Ficha Corrida

11/10/2015

Concorrência desleal

Filed under: Augusto Nardes,CARF,Concorrência desleal,Operação Zelotes,RBS — Gilmar Crestani @ 9:56 pm
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Zelotes no dos outros e refrescoConcorrenza sleale é um filme italiano que mostra a relação de duas famílias que atuam no mesmo ramo durante o fascismo. Concorrência desleal, por exemplo, acontece entre empresas que se beneficiam por decisões favoráveis que outras ou não podem comprar ou preferem simplesmente honrarem com suas obrigações fiscais.  Qual é a diferença do “gato”, aquele que puxa sinal da Net ou da luz ou da água, para estes que, via corrupção dos julgadores, surrupiam milhões dos cofres públicos? A diferença é que os “gatos” são pobres. Nem todos os “gatos” de Porto Alegre, ao longo da história, sonhariam em concorrer com as cifras que envolvem as empresas gaúchas na Operação Zelotes.

Concorrência desleal também porque recebem um tratamento não dispensado aos “gatos”. Para se ter uma ideia, o juiz teve de ser substituído para que a operação andasse. Aqui não há prisão preventiva e, portanto, delação premiada. A mídia não cobre porque é parte ré. Aliás, é o caso típico onde os envolvidos se acham no direito, por diversionismo, cara-de-pau ou por estarem acostumados com a própria mãe no puteiro, de atacarem a honestidade da Dilma.

O caso do CARF é uma lição de como as empresas envolvidas entendem a lei de livre mercado; o Estado é apenas uma puta para satisfazer suas taras.

Por que será que não há nenhum deputado do PMDB, DEM, PSDB, SD cobrando justiça? Por que não há vazamentos da Zelotes para a Veja, Globo, RBS?

Operação Zelotes vai pegar a RBS/Globo?

11 de Outubro de 2015

Os barões da mídia devem estar preocupados. O Portal Imprensa destacou nesta quinta-feira (8) que a "Polícia Federal deflagra nova etapa da Operação Zelotes; RBS é alvo da investigação". Até agora, a imprensa privada fez de tudo para abafar o escândalo das fraudes fiscais, que envolve empresários de peso – como os sócios do Grupo Gerdau e os donos da RBS, afiliada da TV Globo no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Mas a operação segue em andamento e começa a dar os primeiros frutos.
Segundo a reportagem, sete mandados de busca e apreensão foram determinados pela PF nesta nova fase das apurações. Iniciada em 26 de março passado, com o cumprimento de 41 mandatos de busca, a Operação Zelotes investiga os crimes de tráfico de influência, corrupção passiva e ativa, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Segundo perícias da Receita Federal, o assalto aos cofres públicos soma de R$ 5,7 bilhões. Mas há suspeita de que o rombo seja três vezes maior – bem mais do que o apurado na midiática Operação Lava-Jato. Apesar dos estragos, a mídia evita destacar o assunto – que envolve empresas de comunicação e poderosos anunciantes, além de figuras carimbadas da politica.
Entre os suspeitos estão o ministro do Tribunal de Contas da União, Augusto Nardes – que teve seus 19 minutos de fama com a rejeição das contas do presidenta Dilma no TCU -, os bancos Bradesco, Safra, Pactual e Bank Boston, a montadora Ford, a BR Foods, a Petrobras, a Camargo Corrêa, a Light "e o grupo RBS, afiliado da Rede Globo nos Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul" – registra o Portal Imprensa, que dá mais detalhes da Operação Zelotes:
"O caso começou a ser investigado após denúncia anônima do conselheiro Paulo Roberto Cortez à Receita e à PF. Ele alegou que conselheiros recebiam propina para atrasar processos de grandes empresas que discutiam dívidas do ‘tribunal administrativo da Receita’. O objetivo era reduzir ou até mesmo anular multas. A RBS seria uma das empresas com indícios mais fortes de participação no esquema de corrupção efetuado para não pagar impostos. O presidente-executivo do grupo RBS, Eduardo Sirotsky Melzer, chegou a ser convocado para depor na CPI do Carf".
Já em nota oficial, o Ministério da Fazenda confirmou que, em sua terceira fase, a Operação Zelotes cumpriu nesta quinta-feira (8) sete mandados de busca e apreensão e que a ação tem como objetivo coletar novos documentos sobre o escândalo. "As investigações têm apontado para a existência de irregularidades que consistiram na manipulação de decisões, mediante a atuação coordenada de agentes públicos e privados, com a finalidade de reduzir ou extinguir débitos tributários com o consequente prejuízo para a Administração Pública", afirma o texto.
Será que agora a RBS, afiliada da TV Globo, vai pagar por seus crimes? A conferir!

Operação Zelotes vai pegar a RBS/Globo? | Brasil 24/7

30/12/2014

Ódio à concorrência

Filed under: Ódio de Classe,Concorrência desleal,Fascismo,Hélio Schwartman,PSDB,PT — Gilmar Crestani @ 8:57 am
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Folha -Sep.-10-12.40O diagnóstico do passado é mais fácil do que prospectar o futuro. Nesta ciência  o colunista se sai bem. De fato, o PT detinha o monopólio moral. E era simples que assim fosse. Era pequeno, não ocupava o poder, não precisava negociar com outros partidos. O que acontece quando um partido quer ascender ao poder e tem de negociar com outras forças pode ser visto inclusive no Vaticano. O Banco Ambrosiano era uma ambrosia para deuses, semideuses e representantes divinos na Terra. O filme O Poderoso Chefão III mostra isso muito bem.

Voltando ao PT. Não sou nem nunca fui filiado. Com raríssimas exceções, tenho votado na legenda. E não tenho arrependimento.

Os problemas que vem ocorrendo no interior da legenda continuam sendo infinitamente inferiores ao que vinha e vem acontecendo no interior de outras legendas. Basta que se olhe para os resultados da aplicação da Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar nº 135/2010). Apesar de ter menos de 5 anos, já que o STF autorizou sua aplicação somente a partir de 2012, produziu resultados estrondosos. E o próprio TSE mostra quem são os campeões das fichas sujas, como bem registrou a Revista Exame: “PSDB tem o maior número de barrados pelo Ficha Limpa”. O assunto, por ser indigesto, foi praticamente abandonado pela velha mídia. Não é pauta, não há grandes reportagens para explicar o fenômeno. Os colunistas não se debruçam para escarafunchar o diagnóstico severo do TSE. D. Judith Brito e a ANJ têm boas razões para isso…

Se o PSDB continua campeão depois que foi apeado do poder, imagina nos tempos da compra da reeleição e das privatidoações…. Contudo, isso não é notícia, porque notícia não é a regra, é a exceção. No ranking do TSE o PT perde feio a concorrência para os partidos tradicionais (PSDB, PMDB, DEM, PP, PSB) e ninguém faz a fatídica pergunta: por quê?

Há um fator que explica a tentativa da velha mídia de fazer grudar no PT a pecha de corrupto: a colaboração das instâncias superiores do Poder Judiciário. Os casos mais emblemáticos da corrupção da direita ou não são julgados ou os responsáveis são inocentados. Collor foi inocentado; Maluf foi inocentado; Robson Marinho está em vias de ser inocentado; o mensalão mineiro sequer foi julgado. E isso que alguns destes casos já foram julgados no exterior e os elementos, condenados. Mas no Brasil a alta cúpula do Poder Judiciário tem se mostrado célere com o PT e lerdo com a direita, criando este caldo fascista do ódio de classe defendido abertamente por Jorge Bornhausen, em artigo para a Folha, de querer exterminar com a “raça dos petistas”… A pureza étnica que a direita quer no PT não encontra mais sequer no seu o parceiro, o PSOL. O caso do cabo Benevuto Daciolo é elucidativo…

Então, porque toda esta preocupação com a pureza do PT? Simples. Os campões da Ficha Suja não querem concorrência. Imagine-se a honestidade, a pureza de propósitos, a ética de um Bornhausen, com sua longa trajetória nos vários partidos descendentes da ditadura (Arena, PFL, DEM)…

Quando alguém do PT é barrado, ganha capas de jornais e revistas e preciosos minutos nos telejornais. Aproveitam e criminalizam toda a agremiação. Afinal, como diz o colunista, “o descenso moral do PT não é um espetáculo bonito”, como se o descendo moral do demais partidos fosse um espetáculo bonito. Não, claro que não, mas os assoCIAdos do Instituto Millenium têm uma lógica muito própria: os nossos corruptos são melhores que os corruptos dos outros…

O que aconteceu, se pergunta Hélio Schwartsman? Simples, aumentou a concorrência, e isso não é visto com bons olhos para aqueles que detinham o monopólio, ou o cartel, palavra da moda em São Paulo…  A preocupação do colunista me faz lembrar um filme italiano, Concorrenza Sleale. Sua afinidade com Bornhausen no tratamento das questões petistas faz lembrar a leis raciais fascistas do tempo de Benito Mussolini.

Não é a pureza ou impureza do PT que incomoda, é  a Concorrenza Sleale

 

HÉLIO SCHWARTSMAN

O que aconteceu?

SÃO PAULO – Flashback para os anos 80. O então recém-surgido Partido dos Trabalhadores prometia um jeito diferente de fazer política. Era tão intransigente em relação a seus princípios que nem sequer negociava com outros partidos, mesmo aqueles que poderíamos classificar como de centro-esquerda.

No que diz respeito à moralidade pública, a legenda a cultuava com fervor religioso. Naqueles primeiros anos, o PT era o partido de onde surgiam quase todas as denúncias de corrupção e aquele cujos membros jamais apareciam nos escândalos.

Mesmo quem não gostava das ideias que o PT defendia, concordava que a legenda desempenhava papel relevante ao apresentar e exigir uma nova atitude dos políticos.

De volta ao presente. Dilma Rousseff, recém-eleita presidente pelo PT, propõe ao procurador-geral da República passar-lhe os nomes das pessoas que pretende nomear ministros para que ele diga se estão ou não envolvidas em alguma das delações premiadas relacionadas ao caso Petrobras. Ou seja, ela não apenas está negociando com legendas tão à direita quanto PP (o sucedâneo da Arena) como nem sequer está segura de que seus futuros auxiliares não sejam corruptos. Isso tudo, vale frisar, depois da experiência do mensalão, que atingiu em cheio a cúpula do PT.

O que aconteceu nos últimos 30 anos? Tenho algumas hipóteses, mas não uma resposta acabada. Assim, prefiro destacar o que, pelo menos para mim, foi um aprendizado. Ninguém exerce o monopólio da virtude. Embora um homem possa individualmente ser mais honesto do que outro, basta que reunamos um número razoavelmente grande de pessoas e lhes ofereçamos oportunidades um pouco mais tentadoras de tirar vantagens indevidas, para que as diferenças entre grupos maiores tendam a anular-se, retratando aquilo que chamamos de natureza humana.

O descenso moral do PT não é um espetáculo bonito, mas é didático.

helio@uol.com.br

24/11/2013

Concorrência desleal

Filed under: Ódio de Classe,Concorrência desleal,Privatidoações — Gilmar Crestani @ 10:30 pm
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O título é um tributo ao filme italiano de mesmo nome. O filme trata da competição comercial  entre lojistas milaneses, um católico e outro judeu.  Mostra o que acontece quando um, o católico, faz saber que o concorrente era petista, desculpe, judeu.  E como havia um caldo de ódio disseminado, a privação de direito recai apenas contra aqueles que a mídia havia se encarregado de vende-los como bandidos. No caso brasileiro, fica parecendo que há ladrões com direito adquirido, para os quais a concorrência é desleal. Enquanto outros, independentemente do que façam ou deixam de fazer, serão sempre culpados, porque o ódio previamente disseminado legitima toda sorte de acusação.

Um único fato prova de forma cabal quem pôs o ovo da serpente: a Vale do Rio Doce foi “vendida” em 1997, com financiamento do BNDS, por 3,338 bilhões. E, hoje, se a União a quiser de volta, terá de pagar R$ 200 bilhões. O leilão do aeroporto Galeão saiu por R$ 19,018 bilhões e, vejam só, em 30 anos volta ao patrimônio da União. É ou não é  de um fato para provocar ódio?!

Cardozo, Donato e a fábula da classe dominante

Já está em curso acelerado articulação para inverter papéis e responsabilidades no propinoduto tucano e na máfia dos fiscais

Paulo Moreira Leite

Determinados episódios tem o poder de revelar toda estrutura da sociedade em que vivemos, mostrando quem tem o poder de verdade – e quem tem acesso, somente, a brechas e migalhas.

Estou falando da denúncia sobre o propinoduto do PSDB. O caso ficou adormecido quinze anos nas gavetas do Ministério Público e da Justiça de São Paulo. Pedidos das autoridades do paraíso fiscal suíço foram arquivados. Inquéritos eram abertos e fechados logo em seguida. Ninguém era incomodado pelas autoridades brasileiras, nem mesmo Robson Marinho, homem de confiança do ex-governador tucano Mário Covas, titular de uma fortuna em contas secretas. Mesmo a iniciativa internacional de uma das maiores empresas do mundo, a Siemens, parecia não dar em nada. Até que, uma década e meia depois da primeira denúncia, as investigações começam a andar. Surgem nomes de governadores de Estado, parlamentares, tesoureiros, operadores financeiros e dezenas de envolvidos.

Aparece, então, o vilão da história: José Eduardo Cardozo, o ministro da Justiça que entregou à Polícia Federal papeis que circulavam nos bastidores de políticos e empresários do país. Se tivesse engavetado o documento, Cardozo poderia ser acusado de prevaricação. Hoje, é acusado por participar de uma “trama sórdida” ao lado de um deputado estadual do PT e do presidente do Conselho Administrativo de Direito Econômico.

Na verdade, Cardozo deve ser elogiado. Mandou investigar uma denúncia de crime. Se há uma crítica a ser feita é outra: por que demorou tanto?

O episódio parece estranho mas não é. Faz parte de uma desigualdade política típica de uma sociedade dividida em 99% e 1%, na qual o acesso ao topo sempre foi muito estreito e difícil do que sugere a lenda de que vivemos numa terra de oportunidades. Para resumir, nosso subdesenvolvimento não foi improvisado. É obra de séculos, ensinava Nelson Rodrigues. Classe dominante numa sociedade subdesenvolvida é assim: domina mesmo quando não governa. As condições mudam, as facilidades se tornam menos óbvias. Mas através de mentes e fios invisíveis, mantém a capacidade de refazer os fatos, mudar a narrativa, inverter os papéis e alterar o fim da história enquanto ela está acontecendo.

O atraso econômico, a desigualdade social e a concentração de poder político se superpõem, conversam e se alimentam, atravessam gerações, se acasalam e se reproduzem. Dominam todas as instâncias políticas que não dependem do voto popular, a única forma de poder na qual, vez por outra, é possível expressar uma vontade resistência – frequentemente derrotada pelas baionetas, pela porrada e pelas regras eleitorais que autorizam o aluguel do Estado pelo poder econômico privado, que faz o possível para seduzir todos que queiram render-se a seus interesses.

Esse universo inclui as instituições que não dependem da vontade do povo, como as grandes universidades, a Justiça, o setor privado no sentido econômico, sejam sócios e parceiros internacionais, e também no sentido político, a começar pelos grandes grupos de comunicação. A verdade é que o 1% nem precisa conspirar para fazer valer seus interesses e vontades. Funciona no piloto automático, por um sistema de senhas, eufemismos e códigos ideológicos. Aquilo que se diz aqui se repete mais adiante, através de vozes que falam na mesma melodia e compasso. É onipresente a ponto de confundir-se com a natureza, num encantamento que só é possível quando se possui o monopólio da palavra – exercido como orquestra pelos meios de comunicação.

Neste ambiente, o escândalo do propinoduto é uma sombra inesperada no esforço de criminalização do condomínio Lula-Dilma em 2014. Manda calar a boca. Mostra que, além de dedicar-se a práticas lamentáveis, numa escala contínua e gigantesca sem paralelo conhecido na história brasileira, o PSDB paulista construiu uma blindagem sólida, que torna ainda mais difícil apurar e investigar qualquer denuncia – o que só agrava qualquer ilegalidade que já foi cometida. São varias raposas para tomar conta do galinheiro das verbas do metrô e dos trens urbanos.

E é por isso que até imagino que Cardozo pode ser chamado a explicar-se, no Congresso, ou lá onde for, antes mesmo que qualquer tucano emplumado, com o futuro político a beira do precipício, seja obrigado a dar explicações verdadeiramente necessárias e urgentes.

O esforço é elevar o clima de indignação, falar em aparelhismo sem constrangimento mesmo depois que se soube que o ministério público de São Paulo engavetou oito pedidos de informações internacionais do ministério publico da Suíça – elevando para um padrão internacional um comportamento patenteado pelo inesquecível Geraldo Brindeiro, aquele que engavetou até confissões de venda de votos na emenda que permitiu a FHC

disputar a reeleição.

É ridículo mas veja bem o que ocorreu na máfia dos fiscais da prefeitura.

Nenhum alto responsável por oito anos de descalabro e cobrança de propina, em São Paulo, foi localizado, investigado nem punido. O cerco se fechou em torno de Antônio Donato, o secretário da prefeitura de Fernando Haddad. Donato era um adversário notório e combativo das gestões anteriores, inimigo de qualquer aproximação com o então prefeito Gilberto Kassab. Só aceitou uma trégua por disciplina partidária, após uma luta interna renhida e pública. Só assumiu funções executivas depois que a turma já havia sido desalojada de seus postos, como resultado de uma campanha eleitoral na qual teve um papel fundamental. São credenciais que dão o direito de duvidar de qualquer uma das insinuações feitas contra ele por cidadãos em busca desesperada de uma boia de salvação, a quem a lei confere até o direito de mentir em legítima defesa. Já vimos este filme em 2005.

Depois que um protegido seu foi gravado em vídeo quando recebia propinas no Correio, Roberto Jefferson foi aos jornais, a Câmara e a TV falar do “mensalão.” A turma de 1% abençoou aquele delator benvindo e mudou a história. Quando Jefferson se desdisse, dizendo que era "criação mental," a história já fora modificada e reescrita. Sabe o que aconteceu com a turma dos Correios? Nada. O caso está parado até hoje.

O espetáculo do poder nessa escala é conhecido. Só não é preciso bater palmas. Basta abrir os olhos.

SQN

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