Ficha Corrida

19/03/2016

Lula e o mito de Sísifo

Filed under: Caça ao Lula,Golpe Paraguaio,Lula Seja Louvado,Mitologia,Sísifo — Gilmar Crestani @ 9:47 am
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sisifoSísifo foi condenado a carregar uma pedra até o cume da montanha. Todo vez que lá chegava, a pedra rolava de volta ao ponto de partida e tinha de retomar a tarefa. O esforço sobre-humano para rolar a pedra morro acima cumulado com a determinação, infrutífera, de manter a pedra no alto e a frustração decorrente da consciência do esforço, revela o absurdo da vida humana na terra. Mas não só. Serve também para explicar situações em que tudo parece se voltar contra, criando uma sensação que a ciência chama de fadiga dos metais.

Assim como Freud utilizada o mito de Édipo para explicar o fenômeno humano da atração do filho pela mãe, Albert Camus viu n’O Mito de Sísifo uma explicação para o absurdo da existência humana, uma vez apenas nós humanos temos consciência da finitude. O desespero derivada desta constatação pode  levar ao suicídio. Mas esta não é solução. Não é por acaso que virou assunto caro a muitos filósofos, da antiguidade aos dias de hoje. Camus não concluiu pelo suicídio, mas pela revolta. O sujeito bipolar oscila entre o suicídio e a revolta. O homem de fibra tenaz racionaliza a revolta e a põe em causa que justifique aos vindouros a razão de sua existência. É por isso que o homem clássico grego concluiu que é melhor morrer lutando, uma morte honrosa, do que viver como escravo. Foi esta atitude que deu forças para que derrotassem, por exemplo, o poderoso império persa, até hoje assunto retomado em prosa em verso pelos mais variados ramos das ciências humanas.

Silva não contou com ajuda de equipe especializada para sair do ventre de D. Lindu. Veio ao mundo incorporando Sísifo. Mal nasce, começa a disputa por carinho e a atenção da mãe com os irmãos que o antecederam. Superada esta etapa, outra tarefa hercúlea lhe posta à mesa. O prato vazio. Tanto se repete que a migração se impõe. E de-le rolar pedras. Em terra estranha se requer doses ainda maiores de esforço e determinação. Como se todo dia, para sonhar com a janta e a cama, fosse necessário carregar nas costas uma Pedra da Gávea para o alto do Pico do Papagaio, sabendo que ao amanhecer ela estaria à porta esperando para ser novamente empurrada para o alto. Sabia que para sair do Silva e ganhar o Luiz Inácio teria de provar da bílis que o destino lhe impunha. A viagem de Silva para Lula foi mais longa e penosa que as vicissitudes de Sísifo. Pior do que a inclinação da montanha são as armadilhas que os seres humanos colocavam para que a pedra escorregasse. Não se comanda as maiores greves, em pleno período ditatorial, nem se inscreve o nome no panteão dos heróis da pátria sem vencer exércitos que mais parecem de zumbis pela rapidez com que se reproduzem. Contra todos os prognósticos, contra a força das maiores forças, Sísifo subiu a rampa do Planalto. Lula levara para dentro do Palácio um contingente de esperanças mais pesado que a Pedra da Gávea. E mal saberia ele que a pedra, ainda sob os ombros, só aumentaria de peso. Pior, firmada no alto como um marco no horizonte da humanidade, desceu a planície para aprecia-la.

Universidades-Agencia-sem-tabelaDe novo, como Sísifo, viu os zumbis derrubando, pedra por pedra, o alicerce que fizera o Brasil ser visto de forma diferente pelos quatro cantos do mundo. Se havia persistência em empurrar trabalhos colossais morro acima, como a transposição do São Francisco, as cotas raciais ou a criação de 14 Universidade Federais, o PROUNI, o FIES, também é verdade que o ódio de seus detratores aumentara na mesma proporção dos prêmios o honrarias internacionais que vem acumulando. Tanto que o Estadão cobrava efeitos imediatos da criação das universidades, como se fosse uma revolução coperniana, mudando o eixo do mundo, da terra para o sol.

A cada passo rumo ao ápice do sucesso multiplicam-se os soldados da inveja, em proporção muitas vezes superiores ao exército de terracota do imperador Qin Shi Huang. Após a etapa de cada sucesso outro desafio sempre maior se lhe apresenta.

E, de repente, a perseguição de que é objeto o catapulta para sucessos ainda mais espetaculares. A caçada implacável de que é vítima tem feito Lula crescer. Por que Lula foi feito pra luta, independentemente dos desafios que vão sendo interpostos em seu caminho.

O conhecimento que Lula legou ao brasileiros mais humildes, vias universidades públicas gratuitas, incorpora-se à força que o mantém vivo e incomodando tanto. E isso que os resultados universitários sempre tardam pelo menos cinco anos para aparecerem. É um processo, que parece um milagre.

Para desespero de seus detratores, Lula, como Sísifo, não se suicida, se revolta. E luta!

3 Comentários »

  1. Parabens…excelente texto. Muito honesto e pertinente. Neste momento precisamos ajudar Lula a carregar sua pedra.

    Comentário por Uilma Santos — 19/03/2016 @ 6:12 pm | Responder

  2. […] Sourced through Scoop.it from: fichacorrida.wordpress.com […]

    Pingback por Lula e o mito de Sísifo | Q RIDÃO... — 19/03/2016 @ 12:22 pm | Responder

  3. […] Sísifo foi condenado a carregar uma pedra até o cume da montanha. Todo vez que lá chegava, a pedra rolava de volta ao ponto de partida e tinha de retomar a tarefa. O esforço sobre-humano para rolar a pedra morro acima cumulado com a determinação, infrutífera, de manter a pedra no alto e a frustração…  […]

    Pingback por Lula e o mito de Sísifo | EVS NOT&Iacute... — 19/03/2016 @ 12:22 pm | Responder


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