Ficha Corrida

24/11/2015

Jornalixo

jornalismo_independenteO jornalixo praticado no Brasil não nasceu espontaneamente. É de caso pensado  e amestrado com mão de ferro. E a seleção acontece de tal forma que o casamento da genuflexão com o arriamento das calças se dá de forma natural e espontânea. Arriar as calças pra que o patrão se sirva é o traço comum encontrado nas redações dos assoCIAdos do Instituto Millenium. Na Folha, por exemplo, só o patrão pode falar mal do Aécio. Mas só quando isso pode favorecer algum correligionário da Judith Brito do PSDB paulista.

Como hoje, em editorial, a Folha abordou o que seus articulistas não têm culhão para publicarem: MPF/PF e Judiciário são parceiros passivos do PSDB. É mais fácil uma tartaruga chegar em Marte que o Mensalão do PSDB ou mesmo o Tremsalão sejam julgados antes da prescrição. A Argentina investigou, processou e puniu os bandidos da ditadura. Aqui, graças ao hímen complacente de parcela do MPF/PF e Judiciário, Brilhante Ustra morreu inocente. Paulo Malhães, mesmo admitindo os crimes praticados na ditadura, jamais foi processado. Aqui, um candidato notadamente toxicômano, não só não sabe perder, como põe em cheque, com o apoio ostensivo da mídia, a credibilidade do TSE.

No Brasil, um empresa de comunicação pode pagar R$ 11 milhões para sonegar  R$ 110 milhões e não aparece ninguém para dar nome aos bois. No Brasil, todo investigado ou é filho, nora ou amigo do Lula. Paulo Preto e Zezé Perrella não são amigos de ninguém… Deve ser por isso que não são investigados. É muita hiPÓcrisia!

A nossa imprensa é abjeta porque seus parceiros, desde seus finanCIAdores ideológicos, às autoridades com quais mantém uma relação de mancebia, são abjetos.

Vale para as relações da imprensa o que se diz das más companhias: as más companhias tem o costume de andar com as más companhias…

 

Que redação teria peito para repudiar um editorial como fizeram os argentinos? Por Paulo Nogueira

Postado em 24 nov 2015 – por : Paulo Nogueira

Jornalista é jornalista, dono é dono: o protesto da redação do La Nación

Jornalista é jornalista, dono é dono: o protesto da redação do La Nación

Viralizou nas redes sociais uma foto em que jornalistas do diário argentino La Nación manifestam sua rejeição a um editorial.

Nele, os donos do jornal sustentam que é hora de perdoar, ou coisa parecida, os militares que cometeram atrocidades durante a ditadura.

A redação se incomodou. O repúdio se espalhou e disso resultou uma imagem épica, na qual os jornalistas aparecem com cartazes em que dizem o que pensam.

Nas redes sociais no Brasil, a pergunta que mais se fez foi esta: você consegue imaginar isso na Folha, no Globo ou em qualquer redação?

Claro que não.

Minha hipótese é que o similar brasileiro seria uma foto na qual os jornalistas diriam em cartazes: “Eu apoio o editorial!” (Com exclamação, provavelmente.)

Isso mostra quanto as redações brasileiras foram aparelhadas pelos donos e seus prepostos.

É uma lástima, uma vez que se perde o debate de ideias e visões que mesmo na ditadura militar vigorava nas redações. É destruído, também, um certo equilíbrio de forças do qual o beneficiário foi sempre o leitor.

A situação clássica no jornalismo, no Brasil e em qualquer parte, é mais ou menos a seguinte. Os donos são conservadores, por razões óbvias. E os jornalistas são progressistas, por motivos igualmente óbvios.

Internamente, os dois lados esgrimam em torno de seu pensamento. Uma síntese sai daí.

Alguns casos notáveis: a Folha nos anos 1970, quando teve no comando da redação o jornalista Claudio Abramo, de esquerda. Claudio negociava o espírito do jornal com Frias, de direita.

Durante muitos anos, a coexistência na Folha de duas mentalidades tão diferentes em posições-chave resultou num jornal interessante. A Veja no período Mino Carta-Civitas é outro bom exemplo.

Mas o que se viu nos últimos anos foi a virtual eliminação do progressismo nas redações.

Começou com os diretores – não mais Claudios, não mais Minos. E seguiu pelos escalões inferiores.

Os colunistas, hoje, repetem as opiniões dos donos. Todos falam, basicamente, as mesmas coisas. Você lê um e não precisa ler os outros.

E os repórteres publicam o mesmo tipo de vazamento, sempre contra aqueles dos quais seus patrões não gostam.

Há histórias icônicas. O diretor de mídias digitais da Globo, Erick Bretas, é mais Marinho que a família Marinho. Em sua conta no Facebook, ele convocou os seguidores a aderir às manifestações pelo golpe no auge delas. Bretas avisou que iria para a rua, e colocou como avatar no Facebook esta frase sepulcral: “Game Over”.

Acabou, numa tradução livre. Quer dizer, Bretas derrubou Dilma alguns meses atrás.

Este tipo de jornalista patronal ocupou as redações. São centenas de Bretas que diariamente produzem o conteúdo que chegará ao público da grande mídia.

É dentro desse quadro que se instalou o desequilíbrio que marca hoje jornais e revistas.

Já não há confronto de ideias. Vigora uma ideia única, a dos donos.

A foto da redação do La Nación mostra que na Argentina é outra a realidade – e muito mais arejada.

Existe algo de profundamente errado numa redação em que o repórter acha exatamente as mesmas coisas que o dono.

E é isso o que acontece nas redações brasileiras.

(Acompanhe as publicações do DCM no Facebook. Curta aqui).

Paulo Nogueira

Sobre o Autor

O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

Diário do Centro do Mundo » Que redação teria peito para repudiar um editorial como fizeram os argentinos? Por Paulo Nogueira

3 Comentários »

  1. […] Fonte: Jornalixo […]

    Pingback por Jornalixo | TUDO E MAIS UM POUCO — 26/11/2015 @ 10:54 am | Responder

  2. […] Sourced through Scoop.it from: fichacorrida.wordpress.com […]

    Pingback por Jornalixo | Q RIDÃO... — 25/11/2015 @ 9:51 am | Responder

  3. […] O jornalixo praticado no Brasil não nasceu espontaneamente. É de caso pensado e amestrado com mão de ferro. E a seleção acontece de tal forma que o casamento da genuflexão com o arriamento da…  […]

    Pingback por Jornalixo | EVS NOTÍCIAS... | Scoop.it — 25/11/2015 @ 9:51 am | Responder


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