Ficha Corrida

23/07/2015

Jornalismo tarja preta

Esquilo frase-na-guerra-a-verdade-e-a-primeira-vitimaHá uma frase que explica as tarjas pretas do Estadão: “Na guerra, a primeira vítima é a verdade”. O axioma é atribuído a várias personalidades. Como Ésquilo é o mais antigo, e os gregos foram os primeiros em tudo, penso que se encaixa no pensamento do autor de Os Persas a primazia. Nos tempos napoleônicos, o filósofo da guerra, Carl Von Clausewitz, cunhou a expressão: "A guerra é a continuação da política por outros meios". Que meios seriam estes? Os Meios MafioMidiáticos!

No Brasil, a partir da primeira vitória do Lula, a imprensa é o exemplo e síntese dos dois pensadores.

Não é por acaso que a velha mídia inventou o Instituto Millenium. Este clube da direita Miami foi criado e existe para ser instrumento da política por outros meios, meios empresariais da informação.

Por exemplo, a Lei Rubens Ricúpero foi criada numa a$$oCIAção entre o governo FHC e Rede Globo. Mostrar o que é bom e esconder o que é ruim, em relação a FHC e o contrário em relação a Lula e Dilma tem sido a tônica da Rede Globo desde sempre. Se ficamos sabendo somente a partir do Escândalo da Parabólica, muito antes a Globo já fazia das suas, como no editorial que saudava a chegada da ditadura, ou em outra batalha da mesma guerra da Globo contra as forças populares, quando agiu buscando manipular o resultado eleitoral contra Leonel Brizola, no Escândalo da Proconsult.

Os exemplos são inúmeros e constantes. Não vem ao caso citar todos. Mas para o caso, só mais um. A tentativa de transformar um bolinha de papel em objeto contundente, para fazer de seu candidato uma vítima.

A Veja, pelo menos depois do Boimate, perdeu toda credibilidade. Hoje é consumida apenas em estábulos e pocilgas.

A Folha de São Paulo tem um currículo recheado com os escândalos da ditadura cuja participação permanece em seu DNA. Ter ajudado a manter a OBAN, emprestado carros para os agentes da ditadura desovar corpos estraçalhados nas orgias do DOI-CODI seria suficiente. Mas a Comissão da Verdade revelou que houve participação, no mínimo como espectadores, nas sessões de tortura, estupro, morte e esquartejamento nos porões do DOI-CODI. Não bastasse isso, na democracia perfila-se ao lado de outras famílias, perpetrando atos vergonhosos como a fabricação de um Ficha Falsa da Dilma. Recentemente, contra todas as evidências, “revelou” um habeas corpus inexistente do Lula.

E assim chegamos ao Estadão, o baluarte do conservadorismo e bíblia da direita hidrófoba.

O fato de os donos do Estadão terem participado da marcha dos zumbis pedindo golpe militar no Brasil é indício suficiente da demência desta empresa que vive de vender informação. Mas há pelo menos mais dois episódios que dizem muito sofre o Grupo Estado. Sabemos todos das inúmeras tentativas do Estadão de atribuírem às pessoas de Lula e Dilma a responsabilidade por todos os casos de corrupção ocorridos em seus governos. Só que o Estadão não se deu por conhecedor que seu Diretor de Redação, Pimenta Neves, praticava assédio moral e sexual sob as barbas dos Mesquitas. Ora, se é verdade que Lula e Dilma compactuaram com a corrupção em seus governo, o assassinato pelas costas de Sandra Gomide também pode ser atribuído, senão doloso pelo menos de forma culposa, aos chefes do assassino.

Requiao Jose SerraHá um outro papel desempenhado pelo Estadão que causa perplexidade pela forma como usa e se deixa usar para influenciar politicamente. É o caso do antológico artigo do Mauro Chaves, “Pó pará, governador!” Não precisa de mais adendos, o título já diz tudo. Coincidentemente, envolve a mesma personagem que agora o Estadão, de forma infantil, alcovita, José Serra.

A tentativa de incriminar uns e inocentar outros é prova suficiente de que nosso jornalismo é um antro de bandidos ainda mais perigosos do que os do PCC. Os bandidos atuam contra o patrimônio, os bandidos do jornalismo atuam contra a democracia, o maior patrimônio de um povo.

Na guerra contra Lula, Dilma e o PT, todas as armas já foram utilizadas. Ultimamente está em voga o golpe paraguaio. O golpe paraguaio, em moda na América do Sul, acontece quando se tenta dar um verniz legal a um golpe perpetrado às claras. É mais ou menos como atribuir a mulher de saia curta a culpa de seu estupro.

Na marcha do golpe paraguaio estão parcelas da Polícia Federal, Ministério Público e do Poder Judiciário, instrumentalizados pelos derrotados das últimas três eleições. A Síndrome de Abstinência eleitoral e de outros matizes tem levado o Napoleão das Alterosas a navegar pelo tapetão jurídico com uma desenvoltura só vista em fábulas árabes. Tudo em combinação com a velha mídia. A dobradinha de vazamentos seletivos, com maquiagem da meios mafiomidiáticos mantém em marcha um golpismo de republiqueta de bananas.

O mais recente episódio diz muito sobre o estágio atual do golpe paraguaio, mas fala ainda mais alto em relação ao “jornalismo” brasileiro.

Trata-se da sucessivas tentativas, e de forma escancarada, de manipular os fatos. Nesta guerra encetada pela direita brasileira para retomar o poder, depois de quinhentos anos, implica em esconder, como num passe de mágica, um helicóptero com 450 kg de cocaína. Todos os vazamentos da Operação Lava Jato são utilizados para esconder seus parceiros no golpe paraguaio e, ao mesmo tempo, incriminar a Presidente Dilma e o ex-Presidente Lula. A ponto de que tudo o que eles fazem os deixam de fazer é levado para aos tribunais, exatamente como fizerem os golpistas paraguaios. E mesmo quando os “crimes” atribuídos a eles sejam ocorrências idênticas às praticadas por FHC, Aécio Neves ou Geraldo Alckmin. Foi assim que o Estadão resolveu colocar uma tarja preta sobre personagem da marcha dos golpistas paraguaios, como se todo mundo fosse imbecil como eles. Para proteger as fontes que constantemente jorram, o Estadão joga para a fonte porque, como sabemos, o jornalista não precisa declinar o nome de sua fonte, e assim retira de seus ombros as tarjas espalhadas sobre seus parceiros ideológicos.

Fico com a análise do Roberto Requião: "Quem cobriu com tarja preta o nome de José Serra no documento da PF, quer seja da PF ou do Estadão, é um completo e perfeito idiota". Idiota, sim, mas peça importante na engrenagem do golpe paraguaio.

Nesta guerra em que a verdade é a primeira vítima, se os fatos não estiverem de acordo com as exigências para o golpe paraguaio, pior para os fatos.

3 Comentários »

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    Pingback por Jornalismo tarja preta | psiu... — 23/07/2015 @ 1:17 pm | Responder

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