o sistema eleitoral.

10/03/2013

Aparece o primeiro soldado

Filed under: Democracia,Lei de Médios,Liberdade de Expressão — Gilmar Crestani @ 7:15 am
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Vendo a água bater no queixo, o grupos mafiomidiáticos começam a escalar soldados para atacar a discussão sobre o acesso à informação. Interessante o argumento para refutar a necessidade de democratização: “revolução tecnológica”. Como se antes da revolução tecnológica eles tivessem se preocupado com a concentração e com a falta de opções. Além disso, a revolução tecnológica, por si só, não é uma vantagem ou desvantagem. A informação e a sua qualidade  não dependem apenas de modem ou de um site. Ou, vendo por outra perspectiva, pela palavras do poeta Mário Quintana: "Democracia é oportunizar a todos o mesmo ponto de partida. Quanto ao ponto de chegada, depende de cada um." Com o controle das informações concentrado nas mãos das famiglias Frias, Civita, Mesquita, Marinho & Sirotsky, o ponto de partida já está viciado. Temos de zerar o começo para ver onde cada um pode chegar…

HÉLIO SCHWARTSMAN

Democratização da mídia

SÃO PAULO – Tornou-se regra entre os grupos de centro-esquerda no poder na América Latina defender a democratização dos meios de comunicação. Os graus de empenho variam. Nos lugares onde o populismo é mais explícito e a economia não vai bem, a disputa entre o governo e a mídia tradicional pode assumir contornos dramáticos, como é o caso da Argentina. Já no Brasil, a discussão surge em espasmos e tende a ser empunhada por lideranças mais afastadas do centro do poder.

Também sou ferrenho defensor da democratização, definida como a ampliação das fontes de informação a que os cidadãos podem recorrer. Receio, porém, que essa seja uma bandeira do passado. Na verdade, é preciso ter perdido o trem da história para não se dar conta de que estamos no meio de uma revolução tecnológica, cujo efeito mais visível foi elevar exponencialmente a quantidade de informações à disposição da sociedade e diversificar suas origens.

Com efeito, a IBM estima que o mundo esteja produzindo, hoje, 2,5 quintilhões (2,5 x 10^18) de bytes de dados a cada dia, que é o equivalente a 450 bibliotecas do Congresso dos EUA (a maior do mundo) a cada 24 horas. Isso miniaturiza até a revolução de Gutenberg, que levou 50 anos para aumentar o total de livros em circulação na Europa de milhares para 20 milhões, e está na origem da Reforma e da Revolução Industrial.

Esse é um processo sem volta e, atualmente, especialistas estão mais preocupados com o excesso de informações do que com sua carência.

Não estou dizendo que grandes conglomerados de mídia tenham perdido a capacidade de influenciar populações, mas seu poder tende a ser declinante e é pouco provável que governos possam promover uma democratização mais efetiva do que a já imposta pela internet.

A estratégia dos dirigentes passa a fazer mais sentido se interpretarmos "democratizar" como um eufemismo para "controlar".

helio@uol.com.br

10/12/2012

La alegría cantada en todos los ritmos

Filed under: Argentina,Charly Garcia,Democracia,Fito Paez — Gilmar Crestani @ 8:56 am

Fito Páez empezó con “Dale alegría a mi corazón”.

SUBNOTAS

EL PAIS › LA MULTITUD SE ESTREMECIO CON CLASICOS DE FITO, CHARLY, VICTOR HEREDIA, ENTRE OTROS

La alegría cantada en todos los ritmos

La Plaza de Mayo se transformó en escenario de un ecléctico recital popular para “festejar la democracia”. Pocho La Pantera, Víctor Heredia, Ignacio Copani, Fena della Maggiora y Horacio Fontova se sucedieron a lo largo de horas.

Por Facundo Gari

A las 20 irrumpió Pocho La Pantera junto a los contagiosos tambores de La Bomba de Tiempo: no eran los artistas más esperados de la jornada de ayer frente a la Rosada, pero sí de los más curiosos por la combinación de dos ritmos de raigambre popular: de los tambores de la murga a los timbales de la cumbia villera. Ya habían tocado para entonces Víctor Heredia, Ignacio Copani, Fena della Maggiora y Horacio Fontova, y aún un público variopinto aguardaba expectante el discurso de Cristina Fernández y los shows de Fito Páez y Charly García; pero la fiesta había arrancado unas cuatro horas antes, con murgas callejeras, malabaristas, saltimbanquis, recitales de tango, folklore y música infantil sobre las diagonales Sur y Norte. También Andrea del Boca, Daniel Fanego, Esther Goris, Federico Luppi, Hugo Arana, Ana María Picchio y Darío Grandinetti, entre tantos actores, habían marchado desde el stand del Instituto Nacional de Cine y Artes Audiovisuales al encuentro de la Presidenta, no sólo para demostrar su apoyo al gobierno en general sino, en particular, a una Ley de Servicios Audiovisuales que contempla parte de sus recaudaciones para el Incaa, así como para el Instituto Nacional del Teatro y el flamante Instituto Nacional de la Música. Ese link de la llamada ley de medios con el arte es nomás una manera de explicar por qué tantos artistas están acá, si se rehúsa a admitir las más llanas coincidencias ideológicas y pragmáticas.

El recital de Pocho antecedió al de Páez, de saco beige, lentes a tono y con una remera amarilla que si no se lo conociera se le podría haber emparentado al tono de los afiches y globos del PRO. Arrancó con ese himno que es “Dale alegría a mi corazón”, su voz solamente acompañada por el teclado, mientras las proyecciones (imágenes, diseños y consignas como “pluralidad” y “democracia”, a tono con la celebración) se estampaban en las arcadas de la Casa de Gobierno, como se hiciera en las festividades por el Bicentenario. Sin mediar palabra que no fuera cantada, “Tumbas de la gloria” hizo estremecer las banderas de la militancia kirchnerista, postrada contra las vallas más cercanas a un escenario de una cuadra de largo. Caía la noche, y no por miedo los novios se abrazaban más atrás, con familias, jóvenes y niños en derredor. Hablando de enamorados, “11 y 6” y, luego de saludar a Buenos Aires, “Mariposa technicolor”, canción con la que concluyó su acotada presentación. Verlo sobre el escenario es comprobar cada vez que su “asco” fue la manera más noble de expresar tristeza y humanidad. Antes del discurso de la Presidenta, más mimos del y para el arte: un corto documental histórico, una versión “folklorizada” del Himno Nacional coronada por una tremenda batería de fuegos artificiales y los premios de reconocimiento a su labor por la democracia y los derechos humanos al poeta Juan Gelman, la escritora Griselda Gambaro y el artista plástico León Ferrari, entre otros galardonados. Los performers de Fuerza Bruta observaron hablar a CFK colgando de un disco suspendido por una grúa, una estructura comparable a un círculo central de una cancha de once. Desde allí ejecutarían más tarde una riesgosa coreografía, mientras la Presidenta se entregaba al baile y a los tambores. Al cierre de esta edición llegarían Carlos Vives, Illya Kuryaki & The Valderramas y Charly García. La fiesta se extendería hasta pasada la medianoche, para recibir el Día de los Derechos Humanos y celebrar el primer año del segundo mandato de este gobierno.

Los recitales del escenario central del Festival Patria Popular arrancaron pasadas las 18 con Copani, que cantó “Vengo bancando este proyecto” y “Yo nunca me metí en política”, muestras de un amplio repertorio de compromiso social y estético con la liberación de los pueblos. Además de arengar a los presentes, se acordó de la educación en Chile, que es sólo privada, y de Augusto Pinochet: “¡Un aplauso para el asador!”, pidió tras informar que el dictador había sido cremado. El actor Osmar Núñez leyó a continuación el conmovedor poema “A media pierna”, de Hamlet Lima Quintana, acaso a modo de metáfora sobre la árida lucha por la plena vigencia de la Ley de Servicios de Comunicación Audiovisual. Enseguida fue el turno del ex “raportero” Fena della Maggiora, que agitó a la concurrencia con una versión rockera de “Sueño con serpientes”, de Silvio Rodríguez. Todas las presentaciones rondaron los 20 minutos. Como el poema de Lima Quintana, el “Sobreviviendo” de Heredia hizo contacto con las últimas noticias sobre la ley de medios, pero además conmovió a un público conformado en parte por personas que viven cotidianamente ese gerundio y que demuestran que, aunque hay mucho hecho, aún queda mucho por hacer.

Charly García preludió el fin del recital.

Página/12 :: El país :: La alegría cantada en todos los ritmos

03/11/2012

Ninguém tem o monopólio da verdade

 

Relatório de direitos humanos nos EUA publicado pela Rússia

Enviado por luisnassif, sex, 02/11/2012 – 16:34

Por Rodolfo Machado

Do Gazeta Russa

“Nenhum país pode servir de modelo de democracia”

Elena Chernenko, Kommersant

Diplomata russo fala sobre relatório referente à situação dos direitos humanos nos Estados Unidos elaborado pela Rússia.

“Nenhum país pode servir de modelo de democracia”

Delegado dos direitos humanos da diplomacia russa, Konstantin Dolgov. Foto: Kommersant

Na semana passada, a Duma de Estado (câmara baixa do parlamento russo) aprovou o primeiro relatório sobre a situação dos direitos humanos nos Estados Unidos elaborado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia.

O coordenador do relatório e delegado dos direitos humanos da diplomacia russa, Konstantin Dolgov, explicou, em entrevista ao jornal “Kommersant”, por que Moscou resolveu produzir o documento no qual critica a administração norte-americana.

Kommersant: Como surgiu a ideia de fazer um relatório sobre os EUA?    

Konstantin Dolgov: Os EUA continuam, sem razão, colocando-se como autoridade absoluta e líder inquestionável nas questões da democracia e direitos humanos. Muitas vezes, suas tentativas beiram a interferência direta nos assuntos internos. Infelizmente, a Rússia já se deparou com esse problema. No entanto, segundo nosso relatório, os próprios norte-americanos enfrentam problemas muito complicados em termos de direitos humanos.

Kommersant: Onde conseguiram informações para tirar essas conclusões?

K.D.: Em fontes do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados, de organizações não governamentais diversas, como a Human Rights Watch e a Anistia Internacional, e de associações internacionais de jornalistas. Neste ano, os EUA caíram 27 posições no ranking anual de liberdade de imprensa da conhecida organização internacional “Repórteres sem Fronteiras”, ficando com o 47º lugar.

Kommersant: Mas a Rússia está em 142º lugar nesse ranking…

K.D.: Sim, a Rússia está abaixo dos EUA na classificação. Mas há quanto tempo a Rússia está no caminho do desenvolvimento democrático? E os EUA? Não dá para comparar.

Kommersant: O senhor acha que os EUA não podem servir de modelo de democracia?

K.D.: É isso mesmo. Nenhum país pode servir de modelo de democracia. Nem os EUA, nem a França, nem a Suíça. Os problemas existem em todos os países, diferenciando-se pelo tamanho e natureza. Portanto, nenhum país tem o monopólio sobre os cânones dos direitos humanos.

Kommersant: O senhor não acha que o fato de a Rússia começar a criticar outros países por problemas em termos de direitos humanos dará ao Ocidente motivo para aumentar suas críticas em relação à Rússia?

K.D.: Será que é possível aumentá-las ainda mais? As críticas lançadas contra a Rússia pelos EUA e alguns países da UE são tão exageradas que é impossível haver críticas maiores. No entanto, não temos medo disso. Reagimos de forma contida a muitos relatórios críticos sobre a situação em nosso país.

Kommersant: Costumamos dizer que eles são injustos…

K.D.: Quando são injustos, dizemos isso. Bem, por exemplo, alguns relatórios anuais do departamento de Estado dos EUA sobre a liberdade religiosa no mundo repetiam a cada ano uma tese que não tinha, havia muito tempo, nada a ver com a situação real na Rússia. No mais recente relatório, a diplomacia americana reconheceu, até certo ponto, tal fato.

Kommersant: O relatório russo não estaria também interferindo nos assuntos internos dos Estados Unidos e, portanto, violando sua soberania?

K.D.: A Rússia não diz que a crítica em si é uma interferência. No entanto, algumas ações resultantes das críticas podem vir a constituir uma intervenção nos assuntos internos. Se começássemos a prestar ajuda financeira a algumas organizações não governamentais norte-americanas para a concretização de projetos políticos específicos, isso poderia ser acolhido como interferência nos assuntos internos.

Kommersant: Haverá novos relatórios do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia sobre a situação dos direitos humanos no mundo?

K.D.: Sim, o próximo relatório pode ser lançado muito em breve.

Publicado originalmente pelo jornal Kommersant

Relatório de direitos humanos nos EUA publicado pela Rússia | Brasilianas.Org

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