Ficha Corrida

13/11/2016

Afinal, é delação ou felação?

OBScena: operação Milhão da PF conduz, coercitivamente, o primeiro a ser comido 

Milhão da PF

Há tanto nonsense nesta República das Bananas que a melhor saída, não é o aeroporto, é rir. Até porque agora o aeroporto de Miami está interditado aos cucarachas.

Então, vida longa em terra brasilis aos vira-latas que adoram tirar os sapatos para entrarem nos EUA.

Um milhão é pouco milho pra tanto pato! Os 23 milhões do Tarja Preta serviria para manter o Movimento dos Bundões Liberados oCUpados. E ainda sobram os 220 milhões que Eduardo CUnha deixou aplicado enquanto passa uma temporada sob os cuidados da PF.

A cada dia que passa parece ficar mais claro que Macondo é aqui. Nem a melhor ficção do Gabo suplanta nosso realismo mágico.

Está no ar um enredo de fazer inveja à novela da família Buendia.

Ainda bem que as instituições estão funcionando. A OAB é um exemplo. Imagine se não estivessem?!

Não tenho provas mas tenho convicção, o que já foi uma OAB agora não passa de um OB, usado. Até a menstruação, quando é do PSDB, merece nota.

Retirem as crianças da sala que uma briga de bugio está por selar a união dos absorvente:  OB do Lamachia com o sempre livre das alterosas.

Vamos torcer, para evitar o constrangimento de mais powerpoints, para que logo apareçam os nomes de Dilma e Lula na boca de algum Buendia delator.

 

Assinatura no cheque de 1 milhão que pode derrubar Temer é de Aécio

12 de Novembro de 2016

O empresário Otávio Marques de Azevedo disse em sua delação que doou 1 milhão de reais de propina para a campanha da então candidata Dilma Rousseff à reeleição.

A campanha de Dilma demonstrou que esse recurso não foi entregue ao PT, mas num cheque ao então candidato a vice e agora presidente da República, Michel Temer.

O assunto se tornou pauta em alguns veículos e de repente a OAB nacional, presidida por Claudio Lamachia, emite a seguinte nota:

"É absolutamente necessário e urgente o esclarecimento a respeito do repasse de R$ 1 milhão para a campanha que elegeu a chapa Dilma-Temer em 2014. A sociedade precisa saber se esses recursos são legítimos ou fruto de propina. Outro ponto que precisa ser esclarecido é sobre qual conta foi usada para receber o dinheiro. A OAB acompanha com atenção os desdobramentos desse fato para cumprir com rigor sua função de defender os interesses da sociedade e o cumprimento da Constituição. Se necessário, a OAB usará de suas prerrogativas constitucionais para fazer valer os interesses da cidadania."

Parodiando Mino Carta, é do conhecimento até do mundo mineral que a Andrade Gutierrez sempre foi "a empreiteira do Aécio". Não porque ele fosse dono da mesma, mas porque seus "negócios" sempre foram majoritariamente realizados com ela.

A quem interessar possa, a Andrade Gutierrez foi a empreiteira que construiu a Cidade Administrativa de Minas. O custo, 1 bilhão de reais. Um investimento monstruoso para um governo do estado.

A despeito desse imenso negócio realizado com o então governador, quando da sua delação, Otávio Marques Azevedo, o presidente da Andrade Gutierrrez, não citou Aécio com beneficiário de propina.

Afirmou que os 20 milhões que doou ao então candidato a presidente em 2014 foi por vias legais, mesmo tendo uma série de mensagens absolutamente suspeitas trocadas com Oswaldo Borges, ex-presidente da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais, e apontado como tesoureiro informal do tucano.

As mensagens podem ser lidas nesta matéria do blogue do Fausto Macedo.

Aliás, também no blogue do Fausto Macedo pode-se ler as mensagens dos executivos da Andrade Gutierrez torcendo e fazendo campanha por Aécio.

Então por que um delator que doou 20 milhões para um candidato com qual teve um negócio de 1 bilhão foi lembrar de um cheque de 1 milhão que, segundo ele, havia sido dado a campanha de Dilma?

E como esse delator não se lembrava que havia repassado esses recursos num cheque exatamente para o agora presidente da República, Michel Temer, que era o então candidato a vice na chapa de Dilma?

Ingenuidade do delator? Um erro?

Sigamos um pouco mais então…

Como, de forma tão rápida, o presidente da OAB que foi convidado a cinco dias pelo PSDB de Aécio para discutir a reforma política, como se pode ver neste post da Veja emite um nota colocando Temer numa situação no mínimo constrangedora.

Evidente, caro Watson, o senador Aécio Neves é quem assina essa operação do cheque da propina para Temer.

Aécio desistiu de Temer e alguns de seus aliados mais próximos já não fazem mais de esconder isso nos corredores do Congresso.

Primeiro porque esperava mais do atual presidente. Esperava que lhe desse mais poder.

Segundo, porque Aécio, sabe que 2018 não será o seu ano se ficar esperando a caravana passar. Até porque a cada dia que passa a candidatura de Geraldo Alckmin fica mais forte dentro do PSDB.

E já deve ter feito as contas que conseguiria montar uma operação para ser um candidato viável numa eleição indireta no ano que vem.

O cheque do Temer, amigos, ainda vai render muitas histórias.

    Renato Rovai – Renato Rovai é editor da Revista Fórum

    Assinatura no cheque de 1 milhão que pode derrubar Temer é de Aécio | Brasil 24/7

    16/12/2012

    A delação, se for contra o PT, é premiada

    Filed under: Delação — Gilmar Crestani @ 8:19 am

    JANIO DE FREITAS

    Moda de verão

    Na omissão dos especialistas, a PPP lança a moda verão: a delação premiada

    AINDA BEM que há pessoas de iniciativa (com o seu perdão pelo mal gosto vocabular, suponho ser o que agora chamam de empreendedorismo). O verão está aí há semanas, e nada das coisas esperadas -o lançamento da moda verão, a indicação da "garota da praia", o sorvete da temporada, nada. Nem precisaria dizer que a culpa é do José Dirceu ou do José Sarney, claro. Ou, como dizem no Supremo, "só pode ser".

    Na omissão dos especialistas, a PPP, ou Parceria Público-Privada, assume a iniciativa e lança a moda verão: a delação premiada. Com os respectivos estilos de Marcos Valério, Carlos Augusto Ramos, notabilizado como Carlinhos Cachoeira, e Paulo Vieira.

    Ouvi na CBN, de relance, que sua especialista prevê para este verão a moda masculina de bermudões tipo surf e óculos espelhados. Duvido um pouco que os ministros Gilmar Mendes e Celso de Mello, por exemplo, ficassem bem de bermudão surfista e óculos espelhados. Já a moda verão daqueles três não é para uso dos ministros, mas com toda a certeza a observarão com muito prazer.

    Trata-se de um estilo descontraído, alheio a toda regra, praticado para ver o que é que dá. Não tem originalidade alguma, é conhecido em muitas modalidades. Dizem até que na imprensa não são muito raros uns especialistas em inventar notícias e ver no que dá a publicação, se pega ou não dá nada. Se não pegar, também não dá nada de ruim para o criador, e muitas vezes lhe dá até ascensão como jornalista. Dizem isso, não sei, que esse negócio de imprensa tem muitas esquisitices.

    Sobre o modismo, que logo terá mais adeptos vindos da Operação Porto Seguro, como é Paulo Vieira, a criatividade já começa nos próprios estilistas. Carlinhos Cachoeira, nesse sentido, é especial. A frase em que se disse "o Garganta Profunda do PT" foi tomada pelos meios de comunicação como "advertência ao PT". Deve ser também, mas não só. Há mais uma prova de que Carlinhos Cachoeira se armou de gravações a granel. É o que se comprova, outra vez, na encontrada gravação de suas negociações com o prefeito petista de Palmas, no Tocantins, para contratação da empreiteira Delta.

    Mas Carlinhos Cachoeira não fez negociações só com o PT, nem só em nome da Delta. O PSDB estava em sua área de negócios concretizados, como é sabido. O mesmo quanto a Estados onde PMDB e PSB são governo e a empreiteira Delta teve ou tem contratos.

    Mais ainda: suas gravações não se restringem a tais situações. É certo que Carlinhos Cachoeira se documentou também com gravações de conversas, feitas para isso mesmo ou não, dos que usavam os aparelhos Nextel por ele presenteados. Nem interlocutores do Judiciário escaparam.

    Diante disso, surge uma interrogação. Com diferentes procedências, há nítido esforço de concentrar em Carlinhos Cachoeira os ônus que deveriam estender-se a outros. É o que se passa na CPI, em que mesmo os partidos que a acusam de desvio estão mistificando. É ainda o que se constata nas liberações, anteriores ou recentes, do apurado nas investigações e nos processos. O que se repete, agora, com a denúncia judicial do prefeito Raul Filho, de Palmas, de sua mulher e de Carlos Cachoeira.

    Por que isso? Os adversários do governador Sérgio Cabral dizem que a proteção à Delta é para protegê-lo. Seria pouco para cerco protetor tão extenso e rígido à empreiteira e a seus dirigentes comprometidos com negócios sabidamente viciados. E não é só a Delta.

    Na história em torno de Carlinhos Cachoeira, o não divulgado é maior do que o já conhecido. E sua comparação com o Garganta Profunda do Watergate, tudo indica, não se dirige só ao PT. Se também lança a moda da delação, espera-se que a use. Por inteiro.

    20/11/2011

    A delação eletrônica

    Filed under: Delação,George Orwell — Gilmar Crestani @ 7:05 am
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    Notícia que vem da Espanha nos dá conta de que uma empresa local – a companhia de elevadores Schindler-Catalunha – teria instalado chips nos celulares de seus funcionários para controlar os seus movimentos (ou a ausência deles) durante o serviço. Segundo se denunciou, os chips emitem um sinal que provoca o disparo de um alarme toda vez que identifica falta de movimentos do trabalhador por um período de dez minutos. O telefone, para tanto, fica junto ao corpo do funcionário, podendo detectar , também, sua localização, graças a um GPS componente do sistema..    

    Apresentada queixa por órgãos sindicais da Catalunha, a Secretaria de Trabalho ordenou a retirada dos chips, considerados instrumentos inadequados de controle.  A assessoria de comunicação da empresa – ao recorrer da ordem – afirma que o sistema é “mecanismo de proteção e não de controle”. Mas essa “proteção” está sendo dada, em sua maioria, a trabalhadores responsáveis por inspeções ou reparos nos escritórios ou residências dos clientes. Uma forma de pressão, segundo alegam os funcionários, para a efetivação do trabalho com velocidade. 

    É ancestral o conflito entre a liberdade e o controle. O bom-senso recomenda que o controle só deva prevalecer se a liberdade em questão for manifestamente abusiva, voltada para o mal ou contrária ao interesse geral. Mas muitos se têm aproveitado dessas palavras para solapar os direitos humanos.

    Nos anos 50 e 60, a UDN – partido político da direita organizada no Brasil – tinha como lema a frase : “O preço da liberdade é a eterna vigilância”, que alguns atribuem a Aldous Huxley, autor de “Admirável mundo novo”. Evidentemente ela pretendia significar que é preciso estarmos vigilantes para que não nos retirem a liberdade. Na prática, porém, o que viam os brasileiros de então era a tentativa golpista, o desrespeito à democracia, com  repetidas ofensas aos poderes legalmente instituídos. Até que deu no que deu: a UDN, capitaneada por Lacerda e tantos outros, acabou mesmo sendo linha auxiliar do golpe militar de 1964, que a semântica direitista quis apelidar de revolução.

    Um pouco antes disso, regimes políticos como o  stalinismo, o fascismo e o nazismo, com variações significativas enquanto ideologia, mas não no que dizia respeito à dicotomia liberdade x vigilância (ou controle) inspiraram George Orwell a escrever, em 1948,  o formidável “1984”  – número invertido, para caracterizar um futuro então antevisto -, que nos fala de uma hipotética Inglaterra , parte de um megabloco denominado “Oceania”,  na qual os cidadãos que cometessem uma “crimideia” (pensamento diferente daquele do partido governamental, liderado pelo “Grande Irmão”, o “Big Brother”) tendiam ao desaparecimento. O sexo com prazer era considerado crime, anotar e lembrar pensamentos ocorrentes era proibido e perigoso, apartamentos possuíam teletelas que vigiavam os moradores e seu comportamento. 

    Estranha ironia: no nosso “Big Brother” caboclo, que provoca noites indormidas nos telespectadores, uma dúzia de pessoas consentem em abrir mão da sua liberdade e querem ser espionados por milhões, em troca de quinze minutos de fama e/ou do enriquecimento, para cuja obtenção vale tudo, inclusive alguns desvios de caráter expostos na TV aberta.

    Alguém dirá que fugi do tema, ou que, se não fugi, estou exagerando.  Afinal, o que têm em comum os celulares alcaguetes da Espanha, o udenismo de meio do século passado, o livro do George Orwell e um “reality-show” de sucesso no Brasil? Para mim, tudo , pois colocam a nu um problema-ícone do mundo em que vivo. Em um tempo de individualismos, egocentrismos e do escancarar da vida pessoal que os meios eletrônicos estimulam, como distinguir a liberdade sadia do exibicionismo nefasto, como identificar os controles necessários e os arbitrários? Muitas vezes tenho falado aqui, por exemplo, dos mecanismos de controle social da informação, para evitar manipulações e disseminação de inverdades. É um tema que, como tantos outros do gênero, cabe inteirinho no assunto geral desta coluna.

    Mas, voltando à Catalunha, creio que ali está um caso indiscutível de arbítrio, no qual, em nome da produtividade (leia-se: do lucro da empresa), esquecem-se valores primordiais da convivência humana, entregando-se às máquinas maravilhosas do mundo contemporâneo missões degradantes, que anteriormente se confiavam  aos capatazes e feitores. Por isso, para quem acha que o episódio espanhol é pouco significativo ou está longe demais,  quero terminar lembrando, com Brecht, que as pequenas ações negativas, se não denunciadas, podem se transformar em grandes tragédias:  "Primeiro levaram os negros, Mas não me importei com isso. Eu não era negro. Em seguida levaram alguns operários, Mas não me importei com isso. Eu também não era operário. Depois prenderam os miseráveis, Mas não me importei com isso, porque eu não sou miserável. Agora estão me levando. Mas já é tarde. Como eu não me importei com ninguém, ninguém se importa comigo.".

    Rodolpho Motta LimaAdvogado formado pela UFRJ-RJ (antiga Universidade de Brasil) e professor de Língua Portuguesa do Rio de Janeiro, formado pela UERJ , com atividade em diversas instituições do Rio de Janeiro. Com militância política nos anos da ditadura, particularmente no movimento estudantil. Funcionário aposentado do Banco do Brasil.

    A delação eletrônica | Direto da Redação – 10 anos

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