Ficha Corrida

24/08/2015

Velozes e furiosos: golpe à moda paraguaia

aecio_gilmar_cunha

Ao se investir no papel de juiz de instrução e atiçar seus pit bulls para chafurdar nas contas da campanha da chapa Dilma/Temer, Gilmar Mendes elimina as últimas aparências de magistrado, se é que ainda tinha, e veste-se de araponga da honestidade alheia. Se isso já fosse o suficiente para torno-lo ainda mais patético, há o agravante de que ele já as havia aprovado sem restrições.

Este arroubo da pantera cor-de-rosa do STF pode ser o último suspiro dos golpistas. Sendo ele uma personagem manjada por armações de total nonsense, a credibilidade do golpe paraguaio desce ao fundo do poço de lama.

Resta ao patético serviçal de FHC o papel de golpista contra instituições (chamou o TSE tribunal nazista) e a democracia (manipulação de decisões) com o único objetivo de alçar ao Planalto o Napoleão das Alterosas.

Os três patéticos

RICARDO MELO

Isolada de sua base histórica, a banca e o empresariado, à tropa do impeachment só resta a debandada

Aécio Neves, Gilmar Mendes e Eduardo Cunha atuam como protagonistas de uma causa falida. Mesmo assim, não perdem uma oportunidade de expor em público sua estreiteza de horizontes. São golpistas declarados. Não importa a lógica, a política, a dialética ou mesmo o senso comum. Suas biografias, já não propriamente admiráveis, dissolvem-se a jato a cada movimento realizado para derrubar um governo eleito.

Presidente do PSDB, o senador mineiro-carioca pouco se incomoda com o ridículo de suas atitudes. Aécio sempre defendeu um programa de arrocho contra os pobres. Gabou-se da coragem de adotar medidas impopulares para "consertar o Brasil".

Agora sobe em trios elétricos como porta-voz do povo. Critica medidas de ajuste, jura pensar no Brasil e usa qualquer artimanha com uma única finalidade: isolar a presidente. Convoca sabujos para atacar um jornalista que revelou o escândalo do aeroporto construído para atender a ele e à própria família. Maiores informações na página A3 desta Folha publicada ontem (23/08).

Seu ajudante de ordens, ou vice-versa, é o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes. Sintoma da fragilidade do equilíbrio de poderes vigente no Brasil, Mendes emite toda sorte de opiniões fora de autos. Muda de ideia conforme as conveniências. De tão tendencioso e parcial, seu comportamento público seria suficiente para impugná-lo como síndico de prédio. Na democracia à brasileira, pontifica como jurista na mais alta corte do país. Quem quiser que leve a sério.

Mendes endossou as contas da campanha da presidente eleita alguns meses atrás. Coisas do passado. Esqueçam o que ele votou. De repente, detectou problemas insanáveis na mesma contabilidade e ruge ameaçadoramente contra o que ele mesmo aprovou. No meio tempo, acusa o Planalto de comandar um sindicato de ladrões financiado por empreiteiras envolvidas na roubalheira da Petrobras.

Bem, mas as mesmas empresas financiaram a campanha dos outros partidos. O que fazer? Vale lembrar: Mendes até hoje trava o julgamento favorável à proibição do financiamento empresarial de campanhas políticas. Seu pedido de vistas escancara um escândalo jurídico, legal e moral que o STF finge não existir. Ora, isso não vem ao caso, socorreria o juiz paladino Sergio Moro.

E aí aparece Eduardo Cunha, o peemedebista dirigente da Câmara. Terceiro na linha de sucessão presidencial, Cunha encenava comandar um exército invencível. Primeiro humilhou o Planalto na eleição para o comando da Casa. Depois, passou a manobrar o regimento para aprovar o que interessa a aliados nem sempre expostos. Tentou ainda se credenciar como alternativa golpista. Curto circuito total. Pego numa mentira de pelo menos 5 milhões de dólares, a acreditar no procurador geral, Cunha atualmente circula como um zumbi rogando piedade de parlamentares muito mais interessados em salvar a própria pele.

Cambaleante, o trio parece ter recebido a pá de cal com os pronunciamentos dos verdadeiros comandantes da nossa democracia. O mais recente veio do chefe do maior banco privado do país, Roberto Setubal. Presidente do Itaú Unibanco, Setubal afirmou com todas as letras não haver motivos para tirar Dilma do cargo. Tipo ruim com ela, pior sem ela ""que o digam os lucros pornográficos auferidos pela turma financeira.

Sem a banca por trás, abandonada pelo pessoal do dinheiro grosso e encrencada em acusações lançadas contra os adversários, à troupe do impeachment não resta muito mais que baixar o pano.

    2 Comentários »

    1. Republicou isso em Alo Presidenta do Brasil.

      Comentário por charlesfildes — 24/08/2015 @ 1:00 pm | Responder

    2. Republicou isso em Luizmuller's Blog.

      Comentário por luizmullerpt — 24/08/2015 @ 8:52 am | Responder


    RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

    Deixe uma resposta

    Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

    Logotipo do WordPress.com

    Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

    Imagem do Twitter

    Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

    Foto do Facebook

    Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

    Foto do Google+

    Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

    Conectando a %s

    Blog no WordPress.com.

    %d blogueiros gostam disto: