Ficha Corrida

06/07/2014

Exportações made in Gerais: helipópteros, viadutos, ET de Varginha…

helipopero

JANIO DE FREITAS

A obra maior das empreiteiras

A queda do viaduto de BH tem dois antecedentes que, se não determinaram, ao menos contribuíram para o desastre

O fato de ser obra prevista para a Copa interessou mais, na queda do viaduto em Belo Horizonte, do que o desastre e suas consequências. Assim ficou evidenciado nas manchetes das primeiras páginas mais importantes, todas referidas à "obra da Copa", ao "viaduto da Copa", à "obra do Mundial". Uma coisa não tem a ver com a outra. À parte o componente trágico, o que importa é isto: sempre as empreiteiras de obras públicas. Na sucessão interminável, ou a calamidade é moral, de corrupção e assalto aos cofres públicos com fraude, cartel, superpreço e reajustes; ou é física, com a péssima qualidade dos serviços prestados e os desastres também daí decorrentes. Até quando e até onde irá essa liberdade dos grandes empreiteiros, eis um dos grandes mistérios do Brasil.

A queda do viaduto de BH tem dois antecedentes que, se não determinaram, ao menos contribuíram muito para o desfecho tido pela obra. Há exatos cinco meses, foi constatado que a estrutura de um outro viaduto em construção deslocara-se imprevistamente. Obra a cargo da Cowan. Razão, portanto, para que a empreiteira e a prefeitura de Belo Horizonte redobrassem a fiscalização na obra, pela mesma Cowan, do viaduto que veio a ruir. O desastre comprova que não houve tal cuidado.

Para chegar à construção desastrada, a Cowan foi parte de uma operação bem ilustrativa das relações, e suas consequências, entre empreiteiras e poder público. O consórcio formado também pela empreiteira Delta tornou-se ganhador da obra sem que sequer estivesse constituído, figurando nos documentos contratuais, em lugar do seu, o número de cadastro da própria prefeitura de BH. Fraude que, por si só, atesta a união dos dois lados em tudo o que daí decorreu.

Com o escândalo que notabilizou o personagem goiano apelidado de Carlinhos Cachoeira, a Delta saiu do consórcio. Comprovada sua ligação com aquele personagem, o dono da Delta, Fernando Cavendish, fez uma transação mal explicada para afastar da empresa o seu nome e, como complemento, também o nome da empreiteira em certos contratos. Sem que essas retiradas devam ser entendidas, necessariamente, como saída dos negócios e acordos, todos muito lucrativos.

A Cowan é empresa mineira. A quantidade e a facilidade com que obtém contratos em Minas é admirável. Predomínio regional não é, porém, peculiaridade da Cowan. É regra em muitos Estados. Poderia ser por facilidade de custos, mas não. É, claro, por outras facilidades, as mesmas que não restringem as empreiteiras ao seu ambiente doméstico. Não importam as comprovações de fraudes, de superfaturamento e demais tramoias, os escândalos e os desastres, ainda que trágicos. Nada perturba esse domínio da imoralidade e de crimes vários.

Desde quando é assim? Não se sabe. Até quando será assim? Nem se prevê.

05/07/2014

Cowan é xícara da política café-com-leite

Foi descoberto o elo perdido que ressuscitou a política café-com-leite do PSDB. Aécio e Aloysio tem em comum, além da Cowan, obras desabadas. Há um viaduto em BH, que matou dois, e um monotrilho em São Paulo, que matou 1, que são verdadeiras pontes unindo este incesto entre fraticidas.

As relações entre a Cowan, a Delta e a Prefeitura de BH

sex, 04/07/2014 – 12:52 – Atualizado em 04/07/2014 – 13:12

Jornal GGN – Reportagem do jornal O Tempo revela movimentos pouco explicados entre a Prefeitura de Belo Horizonte e a construtora Cowan – responsável pelo viaduto que desabou na Via dom Pedro I.

Em abril de 2012, “O Globo” informou que a Prefeitura assinou contrato para obra antes mesmo que o Consórcio Integração – formado pela Delta e pela Cowan – tivesse se formado.

O consórcio só foi incluído no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica três meses após a assinatura do contrato.

Em função da denúncia, o Ministério Público de Minas Gerais instaurou inquérito e encaminhou ofício a todas as promotorias do Estado para levantar outros contratos entre prefeituras mineiras e a Delta – indiciada como integrante do esquema Carlinhos Cachoeira.

Quando explodiu o escândalo, a Prefeitura decidiu emitir nota de empenho separada, para impedir que a Cowan fosse prejudicada pelo bloqueio de contas da parceira.

O fundador da Cowan, Walduck Wanderley – morto em 2004 -, sempre foi visto como um empresário excêntrico. Na verdade, dos personagens mais ridículos do mundo empresarial brasileiro, perfil do empreiteiro típico dos anos 50.

Em 1997 orgulhava-se de ter gastos pessoais da ordem de 200 mil dólares por mês. Seu prazer maior era desfilar sua Mercedes S-200 a 20 km por hora pela avenida Afonso Pena (http://tinyurl.com/kbczsqv) a principal de Belo Horizonte. Justificativa: “Não basta ter dinheiro. É preciso ter e mostrar que se tem”.

Vangloriava-se de ter 25 veículos, dos quais 10 Mercedes. E ter mais de trinta namoradas. Não escondia seu estilo de financiar campanhas políticas e da importância de ter amigos em cargos relevantes.

Com sua morte o grupo foi assumido pelo irmão mais novo, Saulo Wanderley, que expandiu os trabalhos da Cowan para a área de saneamento e de petróleo.

Segundo informa O Tempo, com base em dados do Portal da Transparência do Paço de BH, o contrato da obra do viaduto que desabou na tarde da quinta-feira (3) é da ordem de R$ 159.214.292,89. O projeto, voltado para a Copa do Mundo, envolve recursos do governo federal.

Durante a investigação, o MPE descobriu documentos do Tribunal de Contas do Estado que sugerem que o projeto esteja superfaturado em até 350%.

No mesmo dia em que ocorreu a tragédia que vitimou duas pessoas na capital mineira, a Cowan foi anunciada, em São Paulo, como uma das empresas que integram o consórcio vencedor da licitação do monotrilho ABC (Linha 18-Bronze).

Após meses de imbróglio jurídico em torno do certame, o governo do Estado conseguiu concluir a disputa. A obra, que ligará a região do ABC Paulista à Capital, conta com recursos estaduais e da União, via PAC.

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