Ficha Corrida

02/07/2015

Os bandidos de benz ganham nova biografia

A Rede Globo tem participação intransferível na ditadura. É antológico o editorial clamando pela ditadura. Depois disse que se arrependeu, mas nunca pediu perdão pelas prisões, torturas, mortes, estupros, esquartejamento de que foi cúmplice.

Na democracia, participou ativamente de muitos escândalos. A começar pela manipulação do debate entre Lula e Collor. O Caçador de Marajás foi canonizado, ao passo que Lula sempre foi demonizado. Depois veio o Escândalo da Proconsult, quando a Globo, ah se houvesse justiça neste país, trabalhou ativamente para fraudar as eleições de Brizola. Não contente com isso, escalou Carlos Monforte para ser uma espécie de levantador para Rubens Ricúpero cortar, naquele episódio que ficou famoso como Escândalo da Parabólica. A Lei Rubens Ricúpero é da lavra da Globo. E também não devemos nos esquecer que a Rede Globo capturou FHC usando Miriam Dutra. Esconderam ela na Espanha, enquanto FHC paria publicidade para elevar os filhos ao topo da Revista Forbes. Um exame de DNA provou que o filho que a Globo enfiou na goela de FHC não era dele. Mas quem se importa, né!?

Livro acusa Globo de ‘delação’ na ditadura

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Obra dos jornalistas Palmério Dória e Mylton Severiano afirma que Roberto Marinho entregou os nomes de 223 intelectuais aos militares no início da Ditadura no país, numa polêmica publicação no jornal O Globo, na qual acusava o chamado Comando dos Trabalhadores Intelectuais de trabalhar "ativamente pela implantação do regime comunista no Brasil". "Republicando-o agora, chamamos a atenção do alto-comando Militar para os nomes que o assinaram", justificava o jornal; as Organizações Globo se beneficiaram amplamente da amizade com os generais; obra será lançada nesta sexta (3), em São Paulo

2 de Julho de 2015 às 21:30

247 – Livro que será lançado nesta sexta-feira (3), "Golpe de Estado", escrito por Palmério Dória e Mylton Severiano, revela como o jornal O Globo se comportou durante o período da Ditadura Militar no país. A obra traz para a atualidade uma das publicações do jornal de Roberto Marinho que revelava nomes daqueles que haviam trabalhado "ativamente pela implantação do regime comunista do Brasil", numa espécie de "delação premiada" aos militares, o que garantiu às Organizações Globo farto apoio durante o regime de exceção no país.

"No dia 7 de abril, terça-feira, enquanto os grandes jornais, com exceção do Última Hora, continuam comemorando a “vitória da democracia”, o carioca O Globo presta um serviço extra aos militares que derrubaram o presidente João Goulart, que o povo chamava de Jango: um serviço extra de delação, função para a qual o jornalista e humorista Stanislaw Ponte Preta — diante da proliferação de “dedos-duros” em todas as áreas — criou o neologismo “deduragem”, do verbo “dedurar”. Nessa época, O Globo figura na rabeira dos grandes jornais. No Rio, os maiores, além do popular Última Hora, eram o Correio da Manhã e o Jornal do Brasil. Na capital paulista fica a sede do mais importante do país, O Estado de S. Paulo, único que se pode considerar como jornal de alcance nacional. Os outros, Folha de S. Paulo, Diário de S. Paulo, Correio Paulistano, figuram em segundo plano. Todos os citados, sempre com a exceção do Última Hora, já depredado por asseclas de Carlos Lacerda, haviam participado da campanha de desmoralização do governo Jango e deram apoio à quartelada. Agora, uma semana depois, O Globo ocupa quase uma página inteira para um texto encimado por esta manchete: “Fundação do Comando dos Trabalhadores Intelectuais (CTI)”. Dizem as quatro linhas da abertura: “Este é o manifesto do chamado Comando dos Trabalhadores Intelectuais, que trabalhou ativamente pela implantação do regime comunista no Brasil. Republicando-o agora, chamamos a atenção do alto-comando Militar para os nomes que o assinaram.", relata o livro "Golpe de Estado" (abaixo arquivo do primeiro capítulo da publicação na íntegra).

Segundo a publicação, assinavam o manifesto, divulgado em 7 de outubro de 1963, o crítico de cinema Alex Viany; crítico literário Álvaro Lins; jornalista Barbosa Lima Sobrinho; dramaturgo Dias Gomes; escritor Edson Carneiro; editor Ênio Silveira; escritor Jorge Amado; romancista e crítico Cavalcanti Proença; poeta e escritor Moacyr Félix; militar e historiador Nelson Werneck Sodré; arquiteto Oscar Niemeyer; e o juiz, jornalista e escritor Osny Duarte Pereira. A eles juntavam-se até ali 211 membros fundadores do CTI, totalizando 223 intelectuais que O Globo indicava ao alto-comando militar da “revolução” como candidatos ao paredão de fuzilamento.

A obra será lançada em São Paulo, a partir das 19h, no Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé na rua Rego Freitas, 454, conjunto 83, próximo à estação República do Metrô. Na oportunidade também haverá um debate sobre Mídia, golpe e ditadura: ontem e hoje, com a participação de Emiliano José (Secretário de Serviços de Comunicação Eletrônica do Ministério das Comunicações) e os jornalistas e escritores Palmério Dória, Hildegard Angel e Fernando Morais.

Abaixo o texto de divulgação sobre o livro:

O ENTULHO QUE A DITADURA NOS DEIXOU: PAGAMOS ATÉ HOJE PELO GOLPE DE 1964

Um livro indispensável para quem quer conhecer e entender a história do país pós-1964, ano de implantação da ditadura militar que conduziu o país até 1984, quando foi eleito – de forma indireta – o presidente Tancredo Neves, que morreu e foi substituído pelo vice José Sarney – assim pode ser visto “Golpe de Estado”, mais uma obra polêmica de Palmério Dória e Mylton Severiano da Silva, autores dos best-sellers “Honoráveis Bandidos” e “O Príncipe da Privataria”, todos pela igualmente polêmica Geração Editorial.

Ao relembrar como uma elite financeira, industrial e agrária conservadora levou a classe média à histeria no início dos anos 60, preparando o terreno para o golpe militar de 1964, o livro lança luzes sobre os dias de hoje, quando jornais, rádios e TVs clamam aos céus contra a “corrupção”, levando com eles os desinformados que desfilam nas ruas e batem panelas de suas varandas.

“A corrupção – ressalta o editor Luiz Fernando Emediato – foi sempre a palavra de ordem dos golpistas nos anos 50 (para derrubar o governo eleito de Getúlio Vargas, que se matou) e, aliada à ameaça comunista, também nos anos 60, para seduzir os militares fiéis aos norte-americanos. A palavra voltou agora, quando se pretende destruir um partido, o PT”.

Mas, cuidadoso, o editor acrescenta: “Claro que nenhum de nós, cidadãos honestos, podemos aceitar a corrupção. No entanto, quando as denúncias vêm daqueles que sempre a praticaram, aí é bom desconfiar”.

TESTEMUNHAS DA HISTÓRIA

Os jornalistas Palmério Dória e Mylton Severiano da Silva (que morreu antes de ver o livro lançado) recuperam histórias da época, muitas das quais eles mesmos participaram, como agentes ou testemunhas, algumas delas pouco conhecidas. Eles pesquisaram os fatos e entrevistaram outros jornalistas, políticos e personalidades que, assim coo eles,viveram os fatos e sofreram suas consequências.

A ideia que os norteia é simples: provar que a ditadura nos legou um entulho de que estamos nos livrando, mas de maneira precária, com fortes recaídas no autoritarismo e com uma sociedade que, em matéria de desigualdade, violência, elitismo e exclusão, continua imbatível. Uma sociedade dividida e grande parte dela igualmente autoritária e conservadora.

Uma frase de Walter Benjamin, afirmando que o estado de exceção é o de regra geral, dá o tom do livro, que tem 32 capítulos e uma providencial linha do tempo com os fatos de maior importância entre 1882 e 2014, quando o golpe militar “comemorou” 50 anos.

O autores, algo saudosos do jornalismo heroico da primeira metade do século XX, lamentam o fato de o jornalismo ter se transformado um negócio comercial, com mais espaço para frivolidades e serviços; a cultura massacrada e transformada em mero objeto de consumo; o predomínio das finanças (agora sob o império global) sobre o investimento, que gera riqueza real; e a persistência da pobreza, da desigualdade e da injustiça social, tendo em vista o estancamento das reformas que tornariam possível o crescimento do país e uma melhor distribuição da renda e das riquezas.

O livro resgata também a imagem do presidente deposto João Goulart, tido na época como homem fraco e dispersivo, mas que, na verdade, tinha grandes projetos sociais para o país e antes do golpe, segundo o Ibope, contava com 86% de popularidade.

Um país pronto para decolar – como aconteceu com a Coreia do Sul – é revelado, com o chocante estancamento do processo que tornaria o desenvolvimento possível, segundo Goulart e seu cunhado, o então ex-governador do Rio Grande do Sul Leonel Brizola. O que se seguiu ao golpe – violações de direitos humanos, prisões, torturas, assassinatos de adversários políticos e até de inocentes – é revelado cruamente, o que pode chocar quem não tem muita informação sobre o período.

Sobre os autores:
Mylton Severiano e Palmério Dória – Envolvidos na análise dos fatos que precipitaram 1964 e em suas consequências nefastas, Mylton Severiano e Palmério Dória testemunharam os crimes e desmandos daquela era, pois Severiano esteve na lendária revista “Realidade”, extinguida pelo AI-5 em 1968, e Palmério Dória, entre outros feitos, escreveu o único livro existente sobre o pistoleiro Alcino João de Nascimento, envolvido no polêmico “atentado de Toneleros” que precipitou o suicídio de Getúlio Vargas em 1954. Ambos documentaram também a era Sarney e a era FHC em livros de denúncia que foram grandes sucessos de vendagem e leitura, “Honoráveis Bandidos” e “O Príncipe da Privataria”.

Livro acusa Globo de ‘delação’ na ditadura | Brasil 24/7

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