Ficha Corrida

08/10/2014

Preconceito, ignorância, má fé

Tenho dois cursos superiores e uma especialização, feitos todos com recursos próprios. Não passo necessidades, tenho plano privado de saúde e ainda pago meu cardiologista particular. Mas tenho que dizer que sou terceiro filho de uma família de oito, criados na roça. Todos nascidos em escadinha, de ano em ano. Quando o segundo depois de mim nasceu, minha mãe estava com cinco filhos e a mais velha tinha seis anos. Com apenas dois anos, minha avó me levou e me criou até os sete anos.

Bolsa Família e preconceito socialSe minha família tivesse Bolsa Família talvez minha mãe pudesse ter comprado pílulas anticoncepcionais. Ou então poderia ter me criado junto com os demais. Não existia Bolsa Família ou qualquer outro programa social.

Não havia Mais Médicos. O hospital mais próximo distava 14 km e fui ao médico com meu pai, com quase 40º de febre, na garupa de cavalo. Saímos de manhã, chegamos à noite.

A escola distava 4km, que fazíamos à pé, morro abaixo para ir, morro acima pra voltar. Inverno ou verão, chuva ou sol.

Passei por tudo isso, mas não desejo que outros passem. O fato de ter passado por isso não me leva a desejar isso a outros. Pelo contrário, gostaria que este tipo de situação fosse eliminada. O valor do Bolsa Família é até pequeno. Os juros bancários, que levaram o Banco Itaú a apoiarem Marina Silva, consomem muito mais recursos públicos que o Bolsa Família. É a tal de dívida pública…

Quando vejo postagens de pessoas que também passaram por isso dizer que “no meu tempo, Bolsa Família era foice, pá, enxada”, fico a imaginar o que o tamanho do egoísmo que corrói o autor da postagem. É um misto de despeito, inveja e desinformação. Isso sim me envergonha!

Negar algo hoje só porque não tivemos não é só egoísmo de quem diz, mas uma atitude abjeta, de negar a outrem por birra. Negar a quem precisa porque não se teve demonstra o quão pequeno é um ser na escala humana. Pior, se dão ao luxo de cometer tamanha ignorância em público, espraiando para que o mundo o tamanho de suas limitações intelectuais. São os que não dizem uma vírgula aos empréstimos subsidiados que salvam grandes empresas, como RBS.

Isso, gente, é preconceito em relação às políticas sociais. Eu não preciso disso. Quando precisei, não tive. Agora, se devemos odiar quem recebe o Bolsa Família, porque não odiamos os empréstimos subsidiados para a classe média comprar apartamento. Aí pode, né! Tem gente, no serviço público, que ganha R$ 751,00 de auxílio alimentação mas acha abominável pagar R$ 173,00 de Bolsa Família. Que nome se pode dar a isso?

Há poucos anos atrás as sinaleiras, esquinas e proximidades de restaurantes eram habitadas por mães que empurravam crianças pedindo esmolas. As mães se entrincheiravam em algum esconderijo esperando o resultado da coleta das crianças. Por que será que não se vê mais crianças nas sinaleiras? Não seria pelo fato de que agora há Bolsa Família? Será que é tão difícil entender que a mãe só recebe a bolsa se o filho frequentar a escola? Para onde foi a sensibilidade das pessoas que notam esta diferença tão cristalina? Uma mãe receber um ajuda para manter a criança na escola merece execração, mas os bancos não merecem o mesmo desprezo por terem se beneficiado por um programa criado por FHC chamado PROER? A GERDAU não fabrica um parafuso sem algum tipo de incentivo, seja isenção, financiamento via FUNDOPEN, estímulos via parcelamento de recolhimento de tributos, empréstimos a fundo perdido. Ninguém condena a GERDAU que, mesmo sendo uma das maiores empresas brasileiras e quiçá do mundo, opera também com dinheiro público. Por que GERDAU pode receber dinheiro público e a mãe não pode receber um auxílio, condicionado à frequência escolar do filho?

14/08/2014

Cracolândia: sempre que o traficante é preso a pedra encarece

Filed under: Bolsa Crack,Bolsa de Valores,Especulação,Financiadores Ideológicos — Gilmar Crestani @ 7:32 am
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O capital especulativo, que na Argentina é chamado de golondrina (andorinha), chega à noite, desfruta do puteiro e na manhã seguinte já parte em busca de outros puteiros. Como é o dinheiro que finanCIA a velha mídia, os a$$oCIAdos do Instituto Millenium usam a Bolsa como o agricultor que usa espantalho. Eu não tenho medo de nada, muito menos de espantalhos da velha mídia.

Bolsa cai com receio de um segundo turno sem PSDB

VALDO CRUZDE BRASÍLIAMARIANA CARNEIRODE SÃO PAULO

Aos primeiros sinais de que o candidato Eduardo Campos (PSB) poderia ter sido vítima de um acidente aéreo, o mercado entrou em estado de tensão, a Bovespa começou a cair e analistas e economistas ligavam para jornalistas em busca de informações.

A reportagem da Folha, por volta das 11h30, recebeu ligações de três economistas de mercado. Todos querendo saber se havia confirmação de que Eduardo Campos estava no avião que havia caído em um bairro de Santos.

Às 12h30, com a confirmação de que ele era um dos passageiros, a Bolsa caía 2%. Entre os analistas, a discussão era sobre como ficaria o cenário da campanha presidencial. Sem Eduardo Campos no páreo, a eleição poderia ser definida num único turno, favorecendo a candidata Dilma Rousseff (PT).

Confirmada a morte do candidato do PSB, os analistas voltaram a entrar em contato com a reportagem, agora para checar se Marina Silva, candidata a vice, estava ou não no avião.

Diante da informação de que ela não estava na aeronave, a queda da Bolsa foi amenizada dentro da avaliação de que Marina pode assumir a candidatura presidencial do PSB e assegurar a realização de um segundo turno.

Logo depois, porém, o mercado voltou a oscilar, não tão fortemente como pela manhã. No final do dia, a Bolsa fechou com baixa de 1,53%, diante das avaliações de que o segundo turno pode juntar Dilma Rousseff e Marina Silva na reta final.

Economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito ressalva que ainda é cedo para avaliar os impactos da tragédia em Santos, mas acha que, se Marina for a candidata, o cenário fica mais complicado para Dilma porque o segundo turno estará praticamente garantido.

Tony Volpon, do banco Nomura, tem um balanço muito semelhante.

Em relatório, ele disse que a possível entrada de Marina na disputa aumenta as chances de segundo turno, o que é "negativo" para a presidente Dilma Rousseff.

30/10/2013

As contradições de uma pena de aluguel

Filed under: Bolsa Crack,Bolsa Família,Fernando Rodrigues — Gilmar Crestani @ 7:33 am
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Para Fernando Rodrigues, fazendo coro ao seu partido, o PSDB, a Bolsa Família faz parte de “programas assistencialistas oficiais”. É assistencialista porque, como ele mesmo escreve,  “Bolsa Família começava a ter resultados visíveis, com a ascensão social dos mais pobres”.

O que causa urticária, de fazer babarem de ódio, é esta tal de “ascensão social dos mais pobres”. Onde já se viu isso! Já o roubo de bilhões no Metrô de São Paulo, e o providencial esquecimento na gaveta de ofício da justiça da Suíça pedido investigação não merece uma linha do indigitado colunista de aluguel. Nem um ponto de interrogação sobre o Bolsa Crack, como chamou o Estadão, do Alckmin. O que ele falou sobre a sonegação milionária da Rede Globo?

FERNANDO RODRIGUES

Bolsa Família e eleição

BRASÍLIA – Até quando o Bolsa Família será vital nas eleições presidenciais no Brasil? Se depender do PT, para sempre. O partido deu grande ênfase ao tema em sua propaganda na TV na semana passada.

Hoje, haverá uma grande festa com a presença da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Vão celebrar os dez anos do Bolsa Família, que atende a dezenas de milhões de brasileiros. Ministros farão palestras sobre o impacto do programa em suas áreas. A ideia é dar uma conotação épica ao evento.

Em 2014, tudo indica que Dilma não poderá contar com uma economia pujante. Sua reeleição terá de ser conquistada com base nos resultados de programas assistencialistas oficiais. É fundamental reforçar no eleitorado a percepção de que o Bolsa Família é essencial para o desenvolvimento do país.

Quando conquistou sua reeleição, Lula teve o melhor dos mundos. O Bolsa Família começava a ter resultados visíveis, com a ascensão social dos mais pobres. Além disso, a economia do Brasil estava aquecida.

Agora, os efeitos do Bolsa Família já estão incorporados ao dia a dia da população carente. E o crescimento da economia tem sido anêmico, para dizer o mínimo.

A atual presidente só tem uma vantagem comparativa em relação a seu padrinho político. Em outubro de 2005, um ano antes de sua reeleição e ainda abalado pelo mensalão, Lula era aprovado por apenas 28% dos eleitores. Dilma tem hoje 38%, dez pontos a mais.

Ou seja, a presidente começa a campanha pela reeleição a partir de um patamar mais elevado do que seu antecessor. O solavanco que tem pela frente é o baixo crescimento da economia.

É por essa razão que os dez anos do Bolsa Família serão tão festejados hoje. Interessa a Dilma e ao PT manter o programa bem vivo na mente dos eleitores mais pobres.

fernando.rodrigues@grupofolha.com.br

10/10/2013

Bolsa Família faz o Brasil crescer com mais dignidade

Filed under: Bolsa Crack,Bolsa Família — Gilmar Crestani @ 7:34 am
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Todos os que têm ódio a Lula e Dilma chamam o Bolsa Família, porque se destina a pobres e não é um financiamento para ricos, de Bolsa Esmola. São os mesmos que silenciaram quando o Governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, criou o Bolsa Crack. A inveja é uma merda porque o invejoso é sempre um imitador limitado, tem mais facilidade em destruir ou vender algo que já existe do que construir algo novo.

ANA FONSECA E CARLOS LOPES

Uma década de Bolsa Família

O Bolsa Família se beneficia de experiências anteriores. Aquele que se diz protagonista de uma construção que foi coletiva está equivocado

Costuma-se dizer que o sucesso tem muitas mães. Quase sempre isso é verdade. Como participantes do processo que deu corpo ao Bolsa Família, consideramos oportuno acrescentar ângulos à reflexão do balanço de uma década dessa conquista do povo brasileiro.

O Bolsa Família atende hoje a 13,8 milhões de famílias. O valor médio de seu benefício mensal é de R$ 152. Em 2003, quando implantado, ele atendia a 3,6 milhões de famílias com cerca de R$ 74 mensais, em média.

Mas esse resultado é fruto de um processo histórico em que se logrou aperfeiçoar uma engenharia social capaz de enfrentar a miséria da população de maneira mais profunda.

Pessoas e instituições que se arvoram como protagonistas de uma construção que foi coletiva estão equivocadas. A produção de memórias é sempre parte de um campo de disputas de interesses. Os relatos que apagam tal construção estão longe de serem inocentes.

O desenvolvimento do Bolsa Família se beneficia de experiências anteriores. Em 1995, em Campinas e Ribeirão Preto, no Estado de São Paulo, e no Distrito Federal, foram implantados programas de renda mínima que logo se espalharam por muitos municípios.

Não foi por acaso que, em 2003, o presidente Lula aprovou a expressão "Bolsa Família, uma evolução dos programas de complementação de renda com condicionalidades", em reconhecimento dos antecedentes múltiplos e variados.

O cadastro único dos programas sociais consolidou-se como uma conquista contra os interesses setoriais, que preferiam criar e gerir os seus próprios cadastros, reproduzindo, também no campo da identificação do público alvo, a fragmentação, a disputa de poder e a sobreposição de esforços.

Atribui-se a isso, em parte, o sucesso do Bolsa Família. Em setembro de 2003, estavam registradas no Cadastro Único federal, recebendo benefícios de distintos programas, cerca de 17,2 milhões de famílias. O Bolsa Escola repassava a cada beneficiário por mês R$ 24,80, em média. O Bolsa Alimentação, R$ 21. Em dezembro daquele ano, o Bolsa Família já concedia o triplo da média dos outros programas.

O I Seminário Nacional do Cadastro Único, ainda em 2003, foi o primeiro fórum a reunir gestores federais, estaduais e municipais para discutir as muitas facetas do processo de cadastramento. Com ele, criou-se um ponto de apoio importante para a discussão federativa e republicana sobre a gestão do cadastro único. Ao longo dos anos, ele se converteu em uma ferramenta de planejamento e gestão de políticas.

Em 2011, o governo federal inseriu o Bolsa Família em uma política mais ampla de transferência de renda. Com o plano Brasil sem Miséria, assumiu o compromisso de garantir aos brasileiros uma renda mínima mensal de R$ 70. Comprometeu-se a ampliar o acesso a serviços públicos e a efetuar a inclusão produtiva urbana e rural.

Os dez anos do maior programa de transferência de renda do mundo são motivo de orgulho e esperança para a população brasileira, e é isso que nós devemos celebrar.

ANA FONSECA, 62, é pesquisadora do Núcleo de Estudos de Políticas Públicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Foi secretária-executiva do programa Bolsa Família (2003)

CARLOS LOPES, 52, economista, ex-representante da Organização das Nações Unidas no Brasil (2003-2005), é secretário-executivo da comissão econômica para a África da ONU

27/05/2013

Bolsa Crack do PSDB escondida no caderno cotidiano da Folha

Filed under: Aécio Neves,Bolsa Crack,Isto é PSDB! — Gilmar Crestani @ 7:42 am
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Após 2 anos, bolsa ‘anticrack’ de MG não sabe quantos recuperou

Programa que foi modelo para o de São Paulo sofre com falta de vagas e de acompanhamento

Governo de Minas alega limitação financeira e diz haver planos para melhorar a qualidade das entidades parceiras

PAULO PEIXOTODE BELO HORIZONTE

Lançada há cerca de dois anos, a "bolsa antidrogas e antiálcool" mineira, referência para a "bolsa anticrack" do governo paulista, não tem dados objetivos dos resultados e enfrenta falta de vagas e desconfiança sobre o trabalho das comunidades terapêuticas, parceiras do programa.

Implantado em agosto de 2011, o programa chamado Aliança pela Vida subsidia o tratamento de viciados com R$ 900 mensais, por até seis meses. O crédito fica em um cartão dado às famílias, para pagamento das comunidades.

Mas o governo Antonio Anastasia (PSDB) não tem o perfil dos atendidos nem sabe dizer o percentual de recuperação e reinserção social dos tratados pela iniciativa.

Especialistas envolvidos com o programa o apoiam, mas questionam a qualidade das comunidades existentes.

O psicanalista Paulo Repsold, que participou do planejamento inicial, aponta problemas como a burocracia, que atrasa parcerias entre prefeituras e instituições, e a resistência ideológica às comunidades por setores que aceitam que só a saúde pública cuide dos viciados.

Além disso, ele diz que muitas comunidades precisam se qualificar.

O terapeuta ocupacional Ronaldo Viana, que há 20 anos tem uma comunidade, diz que a realidade dessas instituições é "precária", com pouca capacitação de profissionais pelo setor público.

"Temo aventureiros que veem a oportunidade de recursos e abrem qualquer serviço."

Robert William de Carvalho, da ONG Defesa Social, disse que há poucas vagas. "É difícil arrumar vagas para homens, muito difícil para mulheres e impossível para crianças e adolescentes."

Segundo o governo, o Aliança pela Vida pode internar até 1.600 pessoas/ano.

Os envolvidos citam a necessidade de 300 comunidades. Por ora são 37 certificadas e 32 em processo de certificação, diz o governo, que tem feito reuniões sobre qualificação com as instituições.

O subsecretário de Políticas sobre Drogas, Cloves Benevides, afirma que o resultado dos tratamentos e o perfil dos atendidos serão avaliados em balanço a ser feito no final deste semestre.

Cerca de 12 mil pessoas já foram atendidas. A maioria, no entanto, passou por atendimento ambulatorial, modalidade que não inclui a bolsa.

O governador de Minas lamentou, em recente palestra, que o programa antidrogas e antiálcool seja limitado por motivos financeiros.

"O Estado não tem recursos financeiros para fazer programas do tamanho que gostaríamos", afirmou.

26/05/2013

Dois editoriais, duas medidas

Filed under: Bolsa Crack,Bolsa Família,Bolsa PSDB,Folha de São Paulo — Gilmar Crestani @ 8:52 am
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Nada melhor que os dois editorias da Folha deste domingo, 26/05/2013. Um, contra o que o Governo Federal faz ou deixa de fazer. Outro para elogiar seja lá que o fizer ou deixar de fazer o colega de oposição de D. Judith Brito, Geraldo Alckmin (PSDB/SP). Neste grenal, o Bolsa Família não presta mas em compensação o Bolsa Crack é supimpa! O Bolsa Família “acelera as despesas governamentais”, já o Bolsa Crack vai “remunerar instituições privadas”. Simples assim!

Contra:

EDITORIAIS

editoriais@uol.com.br

Sístoles de diástoles

Enquanto o BC se prepara para elevar a taxa de juros, Fazenda se permite pisar fundo no acelerador das despesas governamentais

A favor:

EDITORIAIS

editoriais@uol.com.br

Recomeço difícil

Vai no sentido correto o programa do governo do Estado de São Paulo que prevê remunerar instituições privadas especializadas no tratamento de dependentes de crack. São muitos os desafios para a correta implantação dessa iniciativa, contudo.

21/05/2013

Do Maracanã ao Bolsa Crack

Filed under: Bolsa Crack,Liberalismo — Gilmar Crestani @ 7:44 am
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VLADIMIR SAFATLE

Estado-mãe

Os liberais gostam de criticar o Estado-providência por ver nele o paradigma de um funcionamento institucional da vida social que acomodaria os sujeitos a benefícios sem responsabilidades, desprovendo-os de capacidade de empreendedorismo e deixando-os sem coragem para assumir riscos. Tal como se fosse uma mãe superprotetora, tal Estado produziria apenas filhos letárgicos e sempre chorando por amparo.

É fato que há algo de verdadeiro nessa crítica ao caráter de "mãe má" próprio ao Estado-providência. Seu único problema é que ela erra de alvo quando procura identificar quem são, afinal, os filhos em questão. Vejam, por exemplo, o caso brasileiro. Na verdade, eis aí um verdadeiro Estado-providência, mas seus filhos são apenas certos setores da burguesia nacional e da sociedade civil associada ao governo. Há dois exemplos paradigmáticos ocorridos nas últimas semanas.

Durante os últimos anos, o governo investiu mais de R$ 1 bilhão na reforma do estádio do Maracanã. Obra feita a toque de caixa devido ao calendário da Copa do Mundo. Dias atrás, ficamos sabendo que um consórcio composto pela Odebrecht e pelo onipresente empresário Eike Batista ganhou o direito de administrar o estádio por (vejam só vocês) R$ 180 milhões pagáveis em 30 anos. Ou seja, só em reformas o Estado, principalmente via BNDES, gastou mais de R$ 1 bilhão para entregar a seus filhos, por menos de 20% do valor investido, um complexo esportivo com o qual nem mesmo o mais néscio dos administradores seria capaz de perder dinheiro.

Na mesma semana, descobrimos também que o governo paulista resolveu inventar um cartão que dá R$ 1.350,00 para viciados que queiram se internar em comunidades terapêuticas cadastradas. Nada de mais, à parte o Estado acabar por financiar comunidades terapêuticas privadas, normalmente vinculadas a igrejas e com abordagens "espirituais" de atendimento psicológico bastante questionáveis, enquanto sucateia vários Caps (Centro de Atenção Psicossocial) pelo Estado.

Assim caminha o paulatino abandono da capacidade governamental de formular políticas públicas em saúde mental. Mas pelo menos alguns de seus filhos, por coincidência com grande influência nos próximos embates eleitorais, serão amparados.

Diante da generalização de ações dessa natureza, há de perguntar se a crítica liberal clássica ao Estado-providência não é, no fundo, uma cortina de fumaça que visa esconder quem são os verdadeiros protegidos. O que demonstra como precisamos, na verdade, de uma crítica aos processos de privatização branca do Estado brasileiro. Privatização feita à base de negócios de mãe para filho.

VLADIMIR SAFATLE escreve às terças-feiras nesta coluna.

10/05/2013

Bolsa Crack

Filed under: Bolsa Crack,Isto é PSDB! — Gilmar Crestani @ 8:21 am
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Ah! se fosse o Lula que tivesse inventado esta! Haveria capa na Veja, editoriais do Globo, pronunciamento do Jarbas Vasconcelos no Senado e artigo do Aécio Neves na Folha, o Bom Dia Brasil convidaria o Arnaldo Jabor e o Lasier Martins tiraria o dedo do nariz e botaria na tomada (de novo).

Com todo o contorcionismo da Folha, a Bolsa Crack veio para ficar e só usa “anti” quem é a favor! Eles deveriam comparar com o Bolsa Família, que chamaram de bolsa esmola…

Governo de SP exclui menor de idade da ‘bolsa anticrack’

Estado diz que não há clínicas especializadas no atendimento de adolescentes

Programa pode atender 3.000 pessoas com a ajuda de R$ 1.350 para o tratamento do dependente químico

AFONSO BENITESDE SÃO PAULO

Menores de 18 anos de idade dependentes químicos não serão beneficiados pela "bolsa anticrack", de R$ 1.350, criada oficialmente ontem pelo governo paulista.

Conforme estudo da Universidade Federal de São Paulo, 38% dos usuários de cocaína do Estado são adolescentes. Nesse grupo estão os que usam crack, merla e óxi.

Segundo o coordenador do projeto batizado de Cartão Recomeço, o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, a exclusão dos adolescentes do programa se deve à inexistência de entidades voltadas ao atendimento de dependentes químicos nessa faixa etária.

O tratamento de um jovem é diferente do de um adulto.

"Não dá para misturar os grupos porque um adulto já tem noção do que ele perdeu da vida. O jovem, nem sempre. Você precisa motivá-lo de outra forma", disse a pesquisadora Clarice Madruga.

Laranjeira diz que uma das missões do governo será incentivar municípios a criarem espaços para o atendimento de jovens. Para ele, uma alternativa é instituir moradias assistidas, que são casas com profissionais que tratam até dez adolescentes por vez.

Em uma comunidade terapêutica, são tratados ao mesmo tempo cerca de 60 dependentes químicos. As entidades que se conveniarem com o governo receberão a "bolsa anticrack" por até seis meses.

Para o psiquiatra Thiago Fidalgo, o governo está indo no caminho errado. Segundo ele, o ideal seria investir principalmente em campanhas educativas voltadas para jovens e no fortalecimento do atendimento ambulatorial, onde o paciente é tratado sem a obrigação de ser internado.

INCÓGNITA

A uma semana de lançar o edital para contratar 300 entidades, o governo ainda não sabe quantas delas existem no Estado. Conforme a gestão Geraldo Alckmin (PSDB), hoje, 132 têm convênio com o governo. A expectativa é que parte delas se junte a outras, ainda desconhecidas, para atender 3.000 pessoas.

O promotor Arthur Pinto Filho, da área de saúde pública, diz que dificilmente existam 300 comunidades reconhecidas pelos conselhos de medicina ou psicologia e pela Vigilância Sanitária.

Pelo projeto, 11 cidades de referência serão beneficiadas. A capital foi excluída do programa porque atualmente há 270 vagas em 13 entidades que firmaram convênios com o governo e a prefeitura.

As vagas na capital paulista são para dependentes que vão ao Cratod (Centro de Referência em Álcool, Tabaco e Outras Drogas), no Bom Retiro, região central.

08/05/2013

PSDB cria bolsa crack

Filed under: Bolsa Crack,Isto é PSDB! — Gilmar Crestani @ 7:17 am
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Lula criou o Bolsa Família e todos a direita caiu de pau. Sequer desceram ao chão para verificar que havia pré-condições para receber, como o comprometimento dos filhos em frequentarem escolas. Dilma aperfeiçoou, e ajudou a tirar da miséria milhares de brasileiros. A toda hora somos obrigados a ouvirem piadinhas de gente para as quais políticas inclusivas e cotas são uma obscenidade. Na verdade, apenas iam no embalo de vozes conservadoras que vivem de bater nas políticas sociais do Lula. Não conseguem admitir que um quase analfabeto pudesse ter investido em educação mais do um “doutor”. Agora está aí para os energúmenos engolirem. O PSDB que também inventou a bolsa banqueiro, com o PROER, agora inventa o bolsa crack.

Governo de SP pagará ‘bolsa’ para tratar viciado em crack

Estado dará R$ 1.350 por mês para cada paciente tratado em entidade credenciada

Objetivo é evitar que dependentes químicos que passaram por hospitais públicos tenham recaídas

AFONSO BENITESDE SÃO PAULO

O governo de São Paulo vai pagar um tipo de "bolsa anticrack", no valor mensal de R$ 1.350 por paciente, para tentar evitar que viciados que passaram por desintoxicação em hospitais e clínicas públicas tenham recaídas.

Cada beneficiado ganhará esse crédito para receber tratamento em entidades sem vínculo governamental que serão credenciadas pelo Estado a partir deste mês.

O paciente não receberá a quantia diretamente, mas ganhará um cartão magnético correspondente ao benefício.

O cartão será usado para comprovar que os viciados passaram pelo atendimento nas comunidades terapêuticas (centros privados ou de ONGs que acolhem dependentes químicos) que serão pagas pelo governo estadual.

O tempo máximo de internação será de seis meses.

O anúncio do programa deve ser feito amanhã pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB). O Estado adotou outras ações nos últimos meses com a justificativa de combater a difusão do crack, mas que receberam críticas.

Por exemplo, a ocupação da cracolândia pela polícia e a possibilidade de internação compulsória de viciados.

A "bolsa anticrack" será chamada de Cartão Recomeço e foi baseada em um programa similar de Minas, também governado pelo PSDB.

Na primeira etapa devem ser distribuídos cerca de 3.000 cartões. Nos próximos dias, será lançado um edital para credenciar as primeiras 300 entidades. Os pacientes devem começar a receber tratamento a partir de julho.

Atualmente, cerca de 30 entidades, a maioria com caráter religioso, têm convênios no Estado (sem que haja cartão aos beneficiados).

Nas comunidades, os pacientes tratarão da abstinência, receberão qualificação profissional e vão se reaproximar de familiares e amigos.

"A ideia é preparar o ambiente para que ele possa viver longe das drogas, sem recaídas e perto da família", disse Rodrigo Garcia, secretário de Desenvolvimento Social.

Em princípio, dez cidades de médio e grande porte terão comunidades credenciadas, como Campinas, São José dos Campos e Santos.

A pesquisadora Clarice Sandi Madruga, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), se diz preocupada com a escolha das instituições que receberão os usuários. Para ela, o tratamento não pode se basear no isolamento de pacientes em entidades religiosas. "Para não recair, o paciente precisa de um tratamento que pense em recolocá-lo na sociedade."

Entre os estudos sobre a reincidência dos usuários de crack, um deles aponta que o índice beira 40% em um ano.

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