Ficha Corrida

15/10/2015

Diante do Instituto Millenium, o PCC é uma legião de anjos

midia golpistaBasta ver o que está nas capas dos jornais de hoje. Como se tivessem sido produzidos e impressos num mesmo lugar, as oficinas do Instituto Millenium, todas as manchetes buscam jogar o facínora no colo de Dilma e Lula. Embora afronte a lógica mais comezinha, só a desfaçatez e o total senso de impunidade explicam porque cargas d’água o sujeito mais daninho a Lula e Dilma e ao próprio PT vira, pela mágica dos bandidos das redações, aliado de ocasião.

O comportamento dos a$$oCIAdos do Instituto Millenium, como já previra Judith Brito, é o último suspiro do golpe paraguaio. Só midiotas para não virem nas manchetes das cinco irmãs (Folha, Veja, Estadão, Globo & RBS) os estertores do demônio sendo exorcizado. Diante destes grupos, o PCC do Marcola, com quem Geraldo Alckmin senta e faz acordos, vira uma legião de anjos benfazejos…

E, pior, não há nenhuma novidade nisso. Até porque, como na fábula da rã e do escorpião, o golpismo é da natureza dos grupos mafiomidiáticos. Estiveram juntos em 1964, estiveram antes, depois e sempre.

O financiamento midiático das campanhas, por Marcus Ianoni

Por Fernando Brito · 14/10/2015

Marcus Ianoni é  professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal Fluminense e pesquisador associado da Universidade de Oxford. No Jornal do Brasil, escreveu ontem um artigo que merece ser lido por quem acha que o Brasil precisa – e faz tempo – de mecanismos de regulação da mídia.

Ianoni faz uma comparação interessante entre o financiamento privado que desequilibra a disputa eleitoral e o desequilíbrio de mídia que, igual, interfere no processo de formação de consciência política e de definição de voto do eleitor: “é a disputa pela opinião pública entre quem tem ou não voz”

Leia  que ele diz:

Mídia e golpe branco

Marcus Ianoni, no Jornal do Brasil

Na tentativa de golpe branco em curso no país, o papel de liderança da grande mídia salta aos olhos. O termo grande mídia diz respeito ao reduzido número de poderosas corporações de imprensa que controlam os meios de comunicação, em desacordo com determinações da Constituição de 1988 (carentes de regulamentação), que proíbem monopólio ou oligopólio nesse setor. Algumas dessas corporações – proprietárias, simultaneamente, de redes de televisão aberta e fechada, emissoras de rádio (AM/FM), jornais, revistas e portais na Internet- lideram, na esfera sociopolítica, sobretudo desde o início da Operação Lava Jato, uma campanha de oposição ao governo federal, que tem funcionado como alavanca-chave de poder do movimento de deposição da presidente Dilma Roussef, por impeachment ou renúncia.

Essa campanha da grande mídia articula-se com forças partidárias e do Congresso Nacional, procurando fornecer legitimidade às ações da frente institucional da coalizão do golpe branco, os políticos de oposição, o movimento parlamentar pró-impeachment. A crise política está evidenciando como nunca o quanto a concentração da propriedade da mídia compromete a igualdade política como fundamento da democracia. No limite, é a disputa pela opinião pública entre quem tem ou não voz, mesmo sabendo que o governo, formalmente, não é mudo. As corporações midiáticas e seus aliados estão promovendo uma campanha desigual contra um partido político e suas lideranças, cuja síntese é o movimento para tentar derrubar uma presidente da República eleita há menos de um ano sem que ela tenha cometido crime de responsabilidade. Isso tudo é tão danoso à igualdade política democrática quanto o financiamento empresarial das eleições. Uma outra regulação da comunicação política é fundamental para a democracia brasileira evoluir.

A grande mídia tem feito a cobertura da corrupção através de um sensacionalismo seletivo e partidarizado, praticamente sem discutir suas causas. Ela se omite, por exemplo, sobre a questão do financiamento empresarial de campanhas eleitorais (só muito recentemente abolido da legislação). Não discute a relação entre desigualdade política e captura do Estado pelo interesse econômico das grandes corporações, sendo o financiamento empresarial da política um meio de produção da síntese das duas primeiras variáveis e, assim, elo para a corrupção ativa e passiva. Motivo da omissão: é preciso manter a política como uma espécie de escrava a ser perversamente usada e maltratada pelo senhor, o poder econômico. Motivo do sensacionalismo: corrupção é escândalo, gera audiência, atrai anunciantes, vende jornal. Motivo do partidarismo: um partido de esquerda, que promoveu mudanças sociais importantes em um dos países mais desiguais do mundo, não interessa à coalizão neoliberal, do rentismo e da financeirização, à qual a grande mídia se vincula. Combater a pobreza e, se possível, a desigualdade social, tem custos que os supostos defensores da sociedade meritocrática não querem bancar. A ideologia liberal informa a grande mídia em relação a temas como inflação, juros, orçamento público, Estado, políticas sociais e segurança pública. Por outro lado, corrupção é um mal a ser universalmente combatido, doa a quem doer, mas a mídia tem abordado o problema com a velha máxima: aos amigos, tudo, aos inimigos, a lei. Para Eduardo Cunha e suas contas milionárias na Suíça, com recursos provenientes de desvios na Petrobras, tolerância. Para o mensalão e trensalão tucanos, tolerância também. E por aí vai.

Continue lendo no Jornal do Brasil.

2 Comentários »

  1. […] Fonte: Diante do Instituto Millenium, o PCC é uma legião de anjos […]

    Pingback por Diante do Instituto Millenium, o PCC é uma legião de anjos | educação ou barbárie — 19/10/2015 @ 2:49 pm | Responder

  2. […] Basta ver o que está nas capas dos jornais de hoje. Como se tivessem sido produzidos e impressos num mesmo lugar, as oficinas do Instituto Millenium, todas as manchetes buscam jogar o facínora no colo de Dilma e Lula. Embora afronte a lógica mais comezinha, só a desfaçatez e o total senso de impunidade explicam…  […]

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