Ficha Corrida

14/10/2012

A Operação Condor contra Cuba

Filed under: Argentina,Copa 1978,Cuba,Operação Condor — Gilmar Crestani @ 9:46 pm

Quando se fala da Operação Condor, a maioria somente pensa nos países da América do Sul. Pesquisador mostra que, entre os propósitos supremos que originaram o plano macabro aparece, de maneira explícita, enfrentar a influência de Cuba no hemisfério e apoiar internacionalmente os terroristas cubanos em suas operações contra Cuba.

Elías Argudin Sánchez

No mundial de futebol de 1978, a Argentina venceu o Peru por seis gols a zero. Com esta vitória eliminava um contrário de consideração (o Brasil, no caso). O triunfo inclinou a balança a favor das aspirações dos argentinos de ficarem campeões. Quatro dias depois, dominaram por 3-1 os holandeses e acabaram ganhando a coroa.
O resultado do encontro entre estes dois times classifica como muito controverso na história do mais universal dos esportes. Muito poucos acreditaram no conto desse triunfo. A vida deu a razão àqueles que duvidaram. Hoje, soube-se que o ditador peruano Francisco Morales Bermudez (1975-1980) ordenou aos representantes de seu país entregar o partido, como pagamento a um favor que pedira a seu parceiro argentino, o também sátrapa Jorge Rafael Videla, presidente de fato de 1976 a 1981.
Este foi um conluio, armado no âmbito dum pacto tenebroso, batizado com o nome da maior ave carniça do planeta, originária da América do Sul.
A Operação Condor é o apelativo com o qual denominaram um plano de inteligência e coordenação — estabelecido na década de 70 do século passado — entre os serviços secretos dos regimes militares do Cone Sul: Argentina, Chile, Brasil, Paraguai, Uruguai e Bolívia. Tratava-se duma organização clandestina internacional para a prática do terrorismo de Estado, com a cooperação dos EUA, nomeadamente da Agência Central de Inteligência (CIA).
Não podemos obviar que na reunião constitutiva participou um representante especial da CIA como “observador”. O encontro teve lugar no Chile, nos finais de 1975, mas em realidade a operação começou um ano antes.
O diabólico engendro dava luz verde ao livre movimento — nos citados territórios — dos integrantes das forças armadas e paramilitares, envolvidos em atividades de espionagem e repressão contra os opositores, fundamentalmente os militantes revolucionários da região.
Baseado numa muito bem pensada estrutura organizativa supranacional, o operativo Condor trouxe como resultado — ao longo de mais duma década de atuação escusa — o sequestro, tortura, violação, assassinato e desaparecimento de milhares de pessoas que — duma forma ou outra — se atreveram a desafiar os mencionados regimes ditatoriais: Reprimir e matar! Essa era a questão.
De fato, o polêmico partido entre os times da Argentina e Peru não se limitou à desonra duma nação, cujos representantes passivamente deixaram-se espezinhar no campo. De ter sido assim, a traição do time — embora triste e dolorosa — bem poderia considerar-se como o episodio menos tenebroso dentro dos voos do Condor, mas a ação foi uma sorte de compensação de Morales Bermudez pela transferência à Argentina de 13 peruanos presos, militantes da esquerda, que durante a viagem seriam jogados ao rio La Plata de um avião. Videla necessitava esse triunfo para limpar a imagem da Argentina ante o mundo.
Infelizmente, a ave de rapina bateu asas e matou. Alguém disse, com muita razão, que a Operação Condor deu muitas provas de sua terrível eficiência.
Precisamente pesquisar nesse inferno, onde a crueldade humana e o espanto atingiram sua máxima expressão, tem sido um dos objetos de estudo de José Luis Méndez Méndez, professor universitário e escritor dedicado à pesquisa do terrorismo, com ênfase nas práticas e ações empregadas contra nosso país.
Seu incessante e intenso discorrer pela história mais recente do continente o tornam a voz cubana mais autorizada para falar do tema, o qual também lhe permitiu trazer à baila um capítulo pouco divulgado de La vida del Condor: sus zarpazos contra la Isla.
Quando se fala da Operação Condor, a maioria somente pensa nos países da América do Sul. Contudo, da entrevista que Méndez concedeu ficou claro uma coisa: “entre os propósitos supremos que originaram o plano macabro aparece, de maneira explícita, enfrentar a influência de Cuba no hemisfério e apoiar internacionalmente os terroristas cubanos em suas operações contra Cuba”.
Existem documentos que provam essas afirmações. Uma carta do coronel Manuel Contreras Sepúlveda, ex-chefe da Direção de Inteligência Nacional (DINA) chilena, dá conta de como se organizou a coordenação. O centro principal da organização repressiva se instalou em seu país, embora as presas mais afiadas do Condor estavam na Argentina e no Paraguai. Este sanguinário castrense foi o responsável pelo assassinato de Orlando Letelier, chanceler do governo da Unidade Popular, liderado por Salvador Allende, crime levado a cabo em território estadunidense por terroristas de origem cubana.
Também se soube que naquele encontro inicial, Contreras informou seus homólogos participantes que para as ações mais perigosas utilizariam cubanos anticastristas, recrutados e treinados pela CIA.
Segundo as investigações de Méndez Méndez, reunidas numa exposição e num livro, ambos sob o título A Operação Condor contra Cuba, as ações contra Cuba eram a maneira com a qual os diretivos da operação pagavam os serviços dos contrarrevolucionários cubanos.
“Na infeliz relação aparecem nomes como: Orlando Bosch, Luis Posada Carriles, Guillermo Novo Sampoll, Rogelio Pérez González, Alvin Ross, Virgilio Paz Romero, José Dionisio Suárez Esquivel”, etc.
“Em 15 de junho de 1976, na República Dominicana, sob ordens da CIA, teve lugar uma reunião de organizações contrarrevolucionárias cubanas. Desse encontro nasceu a Coordenação de Organizações Revolucionárias Unidas (CORU) e imediatamente começaram a atentar contra os interesses cubanos na Europa e na América Latina”.
“Em agosto, impuseram uma nova modalidade de terrorismo: o sequestro de diplomatas. E de cidadãos nacionais contratados em embaixadas para as tarefas de apoio.
Eis alguns exemplos: em julho de 1976, tentativa de sequestro do cônsul cubano em Mérida, onde foi assassinado o funcionário Artañan Díaz Díaz .
Em agosto desse mesmo ano sequestram Jesús Cejas Arias (22 anos) e Crescencio Galañena Hernández (26 anos), dois funcionários da embaixada em Buenos Aires, onde também fizeram o mesmo com 17 argentinos, trabalhadores (da própria sede, do escritório comercial e da escola anexa) e alguns de seus familiares mais íntimos.
Segundo nosso interlocutor, também houve outras tentativas e fatos deste tipo, o embaixador Emilio Aragonés sofreu um atentado, “casualmente” em 13 de agosto de 1975. Felizmente, saiu ileso.
“Nem sempre a boa sorte nos acompanhou, no atentado com bomba contra a embaixada de Cuba em Portugal morreram Adriana Corcho e Efrén Monteagudo. Também recebemos envios de cartas-bombas em nossas sedes diplomáticas na Espanha, México e Peru”.
Também se soube que dinamitaram e afundaram diversos navios. Contudo, segundo Méndez, nada mais dramático, cruel e nojento que a explosão em pleno vôo dum avião civil da Cubana de Aviação, frente às costas de Barbados.
“Levava 73 passageiros a bordo. Não houve sobreviventes. O mais triste é que, antes e depois do crime de 6 de outubro de 1976, foram organizados 13 planos para fazer explodir outros aviões civis cubanos”.
Os detalhes sobre este brutal ato criminoso são de domínio público. Todo mundo sabe o nome, tanto dos autores materiais como intelectuais.
Contudo, chama a atenção um detalhe: imediatamente depois, o jornal El Miami Herald publicou uma notícia sobre o telefonema dum indivíduo que adjudicava a autoria do atentado a um grupo denominado El Cóndor.
Era a primeira vez que a palavra se escutava publicamente!
Nota: Esta é uma história inconclusa até não aparecerem todos os cadáveres dos sequestrados para dar-lhes devida sepultura. Para pôr o ponto final também é necessário sentar cada um dos culpados no banco dos réus, para serem julgados como merecem.
(*) Publicado originalmente na Tribuna de La Habana

(*) Jornalista cubano, escreve na Tribuna de la Habana.

Carta Maior – Elías Argudin Sánchez – A Operação Condor contra Cuba

07/02/2012

Como são as vitórias nas ditaduras?

Filed under: Argentina,Copa 1978,Ditadura,Futebol,Perú — Gilmar Crestani @ 12:56 pm

 

Dictaduras negociaron triunfo de Argentina sobre Perú en 1978

El acuerdo era que 13 detenidos, entre ellos el ex senador, serían arrojados al mar desde un avión, pero finalmente pudieron huir hacia Francia

La medida, vinculada con el Plan Cóndor

Dpa

Periódico La Jornada
Martes 7 de febrero de 2012, p. a13

Buenos Aires, 6 de febrero. La goleada 6-0 de Argentina ante Perú en el Mundial 1978, uno de los resultados más polémicos de la historia del futbol, estuvo vinculada con el Plan Cóndor, la operación en conjunto de las dictaduras latinoamericanas en las décadas de 1970 y 1980, afirmó ante la justicia el ex senador peruano Genaro Ledesma Izquieta.

Según denunció Ledesma Izquieta al juez argentino Norberto Oyarbide, en una causa contra el ex dictador Jorge Videla, presidente de facto de 1976 a 1981, el 6-0 fue una compensación de la dictadura peruana de Francisco Morales Bermúdez (1975-1980) por el envío a Argentina de 13 militantes peruanos presos, entre ellos el declarante.

Ledesma Izquieta explicó que el acuerdo de Videla y Morales Bermúdez consistía en que, una vez trasladados de Perú a Argentina, los detenidos serían arrojados desde un avión hacia el Río de la Plata para que no quedara resto alguno de los militantes, como solía ejecutar la dictadura argentina (1976-1983).

Al salir a Francia nos salvamos de lo que Videla y Morales Bermúdez habían acordado, que era el lanzamiento al mar de una persona desde un avión en vuelo, por lo que no quedaba resto alguno, declaró Ledesma Izquieta, quien a inicios de 1978 fue capturado en Perú por liderar la huelga que puso en jaque a la dictadura de su país.

Este sistema debía aplicarse con nosotros, lo que aprovechó Videla al aceptarnos como prisioneros de guerra con la condición de que Perú le permitiera el triunfo en el Mundial de futbol, dijo Ledesma Izquieta, de 80 años, quien fue legislador en Perú en numerosas ocasiones, antes y después de la dictadura que gobernó su país entre 1968 y 1980.

La denuncia de Ledesma Izquieta, revelada hoy por el diario Tiempo Argentino, agrega que Videla necesitaba ese triunfo para limpiar la mala imagen de Argentina en el mundo.

El matutino también informa que Videla, hoy de 86 años y condenado a prisión perpetua por 31 secuestros y asesinatos, deberá declarar en esta causa el próximo 22 de febrero.

El partido denunciado se jugó el 21 de junio de 1978, en la segunda fase del Mundial disputado en Argentina. El cuadro local debía vencer por cuatro goles para acceder a la final contra Holanda, aunque finalmente ganó por seis. Poco antes del encuentro, Videla pasó por el vestuario peruano para saludar a los futbolistas.

Cuatro días después, con la cúpula militar en las tribunas, Argentina venció 3-1 a Holanda y se consagró campeón mundial. Sin embargo, las sombras sobre una hipotética influencia de la dictadura argentina en el partido ante Perú nunca han sido totalmente disipadas.

Ya en 1998, el arquero del seleccionado peruano, el argentino naturalizado Ramón Quiroga, concedió una entrevista al diario La Nación, de Buenos Aires, en la que dio a entender que sospechaba de la actitud de algunos de sus compañeros.

De los que habrían agarrado dinero, varios murieron y otros murieron para el futbol, aseguró el ex portero.

En ese partido jugó (Roberto) Rojas, un tipo que nunca había alineado. Él se murió en un accidente. Marcos Calderón (el director técnico) se cayó en un avión y murió. En un gol, (Rodulfo) Manzo se agacha y lo deja solo. No sé ni dónde anda ahora Manzo (…) No lo queríamos, dijo Quiroga en la entrevista, aunque luego lo desmintió.

Entre otras ramificaciones de la causa contra Videla por privación ilegítima de la libertad, Oyarbide investiga el secuestro de los militantes peruanos que en 1978 fueron detenidos en Lima acusados de fomentar un paro contra la dictadura y luego trasladados en un avión militar a Jujuy, mil 600 kilómetros al norte de Buenos Aires.

Esa operación, según la declaración de Ledesma Izquieta, formó parte del Plan Cóndor, por lo que el juez argentino pidió el primero de febrero la captura internacional y la extradición de Morales Bermúdez.

El Plan Cóndor, una operación clandestina internacional que instrumentó el asesinato y la desaparición de miles de personas opositoras a las dictaduras de Argentina, Chile, Brasil, Bolivia, Paraguay y Uruguay, hasta ahora no había involucrado al gobierno de facto de Perú.

La Jornada: Dictaduras negociaron triunfo de Argentina sobre Perú en 1978

Blog no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: