Ficha Corrida

05/07/2015

O Gulag das Araucárias

Filed under: Golpe Paraguaio,Golpismo,Gulag das Araucárias,Perseguição — Gilmar Crestani @ 10:24 am
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Eu também li, ainda no tempo de seminarista, o Arquipélago Gulag, do russo Alexander Soljenítsin. Mas, talvez por ser uma realidade muito distante, não me chamou tanta a atenção como o livro do Frei Betto, Batismo de Fogo. Eu estava, e continuo, mais preocupado com a realidade brasileira. As ditaduras distantes me angustiam menos que as brasileiras. O viés redivivo do golpe de 1964 está inclusive na campanha #corrupçãonão do MP.

Na teoria marxista, pensa-se globalmente mas age-se localmente. Por isso também diagnosticamos na Rede Globo o câncer golpista, mas agimos contra a bandidagem quando das manipulação da RBS, com o movimento Midi@ética do Zero Fora, no início dos anos 2000. De lá para cá só piorou. O Instituto Millenium deu organicidade aos grupos mafiomidiáticos para conduzir os interesses golpistas mediante a captura de agentes públicos. Se alguém ainda duvida disso, verifique quem são os ganhadores de medalhas e estatuetas ou então busque saber como foi que a Globo capturou FHC. Um dica, conheça a história do filho que não era dele, como provou o exame de DNA pedido pelos filhos de d. Ruth Cardoso, com a jornalista da Globo, Miriam Dutra, escondida na Espanha…

Lava Jato e os processos de Moscou

5 de julho de 2015 | 08:46 Autor: Miguel do Rosário

antifa-br1

Gostei muito desse artigo, de Ignacio Godinho Delgado, professor de história da Universidade Federal de Juiz de Fora, que reproduzo abaixo.

O seu texto prova algumas coisas.

Que os autoritários guardam semelhanças em toda parte, na esquerda e na direita. Suprema ironia: os coxinhas que saíram às ruas protestando delirantemente contra um comunismo que não existe no Brasil, apoiam táticas judiciais arbitrárias que apenas se viram nos piores e mais brutais momentos do comunismo histórico.

O texto prova também que a mídia, desta vez, não conseguiu promover a lavagem cerebral de todo mundo.

Com suas técnicas de manipulação, sua psicologia de massa, prendendo “ricos e poderosos”, a mídia conseguiu enganar uma relativa e temporária maioria.

Mas não todos.

Há um núcleo antifascista que já percebeu a manobra. É a partir deste núcleo que se estruturá a resistência democrática ao ataque golpista das corporações midiáticas e seus interesses escusos.

***

No Conversa Afiada.

OS PROCESSOS DE MOSCOU, O JUIZ (?) MORO E A MÍDIA BRASILEIRA: TRAÇOS TOTALITÁRIOS DE UMA EMPREITADA GOLPISTA.

Por Ignacio Godinho Delgado

A leitura recente de O homem que amava os cachorros, magnífico romance do cubano Leonardo Padura, trouxe-me de volta à mente as farsas judiciais montadas por Stalin na antiga URSS. Através do isolamento, chantagens, torturas físicas e psicológicas, dirigentes comunistas, militares, chefes de polícia, cientistas…, todos que representassem obstáculos ao processo de concentração do poder nas mãos de Stalin, confessavam crimes espetaculares e delatavam antigos companheiros por atividades anti-soviéticas. Antes e depois, o opróbio, a execração pública, por via de orquestrada campanha na imprensa e nos meios de comunicação.

Naturalmente que não vivemos estes tempos, embora certa direita, por ignorância ou má fé, pretenda ver riscos de comunização e bolivarianismo (seja lá o que isso for) em governos que, desde 2003, a par de promoverem medidas singelas, mas efetivas, de inclusão social, colocaram sempre em posições chave do Executivo representantes do agronegócio, do empresariado urbano e do capital financeiro, além de conduzirem uma política macroeconômica rigorosamente conservadora. Os elementos totalitários da situação brasileira não estão do lado do espectro político que tem o PT como principal expressão. Delações derivadas de isolamento e chantagem, antecipadas e seguidas de espetacular campanha para execração pública das pessoas supostamente atingidas (desde que ligadas ao PT e aos governos que lidera), partem sabidamente da articulação que reúne segmentos golpistas da oposição e a nossa velha mídia, sob controle das mesmas famílias que cumpriram triste papel em episódios cruciais da história brasileira, a exemplo de 1954, com a ação contra Vargas, e em 1964, com o apoio ao golpe.

Moro não é Stalin, nem Youssef, Roberto Costa e Ricardo Pessoa têm qualquer semelhança com Bukharin, Kamenev e Yagoda, para nomear alguns delatores nas duas situações apontadas acima. Stalin era o dirigente máximo de um regime totalitário. Moro é um apenas um peão no jogo da oposição. Seus métodos, contudo, obviamente em escala e intensidade infinitamente menor, são os mesmos, para propósitos diversos. Para Stálin, a preservação, a ferro e a fogo, de uma situação tirânica. Para Moro, o desgaste de um governo eleito legitimamente. Nos dois casos, contudo, procedimentos insustentáveis para qualquer abordagem jurídica civilizada, como o atesta o insuspeito Marco Aurélio Melo. Nos dois casos, a instrumentalização do Estado (para usar uma expressão cara à oposição), com organismos de investigação e personagens do Ministério Público (no Brasil alguns jovens e intocáveis procuradores, que não se constrangem de revelar simpatias oposicionistas), cumprindo um papel descaradamente político.

Os elementos totalitários da situação brasileira complementam-se com a identificação do inimigo do povo, que reuniria em si a capacidade de produzir todo o mal existente na sociedade. É o petista. Ele é o trotskista da URSS stalinista; o comunista, o judeu, o cigano, da Alemanha nazi. A corrupção é apontada como inerente à condição petista e só pode ser extirpada se seu hospedeiro também o for. Não importa que nos últimos anos tenha sido criado o Portal da Transparência, a Controladoria Geral da União, reequipada a Polícia Federal e acentuada sua autonomia e a do Ministério Público. Não importa que os delatores assinalem que alguns esquemas investigados tenham nascido antes da ascensão do PT ao governo federal (quando finalmente começam a ser investigados) e que um empresário tucano, relatando suas desventuras em licitações desde a ditadura militar, alerte que nunca se roubou tão pouco no Brasil, porque finalmente a corrupção está sendo investigada e punida (http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2014/11/1551226-ricardo-semler-nunca-se-roubou-tao-pouco.shtml). Não interessa debater as raízes institucionais da corrupção e fazer as reformas que possam debelá-las. Importa é execrar, submeter o petista ao opróbio, ensejando as manifestações fascistas que têm atingido diversos personagens ligados ao partido. Quando virá a primeira morte?

A direita brasileira sempre se valeu das denúncias de corrupção para atacar seus adversários trabalhistas, do PTB ao PT, dada a dificuldade de obter êxito eleitoral com suas propostas reais. Imaculados Aloysio Nunes, Aécio Neves, Ronaldo Caiado… Apenas com FHC, por conta do êxito do Plano Real na contenção da hiperinflação, as forças políticas cuja linhagem remonta à velha UDN venceram diretamente as eleições presidenciais. Jânio e Collor eram outsiders e nuclearam seu discurso eleitoral na abordagem moralista do tema da corrupção. Nenhum dos três enfatizou as disposições de acentuação da subordinação externa da economia brasileira e de dissolução do legado trabalhista, centrais à visão de mundo udenista e peessedebista. Nos últimos tempos, após três derrotas seguidas, tais forças têm dado vezo a atitudes intolerantes, o ovo da serpente do totalitarismo, estimuladas por uma mídia, cujos elos com o capital financeiro foram desvendados por estudo seminal de Francisco Fonseca (2005), e que, hoje, precisa mais que nunca do golpe, para salvar-se da insolvência anunciada, através de contratos polpudos com o governo, a exemplo do que ocorre em São Paulo (http://www.viomundo.com.br/denuncias/namarianews-governo-paulista-desova-mais-de-r-155-mi-na-abril-folha-estadao-istoe-epoca-e-panini.html).

O acirramento da última campanha eleitoral, o atropelo na condução da política de ajuste fiscal e a tragédia que é a comunicação do governo Dilma favoreceram o cenário de intolerância que hoje vivemos. Todavia, nos próximos meses não há coisa mais importante a fazer do que resistir ao golpe. Vitorioso, vai-se o Pré-Sal, o que nos resta de soberania nacional e parecerão suaves as dificuldades que hoje atingem o mundo do trabalho.

FONSECA, F. (2005) O Consenso Forjado – a grande imprensa e a formação da agenda ultraliberal no Brasil. São Paulo: Hucitec

Ignacio Godinho Delgado é professor de História e Ciência Política na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia-Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento (INCT-PPED). Doutorou-se em Ciência Política pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 1999, e foi Visiting Senior Fellow na London School of Economics and Political Science (LSE), entre 2011 e 2012.

Lava Jato e os processos de Moscou | TIJOLAÇO | “A política, sem polêmica, é a arma das elites.”

2 Comentários »

  1. O Professor Doutor Delgado faz uma análise muito bem detalhada do que ocorre no Brasil, usando sua natural erudição, mas para chegarmos ao Povo temos que ser mais simples e usar linguagem mais popular, classificando de ladrão quem roubou e alcaguete quem delatou. Outros que se prestam a fazer manobras que aparentam ser jurídicas, são indivíduos desonestos que tumultuam a vida da Nação e não merecem consideração quanto mais ocupar um cargo público de grande responsabilidade. Sérgio Moror e Joaquim Barbosa pertencem a esta categoria, mas são testas de ferro dos verdadeiros planejadores destas situações que não têm nada de positivo para a sociedade porque a intenção deles é derrubar o Governo que almejam tomar conta. O Orçamento Geral da União é uma enorme montanha de dinheiro público que já é roubado descaradamente por sucessivas manobras dos parlamentares do congresso nacional que ali estão a serviço de quem lhes pagou as campanhas eleitorais e os gratifica por cada maracutaia que consigam fazer. Ladrões a serviço de ladrões, mas quando funcionário público honesto denuncia a roubalheira, a gangue da ladroagem se volta contra ele em peso e até o acusa de ladrão. É o que está acontecendo no Brasil, uma súcia de ladrões sempre sugerindo situações desonestas para a Presidente Dilma Roussef, cidadã que nunca roubou, não rouba e quer acabar com os ladrões do O.G.U..
    Na oposição ao Governo de D.Dilma existem numerosos ladrões descarados como Aécio Neves que é um viciado em cocaína e conseguiu eleger-se senador. Como um viciado em cocaína pode ser senador?
    Uma república que necessita ser sacudida por uma revolução que implante a honestidade como base da sociedade. lugar de ladrão é em campo de concentração com trabalhos forçados! O trabalho dignifica o homem!

    Comentário por pintobasto — 05/07/2015 @ 1:00 pm | Responder

  2. […] Veja atende, e bem, um único requisito: fazer capas para servir de prova nos Processos de Moscou que bota no Gulag das Araucárias os que podem servir de boi de piranha para criminalizar o PT e […]

    Pingback por Depois do Boimate, a tiragem milionária | Ficha Corrida — 05/07/2015 @ 10:44 am | Responder


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