Ficha Corrida

17/03/2016

Cevada, mas não é o que estás pensando

Manada de búfalosNo meu tempo de piá, caçávamos passarinho e pescávamos lambaris. E com muita técnica. Antes de armamos arapucas para jacus, nambus e pombas, preparávamos o local jogando ração por dias a fio. Também no rio onde pretendíamos pescar, jogávamos ração e assim íamos informando aos peixinhos onde todo dia haveria comida. As pombas caíam na arapuca; os peixes, na tarrafa.

O procedimento, mesmo sem nunca termos ouvido falar em Pavlov, sempre resultava concreto. O procedimento, com outros instrumentos e animais, está sendo aplicado pela Rede Globo.

O modus operandi dos grupos mafiomidiáticos não difere da nossa tecnologia rural. Ceva-se midiotas, colhe-se fascistas.

A ração composta de alienação e ódio, diariamente distribuídas de forma homeopática, mantém a manada amestrada e pronta para se atirar no precipício com a égua-madrinha. (Para quem não sabe, égua-madrinha é o animal que serve de guia à tropa já amestrada. Costuma-se pendurar um guizo (um sininho, cincerro), no pescoço para que, ao caminhar, seu som indique o rumo à manada. O peão que cavalga a égua madrinha é chamado de madrinheiro. E aí fica a dúvida se é a égua-madrinha ou o cavaleiro o verdadeiro condutor da manda.)

Os a$$oCIAdos do Instituto Millenium vêm cevando os girinos para que, na hora aprazada de converte-los em zumbis, possam amadrinha-los de forma automática. Bateu o guizo, manada em marcha. Eles dominam a técnica e vem aperfeiçoando desde 1954. Getúlio Vargas caiu na arapuca, mas preferiu se imolar  servir de carniça para os corvos que o rondavam. Em 1964, as mesmas cinco famílias que ainda hoje monopolizam o mercado de amestramento de manada, bateram o guizo e a manada, com Deus e pela família, marchou rumo aos tenebrosos dias da ditadura. Enquanto a manada acovardada continua pastando, as éguas madrinhas deitaram e rolaram no DOI-CODI. A Operação Bandeirantes – OBAN, do Cidadão Boilesen, se encarregou de alimentar o prostíbulo com vítimas para prazer dos sádicos nas sessões noturnas de tortura, estupro e esquartejamento. Está tudo devidamente documentado pela Comissão da Verdade. A Rede Globo até publicou editorial dizendo que foi um erro, mas a Folha saiu-se pela tangente dizendo que prender sem mandato, torturar, estuprar, esquartejar e depois esconder membros e vísceras em valas clandestinas era apenas ditabranda.

A cultura da violência e morte dos que não pensam como eles está no DNA. Cultivam a distribuição de ódio com a mesma tenacidade com que seus agentes estupravam as vítimas. Divulgou a Comissão da Verdade que os finanCIAdores da ditadura gozavam, literalmente, do direito de presenciarem as sessões de tortura dos presos clandestinos. Depois de alcançarem orgasmos nas sessões coletivas, a Folha ainda emprestava as peruas para o que restava dos corpos fossem jogados nas valas clandestinas do Cemitério de Perus.

Como na fábula da rã e do escorpião, é da natureza da velha mídia o compadrio com a ilegalidade. Será que ninguém lembra do Caçador de Marajás para entrarem de novo nesta balela de Caçadores de Lula? Felizmente, nem todo mundo se deixa amestrar de forma bovina.

Como diria o velho bardo lusitano, Camões:

Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.

Há pelo menos dois hilários problemas na estratégia. Primeiro, parecem ter confundido, talvez de tanto pensarem em putaria, Quarta Frota com Alexandre Frota. A Frota norte-americana para o Atlântico Sul ainda não disponibilizou um trac sequer para explodirem o Brasil. As malas de dinheiro podem ter chegado ao Kim Kataguiri, mas daí a financiarem um exército vai uma boa distância. Segundo, nem escalando Alexandre Frota vão conseguir foder com todos os brasileiros. Até agora o máximo que conseguiram foi estuprarem a Constituição. O que veremos é se os estuprados vão simplesmente relaxar e gozar.

A estratégia de arapuca, jamais superada no impacto e resultado, foi aquela proposta e executada por Leônidas, nas Termópilas, quando trezentos espartanos conseguiram deter Xerxes e seu exército por alguns dia, ceifando dezenas de milhares de “imortais” persas. Diz-se que eram imortais porque, sempre que um morria, seu lugar era imediatamente ocupado por outro, de modo que sempre haveria o mesmo contingente de imortais.

Enquanto a égua madrinha excita os batalhões do “somos todos CUnha”, nós somos todos Lula sempre!

4 Comentários »

  1. Está cada vez mais difícil encontrar algo que valha a pena ler na Internet… Excelente artigo. A democracia não pode ser cerceada jamais.

    Comentário por Didi — 17/03/2016 @ 6:24 pm | Responder

  2. Excelente artigo, vale muito a pena ler até o fim, pois desnuda o “modus operandi” utilizado pelas elites e a imprensa para adestrar midiotas que vem sendo utilizado mundo afora, com retrospectiva histórica de como tem sido utilizado no Brasil, ao longo da sua trajetória em busca da Democracia. O índice de aproveitamento da técnica é espantoso aqui no Brasil, em especial em São Paulo, onde a oposição ao crescimento do Brasil concentra os seus maiores rebanhos, todos ao seu inteiro dispor para marcharem para o precipício ao simples toque do WhatsApp.

    Comentário por Jô Meyer — 17/03/2016 @ 10:59 am | Responder

  3. […] Sourced through Scoop.it from: fichacorrida.wordpress.com […]

    Pingback por Cevada, mas não é o que estás pensando | Q RIDÃO... — 17/03/2016 @ 10:13 am | Responder

  4. […] No meu tempo de piá, caçávamos passarinho e pescávamos lambaris. E com muita técnica. Antes de armamos arapucas para jacus, nambus e pombas, preparávamos o local jogando ração por dias a fio.  […]

    Pingback por Cevada, mas não é o que est&aacut... — 17/03/2016 @ 10:12 am | Responder


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