Ficha Corrida

28/12/2015

De herói a santo esquecido da máfia midiática

Veja, edição de março de 2015O herói das cinco irmãs (Veja, Globo, Folha, Estadão & RBS), Eduardo CUnha ainda já escreveu seu epitáfio, mas a mídia já não o reconhece como filho dileto. Era presença diária nos a$$oCIAdos do Instituto Millenium como personagem que iria colocar o Brasil nos trilhos.

Nenhum político da atualidade tem sua identidade tão intrinsicamente ligada às velhas mídias como Eduardo CUnha. Incensado pelos midiotas golpistas de norte a sul, foi também sonho do Napoleão das Alterosas de se ver coroado como rei do Brasil.

Houvesse um MPF mais cumpridor das prerrogativas constitucionais do que máquina de fazer política, Eduardo CUnha & Famiglia Ltda já estariam gozando do mais que merecido descanso remunerado na prisão. Ainda já quem saia por aí, como a Marcha dos Zumbis, com a pregação apocalíptica, “Somos todos Cunha….”

Imprensa ainda não mostrou quem é Cunha

Veja, edição de março de 2015

Elmar Bones.

Uma pesquisa do Ibope, feita no inicio de dezembro, aponta que 86% dos brasileiros querem a cassação de Eduardo Cunha, o presidente da Câmara acusado de corrupção.

Os jornalões não deram importância ao fato e, em todos os casos, compararam esse resultado com os 67% que manifestaram-se pelo impeachment de Dilma Rousseff, em outra pesquisa do mesmo Ibope.

A diferença, além dos quase 20 pontos percentuais entre um e outro,  é que o impeachment de Dilma é o mote de uma campanha implacável que dura o ano inteiro e tem como pano de fundo uma crise política e econômica sem precedentes.

O caso de Cunha é outro. Ele foi apresentado pela mídia quase como um herói quando se elegeu presidente da Câmara, em fevereiro. Seu passado tenebroso foi escamoteado.

Nem mesmo quando apareceram as graves denúncias sobre suas contas na Suiça (obra de promotores suiços, diga-se) e, posteriormente,  seu envolvimento nas propinas da Operação Lava Jato,  nem quando mentiu na Comissão de Ética…nem quando a polícia federal com ordem judicial fez buscas em suas casas…

Em nenhum momento apareceu em qualquer dos veículos da grande imprensa uma reportagem que mostrasse de corpo inteiro esse triste personagem que alcançou o terceiro posto mais alto na hierarquia do poder nacional.

O único perfil de Eduardo Cunha publicado por um veículo de grande alcance foi uma reportagem de capa da revista Veja, em março de 2015, logo depois de sua eleição para a presidência da Câmara.

Esse perfil, na verdade, revela mais sobre a Veja do que sobre Cunha.

A revista apresenta-o como “o político mais poderoso do momento”, capaz de “resgatar a independência do parlamento frente ao executivo”.

Destaca “sua capacidade de trabalho, disciplina e o conhecimento das regras do jogo”.

Diz, claro, que ele começou como presidente da Telerj, em 1991, por indicação de Paulo Cesar Farias, o PC, chefe do esquema montado no governo Collor.

Mas essa ligação com PC aparece como um detalhe sem importância.

Assim como os recursos que arrecadava junto a “empresários amigos” para ajudar seus aliados, “agindo sempre em estrita obediência à Constituição”.

Depois de dois anos na Telerj, Cunha foi presidente da Companhia Estadual de Habitação, no governo de Anthony Garotinho. “Em seis meses teve que renunciar acusado de beneficiar a empresa de um ex-aliado”, mas “continuou com grande influência no governo, dando as cartas e trazendo para as obras do Estado a Delta Engenharia, então uma empresa pernambucana que tentava contratos com o governo do Rio”.

Diz o texto, assinado por cinco repórteres, que por sua eficiência e conhecimento, Cunha sempre foi lembrado por empresários para atender suas “demandas complexas” e “como só relógio trabalha de graça, Cunha, conta-se, cobra caro dos empresários por sua dedicação aos temas de interesse deles”.

“É pouco ético? É discutivel”, diz o texto que, em seguida, invoca uma fonte em off para justificar: “As vitórias atribuidas ao trabalho dele na Câmara com a tramitação de interesses legítimos de grupos econômicos são obtidas com toda a transparência. Foi assim conosco, diz um empresário do ramo da mineração”.

O fecho é primoroso: “Cunha pode não ser, como parece mostrar seu passado, um monumento a ética. Mas, desde que seus pecados pertençam ao passado e seu compromisso seja com a saúde institucional, a constituição e a democracia, há esperança…”

Imprensa ainda não mostrou quem é Cunha – Jornal Já | Porto Alegre

3 Comentários »

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    Pingback por De herói a santo esquecido da máfia midiática | Q RIDÃO... — 28/12/2015 @ 12:46 pm | Responder

  2. […] O herói das cinco irmãs (Veja, Globo, Folha, Estadão & RBS), Eduardo CUnha ainda já escreveu seu epitáfio, mas a mídia já não o reconhece como filho dileto. Era presença diária nos a$$oCIAdos do Instituto Millenium como personagem que iria colocar o Brasil nos trilhos. Nenhum político da atualidade tem sua identidade tão intrinsicamente ligada…  […]

    Pingback por De herói a santo esquecido da máf... — 28/12/2015 @ 12:46 pm | Responder

  3. Republicou isso em O LADO ESCURO DA LUA.

    Comentário por anisioluiz2008 — 28/12/2015 @ 8:13 am | Responder


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