Ficha Corrida

29/05/2016

Golpe normaliza cultura do estupro, racismo & homofobia

Os acontecimentos recentes

racismo do ali kamel Alexandre Frota alexandre-fruta
Nêggo Tom

Cantor e compositor. É pobre, detesta doença e mais ainda camarão

Ela pediu para ser estuprada?

27 de Maio de 2016

Buscar justificativas e relativizar o fato são dois recursos que costumamos utilizar quando não somos as vítimas de uma determinada ação. É comum, infelizmente, nos depararmos com comentários e opiniões temperados com muita frieza e pouco bom senso, diante de situações as quais não resta a menor dúvida de quem é o culpado e qualquer tentativa de justificar a sua culpa, deixa de ser opinião e se torna cumplicidade. A cultura popular legitima, infelizmente, ditados, citações, afirmações e conceitos que nem sempre, ou quase nunca, devem ser levados em consideração.

Se um negro foi vítima de racismo a culpa é dele, que não tem sensibilidade o suficiente para entender que o racismo faz parte da nossa cultura europeia de autoafirmação e que sempre foi permitido classifica-lo como inferior. Em alguns casos tudo não passa de uma simples piada de preto, contada inocentemente e que o ignorante não soube levar na brincadeira e interpretou como racismo. Palhaçada! Sempre foi assim. Vai querer mudar isso agora, em pleno século 21? Aceita que dói menos! Se um homossexual é vítima de um ataque homofóbico, de quem é a culpa se não for dele mesmo? Afinal, quem manda ser diferente? Ninguém é obrigado a aturar gays andando felizes pela rua, como se fossem pessoas normais. Essa gente pede para apanhar e depois reclama.

Se uma mulher é vítima de estupro, a culpa é dela. Por que ela foi passar por ali sozinha, sabendo que é perigoso? Aposto que ela deu algum sinal de que estava gostando do assédio. Também, com uma saia desse tamanho, estava pedindo para ser estuprada. Se estivesse em casa, lavando louça, não teria sido violentada. Ou se estivesse usando um cinto de castidade, isso não teria acontecido. A menina foi estuprada por 30 homens? Onde ela estava? Em um baile funk? Quantos anos ela tem? 16 e já tem um filho de 3 anos de idade? Boa bisca não deve ser. E ainda usa drogas? Ih! Tem caroço debaixo desse angu. Ninguém estupra ninguém assim do nada. Ela sabia do risco que corria. Pediu para ser estuprada.

Até quando as mulheres continuarão pedindo para não serem estupradas? Até quando os negros continuarão pedindo para serem respeitados e tratados com igualdade? Até quando os gays continuarão tentando viver como se fossem normais? Até quando os pobres continuarão sonhando que um dia terão direitos iguais em nossa sociedade? Será que essa gente não se cansa de nadar contra a maré? Será que eles não entendem que isso faz parte da cultura da nossa sociedade? Que gente mais sem noção! Não quer ser estuprada? Não saia de casa. Não quer ser vítima de racismo? Não frequente lugares que não foram feitos para pessoas da sua cor. Não quer sofrer ataque homofóbico? Se comporte como gente normal. É tudo muito simples. Ou não é?

Já passou da hora de compreendermos que os culpados são vítimas e que as vítimas são, quase sempre, são os verdadeiros culpados. Como diz o ditado: “Quem procura acha.” Ninguém é estuprado em casa, na igreja, na escola, na faculdade, no trabalho. Às vezes o sujeito nem estava pensando em estuprar ninguém, mas aí aparece uma mulher com um shortinho provocante, num corpo sensual e o cara perde a linha. Sabe como é, né? Homem é movido pelo instinto. Ele olha para um lado, olha para o outro e não vê ninguém e já era! Temos mais uma vítima da tentação e da falta de postura dessas mulheres que andam se oferecendo por aí, pedindo para serem estupradas. Depois não querem ser chamadas de vadias.

Ninguém sofre racismo em vão. Se o negro não tivesse se metido a besta de entrar naquela loja ou em algum outro ambiente, os quais ele já sabe que normalmente é frequentado só por gente branca, ele não teria sido ofendido. A culpa é dele. Depois não quer ser chamado de macaco. Muitas vezes, o cidadão de bem está lá, na dele, tomando a sua água de coco, às três da tarde, no calçadão de Ipanema, e de repente passa um preto. É claro que ele tem todo o direito de achar que se trata de um suspeito. Imagina se é normal um preto passear no calçadão de Ipanema em pleno horário de expediente? Ainda mais num sábado. Claro que ele vai torcer o nariz e a madame vai esconder a bolsa. Ali é uma área pública, mas o território é nobre. Será que é preciso desenhar para essa gente entender isso?

Todos os dias, mais de 15 mulheres são estupradas no Rio de Janeiro. Vocês acham isso normal? Se elas não tivessem ficado expostas ao perigo, esses estupros aconteceriam? Não sabe que a nossa sociedade é machista e o estupro faz parte da nossa cultura? Fica em casa. É mais seguro. Nenhuma menina de 16 anos é assediada ou estuprada em casa. Quem seria capaz de fazer isso com ela em seu próprio lar? O pai? O tio? O avô? O padrasto? O vizinho amigo da família? Impossível! Jamais isso aconteceria em casa. Nenhum adolescente seria violentado se estivesse numa igreja. Quem faria isso com ele na casa de Deus? O Pastor? O padre? O Bispo? O Reverendo? O obreiro? O missionário? Impossível! Jamais isso aconteceria lá.

Estou vendo muita gente pedindo a castração química para estupradores. Isso é absurdo! Como eles poderão estuprar novamente se forem castrados? Será que essa gente não entende que quem estupra uma vez, também vai estuprar duas, três, quatros, vinte, trinta vezes? E como eles poderão cumprir o seu papel na sociedade sem que os seus órgãos genitais estejam funcionando em perfeito estado? Que covardia! A sorte é que o pessoal dos direitos humanos não vai permitir essa capação coletiva. Talvez as vítimas de estupro, de racismo, de homofobia ou de quaisquer outras formas de violação da dignidade humana, é que precisem passar por um processo de ressocialização, para aprenderem a conviver com a estupidez e com a irracionalidade dos outros, de forma mais civilizada e tolerante.

Quanto aos estupradores, deixe-os viver em paz. Não mudem as leis que tratam do estupro. Deixe-as como estão. Se eles forem menores de idade, não os coloque no meio de estupradores adultos. Afinal, eles são seres inocentes e não têm noção do que estão fazendo. Aos juízes de plantão, sugiro que continuem tentando justificar de alguma forma, o estupro sofrido por uma mulher ou por uma adolescente. Isso é tão digno quanto o estupro por elas sofrido e não contribui, de modo algum, para que a cultura do estupro seja perpetuada em nossa sociedade.  Siga expressando a sua estultícia pelas redes sociais, até o dia em que o estupro bater a sua porta. Ou você acredita mesmo que está seguro?

Seja humano! Raciocine! Seja Homem! Não estupre!

Ela pediu para ser estuprada? | Brasil 24/7

16/01/2016

Chico Buarque e o fascismo disléxico

odio da mdianO  comportamento fascista na internet é de fácil diagnóstico. De regra, o fascista é um sujeito monossilábico, que repete ad nauseam, termos que Goebbels da velha mídia criam para uso de seus midiotas amestrados. Como eles não conseguem sustentar uma discussão em alto nível, até porque o sobra em ódio falece em entendimento, passam à agressão simples e direta. O ódio é a face mais comum, mas há algo que é ainda pior. É a generalização, a perseguição ao grupo ao qual pertence o objeto de sublimação de suas frustrações. O fascismo ou quer resolver pelo grito, ou pela violência,duas faces da mesma moeda. Mas também pode ser por meio da violência institucional que, legalmente, pode calar e até eliminar seu divergente.

De um lado o ódio e o alvo sinalizado pelos laser da mídia, de outro uma frustração de conotação sexual; o prazer em odiar se conjuga com o eco que seu ódio encontra em quem o alimenta. É um jogo de retroalimentação. Retire da velha mídia figuras como Luis Carlos Prates, Lasier Martins, Merval Pereira, a redação completa de Veja e Época, âncoras da Rede Globo, em especial os mais identificados com a ditadura, como Alexandre Garcia e Rachel Sheherazade, e se sentirão órfãos. Os fascistas são como mariposas, se alimentam de holofotes.

Quanto ao Chico, a mim, para além de sua honestidade intelectual, está sua integridade como cidadão. Um único episódio ilustra de forma paradigmática: numa das tantas vezes em que esteve na Itália, Chico participou de um programa da RAI que era uma espécie de tributo, não de suas músicas, mas de sua personalidade cosmopolita. Em determinado momento um dos participantes fez-lhe a seguinte provocação:

– Chico, o que acontece no Brasil, que há tanta criança pelas ruas, trabalhando, mendigando?

– De fato, há, mas os problemas do Brasil prefiro tratar no Brasil. Minhas posições políticas são claras e as manifesto no Brasil. Nossos problemas temos de resolve-los com políticas nossas. Não se resolvem em foros internacionais.

Vivíamos os tempos de FHC e Chico se recusou a criticar, em solo estrangeiro, o governo de então. Chico, como artista universal que é, sabia que a crítica ao Brasil, na TV Italiana, em nada ajudaria, só pioraria.

Chico vai à Justiça por um basta nas agressões

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Artista processará o jornalista João Pedrosa, que publicou em seu perfil no Instagram, ao comentar uma foto da atriz Silvia Buarque, filha de Chico, ao lado do pai e da irmã Helena: “Família de canalhas!!! Que orgulho de ser ladrão!!!”; para Chico, chegou a hora de dar um basta às falsas acusações que circulam na internet, inclusive as de que ele é beneficiário da Lei Rouanet; em dezembro, o cantor foi alvo de agressão verbal ao sair de um restaurante com amigos, no Rio; o artista foi chamado de “merda” e “petista ladrão” por um grupo de jovens por fazer defesas ao governo do PT

16 de Janeiro de 2016 às 07:31

247 – Alvo recente de agressão verbal no Rio de Janeiro por defender o governo do PT, o cantor e compositor Chico Buarque processará por danos morais, junto com a atriz Marieta Severo e as filhas do casal, o jornalista paulista João Pedrosa.

No fim de dezembro, Pedrosa postou em seu perfil no Instagram ao comentar uma foto publicada pela atriz Silvia Buarque ao lado do pai e da irmã Helena: “Família de canalhas!!! Que orgulho de ser ladrão!!!”.

De acordo com o colunista Ancelmo Gois, para Chico, chegou a hora de dar um basta às falsas acusações que circulam sobre ele na internet, inclusive as de que ele é beneficiário da Lei Rouanet.

O colunista do Globo afirma que o artista não tem nada contra as leis do governo de incentivo à cultura, mas que nunca usou qualquer uma delas. A ação será defendida pelo advogado João Tancredo.

Em dezembro, o cantor foi hostilizado por um grupo de jovens ao sair de um restaurante com amigos no bairro do Leblon, no Rio de Janeiro. Chico foi chamado de “merda” e “petista ladrão” por fazer defesas ao governo do PT (relembre aqui). Entre os jovens, estavam Álvaro Garnero Filho, filho do empresário e apresentador paulista Álvaro Garnero, e o rapper Túlio Dek, mais conhecido por ter namorado a atriz Cleo Pires.

Chico vai à Justiça por um basta nas agressões | Brasil 24/7

23/11/2015

Cotas garantem o acesso de 150 mil negros ao ensino superior no Brasil

racismo do ali kamelOutro dia ouvi que as cotas criaram o racismo ao contrário. Esta frase desconhece a lição de Lavoisier, de que nada se cria, tudo se transforma. As cotas não criaram o racismo, só puseram para fora o racismo que estava adormecido. O que era para ser uma justificativa politicamente correta de combate ao racismo, é na verdade um ato falho. Como quem, se não existisse política de cotas, eles continuaram no “seu lugar”. As cotas, ao me dificultarem o acesso que antes me era cativo, criaram um “problema” para eles.

É o mesmo que acontece com o ENEM. O acesso que era exclusive de uma elite que garantia a entrada nas melhores universidades públicas porque podiam pagar altas mensalidades em escolas particulares, teve de ser compartilhado com quem, mesmo não tendo recursos para pagar uma escola particular, demonstrou que tem iguais ou até melhores condições de frequentar ensino de qualidade. É lógica de castas: a casta que “investe” em boas escolas particulares também quer tem o direito divino de frequentar as universidade públicas. Por coincidência, são os mesmos que vivem bradando contra a coisa pública, os impostos, mas não se avexam de querer entrar em universidades públicas, da mesma forma que, para financiar seu apartamento, não recorrem aos bancos particulares, mas aos bancos públicos.

À toda evidência, odeiam o Estado porque querem um Estado que lhes sirva por direito divino.

Cotas garantem o acesso de 150 mil negros ao ensino superior no Brasil

Consideradas constitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (STF) há três anos, cotas já incluíram 150 mil negros nas universidades brasileiras

A batalha para combater o racismo no Brasil é longa. Para se ter uma ideia, o primeiro projeto de lei propondo ações afirmativas para população negra foi apresentado em 1983, com o nº 1.332, para garantir o princípio da isonomia social do negro. Mas somente em 2012, tais ações foram consideradas constitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (STF), com a aprovação da Lei das Cotas nas universidades.

O ministro Ricardo Lewandowski, relator do projeto, ressaltou na época que apenas 2% dos negros conquistavam o diploma de ensino superior.

A aprovação da lei que institui cotas raciais nas universidades federais completou três anos em 2015. Nesse tempo, garantiu o acesso de 150 mil estudantes negros ao ensino superior, segundo a Secretaria de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial (Seppir).

A lei instituiu a reserva de 50% das vagas em todos os cursos nas instituições federais de ensino superior levando em conta critérios sociorraciais. A meta era atingir esse percentual gradualmente, chegando à metade de vagas reservadas até o final de 2016. Segundo os números do Ministério da Educação, em 2013, o percentual de vagas para cotistas foi de 33% e em 2014, 40%.

VEJA TAMBÉM: Professor explica por que mudou de ideia e se tornou a favor das cotas

A quantidade de jovens negros que ingressaram no ensino superior também cresceu, passando de 50.937 vagas preenchidas por negros, em 2013, para 60.731, em 2014. Atualmente, entre universidades federais e institutos federais, 128 instituições adotam a lei de cotas.

O Secretário Nacional de Combate ao Racismo do PT, Nelson Padilha, comemora que “finalmente” o Brasil percebe que quem precisa das políticas de igualdade racial não são só os negros, mas toda a população brasileira.

“Quem perde com a ausência dos negros nos espaços privilegiados é o Brasil. São milhões de cérebros qualificados e saudáveis que acabam sendo preteridos por conta do racismo institucional”, afirma.

Para Padilha, as políticas implementadas nos governos do PT significam um grande avanço para o Brasil. “Mas precisamos aumentar a quantidade de universidades que não instituíram a política de cotas”, completa.

O secretário cobra, no entanto, mais foco no cumprimento e fiscalização da lei 10.639/03, que pretende levar para as salas de aula mais sobre a cultura afro-brasileira e africana, propondo novas diretrizes para valorizar e ressaltar a presença africana na sociedade.

“Garantindo a inclusão dos conteúdos relacionados a África em todo o espectro de ensino, ela vai ajudar a desmontar os preconceitos”, ressalta.

Políticas públicas

Os estudantes negros têm acesso também ao Fies e ao Prouni, que auxiliam noingresso e na permanência desses estudantes em instituições privadas de ensino superior. Dados do Ministério da Educação referentes a 2014 mostram que os negros são maioria nos financiamentos do Fies, cerca de 50,07% e nas bolsas do Prouni, 52,1%.

Em entrevista ao “Portal Brasil”, a representante da ONU Mulheres Brasil, Nadine Gasman, ressaltou que na última década o Brasil decidiu acumular esforços e criar um espaço para que sejam criadas estratégias que façam a diferença para as populações afrodescendentes, com ênfase na intersecção entre raça e gênero, porque as mulheres negras estão em situação de maior vulnerabilidade.

De acordo com o Mapa da Violência 2015, o número de mulheres negras mortas cresceu 54% em entre 2003 e 2013, enquanto o número de mulheres brancas assassinadas caiu 10% no mesmo período. No total, 55,3% dos crimes contra mulheres foram cometidos no ambiente doméstico, e em 33,2% dos casos os homicidas eram parceiros ou ex-parceiros das vítimas.

Para Nadine, a criação de leis como Maria da Penha e do Feminicídio devem reduzir essa violência nos próximos anos.

Geledés

Cotas garantem o acesso de 150 mil negros ao ensino superior no Brasil

19/05/2015

Machado de Assis

Ao mesmo tempo em que se comemora a revelação de uma foto histórica em que aparece Machado de Assis, é também constrangedor pensar no que pensaria o fundador e patrono da Academia Brasileira de Letras se soubesse que dela faz parte hoje não só sinhozinhos da Casa Grande como José Sarney e FHC, mas também notórios militantes da negação do racismo, como Merval Pereira. Roberto Marinho, que empregava o negacionista Ali Kamel, autor do famigerado “Não somos racistas”, conseguiu uma cadeira na academia graças ao do famoso editorial que saudou a chegada da ditadura. A captura de FHC via Miriam Dutra não é diferente da captura da Academia Brasileira de Letras via editoriais. Furtos, digo frutos, de uma mesma árvore.

A Academia, que um dia foi de Letras, hoje é de petas!

Missa Campal de 17 de maio de 1888

17 de maio de 201518 de maio de 2015Andrea Wanderley

Antonio Luiz Fereira. Missa campal celebrada em ação de graças pela Abolição da Escravatura no Brasil, 1888. São Cristóvão, Rio de Janeiro.

Antonio Luiz Ferreira. Missa campal celebrada em ação de graças pela Abolição da Escravatura no Brasil, 1888. São Cristóvão, Rio de Janeiro.

A Brasiliana Fotográfica identificou a presença de Machado de Assis na fotografia da Missa Campal de Ação de Graças pela Abolição da Escravatura realizada no dia 17 de maio de 1888, no Campo de São Cristóvão, no Rio de Janeiro. O autor da foto foi Antonio Luiz Ferreira.

A identificação de Machado de Assis foi confirmada por Eduardo Assis Duarte, doutor em Teoria da Literatura e Literatura Comparada (USP) e professor da Faculdade de Letras da UFMG , que considerou a fotografia um documento histórico da maior importância. Segundo ele, Machado de Assis teve uma “atitude mais ou menos esquiva na hora da foto, em que praticamente só o rosto aparece, dando a impressão de que procurou se esconder, mas sem conseguir realizar sua intenção totalmente. Atitude esta plenamente coerente com o jeito encolhido e de caramujo que sempre adotou em público, uma vez que dependia do emprego público para viver e eram muitas as perseguições políticas aos que defendiam abertamente o fim da escravidão.”

Eduardo Assis Duarte, que organizou “Machado de Assis afrodescendente” (2007) e a coleção “Literatura e afrodescendência no Brasil: antologia crítica” (2011, 4 vol.), e é coordenador do Literafro – Portal da Literatura Afro-brasileira, justificou a proximidade de Machado da princesa Isabel. Segundo ele, “Machado foi abolicionista em toda a sua vida e, a seu modo, criticou a escravidão desde seus primeiros escritos. Nunca defendeu o regime servil nem os escravocratas. Além disso, era amigo próximo de José do Patrocínio, o grande líder da campanha abolicionista e, junto com ele, foi à missa campal do dia 17, de lá saindo para com ele almoçar… Como Patrocínio sempre esteve próximo da princesa em todos esses momentos decisivos, é plenamente factível que levasse consigo o amigo para o palanque onde estava a regente imperial. A propósito, podemos ler no volume 3 da biografia escrita por Raimundo Magalhães Júnior :

‘Na manhã de 17 de maio, foi promovida uma grande missa campal, comemorativa da Abolição, em homenagem à Princesa Isabel, que compareceu, e houve em seguida um almoço festivo no Internato do Colégio Pedro II. Terminada a missa, José do Patrocínio foi para sua casa, à rua do Riachuelo, com dois amigos que convidara para almoçar em sua companhia: um deles era Ferreira Viana, ministro da Justiça do Gabinete de João Alfredo. E o outro era Machado de Assis, a quem, aliás, o grande tribuno abolicionista oferecera a carta autógrafa que recebera, em 1884, em Paris, de Victor Hugo.’ (MAGALHÃES JÚNIOR, Vida e obra de Machado de Assis. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira / INL-MEC, 1981, vol. 3, Maturidade, p. 125).”

O biógrafo, continua Eduardo Assis Duarte, “não diz onde estava Machado durante a missa, mas pode-se concluir perfeitamente que ele compareceu e que estava junto a José do Patrocínio. Daí minha conclusão: se a imagem que aparece na foto não for de Machado, é de alguém muito parecido.”

Segundo Ubiratan Machado, jornalista, escritor, bibliófilo e autor do “Dicionário de Machado de Assis”, lançado pela Academia Brasileira de Letras, a identificação de Machado de Assis na foto foi uma dupla descoberta: “Não há dúvida que se trata do Machado, atrás de um senhor de barbas brancas e mil condecorações no peito. O fato do seu rosto estar um pouco escondido não atrapalha em nada a identificação. É o velho mestre, perto de completar 50 anos. Igualzinho aos dos retratos que conhecemos desta fase de sua vida.  A segunda revelação é a de Machado ter ido à missa de ação de graças, fato até hoje desconhecido pelos biógrafos. A foto tem ainda outra importância: mostrar que ele se preocupava com a libertação dos escravos, acabando de vez com a idiotice de alguns que afirmam ser ele indiferente ao destino da raça negra no Brasil. É a prova visual da alegria embriagadora que ele sentiu com a abolição, como narra em seu conhecido depoimento (Gazeta de Notícias, edição de 14 de maio de 1893).

Machado de Assis participou também, no dia 20 de maio de 1888, do préstito organizado pela Comissão de Imprensa para celebrar a Abolição. Na ocasião, ele desfilou no carro do fundador da Gazeta de Notícias, o Sr. Ferreira de Araújo (Gazeta de Notícias, edição de 21 e 22 de maio de 1888) . Antes dessas festividades, Machado havia sido agraciado com a Imperial Ordem da Rosa, que premiava civis e militares que houvessem se destacado por serviços prestados ao Estado ou por fidelidade ao imperador.

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Detalhe da foto

A Brasiliana Fotográfica convida os leitores a participar do desafio de identificar outras personalidades presentes na foto da solenidade. Abaixo, destacamos na foto e em sua silhueta o grupo em torno da princesa Isabel (1) e do conde D’Eu (2). Machado de Assis é o número 5. Possivelmente o número 7 é José do Patrocínio, atrás de um estandarte e segurando a mão de seu filho, então com três anos. Quem serão os outros?

MISSA 2

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Numeramos alguns dos presentes, mas a identificação de qualquer pessoa que esteja na fotografia é bem-vinda.

Um pouco da história da foto

A Missa Campal em São Cristóvão, no Rio de Janeiro, em 17 de maio de 1888, foi uma celebração de Ação de Graças pela libertação dos escravos no Brasil, decretada quatro dias antes, com a assinatura da Lei Áurea. A festividade contou com a presença da princesa Isabel, regente imperial do Brasil, e de seu marido, o conde D´Eu, príncipe consorte, que, na foto, está ao lado da princesa, além de autoridades e políticos. De acordo com os jornais da época, foi um “espetáculo imponente, majestoso e deslumbrante”, ocorrido em um “dia pardacento” que contrastava com a alegria da cidade.

Cerca de 30 mil pessoas estavam no Campo de São Cristóvão. Dentre elas, o fotógrafo Antonio Luiz Ferreira que há muito vinha documentando os eventos da campanha abolicionista brasileira desde suas votações e debates até as manifestações de rua e a aprovação da Lei Áurea. Não se conhece um evento de relevância nacional que tenha sido tão bem fotografado anteriormente no Brasil. No registro da missa campal é interessante observar a participação efetiva da multidão na foto, atraída pela presença da câmara fotográfica, o que proporciona um autêntico e abrangente retrato de grupo. Outra curiosidade é a cena de uma mãe passeando com seu filho atrás do palanque, talvez alheia à multidão, fazendo um contraponto de quietude à agitação da festa.

Antonio Luiz Ferreira presenteou a princesa Isabel com 13 fotos de acontecimentos em torno da Abolição.  Essas fotos fazem parte da Coleção Princesa Isabel que se encontra em Portugal, conservada por seus descendentes. Além desses registros, Ferreira tirou duas fotos das duas missas realizadas no Campo de São Cristóvão no mesmo dia. Uma delas, a principal,  intitulada “Missa campal celebrada em ação de graças pela Abolição da escravatura no Brasil”, é a que está aqui destacada e faz parte da Coleção Dom João de Orleans e Bragança. A outra missa foi celebrada pela Sociedade dos Homens de Cor da Irmandade de São Benedito. Outros três registros foram feitos por Ferreira no dia 22 de agosto de 1888 e documentaram o retorno do imperador Pedro II ao Brasil. Também foram ofertados à princesa Isabel.

Ao todo, Antonio Luiz Ferreira fotografou 18 cenas ligadas às celebrações de 1888 e com isso, apesar de ter tido uma carreira discreta, tornou-se um importante fotógrafo do século XIX. As imagens captadas por ele nessas datas tão marcantes da história do Brasil caracterizam-se pela expressividade dos rostos retratados, decorrência da relevância do fato e da fascinação causada pela câmara fotográfica.

Explore os detalhes da foto da Missa Campal

Contribuíram para esta pesquisa Elvia Bezerra (IMS) e Luciana Muniz (BN)

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← Dia da Abolição da Escravatura

  • Aquele de bigode e óculos, segunda pessoa à direita de Machado de Assis (logo abaixo da lança em primeiro plano, atrás de um homem calvo quase de costas) é muito parecido com o Valentim Magalhães!

  • À direita da Princesa Isabel , de roupa clara e chapéu escuro, está a sua amiga a Baronesa de Loreto.

Missa Campal de 17 de maio de 1888 | Brasiliana Fotográfica

31/03/2015

Não somos racistas, somos mafiosos

Não somos racistas, somos mafiosos, sonegadores, manipuladores, mas temos do nosso lado a fina flor do Poder Judiciário…

Fernanda Montenegro envia um beijinho no ombro a Ali Kamel

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Numa das cenas mais inesperadas da teledramaturgia da Globo, a emissora dos Marinho fez um elogio rasgado à política de cotas raciais, no episódio de ontem da novela Babilônia; ao conceder um bônus a sua melhor advogada, a jovem negra Paula (Sheron Menezzes), Teresa (Fernanda Montenegro) ouviu: "Sabe o que eu queria fazer com esse cheque? Esfregar na cara de todas as pessoas que riram de mim por eu ter entrado na faculdade pelo sistema de cotas". Em seguida, respondeu: "beijinho no ombro pras invejosas"; alguns anos atrás, o superpoderoso Ali Kamel, diretor da Globo, publicou o livro "Não somos racistas", um libelo contra a política de cotas; a Globo agora é progressista ou aí tem coisa?

31 de Março de 2015 às 07:31

247 – Deu a louca na Rede Globo. Ou há algo que ainda não se poder enxergar com clareza. Em 2006, um dos mais próximos executivos da família Marinho, o jornalista Ali Kamel, publicou o livro "Não somos racistas", um libelo contra a política de cotas raciais – desde então, esta foi a posição editorial de todos os veículos de comunicação da Globo.

Ontem, no entanto, na novela Babilônia, o grupo dos Marinho deu um giro de 180 graus na novela Babilônia, que vem sofrendo críticas de setores conservadores desde o primeiro capítulo, quando a novela estreou com o beijo gay de Fernanda Montenegro e Natália Thimberg.

Desta vez, a polêmica envolveu a política de cotas raciais, numa cena exibida no capítulo desta segunda-feira. Ao conceder um bônus polpudo à sua melhor advogada, a jovem negra Paula (Sheron Menezzes), Teresa (Fernanda Montenegro) ouviu: "Sabe o que eu queria fazer com esse cheque? Esfregar na cara de todas as pessoas que riram de mim por eu ter entrado na faculdade pelo sistema de cotas".

Em seguida, respondeu: "beijinho no ombro pras invejosas".

Evidentemente, uma cena com esse teor político, no momento em que o Brasil é sacudido por uma onda neoconservadora, não entraria numa novela da Globo sem que tivesse sido discutida internamente. Mais do que simplesmente criar polêmica, ao discutir o tema das cotas raciais, a Globo parece disposta a assumir pautas mais progressistas.

Será que os Marinho decidiram mandar um "beijinho no ombro" para Ali Kamel? Confira, abaixo, a sinopse do livro "Não somos racistas", que fala do medo do autor em relação à política de cotas:

SINOPSE:

‘Não somos racistas’ é um livro nascido do espanto. Movido pelo instinto de repórter, Ali Kamel, diretor de jornalismo da Rede Globo, começou a perceber que a política de cotas proposta pelo Governo Lula – e que pode ser aprovada em breve pelo Senado – divide o Brasil em duas cores, eliminando todas as nuances características da nossa miscigenação. Ali constata, estarrecido, que, nesta divisão entre brancos e não-brancos, os ‘não-brancos’ são considerados todos negros. O primeiro capítulo de ‘Não somos racistas’ mostra como a política de cotas começou a ser construída no governo Fernando Henrique Cardoso. Mostra, ainda, como o jovem sociólogo Fernando Henrique foi uma das cabeças de um movimento que dominou parte da intelectualidade nacional nos anos 1950. Um movimento que se afastava do conceito de multiplicidade e democracia racial proposto por Gilberto Freyre em obras como ‘Casa grande e senzala’ e dividia o Brasil entre duas cores; negros e brancos. O livro de Ali Kamel começou a se desenhar em 2003, quando ele passou a publicar, quinzenalmente, uma série de artigos sobre as cotas no jornal ‘O Globo’. Neles, constatava o sumiço dos pardos e dos miscigenados nas estatísticas raciais brasileiras. Apontava, também, para o fato de que o branco pobre tem a mesma dificuldade de acesso à educação que um negro pobre, levantando a hipótese de que o maior problema do país talvez não seja a segregação pela cor da pele – e sim pela quantidade de dinheiro que se carrega no bolso. ‘Não somos racistas’ aprofunda e sistematiza as idéias apresentadas pelo jornalista naqueles artigos; a negação da miscigenação; o ‘olho torto’ das estatísticas, que escamoteiam problemas sociais na divisão da população por cores; a situação de negros e brancos no mercado de trabalho; o medo de que uma política de cotas, posta em prática, construa uma separação entre cores que nunca existiu, de fato, no Brasil, promovendo o ódio racial; os estudos científicos que provam que raças não existem e, portanto, não pode haver tratamento desigual para seres humanos iguais.

Fernanda Montenegro envia um beijinho no ombro a Ali Kamel | Brasil 24/7

15/01/2015

Estadão traz ma(i)s notícias sobre o Grêmio

Com a palavra os ilustres funcionários da RBS, Paulo Sant’ana e Cacalo, subalternos do autor daquela sintomática obra: “Não somos racistas”…

Menina com deficiência é chamada de “negrinha aleijada” em jogo de futebol

LUIZ ALEXANDRE SOUZA VENTURA

14 Janeiro 2015 | 15:46

“Sinto um misto de raiva, revolta e nojo”, desabafa no Facebook a mãe de uma menina com deficiência que foi xingada por torcedores do Grêmio em partida contra o Flamengo.

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O que você precisa saber sobre pessoas com deficiência

Manifestações de preconceito e agressões verbais em jogos de futebol, infelizmente, não são novidade, no Brasil e em outros países. E a discriminação não poupa ninguém. No último dia 15 de dezembro, a mãe de uma menina com deficiência usou o Facebook para demonstrar sua indignação sobre como sua filha, torcedora do Flamengo, foi ofendida de diversas formas por torcedores do Grêmio. O jogo foi disputado no dia 7 de novembro em Porto Alegre.

Mãe de menina xingada desabafou no Facebook. Imagem: Reprodução

Mãe de menina xingada desabafou no Facebook. Imagem: Reprodução

“Sinto um misto de raiva, revolta e nojo”, desabafa Ana Paula Medina em seu perfil na rede social.

Leia a íntegra do post.

“Bem, Não tinha me manifestado ainda sobre o episodio com a Aninha na Arena do Grêmio, no jogo contra o Flamengo. Estava tentando digerir dentro de mim tudo que tinha acontecido e Confesso não consegui ainda, sinto um misto de raiva, revolta e nojo. Na segunda feira logo depois passei mal, nem consegui ir trabalhar, passei uma grande parte da madrugada olhando minha filhotinha dormir e pensando como puderam fazer aquilo com ela. Ana Clara é flamenguista, não por influência nossa, mais por ela mesma. Ganhou uma camisa do Flamengo e a primeira atitude foi beijar o escudo, sem que ninguém incentivasse e desde então assiste os jogos conosco e só não grita gol porque não fala.

Nunca tinha levado ela a um estadio, justamente por medo dessa violência tão falada nos noticiarios, mais neste domingo 07/12 resolvemos leva-la. Ganhamos os ingressos dos nossos amigos e como o jogo não valia nada, lá fomos nós. Ela foi eufórica dentro do onibus, feliz mesmo, dançando e sacudindo seus bracinhos fininhos a cada musica do Flamengo cantada por nossos amigos. Quando nos aproximamos da entrada de visitantes da Arena, um grupo de exaltados gremistas já nos esperava, gritando xingamentos sem fim, dizem que isso é coisa de futebol mesmo. Entramos na área de visitantes para desembarcar do onibus. Quando desci com a Aninha no colo para coloca-la na cadeira de rodas alguém gritou “Negrinha Aleijada”. Nossos amigos começaram a discutir, ficaram revoltados, se enfureceram mesmo, porque Aninha é amada por todos, a mascote da nossa torcida, a primeira criança da FLA-RS que é uma grande familia, tanto que 3 de seus membros são padrinhos da Sarah, minha outra filha. Fiquei nervosa, comecei a chorar e disse ao Gustavo Haag que gente ruim, porque isso com uma criança. Chamei nossos amigos pra entrar, não queria que eles brigassem.

Fui encaminhada por funcionarios do Grêmio até um camarote, com Aninha e meu marido. Até então tudo certo, toda mordomia. À frente do camarote, cadeiras que nos permitiam ver melhor o campo, abaixo de nós mais cadeiras e muitos gremistas. Alheia a tudo isso estava Aninha, vibrando. Fomos com ela para as cadeiras e logo em seguida o Flamengo fez um gol, pegamos ela no colo, gritamos, vibramos como todo bom torcedor, mais os gremistas abaixo de nós se acharam no direito de nos provocar e da maneira mais terrivel. Chamavam nossa menina de puta, de putinha flamenguista, pegavam nos genitais e mostravam pra gente, faziam gestos obscenos com as mãos.Confesso, não tenho sangue de barata, revidei, xinguei um monte eles, fiquei brava, muito brava, afinal, pode mexer comigo, eu sei me defender, mais mexeu com ela eu viro o diabo. Sofri muito pra ter minha filha viva, pra qualquer idiota preconceituoso ofende-la.

Sem hipocrisia, nenhuma mãe gostaria que seu filho fosse deficiente, mais naquele momento agradeci a Deus que a deficiência da Aninha não permitiu que ela entendesse àquela agressão gratuita, aquelas pessoas, sim, porque eram homens e mulheres, não poderiam agredir mesmo que verbalmente, uma criança com limitações.

Já tinhamos sofrido preconceito antes, mais nunca de uma forma tão dolorida feito essa.

No intervalo do jogo, 2 seguranças estiveram no camarote para nos perguntar o que estava acontecendo. Explicamos tudo a eles, que não nos deram nenhuma orientação, só viraram as costas e foram embora.
Assistimos uma parte do segundo tempo ainda nas cadeiras, mais quando o Grêmio fez um gol, começaram os xingamentos de novo.
Fomos obrigados a ficar o resto do jogo dentro do camarote pra que Aninha não sofresse mais.

Terminado o jogo nos desceram para pegarmos o onibus, mais saimos do elevador numa area gremista, os funcionarios nos indicaram como sair mais a gente teria que ir sozinhos passando no meio deles, encontramos alguns soldados da Brigada e pedimos que eles nos levassem, no que fomos prontamente atendidos.

A sensação de todos era de revolta pelo que fizeram a nossa pequena guerreira.
Digo sempre, bate em mim, pisa em mim que sei me defender, mais não faça com ela porque vou até o fim para defendê-la.

A estes gremistas só posso dizer por enquanto, vocês nunca vão saber o que é ter uma negrinha aleijada como a minha na vida, nunca terão a felicidade de poder aprender com esse ser tão incrivel que é a minha filha. É uma pena que pra vocês ela só mereça ser chamada assim, porque todos os dias ela é chamada de Guerreira, forte, vitoriosa, lutadora, anjo, poncesa, amor, tudo isso por gente de bem que a ama e a respeita. Vocês nunca enfrentaram 10% das batalhas que ela já enfrentou na vida, sempre sorrindo e dando a volta por cima. Vocês não são dignos de pisar o mesmo chão que ela, não são dignos de pisar no mesmo chão que a cadeira de rodas dela passa.

Aleijados são vocês, aleijados de caracter, de coração, de alma, de espirito e de sentimentos….

A vocês meu desprezo e minha repulsa…..

Ana Paula – mãe da menina mais linda desse mundo…”

Direito de direita

Há um velho adágio que ainda tem passagem no Poder Judiciário, em todos os níveis, quem do tempo dos tempos bíblicos e teve maior voga com os romanos: “dar a César o que é de César, a Deus o que é divino”, “dar a cada um o que é seu”. Aos reis, o poder real; aos plebeus, a rua; ao rico, a riqueza, aos pobre, a pobreza.

A Globo e seus funcionários, como o Fluminense, jogam em casa na justiça do Rio. Da mesma forma em São Paulo, os grupos mafiomidiáticos jogam como o guri dono da bola.

Os mesmos que abraçaram a causa do Charlie Hebdo, da liberdade de expressão, hiPÓcritas, não só professam mas judicializam a censura.

Só idiotas não percebem a influência dos assoCIAdos do Instituto Millenium para cima das instituições que deveriam ser republicanas.

Lembro de quando Luis Fernando Veríssimo foi suspenso na Zero Hora, da famiglia Sirotsky, por ter chamado Collor de “ponto de interrogação bem penteado”.

Estes são nossos paladinos da liberdade de expre$$ão.

Kamel e Nassif: quem se dá bem ?

Paulo Nogueira compara decisões na Justiça

Falta de objetividade e de coerência nas decisões da Justiça

De Paulo Nogueira, no DCM: Kamel versus Nassif: a diferença de tratamento que a Justiça dá a casos semelhantes
Da Justiça se espera ao menos uma coisa: que seja coerente nas decisões.
É a única forma que os cidadãos têm de medir eventuais consequências jurídicas de suas ações.
Estou falando isso a propósito da decisão da Justiça do Rio de condenar Luís Nassif a pagar 50 mil reais de indenização para Ali Kamel, diretor de jornalismo da TV Globo.
A juíza Larissa Pinheiro Schueler baseou sua decisão no fato de Nassif haver afirmado que Ali Kamel é “manipulador” e faz “jornalismo de hipóteses”. Isso, segundo ela, extrapolaria o “direito à informação”.
Aplique esta mesma lógica não apenas para Nassif, mas para a mídia em geral. Não faz muito tempo, no âmbito da mesma Globo de Kamel, os nordestinos foram chamados de “bovinos” por Diogo Mainardi.
Se “manipulador” custa 50 mil reais, qual seria a indenização para “bovinos”? Ou, já que falamos de Mainardi, de “anta”, como ele tratava rotineiramente Lula em seus dias de colunista da Veja?
A Justiça deveria, em tese, ser igual para todos, mas é mais igual para alguns do que para outros.
Há uma decisão jurídica recente que demonstra isso com brutal precisão.
O jornalista Augusto Nunes, o Brad Pitt de Taquaritinga, foi processado por Collor. Quer dizer: Collor fez o que Kamel fez.
Com uma diferença: perto do que Nunes disse dele, Nassif arremessou flores na direção de Kamel.
Começa no título: “O farsante escorraçado da Presidência acha que o bandido vai prender o xerife”.
Um trecho: “… o agora senador Fernando Collor, destaque do PTB na bancada do cangaço, quer confiscar a lógica, expropriar os fatos, transformar a CPMI do Cachoeira em órgão de repressão à imprensa independente e, no fim do filme, tornar-se também o primeiro bandido a prender o xerife.”
O site Consultor Jurídico noticiou o caso assim:
“Na sentença, a juíza Andrea Ferraz Musa, da 2ª Vara Cível do Foro de Pinheiros, disse que, em um estado democrático, o jornalista tem o direito de exercer a crítica, ainda que de forma contundente.
(…) “Embora carregada e passional, não entendo que houve excesso nas expressões usadas pelo jornalista réu, considerando o contexto da matéria crítica jornalística. Assim, embora contenha certa carga demeritória, não transborda os limites constitucionais do direito de informação e crítica”, disse a juíza.
(…) No pedido de indenização, Collor alegou que foi absolvido de todas as acusações de corrupção pelo Supremo Tribunal Federal e que há anos vem sendo perseguido pela Abril.
A juíza, entretanto, considerou irrelevante a decisão do STF. “As ações políticas do homem público estão sempre passíveis de análise por parte da população e da imprensa. O julgamento do STF não proíbe a imprensa ou a população de ter sua opinião pessoal sobre assunto de relevância histórica nacional”, justificou.”
Um momento. Ou melhor: dois momentos. “Irrelevante” a decisão do STF? Então você é absolvido de acusações na mais alta corte do país e mesmo assim isso não vale nada? Podem continuar a chamar você de bandido sem nenhuma consequência?
A juíza aplicou uma espetacular bofetada moral no STF em sua sentença. Como para Augusto Nunes, também para ela não houve nenhuma consequência.
Se um juiz trata assim uma decisão da Suprema Corte, qual o grau de respeito que os cidadãos comuns devem ter pela Justiça?
O segundo momento é por conta da expressão “certa carga demeritória”. Raras vezes vi uma expressão tão ridícula para insultos e assassinato de imagem.
Regular a mídia é, também, estabelecer parâmetros objetivos para críticas e acusações feitas por jornalistas.
Não é possível que “manipulador” custe 50 mil reais e “bandido”, “chefe de bando”, “farsante”  e “destaque da bancada do cangaço” zero.
Quando você tem sentenças tão opostas, é porque reinam o caos e a subjetividade.
A única coisa que une o desfecho dos dois casos é que jornalistas de grandes empresas de mídia se deram muito bem.
Isso é bom para eles e as empresas nas quais trabalham.
Para a sociedade, é uma lástima.

Kamel e Nassif: quem se dá bem ? | Conversa Afiada

01/01/2015

Sistema prisional made in USA: contra negros, nos EUA, até cego vê

Filed under: Ali Kamel,Não somos racistas,Panteras Negras,Racismo,Sócrates — Gilmar Crestani @ 10:15 am
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socrates-punhoParece piada, mas não é: “Entre os presos que testemunharam contra os Panteras também está um cego que disse em depoimento ter visto Woodfox saindo do local do crime e outro diagnosticado com esquizofrenia.”

Não se trata de um problema de república de bananas, mas daquele paraíso dos coxinhas brasileiros.

Todo brasileiro com complexo de vira-lata se prostra pros EUA como muçulmano para Meca. Fazem fila para comprarem quinquilharias de fabricação chinesa em Miami. E odeiam o Brasil, claro.

Em 2014 os brasileiros foram 51% dos turistas, mas com o reatamento das relações diplomáticas com Cuba, os brasileiros agora terão pela frente a concorrência cubana. Pergunte aos brasileiros made in Miami se já ouviram falar nos Panteras Negras? Duvido que saibam sequer quem foi Sócrates, o jogador, não o filósofo grego do séc. V?!

A forma de saudação dos Panteras Negras foi adotado por Sócrates, craque do futebol brasileiro. Por terem usado a mesma saudação, nas Olimpíadas de 1967,os multi campeãs Tommie Smith e John Carlos foram condenados, pela “maior democracia das Américas”, ao ostracismo e só recentemente foram reabilitados por lá. Lá, como aqui, parece que a velha mídia continua escrevendo a história de forma sempre muito peculiar: “Não somos racistas”….

Parodiando um dos filósofos da RBS: “Miami é um paraíso encravado no inferno dos EUA.(…) Finalmente, é incrível, mas não há sequer um negro em Miami. A 1500 quilômetros da Flórida, Mississippi, há milhares de negros.” Ou, para deixar os coxinhas ainda mais irritados. Apenas 166 km separam Miami de Cuba…

Pantera na solitária

Justiça dos EUA se divide sobre caso de Albert Woodfox, membro do grupo radical Panteras Negras detido em confinamento há 42 anos

GIULIANA VALLONEDE NOVA YORK

Durante 23 horas de seu dia, Albert Woodfox, 67, fica confinado numa cela de 2 metros x 3 metros em uma prisão na Louisiana, nos EUA. Nessas condições, segundo o relator especial sobre tortura da ONU, o detento pode começar a desenvolver distúrbios psicológicos irreversíveis após 15 dias. Mas Woodfox está na solitária há 42 anos.

Preso por roubo no fim da década de 1960, Woodfox fundou uma unidade do movimento Panteras Negras, grupo radical de defesa dos negros americanos, na prisão de Angola, na Louisiana. Ele pretendia lutar contra as violações dos direitos humanos que ocorriam na prisão.

Em abril de 1972, o guarda penitenciário Brent Miller, 23, foi morto a facadas enquanto fazia a ronda em um dos complexos de Angola. Woodfox e outro Pantera, Herman Wallace, foram acusados da morte e colocados na solitária no mesmo dia – condição em que Woodfox está até hoje, mesmo após transferido para outra prisão em 2010.

Em 1973, os dois foram condenados à prisão perpétua. Woodfox e Wallace nunca assumiram a autoria do crime e dizem ter sido perseguidos por causa da militância dentro da prisão.

"Em primeiro lugar, nenhum ser humano deve ser mantido em confinamento solitário indefinidamente", afirma Jasmine Heiss, membro da Anistia Internacional, que faz campanha pela libertação de Woodfox.

A defesa afirma que a principal testemunha do caso, um homem condenado por estupro chamado Hezakiah Brown, foi subornado pela diretoria da prisão para prestar seu depoimento ""ele foi perdoado e libertado mais tarde.

Entre os presos que testemunharam contra os Panteras também está um cego que disse em depoimento ter visto Woodfox saindo do local do crime e outro diagnosticado com esquizofrenia.

Desde então, a condenação de Woodfox foi revogada por três vezes na Justiça, sob o argumento de que houve discriminação racial nos julgamentos. Em todas as ocasiões, no entanto, o procurador-geral da Lousiana, Buddy Caldwell, recorreu das decisões ""ele já se referiu a Woodfox como "o homem mais perigoso do planeta."

Em novembro, um tribunal federal de apelações manteve a decisão de soltar Woodfox. Mas, novamente, o Estado recorreu, impedindo, por enquanto, sua libertação.

"Nossa posição é a de que já é o bastante. Woodfox já serviu 42 anos em tempos difíceis dentro do confinamento solitário", diz Carine Williams, do escritório de advocacia Squire Patton Boggs, que representa Woodfox.

Até mesmo a viúva do guarda assassinado, Teenie Rogers, já declarou que não acredita na culpa dos dois homens condenados.

OS TRÊS DE ANGOLA

Woodfox, Herman Wallace e um outro preso, Robert King, também membro dos Panteras Negras, ficaram conhecidos como "Os Três de Angola" por terem passado, juntos, mais de um século no confinamento solitário.

Wallace foi solto em outubro de 2013, após 42 anos na solitária. Ele morreu três dias depois, vítima de um câncer no fígado. King teve sua condenação revogada em 2001 e foi libertado, após 29 anos.

Woodfox sofre de hipertensão, insuficiência renal crônica, diabetes tipo 2 e insônia. "Se a causa é nobre o suficiente, você pode carregar o peso do mundo nas costas. E, então, eles nunca conseguirão me quebrar", afirmou Woodfox em declaração ao documentário "In the Land of the Free", de 2008.

13/12/2014

Quem te paga para dizer, Ali Kamel, que “Não somos racistas”?!

Ali Aranha comeu Kamel

No Brasil só o se pune “p”, de pretos, pobres, putas e petistas. Outros “pês”  ficam de fora. Como P, de Paulo Maluf. Maluf foi condenado em tudo que é lugar fora do Brasil. Por aqui até agora é inocente. O STF conseguiu, via Joaquim Barbosa, inocentá-lo pela lei da idade. E por se verifica outra coincidência: por que as ações contra o PT andam rápido e as contra os demais partidos andam… para trás? O tal de mensalão do PT foi a continuidade do mensalão do PSDB. A origem ainda não julgada, mas os petistas não só foram julgado como até já pagaram porque Assas JB Corp disse que “foi feito pra isso, sim”… Os desvios nos trens em São Paulo teriam começado ainda no tempo de Mário Covas, acelerado nos dois governos FHC e virado “trem de alta velocidade” nos governos José Serra, na prefeitura e no Governo do Estado. A exemplo do Maluf, as empresas Alstom e Siemens já foram condenadas na Suíça e na Alemanha. Por aqui, o processo anda para trás. Tudo isso se justifica por uma razão muito simples: os assoCIAdos do Instituto Millenium trabalham para beatificar tudo o que o PSDB faz e para satanizar tudo o que diz respeito ao PT.

Imagine se o que está ocorrendo em São Paulo, nos sucessivos governos do PSDB, acorresse nos governos do PT. Descarrilhar trens de dinheiro, parodiando o famoso assalto ao trem pagador, não é nada diante da entrega da SABESP à Bolsa de Nova Iorque, enquanto Geraldo Alckmin com a maior naturalidade do mundo, pelo menos é assim encarado pela velha mídia, apresente com cara-de-pau e desfaçatez, pedido de R$ 3,5 bilhões à Dilma para fazer chover no Sistema Cantareira. Note que os veículos parceiros do PSDB, mesmo pela falta d’água generalizada, estão proibidos de usar o termo “racionamento”. A crise é da água, não é da administração da água.

E, por fim, as estatísticas, todas negativas, em relação à política de segurança. Além da criação do PCC, a política de segurança pública do PSDB em São Paulo só não é um desastre completo devido à parceria do PSDB com os velhos grupos mafiomidiáticos. Mês passado o Estadão publicava: Roubos crescem no Estado de São Paulo pelo 17º mês seguido. Em dezembro, mais um dado estarrecedor “recorde de mortes de negros e pobres”. É o tal do choque de gestão. O PSDB e seus financiadores ideológicos pensam que se diminui a pobreza eliminado pretos e pobres. E tudo legitimado pelas cinco irmãs (Globo, Veja, Estadão, Folha & RBS). Quem se pauta por Ali Kamel, que ousou escrever um livro para defender as teses dos patrões, racista não vê racismo. É só força do hábito, quem vem do tempo do Império.

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Em 2014, polícia de SP ‘quebra recorde de mortes de negros e pobres’

Postado em 13 de dezembro de 2014 às 9:51

Da Carta Capital:

Noite de terça feira, 9 de dezembro, Jd. São Luiz, Zona Sul de São Paulo. Depois da prisão de um “suspeito” por tráfico de drogas, um corre corre. Thiago Vieira da Silva, 22 anos, enquanto gritava por socorro, é assassinado a tiros pela polícia. 10 tiros! Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de SP diz que houve um tiroteio. Moradores que testemunharam dizem que não.

A reportagem da RedeTV – que produziu matéria a partir de vídeo amador – reafirma a versão dos moradores: “De um lado da rua, há diversos fragmentos de bala e perfurações na parede e em carros estacionados. O outro lado está intacto”. A direção da PM diz que foi encontrado um revólver calibre 38 ao lado do corpo do rapaz morto. Com Leandro Pereira dos Santos, de 20 anos, preso em flagrante, teria sido encontrada uma bolsa com 80 papelotes de maconha, 219 pinos de cocaína, 58 frascos de lança perfume, 34 pedras de crack, além de R$ 14,80 e um telefone celular.

Moradores dizem que não: “Ninguém se lembra de sequer ter visto a mochila”. Depois de tudo, testemunhas relatam que os policiais voltaram a intimidar moradores em busca de gravações de celulares. Para fechar com chave e ouro, os policiais que mataram o rapaz não foram afastados! Deverão continuar mantendo a segurança e a paz de cemitério na região.

Quarta feira, 10 de Dezembro, 5h30 da manhã. Dois jovens, um de 18 outro de 19 anos, são assassinados a tiros no Jardim Brasil, bairro periférico da Zona Norte de São Paulo. Moradores acusam a polícia pelas mortes. A polícia diz ter sido chamada por conta de um tiroteio entre traficantes. Não há marcas de balas na comunidade. Ninguém confirma o tiroteio. Segundo a família, um deles sofria permanentes ameaças por parte da polícia.

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“Essas foram as notícias de hoje”. Mas aconteceu ontem e se repetirá amanhã. E não só em São Paulo, também no Pará, na Bahia, o Rio de Janeiro. Em todo país. O modelo de segurança pública responde à um projeto de proteção ao patrimônio privado, à manutenção de privilégios e à criminalização da pobreza e da população negra.

Segundo pesquisas mais recentes algo em torno de 82 jovens entre 16 e 29 anos são assassinados a cada 24 horas. Entre eles, 93% são do sexo masculino e 77% são negros. A polícia, que deveria proteger garantir e preservar a vida, é promotora da morte e age seletivamente, quando não prende, mata três vezes mais negros que brancos.

Eis o mantra de quem defende direitos humanos: repetir que, por mais que cidadãos estejam infringindo a lei, não é permitido ao policial o poder de prender, julgar, condenar e executar. Ainda que fosse, não há pena de morte no Brasil – ao menos no papel. O agente público não pode matar. Mas o faz! E de maneira deliberada, sistemática, quase como uma atribuição de sua função.

2014 entra para a história como um dos anos mais sangrentos em São Paulo. O governador Alckmin e sua polícia conseguiram matar mais nos últimos 11 meses (506 até novembro) do que em todo 2006, ano em que a polícia revidou os chamados “ataques do PCC” e ceifou 495 vidas. Aliás, época de governo Alckmin também, que havia se licenciado para concorrer à presidência da república. Ou seja, Alckmin católico fervoroso, alcançou a proeza de quebrar seu próprio recorde! Mas o que dizer sobre o quinto mandamento?

Esses casos são típicos. Práticas de execução sumária. O primeiro, com o garoto Thiago, é emblemático: Há testemunhas e gravações audiovisuais. E diante das provas, o que temos? Uma Secretaria de Segurança Pública que mente; Um governo que promove e acoberta uma instituição criminosa; e um exército mortal que, em serviço e fora dele, cumpre com excelência seu papel: Mata preto e mata pobre, todos os dias!

Diário do Centro do Mundo » Em 2014, polícia de SP ‘quebra recorde de mortes de negros e pobres’

06/12/2014

Só para a Rede Globo do Ali Kamel não há racismo

Ali Aranha comeu KamelA Rede Globo escalou Ali Kamel, seu chefe de jornalismo, para perpetrar um livro: Não somos racistas. Mas os fatos estão provando o contrário. Para a Globo, pior para os fatos. Já que para eles o que importa é a versão que eles vendem. Talvez por isso só aumente a aversão pela Globo. Esconderam ditadura com suas prisões ilegais, as torturas, os estupros, os assassinatos, os esquartejamentos, as desovas em valas clandestinas. De nada adiantou admitir que errou em apoiar a ditadura, o editorial saudando a chegada da ditadura é uma peça, é como se fosse uma tatuagem na alma da Rede Globo. Por mais pó que passe, e, como sabem Aécio e Casagrande, há muito pó por lá, a cicatriz teima em aparecer. Por todos os lados, todos os dias, em campos de futebol, como na Arena da OAS, nos altares, o racismo continua dando as caras.

Em pleno século XXI, políticos com interesse em ocupar a Presidência convocam e participam de atos racistas, pedido a volta da ditadura e atacando negros e homossexuais. Não estariam fazendo isso não houvesse, primeiro, a lavagem cerebral perpetrada pelos assoCIAdos do Instituto Millenium. Graças aos preconceitos, às difamações e às manipulações dos grupos mafiomidiáticos os movimentos de ultradireita, nazistas, estão brotando. Deve-se às cinco irmãs que as ratazanas estão saindo das bocas de lobo para cairem de boca com os Lobões da vida.

Diante de tantos pecados, seriam uma pena se não existisse inferno. Tem horas, como esta, que sinto pena do diabo!

Padre negro sofre racismo e é transferido após contrariar “fiéis” ricos e conservadores

Transferência de padre negro causa revolta na cidade de Adamantina, interior de São Paulo. Wilson Luís Ramos enfrentou preconceito racial e resistência de fiéis ricos e conservadores, que não concordam com o fato de pobres e excluídos terem sido atraídos para a sua Paróquia

padre wílson negro racismo

Comunidade se mobiliza para que Padre Wílson, afastado e vítima de racismo, permaneça em Paróquia (divulgação)

Moradores de Adamantina, de 35 mil habitantes, no interior de São Paulo, se revoltaram com a decisão da Igreja Católica de substituir um padre negro, vítima de preconceito racial e de fieis insatisfeitos com sua forma de administrar a Paróquia Santo Antônio, a principal da cidade.

Além do preconceito, o padre Wilson Luís Ramos enfrenta a resistência de fieis conservadores e ricos, que discordam do seu jeito simples e do fato de ter atraído pessoas pobres e excluídas –além de muitos jovens, entre eles usuários de drogas– para dentro da Matriz da cidade, onde chegou em 2012.

Incomodados com o padre, um grupo de fieis reclamou com o bispo que, depois de fazer uma consulta na cidade, decidiu pela troca de padre, alegando que ele dividiu a paróquia. Mas a decisão do bispo de Marília, Dom Luiz Antônio Cipolini, tomada em 28 de novembro, revoltou os moradores, que foram às redes sociais e às ruas fazer manifestações para tentar manter Ramos na cidade.

A situação gerou uma onda de protestos em toda a cidade. Um abaixo-assinado de apoio ao padre recebeu 5 mil assinaturas em dois dias; na Câmara Municipal, todos vereadores declararam apoio ao padre, na última sessão, segunda-feira; e até pastores da Igreja Evangélica declaram apoio e criticaram abertamente a decisão do bispo.

Os jovens ligados à igreja — que já tinham feito um abraço simbólico na igreja matriz e escrito frases de apoio nos vidros dos carros–, lançaram o abaixo-assinado na segunda-feira para coletar 20 mil assinaturas. “Já estamos com 5 mil assinaturas, em dois dias”, festejou nesta quarta-feira, José Lúcio Mantovani, um dos líderes do movimento de apoio ao padre. Segundo ele, as manifestações vão continuar nos próximos dias e documentos sobre o caso estão sendo reunidos para ser enviados ao superior do bispo.

“O que existe é um grupo de poucos fieis insatisfeitos com o padre. O bispo deveria atender o desejo da maioria, que quer a manutenção do padre na cidade. Mas acho que há forças ocultas que impedem que ele fique com nós e continue o trabalho maravilhoso que vem fazendo”, declarou Mantovani.

As forças ocultas poderiam ser interesses políticos da própria igreja em trazer de volta um padre que ficou na cidade por 13 anos e que foi substituído por Ramos pelo bispo anterior. Dom Luiz, que está na região há apenas um ano, gostaria de trazê-lo de volta, dizem os jovens. Outro motivo também seria o fato de o padre ser negro.

“Passei por diversos momentos de preconceito, que me causaram humilhação e sofrimento. Ainda outro dia flagrei duas senhoras na frente da igreja comentando que deveriam trocar o galo que está lá em cima, na cúpula, por um urubu”, contou padre Wilson.

O bispo também tem conhecimento do preconceito sofrido pelo padre. “Sabemos que ele tem sido vítima de preconceito por parte de fieis, mas sabemos que ele tem vencido esse preconceito, que não é a principal causa de sua saída”, afirmou Dom Luiz Cipolini. “O verdadeiro motivo é a divisão que ele causou na paróquia. É isso. E não podemos deixar que isso ocorra”, completou o bispo.

Dom Luiz contou que, ao tomar conhecimento das reclamações, pediu ao padre que escolhesse outra paróquia, o que foi negado por padre Wilson, mas que, para apurar melhor o que estava acontecendo em Adamantina, pediu ao Conselho de Presbíteros que fizesse uma consulta popular. “Após essa consulta, o padre decidiu por deixar a paróquia. Foi ele quem pediu”, afirmou o bispo. “Não é uma divisão qualquer, há uma parte muito grande da paróquia que é pela sua saída”, disse.

Padre Wilson diz que não é bem assim. “Depois de ser humilhado e passar por muito sofrimento por conta do preconceito e de sofrer muita pressão por parte do bispo para deixar a paróquia, eu não tive escolhe a não aceitar essa saída”, contou à reportagem. “Essa divisão que ele fala, não existe. O que existe é um pequeno grupo de fieis que é contra meu trabalho, pessoas que estavam havia 13 anos na coordenação das pastorais que não gostaram de ser substituídas”, contou. “Mas sempre defendi o entendimento como saída para este problema e há possibilidade de entendimento”, afirmou.

No entanto, para jovens que fazem parte dos grupos da paróquia, a realidade é que o bispo quer ver de volta o antigo padre. “Sabemos que há outros interesses, também. O bispo sabe que até na consulta feita na cidade, apenas algumas das 71 pessoas ouvidas foram contra o padre. E todas as 680 pessoas que se inscreveram para serem ouvidas na consulta enviaram cartas ao bispado manifestando apoio ao padre”, contou Ivanete Sylvestrino. “Há outros interesses, pois se o bispo fosse ouvir mesmo a maioria, ele decidiria em favor, não de meia dúzia de insatisfeitos, mas sim da grande maioria da população, que está se manifestando em apoio ao padre”, completou.

Chico Siqueira, Terra

Padre negro sofre racismo e é transferido após contrariar “fiéis” ricos e conservadores

28/11/2014

Thomas Piketty contra a desigualdade social

Ali Aranha comeu KamelOntem foi Rogério Cezar de Cerqueira Leite explicando porque votou em Dilma Rousseff. Dentre seus argumentos, destaco a inclinação, que não é da Dilma senão de toda Esquerda, pela diminuição das desigualdades sociais como forma de melhorar a convivência social. A centralidade no ser humano acima da competição acumulativa é um dos pontos que distingue a esquerda da direita. A Folha tenta capturar Piketty para atacar Dilma, afinal a sinalização do governo que se inicia beneficia o “mercado”. Só que a Folha está sempre ao lado do mercado, e faz da defesa da desigualdade seu cavalo de batalha. Não critica Dilma por querer apaziguar, mas por ter de ir contra sua própria filosofia. Acontece que tanto Lula quanto Dilma não têm da sociedade o apoio suficiente para desconsiderar que a sociedade brasileira é altamente conservadora, inclusive graças aos a$$oCIAdos do Instituto Millenium. A guerra dos grupos mafiomidiáticos contra Lula e Dilma é a maior prova de que as desigualdades sociais é uma bandeira que dá lucro, porque um povo explorado sem armas para se revoltar é a maior arma de uma elite com mentalidade escravocrata.

Thomas Piketty tem de seu lado economistas do tipo Paul Krugman, prêmio Nobel de Economia. Um dos pilares defendidos por Piketty é a cobrança de mais impostos às grandes fortunas. É assim na Suécia, país que pode dar aos cidadãos melhores condições de saúde e de educação. É claro que as famílias mais ricas, com a famiglia Marinho, da Rede Globo, que não só sonega, como luta pela sonegação geral. A luta da Globo é bem amarrada. Constrói ideologicamente a lógica da exploração centrada no enriquecimento de poucos encima da exploração de muitos. Quando o principal ideólogo da Rede Globo escreve um livro, Não Somos Racistas, fica patente que a Globo se perfila do lado da Casagrande contra a Senzala.

A luta brasileira para diminuir a desigualdade social hoje está mais centrada nos grupos da velha mídia que tentam legitimar a desigualdade, cooptando corações e mentes com livros que justificam sua lógica.

ENTREVISTA THOMAS PIKETTY

É um erro achar que país precisa de mais mercado

Economista francês que virou celebridade mundial diz que desigualdade brasileira é subestimada

RODRIGO VIZEUEDITOR-ASSISTENTE DE "MUNDO"

No dia em que o governo brasileiro oficializou um novo ministro da Fazenda simpático ao mercado, o economista francês Thomas Piketty, autor do best-seller "O Capital no Século 21", afirmou considerar um erro pensar que o Brasil precisa de mais mercado e menos intervenção na economia.

Piketty, que está no Brasil para promover o livro que lhe rendeu status de celebridade no debate econômico, não quis discutir especificamente a nova equipe econômica, mas afirmou que "seria um erro pensar que o Brasil fez demais na área social e para reduzir a desigualdade".

Em seu livro, o francês sustenta que a desigualdade voltou a aumentar nas últimas décadas, beneficiando herdeiros e prejudicando a ascensão social, o que colocaria em risco a democracia.

Em entrevista à Folha, Piketty, que já foi citado em discurso pela presidente Dilma Rousseff, reclamou que dados de má qualidade fazem com que a desigualdade brasileira seja subestimada, e sua redução, alardeada pelo governo, talvez exagerada.

Folha – Recentemente, Dilma disse que o Brasil vai contra a corrente internacional de alta da desigualdade que seu livro aponta. O sr. concorda?

Thomas Piketty – Políticas de educação e transferências sociais como as que foram aplicadas em certa medida no Brasil nestes dez últimos anos podem permitir ir contra a corrente de aumento da desigualdade, mas ela realmente diminuiu?

Não é tão certo, é possível que tudo tenha sido puxado para cima, inclusive os mais pobres, mas não necessariamente em maior proporção que os mais ricos.

A forma como medimos a desigualdade sem dúvida a subestima. No Brasil, ela é sem dúvida ainda mais alta do que muitas estatísticas oficiais dizem porque a maior parte delas se baseia em pesquisas familiares com autodeclaração. O problema dessas pesquisas é que temos tendência a subestimar o topo da distribuição. Infelizmente, tem sido muito difícil acessar os dados fiscais do Brasil.

Falta transparência?

Estudo recente (de pesquisadores da Universidade de Brasília) sugere que, se utilizamos dados fiscais, o nível das desigualdades no Brasil aumenta. Não sabemos muitas coisas sobre a distribuição da renda no Brasil e precisamos de mais transparência para ver melhor em que medida os diferentes grupos sociais se beneficiam do crescimento.

É evidente que todo o mundo se beneficiou do crescimento dos últimos 15 anos. Agora, em qual proporção exatamente os diferentes grupos se beneficiaram dele não sabemos muito bem. É possível que se tenha exagerado um pouco a [divulgação da] redução das desigualdades no Brasil.

Dilma também disse preferir investir em consumo e educação para lutar contra desigualdade a fazer taxação, como o sr. defende. Isso é suficiente?

Também é preciso reforma fiscal, de um imposto progressivo sobre a renda e sobre o patrimônio. Precisamos da reforma fiscal para financiar a educação. Acrescento que uma parte das desigualdades grandes do Brasil se explica pela relativamente baixa progressividade do sistema fiscal.

Como seria a reforma?

A faixa mais alta de Imposto de Renda no Brasil é de 27,5%, inferior à menor dos Estados Unidos. Creio que uma das razões pela qual há muito desigualdade no Brasil é a progressividade de IR relativamente baixa. Há também muitos impostos indiretos, que são regressivos e pesam sobre as camadas populares.

É importante também tratar de forma diferente as rendas anuais de R$ 100 mil e de R$ 1 milhão, R$ 5 milhões e R$ 10 milhões. Poderíamos ter faixas mais elevadas, de 50%, 60%.

Como na sua França natal?

Também como os EUA, o Reino Unido, a Alemanha, que têm taxas que vão até 40%, 50%. É ainda mais impressionante o imposto sobre herança, 4% [na maioria dos Estados] é realmente baixo, muito perto de zero.

É possível ter uma economia dinâmica e sistema capitalista próspero com imposto sobre herança alto. Para as novas gerações que não têm patrimônio familiar e procuram comprar apartamento em São Paulo, é muito difícil se você só tem a renda de seu trabalho. Não é normal que você ganhe R$ 100 mil por ano com seu trabalho e pague muito mais de imposto do que se você recebesse R$ 100 mil de herança de sua família.

O governo oficializou uma nova equipe econômica com um ministro da Fazenda mais ligado ao mercado e vindo de uma escola liberal. Que avaliação o sr. faz disso?

Não conheço o contexto político brasileiro, não posso me pronunciar. Quem quer que seja colocado no comando da política, qualquer que seja a orientação, os níveis de desigualdade muito altos que temos no Brasil devem ser questionados e tratados pelo governo, assim como a baixa progressividade do sistema fiscal.

Mas abordagem liberal e pró-mercado é boa ideia para enfrentar tais desafios?

Precisamos de mercado e também de poder público que tome decisões que permitam a cada um de se beneficiar da globalização e dos mercados.

Eu tento ir além dessas oposições um pouco teóricas e ideológicas. Creio que que seria um erro pensar que o Brasil fez demais na área social, que fez demais para reduzir a desigualdade, que agora é preciso mais mercado, menos intervenção, eu acho que isso seria um erro.

Apesar dos esforços que foram feitos em políticas sociais nos últimos 15 anos, o Brasil continua extraordinariamente desigual. O nível de investimento social, educacional para os desfavorecidos da população brasileira continua insuficiente.

O sr. defende que os estudos em economia levem em conta aspectos históricos, sociais, políticos e culturais. Isso é importante também para a gestão econômica do governo?

Sim, é importante para o governo também. A questão econômica é importante demais para ser deixada para economistas, que às vezes tentam fazer crer que dispõem de uma ciência realmente complicada que os outros não podem compreender e que é preciso deixá-los em paz. Isso é uma piada gigantesca.

O nome de seu livro, que remete a Karl Marx, e algumas de suas opiniões fazem que muitos o considerem anticapitalista.

O problema é que há gente que vive ainda na Guerra Fria e tem necessidade de inimigos anticapitalistas. Não sou esse inimigo. Creio no capitalismo, na propriedade privada e nas forças do mercado.

Nasci tarde demais para ter a menor tentação que seja pelo comunismo de tipo soviético. Isso não me interessa. Ao mesmo tempo, acho que temos necessidade, basta ver a crise de 2008, de instituições públicas muito fortes para regular o mercado financeiro e as desigualdades produzidas pelo capitalismo.

Sua defesa de um imposto global sobre grandes fortunas já foi feita por outros autores e nunca avançou. Não é ingênuo crer que seja realmente possível contrariar tantos interesses contrários?

Não precisamos esperar ter um governo mundial, um imposto unificado mundial para fazer progressos, se não arriscamos esperar um longo tempo. Podemos fazer progresso por etapas e a nível nacional. Há diferentes formas de imposto sobre capital e patrimônio em cada país, que podem ser melhorados de forma mais progressiva. Em seguida podemos progredir na cooperação internacional, como já tem sido feito quanto aos paraísos fiscais.

Como o sr. demonstra, a desigualdade no século 20 só caiu em um contexto de crise e reconstrução das sociedade após duas guerras mundiais. Seria mesmo possível algo tão ambicioso em tempos de paz?

As lições de história são importantes, as elites que não querem pagar mais impostos no Brasil, nos EUA e na Europa devem se lembrar que não é uma boa solução esperar a crise. Todo o mundo precisa de uma globalização que seja mais justa, que beneficie diferentes grupos sociais em proporção equilibrada. Se não, é a própria globalização que arrisca ser questionada.

08/11/2014

Coisas que o gaúcho fala

Ali Aranha comeu KamelSirvam nossas patranhas  de modelo a toda terra. Para quem é gaúcho, tudo o que não faz sentido acaba ganhando sentido. A começar pelo hino. Afinal, “povo que não tem virtude acaba por ser escravo”. Para justificar a escravidão o único argumento foi dizer que era um “povo que não tinha virtude”. Virtudes como a deputado Luis Carlos Heinze, o tiririca gaúcho, deputado federal mais votado do RS, que se elegeu com o lema de que “índios, gays e quilombolas não prestam”. 

Quando alguém diz impunemente o que disse Heinze abre-se a porteira para que brotem Wilson B. Duarte da Silva. Ninguém ouvirá de Pedro Simon um discurso contra seus racistas. Se o fizesse, perderia sua virgindades junto à RBS. Ele que está sempre com o dedo em riste para acusar os outros, em situações como esta não abre a boca, mas leva seu dedo sujo direto do rabo para o nariz.

Não causa surpresa quando um clube do tamanho do Grêmio seja o primeiro, e tomara seja o único,  a ser excluído de uma competição nacional por racismo. Tudo isso só é possível porque nos meios de comunicação o discurso racista já foi legitimado de antemão. Quando o maior responsável pelo jornalismo na Rede Globo escreve um livro para tentar provar que “Não somos racistas”, e o faz sob a benção de quem deveria zelar pela boa informação, tudo o mais está legitimado. Os maiores defensores da torcida racista do Grêmio batem cartão-ponto na RBS. Graças a RBS Pinochet é mais popular no RS que no Chile. Todos as pessoas que se destacam pelo conservadorismo, pelo ódio irracional aos movimentos sociais acabam ganhando espaço cativo na RBS. Que o diga Luis Carlos Prates

Que existam dois racistas como Luis Carlos Heinze & Wilson B. Duarte da Silva, não seria anormal não fossem ambos sufragados por votações democráticas consagradoras. Consagrados por dois tipos de eleitores, mal informados ou mal intencionados. De qualquer forma, só poderia acontecer onde a Rede Globo, via RBS, detém 80% do mercado de informação. O ódio aos nordestinos brota das mesmas raízes plantadas por empresas como a Multilaser e o Banco Itaú. Até porque quem financia o preconceito preconceituoso é.

Não é mero acaso que a meritocracia de aluguel do Aécio Neves, aquele que teve tudo menos por mérito, fez sucesso no RS. As bandeiras conservadoras, notadamente preconceituosas, encontram terreno fértil no RS. Por aqui, só valem políticas que transferem rendas para quem já tem. Uma velha lógica muito bem defendida pela nossa velha escola do Direito: “dar a cada um o que é seu; aos pobres, a pobreza, aos ricos a riqueza”.

"Negros já saem com loiras e comem em restaurantes. Estão quase brancos"

A frase acima é do vereador Wilson B. Duarte da Silva (PMDB) e foi proferida durante discurso contra vagas reservadas aos negros no serviço público

vereador racismo rio grande do sul

Vereador Wilson B. Duarte da Silva (PMDB-RS)

Durante discussão na Câmara de Rio Grande (RS) de projeto acerca da reserva de 20% de vagas para pessoas autodeclaradas negras ou pardas a fim de ingressarem no serviço público municipal, o vereador Wilson B. Duarte da Silva (PMDB) constrangeu boa parte do público presente. De acordo com o parlamentar, “os negros querem se favorecer, isso que é racismo, afinal os negros já estão quase brancos, estão saindo com loira, polaca, estão comendo em restaurantes…”. Leia abaixo texto de Jailton de Freitas Neves, coordenador do Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe, publicado no Jornal Agora:

“Na Sessão Plenária em que a pauta discutida na Câmara de Vereadores do Rio Grande/RS era o Projeto de Lei que dispõe sobre a reserva de 20% de vagas para autodeclarados negros e pardos para o ingresso no serviço público municipal. A Casa Legislativa estava amplamente ocupada por representantes de movimentos negros, coletivos, ONG’s, assim como cidadãs de diversos setores da sociedade riograndina, dentre as manifestações dos parlamentares, causou repúdio a todos presentes a fala do vereador Wilson B. Duarte da Silva (Kanelão), do PMDB.

VEJA TAMBÉM: Por que me tornei a favor das cotas para negros

O vereador Kanelão não se constrangeu em desqualificar a luta do Povo Negro entoando um discurso desrespeitoso àqueles que lutam por igualdade de oportunidades e contra toda forma de opressão: “Os negros querem se favorecer, isso que é racismo, afinal os negros já estão quase brancos, estão saindo com loira, polaca, estão comendo em restaurantes…”

Desprezando os índices estatísticos nacionais e a realidade de nossa periferia, assegurou que o povo negro não necessita de políticas públicas para inserção no mercado de trabalho, uma vez que já frequentam restaurantes, galgam posições e até casam-se com brancas (os). Para o Vereador, o alegado embranquecimento dos Negros da cidade do Rio Grande, respalda a posição contrária às ações afirmativas. Não é de espantar a posição do vereador Kanelão – como representante da burguesia – à defesa de seus interesses. Discurso de teor racista, que seguido de vaias, causou indignação a todos.

Dados divulgados pelo próprio governo demonstram que a mestiçagem racial não democratizou, de maneira alguma, as relações entre as “raças”. Isso simplesmente porque a riqueza do nosso País não foi “miscigenada”. Nos últimos dez anos dos governos do PT, os homicídios praticados contra jovens brancos diminuíram 33%, enquanto entre os jovens negros cresceu 23,4%. Os negros que representam 52% da população brasileira aparecem como 67% dos moradores das favelas. O número de 41.127 negros mortos, em 2012, e 14.928 brancos é um retrato cruel das diferenças raciais no Brasil e apenas apontam o estado emocional subjacente que vive cada pessoa e cada família negra brasileira.

Embora trabalhem tanto quanto os brancos, os negros recebem salários muito menores. Conforme a Síntese de Indicadores Sociais 2012, publicada pelo IBGE, enquanto um branco recebe em média 3,5 salários mínimos mensais, uma simples mudança no tom da pele derruba esse rendimento para 2,2 salários no Estado, o que representa uma diferença de 59%.

Como a dominação de classe, combinada à opressão racial, se manteve, o mito da democracia racial permanece até hoje como escudo ideológico dessa dominação/opressão. O Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe repudia o discurso e atitude do vereador Kanelão e se coloca como alternativa na luta contra o racismo burguês e capitalista e na defesa dos trabalhadores (as) negros(as) do Rio Grande. Esta luta transcende as questões raciais, pois mostra ser uma luta de classe, que precisa ser combatida com todo vigor.”

"Negros já saem com loiras e comem em restaurantes. Estão quase brancos"

20/09/2014

Jogando em casa, advogado do Fluminense garante ao Ali babá Kamel seus trinta dinheiros

Ali Aranha comeu Kamel

Ali Kamel ganha nova indenização de R$ 30 mil

O diretor de jornalismo da Globo foi à Justiça depois que o jornalista Marco Aurélio Cordeiro de Mello, ex-editor na emissora, usou seu blog para acusá-lo de manipular notícias “de forma inescrupulosa e desonesta” e de praticar assédio moral, intimidação e perseguição aos funcionários da empresa; no texto “O Desabafo”, publicado em 2013, Mello afirmou ainda que o antigo chefe grampeava telefones e invadia e-mails de subordinados; ainda cabe recurso

20 de Setembro de 2014 às 08:23

Do Conjur – A liberdade de imprensa e de expressão permite a veiculação de conteúdo crítico e até “cáustico”, desde que as informações sigam princípios éticos e não violem a honra de alguém. Assim entendeu a juíza Martha Elisabeth Sobreira, da 47ª Vara Cível da Justiça do Rio de Janeiro, ao condenar um jornalista a indenizar em R$ 30 mil o diretor geral de Jornalismo e Esporte da TV Globo, Ali Kamel.

Kamel (foto) foi à Justiça depois que o jornalista Marco Aurélio Cordeiro de Mello, ex-editor na emissora, usou seu blog para acusá-lo de manipular notícias “de forma inescrupulosa e desonesta” e de praticar assédio moral, intimidação e perseguição aos funcionários da empresa. No texto “O Desabafo”, publicado em 2013, Mello afirmou ainda que o antigo chefe grampeava telefones e invadia e-mails de subordinados.

O diretor da Globo argumentou que as condutas imputadas a ele são infundadas, gerando dano moral, e apontou que o texto fora produzido com “ânimo de retaliação” após Mello ter sido demitido em 2007. Já o blogueiro alegou ter exercido sua liberdade de pensamento e expressão, sem ter cometido qualquer ato ilícito.

Para a juíza que analisou o caso, “as referências feitas pelo réu ao autor exacerbaram o limite da crítica e debate de opiniões” e alcançaram “a seara da ofensa à honra, contrariando o que deveria ser a principal meta do comunicador, ou seja, o dever de informação e de formação da opinião pública”.

“Não se questiona o direto constitucional à livre manifestação de pensamento, à liberdade de imprensa e de expressão, (…) mas é imperioso reconhecer que os profissionais da comunicação têm o dever funcional de prestar informações comprometidas com a verdade e com os princípios éticos”, diz a sentença. Ainda cabe recurso. Em 2013, Mello já havia sido condenado a pagar R$ 15 mil a Kamel por outro texto no blog.

Clique aqui para ler a decisão.

Processo: 0285512-08.2013.8.19.0001

Ali Kamel ganha nova indenização de R$ 30 mil | Brasil 24/7

12/09/2014

Vogue Kids, a Playboy dos pedófilos

Nada mais natural que este tipo de publicação sai dos fornos onde reinou Xuxa e de onde sai a criminalização dos jovens e adolescentes pobres. Certamente que não é por publicações como esta que Aécio Neves quer a Menoridade Penal. Logo o Aécio, um contumaz infrator. Sabe-se perfeitamente que nada acontece à Globo, nem por incitar e excitar os pedófilos, assim como não aconteceu nada por se insurgir contra as cotas. Se Ali Kamel ousou escrever um livro com o sugestivo título “Não somos racistas”, não me admire que seu próprio livro enverede por algo do tipo “Não somos pedófilos”…

Então a tal de Criança Esperança era para isso aí?!

Revista é acusada de publicar imagens sensuais de crianças

‘Vogue Kids’ diz que não foi notificada e que não vai falar sobre o caso

Ministério Público e Polícia Federal vão analisar queixas; advogada diz que fotos ferem artigos do ECA

GIOVANNA BALOGHDE SÃO PAULO

A revista "Vogue Kids", encartada neste mês com a "Vogue", foi criticada em redes sociais e acusada por um instituto de ter publicado fotos de meninas menores de idade em poses sensuais, vestidas de biquíni. Em algumas imagens, elas aparecem deitadas e com pernas abertas.

Queixas sobre o ensaio "Sombra e Água Fresca" se espalharam em redes sociais e chegaram nesta quinta (11) ao Ministério Público federal e estadual e à Polícia Federal. Os órgãos avaliarão o caso.

Procurada, a revista afirmou que não foi notificada e não tem nada a declarar sobre o assunto.

O instituto Alana, organização de defesa dos direitos das crianças, é autor de uma das acusações.

"São garotas em poses sensuais e [existe] uma clara adultização precoce dessas crianças", afirma a psicóloga Laís Fontenelle, que integra a entidade.

Para a psicóloga, as meninas estão fazendo propaganda das roupas, o que é vetado pelo Conanda (Conselho Nacional dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes), órgão ligado à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência.

Resolução deste ano do órgão proíbe a publicidade direcionada a crianças.

Mãe de uma menina de dois anos, a roteirista Renata Corrêa, 31, ficou indignada com a publicação e colocou as fotos nas redes sociais.

Apagou-as em seguida, justificando que as crianças já haviam sido expostas demais, mas seu desabafo gerou mais de 1.000 compartilhamentos em poucas horas. Um grupo no Facebook chamado Pediatria Integral tinha mais de 4.000 compartilhamentos com as imagens.

"Muitas vezes, quando pensamos em pedofilia, imaginamos um um cara se escondendo atrás do computador. Mas a gente não fala de uma cultura de pedofilia, em que a imagem das crianças é explorada de uma forma sexualizada", diz Renata.

A advogada Ana Lucia Keunecke, da Artemis (entidade de defesa ao direito da mulher), diz que as fotos ferem artigos do Estatuto da Criança e do Adolescente.

"As meninas estão claramente em um situação de vulnerabilidade. Fere a moral dessas crianças mesmo que o ensaio tenha tido a autorização dos pais", explica.

O advogado de família Danilo Montemurro diz que o Ministério Público poderá entrar na Justiça com uma ação civil para determinar o recolhimento da revista e multa.

Também segundo ele, os pais das crianças podem virar réus por terem autorizado as fotos. "Além da exposição sexualizada, as crianças foram expostas como adultos. Isso fere o artigo 17 do ECA, que preserva o direito da identidade do menor", diz.

08/09/2014

Pois é, Ali Kamel, “Não Somos Racistas”?!

Ali Aranha comeu Kamel

Quando o responsável por toda área de jornalismo da Rede Globo se dispõe a escrever um livro para provar que não somos racistas, imagine o que o cara não faz. Coisas impublicáveis. O que aconteceu no Grêmio é mais ou menos o que acontecia nas novelas, que diminuiu mas não acabou. Nas novelas, mulher negra ou era uma gostosa que aparecia quase nua, ou como doméstica. Quando um crime é cometido por um menor negro, a Globo e suas filiais fazem longas matérias pedindo a menoridade penal. Quando um crime é cometido por rapaz branco, com o carrão do papai, ninguém lembra em pedir menoridade penal.

É por isso também que a política de cotas implantada pelo Governo Federal causou tanto ódio na Rede Globo e Veja, a ponto daquele capitão-de-mato ter sido elevado à condição de chefe geral de jornalismo da Rede Globo e afiliadas. É inacreditável mas já ouvi pessoas dizendo que a política de cotas é que cria o racismo. É muita indigência mental. A RBS, ao reproduzir, acriticamente e sem constrangimento, a Rede Globo, é também responsável pela continuidade desse racismo nem sempre explícito, mas subjacente.

Como escreveu o Juremir: “Se o termo macaco não é gritado com conotação racista, por que não é usado para insultar goleiros brancos que fazem cera?

Quem massacrou a pobre torcedora do Grêmio?

Postado por Juremir em 6 de setembro de 2014Uncategorized

Muitos estão com pena da torcedora do Grêmio que, com suas injúrias raciais, levou à exclusão do Grêmio da Copa do Brasil.

Leio aqui e ali que estão fazendo uma maldade com o Grêmio, que é tudo culpa da mídia, e com a guria.

Ela é bem crescidinha para saber o que estava fazendo.

Quem fez a maldade foi a torcida que ofendeu o goleiro do Santos.

Mas a moça merece atenuantes. Não agiu sozinha.

Se, de fato, como sustentam certos gremistas, o termo macaco não é usado por eles com intenção racista, por que não se apresentam na delegacia e dizem que cantaram  e gritaram também? Por que não lançam a campanha “somos todos Patrícia”?

Ela disse que só foi no embalo. Logo, havia embalo, mais gente estava fazendo o mesmo. Por que não assumem se era apenas um grito inocente no calor do jogo? Por que deixam uma única torcedora afundar sozinha? Por que não se solidarizam?

Por que se escondem? Por que negam? Por que deixaram a moça se ferrar sozinha?

Se o termo macaco não é gritado com conotação racista, por que não é usado para insultar goleiros brancos que fazem cera?

Por que não é gritado para jogadores brancos do Internacional, que adotou um macaquinho como mascote na tentativa de diluir com humor as brincadeiras de teor duvidoso enfrentadas ao longo do tempo e dos jogos?

O mascote do Santos não é macaco. O Inter não estava em campo.

A cena não é inédita. O Grêmio, que não é racista, não tomou providências  consistentes antes. Depois do ocorrido, a atual direção foi nota dez. Atuou como deveria. Fez tudo certo. Identificou, suspendeu, entregou imagens. Só que era tarde. Pode ser que o Grêmio seja perdoado em instância superior. Não dizem que o Brasil é o país da impunidade? É o que muitos estão defendendo agora. Se isso acontecer, o racismo sairá mais uma vez vencedor. Apenas mais um capítulo numa longa história de panos quentes. O Grêmio não é o único clube brasileiro a ter torcedores que cometem atos racistas, mas foi o primeiro a ser punido. O importante é que outros venham a ser sancionados também. Tem gente tentando minimizar, relativizar, desculpar.

Aranha e todos os negros que já foram chamados de macacos em estádios de futebol merecem mais do que desculpas estratégicas ou sinceras. Merecem que os agressores recebam algum tipo de punição para que esse tipo de infâmia nunca mais aconteça. A imagem de qualquer clube de futebol é menos importante do que o combate ao racismo e a todo tipo de preconceito.

Essa imagem, de resto, deve ser preservada com atitudes permanentes contra manifestações preconceituosas.

A luta contra o racismo no mundo sempre teve algum fato detonador. Os agressores, enfrentados, sempre reagiram com o mesmo pseudoargumento: se todo mundo faz, por que eu vou pagar? Porque é preciso que se comece a pagar.

Os que sentem pena da moça, execrada enquanto seus cúmplices se escondem, sentem o que por Aranha?

Há quem não sinta assim tanta pena da moça, mas só queira livrar o Grêmio da parada. Os torcedores representam o clube da sua afeição. No caso, não há qualquer manipulação. Não eram infiltrados para prejudicar o Grêmio. Aqueles que persistiram no jogo seguinte passaram recibo. Enquanto muitos se preocupam com a imagem dos clubes, há algo mais importante com o que se preocupar: a imagem dos negros. É abominável que em 2014 grupos organizados chamem negros de macacos.

Existe racismo. consciente ou inconsciente, na afirmação de que está havendo exagero na condenação. Nas entrelinhas desse argumento, aparece algo como “tanto barulho só porque um negro foi chamado de macaco”. E uma conclusão só aparentemente sensata: “Quantas vezes isso aconteceu antes?” Ou “Todo mundo faz”. Não, nem todo mundo faz.

Para quem insiste em não ler esta parte: manifestações homofóbicas, inclusive de parte da torcida do Inter, são igualmente condenáveis. O tempo de se divertir insultando os outros terminou.

O resto é enrolation.

Quem massacrou a pobre torcedora do Grêmio? Juremir Machado da Silva – Correio do Povo | O portal de notícias dos gaúchos

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