Ficha Corrida

21/11/2015

O paradoxo da mentirosa

Filed under: Mara Gabrilli,Mentira,Paradoxo,PSDB — Gilmar Crestani @ 10:37 am
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aecio-neves-eduardo-cunhaNos livros sobre paradoxo, há um clássico, o “Paradoxo de Epimênides”: Um cretense disse: “todos os cretenses são mentirosos”. Se este enunciado é verdadeiro, então o enunciado é falso, já que um cretense mentiroso que o fez. É o caso da Mara Gabrilli.

Nesta semana duas afirmações do PSDB deslindam o paradoxo: Enquanto FHC dava a enésima entrevista dizendo condenar o apoio de seu partido à “pauta-bomba”, Aécio Neves tinha ainda mais espaço na mídia amiga para descantar o verso: “jamais seremos oposição ao Brasil”. Pauta-bomba é sinônimo de Eduardo CUnha e sua trupe de amestrados.

E como somos tratados como um bando de imbecis, o El País publica uma entrevista com a cretense, digo cretina, Mara Gabrilli. E ela, do alto da desfaçatez política que é moeda corrente no PSDB, derrama falação no sentido de que seu partido não pode apoiar o mentiroso Eduardo CUnha. Então busco na entrevista alguma menção ao seu colega e seu líder no Congresso, Carlos Sampaio: necas de pitibiriba… Alguma menção à aliança do presidente de seu partido, o PSDB, Aécio Neves com Eduardo CUnha. Nada vezes nada. Se a deputada pretendia algo mais que jogo de cena, que denuncie e cobre explicações de seus correligionários pelos sucessivos encontros clandestinos com CUnha, mas sobre isso o silêncio é ensurdecedor.

A solução do paradoxo é simples. Se mentirosa mente está dizendo a verdade, e sua verdade é a mentira com que somos brindados por eles via grupos mafiomidiáticos. Uma mentirosa pode afirmar que não se pode mentir?!

ENTREVISTA I MARA GABRILLI, DEPUTADA DO PSDB

“Chega, senhor presidente! Levanta desta cadeira, Eduardo Cunha”

Mara Gabrilli, a deputada do PSDB que confrontou o presidente da Câmara, diz que seu partido não pode apoiar um mentiroso para derrubar uma mentirosa

Afonso Benites Brasília 20 NOV 2015 – 21:18 BRST

“Chega, senhor presidente! Levanta desta cadeira, Eduardo Cunha”. O pedido em tom de desabafo feito pela deputada federal Mara Gabrilli (PSDB-SP) na sessão da última quinta-feira ilustra a encruzilhada em que o presidente da Câmara se meteu ao manobrar para impedir que o Conselho de Ética fizesse a leitura de um relatório preliminar do processo que pede a cassação do mandato dele por quebra de decoro parlamentar.

Gabrilli era, até então, uma das poucas parlamentares que não tinha lado na situação. Apesar de estar na vaga de terceira-secretária da Mesa Diretora, afirmava que não era nem aliada, nem opositora de Cunha. Sua postura, ousada para uma cadeirante em segundo mandato que se diz “Poliana com a vida”, mudou o jogo. Após suas sinceras palavras, em um tom ao mesmo tempo duro e singelo, por conta da voz suave, dezenas de deputados abandonaram o plenário da Câmara e forçaram Cunha rever a decisão da Presidência que havia cancelado a reunião do Conselho de Ética.

Ao EL PAÍS, Gabrilli diz que agora, é uma opositora do deputado e espera que ele ao menos renuncie à presidência da Câmara para servir de exemplo ao país.

Pergunta. O seu pronunciamento na Câmara na quinta-feira criticando o Eduardo Cunha me pareceu um desabafo. Foi isso o que a senhora fez?

Resposta. Sim. Foi um desabafo por causa dos últimos acontecimentos. Eu sempre achei que ele estaria situado na presunção da inocência, na dúvida e que tinha o direito de se defender até que ele deu entrevistas sem aderência nenhuma. Sem passar a verdade. Sem ter preocupação com a própria conduta dele. De ter um dinheiro fora do país e não declarar. Uma pessoa que é presidente da Câmara, que é a segunda na linha sucessória presidencial, como pode agir dessa maneira? Aí vem com uma história de que era uma trust, de que só é beneficiário. Começou a virar um monte de manobrinha para se safar.

P. Mas a senhora não o via dessa maneira negativa antes.

A atitude de desmoralizar o nosso próprio Conselho de Ética foi muito feio. Foi o uso do cargo para se proteger

R. Eu sempre gostei muito do jeito que ele conduzia a Casa, de como ele presidia as sessões, de como ele conduzia o processo com celeridade e de como ele valorizava o Parlamento. Eu o respeitava. Assim como muitos ali, a gente ouve falar muitas coisas negativas, mas eu nunca foquei nisso. Eu foquei no trabalho que ele havia executando. E na última sessão, aquela atitude de desmoralizar o nosso próprio Conselho de Ética foi muito feio. Foi o uso do cargo para se proteger. Para mim, chegou no limite que eu preservo de ética e bons costumes, de pessoa que está ali para ser imitada pela população. Chegou no ponto que isso começa a interferir no trabalho, no dia a dia de cada parlamentar. É muito difícil você conviver com esse estigma que deputado federal já tem e essa atitude dele veio a destruir mais ainda nossa imagem. Uma atitude iconoclasta, que destrói a imagem de todo um segmento.

P. Isso quer dizer que aumenta a ojeriza que boa parte da população tem dos políticos?

R. A permanência dele na cadeira de presidente vai contribuir para isso. Chegou a hora que ele não está mais fazendo bem. Fui muito sincera quando disse que gosto dele e sei que ele tem admiração por mim. Mas fazer o quê? É uma coisa que não impede de eu pensar que ele tem de sair de lá imediatamente. De que ele frustrou a população e que ele não faz bem.

P. Com esse posicionamento, a senhora deixa de ser aliada, por fazer parte da Mesa Diretora, e se torna uma opositora do Cunha?

R. Nunca me senti nem uma coisa nem outra. Estou na Mesa Diretora porque represento o maior partido de oposição da Casa. E ela é composta por vários partidos. O fato de eu estar lá não me faz nem aliada nem oposição a ele. Sempre trabalhei com discernimento. Me sinto uma guardiã dos brasileiros na Mesa. Agora, acho que na sessão, me posicionei como uma opositora. E eu não falava pelo partido, mas como uma deputada que está se sentindo ferida por conta das atitudes dele.

P. Por que o seu partido demorou para se posicionar sobre a situação do Eduardo Cunha?

R. O que estou entendo do meu partido é que, enquanto ele estava com essa presunção da inocência e podendo ter o direito de se defender, só pediram o afastamento dele. Mas depois que ele resolveu mostrar a linha da defesa dele, ele deu um tiro no pé. A linha de defesa não pareceu verdadeira. Parece que só mentiu. Ainda mais depois de ver deputados governistas pedindo para ter calma sobre as decisões do Eduardo Cunha. Como podemos ter um presidente da Câmara dependendo do tipo de acordo que ele faz para se salvar. Aí ficou difícil. Você vê que os deputados do PT se ausentaram do Conselho de Ética no início da sessão. Por isso que não dá para colaborar como uma pessoa que mente para tirar outra mentirosa.

P. Para ficar claro, a senhora está se referindo a Cunha e a presidenta Dilma Rousseff. É isso?

R. Sim, aos dois. O PSDB vem até agora batalhando pelo impeachment da Dilma por causa do estelionato eleitoral que ela cometeu. Mas depois que o Cunha mostrou a linha de defesa e que mentiu na CPI da Petrobras, que foi de livre e espontânea vontade, com audácia, falar não dá para apoiar. Não podemos apoiar o mentiroso para tirar a mentirosa. Os mentirosos que saiam todos.

P. A senhora é a favor do afastamento dele da presidência ou da cassação do mandato dele?

R. Agora, defendo que ele se afaste da presidência.

P. Ele diz que não sai por vontade própria. A senhora acha que ele muda essa decisão?

Senti que o Cunha foi atingido no coração. Não sei se isso faz alguma diferença para uma pessoa como ele

R. Não me parece, mas eu não o conheço com essa profundidade para te dar uma certeza. De qualquer jeito, eu vi o olhar dele para mim na sessão. Senti que ele foi atingido no coração. Não sei se isso faz alguma diferença para uma pessoa como ele.

P. A senhora diz que ele se decepcionou com ele. Me deu a impressão que ele também se decepcionou com a senhora.

R. Ele deve ter pensado: “justo você”. Ele foi pego de surpresa, mas mais do que decepção, havia reconhecimento do que eu estava falando. O olhar dele me dizia assim: “Puxa, você tem razão”. Eu tenho um jeito meio Poliana de olhar a vida e por isso sou muito, muito, muito ligada ao sentimento das pessoas. Por isso, sei que aquilo foi um chute no peito dele. Tanto eu acho que ele sentiu o impacto porque ele reviu a decisão.

P. Consegue estimar quando o Eduardo Cunha deixará o cargo? Ou perderá o mandato?

R. Não consigo. Não faço a mínima ideia. Até porque não sei qual será o modus operandi dele a partir do que aconteceu ontem, com uma enxurrada de críticas e os deputados abandonando o plenário.

“Chega, senhor presidente! Levanta desta cadeira, Eduardo Cunha” | Brasil | EL PAÍS Brasil

3 Comentários »

  1. […] Fonte: O paradoxo da mentirosa […]

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