Ficha Corrida

21/09/2014

Banqueiro só rima com puteiro

Filed under: Banco Itaú,Banqueiros,DEMo,Marina Silva,MariNeca,Pacto com Demônio — Gilmar Crestani @ 1:23 pm
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Marina e itaÚ fora Trabalhei quatro anos no Bradesco. Foi o suficiente para saber como funciona o capitalismo brasileiro. Enquanto der lucro, o patrão embolsa. Quando dá prejuízo, o incompetente espera contar com o dinheiro público.

Em outras palavras, privatiza o lucro e socializa o prejuízo.

Não é outra questão que agora assola a economia da Argentina. Especuladores do mundo inteiro, a começar pelos norte-americanos, resolveram chegar à noite a Buenos Aires e, ao amanhecer, ir passar o dia em outra freguesia. Estavam especulando com a crise que Carlos Menem e seu neoliberalismo de costeletas haviam introduzido na Argentina com base nas regras impostas pelo FMI. Na época o FMI tinha de capacho três patetas latinos: Fujimori, Menem & FHC. Com estes, destruiu a economia dos respectivos países. A lógica era simples: diminuíam os gastos do Estado, aumentavam os impostos, privatizavam as empresas na mesma proporção que aumentavam os juros. Nessa suruba, o capital especulativo fez sua orgia particular. Corriam o risco porque o retorno era alto e rápido.

Mas as coisas bruscamente mudaram. Fujimori e Menem, mas FHC foi capturado, via Miriam Dutra, pela Rede Globo, que lhe deu, não gratuitamente, cobertura e proteção. Tanto que todos os  seus correligionários que resolveram aparecer ao seu lado, de José Serra ao Aécio, passando por Alckmin, rodaram feio. Com Nestor Krishner e depois sua esposa Cristina, na Argentina, e com Lula e Dilma, no Brasil, o mundo girou e a lusitana rodou… a bolsa. Os abutres conseguiram nos EUA um Juiz que julgasse a Argentina. No Brasil, Lula pagou o que FHC havia tomado emprestado e deu um pontapé na bunda do FMI. Dilma foi mais além, cancelou viagem aos EUA e, com os demais BRICS, criou um banco. E assim chego ao ponto onde mora o ódio do Banco Itaú a Dilma: o Brasil não só não precisa mais da financeirização da ecomonia ditada pela FEBRABAN como tem seu próprio banco. Aliás, dois. O BNDES e o Banco do Brics. O ódio dos banqueiros ao BNDES, à CEF e ao BB é tanto que hoje fariam um pacto com o demônio deste que o demônio pudesse nos governar.

O ataque de Marina Silva aos bancos públicos (CEF, BB e BNDES) atende a um pedido da Neca Setúbal. Pronto, revelei o pacto e o demônio….

Banqueiro em política é véspera de bancarrota

"Existem algumas poucas verdades absolutas na vida política. Uma delas é aquela de que o banco que se mete em seus meandros, inevitavelmente, quebra. Aqui e lá fora. Não faltam exemplos", diz o jornalista Palmério Doria, em artigo exclusivo para o 247; texto serve de alerta para os banqueiros Roberto Setubal e Pedro Moreira Salles, filhos de Olavo Setubal e Walter Moreira Salles, que permitiram o excessivo engajamento do Itaú Unibanco no processo político de 2014, especialmente em razão dos vínculos entre Neca Setubal e Marina Silva; experiências que terminaram mal no Brasil foram as do Econômico, de Angelo Calmon de Sá, e do Bamerindus, de José Eduardo Andrade Vieira

Por Palmério Doria, especial para o 247

Nos Estados Unidos o respeitado Riggs Bank, de Washington, conhecido pela tradição de ser o banco oficial de todos os presidentes, sucumbiu ao ser descoberto numa indesculpável travessura: abrigava contas milionárias de Augusto Pinochet, o ditador chileno, abertas com passaportes e nomes falsos. Obviamente o dinheiro sujo do genocida andino chegou aos seus cofres com a conivência da diretoria. Deixaram, assim, os banqueiros do Riggs de frequentar o Salão Oval para o amargor de depoimentos em chefaturas policiais e audiências nos tribunais de justiça.

Na Argentina, dois bancos mantiveram relações carnais com os milicos golpistas pós-1976, o ano da derrubada da viúva de Perón e instauração do regime cruel que sequestrou, matou e desapareceu com cerca de 30 mil pessoas. O Banco de Intercâmbio Regional (BIR) e o Banco Oddone tinham tentáculos dentro dos quartéis e passe livre na Casa Rosada, ocupada alternadamente por generais ladrões e assassinos. Mas suas contabilidades – escondidas pela profusão de patrocínios culturais, badalações no society platino e eventos no exclusivo Jockey Club portenho – estavam podres. Nem os militares ousaram salvar os banqueiros falidos quando Jose Alfredo Martinez de Hóz, o czar da economia, decretou as quebras.

Enquanto milhares de correntistas iam do escândalo nas portas (cerradas) das agências ao “simples” suicídio, os banqueiros fugiram para o exterior ou acabaram nos calabouços do regime. A influência política de nada valeu diante da revolta popular e da comoção causada pela debacle sistêmica provocada pela quebra do BIR e do Oddone. E eram todos bancos presumivelmente “sadios” e com forte proteção política.

José Rafael Trozzo, o presidente do BIR, era a voz de apoio ao regime entre o empresariado mais saliente, e Luis Alberto Oddone, dono do banco que levava seu sobrenome, chegou mesmo a custear do próprio bolso a fortuna de US$ 700 mil (valores de 1976) pagos à agências internacionais de relações públicas e lobby para que propagandeassem os feitos do novo regime argentino. Trozzo, avisado por um general camarada, fugiu para Miami. Oddone resolver peitar Martinez de Hóz e passou longa temporada numa masmorra nos arredores de Buenos Aires.

Mais curioso foi o final do banqueiro Ruben Beraja, do Banco Mayo, presidente da DAIA (Delegación de Asociaciones Israelitas Argentinas) e destacado membro da corte de Menem, nos anos infames do neoliberalismo platino. Diante de uma fraude monstruosa, um rombo que atravessava a casa das centenas de milhões de dólares, o BCRA (o Banco Central de lá) simplesmente decretou a liquidação do Mayo. Beraja se encontrava em Washington, como feliz e prestigiado integrante da comitiva do presidente Carlos Menem. No hall do hotel, a caminho da Casa Branca, Carlos Korach, mafioso chefe-de-gabinete da Casa Rosada, o desconvida na frente dos presentes e lhe dá com crueza a notícia do estouro de seu banco: “Te jodeste, hermano”. Nem sempre a proximidade com o poder e a intimidade com os poderosos consegue segurar um banco quebrado. Dinheiro é coisa séria.

Ricardo Espirito Santo Salgado comandou por muitos com mão-de-ferro o banco que leva o sobrenome da família materna. Ganhou o popular apelido de “o-dono-disto-tudo” e recebia presidentes, primeiros-ministros e autoridades monetárias em sua deslumbrante casa nos arredores de Lisboa, talvez uma das mais lindas da Europa. Elegante e arrogante, impôs-se na política portuguesa, na de Moçambique, na de Angola e, também, recebeu Marcos Valério e uns sôfregos emissários do delator Roberto Jefferson, então influente dono do PTB, para negociações mirabolantes acerca de aplicações das reservas do tesouro brasileiro. Que, é claro, jamais foram feitas.

O sólido banco de Ricardo E. S. Salgado não era tão sólido quanto parecia, e seu espírito como banqueiro estava longe de ser santo. Hoje, depois de apeado da presidência do antigo colosso lusitano, espera em prisão domiciliar a decisão da Justiça sobre propinas pagas, propinas recebidas, desvios de fundos e balancetes dignos de Ionesco. Não sem antes ter deixado nas burras do tesouro a bagatela de três milhões de euros – valor arbitrado como fiança pelo direito de não ir (por enquanto) mofar num cárcere lisboeta qualquer. Sabe o que aconteceu ao ex-dono-disto-tudo? Encontrou pela frente um primeiro-ministro corajoso, um ministro da Fazenda sério e um juiz imparcial. O futuro do ex-banqueiro que comandou governos e tratava dignatários por “tu” não é nada alvissareiro.

Voltemos ao patropi.

Ângelo Calmon de Sá despachava em histórico edifício na Cidade Baixa, em Salvador, sede do então centenário Banco Econômico. Não fitava as pessoas, mal as cumprimentava e um dos seis elevadores estava permanentemente interditado. Só o “doutor Ângelo” podia usá-lo. Estava em Paris, numa suíte do George V, tomando champanhe Cristal Rosé Brut Imperial com dona Ana Maria, mas o “seu” elevador, lá no centro histórico lindo e fétido de nossa primeira capital, estava fechado aos mortais. Ele era uma semidivindade baiana. Não estava entronizado no altar da Igreja do Bonfim nem flutuava entre os imensos Orixás do genial escultor Tati Moreno nas águas escuras do Dique do Tororó.

Os governadores da Bahia passavam pela opulenta casa, majestosamente plantada entre mangueiras frondosas, lá no alto de um dos vales rasgados no ventre soteropolitano, prestando-lhe vassalagem e os salamaleques de praxe. Muitas e muitas vezes o “doutor Ângelo” viajava ao Rio, São Paulo ou Brasília, sozinho, aboletado em um de seus dois jatos Falcon, enquanto seus assessores diretos, velhos diretores e gerentes fiéis o seguiam como mortais que eram em voos comerciais. Ministro da ditadura militar e de Collor, presidente do Banco do Brasil, nome sempre lembrado para concorrer ao governo da Bahia, industrial com várias fábricas da Coca-Cola, imenso plantador de cacau, criador de gado da melhor raça, latifundiário de terras que se perdiam no horizonte. Financiou pesadamente todos os partidos, com preferência pela Arena, PDS e PFL, sem se esquecer de encher os cofres de FHC em 94. Pois meses depois – e com dezenas de deputados e senadores comandados pelo inefável ACM atravessando a rua e invadindo o Palácio do Planalto para pressionar em favor do “doutor Ângelo” e do seu agonizante bancão – o mesmo FHC foi obrigado a decretar o fim do Econômico. Estava podre.

Do “doutor Ângelo” sobrou uma dívida imensa, recordações cinzentas e uma pasta rosa, providencialmente deixada em sua mesa na presidência do Econômico, com a contabilidade paralela onde constavam generosos aportes aos políticos de suas relações, de ACM a FHC, passeando por todo o abecedário.

José Eduardo Andrade Vieira era o quarto dos filhos do velho Avelino, o mais destacado banqueiro paranaense. Dois irmãos morreram no mesmo acidente aéreo. O terceiro, de enfarte fulminante. Sobrou ele, a quem não estava destinada a tarefa de comandar o império iniciado pelo pai. Como o J. Pinto Fernandes, do poema do mestre Drummond, “Zé do Banco” não tinha entrado na história, mas com o Bamerindus ficou.

Com muito trabalho e muita simpatia o patriarca havia feito de um tamborete (o Banco Mercantil e Agrícola do Norte do Paraná) nascido em Tomazina, uma pobre cidadezinha, o portentoso Bamerindus, um dos maiores bancos do Brasil nas décadas de 50, 60, 70, 80 até sua quebra na metade dos anos 90. Zé Eduardo até que se saiu bem. Liberal, generoso, recrutou executivos respeitados no mercado, jamais teve seu nome envolvido em negociatas ou corrupção, investiu no marketing e fez de seu Bamerindus uma marca moderna, simpática. Surpreendeu os que dele pouco esperavam. Mas se meteu na maldita da política, comprou um partido, o  PTB, comprou um mandato de senador pelo Paraná, virou ministro de Itamar Franco, financiou pesadamente FHC (que fez sua campanha nos jatinhos do banco), virou ministro do governo do tucano e quebrou bonito.

De uma casa bancária, o extinto Banco Nacional, Paulo Henrique Cardoso sacou a herdeira, Ana Lúcia Magalhães Pinto, com quem manteve casamento de 17 anos, do qual nasceram filhas gêmeas. Viajavam Brasil e mundo afora num jatinho da Líder mantido à disposição, mantendo imensa distância de qualquer coisa que lembrasse trabalho. Os cunhados pagavam as contas e ajudaram o pai do cunhado diletante a eleger-se presidente, sendo um de seus maiores doadores. Até que em 1994, com milhares de empréstimos a clientes fictícios gerados pelo contador Clarimundo Sant’Anna na tentativa de salvar a casa já em escombros, o Banco Nacional já dava mostras de sua precariedade.

No réveillon de 1994, véspera de assumir o Palácio do Planalto, o recém-eleito presidente aparece ao lado de Marcos Magalhães Pinto, presidente do Nacional e irmão de sua nora Ana Lúcia, risonhos numa opípara festança de réveillon da família. Eles, os discretos banqueiros de Minas Gerais, já viviam o outono de uma antiga opulência. Em 1995, ainda no primeiro mandato de FHC, o Banco Central decreta a liquidação do Nacional (o Unibanco, hoje Itaú, pegou o filé da massa falida, deixando a “banda podre” para o contribuinte). Nem o futuro das netas, nem o farto dinheiro recebido pelo PSDB na campanha, conseguiram impedir a ação saneadora do Banco Central. Contrafeito, a FHC só restou assinar a sentença de morte.

Dois meses depois, PHC deixa Ana Lúcia e suas gêmeas e se instala num hotel da grã-finíssima Avenida Vieira Souto, de frente para o mar de Ipanema. O rombo bilionário, que extinguiu o Banco Nacional – do qual a mulher de PHC era herdeira e acionista igualzinho a “educadora” Neca Setúbal – é tido como a maior fraude financeira da história do Brasil, pois, ao que se sabe, atingiu quase um terço do dinheiro circulante. Sejamos mais didáticos: o rombo deixado pelos então parentes de FHC equivalia a mais de R$ 3,00 de cada R$ 10,00 em circulação no país!

Vamos passear de novo pelo mundo.

Nélson Mezerhane é um judeu venezuelano, elegante e simpático. Homem de coragem, financiou a oposição e resolveu enfrentar o regime do coronel Hugo Chávez. Seu Banco Federal não era o maior da Venezuela, mas estava entre os melhores, com centenas de milhares de clientes e uma rede de agências espalhadas por todo o país, investimentos em outras empresas e boa fama no mercado. A colônia judaica local não entendeu o que achou ser “loucura” do seu mais destacado integrante e benfeitor. O problema é que a carta-patente, aquela autorização de funcionamento de uma instituição financeira, é dada pelo Banco Central, a autoridade monetária do país. Preciso contar o resto da história? Mezerhane teve sorte. Sorte e um jatinho. Está em Miami, sem banco, porém livre de uma série de “boletos de captura”, as temidas ordens de prisão.

Outros banqueiros já se envolveram na política e são testemunhos do que, sempre e inevitavelmente, acontece aos que confundem o ronco da história com o tilintar das moedas. Quando financiam candidatos, pagam contas de campanha, participam diretamente do movimento eleitoral, é sinal de que estão com algum grave problema, algo muito sério a ser escondido. Quando se imiscuem na vida pública e no processo eleitoral o fazem em busca de proteção política e salvação imediata. Ou são autores de rombos colossais ainda não revelados ao “mercado” ou pressentem o estouro próximo da boiada, por conta de multas, sonegações, contabilidades paralelas, perdas maquiadas em balanços fictícios, negócios mal feitos, fusões ou incorporações que não geraram o ganho de competitividade e de caixa esperados.

O espanhol Mário Conde, do Banesto (Banco Español de Crédito), era locomotiva da alta sociedade madrilena e banqueiro da família real. Na lista dos 10 homens mais elegantes da Espanha, dos 10 homens mais admirados da Espanha, dos 10 homens mais respeitados da Espanha, dos 10 homens mais influentes da Espanha, dos 10 maiores filantropos da Espanha, dos 10 maiores mecenas da Espanha, dos 10 maiores financiadores de partidos e políticos da Espanha. E o seu banco, um dos 10 maiores da Espanha, não tinha caixa 2, mas tantas contabilidades paralelas a esconderem sua situação pré-falimentar, que passavam das 10. Quebrado em 1993, preso e condenado, pegou 10 anos de cadeia.

Mas, também, há banqueiro que fica bem na história.

O embaixador Walther Moreira Salles foi um dos grandes brasileiros do seu tempo. Iniciador de grandes negócios, visionário, serviu aos governos de Getúlio, JK e Jango. Foi ministro da Fazenda, duas vezes embaixador em Washington, negociador de nossa dívida externa (na melhor das negociações que já fizemos). Angariou imenso prestígio e multiplicou a fortuna iniciada pelo pai no sul de Minas Gerais, na cidade de Poços de Caldas, com um armazém de secos e molhados. Mas nunca foi político, tendo até rechaçado um convite de JK para ser o candidato do PSD ao governo de seu Estado. Apesar disso, atuou com desenvoltura nos bastidores do poder, sem jamais tornar-se um operador político ou o impulsionador de candidaturas ou candidatos.

O ditador Costa e Silva lhe devotava verdadeiro horror. O motivo era prosaico: levou um chá-de-cadeira de Jânio Quadros (a quem mandou cassar em 64 para depois assumir a autoria da violência às gargalhadas) e, incomodado, viu que era Moreira Salles quem saia da sala do então presidente eleito. Em 68, com o AI-5, resolveu cassar o elegantíssimo e educadíssimo banqueiro. Delfim Netto, consultado acerca da estultice já transformada em ato prestes a ser assinado, fez o chefe mudar de idéia: “Tudo bem, presidente. Mas o Walther tem mais crédito que o Brasil”.

Olavo Setúbal, um engenheiro cartesiano e formal, conhecido pela aplicação nos negócios e pela inegável inteligência, construiu um império baseado no trabalho e em golpes da boa sorte. Herdou do tio um banco sem maior expressão, o Federal de Crédito, e o fez crescer à custa de fusões e incorporações, dezenas delas, particularmente ao longo das décadas de 50, 60 e 70. Com o regime militar seus negócios floresceram. Contou com o apoio da ditadura para assumir outro grande banco, o Banco União Comercial (BUC), de propriedade da família do milionário Soares Sampaio, à beira da quebra por conta de uma desastrada gestão de Roberto Campos, seu presidente e verdadeiro mito do liberalismo econômico brasileiro. O genro de Soares Sampaio, o industrial Paulo Geyer, não aceitou as condições de-pai-para-filho com que o Banco Central doava o BUC a Setúbal, e resolver não assinar a transferência de suas ações. “Perguntem ao Geyer se ele vai assinar logo ou se eu vou precisar mandar dois sargentos irem buscá-lo em casa?”, foi a reação do general Ernesto Geisel.

Além do BUC, a ditadura presenteou Setúbal com a prefeitura de São Paulo, onde ele se saiu bem. Deu conta do recado e protagonizou um episódio decente: recusou-se a demitir o secretário de Cultura, o respeitado dramaturgo Sábato Magaldi, apontado como “comunista” pelo execrável general Silvio Frota, um monstrengo da linha mais que dura.

Picado pela mosca azul, “Olavão” foi preterido pelos milicos na sucessão de Paulo Egydio ao governo de São Paulo e se preparou para disputar o Palácio dos Bandeirantes pelo PFL em 1986. Na convenção do partido, um grupo de malandros tirou o tapete do dono do Itaú e impediu sua candidatura, substituída pela de Paulo Maluf. Desiludido, Olavo nunca mais confundiu as urnas eleitorais com os caixas do Itaú.

Recordo essas histórias, ao alcance de qualquer um, para declarar meu espanto com a participação ativa e exótica de bancos e banqueiros – a começar pelo Itaú de Roberto Setúbal e Pedro Moreira Salles – no financiamento e sustentação da candidatura de Marina Silva à presidência da República. Custo a crer que essa aventura surpreendente, atentatória aos bons manejos bancários, às boas práticas empresariais, seja um biombo desesperado para evitar o pagamento de multa no valor impressionante de R$ 18 bilhões e 700 milhões devidos à Receita Federal em impostos não recolhidos na fusão Itaú-Unibanco. Mas, também, não creio que tais banqueiros sejam ingênuos, inocentes ou desavisados. Creio que a arrogância e o desespero, quem sabe, formaram um caldo de cultura que os fará se arrepender mais cedo que tarde da aventura em que se meteram, fazendo de uma despreparada evidente uma candidata com um Itaú de vantagens para eles, os banqueiros, e de desvantagens, para o país.

A ingerência de um colosso bancário na vida pública do país protagonizou até uma festa-fraude. A dos 90 anos de fundação do Itaú-Unibanco. Ora, quem completaria 90 anos não existe mais, o banco dos Moreira Salles. O Itaú foi fundado em 1945, com outro nome, e veio crescendo como já se relatou aqui. Mas esse pretexto serviu para colocar centenas de alegres convivas do society paulistano, gente do mercado financeiro e alguns empresários ligados à oposição num regabofe onde o presidente executivo do Itaú fez um pavoroso discurso político-eleitoral, atacando o governo e deixando claro o seu apoio à mutante candidata acreana, claramente desqualificada para a missão de comandar um país como o Brasil. Da dívida bilionária, não se falou nada. Sem trocadilho, necas.

Não é preciso ser futurólogo. O suave embaixador Walther e o objetivo Olavo não ousaram tanto e, no entanto, não saíram incólumes.

Brasil 24/7

27/01/2014

Crise argentina tem nome, sobrenome e endereço fixo… nos EUA!

Imagen: Rafael Yohai

SUBNOTAS

DIALOGOS › EL SOCIOLOGO ARIEL WILKIS DERRIBA MITOS SOBRE EL USO DE LA PLATA EN LOS SECTORES POPULARES

“Está mal visto que el pobre tenga dinero”

El investigador desmenuza la dimensión mercantil en la vida cotidiana de los barrios. Advierte que el dinero genera conflictos y tensiones, pero también solidaridad y vínculos morales. Rechaza el prejuicio por el cual allí no existe la cultura del ahorro. Y repasa los cambios de los últimos años. “Una década atrás, las agencias de marketing no tenían en cuenta a los sectores populares, y eso cambió”, señala al analizar la ampliación del crédito a esos sectores. El papel de la AUH. El lugar de la mujer en la administración del dinero.

Por Leonardo Castillo

Durante siglos, muchas expresiones del arte, la literatura e incluso las ciencias sociales en la cultura occidental le asignaron al hecho monetario una connotación negativa. El papel moneda aparece como un gran corruptor, sobre todo entre los pobres y desamparados. Por eso, el sociólogo Ariel Wilkis se propuso deconstruir esta mirada en Las sospechas del dinero, un trabajo de investigación sobre las relaciones sociales y culturales que se generan cotidianamente en la economía popular. “El uso del dinero promueve dinámicas de integración, conflicto y moral que no pueden ser desdeñadas. Todo proyecto político define su naturaleza en relación a cómo organiza la relación de las personas con el dinero”, señala Wilkis en una charla con Página/12.

–¿Por qué las ciencias sociales y la literatura desarrollaron una mirada tan prejuiciosa en relación con el manejo del dinero?

–Creo que la mirada más generalizada que existe sobre el dinero, y que se encuentra fuertemente arraigada en la cultura occidental, es la que lo percibe como un poder, un medio de medios. Un objeto de difícil control y que es capaz de corromper con facilidad a las personas. El dinero siempre puede convertirse en otra cosa. Esa es la idea instalada que hay sobre su naturaleza. Los análisis sobre las cuestiones monetarias son siempre sospechosos. La pregunta que siempre flota es qué se hará con el dinero. Por eso, lo que intenté en este libro es ir más allá de este obstáculo ideológico. Para muchos autores, la crítica del capitalismo debe partir de una concepción negativa del papel moneda. Sin embargo, el dinero genera vínculos y relaciones sociales que van más allá de la mera sospecha. Me interesa desarrollar una mirada crítica y progresista sobre la cuestión que no se detenga en la simple estigmatización de lo monetario. Cuando se repasa esta problemática en la historia de la cultura siempre aparecen la corrupción y la negatividad como aspectos centrales. La excepción es quizá Jorge Luis Borges, que en el cuento “El Zahir” compone una narración que se corre de la concepción negativa para asociar el dinero a la divinidad, a la fe. Y también podría decirse que Alan Pauls, en su libro Historia del dinero, se corre bastante de la tendencia sospechosa al proponer una visión sobre el uso del dinero en los últimos 30 años de la historia argentina. Creo que hay un paralelismo entre el libro de él y el mío. Pauls parte desde la literatura, mientras que mi libro se centra en lo social y más específicamente en las vinculaciones que se tejen en el mundo popular.

–¿Cómo es que decidió abordar esta problemática?

–Lo que hice fue seguir una tendencia establecida desde hace años en la sociología. Me aboqué a interpretar las transformaciones que tuvieron lugar en el mundo popular desde mediados de los años ’70 hasta nuestros días. Ahí está el antecedente teórico de este libro. Pero en mi caso particular, podría decirse que busqué al peronismo, e indagando sobre la adhesión de los sectores populares a este movimiento político me encontré con el dinero. La idea era desarrollar una investigación sobre distintos aspectos de la vida popular, en la religión, el fútbol, la política y el comercio. Y en todos esos espacios estaba presente el dinero, que en definitiva fue el elemento que me permitió componer un relato unificador sobre los distintos fragmentos del universo popular.

–¿Puede decirse entonces que el dinero está primero que el peronismo en el abordaje del mundo popular?

–Digamos que podemos entender al mundo popular poniendo relevancia en otros objetos y en otras conexiones. Se puede descentrar la mirada sobre el peronismo. Ese es un poco el desafío, hacer una sociología del mundo popular desde un enfoque que pase por comprender cómo el dinero se convierte en un objeto que promueve dinámicas de integración y conflicto.

–¿La relación de los sectores populares con el dinero cambió en los últimos diez años?

–Se dio una nueva estructura monetaria en el mundo popular. La monetización de la política social con la Asignación Universal por Hijo (AUH) como paradigma hizo que se generara una nueva centralidad del dinero. Además, los agentes financieros redefinieron a los sectores de bajos ingresos como actores relevantes en el mercado de créditos. Una década atrás, las agencias de marketing no tenían en cuenta a los sectores populares en sus estratificaciones, y eso cambió. Pero además se dio un proceso de nuevas formas de financiamiento al interior de la economía barrial. A la tradición del fiado y el préstamo familiar, se sumaron elementos heterogéneos de créditos propuestos por las grandes cadenas comerciales, detrás de las cuales se encuentran los bancos. Son instancias que vendrían a operar como el lado B del sistema financiero. Hablamos de Crédito Ya, Dinero Fácil y otras firmas que ofrecen pequeños préstamos. Eso genera una nueva clientela para los bancos y es lo novedoso.

–¿Se expande entonces el uso de las tarjetas de crédito en los barrios más postergados del conurbano?

–Sí. Es un fenómeno en crecimiento. El empleo del dinero electrónico crece día a día y es un reflejo de la bancarización. Las tarjetas de consumo están muy difundidas. Hay familias que poseen más de “una chapita”, como se las denomina habitualmente. El acceso a una tarjeta redefine las relaciones al interior de los hogares. Quien maneja una está en posición de administrar el endeudamiento y también el ahorro. Las tarjetas crearon una nueva estructura en el manejo de lo monetario en el mundo de la economía popular, porque a través de ellas se accede al mundo financiero. Lo paradójico es que, para el sistema bancario, los sectores populares son considerados como una categoría de riesgo, cuando en realidad son más cumplidores que los sectores medios y altos, por la sencilla razón de que disponen de una oferta limitada a los factores de crédito. Eso hace que sean más disciplinados que los otros estratos sociales, ya que si cumplen pueden acceder a otros préstamos.

–Existe un prejuicio bastante arraigado por el que se sostiene que los pobres se dedican a gastar la plata que ganan y no poseen cultura del ahorro. Ernesto Sanz llegó a decir que el dinero de la AUH se va “por la canaleta de la droga y el juego”. ¿Es realmente así?

–Es una falacia. La categoría del ahorro está muy presente en las estrategias de la economía popular. Es mentira que los pobres se dediquen sólo a gastar la plata que tienen. De lo contrario, el sistema bancario no propiciaría estas alternativas financieras a las que me refiero. Es parte de los prejuicios que se generan desde la visión sospechosa. En el fondo, está mal visto que el pobre tenga dinero y que haga con él lo que mejor le parezca. En mano de los pobres, la plata es un elemento corruptor. Se trata en definitiva de estigmatizaciones que tienden a reproducir prácticas culturales de dominación.

–¿Puede decirse que el dinero genera cohesión social entre los sectores populares?

–Sí, y también produce conflictos y tensiones. El dinero impulsa conductas de solidaridad y genera vínculos morales, y también todo lo contrario. Cuando se aborda la descripción de las relaciones que genera, hay que despojarse de preconceptos y evitar las miradas unidireccionales. En el universo popular, no todos son emprendedores neoliberales ni tampoco militantes de la autogestión.

–¿Por qué en el libro le otorga particular importancia a la noción de dinero militado?

–Retomando a Max Weber, podríamos decir que el dinero en la política es algo que molesta, que provoca incomodidades. Sin embargo, los procesos de democratización generan indefectiblemente procesos de monetización. Entre democracia y dinero existe una relación muy estrecha, básicamente porque para que este sistema político funcione deben actuar organizaciones políticas dedicadas a poner en marcha el consenso democrático, es decir lo que conocemos como partidos. Y los partidos necesitan tener una estructura económica para sostener su funcionamiento. Toda la discusión y el debate instalado sobre el clientelismo tiende a pasar de largo esta verdad sociológica: para que haya democracia tiene que haber dinero. Y eso se traslada indefectiblemente a los sectores populares. Para movilizar a la gente en los barrios hay que emplear recursos monetarios. Ahí es donde desarrollo en el libro el concepto de dinero militado, que es el que se emplea para movilizar a los actores que hacen la política entre los sectores populares.

–¿Y este dinero militado está vinculado también con una concepción moral?

–Sí, porque sirve para probar voluntades, movilizar lealtades y medir el desinterés de los involucrados. El dinero tiene una productividad política específica y traté de sacarla a la luz. Si no asumimos que la participación política democrática se produce como resultado de una discusión sobre el lugar de lo monetario, vamos a padecer esa situación en la cual quienes toman la palabra son los emprendedores morales de siempre, esos que levantan el dedo para señalar el clientelismo y la corrupción. Son quienes dicen que los recursos de la ayuda social se van por una cloaca.

–¿Entonces los sectores populares pueden generar contrapoder con el uso del dinero?

–Ninguna organización política puede prescindir de establecer una relación con lo monetario para fundar las conexiones sociales que necesita. En definitiva, todo proyecto ideológico dirime su naturaleza en cómo relaciona a las personas con el dinero. La discusión política pasa por ahí. Negar todo esto sería volver a los parámetros del siglo XIX.

–¿Cuál es el lugar que ocupa la mujer en la administración del dinero en las familias de los sectores populares?

–En todas las familias, el rol de la mujer es central a la hora de manejar la plata que entra y la que sale de una casa. A mí me interesaba marcar tres cosas. Cómo se reconstruyen las relaciones de género por medio del dinero. Cuando una madre les pide a sus hijos que aporten parte de lo que ganan a un pozo común, les está inculcando valores de masculinidad que ellos van a tener que seguir después, cuando dejen la casa para formar otro hogar. Acá, la madre, a través del dinero, proyecta valores intrafamiliares. Otra es el lugar que la mujer asume en función de las políticas sociales que le otorgan, de manera implícita, la responsabilidad financiera de la familia. El dinero que ingresa por la AUH es comúnmente administrado por la mujer. Y por último, la forma en la cual las mujeres transmiten un uso correcto del dinero, al punto de despejar las sospechas sobre una utilización indebida de los recursos.

–¿Qué rol juegan en la economía popular mercados como el de La Salada?

–La Salada es un lugar de producción de ganancias injustamente estigmatizado. Pienso que las etiquetas que se utilizan para denostar a estos mercados son las mismas que aparecen a la hora de descalificar la actividad de los partidos políticos en los barrios. Los términos “comercio ilegal” o “economía en negro” son equivalentes a “clientelismo” o “aparato”. Son palabras que salen desde un mismo prisma de análisis. La intención es quitarles legitimidad a las ganancias que se producen en el mundo popular, sin cuestionar las irregularidades que suceden en los circuitos de producción y consumo de los sectores más acomodados.

–¿Y qué pasa con la circulación del dólar?

–Hay dos situaciones muy visibles. Una es la del ahorro. Mucha gente atesora en esta moneda en los sectores populares, eso es innegable. Y otra está vinculada con los inmigrantes, que utilizan esta moneda para enviar remesas a sus familiares. Por eso, el dólar se vuelve una cuestión central también en la economía popular.

–¿Por qué cree no hubo hasta ahora un desarrollo sociológico en relación con el manejo del dinero?

–Creo que el mundo mercantil, donde se inserta el dinero, tuvo poca legitimidad política e intelectual, a diferencia de los otros lugares en los que se constituye el mundo popular, tales como la fábrica, la plaza, la ruta, el barrio o la cancha. La dimensión de lo mercantil aparece desconectada de esos espacios. Además, tenemos que tener en cuenta que las ciencias sociales que tuvieron una mirada crítica del neoliberalismo en los ’90 consideraron al dinero y al mercado como desintegradores de la vida social y laboral. Era muy difícil abordar, en ese entonces, la dimensión de lo mercantil y su influencia en los barrios. Se hicieron muchos trabajos de campo sobre la vida en el conurbano y los piquetes sobre las rutas, pero nada se producía sobre cómo la gente laburante manejaba el dinero en la cotidianidad. Era algo que faltaba y es lo que intenté describir.

Página/12 :: Dialogos :: “Está mal visto que el pobre tenga dinero”

Confirmado: Lula e Dilma x Banqueiros

Filed under: Bancos,Banqueiros,Dilma,Lula — Gilmar Crestani @ 9:39 am
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“Veinte ejecutivos de grandes bancos consultados por el bien informado diario Valor Económico coincidieron en sus reservas ante lo que consideran “excesivo intervencionismo” de Dilma y reconocieron, a condición de anonimato, que ninguno la votará. Traducción: los banqueros entienden que llegó la hora de cerrar el ciclo petista en el gobierno, un parecer al que se sumarían la, así llamada, comunidad financiera internacional que, a través de las agencias de riesgo, podría bajar el rating de la deuda brasileña en marzo.”

En términos de mercadeo electoral, la dupla Lula-Dilma aparece como imbatible.

SUBNOTAS

EL MUNDO › EL EX PRESIDENTE LULA RECORRERA BRASIL HACIENDO PROPAGANDA DE LA CANDIDATURA DE SU “COMPAñERA DILMA”

Una dupla fuerte que encara un año clave

Copa del Mundo primero y elecciones presidenciales después. La derecha buscará que el clima se enrarezca y Rousseff no gane en primera vuelta. Las policías provinciales no están acatando las políticas del gobierno.

Por Darío Pignotti

Desde Brasilia

Lula por entero. Faltando poco más de cuatro meses para el inicio de la Copa del Mundo y casi ocho hasta las elecciones presidenciales, los dos momentos excluyentes del año político brasileño, Luiz Inácio Lula da Silva se mostró en público con barba, por primera vez desde las sesiones de quimioterapia a las que fue sometido en octubre de 2011, cuando se le diagnosticó un cáncer en la laringe del que está curado. Animal político absoluto, escogió exhibir su novedad capilar en el Palacio de Alvorada, la residencia presidencial en Brasilia, junto a una Dilma Rousseff tan sonriente como él.

Se espera que el ex presidente y líder del Partido de los Trabajadores (PT) recorra el país haciendo propaganda de la candidatura de su “compañera Dilma”, mientras ella cumpla con sus compromisos de gobierno y está previsto un acto con la participación de ambos posiblemente el 1º de abril en conmemoración de los 50 años del golpe militar que derrocó al presidente João Goulart.

Lula es un caso de libro: se trata del único ex presidente brasileño vivo al cual el paso del tiempo no logró erosionar su liderazgo ni su popularidad, gracias a la cual en 2010 fue electa presidenta la hasta pocos meses antes desconocida Dilma, y en 2012 ocurrió lo mismo con el ignoto Fernando Haddad, que gracias al ex mandatario ganó la alcaldía de San Pablo.

En términos de mercadeo electoral, la dupla Lula-Dilma aparece como imbatible en los comicios del 5 de octubre, ya que prácticamente todos los sondeos dan al ex mandatario como favorito si fuera candidato (pese a que los diarios conservadores escamotean esas encuestas), y a Dilma como la segunda personalidad con mayor respaldo, gracias a una aprobación situada en la banda del 47 por ciento en diciembre del año pasado, cuando recuperó los 20 puntos perdidos durante las manifestaciones multitudinarias de junio.

A pesar de que Lula aventaja a su compañera en las encuestas, es seguro que ella será la candidata del PT y él actuará como el gran timonel de una campaña que se insinúa anómala. Esto porque la derecha partidaria, con el ex presidente Fernando Henrique Cardoso (Partido de la Socialdemocracia Brasileña) como su oráculo mayor, luce exhausta y fracturada luego de tres derrotas consecutivas a manos del PT en 2002, 2006 (triunfos de Lula) y 2010 (venció Dilma), y duda de su capacidad de sobrevivir a otro traspié en octubre, lo que la lleva a apostar al aventurerismo.

Veinte ejecutivos de grandes bancos consultados por el bien informado diario Valor Económico coincidieron en sus reservas ante lo que consideran “excesivo intervencionismo” de Dilma y reconocieron, a condición de anonimato, que ninguno la votará. Traducción: los banqueros entienden que llegó la hora de cerrar el ciclo petista en el gobierno, un parecer al que se sumarían la, así llamada, comunidad financiera internacional que, a través de las agencias de riesgo, podría bajar el rating de la deuda brasileña en marzo.

El bloque conservador (partidario, económico y mediático) reconoce que aunque Dilma seguramente será la más votada en la primera vuelta de octubre, si no resulta electa en esa instancia, podría ser derrotada en el ballottage a manos de una eventual alianza de todo el antipetismo formado por el socialdemócrata Aecio Neves, la ecologista Marina Silva (por quien suspira una parte del establishment financiero) y el socialista Eduardo Campos.

De ese análisis realista, las derechas deducen que es necesario lograr, a como sea, que se dispute una segunda vuelta, y para ello no descartan echar mano de tácticas sucias similares a las de sus congéneres sudamericanos, como fomentar la convulsión social regresiva.

Igual que en la Argentina (2013) y Ecuador (2010), por citar sólo dos ejemplos de insubordinaciones relativamente recientes, las policías de las 27 provincias brasileñas no acatan las políticas de seguridad recomendadas por el gobierno federal y reprimen por igual a estudiantes, agrupaciones de personas sin techo, manifestantes contra el derroche de la Copa o los neonatos rolezinhos, en los que adolescentes negros y pardos, inundan shoppings alborotadamente despertando reacciones racistas de los consumidores blancos.

Saben los formuladores de la estrategia electoral derechista que las mafias policiales son funcionales a su propósito de enrarecer el ambiente.

Recuerdan que la convulsión de junio de 2013, que llegó a eclipsar la Copa de las Confederaciones, comenzó con las marchas minúsculas por el boleto gratis en San Pablo, las cuales sólo se nacionalizarían cuando miles de personas tomaron las calles en repudio a la represión policial de aquel puñado de militantes. Posteriormente se diseminó una atmósfera de descontento viral en el que se entremezclaban quienes marchaban por mayor presupuesto para la educación y la salud, en lugar de construir estadios con un confort disparatado para permitir los negocios de la FIFA, con los partidarios de la pena de muerte, defensores de la reducción de la edad penal, opositores al matrimonio homosexual y otros desvariados.

El antipetismo sueña con reproducir esa combustión social amorfa el 13 de julio durante la final de la Copa del Mundo en el Maracaná.

Es de esas usinas de pensamiento, respaldadas orgánicamente por la empresa de (des)información y entretenimiento Globo, que se demanda la participación de las fuerzas armadas en la represión de protestas civiles, violando lo establecido por la Constitución, siguiendo la tesis según la cual “el orden es un requisito previo a la democracia”, citada a menudo por el politólogo Bolivar Lamounier e insinuada por Fernando Henrique Cardoso.

Curiosamente, un documento elaborado en el Ministerio de Defensa, bajo presunta presión militar, prevé que éstos actúen contra “movimientos organizados” (léase movimientos sociales) si ello fuera necesario para restablecer el orden.

El caso es que la seguridad durante la Copa fue un tema recurrente en las reuniones de Dilma y sus ministros en lo que va del año, y es seguro que los funcionarios del Planalto analizaron con lupa las manifestaciones violentas, pero poco numerosas, del sábado en San Pablo, a las que se sumaron otras poco concurridas y pacíficas en decenas de ciudades donde se coreban consignas como “¡fuera FIFA!”, “Dilma, mira y escucha, en la Copa habrá lucha” (ver aparte).

El gobierno está advertido de que si bien los mundiales recientes (2002, 2006 y 2010) no contaminaron el humor electoral de los brasileños, éste, por jugarse en casa, es diferente: el oficialismo puede perder votos si hubiera convulsión callejera, represión y el Scratch no conquista su sexto título: en esto vale la máxima de Felipao Scolari, “el único resultado posible es ser campeones”.

La entrada al campo de Lula, tan conocedor del fútbol como de la política, garantizará al gobierno y a la candidatura de Dilma el diálogo con los movimientos sociales, como ya ocurrió el año pasado en los momentos de mayor tensión, lo cual permitió restablecer una cierta racionalidad política a las protestas y evitar que sean masa de maniobra de oportunistas.

Con la barba algo rala y la voz menos potente que otrora, Lula está de vuelta para trabajar a tiempo completo por el segundo mandato de su compañera Rousseff, y el cuarto consecutivo del PT. Contando con un jugador como él, cualquier equipo se sentiría ganador.

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14/09/2013

Em dúvida, contra o réu, mas só se for do PT

Tanto é verdade que quando se trata de réus da oposição, como o médico estuprador Roger Abdelmassih, ou os banqueiros Daniel Dantas e Salvatore Cacciola, ou mesmo um empresário do tipo Carlinho Cachoeira, ou assassinos confessos como Pimenta Neves, e o adulto acusado de estuprar um menor de 12 anos, os ministros indicados por Collor de Mello e FHC soltam e comemoram.

Em dúvida, contra o réu: esta a inovação do STF

Postado em 13 set 2013

por : Paulo Nogueira

Mello e o casuísmo

Mello e o casuísmo

Desta vez não houve surpresa. Depois de um breve instante de lucidez ocorrido ontem na louca cavalgada do STF no julgamento do mensalão, a justiça voltou agora a ser castigada.

Uma série de manobras – entre as quais um interminável pronunciamento de mais de uma hora do ministro Gilmar Mendes – levou a questão dos embargos infringentes a ser decidida apenas na semana que vem, ‘dado o adiantado do tempo’.

O placar está 5 a 5, e o voto que definirá a questão será dado na quarta que vem pelo decano Celso de Mello, sob extraordinária pressão para que vote contra.

O tempo a mais fatalmente ajudará os defensores da punição em suas manobras de bastidores. Assim como a súbita interrupção da sessão de quarta-feira às 18 horas – quando havia tempo de folga para pelo menos mais um voto – foi vital para mudar os ventos que sopravam em prol dos embargos.

Tanto Mendes quanto seu companheiro Marco Aurélio de Mello – outro que hoje parecia apaixonado pela própria voz – citaram exaustivamente em seus votos o decano numa presumível tentativa de influenciá-lo.

Se obtiverem sucesso, o que parece não só possível como provável, até pelos olhares aquiescedores que o decano endereçou a Marco Aurélio, a justiça será derrotada.

No esforço de punir os acusados, e mais que tudo prender José Dirceu, está se promovendo o clássico ‘casuísmo’. Está em risco o direito constitucional à dupla avaliação – representada, no caso, pelos chamados embargos infringentes.

A incompetência da justiça brasileira tem sido demonstrada no processo todo. Os que arquitetaram levar os acusados diretamente para o STF – um absurdo em si – se esqueceram de que os embargos infringentes poderiam ser invocados, e isso na prática redundaria num outro julgamento.

A esperteza foi tanta que mordeu o esperto, para usar um provérbio que era caro a Tancredo Neves.

Postos inesperadamente diante dos embargos infringentes, Joaquim Barbosa e colegas têm se esforçado agora para evitar que se dê uma nova oportunidade aos acusados, o que a Constituição garante.

Este o casuísmo.

Vai sendo varrida, também, uma peça clássica do direito: em dúvida, pró réu.

Estas mesmas sessões do Supremo que discutem a validade dos recursos mostram a enorme dúvida em relação ao acerto das decisões: são 5 votos a 5.

Até nisso a decisão correta – justa – seria optar pelos réus.  Isso não significaria  absolvê-los, mas apenas reexaminar um julgamento em que as penas chegam a 40 anos de prisão.

A palavra está com Celso de Mello, e podemos imaginar os esforços que serão feitos ao longo de mais uma semana para convencê-lo, aspas, a seguir JB e turma.

Entre seus duvidosos feitos, o STF de JB criou uma jurisprudência, e nisso está sendo coerente desde o primeiro instante: em dúvida, contra o réu.

Sobre o Autor

O jornalista Paulo Nogueira, baseado em Londres, é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

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