Ficha Corrida

26/07/2016

Teoria da DependênCIA, de FHC & CIA

FHC & ClintonCom nojo dos nossos grupos mafiomidiáticos, vejo  todos os dias a RAI, Rede Internacional de Televisão Italiana. É uma espécie de fuga, confesso, e de saúde mental, gostaria de crer. Não perco os episódios “Un giorno nella Storia”. Hoje, por exemplo, falava de Vitaliano Brancati, um escritor siciliano que flertou com o início do fascismo mas que cedo renegou-o. Não é a todos que é dado a capacidade de identificar o ovo da serpente. Alguns só se dão conta depois de serem picados.

Poucos descobriram em FHC um agente dos interesses norte-americanos. Menos ainda foram os que denunCIAram seu trabalho de quinta coluna. Eleito e tendo feito das tripas  coração para destruir, com o PDV e a privataria, pouco se associou seus antecedentes teóricos com a prática no executivo.

Afinal, será que é tão difícil assim entender que a Teoria da Dependência é seu tributo aos seus finanCIAdores ideológicos. Se eu disser que só serei independente se depender de meu pai, dirão que sou louco, mas essa tem sido o projto de vida de FHC: o Brasil só se tornará um país independente se submeter aos EUA. FHC acredita que é melhor viver de migalhas, embaixo da mesa, do que tentar participar do banquete. Nunca uma personagem da história do Brasil encarnou tão bem o Complexo de Vira-Lata. Quando teve a oportunidade, FHC pôs em prática sua teoria, de subserviente. O modelo fracassou de público e crítica.

A eleição de Lula foi um giro de 180º. Pegou um time desacreditado em si e transformou em campeão da transformação social. Não só em termos econômicos, mas na esperança de chegar à universidade, de ter acesso aos serviços públicos, como saúde, mas, sua primeira iniciativa foi atuar para que os miseráveis pudessem fazer pelo menos 3 refeições por dia. Nem precisa dizer que sofreu todo tipo de boicote e ódio. Basta citar apenas dois episódios emblemáticos: Danusa Leão, musa da plutocracia, manifestando sua inconformidade com o fato de ter de dividir aeroportos internacionais com filhos de empregadas domésticas. O segundo exemplo foi dado por um funcionário da RBS, Luis Carlos Prates, representante máximo da cleptocracia midiática, que se mostrou inconformado com o fato de que, nos governos petistas, “qualquer miserável agora pode ter um carro”. 

As cinco famílias que dominam os tradicionais meios de comunicação (Civita, Frias, Mesquita, Marinho & Sirotsky) atuam como caranguejos no balde: quando um pobre caranguejo está buscando sair do balde, os outros o puxam pelas pernas. Bastou o Brasil respirar um pouco de democracia para que a plutocracia se insurgisse e construísse esse golpe paraguaio. Um golpe que coloca no comando da nação um exemplo clássico de quadrilha a serviço. Minam as esperanças e entregam o patrimônio, arduamente construído por todos os brasileiros,aos moldes dos antigos sátrapas persas.

E tudo isso se tornou possível, inclusive o golpe em curso, graças ao amestramento da manada de midiota que tem na Rede Globo sua égua madrinha. Tanto é assim que hoje a justiça já não é mais aquela ditada pelo STF, mas pelo Merval Pereira, o porta-boss da elite cleptocrata.

A vocação suicida da elite. Por Eleonora de Lucena

Por Fernando Brito · 26/07/2016

A natureza colonial de nossa elite, antes de significar a adesão à metrópole, implica a renúncia à ideia de ter um destino próprio. Ela  não se vê e não se quer como parte – privilegiada que seja – de uma nação, para o que é necessário compreender pertencer a um povo.

Num rabisco sociológico, não tem sentimentos de pertença – de ligação natural, de mesmo heterogênea, fazer parte de uma coletividade nacional. O prior, ainda seguindo este esboço, é que esta elite serve como referência para um grupo imensamente – e ponha imensamente num país com o grau de urbanização e o tamanho do Brasil – que a elas imita, porque a ele quer e crê pertencer.

Duro, mas preciso, o artigo da jornalista Eleonora de Lucena, na Folha de hoje, é um retrato agudo do comportamento desta elite, que não é apenas suicida, porque mata, ou tenta matar ao longo da história, a vocação do Brasil para ser uma das grandes – e certamente a de mais “biodiversidade” humana – nações deste planeta.

Escracho

Eleonora de Lucena*, na Folha

A elite brasileira está dando um tiro no pé. Embarca na canoa do retrocesso social, dá as mãos a grupos fossilizados de oligarquias regionais, submete-se a interesses externos, abandona qualquer esboço de projeto para o país.

Não é a primeira vez. No século 19, ficou atolada na escravidão, adiando avanços. No século 20, tentou uma contrarrevolução, em 1932, para deter Getúlio Vargas. Derrotada, percebeu mais tarde que havia ganho com as políticas nacionais que impulsionaram a industrialização.

Mesmo assim, articulou golpes. Embalada pela Guerra Fria, aliou-se a estrangeiros, parcelas de militares e a uma classe média mergulhada no obscurantismo. Curtiu o desenvolvimentismo dos militares. Depois, quando o modelo ruiu, entendeu que democracia e inclusão social geram lucros.

Em vários momentos, conseguiu vislumbrar as vantagens de atuar num país com dinamismo e mercado interno vigoroso. Roberto Simonsen foi o expoente de uma era em que a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) não se apequenava.

Os últimos anos de crescimento e ascensão social mostraram ser possível ganhar quando os pobres entram em cena e o país flerta com o desenvolvimento. Foram tempos de grande rentabilidade. A política de juros altos, excrescência mundial, manteve as benesses do rentismo.

Quando, em 2012, foi feito um ensaio tímido para mexer nisso, houve gritaria. O grupo dos beneficiários da bolsa juros partiu para o ataque. O Planalto recuou e se rendeu à lógica do mercado financeiro.

Foi a senha para os defensores do neoliberalismo, aqui e lá fora, reorganizarem forças para preparar a reocupação do território. Encontraram a esquerda dividida, acomodada e na defensiva por causa dos escândalos. Apesar disso, a direita perdeu de novo no voto.

Conseguiu, todavia, atrair o centro, catalisando o medo que a recessão espalhou pela sociedade. Quando a maré virou, pelos erros do governo e pela persistência de oito anos da crise capitalista, os empresários pularam do barco governista, que os acolhera com subsídios, incentivos, desonerações. Os que poderiam ficar foram alvos da sanha curitibana. Acuada, nenhuma voz burguesa defendeu o governo.

O impeachment trouxe a galope e sem filtro a velha pauta ultraconservadora e entreguista, perseguida nos anos FHC e derrotada nas últimas quatro eleições. Privatizações, cortes profundos em educação e saúde, desmanche de conquistas trabalhistas, ataque a direitos.

O objetivo é elevar a extração de mais valia, esmagar os pobres, derrubar empresas nacionais, extinguir ideias de independência. Em suma, transferir riqueza da sociedade para poucos, numa regressão fulminante. Previdência, Petrobras, SUS, tudo é implodido com a conversa de que não há dinheiro. Para os juros, contudo, sempre há.

Com instituições esfarrapadas, o Brasil está à beira do abismo. O empresariado parece não perceber que a destruição do país é prejudicial a ele mesmo. Sem líderes, deixa-se levar pela miragem da lógica mundial financista e imediatista, que detesta a democracia.

Amargando uma derrota histórica, a esquerda precisa se reinventar, superar divisões, construir um projeto nacional e encontrar liderança à altura do momento.

A novidade vem da energia das ruas, das ocupações, dos gritos de “Fora, Temer!”. Não vai ser um passeio a retirada de direitos e de perspectiva de futuro. Milhões saborearam um naco de vida melhor. Nem a “teologia da prosperidade” talvez segure o rojão. A velha luta de classes está escrachada nas esquinas.

*Eleonora de Lucena é repórter especial da Folha e foi Editora-executiva do jornal de 2000 a 2010

A vocação suicida da elite. Por Eleonora de Lucena – TIJOLAÇO | “A política, sem polêmica, é a arma das elites.”

5 Comentários »

  1. Republicou isso em Alo Presidenta do Brasil.

    Comentário por charlesfildes — 26/07/2016 @ 10:14 pm | Responder

  2. […] Com nojo dos nossos grupos mafiomidiáticos, vejo todos os dias a RAI, Rede Internacional de Televisão Italiana. É uma espécie de fuga, confesso, e de saúde mental, gostaria de crer. Não perco os episódios “Un giorno nella Storia”. Hoje, por exemplo, falava de Vitaliano Brancati, um escritor siciliano que flertou com o início do fascismo…  […]

    Pingback por Teoria da DependênCIA, de FHC & CIA |... — 26/07/2016 @ 12:16 pm | Responder

  3. Republicou isso em Gustavo Hortae comentado:
    VOCÊ QUER QUE ELE FIQUE?
    Aqui caminhamos mesmo na contra-mão, com o GOLPE patrocinado e apoiado pelos trouxinhas golpistas!

    PRIMEIRAMENTE, #FORATEMER

    QUEREMOS É CONGRESSO SEM BANDIDOS, JUSTIÇA SEM PARTIDOS, MÍDIA SEM CANALHAS, GOVERNOS SEM A QUADRILHA SACANA,… PUTAQUEOPARIU!
    >> https://gustavohorta.wordpress.com/2016/07/26/queremos-e-congresso-sem-bandidos-justica-sem-partidos-midia-sem-canalhas-governos-sem-a-quadrilha-sacana-putaqueopariu/

    ACREDITA NISSO? “Lembra do trensalão? Alckmin acaba de perdoar dívida de R$ 116 milhões de empresa envolvida no escândalo” – CERTEZA DA IMPUNIDADE NEM OS FAZ ENRUBECER…
    >> https://gustavohorta.wordpress.com/2016/07/25/acredita-nisso-lembra-do-trensalao-alckmin-acaba-de-perdoar-divida-de-r-116-milhoes-de-empresa-envolvida-no-escandalo-certeza-da-impunidade-nem-os-faz-enrubecer/

    “A negociação, concluída em janeiro deste ano, ocorreu em um contrato com a multinacional Alstom no qual o Metrô, que enfrenta grave crise financeira, apontava perdas de cerca de R$ 300 milhões, afirma o jornal”

    Comentário por gustavo_horta — 26/07/2016 @ 10:29 am | Responder

  4. Republicou isso em O LADO ESCURO DA LUA.

    Comentário por anisioluiz2008 — 26/07/2016 @ 10:05 am | Responder

  5. Republicou isso em Luíz Müller Blog.

    Comentário por Luiz Müller — 26/07/2016 @ 9:53 am | Responder


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